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Produção de Biodiesel de Gordura de Frango

Este documento apresenta um projeto tecnológico de um grupo de estudantes do curso técnico de petroquímica sobre a obtenção e purificação de biodiesel a partir da gordura de frango. O projeto inclui uma revisão bibliográfica sobre biodiesel, o processo de produção através da reação de transesterificação e da purificação pelo método úmido, além do procedimento experimental realizado pelo grupo.

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Produção de Biodiesel de Gordura de Frango

Este documento apresenta um projeto tecnológico de um grupo de estudantes do curso técnico de petroquímica sobre a obtenção e purificação de biodiesel a partir da gordura de frango. O projeto inclui uma revisão bibliográfica sobre biodiesel, o processo de produção através da reação de transesterificação e da purificação pelo método úmido, além do procedimento experimental realizado pelo grupo.

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REPÚBLICA DE ANGOLA

INSTITUTO POLITÉCNICO INDUSTRIAL DE LUANDA

CURSO TÉCNICO DE PETROQUÍMICA

PROJECTO TECNOLÓGICO

13ª CLASSE

OBTENÇÃO E PURIFICAÇÃO DO BIODIESEL A PARTIR DA


GORDURA DE FRANGO

Luanda; 2021/2022
INSTITUTO POLITÉCNICO INDUSTRIAL DE LUANDA

CURSO TÉCNICO DE PETROQUÍMICA

PROJECTO TECNOLÓGICO

13ª CLASSE

OBTENÇÃO E PURIFICAÇÃO DO BIODIESEL A PARTIR DA


GORDURA DE FRANGO

Grupo Nº 03
Classe: 13ª
Turma: QP13A

Integrantes do Grupo

Nº 11 – Eduarda Pitra Grós


Nº 12 – Ericlenes Narciso
Nº 13 – Esperança Matondo
Nº 24 – Matadidi Miguel
Nº 15 – Gelson Kafumanessa

Orientadores: Grimaneza Teixeira e Joaquim Quimonha.

Luanda; 2021/2022
EPÍGRAFE

Com fé, integridade como escudo,

mentalidade espartana,

estou pronto pra tudo.

Keidje Torres Lima

i
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho Aos nossos familiares que directa ou indirectamente contribuíram para a
feitura elaboração deste trabalho.

ii
AGRADECIMENTOS

Aos nossos excelentes orientadores Grimaneza Teixeira e Joaquim Quimonha pela extrema
paciência que teve ao longo da realização do projecto.

A todos colegas que directa ou indirectamente contribuiram para a realização do mesmo, e pelos
conhecimentos adquiridos durante os 5 anos juntos.

iii
RESUMO

Foi feito uma pesquisa bibliográfica sobre a produção do biodiesel a partir da gordura de frango,
já que se vê a necessidade de aumentar de modo sustentável o uso de fontes de energias
renováveis que é vantajosa principalmente no que se refere a prevenção do meio ambiente, mas
também destaca-se como um dos biocombustíveis produzidos a partir de fontes renováveis, que
desponta como fonte energética para uso nos transportes e na geração de energia eléctrica. O
presente trabalho teve como objectivo sintetizar o biodiesel a partir da gordura de frango, pela
reacção de transesterificação e pelo método de via húmida.

Neste sentido, foram adquiridas as carnes de frango no mercado inforrmal e separou-se


das respectivas peles (gorduras). Fez-se a extração do óleo das gorduras por aquecimento e
hidratação e posterior purificação. Após a purificação do óleo foram analisados a sua qualidade,
com parâmetros como: saponificação, contaminação total e teor de AGL.

Para a obtenção do biodiesel, prosseguiu-se coma reacção de transesterificação na


proporção 1:3. Depois de obtido, foram analisados padrões de identidade como: o pH, índice de
acidez, de peróxido, de saponificação, massa especifica (densidade),teor de ésteres e
contaminação total. Concluiu-se que tendo em conta os parametros do óleo, apresenta boa
estabilidade oxidativa e baixo nível de degradação do óleo e já em relação ao biodiesel,
apresentou-se fora dos padrões de qualidade.

Palavras chaves: Biocombustível, Biodiesel, Gordura de frango, Transesterificação.

ELIMINAR A CEDÊNCIA DE PARÁGRAFO

RESUMO DEVE CONTER APENAS UM PARÁGRAFO

iv
ABSTRACT

Bibliographic research was carried out on the production of biodiesel from chicken fat,
since it is necessary to sustainably increase the use of renewable energy sources, which is
advantageous mainly in terms of environmental prevention, but also stands out as one of the
biofuels produced from renewable sources, emerging as an energy source for use in transport and
in the generation of electricity. The present work aimed to synthesize biodiesel from chicken fat,
by the transesterification reaction and by the wet method. In this sense, the chicken meat was
acquired in the informal market and separated from the respective skins (fats).

The oil was extracted from the fats by heating and hydration and subsequent purification.
After oil purification, its quality was analyzed, with parameters such as: saponification, total
contamination and FFA content.

To obtain biodiesel, the transesterification reaction was continued in a 1:3 ratio. Once
obtained, identity standards were analyzed such as: pH, acidity, peroxide, saponification, specific
mass (density), ester content and total contamination. It was concluded that, taking into account
the parameters of the oil, it has good oxidative stability and low level of degradation of the oil
and, in relation to biodiesel, it was presented outside the quality standards.

Keywords: Biofuel, Biodiesel, Chicken fat, Transesterification.

IDEM

v
ÍNDICE GERAL
EPÍGRAFE......................................................................................................................................i

DEDICATÓRIA.............................................................................................................................ii

AGRADECIMENTOS..................................................................................................................iii

RESUMO.......................................................................................................................................iv

ABSTRACT....................................................................................................................................v

ÍNDICE DE FIGURAS.................................................................................................................vi

ÍNDICE DE REACÇÕES.............................................................................................................vi

ÍNDICE DE TABELAS...............................................................................................................vii

SIGLAS E ABREVIATURAS...................................................................................................viii

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................1

OBJECTIVO GERAL...................................................................................................................2

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS.....................................................................................................2

METODOLOGIA...........................................................................................................................3

PROBLEMA...................................................................................................................................4

HIPÓTESE......................................................................................................................................4

JUSTIFICATIVA...........................................................................................................................5

CAPÍTULO 1: GENERALIDADES DO BIODIESEL...............................................................6

1.1 Breve historial do biodiesel.................................................................................................6

1.2 O biodiesel............................................................................................................................7

1.2.1 Propriedades e especificações técnicas do biodiesel......................................................8

1.2.2 Vantagens e desvantagens do biodiesel........................................................................12

1.2.3 Aplicação do biodiesel...................................................................................................14

CAPÍTULO 2: OBTENÇÃO DO BIODIESEL.........................................................................15


2.1 Processo de produção do biodiesel...................................................................................15

2.1.1 Matérias primas para produção do biodiesel..............................................................16

2.1.2 Reacção de transesterificação.......................................................................................18

2.1.3 Glicerina e suas possíveis aplicações............................................................................21

2.1.4 Purificação do Biodiesel pelo Método de Via Húmida...............................................21

CAPÍTULO 3: PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL..........................................................24

CONCLUSÃO...............................................................................................................................38

RECOMENDAÇÕES...................................................................................................................39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................................40

GLOSSÁRIO................................................................................................................................43

ANEXOS.......................................................................................................................................44
ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Variações médias das emissões de NOx na queima de biodiesel em relação ao diesel
mineral............................................................................................................................................13

Figura 2 – Representação do processo de produção de Biodiesel.................................................15

Figura 3 – Quantidades de matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel........................17

Figura 4 – Aquecimento do óleo em placa................................................................................... 28

Figura 5 – Produção do biodiesel após 24 horas de repouso.........................................................28

Figura 6 – Biodiesel
bruto..............................................................................................................29

Figura 7 – Purificação do
biodiesel................................................................................................30

Figura 8 – Biodiesel puro...........................................................................................................................30

ÍNDICE DE REACÇÕES

Reacção 1 – Reacção de
transesterificação....................................................................................07

Reacção 2 – Reacção entre uma molecula de glicerina e três ácidos


graxos.................................16

Reacção 3 – Reação global de transesterificação de triglicerídeos..............................................18

Reacção 4, 5, 6 – Transesterificação de triglicerídeos com


álcool...............................................19

vi
Reacção 7 – Reacção de sabões com
ácido.....................................................................................23

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 – Normas técnicas obtidas de acordo com a Resolução ANP Nº 7, de 19.3.2008 da


Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.....................................................09

Tabela 2 – Reagentes utilizados no trabalho


experimental.............................................................24

Tabela 3 – Equipamentos utitilizados no trabalho


expermental......................................................25

Tabela 4 – Resultados do processo de extracção do


óleo...............................................................33

Tabela 5 – Parâmetros de qualidade analisados no óleo................................................................34

Tabela 6 – Quantidades gastas e obtidas do processo de


transesterificação..................................35

Tabela 7 – Volumes gastos e obtidos na purificação do


biodiesel.................................................36

Tabela 8 – Resultados dos parâmetros….......................................................................................36

Tabela 9 – Resultados dos parâmetros restantes............................................................................37

vii
SIGLAS E ABREVIATURAS

AGL – Ácidos Graxos Livres;

ASTM – Norma Americana para o biodiesel preparada pela American Society for Testing and
Materials;

C – Concentração da base;

CEN – Comité Europeia de Normalização;

DBQ – Demanda Biológica de Oxigênio;

DQO – Demanda Química de Oxigênio;

EN – Norma Europeia;

M – Massa do filtro após filtração;

M – Massa molar do hidróxido de potássio;

M – Massa molar da base;


viii
m – Massa do filtro seco antes da filtração;

m – Massa da amostra (g);

m – Massa da amostra;

N – Normalidade do tiossulfato de sódio;

N – Normalidade da solução titulante;

Nox – Número de oxidação;

P – Massa da amostra (g);

PA – Pureza Analítica;

PE – Procedimento Expermental;

Va – volume do titulante gasto com a amostra (ml);

Va – Volume do titulante gasto com a amostra (ml);

Va – Volume gasto na prova real;

Vb – volume do titulante gasto no branco (ml);

Vb – Volume do titulante gasto no ensaio do branco (ml);

Vb – Volume gasto na prova em branco;

1000 – Factor de conversão para k.

ix
INTRODUÇÃO

Há décadas o mundo tem buscado um desenvolvimento sustentável, ambientalmente


correto, socialmente justo e economicamente viável. No entanto a maior parte de toda energia
consumida no mundo provém do petróleo, do carvão e gás natural que são fontes limitadas e com
previsão de esgotar em um futuro próximo.

Por isso, tem-se discutido fontes de matrizes energéticas em substituição às de origens


fósseis, aliado à preocupação com as questões socioambientais, principalmente no que se refere
ao aquecimento global, com a degradação da qualidade do ar que respiramos e comprometimento
da saúde da população, por isso pensou-se na utilização do biodiesel, que é um biocombustível
biodegradável e renovável proveniente de óleos vegetais ( amendoim, dendê e soja) e gorduras
animais ( sebos bovinos, sebos suínos e aves).

No processo de transesterificação, são obtidos o biodiesel e a glicerina como co-produto,


e para a purificação do biodiesel é necessário recorrer a dois métodos: método de via húmida e o
método de via seca. O método mais usado é o método de via de húmida, que consiste no processo
de decantação onde é feita a separação dos produtos e no processo de lavagem é retirado a água,
o álcool, a glicerina, o catalisador (NaOH) e sabões que tenham ficado eventualmente dispersos
por isso a remoção destes é o principal propósito da etapa de lavagem do biodiesel.

Neste contexto, o presente trabalho vem com a finalidade de diminuir o impacto


ambiental, a alta dependência do petróleo, e por sua vez utiliza-se gordura animal como matéria-
prima para a produção do biodiesel, e são utilizados a reação de transesterificação, esterificação e
craqueamento. Sendo que a reação de transesterificação é a comumente usada e a mesma consiste
no processo de carácter reversível em transformar um triglicerídeo de cadeia longa em cadeias
menores de ésteres na presença de um álcool de cadeia curta e um catalisador.

Após todo o processo, desde a obtenção á purificação, o biodiesel puro passará por testes
que, a partir dos mesmos, será possível caracterizar a qualidade do biodiesel segundo as normas
estabelecidas pela ANP (âgencia nacional do petróleo, gás natural e biocombustíveis).

1
OBJECTIVO GERAL

 Obter o biodiesel utilizando como matéria prima a gordura animal.

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

 Caracterizar o biodiesel (origem, propriedade, vantagens e desvantagens e aplicação);


 Descrever o biodiesel pelo processo de transesterificação básica;
 Caracterizar o processo de purificação do biodiesel pelo método de via húmida;
 Analisar e comparar os padrões de identidade e qualidade do óleo e biodiesel tendo em
conta as normas estabelecidas pela ANP.

2
METODOLOGIA

Neste trabalho usou-se a metodologia qualitativa, o mesmo foi baseado na leitura de


monografias e busca de investigação bibliográfica através da internet. A metodologia
quantitativa, baseado no procedimento expermental e a metodologia brainstorm.

3
PROBLEMA

Como é feita a produção e a purificação do biodiesel a partir da gordura animal?

HIPÓTESE
A produção do biodiesel é feita pela reação de transesterificação, o processo global de
transesterificação de óleos vegetais e gorduras é uma sequência de três reacções reversíveis e
consecutivas, em que os monoglicéridos e os diglicéridos são os intermediários. E a purificação
do biodiesel efectua-se mediante dois metodos: via úmida e via seca.

4
JUSTIFICATIVA

Este trabalho vem com a iniciativa de gerar ganhos ambientais a partir do biodiesel, que é
uma das soluções para os problemas da poluição ambiental e aquecimento global, diminuindo
assim a utilização dos combustíveis fósseis (diesel), prevenindo o meio ambiente.

A proposta do uso da gordura animal (sebo bovino, sebo suíno e aves) como matéria-
prima para a produção deste biocombustível, cria oportunidade de se promover a inclusão social e
diversificação da matriz energética de Angola. O biodiesel obtido a partir da gordura suína
mostrou-se uma alternativa bastante interessante, pois tendo em vista a atual produção de carne
em Angola, seria uma solução para os rejeitos produzidos.

O biodiesel destaca-se como um dos biocombustíveis produzidos a partir de fontes


renováveis, que desponta no momento, como fonte energética para uso nos transportes e na
geração de energia eléctrica, com menor grau de poluição e menor impacto no processo de
aquecimento da terra.

5
CAPÍTULO 1: GENERALIDADES DO BIODIESEL

1.1 Breve historial do biodiesel

A história do biodiesel data de 1895, quando dois grandes visionários, Rudolf Diesel e Henry
Ford, com o primeiro modelo de um motor a diesel que foi desenvolvido por Rudolph Diesel e
funcionou pela primeira vez em Augsburg, Alemanha, a 10 de Agosto de 1893. Rudolph projetou
o motor a diesel originalmente para funcionar com óleo vegetal. Mais tarde, em 1900, este
realizou uma demonstração do seu motor, na Exposição Mundial de Paris, França. Nesse mesmo
ano foi testado o primeiro motor de ignição por compreensão, projectado para trabalhar com
óleos vegetais. O combustível então utilizado era o óleo de amendoim, um tipo de
biocombustível obtido pelo processo de transesterificação (Ecooleo, 2005).  

Durante a década de 1920 os fabricantes de motores a diesel alteraram os seus motores para
utilizarem o combustível fóssil proveniente do petróleo, com uma viscosidade mais baixa que a
dos óleos vegetais. As indústrias petrolíferas tiveram acesso ao mercado de combustíveis, com
um combustível mais barato do que as alternativas provenientes das fontes biológicas. O
resultado foi a quase eliminação das infraestruturas de produção de combustíveis por via
biológica. Apenas recentemente, as preocupações ambientais e a grande subida do preço dos
combustíveis fósseis tornaram o biodiesel uma excelente alternativa.

O contexto histórico do biodiesel emergiu após a explosão do preço do petróleo na década de


1970, porque durante a segunda guerra mundial muitos países usaram óleos de origem vegetal
como fonte de combustível ou pesquisaram esse uso. A necessidade de substituição do petróleo,
que escasseava com às restrições impostas pelo conflito, era a principal motivação para essas
tentativas. Com o final da Segunda Guerra em 1945, a produção e a distribuição do petróleo pelo
mundo se normalizaram, e as pesquisas para uso do biodiesel foram temporariamente
abandonadas. Só seriam retomadas quase 30 anos depois, novamente por motivos políticos e
econômicos.

6
Actualmente o biodiesel, destaca-se como um dos biocombustíveis produzidos a partir de
fontes renováveis, que desponta no momento, como fonte energética para uso nos transportes e
na geração de energia eléctrica, com menor grau de poluição e menor impacto no processo de
aquecimento da terra.

1.2 O biodiesel

O biodiesel é um derivado de lípidos orgânicos renováveis, para utilização em motores de


ignição por compressão (diesel) sendo obtido a partir de óleos vegtetais ou gordura animal, por
um processo químico chamado transesterificação, onde a glicerina é separada da gordura ou do
óleo vegetal. O processo gera dois produtos, éster metilíco (o nome químico do Biodiesel) e a
glicerina (produto valorizado no mercado de sabões) (Ventura, 2010).

Triglicerídeo Álcool Biodiesel Glicerina

Reacção 1 – Reacção de transesterificação

O Biodiesel é simples de ser usado, biodegradável, não tóxico e, essencialmente, livre de enxofre
e aromáticos, sendo assim, considerado um combustível ecológico. Este pode ser considerado de
1ª ou 2ª geração, conforme a sua fonte. Se for biodiesel obtido a partir de óleo ou gordura animal
virgem considera-se de 1ª geração, mas se for a partir de óleos ou gorduras usadas já é
considerado de 2ª geração (Moreira & Sérgio 2008).
7
Como se trata de uma energia limpa, não poluente, o seu uso num motor diesel
convencional resulta, quando comparado com a queima do diesel fóssil, numa redução
substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados.

1.2.1 Propriedades e especificações técnicas do biodiesel

Não existem muitos limites em especificações técnicas para o biodiesel de origem animal,
gerando uma limitação ao aproveitamento desse material como biocombustível, geralmente
incorporado em formulações com o diesel convencional ou lubrificantes. Isso acontece porque as
origens das especificações não são definidas de um único modo, podendo ser obtidas a partir
processos de produção ou características intrínsecas da própria matéria-prima (Imahara, Minalm,
& Saka, 2006; Lee, Herage, & Young, 2004; Hass, Scott, Alleman, & Mccormick, 2001).

Devido à maior concentração de ácidos graxos saturados, em relação aos óleos vegetais
em que predominam ácidos insaturados, (conforme a tabela geral de tipos de ésteres acima),
observa-se a influência principalmente em propriedades como poder de combustão (índice de
cetano), viscosidade, densidade, ponto de fulgor, entre outros que podem vir a causar problemas
no desempenho de motores, quando o biodiesel de gordura animal é utilizado como
biocombustível (Hass et al., 2001; Kumar, Kerihuel, Bellettre, & Tazerout, 2006; Conceição,
Candeia, Silva, Bezerra, Ferandes, & Souza, 2007).

Considerando os aspectos citados, algumas propriedades são relevantes para determinação


da utilização do biodiesel de gordura animal em segmentos diferentes de biocombustíveis. A
Tabela 1 mostra algumas especificações regulamentadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis - RESOLUÇÃO ANP Nº 7, DE 19.3.2008 - DOU 20.3.2008[1].

Tabela 1 – A tabela abaixo foi formulada, tendo em conta as normas técnicas, obtidas de
acordo com a Resolução ANP Nº 7, de 19.3.2008 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis[1].

8
Parâmetros Unidades Alguns Métodos Limites
Contaminação Total mg/kg EN 14214 24
Densidade g/cm3 ASTM D4052 0,882
Viscosidade mm2/s ASTM D445 5,3
Cinemática
Índice de Acidez % ASTM D664 1
Humidade % EN 12937 1
Índice de Iodo - EN 14111 60
Índice de Peróxido meq/kg EN 14214 3
Teor de Sabão mg/kg EN 14538 3
Oxidação -110ºC H EN 14112 9
Entupimento ºC ASTM D6371 14,3
Teor de éster mín. % massa EN 14103 96,5
Glicerina livre, máx. % massa EN 14105 0,02
Glicerina total, máx. % massa EN 14105 0,38
Mono, di, % massa EN 14105 0,25
triglicerídeo
Metanol, Etanol, % massa EN 14110 0,5
máx.

A densidade ou massa específica, definida como a propriedade da matéria


correspondente à massa contida por unidade de volume, possui na maioria de suas fontes de
matéria-prima para produção de biodiesel, um valor maior do que a do produto final, tornando o
óleo obtido um potencial lubrificante (Bajpai & Tyagi, 2006).

A viscosidade cinemática, definida em termos gerais como resistência do biodiesel ao


escoamento, tem grande influência quando se utiliza óleos e gorduras transesterificadas como
biocombustível ou lubrificante. No biodiesel, os valores de viscosidade são próximos aos do
diesel de petróleo o que torn o funcionamento adequado dos sistemas de injecção.

9
Dessa forma, o processo de obtenção do biodiesel e sua purificação devem ser eficientes
para evitar alterações na viscosidade regulamentada (Knothe & Steidley, 2005).

Índice de acidez é a massa de hidróxido de potássio, em miligramas, utilizada na


neutralização dos ácidos livres, presentes em um grama de amostra de óleo ou a massa de
hidróxido de potássio, em miligramas, gasta na saponificação de um grama de amostra de óleo
neutro. Nesta definição não está incluída a massa de hidróxido de potássio gasta na neutralização
dos ácidos livres presentes na amostra de óleo (Wyatt, Hess, Dunn, Foglia, Haas, & Marmer,
2005).

Um elevado índice de acidez indica, portanto, que o óleo ou gordura está sofrendo
quebras em sua cadeia, liberando seus constituintes principais, os ácidos graxos (Wyatt et al.,
2005; Kusdiana, & Saka, 2004).

A saponificação é a formação de sabão, isto é, sais de ácidos graxos. O uso dessas


matérias-primas é também possível para a produção de biodiesel; entretanto, mudanças no
procedimento de reação devem ser feitas devido à presença de água ou de altos teores de AGL
(Derimbas, 2005).

A formação de sabão implica em dois problemas químicos: esta reação consome a base
utilizada na catálise da transesterificação do óleo vegetal ou animal com álcool de cadeia curta, a
presença de sabão na mistura reacional estabiliza a emulsão biodiesel/glicerol. Há ainda um
problema técnico relacionado ao uso do biodiesel com alto teor de sabão: danos nos motores
devido à formação de depósitos e corrosão (Derimbas, 2005).

A oxidação de biodiesel é um processo muito complexo e susceptível a variações de


composição, condições de armazenamento, dentre outras. Os diferentes ésteres de ácidos graxos
insaturados presentes no biodiesel geram variados produtos de degradação. De modo geral, a
avaliação do estado de oxidação do biodiesel é relacionada ao período de indução da reação, ou
seja, o tempo necessário para se atingir um ponto crítico de oxidação (Mitilbath, 1996).

10
O ponto de entupimento corresponde à temperatura mais baixa na qual é possível operar
com o biodiesel sem que ocorram problemas operacionais de escoamento (Menezes, Silva,
Cataluña, & Ortega, 2006).

A redução do tamanho da molécula e/ou o aumento da ramificação melhoram as


propriedades de escoamento do biodiesel (Dorado, Ballesteros, Arnal, Gómez, & López, 2003).

O biodiesel de gordura possui maiores quantidades de ácidos graxos saturados do que os


de óleos, como o da soja, apresentam maior ponto de entupimento, devido à maior tendência a
precipitação a baixas temperaturas (Dorado et al., 2003; Lang, Dalai, Bakhshi, Reaney, & Hertz,
2001).

O índice de iodo é utilizado é determinado a partir do grau de insaturação de óleos,


gorduras e biodiesel. O complexo de iodo utilizado na medida reage com as duplas ligações,
portanto, quando maior o grau de insaturação, maior o índice de iodo. No biodiesel, este índice
pode ser utilizado para estimar a relação entre ésteres saturados e insaturados (Knothe, Gerpen,
Krahl, & Ramos, 2006; Tomasevic, & Marinkovic, 2003).

O índice de peróxido é determinado pelo estado de oxidação dos óleos e gorduras. A


rancidez ou deterioração oxidativa, que é a oxidação de insaturações dos triglicerídeos pelo
oxigênio atmosférico, promove o aparecimento de peróxidos, cujo teor deve estar dentro de uma
faixa especificada na em sua norma regulamentada ANP, para que a matéria prima possa ser
utilizada (Tomasevic, & Marinkovic, 2003).

Os parâmetros medidos em porcentagem mássica estão diretamente ligados à qualidade


do biodiesel, quando há eficiência na conversão de triglicerídeos e pureza do produto final
(Gerpen, Shanks, Pruszko, Clements, Knothe, 2004).

O teor de ésteres irá medir a porcentagem de desses componentes presentes em uma


amostra de biodiesel. A porcentagem complementar se refere a produtos que não foram
devidamente separados em etapas anteriores de separação e purificação do biodiesel, como a
glicerina e alguns subprodutos (Gerpen et al., 2004).

11
Também são medidas porcentagens de triglicerídeos não transesterificados ou
subprodutos de reações incompletas, como dos diglicerídeos e os monoglicerídeos (Gerpen et al.,
2004).

A glicerina residual é medida na forma de glicerina livre, cujo teor depende da eficiência
da separação entre biodiesel e glicerina e de glicerina total, que é considerada como a soma entre
glicerina livre e a glicerina ligada, na forma de mono-, di- e triglicerídeos (Gerpen et al., 2004).

A porcentagem de álcool residual também é medida, pois a presença desse composto


pode acarretar problemas como retenção de umidade no biodiesel, diminuição da lubricidade e
alteração no ponto de congelamento do óleo (Gerpen et al., 2004).

1.2.2 Vantagens e desvantagens do biodiesel

As principais vantagens do biodiesel como alternativa ao diesel mineral são várias. É


biodegradável, não tóxico, tem uma inflamabilidade reduzida e permite uma melhor lubrificação
do motor, aumentando o seu tempo de vida e reduzindo a necessidade de manutenção. Pode ser
utilizado, mesmo na forma B100, sem que haja necessidade de alterações significativas nos
motores. A grande vantagem ambiental da utilização deste biocombustível reside na redução das
emissões atmosféricas associadas à sua queima (Ventura, 2010).

Este biocombustível é considerado neutro relativamente às emissão de dióxido de carbono,


pois o carbono presente no matéria prima é proveniente da fixação do dióxido de carbono
presente nas plantas através da fotossíntese que depois de ser emitido na queimada de biodiesel,
vai ser de novo fixado por estas espécies vegetais, completando o ciclo do carbono. No entanto, a
análise do ciclo de vida do biodiesel mostra uma redução de 78% na emissão de dióxido de
carbono relativamente ao diesel mineral (Ventura, 2010).

12
Figura 1 – Representamos acima, um gráfico sobre variações médias das emissões de Nox na
queima de biodiesel em relação ao diesel mineral.

O biodiesel apresenta algumas desvantagens em relação aos combustíveis fósseis; tem uma
maior viscosidade, contém menor valor energético, aumenta as emissões de Nox e há a
possibilidade de solidificação a temperaturas baixas, pelo que é necessário adicionar-lhe
substâncias anticongelantes quando utilizado em climas frios (Ventura, 2010).

No entanto, as principais desvantagens prendem-se com aspectos económicos, pois a sua


produção ainda não é economicamente competitiva relativamente à do diesel mineral. Cerca de
85% do custo total de operação depende do custo das matérias-primas, pelo que é necessário
encontrar matérias-primas mais baratas, de forma a tornar o biodiesel mais competitivo (Ventura,
2010).

13
1.2.3 Aplicação do biodiesel

O Biodiesel é quimicamente semelhante ao óleo diesel fóssil, podendo ser usado em motores
do ciclo diesel sem a necessidade de adaptações ou em mistura com o óleo diesel em qualquer
proporção. Tem aplicação singular quando utilizado em mistura com o óleo diesel de ultra baixo
teor de enxofre, porque confere a este, melhores características de lubricidade. O uso dos ésteres
em adição de 5 a 8% é visto como uma alternativa excelente para reconstituir essa mesma
lubricidade (Ventura, 2010).

Mundialmente passou-se a adoptar uma nomenclatura bastante apropriada para identificar a


concentração do Biodiesel na mistura. É o Biodiesel BXX, onde XX é a percentagem em volume
do Biodiesel da mistura. Por exemplo, o B2, B5, B20 e B100 são combustíveis com uma
concentração de 2%, 5%, 20% e 100% de Biodiesel, respectivamente (Ventura, 2010).

A experiência de utilização do Biodiesel no mercado de combustíveis tem sido feita em


quatro níveis de concentração:

 Puro (B100);
 Misturas (B20 – B30);
 Aditivo (B5);
 Aditivo de lubricidade (B2).

As misturas em proporções volumétricas entre 5% e 20% são as mais usuais, sendo que para a
mistura B5, não é necessário, nenhuma adaptação dos motores.

O biodiesel é principalmente utilizado nos países europeus, na maior parte dos casos, usa-se uma
mistura de biodiesel combinada com combustível fóssil, o biodiesel puro é utilizado em motores
de caminhões, tratores, autocarros e outros veiculos, ou em motores estacionários como os
utilizados para geração de energia eléctrica (Ventura, 2010).

14
CAPÍTULO 2: OBTENÇÃO DO BIODIESEL

2.1 Processo de produção do biodiesel

O biodiesel pode ser obtido através da reacção entre óleos vegetais ou gordura animal, com
álcoois primários (normalmente metanol ou etanol) na presença de um catalisador (geralmente
hidróxido de sódio ou potássio). Para que o processo de transformação ocorra são necessárias 10
partes de óleo, ou gordura, e uma parte de um álcool de cadeia curta (geralmente metanol) na
presença de um catalisador (normalmente hidróxido de sódio ou potássio) para produzir 10 partes
de biodiesel e uma parte de glicerina. A glicerina é um açúcar, e é um co-produto da produção de
Biodiesel (Ventura, 2010).

Figura 2 – Representação esquemática do processo de produção de biodiesel por


transesterificação. Fonte: Demirbas, (2008).

15
2.1.1 Matérias primas para produção do biodiesel

As matérias primas utilizadas na obtenção deste biocombustível, apresenta tempo de


reposição a natureza extremamnte curto, se comparado ao petróleo que para ser produzido
necessita de milhões de anos. Como exemplo dessas matérias primas temos os óleos vegetais de
soja, girassol, amendoim e também gorduras animais, de bovino, suíno, ave entre outros através
de uma reacção de transesterificação com um álcool catalisada por um catalisador ácido ou
alcalino (Pêgo e Reginato, 2011).

Os óleos e gorduras são formados por diversos compostos simples. Quimicamente, eles
são ésteres. O componente alcoólico é invariavelmente o glicerol (triol, três grupos hidroxilícos)
e o componente ácido é formado pelos ácidos monocarboxílicos não ramificados (ácidos graxos)
(Castro, 2014).

Sendo um triol, o glicerol pode formar mono, di ou tri-ésteres. Tais ésteres são designados
como mono, di ou tri-glicerídeos. Os glicerídeos geralmente contêm dois ou três ácidos graxos
diferentes. Portanto, os óleos e gorduras são misturas de glicerídeos de diversos ácidos graxos
(ésteres de glicerol), cuja composição é dependente do tipo e origem da matéria prima (Castro
2014).

CH2 – OH + HOOC – R CH2 – O – COR

CH – OH + HOOC – R CH – O – COR + H2O

CH2 – OH + HOOC – R CH2 – O – COR

Reacção 2 – Reacção entre uma molecula de glicerina e três ácidos graxos

Conforme sua origem, os ácidos graxos, podem ser classificados em: ácidos graxos de
origem animal e ácidos graxos de origem vegetal.

16
Os ácidos graxos, de uma maneira geral, possuem mais de 10 carbonos na cadeia, possuem
cadeia normal podendo ter ou não ligações duplas, são monocarboxílicos e tem número par de
átomos de carbono.

Exemplos:

Ácido Palmítico: H3C – (CH2)14 – CO – OH

Ácido Esteário: H3C – (CH2)16 – CO – OH

Ácido Oléico: H3C – (CH2)7 – CH = CH – (CH2)7 – CO – OH

Conforme a cadeia de átomos de carbono, podem ser classificados em: ácidos graxos não
saturados (insaturados) e ácidos graxos saturados (Castro, 2014).

Diferenças entre óleo e gordura: Nos óleos predominam glicerídeos de ácidos insaturados
e são líquidos na temperatura ambiente e nas gorduras predominam glicerídeos de ácidos
saturados, são sólidos. Os ácidos graxos não saturados, conforme o número de ligações duplas
existentes na molécula, podem ser: mono oleofínicos e poli-oleofínicos (Castro, 2014).

Apresentação do balanço de utilização das matérias primas:

Figura 3 – Quantidades de matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel. (Faleiros, 2007).

17
2.1.2 Reacção de transesterificação

A produção de biodiesel mais amplamente empregada na indústria se baseia na reação de


alcoólise, também denominada transesterificação, de triglicerídeos com um álcool de cadeia
curta, frequentemente o metanol. A transesterificação utiliza catalisadores homogêneos, ácidos ou
básicos, para a cisão de moléculas de triglicerídeos, produzindo três moléculas de alquílicos de
ácidos graxos e uma molécula de glicerol a cada triglicerídeo consumido (Knothe et al., 2006).

CH2 – O – CO – R +
H /OH
-
CH2 – OH

CH – O – CO – R + R' – OH CH – OH + 3 R' – O – CO – R

CH2 – O – CO – R CH2 – OH

Reação 3 – Reação global de transesterificação de triglicerídeos.

Os álcoois mais comuns para a produção de biodiesel são o metanol e o etanol. Na


maioria das vezes, o metanol é utilizado para a reação de transesterificação, o que torna o
biodiesel composto por ésteres metílicos apenas 90% renovável, enquanto o uso de etanol, se
originado por via fermentativa, confere à mistura resultante de ésteres etílicos um caráter
totalmente renovável.

O metanol é amplamente utilizado, pois é mais reativo, tem menor custo e solubiliza
facilmente catalisadores alcalinos, que são mais comumente empregados em rotas de produção de
biodiesel. Todavia, seu baixo ponto de ebulição, aliado aos vapores inodoros e incolores remete a
sérios riscos de explosão (Bouaid, Martinez & Aracil, 2009). O metanol tem toxicidade muito
elevada, podendo ser absorvido através da pele, além de ser inteiramente solúvel em água, de
modo que qualquer tipo de vazamento representa problemas à saúde e ao ambiente.

18
O etanol é mais seguro de manusear, produzindo vapores muito menos tóxicos do que os
associados ao metanol, passíveis de inalação. Destaca-se que os ésteres etílicos contêm maior
número de cetano e poder calorífico (Bouaid et al., 2009).

Contudo, o etanol favorece a presença de emulsões no meio reacional, apresenta


dificuldade de ser recuperado e, em conjunto com água, forma uma mistura azeotrópica
(Brunschwig, Moussavou, & Blin, 2012).

Para que ocorra a reação é importante monitorar as três etapas consecutivas e a


reversibilidade da reação. Na primeira etapa ocorre a conversão do triglicerídeo para diglicerídeo,
seguido pela conversão do diglicerídeo para monoglicerídeo, e do monoglicerídeo para glicerol,
fornecendo uma molécula de éster de cada glicerídeo, a cada etapa (Innocentini, 2007).

O O

CH2 O C R1 CH2 O C R1

O Catalisador O O

CH O C R2 +R OH R O C R3 + CH O C R2

CH2 O C R3 CH2 OH

Triglicerídeo Álcool Éster Diglicerídeo

CH2 O C R1 CH2 OH

O Catalisador O O

CH O C R2 +R OH R O C R1 + CH O C R2

19
CH2 OH CH2 OH

Diglicerídeo Álcool Éster Monoglicerídeo

CH2 OH CH2 OH

O Catalisador O

CH O C R2 +R OH R O C R2 + CH OH

CH2 OH CH2 OH

Monoglicerídeo Álcool Éster Glicerol

Reações 4,5,6 – Transesterificação de triglicerídeos com álcool. Três reações consecutivas e


reversíveis. R’, R’’ e R’’’, representam grupos alquila.

Alguns parâmetros que se deve levar em conta em uma reação de transesterificação, são:
o efeito da razão molar, temperatura, tempo de reação e o tipo de catalisador. Para a realização da
transesterificação por catálise básica, é necessário utilizar um excesso de álcool a fim de
aumentar a eficiência do processo. Nessa etapa se formam duas fases: a glicerina e o biodiesel.
Após a separação entre as fases, o biodiesel deve ser purificado antes de sua utilização em
motores. (Atadashi, Aroua, & Aziz, 2010).

Quanto maior a razão entre álcool e óleo ou gordura empregada na reação de


transesterificação, maior a conversão obtida. No entanto, a razão ótima é da ordem de 6:1, pois
um grande excesso de álcool aumenta significativamente a conversão (que é de 98-99%) e
dificulta o processo de purificação (Agarwal, 2007).

20
2.1.3 Glicerina e suas possíveis aplicações

O glicerol é o principal subproduto gerado na produção de biodiesel, sendo que


aproximadamente 10 % do volume total de biodiesel produzido correspondem a glicerol. Devido
a isso, torna-se necessário a busca de alternativas para o uso do glicerol bruto gerado nesta
produção, com o intuito de evitar futuros problemas derivados do acúmulo de glicerol e para
tornar a produção de biodiesel mais competitiva. A glicerina possui diversos empregos, como
aplicação em industrias farmaceuticas, alimentícias e de cósmeticos, porém estas aplicações não
são suficientes para consumir toda glicerina gerada.

A produção de etanol e propeno são estudos recentes e de grande importância. Como o


etanol é um dos componentes para produção do biodiesel e glicerina, sua produção a partir da
glicerina, gera um reciclo, tornando essa produção bastante vantajosa.

Em relação ao propeno, que atualmente é produzido pela rota petroquímica, sua produção
a partir da glicerina além de gerar uma nova rota para o mesmo, pode acrescentar ao propeno um
selo verde que proporciona grande importância ambiental.

Contudo, acredita-se que a produção e a utilização destes novos produtos, além das outras
aplicações abordadas, possam diminuir a quantidade de glicerina ofertada no mercado e agregar
maior preço para a mesma.

2.1.4 Purificação do Biodiesel pelo Método de Via Húmida

A remoção dos contaminantes presentes no biodiesel usualmente é realizada pela sua lavagem
com água quente, devido à alta solubilidade destes contaminantes em água. Essa etapa de

21
lavagem tem como objetivo a remoção de substâncias alcalinas, glicerol e glicerídeos presentes
no biodiesel (Césare, Castilho, Beteta, Calle, & Léon, 2010; Vasques, 2010).

No processo de lavagem com água deionizada, água aquente é adicionada à mistura do


biodiesel bruto, com agitação lenta para evitar-se a formação de emulsões.

Em seguida, a mistura é deixada em repouso até obter-se boa separação de fases por
decantação, o que pode ocorrer em até 2 horas. As duas fases obtidas são separadas por funil de
separação. O processo é repetido até obter-se água de lavagem incolor, e os resíduos de água são
removidos do biodiesel, após a última repetição de lavagem, por evaporação (Cavallari, 2012).

O processo é simples, eficiente e barato, mas, por ser feito em várias etapas de lavagem, é
lento e gera grandes volumes de efluentes, contudo, produz danos ao meio ambiente, devido ao
alto conteúdo da demanda química de oxigênio (DQO), demanda biológica de oxigênio (DBO),
altos valores de pH e teor de sólidos (Césare et al., 2010). Este método funciona muito bem, no
entanto, as águas residuais tornam-se difícil e dispendioso para tratar o descarte (Leeruang,
Pengprecha, 2012).

Em alguns casos, as águas residuais são tratadas e descartadas sem qualquer outro tratamento,
resultando em perda de produtos e reagentes (Vasques, 2010). Isso é feito com grandes custos de
capital e operacionais que impactam os benefícios ambientais da utilização de biodiesel (Césare
et al., 2010).

A quantidade de água necessária para se efetuar uma lavagem, que resulte em boa separação,
também pode ser reduzida se não se formarem emulsões no processo (Cavallari, 2012) e em
todos os estudos, o biodiesel lavado atende às normas de qualidade especificadas, mas antes
precisa passar por uma etapa de secagem para remoção completa da água (Costa, 2010).

A utilização de matérias-primas refinadas e o emprego de quantidades moderadas de


catalisador na reação de transesterificação são cuidados geralmente tomados a fim de evitar-se a
presença de sabões na mistura do biodiesel a ser purificado (Atadashi, Aroua, & Aziz, 2010).
Ácidos podem ser adicionados à lavagem com água para neutralizar qualquer catalisador residual
e quebrar qualquer quantidade de sabão que tenha se formado durante a reação. Sabões reagirão
22
com o ácido para formar sais solúveis em água e ácidos graxos livres, de acordo com a seguinte
Reacção 7 (Knothe et al., 2006).

R – COONa + HAc → R – COOH + Na Ac

Sabão de sódio Ácido Ácido graxo Sal

Reacção 7 – Reacção de sabões com ácido.

Os sais serão removidos durante a etapa de lavagem aquosa e os ácidos graxos livres
permanecerão no Biodiesel. Contudo, a neutralização antes da lavagem aquosa reduz a
quantidade de água necessária para o processo e minimiza a tendência à formação de emulsão,
quando a água de lavagem é adicionada ao biodiesel (Knothe et al., 2006).

A grande desvantagem desse método pode ser contornada com a aplicação de métodos de
purificação por via seca, os quais não utilizam grandes volumes de água para lavar o biodiesel, e
estão sendo desenvolvidos e aplicados em menores escalas (Silva, Quadri, Costa, Dias, 2009).

O processo de purificação do biodiesel com água, foi efetuado, com sucessivas lavagens com
água destilada (85°C) e água acidificada (com HCl 1 M – 1:4, à 85°C) até obter a neutralização,
em funil de decantação. Posteriormente, separou-se o biodiesel da água. Os traços de água e
álcool no biodiesel foram eliminados com o processo de secagem a 100 °C, por volta de 1 hora.
As amostras foram então armazenadas para análises posteriores.

A purificação por via seca é um método alternativo para purificação do biodiesel, e apresenta
como vantagem o não uso da água consequentemente gerar menor quantidade de efluentes e
tornar mais rápido o processo, ter forte afinidade a compostos polares e facilidade de integrar
uma planta existente. Nesse sentido, a adsorção aparece como uma técnica promissora para a

23
adsorção dos contaminantes presentes no biodiesel (Manique, 2011). Para que o processo de
purificação seja eficiente, é necessário que o adsorvente utilizado tenha alta capacidade de
adsorção e elevada eficiência para a remoção das impurezas. Este deve também ser
economicamente viável (Manique, 2011).

CAPÍTULO 3: MATERIAIS E PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS

O trabalho experimental, foi desenvolvido no Laboratório da Empresa NCSJ SOLUTIONS –


CONSULTORIA E FORMAÇÃO, LDA., no período de dezembro de 2021 à janeiro de 2022,
numa carga horária de 8 horas por dia.

3.1. Processo de amostragem

A matéria prima foi obtida no Município de Kilamba Kiaxi, Luanda/ Golf 2, na empresa
MAFCOM,às 15h no dia 13/12/2021 num período compreendido entre as 14h e 16h., para a
coleta usou-se luvas para retirar a gordura do frango e colocou-se a gordura em sacos virgens,
conservou-se em uma arca e no dia seguinte transportou-se até o local de análise e armazenou-se
durante 1 dia.

3.2. Materiais, equipamentos e reagentes

Para a realização de todo trabalho experimental, foram utilizados materiais de uso comum no
laboratório de química, com os reagentes e equipamentos descritos na Tabela 2 e 3,
respectivamente.

Tabela 2: Reagentes utilizados no trabalho experimental.


Reagentes Fórmula molecular Massa Molar (g/mol) Pureza (%)
Ácido Acético Glacial CH3COOH 60 96
Água Destilada H2O 18 -
Clorofórmio CHCl3 119 99,99
Hidróxido de Potássio KOH 56 85
24
Hidróxido de Sódio NaOH 40 98,6
Iodeto de Potássio KI 167 99,5
Tiossulfato de Sódio Na2S2O3 158 99,5
Etanol C2H5OH 54 98
Fenoftaleína C20H14O4 318 PA
Ácido Clorídrico HCl 36,5 37

A Tabela 3 apresenta os equipamentos utilizados durante o trabalho experimental.

Tabela 3: Equipamentos utilizados no trabalho experimental.


Equipamentos Marca Modelo
Balança Analítica HC UTP - 313
Bomba de vácuo JOAN LAB VP – 30 mL
Estufa NAHITA 632 - Plus
Manta de aquecimento LAB. HEAT KM-M 250 mL
Manta de aquecimento JOAN LAB HM SC – 250 mL
Placas de aquecimento JENWAY 1000
Placas de aquecimento JOAN LAB HSC – 19T
Placas de aquecimento NAHITA 690 - 1

3.3. Tratamento da matéria-prima

Descongelou-se e separou-se a gordura da carne de frango. Após a separação a gordura foi


armazenada sob temperatura de congelação.

3.3.1. Extracção

Pesou-se em media 218 g de gordura e transferiu-se para um balão de fundo redondo de 500 mL.
Em seguida adicionou-se 100 mL de água destilada e levou-se à fervura numa placa de
aquecimento até total extracção do óleo. Desligou-se o sistema, deixou-se arrefecer e retirou-se a
gordura (a parte sólida) do balão. Transferiu-se a mistura para uma ampola de decantação e
deixou-se em repouso até separação total das fases. Separada as duas fases recolheu-se o óleo
num copo de precipitação.

25
3.3.2. Purificação

Filtrou-se o óleo obtido na extracção com funil de buchner, usando papel de filtro de porosidade
média. Transferiu-se o filtrado para um copo de precipitação de 500 mL e adicionou-se 100 mL
de água quente. Agitou-se a mistura por meio do agitador magnético durante 15 minutos e
transferiu-se para uma ampola de decantação, deixou-se em repouso até separação total das fases.
Decantou-se e recolheu-se o óleo purificado num erlenemyer de boca estreita e guardou-se ao
abrigo da luz para a reacção de transesterificação.

3.4. Preparação das soluções

Indicador fenolftaleína 1%: Pesou-se 1,0 g do indicador e dissolveu-se em álcool etílico


(C2H5OH). Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 100 mL e completou-se o
volume com álcool etílico. Armazenou-se a solução em frasco protegido da luz.

Solução de hidróxido de potássio 0,01 N: pesou-se 0,056 g de KOH e dissolveu-se em água


destilada. Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 100 ml e completou-se o volume
com água destilada.

Solução de tiossulfato de sódio 0,01 N: Pesou-se 0,158 g de Na2S2O3 (tiossulfato de sódio) e


dissolveu-se em água destilada. Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 100 mL e
completou-se o volume com água destilada.

Mistura de álcool etílico e éter (2:1): Transferiu-se 33,3 mL de éter etílico para um balão
volumétrico de 100 mL e completou-se o volume com álcool etílico.

Mistura de clorofórmio e ácido acético glacial (3:2): Transferiu-se 60 mL de clorofórmio


(CHCl3) para um balão volumétrico de 100 mL e completou-se o volume com ácido acético
glacial (CH3COOH).

26
3.5. Análise da qualidade do óleo

Para a análise da qualidade do óleo para efeitos de produção de biodiesel, determinou-se os


seguintes parâmetros: contaminação total, índice de peróxido e índice de saponificação.

3.6. Síntese do biodiesel

Pesou-se 10 g do óleo e transferiu-se para um erlenmeyer de 125 mL. Paralelamente, misturou-se


num copo de precipitação 0,15 g de hidróxido de sódio com 30 mL de etanol. Levou-se o óleo ao
aquecimento num intervalo de temperatura entre 45 – 50ºC em placa de aquecimento com
agitação magnética, como mostra a Figura 4.

Figura 4: Aquecimento do óleo em placa.

27
Transferiu-se a mistura catalítica (etanol + hidróxido de sódio) para o erlenmeyer contendo o óleo
aquecido e continuou-se a agitação e aquecimento num intervalo de temperatura entre 50 – 60°C
durante 50 minutos. Desligou-se a placa, deixou-se o frasco arrefecer e transferiu-se a mistura
para uma ampola de decantação. Deixou-se em repouso por cerca de 24 horas e verificou-se a
separação das duas fases, sendo que o biodiesel se encontrava na fase superior, por ser menos
denso que a água, conforme a Figura 5.

Figura 5: Produção do biodiesel após 24 horas de repouso.

A Figura 6 mostra o biodiesel após a separação das fases.

28
Figura 6: Biodiesel bruto.

3.6.1. Purificação do Biodiesel

Dos vários métodos de purificação do biodiesel, neste trabalho realizou-se a purificação química,
descrita a seguir. Transferiu-se para um frasco erlenmeyer em média 50 mL de biodiesel
Colocou-se o erlenmeyer numa placa de aquecimento com agitação magnética. Adicionou-se
uma quantidade de água destilada, equivalente um terço da quantidade de biodiesel existente no
copo e igual quantidade de ácido clorídrico 1,0 M e deixou-se em agitação num intervalo de
temperatura entre 60 a 70ºC durante cerca de 20 minutos. Transferiu-se a mistura para uma
ampola de decantação e deixar em repouso até separação total das fases, conforme a Figura 7.
Decantou-se e repetiu-se o processo de lavagem por 2 vezes e obteve-se o biodiesel purificado,
como mostra a Figura 8.

Figura 7 – Purificação
do biodiesel.

29
Figura 8: Biodiesel
purificado

3.7. Padrões de identidade


e qualidade do biodiesel

Para avaliar a qualidade do


biodiesel, foram feitos
alguns de identidade, nomeadamente: Índice de Acidez, Massa especifica e pH, cujos
procedimentos são descritos a seguir.

3.7.1. Determinação do índice de acidez

Pesou-se, para um erlenmeyer, 10,0 g de amostra. Adicionou-se 30 mL da mistura de éter etílico


(2:1) e adicionou-se 3 gotas de fenolftaleína. Titulou-se com a solução de hidróxido de potássio
0,01 N até mudança para a cor rósea. Em seguida, preparou-se paralelamente uma prova em
branco. Realizou-se o procedimento em triplicado e calculou-se o índice de acidez e o teor de
ácidos gordos por meio das seguintes fórmulas:

(Va−Vb)× M ×C
Índice de Acidez(mg KOH / g de óleo)=
m

3.7.2. Determinação da massa específica (Densidade)

30
Pesou-se numa balança analítica a massa do picnómetro vazio e registou-se (m1). Encheu-se o
picnómetro com água destilada,pesou-se e registou-se a massa (picnómetro + água destilada)
(m2). Repetiu-se o mesmo procedimento usando a amostra, e pesou-se e registrou-se a massa
(picnómetro + amostra) (m3). Calculou-se a densidade relativa do líquido a partir da seguinte
equação:

mamostra
ρamostra =
má gua

3.7.2. Determinação do pH

Lavou-se um copo de precipitação de 100 mL com detergente, passou-se água corrente 5 vezes,
enxaguou-se com água destilada 8 vezes e secou-se. Colocou-se 50 mL da amostra na proveta,
mediu-se a temperatura e anotou-se o valor. Inseriu-se uma tira do papel medidor de pH, esperou-
se 1 minuto, retirou-se a tira e comparou-se com o intervalo padrão de cores estabelecido para
cada valor de pH. Anotou-se o valor. Repetiu-se o procedimento 3 vezes.

CAPITULO 4: RESULTADOS, TRATAMENTO E DISCUSSÕES


31
4.1. Análise das extracções do óleo

A Tabela 4 apresenta os resultados obtidos das extracções do óleo da gordura realizadas bem
como a quantidade de gordura de frango utilizada durante a extracção, num total de 5 extracções.

Tabela 4: Resultados do processo de extracção do óleo.


N/O Massa da gordura (g) Volume de óleo obtido (mL) Rendimento (%)
1 100 25,1 CALCULAR
2 192 32,1 CALCULAR
3 200 52,0 CALCULAR
4 200 67,0 CALCULAR
5 400 124 CALCULAR
Médi 218 60,4 CALCULAR
a

REALIZAR AS DISCUSSÕES COM BASE NAS MÉDIAS DA MASSA, DO VOLUME E DO


RENDIMENTO.

4.2. Análise do óleo

Os resultados da análise do óleo encontram-se na Tabela 5.

Tabela 5: Parâmetros de qualidade analisados no óleo.


Parâmetros Resultados Unidade Valor de referência
Contaminação total 1,14 % -
Índice de peróxido 4,14 meq/kg <10
Índice de saponificação 38,08 mg KOH/g 3

Segundo o valor de referência da contaminação total estabelecido pelas normas da Agência


nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis ANP, que é 24 mg/kg, verificou-se que o valor
obtido 1140 mg/kg encontra-se muito acima, que indica que há uma quantidade de resíduos
insolúveis que ficaram retidos durante a filtração do biodiesel.
32
O índice de peróxido é também um importante indicador sobre o estado oxidativo tanto do óleo e
como do biodiesel. Em geral, valores abaixo de 10 meq/kg de peróxido no óleo indicam boa
estabilidade oxidativa e baixo nível de degradação do óleo. O índice de peróxido do óleo extraído
da gordura é de 390 meq/kg, valor este que é muito elevado em relação ao padrão o que indica
baixa estabilidade oxidativa e um elevado nível de degradação do óleo

A formação de sabões implica problemas químicos, que foram descritos acima, para além desses
problemas há ainda um problema técnico relacionado ao uso do biodiesel com alto teor de sabão:
danos nos motores devido à formação de depósitos e corrosão o que preocupa amantes de
automóveis e carentes de energia eléctrica. O valor de referência do índice de saponificação
estabelecida pela ANP, é 3 mg/kg, o índice de saponificação do nosso biodiesel é de 92,96
mg/kg, valor este que é muito elevado em relação ao padrão onde um alto nível de índice de
saponificação indica um refino mal feito. Pode indicar também um processo de deterioração do
óleo.

4.3. Análise do processo de transesterificação

A reação de transesterificação foi realizada com a proporção 1:3 (óleo e etanol). O volume de
biodiesel obtido bem como o encontram-se na tabela a seguir. A Tabela 6 apresenta os dados da
obtidos na análise do processo de transesterificação.

Tabela 6 – Dados da análise do processo de transesterificação.


Nº de reacções Massa do óleo (g) Volume de Biodiesel (mL) Rendimento (%)
1 10 29,1 CALCULAR
2 10 32,5 CALCULAR
3 15 39,8 CALCULAR
4 20 62 CALCULAR
5 15 43 CALCULAR
6 15 63 CALCULAR
7 15 47 CALCULAR
8 30 99 CALCULAR
33
9 20 45 CALCULAR
10 20 65,5 CALCULAR
11 170 526,25 CALCULAR
Média CALCULAR CALCULAR CALCULAR

4.4. Análise do processo de purificação

O método de via húmida foi realizada com a adição de uma quantidade de água destilada e de
ácido clorídrico 1,0 M equivalente um terço da quantidade de biodiesel que se pretendia purificar
deixando em agitação a uma temperatura de 60 a 70ºC durante cerca de 20 minutos. Método este
que foi repetido duas vezes, o volume de biodiesel bruto gasto, da solução de HCl, de água
destilada bem como o volume de biodiesel puro, encontram-se na tabela a seguir.

Tabela 7: Volumes gastos e obtidos na purificação do biodiesel.


Nº de Volume de biodiesel bruto Volume de biodiesel Rendimento
purificações (mL) puro (mL) (%)
1 45 7 15,5
2 60 8,5 14,2
3 50 11 22
4 45 9,5 21
5 60 12 20
6 45 10,5 23,3
7 60 9,5 15,8
8 45 8,9 19,7
9 45 10 22,2
Média 50,5 9,6 19

De acordo aos dados obtidos tivemos maior rendimento purificação nº 6 com 45Ml em que se
obteve um valor de 23,3 mas ainda assim considera-se que a purificação por este método
4.5. Análise da qualidade do biodiesel

Os resultados dos parâmetros da análise da qualidade do biodiesel encontram-se na seguinte


tabela:

34
Tabela 8: Resultados dos parâmetros.
Parâmetros Resultado Unidade Valor de referência
pH 4-5 - 8
Índice de acidez 7,4 mg/g *0,5
Impureza 0,7 % -
Índice de Peróxido 14,1 meq/kg <10
Índice de Saponificação 44,2 mg/g 3
Massa Específica 885 kg/m3 **850 – 900
*EN 14104; **EN ISO 3675

Segundo o pH deve ser 8 mas obteve-se como resultado do experimento um valor dentro do
intervalo de 4 – 5 o que pode ter sido ocasionado pelo metodo de purificação por via húmida
que baseou-se na adição de ácido o que influenciou na diminuição do valor de pH e
consequentemente um aumento do indice de acidez do mesmo.

A densidade elevada no Biodiesel. Esta propriedade afecta directamente a quantidade de


combustível, o “timing” de injecção e o padrão de spray injectado na câmara de combustão.
Assim sendo, afecta significativamente o sistema de injecção.

A escala de pH do biodiesel obtido é de 4 – 5. Porém, a exactidão dos resultados foi afe0ctada


pelos métodos utilizados.

Índice de peróxido é determinado pelo estado de oxidação dos óleos e gorduras pode também ser
definida como a rancidez ou deterioração oxidativa, que é a oxidação de insaturações dos
triglicerídeos pelo oxigênio atmosférico que promove o aparecimento de peróxidos

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CONCLUSÕES

Depois da feitura elaboração do trabalho concluiu se que o biodiesel pode ser obtido a partir da
gordura de frango, e a utilização de gordura como fonte para a produção de energia renovável,
como o biodiesel, parece então como uma excelente alternativa para solucionar problemas
energéticos e ambientais, a partir do processo de transesterificação na proporção óleo/álcool 1:3,
que apresentou-se como uma estequiometria viável para o aumento da eficiência do produto,
onde o biodiesel foi percentado com um rendimento de até 35,6% por cada 100g de gordura em
média, por conseguinte, purificou se o biodiesel, obtendo uma quantidade correspondente a 58.9
mL, afim de efetuar-se a análise dos padrões de identidade e qualidade, onde utilizou-se métodos
analíticos para determinação de contaminantes proveniente da matéria prima, do processo
produtivo, ou métodos analíticos para avaliação das propriedades inerentes à estrutura molecular.

Quanto aos métodos analíticos para avaliação do processo produtivo, determinou- se a


contaminação total, onde obteve-se 7000 um valor acima da média e que indica a presença de
triglicerideos e glicerina livre no biodiesel.
Quanto aos métodos analíticos para avaliação das propriedades inerentes as estruturas
moleculares determinou-se a densidade e o índice de acidez, onde para densidade obteve-se
0,9g/cm3 e para o índice de acidez obteve-se 31,21 mgKOH/g um valor acima da média,
consequentemente indica a presença de água no biodiesel, e que pode causar hidrólise no
mesmo , e resulta na proliferação dos ácidos graxos livres.

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Contudo, o controle controlo da avaliação dos parâmetros e especificações do biodiesel são de
suma importância, pois esses factores influenciam no desempenho e funcionamento dos motores,
bem como na comercialização do biodiesel, podendo assim afirmar que houve descontrole no
processo produtivo, e tornando o nosso biodiesel inapropriado para o uso nos motores.

RECOMENDAÇÕES

Após a feitura elaboração deste trabalho, cada membro fez uma retrospectiva sobre o tema, e
sugeriu-se as seguintes recomendações:

 Produzir biodiesel com as principais gorduras animais (sebo bovino, sebo suíno e aves),
para posteriormente ser feita uma comparação do biodiesel obtido por cada gordura;

 Para produção do biodiesel o processo de transesterificação é economicamente viável


quando comparado as outros processos como a esterificação e craqueamento;

 A recuperação do álcool, minimiza os gastos do composto durante o processo que utiliza


3 partes do ácool e uma parte do óleo;

 Teoricamente o metanol apresentaria mais vantagens na produção do biodiesel, assim


sendo sugirimos que ele seja utilizado nos futuros trabalhos;

 A temperatura dos equipamentos laboratoriais deve ser rigorosamente controlada para


evitar modificações na qualidade do produto final;

 A grande quantidade de glicerina obtida como co-produto, pode ser destinada a indústria
farmacéutica, cosméticos ou na produção de sabões como possíveis aplicações;

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 Dissertações sobre a purificação do biodiesel pelo método de via seca (adsorventes)
provaram consumir menos energia gerando um valor quase nulo de efluentes. Essas
vantagens fazem com que este método seja mais viável ambientalmente quando
comparado com o método de via húmida.

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GLOSSÁRIO

Ácidos graxos – são os lípidos mais conhecidos, deles derivam os óleos e as gorduras e eles são
derivados de hidrocarbonetos, são ácidos carboxílicos.

Álcoois – São composto que tem um ou mais grupo hidroxido (grupo funcionais OH) em cada
molécula.

Biocombustível – É o combustível de origem não fóssil que é produzido a partir de plantas,


animais e resíduos.

Emulsão – mistura entre dois líquidos imiscíveis em que um deles encontra-se na forma de finos
globulos no seio de outro líquido.

Ésteres – são compostos orgânicos oxigenados que são formados pela reação química entre
um ácido carboxílico e um álcool.

Esterificação – é uma reação química reversível entre um ácido carboxílico e um álcool,


produzindo éster e água.

Gorduras – são lípidos no estado sólido em temperatura ambiente, são produzidas por animais e
seus ácidos graxos são de cadeia saturada, ou seja, unidos por ligações simples.

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Lípidos – são moléculas orgânicas formadas a partir da associação entre ácidos graxos e álcool,
tais como óleos e gorduras.

Mistura azeotrópica – são aquelas que se comportam como uma substância pura durante o
processo de ebulição ou condensação.

Óleos – são lípidos no estado líquido em temperatura ambiente, fabricados por vegetais e seus
ácidos graxos possuem cadeia insaturada, ou seja, apresentam dupla ligação.

Triglicerídeos – são óleos e gorduras de origem animal e vegetal formados pela reação entre três
ácidos graxos e uma molécula de glicerina.

ANEXOS

Anexo 1 – Mistura Catalítica (etanol + hidróxido de sódio).

42
Anexo 2 – Determinação do índice de acidez.

Anexo 3 – Determinação do índice de peróxido

43
Anexo 3 – Destilação de refluxo.

Anexo 4 – Determinação do índice de saponificação (titulação).

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Common questions

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Na produção de biodiesel, a transesterificação de triglicerídeos gera o biodiesel e glicerina como subprodutos. A glicerina pode estabilizar a emulsão de biodiesel/glicerol, dificultando a separação e purificação do biodiesel . Como a glicerina é um co-produto, é importante gerenciar sua produtividade e uso para evitar desperdícios e aumentar a eficiência do processo .

Indicadores como o índice de acidez, densidade, contaminação total, e índice de saponificação são cruciais para garantir a qualidade do biodiesel . O índice de acidez reflete a presença de ácidos livres, que indicam degradação; a densidade influencia o volume de combustível necessários para uma determinada energia; a contaminação total mede impurezas sólidas, que podem causar falhas e obstrução em sistemas, e o índice de saponificação indica a capacidade de reação com bases, relevantes na transesterificação .

Ácidos graxos saturados predominam em gorduras e são sólidos à temperatura ambiente, enquanto ácidos graxos insaturados predominam em óleos, que são líquidos nessa condição . Essa diferença é devida ao número de ligações duplas nos ácidos graxos insaturados, que impede o empacotamento próximo das moléculas, resultando em um estado líquido .

A oxidação de biodiesel ocorre devido aos ésteres de ácidos graxos insaturados, levando à formação de produtos de degradação variados. A qualidade do biodiesel é afetada pelo período de indução da reação de oxidação, sendo que um estado avançado de oxidação compromete suas propriedades e usabilidade . A gestão adequada das condições de armazenamento, tal como evitar exposição ao oxigênio, é essencial para preservar a qualidade do combustível .

A transesterificação é predominante na produção de biodiesel devido à sua eficiência em converter triglicerídeos em biodiesel e glicerol, usando álcoois de cadeia curta e catalisadores homogêneos . Os álcoois comuns, como metanol e etanol, reagem bem em presença de catalisadores ácidos ou básicos, permitindo uma conversão completa dos óleos e gorduras em biodiesel, que é fundamental para a viabilidade econômica da produção .

As propriedades do biodiesel, como densidade, viscosidade e resistência à oxidação, dependem fortemente da composição dos ácidos graxos da matéria-prima. Óleos vegetais e gorduras animais têm diferentes proporções de ácidos graxos saturados e insaturados, que afetam a performance do biodiesel quanto à fluidez em baixas temperaturas e estabilidade oxidativa . A escolha criteriosa das matérias-primas, considerando a origem e composição, é crucial para otimizar a qualidade do biodiesel .

O uso de etanol, embora mais seguro e resultando em biodiesel mais renovável, enfrenta desafios como a formação de emulsões no meio reacional e dificuldade de recuperação, formando mistura azeotrópica com água . Além disso, o etanol é menos reativo e tem um custo de processamento mais alto comparado ao metanol, que é frequente devido à sua reatividade e baixo custo, mas apresenta riscos como toxicidade elevada .

Alto teor de sabão no biodiesel consome a base utilizada na catálise da transesterificação, prejudicando a eficiência do processo . Além disso, a presença de sabão estabiliza emulsões, dificultando a separação da fase de glicerol, e provoca danos em motores devido à formação de depósitos e corrosão, impactando negativamente a performance do biodiesel .

A viscosidade cinemática é crucial no biodiesel pois influencia a resistência ao escoamento do combustível. Valores de viscosidade próximos aos do diesel de petróleo garantem o funcionamento adequado dos sistemas de injeção, evitando problemas como entupimento e ineficiência na queima . A viscosidade também é um fator a ser controlado para evitar alterações que possam prejudicar seu uso como biocombustível ou lubrificante .

O índice de peróxido é um indicador do estado oxidativo do óleo, e gerenciá-lo ajuda a evitar degradação que compromete a qualidade do biodiesel. Enquanto o índice de saponificação reflete a capacidade do óleo de formar glicéridos não-saponificados, essencial para otimizar a eficiência na transesterificação. Monitorar e ajustar esses índices contribui para um biodiesel de alta qualidade e estabilidade .

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