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Apelação Cível: Banco Mercantil e Danos Morais

O documento trata de um recurso de apelação sobre uma ação de obrigação de fazer cumulada com pedido de indenização por danos morais. O tribunal negou provimento ao recurso e confirmou a sentença de primeiro grau.

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Frederico Faro
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Apelação Cível: Banco Mercantil e Danos Morais

O documento trata de um recurso de apelação sobre uma ação de obrigação de fazer cumulada com pedido de indenização por danos morais. O tribunal negou provimento ao recurso e confirmou a sentença de primeiro grau.

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2022.0000964776

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº


1016540-15.2021.8.26.0344, da Comarca de Marília, em que é apelante BANCO
MERCANTIL DO BRASIL S/A, é apelada EDNA ARAÚJO RODRIGUES.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da 38ª Câmara de Direito


Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Negaram
provimento ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do relator, que integra
este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores SPENCER


ALMEIDA FERREIRA (Presidente sem voto), MARCOS GOZZO E LAVÍNIO
DONIZETTI PASCHOALÃO.

São Paulo, 24 de novembro de 2022.

FLÁVIO CUNHA DA SILVA


Relator(a)
Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Apelação nº 1016540-15.2021.8.26.0344
Comarca: Marília
Apelante: Banco Mercantil do Brasil S/A
Apelada: Edna Araújo Rodrigues
Juiz de Primeiro Grau: Paula Jacqueline Bredariol de Oliveira

Voto nº 44.913

APELAÇÃO. Obrigação de fazer cumulada com pedido


de indenização por danos morais. sentença que julgou
procedentes os pedidos. Contratação fraudulenta de
conta corrente em nome da autora com vistas à
transferência de valores relacionados à tomada de
empréstimo consignado, também fraudulento, em seu
nome. Falha na prestação de serviços. Art. 14, do Código
de Defesa do Consumidor. Dano moral que dispensa
provas. Indenização arbitrada em patamar razoável,
considerando-se as peculiaridades do caso concreto.
Sentença confirmada por seus próprios fundamentos,
nos termos do art. 252, do RITJSP.
Recurso desprovido.

Trata-se de recurso de apelação (fls. 99/109) interposto contra a r.


sentença (fls. 91/96) que julgou procedentes os pedidos formulados por Edna Araújo
Rodrigues em face do Banco Mercantil do Brasil S/A nesta Ação de Obrigação de Fazer
cumulada com pedido de Indenização por Danos Morais, nos seguintes termos:

POSTO ISTO e tudo mais que dos autos consta, JULGO


PROCEDENTE a presente ação movida por EDNA ARAÚJO
RODRIGUES contra BANCO MERCANTIL DO BRASIL
S.A., para o fim de:
1- DETERMINAR o encerramento da conta nº 010279989,
ag. nº 0332 e DECLARAR a inexistência de eventuais débitos
e operações financeiras dela decorrentes;
2- CONDENAR o réu ao pagamento de indenização por
danos morais, no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais),
acrescidos de correção monetária, desde a data desta decisão,
e de juros moratórios legais, a partir da citação.
Confirmo a tutela liminarmente concedida.
Sucumbente, condeno o réu ao pagamento das custas e
despesas processuais, bem como honorários advocatícios, que
fixo em R$ 1.000,00 (mil reais), nos termos do art. 85, §8º do
CPC.
Int..

Em suas razões recursais, busca o réu a reforma da decisão de primeiro


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grau para que seja afastada a sua responsabilidade pelos prejuízos supostamente
experimentados pela autora, argumentando para tanto que também teria sido vítima de
fraude perpetrada por terceiros, assim como ela. Assim, pugna pelo afastamento de sua
condenação ao pagamento de indenização por danos morais ou, ao menos, pela redução
do quantum indenizatório (fls. 99/109).

Tempestivamente interposto e regularmente preparado, recebe-se o


recurso em seus regulares efeitos.

Apresentadas contrarrazões (fls. 115/121).

Atribuído à causa o valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais), em


20/10/2021.

É o relatório.

Cuida-se de ação ordinária por meio da qual narrou a autora que teria
sido vítima de fraude perpetrada por terceiros que contrataram um empréstimo
consignado em seu nome junto ao Banco Daycoval, sendo que a irregularidade da
operação foi reconhecida judicialmente na ação de número 1012026-19.2021.8.26.0344.
Seguiu seus relatos afirmando que, entretanto, para o recebimento da quantia objeto do
mútuo, os falsários teriam aberto uma conta corrente em seu nome junto ao réu,
causando-lhe prejuízos extrapatrimoniais.

Assim, argumentando a ocorrência de falha na prestação de serviços por


parte do réu, pugnou pela concessão de tutela de urgência a fim de que fosse
determinado o encerramento da conta em questão e, em definitivo, requereu a
declaração de quaisquer débitos e tarifas relacionadas a ela, bem como a condenação do
banco ao pagamento de R$ 13.000,00 (treze mil reais) como indenização pelos danos
morais que lhe teria causado (fls. 01/08).

Deferida a tutela para estabelecer a suspensão da conta (fls. 44 e 45).

Citado, a ré ofertou contestação, arguindo preliminarmente a sua


ilegitimidade passiva ad causam, porquanto as cobranças indevidas, relacionadas ao
empréstimo fraudulento, teriam sido efetuadas pelo Banco Daycoval. No mérito, negou
a ocorrência de falha na prestação de seus serviços, asseverando que a conta teria sido
aberta “de forma legítima e legal” após a disponibilização de toda a documentação
necessária (fls. 50/55).

Apresentada réplica (fls. 62/68).

Proferida sentença que julgou procedentes os pedidos (fls. 91/96).

Pois bem.

Apelação Cível nº 1016540-15.2021.8.26.0344 -Voto nº 44913 3


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O recurso não merece provimento, devendo a r. sentença ser confirmada


pelos seus próprios e bem deduzidos fundamentos, os quais ficam inteiramente adotados
como razão de decidir pelo desprovimento do apelo, nos termos do artigo 252, do
Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça: “Nos recursos em geral, o relator
poderá limitar-se a ratificar os fundamentos da decisão recorrida, quando,
suficientemente motivada, houver de mantê-la”.

Nesta Seção de Direito Privado, o dispositivo regimental tem sido


utilizado, quer para evitar inútil repetição, quer para cumprir o princípio constitucional
da razoável duração dos processos. Anote-se, dentre tantos outros precedentes:
Apelações 99406023739-8, 99402069946-8 (1ª Câmara); AI 99010153930-6 (1ª
Câmara); Apelações 99405106096-7, 99404069012-1 (2ª Câmara); Apelação
99010031478-5 (3ª Câmara); Apelação 994050097355-6 (5ª Câmara); Apelação
99401017050-8 (6ª Câmara); Apelação 99109079089-9 (11ª Câmara); Apelação
99010237099-2 (13ª Câmara); AI 99010032298-2 (15ª Câmara); Apelação
99109084177-9 (17ª Câmara); Apelação 99100021389-1 (23ª Câmara); Apelação
99207038448-6 (28ª Câmara).

O E. Superior Tribunal de Justiça prestigia este entendimento quando


reconhece em seus julgados “a viabilidade de o órgão julgador adotar ou ratificar o
juízo de valor firmado na sentença, inclusive transcrevendo-a no acórdão, sem que tal
medida encerre omissão ou ausência de fundamentação no decisum” (REsp n° 662.272-
RS, 2ª Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 4.9.2007; REsp n° 641.963-ES, 2ª
Turma, Rel. Min. Castro Meira, j. 21.11.2005; REsp n° 592.092-AL, 2ª Turma, Rel.
Min. Eliana Calmon, j. 17.12.2004 e REsp n° 265.534- DF, 4ª Turma, Rel. Min.
Fernando Gonçalves, j. 1.12.2003).

Transcreve-se, por oportuno, parte da decisão guerreada:

1-A questão posta na inicial, embora de direito e de fato, não


necessita de outras provas, quer em audiência ou fora dela, de
modo que passo a conhecer e julgar o processo
antecipadamente, nos termos do artigo 355, I, do Código de
Processo Civil.
2-De início, convém salientar que a relação jurídica de direito
material estabelecida entre as partes é de consumo, na qual a
autora, destinatária final dos serviços prestados pelo réu, está
na condição de consumidora, enquanto o réu enquadra-se na
figura de prestador de serviço, como definido pelos artigos 2º
e 3º do Código de Defesa do Consumidor.
Pretende a autora o encerramento da conta corrente junto ao
réu, declarando-se inexistentes eventuais débitos ou
empréstimos, bem como a condenação do réu ao pagamento
de indenização por danos morais no valor de R$ 13.000,00.
Segundo a prefacial, por falha na prestação dos serviços do

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réu, teria sido aberta ilegalmente em nome da autora, a conta


corrente nº 010279989, na ag. nº 0332, em Praia Grande.
O réu, por sua vez, bate-se pela legitimidade da conta aberta
em nome da autora, nada havendo de ilegal.
Em autos próprios (proc. nº 1012026-19.2021.8.26.0344), a
lide concentra-se na ilegalidade do empréstimo feito em nome
da autora junto ao Banco Daycoval, com o respectivo
desconto das parcelas de seu benefício previdenciário, sendo
que o valor emprestado foi depositado na conta corrente
existente em nome da autora junto ao banco réu.
A matéria discutida nestes autos diz respeito à abertura da
conta corrente em uma agência do banco réu, se realizada ou
não pela autora.
Embora o réu alegue que a indigitada conta corrente foi
aberta legitimamente, nada comprovou a este respeito.
Instado a apresentar o contrato de abertura da conta e
documentos apresentados na ocasião, bem como extratos de
movimentação bancária, o réu somente trouxe aos autos o
contrato de abertura (fls. 78/85).
Compulsando o referido contrato, nota-se que foi apontado
como endereço residencial a cidade de Praia Grande,
divergente daquele apontado nos autos pela autora. Aliás, a
autora nega tenha residido ou comparecido na referida cidade.
Nota-se, ainda, que o contrato não possui assinatura emanada
dos punhos da autora, mas sim o apontamento de que teria
sido assinado digitalmente.
No entanto, não há prova da existência da alegada assinatura
eletrônica e tampouco a indicação do certificado digital
emitido por Autoridade Certificadora, ou ainda dados que
permitam a identificação do signatário.
Portanto, ausente prova da existência da alegada “assinatura
digital”, tem-se que o documento não possui assinatura,
imprestável à prova de eventual contrato entre as partes.
Outrossim, nota-se que o banco réu não cumpriu
integralmente a determinação judicial de fl. 74, eis que não
apresentou o extrato de movimentação da conta bancária, que
poderia indicar eventual utilização através de suas operações.
Em termos de responsabilidade, o art. 14, do Código de
Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor de
serviços responde, independentemente da existência de culpa,
pela reparação dos danos causados ao consumidor por
defeitos relativos à prestação de serviços. E acrescenta que o
serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o
consumidor espera.
Por isso, “tratando-se de relação de consumo, a
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responsabilidade do fornecedor perante o consumidor é


objetiva, sendo prescindível a discussão quanto à existência
de culpa”. STJ: AGA 268.5865/RJ, 3ª Turma, Rel. Min.
Nancy Andrighi, j.07.12.00, DJ 05.02.01, pg.108.
De outra banda, a hipossuficiência técnica da autora obriga o
Banco a produzir a prova, não só do alegado por ele, mas dos
fatos negados pela autora.
Dessa maneira, inconteste que o réu não se desincumbiu do
ônus que lhe cabia, nos termos preconizados no art. 373, II do
Estatuto dos Ritos: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I
(...); II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor.”.
No ponto, instado a especificar as provas que pretendia
produzir, o réu permaneceu silente.
Oportuno trazer aqui o entendimento assentado por Humberto
Mendes Junior na obra Curso de Direito Processual Civil
Teoria Geral do Direito Processual Civil e Processo de
Conhecimento, vol. 1, 51ª ed., Forense, 2010, p. 430:
“No processo civil, onde quase sempre predomina o princípio
dispositivo, que entrega a sorte da causa à diligência ou
interesse da parte, assume especial relevância a questão
pertinente ao ônus da prova.
Esse ônus consiste na conduta processual exigida da parte
para que a verdade dos fatos por ela arrolados seja admitida
pelo juiz.
Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o
direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus,
de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se
não provar os fatos alegados dos quais depende a existência
do direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela
jurisdicional. Isto porque, segundo a máxima antiga, fato
alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.
(...)
Inexistindo obrigação ou dever de provar para a parte, o ônus
da prova se torna, em última análise, um critério de
julgamento para o juiz: sempre que, ao tempo da sentença, se
deparar com falta ou insuficiência de prova para retratar a
veracidade dos fatos controvertidos, o juiz decidirá a causa
contra aquele a quem o sistema legal atribuir o ônus de prova,
ou seja, contra o autor, se foi o fato constitutivo de seu direito
o não provado, ou contra o réu, se o que faltou foi a prova do
fato extintivo, impeditivo ou modificativo invocado na
defesa”.
Portanto, sem a prova da legalidade e legitimidade na
abertura da conta, ora negada pela autora, é o caso de se
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reconhecer sua invalidade.


3-Quanto aos danos morais, observe que Limongi França
(Reparação do dano moral, RT 631/31) assevera que “dano
moral é aquele que, direta ou indiretamente, a pessoa, física
ou jurídica, bem assim a coletividade, sofre no aspecto não
econômico dos seus bens jurídicos.”.
Ou, no dizer de Yussef Said Cahali (Dano moral, RT, p.
20/21): “Tudo aquilo que molesta gravemente a alma
humana, ferindo-lhe gravemente os valores fundamentais
inerentes à sua personalidade ou reconhecidos pela
sociedade em que está integrado, qualifica-se, em linha de
princípio, como dano moral; não há como enumerá-los
exaustivamente, evidenciando-se na dor, na angústia, no
sofrimento, na tristeza pela ausência de um ente querido
falecido; no desprestígio, na desconsideração social, no
descrédito á reputação, na humilhação pública, no
devassamento da privacidade; no desequilíbrio da
normalidade psíquica, nos traumatismos emocionais, na
depressão ou no desgaste psicológico, nas situações de
constrangimento moral.”.
No caso em tela, os transtornos causados geraram
aborrecimentos e abalo moral indenizável, eis que a autora
teve aberta conta bancária em seu nome, que, inclusive, foi
utilizada para a contratação de empréstimo fraudulento com
débito de prestações em seu benefício previdenciário,
havendo falha nos serviços prestados pelo réu, que deve ser
responsabilizado por não oferecer a segurança esperada.
Calha aqui, a lição de Carlos Roberto Gonçalves que “em
geral, mede-se a indenização pela extensão do dano e não
pelo grau da culpa. No caso do dano moral, entretanto, o
grau da culpa também é levado em consideração, juntamente
com a gravidade, extensão e repercussão da ofensa, bem
como a intensidade do sofrimento acarretado à vítima”
(Responsabilidade Civil, nº 94.5, pág. 414, 6ª Ed., Saraiva).
Diante disso, certa a obrigação de indenizar pelo dano não
patrimonial, resta quantificar o valor da indenização.
Sobre o tema, assim pontuou o Desembargador Cerqueira
Leite (Apelação nº 0005405-80.2010.8.26.0482):
“Por paradoxal que seja, a autora, embora a única em
condições de dimensionar a intensidade da dor ou do abalo,
exatamente por ser aquela que o sofreu, é a menos indicada
para reduzir esse sentimento a uma quantia. A ré, por sua
vez, muito menos está em condições de valorar. É o juiz, pela
posição de equidistância e imparcialidade, o mais dotado de
capacidade para, sem paixões, quantificar o dano
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extrapatrimonial.”.
Nessa esteira, o valor da indenização deve atender os fins a
que ela se presta, considerando a condição econômica da
vítima e do ofensor, o grau de culpa, a extensão do dano, a
finalidade da sanção reparatória e os princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade.
Assim, entendo razoável, pois, o valor de R$ 8.000,00 (oito
mil reais). Essa quantia é o quanto basta para remediar o
sofrimento causado pela ré, sem caracterizar enriquecimento
sem causa à autora.
Enfim, de rigor o acolhimento do pedido inicial.

Consigna-se apenas que a r. sentença assentou corretamente a falha na


prestação de serviços por parte do réu, ora apelante, que deixou de tomar as cautelas
necessárias a fim de evitar a contratação fraudulenta de conta corrente em nome da
autora.

É certo que, diante da vulnerabilidade do consumidor e da


impossibilidade de comprovar fato negativo, competia à instituição financeira
demonstrar a regularidade da contratação da conta corrente, além da segurança e
inviolabilidade de seu sistema, ou a culpa exclusiva da vítima ou de terceiros, ônus do
qual não se desincumbiu.

Isso porque o instrumento contratual juntado aos autos pelo banco a fim
de demonstrar a suposta regularidade da contratação registra endereço diverso do da
apelada e não traz a sua assinatura, mas apenas aponta que teria sido assinado
digitalmente (fls. 78/85).

Cumpre assinalar que a ação de terceiros fraudadores se insere nos


percalços naturais da atuação das instituições financeiras, incidindo, no caso em
comento, a Teoria do Risco Proveito, fundada na livre iniciativa, que relega ao
empreendedor, de forma exclusiva, o ônus da atividade econômica lucrativa explorada
no mercado, tanto é que o dever de indenizar surge independentemente da existência de
culpa.

É o entendimento sumulado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no


enunciado nº 479:

As instituições financeiras respondem objetivamente pelos


danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos
praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

No mais, a falta de diligência do banco enseja a responsabilidade de


indenizá-lo pelos danos morais experimentados.

No que diz respeito ao quantum indenizatório, a r. sentença fixou a


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importância de R$ 8.000,00 (oito mil reais) como forma de compensação pelos prejuízos
extrapatrimoniais experimentados pela apelada. Em que pesem as razões recursais, tal
montante se revela razoável e adequado ao caso concreto, sopesadas as circunstâncias
fáticas que o permeiam.

Assim, é certo que o arbitramento se deu com equilíbrio e


proporcionalidade, evitando a ocorrência de enriquecimento sem causa daquele que a
recebe e, inversamente, o empobrecimento desproporcional, e por isso também ilícito,
de quem a paga.

Portanto, de rigor a manutenção da sentença.

E outros fundamentos são dispensáveis diante da adoção integral dos que


foram deduzidos na r. sentença, e aqui expressamente adotados para evitar inútil e
desnecessária repetição, nos termos artigo 252, do Regimento Interno deste Egrégio
Tribunal de Justiça.

Verificado o decaimento total do apelante, devem ser mantidos os ônus


sucumbenciais anteriormente fixados, com a majoração dos honorários advocatícios
para R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais).

Ante o exposto, nega-se provimento ao recurso.

Para fins de acesso aos Egrégios Tribunais Superiores, ficam


expressamente prequestionados todos os artigos legais e constitucionais mencionados.

FLÁVIO CUNHA DA SILVA


Relator

Apelação Cível nº 1016540-15.2021.8.26.0344 -Voto nº 44913 9

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