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Decisão sobre Reclamação contra Potelo

O documento é uma decisão judicial proferida em processo movido por uma reclamante contra empresas provedoras de busca na internet. A decisão rejeita preliminares alegadas pelas rés, decretando a revelia de uma delas. No mérito, julga procedente os pedidos da autora para que links com informações não atualizadas sobre ela sejam removidos dos resultados de busca.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Decisão sobre Reclamação contra Potelo

O documento é uma decisão judicial proferida em processo movido por uma reclamante contra empresas provedoras de busca na internet. A decisão rejeita preliminares alegadas pelas rés, decretando a revelia de uma delas. No mérito, julga procedente os pedidos da autora para que links com informações não atualizadas sobre ela sejam removidos dos resultados de busca.
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PROJUDI - Processo: 0003376-62.2021.8.16.0187 - Ref. mov. 53.

1 - Assinado digitalmente por Denis Eduardo Blankenburg Almada


22/09/2022: PROFERIDA DECISÃO POR JUIZ LEIGO. Arq: Decisão

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA –
1ª VARA DESCENTRALIZADA DE SANTA FELICIDADE -
JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE CURITIBA - PROJETO
Via Vêneto, 1490 - Santa Felicidade - Curitiba/PR

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VISTOS E EXAMINADOS os presentes autos de
RECLAMAÇÃO sob o n° 0003376-62.2021.8.16.0187, em
que é reclamante ELIDIA CORDEIRO DE OLIVEIRA e
reclamadas GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA,
JUSBRASIL LLC e POTELO SISTEMA DE
INFORMAÇÃO LTDA, já qualificados.

1. ESCLARECIMENTO PRÉVIO

Primeiramente, cumpre esclarecer às partes e aos seus


procuradores, que o rito célere, informal, simples, oral e sumário
dos Juizados não permite a aplicação do art. 489 do Código de
Processo Civil. Neste sentido é inclusive o enunciado 162 do
FONAJE, o qual dispõe: “ENUNCIADO 162: Não se aplica ao
Sistema dos Juizados Especiais a regra do art. 489 do CPC/2015
diante da expressa previsão contida no art. 38, caput, da Lei
9.099/95”.
Assim, diante da regulamentação própria estabelecida pela
Lei 9.099/95, no artigo 38, e o caráter de especialidade em relação
ao Código de Processo Civil, reconhecido no Enunciado 161 do
FONAJE1, visando proteger a viabilidade e eficiência do sistema
dos Juizados, não há que se falar em sentença analítica, o que não
desobriga este juízo a proferir sentença com fundamentação, mas
também com os olhos voltados para a simplicidade própria dos
Juizados.

2. RELATÓRIO

1 ENUNCIADO 161 - Considerado o princípio da especialidade, o CPC/2015 somente terá


aplicação ao Sistema dos Juizados Especiais nos casos de expressa e específica remissão ou
na hipótese de compatibilidade com os critérios previstos no art. 2º da Lei 9.099/95.

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Nos termos do disposto no artigo 38 da Lei Federal nº
9.099/95, dispenso o relatório. Passo à fundamentação.

3. JULGAMENTO ANTECIPADO

O feito comporta julgamento antecipado nos termos do


artigo 355, inciso I, do Código de Processo Civil, não existindo a
necessidade de produção de outras provas, especialmente em
audiência, posto que os elementos já coligados aos autos são
suficientes ao convencimento motivado.
Outrossim, as próprias partes em sede de audiência
conciliatória pediram o julgamento, dispensando o elastecimento
probatório.

4. REVELIA

A reclamada POTELO SISTEMAS DE INFORMAÇÃO


LTDA, apesar de devidamente citada (mov. 40.1), deixou de
comparecer à audiência de conciliação (mov. 48.1), razão pela qual,
DECRETO a sua REVELIA, nos termos do artigo 20 da Lei Federal
n° 9.099/95.

5. PRELIMINARES

1) Regularidade Processual:

A reclamada GOOGLE alega a necessidade de extinção


do feito em razão de suposta irregularidade processual decorrente
da assinatura divergente no RG e na procuração outorgada.

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Rejeito a preliminar considerando que houve a
participação da parte autora na audiência de conciliação, o que
demonstra o integral conhecimento da demanda pela parte,
corroborando a veracidade da procuração outorgada.

2) Inépcia da Petição Inicial:

A reclamada GOOGLE alega a inépcia da petição inicial


aduzindo que: “A pretensão autoral é trazida ao conhecimento do
Judiciário sem a indicação dos endereços precisos em que os
abusos descritos pela inicial estariam ocorrendo. Ou seja, não há,
no pedido, na causa de pedir e nos documentos que acompanham
a inicial, a indicação dos endereços URLs nos quais, de fato, conste
o conteúdo impugnado pela Autora”.
Não comporta acolhimento a pretensão. Isso porque a
petição inicial indica comprova na página 02 que a busca foi
realizada no site da reclamada GOOGLE, indicando os sites das
corrés.
Portanto, REJEITO a preliminar.

3) ILEGITIMIDADE PASSIVA:

As reclamadas alegam a ilegitimidade passiva por serem


meros provedores de buscas, que reproduzem conteúdo disponível
na internet.
Não comporta acolhimento a preliminar.

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Isso porque o artigo 19 da Lei Federal n°12.965/2014
(Marco Civil da Internet) admite a possibilidade de ordem judicial
que obrigue provedor de aplicações de internet a tornar indisponível
conteúdo gerado por terceiros. Senão vejamos:

Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de


expressão e impedir a censura, o provedor de aplicações
de internet somente poderá ser responsabilizado
civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por
terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as
providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu
serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o
conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as
disposições legais em contrário.

Nesse sentido:
APELAÇÃO CÍVIEL. DIREITO PRIVADO NÃO
ESPECIFICADO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. REMOÇÃO
DAS PUBLICAÇÕES REFERENTES A FATO PUNÍVEL
CRIMINALMENTE. GOOGLE. PROVEDOR DE
PESQUISA DO CONTEÚDO DA WEB. LEGITIMIDADE
PASSIVA. A legitimidade para causa deve ser analisada
frente às alegações formuladas na inicial pela parte
autora, ou seja, in status [Link] hipótese dos
autos, as narrativas da parte autora são
suficientes para demonstrar a legitimidade da ré para
integrar o polo passivo da relação processual, na medida
em que, ao digitar seu nome no site de busca, este
relaciona diversas ocorrências. A eventual
responsabilidade da demandada e a procedência, ou não,
da pretensão referem-se ao mérito da questão posta em
litígio. Sentença desconstituída. Apelação Cível Provida.
(TJ-RS - AC: 70080911738 RS, Relator: Mylene Maria
Michel, Data de Julgamento: 18/03/2020, Décima
Nona Câmara Cível, Data de Publicação: 04/11/2020)

Portanto, REJEITO a preliminar.

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6. MÉRITO

Trata-se de ação de obrigação de fazer c/c indenização


por danos morais em que afirma a autora que ao realizar uma
busca de seu nome no site de buscas da ré Google, verificou que
aparecem nas pesquisas informações sobre todos os processos
judiciais em que é parte, sendo disponibilizadas as vinculações nos
sites das rés JusBrasil e Escavador, as quais dispõem de suas
informações pessoais. Sustenta que entre os processos,
encontram-se informações de processos trabalhistas.
Assim postula a retirada do conteúdo e indenização por
danos morais.
A demanda é improcedente.
Filio-me ao entendimento da 2ª Turma Recursal do Paraná
quanto a ausência de obrigação dos provedores de busca a excluir
informações fornecidas por terceiros. Nesse sentido:

RECURSO INOMINADO. RESIDUAL. PROVEDOR DE


BUSCAS NA INTERNET. GOOGLE E JUSBRASIL.
LEGITIMIDADE PASSIVA CONFIGURADA. SENTENÇA
ANULADA. CAUSA MADURA PARA JULGAMENTO.
PLEITO DE DESVINCULAÇÃO DO NOME DA AUTORA
ATRELADAS AS BUSCAS DE PROCESSOS
TRABALHISTAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DOS
PROVEDORES DE BUSCA ACERCA INFORMAÇÕES
FORNECIDAS POR URL DE PÁGINA NA QUAL FOI
INSERIDA. ENTENDIMENTO DO STJ. INOCORRÊNCIA
DE DANO MORAL. RECURSO CONHECIDO E
PARCIALMENTE PROVIDO.
(TJPR - 2ª Turma Recursal - 0028952-13.2020.8.16.0019
- Ponta Grossa - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO
FERNANDA BERNERT MICHIELIN - J. 12.11.2021)

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Extrai-se do brilhante voto da Eminente Relatora:

O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no


sentido que “Os provedores de pesquisa virtual não
podem ser obrigados a eliminar do seu sistema
os resultados derivados da busca de determinado termo
ou expressão, tampouco os resultados que apontem para
uma foto ou texto específico, independentemente da
indicação do URL da página onde este estiver inserido
(Rcl 5.072/AC).” (REsp 1771911/SP, Rel. Ministra
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
16/03/2021, DJe 26/04/2021)
Ademais, cumpre ressaltar que a parte autora não
evidenciou nenhum ato contrário a lei, seja ele de direito
processual ou material, por parte dos respectivos
Tribunais em que figurou como parte em processos
trabalhistas, razão pela qual tem-se que o caso
concreto não versa sobre hipótese de erro judiciário que
mereça qualquer tipo de restrição ou reprimenda.
De outro norte, importante mencionar que a Constituição
Federal prevê que “todos os julgamentos dos órgãos do
Poder Judiciário serão públicos” (art. 93, inciso IX, da
CF), bem como que o direito à informação está
sedimentado no art. 5º, inciso XIV da Constituição
Federal, o qual poderá ser restringido em casos extremos
em que envolva processos em segredo de justiça,
situação esta que não guarda relação com a presente
lide.
Sendo assim, constatada a ausência de qualquer tipo de
irregularidade na publicidade dos processos de nº (...),
não há que se falar em compelir as requeridas a promover
a desindexação do nome da parte autora da busca que a
relaciona às páginas dos referidos autos.
(...).
Da mesma forma, a parte autora não apresentou nenhum
elemento probatório que atestasse o aventado prejuízo
moral sofrido, não sendo a publicidade dos autos
processuais suficientes a ensejar este tipo de
indenização.
Vale ressaltar que apenas é caracterizado o dano moral
quando o autor é ofendido na sua honra, na sua imagem,
ou é colocado em situação humilhante, vexatória, que
cause transtorno psicológico relevante, o que não se
evidencia na hipótese em debate.

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Deste modo, ante ausência de comprovada ocorrência de
prejuízos concretos, que afetaram diretamente os direitos
personalíssimos da parte autora, não há em
falar na condenação por danos morais.

A presente lide possui os mesmos pedidos de obrigação


de fazer e indenização por danos morais, tendo sido ajuizada em
face das mesmas empresas (GOOGLE e JUSBRASIL).
Da mesma forma a reclamante não comprovou a
ocorrência de ato contrário a lei, seja ele de direito processual ou
material, por parte dos respectivos Tribunais em que figurou como
parte, bem como, não demonstrou a ocorrência do dano moral
advindo das publicações.
Portanto, considerando que o caso concreto se amolda
perfeitamente ao julgado, remetendo a fundamentação acima
contida, JULGO IMPROCEDENTE a demanda.
Esclareço, por fim, que a lide não se confunde com o
Direito ao Esquecimento (TEMA 786 – STF) e, tampouco, ao Direito
à Desindexação2, eis que não restou demonstrada qualquer
conteúdo que possa prejudicar o desenvolvimento da vida e
familiar.
Anoto, por oportuno, que os demais argumentos expostos
na inicial foram observados pelo juízo e não foram considerados
como capazes de infirmar ou alterar a conclusão adotada nesta
sentença.

2
“DIREITO À DESINDEXAÇÃO, POR SUA VEZ, QUE SE REFERE À POSSIBILIDADE DE SE
DESVINCULAR O NOME DE DETERMINADA PESSOA DE CERTOS RESULTADOS DE
BUSCA REALIZADOS EM PROVEDORES DE PESQUISA” – Contido no voto proferido pelo
Eminente Relator dos autos n° 0002363-12.2018.8.16.0194, 18ª Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do Estado do Paraná.

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Advirto que a presente decisão está sendo emanada de
acordo com o artigo 6º da Lei 9.099/1995, in verbis: “O Juiz adotará
em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime,
atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum”.

7. DISPOSITIVO

Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE a presente


reclamação ajuizada por ELIDIA CORDEIRO DE OLIVEIRA em
face de GOOGLE BRASIL INTERNET LTDA, JUSBRASIL LLC e
POTELO SISTEMA DE INFORMAÇÃO LTDA, com fulcro no artigo
487, I, do Código de Processo Civil, extinguindo o feito, com
resolução de mérito, nos termos da fundamentação.
Sem custas e sem honorários, face o disposto no artigo 54
da Lei Federal nº 9.099/95.
Submeto ao MM. Juiz Supervisor do Juizado Especial
Cível o presente projeto de sentença para homologação, nos
termos do artigo 40 da Lei Federal nº 9.099/95, destacando que a
disponibilização ao público externo ocorrerá após a homologação,
nos termos do artigo 55, §2º, da Resolução 04/2013 do Conselho
Supervisor dos Juizados Especiais3. Após,

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Curitiba-PR, 22 de setembro de 2022.

Dênis E. Blankenburg Almada


Juiz Leigo

3 “O projeto de sentença apresentado por juiz leigo só poderá ser juntado aos autos e
disponibilizado para o público externo no sistema de informática caso seja homologado”.

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