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Queimada: Aprendizado Lúdico Infantil

O documento discute o jogo "Queimada com pinos" como uma atividade que pode consolidar a aprendizagem de esportes coletivos em crianças de 7 a 12 anos. O jogo incentiva o passe, arremesso e contato com a bola, ensinando conceitos de esportes como handebol, basquete e vôlei de forma lúdica. Ele promove o pensamento estratégico, a autonomia coletiva e a compreensão do esporte de uma forma não técnica.

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Lucas Barbosa
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Queimada: Aprendizado Lúdico Infantil

O documento discute o jogo "Queimada com pinos" como uma atividade que pode consolidar a aprendizagem de esportes coletivos em crianças de 7 a 12 anos. O jogo incentiva o passe, arremesso e contato com a bola, ensinando conceitos de esportes como handebol, basquete e vôlei de forma lúdica. Ele promove o pensamento estratégico, a autonomia coletiva e a compreensão do esporte de uma forma não técnica.

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JOGO 

OPORTUNIZA CONSOLIDAÇÃO DE APRENDIZAGEM EM 
ESPORTES COLETIVOS

O jogo Queimada com pinos, para crianças dos 7 aos 12 anos, parte do princípio 
de que o esporte pode e deve ser ensinado tanto a partir de situações lúdicas como a 
partir das determinações motoras e técnicas. As atuais discussões da Pedagogia do 
Esporte envolvem este tipo de prática e direcionam a base do ensino­aprendizagem 
para as questões cognitivas e complexas. O jogo Queimada com pinos faz parte da 
categoria  jogos de alvo.   Podemos afirmar que, após seu pleno desenvolvimento, 
consolida­se um processo de ensinar e aprender vários esportes coletivos, como o 
basquetebol, o voleibol e o handebol.

QUEIMADA COM PINOS

Renato Sampaio Sadi


Mestre e Doutor em Educação
Docente da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Goiás

Introdução
Pensando   em   alargar   as   oportunidades   de   toque,   passe,   arremesso,   isto   é, 
possibilitar  um   maior   número   de   contatos   com   a   bola,   elaboramos   o   jogo   de 
Queimada com pinos com o objetivo de incrementar elementos da compreensão de 
jogos como caminho para o ensino­aprendizagem de esportes.
Para desencadear e difundir as discussões sobre a educação integral, da qual a 
educação esportiva deve fazer parte, sugerimos aos professores e pais que continuem 
pacientes quanto aos tempos pedagógicos, ou seja, que continuem desenvolvendo a 
consciência   de   um   processo   pedagógico   de   médio   e   longo   prazos,   oferecendo 
escolhas de vários tipos à criança. Ao longo da vida, precisamos ter oportunidade de 
experimentar   vários   esportes,   ajustando   influências   culturais   e   solidificando 
conhecimentos variados. Reafirmamos que o objetivo do esporte escolar não deve 
ser a formação de atletas, mas a formação humana.
Nesse sentido, formulamos a seguinte pergunta a fim de orientar as discussões 
deste texto: –  Como  tem sido o ensino­aprendizagem  de esportes  coletivos  para  
além   do   ensino   de   técnicas   e   táticas?  Partimos   da   orientação   geral   contida   na 
concepção Ensino esportes por meio de jogos e formulamos a seguinte hipótese: O 
ensino­aprendizagem de esportes coletivos tem sido marcado por baixa densidade 
teórico­prática. Embora tenhamos opiniões a respeito do percurso investigativo e de 
várias   práticas  docentes,   não  é  nossa  intenção  esgotar  o  presente   assunto,   assim 
como   não   temos   nenhuma   pretensão,   nessas   linhas,   de   esboçar   formulações 
definitivas sobre o assunto. 
Ao verbalizar as variadas ocorrências no jogo, as crianças realizam o pensamento 
estratégico e direcionam sua base de formação esportiva para uma perspectiva não­
tecnicista.   A   autonomia   coletiva   de   respostas   e   busca   de   solução   de   problemas 
incrementa   e   encoraja   os   alunos   na   compreensão   do   esporte.   Mesmo   com   um 
repertório físico e intelectual limitado, é possível definir um plano de performances 
inteligentes  que  inclui  responsabilidade   compartilhada  e  noções  fundamentais  do 
esporte.
A interação social promovida no jogo pode dar ênfase, de um lado, aos aspectos 
lúdicos do universo infantil e, de outro, aos temas organizados e seqüenciados do 
planejamento de aulas de esporte escolar. Como um problema do contexto em que 
emergem múltiplas escolhas e situações, a interação social se transforma em uma 
ferramenta   pedagógica   composta   por   cognição,   habilidades   motoras,   afetivas   e 
lúdicas. Quando o professor desenha a interação social como campo de vivência e 
aquisição   de   conhecimentos   fundamentais   do   esporte,   na   verdade,   visualiza   e 
trabalha com a meta de tornar seu ensino eficaz, tanto do ponto de vista teórico 
como do ponto de vista prático. Assim, é possível situar a cognição e os aspectos 
corporais do jogo como questões inseparáveis.
O jogo, descrito a seguir, foi criado para auxiliar o ensino de esportes coletivos 
(handebol, basquete e vôlei, preferencialmente). Além de oferecer elementos edu­
cativos, este é um jogo dinâmico e envolvente que atrai pessoas de todas as idades; 
por apresentar um caráter esportivo, de disputa acirrada, não deve ser visto como 
simples jogo/brincadeira.

Descrição do jogo

1. Preparando a quadra
Antes de iniciar o jogo, é preciso preparar a quadra onde vai ocorrer a disputa. 
Pode ser uma quadra de vôlei da escola ou uma área de tamanho mais ou menos 
igual, dividida ao meio, com as demarcações conforme o que apresenta o quadro, em 
duas cores diferentes, identificando os espaços que podem ser ocupados pelas duas 
equipes e  pelos cones. Por exemplo: equipe A na  cor  amarela,  equipe B  na cor 
verde; os cones são colocados no centro do espaço de cada equipe, circundados por 
uma linha de marcadores de giz ou por um bambolê.

2. Definindo as equipes
O número de jogadores de cada equipe não deve ser maior do que 10 alunos. Em 
turmas com maior número de crianças, o professor deve procurar fazer rodízio entre 
os alunos, de modo que todos possam participar do jogo.
Ao entrar em quadra, cada equipe indica um jogador para ser o  morto  que vai 
para   o  cemitério  (espaço   representado   pelo   pontilhado   no   quadro),   como   é 
geralmente usado no jogo da Queimada Tradicional ou das Queimadas Adaptadas.
É preciso que as equipes fiquem sempre alerta porque o cemitério de uma está 
localizado atrás e nas laterais do espaço da outra.

3. Selecionando materiais
Para o jogo é necessário que se disponha de:
• giz ou bambolê para marcar os espaços conforme o modelo da quadra;
• dois cones plásticos;
• duas bolas diferentes.
Devem ser usadas, preferencialmente, bola de vôlei, não totalmente cheia, e bola 
de borracha. A bola de vôlei será utilizada para queimar pessoas (alunos), portanto 
não pode queimar o cone; a bola de borracha será aquela que pode queimar o cone, 
não podendo queimar pessoas.
Então,   os   alunos   deverão   estar   muito   atentos   e   concentrados   para   cumprir   o 
objetivo do jogo: acertar (queimar) pessoas e cones, com a utilização simultânea, de 
duas bolas no jogo.

4. Realizando o jogo
Por meio de um sorteio, a equipe vencedora deverá escolher o lado da quadra 
onde deseja iniciar o jogo e uma das bolas. Conseqüentemente, a outra equipe se 
coloca no lado restante e fica com a bola que sobrou.
As partes do corpo consideradas “livres” (que não queimam) são as mãos, braços 
e cabeça.
Iniciando   o   jogo,   os   jogadores   podem   passar   a   bola   (sempre   com   as   mãos) 
livremente,   entre   sua   própria   equipe,   trocando   passes   de   variados   tipos,   fazendo 
tentativas de acertar e, portanto, queimar um jogador ou o cone do time oposto.
Quando   o   primeiro   jogador   for  queimado  (carimbado),   o   aluno   que   está   no 
cemitério, morto, ressuscita e volta para seu campo de jogo.
Queimado um jogador, a partida é interrompida: este se desloca para o cemitério 
de   sua   equipe,   permanecendo   no   jogo.   Por   exemplo,   jogador   da   equipe   A,   cor 
amarela, vai para a área pontilhada, de cor amarela; da equipe B, cor verde, vai para 
a área pontilhada, de cor verde.
Quando   o   cone  da  equipe   adversária   é  acertado   e   derrubado,   a   equipe   que   o 
acertou escolhe um jogador dos adversários para que ele se desloque para a área do 
seu cemitério.
Qualquer jogador dos cemitérios continua no jogo, sem retorno à quadra, mas 
com direito de pegar a bola e, tentando atirá­la, queimar tanto jogadores como cone 
adversário,   cuidando   sempre   para   jogar   com   a   bola   adequada.   Portanto,   jogador 
queimado não é eliminado.
Se houver queimadas simultâneas (de pessoa e cone ao mesmo tempo), o jogo é 
interrompido e vale apenas a primeira jogada.
O   jogo   termina   quando   todos   os   jogadores   da  quadra,   de  uma   equipe,   forem 
queimados.

Implicações
didático-metodológicas
A Queimada Tradicional é um jogo lento e quase sempre desmotivante para quem 
perde chances. Os jogadores carimbados/queimados são excluídos e as lembranças 
que ficam registradas dizem respeito a gostos amargos relacionados ao esporte. Ao 
alterar as regras e os eixos centrais da queimada tradicional, transformando­a em 
Queimada   com   pinos,   elaboramos   diferentes   perspectivas   para   o   ensino­
aprendizagem dos esportes. A princípio, os esportes coletivos considerados foram o 
handebol, o basquetebol e o voleibol. Por entender que as habilidades dos esportes 
são   transferidas   para   outros   esportes   e   o   intenso   processo   de   socialização   e 
motivação neste jogo possibilitará novas configurações de necessidades e desejos de 
ensino­aprendizagem,   apresentamos   as   seguintes   modificações:   Utilização   dos 
fundamentos passe (handebol e basquetebol) e cortada (voleibol) como condição de 
ataque (queimada) no jogo. 
A   rápida   movimentação   dos   jogadores   é   possibilitada   pelos   passes   curtos   e 
longos, bem como pela dinâmica das duas bolas no jogo. Diante das várias opções 
para obtenção de ponto (queimada no cone, queimada no adversário, passe, finta, 
deslocamento, etc.), a cognição exigida como ferramenta ativa desempenha papel 
central.   Isso   implica   a   socialização,   entre   os   jogadores,   de   informações   sobre   o 
posicionamento em quadra. Uma outra exigência bastante conflituosa no início, mas 
posteriormente assimilada como elemento estratégico, diz respeito à escolha do (a) 
jogador (a) escolhido para continuar no jogo na área do cemitério, morto ou reserva. 
Trata­se   de   uma   ação   que   pode   ser   entendida   como   prêmio   para   a   equipe   que 
derrubou o cone, mas que também pode ser utilizada como tática pela equipe que 
teve seu cone derrubado.
Por   outro   lado,   o   número   de   vezes   que   cada   jogador   toca   na   bola   é   sempre 
superior aos tradicionais exercícios de passe, arremesso e outros fundamentos que 
são executados para o treinamento dos esportes. O jogo Queimada com pinos pode 
favorecer estas habilidades, oportunizando exercícios em situação real. Constituindo 
elemento   integrante   da   categoria  jogos   de   alvo,   este   jogo   é   um   desafio   para   as 
crianças em contato com o mundo dos esportes coletivos. Podemos afirmar que, 
após seu pleno desenvolvimento, consolida­se um processo de ensinar e aprender 
vários esportes coletivos, como o basquetebol, o voleibol e o handebol. 
Considerações finais
O   conteúdo  jogo   e   esporte  nas   aulas   de   Educação   Física   implica   em 
determinações, significados, atitudes, observações e processos de teor complexo. A 
complexidade   da   Educação   Física   no   campo   escolar   por   si   só   já   representa   um 
desafio   para   os   professores.   Pelo   fato   de   haver   um   elevado   desnível   entre 
professores   iniciantes   e   experientes,   diferentes   aplicações   esportivas   são 
experimentadas. Os saberes próprios dos professores como ponto de partida para a 
mudança de postura e aquilo que entendemos como conhecimento crítico­criativo se 
apresenta também como um aspecto a ser desenvolvido. 
O jogo Queimada com pinos, ao oferecer as condições para o desenvolvimento do 
esporte, não implica aceitação pura e simples de sua forma projetada. Pode haver 
adaptações que o tornem ainda mais complexo.
Discutir   o   tema  ensino   de   esporte   por   meio   de   jogos  nos   leva   a   diferentes 
interesses   profissionais   e  acadêmicos   que  implicam,   por   sua  vez,   uma   formação 
permanente   de   cunho   crítico­criativo   para   além   dos   determinantes   tanto   do 
tradicionalismo/tecnicismo quanto da crítica situados nas décadas de 1980 e 1990. 
Assim, a busca pelo rompimento de fragmentações e a aposta na perspectiva de 
totalidade da compreensão do jogo como a primeira base do esporte tornam­se um 
desafio permanente. Por fim, superar os condicionantes do agir docente e discente 
em   direção   a   novas   formas   metodológicas   do   esporte   não   pode   ser   apenas   um 
modismo. Trata­se de um direito dos alunos e de uma necessidade dos professores.

REFERÊNCIAS

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