100% acharam este documento útil (8 votos)
361 visualizações152 páginas

Remessa de Autos ao Partidor: Significado

O documento resume os principais princípios processuais civis brasileiros, incluindo o devido processo legal, o acesso à justiça, o contraditório e ampla defesa, a inércia, a duração razoável do processo, a boa-fé processual e a cooperação, a isonomia, a publicidade e motivação e o juiz natural.

Enviado por

Gilvan Paz
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (8 votos)
361 visualizações152 páginas

Remessa de Autos ao Partidor: Significado

O documento resume os principais princípios processuais civis brasileiros, incluindo o devido processo legal, o acesso à justiça, o contraditório e ampla defesa, a inércia, a duração razoável do processo, a boa-fé processual e a cooperação, a isonomia, a publicidade e motivação e o juiz natural.

Enviado por

Gilvan Paz
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PARTE GERAL

Princípios Processuais

Introdução

O CPC prevê normas fundamentais, regulando todo o processo alinhado à CRFB/88, muitas vezes
repetindo o texto constitucional. Nesse sentido, o art. 1º prevê que o Processo Civil será ordenado, disciplinado
e interpretado conforme as normas fundamentais estabelecidas na Constituição Federal.

É o que ocorre, por exemplo, com o art. 8º, que sujeita o juiz, na aplicação do ordenamento jurídico,
ao atendimento dos fins sociais e das exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade
da pessoa humana e observando a proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, publicidade e eficiência.

Nos próximos tópicos serão estudados os princípios norteadores do Processo Civil.

Princípio do devido processo legal

Somente o Poder Judiciário, após a instauração de um processo, poderá privar alguém de sua
liberdade ou retirar-lhe seus bens. Trata-se da base principiológica do Direito Processual Civil e se divide em:

O PROCESSO DEVER SER RAZOÁVEL E PROPORCIONAL:

Segundo Daniel Assumpção, esse sentido de devido processo legal refere-se


DEVIDO PROCESSO
ao campo da elaboração e da interpretação das normas jurídicas, evitando-se
LEGAL SUBSTANCIAL
a atividade legislativa abusiva e irrazoável, funcionando como controle das
arbitrariedades do Poder Público.

O PROCESSO DEVE OBSERVAR OS DITAMES LEGAIS:

Segundo Daniel Assumpção, esse sentido de devido processo legal, obriga o


DEVIDO PROCESSO
juiz, no caso concreto, a observar os princípios processuais na condução do
LEGAL FORMAL
processo. É associado à ideia de um processo justo, que permite ampla
participação das partes e a efetiva proteção de seus direitos.
Vejamos:

Princípio do acesso à justiça

O princípio do acesso à justiça pode ser analisado sob 2 enfoques:

A) INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO

Trata-se do direito fundamental de todo indivíduo ter seu conflito apreciado pelo Poder Judiciário,
uma vez que a lei não excluirá do Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito (art. 5º, XXXV, da CRFB/88).

Esta é a REGRA, sendo que, em algumas hipóteses, haverá necessidade de se acionar a via
administrativa ANTES de se acionar o judiciário, sem que isso implique uma afronta ao referido princípio:

JUSTIÇA Trata-se de instância não judiciária, sendo que o Poder Judiciário só pode se manifestar
DESPORTIVA sobre competições desportivas se houver o esgotamento na Justiça Desportiva.

Não cabe Reclamação sem o esgotamento das vias administrativas.


SÚMULA
Previsão → Lei 11.417/06, §1º do art. 7º: “contra omissão ou ato da administração pública,
VINCULANTE
o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas”.

Não cabe enquanto houver recurso administrativo com efeito suspensivo, SALVO em
MANDADO DE
caso de OMISSÃO da autoridade administrativa (ainda que caiba recurso administrativo
SEGURANÇA
com efeito suspensivo, será cabível o MS), conforme a súmula 429 do STF.
HABEAS Não tem cabimento se não for apresentada, ao Judiciário, a recusa administrativa.
DATA Previsão → Lei 9.507/97, parágrafo único do art. 8º.

O STF entende que a exigibilidade de prévio requerimento administrativo – que NÃO


INSS se confunde com esgotamento das vias administrativas – para se postular,
judicialmente, a CONCESSÃO de benefício previdenciário não ofende a Constituição.

B) MEIOS EFETIVOS DE GARANTIA DO ACESSO À JUSTIÇA:

Sob esse enfoque, analisa-se os instrumentos que tornarão efetivo o acesso à tutela jurisdicional. O
movimento de acesso à justiça ganhou destaque na década de 1970, quando estudiosos do Direito e de
outras áreas concretizaram um projeto específico, levando em consideração diversas realidades mundiais.

O conjunto desse trabalho é conhecido como “Projeto Florença” e os principais resultados foram
expostos na obra Acesso à Justiça, de Mauro Cappelletti e Bryant Garth, que dividiram em três ondas os
principais movimentos renovatórios do acesso à justiça (3 ondas renovatórias de acesso à justiça).

No mapa a seguir, estão resumidos os principais aspectos desse trabalho:


Princípio do contraditório e da ampla defesa

O princípio do contraditório em sentido amplo possui duas facetas:

FORMAL (CONTRADITÓRIO EM SENTIDO ESTRITO) Direito de participar do processo.

MATERIAL (AMPLA DEFESA) Possibilidade efetiva de influir na decisão.

Nesse sentido, o CPC estabelece que não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela
seja previamente ouvida, SALVO nos seguintes casos (nos quais o contraditório é diferido):

1 Tutela urgência (antecipada ou cautelar).

2 Tutela de evidência fundada em prova documental + precedente ou súmula vinculantes.

3 Tutela de evidência fundada em pedido reipersecutório + prova documental.

4 Tutela de evidência do procedimento de ação monitória.

Ainda de acordo com esses princípios, o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com
base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda
que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.

Resumindo:
Princípio da inércia

O processo começa por iniciativa da parte (princípio dispositivo) e se desenvolve por impulso oficial
(princípio inquisitivo), SALVO as exceções previstas em lei.

PRINCÍPIO DISPOSITIVO PRINCÍPIO INQUISITIVO

Iniciativa da parte. Impulso oficial.

Esse princípio objetiva evitar arbitrariedades e possui relação direta com a imparcialidade do juiz.

Princípio da razoável duração do processo

As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade
satisfativa. Assim, a razoável duração do processo não se restringe à fase de conhecimento, mas se estende
ao cumprimento de sentença ou à execução (fase satisfativa).

Com a Emenda Constitucional 45/2004, o direito a um processo sem dilações indevidas foi
expressamente alçado à qualidade de direito fundamental.

Um processo com duração razoável não será necessariamente célere. Processos complexos, por
exemplo, demandam maior cautela em sua condução. A celeridade não poderá ser fundamento para
prejudicar a qualidade da prestação jurisdicional ou sacrificar direitos fundamentais.
Princípio da boa-fé processual

Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé.

O CPC prevê expressamente o princípio da boa-fé entre os sujeitos do processo, prevendo, inclusive
condenação do litigante de má-fé ao pagamento de MULTA, que deverá ser superior a 1% e inferior a
10% do valor corrigido da causa.

Sobre o tema, a 3ª turma do STJ já decidiu que as sanções aplicáveis ao litigante de má-fé são
aquelas TAXATIVAMENTE previstas pelo legislador, não comportando interpretação extensiva.
Princípio da cooperação

Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável:

Justa
DECISÃO DE MÉRITO
Efetiva

Princípio da isonomia

É assegurada às partes paridade de tratamento em relação:

1 Ao exercício de direitos e faculdades processuais.

2 Aos meios de defesa.

3 Aos ônus.

4 Aos deveres.

5 À aplicação de sanções processuais.

Esse princípio tem por objetivo primordial permitir que, concretamente, as partes atuem no
processo, dentro do limite do possível, no mesmo patamar.

Assim, não se trata somente de tratar igualmente as partes, mas também de conferir prerrogativas
para uma das partes quando houver uma desigualdade natural a fim de equilibrar a disputa processual (ex.:
inversão do ônus da prova nas relações consumeristas).

Princípio da publicidade e motivação

Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade. Entretanto, nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público.

Princípio do juiz natural

O juiz natural é o juiz competente previsto em lei (Constituição e Códigos) para julgar a lide em
abstrato, antes mesmo de sua ocorrência. Se presta a garantir a imparcialidade do julgador.

Consagrado em todas as constituições brasileiras, exceto na de 1937 – constitui uma garantia de


limitação dos poderes do Estado, que não pode instituir juízo ou tribunal de exceção para julgar
determinadas matérias nem criar juízo ou tribunal para processar e julgar um caso específico.
Princípio do duplo grau de jurisdição

Toda decisão judicial encontra-se sujeita a reexame pela instância superior através de recurso próprio
da parte prejudicada ou de eventual terceiro interessado na tentativa de modificá-la.

Determinadas sentenças, em observância a esse princípio, somente produzirão efeitos após serem
confirmadas pelo Tribunal (são as hipóteses de remessa necessária).

REMESSA NECESSÁRIA

Ainda que não interposto o recurso de apelação:

o Da sentença proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas


respectivas autarquias e fundações de direito público.
o Da sentença que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal

▪▪▪ o juiz ordenará a remessa ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do tribunal avocá-los-á.
Princípio do livre convencimento motivado

Este princípio concede ao juiz ampla possibilidade de apreciar as provas constantes dos autos do
processo segundo seu livre convencimento, sendo soberano na análise das provas produzidas. Todavia, a
decisão emanada desse livre convencimento deve ser expressamente motivada, sob pena de nulidade

Princípio da primazia da decisão de mérito

O princípio da primazia da decisão de mérito, ou “princípio da precedência do julgamento do mérito”,


está consagrado no art. 4º do CPC e tem como objetivo superar os obstáculos à resolução do mérito e
solucionar a disputa, exceto quando se tratar de vício insanável.

Princípio da solução consensual dos conflitos

Todo o CPC é estruturado no sentido de estimular a autocomposição, possibilitando às partes a


resolução do conflito de forma consensual. Nesse sentido, o art. 3º, §2º estabelece que o Estado promoverá,
sempre que possível, a solução consensual dos conflitos.

Assim, a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser
estimulados por juízes, advogados, defensores e membros do MP, inclusive no curso do processo judicial.

Sobre isso, o STF decidiu que não há inconstitucionalidade, nem ofensa ao princípio da inafastabilidade
da jurisdição em relação à previsão dos métodos alternativos de solução de conflitos:
Competência legislativa em matéria processual

A CRFB/88 dispõe o seguinte acerca da competência para legislar sobre matéria processual:

o Competência privativa da União: legislar sobre direito processual.


o Competência concorrente (U, E, DF): legislar sobre procedimentos em matéria processual.

Aplicação das normas processuais

As normas do CPC não retroagirão e serão aplicadas imediatamente aos processos que estão em
curso, respeitados os atos processuais já praticados e as situações consolidadas sob vigência do CPC/1973.

Também serão aplicáveis as normas processuais civis aos processos eleitorais, trabalhistas e
administrativos de forma supletiva e subsidiária.

Institutos de Processo Civil

O Direito Processual Civil está baseado em três pilares → ação, jurisdição e processo. Assim, surgindo
a lide (conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida), o interessado promove a ação, que
provoca a jurisdição antes inerte, e, por meio de um processo, confere um provimento jurisdicional.
Ação

Conceito

Ação é o direito público, subjetivo e abstrato de provocar a jurisdição ⤵

PÚBLICO Porque exercido contra o Estado.

SUBJETIVO Porque é inerente à pessoa (que o exerce se quiser).

ABSTRATO Porque independe da existência de um direito material.

Condições da ação

Introdução

No que tange às condições da ação, há diferentes teorias, quais sejam:

TEORIA Ação é o próprio direito material em movimento (imanente = o direito


IMANENTISTA processual inseparável do direito material).

Ação é um direito autônomo, mas tem como pressuposto o direito material.


TEORIA CONCRETA
Assim, ação é o direito a uma sentença favorável (pois há direito material).

Ação é um direito autônomo, independente do direito material. Assim, ação é


TEORIA ABSTRATA
o direito de se obter um pronunciamento do Estado (decisão judicial).

Ação é o direito à obtenção de um julgamento do mérito, podendo ser


favorável ou desfavorável. Assim, a ação independe do direito material, mas
TEORIA ECLÉTICA
depende do preenchimento de determinadas condições (da ação), sem as quais
haverá o julgamento sem resolução do mérito.

Para essa teoria, há resolução sem mérito quando o juiz verifica a carência da
TEORIA DA
ação mediante cognição sumária. Havendo resolução de mérito quando, para o
ASSERÇÃO
reconhecimento da carência, é necessária uma cognição mais exauriente.

O Código de Processo Civil vigente adotou a teoria eclética, ao prever expressamente que a
sentença fundada em ausência das condições da ação é meramente terminativa, não produzindo coisa
julgada material, conforme disposto no artigo 485, VI, do CPC.
Assim, as condições da ação devem estar presentes do início ao fim da ação, sendo que, caso o
juiz verifique a ausência de qualquer delas, haverá a chamada carência da ação.

Verificada a ausência de uma condição:

ANTES DA CITAÇÃO Haverá o indeferimento da inicial.

DEPOIS DA CITAÇÃO O processo será extinto, sem resolução do mérito.

Nesse sentido, para que o direito de ação seja exercido, é necessária a presença de duas condições:

1 Legitimidade da parte.

2 Interesse de agir

Possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação!

Legitimidade de parte

Ninguém pode ser parte do processo se não tiver vinculado ao direito material nele discutido. A

legitimidade pode ser de 2 tipos ⤵

LEGITIMIDADE ORDINÁRIA A parte demanda em nome próprio defendendo direito próprio.

A parte demanda em nome próprio defendendo direito alheio.


LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA OU Deve estar prevista em lei. Caso o substituído deseje ingressar
SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL no processo, assim o fará como assistente litisconsorcial.

É o caso do MP ao defender direitos dos idosos.

Cuidado para não confundir ⤵

REPRESENTAÇÃO SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL

Demandar direito alheio em nome alheio. Demandar direito alheio em nome próprio.

Mãe que representa filho na ação de alimentos. MP defendendo os direitos dos idosos.
Interesse de agir

Para que o autor possa obter uma tutela jurisdicional, ele deverá ter a necessidade de buscar o
Judiciário (ou seja, esse deve ser o único meio hábil a efetivar seu direito) e o processo deve lhe propiciar
algum proveito (utilidade). Assim, o interesse de agir é composto pelo binômio necessidade-utilidade.

Alguns autores mencionam a “adequação” do procedimento, mas adotaremos o entendimento de


Didier Jr., segundo o qual “não há erro na escolha do procedimento que não possa ser corrigido". Assim, o
exame da adequação do procedimento diz respeito à validade e não ao exercício do direito de ação.

Resumindo.. .

Elementos da ação

É importante que a ação judicial seja identificada, isto é, que existam elementos que caracterizem a
demanda, permitindo a sua diferenciação das demais ações. São elementos da ação:

o Quem pede (polo ativo).


PARTES
o Contra quem se pede (polo passivo).

o Fatos (causa próxima).


o Fundamentos jurídicos (causa remota).

Há divergência doutrinária sobre o que seria considerada causa próxima ou


CAUSA DE PEDIR causa remota, mas o STJ e o doutrinador Daniel Amorim Assumpção
entendem que a causa de pedir próxima são os fatos e a causa de pedir
remota são os fundamentos jurídicos, uma vez que é dos fatos (causa
próxima) que decorrem os fundamentos jurídicos (causa remota).
É a tutela jurisdicional pretendida pelo autor, dividindo-se em:

o Imediato → providência jurisdicional pretendida (condenação,


constituição, declaração, acautelamento e/ou satisfação).
PEDIDO
o Mediato → refere-se ao bem da vida perseguido, ou seja, o
resultado prático que o autor pretende obter com a demanda judicial.
(ex.: pagamento de indenização).

Esses elementos servem como identidade da ação, permitindo verificar se há litispendência (ação
idêntica em curso), coisa julgada (ação idêntica já julgada) e conexão (identidade entre 2 ações pelo pedido
ou causa de pedir). Uma ação é considerada idêntica à outra quando houver identidade dos 3 elementos.

Resumindo.. .
Classificação das ações

No processo civil temos, somente, duas ações:

Tem por objetivo obter do juiz uma sentença de mérito (título executivo judicial).

Pontes de Miranda classifica as sentenças, quanto ao conteúdo, em:

o Meramente declaratória: declara a existência, a inexistência ou modo de ser


de relação jurídica ou a autenticidade/falsidade de um documento.
o Constitutiva: resulta na constituição, na modificação ou na desconstituição de
uma situação jurídica (ex.: decretação do divórcio).
o Condenatória: resulta na condenação do réu a cumprimento de uma
AÇÃO DE
obrigação ativa ou omissiva (ex.: condenação ao pagamento de indenização).
CONHECIMENTO
o Mandamental.: resulta em uma ordem, cujo descumprimento caracteriza
desobediência à autoridade estatal (ex.: reintegração de funcionário público).
o Executiva lato sensu: não veiculam propriamente uma ordem para o réu, mas
ensejam uma sanção independentemente da participação do sancionado (ex.:
procedência da ação de despejo).

Essa classificação é a quinária (ou quíntupla), que sucede a doutrina clássica, cuja
classificação é trinária (ou ternária), excluindo as duas últimas espécies.

AÇÃO DE
Tem por objetivo satisfazer um título executivo (em regra, extrajudicial).
EXECUÇÃO

Não existe mais ação cautelar, sendo esta tratada como uma espécie de tutela provisória pelo novo CPC.
Jurisdição

Noções gerais

Conceito

É o poder do Estado (Judiciário) de aplicar o direito ao caso concreto. Trata-se de dever-poder


difuso nas mãos da magistratura, pois é exercida por todos os juízes, ainda que distintas as competências.

Diz-se que ela é “una” em todo território nacional (apesar de haver diversos órgãos judiciários, o
Poder Judiciário é uno) e tem como principais características:

INÉRCIA Somente se movimenta se provocada.

DEFINITIVIDADE O provimento jurisdicional faz coisa julgada.

Jurisdição contenciosa x Jurisdição voluntária

Há duas principais teorias que explicam as características da jurisdição voluntaria:

TEORIA CLÁSSICA OU A jurisdição voluntária é mera função administrativa, não tendo natureza
ADMINISTRATIVISTA jurisdicional (“se não há lide, não há jurisdição”).

TEORIA REVISIONISTA A jurisdição voluntária é uma forma de exercício da função jurisdicional, uma vez
OU JURISDICIONALISTA que a lide não é essencial ao exercício da jurisdição.

Nesse sentido, é possível fazer as seguintes diferenciações:

CONTENCIOSA VOLUNTÁRIA

Existência de lide Ausência de lide

Há partes Há interessados

Sentença
Sentença Homologatória
Condenatória/Constitutiva/Declaratória/Homologatória

Quanto à existência – ou não – de coisa julgada, para a teoria administrativista, não tendo a jurisdição
voluntária natureza jurisdicional, também não há ação (mas requerimento), nem processo (mas
procedimento), tampouco coisa julgada (mas preclusão).
Entretanto, conforme Daniel Assumpção, o atual CPC não contém previsão a respeito do tema,
sendo lícito concluir que se passará a aplicar nessa espécie de jurisdição as mesmas regras de coisa julgada
material aplicáveis à jurisdição contenciosa. Assim, a sentença em jurisdição voluntária faz coisa julgada.

No mesmo sentido, o STJ, sem que pese já ter se manifestado de forma diversa, entendeu, no
REsp 1892782, julgado em 06/04/2021, que “a sentença concessiva de adoção, ainda quando proferida em
procedimento de jurisdição voluntária, pode ser encoberta pelo manto protetor da coisa julgada material e,
como consectário lógico, figurar como objeto de ação rescisória”.

Alternativas à jurisdição estatal

Os meios alternativos de solução de conflitos são alternativas à jurisdição estatal, são eles:

Equivalentes jurisdicionais

AUTOTUTELA Solução de conflitos pelo uso da força. Ex.: legítima defesa.

AUTOCOMPOSIÇÃO Solução de conflitos pela vontade das partes: transação, submissão ou renúncia.

MEDIAÇÃO O mediador conduz as partes à solução do conflito, sem propor soluções.

CONCILIAÇÃO O conciliador auxilia as partes propondo soluções.

Neste tópico, é interessante diferenciar a mediação e a conciliação:

No que tange aos tribunais administrativos, parcela da doutrina defende que lhes falta definitividade
(aptidão para formar coisa julgada), motivo pelo qual não podem ser considerados equivalentes jurisdicionais.
Jurisdição não estatal

A arbitragem constitui título executivo judicial, não sendo mais considerada como equivalente
jurisdicional e sim como forma de jurisdição. Nesse sentido é o entendimento do STJ.

Competência

Enquanto jurisdição é o dever-poder difuso nas mãos da magistratura, consistente em dizer o direito no
caso concreto, solucionando-se o conflito de interesses, competência é o limite e a medida da jurisdição.

Limites da jurisdição nacional e cooperação internacional

Vide artigos 21 e 22 do CPC/15

Competência concorrente do juízo nacional

Ocorre quando o juiz brasileiro e o juiz de outro país podem tratar da matéria (vale a decisão que
transitar em julgado primeiro). Vejamos as hipóteses:

1 Réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, domiciliado no Brasil.

2 Obrigação tiver de ser cumprida no Brasil.

3 O fundamento da demanda seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.

Ação de alimentos, se o autor for domiciliado ou residente no Brasil ou se o réu tiver algum
4
vínculo no Brasil (bens, renda ou benefícios econômicos).

5 Ação envolvendo relação de consumo, e o consumidor for domiciliado ou residente no Brasil.

6 Ação em que as partes se submetem à jurisdição nacional.

Nesses casos, a ação proposta perante tribunal estrangeiro NÃO induz litispendência e NÃO obsta a
que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, RESSALVADAS
as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.

A decisão estrangeira, para ser executada no Brasil, deve inicialmente passar pelo procedimento de
homologação de decisão estrangeira, de competência exclusiva do STJ.
Competência exclusiva do juízo nacional

Ocorre quando somente o juiz brasileiro puder decidir a questão. Hipóteses:

1 Ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Ações relativas à sucessão hereditária, para proceder à confirmação de testamento particular e


2 ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.

Em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, para proceder à partilha de bens
3
situados no Brasil, ainda que o titular tenha nacionalidade estrangeira ou domicílio fora do Brasil.

Competência nacional

Introdução

A competência nacional pode ser:

ABSOLUTA RELATIVA

Fundada em interesse público. Fundada no interesse das partes.

Depende provocação da parte (a doutrina aponta


Pode ser reconhecida de ofício. como exceção a hipótese do artigo 63, §3º do
CPC/15 – cláusula de eleição de foro abusiva).

Pode ser alegada ou reconhecida a qualquer


Se não alegada no momento oportuno, ocorre a
tempo e grau de jurisdição, cabendo, inclusive,
prorrogação da competência.
Ação Rescisória.

Alegada em preliminar de contestação, por expressa previsão legal (artigo 64 do CPC/15).

Competência absoluta

Entende-se por competência absoluta aquela que não admite modificação, mesmo que as partes
concordem com o processamento perante juízo incompetente ou na ausência de alegação pelo réu. Por
isso, ela pode ser reconhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição, inclusive, de ofício pelo juiz.

Vale lembrar que, salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão
proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
Estão inseridas no conceito de competência absoluta as seguintes:

Competência material: fixa a competência com base na natureza da ação.

JUSTIÇA COMUM Federal e Estadual.

JUSTIÇA ESPECIAL Trabalhista, Eleitoral e Militar.

Competência funcional: fixada com base na função dos órgãos do Judiciário, classificando-se

O juízo que praticou determinado ato processual


PELAS FASES DO PROCEDIMENTO torna-se absolutamente competente para praticar
outro ato processual previamente estabelecido.

PELA RELAÇÃO ENTRE AÇÃO PRINCIPAL E O juízo da ação principal é absolutamente


AÇÕES ACESSÓRIAS E INCIDENTAIS competente para as ações acessórias e incidentais.

Refere-se à competência por graus de jurisdição,


PELO GRAU DE JURISDIÇÃO
que poderá ser recursal ou originária.

A competência é determinada pelo objeto do juízo,


PELO OBJETO DO JUÍZO verificada quando numa mesma decisão participam
dois diferentes órgãos.

Competência em razão da pessoa: fixada com base em quem figura no polo passivo ou ativo da
demanda. Ex.: causas em que a União participar → em regra, competência da Justiça Federal.

Competência relativa

A competência relativa é concorrente, ou seja, admite que outro juízo, inicialmente incompetente
para a causa, possa processá-la e julgá-la, fenômeno conhecido como prorrogação da competência.

É ônus do réu sua alegação, não podendo o autor alegar a incompetência relativa em razão de
preclusão lógica. Quanto ao Ministério Público, tanto nas demandas judiciais em que funcionar como réu,
como nas que participar como fiscal da lei, terá legitimidade para arguir a incompetência relativa.

A Súmula 33 do STJ estabelece que a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício.
São consideradas competência relativa as seguintes:

Em razão do valor da causa: toda causa tem indicativo de valor, servindo para a fixação da
competência dos Juizados Especiais Cíveis (até 40 salários-mínimos, no Juizado Estadual; até 60 salários-
mínimos no Juizado Federal e no Juizado da Fazenda Pública). Não sendo estes os valores ou, no caso do
Juizado Estadual, não optando o autor pelo JEC, a competência é da justiça comum.

i No caso dos Juizados Federal e da Fazenda Púbica, a competência é absoluta. i

Competência territorial: tem por base uma perspectiva geográfica, observadas as seguintes regras:

1 Direito pessoal ou direito real sobre móveis: foro do domicílio do réu.

2 Direito real sobre imóveis: foro do local da coisa.

Inventário, partilha, arrecadação, cumprimento de disposições de ultima vontade, impugnação ou


anulação de partilha extrajudicial e ações em que o espólio for réu.

REGRA: foro do último domicilio do de cujus no Brasil.


3 EXCEÇÕES: se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente:

o O foro de situação dos bens imóveis.


o Havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes.
o Não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.

4 Réu ausente: foro do último domicilio do réu.

5 Réu incapaz: foro do domicilio de seu representante ou assistente.

Divórcio (e ações correlatas):

o Foro do domicílio do guardião do filho incapaz


6 o Se não houver filho incapaz, do último domicílio do casal.
o Se nenhum morar no último domicílio, no do réu.
o Em caso de violência doméstica e familiar, no foro do domicílio da vítima.

7 Ação de alimentos: foro do domicilio ou residência do alimentando.

8 Ré pessoa jurídica: foro do local de sua sede (podendo ou não se confundir com o seu domicilio).
Obrigações contraídas pela agencia ou sucursal: foro do local de agência ou sucursal, quanto às
9
obrigações que a pessoa jurídica contraiu.

10 Ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica: foro do local onde exerce as atividades.

Obrigação (contratual) a ser cumprida: foro do local onde a obrigação deve ser satisfeita (forum
11
destinatae solutionis).

12 Direitos previstos no Estatuto do Idoso: foro da residência do idoso.

Ação de reparação de dano praticado em razão do ofício (serventia notarial ou de registro): foro
13
do lugar da sede da serventia notarial ou de registro.

14 Ações de reparação de dano: foro do lugar do ato/fato que gerou o dano (forum commissi delicti).

Ações movidas contra o administrador ou gestor de negócios alheios: foro do lugar em que o ato
15
ou fato que ensejou o processo foi praticado (forum gestae administrationis).

Ações de reparação de dano sofrido em razão de acidente de veículos: foro do domicilio do autor
16
ou do local do fato.

Modificação da competência

A competência é fixada no momento do registro ou distribuição da inicial. Contudo, por questões de


celeridade e conveniência, algumas vezes é possível que haja a modificação desta.

Haverá redistribuição se:

o Houver supressão do órgão judiciário perante o qual tramitava a causa.


o Houver alteração da competência absoluta (matéria, pessoa ou hierarquia/função).

A competência pode ser alterada se houver:

o Conexão (mesma causa de pedir OU pedido).


o Continência (mesmas partes E causa de pedir, mas o pedido de uma é mais amplo que o das demais).

A CONSEQUÊNCIA DA CONEXÃO é a reunião dos processos, mas há a possibilidade de reunião de


processos semelhantes, MESMO QUE NÃO HAJA CONEXÃO, se houver risco de ser prolatada decisão
conflitante ou contraditória (caso os processos sejam decididos separadamente).
A consequência da continência é:

A REUNIÃO DOS Quando a ação contida (menos ampla) for proposta antes da ação
PROCESSOS continente (mais ampla), elas serão reunidas para julgamento conjunto.

A EXTINÇÃO DE UM Quando a ação continente (mais ampla) for proposta antes da ação contida
DELES (menos ampla), a segunda será extinta sem resolução do mérito.

A prevenção é que determinará qual o juízo responsável pelo julgamento de ambas as demandas, ou
seja, o juiz que primeiro tiver tido contato com a lide, pela distribuição ou registro.

Conflito de competência

NEGATIVO Os dois juízes entendem que são incompetentes para julgar a causa.

POSITIVO Os dois juízes entendem que são competentes para julgar a causa.

Trata-se de incidente processual originário que deve ser dirigido ao Tribunal competente.

PRINCÍPIO DO KOMPETENZ KOMPETENZ

O instituto da “Kompetenz Kompetenz” (em vernáculo “Competência Competência”) estabelece que


todo Juiz, ainda que incompetente, tem competência para analisar sua própria incompetência.

Processo

O processo é o instrumento da jurisdição, sendo resultado de uma relação jurídica entre autor, juiz,
réu, e um procedimento (conjunto de atos ordenados e ligados entre si para a obtenção de um resultado).
O atual CPC, para a fase cognitiva, não mais prevê os procedimentos ordinário e sumário, mas os seguintes:

Segundo Fredie Didier Jr., trata-se do PROCEDIMENTO PADRÃO, sendo aquele que
COMUM serve a uma diversidade situações litigiosas. Será aplicado subsidiariamente aos
procedimentos especiais e ao processo de execução.

É todo aquele criado para atender uma SITUAÇÃO ESPECÍFICA (mais adequado ao
ESPECIAL caso concreto e mais efetivo para solucionar a questão apresentada.), sendo distinto
do procedimento comum. Em regra, a prova deve ser pré-constituída.
Sujeitos do processo

Partes e Procuradores

Capacidade processual em sentido amplo

Visão geral

A capacidade processual em sentido amplo, subdivide-se da seguinte forma:

CAPACIDADE DE SER PARTE Relaciona-se à personalidade jurídica.


CAPACIDADE
CAPACIDADE PROCESSUAL
PROCESSUAL EM Relaciona-se à capacidade jurídica.
EM SENTIDO ESTRITO
SENTIDO AMPLO
CAPACIDADE POSTULATÓRIA É a capacidade de postular perante o Judiciário.

Capacidade de ser parte

Tem capacidade de ser parte quem tem a possibilidade de ser titular de direitos, ou seja → qualquer
pessoa, física ou jurídica. Assim, em regra, confunde-se com a personalidade jurídica.

Excepcionalmente, entes despersonalizados, mesmo sem personalidade, podem atuar no processo.


Ex.: condomínio, massa falida, espólio, herança jacente, herança vacante e sociedade sem personalidade.

Capacidade processual em sentido estrito

É a aptidão para atuar no processo PESSOALMENTE, cabendo somente às pessoas capazes. Assim,
confunde-se com a capacidade jurídica, sendo que os incapazes serão:

REPRESENTADOS Se absolutamente incapazes.

ASSISTIDOS Se relativamente incapazes.

As pessoas jurídicas se farão presentes por intermédio dos seus representantes (serão presentadas).
Já os entes sem personalidade jurídica serão representados pela pessoa indicada na lei (art. 75, do CPC).
Capacidade postulatória

É a capacidade de postular perante o Judiciário. O advogado é o titular da capacidade postulatória,


que lhe é outorgada por meio da procuração, mas há casos em que a lei dispensa a capacidade postulatória:

o Juizados Especiais Cíveis, nas causas de até 20 salários-mínimos.


o Ação de alimentos.
o Habeas corpus.
o Reclamações trabalhistas (limitando-se às varas do Trabalho a aos TRT’s)

Há casos em a capacidade postulatória é titularizada pelo curador especial (defensor público).

SERÁ NOMEADO CURADOR ESPECIAL

Enquanto durar a incapacidade:


AO INCAPAZ o Se não tiver representante legal.
o Se seus interesses conflitarem com este.

o Preso → revel.
AO RÉU
o Citado por hora certa ou edital (citação ficta) → enquanto não constituído advogado.

Vício de capacidade

Caso o juiz verifique vício sanável de capacidade, ele suspenderá o processo e fixará prazo razoável
para correção. Descumprida a determinação, as consequências variam no seguinte sentido:

EM INSTÂNCIA ORIGINÁRIA

PELO AUTOR O processo será extinto.

PELO RÉU Este será considerado revel.

POR TERCEIRO Este será revel ou excluído do processo, dependendo do polo que se encontrar.

EM GRAU DE RECURSO

PELO RECORRENTE Não se conhecerá o recurso.

PELO RECORRIDO Serão desentranhadas suas contrarrazões.


Deveres das partes e dos procuradores

Deveres

São deveres das partes, dos procuradores e de todos que de alguma forma participem do processo:

1 Expor os fatos em juízo conforme a verdade.

2 Não formular pretensão ou apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento.

3 Não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito.

Cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços
4
à sua efetivação (protege a dignidade da justiça).

Declinar, no 1º momento que lhes couber falar nos autos, o endereço onde receberão intimações,
5
atualizando este sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou definitiva.

6 Não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso (protege a dignidade da justiça).

Informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário para
7
recebimento de citações e intimações (novidade trazida pela Lei 14.195, de 2021).

Conforme as informações do quadro, haverá ato atentatório à dignidade da justiça. caso a parte:

o Não cumpra com exatidão as decisões do juiz.


o Crie embaraços à efetivação dos provimentos jurisdicionais.
o Pratique inovação ilegal no estado de fato de um bem ou direito litigioso.

Nesses casos, a penalidade será de multa de até 20% do valor da causa, sem prejuízo das sanções
criminais, civis e processuais de acordo com a gravidade da conduta. Tais valores se reverterão à Fazenda
Pública. (advogados, defensores e membros do MP não respondem por isso).

Responsabilidade por dano processual

Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como parte ou interveniente.

Considera-se litigante de má-fé aquele que:

1 Deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso.


2 Alterar a verdade dos fatos.

3 Usar do processo para conseguir objetivo ilegal.

4 Opuser resistência injustificada ao andamento do processo.

5 Proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo.

6 Provocar incidente manifestamente infundado.

7 Interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Nesses casos, o juiz pode impor multa superior a 1% e inferior a 10% do valor corrigido da causa +
perdas e danos a serem fixados pelo juiz + custas e honorários. Tais valores se reverterão à parte contrária.

Veja a tabela comparativa ⤵

ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

Dano ao Poder Judiciário. Dano à parte contrária.

Multa de até 20% do valor da causa até 10 x o salário- Multa > 1 a 10% do valor da causa ou até 10x o salário-
mínimo, caso irrisório/inestimável o valor da causa. mínimo caso irrisório/inestimável o valor da causa.

Hipóteses: Hipóteses:

- Não cumprir decisões jurisdicionais. - Ir contra texto de lei ou fato incontroverso.

- Criar embaraços à efetivação do processo. - Alterar a verdade dos fatos.

- Inovar ilegalmente o estado de fato de bens litigiosos. - Possuir objetivo ilegal.

- Resistência injustificada ao andamento do processo.

- Proceder de modo temerário.

- Provocar incidente manifestamente infundado.

- Interpuser recurso manifestamente protelatório.

Revertido para a Fazenda Pública. Revertido para a parte que sofreu o dano.
Despesas e honorários advocatícios

Despesas: incumbe às partes prover as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo,
antecipando-lhes o pagamento, desde o início até a sentença final ou, na execução, até a plena satisfação do
direito reconhecido no título. O vencido deverá ressarcir o vencedor das despesas antecipadas.

Honorários advocatícios: a sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor


(honorários de sucumbência). São devidos honorários:

o Na reconvenção.
o No cumprimento de sentença, provisório ou definitivo.
o Na execução, resistida ou não.
o Nos recursos interpostos, cumulativamente aos fixados em 1º grau.

Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, sendo titulares dos mesmos
privilégios de créditos oriundos da legislação trabalhista. Se a decisão transitada em julgado for omissa quanto
ao direito aos honorários ou seu valor, será cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.

COMPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS

É vedada a compensação dos honorários advocatícios em caso de sucumbência parcial.

O §19 do artigo 85 do CPC foi objeto de ADIN (nº. 6.053), julgada em 2020. O STF, por maioria de
votos, julgou parcialmente procedente para conferir interpretação conforme a CRFB/88. A tese fixada foi a
seguinte: "A somatória dos subsídios e honorários de sucumbência percebidos mensalmente pelos advogados
públicos não poderá exceder ao teto dos Ministros do STF”.

Gratuidade de justiça

Conceito: é a dispensa do pagamento de custas, despesas processuais e honorários advocatícios àquele


que comprovar insuficiência de recursos. Assim, é possível contratar advogado particular e pleitear a gratuidade
de justiça, não estando incluídas na gratuidade eventuais multas processuais impostas ao beneficiário.

Difere da assistência jurídica no seguinte sentido:

ASSISTÊNCIA
DEFENSORIA PÚBLICA Prestação de serviços jurídicos ao hipossuficiente.
JURÍDICA

JUSTIÇA ADVOGADO PARTICULAR


OU Isenção de custas processuais
GRATUITA
DEFENSORIA PÚBLICA
Requerimento: a gratuidade pode ser requerida A QUALQUER MOMENTO, sendo que, se concedida,
a parte contrária pode impugnar a concessão.

Comprovação: somente a pessoa física tem presunção na afirmação da hipossuficiência econômica,


devendo a pessoa jurídica provar sua situação econômica. Se o magistrado não estiver convencido da
presença dos requisitos, deverá determinar que a parte comprove sua situação de hipossuficiência.

Honorários de sucumbência: se o beneficiário da justiça gratuita perder, deverá ser condenado a


arcar com os honorários advocatícios da parte contrária, sendo possível executá-los honorários somente
se, no prazo de 5 anos, o credor demonstrar que o beneficiário pode pagar.

Justiça gratuita parcial: é possível, nos seguintes termos ⤵

o Gratuidade para alguns dos atos do processo ou apenas a redução de parte das despesas.
o Parcelamento de despesas.

Procuradores

Representação das partes

A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na OAB, sendo possível
postular em causa própria quando tiver habilitação legal.

Procuração

O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, SALVO:

Para evitar preclusão, decadência ou prescrição. Casos em que em procuração deverá ser

Para praticar ato considerado urgente. apresentada em 15 dias (prorrogáveis por + 15).

Existem duas espécies de procuração:

PROCURAÇÃO Importa na outorga de representação judicial para a prática dos atos processuais
GERAL DE FORO de forma geral (contém a denominada clausula ad judicia).

PROCURAÇÃO Envolve a concessão de poderes especiais, devendo constar expressamente da


ESPECÍFICA procuração, pois envolve a prática de atos de disposição de direito.
Não é necessária a procuração se o advogado postular em causa própria. Contudo, prevê o artigo
106 do CPC que este deverá declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de
inscrição na OAB e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimações.

Mandato

Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos
ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

Revogação e renúncia do mandato

Revogação: é o ato pelo qual o cliente desconstitui o advogado da sua função de mandatário,
devendo, no mesmo ato, constituir novo advogado.

Renúncia: o advogado pode renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando que comunicou a
renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie substituto. Para evitar prejuízo ao mandante, mesmo que
comprovada a ciência da renúncia, o advogado continuará a representá-lo nos autos por 10 dias.

:̂ PLURALIDADE DE ADVOGADOS :̂

Sendo a renúncia de apenas um deles, não há necessidade de comunicá-la.

Sucessão processual

Conceito

É a alteração das partes em um processo judicial.

No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos expressos em lei.
Hipóteses

São exemplos de sucessão processual:

FALECIMENTO DA O sucessor ingressará nos autos para assumir a posição processual do falecido (no
PARTE caso de falecimento dar-se-á a sucessão pelo espólio ou pelos sucessores).

Quem adquire o bem poderá ingressar no processo no lugar da parte que alienou
o bem – desde que haja consentimento da parte contrária.
ALIENAÇÃO DE É importante acrescentar que a regra, prevista no caput do artigo 109 do CPC, é
OBJETO LITIGIOSO a de que a alienação da coisa ou do direito litigioso por ato entre vivos, a título
particular, não altera a legitimidade das partes. A possibilidade de o adquirente
suceder, com anuência da parte contraria, está previsto no §1º do artigo citado.

Resumindo.. .

Antes de estudar os demais sujeitos do processo, vamos recapitular os 4 grandes temas estudados
sobre partes e procuradores ⤵

1 Capacidade processual em sentido amplo.

2 Deveres das partes e dos procuradores.

3 Procuradores.

4 Sucessão processual.
Juiz

Introdução

É a pessoa responsável pela condução da demanda e por sua decisão final. Terá ele poder para
determinar atos previstos em lei, que serão cumpridos pelos auxiliares do juízo ou pelas partes.

Atribuições do juiz

O juiz dirigirá o processo conforme as disposições legais, competindo-lhe, dentre outras atribuições:

1 Assegurar às partes igualdade de tratamento.

2 Velar pela duração razoável do processo.

Prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça.


3
Indeferir postulações meramente protelatórias.

Determinar todas as medidas necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial,


4
inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária.

Promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores


5
e mediadores judiciais.

Dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os
6
às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito.

Exercer o poder de polícia, requisitando, quando necessário, força policial, além da segurança
7
interna dos fóruns e tribunais.

Determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre os
8
fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso.

9 Determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios.

Quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas, oficiar o Ministério Público, a
10 Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados, para, se for o caso, promover a
propositura da ação coletiva respectiva.
Princípio da vedação ao non liquet

O juiz NÃO SE EXIME de sentenciar ou despachar POR LACUNA OU OBSCURIDADE da lei (proibição
ao “non liquet”). Assim, no julgamento da lide deverá aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá:

1 À analogia.

2 Aos costumes.

3 Aos princípios gerais de direito.

O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.

Atos decisórios

A fim de decidir a demanda, o juiz profere os seguintes atos:

1 Sentença.

2 Decisão interlocutória.

3 Despacho.

Em sede de recurso, são possíveis:

1 Acórdãos.

2 Decisões monocráticas.

Vejamos de forma mais detalhada no mapa mental a seguir:


Limites da decisão do juiz

O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso (proibido) conhecer de
questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exija a iniciativa da parte.

Responsabilidade civil

O juiz responderá, civil e regressivamente, por perdas e danos quando:

o Se agir com dolo ou fraude no desempenho de suas funções.


o Recusar, omitir ou retardar providência que deveria ordenar de ofício (somente quando for requerido
pela parte e o pedido não for apreciado no prazo de 10 dias)

Imparcialidade do juiz

Introdução

Caso o juiz tenha algum envolvimento com a causa, será parcial e não poderá atuar na demanda.

A forma mais grave de parcialidade é o impedimento e a forma mais branda é a suspeição ⤵

IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO

Hipóteses objetivas. Hipóteses subjetivas.

Presunção absoluta de imparcialidade. Presunção relativa de imparcialidade.

Nulidade absoluta. Nulidade relativa.

Não há preclusão pela não alegação. Depende de alegação.

Alegada na primeira oportunidade, ou no prazo de Alegada na primeira oportunidade, ou no prazo de


15 dias, se superveniente. 15 dias, se superveniente.

Cabe Ação Rescisória. Sofre preclusão.


Impedimento

Há impedimento do juiz, sendo-lhe VEDADO exercer suas funções no processo ⤵

Em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do
1
Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha.

2 De que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão.

Quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do MP, seu
3
cônjuge ou companheiro, ou qualquer PARENTE.

4 Quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou PARENTE.

5 Quando for sócio ou membro de direção ou administração de pessoa jurídica parte no processo.

Quando for herdeiro presuntivo (aquele que por presunção herdará os bens do falecido), donatário
6
(beneficiário de doação) ou empregador de qualquer das partes.

Em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou
7
decorrente de contrato de prestação de serviços.

Em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou
8
PARENTE, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório.

9 Quando promover ação contra a parte ou seu advogado.

PARENTE → consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o TERCEIRO GRAU, inclusive.

É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz.


Suspeição

Há SUSPEIÇÃO do juiz:

1 AMIGO íntimo ou INIMIGO de qualquer das partes ou de seus advogados.

Que RECEBER PRESENTES de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado
2 o processo, que ACONSELHAR alguma das partes acerca do objeto da causa ou que
SUBMINISTRAR MEIOS para atender às despesas do litígio.

Quando qualquer das partes for sua CREDORA ou DEVEDORA, de seu cônjuge ou companheiro
3
ou de parentes destes, em linha RETA até o terceiro grau, inclusive.

4 INTERESSADO no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.

SUSPEITO QUE C.I.D.A (= CREDOR, INIMIGO, DEVEDOR, AMIGO) RECEBEU PRESENTES —



INTERESSANTES PORQUE ACONSELHOU E SUBMINISTROU MEIOS AO LITÍGIO

Cabe, ainda, a suspeição por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões.

Será ILEGÍTIMA a alegação de suspeição quando:

o Houver sido provocada por quem a alega.


o A parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do arguido.

Alegação

No prazo de 15 dias, a contar do conhecimento do fato, a parte alegará o impedimento ou a


suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa,
podendo instruí-la com documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.

Abrangência

Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição ⤵

o Ao membro do Ministério Público.


o Aos auxiliares da justiça.
o Aos demais sujeitos imparciais do processo.
Auxiliares da Justiça

São profissionais que auxiliarão o juiz na condução da demanda e na produção das provas.

o O escrivão. o O tradutor.
o O chefe de secretaria. o O mediador.
o O oficial de justiça. o O conciliador judicial.
QUEM SÃO? o O perito. o O partidor.
o O depositário. o O distribuidor.
o O administrador. o O contabilista.
o O intérprete. o O regulador de avarias.

Atribuições:

o Redigir ofícios, mandados, cartas precatórias e demais atos.


o Efetivar as ordens judiciais, realizar citações e intimações, bem como
praticar todos os demais atos que lhe forem atribuídos.
o Comparecer às audiências ou designar servidor para substituí-lo.

ESCRIVÃO OU CHEFE o Manter sob sua guarda e responsabilidade os autos.

DE SECRETARIA o Fornecer certidão, independentemente de despacho.


o Praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios.

Deve atender, PREFERENCIALMENTE, à ordem cronológica de recebimento


para publicação e efetivação dos pronunciamentos judiciais, SALVO:

o Os atos urgentes.
o As preferências legais.

Atribuições:

o Citações, prisões, penhoras e arrestos (na presença de 2 testemunhas).


o Executar as ordens do juiz.
OFICIAL DE JUSTIÇA o Entregar o mandado em cartório, após o cumprimento.
o Auxiliar o juiz na manutenção da ordem.
o Efetuar avaliações.
o Certificar proposta de autocomposição.
O escrivão, o chefe de secretaria e o oficial de justiça são responsáveis, civil
e regressivamente, quando:
RESPONSABILIDADE
o Sem justo motivo, se recusarem a cumprir no prazo os atos impostos
CIVIL REGRESSIVA
pela lei ou pelo juiz a que estão subordinados.
o Praticarem ato nulo com dolo ou culpa.

Conciliador e Mediador

Auxiliam na solução consensual de conflitos com métodos alternativos de solução do conflito:

Situações em que há prévio


MEDIADOR Induz as partes a encontrarem a solução.
vínculo entre as partes.

Situações em que não há


CONCILIADOR Sugere soluções para as partes.
prévio vínculo entre as partes.

Ministério Público

Conceito

Instituição permanente, essencial à função jurisdicional e destinada à preservação dos valores


fundamentais do Estado (defesa da ordem jurídica, regime democrático e interesses sociais).

Atuação

A atuação do MP pode se dar de duas formas:

PARTE O MP postula como qualquer autor.

FISCAL DA LEI – O MP se manifesta opinando e verificando se o interesse da coletividade em


CUSTOS LEGIS debate está sendo adequadamente analisado pelo Judiciário.

Prerrogativas processuais

O MP possui as seguintes prerrogativas:

o Direito de ser intimado pessoalmente.


o Prazos em dobro para as suas manifestações.
Hipóteses

Sua manifestação se dará nas seguintes hipóteses (além das previstas em lei ou na CRFB/88):

o Em demandas que envolvam interesse público ou social.


o Em demandas que envolvam interesses de incapazes.
o Em demandas que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar.
o Em litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.

A não manifestação do MP quando ele deveria ter sido ouvido acarreta a nulidade do processo,
SALVO se o próprio MP aponta que não há prejuízo.

Advocacia Pública

Atribuição

Por meio da representação judicial, a advocacia pública defende os interesses públicos:

o Da União.
o Dos Estados.
o Do Distrito Federal.
o Dos Municípios.

Prerrogativas

As pessoas jurídicas de direito público possuem as seguintes prerrogativas:

o Intimação pessoal por carga, remessa ou meio eletrônico.


o Prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais.

Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo
próprio para o ente público (ex.: Juizados Especiais → Federal e da Fazenda Pública).

Além disso, a Fazenda Pública:

o É dispensada do pagamento de custas e emolumentos.


o É dispensada do preparo em recursos e do depósito na ação rescisória.

Por fim, vale mencionar que quando a decisão lhe é desfavorável, há a remessa necessária
Defensoria Pública

Conceito

Instituição permanente destinada à orientação jurídica, à promoção dos direitos humanos e à defesa
dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, em todos os graus, de forma integral e gratuita.

Prerrogativas

A Defensoria Pública possui as seguintes prerrogativas:

o Intimação pessoal do defensor.


o Prazo em dobro para as suas manifestações.

O prazo em dobro também se aplica aos escritórios de prática de faculdades ou outras entidades que
prestem assistência jurídica em convênio com a Defensoria Pública.

Curadoria especial

A Defensoria Pública é responsável pelo exercício da curadoria especial ⤵

Enquanto durar a incapacidade:


DO INCAPAZ o Se não tiver representante legal.
o Se seus interesses conflitarem com este.

o Preso → revel.
DO RÉU
o Citado por hora certa ou edital (citação ficta) → enquanto não constituído advogado.
Litisconsórcio e Intervenção de Terceiros

Litisconsórcio

Conceito

Litisconsórcio é pluralidade de partes em qualquer dos polos do processo.

Classificações

Quanto ao polo

LITISCONSÓRCIO PASSIVO Dois ou mais réus.

LITISCONSÓRCIO ATIVO Dois ou mais autores.

LITISCONSÓRCIO MISTO Mais de um autor e mais de um réu.

Quanto ao momento

LITISCONSÓRCIO ORIGINÁRIO Formado desde o início da demanda.

LITISCONSÓRCIO SUPERVENIENTE Formado em momento posterior ao início da demanda.

Quanto à necessidade de existência

LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO Pluralidade de litigantes por opção das partes.

LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO A lei ou a relação jurídica objeto do litígio assim determinam.

Grande número de litisconsortes ativos facultativos em um


LITISCONSÓRCIO MULTITUDINÁRIO,
processo judicial. O juiz pode desmembrar o processo, criando
PLÚRIMO OU MÚLTIPLO
vários outros com um número menor de autores.
Quanto à possibilidade de decisão unificada

O litisconsórcio será simples sempre que for possível ao juiz


LITISCONSÓRCIO SIMPLES
proferir uma decisão diversa para cada litisconsorte.

No litisconsórcio unitário, a decisão de mérito deverá ser a mesma


LITISCONSÓRCIO UNITÁRIO
para os litisconsortes, invariavelmente.

Os litisconsortes serão considerados como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, no qual
os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.

Intervenção de terceiros

Introdução

Este instituto permite que terceiro (que não é autor ou réu) passe a participar da relação processual.

Modalidades:

O terceiro espontaneamente busca seu ingresso em uma


ESPONTÂNEA
determinada demanda.

PROVOCADA Uma das partes litigantes busca trazer o terceiro para o processo.

Nesse sentido, as formas de intervenção podem ser divididas assim:


Assistência

Finalidade

Na assistência, o terceiro busca seu ingresso no processo para auxiliar o assistido (seja o autor, seja
o réu), sendo necessário existir interesse jurídico. Cabe em qualquer procedimento e em todos os graus
de jurisdição, mas o assistente receberá o processo no estado em que ele se encontrar.

Se a parte contrária do assistido ou mesmo o assistido não concordar com o pedido de ingresso do
assistente, caberá impugnação – sem suspender o processo – em 15 dias. Além disso, pode o juiz, de plano,
rejeitar o ingresso do assistente, especialmente se clara a ausência de interesse jurídico.

Modalidades

ASSISTÊNCIA SIMPLES OU O assistente simples possui interesse jurídico reflexo na demanda e


ADESIVA não é parte, não sendo, portanto, coberto pela coisa julgada.

O assistente litisconsorcial possui interesse jurídico direto e é parte


ASSISTÊNCIA
(litisconsórcio superveniente), de modo que a decisão influencia a
LITISCONSORCIAL
relação jurídica entre o assistente e a parte contrária do assistido.

Denunciação da lide

Finalidade

Tem por finalidade fazer com que terceiro venha a litigar em conjunto com o denunciante e, se
houver a condenação deste, o denunciado ressarcirá o prejuízo do denunciante.

Vale mencionar que o direito regressivo da parte contra terceiro (excepcionalmente contra a própria
parte contraria) é o fator principal que legitima a denunciação da lide.

Hipóteses

Duas são as hipóteses em que é cabível a denunciação:

1 O comprador pode denunciar o vendedor na hipótese de evicção.

2 O réu pode denunciar aquele que tem obrigação de indenizar, por força de lei ou contrato.

Cabe a denunciação pelo autor e pelo réu.


Sentença

A sentença, ao final, julgará o pedido e a denunciação ao mesmo tempo.

Chamamento ao processo

Finalidade

A finalidade do chamamento ao processo é possibilitar aos fiadores e devedores solidários, no


processo em que estejam sendo demandados, chamar o responsável principal, ou os corresponsáveis ou
coobrigados, para que assumam posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim,
o título executivo judicial será dirigido a todos que participaram do processo.

Hipóteses

DO DEVEDOR PRINCIPAL (AFIANÇADO) Quando apenas o fiador tiver sido colocado no polo passivo.

DOS DEMAIS FIADORES Quando apenas um fiador tiver sido colocado no polo passivo.

DOS DEMAIS DEVEDORES SOLIDÁRIOS Quando apenas um tiver sido colocado no polo passivo.

Só cabe o chamamento pelo réu.

Incidente de desconsideração da personalidade jurídica

Conceito

Intervenção de terceiro, na qual o terceiro (a pessoa física), que não assumiu a relação jurídica de
direito material, vem a responder por determinados débitos de outrem (a pessoa jurídica), ou vice-versa
(no caso da “desconsideração inversa”).

Iniciativa

O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido:

o Da parte.
o Do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.

Assim, a regra é que o incidente NÃO PODE ser instaurado de oficio pelo juiz. Contudo, a lei pode
excepcionar tal regra, como fez o artigo 28 do CDC.
Momento

É cabível:

o Em todas as fases do processo de conhecimento.


o No cumprimento de sentença.
o Na execução fundada em título executivo extrajudicial.

Será DISPENSADA a instauração do incidente se a desconsideração for requerida na petição inicial,


hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica e não haverá suspensão do processo.

Contraditório e instrução

Instaurado o incidente, o sócio (ou a pessoa jurídica) será citado para manifestar-se e requerer as
provas cabíveis no prazo de 15 dias.

Natureza da decisão

Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por decisão interlocutória.

Efeitos da desconsideração

Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida em fraude de


execução, será ineficaz em relação ao requerente.

Amicus curiae

Conceito

O amicus curiae (amigo da corte) pode ser compreendido como a própria sociedade representada
(por intermédio de instituições especializadas no assunto), legitimada a defender os seus interesses em juízo,
sempre que estes forem afetados pela decisão ali proferida.

Requisitos

É cabível em caso de:

o Relevância da matéria.
o Especificidade do tema objeto da demanda.
o Repercussão social da controvérsia.
A pessoa natural (salvo em ação direta, que não admite pessoa natural como amicus curiae,
conforme decidiu o STF na ADI 3396 - informativo 985) ou jurídica, órgão ou entidade especializada deverá
comprovar a representatividade adequada, ou seja, é necessário que fique demonstrado o interesse
institucional do amicus curiae e a relação desse interesse com o objeto do processo.

Procedimento

Diante das hipóteses de cabimento, o juiz poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a
requerimento das partes, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade
especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 dias de sua intimação.

Não há dúvidas de que a decisão que ADMITE o amicus curiae é IRRECORRÍVEL, conforme o CPC.
Contudo, há divergência quanto à possibilidade de recurso contra a decisão que INADMITE. Vejamos:

INFORMATIVO 920 – STF – 2018 INFORMATIVO 985 – STF – 2020

Tanto a decisão que ADMITE como a que É recorrível a decisão DENEGATÓRIA de ingresso
INADMITE o amicus curiae é irrecorrível. no feito como amicus curiae.

Resumindo. .
Atos processuais

Forma, tempo e lugar

Forma

Introdução

O Processo Civil brasileiro não adota um sistema rígido de formas, mas também não adota um
sistema totalmente livre. Adota-se a liberdade das formas como regra, permitindo-se à lei excepciona-la de
forma expressa, bem como, adota-se a instrumentalidade das formas, que permite ao juiz considerar a
finalidade do ato e a ausência de prejuízo durante a análise de validade de um ato processual. Assim:

PRINCÍPIO DA LIBERDADE DAS Os atos processuais INDEPENDEM de forma determinada,


FORMAS SALVO quando a lei expressamente a exigir.

PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE São válidos os atos que, realizados de outro modo, preencham
DAS FORMAS a finalidade essencial (só há nulidade se houver prejuízo).

A nulidade somente será reconhecida em último caso.


PRIMAZIA DO MÉRITO
Assim, SEMPRE QUE POSSÍVEL, a causa será julgada no mérito.

No que tange à forma, os atos são classificados em solenes e não solenes:

São aqueles para os quais a lei prevê determinada forma como condição de validade,
SOLENES
como por exemplo, atos que devem ser realizados mediante escritura pública.

São aqueles de forma livre, que podem ser praticados sem solenidade e podem ser
NÃO SOLENES
provados mediante quaisquer meios admitidos em direito.

Uso do vernáculo

Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. O documento


redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de tradução
tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado.
Publicidade

Os atos processuais são públicos, mas há processos que tramitam em segredo de justiça ⤵

1 Quando o interesse público ou social assim o exigirem.

Nas causas de direito de família (casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união
2
estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes).

3 Em processos nos quais constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade.

Relativos à arbitragem e cumprimento de carta arbitral – desde que haja cláusula de


4
confidencialidade comprovada em juízo.

Mesmo nos processos que tramitam em segredo de justiça, o terceiro que demonstre interesse
jurídico na causa pode requerer ao juiz uma certidão do dispositivo da sentença e da partilha de bens
decorrentes de divórcio ou separação.

Prática eletrônica

Os atos processuais podem ser total ou parcialmente digitais, de forma a permitir que sejam
produzidos, comunicados, armazenados e validados por meio eletrônico, na forma da lei.

REGULAMENTAÇÃO Compete ao CNJ e supletivamente aos tribunais.

o Autenticidade.
o Integridade.
o Temporalidade.
REQUISITOS
o Não repúdio.
o Conservação.
o Confidencialidade (quando em segredo de justiça).

Sobre o assunto, a Resolução n. 345/2010 do CNJ, alterada pela Resolução n.º 378/2021, autorizou a
adoção do "JUIZO 100% DIGITAL". Trata-se de uma modalidade de tramitação processual que permite que
o cidadão ou cidadã utilize a internet para ter total acesso à Justiça, sem precisar ir pessoalmente ao fórum.
Atos das partes

Os atos das partes consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade produzem


IMEDIATAMENTE a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais.

A desistência da ação só produzirá efeitos após homologação judicial.

Resumindo.. .

Tempo

Os atos processuais devem ser realizados nos DIAS ÚTEIS, das 6h às 20h.

Vejamos as especificidades deste tópico no mapa a seguir ⤵


Lugar

Os atos processuais serão realizados ⤵

REGRA Na sede do juízo.

Em outro lugar em razão:

o De deferência.
EXCEÇÃO o De interesse da justiça.
o Da natureza do ato.
o De obstáculo arguido pelo interessado e acolhido pelo juiz.

Negócio jurídico processual

Cabimento

Nos casos de direitos que admitam autocomposição, as partes podem estipular mudanças no
procedimento ou nas posições processuais para adequação às especificidades da causa.

Em regra, o juiz não participa do negócio, atuando, tão somente, como fiscal da legalidade.

Possibilidades

Pode haver negócio jurídico processual para a alteração ⤵

o Do procedimento.
o Das posições contratuais (ônus, poderes, deveres, etc.).

Tipos

Os negócios podem ser ⤵

ATÍPICOS Fundamentados na cláusula geral de negociação prevista no artigo 190 do CPC.

o Foro de eleição.
TÍPICOS o Calendário processual. ]
_

ˇ
o Inversão do ônus da prova.
] CALENDÁRIO PROCESSUAL ⬛
ˇ
_
⬛ ]
ˇ
_

De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário (dispensa-se intimação, quando a data já
tiver sido estipulada no calendário).

Prazos Processuais

Prescrição dos prazos

Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei.

LEI OMISSA Se a lei for omissa, o juiz determinará os prazos de acordo com a complexidade do ato.

Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 dias o prazo para a
LEI E JUIZ
prática de ato processual a cargo da parte (nesses casos, as intimações somente
OMISSOS
obrigarão a comparecimento após decorridas 48 horas).

Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo.

Prorrogação dos prazos

Os prazos podem ser prorrogados por até 2 meses:

o Em locais de difícil transporte.


o Em casos de calamidade pública (nesse caso, o prazo de 2 meses poderá ser excedido).

Contagem dos prazos

Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, apenas os DIAS ÚTEIS
DIAS ÚTEIS
serão computados (esse prazo em dias úteis se aplica aos Juizados).

Haverá suspensão do curso do prazo entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, período


SUSPENSÃO
no qual não poderão ocorrer audiências.

Os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento.


FORMA DE
o Início da contagem → primeiro dia útil que seguir ao da publicação.
CONTAGEM
o Data da publicação → primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização no DJe.
Exclusão do dia do
Disponibilização no Publicação no
início e inclusão do
diário oficial próximo dia útil
dia do término

Prazos diferenciados

Terão prazos diferenciados (em dobro) ⤵

1 Litisconsortes com advogados diferentes, de escritórios diferentes e de autos não eletrônicos.

2 Ministério Público.

3 Fazenda Pública.

4 Defensoria Pública e núcleos de prática conveniados.

Resumindo...
Comunicação dos atos processuais

Cartas

Será expedida carta para a prática de atos fora dos limites territoriais do tribunal, da comarca, da
seção ou da subseção judiciárias. Será expedida carta ⤵

PRECATÓRIA Para realização de atos entre comarcas distintas. Competência territorial diversa.

ROGATÓRIA Para realização de atos entre países distintos. Cooperação jurídica internacional.

Para realização de atos entre graus de jurisdição


DE ORDEM Juízo vinculado ao Tribunal.
distintos – do tribunal para o 1º grau, por exemplo.

Para realização de atos entre órgão do Poder Pedido de cooperação judiciária


ARBITRAL
Judiciário e juízo arbitral. formulado por juízo arbitral.

Citação

Conceito

É o ato pelo qual o réu, executado ou interessado é convocado para integrar a relação processual.

Lei nº 14.195 de 2021 → a citação será efetivada em até 45 dias a partir da propositura da ação.

Disposições gerais

A citação válida (ainda que ordenada por juízo incompetente):

o Induz litispendência.
o Torna litigiosa a coisa.
EFEITOS
o Constitui em mora o devedor.

Em 10 dias, o autor deve adotar as providências para viabilizar a citação, sob pena de a
interrupção da prescrição não retroagir à data da propositura da ação.

Não é necessária a citação nos seguintes casos:


CITAÇÃO o Indeferimento da petição inicial (se o autor interpuser apelação, não havendo
DESNECESSÁRIA retratação, o juiz deverá CITAR o réu para responder. Não interposta a
apelação, o réu será INTIMADO do trânsito em julgado da sentença).
o Improcedência liminar do pedido, devendo o escrivão ou o chefe de secretaria
comunicar o resultado ao réu (se o autor apelar haverá CITAÇÃO do réu, seja
para prosseguimento do feito – no caso de retratação –, seja para apresentar
contrarrazões ao recurso de apelação).
o Comparecimento espontâneo do réu (que supre a nulidade da citação).

A citação pessoal é a regra, mas com exceções:

- Pode ser feita na pessoa do representante legal ou do procurador.

- Na ausência do citando, pode ser feita na pessoa do:

o Mandatário.
o Administrador.
CITAÇÃO o Preposto.
PESSOAL o Gerente.

▪▪ ▪ quando a ação se originar de atos por eles praticados.

- Locador ausente do Brasil → na pessoa do administrador (somente se não cientificar


o locatário que possui procurador com poderes para receber a citação).

- Pessoas jurídicas de direito público → Advocacia Pública que os representa.

A citação será feita em qualquer lugar em que se encontrar o réu, SALVO ⤵

LOCAL DA Militar → deve ser citado na unidade em que estiver servindo:


CITAÇÃO
o Se não for conhecida a sua residência.
o Se nela não for encontrado.

Não se fará a citação, SALVO para evitar o perecimento do direito ⤵

o De quem estiver participando de ato de culto religioso. I


ß
:
H
o De cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo
SITUAÇÕES
ou afim, em linha reta ou na linha colateral em segundo grau (no dia do
EXCEPCIONAIS
falecimento e nos 7 dias seguintes). 3

˙

`

\

o De noivos, nos 3 primeiros dias seguintes ao casamento. ß


ˇç

H
ç
Y [
ˇ
'
V
.
¡
o De doente, enquanto grave o seu estado. ×

˝
Modalidades

Eletrônica

Com a Lei nº 14.195 de 2021, a citação eletrônica passa a ser a regra, sendo que:

1 Deve ocorrer no prazo de 2 dias úteis contados da determinação.

As empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro para efeitos de citação e
2
intimação (inclusive as ME e EPP, salvo se cadastradas na Redesim).

3 Se não houver confirmação em até 3 dias úteis do recebimento, serão utilizados os demais meios.

Por correio

A citação será feita por meio eletrônico ou pelo correio, EXCETO:

o Nas ações de estado.


o Citando incapaz, pessoa de direito público ou residir em local não atingido pelo serviço postal.
o Se o autor, desde a petição inicial, requerer, de forma justificada, que ela seja feita de outra forma.

A citação da pessoa física que resida em um condômino pode ser recebida pelo porteiro.

Por escrivão ou chefe de secretaria

Ocorre se o citando comparece em cartório.

Por oficial de justiça

Ocorre ⤵

o Nas hipóteses previstas no CPC ou em lei


o Quando a citação por correio for infrutífera.

Ⓢ CITAÇÃO POR HORA CERTA ◆


x
z
◆ x
z

Quando, POR DUAS VEZES, o oficial de justiça tiver procurado o citando em seu domicílio ou residência
sem o encontrar, deverá, havendo suspeita de ocultação, intimar qualquer pessoa da família ou, em sua
falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação na hora que designar.
Por edital

A citação por edital ocorre ⤵

o Quando desconhecido ou incerto o citando.


o Quando ignorado, incerto ou inacessível o lugar em que se encontrar o citando.
o Nos demais casos expressos em lei.

São requisitos da citação por edital ⤵

1 A afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das circunstâncias autorizadoras.

2 A publicação do edital na internet, no sítio do respectivo tribunal e na plataforma de editais do CNJ.

3 A determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre 20 e 60 dias, fluindo da data da publicação
única ou, havendo mais de uma, da primeira.

4 A advertência de que será nomeado curador especial em caso de revelia.

Intimação

É o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos do processo.

Sempre que possível, as intimações serão realizadas por meio eletrônico em nome do advogado ou
da sociedade de advogados inscrita na OAB. Se houver requerimento expresso para publicação em nome
de determinado profissional, as intimações deverão trazer o nome desse patrono, sob pena de nulidade.

Notificação

Não é forma de comunicação de ato processual, mas medida judicial (procedimento especial de
jurisdição voluntária) pela qual alguém pode expressar de modo formal sua vontade.

Resumindo...

CITAÇÃO Para dar ciência do processo.

INTIMAÇÃO Para dar ciência dos atos processuais.

NOTIFICAÇÃO Para que a parte se manifeste formalmente sobre assunto juridicamente relevante.
Valor da causa

Introdução

É requisito da petição inicial, podendo ser corrigido de ofício pelo juiz ou impugnado pelo réu.

Critérios

A fixação pode ser ⤵

LEGAL OU OBRIGATÓRIA Quando a atribuição do valor já foi previamente definida pelo legislador.

Como não há previsão legal para fixar o valor da causa, este será
VOLUNTÁRIA
livremente fixado a partir de uma estimativa do autor.

Hipóteses de fixação legal

AÇÃO VALOR DA CAUSA

Soma monetariamente corrigida do valor principal, dos juros e de


Ação de cobrança de dívida.
eventuais outras penalidades, até a propositura da ação.

Ação que tiver por objeto a


existência, validade, cumprimento, Valor do ato ou de sua parte controvertida (hipótese de discussão
modificação, resolução, resilição ou relativa a contrato).
rescisão de ato jurídico.

Ação de alimentos. Soma de 12 prestações mensais pedidas pelo autor.

Ação de divisão, demarcação e


Valor de avaliação da área ou do bem objeto do pedido.
reivindicação.

Ação indenizatória (inclusive dano Valor pretendido (portanto, não cabe mais dano moral como pedido
moral) genérico, sem se especificar, na inicial, o valor que se quer receber).

Cumulação de pedidos. Quantia correspondente à soma dos valores de todos eles.

Pedidos alternativos. O de maior valor.

Pedido subsidiário. O valor do pedido principal.


Tutela Provisória

Regras gerais

Espécies

A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência ⤵

Requisitos:

o Probabilidade do direito.
o Perigo de dano (antecipada) ou risco ao resultado útil do processo (cautelar).

Tutela de urgência antecipada:

URGÊNCIA o Tem por finalidade antecipar os efeitos de uma futura decisão de mérito.
o Caráter satisfativo → visa a fruição do direito.

Tutela de urgência cautelar:

o Tem por finalidade resguardar o pedido principal.


o Caráter conservativo → visa evitar o perecimento do direito.

Requisito (será esmiuçado mais à frente):

EVIDÊNCIA o Probabilidade do direito – direito evidente (não há urgência).

Caráter satisfativo → visa a fruição do direito.

Decisão

A decisão que ⤵

 Conceder.
 Negar. Deve ser motivada de
 Modificar.
S
y
) forma clara e precisa.
 Revogar.

Contra essas decisões, cabe agravo de instrumento.

A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo (inclusive no período de


suspensão, salvo decisão em contrário), mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.
Momento de concessão

A tutela provisória pode ser concedida:

DE FORMA ANTECEDENTE AO PROCESSO Apenas as tutelas de urgência.

DE FORMA INCIDENTAL Todas as tutelas provisórias.

Tutela de urgência

Requerimento

Pode ser requerida de forma:

ANTECEDENTE ✅ Há pagamento de custas. S̄

INCIDENTAL ❌ Não há pagamento de custas. S̄

Requisitos

São requisitos da tutela de urgência:

o Elementos que evidenciem a probabilidade do direito.


o Perigo de dano (antecipada) ou risco ao resultado útil do processo (cautelar).

Caução

O juiz poderá, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir danos que
a outra parte possa vir a sofrer, SALVO se a parte for economicamente hipossuficiente.

Irreversibilidade e dano processual

A concessão de tutela antecipada é VEDADA se houver perigo de irreversibilidade.

Efetivada a tutela de urgência (cautelar ou antecipada) e posteriormente reformada, deverá o autor


reparar o dano processual causado ao réu (o entendimento jurisprudencial e doutrinário majoritário é
de que essa responsabilidade é OBJETIVA - independe da demonstração de dolo, culpa ou má fé).
Espécies

Tutela antecipada antecedente

Prevista para os casos em que a urgência for anterior ou contemporânea (conjunta)


à propositura da ação.

A petição inicial pode limitar-se:

o Ao requerimento da tutela antecipada.


CABIMENTO
o À indicação do pedido de tutela final com a exposição da lide.

Sendo essa a escolha do autor, haverá recolhimento de custas e o valor da causa


deverá levar em consideração o pedido de tutela final, e não apenas o valor relativo
à antecipação de tutela.

SE CONCEDIDA a tutela antecipada antecedente, o autor deverá aditar a petição


inicial para complementar sua argumentação, juntar novos documentos e confirmar
o pedido de tutela final, em 15 dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar.

✅ Feito o aditamento, o réu será CITADO para integrar o processo e INTIMADO


CONCESSÃO
para comparecer à audiência de conciliação ou de mediação, e, não havendo acordo,
haverá o início do prazo para contestação.

❌ Se o autor não aditar a petição inicial para elaborar o pedido principal, haverá a
extinção do processo sem resolução do mérito.

Nos casos de tutela antecipada antecedente, se da decisão que a concede não for
interposto o devido recurso, ela se tornará estável e o processo será extinto.
ESTABILIZAÇÃO Essa decisão não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos seus efeitos só será
DOS EFEITOS afastada por decisão na demanda que buscar alterar a tutela estabilizada. Assim, a
tutela conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada por
decisão de mérito em ação ajuizada por uma das partes (prazo de 2 anos).

NÃO SE INDEFERIDA a tutela antecipada antecedente, o juiz determinará a emenda da


CONCESSÃO inicial, em 5 dias, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito.
Tutela cautelar antecedente

A petição inicial deverá indicar a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito
PETIÇÃO INICIAL
que visa assegurar e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.

O réu será citado para contestar em 5 dias:

o Não havendo contestação, haverá revelia, com a presunção de veracidade dos


fatos narrados.
o Se houver contestação, o trâmite da demanda será pelo procedimento comum
do processo de conhecimento.

O juiz deverá decidir em 5 dias.


PROCEDIMENTO
Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser formulado pelo autor no prazo
de 30 dias. Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para comparecer
à audiência de conciliação ou mediação; não havendo autocomposição, o prazo para
contestação terá fluência a partir desse momento.

Em regra, o indeferimento do pedido cautelar não obsta a formulação do pedido principal


(exceções: reconhecimento de decadência ou prescrição).

Cessa a eficácia da tutela cautelar antecedente se:


CESSAÇÃO DOS o Não houver a apresentação do pedido principal em 30 dias.
EFEITOS o A tutela cautelar não for efetivada em 30 dias.
o O pedido principal for improcedente ou o processo for extinto sem mérito.

Resumindo.. .
Tutela da Evidência

Será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado


útil do processo em quatro situações ⤵

o Ficar caracterizado abuso do direito de defesa ou manifesto propósito protelatório da parte.


o As alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em
julgamento de casos repetitivos ou súmula vinculante.
o Se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito,
caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado sob cominação de multa.

E PEDIDO REIPERSECUTÓRIO G

G
+
( +
(
E

Pretensão de tutela que tem por objetivo reaver (perseguir) a coisa. “Rei” (do latim res) significa coisa.
“Persecutório” indica que acompanha, que segue, persegue com vistas a reaver, a buscar e apreender.
Sendo assim, em razão de um contrato, uma parte se obriga a guardar e posteriormente devolver um
determinado objeto. Quando não há a devolução, há o inadimplemento, surgindo para o dono da coisa o
direito de perseguir a coisa (pedido reipersecutório).

o A petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor,
a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.

Nas hipóteses em VERDE, será possível a concessão de liminar.

Resumindo ⤵
Formação, Suspensão e Extinção do processo

Formação

O processo civil inicia-se por iniciativa da parte, uma vez que a jurisdição é inerte e apenas atua (em
regra) por meio de provocação do jurisdicionado. Formalmente, o processo civil tem início com a
protocolização da Petição Inicial, nesse sentido ⤵

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da

ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado

Assim, o processo existe a partir da petição inicial, não tendo a sua existência condicionada à citação
do réu ou ao seu comparecimento. Entretanto, o processo só produz efeitos com a citação válida.
Suspensão

Espécies de suspensão

Nesta hipótese, o processo é totalmente suspenso, sem que nele se pratique qualquer
atividade (é o que acontece, por exemplo, quando o processo é suspenso pela admissão
do incidente de resolução de demandas repetitivas ou pela afetação de recurso repetitivo).
SUSPENSÃO
Contudo, poderão ser praticados durante a suspensão do processo os atos considerados
PRÓPRIA
urgentes, necessários para a preservação dos direitos das partes, a fim de evitar danos
irreparáveis, salvo no caso de arguição de impedimento e de suspeição, em que as tutelas
e a urgência serão requeridas não ao próprio juiz, mas ao seu substituto legal.

SUSPENSÃO Na suspensão imprópria, apenas uma parcela do procedimento processual é suspensa,


IMPRÓPRIA até que se julgue a questão incidente.

Hipóteses de suspensão

O processo pode ser suspenso, dentre outras hipóteses:

Pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal
1
ou de seu procurador.

2 Por convenção das partes (6 meses).


3 Quando houver arguição de impedimento ou suspeição.

Quando for admitido o incidente de resolução de demandas repetitivas – IRDR (1 ano, podendo
4 esse prazo ser majorado, DESDE que por decisão fundamentada do relator em sentido contrário
ao término da suspensão).

Quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa ou de prova requisitada a


5 outro juízo, ou seja, quando houver prejudicialidade externa (o prazo de suspensão do processo
nunca poderá exceder 1 ano).

6 Por motivo de força maior.

Quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de


7
competência do Tribunal Marítimo.

Quando do nascimento ou adoção de filho, sendo a mãe ou o pai a única advogada ou advogado
8
da causa (30 dias para a mulher e 8 dias para o homem).

Extinção

A extinção do processo se dá por sentença:

É aquela em que o juiz encerra o processo sem analisar as alegações do autor.


Nas sentenças sem resolução do mérito, há a possibilidade de repropositura.

Vale ressaltar que as hipóteses de indeferimento da inicial, ausência de


SEM RESOLUÇÃO
pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo,
DE MÉRITO
ausência de legitimidade ou interesse processual, bem como a litispendência,
somente permitirão a repropositura da ação se corrigido o vício que ensejou a
sentença sem resolução do mérito.

Em regra, sempre que o juiz examina o pedido do autor, ele profere sentença de
mérito. Contudo, há situações em que, mesmo quando o juiz não examina o
COM RESOLUÇÃO
pedido do autor, ele profere sentença de mérito, por previsão legal (falsas
DE MÉRITO
sentenças de mérito). Isso ocorre para dar a essas sentenças a característica da
coisa julgada material (por exemplo, o reconhecimento de prescrição).
Resumindo...
PARTE ESPECIAL

Processo de Conhecimento

Procedimento Comum

Visão geral

O processo é dividido da seguinte forma:

Concentraremos nossos estudos, nesse momento, no procedimento comum.

Preliminarmente

Antes de iniciar o procedimento comum propriamente dito, é importante lembrar que este
procedimento se aplica a todas as causas, SALVO disposição em contrário no CPC ou em outra lei.

Além disso, este procedimento aplica-se subsidiariamente:

1 Aos demais procedimentos especiais.

2 Ao processo de execução.
Petição inicial

O processo inicia-se com a petição inicial, cujos requisitos são os seguintes:

Requisitos

São requisitos da petição inicial:

1 O juízo a que é dirigida.

Os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de


2 inscrição no cadastro de pessoas físicas ou no cadastro nacional da pessoa jurídica, o endereço
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu.

3 Os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido (causa de pedir).

4 O pedido com as suas especificações.

5 O valor da causa.

6 As provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados.

7 A opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.

Se a Petição Inicial não trouxer algum dos requisitos ou possuir algum vício, o juiz determinará a sua
emenda, no prazo de 15 dias, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.

Se o autor não proceder à emenda, haverá o indeferimento da inicial, com a extinção do processo sem
resolução do mérito (sentença terminativa).

Análise dos principais requisitos

Causa de pedir: são os fatos e fundamentos jurídicos do pedido.

Alteração da causa de pedir:

ATÉ A CITAÇÃO Permitida, sem qualquer restrição, bastando uma petição do autor.

Permitida, desde que o réu concorde, sendo assegurado o contraditório e


APÓS A CITAÇÃO
facultado o requerimento de prova suplementar.

APÓS O SANEAMENTO Inadmissível.


Pedido: deve ser certo e determinado e classifica-se em:

PEDIDO Analisa-se o pedido sob a ótica processual. Representa a providência jurisdicional


IMEDIATO pretendida, ou seja, a condenação, a declaração e/ou a constituição.

PEDIDO Analisa-se o pedido sob a ótica material, representa o bem da vida perseguido, a vantagem
MEDIATO almejada no mundo prático que o autor pretende obter com a demanda judicial.

Pedidos implícitos: compreendem-se no pedido:

1 Juros legais.

2 Correção monetária.

3 Verbas de sucumbência, ou seja, custas e honorários.

4 Prestações sucessivas que se vencerem durante o processo, enquanto durar a obrigação.

5 Multa diária (astreintes), na tutela específica das obrigações de fazer, não fazer ou entregar coisa.

O princípio da congruência ou da adstrição determina que o magistrado deve decidir a lide dentro
dos limites fixados pelas partes. Caso faça diferente incorrerá em nulidade processual, proferindo sentença:

Fora do pedido (juiz concede algo que não foi pedido pela parte).

Informativo 683: o STJ, no REsp 1.637.375-SP, decidiu que, havendo pedido de


indenização por perdas e danos em geral, o juiz pode reconhecer a perda de uma
EXTRA PETITA chance sem que isso implique em julgamento fora da pretensão autoral.

Perda de uma chance: segundo esta teoria, se alguém, praticando um ato ilícito, faz
com que outra pessoa perca uma oportunidade de obter uma vantagem ou de
evitar um prejuízo, esta conduta enseja indenização pelos danos causados.

ULTRA PETITA Além do pedido (juiz concede em quantidade maior do que foi pedido).

CITRA PETITA Aquém do pedido (juiz não se manifesta sobre um ou mais pedidos).

O pedido será interpretado conforme o conjunto da postulação, observando o princípio da boa-fé.


Pedido genérico: é possível ⤵

1 Nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados.

2 Quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato.

Quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser
3
praticado pelo réu.

Modificação do pedido:

ATÉ A CITAÇÃO Permitida, sem qualquer restrição, bastando uma petição do autor.

APÓS A CITAÇÃO Permitida, desde que o réu concorde (assegurado o contraditório).

APÓS O SANEAMENTO Inadmissível.

Cumulação de pedidos: é possível, mesmo que não conexos, em face do mesmo réu, desde que:

o Os pedidos sejam compatíveis.


o Seja competente o mesmo juízo.
o Seja adequado o mesmo procedimento (quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de
procedimento, admite-se a cumulação se empregar o PROCEDIMENTO COMUM).

TIP OS DE CUMULAÇÃO

São autônomos entre si.


PRÓPRIA OU EM SENTIDO
SIMPLES
ESTRITO Ex.: dano moral + dano material.

(Poderão ser julgados Em razão de um, é feito o outro.


SUCESSIVA
procedentes simultaneamente) Ex.: inexistência de dívida + danos morais.

Quando a condição de análise do 2º for a improcedência do 1º.


IMPRÓPRIA OU EM SENTIDO SUBSIDIÁRIA
Ex.: peço um, mas se o juiz indeferir, que ele conceda o outro.
AMPLO
Não há ordem de prioridade.
(Não admite mais de um pedido
ALTERNATIVA Ex.: consignação em pagamento contra dois ou mais credores
procedente ao mesmo tempo)
(quando há dúvida) e o juiz decide quem é o beneficiário.
Pedido alternativo: há um único pedido formulado, que pode ser atendido de formas diferentes.

CUMULAÇÃO IMPRÓPRIA ALTERNATIVA PEDIDO ALTERNATIVO

Mais de um pedido Um único pedido

Emenda da inicial

O juiz determinará ao autor que emende a PI, no prazo de 15 dias, quando verificar defeitos e
irregularidades que possam dificultar a análise do mérito, devendo indicar, precisamente, o que deve ser
corrigido ou completado. Caso o autor não complete a(s) diligência(s), o juiz indeferirá a inicial.

Indeferimento liminar da inicial

Se o vício da inicial for insanável, poderá o magistrado desde logo extinguir o processo (sem
resolução do mérito e sem a citação do réu). O indeferimento da petição inicial ocorrerá:

o Quando for inepta.

Entende-se por INEPTA a petição inicial quando:

 Faltar-lhe pedido ou causa de pedir.


 O pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico.
 Da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão.
 Contiver pedidos incompatíveis entre si.

o Quando a parte for manifestamente ilegítima.


o Quando o autor carecer de interesse processual.
o Quando não atendidas as prescrições dos arts. 106 (indicar o endereço para intimação do advogado,
o seu número de inscrição na OAB e o nome da sociedade de advogados da qual participa, quando
atuar em causa própria) e 321 (ausência de emenda da inicial) do CPC.

: OBSERVAÇÕES +
"
+ "
:

Se não for possível emendar a PI, o juiz a indefere e extingue o processo sem resolução do mérito.

Quando o indeferimento for total, a sentença será atacável por APELAÇÃO no prazo de 15 dias.

Se o indeferimento for parcial, caberá o recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO no prazo de 15 dias.


Improcedência liminar da inicial

Aqui, O PEDIDO é julgado improcedente sem a citação do réu, havendo a análise do mérito. Assim,
a exordial será recebida (formalmente válida), mas o juiz proferirá uma sentença definitiva examinando o
mérito e proferindo a improcedência do pedido sem que o réu seja citado.

O magistrado julgará liminarmente improcedente o pedido:

1 Que contrariar enunciado de súmula do STF ou do STJ.

2 Que contrariar acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos.

3 Que contrariar entendimento firmado em IRDR ou de assunção de competência.

4 Que contrariar enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.

5 Quando verificar a ocorrência de decadência ou prescrição.

Audiência de conciliação ou de mediação

Estando em termos a petição inicial e não sendo caso de improcedência liminar,


o juiz designará audiência de conciliação ou mediação com antecedência mínima
de 30 dias, devendo ser citado o réu pelo menos 20 dias antes.

PRAZOS É possível a realização de mais de uma sessão de conciliação ou mediação,


devendo-se observar a necessidade da medida para a composição das partes e
desde que a sessão seguinte não exceda 2 meses da realização da primeira.

A pauta das audiências deve conter um intervalo mínimo de 20 min. entre elas

Não haverá a audiência de conciliação ou mediação se AMBAS as partes


NÃO OCORRÊNCIA manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual OU
quando não se admitir a autocomposição.

O não comparecimento injustificado da parte à audiência conciliatória é


NÃO considerado ato atentatório à dignidade da justiça e sancionado com multa de até
COMPARECIMENTO 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor
da União ou do Estado.
As partes deverão comparecer à audiência de conciliação ou mediação
COMPARECIMENTO acompanhadas por advogado ou defensor público, sendo possível a constituição
de representante, desde que com poderes para negociar.

Havendo acordo, este será reduzido a termo e homologado por sentença.


ACORDO
Não o havendo, terá início o prazo para contestação.

Será possível a realização da audiência de conciliação ou mediação por meio eletrônico.

Contestação

Prazo

O prazo para contestar é de 15 dias, contados:

Da audiência de conciliação/mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte


1
não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição.

Do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação/mediação apresentado pelo


réu, quando ambas as partes tiverem manifestado desinteresse na via consensual.

2 Litisconsórcio passivo e pedido de cancelamento de audiência → se os réus peticionarem o pedido


de cancelamento da audiência de mediação ou de conciliação, o prazo de 15 dias começará, para
cada réu, da data do respectivo protocolo do pedido de cancelamento.

3 De acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos.

Prazo em dobro:

o Ministério Público.
o Advocacia Pública.
APLICAÇÃO
o Defensoria Pública.
o Réus com diferentes advogados, de diferentes escritórios (salvo processo eletrônico)

o Se a lei estabelecer prazo próprio para o MP, para a Advocacia Pública, ou para a
NÃO Defensoria Pública, não se aplica o benefício da contagem em dobro.
APLICAÇÃO o No caso dos litisconsortes com diferentes procuradores, cessará a contagem em
dobro se, havendo só 2 réus, a defesa é oferecida por apenas um deles.
Ônus da impugnação específica

Na contestação deve ser apresentada toda matéria de defesa, ainda que contraditória, sob pena de
preclusão. Tratando-se de matéria de ordem pública, cabe a alegação em momento posterior. Contudo, é
importante mencionar que o STJ rechaça a nulidade de algibeira, assim entendida como aquela que a parte
guarda no bolso (na algibeira) para ser utilizada quando ela quiser (informativo 539).

Se determinado fato não for especificamente impugnado, presume-se que seja verdadeiro, SALVO
se apresentada pelo defensor público, advogado dativo ou curador especial (prerrogativa conhecida como
"contestação por negativa geral").

Tipos de defesa

A contestação comporta 2 tipos de defesa:

Defesas processuais

São defesas processuais, que deverão ser alegadas em preliminar de contestação, as seguintes:

1 Vício de citação.

2 Incompetência absoluta e relativa.

3 Incorreção do valor da causa.

4 Inépcia da inicial.

5 Perempção.
6 Litispendência.

7 Coisa julgada.

8 Conexão e continência.

9 Incapacidade de parte, defeito de representação, falta de autorização.

10 Convenção de arbitragem.

11 Ausência de legitimidade de parte ou interesse processual (carência de ação).

12 Falta de caução ou prestação prevista em lei.

13 Indevida concessão de gratuidade de justiça.

Ilegitimidade do réu

Atualmente, se o réu alegar a sua ilegitimidade, ele permite que o autor corrija o polo passivo da
demanda, alterando a petição inicial no prazo de 15 dias.

É incumbência do réu o ÔNUS de indicar o sujeito passivo adequado, sob pena de arcar com as
despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.

Esse ÔNUS não persiste caso o réu não tenha conhecimento de quem deva integrar a relação
processual, pois, se assim fosse, seria esvaziada a possibilidade de alegar ilegitimidade passiva.
Além disso, poderá o autor optar pela alteração da inicial não para excluir o réu e colocar outro, mas
para incluir um novo réu, ou seja, para criar um litisconsórcio passivo superveniente.

Aditamento da contestação

Após a contestação, só poderão ser alegados novos fatos ou novas matérias de defesa em casos
excepcionais, ou seja, em caso de fato ou de direito superveniente. Quando as matérias forem de ordem
pública o réu também poderá alegá-las em momento posterior à contestação. A lei também pode prever
que determinadas matérias sejam alegadas a qualquer tempo e grau de jurisdição.
Reconvenção

A reconvenção NÃO SE CONFUNDE com nenhuma das outras espécies de resposta do réu,
devendo ser compreendida como o exercício do direito de ação do réu dentro do processo. Nela, o réu
se afasta da posição PASSIVA e assume a posição ATIVA, dirigindo um PEDIDO ao autor da ação originária.

No atual CPC, o réu apresentará as defesas preliminares, a defesa de mérito e abrirá um novo tópico
para a reconvenção na própria contestação, havendo, ainda, a possibilidade de se apresentar a reconvenção
independentemente do oferecimento de contestação. A reconvenção deve observar o seguinte:

EXISTÊNCIA DE UMA Trata-se da causa que o autor propõe contra o réu (só há reconvenção se
CAUSA PENDENTE houver uma causa inicial do autor contra o réu).

Deve ser apresentada no prazo da contestação (15 dias). Contudo, trata-se


OBEDIÊNCIA AO PRAZO
de prazo meramente preclusivo, pois o réu, apesar de não poder mais
DE RESPOSTA
reconvir, poderá utilizar a via autônoma para exercer seu direito de ação.

COMPETÊNCIA O juízo da ação principal dever ser competente para julgar a reconvenção.

COMPATIBILIDADE DE As ações tramitarão juntas, devendo haver compatibilidade de


PROCEDIMENTO procedimentos. Caso contrário, elas devem utilizar o procedimento comum.

Deve haver uma afinidade de questões nas duas ações (entre a ação
CONEXÃO
proposta pelo autor e a ação proposta pelo réu).

INTERESSE
É uma condição da ação e, portanto, é também condição da reconvenção.
PROCESSUAL DO RÉU

Há procedimentos, como nos Juizados Especiais Cíveis, em que a lei prevê


CABIMENTO o pedido contraposto e não a reconvenção. Assim, compete ao réu verificar
se a legislação prevê, como cabível, a propositura da reconvenção.

PAGAMENTO DAS
Aos Tribunais compete disciplinar sobre as custas da reconvenção.
DESPESAS (SE HOUVER)

A contestação NÃO é um pressuposto para a reconvenção. Assim, o réu pode apresentar uma petição
apenas com a reconvenção, sem que haja necessidade de contestar os fatos narrados pelo autor.
Outros aspectos importantes devem ser observados:

AMPLIAÇÃO SUBJETIVA A reconvenção poderá ser proposta contra o autor e contra terceiro.
DA LIDE Além disso o CPC permite ao réu reconvir em litisconsórcio com terceiro.

DESISTÊNCIA OU Se o autor desistir da ação principal ou se a ação principal for extinta por
EXTINÇÃO DA AÇÃO falta de pressuposto processual, não restará prejudicada a reconvenção, nem
PRINCIPAL impedirá sua análise do mérito.

Apresentada a reconvenção, o autor será intimado para responder em 15 dias. É cabível, inclusive, a
reconvenção da reconvenção, SALVO se, no caso concreto, o juiz entender que mais de uma reconvenção
prejudicará significativamente o andamento procedimental.

Revelia

Nas palavras de Daniel Assumpção, "a revelia é um estado de fato gerado pela AUSÊNCIA jurídica
de contestação. A ausência deve ser necessariamente jurídica porque poderá ocorrer a revelia mesmo
nos casos em que o réu apresenta a contestação (ex.: apresentação fora do prazo ou em juízo diverso),
que faticamente existirá." A revelia produz os seguintes efeitos:

o Presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor.


EFEITOS
o Prazos contra revel sem advogado fluem da data de publicação da decisão no diário oficial.

Não haverá presunção de veracidade se:

o Houver litisconsórcio passivo e algum dos réus contestar.


EXCEÇÕES o O litígio versar sobre direitos indisponíveis.
o A petição inicial não trouxer instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato.
o As alegações do autor forem inverossímeis ou forem contraditórias com a prova dos autos.
Providências preliminares

São providências preliminares as seguintes:

1 Especificação de provas.

2 Réplica.

Assim, se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (defesa de mérito)
ou qualquer das matérias preliminares (defesa preliminar), o juiz determinará a oitiva do autor no prazo de
15 dias, permitindo-lhe a produção de prova. Verificando a existência de irregularidades ou de vícios sanáveis,
o juiz determinará sua correção em prazo não superior a 30 dias.

Julgamento conforme o estado do processo

Findas as providências preliminares, o juiz deverá apreciar se o processo tem condições de


prosseguir ou se já é possível a prolação de sentença. São 4 as possibilidades:

1 Extinção do processo.

2 Julgamento antecipado do mérito.

3 Julgamento antecipado parcial do mérito.

4 Saneamento e organização do processo.

Extinção do processo

A extinção do processo pode ocorrer de duas formas:

SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO Se presente uma das hipóteses de defesa processual, o magistrado
(SENTENÇA TERMINATIVA) proferirá sentença terminativa (extinção sem resolução do mérito).

Hipóteses:

o Prescrição e decadência.
COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO
o Transação.
(SENTENÇA DEFINITIVA)
o Renúncia à pretensão formulada na ação.
o Reconhecimento da procedência do pedido.
Julgamento antecipado do mérito

Hipóteses:

o Quando não houver a necessidade de produção de outras provas além das já constantes nos autos.
o Quando ocorrer a revelia e houver presunção de veracidade.

Julgamento antecipado parcial do mérito

Quando um ou mais pedidos formulados ou parcela deles:

o Mostrar-se incontroverso.
o Estiver em condições de imediato julgamento.

O recurso cabível da decisão que julga parcialmente o mérito é o agravo de instrumento.

Saneamento e organização do processo

O juiz proferirá decisão de saneamento e organização do processo para:

1 Resolver as questões processuais pendentes, se houver.

Delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios
2
de prova admitidos (é possível delimitação consensual).

3 Definir a distribuição do ônus da prova.

4 Delimitar as questões de direito relevantes para a decisão (é possível delimitação consensual).

5 Designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.

S ESTABILIZAÇÃO DA DECISÃO (
y
) v

As partes terão o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes no prazo comum de 5 dias, findo
o qual a decisão se torna estável.

Saneamento compartilhado: se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito,


o juiz deverá designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes.
Audiência de instrução

As pautas de audiência deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 hora entre elas.

Poder de polícia do juiz

O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe:

1 Manter a ordem e o decoro na audiência.

2 Ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente.

3 Requisitar, quando necessário, força policial.

Tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria


4
Pública e qualquer pessoa que participe do processo.

5 Registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência.

Ordem das provas

As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, PREFERENCIALMENTE:

1 Oitiva do perito e dos assistentes técnicos.

2 Depoimento pessoal das partes: primeiro do autor, depois do réu.

3 Oitiva de testemunhas: primeiro do autor, depois do réu.

Adiamento da audiência

A audiência poderá ser adiada por:

1 Convenção das partes.

2 Impossibilidade JUSTIFICADA de comparecimento de quem deva necessariamente participar.

3 Atraso INJUSTIFICADO do início da audiência, em tempo superior a 30 min. do horário marcado.


Conclusão da audiência

Em regra, finalizada a instrução, o juiz dará a palavra ao advogado do autor, do réu, bem como ao
membro do MP, se for o caso de sua intervenção, sucessivamente pelo prazo de 20 minutos para cada,
prorrogáveis por mais 10 minutos. Somente quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de
direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas (memoriais – prazo de 15 dias).

O prazo para a prolação de decisão é:

1 Ao final da audiência, OU

2 Em 30 dias.

A audiência poderá ser integralmente gravada independentemente de autorização judicial, além de


ser pública, RESSALVADAS as exceções legais de segredo de justiça.

Provas

Considerações iniciais

Possuem o objetivo de influir no convencimento do juiz, sendo que provas ilícitas são inadmissíveis.

São objeto de prova:

REGRA A regra é que somente os fatos devem ser provados, não o direito.

O juiz poderá determinar que a parte prove direito municipal, estadual,


EXCEÇÃO estrangeiro ou consuetudinário. Importante mencionar que a parte que
poderá ser demandada a provar é aquela que alegar tal direito.

Independem de prova:

FATO INCONTROVERSO Aquele que não é objeto de impugnação pela parte contrária.

FATO NOTÓRIO Aquele que é de conhecimento comum dos litigantes.

MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA Aquilo que ordinariamente ocorre.

FATOS CONFESSADOS Fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária.

FATOS PRESUMIDOS Fatos com presunção legal de existência ou veracidade.


Prova emprestada: o juiz poderá admitir o uso de prova produzida em outro processo, atribuindo-
lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.

Ônus da prova: o ônus da prova, em regra, é distribuído da seguinte forma:

AUTOR Deve provar o fato constitutivo do seu direito.

RÉU Deve provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.

Entretanto, pode ocorrer a inversão dessa distribuição:

E DISTRIBUIÇÃO DINÂMICA DO ÔNUS DA PROVA ◦



G
+
( E
(
+
G

Em casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas:

o À impossibilidade ou excessiva dificuldade de cumprir o encargo de provar.


o À maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário.

▪▪▪ poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso por meio de decisão fundamentada, caso em
que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.

A distribuição diversa do ônus da prova também poderá ocorrer por convenção das partes, salvo quando

recair sobre direito indisponível ou tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.

Meios de prova

Ata notarial: é o meio de prova utilizado para atestar ou documentar a existência e o modo de existir
de algum fato, sendo realizada em cartório extrajudicial. É possível, inclusive, que imagens (inclusive prints
de conversas de WhatsApp) e sons gravados em arquivos eletrônicos constem da ata notarial.

Depoimento pessoal: é o interrogatório das partes (autor/réu), requerido pelo juiz ou pela parte
contrária. O depoimento poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico.

- Quem ainda não depôs não pode ficar na sala de audiência ouvindo o outro depoimento.
REGRAS
- A parte depoente não pode ler suas respostas, mas é permitido levar breves anotações.

PENA DE Se a parte não comparecer ou, comparecendo, recusar-se a responder o que lhe for
CONFESSO perguntado, presumir-se-ão confessados os fatos contra ela alegados.
Confissão: ocorre quando a parte admite a verdade de um fato contrário ao seu interesse. Pode ser:

Efetivamente acontece, podendo ser:

REAL o Espontânea → sem provocação.


o Provocada → mediante interrogatório.

FICTA Resulta de sanção por alguma recusa da parte.

Exibição de documento ou coisa: o destinatário da ordem pode ser:

Se o réu estiver com o documento/coisa e não o exibir, admitem-se como verdadeiros os


RÉU
fatos que o requerente queria provar com o que seria exibido.

Se 3º estiver com o documento/coisa e não o exibir, o juiz poderá determinar a apreensão,


TERCEIRO
inclusive com força policial, sendo que o terceiro incorrerá no crime de desobediência.

O pedido formulado pela parte conterá:

A descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das categorias de


1
documentos ou de coisas buscados.

A finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou com a
2
coisa, ou com suas categorias.

As circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento/coisa existe, ainda
3
que a referência seja a categoria de documentos/coisas, e se acha em poder da parte contrária.

Prova documental: vejamos os aspectos mais relevantes na tabela:

Momento de produção da prova documental é na inicial e na contestação. Fora

estes momentos, só podem ser juntados:


MOMENTO
o Documentos novos para a prova de fatos posteriores aos narrados à inicial.
o Documentos para rebater documentos produzidos pela parte contrária.

DOCUMENTOS Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, nenhuma outra
PÚBLICOS prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta.
DOCUMENTOS As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente
PARTICULARES assinado presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.

Toda vez que um documento for juntado, a parte contrária terá oportunidade de se
manifestar, em 15 dias, quando poderá arguir a falsidade. Passado o prazo, há preclusão
ARGUIÇÃO DE
e considera-se autêntico o documento. Incumbe o ônus da prova quando:
FALSIDADE
o Se tratar de falsidade ou de preenchimento abusivo, à parte que a arguir
o Se tratar de impugnação da autenticidade, à parte que produziu o documento.

Prova testemunhal: é o meio de prova consubstanciado na declaração em juízo de um terceiro que


de alguma forma tenha presenciado os fatos discutidos. Poderá ser admitido o testemunho daquele que
apesar de não ter presenciado o fato, tomou conhecimento dele por informação de alguém que
supostamente presenciou (testemunha de referencia), que valerá como mero indicio e não como prova.

Cada parte poderá apresentar até 10 testemunhas, mas quando sugeridas mais de 3 testemunhas
para provar o mesmo fato, o juiz dispensará as excedentes.

Compete ao próprio advogado intimar a testemunha para que compareça em juízo,


e isso será feito via carta com aviso de recebimento, pelos correios.

A intimação da testemunha pelo Judiciário ocorrerá:


INTIMAÇÃO o Se frustrada a intimação via AR (ou se, desde logo, o juiz assim determinar).
o Quando a testemunha for servidor público.
o Quando a testemunha for arrolada pelo MP ou pela Defensoria Pública.
o Quando a testemunha for autoridade citada no rol do artigo 454 do CPC.

A oitiva segue as seguintes regras ⤵

o As testemunhas prestam o compromisso de dizer a verdade.


o Serão ouvidas primeiro as testemunhas do autor, depois as do réu, sendo que
uma testemunha não ouve o depoimento da outra.
PROCEDIMENTO
o O advogado poderá formular as perguntas diretamente para o depoente.
É possível ⤵

o Oitiva da testemunha referida (mencionada por uma das testemunhas ouvidas).


o Realização de acareação entre testemunhas ou entre testemunha e parte.
CONDUÇÃO A testemunha que, devidamente intimada, deixar de comparecer sem motivo
COERCITIVA justificado será conduzida e responderá pelas despesas do adiamento.

Há substituição da testemunha que:

o Falecer.
SUBSTITUIÇÃO
o Por enfermidade não tiver condições de depor.
o Mudou de endereço e não foi encontrada pelo oficial de justiça.

Acerca da incapacidade, impedimento ou suspeição, temos seguinte:

Prova pericial: consiste em exame, vistoria ou avaliação:

EXAME Tem como objeto bens móveis.

VISTORIA Tem como objeto bens imóveis.

AVALIAÇÃO Tem como objeto a aferição de valor de determinado bem, direito ou obrigação.

Situações específicas:

Quando o ponto controvertido for de menor complexidade, poderá o juiz, de oficio ou


PROVA TÉCNICA a requerimento das partes, SUBSTITUIR a perícia pela prova técnica simplificada, que
SIMPLIFICADA consistirá na inquirição de um especialista para esclarecimento do ponto controvertido
que demanda especial conhecimento técnico ou cientifico.
PERÍCIA
Pode o juiz nomear + de um perito e as partes indicar + de um assistente técnico.
COMPLEXA

O procedimento da perícia é o seguinte:

PROCEDIMENTO DA PERÍCIA

1 O juiz nomeia um perito especialista no objeto da perícia, fixando prazo para apresentação do laudo.

As partes terão o prazo de 15 dias para se manifestarem quanto impedimento ou suspeição do perito,
2 indicação de assistente técnico e apresentação de quesitos.

O perito deve ser imparcial, mas não os assistentes técnicos, que são de confiança das partes.

O perito se manifesta, em 5 dias, momento em que:

o Formulará proposta de honorários.


3
o Apresentará seu currículo, principalmente demonstrando sua especialização na área da perícia.
o Indicará seus contatos profissionais, inclusive correio eletrônico, para ser intimado.

4 Nova manifestação das partes, em 5 dias, para que digam a respeito dos honorários sugeridos pelo perito.

O juiz fixará os honorários periciais e determinará o pagamento da quantia.

Em regra, apenas após o pagamento integral dos honorários é que terá início a confecção do laudo,
5 sendo permitido, ainda, o pagamento de metade antes da perícia e a outra metade somente após a
apresentação do laudo e prestados os esclarecimentos.

É possível a redução dos honorários periciais, pelo juiz, caso a perícia seja inconclusiva ou deficiente.

6 Concluído o laudo, o perito deverá protocolá-lo em juízo.

7 As partes e assistentes técnicos poderão se manifestar no prazo comum de 15 dias.

8 Existindo alguma dúvida, terá o perito mais 15 dias para esclarecer os pontos levantados nas manifestações.

Após os esclarecimentos periciais, se ainda existir alguma dúvida, as partes poderão requerer novos
9
esclarecimentos, que serão prestados na audiência de instrução.

O juiz NÃO está vinculado ao laudo pericial.


PERÍCIA CONSENSUAL

É a situação onde os litigantes, em comum acordo, escolhem perito e o indicam ao juiz mediante
requerimento, desde que estes sejam plenamente capazes e a causa possa ser resolvida por
autocomposição.

Inspeção judicial: o juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando:

o Julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar.
o A coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades.
o Determinar a reconstituição dos fatos.

◦ IMPORTANTE (
E
(
+
G ◦
G
+
E

Pode ocorrer:

o De oficio ou a requerimento das partes.


o Em qualquer fase processual.

Sentença e Coisa julgada

Sentença

Elementos da sentença:

Não será considerada fundamentada a decisão que:

Se limitar a indicar, reproduzir ou parafrasear ato normativo, sem explicar sua relação com a causa
1
ou a questão decidida.

2 Empregar conceitos jurídicos indeterminados sem explicar a causa concreta de sua incidência.
3 Invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão.

Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a
4
conclusão adotada.

Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos


5
determinantes nem demonstrar que o caso se ajusta àqueles fundamentos.

Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem
6
demonstrar a existência de distinção no caso ou a superação do entendimento.

Sentença viciada: a sentença não prejudica terceiros e deve refletir o pedido formulado pela parte
na inicial sob pena de ser viciada, senão vejamos ⤵

Sentença terminativa: é a decisão sem resolução do mérito, que, em regra, extinguirá o processo,
salvo se houver mais de um pedido ou litisconsorte, pois prosseguirá a relação processual em relação ao
outro pedido ou parte. É proferida nas seguintes hipóteses:

o Indeferimento da inicial.
o Negligência de AMBAS as partes (paralisação por 1 ano).
o Abandono de causa PELO AUTOR (paralisação por 30 dias).

Em ambos os casos, o juiz deve intimar os interessados para suprir a falta no prazo de 5 dias.

o Ausência de pressupostos processuais de existência e validade do processo.


o Presença de pressupostos processuais negativos ⤵

Se o autor provocar a extinção do processo por 3 vezes por abandono, o juiz,


PEREMPÇÃO
no 4º ajuizamento, extinguirá o processo sem resolução do mérito.

LITISPENDÊNCIA Quando se reproduz ação anteriormente ajuizada e que está em curso.


COISA JULGADA Quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado.

o Falta de legitimidade ou interesse processual (carência de ação).


o Convenção de arbitragem ou reconhecimento de competência pelo juízo arbitral.
o Desistência da ação (pelo autor) ⤵

ANTES DA CONTESTAÇÃO Independe de manifestação do réu.

APÓS A CONTESTAÇÃO Depende de consentimento do réu.

Não será admissível, embora seja possível à parte


APÓS A SENTENÇA
recorrente desistir do recurso.

o Falecimento da parte cuja ação for intransmissível.

Em todos os casos anteriores, a sentença é terminativa (processual, não decide a lide), admitindo-se a
repropositura da ação, salvo no caso de coisa julgada e perempção.

Sentença definitiva: é a decisão com resolução do mérito. É proferida nas seguintes hipóteses:

o Juiz julga procedente ou improcedente o pedido do autor na inicial ou do réu na reconvenção.

+ IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO (


(
E

G ◦
G
+
E

Nos casos de improcedência liminar do pedido (vide último tópico sobre petição inicial):

o Interposta a apelação, o juiz poderá se retratar em 5 dias; se não, determinará a citação do réu
para apresentar contrarrazões em 15 dias.
o Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença.

o Juiz reconhece a decadência ou a prescrição.


o Homologação de atos dispositivos ou autocompositivos:
 Réu reconhece a procedência do pedido.
 As partes transigem.
 Autor renuncia ao direito sobre que se funda a ação.
DESISTÊNCIA RENÚNCIA

Atinge o direito processual, acarretando a extinção O autor abre mão de sua pretensão, atingindo o
sem mérito e, assim, permitindo uma nova direito material e isso acarreta a extinção com
propositura da mesma ação. mérito, não cabendo a repropositura.

Nas hipóteses de homologação para o reconhecimento de procedência de pedido e de transação,


o direito deve ser disponível, pois direitos indisponíveis não são passíveis de serem transacionados.

Ainda que seja possível reconhecer de ofício a prescrição e a decadência, o juiz deverá possibilitar
a manifestação das partes em relação a elas, em respeito ao princípio do contraditório.

Remessa necessária: ocorre quando a sentença proferida em primeiro grau tem de necessariamente
ser examinada pelo grau de jurisdição superior, mesmo não sendo interposta apelação por qualquer das
partes. São duas as situações que ensejam a remessa necessária:

1 Sentenças proferidas CONTRA a Administração Pública direta, autarquia e fundacional.

2 Sentenças que julgarem PROCEDENTES embargos à execução fiscal.

Não serão sujeitas ao duplo grau de jurisdição:

1 As sentenças até 1.000 salários-mínimos quando o réu for a União e suas respectivas autarquias.

As sentenças até 500 salários-mínimos quando o réu for o Estado, o Distrito Federal, os Municípios
2
que forem capitais e suas respectivas autarquias e fundações.

3 As sentenças até 100 salários-mínimos para os demais Municípios.

Dispensa-se também o reexame necessário caso a sentença esteja em conformidade com:

1 Súmula de tribunal superior.

2 Acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos.

3 Entendimento firmado em IRDR ou de incidente de assunção de competência.

Entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio


4
ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.
Coisa julgada

Conceito: trata-se da imutabilidade e indiscutibilidade da decisão de mérito não mais sujeita a recurso.

LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA

A questão principal.

A questão prejudicial, se:

o Dessa resolução depender o julgamento do mérito.


FAZEM COISA JULGADA o A seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não
se aplicando no caso de revelia.
o O juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa
para resolvê-la como questão principal.

NÃO FAZEM COISA JULGADA Os motivos e a verdade dos fatos.

Espécies de coisa julgada:

Princípio do deduzido e dedutível: com o trânsito em julgado considerar-se-ão deduzidas e repelidas


todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido.

Ação rescisória: possibilidade de impugnação da decisão transitada em julgado, no prazo decadencial


2 anos, contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo (quando fundada em nova
prova, conta-se da data de descoberta desta, observado o prazo máximo de 5 anos).
Liquidação de sentença

A liquidação de sentença constitui um incidente processual, que tem por finalidade apurar quantias
ilíquidas fixadas na sentença. Na hipótese de a sentença ser parte líquida e parte ilíquida, o credor pode:

EXECUTAR A PARTE LÍQUIDA Em fase de cumprimento de sentença.

LIQUIDAR A PARTE ILÍQUIDA Em autos apartados.

A requerimento do credor ou do devedor, a liquidação pode ocorrer:

Quando:

o Determinado pela sentença.


POR ARBITRAMENTO
o Convencionado pelas partes.
o Exigido pela natureza do objeto da liquidação.

PELO PROCEDIMENTO COMUM Quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.

Caso a apuração dependa apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o
cumprimento da sentença, não necessitando de um incidente de liquidação.

Cumprimento de sentença

Considerações iniciais

Conceito

Cumprimento de sentença é uma nova fase no processo de conhecimento (e não um processo


autônomo) que se presta a garantir a satisfação do crédito anotado em título executivo judicial.

Requisitos

Para que seja iniciado o cumprimento de sentença é necessário a presença dos seguintes requisitos:

o Título executivo JUDICIAL.


o Inadimplemento do devedor (exigibilidade da obrigação).
Títulos executivos judiciais

São títulos executivos judiciais:

o As decisões proferidas no processo civil.


o A decisão homologatória de autocomposição judicial.
o A decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza.
o O formal e a certidão de partilha.
o O crédito do auxiliar da justiça.
o A sentença penal condenatória transitada em julgado.
o A sentença arbitral.
o A sentença estrangeira homologada pelo STJ.
o A decisão interlocutória estrangeira, após exequatur do STJ.

Competência

O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:

o Os tribunais, nas causas de sua competência originária.


o O juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição.
o O juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de
sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.

Nas duas últimas hipóteses, o exequente poderá escolher entre:

o O atual domicílio do executado.


o O local dos bens sujeitos à execução.
o O local onde deva ser cumprida a obrigação de fazer ou não fazer.

Intimação

A intimação do devedor deverá ser feita, em regra, na pessoa de seu advogado, SALVO:

o Defensoria Pública ou devedor sem procurador nos autos (citação por carta com AR ✉).
o Devedor revel na fase de cumprimento (citação por edital )
ˆ).
_

o Instauração do cumprimento após 1 ano do trânsito em julgado (citação por carta com AR ✉).

A partir das alterações trazidas pela Lei 14.195 de 2021, as empresas públicas e privadas que não
tiverem procurador constituído nos autos serão intimadas por meio eletrônico.
Espécies de cumprimento de sentença

Obrigação de pagar quantia certa

Cabimento:

o Obrigação de pagar quantia (aplica-se às demais modalidades, no que couber).


o Recurso recebido SEM efeito suspensivo.

Juiz intima o devedor para pagar em 15 dias sob pena de:

o Multa + Honorários → 10% (não incidem se o devedor fizer o depósito – caução).

Após o prazo de 15 dias, começa novo prazo de 15 dias para impugnação.


CUMPRIMENTO
A fase expropriatória depende de caução pelo credor, salvo:
PROVISÓRIO
o Crédito de natureza alimentar.
o Situação de necessidade do credor.
o Pendência de agravo em REsp ou RE.
o Sentença em consonância com a jurisprudência do STF ou STJ.

Se da dispensa puder resultar dano, a caução será mantida.

A responsabilidade do credor em cumprimento provisório é sempre OBJETIVA.

O credor deverá requerer através de petição nos mesmos autos, apresentando:

o Demonstrativo discriminado e atualizado do crédito.


o Indicação dos bens passíveis de penhora, sempre que possível.

Juiz intima o devedor para pagar em 15 dias sob pena de:

o Multa + Honorários → 10% (pagamento parcial → as penas incidem sobre o restante).


CUMPRIMENTO
Após o prazo de 15 dias, começa novo prazo de 15 dias para impugnação.
DEFINITIVO
Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado
de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação.

Cumprimento de sentença invertido → é lícito ao réu, antes de ser intimado para o


cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que
entender devido, apresentando memória discriminada do cálculo.
Obrigação de prestar alimentos

REGRAS INTRODUTÓRIAS

O cumprimento é cabível de sentença ou decisão interlocutória que fixe alimentos.

Em regra, ocorre nos mesmos autos (como nova fase do processo), salvo:
PROCESSAMENTO o Alimentos provisórios.
o Sentença sem trânsito em julgado.

Em ambos os casos, o cumprimento se dará em autos apartados.

A fixação pode se dar ⤵

No direito de família:

o Entre cônjuges ou companheiros.


o Entre pais e filhos.
FIXAÇÃO DE o Entre parentes ascendentes, descendentes e colaterais até o 2º grau.
ALIMENTOS Em razão de responsabilidade civil (alimentos indenizatórios) → essa espécie de
alimentos NÃO AUTORIZA a prisão civil.

Para o STJ, os alimentos devidos em razão da prática de ato ilícito possuem


natureza indenizatória e, portanto, não se aplica o rito excepcional da prisão civil
como meio coercitivo para o adimplemento (informativo 681).

O credor pode fazer o requerimento:

o Onde o título se formou.


o No atual domicílio do executado.
REQUERIMENTO
o No local onde se encontram bens do executado.
o No atual domicílio do beneficiário.

Devendo escolher entre o rito da penhora ou da prisão.

CONVERSÃO DE O juiz não pode converter, de ofício, rito da penhora em rito da prisão.
RITOS O juiz pode converter, a pedido do credor, rito da prisão em rito da penhora.
RITOS

Requerimento do credor.

Intimação do devedor, na pessoa do advogado, para pagar em 15 dias, sob pena de:

o Multa + Honorários → 10% (pagamento parcial → as penas incidem sobre o restante).


RITO DA o Execução forçada (penhora mais abtangente).
PENHORA A penhora pode abranger:

o Poupança até 40 salários-mínimos.


o Desconto em folha de pagamento (limitado a 50% dos ganhos líquidos).
o Bem de família.

Requerimento do credor → o débito alimentar que autoriza a prisão civil é o que compreende
até as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso
do processo. As prestações pretéritas deverão ser requeridas pelo rito da penhora.

Intimação PESSOAL do devedor para, em 3 dias:

o Pagar o débito.
o Provar que pagou.
o Justificar o não pagamento (justificativa plausível → prova de impossibilidade absoluta).

Não aceita a justificativa, o juiz decreta a prisão de 1 a 3 meses:

o Regime fechado.
RITO DA PRISÃO o Separado dos demais presos.

A partir da Lei nº 14.010/2020 a prisão civil por dívida alimentícia, durante a pandemia da Covid-
19, passou a ser cumprida exclusivamente sob a modalidade domiciliar, sem prejuízo da
exigibilidade das respectivas obrigações

Em razão do aumento significativo de pessoas imunizadas contra a Covid-19 no Brasil, além da


diminuição dos registros de novos casos e de mortes, a 3ª Turma do STJ e CNJ, entendem
ser possível a retomada gradual do regime fechado nas prisões civis por dívida alimentícia.

Além disso, o juiz manda protestar o pronunciamento judicial.

Vale lembrar que a prisão é medida coercitiva (tal como é a multa, no rito da penhora), não
servindo para quitar a dívida. Além disso, o pagamento parcial não impede a prisão.
Obrigação de pagar quantia certa contra a Fazenda Pública

PROCEDIMENTO

O requerimento do credor deverá conter:

REQUERIMENTO o Demonstrativo discriminado e atualizado do crédito.

Como os bens públicos são impenhoráveis, não há a indicação de bens passíveis de penhora.

A Fazenda Pública será PESSOALMENTE intimada, observando o seguinte:

o O Advogado Geral da União recebe a intimação da União.


o Os procuradores estaduais recebem as intimações dos Estados.
INTIMAÇÃO
o Os procuradores municipais recebem as intimações dos municípios.
o O procurador do DF recebe a intimação do Distrito Federal.

Conforme a Lei 14.195/2021, a intimação será preferencialmente por meio eletrônico.

O prazo para impugnar, contado da intimação, é de 30 dias.


IMPUGNAÇÃO
Aqui, não há a incidência de multa de 10% + honorários de 10% pelo não pagamento.

Não impugnada a execução ou rejeitadas as arguições da executada, haverá o pagamento:

Por precatório → instrumento de requisição de pagamento de dívidas decorrentes de


sentença transitada em julgado contra a Fazenda Pública, de acordo a ordem cronológica de
apresentação da requisição.

Por requisição de pequeno valor → o pagamento será realizado no prazo de 2 meses


contados da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial mais próxima
PAGAMENTO da residência do exequente. É considerado pequeno valor:

o No âmbito federal → 60 salários-mínimos (Lei nº 10.259/2001).


o No âmbito estadual → 40 salários-mínimos (art. 87 do ADCT da CRFB/88).
o No âmbito municipal → 30 salários-mínimos (art. 87 do ADCT da CRFB/88).
o No âmbito do Distrito Federal → 20 salários-mínimos (Lei n.º 6.618/2020).

Contudo, Estados, DF e Municípios podem editar leis reduzindo ou aumentando esses valores,
tendo como critério a capacidade econômica e respeitado o princípio da proporcionalidade
Obrigação de fazer, não fazer e entrega de coisa certa

Objetivo:

o Tutela específica, OU
o Resultado prático equivalente.

Atuação do juiz:

o De ofício.
OBRIGAÇÃO DE FAZER OU o A requerimento.
NÃO FAZER As medidas executivas podem ser:

o Diretas: quando o Estado substitui o devedor no cumprimento


da obrigação (ex.: penhora por meio do SISBAJUD).
o Indiretas: quando o Estado utiliza meios para estimular o
cumprimento (ex.: redução de honorários) ou desestimular o
não cumprimento (ex.: astreintes).

Objetivo:

o Entrega de coisa certa.

Medidas:
OBRIGAÇÃO DE ENTREGA DE
o Expedição de mandado de busca e apreensão (bem móvel).
COISA CERTA
o Expedição de mandado de imissão na posse (bem imóvel).

Aplicam-se, no que couber, as disposições sobre o cumprimento de


obrigação de fazer ou de não fazer.
Protesto da sentença e negativação do nome do devedor

A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da
lei, depois de transcorrido o prazo de 15 dias para o pagamento voluntário.
PROTESTO A requerimento do executado, o protesto será cancelado por determinação do juiz,
mediante ofício a ser expedido ao cartório, no prazo de 3 dias, contado da data de
protocolo do requerimento, desde que comprovada a satisfação integral da obrigação.

Além do protesto, o CPC prevê a possibilidade da negativação do nome do executado


no cadastro dos inadimplentes até que:
NEGATIVAÇÃO o Efetive o pagamento do valor devido.
o Garanta o cumprimento de sentença.
o O processo seja extinto por outro motivo.

Impugnação ao cumprimento de sentença

Prazo

O prazo para apresentação de impugnação ao cumprimento de sentença é de 15 dias após o


decurso do prazo de 15 dias para pagamento voluntário, independentemente de penhora ou nova intimação.

O prazo será em dobro para litisconsortes com advogados distintos, de escritórios distintos, salvo
processo eletrônico.

Efeito suspensivo

A impugnação ao cumprimento de sentença, como regra, não tem efeito suspensivo, contudo, o
juiz poderá concedê-lo conforme os mesmos requisitos dos embargos:

o Requerimento do impugnante.
o Garantia do juízo (com penhora, caução ou depósito suficientes).
o Fundamentação relevante.
o Possibilidade de dano grave de difícil ou incerta reparação.

Ainda assim, é lícito que o credor requeira o prosseguimento da execução se apresentar uma
“contra caução” suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz.
Alegações

Na impugnação, o executado poderá alegar:

o Falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia.


o Ilegitimidade de parte.
o Inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação.
o Penhora incorreta ou avaliação errônea.
o Excesso de execução ou cumulação indevida de execuções.

Quando a impugnação versar sobre excesso da execução, o executado deve declarar imediatamente
o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo, sob
pena de rejeição liminar.

o Incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução.


o Qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação,
transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença.

Recurso cabível

O julgamento da impugnação se dá por decisão interlocutória, sendo cabível o agravo de instrumento.

Resumindo.. .
Procedimentos Especiais

Introdução

Visão geral

Antes de adentrar os procedimentos especiais propriamente ditos, é importante revisar o panorama


geral dos processos e procedimentos do Direito Processual Civil:

Do mapa, é possível concluir que os procedimentos especiais integram o processo de conhecimento,


possuindo natureza declarativa. Assim, considerando que o procedimento comum não é capaz de atender
a todo tipo de demanda, são criados procedimentos especiais que atendem a demandas especiais.

Os procedimentos são “especiais” porque apresentam distinções em relação ao procedimento


comum (cujas regras são aplicadas de forma subsidiária). Essas distinções podem ser nos prazos, na
possibilidade de liminar, ou qualquer tipo de adaptação feita para atender àquela situação específica.

(In)fungibilidade

A doutrina diverge quanto à (in)fungibilidade dos procedimentos especiais, caracterizada pela


possibilidade de abrir mão do procedimento especial para demandar pelo procedimento comum

Para Didier, os procedimentos especiais podem ser classificados em obrigatórios ou opcionais, sendo
possível que o autor opte pelo procedimento comum no lugar do especial somente no último caso.
Tipos de jurisdição

Neste capítulo, falaremos dos principais procedimentos especiais, os quais podem ser de jurisdição
contenciosa ou voluntária, conforme o seguinte quadro comparativo:

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

Existe lide. Inexiste lide.

Existem partes. Existem interessados.

Juízo de legalidade estrita. Juízo de equidade.

Procedimentos especiais de jurisdição contenciosa

Ação de consignação em pagamento

Conceito: a ação de consignação em pagamento é um procedimento específico por intermédio do


qual o devedor destaca uma quantia devida de dinheiro ou um bem para quitar determinada obrigação,
INDEPENDENTEMENTE da vontade do credor.

Hipóteses ⤵

1 Quando o credor não puder ou se recusar injustificadamente a receber ou dar quitação.

2 Quando o credor não receber a coisa no lugar, no tempo e na condição devidos.

Quando o credor for incapaz de receber, não for conhecido, for declarado ausente ou residir em
3
local incerto ou cujo acesso seja perigoso ou difícil.

4 Quando houver dúvida em relação a quem deve receber o pagamento.

5 Quando pender litígio sobre o objeto do pagamento.

Legitimidade ativa ⤵

o Devedor.
o Representante.
o Terceiro interessado (nesse sentido, o STJ já decidiu que a instituição financeira possui legitimidade
para ajuizar ação de consignação em pagamento visando quitar débito de cliente decorrente de
título de crédito protestado por falha no serviço bancário - informativo 636).
Legitimidade passiva ⤵

o Credor.
o Sucessores.
o Dependentes habilitados face à Previdência Social.

Espécies ⤵

Hipótese → somente obrigação de pagar quantia certa.

Etapas:

o Depósito em banco, oficial onde houver, situado no lugar do pagamento.


CONSIGNAÇÃO
o Cientificação do credor por carta com aviso de recebimento.
EXTRAJUDICIAL
o Prazo de 10 dias para manifestação de recusa:
 Sem recusa: o devedor é liberado e a quantia fica à disposição do credor.
 Com recusa: poderá ser proposta a ação de consignação dentro de 1 mês
(não proposta, fica sem efeito o depósito, podendo o devedor levantá-lo).

Hipóteses:

o Obrigação de pagar quantia certa.


o Obrigação de entregar coisa.

Etapas:

o Petição inicial.
CONSIGNAÇÃO
o Intimação do autor para depositar em 5 dias.
JUDICIAL
 Não realizado o depósito, o processo será extinto sem resolução do mérito.
 Realizado o depósito, cita-se o réu.
o O réu pode:
 Contestar em 15 dias.
 Permanecer inerte (caso em que se decreta a sua revelia).
 Levantar o depósito (extinguindo-se a obrigação).
Ação de exigir contas

O titular do direito de exigir contas pode requerer a citação do réu para que:

o Preste as contas (caso em que o autor tem que se manifestar em 15 dias), OU


o Ofereça contestação em 15 dias.

A decisão que julgar procedente o pedido condenará o réu a prestar as contas no prazo de 15 dias,
sob pena de não lhe ser lícito impugnar as que o autor apresentar. Assim:

o Réu apresenta as contas → o feito prossegue.

o Réu não apresenta as contas → o autor o faz no prazo de 15 dias.

Ações possessórias

Introdução: as ações possessórias se prestam à defesa da posse, enquanto as ações petitórias são
utilizadas para defender a propriedade. Nesse sentido, vale lembrar que a propriedade é o direito de gozar,
reivindicar, usar e dispor do bem (MACETE: GRUD); já a posse diz respeito ao exercício de algum desses
poderes inerentes à propriedade. Veja o quadro comparativo ⤵

AÇÕES POSSESSÓRIAS AÇÕES PETITÓRIAS

Quando a causa de pedir de uma Quando a causa de pedir de uma demanda


CABIMENTO
demanda tiver por base a posse. tiver por base a propriedade.

o Reintegração de Posse.
o Ação de imissão na posse.
ESPÉCIES o Manutenção de Posse.
o Ação reivindicatória.
o Interdito Proibitório.

PROCEDIMENTO Procedimento especial Procedimento comum

A importância dessa diferenciação se dá justamente porque, de acordo com o fundamento do


pedido (propriedade ou posse) o procedimento será comum ou especial (ora estudado).

Litígio coletivo: no caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande número de
pessoas, serão feitas a citação PESSOAL dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por
EDITAL dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em
situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública.
Defesa da posse: o possuidor pode se utilizar das seguintes ações possessórias ⤵

Possibilidade de liminar:

AÇÃO DE FORÇA Caso a ação seja intentada dentro do prazo de ano e dia, o procedimento a ser
NOVA adotado será o especial, sendo possível, nesses casos, a concessão de liminar.

AÇÃO DE FORÇA Ultrapassado o prazo de 1 ano, o procedimento a ser aplicado será o comum (em
VELHA que pese o procedimento ser comum, não perderá seu caráter possessório).

Fungibilidade: as ações possessórias são fungíveis, de modo que, se o autor ingressar com uma ação
e a situação for outra ou se transformar, o juiz deve, ainda assim conceder a proteção.

Ação de divisão e da demarcação de terras particulares

A primeira delas é cabível para demarcação de determinado imóvel, ou seja, para a demarcação
dos limites exatos do imóvel em relação aos demais confinantes (vizinhos).

A segunda ação tem por finalidade tomar um imóvel em condomínio e dividir entre aqueles que
têm direito à parte desse imóvel, de acordo com as regras de proporção da divisão (quinhões).

Resumindo ⤵

AÇÃO DE DEMARCAÇÃO Serve para delimitar o imóvel com os demais confinantes.

AÇÃO DE DIVISÃO Serve para ratear o imóvel de acordo com o quinhão de cada condômino.

Da ação de dissolução parcial de sociedade

Cabimento: a dissolução parcial de sociedade é cabível nas seguintes hipóteses:

o Morte de determinado sócio.


o Exclusão de determinado sócio.
o Exercício do direito retirada.
Pedidos: os pedidos, cumulativos ou não, podem ser:

o A resolução da sociedade em relação a um determinado sócio (dissolução parcial).


o A apuração de haveres.

Consequência: com a resolução da sociedade ocorre a consequente liquidação das quotas do sócio
que deixa de integrar o quadro societário, cujo valor deve ser apurado para o seu devido reembolso.

Inventário e partilha

Cabimento: o inventário tem cabimento nas hipóteses em que o de cujus deixou patrimônio. Assim,
no momento que uma pessoa morre, transmite-se a herança aos herdeiros legítimos e testamentários
(princípio de saisine), formando-se uma universalidade de direitos e obrigações denominada espólio.

Objetivo: o objetivo do procedimento é delimitar o acervo, sendo necessário, ainda, o procedimento


de partilha, para que, então, a universalidade seja desfeita e cada herdeiro faça jus ao seu quinhão. Assim:

INVENTÁRIO Relação de bens. Prazo de 2 meses para instaurar.

Prazo de 12 meses para partilhar (prazo


PARTILHA Distribuição dos quinhões.
impróprio, dirigido ao órgão jurisdicional).

Modalidades:

O procedimento DEVE ser judicial:

o Se houver testamento*, OU
o Se houver sucessores incapazes.
JUDICIAL *Essa é a regra, mas o STJ admite o inventário extrajudicial mesmo que exista
testamento, se os interessados forem capazes e concordes e estiverem
assistidos por advogado, desde que o testamento tenha sido previamente
registrado judicialmente ou haja a expressa autorização do juízo competente.

O procedimento PODE ser extrajudicial:

o Se todos os sucessores forem capazes, E


EXTRAJUDICIAL
o Houver consenso entre eles.

É necessária a assistência de advogado.


Legitimados: o requerimento de inventário e de partilha incumbe a quem estiver na posse e na
administração do espólio, tendo legitimidade concorrente:

1 O cônjuge ou companheiro supérstite.

2 Qualquer herdeiro.

3 O legatário.

4 O testamenteiro.

5 O cessionário do herdeiro ou do legatário.

6 O credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança.

7 O administrador judicial da falência do herdeiro, legatário, autor da herança ou cônjuge supérstite.

8 O MP, em caso de herdeiros incapazes.

9 A Fazenda Pública, quando tiver interesse na causa.

Embargos de terceiro

Finalidade: os embargos de terceiro constituem ação de conhecimento de que dispõe um terceiro


(ou equiparado), que sofre uma constrição ou ameaça de constrição em bem que está em sua posse, em
razão de decisão judicial em processo do qual não participou.

Apresentação: os embargos podem ser apresentados:

NA FASE DE CONHECIMENTO A qualquer tempo (até o trânsito em julgado).

NA FASE DE CUMPRIMENTO / EXECUÇÃO Até 5 dias após a adjudicação, alienação ou arrematação.

Procedimento: apresentada a petição, há determinação para citação das partes do processo


originário que gerou a constrição ou a ameaça. Uma vez citados, os réus podem apresentar contestação
ao pedido de embargos no prazo de 15 dias. Após, seguem-se as regras do procedimento comum.
Da oposição

Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu
poderá - até ser proferida a sentença - oferecer oposição contra ambos.

PROCEDIMENTO

Distribuição por dependência (será apensada aos autos e tramitará simultaneamente à ação
1
originária, sendo ambas julgadas pela mesma sentença).

2 Contestação em 15 dias.

3 O juiz, ao sentenciar apreciará inicialmente a oposição.

Habilitação

Cabimento: a morte de uma das partes impõe a suspensão do processo até a habilitação pelo espólio
ou pelo sucessor, caso o direito seja transmissível. Assim, a habilitação constitui procedimento especial
incidental que tem por finalidade restabelecer o desenvolvimento de determinado processo que se encontra
suspenso em razão do falecimento de uma das partes.

Procedimento: apresentada a petição inicial, a outra parte processual no processo originário será
citada para se manifestar no prazo de 5 dias. Logo em seguida, tem-se a decisão do juiz em relação ao
procedimento pelo indeferimento ou deferimento da habilitação.

Ações de família

Introdução: em relação às ações de família, não há a disciplina de um procedimento específico, mas


a previsão de regras gerais a serem observadas em cada umas das espécies de ações. São elas

o Processo de divórcio.
o Processo de separação, reconhecimento ou extinção de união estável.
o Processo de guarda.
o Processo de visitação.
o Processo de filiação.

Regras aplicáveis: assim, são aplicáveis as seguintes regras:


Sempre que for possível, pugnar-se-á pela solução consensual da
MEDIAÇÃO E DA CONCILIAÇÃO
controvérsia, mediante o emprego da mediação e da conciliação.

A pretensão, nesse contexto, é viabilizar a conciliação entre as


CITAÇÃO DO RÉU SEM ENVIO
partes, evitando qualquer tentativa de provocação ante os
DA CONTRAFÉ
argumentos intensos que podem constar da peça inicial.

POSSIBILIDADE DE VÁRIAS Desde que seja identificada a possibilidade de acordo nos processos
SESSÕES DE CONCILIAÇÃO de família, serão utilizadas tantas quantas sessões forem necessárias
OU DE MEDIAÇÃO à solução consensual.

Intervenção de MP: o Ministério Público, nas ações de família, em regra, somente intervirá quando
houver interesse de incapaz, devendo ser ouvido previamente à homologação do acordo. Também deverá
intervir, se não for parte, nas ações em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar.

Ação monitória

Conceito: trata-se de procedimento de cobrança mais célere para os casos em que o autor dispõe
de prova escrita sem eficácia de título executivo, que traduza obrigação de:

o Pagar quantia.
o Entregar coisa móvel ou imóvel.
o Adimplir obrigação de fazer ou não fazer.

Petição inicial: na petição inicial, incumbe ao autor indicar:

o A importância devida.
o O valor atual da coisa reclamada.
o O conteúdo patrimonial em discussão ou o proveito econômico perseguido.

Admite-se:

o Citação por qualquer meio permitido para o procedimento comum.


o Reconvenção, sendo vedado o oferecimento de reconvenção à reconvenção.
Citação do devedor: citado o devedor, ele pode:

o Cumprir voluntariamente a obrigação → nesse caso, o valor devido, a título de honorários, será de
5% e ele ficará isento de custas processuais.

o Quedar-se inerte → quando então ocorrerá o fenômeno processual da revelia, constituindo-se de


plano o título executivo judicial, independentemente de qualquer formalidade.
o Apresentar os embargos monitórios → podendo ser apresentada ampla matéria de discussão quanto
aos fatos e fundamentos discorridos na inicial, não necessitando de garantia.

Embargos monitórios: apresentados os embargos, o autor será intimado para responder no prazo
de 15 dias, o rito se transforma em comum e o processo tem regular seguimento até a sentença.

Sentença ⤵

o Procedência dos embargos → a ação é extinta e o autor condenado nas verbas de sucumbência.
o Improcedência dos embargos → será regularmente constituído o título executivo judicial,

Multa: poderá ser imposta multa de até 10% sobre o valor da causa:

o Se o autor propuser, indevidamente e de má-fé, a monitória (multa em favor do réu).


o Se o réu opuser embargos de má-fé (multa em favor do autor).

Ação de restauração de autos

O objetivo dessa ação é a reconstituição, tanto quanto possível, de processo desaparecido por ato
involuntário (perda, extravio, incêndio etc.), ou voluntário (destruição dolosa, furto etc.). A iniciativa é facultada
a qualquer das partes, ao juiz de ofício ou ao Ministério Público.
Procedimentos especiais de jurisdição voluntária

Da notificação e da interpelação

O CPC trata a notificação, interpelação e protesto como procedimento de jurisdição voluntária,


afastando-o dos procedimentos cautelares. Conceituam-se da seguinte forma:

Cientificação no negócio jurídico acerca de determinada providência a ser adotada pelo


NOTIFICAÇÃO
notificante diante do notificado, podendo ser de ordem extrajudicial ou judicial.

Tem natureza de pedido de explicações ou provocação do interpelado à prática de


INTERPELAÇÃO determinado ato. Também visa constituir devedor em mora e cientificar o devedor acerca
da vontade de o credor praticar determinado ato, e poderá ser extrajudicial ou judicial.

Tem a característica de anunciar publicamente determinado fato, podendo ser praticado


PROTESTO
perante um órgão extrajudicial ou perante o juiz.

Evidenciada a intenção ilícita do requerente em relação a tais procedimentos, o pedido deverá ser
indeferido após a oitiva do interessado, pois não pode o ato receber a chancela do Poder Judiciário, sob pena
de ficar caracterizada a responsabilidade estatal.

Divórcio, separação e extinção de união estável consensuais

Se não houver filhos menores (ou nascituro), é possível que se proceda ao divórcio em cartório
extrajudicial via escritura pública, a qual independe de homologação judicial, devendo os cônjuges estarem
assistidos por advogado ou defensor público. Entretanto, se assim preferirem ou se houver filhos menores, será
realizado o divórcio consensual perante o Judiciário, cujos requisitos são:

o A descrição e partilha dos bens comuns.


o A pensão alimentícia entre os cônjuges.
o O acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e visita.
o A contribuição para criar e educar os filhos (alimentos).

Diante da inexistência de lide, pode um único advogado postular em favor de ambos os cônjuges. Então,
mediante a verificação dos requisitos, o juiz homologará o divórcio e a sentença será levada aos registros civis.

O mesmo procedimento se aplica para a extinção de união estável consensual e para mudança de regime
de bens de casamento.
Interdição

A interdição constitui um procedimento de jurisdição voluntária por intermédio do qual declara-se a


incapacidade da pessoa para fim de que seja assistida por curador. O curador, por sua vez, exercerá um
encargo público, a fim dirigir e de administrar bens de pessoas maiores que não possam fazê-lo.

Cessando a causa que determinou a interdição, a parte pode solicitar o seu levantamento.

Rol dos procedimentos especiais

Por fim, vale elencar todos os procedimentos, inclusive os que não tratamos aqui, divididos assim:

o Ação de consignação em pagamento.


o Ação de exigir contas.
o Ação de divisão e de demarcação de terras.
o Ação de dissolução parcial de sociedade.
o Inventário e partilha.
o Embargos de terceiro.
JURISDIÇÃO o Oposição.
CONTENCIOSA o Habilitação.
o Ações de família.
o Ação monitória.
o Homologação do penhor legal.
o Regulação de avaria grossa.
o Restauração de autos.

o Notificação e interpelação.
o Divórcio, separação e extinção de união estável consensuais e alteração do regime de bens.
o Testamentos e codicilos.
o Herança jacente.
JURISDIÇÃO o Bens dos ausentes.

VOLUNTÁRIA o Coisas vagas.


o Interdição.
o Disposições comuns à tutela e curatela.
o Organização e fiscalização das fundações.
o Ratificação dos protestos marítimos e processos testemunháveis formados a bordo.
Juizados Especiais

Introdução

São procedimentos especiais previstos na legislação extravagante e buscam a simplificação e a


desburocratização do processo. Em síntese ⤵

Princípios

Introdução

O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e


celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação.

: MACETE: SEPIC O +
"
+ :
"

o Simplicidade.
o Economia Processual.
o Informalidade.
o Celeridade.
o Oralidade.

Princípio da oralidade

O princípio da oralidade fixa a prevalência da “palavra falada” sobre a “palavra escrita”. Nesse sentido,
diversos atos processuais podem ser praticados oralmente, como, por exemplo → os pedidos podem ser
formulados oralmente, competindo ao cartório registrar isso da forma documental (“reduzir a termo”).
Princípios da simplicidade e informalidade

Uma das finalidades dos Juizados é aproximar o cidadão do sistema de Justiça, razão pela qual é
orientado pelo princípio da simplicidade e da informalidade.

Princípio da economia processual

É o princípio que visa o melhor resultado com o menor custo possível.

Princípio da celeridade

O inciso LXXVIII, do artigo 5º da Constituição Federal, diz: “a todos, no âmbito judicial e administrativo,
são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.

Juizado Especial Cível Estadual

Competência material

São de competência do JEC as causas de menor complexidade que não atingirem valor superior a
40 salários-mínimos. Além disso, são causas EXCLUÍDAS da competência do JEC as de natureza ⤵

o Alimentar.
o Falimentar.
o Fiscal.
o De interesse da Fazenda Pública.
o Relativas a acidentes de trabalho.
o Relativas a resíduos.
o Relativas ao estado e à capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimonial.

Competência de foro

A ação poderá ser ajuizada, a escolha do autor ⤵

o No domicílio do réu.
o No local onde o réu exerça suas atividades (profissionais ou econômicas).
o No local onde o réu mantenha filial.

Na ação de reparação de dano, a Lei n. 9.099/1995 permite que a ação seja ajuizada ⤵

o No local onde deve ser satisfeita, em caso de ações que versem sobre obrigações.
o No domicílio do autor ou do fato, quando envolve reparação de dano.
Requisitos da inicial

São requisitos da petição inicial ⤵

o Qualificação das partes.


o Fatos e fundamentos de forma sucinta.
o Pedido e valor.

Partes

✅ Podem ser autores no JEC ⤵

o Pessoas físicas capazes.


o ME, EPP e microempreendedores individuais.
o Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
o Sociedades de crédito ao microempreendedor.

Nas causas de até 20 salários-mínimos não há necessidade de advogado.

❌ Não podem ser réus ⤵

: MACETE: MEU PIPI :


" "

o Massa Falida
o Empresa Pública da
o União

o Preso
o Incapaz
o Pessoas Jurídicas de Direito Público
o Insolvente Civil
Institutos vedados no JEC

o Intervenção de terceiros.
o Citação por edital.
o Reconvenção.
o Ação rescisória.

ADMITE-SE O LITISCONSÓRCIO!

Procedimento

As ações no JEC seguem o seguinte procedimento:

PROCEDIMENTO

Petição inicial (o processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido, que pode ser escrito ou oral.
Se apresentado oralmente será reduzido a termo pela Secretaria do Juizado).

Audiência de conciliação (podendo ser por videoconferência - Lei nº 13.994, de 2020).

Audiência de instrução:

o Apresentação de contestação.
o Oitiva de testemunhas, se for o caso.
o Depoimento pessoal, se for o caso.
o Alegações finais.

Sentença (não poderá ser ilíquida) → Passível de recurso inominado para a Turma Recursal.

Atualização ⤵

] LEI Nº 13.728/2018 ⬛
ˇ
_
⬛ ]
ˇ
_

Altera a Lei nº 9.099/95 para dizer que nos Juizados Especiais a contagem dos prazos também deverá
ser em dias úteis.
Juizado Especial Cível Federal

Competência

A regra é que todas as causas cujo valor não ultrapasse a 60 salários-mínimos, e que estejam dentro
da competência da Justiça Federal, sejam julgadas perante o Juizado Especial Cível Federal.

O valor da causa, aqui, é critério de competência absoluta.

Partes

✅ Podem ser autores ⤵

o Pessoas naturais.
o Microempresas.
o Empresas de pequeno porte.

✅ Podem ser réus ⤵

o A União.
o As autarquias federais.
o As fundações públicas.
o As empresas públicas federais.

Não estão incluídas as sociedades de economia mista.

Prazo em dobro

Aos processos que tramitam perante o Juizado Especial Cível Federal NÃO SE APLICA a
prerrogativa dos prazos processuais em dobro conforme previstos no CPC.

Remessa necessária

Nos processos que tramitam pelo Juizado Especial Cível Federal, NÃO HAVERÁ reexame necessário.
Juizado Especial da Fazenda Pública

Finalidade

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública são criados com uma finalidade específica → conciliar,
processar e julgar causas cíveis de interesses dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos Municípios,
quando o valor da causa não atingir 60 salários-mínimos.

Competência

Conforme mencionado, compete aos Juizados Especiais da Fazenda Pública conciliar, processar e
julgar causas cíveis de interesses dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos Municípios, quando o
valor da causa não atingir 60 salários-mínimos. Entretanto, NÃO entram na regra de competência:

o Mandado de segurança.
o Ações de desapropriação, divisão e demarcação.
o Ação popular.
o Ações de improbidade administrativa.
o Execuções fiscais.
o Demandas que envolvam direitos ou interesses difusos e coletivos.
o Causas sobre bens imóveis dos Estados, DF e municípios (e respectivas entidades indiretas).
o Causas que tenham como objetivo impugnar penalidade de demissão aplicada a servidor ou sanções
disciplinares aplicadas a militares

Partes

✅ Podem ser autores no JEFP ⤵

o Pessoas físicas.
o Microempresas.
o Empresas de pequeno porte.

✅ Podem ser réus no JEFP ⤵

o Estados-membros (e entidades).
o DF (e entidades).
o Municípios (e entidades).
Prazo em dobro

Aos processos que tramitam perante o Juizado Especial da Fazenda NÃO SE APLICA a prerrogativa
dos prazos processuais em dobro conforme previstos no CPC.

Remessa necessária

Nos processos que tramitam pelo Juizado Especial da Fazenda, NÃO HAVERÁ reexame necessário.
Processo Coletivo

Introdução

Não é enfrentado no CPC, mas em legislação extravagante (atualmente, a melhor doutrina fala em
MICROSSISTEMA DE TUTELA COLETIVA). Busca a tutela dos direitos coletivos ⤵

Instrumentos de proteção

Ação popular

LEGITIMIDADE ATIVA Cidadão (prova de cidadania → título de eleitor).

FINALIDADE Defesa do patrimônio público.

ESPECIFICIDADE Prazo para contestar de 20 dias, prorrogáveis por mais 20.

Ação civil pública

Utilizada para a reparação de danos morais e patrimoniais causados:

o Ao meio ambiente.
o Ao consumidor.
o Aos bens de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
o A qualquer outro interesse difuso ou coletivo.
o Por infração da ordem econômica.
o À ordem urbanística.
o À honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos.
o Ao patrimônio público e social.
Coisa julgada no processo coletiv o

Nas ações coletivas a sentença fará coisa julgada:

Exceto se o pedido for julgado improcedente por


insuficiência de provas, hipótese em que qualquer
DIREITOS DIFUSOS ERGA OMNES
legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico
fundamento, valendo-se de nova prova.

Mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo


DIREITOS COLETIVOS ULTRA PARTES improcedência por insuficiência de provas, nos termos do
parágrafo anterior.

DIREITOS INDIVIDUAIS Apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar


ERGA OMNES
HOMOGÊNEOS todas as vítimas e seus sucessores.

Em relação a este tema, o STF, em 2021, declarou a inconstitucionalidade do artigo 16 da Lei 7347/85
(Lei da Ação Civil Pública), uma vez que ele, em sua redação atual, delimita os efeitos da sentença proferida
em sede de ação civil pública aos limites da competência territorial de seu órgão prolator (informativo 1012).
Processo de Execução

Introdução

Enquanto o cumprimento de sentença é uma “fase executiva” dentro do processo de conhecimento,


com o objetivo de se exigir a satisfação de um título executivo judicial (pressupondo relação processual
anterior), o processo de execução é uma ação autônoma, que não depende de prévia relação processual,
exigindo-se, tão somente, a existência de um título executivo extrajudicial.

Princípios

São princípios do processo de execução ⤵

NULLA EXECUTIO SINE TÍTULO Não há execução sem título executivo.

MÁXIMA EFETIVIDADE DA Os atos de execução devem ser praticados em favor do credor e para
EXECUÇÃO satisfação do seu crédito.

Quando, por mais de um meio igualmente vantajoso para o credor, for


MENOR SACRIFÍCIO PARA O
possível efetuar a execução, essa deverá ser feita pelo meio menos
DEVEDOR
gravoso ao executado.

ATIPICIDADE DOS MEIOS O juiz poderá adotar as medidas que estão previstas no CPC e outras
EXECUTIVOS que possam ser necessárias para o bom cumprimento da obrigação.

O exequente, na execução definitiva ou provisória, tem o dever de


RESPONSABILIDADE OBJETIVA reparar todos os danos que, porventura, causar ao executado em razão
do processo de execução.

Requisitos

São requisitos para a execução de título executivo extrajudicial ⤵

o Título executivo extrajudicial.


o Inadimplemento (exigibilidade).

O exequente pode optar pelo processo de conhecimento, se assim entender mais conveniente.
Título executivo extrajudicial

São títulos executivos extrajudiciais os seguintes ⤵

1 Títulos de crédito.

2 Escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor.

3 Documento particular assinado pelo devedor e por 2 testemunhas.

Instrumento de transação referendado pelo MP, Defensoria Pública, advocacia pública, advogado
4
das partes ou conciliador/mediador credenciado por tribunal.

5 Os contratos com garantia real e contratos garantidos com caução.

6 Contrato de seguro de vida em caso de morte.

7 O crédito decorrente da enfiteuse e laudêmio.

8 O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, e acessórios.

9 A CDA (certidão de dívida ativa).

O crédito referente ao condomínio previsto na respectiva convenção ou aprovado em assembleia,


10
desde que documentalmente comprovado.

A certidão expedida por cartório extrajudicial relativa a emolumentos e despesas devidas pelos
11
atos cartoriais, conforme tabelas estabelecidas em lei.

12 TODOS OS DEMAIS TÍTULOS aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.

Petição inicial

A petição inicial deve ser instruída com ⤵

1 O título executivo extrajudicial.

2 O demonstrativo do débito atualizado até a propositura da ação (na execução por quantia certa).

3 A prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso.

4 A prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde.


Competência

As regras de competência para a execução no CPC diferenciam-se daquelas previstas no processo


de conhecimento, favorecendo a escolha do exequente pelo local em que a demanda será proposta. Assim,
tratando-se de título extrajudicial, e levando-se em consideração que ainda não há processo em curso:

A execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do


1
título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos.

2 Tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles.

Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no


3
lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente.

Havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de
4
qualquer deles, à escolha do exequente.

A execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu
5
o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado.
Espécies de execução

Da execução para entrega de coisa

Citação do executado para, no prazo 15 dias:

o Entregar a coisa.
o Apresentar embargos à execução.
ENTREGA DE o Não se manifestar, caso em que será executada a ordem de imissão de posse
COISA CERTA ou de busca e apreensão.

Assim, caso a obrigação não seja cumprida no prazo, no próprio mandado de citação,
o magistrado deixará fixada a aplicação de multa, além de ordem para imissão de
posse (bem imóvel) ou de busca e apreensão (bem móvel).

Se a escolha for do executado, ele será citado para entrega-la.

Se a escolha for do exequente, ele deverá fazê-lo na petição inicial.


ENTREGA DE
COISA INCERTA Independentemente de quem for o responsável pela individualização da coisa incerta,
uma vez indicada, corre prazo de 15 dias para impugnar a indicação efetuada. Uma
vez individualizado o bem, segue a execução na forma da entrega de coisa certa.

Da execução de obrigação de fazer e de não fazer

Aqui, o executado é citado para fazer ou não fazer algo, no prazo que o juiz fixar, se não houver
previsão no título. Se no prazo fixado o executado não satisfizer a obrigação, poderá o exequente requerer:

o Que seja a obrigação realizada por terceiro à custa do executado.


o Que se converta a obrigação de fazer em indenização.
Da execução de quantia certa

O exequente elaborará a petição inicial de execução, que será devidamente instruída


PETIÇÃO INICIAL com o cálculo atualizado da dívida e com o título executivo extrajudicial, já podendo
desde logo escolher os bens do devedor que pretende ver penhorados.

Estando correta a petição, o juiz:


JUIZO DE o Faz o juízo de admissibilidade.
ADMISSIBILIDADE o Fixa os honorários em 10%.
o Determina a citação do executado.

O exequente será citado para:

o Pagar → em 3 dias (caso em que os honorários são reduzidos para 5%).


CITAÇÃO
o Requerer o parcelamento (30% à vista e o restante em 6x) → em 15 dias.
o Oferecer embargos à execução → em 15 dias.

Não efetuado o pagamento, passa-se para as fases seguintes:

Execução forçada ⤵

o Penhora.
o Avaliação.
EXECUÇÃO
o Depósito.

Etapa expropriatória ⤵

o Adjudicação.
o Alienação judicial.
Da execução contra a Fazenda Pública

Nesse caso, o devedor é a Fazenda Pública (União, Estados, Municípios e suas


DEVEDOR
autarquias e fundações – ou seja, pessoas jurídicas de direito público).

CITAÇÃO O ente estatal é citado para apresentar embargos, no prazo de 30 dias.

PENHORA Não há penhora, já que bens públicos são impenhoráveis.

Por precatório → instrumento de requisição de pagamento de dívidas decorrentes


de sentença transitada em julgado contra a Fazenda Pública, de acordo a ordem
cronológica de apresentação da requisição.

Por requisição de pequeno valor → o pagamento será realizado no prazo de 2 meses


contados da entrega da requisição, mediante depósito na agência de banco oficial
mais próxima da residência do exequente. É considerado pequeno valor:

PAGAMENTO o No âmbito federal → 60 salários-mínimos (Lei nº 10.259/2001).


o No âmbito estadual → 40 salários-mínimos (art. 87 do ADCT da CRFB/88).
o No âmbito municipal → 30 salários-mínimos (art. 87 do ADCT da CRFB/88).
o No âmbito do Distrito Federal → 20 salários-mínimos (Lei n.º 6.618/2020).

Contudo, Estados, DF e Municípios podem editar leis reduzindo ou aumentando esses


valores, tendo como critério a capacidade econômica e respeitado o princípio da
proporcionalidade.
Da execução de alimentos

O exequente pode optar:


OPÇÃO DO
o Pelo procedimento da execução de quantia certa.
EXEQUENTE
o Pela execução de alimentos sob pena de prisão.

A prisão tem natureza coercitiva, não servindo para quitar a dívida e não
NATUREZA DA PRISÃO
excluindo os atos executivos.

O débito alimentar que autoriza a prisão civil é o que compreende até as três
CABIMENTO prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no
curso do processo.

Petição inicial.

Citação do executado para que, em 3 dias:

o Pagar.
o Provar que pagou.

PROCEDIMENTO o Justificar a impossibilidade de pagar.

Não aceita a justificativa, o juiz decreta a prisão de 1 a 3 meses:

o Regime fechado.
o Separado dos demais presos.

Além disso, o juiz manda protestar o pronunciamento judicial.


Da defesa do executado – Embargos à execução

Introdução

Os embargos à execução possuem natureza jurídica de ação de conhecimento incidental ao processo


de execução, sendo distribuído por dependência e autuado em apartado.

Não há necessidade de garantir o juízo para embargar.

Matérias que podem ser alegadas nos embargos

O embargante pode alegar:

o Inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação.


o Penhora incorreta ou avaliação errônea.
o Excesso de execução ou cumulação indevida de execuções.
o Retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de entrega de coisa certa.
o Incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução.
o Qualquer matéria de defesa, visto que ainda não houve prévia manifestação do poder judiciário.

Excesso de execução

Hipóteses:

o O exequente pleiteia quantia superior à do título.


o O exequente pleiteia coisa diversa daquela declarada no título.
o Processa-se de modo diferente do que foi determinado no título.
o O exequente, sem cumprir a sua prestação, exige o adimplemento da prestação do devedor.
o O exequente não prova que a condição se realizou.

Prazo

O prazo para embargar é de 15 dias.

Ainda que existam litisconsortes com advogados distintos, não haverá aplicação do prazo em dobro.

Efeitos

Em regra, os embargos NÃO TERÃO EFEITO SUSPENSIVO, salvo se:

o Presentes os requisitos para a tutela provisória.


o Garantida a execução por penhora, depósito ou caução (que sejam suficientes).
Resumindo...
Recursos e Processos nos Tribunais

Teoria geral dos recursos

Introdução

Conceito

Recurso é ato voluntário da parte, capaz de ensejar, dentro do mesmo processo ⤵

 A reforma.
 A invalidação.
 O esclarecimento.
y
)
S da decisão judicial impugnada.

 A integração.

Não possuem natureza jurídica de recurso

Recurso é uma espécie do gênero meios de impugnação. Dentro do gênero "meios de impugnação"
há duas espécies de instrumentos processuais: os recursos e os sucedâneos recursais. Assim:

RECURSOS
MEIOS DE IMPUGNAÇÃO
SUCEDÂNEOS RECURSAIS

A análise comparativa é residual, ou seja, tudo aquilo que não é recurso é sucedâneo recursal. Há
doutrinadores que dividem os sucedâneos recursais em internos e externos.

SUCEDÂNEO Desenvolve-se no mesmo processo em que foi proferida a decisão impugnada, é


RECURSAL o caso, por exemplo, do reexame necessário (remessa necessária), da correição
INTERNO parcial, do pedido de reconsideração e da impugnação e embargos à execução.

SUCEDÂNEO
Desenvolve-se em um processo diverso daquele no qual a decisão impugnada foi
RECURSAL
proferida. São as chamadas ações autônomas de impugnação.
EXTERNO
Assim, são sucedâneos recursais internos, por exemplo:

Ocorre quando a sentença é contrária à Fazenda Pública e, mesmo sem


REMESSA NECESSÁRIA
recurso, a decisão de 1º grau tem de ser confirmada pelo Tribunal.

Busca a reconsideração de decisão pelo juiz que a proferiu.


PEDIDO DE
É muito utilizado na praxe forense, mas, como não está previsto no art. 994
RECONSIDERAÇÃO
(ausência de taxatividade), não é recurso.

São sucedâneos recursais externos, por exemplo:

AÇÕES AUTÔNOMAS Atacam decisões judiciais instituindo nova relação processual (ex.: Habeas
DE IMPUGNAÇÃO Corpus, Mandado de Segurança e Ação Rescisória).

Decisões que admitem o uso da rescisória:

o Proferidas por juiz corrupto.


o Proferidas por juiz impedido.
o Proferidas por juízo absolutamente incompetente.
o Resultarem de dolo/coação do vencedor ou de colusão entre as partes.
o Ofenderem coisa julgada anteriormente formada.
o Violem manifestamente norma jurídica.
o Fundadas em prova falsa.
AÇÃO RESCISÓRIA
o Quando o autor, após o trânsito em julgado, obtiver prova nova.
o Fundadas em erro de fato verificável do exame dos autos.

Nessas hipóteses, a ação é capaz de desconstituir a coisa julgada.

Legitimidade → parte (ou seu sucessor), MP e 3º interessado.

Prazo decadencial → 2 anos, contados do trânsito em julgado da última


decisão proferida no processo (quando fundada em prova, conta-se da data
de descoberta desta, observado o prazo máximo de 5 anos).
Também não possuem natureza jurídica de recurso, tampouco de sucedâneos recursais, apesar de
tramitarem perante tribunais os seguintes institutos:

É cabível quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de


INCIDENTE DE ASSUNÇÃO processo de competência originária envolver relevante questão de direito,
DE COMPETÊNCIA com grande repercussão social, SEM REPETIÇÃO em múltiplos processos.

Tem natureza jurídica de incidente processual.

Qualquer juiz, em controle difuso (concreto), pode declarar a


INCIDENTE DE ARGUIÇÃO
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público,
DE
incidentalmente no processo (como questão prejudicial).
INCONSTITUCIONALIDADE
Tem natureza jurídica de incidente processual.

Ocorre quando dois ou mais juízes se considerarem competentes ou


CONFLITO DE
incompetentes para julgar a mesma causa.
COMPETÊNCIA
Tem natureza jurídica de incidente processual.

Será instaurado quando houver, simultaneamente:

o Repetição de processos que contenham controvérsia sobre a


mesma questão unicamente de direito.
INCIDENTE DE
o Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica.
RESOLUÇÃO DE
DEMANDAS REPETITIVAS A desistência ou o abandono não impede o exame de mérito do incidente.
IRDR Se o IRDR não for julgado em até 1 ano, cessa a suspensão dos demais
processos – salvo se o relator decidir em sentido contrário.

Tem natureza jurídica de incidente processual.

A decisão estrangeira, para ingressar no sistema processual brasileiro,


depende de prévia homologação perante o STJ, SALVO decisão de
HOMOLOGAÇÃO DE
divórcio consensual, que independe de homologação.
DECISÃO ESTRANGEIRA
A doutrina diverge quanto à natureza jurídica, mas prevalece o
entendimento de que se trata de ação constitutiva necessária
É o meio cabível para:

o Preservar a competência do tribunal.


o Garantir a autoridade das decisões do tribunal.
o Garantir a observância de decisão do STF em controle abstrato de
constitucionalidade e Súmula Vinculante.
o Garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de IRDR
ou em incidente de assunção de competência.

Não será admitida a reclamação:


RECLAMAÇÃO
o Proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada.
o Proposta para garantir a observância de acórdão de RE com
repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em RE ou
REsp repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias.

Legitimidade → Ministério Público e parte interessada.

O STF entende que a natureza jurídica é de direito de petição. Contudo,


parte da doutrina defende que a natureza jurídica é de ação.

Recurso adesivo

Não é um tipo de recurso, mas uma forma de interposição para a parte que não recorreu no prazo
(no momento de seu recurso independente). O recurso na forma adesiva terá cabimento quando:

o Houver sucumbência recíproca (quando cada um perde um pouquinho).


o Apenas uma das partes interpuser recurso independente.
o Forem os recursos de ⤵
 Apelação.
 Recurso especial.
 Recurso extraordinário.

A interposição deve ocorrer no prazo das contrarrazões ao recurso principal.

( IMPORTANTE! +
E

G
+ G

E
(

O Recurso Adesivo é acessório ao principal; assim, se o principal não for julgado (pela desistência, por
exemplo), o adesivo também não será.
Uniformização de jurisprudência

Havendo uma decisão revestida de formalidade e de legitimidade a ponto de se transformar em


precedente, os juízes de 1º grau, assim como todos os demais órgãos do Poder Judiciário, estarão obrigados
a seguir aquele precedente. Deste modo, os juízes e os Tribunais observarão:

o As decisões do STF em controle concentrado de constitucionalidade.


o Os enunciados de Súmula Vinculante.
o Os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas
e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos.
o Os enunciados das súmulas do STF (matéria constitucional) e do STJ (matéria infraconstitucional).
o A orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.

Trata-se de INCIDENTE PROCESSUAL.

Os mecanismos de uniformização de jurisprudência devem ser utilizados para efeito de redução do


volume de ações ajuizadas e da quantidade de recursos que chegam aos Tribunais Superiores.

Finalidade dos recursos

Invalidação ou anulação

Quando uma decisão não obedece a uma norma de natureza processual, padecendo de vício de
forma, tem-se o error in procedendo (erro procedimental), que enseja a sua invalidação ou anulação.

Reforma

Por outro lado, quando uma decisão não aplica a correta solução para o conflito, padece de vício
material, havendo o error in judicando (erro de julgamento), caso em que se pleiteia a reforma da decisão.

Integração

Aqui, o recurso objetiva a complementação ou o esclarecimento da decisão que for:

o Obscura.
o Contraditória.
o Omissa.

Os embargos de declaração são próprios para essa finalidade.


Juízo de admissibilidade e Juízo de mérito

Juízo de admissibilidade

Aqui, verifica-se estão presentes os requisitos formais para que o recurso seja analisado. Se tais
requisitos estiverem ausentes, o recurso não será conhecido ou não será admitido.

Juízo de mérito

Somente se conhecido o recurso passa-se ao juízo de mérito, ou seja, a efetiva análise da


impugnação realizada pelo recorrente. Aqui, analisa-se a existência de error in procedendo e/ou de error in
judicando. O resultado do juízo de mérito pode ser o provimento ou não provimento do recurso.

Resumindo

JUÍZO DE o Verifica-se a presença dos requisitos formais.


ADMISSIBILIDADE o Resultado → recurso conhecido ou não / admitido ou não.

o Verifica-se a presença error in procedendo ou error in judicando.


JUÍZO DE MÉRITO
o Resultado → recurso provido ou não.

Requisitos de admissibilidade recursal

Requisitos intrínsecos

Referem-se à própria decisão impugnada:

o Cabimento: o recurso deverá ser aquele previsto na lei.


o Legitimidade: partes, MP (como parte ou fiscal da lei) e terceiro prejudicado.
o Interesse: somente quando houver sucumbência.
o Inexistência de fato impeditivo ao direito de recorrer: são fatos impeditivos os seguintes:

Uma vez interposto, pode a parte, a qualquer momento e sem a concordância da parte
DESISTÊNCIA
contrária, desistir do recurso.

Antes da interposição do recurso, podem as partes (ou uma das partes) renunciar ao
RENÚNCIA
direito de recorrer, também sem a necessidade de concordância da parte contrária.

AQUIESCÊNCIA Ato incompatível com a vontade de recorrer (ex.: cumprimento voluntário da sentença).
Requisitos extrínsecos

Referem-se a fatores externos à decisão impugnada:

Tempestividade: interposição do recurso no prazo fixado em lei.

Em regra, os recursos (assim como suas respostas) terão prazo de 15 dias; como
PRAZO
exceção, tem-se os embargos de declaração, cujo prazo é de 5 dias.

O prazo será em dobro para:


PRAZO
o MP, Fazenda Pública, Defensoria Pública.
EM
o Litisconsortes com advogados distintos e de escritórios distintos, salvo processo eletrônico.
DOBRO

Preparo: pagamento de custas e porte de remessa e retorno (autos físicos), sob pena de deserção.

S DESERÇÃO (
y
) v

RECOLHIMENTO MENOR Cabe a complementação, no prazo de 5 dias; se mesmo após a concessão


de prazo não houver o complemento, então o recurso será deserto.

NENHUM RECOLHIMENTO Haverá a possibilidade de pagamento do preparo e porte, em dobro, sob


pena de não ser conhecido pela deserção.

ERRO NO PREENCHIMENTO Não poderá se falar em deserção, devendo o relator intimar o recorrente
DA GUIA para sanar o vício, em 5 dias.

São dispensados do preparo:

o MP.
o U, E, DF, M e suas autarquias.
o Isentos na forma da lei.

Regularidade formal: diz respeito aos requisitos formais que não se inserem em nenhum dos outros
requisitos de admissibilidade acima expostos. São requisitos específicos de cada recurso (ex.: a cópia das
peças obrigatórias para a interposição do agravo de instrumento).
Efeitos

Devolutivo

Todos os recursos são dotados de efeito devolutivo, uma vez que a matéria impugnada é devolvida
ao Poder Judiciário, que a reapreciará. Em regra, o Tribunal analisará somente a matéria impugnada, com
exceção das matérias que possam ser conhecidas de ofício (efeito translativo).

Suspensivo

O efeito suspensivo impede que a decisão surta efeitos imediatamente. Em

regra, os recursos NÃO possuem efeito suspensivo, SALVO:

o Apelação (em que a regra é o efeito suspensivo).


o Se houver requerimento em caso de → risco de dano grave + probabilidade de provimento.

Translativo

Conforme dito anteriormente, na hipótese de a matéria não impugnada ser cognoscível de ofício, o
Tribunal pode apreciá-la, havendo o efeito translativo.

Expansivo

Ocorre quando a apreciação do recurso acarreta decisão mais abrangente que o objeto, como, por
exemplo, em caso de litisconsórcio unitário, o recurso de um litisconsorte aproveita ao outro.

Obstativo

Diz respeito à preclusão temporal e sua relação com a interposição do recurso. A doutrina majoritária
aponta que a interposição de qualquer recurso OBSTA a efetivação da preclusão temporal com o
consequente trânsito em julgado da decisão, que somente ocorrerá após o devido julgamento do recurso.

Substitutivo

Determina que o julgamento do recurso substituirá a decisão recorrida, nos limites da impugnação
(desde que ocorra o julgamento do mérito recursal).
Regressivo

O efeito regressivo (juízo de retratação) permite que, por via de recurso, a causa volte ao
conhecimento do juízo prolator da decisão que poderá rever sua decisão.

Diferido

Ocorre quando o conhecimento do recurso depende de recurso a ser interposto contra outra a
mesma decisão, como exemplo, cita-se o caso do recurso adesivo, que somente será julgado se o recurso
principal for conhecido e julgado em seu mérito.

Resumindo..
Decisões recorríveis

Antes de iniciar o estudo dos recursos em espécie, vale a pena relacionar os tipos de decisões
judiciais recorríveis aos seus respectivos recursos, para facilitar a identificação dos recursos cabíveis:

SENTENÇA Apelação
1º GRAU
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Agravo de instrumento

o Agravo interno
DECISÃO MONOCRÁTICA
o Agravo em REsp e RE

TRIBUNAIS o REsp
ACÓRDÃO o RE
o ROC

Os embargos de declaração podem ser opostos contra qualquer decisão com carga decisória.

Recursos em espécie

Apelação

Cabimento

Sua interposição será possível contra:

o Sentença definitiva (com resolução de mérito) ou terminativa (sem resolução de mérito).


o Decisão que a seu respeito não comportar agravo de instrumento (cujas hipóteses são taxativas),
uma vez que não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação,
eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.

Da sentença proferida no JEC cabe recurso inominado (prazo de 10 dias).

Especificidades

O prazo para apelar (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.


PRAZO
Se interposta antes da publicação, será tempestiva.

CUSTAS Há custas.
Efeitos

Há efeito devolutivo.

Em regra, há o efeito suspensivo, SALVO:

o Sentença que homologa divisão ou demarcação.


o Sentença que condena a pagar alimentos.
o Sentença que extingue sem resolução de mérito ou julga improcedente os embargos à execução.
o Sentença que julga procedente o pedido de instituição de arbitragem.
o Sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória.
o Sentença que decreta a interdição.
o Sentenças previstas na Lei de Locação.

Legitimidade

Podem interpor apelação:

o Parte(s) vencida(s) ou sucumbente(s).


o Terceiro prejudicado.
o Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica.

Procedimento

Interposição → a apelação é interposta em 1º grau (juízo a quo), em petição que deverá trazer:

o O nome e a qualificação das partes.


o A exposição do fato e do direito.
o As razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade.
o O pedido de nova decisão.

Intimação → o juiz intimará o apelado para apresentar contrarrazões e, se houver apelação adesiva,
também intimará o apelante para as contrarrazões.

Não haverá juízo de admissibilidade pelo juízo a quo e este remeterá o processo ao tribunal.
Retratação → em regra, ao receber a apelação, o juiz não pode reconsiderar a sentença, salvo:

o Indeferimento da inicial.
o Extinção sem resolução de mérito.
o Improcedência liminar.

Caso não haja a reconsideração, os autos serão encaminhados ao Tribunal.

Chegada ao Tribunal → uma vez remetida a apelação ao Tribunal, será distribuída a um relator. Aqui,

há as seguintes possibilidades de decisão ⤵

Sendo a hipótese de vício processual ou de jurisprudência dominante, poderá


DECISÃO
o relator decidir a apelação monocraticamente, seja para não conhecer, seja
MONOCRÁTICA
para conhecer e dar ou negar provimento.

Não sendo a hipótese de julgamento monocrático, o relator elaborará relatório


ACÓRDÃO e voto, para julgamento pelo órgão colegiado, não havendo a necessidade de
envio prévio para outro desembargador (o revisor, no CPC/73).

Resumindo
Agravo de instrumento

Cabimento

No processo de conhecimento, é cabível de decisões interlocutórias que versem sobre:

o Tutelas provisórias.
o Mérito do processo.
o Rejeição da alegação de convenção de arbitragem.
o Incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
o Rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação.
o Exibição ou posse de documento ou coisa.
o Exclusão de litisconsorte.
o Rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio.
o Admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros.
o Concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução.
o Redistribuição do ônus da prova.
o Outros casos expressamente referidos em lei.

Isto posto, pode-se concluir então que o advogado, antes de ingressar com o presente recurso,
deverá verificar se o conteúdo da decisão interlocutória está dentre os elencados anteriormente. Não
estando no rol, a matéria deverá ser questionada em preliminar de apelação.

: TAXATIVIDADE MITIGADA "


+
" +
:

O STJ entende que o referido rol é de taxatividade mitigada, uma vez que é possível a interposição de
agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão
no recurso de apelação.

Além disso, cabe agravo de instrumento contra QUALQUER decisão interlocutória proferida:

o Na fase de cumprimento de sentença.


o Na fase de liquidação de sentença.
o No processo de execução.
o No procedimento especial do inventário.
Especificidades

PRAZO O prazo interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Há custas.

Efeitos

Há efeito devolutivo.

Em regra, NÃO HÁ o efeito suspensivo.

Em que pese não haver efeito suspensivo automático, o relator poderá atribuir efeito suspensivo ao
recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando
ao juiz sua decisão.

Procedimento

Interposição → é interposto diretamente no Tribunal (juízo ad quem), podendo o agravante requerer


a juntada, no juízo de origem (juízo a quo), da petição do agravo interposto e da relação de documentos
que o instruíram, o qual poderá reconsiderar a decisão agravada (juízo de retratação).

JUNTADA FACULTATIVA Tratando-se de processo eletrônico, a juntada no juízo a quo é uma opção.

JUNTADA OBRIGATÓRIA Se os autos forem físicos, a juntada é um dever.

Formação do instrumento → o recurso deverá trazer cópias do processo:

Da petição inicial, da contestação, da petição que ensejou a decisão


agravada, da própria decisão agravada, da certidão da respectiva intimação
ou outro documento oficial que comprove a tempestividade e das
CÓPIAS OBRIGATÓRIAS
procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado.

Declaração de inexistência de qualquer dos referidos documentos, feita pelo


advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidade pessoal.

CÓPIAS FACULTATIVAS Outras peças que o agravante reputar úteis.

Se faltar cópia obrigatória, o relator intimará o agravante para que corrija o recurso (prazo de 5 dias).
Sustentação oral → há a possibilidade de sustentação oral no agravo de instrumento contra decisão
que defere ou indefere a tutela provisória (até mesmo por videoconferência).

Embargos de declaração

Cabimento

O recurso se presta a atacar uma decisão judicial ⤵

OBSCURA Que não é clara, que não permite a compreensão de seus termos.

OMISSA Que não se manifesta a respeito do que deveria se manifestar.

CONTRADITÓRIA Que possuem afirmações opostas (inconciliáveis).

Com equívoco ou inexatidão relacionados a aspectos objetivos.


COM ERRO MATERIAL
Ex.: erro de cálculo, erro no nome da parte, etc.

Presume-se omissa a decisão que:

o Deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de


assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento.
o Incorra em qualquer das condutas descritas como sentença não fundamentada.

Outra possibilidade de oposição de embargos é para fins de prequestionamento, uma vez que a
simples oposição destes já configura prequestionamento, ainda que inadmitidos ou rejeitados.

Especificidades

PRAZO O prazo para opor (e contra-arrazoar, havendo necessidade) é de 5 dias.

CUSTAS Não há custas.

Efeitos

Há efeito devolutivo.

Não há efeito suspensivo.

Há a interrupção do prazo para interposição do outro recurso cabível, para ambas as partes.
Procedimento

São opostos perante o órgão prolator da decisão embargada.

Com a publicação da decisão dos embargos, recomeça a contagem do prazo recursal.

Embargos manifestamente protelatórios

Quando o juiz entender que a interposição de tal instrumento processual é apenas com o objetivo
de realizar protelação do processo, ou seja, se ficar demonstra a má-fé do embargante, pode ser aplicada
multa de 2% do valor da causa, podendo tal penalidade ser aumentada até o montante de 10%.

O recolhimento da multa é imprescindível para a interposição de qualquer outro recurso, SALVO se


o recorrente for a Fazenda Pública ou beneficiário da justiça gratuita.

Efeitos infringentes

Excepcionalmente, a decisão dos embargos pode ter efeitos infringentes, ou seja: há efetivamente uma
mudança na decisão, caso em que deverá haver a intimação do embargado para contra-arrazoar em 5 dias.

Os embargos de declaração com efeitos infringentes são consideravelmente ATIPICOS. Sobre o


tema, o STF decidiu que são cabíveis embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a decisão
embargada seja reajustada de acordo com a jurisprudência firmada em teses que o STF e o STJ adotarem.
(STF. 1ª Turma. Rcl 15724 AgR-ED/PR, julgado em 5/5/2020 - Info 976).

Agravo interno

Cabimento

Se presta a impugnar decisão monocrática proferida por relator. Com a interposição do agravo
interno, provido ou não o recurso, a decisão monocrática se transformará em decisão colegiada (acórdão).

Especificidades

PRAZO O prazo para interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Não há custas na maioria dos Estados e no âmbito da Justiça Federal.


Efeitos

Há efeito devolutivo.

Não há efeito suspensivo.

Há efeito regressivo (juízo de retratação).

Procedimento

Segue o procedimento previsto no regimento interno dos Tribunais. É interposto nos próprios autos,
dirigido ao relator que proferiu a decisão monocrática. Deve-se abrir o prazo de 15 dias para contrarrazões.

Possibilidades

COM Há a possibilidade de retratação, caso em que o recurso interposto voltará ao


RETRATAÇÃO processamento normal, devendo ser encaminhado ao julgamento colegiado.

SEM
Não havendo retratação, parte-se para o julgamento colegiado e prolação do acórdão.
RETRATAÇÃO

Vale mencionar que o CPC veda que o relator, ao julgar o agravo interno, apenas se limite a
reproduzir os fundamentos da decisão agravada.

Multa

Se o agravo interno for declarado inadmissível ou improcedente em votação unânime, deverá ser
imposta multa, em decisão fundamentada, entre 1% e 5% do valor atualizado da causa; a interposição de
qualquer outro recurso fica condicionado ao depósito prévio da multa – salvo para a Fazenda e beneficiário
da justiça gratuita, que recolherão a multa ao final do processo.

Recurso ordinário constitucional (ROC)

Cabimento

É cabível de acórdão denegatório de ação constitucional (habeas corpus, habeas data, mandado de
segurança e mandado de injunção) originária de Tribunal e de sentença proferida em processo em que
forem partes, de um lado, organismo internacional (por exemplo, ONU) ou Estado Estrangeiro e de outro
Município brasileiro ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil.
Competência

o Acórdão denegatório de HC e MS proferido nos TJ’s ou TRF’s.


STJ o Os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo
internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.

STF o Acórdão denegatório de HC, HD, MS e MI proferido por Tribunais Superiores.

Especificidades

PRAZO O prazo para interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Há custas

Entretanto, a Lei 8.038/90 estabelece que o recurso ordinário para o STJ, das decisões denegatórias
de Habeas Corpus (mesmo que interposto na hipótese de prisão civil), proferidas pelos TJ’s ou TRF’s, será
interposto no prazo de cinco dias, não havendo custas de preparo.

Efeitos

Há efeito devolutivo, mas não há efeito suspensivo.

Procedimento

Será interposto na origem e, após as contrarrazões, será remetido para o Tribunal de destino.

Independe de juízo de admissibilidade.

Recurso especial – Resp

Cabimento

Cabe recurso especial, para o STJ, nas causas decididas, em única ou última instância, por TJ’s ou
TRF’s, quando a decisão recorrida ⤵

o Contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência.


o Julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal.
o Der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Só cabe REsp quando esgotados os demais recursos.


Especificidades

PRAZO O prazo interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Há custas.

Recursos simultâneos

Na hipótese de o acórdão se encaixar nas hipóteses de Recurso Especial e Recurso Extraordinário,


ao mesmo tempo, são cabíveis ambos os recursos. Porém, cada recurso atacará matérias distintas.

Requisitos específicos

Além dos requisitos de admissibilidade usualmente existentes, o REsp tem também outros requisitos:

o Discussão de matéria de direito → não se discute matéria fática.

o Prequestionamento → é a apreciação do artigo de lei pelo Tribunal de origem (a quo) durante o


julgamento do acórdão recorrido.

Tratando-se de REsp fundado em dissídio jurisprudencial, este obrigatoriamente terá de ser instruído
com o acórdão paradigma (a decisão do outro Tribunal).

Efeitos

Há efeito devolutivo.

Não há, em regra, o efeito suspensivo. Entretanto, é possível que se tente atribuir efeito suspensivo
ao REsp, sendo que a petição requerendo tal efeito será dirigida ⤵

No período compreendido entre a publicação da decisão de admissão


AO STJ do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu
exame prevento para julgá-lo.

AO RELATOR NO STJ Se já distribuído o recurso.

AO PRESIDENTE OU AO No período compreendido entre a interposição do recurso e a


VICE-PRESIDENTE DO publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso
TRIBUNAL RECORRIDO de o recurso ter sido sobrestado, por força de recurso repetitivo.
Procedimento

É interposto no Tribunal de origem, o qual procederá a análise de admissibilidade.

Ao proceder à admissibilidade, o desembargador pode:

Se o acordão estiver em conformidade com o STJ, proferido com


NEGAR SEGUIMENTO
base em julgamento de recursos repetitivos.

ENCAMINHAR PARA JUÍZO DE Se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ, proferido


RETRATAÇÃO com base em julgamento de recursos repetitivos.

SOBRESTAR Se há controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo STJ.

No caso de admissão, remeter o recurso ao STJ, desde que:

o O recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de


PROCEDER À julgamento de recursos repetitivos;
ADMISSIBLIDADE o O recurso tenha sido selecionado como representativo da
controvérsia; ou
o O tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação.

Recurso extraordinário – RE

Cabimento

Cabe recurso extraordinário, para o STF, nas causas decididas, em única ou última instância, por
Tribunais Superiores, quando a decisão recorrida ⤵

o Contrariar dispositivo da Constituição.


o Declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal.
o Julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição.
o Julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Só cabe RE quando esgotados os demais recursos.


Especificidades

PRAZO O prazo interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Há custas.

Requisitos específicos

Além dos requisitos de admissibilidade usualmente existentes, o RE tem também outros requisitos:

o Discussão de matéria de direito → não se discute matéria fática.


o Prequestionamento → é a apreciação do artigo de lei pelo Tribunal de origem (a quo) durante o
julgamento do acórdão recorrido.

o Repercussão geral da questão constitucional → deve ser relevante não só para as partes, mas para
a sociedade (relevância econômica, política, social ou jurídica). Repercussão geral presumida:
 Decisão contrariar súmula ou jurisprudência dominante do STF.
 Decisão que tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal.

Efeitos

Há efeito devolutivo.

Não há, em regra, o efeito suspensivo.

Procedimento

Ao proceder à admissibilidade, o desembargador pode:

o Se o STF não reconheceu a repercussão geral da matéria.


o Se a decisão está de acordo decisão do STF em regime de
NEGAR SEGUIMENTO repercussão geral.
o Se a decisão está de acordo decisão do STF em julgamento
de recursos repetitivos.

ENCAMINHAR PARA JUÍZO DE Se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STF proferido


RETRATAÇÃO nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos.

SOBRESTAR Se há controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo STF.


Como representativo de controvérsia constitucional, para julgamento
SELECIONAR RECURSO
como repetitivo.

No caso de admissão, remeter o recurso ao STF, desde que:

o O recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de


PROCEDER À repercussão geral ou de recursos repetitivos;
ADMISSIBLIDADE o O recurso tenha sido selecionado como representativo da
controvérsia; ou
o O tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação.

REsp e RE repetitivos

Cabimento

O REsp e RE repetitivos se prestam a tutelar situações em que houver multiplicidade de recursos com
fundamento em idêntica questão de direito. Nesses casos, os recursos mais representativos serão afetados para
julgamento como repetitivo, ficando os demais suspensos.

Procedimento

O procedimento será o seguinte:

1º Escolha dos recursos representativos (somente os que possuírem os requisitos de admissibilidade).

2º Decisão de afetação, com suspensão dos processos análogos.

3º Julgamento do recurso repetitivo.

4º Aplicação da decisão aos demais processos análogos.


Agravo em REsp e RE

Cabimento

Caberá o agravo para impugnar decisão do tribunal de origem que, por seu presidente ou vice -
presidente, inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de
entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos.

Especificidades

PRAZO O prazo interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Não há custas.

Efeitos

Há efeito devolutivo, mas não há o efeito suspensivo.

Procedimento

Será interposto no Tribunal de origem, havendo as seguintes possibilidades:

SEM RETRATAÇÃO Os autos serão remetidos ao Tribunal Superior.

Os autos serão remetidos para o Tribunal Superior, para apreciação do


COM RETRATAÇÃO
REsp ou RE (e não do agravo).

Embargos de divergência

Cabimento

Utilizados no âmbito do STJ e STF quando o acórdão proferido no julgamento do REsp ou RE


divergir do julgamento proferido por outro órgão colegiado do próprio Tribunal.

É embargável o acórdão de órgão fracionário que:

o Em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão


do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito.
o Em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão
do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso,
embora tenha apreciado a controvérsia.
Especificidades

PRAZO O prazo interpor (e para contra-arrazoar) é de 15 dias.

CUSTAS Há custas.

Efeitos

Há efeito devolutivo, mas não há efeito suspensivo.

A interposição do recurso no STJ interrompe o prazo para interposição do RE, por qualquer das partes.
Resumindo..

RECURSO CABIMENTO CUSTAS

APELAÇÃO Contra sentença terminativa ou definitiva. SIM

AGRAVO DE INSTRUMENTO Contra decisões interlocutórias (hipóteses do art. 1.015). SIM

AGRAVO INTERNO Contra decisão proferida pelo relator. NÃO

RECURSO ORDINÁRIO Contra acórdão denegatório de ação constitucional originária de Tribunal. SIM

Contra decisão que:

- Contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência.


RECURSO ESPECIAL SIM
- Julgar válido ato de governo local em face de lei federal.

- Der a lei federal interpretação divergente de outro tribunal.

Contra decisão que:

- Contrariar dispositivo da Constituição.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO - Declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. SIM

- Julgar válida lei ou ato de governo local em face da Constituição.

- Julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Contra decisão de Presidente ou Vice-Presidente de Tribunal que inadmitir


AGRAVO EM RESP OU RE NÃO
recurso especial ou extraordinário.

Utilizados no âmbito do STJ e STF quando o acórdão proferido no


EMBARGOS DE
julgamento do REsp ou de RE divergir do julgamento proferido por outro SIM
DIVERGÊNCIA
órgão colegiado do próprio Tribunal.

Contra decisão:

o Obscura.
EMBARGOS DE
o Contraditória. NÃO
DECLARAÇÃO
o Omissa.
o Com erro material.

O prazo recursal é de 15 dias (razões e contrarrazões), salvo os embargos de declaração, cujo prazo é de 5 dias.

Introdução 
 
O CPC prevê normas fundamentais, regulando todo o processo alinhado à CRFB/88, muitas vezes 
repetindo o
Vejamos: 
 
 
 
Princípio do acesso à justiça 
 
O princípio do acesso à justiça pode ser analisado sob 2 enfoques: 
 
A) I
HABEAS 
DATA 
Não tem cabimento se não for apresentada, ao Judiciário, a recusa administrativa. 
 
Previsão → Lei 9.507
Princípio do contraditório e da ampla defesa 
 
O princípio do contraditório em sentido amplo possui duas facetas:
Princípio da inércia 
 
O processo começa por iniciativa da parte (princípio dispositivo) e se desenvolve por impulso
Princípio da cooperação 
 
Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoáv
Princípio do duplo grau de jurisdição 
 
Toda decisão judicial encontra-se sujeita a reexame pela instância superior
A CRFB/88 dispõe o seguinte acerca da competência para legislar sobre matéria processual: 
 
o Competência privativa
Conceito 
 
Ação é o direito público, subjetivo e abstrato de provocar a jurisdição ⤵ 
 
PÚBLICO 
Porque exercido
Assim, as condições da ação devem estar presentes do início ao fim da ação, sendo que, caso o 
juiz verifique a ausênci

Você também pode gostar