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Funcionamento das Colhedoras de Grãos

O documento descreve o funcionamento das principais partes de uma colhedora de grãos, incluindo o mecanismo de corte, a esteira de alimentação, o mecanismo de trilha, e o mecanismo de limpeza e separação. Sensores podem ser instalados nestas partes para monitorar a colheita e reduzir perdas.
Direitos autorais
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Funcionamento das Colhedoras de Grãos

O documento descreve o funcionamento das principais partes de uma colhedora de grãos, incluindo o mecanismo de corte, a esteira de alimentação, o mecanismo de trilha, e o mecanismo de limpeza e separação. Sensores podem ser instalados nestas partes para monitorar a colheita e reduzir perdas.
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Programa Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão
na Colheita de Grãos
» Módulo 2: Como funcionam as colhedoras de
grãos

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 1


Ficha técnica
2015. Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás - SENAR/AR-GO

INFORMAÇÕES E CONTATO
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás - SENAR/AR-GO
Rua 87, nº 662, Ed. Faeg, 1º Andar: Setor Sul, Goiânia/GO, CEP: 74.093-300
(62) 3412-2700 / 3412-2701
E-mail: senar@[Link]
[Link]
[Link]

PROGRAMA AGRICULTURA DE PRECISÃO

PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


José Mário Schreiner

TITULARES DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


Daniel Klüppel Carrara, Alair Luiz dos Santos, Osvaldo Moreira Guimarães e
Tiago Freitas de Mendonça.

SUPLENTES DO CONSELHO ADMINISTRATIVO


Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Eleandro Borges da Silva,
Bruno Heuser Higino da Costa e Tiago de Castro Raynaud de Faria.

SUPERINTENDENTE
Eurípedes Bassamurfo da Costa

GESTORA
Rosilene Jaber Alves

COORDENAÇÃO
Fernando Couto de Araújo

IEA - INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS S/S


Conteudistas: Renato Adriane Alves Ruas e Juliana Lourenço Nunes Guimarães

TRATAMENTO DE LINGUAGEM E REVISÃO


IEA: Instituto de Estudos Avançados S/S

DIAGRAMAÇÃO E PROJETO GRÁFICO


IEA: Instituto de Estudos Avançados S/S
Módulo 2
» Como funcionam as colhedoras de grãos

Fonte: Case IH <[Link]

Você sabe dizer quais são as atividades realizadas por uma colhedora? Pois bem, as colhedoras
são máquinas responsáveis por:

• cortar;

• conduzir o material colhido para o interior da colhedora;

• separar a planta dos grãos;

• realizar a limpeza;

• posicionar o grão em um tanque graneleiro e ensacá-lo.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 3


Para tanto, ela é formada por vários mecanismos que realizam cada etapa de forma sincroniza-
da, e que são configurados de acordo com a característica morfológica de cada tipo de lavoura
a ser colhida. Atualmente, todos os mecanismos das colhedoras são passíveis de adaptação, ou
seja, é possível instalar sensores para monitorar o seu funcionamento e reduzir as perdas que,
em geral, acabam sendo elevadas. Assim, é muito importante dominar o conhecimento técnico
sobre o funcionamento da colhedora para que você possa identificar possíveis boas adaptações
para a Agricultura de Precisão.

Característica Morfológica

Do termo “morfologia”, que estuda as formas que


uma matéria pode tomar. Neste caso, se refere aos
diferentes portes de plantas, bem como a forma de
produção de grãos (espiga, vagem, panícula etc.).

Lembre-se de que para os momentos em que você não pode estar conectado à internet, dis-
ponibilizamos um arquivo com o conteúdo deste módulo. Mas atenção: você deve retornar ao
Ambiente de Estudos para realizar as atividades.

Siga em frente e bons estudos!

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 4


Aula 1
Sensores e mecanismos da colheita de grãos
A colheita mecanizada de grãos se destaca como uma importante operação para manter a qua-
lidade dos alimentos produzidos no campo. Entre as vantagens desta tecnologia, destacam-se:

• rápida retirada do produto a ser colhido do campo, evitando que ele fique exposto ao ataque
de pragas, doenças, plantas daninhas e intempéries, o que certamente reduziria a qualidade
dos grãos colhidos;

• liberação da área mais cedo para início de uma nova lavoura, permitindo o estabelecimento
de mais safras na mesma área por ano;

• rapidez na comercialização do produto final, o que assegura retorno financeiro mais rápido
para o produtor;

• menor custo de produção, uma vez que, comparativamente à colheita manual, a colheita me-
canizada possui uma eficiência muito superior, garantindo menor custo por hectare colhido.

Assim, os objetivos específicos desta aula são:

• reconhecer as vantagens dos sensores que equipam as colhedoras de grãos.; e

• visualizar as principais aplicações dos sensores nas colhedoras de grãos.

Tópico 1
Funcionamento de uma colhedora

A colheita mecanizada de grãos deve ser realizada adotando-se critérios técnicos para evitar
perdas e prejuízos ao produtor. Estima-se que para a colheita de grãos mecanizada, perdas na
faixa de 3 a 5% são aceitáveis. Mas, não raro, essas perdas podem ultrapassar cifras de 20%,
considerando-se apenas a operação realizada no campo.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 5


Se somarmos essas perdas àquelas que ocorrem no transporte, armaze-
namento e comercialização, estima-se que quase a metade dos alimentos
produzidos no mundo é desperdiçada. Este índice contribui para elevação
dos custos ao consumidor final, restringindo o acesso ao alimento às clas-
ses sociais economicamente menos favorecidas.

Diante desse cenário, o papel de produtores, engenheiros, técnicos e operadores responsáveis


pela realização da colheita adquire um caráter socioeconômico, devendo a colheita ser realizada
com o mínimo de perdas possíveis. Para tanto, os profissionais devem conhecer adequadamente
o funcionamento da máquina e estar atualizados quanto às novas tecnologias que estão dispo-
níveis para o aprimoramento da operação.

Dentre essas tecnologias, destacam-se aquelas desenvolvidas com os aprimoramentos propor-


cionados pela Agricultura de Precisão, que podem ser adotadas em diversas partes das colhe-
doras em geral.

O funcionamento de uma colhedora de cerais é bastante complexo e dinâmico, pois todos os


mecanismos constituintes da máquina operam em sintonia com o objetivo de entregar um grão
limpo, inteiro e, às vezes, ensacado. Em alguns desses mecanismos podem ser instalados senso-
res para desempenhar importantes funções no monitoramento da colheita.

Navegue pelo infográfico para explorar algumas partes da colhedora, e veja, nas abas logo
abaixo, detalhes sobre o funcionamento da máquina e também sobre sensores específicos
para cada função.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 6


Mecanismo Esteira de Mecanismo Mecanismo Elevador
de Corte e Alimentação de Trilha de limpeza e de grãos
alimentação separação

Fonte: <[Link]

O mecanismo de corte tem a função de cortar a planta sem deixar


o grão cair no solo. Para tal, as colhedoras são dotadas de plata-
formas de cortes com diferentes tipos de configuração, de acordo
com as características morfológicas da lavoura a ser colhida.

1. Mecanismo Em geral, essas plataformas são intercambiáveis, ou seja, uma


de corte mesma colhedora pode operar plataformas para diferentes cultu-
ras, como soja, milho, feijão, arroz e trigo.

Na colheita, as vagens (soja) ou espigas (milho) colhidas são di-


recionadas para o centro da plataforma por meio de uma rosca
sem-fim e depois enviadas para a esteira de alimentação.

O mecanismo de alimentação é constituído por uma esteira con-


2. Esteira de dutora ou rolo alimentador que conduz o material colhido para as
alimentação partes internas da colhedora. Em geral, é uma parte que gera pou-
cas perdas.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 7


O mecanismo de trilha é o “coração” da colhedora de grãos. Ele
tem a importante função de separar os grãos da parte da planta no
qual estão inseridos, realizando, portanto, a trilha ou debulha. Ele é
formado por cilindro de trilha, côncavo e batedor.

Primeiramente, a maior parte dos grãos soltos (80%) passa pelo


côncavo, uma estrutura perfurada que recobre o cilindro em uma
3. Menismo
angulação de aproximadamente 120°.
de trilha
Em seguida, os grãos são direcionados para a peneira inferior dos
mecanismos de separação e limpeza. O batedor tem a finalidade
de retirar o material trilhado do mecanismo de trilha e direcioná-lo
para a peneira superior do mecanismo de separação e limpeza. Ele
gira no mesmo sentido do cilindro de trilha, forçando a saída do
material do cilindro.

O mecanismo de limpeza é constituído por peneiras superiores


(inclinadas), inferiores (horizontais) e um ventilador. O ventilador
faz a limpeza basicamente empurrando a produção nas peneiras
superiores, de forma que o material mais leve (palhas) seja lança-
do pra fora da colhedora, enquanto o mais pesado (grãos ainda
presos a sabugos) é direcionado para as peneiras inferiores.

As peneiras inferiores têm abertura ajustável e fazem a limpeza


fina do material trilhado, permitindo a passagem de grãos even-
4. Mecanismo
tualmente ainda misturados com a palha. O ajuste dessa abertura
de limpeza e
constitui uma importante fonte de perdas, sendo necessário co-
separação
nhecer bem a morfologia do grão a ser colhido para ajustá-la ade-
quadamente.

No final desse mecanismo fica o picador de palha, constituído por


lâminas móveis que têm a função de triturar a palhada que sai da
colhedora e é depositada no solo. Isso traz várias vantagens para
o solo, pois o material se espalha de forma mais homogênea, pos-
sibilitando melhor cobertura da área, conservando a umidade e
dificultando o surgimento de plantas daninhas.

Ao passar pela peneira, os grãos limpos caem em uma espécie de


cocho contendo uma rosca sem-fim que direciona os grãos para
5. Elevador uma estrutura conhecida como elevador de canecos ou conchas. O
de grãos elevador é responsável por conduzir os grãos para o tanque gra-
neleiro ou para um tubo de saída direcionado para uma carreta
tracionada por um trator que se desloca em paralelo à colhedora.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 8


Mecanismo de corte

Plataformas utilizadas para colher soja, ar- Já as plataformas utilizadas para colher
roz e trigo, por exemplo, são dotadas de milho possuem um rolo espigador e uma
uma barra de corte que trabalha rente ao placa de bloqueio que operam em conjunto
solo, e de um molinete. para separar a espiga do corpo da planta.

Fonte: New Holland/[Link]/ Fonte: John Deere

Uma questão muito importante a ser observada quanto às plataformas de corte é a altura em
que elas cortam a planta, principalmente para culturas mais baixas, como a soja e o feijão.
Nesse caso, o uso de sensores adquire ainda mais importância porque possibilita também
monitorar as irregularidades que podem existir no solo, mantendo sempre a mesma distân-
cia para o corte das plantas. Uma variação na distância pode resultar em perdas se a plata-
forma cortar a planta em uma altura superior ao ponto de inserção da primeira vagem nas
lavouras de soja e de feijão.

Sensores podem ser utilizados para monitorar e ajustar automaticamente a velocidade de


rotação dos molinetes responsáveis pela condução da parte aérea das plantas até a barra
de corte. Velocidades muito elevadas podem empurrar a parte aérea das plantas, causando
tombamento e impedindo que a máquina as recolha.

Outra importante informação que deve ser obtida na plataforma de corte é a sua largura de
ataque, com a qual, juntamente com informações obtidas por sensores de velocidade, pode-
-se determinar uma distância percorrida e, assim, calcular a área colhida pela colhedora. A
área colhida será empregada posteriormente para cálculo da produtividade.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 9


Mecanismo de Trilha

O cilindro de trilha é formado por uma es-


trutura cilíndrica dotada de barras ou dentes
que impactam o material pressionando-o
contra o côncavo, realizando a trilha. Eles
podem se localizar paralelamente à máqui-
na ou perpendicularmente a ela, sendo de-
nominados cilindros axiais (de eixo) ou ra-
diais (de raio), respectivamente. Fonte: <[Link]
menuid=8&eid=7731>.

Dois fatores são fundamentais para o bom funcionamento do mecanismo de trilha: a veloci-
dade de rotação do cilindro e a abertura entre o cilindro e o côncavo.

A rotação deve ser ajustada de acordo com a umidade dos grãos no momento da colheita.
Grãos mais úmidos requerem maiores rotações para serem trilhados. Se a velocidade do ci-
lindro não for adequada para o grau de umidade em que os grãos se encontram, há perda de
grãos da lavoura. Nesse contexto, os sensores podem ser muito úteis para monitorar a umi-
dade dos grãos na trilha, e realizar o ajuste automático da rotação do cilindro. Eles podem ser
instalados no mecanismo de alimentação ou próximos à plataforma de corte.

Já a abertura existente entre o cilindro de trilha e o côncavo é ajustável de acordo com a


espécie vegetal colhida. Para o milho, ela deve ser compatível com o diâmetro das espigas
sob pena ou de aumentar as perdas por quebra caso o espaço seja reduzido, ou de não per-
correr a trilha, caso o espaço seja muito grande. Esse ajuste deve ser feito antes do início da
operação.

No caso da colheita da soja, os sensores podem detectar a quantidade de material que se


desloca pela esteira de alimentação e ajustar a abertura entre cilindro e côncavo para uma
trilha mais adequada.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 10


Mecanismo de Limpeza

O ventilador fica posicionado na parte de


baixo da peneira inferior e sopra a palha
para fora da colhedora. Entretanto, quan-
do mal regulado, o aparelho pode produzir
uma corrente de ar muito forte e desper-
diçar grãos limpos lançando-os para fora,
causando perdas na produção. O ventila-
dor, portanto, deve ser ajustado de acordo
com o fluxo de massa trilhado e com a den-
sidade dos grãos colhidos.

É possível instalar sensores na parte mais


Fonte: <[Link] alta da peneira, próximos da saída da má-
TecnologiaSementes/[Link]>. quina, a fim de monitorar essas perdas.

Separação/elevador de grãos

As colhedoras de grãos podem ter um tan- No tubo de elevação dos grãos limpos, as
que graneleiro próprio ou descarregar a colhedoras mais sofisticadas possuem um
produção simultaneamente em um veícu- importante sensor que é responsável pelo
lo-tanque que se locomove paralelamente. monitoramento da quantidade de mas-
sa de grãos que passa por ali. Essa infor-
mação é associada à informação da área
colhida, assim, pode-se calcular a produti-
vidade (kg ha-1) do local por onde a colhe-
dora se deslocou. Ao final, é possível gerar
um mapa de variabilidade da produtivida-
de da lavoura.

Fonte: <[Link]
-crop-yields-where-does-the-u-s-rank/>.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 11


Axiais

Algumas empresas estão investindo em colhedoras


com cilindros axiais duplos, pelo fato de permitirem
colher com velocidades mais elevadas e proporciona-
rem melhor trilhagem (já que o material permanece
em contato com o sistema de trilha por mais tempo).

Umidade

A umidade também pode variar de acordo com as


condições climáticas entre dias consecutivos ou ain-
da em um mesmo dia. É comum ocorrerem alterações
entre os turnos da manhã, quando há maior presença
de umidade, e à tarde, quando normalmente a umi-
dade do ar reduz.

Diâmetro das espigas

Com os grandes avanços de melhoria genética, atual-


mente as espigas têm tamanhos padronizados para
um mesmo cultivo, dispensando muitos ajustes para
a mesma lavoura.

Sensores

Estes sensores de perda de produção permitem ao


operador ajustar outros mecanismos da colhedora
de acordo com as informações coletadas, portanto,
contribuem com a qualidade da colheita de grãos
como um todo.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 12


Saiba Mais

Que tal visualizar uma animação com o funcionamento dos mecanismos internos de uma
colhedora de grãos? Dividimos por marca e modelo para você conhecer diferentes opções
de colhedora.

Massey Ferguson:
[Link] ou <[Link]

New Holland Claas Lexion 600:


[Link] ou <[Link]

New Holland Claas Lexion 780:


[Link] ou < [Link]

Portanto, as colhedoras dotadas de sensores para monitoramento dos seus mecanismos possi-
bilitam reduzir consideravelmente as perdas observadas nas colhedoras convencionais.

Os sensores são conectados a um monitor que apresenta ao operador todos os dados coleta-
dos, permitindo a tomada de decisão sobre ajustes necessários em outras partes da máquina.
Em sistemas mais sofisticados, esses ajustes são realizados automaticamente sem a intervenção
do operador.

Recapitulando
As colhedoras de grãos são constituídas por mecanismos complexos que atuam de forma sin-
cronizada. Os principais mecanismos existentes nelas são: mecanismo de corte, de alimentação,
de trilha, de separação e limpeza. O mecanismo de corte é formado por plataformas intercam-
biáveis que podem ser dotadas de sensores para monitorar a altura de corte e evitar as perdas.
O mecanismo de trilha é a parte mais importante da colhedora e necessita ser ajustado quanto
à velocidade de rotação e à abertura entre o cilindro e o côncavo. Essas informações podem ser
obtidas por sensores de umidade dos grãos e enviadas para ajustes do mecanismo de trilha. O
mecanismo de separação e limpeza pode ser dotado de sensores para monitoramento das per-
das e consequente ajuste nos demais mecanismos.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 13


Aula 2
Tipos de sensores mais utilizados nas colhedoras de grãos
Você já estudou que as colhedoras de grãos são máquinas passíveis de serem monitoradas em
diversas partes, tendo em vista principalmente a sua complexidade de funcionamento. Assim,
muitos modelos já saem de fábrica com diversos sensores embarcados. Mas pode acontecer
também de alguns desses sensores serem adaptados em máquinas já em utilização. Mas para
que isso ocorra da melhor forma possível, é bem importante que as máquinas estejam em bom
estado de conservação, sob pena de comprometer seu funcionamento geral.

De modo geral, apesar de existirem diversos sensores nas colhedoras, eles são utilizados para
monitorar a produtividade e evitar perdas, devendo ser ajustados para apresentarem dados con-
fiáveis.

Portanto, ao final desta aula, espera-se que você tenha alcançado os seguintes objetivos:

• reconhecer os principais sensores utilizados nas colhedoras de grãos; e

• identificar as formas de utilização dos sensores nas diferentes partes constituintes das colhe-
doras de grãos.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 14


Tópico 1
Visão geral de sensores

Tendo em vista as inúmeras vantagens oferecidas pelos avanços da Agricultura de Precisão na


operação de colheita de grãos, muito produtores têm optado por adquirir máquinas que já ve-
nham com um pacote completo de recursos informatizados para monitorar os mecanismos que
compõem a máquina.

De todo modo, o mercado também oferece diversos recursos que podem ser adaptados a colhe-
doras convencionais.

Fonte: Plantium <[Link]

Como já dito, é muito importante ressaltar a necessidade de a colhedora apresentar bom es-
tado de conservação para não comprometer o funcionamento geral de todo o sistema de
monitoramento.

Atualmente, tem-se observado que alguns produtores, empolgados com os diversos disposi-
tivos ofertados pela Agricultura de Precisão, realizam certas adaptações em suas máquinas e
acabam por comprometer seriamente a qualidade da operação. Para que isso não ocorra, toda
adaptação deve ser acompanhada por um técnico qualificado e experiente.

O princípio básico de funcionamento dos sensores se baseia na detecção da alteração na forma


de algum corpo, como acontece nas balanças ou na leitura da assinatura espectral de um objeto,
que é baseada na detecção das ondas eletromagnéticas emitidas por esse objeto.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 15


Os sensores podem ser classificados de duas formas:

É um sensor de contato direto entre as partes envolvidas, por


De contato
exemplo, uma placa que pesa a quantidade de grãos colhidos.

O segundo tipo é o sensor remoto, utilizado, quando não há con-


Remoto tato entre as partes envolvidas na medição. É o caso dos sensores
magnéticos.

A seguir serão descritas algumas características dos principais sensores utilizados nas colhedo-
ras de grãos.

Monitor de colheita

Seletor de
largura da
Sensor plataforma
de umidade

Sensor de
levante de
plataforma

Sensor
de velocidade

Sensor de
fluxo de massa
Sensor de
inclinação
(inclinômetro)

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 16


Fonte: adaptada de Shiratsuchi, 2004.

Tópico 2
Sensor de altura da plataforma de corte

Os sensores de altura têm a finalidade de copiar a superfície do solo, evitar impactos devidos aos
desníveis no terreno e proporcionar o corte da planta sempre a uma mesma altura. Eles podem
ser constituídos por sensores remotos que emitem sinais ultrassônicos em direção ao solo e, ao
receberem novamente essas ondas, detectam a variação na superfície do terreno e enviam uma
mensagem para os cilindros hidráulicos suspenderem ou abaixarem a plataforma.

Fonte: SLC Comercial/John Deere <[Link]

Outros tipos de sensores são utilizados diretamente em hastes que tocam e acompanham a su-
perfície do solo, fazendo um registro por contato direto.

Fonte: SLC Comercial/John Deere <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 17


A depender do tamanho da plataforma, ela pode ser equipada com vários sensores ao longo da
sua extensão. Nesse caso, a variação do perfil do solo pode afetar negativamente a colheita pela
variação da distância entre o molinete e a barra de corte.

Dessa forma, é importante que o equipamento, além de copiar a superfície do solo e ajustar a
altura em relação ao ponto de corte da planta, ajuste simultaneamente também a distância entre
o molinete e a barra de corte.

Saiba Mais

Os ajustes da barra de corte podem ser visualizados facilmente no comercial da parceria en-
tre as empresas GTS do Brasil e MacDon. Assista ao vídeo da plataforma colhedora FlexDra-
per: <[Link] ou <[Link]

Esses sensores também desempenham importante papel na elaboração de mapas de produtivi-


dade, pois toda vez que a plataforma é suspensa, interrompe-se a coleta de dados. Dessa forma,
quando a máquina estiver realizando manobras de cabeceira, não ocorre registro de dados.

É comum visualizar mapas que apresentam baixas produti-


vidades próximas a essas áreas. Muitas vezes, isso ocorre
pelo fato de o operador realizar a manobra com a platafor-
ma abaixada, o que é incorreto.

Fonte: Shiratsuchi, 2004

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 18


Algumas plataformas utilizadas em colhedoras de milho são dotadas de sensores que fazem a
leitura da posição das linhas de plantio e que mantêm a colhedora alinhada de acordo com esse
posicionamento.

Tópico 3
Sensores de detecção de metais e de velocidade

Os detectores de metais são importantes para a detecção de objetos metálicos que eventual-
mente sejam coletados pela plataforma de corte e passem pelo mecanismo de alimentação.
Caso esses objetos cheguem até o mecanismo de trilha, eles podem causar grandes estragos no
cilindro, no côncavo e no batedor, resultando em grandes prejuízos financeiros e em perda de
tempo na operação de colheita com a manutenção da máquina.

Eles são posicionados abaixo do mecanismo


de alimentação. No momento em que o ob-
jeto é detectado, a informação é processada
por uma central que aciona o sistema de tra-
vamento da alimentação. O sistema consiste
na existência de um sensor e de um ímã lo-
calizado acima e abaixo de partes inoxidá-
veis do mecanismo de alimentação.

Fonte: New Holland <[Link]


[Link]/ir/en/Products/Forage/
PullType/Pages/Metalert_III_System_and_
Croppro_Crop_Processor_details.aspx>.

Saiba Mais

Quando um objeto metálico passa entre o sensor e o imã, um sinal é enviado para um so-
lenoide que libera uma mola e trava o mecanismo de alimentação. Em geral, o intervalo de
tempo entre a detecção e o travamento dura menos de um segundo, evitando que o metal
entre na máquina.

Sobre os sensores utilizados para monitoramento da velocidade, eles também desempenham


importante papel na elaboração dos mapas de produtividade, pois registram a distância percor-
rida considerando-se a largura da plataforma de corte. Assim, pode-se determinar a área colhida
por unidade de tempo ou a capacidade operacional da colheita.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 19


Algumas colhedoras possuem sensores capazes de realizar medidas da largura útil da platafor-
ma de corte. De posse do valor da área colhida, pode-se realizar um melhor gerenciamento da
frota mecanizada na propriedade, uma vez que é possível estimar o tempo em que cada opera-
ção será realizada.

Sensores de velocidade tradicionalmente trabalham com tecnologias de três tipos – magnética,


por radar e por GNSS. Confira as características de cada uma delas.

Com os sensores magnéticos instalados no eixo da roda motriz,


mede-se a velocidade registrando o número de giros do eixo da
roda motriz na transmissão da colhedora. A velocidade de saída
do eixo da transmissão está relacionada com a rotação das rodas.
Sensores
Entretanto, esse método está sujeito a erros, devido ao problema
magnéticos no
de patinagem dos rodados. Nesse caso, o rodado gira sem propor-
eixo das rodas
cionar deslocamento pela perda de atrito com o solo, ainda assim,
motrizes
o sensor irá registrar pulsos “entendendo”, erroneamente, que a
colhedora está em deslocamento. Além disso, a deflexão do pneu
devido à carga que o depósito da colhedora vai recebendo, duran-
te a colheita, reduz o raio de rolamento das rodas motrizes.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 20


Os sensores magnéticos, também chamados de sensores de pul-
sos, são constituídos por magnetos instalados diretamente nos ro-
dados, e registram a velocidade por meio do pulso gerado quando
o magneto passa próximo ao sensor. Dessa forma, quanto maior
for o número de magnetos instalados na roda, maior será a quanti-
dade de pulsos gerada, consequentemente, maior será a acurácia
da medição da velocidade.

Recomenda-se que sejam instalados sensores nas duas rodas do


Sensores mesmo eixo para fins de compensação da diferença de velocidade
magnéticos quando o pulverizador realizar uma curva, momento em que a roda
instalados nos mais externa tende a se deslocar a uma maior velocidade pelo fato
rodados de ter que percorrer maior distância.

Fonte: Baio; Antuniassi, 2011.

Acurácia

Termo técnico usado para definir a proximidade en-


tre a medida apresentada pelo aparelho e o valor
verdadeiro da medição. Não raro, verifica-se certa
confusão entre os termos precisão e acurácia quan-
do se referem à agricultura de precisão, no entanto,
o termo acurácia, por ser conceituado de forma mais
completa, deve prevalecer na maioria das situações.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 21


Os radares ficam posicionados em direção ao solo e emitem on-
das eletromagnéticas de forma contínua e constante, semelhantes
às ondas de rádio, em direção ao solo. As ondas podem ser do
tipo micro-ondas ou ultrassônicas. Elas são refletidas e novamente
interceptadas pelos sensores do radar em uma frequência maior
em relação às frequências emitidas. A diferença entre a frequência
emitida e a refletida é convertida em sinais elétricos e decodifica-
da no radar como um valor de velocidade. Quanto maior a diferen-
ça, maior será a velocidade da colhedora.
Sensores de
radar

Fonte: <[Link]

A medição da velocidade empregando tecnologia de GNSS se ba-


seia nos mesmos princípios de determinação de posicionamento,
ou seja, o receptor mede o tempo em que o sinal percorre a dis-
Sensor com
tância entre o satélite e a antena da colhedora. Com esse dado,
tecnologia GNSS
calcula-se a distância entre a colhedora e cada satélite e, com a
distância e o tempo em cada posição, calcula-se a velocidade de
trabalho da colhedora.

Tópico 4
Sensores para medição do fluxo de grãos e do elevador

Os sensores para monitoramento do fluxo de grãos também são conhecidos como sensores
de produtividade pelo fato de monitorarem a massa de grãos que passa pelo elevador de cane-
cos. Eles podem ser de diferentes tipos, entretanto, a maioria é montada na trajetória do fluxo
de grãos limpos, sendo o local mais comum o topo do elevador das canecas de grãos limpos.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 22


Os tipos de sensores mais utilizados para esse fim são:

Os sensores volumétricos, tam-


bém chamados sensores óticos,
consistem em um emissor e num
receptor de raios infravermelhos
posicionados no elevador de cane-
Sensor
Volumétrico cos. A radiação gerada pela ener-
gia do sensor é captada por um
fotossensor e convertida em sinais
elétricos para estimar a taxa de flu-
Fonte de luz xo de volume de grãos presentes
Fonte: Moore, 1998. nos canecos do elevador.

Os sensores radiométricos pos-


suem uma fonte radioativa de
Americium 214 posicionada na
saída do elevador de canecos. No
lado oposto, existe um anteparo
Radiométrico que mede a radiação absorvida
pela massa de grãos e converte
esse valor para a quantidade de
grãos colhidos.
Fonte: Moore, 1998.

Os sensores de placa de impacto


são instalados no topo do eleva-
dor de canecos e registram da-
dos pela força com que a massa
de grãos é arremessada contra
Placas
uma placa metálica. Os impactos
de impacto
são transformados em sinais elé-
tricos e convertidos em quantida-
Fonte: Moore, 1998.
de de grãos colhidos em determi-
nada área por onde a máquina se
deslocou.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 23


Saiba Mais

Os sensores de impacto podem ser divididos em dois tipos: aqueles que medem a força
com um potenciômetro, e os que medem forças com células de cargas ou balanças. Assista
aos vídeos da New Holland e conheça o funcionamento de sensores de impacto e tipo ba-
lança ou célula de carga.

Vídeo 1 <[Link] ou <[Link]


Vídeo 2 <[Link] ou <[Link]

Já os sensores de velocidade do
elevador de grãos são utilizados
nas colhedoras que monitoram a
produtividade com sensores tipo placa
de impacto. Eles têm a finalidade
de apresentar informações sobre
a movimentação do elevador para
corrigir o sinal da produtividade.

Fonte: Senar, 2012.


Tópico 5
Sensores para monitorar inclinação do terreno, perdas e umidade dos grãos

Os sensores utilizados para monitorar a inclinação do terreno são importantes para evitar
maiores erros no monitoramento da quantidade de grãos colhidos. Também proporcionam uma
compensação da movimentação que ocorre no fluxo de massa no interior da colhedora em fun-
ção dos desníveis do terreno. Nesse caso, eles ajustam a velocidade do ventilador de acordo
com o ângulo de inclinação do terreno, compensando a força necessária para separar o grão da
palha.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 24


Fonte: Senar, 2012.

Quando os grãos são armazenados no tanque graneleiro, câmeras de vídeos podem auxiliar o
operador no monitoramento da quantidade de produto armazenado. Essa informação também
pode ser apresentada na forma de uma barra de luzes no monitor de colheita.

Saiba Mais

No link a seguir você poderá visualizar uma animação de atuação do sensor de inclinação
de uma máquina New Holland.

<[Link] ou <[Link]

O sensor utilizado para determinar a


umidade dos grãos é geralmente co-
locado no sistema de transporte dos
grãos, dentro do elevador de canecas
de grãos limpos, próximo ao sensor
que mede o fluxo de massa. Em algu-
mas máquinas, também pode ser ins-
talado próximo ao picador de palha.
O sensor do tipo capacitância é o mais
comumente usado para medir o teor de
umidade dos grãos. Quanto maior seu
teor de umidade, maior é a constante
Fonte: Senar, 2012. dielétrica.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 25


Constante dielétrica

Relativa à isolabilidade do material, ou seja, à capa-


cidade de impedir a passagem de corrente elétrica.

À medida que a colhedora se desloca, ocorre o registro pontual da umidade da lavoura e o


local é georreferenciado de acordo com intervalos de tempo predeterminados. Essa informa-
ção é muito importante para realizar ajustes na velocidade de rotação do cilindro de trilha. Em
geral, a presença de maior umidade requer maior energia, ou rotação do cilindro, para que
os grãos se desprendam do sabugo (no caso da colheita de milho), ou da vagem (no caso da
colheita da soja).

A presença de menores teores de umidade faz com que os grãos sejam mais facilmente trilha-
dos, podendo-se reduzir a rotação do cilindro. Esse ajuste é muito importante para proporcionar
uma boa trilhagem do material e evitar a quebra dos grãos.

Quanto aos sensores de perdas, eles são instalados na parte mais alta das peneiras superiores
do mecanismo de separação e limpeza, e permitem ao operador avaliar a necessidade de ajustes
em algum dos mecanismos da colhedora. Eles emitem ondas eletromagnéticas em direção à
palhada, possibilitando detectar a presença eventual de grãos.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 26


Perda de Grãos
O indicador de perda de grãos LH 765 é um siste-
ma fácil de usar que indica a perda de grãos das
peneiras inferiores e do saca-palhas, em dois
indicadores grandes e fáceis de visualizar.

+
-

Saiba Mais

Fonte: <[Link]
No site da Kafmotores você encontra um simulador de monitoramento de perdas em uma
colhedora de grãos. Acesse!
<[Link] ou <[Link]

Já no site da Lohr você encontrará uma série de tipos de sensores utilizados em colhedoras
e também em outras aplicações na agricultura. Confira!

<[Link]
cola> ou <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 27


Recapitulando
Nesta aula, você pôde verificar que as colhedoras são monitoradas por diversos sensores exis-
tentes em seus mecanismos. Dentre os principais sensores, temos: o sensor de altura utilizado
na plataforma de corte, o sensor de metais utilizado no mecanismo de alimentação, o sensor de
fluxo ou de produtividade instalado no elevador de canecos, o sensor de velocidade, o sensor de
velocidade do elevador de canecos e o sensor de perdas instalado na saída das peneiras supe-
riores. De modo geral, todos eles operam de forma sincronizada e são capazes de se comunicar
entre si e realizar ajustes de forma automática.

Aula 3
Configurações dos sensores utilizados nas colhedoras de grãos
A configuração dos sensores utilizados nas colhedoras deve ser feita com base em critérios téc-
nicos relacionados aos conhecimentos agronômicos sobre a cultura e sobre o próprio monitor
de colheita.

É através do monitor que são realizadas todas as ações para ajustes dos sensores, e cada fabri-
cante estabelece uma rotina de procedimentos distinta. Desta forma, o operador deve ler aten-
tamente o manual e solicitar treinamento adequado para uso correto do equipamento.

Dessa forma, espera-se que ao final da aula você esteja apto a:

• executar procedimentos de configuração dos sensores utilizados em colhedoras de grãos; e

• regular os mecanismos da colhedora de grãos de acordo com os sensores existentes


na máquina.

Tópico 1
Importância da configuração

Como temos visto ao longo das aulas, as colhedoras de grãos têm um papel muito relevante para o
ciclo da Agricultura de Precisão, pois verificam a variabilidade da produtividade das lavouras. Des-
sa forma, de posse das manchas de maiores e menores produções na área, é possível tomar uma

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 28


série de decisões sobre o manejo localizado da lavoura (lembrando que essa informação sempre
deve ser associada a outros mapas para que a tomada de decisão seja mais confiável e segura).

Em alguns casos, os produtores iniciam o processo de Agricultura de Precisão pelo mapa de va-
riabilidade da produtividade, que é indicativo da variabilidade da fertilidade da área, auxiliando
no planejamento dos pontos de amostragem do solo.

Assim, é possível reduzir gastos pela otimização no uso dos recursos de produção, uma vez que
áreas mais férteis e mais produtivas receberão menos insumos, que serão destinados àquelas
áreas com menor fertilidade.

Por ser uma máquina complexa e de funcionamento dinâmico, a possibilidade do uso de siste-
mas de sensoriamento nos mecanismos da colhedora é grande.

Relembrando

Por que o sensoriamento é importante?

Para evitar perdas e gerar mapas de variabilidade da produtividade, propiciando o gerencia-


mento localizado.

Para as colhedoras que tiveram os sensores instalados posteriormente à compra, a configura-


ção deve ser condizente com o modelo da máquina. Esse fator é muito importante, pois muitas
colhedoras antigas em operação foram inicialmente projetadas para trabalhar em lavouras de
produtividades inferiores às produtividades observadas atualmente. Dessa forma, não se pode
exigir que elas operem a velocidades mais altas, sob pena de causarem elevadas perdas.

As máquinas fabricadas há mais de 20 anos eram feitas para atender a


uma produtividade de milho na casa de 60-70 sacos/ha. Hoje, a produti-
vidade dobrou, e as máquinas modernas precisam colher acima de 150
sacos/ha. Por isso, a velocidade de trabalho e sua regulagem devem ser
diferenciadas.

Em geral, as informações coletadas pelos sensores mais sofisticados são confiáveis quando con-
figurados corretamente. Entretanto, o processo de utilização dessa informação passa pela apre-
sentação visual dos dados, que pode ser ajustada para diferentes formas de apresentação, sejam
elas mapas ou gráficos.

Para configurar adequadamente os sensores, deve-se ter conhecimento agronômico para com-
preender os dados apresentados, além de ter o domínio dos procedimentos requeridos pelo

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 29


modelo de monitor disponível. É importante que técnicas confiáveis sejam adotadas para não
haver distorções nas informações coletadas.

Como é o monitor desses sensores?

O monitor é uma central localizada na cabine que “entende” as informações geradas pelos
sensores, e permite controlar todas as ações necessárias para o correto funcionamento dos
mecanismos que compõem a colhedora. É através dele que se realiza a configuração de to-
dos os sensores da máquina.

Como se dá a correta configuração do sistema?

A correta configuração do sistema de monitoramento pelo monitor visa eliminar ou reduzir


alguns erros comumente conhecidos durante a operação de colheita, dentre eles, podemos
citar: erros referentes a posicionamento, causados por falhas no receptor GNSS; erros por
falha do operador ao abaixar a plataforma fora da área de colheita com o monitor ligado; a
coleta de dados em pontos com produtividade e umidade nula; e a coleta de dados em locais
que apresentem grandes distorções nos valores observados.

Como se registram os dados?

Os monitores possuem entradas para inserção de cartões de memória ou pen-drive a fim de


registrar os dados coletados visando à geração dos mapas de produtividade. Cada tipo de
monitor possui uma estrutura de hardware e software para gravação dos dados. Atualmente,
os monitores mais sofisticados se comunicam com antenas instaladas em pontos estratégi-
cos da propriedade que retransmitem os dados coletados em tempo real para o escritório,
um sistema conhecido como telemetria.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 30


Esses erros, quando não corrigidos, podem gerar mapas com dados de pro-
dutividade com variação de até 20%, o que certamente compromete a qua-
lidade da tomada de decisão no gerenciamento do manejo localizado.

Tópico 2
Configuração de tempo de retardo

Um dado importante de ser analisado para configuração do sistema de monitoramento da co-


lheita de grãos é o tempo de retardo. Mas o que é isso?

Tempo de retardo

Trata-se do intervalo entre o instante que a máqui-


na começa a colher até o instante em que está fun-
cionando em plenitude, ou seja, quando estabiliza
o fluxo de massa colhida que passa pelo sensor de
produtividade.

Esse dado deve ser inserido no monitor de colheita de modo que o registro inicial de dados se
inicie apenas após o tempo de retardo. Esse procedimento tem por finalidade evitar registros de
produtividade errôneos, pois quando a colhedora começa a colher, o fluxo de grãos que passa
pelo sensor ainda não se estabilizou. Esperar determinado intervalo de tempo até a estabili-
zação é necessário porque o fluxo precisa fazer todo o percurso da plataforma de corte até o
elevador de canecos, local onde o sensor está instalado. Caso contrário, pode gerar muitas dis-
crepâncias nos valores gerais da área.

Discrepâncias

Diferenças, erros.

O tempo de retardo varia conforme os seguintes critérios:

Velocidade de trabalho

Quanto maior a velocidade, menor o tempo de retardo e vice-versa.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 31


Características da lavoura

Lavouras com maior produtividade e mais uniformes têm menor tempo de retardo em rela-
ção àquelas com menor produtividade e desuniformes. Em geral, as colhedoras necessitam
se deslocar a uma distância de 20 a 40 m para estabilizar o fluxo de grãos limpos colhidos,
sendo que o tempo de retardo pode variar de 20 a 30 segundos.

Fonte: Senar, 2012.

Durante a operação, é importante o operador estar atento a possíveis fatores que podem inter-
ferir nos dados coletados, como:

• reboleira de plantas daninhas;

• manchas causadas pelo ataque de pragas ou doenças, ou então presença de pedras;

• tocos;

• formigueiros;

• falhas no plantio;

• buracos etc.
Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 32
Essas informações devem ser inseridas na tela do monitor, e o local precisa ser georreferen-
ciado, visando a uma análise mais detalhada das manchas de produtividade encontradas nos
mapas de variabilidade.

Saiba Mais

Vale destacar que não existe uma rotina de procedimentos padronizados para configurar os
monitores de colheita. Essa rotina dependerá do modelo e do fabricante do equipamento,
por isso, é muito importante realizar uma leitura atenta do manual e sempre solicitar uma
entrega técnica do revendedor. Nessa entrega, serão explicados, no local onde o equipa-
mento será utilizado, todos os detalhes e especificações sobre o funcionamento do monitor.

A seguir, estão descritos os principais procedimentos e informações que devem ser inseridas nos
monitores de colheita visando à configuração do sistema de monitoramento durante o processo
de colheita.

Tópico 3
Exemplo prático de configuração

Nesta aula, tomaremos como exemplo o monitor de colheita Harvest Doc GreenStar fabricado
pela John Deere.

A tela de configuração (setup) do monitor apresenta as informações iniciais de configuração.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 33


SETUP PAGE 1

Tracking A

Harvest Doc B

KeyCard C

Antena StarFire D

Mon. rendimento E

Config. do sistema F

¨ para usar
Aperte n
G
o monitor

1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Rastreio (Tracking)
Essa opção está relacionada ao monitoramento da máquina de acordo com o seu deslocamento,
e necessita de programação específica para o tipo de cartão de memória utilizado.

Harvest Doc
Apresentação dos dados da colheita. Permite ajustar configurações da plataforma, de rendimen-
to e umidade.
A partir daqui detalharemos as funcionalidades do monitor de colheita.

Keycard
Trata da configuração do software do cartão utilizado.

Antena StarFire
Trata da configuração de comunicação com a antena de receptores de sinais GNSS.

Monitoramento de rendimento (yield mapping)

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 34


Permite configurar as formas de coleta de dados para a elaboração dos mapas de produtividade.

Configuração do sistema
Permite que o usuário realize a configuração da apresentação das informações na tela, por exem-
plo, é possível selecionar o código do país, o idioma, a unidade de medida (inglesa ou métrica), a
data, a hora e o formato numérico desejado pelo operador. Cada uma dessas configurações pode
ser ajustada em grupo (utilizando o código do país) ou individualmente.

O monitor de colheita é configurado a partir do caminho SETUP – HARVEST DOC – PAGE 1 e em


seguida SETUP >> HARVEST MONITOR.

Na sequência, acompanhe como realizar as configurações iniciais, a da plataforma, a de rendi-


mento e de umidade.

SETUP Harv Mon PAGE 1 Configurações iniciais


Em geral, os monitores oferecem a opção e a criação de um
Fazenda: Conf. no Harvest Doc
A
Campo: Conf. no Harvest Doc
Cultura: Conf. no Harvest Doc B novo trabalho antes do início de uma nova jornada, possibili-
Tipo de Plataforma: tando a caracterização dessa atividade. Nesse momento,
podem ser inseridas informações como nomes do operador,
C
Plataforma

do trabalho e da fazenda, identificação do talhão e da cultura,


Calibração Rendimento
D

Umidade
E tipo de operação e largura da plataforma. O monitor Harvest
Alt. Parada Armaz. Doc GreenStar permite que o operador configure os seguintes
Salv. F
50.0%
itens: cliente, fazenda, campo, tarefa, operação, operador, má-
SETUP
Configuração
G
quina, plataforma, largura e novos limites.

1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 35


SETUP Harv Mon PAGE 1 Configurações iniciais
Cliente: Demo A Caso o novo trabalho seja idêntico a algum trabalho que já
Fazenda: JDOffice Sample
Campo: West Field B tenha sido salvo na memória do monitor, basta acessá-lo e rei-
niciá-lo. Assim, as configurações iniciais são importantes para
Tarefa: Corn Harvest

a caracterização do trabalho a ser realizado.


C
Operações

Oper: John Deere D


Maq: JD 9650 STS
Plat: JD 893 E Para acessar a tela onde será realizada essa configuração,
clique em SETUP – HARVEST DOC – PAGE 1 e pressione
Larg: 6,5 m)

Novo Limite F
SETUP >> HARVEST DOC.
SETUP
Setup G

1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 36


SETUP Tipo de Plataforma Configuração da plataforma
Tipo de Plataforma A Para configurar a plataforma de corte, acesse a tela CONFIGU-
PLATAFORMA
B RAÇÃO – PLATAFORMA e pressione SETUP >> HARVEST
MONITOR >> TIPO DE PLATAFORMA.
Largura Plat.
(ft)
21
C
Alteração Larg. 5
(ft)
D
É preciso certificar-se quanto ao tipo de plataforma correto ao
E alterar a seleção de uma para outra. A seleção da plataforma
errada resultará em informações imprecisas. Quando se tratar
F
SETUP
de uma cultura de milho, nessa tela devem ser inseridos os
Harvest Mon G
valores do número de linhas. Nas culturas de soja, arroz, trigo
ou feijão, insere-se o valor de largura da plataforma.
1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 37


SETUP Tipo de Plataforma Configuração da plataforma
Tipo de Plataforma: A Uma eventual, porém necessária configuração durante a ope-
PLATAFORMA DE MILHO

Largura Plat. B ração de colheita é a da largura da plataforma de corte. Consi-


8
(Linhas)
derando-se que a produtividade é expressa em massa de pro-
Espaç. entre Linhas
duto colhido por unidade de área, a largura da plataforma
C
(in) 30
Alteração Larg.
(Linhas)
1 D
influencia diretamente na determinação desse valor, pois a
E área colhida é calculada pela distância percorrida, dada pela
velocidade multiplicada pela largura da plataforma. Dessa
F
forma, se for inserido no monitor o valor da largura total da pla-
SETUP
Harvest Mon
G
taforma e, se por acaso, ela colher apenas a metade (o que
pode acontecer no caso de bordadura) o sistema registrará que
1 2 3
a produtividade caiu pela metade.
PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 38


SETUP Calib. Rendimento Configuração do sensor de rendimento
Fluxo de Massa
A Para configurar o sensor de rendimento deve-se acessar a tela
Modo de PADRÄO
B SETUP – CALIBRAÇÃO DE RENDIMENTO e pressionar SETUP
>> HARVEST MONITOR >> CALIBRAÇÃO DE RENDIMENTO.
Calib: Flux Baixo
Calib. Rendimento
A configuração do sensor de rendimento deve ser feita durante
5
Start C
Parada
Peso
Colhido (kg): 35
D
a calibração e devem ser adotados procedimentos específicos
Balança
Peso (kg): 0 E para cada tipo de cultura a ser colhida. Os procedimentos de
Fator de calibração serão descritos em maiores detalhes nas próximas
700 F
aulas. Nessa tela, também se realiza a definição das unidades
Calibração:
SETUP
Harvest Mon G
que serão apresentadas nos mapas e relatórios.

1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 39


SETUP Umidade Configuração do sensor de umidade
Umidade A Para configurar o sensor de rendimento deve-se acessar a tela
Fixa (%) 14.0
Alarme de Umidade: B SETUP – CALIBRAÇÃO DE RENDIMENTO e pressionar SETUP
LIGADO >> HARVEST MONITOR >> CALIBRAÇÃO DE RENDIMENTO.
A configuração do sensor de rendimento deve ser feita durante
C
Curva de Umidade

Moisture
Calibration
D
a calibração e devem ser adotados procedimentos específicos
E para cada tipo de cultura a ser colhida. Os procedimentos de
calibração serão descritos em maiores detalhes nas próximas
F
SETUP aulas. Nessa tela, também se realiza a definição das unidades
que serão apresentadas nos mapas e relatórios.
Harvest Mon G

1 2 3 PAGE

4 5 6 SETUP

7 8 9 INFO

. 0 CLR
RUN

Fonte: <[Link]

Ao encerrar as atividades, deve-se atentar para os procedimentos de finalização da tarefa reco-


mendados para o modelo de monitor utilizado, e para a gravação deles nos cartões de memória
ou em um pen-drive. Esse procedimento possibilitará a retomada do trabalho inacabado ou a
construção dos mapas de colheita.

Deve-se também aguardar os procedimentos de fechamento do programa antes de desligar o


computador de bordo para evitar a perda de dados.

Recapitulando
Nesta aula, você teve a oportunidade de ver que a configuração dos sensores existentes nas
colhedoras é realizada nos monitores localizados na cabine, e que os sensores devem ser utiliza-
dos por mão de obra qualificada. Dentre as principais configurações a serem realizadas, pode-se
citar: configuração da plataforma de corte, sensor de rendimento ou de produtividade e sensor
de umidade. Deve-se levar em consideração o tempo de retardo para que não se inicie a coleta
de dados antes da estabilização da passagem dos grãos limpos pelo sensor de produtividade. O
procedimento de configuração varia entre os diferentes modelos e fabricantes. Para esclarecer
eventuais dúvidas, deve-se sempre consultar o manual.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 40


Atividade de aprendizagem
Você chegou ao final do Módulo 2 do Curso Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos.
A seguir, você realizará algumas atividades relacionadas ao conteúdo estudado neste módulo.
Lembre-se que as repostas devem ser registradas no Ambiente de Estudos, onde você também
terá um feedback, ou seja, uma explicação para cada questão.

1. Considerando as vantagens proporcionadas pelo uso de sensores nas colhedoras de cerais


apresentadas nesta aula, considere a alternativa correta.

a) As colhedoras de cerais são máquinas que realizam a colheita em etapas separadas neces-
sitando entrar na área diversas vezes.

b) O mecanismo de corte é dotado de sensores para ajuste da abertura das peneiras.

c) O mecanismo de trilha é a parte mais importante da colhedora de grãos e é responsável


pela debulha do material.

d) Os sensores instalados no mecanismo de alimentação permitem a quantificação das per-


das na colheita de grãos.

2. Considerando os sensores existentes nas colhedoras apresentados nesta aula, assinale a


alternativa correta:

a) Os sensores são instalados nas colhedoras apenas quando elas estão em fase de monta-
gem na fábrica.

b) Os sensores para monitoramento da altura são do tipo capacitância e avaliam as perdas


que ocorrem durante a colheita.

c) Os sensores para detecção de metais são instalados na parte mais alta das peneiras supe-
riores do mecanismo de separação e limpeza.

d) Os sensores de fluxo de massa realizam o monitoramento da produtividade e são instala-


dos no elevador de canecos.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 41


3. Considerando os procedimentos de configuração dos sensores existentes nas colhedoras,
assinale a alternativa correta.

a) A configuração dos sensores existentes nas colhedoras é feita automaticamente durante


a sua instalação.

b) A plataforma de corte deve ser configurada sempre após o término da operação.

c) O tempo de retardo é inserido no monitor de colheita, e representa o tempo entre o início


da colheita e a estabilização do fluxo de grãos limpos.

d) A configuração do sensor de umidade é importante devido ao teor de água acumulada no


interior da máquina.

Agricultura de Precisão na Colheita de Grãos » 42

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