ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
BOM (Bill of Material)
Importância da BOM
A BOM, ou estrutura de produto é uma das informações fundamentais da
manufatura, pois nela registram-se as informações de produtos utilizadas por
todos os setores e processos envolvidos com a manufatura do produto.
Seu domínio é essencial para o sucesso da implantação de sistemas integrados.
Apesar do desempenho desses sistemas estar vinculado à qualidade das
informações que eles manipulam a maioria das empresas não garante que suas
informações fundamentais sejam completas e precisas. As informações
fundamentais muitas vezes não são estruturadas e gerenciadas de acordo com o
tipo de negócio e produto.
A falta de qualidade das informações fundamentais tem sido resumida por meio da
expressão “garbage in, garbage out”, ou seja, se os processos da empresa estão
manipulando informações sem qualidade, consequentemente os resultados
alcançados por esses processos também estarão comprometidos.
A BOM é também um elemento que gera integração uma vez que suas
informações são compartilhadas por quase todos os departamentos da empresa.
Logo, a forma como é gerenciada, controlada e estruturada pode diretamente
influenciar o sucesso da empresa. Uma empresa almeja ser de classe mundial
deve possuir BOMs sólidas, representando os processos e produtos, em sintonia
com as estratégias do negócio.
É importante destacar ainda a importância da BOM como sendo o ponto mais
comum para interface ou integração entre os sistemas ERP (Enterprise Resource
Planning) e PDM (Product Data Management) e entre os sistemas ERP e CAD
(Computer Aided Design) possibilitando assim o fluxo e a consistência das
informações.
Apesar da sua importância, GARWOOD (1995) afirma que a BOM tem sido o
“calcanhar de Aquiles” da maioria das empresas de manufatura, as quais sempre
esbarram nas seguintes questões: o meu produto tem diversos opcionais e
alternativas, como conviver com o grande número de estruturas de produto
necessárias? Como a estrutura de produto pode refletir diferentes estratégias de
estoque? Como conviver com mais de uma estrutura de produto? Quem é o
“dono” da estrutura de produto? Como simplificar a estrutura de produto? Como
aumentar a precisão das informações?
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]
ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
Definição
Segundo definiu a AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY CONTROL
SOCIETY (APICS), em 1992, a estrutura de produto (BOM - bill of material) é uma
lista de todas as submontagens, componentes intermediários, matérias-primas e
itens comprados que são utilizados na fabricação e/ou montagem de um produto,
mostrando as relações de precedência e quantidade de cada item necessário.
CLEMENT et al. (1992) acrescentam que, além desses objetos, a BOM também
pode conter outros, tais como, instruções de trabalho ou ferramentas requeridas
para suportar o processo de manufatura.
Através da BOM é estabelecida uma relação pai/filho entre um item e seus
componentes diretos.
Tipos de BOM e seus elementos
BOM simples / padrão (flattened / standard BOM)
A BOM mais simples possível é a de dois níveis, um com as matérias-primas e
itens comprados, e outro com o produto final. A única razão para a criação de
mais níveis são as necessidades do planejamento e controle da produção (PCP),
como por exemplo, a criação de submontagens ou itens intermediários que
precisam ser estocados (GARWOOD, 1995). Uma BOM de vários níveis é a
estrutura mais conhecida, também, chamada de BOM padrão.
Item fantasma e pseudo item e (phantoms and pseudo items)
Itens fantasmas são aqueles produzidos no processo de manufatura, possuindo
“pais” definidos, porém não são tipicamente estocados. Apesar de existirem
fisicamente, são rapidamente consumidos como componentes do item de nível
imediatamente superior na BOM.
Um pseudo item é um coleção artificial de componentes que são agrupados para
propósitos de planejamento. Ao contrário dos itens fantasmas, entretanto, os
componentes do pseudo item não podem ser manufaturados juntos para produzir
um item pai que exista fisicamente. Por essa razão os pseudo itens nunca
possuem inventário.
BOM Molular e de Planejamento (modular and planning BOM)
A modularidade é a capacidade de se construir um produto ou processo complexo
a partir de subsistemas menores (chamados módulos), os quais podem ser
projetados independentemente e ainda assim funcionar juntos como um todo.
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]
ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
Se um produto possui muitas opções de escolha de itens, o número de
combinações possíveis torna-se muito grande, dificultando a previsão de vendas e
o planejamento mestre de produção de cada item final. Além disso, se for mantida
uma BOM para cada configuração diferente do produto, o espaço requerido pode
ser muito grande, envolvendo altos custos de armazenagem e manutenção.
A solução para este problema é a utilização da BOM modular. Ao invés de se
manter uma BOM para cada produto final possível dentro de uma família, são
identificadas as opções para cada um dos seus componentes, as quais são
organizadas em módulos. Essa análise deve ocorrer no nível de menor variação
na configuração, reduzindo assim o número de itens manipulados na previsão de
vendas e no planejamento mestre de produção. A BOM utilizada neste caso é
considerada a BOM de planejamento, onde definem-se porcentagens de cada
item de menor variação de configuração.
Outra razão para utilizar a BOM modular acontece nos casos em que o lead time
de manufatura é maior do que o lead time de entrega aceito pelo consumidor.
Nesses casos, a modularização pode suportar a implantação da estratégia de
estoque assemble-to-order, reduzindo o tempo entre a entrada do pedido do
cliente e a entrega. A previsão de vendas é feita no nível dos módulos, os quais
são fabricados e estocados. Quando ocorre um pedido do cliente, a configuração
desejada é produzida utilizando-se os módulos previamente preparados.
BOM genérica (generic BOM)
A estrutura de produto genérica é uma aplicação do conceito de BOM modular
para as atividades de vendas técnicas e controle de configurações, assim como a
BOM de planejamento é uma aplicação para previsão de vendas e planejamento
mestre da produção.
Aplicações para a configuração de produtos são uma extensão natural do conceito
de BOM modular. Ao invés de módulos predefinidos, com os usados na BOM
modular, o configurador pode utilizar algoritmos, regras e condicionais para
selecionar e calcular os componentes de um produto e seus requisitos de
manufatura.
Segundo VAN VEEN & WORTMANN (1987), assim como uma BOM específica
descreve exatamente um produto, a BOM genérica descreve uma variedade de
produtos (conceito de BOM modular). A BOM genérica não pode ser utilizada
diretamente para propósitos de planejamento e manufatura. Ela é apenas um
frame para a criação de BOMs específicas no momento necessário, geralmente
durante a entrada do pedido do cliente.
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]
ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
BOM de manufatura (Manufacturing BOM)
BOM de manufatura representa a integração lógica da estrutura de produto e do
plano de processo. A seqüência de operações é especificada e a cada operação
são associados os itens necessários da BOM. A BOM de manufatura é usada
como um guia para fabricação e montagem de um produto, sendo que seus níveis
refletem o fluxo de produção e pontos de estoque.
Estrutura de Produto para Informação (Information Bill of
Material)
As estruturas de produto para informação são relatórios padrões gerados pelos
sistemas de informação para suportar análises diversas sobre a BOM e seus itens.
Segundo GUESS (1985) e SCHLUSSEL (1995), os principais formatos de BOM
para informação são: .
• Estrutura de produto “indentada” (indented bill of material): é uma
representação alternativa à estrutura gráfica, sendo mais fácil de ser gerada
pelos sistemas computacionais. Os níveis mais altos da BOM são
colocados na extrema esquerda da margem e seus componentes são
colocados sucessivamente para a direita à medida que se vai descendo ao
longo dos níveis. Se um componente é utilizado em dois ou mais itens, ele
aparecerá abaixo de cada um de seus itens pais.
• Estrutura de produto de onde é usado (where-used bill of material): pode
ser no formato de nível simples ou multinível. No primeiro tipo são
mostrados todos os itens pai nos quais o componente é usado diretamente.
No segundo tipo são mostrados todos os itens pai nos quais o componente
é usado direta ou indiretamente, isto é, até o produto final, através de uma
técnica chamada implosão.
• Estrutura de produto custeada (costed bill of material): é uma extensão do
formato “indentado” no qual o custo de cada item é mostrado numa coluna
à direita da descrição.
• Estrutura de produto matriz (matrix bill of material): é um gráfico utilizado
para identificar os componentes comuns dentro de uma família de produtos
ou famílias similares.
• Estrutura de produto resumida (summarized bill of material): uma forma de
BOM de um nível na qual são listados todos os componentes necessários
para a produção do item com suas quantidades. Difere do BOM “indentada”
porque não são mostrados os níveis de montagem e os componentes
aparecem apenas uma vez com a quantidade total necessária.
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]
ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
Variações da BOM e BOM única
Como os diferentes usuários da BOM possuem diferentes necessidades, tornou-
se uma prática comum que cada um deles estrutura-se a sua própria BOM de
acordo com essas necessidades individuais.
Os exemplos mais comuns de BOM departamental são a BOM criada pela
engenharia (E_BOM - Engineering Bill of Material), e a BOM utilizada pelo PCP e
pela manufatura (P_BOM - Production Bill of Material ou M_BOM - Manufacturing
Bill of Material). A E_BOM, também chamada estrutura de desenho, representa os
sistemas funcionais do produto. Já a P_BOM é elaborada a partir da E_BOM, e
reflete a transformação da matéria prima e a montagem dos subconjuntos através
do processo produtivo.
Essa abordagem implica, entretanto, na redundância de informações, e
consequentemente no risco de inconsistência, bem como no aumento do esforço e
do tempo de resposta das manutenções (GARWOOD, 1995).
Devido aos problemas apresentados, diversos autores, como CLEMENT et al.
(1992), GARWOOD (1995) e WASSWEILER (1996), consideram que toda
empresa deve perseguir o objetivo de ter uma estrutura de produto única que
forneça múltiplas visões para suportar as necessidades de todos os usuários.
Objetivo esse que é totalmente compatível com o estágio atual de
desenvolvimento da tecnologia de informação.
GARWOOD (1995) observa que apesar do PCP ser o maior usuário da BOM e o
que exige maior precisão das suas informações, ele não é o seu “dono”. Segundo
WASSWEILER (1996), nesse novo cenário a BOM passa a ser responsabilidade
de todos os seus usuários. .
Informações adicionais
AMERICAN PRODUCTION AND INVENTORY CONTROL SOCIETY. Dictionary.
(1992). [Link]. Falls Church, American Production and Inventory Control Society.
CLEMENT, J.; COLDRICK, A. SARI, J. (1992). Manufacturing data structures:
building foundations for excellence with bills of material and process information.
Atlanta, Oliver Wight. 1992. (Disponível na biblioteca da EESC - USP).
GARWOOD, D. (1995). Bills of material: structured for excellence. [Link]. Marietta,
Dogwood. (t:822).
GUESS, V. C. (1985). APICS training aid: bills of material. Revised edition, Falls
Church, American Production and Inventory Control Society.
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]
ELEMAQ ELEMENTOS DE MÁQUINAS
OLIVEIRA, C. B. M. (1999). Estruturação, identificação e classificação de
produtos em ambientes integrados de manufatura. São Carlos, 1999.
Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos - USP. (Disponível
na biblioteca da EESC - USP). (t: 782).
ROZENFELD, H.; OLIVEIRA, C. B. M. (1998) Estruturação e Identificação de
Produtos em Ambientes Integrados. Máquinas e Metais, n. 392, p. 100-119, set.
(t:796)
SCHLUSSEL, B. (1995). Principles of product structuring: how to get the most of
your bill of material. In: APICS ANNUAL INTERNATIONAL CONFERENCE,
Orlando, 1995. Proceedings. Falls Church, APICS. p.101-103.
VAN VEEN, E. A.; WORTMANN, J. C. (1987). Generic bill of material in assemble
to order manufacturing. International Journal of Production Research, v.25,
n.11, p.1645-1658. (t:828).
WASSWEILER, B. (1996). How to achieve and maintain bill of material accuracy.
APICS ANNUAL INTERNATIONAL CONFERENCE, New Orleans, 1996.
Proceedings. Falls Church, APICS. p.57-59.
Fonte: [Link]
home page: [Link] E-mail: elemaq@[Link]