Teoria de Asquini no Direito Empresarial
Teoria de Asquini no Direito Empresarial
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
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1. BREVE HISTÓRICO DO DIREITO COMERCIAL
1.1 Antiguidade
Como bem salienta Waldo Fazzio Júnior (2005, p.30), o Corpus Júris Civilis
consagrou da vontade de Justiniano4 em ampliar o desenvolvimento mercantil
das civilizações antigas, bem como a Lex Rhodia de Jactu (alijamento) e o
Nauticum Foenus (mútuo e seguro marítimo).
3 A Pax Romana, expressão latina para "a paz romana", é o longo período de relativa paz,
gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo que iniciou-se quando Augusto,
em 29 a.C., declarou o fim das guerras civis e durou até o ano da morte de Marco Aurélio, em
180 d.C. Era uma expressão já usada na época, possuindo um sentido de segurança, ordem e
progresso para todos os povos dominados por Roma.
4 Imperador bizantino no século VI d.C., consolidou o cristianismo como forma oficial de crença
perante seu governo. A estratégia de governo era focada em três critérios: um Estado, uma Lei
e uma Igreja.
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intolerável perante os dogmas da Igreja, ou seja, a barganha era um pecado do
comerciante que comprava para vender mais caro. Mesmo assim,
conquistaram, por meio do caráter subjetivo individual, a autonomia para
alguns centros comerciais, por exemplo, as poderosas cidades italianas de
Veneza, Florença, Gênova, Amalfi e outras (REQUIÃO, 2003, p. 9-10).
5O comércio era exercido tão apenas pelo seu titular proprietário, mesmo com a ajuda de
alguns raros auxiliares ou trabalhadores
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atender às necessidades humanas, marcando, assim, o desenvolvimento
tecnológico com a adoção de novas fontes de energia e máquinas no processo
produtivo (PACKER, 2002, p. 38-39).
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Indicação de filme
Nacionalidade: Brasil
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2. O RAMO JURÍDICO DO DIREITO COMERCIAL
2.1 Terminologias
2.2 Conceitos
6 Dicionário O GLOBO. Sinônimo: Diz-se da palavra que tem o mesmo ou quase o mesmo
sentido que outra.
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Para Vivante (apud MARTINS, 2001, p.14), o direito comercial “[...] é a parte do
direito privado que têm principalmente por objeto regular as relações jurídicas
que surgem do exercício do comércio”.
Nas lições de Lyon-Caen et Renalt (apud MARTINS, 2001, p.14), “[...] o direito
comercial propriamente dito tem por fim regular relações entre particulares a
que dá lugar ao exercício do comércio”. Cosack (1935) entendeu que “[...] o
direito mercantil compreende todas as regras do direito privado que de modo
especial se adaptam às necessidades ou exigências do tráfico comercial”.
Alfredo Rocco (apud MARTINS, 2001, p.15) define o direito comercial como
“[...] o direito do comércio, ou seja, o complexo das normas jurídicas que
regulam as relações derivadas da indústria comercial”. Ripert (1951) por sua
vez, define como “[...] a parte do direito privado que regula as operações
jurídicas feitas pelos comerciantes, seja entre si, seja entre os seus clientes”.
Por fim, Fran Martins (2001, p.16), utilizando-se dos conceitos de Ripert,
Waldemar Ferreira e Carvalho de Mendonça, conceitua o direito comercial
como “[...] o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das
empresas e dos empresários comerciais, bem como os atos considerados
comerciais, mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das
empresas”.
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e) Onerosidade: não existe fundamento filantrópico no direito comercial. O
intuito da atividade comercial é o lucro como regra e a busca do ganho por
meio de uma atividade empresarial remunerada.
7Ramo do direito que estuda as relações da insolvência empresarial e a extinção forçada pelo
Estado em detrimento o direito dos credores. Existem dois institutos no direito falimentar: um
para evitar a morte da empresa, chamado de recuperação, e outro, a morte da empresa,
popularmente conhecida como a própria falência.
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magistrados e a pesquisa dos jurisconsultos8 que, mesmo com a unificação
formal legal do Direito Privado, está longe desta de ser atingida (PACKER,
2002, p.43-48). Mesmo porque um ramo científico decorre da existência de um
objeto único ou de objetos relacionados à regulação, existência de princípios e
institutos próprios, método interpretativo e diferenciado, como aponta Silva
(2003).
[...]
A figura abaixo demonstra a interação dos perfis propostos por Asquini no que
consiste uma organização empresária:
PERFIL OBJETIVO
PERFIL SUBJETIVO
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3.3 Força de Incidência
DIREITO EMPRESARIAL
LEIS E INSTITUTOS
Definição;
O empresário Caracterização;
(art.966 a 980 C.C.) Registro da personalidade jurídica empresarial obrigatória;
Capacidade empresarial para exercício da atividade;
Responsabilidade empresarial;
Sociedade entre cônjuges;
Empresário individual de responsabilidade limitada.
Registro Público de Orgão federal e estadual competente a questões de registro da
Empresas Mercantis (lei personalidade jurídica empresárial, bem como sua liquidação e
8.934/1994) extinção (encerramento das atividades);
Cadastro de empresas;
Matrícula dos auxíliares do comércio;
Registro de atos das empresas individuais e atos de sociedades
empresárias;
Competencia, atribuições e organização das Juntas Comerciais;
Publicidade do Registro Mercantil e atividades afins vinculadas;
Proibições e ordem de serviços mercantis.
Disposições gerais;
Sociedades empresárias Sociedades sem personalidade (em comum e em conta de
gerais participação);
(art.981 a 1.141 C.C.) Sociedades personalizadas empresárias (em nome coletivo, em
comandita e limitadas);
Liquidação da sociedade empresária;
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Transformação, incorporação, fusão e cisão das sociedades
empresárias;
Socidades dependentes de autorização.
Sociedades empresárias Sociedades Limitadas (dec.3.708/1919);
especializadas usuais Sociedades Anônimas (lei 6.404/1976);
Sociedades de Garantia Solidária (lei 9.841/1999).
Estabelecimento Todo e qualquer bem material ou imaterial que a empresa tem
empresarial como proprietária em toda sua atividade.
(art.1.142 a 1.149 C.C.)
Registro empresarial;
Institutos Nome Empresarial (firma ou denominação);
Complementares Prepostos (gerentes, contabilista e outros auxiliares);
(art.1.150 a 2.046 C.C.) Escrituração mercantil;
Disposições transitórias de leis anteriores revogadas e a parte
geral do Código Comecial revogada pelo Código Civil a partir de
2002.
Visa regular as condutas do empresário que fraudulenta ou
desonestamente, busca afastar a freguesia de seu concorrente.
Direito de Concorrência Art. 1o, IV e arts.170 e 173 da Constituição Federal.
Lei 12.529/2011 (lei anti-trust).
Art.195 a 209 da Lei 9.279/1996 (Propriedade Industrial).
Cambiais: letra de câmbio e nota promissória (dec.2.044/1908 e lei
Uniforme de Genebra – Dec.57.663/1966);
Cheque (lei Uniforme de Genebra – Dec.57.595/1966 e lei
Títulos de Crédito 7.357/1985;
Duplicatas (lei 5.474/1968);
Cédula de Crédito Rural ([Link] 167/1967);
Cédula de Produto Rural (lei 8.929/1994);
Cédula de Crédito Comercial (lei 6.840/1980);
Cédula de Crédito Bancária (lei 10.931/2004);
Títulos de créditos inominados: são regidos pela teoria geral dos
títulos de crédito, tendo como analogia legal de outros títulos de
créditos nominados.
Parte geral contratual, tendo como elemento diferenciador a feição
mercantil, ou seja, o intuito de revenda da empresa (art.421 a 480
Contratos Mercantis C.C.);
Gerais Compra e venda mercantil (art.481 a 537 C.C.);
Troca ou permuta mercantil (art.533 C.C.);
Estimatório mercantil (art.534 a 537 C.C.);
Locação mercantil (art.565 a 578 C.C.);
Prestação de serviços mercantis (art. 593 a 609 C.C.);
Empreitada mercantil (art.610 a 626 C.C.);
Empréstimo mercantil (art.579 a 592 C.C.);
Depósito mercantil (art.627 a 652 C.C.);
Mandato mercantil (art.653 a 692 C.C.);
Comissão mercantil (art.693 a 709 C.C.);
Agência e distribuição mercantil (art.710 a 721 C.C.);
Transporte mercantil (art.730 a 756 C.C.);
Seguro mercantil (art.757 a 788 C.C.).
Compra e venda Internacional: lex mercatoria, art. 421 a 480 C.C.,
Contratos Mercantis tratados internacionais e Incoterms.
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Especiais Corretagem mercantil: arts. 722 a 729 do C.C., valores (lei
2.146/1953), seguros (lei 4.594/1964) e imóveis (lei 6.530/1978).
Cartão de Crédito: negociação do risco de inadimplemento do
cliente final pelo fornecedor de crédito e o empresário. Contrato
misto e inominado de financiamento, compra e venda, cessão de
crédito e prestação de serviços.
Leasing – Arrendamento Mercantil (lei 6.099/1974).
Factoring – Fomento Mercantil (art.28 da lei 8.981/1995).
Franchising – Franquia (lei 8.955/1994).
Concessão Mercantil: equiparados geralmente à franquia (lei
8.955/1994) e veículos (lei 6.729/1979);
Financiamento Mercantil – Alienação Fiduciária (lei 9.514/1994 –
Imóveis e o art.66 da lei 4.728/1969.
Representação Comercial (lei 4.886/1965).
Locação de Imóvel Comercial (lei 8.245/1991);
Contratos Atípicos e inominados: seguem os princípios gerais
contratuais e declarações de vontade atípicas (art.425 C.C.).
Gestor de Négocios Trata o gestor empresarial frente a seus direitos e
Mercantis responsabilidades perante seu contratante diante dos negócios.
(art.861 a 875 C.C.)
Faz parte do estabelecimento mercantil da empresa.
Invenção – Modelo de utilidade – Desenho industrial – Marcas.
Propriedade Industrial
Procedimentos para aquisição de direitos.
(lei 9.278/1996)
INPI – Instituto Nacional de Propriedade Indústrial.
A empresa, encontrando-se em dificuldades financeiras para sua
atividade, ou seja, em estado de insolvência, pode recorrer ao
instituto da recuperação para manter e restabelecer seus
Recuperação negócios.
Empresarial Recuperação Extrajudicial (art.161 da lei 11.101/2005): acordo
entre empresa insolvente e credores por homologação judicial.
Recuperação Judicial (art.47 da lei 11.101/2005): pedido da
empresa como direito no judiciário.
Extinção da personalidade empresária pela insolvência (lei
11.101/2005).
Decretação de falência, afastando o empresário do seu negócio e
Falência Empresarial (lei colocando como dirigentes os credores para a devida liquidação.
11.101/2005) Sanções legais com a sentença da decretação de falência ao
empresário declarado falido.
Crimes falimentares (art.168 a 188 da lei 11.101/2005).
Quadro 3 - Matérias Normativas de Direito Empresarial
Fonte: adaptado pelo autor
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Reflita
Você, como futuro profissional das áreas mercadológicas, possui este espírito para ser
um empresário após a graduação? Conseguirá ser um profissional formalizado
perante as normas do direito para traduzir segurança e prosperidade nos negócios?
Que área comercial você exerce e possui vocação hoje?
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4. A COMPLEMENTARIEDADE CIENTÍFICA
COSMOPOLISMO ONEROSIDADE
Práticas comerciais de maior Intuito econômico e especulativo,
intercâmbio entre os povos regulado por leis contratuais,
DIREITO reguladas por Convenções, econômicas e pelo direito
EMPRESARIAL Tratados, Costumes Mercantis concorrêncial.
e o Institutos de Direito de
Integração.
Práticas comerciais A atividade profissional visa
homogêneas, dinâmicas globais lucros presentes e futuros como
GESTÃO e inovadoras, cuja forma de remuneração de seu
EMPRESARIAL aplicabilidade imediata incidem trabalho e do emprego do seu
ou não, sobre as quais, em capital em suas relações
diversos casos vão além das negócios.
legislações mercantis vigentes.
INFORMALISMO FRAGMENTARISMO
As transações, ágeis e rápidas, Das relações empresariais geram
levam à criação de institutos outras relações jurídicas fora do
DIREITO jurídicos com sanções mais direito empresarial. Dentre elas,
EMPRESARIAL rígidas, por colocar o princípio estão o direito trabalhista,
da boa-fé como prova tributário, econômico, financeiro,
inequívoca das relações bancário, penal, civil etc.
mercantis.
Toda transação se baseia na As relações empresariais geram
confiança prescrita na departamentos de gestão que
GESTÃO condução dos negócios, seja devem ser respeitadoss conforme
EMPRESARIAL formalizada ou não. Jamais a o instituto jurídico sobre o qual
lei será observada ou incidem, ou seja, departamentos
analisada. de Rh, financeiro, comércio
exterior, administrativo, logística,
representação de negócios,
marketing comercial, estatística,
planejamento etc.
Quadro 4 – Simetrias Científicas
Fonte: Adaptado pelo autor
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Indicação de leitura
Idioma: Português
Edição: 1ª
Ano: 2009
Resumo: Este livro traz a figura do empreendedor para o centro da história do Brasil
colonial, focando naquele que abandona a tradição e sociedade nativa e busca o
enriquecimento. Essa figura, ligada à produção independente e à pequena
propriedade, produziu uma economia dinâmica, que crescia em taxas mais elevadas
que a da Metrópole - mesmo tendo de lutar contra a ação do governo. Resultado: a
economia brasileira, em 1800, era maior que a de Portugal.
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CURSO DE DIREITO COMERCIAL
Idioma: Português
Editora: Forense
Edição: 35ª
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CONCLUSÃO
Por fim, podemos concluir que o índice de complexidade para exercício da atividade
empresarial voltada para a área da administração é considerada uma circunstância
capaz de gerar as normas jurídicas. Estas normas pertencem e compõem o ramo do
direito empresarial. Não basta apenas a vontade do Estado na criação de normas para
a gestão empresarial. Existe uma relação harmoniosa entre as ciências econômicas e
as ciência do direito, pois esta ligação facilita a compreensão e a melhor capacitação
nos direcionamento das atividades relativas aos negócios. Ela é promovida pelos
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agentes econômicos na livre iniciativa, também pelos representantes das
organizações empresariais num mercado sempre crescente e competitivo.
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REFERÊNCIAS
FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Manual de direito comercial. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
MARTINS, Fran. Curso de direito comercial. 27. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
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PACKER, Amilcar Douglas. Direito comercial – origem e evolução. 1. vol. Curitiba:
Juruá, 2002.
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 25. ed. 1. vol. São Paulo: Saraiva,
2003.
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