0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações50 páginas

Segurança do Trabalho na Construção Civil

Introdução ao setor da construção civil............................................. 10 Definição, características e função da construção civil.......................................10 A indústria brasileira da construção................................................................................... 14 O que a indústria da construção reserva........................................................................ 16 Segurança do trabalho na construção civil...................................... 21 Segurança do trabalho................................................................................................................. 21 Alguns documentos legais.......................................................................................................28 Atestado de saúde ocupacional – ASO........................................................28 Comunicado de acidente do trabalho – CAT...........................................28 Programa de cont

Enviado por

raidalys garcia
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações50 páginas

Segurança do Trabalho na Construção Civil

Introdução ao setor da construção civil............................................. 10 Definição, características e função da construção civil.......................................10 A indústria brasileira da construção................................................................................... 14 O que a indústria da construção reserva........................................................................ 16 Segurança do trabalho na construção civil...................................... 21 Segurança do trabalho................................................................................................................. 21 Alguns documentos legais.......................................................................................................28 Atestado de saúde ocupacional – ASO........................................................28 Comunicado de acidente do trabalho – CAT...........................................28 Programa de cont

Enviado por

raidalys garcia
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Segurança do

Trabalho na
Construção Civil –
NR-18
Unidade I
Fundamentos da segurança
na construção civil
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
GISELLY SANTOS MENDES
AUTORIA
Giselly Santos Mendes
Olá. Sou mestra em Qualidade Ambiental, tecnóloga em Polímeros
e administradora, com experiência de mais de 12 anos na área de
Processos Gerenciais. Atualmente, atuo como docente de nível técnico
e tecnológico em instituições de ensino privado. Sou apaixonada pelo
que faço e adoro compartilhar minha experiência de vida e profissional
àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes.
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e
trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:

OBJETIVO: DEFINIÇÃO:
para o início do houver necessidade
desenvolvimento de apresentar um
de uma nova novo conceito;
competência;
NOTA: IMPORTANTE:
quando necessárias as observações
observações ou escritas tiveram que
complementações ser priorizadas para
para o seu você;
conhecimento;
EXPLICANDO VOCÊ SABIA?
MELHOR: curiosidades e
algo precisa ser indagações lúdicas
melhor explicado ou sobre o tema em
detalhado; estudo, se forem
necessárias;
SAIBA MAIS: REFLITA:
textos, referências se houver a
bibliográficas necessidade de
e links para chamar a atenção
aprofundamento do sobre algo a ser
seu conhecimento; refletido ou discutido;
ACESSE: RESUMINDO:
se for preciso acessar quando for preciso
um ou mais sites fazer um resumo
para fazer download, acumulativo das
assistir vídeos, ler últimas abordagens;
textos, ouvir podcast;
ATIVIDADES: TESTANDO:
quando alguma quando uma
atividade de competência for
autoaprendizagem concluída e questões
for aplicada; forem explicadas;
SUMÁRIO
Introdução ao setor da construção civil............................................. 10
Definição, características e função da construção civil.......................................10

A indústria brasileira da construção................................................................................... 14

O que a indústria da construção reserva........................................................................ 16

Segurança do trabalho na construção civil...................................... 21


Segurança do trabalho................................................................................................................. 21

Alguns documentos legais.......................................................................................................28

Atestado de saúde ocupacional – ASO........................................................28

Comunicado de acidente do trabalho – CAT...........................................28

Programa de controle médico de saúde ocupacional......................29

Mão de obra da construção civil, riscos e doenças


ocupacionais..................................................................................................30
Perfil dos trabalhadores da construção.......................................................................... 30

Risco e doença ocupacional da construção civil.....................................................32

Acidentes de trabalho e normas regulamentadoras.................... 37


Definição do acidente de trabalho e relevância na construção civil.........37

Tipos de acidente de trabalho........................................................................... 38

Normas regulamentadoras – NRs....................................................................................... 41


Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 7

01
UNIDADE
8 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

INTRODUÇÃO
A segurança do trabalho na construção civil – NR-18 – compreende
o estudo relativo à introdução ao setor da construção civil, e segurança do
trabalho na construção civil, bem como a análise das condições e do meio
ambiente de trabalho na indústria da construção. O estudo da segurança
do trabalho na construção civil – NR-18 possibilita a aplicação de um
conjunto de conhecimentos relativos a condições e ao meio ambiente
de trabalho na indústria da construção, necessários ao desempenho
satisfatório da profissão. Além disso, oportunizará a compreensão da
norma regulamentadora visando à qualidade e à produtividade dos
processos de segurança no ambiente da construção civil. Então, será
neste vasto universo que você irá mergulhar, ao longo desta disciplina.
Nós acreditamos em você e desejamos sucesso em seus objetivos e
formação! Avante!
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 9

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Fundamentos da segurança
na construção civil. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das
seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:

1. Entender o setor da construção civil – seus aspectos e


características.

2. Contextualizar a segurança do trabalho na construção civil.

3. Caracterizar a mão de obra da construção civil e discernir sobre


seus riscos ocupacionais.

4. Compreender o evento do acidente de trabalho e suas normas


regulamentadoras.

Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento?


Ao trabalho! Bons Estudos!
10 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Introdução ao setor da construção civil


OBJETIVO:

Neste capítulo, você terá o entendimento das atividades


do setor da economia, bem como subsídios para comentar
sobre o setor da construção civil quanto às características,
aos cenários e aos desafios. E então? Motivado a
desenvolver esta competência? Foco e bons estudos!

Definição, características e função da


construção civil
INTRODUÇÃO:

Caro estudante, seja bem-vindo. Iniciaremos o estudo da


segurança do trabalho relativo ao setor da construção civil,
bem como as condições e o meio ambiente de trabalho na
indústria da construção. No entanto, é relevante que seja
apresentada e contextualizada tal área, para sua melhor
compreensão. Preparado? Desejamos a você uma boa leitura.
Antes de iniciarmos nosso estudo na área da construção civil, é
necessário comentar que existem diferentes setores produtivos,
e que estes são fundamentais à economia brasileira.
Assim, o setor primário compreende as atividades que
fornecem a matéria-prima e os insumos, que serão
transformados em produtos acabados. São seis as atividades
que compõem este setor: agricultura, pecuária, extrativismo
vegetal, caça, pesca e mineração (MARTINS; LAUGENI, 2005).
No setor secundário ocorre a transformação dos produtos
provenientes do setor primário, em bens de consumo ou
bens de uso, como máquinas. Uma economia é considerada
desenvolvida quando esse setor se encontra estruturado
e desenvolvido. Nesse setor constam como atividades a
indústria e a construção civil (MARTINS; LAUGENI, 2005).
Já o setor terciário compreende os serviços, atividades como
comercialização de produtos e oferta de serviços comerciais
e pessoais destinados a terceiros (MARTINS; LAUGENI, 2005).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 11

Figura 1 – Indústria e construção civil demonstrando as atividades do setor secundário

Fonte : Pixabay.

Sobre a história da construção civil, pode-se comentar que esta


se origina em um período no qual somente existiam duas formas de
aplicação, ou seja, ou se aplicavam os conhecimentos na esfera civil ou
militar. Esta é fundamentada na perspectiva de tendências e mudanças
setoriais, compreendendo uma prioridade na alocação de recursos da
economia e fortalecimento social (SILVA, 2002; TEIXEIRA, 2010).
12 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

VOCÊ SABIA?

Você sabia que no Brasil, a Associação Brasileira de Normas


Técnicas (ABNT) e o Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia (CREA) são responsáveis por regulamentar as
normas do setor de construção civil, além de fiscalizar o
exercício da profissão, respectivamente?
A área de construção civil abrange as atividades de produção
de obras, desde o planejamento, a execução e a manutenção,
à restauração de obras. Sua atuação compreende diferentes
segmentos: edifícios, estradas, portos, aeroportos, canais de
navegação, túneis, instalações prediais, obras de saneamento,
de fundações e de terra em geral (CGEE, 2009).
Complementando o exposto acima, cita-se Mello (2007), que
caracteriza a indústria da construção civil como uma complexa
cadeia produtiva de setores industriais como: mineração,
siderurgia do aço, metalurgia do alumínio e do cobre, vidro,
cerâmica, madeira, plásticos, equipamentos elétricos e
mecânicos, fios e cabos e diversos prestadores de serviços.

DEFINIÇÃO:

A construção civil brasileira compreende um conjunto de


atividades de relevante importância ao desenvolvimento
econômico e social, atuando desde a qualidade de vida da
população até a infraestrutura do país. É uma área de muitas
interfaces com outros setores industriais (SILVA, 2002).
Assim como Silva (2002), o SEBRAE (2008) também pontua a
construção civil como uma atividade produtiva de relevante
impacto sobre os demais setores e cadeias produtivas.
Esta área é caracterizada pela complexidade e
heterogeneidade, sendo composta por, pelo menos,
três segmentos: construção pesada (estradas, usinas de
geração de energia, portos e terminais, aeroportos etc.);
montagens industriais e de plataformas de prospecção
de petróleo e extração mineral; e edificações industriais,
comerciais e residenciais (SEBRAE, 2008).
A indústria da construção civil caracteriza-se por entregar
um produto não homogêneo e não seriado, dependente de
pedidos de execução (CGEE, 2009).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 13

EXPLICANDO MELHOR:

A heterogeneidade da construção civil é uma característica


marcante, pois compreende uma variedade de atividades,
empresas, tecnologias e qualificação. Aspectos que
intervêm em seu ciclo produtivo, gerando consumo de
bens e serviços de outros setores (CGEE, 2009).
Assim, pode-se compreender a heterogeneidade como
uma série de atividades de diferentes complexidades,
relacionadas pela diversificação de produtos, tecnologias
e demandas. Neste tipo de cadeia são observadas grandes
indústrias de tecnologia de ponta, até microempresas de
baixo poder tecnológico.

Figura 2 – Subsetor de edificações

Fonte: Wikimedia Commons.


14 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

A indústria da construção civil tem os seguintes subsetores: subsetor


de material de construção; de edificações; e de construção pesada.
Além disso, ainda podem ser apresentados termos como edificações,
construção pesada e montagem industrial (SEBRAE, 2005).

Assim, observa-se que a construção civil assume um relevante


papel frente ao crescimento e desenvolvimento brasileiro. Contudo,
cumpre destacar suas especificidades, tais como: efeito multiplicador,
menor custo de investimento, uso intensivo de mão de obra, significativa
porção dos investimentos e reduzido coeficiente de importação (SEBRAE,
2005).

Ainda, conforme estudos do SEBRAE (2005) citam-se como


características para o setor: demanda fortemente relacionada à renda
interna e condições de concessão de crédito; elevada capacidade de
geração de emprego, com destaque à mão de obra com baixa qualificação;
baixa participação de emprego formal (registrado), na parcela total de
empregados ocupados do setor; problemas quanto ao cumprimento de
normas técnicas e padronizações relativas ao processo e à segurança do
trabalho; baixa competitividade e produtividade setorial, quando realizado
comparativo a padrões internacionais; e defasada atualização tecnológica
e gerencial, quando realizado comparativo a padrões internacionais.

A construção civil atua como elemento propulsor da atividade


econômica brasileira, uma vez que movimenta um representativo volume
de recursos ao longo de sua cadeia (SILVA, 2002). Isto é, representa grande
relevância ao desenvolvimento de uma nação, frente à quantidade de
atividades econômicas presentes em seu ciclo de produção, o que gera
consumo de bens e serviços de outros setores.

A indústria brasileira da construção


Nesta seção, vamos complementar sobre a área da construção
civil, ou seja, a área responsável por englobar a elaboração de obras dos
mais variados portes e funções.
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 15

REFLITA:

Antes de iniciarmos o estudo dessa seção, convidamos


você a refletir sobre o seu atual conhecimento sobre o
cenário da construção civil brasileira. Como está esse setor?
Quantos postos de trabalho são ocupados?

A indústria da construção civil é um setor em constante mudança,


visto que demanda a adaptação às múltiplas condições ambientais, ou
conforme a região de atuação. Trata-se, portanto, de um setor flexível em
termos tecnológicos, organizacionais, sociais e econômicos (TOMASI, 2005).

Historicamente, o desempenho da construção civil, sob o viés


econômico, acompanha a situação econômica brasileira. Logo, o mercado
desse setor mostra-se cíclico, com períodos de elevada demanda e,
outros, de baixa demanda (VIEIRA, 2013).

Contudo, a situação econômica tem ganhado produtividade


e participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O que vem
demandando mudanças e tendências, pois é uma área de alocação de
recursos escassos da economia, além de contribuir com o setor social, uma
vez que atua como fonte geradora de postos de trabalho (OLIVEIRA, 2012).

A construção civil tem significativa representatividade na economia.


Conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o
setor inicia 2020 vislumbrando um horizonte de crescimento de 3%, com
potencial para geração de 150 mil a 200 mil postos de trabalho. Se confirmado
esse crescimento, o índice de 2% em 2019 será superado, apresentando
melhora após anos consecutivos de queda de desempenho (CBIC, 2020 ).

NOTA:

A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC),


conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), visa identificar anualmente as características da área
e suas transformações. O conjunto de tais informações
constitui relevante fonte estatística, provedora de elementos
ao planejamento público e privado.
16 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Dados referentes ao cenário de 2017, publicados em 2019 pelo IBGE,


indicaram que a atividade da construção representou R$ 280 bilhões em
valor de incorporações, obras e serviços da construção. Sendo que em
2017 a área englobava 126,3 mil empresas ativas, ocupando 1,91 milhão de
pessoas (IBGE, 2017).

Ainda, conforme esse estudo, as incorporações, as obras e os


serviços citados na pesquisa, em 2017, são representados por construção
de edifícios (R$ 128,1 bilhões – 45,8%), obras de infraestrutura (R$ 90,3
bilhões – 32,2%) e serviços especializados da construção (R$ 61,6 bilhões
– 22%) (IBGE, 2017).

As empresas da construção empregaram, em 2017, 1.909.293


pessoas, assim distribuídas: 37,1% na construção de edifícios, 35,0% em
serviços especializados da construção e 27,9% em obras de infraestrutura
(IBGE, 2017).

O que a indústria da construção reserva


A construção civil atua como elemento propulsor da atividade
econômica brasileira, uma vez que movimenta um representativo volume
de recursos ao longo de sua cadeia (SILVA, 2002). É um dos setores mais
importantes para a economia de uma nação. Nos últimos anos, esse
segmento passou por um significativo processo de expansão, contudo,
ainda enfrenta constantes desafios, como a necessidade de investimento
contínuo (VIEIRA, 2013).

Embora desempenhe papel relevante ao desenvolvimento


econômico e social, a indústria da construção civil brasileira ainda constitui
um setor de baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento, bem
como baixo grau de automação e modernização (MARTINS; BARROS,
2003).

Contudo, nos últimos 10 anos, o segmento tem passado por um


significativo processo de expansão, apresentando crescimento do PIB do
setor superior aos do Brasil (VIEIRA, 2017).

Assim como já indicava Silva (2002), a estabilidade econômica e


a concorrência empresarial levam as organizações da construção civil
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 17

a pensar a tecnologia como ferramenta competitiva. Logo, o relatório


Estudo de tendências tecnológicas na indústria de construção civil no
segmento de edificações de 2013, fortaleceu tal assertiva, ao identificar 261
tecnologias associadas à construção (VIEIRA, 2013).

Mello e Amorim (2009), em seu estudo O subsetor de edificações


da construção civil no Brasil: uma análise comparativa em relação à
União Europeia e aos Estados Unidos, já comentavam que desde a última
década, este setor passaria por relevante transformação, com grandes
obras em andamento e ocorrência de investimentos imobiliários. Tal
movimento sofre reflexo na adoção de novos modelos de inovações
tecnológicas em diversas empresas do segmento. Criando, assim, um
núcleo de empresas dinâmico e moderno, comparável a empresas
europeias e norte-americanas.

VOCÊ SABIA?

Você sabia que a construção civil é um dos setores que


mais sofre com a variação econômica? O cenário deste
segmento demonstrou reação em 2019, com projeção de
crescimento para 2020 (VIEIRA, 2017).

Assim, tal projeção de crescimento demanda dos profissionais da


área novos olhares frente ao uso e a aplicação de ferramentas e soluções
para a área. Veja alguns aspectos apresentados no estudo realizado
(VIEIRA, 2017):

a. Atuação sustentável: adoção de práticas sustentáveis em


projetos como forma de redução de custos e resíduos, observando
critérios de qualidade estrutural e segurança do processo. Um
exemplo desta tendência é a observância dos critérios da norma
NBR 15.575.
18 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

NOTA:

A NBR 15.575 é a norma de desempenho de edificações


habitacionais. Sua criação objetiva demonstrar como os
insumos empregados em uma construção alinham-se à
qualidade de uso do futuro imóvel. Tal norma define um
padrão de qualidade para os imóveis, aos quais as partes
interessadas precisam adequar-se. Ficou curioso? Busque
apropriar-se um pouco mais sobre essa normativa clicando
aqui.

b. Automação predial: tendência do segmento com fins de


otimização, redução de erro, falha humana e custo operacional.
Essa tendência promoverá o incremento da segurança e
economia durante a construção. Neste contexto, o investimento
em tecnologia revela-se premente para que tais resultados sejam
atingidos mais eficientemente. Aqui, apresenta-se o conceito de
construção inteligente.
Figura 3 – Plaza Centenário, um dos edifícios mais inteligentes de São Paulo

Fonte : Wikimedia Commons.


Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 19

Frente a isso, cumpre destacar que o desenvolvimento tecnológico,


no Brasil, apresenta gaps relacionados à disponibilidade e à
captação de mão de obra qualificada em seus diversos níveis. Tal
aspecto mostra-se mais premente no segmento de edificações,
quando comparado a outros países europeus (CGEE, 2009).

Construção inteligente é aquela cujo projeto cumpre seu fim de


forma eficiente e econômica. Assim, destaca-se que a falta de
inovação em processos construtivos pode impedir que os projetos
sejam produtivos, eficientes e econômicos (TEIXEIRA, 2010).

c. Uso de energia renovável: desenvolvimento de sistemas


que gerem energia durante o desenvolvimento das obras ou no
uso do projeto. Aqui se destaca o uso de placas solares para a
produção de energia na obra, tal ação é uma forma de reduzir
custos de projeto.

Essa tendência é importante, pois a indústria da construção civil é


um “personagem” pertinente do tema, uma vez que os impactos
de suas operações e cadeia são relevantes. Assim, caro estudante,
a incorporação da sustentabilidade na indústria da construção civil
mostra-se uma tendência irreversível.

Os requisitos para a construção sustentável devem observar todo o


ciclo de vida, desde o desenvolvimento de projeto, a obtenção da
matéria-prima, a execução da obra, a demolição e o tratamento dos
resíduos gerados.

d. Realidade aumentada: projetos baseados em realidade


aumentada podem facilitar a visualização das estruturas projetadas
em tamanho real, antes de sua execução e término. Sua aplicação
permite a identificação de possibilidades, assegura alinhamento
e precisão para a obra e contribui com a redução de risco e erros.

e. Aplicação de materiais novos: cada vez mais o setor é


convidado a otimizar seus recursos observando a relação de baixo
custo e sustentabilidade. Sendo, o setor, desafiado constantemente
a investir em soluções que reduzam/eliminem o desperdício e a
geração de resíduos.
20 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

f. Realidade virtual e softwares de segurança: permitem


simular situações típicas de obras, além de capacitar os
trabalhadores na utilização de equipamentos sem riscos de
acidentes. São tecnologias que auxiliam no desenvolvimento das
atividades, reduzindo ocorrência de irregularidades e acidentes no
canteiro de obra.

A cadeia da construção civil, inserida no mercado global, requer


modelos de gestão atualizados, coerentes e alinhados aos demais
elos produtivos de sua estrutura. Tais demandas de mercado
representam oportunidades à área de projetos com destaque à
indústria e aos mecanismos de financiamento (VIEIRA, 2017).

RESUMINDO:

Caro estudante, chegamos ao final do capítulo. Como está


sendo o seu aprendizado até aqui? Está gostando? Neste
capítulo, contextualizou-se a área da construção civil
como aquela abrange as atividades de produção de obras,
desde o planejamento e projeto, execução e manutenção,
à restauração de obras. É uma área que apresenta
relevância ao desenvolvimento da nação brasileira, devido
à sua extensa cadeia produtiva e elevada capacidade
de contratação. Além disso, foi visto que essa área é
caracterizada pela complexidade e heterogeneidade,
sendo composta por, pelo menos, por três segmentos:
construção pesada (estradas, usinas de geração de
energia, portos e terminais, aeroportos etc.); montagens
industriais e de plataformas de prospecção de petróleo
e extração mineral; e edificações industriais, comerciais
e residenciais. Embora desempenhe um papel relevante
ao desenvolvimento econômico e social, a indústria da
construção civil brasileira ainda constitui um setor de baixo
investimento em pesquisa e desenvolvimento, bem como
baixo grau de automação e modernização.
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 21

Segurança do trabalho na construção


civil
OBJETIVO:

Caro estudante, agora que você já consegue caracterizar a


área da construção civil, seja em características gerais ou
cenários, espera-se que, após concluir este Capítulo, você
também possa comentar sobre a segurança do trabalho no
setor da construção civil. E então? Motivado a desenvolver
esta competência? Foco e bons estudos!

Segurança do trabalho
DEFINIÇÃO:

A segurança do trabalho pode ser compreendida como


o conjunto de medidas adotadas para a minimização dos
acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e proteção
da integridade física e capacidade laboral do trabalhador
(GONÇALVES, 2008).

A responsabilidade pela segurança do trabalho é tripartite, isto é, ela


é compartilhada pelo poder público, pelo empregador e pelo empregado.
Sob este viés, cabe ao poder público a criação e a fiscalização de normas
e leis que regulamentem e assegurem a segurança e a saúde no trabalho.
Quanto ao empregador, este deve fazer cumprir as regulamentações
previstas, podendo ser punido em caso de desrespeito às exigências
legais. Já ao empregado cabe seguir as exigências de segurança em seu
local de trabalho, obedecendo às normas e leis específicas.
22 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Figura 4 – Aplicação da relação tripartite

Fonte : Wikimedia Commons.

À primeira vista, algumas atividades laborais parecem inofensivas


e não oferecem comprometimento da disponibilidade do trabalhador. No
entanto, deve-se ter o cuidado, pois processos de fabricação requerem
cuidados com a segurança dos trabalhadores.
Figura 5 – Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são essenciais para a prevenção
de acidentes em ambientes de trabalho perigosos

Fonte : Wikimedia Commons.


Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 23

Tais cuidados podem ser conduzidos e atendidos com a


implantação de programas de saúde e segurança por meio de uma
equipe multidisciplinar composta por técnico de segurança do trabalho,
engenheiro de segurança do trabalho, médico do trabalho e enfermeiro
do trabalho. Esses profissionais formam o que chamamos de Serviço
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho
(SESMT).

Não se sabe ao certo sobre o início da preocupação com acidentes


e doenças relacionadas ao trabalho. Já no século IV a.C., existiam relatos
de moléstias que acometiam mineiros e metalúrgicos. No entanto, foi com
a Revolução Industrial, no final do século XVIII, e com o aparecimento das
máquinas de tecelagem movidas a vapor, que a ocorrência de acidentes
aumentou (MIRANDA, 1998).

A produção, antes manual, passa a ser realizada em fábricas mal


estruturadas, pouco ventiladas, com ruídos altíssimos e em máquinas
sem critério de proteção. Mulheres, homens e, principalmente, crianças
foram às grandes vítimas deste período (MIRANDA, 1998).
Figura 6 – Trabalho infantil em uma fábrica nos Estados Unidos

Fonte : Wikimedia Commons.


24 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

EXPLICANDO MELHOR:

Os problemas relacionados à saúde foram intensificados


a partir do advento da Revolução Industrial, pois houve
uma elevada ocorrência de acidentes devido aos novos
equipamentos provenientes do movimento, abandonando
a modalidade artesanal e adotando o trabalho mecanizado.
A falta de treinamento, as longas jornadas de trabalho e o
emprego da mão de obra infantil contribuíram muito para
esse cenário. Cumpre destacar que, neste período, inexistia
a legislação do trabalho, logo, muitas vezes, o trabalhador
acidentado ficava à própria sorte (GONÇALVES, 2008;
MIRANDA, 1998).

No Brasil, o processo de industrialização foi impulsionado a partir da


Segunda Guerra Mundial. E a situação dos trabalhadores brasileiros não foi
diferente, ou seja, as condições de trabalho também eram inadequadas, o
que, por anos, matou e mutilou trabalhadores.

Com o objetivo de melhorar as condições de saúde e trabalho


no Brasil, a partir da década de 1930, várias leis sociais foram criadas,
entre elas, destaca-se a formação da Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes (Cipa), que se tornou eletiva em 1944 (SALIBA; PAGANO, 2009).

A busca por mais direitos no Brasil é anterior à industrialização do


país. Antes, os trabalhadores buscavam direitos considerados, atualmente,
buscam direitos básicos, como descanso semanal remunerado, jornada
semanal de 48 horas, igualdade de direitos para a mulher trabalhadora,
assistência médica e aposentadoria e indenização por acidente de
trabalho (MIRANDA, 1998; SALIBA, 2008).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 25

Figura 7 – Consolidação das leis do trabalho (CLT) publicada no Diário Oficial de 9 de agosto
de 1943

Fonte : Wikimedia Commons.

Com o incremento da industrialização brasileira a partir da década de


1950, surgem os primeiros médicos da empresa, com a responsabilidade
exclusiva e direcionada à manutenção das linhas de produção com
trabalhadores saudáveis e aptos, devendo afastar aqueles que sofriam de
26 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

algum mal ou sequelas de um acidente (SALIBA; PAGANO, 2009). Logo,


nesta época, pouco ou quase nada se fazia em termos prevencionistas,
pois a única preocupação era a perda de disponibilidade laboral e os
prejuízos causados pelos acidentes ao empregador.

IMPORTANTE:

Dados do Anuário Estatístico da Previdência Social


publicado em 2017, demonstraram que entre os anos de
2012 e 2016, foram registrados no Brasil 3,5 milhões de casos
de acidente de trabalho em 26 estados e no Distrito Federal.
Essas ocorrências resultaram na morte de 13.363 pessoas,
o que gerou um custo de R$ 22,171 bilhões para os cofres
públicos com gastos como auxílio-doença, aposentadoria
por invalidez, pensão por morte e auxílio-acidente para
pessoas que ficaram com sequelas. Destaca-se que nos
últimos cinco anos, anteriores ao estudo em questão, 450
mil pessoas sofreram fraturas enquanto trabalhavam no
Brasil (BRASIL, 2017).

Quadro 1 – Resumo dos fatos históricos de segurança no Brasil

1930 – Estado intervém nas relações do trabalho.


1943 – No Governo Vargas entra em vigor a CLT – Decreto-Lei n°
5.452, de 1 de maio de 1943.
1970 – Brasil é detentor do título de país com mais acidentes do
mundo.
1977 – Texto da CLT é revisado com capítulo específico à segurança
e medicina do trabalho. Trata-se do capítulo V, título II.
1978 – Regulamentação dos artigos da CLT por meio da Portaria
n° 3.214, de 8 de junho de 1978, criando as primeiras 28 normas
regulamentadoras (NR).
1988 – Constituição de 1988 prevê a redução dos riscos inerentes ao
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
1997 – A NR-29 é aprovada. Esta diz respeito à segurança e à saúde
no trabalho portuário.
2002 – A NR-30 é aprovada e diz respeito à segurança e à saúde no
trabalho aquaviário.
2017 – A Nova CLT, Lei n° 13.467, de 13 de julho de 2017, é aprovada,
apresentando uma série de novidades relacionadas à legislação
trabalhista.

Fonte: Elaborado pela autora (2020).


Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 27

As normas regulamentadoras (NRs) foram publicadas de forma a


orientar e referir a segurança em diferentes áreas de atuação, com foco
nas atividades desenvolvidas. Destaca-se que estas são o resultado de
um processo de consulta pública e negociação tripartite, envolvendo
governo, empregados e empregadores.
Figura 8 – Exemplo de aplicação da NR-35

Fonte : Wikimedia Commons.

NOTA:

Os auditores do trabalho realizam ações em todo o país, junto


aos empregados das mais diversas categorias, auditando,
avaliando e regularizando as evidentes situações de
descumprimento legal, por meio de embargos e interdições
(previstos em NR específica), bem como são analisados
acidentes de trabalho graves e fatais (ARAÚJO, 2008).
Atualmente, estão em vigor a Portaria n° 3.214/1978,
regulamentadora da Lei n° 6.514, de 22 de dezembro de 1977,
em que estão inseridas as 36 normas regulamentadoras.
Assim como a Portaria n° 1.186, de 20 de dezembro de 2018,
que regulamenta a Norma Regulamentadora 37 (NR-37).
28 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Alguns documentos legais


Atestado de saúde ocupacional – ASO
O atestado de saúde ocupacional é o que define se o empregado
está apto ou não para realizar as funções previstas em seu perfil de função
dentro da organização. Para cada exame realizado, o médico do trabalho
deverá emitir em duas vias o ASO (ARAÚJO, 2008)

A primeira via é arquivada no local de trabalho, à disposição da


fiscalização do trabalho. Já a segunda via será, obrigatoriamente, entregue
ao empregado. O ASO deve seguir as regras estabelecidas no Programa
de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO) da empresa, sendo
assim, é um documento pertencente PCMSO.

O ASO é um documento muito importante, pois além da identificação


completa do empregado, reportará informações completas e atuais sobre
a sua saúde, deixando a empresa e o próprio empregado cientes de sua
atual condição de saúde (ARAÚJO, 2008; SALIBA; PAGANO, 2009).

Comunicado de acidente do trabalho – CAT


O comunicado de acidente do trabalho é um documento usado
para notificar e formalizar o acidente ou doença de trabalho às partes
interessadas. Serve para comunicar aos órgãos competentes que
determinado empregado sofreu um acidente de trabalho ou foi acometido
por doença ocupacional (ARAÚJO, 2008).

Destaca-se que o CAT é a principal ferramenta de controle estatístico


de acidentes de trabalho no Brasil. Só após comunicar o acidente é que o
órgão competente poderá prover o amparo que é devido ao empregado
acidentado ou vítima de doença ocupacional. Ou, no caso de morte, à sua
família (SALIBA; PAGANO, 2009).

Conforme os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991,


o CAT deve ser emitido logo após o evento do acidente, podendo ser
emitido até o primeiro dia útil após o acidente. Se a empresa perder o prazo
de notificação, esta deve o realizar do mesmo modo. O que não pode é
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 29

ficar sem emitir o comunicado, sendo passível de sanção organizada e


atribuída em lei (SALIBA; PAGANO, 2009).

Programa de controle médico de saúde ocupacional


A Norma Regulamentadora n° 7 (NR-7) estabelece a obrigatoriedade
de elaboração, implementação e avaliação por parte de todos os
empregadores e instituições que admitam empregados via CLT, ao
PCMSO.

Com o objetivo de promover e proteger a saúde do conjunto dos


seus empregados, tem caráter de prevenção, mapeamento e diagnóstico
de agravos à saúde do empregado, além da constatação dos casos de
doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde.

RESUMINDO:

Caro estudante, chegamos ao final de mais um capítulo.


Como está sendo o seu aprendizado até aqui? Neste
Capítulo, abordamos a segurança do trabalho quanto sua
história, definição, objetivo, contexto e relevância nacional.
Constatou-se que, independentemente do segmento
de atuação, pensar na segurança de seus empregados é
relevante e premente. Este Capítulo cumpriu a função de
preparar o seu embasamento para os demais temas da
disciplina. Desejo a você um bom estudo deste material,
não se limite à leitura aqui tratada, existe uma infinidade de
obras a serem exploradas por você.
30 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Mão de obra da construção civil, riscos e


doenças ocupacionais
OBJETIVO:

Caro estudante, agora você já tem condições de comentar


sobre a indústria da construção civil, bem como sobre a
segurança do trabalho no segmento. Neste Capítulo, você
conhecerá o perfil do trabalhador da construção, além dos
ricos e das doenças ocupacionais relacionadas. Então,
vamos desenvolver esta competência?

Perfil dos trabalhadores da construção


A área da construção civil compreende um dos maiores focos
geradores de emprego e renda na economia brasileira, sendo responsável
por absorver grande volume de mão de obra (SEBRAE, 2008).

Logo, é um setor que contribui ao desenvolvimento, pois abarca


significativa parcela da oferta de empregos formais. A formalidade, por
sua vez, contribui com a melhoria de renda da população, com destaque
aos trabalhadores com baixo grau de instrução escolar.

Conforme dados do Banco Nacional do Desenvolvimento em 2004,


para cada R$ 10 milhões investidos na construção civil, eram gerados 176
empregos diretos e 83 indiretos (SEBRAE, 2008).

O perfil apresentado neste capítulo compreende o resultado de


um estudo intitulado Trabalhadores da construção: perfil, expectativas
e avaliação dos empresários. Dados dessa pesquisa ponderaram que o
tempo médio de atuação no canteiro de obras para as mulheres é, em
média, de 2,2 anos, sendo aos homens destinados um período superior a
5,5 anos (MARTINS; GOMES; RODRIGUES, 2015).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 31

Figura 9 – Reunião de uma equipe de trabalho no Brasil

Fonte : Wikimedia Commons.

Foram realizados levantamentos em 24 estados das cinco


grandes regiões brasileiras, 85 municípios, com 1.215 entrevistas, em
específico, aos trabalhadores/homens que atuam em canteiros de obras.
Contudo, cumpre destacar que a publicação dos resultados e análise
técnica somente foram reportados no ano de 2015 (MARTINS; GOMES;
RODRIGUES, 2015).

O perfil das trabalhadoras que atuavam no canteiro de obras, à


época da pesquisa, ficou assim resumido: área de atuação com mais
representatividade foi a de mestre/encarregada (20%). Sobre o grau de
instrução, constou-se que 71,6% tinham formação, bem como recebiam
entre 1 e 3 salários-mínimos (MARTINS; GOMES; RODRIGUES, 2015).

O perfil dos trabalhadores que atuavam no canteiro de obras ficou


assim resumido: quanto à atuação/função com maior representatividade
constava mestre/encarregado (51%). Sobre o grau de instrução constou-
se que 85,9% dos entrevistados tinham algum tipo de com formação.
Em sua remuneração, 65,7% dos homens recebiam entre 1 e 5 salários-
mínimos (MARTINS; GOMES; RODRIGUES, 2015).
32 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

O estudo ocupou-se também em retratar o principal motivo de


contratação das mulheres para a atuação no canteiro de obras, a pesquisa
apontou o aspecto capricho e eficiência na execução de tarefas com
56,5%. Frente à intenção de contratação futura, constatou-se que 72% das
empresas pesquisadas, efetivariam a mão de obra feminina pela mesma
razão (MARTINS; GOMES; RODRIGUES, 2015).

No quesito limitação, quanto à contratação de mão de obra para


o setor, o estudo apurou que estas são limitadas por aspectos como:
capacidade de empregabilidade, que é afetada pela estabilidade
econômica; as condições de trabalho; os salários praticados; e a
imagem do segmento, que são atrativos aos profissionais do setor.

Risco e doença ocupacional da construção


civil
A construção civil é um dos ambientes com maior índice de
ocorrência de doenças ocupacionais, pois abarca uma série de atividades
que podem oferecer algum tipo de risco, como trabalho em altura,
trabalho com eletricidade, exposição a agentes químicos, entre outros
(LIMA, 1993; PEINADO, 2019).

Conforme o inciso I do art. 20 da Lei n° 8.213/1991, define-se doença


ocupacional ou profissional como “aquela produzida ou desencadeada
pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade” (BRASIL,
1991, on-line).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 33

Figura 10 – Exemplo de dermatite leve

Fonte : Wikimedia Commons.

Entre as principais doenças ocupacionais na construção civil


constam (PEINADO, 2019):

• Distúrbios musculoesquelético: com o comprometimento


de costas e outras lesões musculares nas articulações devido à
massa, movimentação, elevação e ao manuseio de cargas.

• Dores e entorpecimento de membros superiores (dedos e


mãos): causas relacionadas ao uso contínuo de ferramentas e
equipamentos vibratórios.
34 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Figura 11 – Dores ao fechar as mãos são as queixas mais comuns de lesão por esforço
repetitivo (LER)

Fonte : Wikimedia Commons.

• Dermatite: aspecto de vermelhidão e inflamação de mucosas


da pele. A causa está relacionada ao contato e à exposição a
substâncias irritantes como: cimento, solventes, entre outros
produtos.

• Comprometimento auditivo (baixa audição e surdez): excesso


de exposição a altos níveis de ruído, acima do estabelecido.

• Doenças respiratórias: relacionadas ao amianto.

Para a prevenção de doenças ocupacionais do ambiente da


construção civil, autores como Peinado (2019), indicam a observação e o
atendimento da legislação vigente e específica, bem como a adoção de
boas práticas relativas à segurança do ambiente e dos envolvidos.

Logo, ao iniciar um trabalho realize o devido planejamento das


atividades a fim de identificar riscos e precauções que sejam necessários
à sua execução. Existem práticas de controle de risco ocupacional que
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 35

auxiliam significativamente a prevenção de doenças, constam entre essas


práticas:

• Evite atividades que envolvam agentes de risco à saúde. Sempre


que possível providencie a substituição por componentes
adequados à demanda.

• Pratique os princípios da ergonomia, como a elevação de cargas


pesadas, não sobrecarregando a coluna, bem como realizando
movimento de agachamento e subida em velocidade moderada
e não impactante.

• Utilize os equipamentos de proteção individual mínimos,


obrigatórios e específicos a determinadas atividades, como luvas,
capacete, sapatos de proteção, protetores auditivos, entre outros.
Figura 12 – Capacete com viseira e protetor auricular

Fonte : Wikimedia Commons.

• Escolha sempre medidas que levem à segurança de todos os


expostos ao risco identificado, por exemplo, a observância do uso
de equipamentos de proteção coletivos (EPCs).
36 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Uma forma de gestão visual de risco a que um empregado da construção


civil pode estar exposto é por meio da elaboração de um mapa de riscos. Este
compreende uma das modalidades mais simples de avaliação qualitativa dos
riscos existentes em um local de trabalho (LIMA, 1993; SALIBA, 2008).

Abrange a representação gráfica dos riscos existentes por meio


de círculos de diferentes cores e tamanhos, permitindo facilidade de
elaboração e visualização. Trata-se de um instrumento participativo,
elaborado pelos próprios envolvidos. O mapa de risco é baseado no
conceito de que quem faz o trabalho é quem o melhor conhece.

EXPLICANDO MELHOR:

Assim, o mapa de riscos serve como um instrumento


de levantamento preliminar de riscos, de informação
para os demais empregados e visitantes, bem como
de planejamento para as ações preventivas que serão
adotadas em uma obra, por exemplo.
O objetivo do mapa de riscos é reunir as informações
básicas necessárias para estabelecer o diagnóstico da
situação da segurança e saúde no trabalho na construção
civil, bem como possibilitar, durante a sua elaboração, a
troca e a divulgação de informações entre os envolvidos,
bem como estimular a participação coletiva nas atividades
de prevenção (SALIBA, 2008; SALIBA; PAGANO, 2009).

RESUMINDO:

Caro estudante, chegamos ao final de mais um capítulo.


Como está sendo o seu aprendizado até aqui? Neste
capítulo, foi abordado o perfil do trabalhador da construção
civil em 2015 quanto às suas características. Foram
apresentados o levantamento em 5 regiões, 24 estados,
85 municípios, 1.215 entrevistas, em específico, aos
trabalhadores (homens/mulheres) que atuam em canteiros
de obras. Este estudo foi relevante, pois irá embasar os
demais temas que abordaremos quanto ao risco e à saúde
ocupacional. Desejo a você um bom estudo deste material.
Não se limite à leitura aqui tratada, existe uma infinidade de
obras a serem exploradas por você.
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 37

Acidentes de trabalho e normas


regulamentadoras
OBJETIVO:

Caro estudante, agora você já tem condições de comentar


sobre a indústria da construção civil quanto às suas
características, função, cenário, tendências, desafios
e segurança. Neste capítulo, você acessará o que
compreende o acidente de trabalho e suas normativas.
Então, vamos desenvolver esta competência?

Definição do acidente de trabalho e


relevância na construção civil
Compreendido que o setor da construção civil é responsável pela
geração de milhares de postos de trabalho, bem como tem relevante
participação no PIB nacional, é relevante pensar a saúde e a segurança do
trabalhador, uma vez que representa uma exigência para toda e qualquer
atividade profissional.
Figura 13 – Operários vestindo coletes refletivos, capacetes e outras roupas de proteção no
local de trabalho

Fonte : Wikimedia Commons.


38 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Cumpre destacar que junto ao setor observa-se um elevado índice


de acidentes e doenças ocupacionais. De acordo com dados do Anuário
Estatístico da Previdência Social publicado em 2017, o setor registrou no
triênio (2015, 2016, 2017) quase 29% dos acidentes de trabalho do período,
sendo a ocorrência respectivamente de 8,70%, 9,53%, e 10, 28% (BRASIL
2017).

IMPORTANTE:

Ainda segundo o mesmo estudo, do total de acidentes


registrados em 2017, a categoria de serviço que apresentou
maior índice de acidentes foi a construção de edifícios com
19,18%, seguido de obras para geração e distribuição de energia
elétrica e telecomunicações com 7,92% e a incorporação de
empreendimentos com 6,40% (BRASIL, 2017).
O art. 19 da Lei n° 8.213/1991, trata a seguinte definição de
acidente do trabalho: “aquele que ocorre pelo exercício
do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do
trabalho dos segurados especiais, provocando, direta ou
indiretamente, lesão corporal, doença ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou redução,
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”
(BRASIL, 1991, on-line).

Essa definição não é plenamente satisfatória, pois o acidente de


trabalho também deve considerar as consequências sobre o homem
como lesões, perturbações ou doenças ocupacionais (GONÇALVES,
2008). Assim, para o autor, a definição de acidente do trabalho,
compreende a ocorrência de eventos que possam interferir no andamento
normal da atividade laboral, pois, além do homem, outros aspectos de
uma organização podem ser impactados, como produção, máquinas,
ferramentas, equipamentos, tempo, e demais recursos.

Tipos de acidente de trabalho


Conforme Araújo (2008), é considerado acidente do trabalho
quando uma das situações a seguir é constatada:
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 39

• Doença profissional, ou seja, aquela produzida ou desencadeada


pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade.

• Doença do trabalho, ou seja, aquela adquirida ou desencadeada


em função de condições especiais nas quais o trabalho é realizado,
e/ou com ele se relacione diretamente.

Equiparam-se também à classificação de acidente do trabalho,


segundo a Lei n° 8.213/1991, as seguintes situações (BRASIL, 1991, on-line):

• O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa


única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado,
para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou
produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.

• O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho,


em consequência de:

a. Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro


ou companheiro de trabalho; ofensa física intencional, inclusive
de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; ato
de imprudência, de negligência ou imperícia de terceiro ou
companheiro de trabalho; ato de pessoa privada do uso da razão;
desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou
decorrentes de força maior.

• A doença proveniente de contaminação acidental do empregado


no exercício de sua atividade.

• P acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário


de trabalho:

a. Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a


autoridade da empresa; na prestação espontânea de qualquer
serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando
financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação
da mão de obra, independentemente do meio de locomoção
utilizado, inclusive, veículo de propriedade do segurado.
40 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

Tanto nos estudos de Araújo (2008) quanto de Gonçalves (2008), são


considerados fatores causadores de acidentes de trabalho os seguintes pontos:

a. Condição insegura, inerente às instalações, como máquinas e


equipamentos; ato inseguro, entendido como atitudes indevidas do
elemento humano; fatores pessoais de insegurança, fatores pessoais
(personalidade) dos indivíduos que contribuem para a ocorrência de
acidentes; e eventos catastróficos, como inundações, tempestades,
(independentemente da ação da empresa ou do empregado).

EXPLICANDO MELHOR:

Sob o ponto de vista da prevenção, a causa de acidentes de


trabalho decorre de qualquer aspecto que, se removido/
neutralizado, poderia ter evitado a sua ocorrência. Assim,
neste contexto, os acidentes de trabalho são evitáveis, pois
não surgem ao acaso, são, em sua maioria, provocados,
logo, passíveis de prevenção.
Um acidente de trabalho é um evento resultante tanto
de um ato inseguro por parte do empregado, como
negligenciar o uso de equipamento de proteção individual,
até de uma situação insegura que possa infringir dano ao
trabalhador, bem como à organização, como negligenciar
a oferta de EPIs (GONÇALVES, 2008).
Logo, como exposto acima, estes podem decorrer de
fatores dependentes do homem, ou das condições
existentes no ambiente de trabalho. Muitos autores, no
que tange a análise de acidentes, pontuam como causa de
acidentes o ato ou a condição que originou o dano.
Os acidentes do trabalho afetam a produtividade
econômica e oneram o sistema de proteção social, bem
como interferem na satisfação e motivação do trabalhador
(VENDRAME; GRAÇA, 2009).
Cumpre destacar que qualquer acidente de trabalho gera
impactos econômicos tanto para o acidentado quanto
para a organização, bem como aos cofres públicos.
Assim, mesmo do ponto de vista prevencionista, a simples
movimentação para adequação às normativas representa
um custo (ARAÚJO, 2008; PEINADO, 2019).
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 41

Normas regulamentadoras – NRs


As normas regulamentadoras são aspectos regulatórios relativas
à segurança e à medicina do trabalho. O não cumprimento das tais
disposições pode incidir em erro grave, acarretando aplicação de sanção
organizada e prevista em legislação vigente.

No Brasil, as normas regulamentadoras constam no capítulo V, título


II da CLT. Foram aprovadas pela Portaria n° 3.214/1978, sendo, atualmente,
37, conforme Quadro 2. O escopo básico de algumas é apresentado a
seguir.
Quadro 2 – Normas regulamentadoras

NR-1 – Disposições gerais.


NR-2 – Inspeção prévia – revogada pela portaria – SEPREVT n° 915, de 30 de
julho de 2019.
NR-3 – Embargo ou interdição.
NR-4 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina
do trabalho (SESMT).
NR-5 – Comissão interna de prevenção de acidentes (Cipa).
NR-6 – Equipamento de proteção individual.
NR-7 – Programa de controle médico de saúde ocupacional.
NR-8 – Edificações.
NR-9 – Programa de prevenção de riscos ambientais.
NR-10 – Instalações e serviços em eletricidade.
NR-11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais.
NR-12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos.
NR-13 – Caldeiras e vasos de pressão e tubulações.
NR-14 – Fornos industriais.
NR-15 – Atividades e operações insalubres.
NR-16 – Atividades e operações perigosas.
NR-17 – Ergonomia.
NR-18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção.
NR-19 – Explosivos.
NR-20 – Líquidos combustíveis e inflamáveis.
NR-21 – Trabalhos a céu aberto.
NR-22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração.
NR-23 – Proteção contra incêndios.
NR-24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho.
NR-25 – Resíduos industriais.
NR-26 – Sinalização de segurança.
42 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

NR-27 – Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no


Ministério do Trabalho.
NR-28 – Fiscalização e penalidades.
NR-29 – Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho
portuário.
NR-30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário.
NR-31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária silvicultura,
exploração florestal e aquicultura.
NR-32 – Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde.
NR-33 – Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados.
NR-34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e
reparação naval.
NR-35 – Trabalho em altura.
NR-36 – Norma regulamentadora sobre abate e processamento de carnes e
derivados.
NR-37 – Segurança e saúde em plataformas de petróleo.

Fonte: Elaborado pela autora (2020).

NR-1: DISPOSIÇÕES GERAIS: estabelece as competências relativas


às normas regulamentadoras no âmbito privado, público e órgãos
públicos de administração direta e indireta, que tenham relações regidas
pela CLT. Define os principais termos usados nas normas e estabelece as
obrigações gerais do empregador e do empregado.

NR-3: EMBARGO OU INTERDIÇÃO: estabelece as condições em


que cada órgão competente, à vista de laudo técnico do serviço, pode
interditar um estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento;
ou embargo de uma obra em função da existência de risco grave e
iminente para o trabalhador.

NR-4: SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE


SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO (SESMT): trata das
organizações que devem manter SESMT, e estabelece que o
dimensionamento desse serviço se vincula à gradação do risco da
atividade principal do negócio e ao número total de empregados do
estabelecimento.

NR-5: COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA):


estabelece a obrigatoriedade da constituição da Cipa nas empresas, seu
objetivo, forma de constituição, obrigações, atribuições, deveres e direitos
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 43

de seus integrantes, bem como as obrigações dos empregados e do


empregador relativas a seu funcionamento.

NR-6: EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI): estabelece


as obrigações do empregador quanto ao fornecimento gratuito dos EPIs,
capacitação para o seu uso correto, bem como a responsabilidade de
tornar obrigatório seu uso. Estabelecendo a obrigatoriedade de uso pelos
empregados do EPI fornecido, bem como as obrigações técnicas a serem
observadas pelo fabricante e importador do EPI.
Figura 14 – Capacete, luvas de couro e óculos de segurança são símbolos da segurança e
saúde ocupacionais em um ambiente de construção

Fonte : Wikimedia

NR-7: PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE


OCUPACIONAL (PCMSO): estabelece a obrigatoriedade por parte
dos empregadores em elaborar e implementar controle do PCMSO,
deliberando a realização obrigatória de exames médicos nos empregados,
sua frequência, bem como a necessidade de realização de exames
complementares.

NR-8: EDIFICAÇÕES: estabelece os requisitos técnicos mínimos a


serem observados nas edificações, de forma a garantir o conforto aos que
nelas trabalham.
44 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

NR-9: PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS


(PPRA): estabelece a obrigatoriedade do empregador de elaborar e
implementar o PPRA, visando à saúde e à integridade dos empregados
por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle da
ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no
ambiente de trabalho.

NR-10: INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE: estabelece


as condições mínimas necessárias de qualificação dos profissionais que
atuam em redes elétricas, bem como fixa as condições mínimas exigíveis
à segurança daqueles que operam em instalações elétricas (projeto,
execução, operação, manutenção, reforma e ampliação), e de usuários
e terceiros.
Figura 15 – Sinalização alertando para o risco de choque elétrico

Fonte : Wikimedia Commons.

NR-11: TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAMENTO E


MANUSEIO DE MATERIAIS: estabelece as normas de segurança para
as atividades de transporte e armazenamento de materiais, definindo
as normas de segurança para operação de elevadores, guindastes,
transportadores industriais e máquinas transportadoras.

NR-12: SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E


EQUIPAMENTOS: estabelece as condições a serem observadas em
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 45

instalações e áreas de trabalho, definindo os requisitos de segurança


para máquinas e equipamentos, estendendo sua observância quanto
à manutenção e operação, critério de fabricação, importação, venda e
locação.

NR-17: ERGONOMIA: estabelece os parâmetros que permitem a


adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas
dos trabalhadores, incluindo levantamento, transporte e descarga
individual de materiais; mobiliário dos postos de trabalho; equipamentos
dos postos de trabalho; condições ambientais de trabalho; e organização
do trabalho.
Figura 16 – Ergonomia: a ciência de projetar o trabalho, os equipamentos e o local de
trabalho para adequá-los ao trabalhador

Fonte : Wikimedia Commons.

NR-18: CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA


INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO: estabelece as diretrizes de ordem
46 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

administrativa, planejamento e implementação de medidas de controle


e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no
meio ambiente de trabalho na indústria de construção.

NR-21: TRABALHO A CÉU ABERTO: estabelece as medidas de


proteção para trabalhos realizados a céu aberto, incluindo as condições
de proteção do trabalhador. Define normas de segurança do trabalho no
serviço de exploração de pedreiras.

NR-23: PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS: define os requisitos que


as organizações devem ter para proteção contra incêndios, bem como as
atitudes a serem tomadas no seu combate. Normatiza o uso de extintores de
incêndio e estabelece critérios relativos aos extintores portáteis. Além disso,
indica os extintores específicos às diversas classes de fogo, sua inspeção,
quantidade e distribuição (localização e sinalização) no ambiente de trabalho.

ACESSE:

Ficou curioso sobre o escopo de atuação das NRs não


indicadas? Veja mais a seguir. Para acessar, clique aqui .

Compreendido que a construção civil é um segmento que apresenta


elevados índices de acidentes, e que tem uma série de especificidades
que a difere dos demais segmentos da economia, é de fundamental
importância estudar aspectos específicos relativos à segurança.

RESUMINDO:

Caro estudante, chegamos ao final de mais um capítulo.


Como está sendo o seu aprendizado até aqui? Neste
capítulo, abordamos o estudo do acidente de trabalho
conforme a Lei n° 8.213/1991, bem como o contextualizamos
no ambiente da construção civil. Outro tema abordado foi a
relação das normas regulamentadoras relativas à segurança
e à medicina do trabalho. Desejo a você um bom estudo
deste material. Não se limite à leitura aqui tratada, existe
uma infinidade de obras a serem exploradas por você.
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 47

REFERÊNCIAS
ARAÚJO, G. M. Legislação de segurança e saúde ocupacional. 2.
ed. Rio de Janeiro: GVC, 2008.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA.


Guia para arquitetos na aplicação da norma de desempenho ABNT
NBR 15.575. Rio de Janeiro: ASBEA, 2015.

BRASIL. Lei n° 6.514, de 22 de dezembro de 1977.

Altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho,


relativo a segurança e medicina do trabalho e dá outras providências.
Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1977.

BRASIL. Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos


de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Diário
Oficial da União: Brasília, DF, 1991.

BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Previdência. Instituto


Nacional do Seguro Social. Empresa de Tecnologia e Informações da
Previdência. Anuário Estatístico da Previdência Social 2017. Brasília:
Ministério da Fazenda, 2017.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n° 1.186, de 21 de dezembro


de 2018. Aprova a Norma Regulamentadora n.º 37 (NR-37) sob o título
“Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo” e criar a Comissão
Nacional Tripartite Temática - CNTT da NR-37 com o objetivo de
acompanhar a implantação da Norma Regulamentadora - NR. Diário
Oficial da União: Brasília, DF, 2018.

BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n° 3.214, de 8 de junho de


1978. Aprova as Normas Regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II,
da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina
do Trabalho. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 1978.

CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (CBIC).


Trabalhadores da construção: perfil, expectativas e avaliação dos
empresários. Brasília: CBIC, 2014.
48 Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18

CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS (CGEE). Relatório


prospectivo setorial: construção civil. Brasília: CGEE, 2009.

GONÇALVES, E. A. Manual de segurança e saúde no trabalho. São


Paulo: LTr, 2008.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE).


Pesquisa Anual da Indústria da Construção 2017. Rio de Janeiro: IBGE,
2017.

LIMA, J. R. Qualidade na construção civil: conceitos e referenciais.


São Paulo: Edusp, 1993.

LIMMER, C. V. Planejamento, orçamentação e controle de


projetos e obras. Rio de Janeiro: LTC, 1997.

MARTINS, J. C. R.; GOMES, A. C.; RODRIGUES, C. Trabalhadores


da construção: perfil, expectativas e avaliação dos empresários. Brasília:
Câmara Brasileira da Indústria da Construção, 2015.

MARTINS, M. G.; BARROS, M. M. S. B. A formação de parcerias


como alternativa para impulsionar a inovação na produção de edifícios. In:
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONOMIA NA CONSTRUÇÃO, 3.,
2003, São Carlos, 2003. Anais [...]. São Carlos: [s. n.], 2003.

MARTINS, P. G.; LAUGENI, F. P. Administração da produção. São


Paulo: Saraiva, 2005. v. 2.

MELLO, L. C. B. B. Modernização das pequenas e médias empresas


de construção civil: impactos dos programas de melhoria da gestão da
qualidade. 2007. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Universidade
Federal Fluminense, Niterói, 2007.

MELLO, L. C. B. B.; AMORIM, S. R. L. O subsetor de edificações da


construção civil no Brasil: uma análise comparativa em relação à União
Europeia e aos Estados Unidos. Revista Produção, São Paulo, v. 19, n. 2,
p. 388, 399, 2009.

MIRANDA, C. R. Introdução à saúde no trabalho. São Paulo:


Atheneu, 1998.
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18 49

OLIVEIRA, V. F. O papel da Indústria da Construção Civil na organização


do espaço e do desenvolvimento regional. Congresso Internacional de
Cooperação Universidade-Indústria. Anais [...]. Taubaté: [s. n.], 2012.

PEINADO, H. S. Segurança e saúde do trabalho na indústria da


construção civil. São Carlos: Scienza, 2019.

SALIBA, T. M. Curso básico de segurança e higiene ocupacional. 2.


ed. São Paulo: Editora LTr, 2008.

SALIBA, T. M.; PAGANO, S. C. R. S. Legislação de segurança, acidente


do trabalho e saúde do trabalhador. São Paulo: Editora LTr, 2009.

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO À MICRO E PEQUENA EMPRESA


(SEBRAE). Perfil setorial da construção civil. Minas Gerais: Sebrae-MG, 2005.

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS


EMPRESAS (SEBRAE). Cadeia produtiva da construção civil Cenários
econômicos e estudos setoriais. Recife: Sebrae, 2008.

SILVA, S.  Comunicação organizacional em empresas de


construção civil sob a ótica do planejamento estratégico. 2002.
Dissertação (Mestrado em Construção Civil) – Universidade Federal do
Paraná, Curitiba, 2002.

TEIXEIRA, L. P. Desempenho da construção brasileira. Belo


Horizonte: UFMG, 2010.

TOMASI, A. P. N. A modernização da construção civil e os impactos


sobre a formação do engenheiro no contexto atual de mudanças.
Educação e Tecnologia, Belo Horizonte, v. 10, n. 2, p. 39-45, 2005.

VENDRAME, A. C.; GRAÇA, S. A. Aspectos jurídicos e técnicos:


impacto nas finanças das empresas e reflexos na contratação de
empregados e terceiros. São Paulo: LTr, 2009.

VIEIRA, E. E. G. Construção civil: desafios 2020. Rio de Janeiro:


Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, 2017.

VIEIRA, E. E. G. Estudo de tendências tecnológicas na indústria de


construção civil no segmento de edificações. Relatório Técnico. Rio de
Janeiro: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, 2013.

Unidade I
Fundamentos da segurança 
na construção civil
Segurança do 
Trabalho na 
Construção Civil – 
NR-18
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO
AUTORIA
Giselly Santos Mendes
Olá. Sou mestra em Qualidade Ambiental, tecnóloga em Polímeros 
e administradora, com experiênc
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenv
SUMÁRIO
Introdução ao setor da construção civil.............................................10
Definição, características e f
7
UNIDADE
01
Segurança do Trabalho na Construção Civil – NR-18
8
INTRODUÇÃO
A segurança do trabalho na construção civil – NR-18 – compreende 
o estudo relativo à introdução ao setor da con
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Fundamentos da segurança 
na construção civil. Nosso objetivo é auxiliar
10
Introdução ao setor da construção civil
OBJETIVO:
Neste capítulo, você terá o entendimento das atividades 
do setor da eco

Você também pode gostar