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Desenvolvimento Saudável na Infância

1. O documento discute os fundamentos do desenvolvimento saudável de crianças, incluindo conceitos como saúde, doença, deficiência e incapacidade. 2. Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento do cérebro e a formação de conexões neurais, influenciadas por experiências e relacionamentos. 3. Experiências adversas na primeira infância, como pobreza, abuso ou negligência, podem comprometer o desenvolvimento cerebral e aumentar riscos à saúde.
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Desenvolvimento Saudável na Infância

1. O documento discute os fundamentos do desenvolvimento saudável de crianças, incluindo conceitos como saúde, doença, deficiência e incapacidade. 2. Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento do cérebro e a formação de conexões neurais, influenciadas por experiências e relacionamentos. 3. Experiências adversas na primeira infância, como pobreza, abuso ou negligência, podem comprometer o desenvolvimento cerebral e aumentar riscos à saúde.
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UFCD 10385 - FUNDAMENTOS DO

DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL
Curso Técnico de Apoio Psicossocial
 Objetivos;
≥ Definir os conceitos de saúde e doença.
≥ Diferenciar os conceitos de doença, deficiência e incapacidade.
≥ Reconhecer e potenciar o processo de desenvolvimento saudável.
≥ Identificar e caracterizar o papel das principais estruturas biológicas
implicadas no funcionamento saudável.
 Conteúdos;
≥ Fundamentos Conceptuais;
• Saúde e Doença
• Deficiência
• Autonomia
• Independência
• Atividades da Vida Diária
• Funcionalidade
• Incapacidade
≥ Sistemas sensoriais
• Modalidades e estruturas biológicas
• Doença e deficiência
• Causas e consequências
≥ Alimentação
• Nutrição
• Desnutrição
• Implicações na saúde
≥ Motricidade
• Marcha
• Motricidade fina e global
• Fases do desenvolvimento
≥ Linguagem
• Características e função
• Estruturas biológicas
• Condições necessárias à sua aquisição
• Fases de desenvolvimento

1
≥ Ciclo do sono-vigília
• Funções
• Arquitetura e padrão
• Ritmo circadiano
• Higiene do sono
≥ Afetividade
• Emoção
• Humor
• Implicações nas relações interpessoais
≥ Principais eixos do Desenvolvimento Saudável
1) Sistemas Sensoriais
2) Alimentação
3) Motricidade
4) Linguagem
5) Ciclo do sono-vigília
6) Afetividade

2
 Alguns conceitos que irão ser utilizados ao longo desta ufcd;
Funcionalidade - é um termo genérico ("chapéu") para as funções do corpo,
estruturas do corpo, actividades e participação. Ele indica os aspectos positivos
da interacção entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e os seus
factores contextuais (ambientais e pessoais).

Incapacidade - é um termo genérico ("chapéu") para deficiências, limitações


da actividade e restrições na participação. Ele indica os aspectos negativos da
interacção entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus factores
contextuais (ambientais e pessoais).

Funções do corpo - são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos,


incluindo as funções psicológicas. “Corpo” refere-se ao organismo humano
como um todo e, portanto, inclui o cérebro. Assim, as funções mentais (ou
psicológicas) são consideradas parte das funções do corpo. O padrão para
essas funções é a norma estatística para a população humana.

Estruturas do corpo - são as partes estruturais ou anatómicas do corpo, tais


como órgãos, membros e seus componentes classificados de acordo com os
sistemas orgânicos. O padrão para essas estruturas é a norma estatística para
a população humana.

Deficiência - é uma perda ou anormalidade de uma estrutura do corpo ou de


uma função fisiológica (incluindo funções mentais). Na CIF, o termo
anormalidade refere-se estritamente a uma variação significativa das normas
estatisticamente estabelecidas (i.e. como um desvio de uma média na
população obtida usando normas padronizadas de medida) e deve ser utilizado
apenas neste sentido.

Actividade - é a execução de uma tarefa ou acção por um indivíduo. Ela


representa a perspectiva individual da funcionalidade.

Limitações da actividade - são dificuldades que um indivíduo pode ter na


execução das actividades. Uma limitação da actividade pode variar de um
desvio leve a grave em termos da quantidade ou da qualidade na execução da

3
actividade comparada com a maneira ou a extensão esperada em pessoas
sem essa condição de saúde.

1 - Fundamentos Conceptuais;

• Saúde, autonomia, independência, atividades da vida diária e


funcionalidade;
≥ Desenvolvimento Saudável;

Os primeiros anos de vida são importantes porque o que ocorre na primeira


infância faz diferença por toda a vida. A ciência mostra-nos o que devemos
oferecer às crianças e do que devemos protegê-las para garantir a promoção
do seu desenvolvimento saudável. Relacionamentos estáveis, responsivos,
estimulantes e ricos em experiências de aprendizagem nos primeiros anos de
vida originam benefícios permanentes para a aprendizagem, para o
comportamento e para a saúde física e mental. Por outro lado, pesquisas sobre
a biologia do estresse na primeira infância mostram como o estresse crônico
causado por adversidades significativas, como pobreza extrema, abuso ou
negligência, podem debilitar o desenvolvimento da arquitetura cerebral e
colocar o sistema corporal de resposta ao estresse em permanente estado de
alerta, aumentando os riscos de diversas doenças crônicas.

Os conceitos básicos que se seguem, estabelecidos por décadas de pesquisas


em neurociência e comportamento, ajudam a ilustrar por que motivo o
desenvolvimento saudável da criança, do nascimento até os 5 anos de idade,
cria os alicerces de uma sociedade próspera e sustentável.

O desenvolvimento básico do cérebro é construído através de um processo


contínuo, que se inicia antes do nascimento e continua até a maturidade. As
primeiras experiências afetam a qualidade desse desenvolvimento
estabelecendo o alicerce, robusto ou frágil, para a aprendizagem, a saúde e
comportamentos subsequentes. Nos primeiros anos de vida, 700 novas
conexões neurais (chamadas sinapses) são formadas a cada segundo. Após
esse período de rápida multiplicação, essas conexões são reduzidas através
de um processo de seleção, de forma que os circuitos cerebrais tornam-se
mais eficientes. Os circuitos sensoriais, como os da visão e da audição

4
básicas, são os primeiros a desenvolver-se, seguidos pelas habilidades iniciais
da linguagem e, posteriormente, pelas funções cognitivas superiores.

As ligações multiplicam-se e são selecionadas de forma predeterminada, e os


circuitos cerebrais mais tardios e mais complexos são construídos sobre os
circuitos anteriores, mais simples.

As influências interativas de genes e experiência moldam o cérebro em


desenvolvimento. Atualmente os cientistas sabem que um ingrediente
importante nesse processo de desenvolvimento é o que foi chamado de
relacionamento “dar e receber” que se estabelece entre as crianças e seus pais
e outros cuidadores na família ou na comunidade. Crianças pequenas
procuram interações naturalmente, balbuciando, por meio de expressões
faciais e gestos, e os adultos respondem-lhe com tipos semelhantes de gestos
e vocalizações.

Na ausência dessas respostas – ou quando as respostas não são confiáveis ou


são inadequadas –, a arquitetura cerebral não se forma como seria esperado, o
que pode conduzir a disparidades na aprendizagem e no comportamento.

A capacidade de mudança do cérebro diminui com a idade. No início da vida, é


mais flexível, ou “plástico”, para acomodar uma grande variedade de ambientes
e interações; no entanto, com o amadurecimento, o cérebro torna-se mais
especializado para assumir funções mais complexas, e menos capaz de se
reorganizar e se adaptar a desafios novos e inesperados. Por exemplo, ao final
do primeiro ano, as regiões do cérebro que diferenciam sons começam a se
especializar de acordo com o idioma que o bebê ouve. Ao mesmo tempo, o
cérebro começa a perder a habilidade de reconhecer sons diferentes
encontrados em outros idiomas.

Embora as “janelas” para a complexa aprendizagem da linguagem e de outras


habilidades permaneçam abertas, alterar esses circuitos cerebrais torna-se
cada vez mais difícil ao longo do tempo. A perda da plasticidade inicial implica
que é mais fácil e mais eficaz influenciar o desenvolvimento da arquitetura do
cérebro de um bebê do que reconectar partes de seu circuito cerebral na
adolescência e na vida adulta.

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As capacidades cognitivas, emocionais e sociais são inextricavelmente
entrelaçadas durante toda a vida. O cérebro é um órgão altamente integrado e
suas múltiplas funções operam de forma ricamente coordenada. O bem-estar
emocional e as competências sociais fornecem uma sólida base para o
surgimento de habilidades cognitivas e, juntos, são o tijolo e a argamassa que
compõem os alicerces do desenvolvimento humano. A saúde física e
emocional, as competências sociais e as capacidades cognitivas/linguísticas
que surgem nos primeiros anos são pré-requisitos importantes para o sucesso
na escola e, posteriormente, no trabalho e na comunidade.

Embora aprender a enfrentar adversidades seja uma parte importante do


desenvolvimento saudável da criança, o estresse excessivo ou prolongado
pode ser tóxico para o desenvolvimento do cérebro. Quando somos
ameaçados, nossos corpos ativam uma variedade de respostas fisiológicas,
inclusive o aumento do batimento cardíaco, da pressão arterial e de hormônios
do estresse, como o cortisol. Quando está protegida por relacionamentos com
adultos que lhe propiciam segurança, a criança pequena aprende a adaptar-se
aos desafios cotidianos e seu sistema de resposta ao estresse retorna ao nível
original. A isso os cientistas chamam de estresse positivo. O estresse tolerável
ocorre quando dificuldades mais sérias – como a perda de um ente querido, um
desastre natural ou um machucado mais grave – são suavizadas por adultos
cuidadores, que ajudam a criança a se adaptar, mitigando assim os efeitos
potencialmente danosos de níveis anormais de hormônios de estresse. Quando
experiências adversas fortes, frequentes ou prolongadas – tais como pobreza
extrema ou abuso recorrente – são vivenciadas sem o apoio de adultos, o
estresse torna-se tóxico e disruptivo para o desenvolvimento dos circuitos
cerebrais. A experiência precoce de estresse tóxico pode impor um custo
cumulativo à capacidade de aprendizagem, assim como à saúde física e
mental. Quanto mais adversa a experiência na infância, maior a probabilidade
de dificuldades de desenvolvimento e outros problemas. Adultos com
experiências mais adversas na primeira infância têm maior probabilidade de

6
problemas crônicos de saúde – entre os quais alcoolismo, depressão, doenças
cardíacas e diabetes.

A intervenção precoce pode evitar as consequências de adversidades na


primeira infância. Pesquisas demonstram que intervenções tardias parecem ter
menos sucesso – e em alguns casos, são ineficazes. Por exemplo, quando
crianças extremamente negligenciadas foram colocadas antes dos 2 anos de
idade em famílias adotivas responsivas, seu QI aumentou mais
substancialmente e sua atividade cerebral e suas relações de apego
mostraram maior tendência à normalidade do que quando adotadas após
completar 2 anos de idade. Se, por um lado, não há uma “idade mágica” para a
intervenção, está claro que, na maioria dos casos, intervir o mais cedo possível
é significativamente mais eficaz do que atrasar a ação.

Relacionamentos afetuosos e estáveis são essenciais para o desenvolvimento


saudável. Crianças desenvolvem-se em um ambiente de relacionamentos que
começam em casa e que incluem membros da família ampliada, cuidadores e
educadores, além de outros membros da comunidade. Os estudos mostram
que crianças pequenas que têm relacionamentos seguros e confiáveis com
seus pais ou com cuidadores sem vínculos familiares sofrem uma ativação
mínima de hormônios de estresse quando amedrontadas por um evento
estranho, enquanto crianças que têm relações inseguras sofrem uma ativação
significativa do sistema de resposta ao estresse. Inúmeros estudos científicos
apoiam a conclusão de que prover, o mais cedo possível, relacionamentos
responsivos e que garantem segurança pode prevenir ou reverter os efeitos
danosos do estresse tóxico.

Os princípios básicos da neurociência indicam que oferecer condições


favoráveis ao desenvolvimento infantil é mais eficaz e menos custoso do que
tentar tratar as consequências das adversidades iniciais mais tarde. Para tal,
uma abordagem equilibrada ao desenvolvimento – emocional, social, cognitivo
e de linguagem – permitirá que todas as crianças cresçam mais preparadas
para o sucesso na escola e, posteriormente, no trabalho e na comunidade.

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Para crianças submetidas a estresse tóxico, são necessárias intervenções
especializadas, o mais cedo possível, para atacar a causa do estresse e
protegê-las de suas consequências.

Desde a gravidez e ao longo da primeira infância, todos os ambientes em que a


criança vive e aprende, assim como a qualidade de seus relacionamentos com
adultos e cuidadores têm impacto significativo em seu desenvolvimento
cognitivo, emocional e social. Um amplo espectro de políticas – como aquelas
voltadas a programas precoces de cuidados e educação, cuidados primários de
saúde, serviços de proteção à criança, saúde mental de adultos e apoio à
economia familiar, entre muitos outros – pode promover ambientes seguros e
que garantam o apoio e os relacionamentos estáveis e afetuosos de que as
crianças precisam.

≥ Como estimular o desenvolvimento saudável;

1-Fazer uso de todos os sentidos

Os sentidos são a “porta de entrada” de todos os estímulos, base do


desenvolvimento saudável. Sempre que possível, use as atividades diárias
para estimular os 5 sentidos do seu bebé:

• No banho: cheiro, barulho da água, luz, massagem;


• Na hora de brincar: mostrar objetos, descrevê-lo, usar brinquedos com
diferentes texturas;
• À refeição: cheira os alimentos, tocar, provar.

Como a abordagem multissensorial é a melhor forma de criar memórias no


cérebro, tente explorar ao máximo as oportunidades de explorar todos os
sentidos.

2-Viver aventuras fora de casa

Brincar ao ar livre tem inúmeros benefícios para as crianças:

• Mantém a mente sã;


• Combate a obesidade;
• Mantém o corpo saudável;
• Incentiva a criatividade;
• Múltiplos estímulos e oportunidades de aprendizagem;

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• Observar e aprender muito com a observação da Natureza;
• As crianças desenvolvem brincadeiras diferentes das que têm em casa;
• É uma oportunidade para interagir com outras crianças e fazer amigos;
• O corpo produz a vitamina D de que necessita para dentes e ossos
saudáveis.

3-Praticar exercício físico

Viver ativamente o ambiente, também é incentivar a atividade física. Jogar à


bola, correr, saltar, saltar à corda, andar de baloiço e de escorrega, …
desenvolve não só a parte muscular e a motricidade grossa mas, também, a
inteligência. A coordenação motora e as ações físicas proporcionam novos
estímulos ao cérebro e exigem uma grande plasticidade cerebral para perceber
os perigos, calcular a velocidade, medir distâncias, perceber o nível de atrito,
etc..

4-Explorar e descobrir

Em casa ou no exterior, tudo é uma oportunidade de explorar. Os bebés e as


crianças vivem num mundo à parte. Num mundo completamente desconhecido,
onde tudo é novidade e descoberta. Onde tudo está à mão de agarrar. Desde
que dá os primeiros passos, o bebé não mais pára de procurar, de explorar, de
tentar perceber como funciona o seu mundo para melhor o dominar. Mais
experiências significam mais aprendizagem, melhor adaptação e um
desenvolvimento saudável.

5-Criança ao comando!

Nem sempre é fácil ver a criança a sujar-se toda, a atirar comida para o chão
ou a pintar paredes, … mas a verdade é que este tipo de experiências a
diverte.

Para minimizar a confusão prepare-se e deixe-se envolver por este ambiente


de descoberta. Tape o chão da sala ou da cozinha com um plástico que possa
facilmente limpar após as refeições. Crie um canto só para brincar. Seguro,
sem objetos que se possam partir ou magoar o bebé e que possa limpar
facilmente. Pinte a parede com tinta-lousa e deixe o seu filho dar asas à
imaginação. Coloque um rádio a tocar as músicas preferidas do seu filho.

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6-Desfrute também você das brincadeiras

Cative o seu filho para a descoberta. Se ele der mais atenção à caixa do que
ao brinquedo, use a caixa. Se o bebé prefere olhar para um carreiro de
formigas no jardim em vez de brincar com a bola, acompanhe-o.

Brinque apenas pelo prazer de brincar, de partilhar. Não queria fazer de todos
os momentos que passa com o seu filho um momento de aprendizagem formal.
As crianças têm muito tempo para aprender como funciona o universo ou sobre
história da arte.

7-Ter tempo para não fazer nada

Dar tempo à criança para não fazer nada, para se deleitar com a ausência de
estímulos é igualmente importante. As crianças também precisam de pausas e
de oportunidades para libertarem a imaginação e se dedicarem a atividades
escolhidas por elas.

 Saúde:

"Os direitos das crianças e dos adolescentes implicam sempre obrigações para
os adultos que deles cuidam, e para os líderes da sociedade em geral."

Todas as crianças e adolescentes, sem distinção de etnia, género, cultura,


religião, nacionalidade, classe social, incapacidade física ou mental, têm direito
a:

• Receber cuidados de saude primários ou mais especializados prestados por


médicos especializados em pediatria que tenham competências em
crescimento, desenvolvimento, medicina preventiva para esta faixa etária,
em particular, e na gestão das doenças agudas e crónicas, tanto as
somáticas como as de carácter psicossocial. Os médicos (idealmente
pediatras) envolvidos nos cuidados de pediatria ambulatória devem também
desempenhar o papel de defensores das crianças e dos adolescentes em
todas as questões relacionadas com a sua saúde.
• Beneficiar de programas de vigilância de saúde e da implementação de
todas as recomendações da medicina preventiva. Terá particular interesse
neste caso a realização de exames de saúde regulares a fim de

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acompanhar o crescimento, o desenvolvimento psicomotor e sensorial, a
adaptação escolar e social e o comportamento em geral, assim como a
implementação do plano de imunização. Estes programas deverão incluir a
educação para a saúde tanto dos pacientes como das suas famílias.

• Receber o tipo de cuidados que apoie as relações afetivas entre os


membros da família, que esteja atento ao bom funcionamento da família,
aos seus traços culturais e estilo de vida, e preste o necessário
aconselhamento aos pais sobre a forma de alterarem quaisquer práticas
que possam pôr em causa a saúde da criança.
• Receber cuidados de ambulatório que tomem o tempo suficiente para cada
paciente e para uma escuta activa, num ambiente adequado a cada faixa
etária. Os médicos devem lutar por criar condições favoráveis ao
estabelecimento de relações empáticas com o paciente e a sua família,
evitando situações suscetíveis de provocar medo ou stress.
• Ser seguidos pelo médico dos cuidados de ambulatório nas situações
agudas e crónicas limitando o internamento hospitalar ao mínimo
necessário. Para tal é necessário formação adequada, e a integração do
médico dos cuidados de ambulatório na equipa multidisciplinar que cuida do
paciente, o que implica uma boa comunicação entre o hospital e os
cuidados ambulatórios. Durante toda a duração do internamento hospitalar
os médicos que prestam os cuidados ambulatórios devem poder seguir a
evolução do seu paciente
• Ser protegidos contra a dor e beneficiar de todos os tratamentos
preventivos, quer da dor relacionada com a doença, quer daquela resultante
de procedimentos e técnicas terapêuticas e de diagnóstico potencialmente
dolorosas.
• A que toda a informação clínica seja arquivada em registo próprio e
resumida de forma simples e clara, num cartão de saúde fácil de utilizar e
de compreender. Todos os dados médicos deverão manter-se estritamente
confidenciais. No caso dos adolescentes, a confidencialidade deve ser
mantida também em relação aos pais.

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• Receber toda a informação acerca do diagnóstico, prognóstico, terapêutica
e acerca de quaisquer procedimentos complementares que possam ser
necessários. A informação deverá ser dada, pelo médico dos cuidados
primários de saúde ou de ambulatório de uma forma clara, completa e
inteligível.

• Ao respeito pela sua liberdade e autonomia. Será necessário obter o seu


consentimento (caso os pacientes tenham idade e competência suficiente)
ou permissão prévios para procedimentos diagnósticos e terapêuticos ou
para a sua inclusão em projectos de investigação clínica. A permissão
poderá ser opcional em procedimentos considerados vitais.
• Receber cuidados primários ou de ambulatório que contribuam (com o
empenhamento também de outros técnicos envolvidos a nível das áreas
familiar, escolar e social) para uma vida independente, activa e feliz.

Hoje, crianças e jovens são cidadãos globais, agentes de mudança e a próxima


geração de cuidadores, cientistas e médicos. Nestas situações é importante
aprenderem e estarem informados, aumentarem a resiliência e contribuírem,
ativamente, para a construção de uma comunidade mais segura e atenta. A
educação e o acesso a informação podem incentivar os alunos a tornarem-se
„agentes‟ da prevenção em casa e na comunidade, e a continuidade da
educação é essencial para o seu pleno desenvolvimento.

Conceito de Saude;

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de "saúde", mais


do que ausência de doença, representa uma situação de completo bem-estar
físico, psíquico e social. Inclui também a adequação do sujeito individual ao
meio em que está inserido. Mais do que uma situação estática, resulta duma
contínua intenção individual no sentido de gerir a afetividade, evitar atitudes e
hábitos nocivos, e fazer vigiar regularmente certos parâmetros clínicos e
analíticos.

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≥ Mas o que é ter saude?
Saúde significa o estado de normalidade de funcionamento do organismo
humano. Ter saúde é viver com boa disposição física e mental. Além da boa
disposição do corpo e da mente, a OMS (Organização Mundial da Saúde)
inclui na definição de saúde, o bem-estar social entre os indivíduos.

A saúde de um indivíduo pode ser determinada pela própria biologia humana,


pelo ambiente físico, social e econômico a que está exposto e pelo seu estilo
de vida, isto é, pelos hábitos de alimentação e outros comportamentos que
podem ser benéficos ou prejudiciais. Uma boa saúde está associada ao
aumento da qualidade de vida. É sabido que uma alimentação balanceada, a
prática regular de exercícios físicos e o bem-estar emocional são fatores
determinantes para um estado de saúde equilibrado. Por outro lado, as
pessoas que estão expostas a condições precárias de sobrevivência, não
possuem saneamento básico (água, limpeza, esgotos, etc.), assistência médica
adequada, alimentação e água de qualidade, etc., têm a sua saúde seriamente
afetada. As ciências da saúde formam profissionais com conhecimentos na
prevenção de doenças, prática assistencial e promoção do bem-estar da
população. As profissões na área da saúde são: Biomedicina, Educação Física,
Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia,
Psicologia, Serviço Social, Veterinária, entre outras.

 Plano de Saúde

Plano de saúde é uma forma de proteção de um indivíduo no caso de


necessitar cuidados médicos. O acesso a serviços médicos e hospitalares é
uma garantia incluída na Constituição Federal do Brasil. No entanto, o Estado
não consegue dar resposta a todas as pessoas que necessitam de cuidados
médicos. Por esse motivo, algumas empresas privadas ou outros organismos
atuam nessa área.

 Autonomia:

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Sabia que é imprescindível estimular a autonomia da criança? Pode parecer
estranho mas permitir que a criança realize tarefas variadas sozinha desde
cedo faz muita diferença em seu desenvolvimento. Coisas simples como
alcançar um brinquedo, escolher a fruta do lanche e mesmo escovar os dentes
fazem muita diferença. Entre outros benefícios, a autonomia estimulada na
infância gera pessoas mais criativas, com maior poder de decisão,
responsáveis, capazes de resolver problemas e prontas para aprender
habilidades mais complexas quando adultas.

7 - Competências necessárias para estimular a autonomia da criança:

[Link] de escolha

Aprender a escolher desde cedo; isso é importante para definir personalidade,


preferências, gostos… é a base da autonomia da criança.

Como estimular: permita que o bebê participe de pequenas escolhas no dia-a-


dia. Que fruta comer é um bom começo. Depois, a criança pode ajudar a
escolher o livro que quer ler, a roupa que vai vestir, etc. No início, limite as
opções para que ela não se sinta perdida, e vá ampliando a gama de itens
conforme achar necessário.

2. Capacidade de lidar com frustração

A frustração é fundamental para que a criança se torne um adulto feliz e não


alguém constantemente insatisfeito.

Como estimular: deixe a criança lidar com suas limitações ou erros. Não a
ajude a encaixar um bloco de brinquedo de imediato; permita que ela tente e se
frustre caso não consiga. Quando estiver maior, deixe que faça escolhas
mesmo que você saiba que ela não vai gostar do que escolheu. Permita que
ela lide com o resultado e não critique; explique que haverá novas
oportunidades para fazer novas escolhas.

3. Autoconhecimento e autoconfiança

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Conhecer-se e reconhecer as próprias limitações e qualidades ajuda a criança
a saber o que é ou não capaz de realizar e é a chave para o aprimoramento de
si e a boa saúde emocional.

Como estimular: o primeiro passo é dar estímulos sensoriais. Ou seja:


deixando o bebê conhecer o próprio corpo e o mundo ao redor. Brincadeiras
como ficar de bruços para alcançar um brinquedo ou sentir texturas diferentes
ajudam. Brinque na areia, na relva, na terra. O ideal é que ele sinta o mundo da
forma dele, cheirando objetos, tocando, etc. O segundo passo é mostrar que
você acredita na capacidade da criança, um estímulo e tanto para que ela
acredite em si. Não só permita que ela realize tarefas simples (como vestir a
roupa), como dar espaço para que descubra a sua própria forma de o fazer.

Mostre que apoia a criança quando ela errar e, se isso acontecer, repreenda o
que fez e não como ela é.

4. Comunicação

Os bebés já se comunicam com o choro, mas é com a nossa ajuda que


aprendem a expressar-se de outras formas.

Como estimular: com estímulos cognitivos. Jogos de montar ou encaixar e


brinquedos que tocam música são alguns exemplos. Além disso, ler histórias
para os filhos desde bebés é recomendação mundial, pois reforça o vínculo e
ajuda no desenvolvimento da linguagem. [Link] histórias para dormir aumenta
o vínculo entre você e seu bebé.

5. Coordenação motora

Já ouviu falar em coordenação motora fina e grossa? Desenhar e comer com


colher acontece graças à coordenação motora fina. À grossa, cabe fazer a
criança andar, pular…

Como estimular: para a coordenação fina, basta propor actividades que


envolvam os movimentos das mãos (e os seus pequenos músculos), como
segurar um mordedor, pintar com lápis de cera ou brincar com bonecos. Para a
coordenação grossa, deixe a criança explorar espaços livres, podendo correr,
brincar e movimentar-se. Incluir uma bola na brincadeira ajuda!

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6. Coragem

Ter medo é natural e sadio. Mas a coragem para o superar é essencial para
que a criança aceite desafios, aprenda coisas novas e defenda o que quer.

Como estimular: dê espaço para que seu filho expresse o que está sentindo e
mostre que o entende. Usar livros, músicas, desenhos e outros recursos
lúdicos que falam sobre os medos pode ajudar.

7. Persistência

A chave de toda a aprendizagem. Afinal, só tentando (e errando muitas vezes)


é que aprendemos! Portanto, quanto mais cedo a criança entender esse
mecanismo, melhor.

Como estimular: com estímulos positivos. Quando a criança estiver


aprendendo a andar e cair, por exemplo, ajude-o a recomeçar, e deixe-o livre
para tentar novamente. Resista a fazer algo para a criança só porque ela não
está a conseguir. Quando estiver maior, dá pra conversar sobre o facto de que
não ter sucesso num momento não significa que nunca vai conseguir.
Desportos também ajudam nessa compreensão e são óptimo para a autonomia
da criança.

O que é autonomia

O conceito de autonomia significa “capacidade de tomar decisões não forçadas


e baseadas em informações disponíveis” e a infância é um importante período
no desenvolvimento da autonomia, por se tratar de uma fase da vida na qual a
criança conhece e explora o mundo. Autonomia é um termo de origem grega
cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou
autossuficiência.

≥ Autonomia

A Organização Mundial de Saúde define saúde como “estado de completo


bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e
enfermidades”. Encontra-se consagrado no artigo nº64 da Constituição da
República: “que todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender

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e promover.” Qual a conduta do profissional de saúde para respeitar o direito
em saúde e autonomia individual do doente?

O direito à proteção da saúde é realizado através de um serviço nacional de


saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais
dos cidadãos, tendencialmente gratuito. O cidadão constitui assim um Ser de
direitos e deveres no que toca à saúde, cabendo-lhe ser o primeiro responsável
pela sua saúde. Deste modo, o doente pede ajuda na defesa da sua
integridade física, mas também psicológica, social, moral, espiritual e humana.

É importante relembrar, no que toca à saúde, o direito de autodeterminação. A


evolução civilizacional tem colocado o ser humano em primeiro lugar, lutando
para que a sua vontade prevaleça.

Contudo, na atualidade, a fundamentação dos valores pelos quais se devem


nortear as políticas de proteção dos direitos individuais apresenta-se como um
dos principais dilemas das sociedades civilizadas. Desde sempre que a
sociedade se governa por normas e valores éticos, tentando uniformizar uma
atuação perante a complexidade que é o ser humano, principalmente no
contexto da saúde. No Código Deontológico, é um princípio geral de conduta o
médico exercer a sua profissão de acordo com as “leges artis” com o maior
respeito pelo direito à saúde das pessoas e da comunidade. Tem-se, mais do
que nunca, uma visão clara sobre a conceção biológica e antropológica da
pessoa humana que, como tal, lhe confere a dignidade e o direito a liberdade
própria, implicando que a ciência se concentre em criar sempre as melhores
condições para a existência da humanidade, respeitando a identidade do
sujeito. Isto só é possível com a análise ética das questões, de uma forma
imparcial e fazendo-se reger pelos princípios da autonomia, beneficência, não
maleficência e justiça, fazendo prevalecer a autodeterminação individual. Ao
mesmo tempo que a autonomia individual do doente tem de ter o seu meritório
reconhecimento e aceitação, também a ética e a deontologia profissional
devem ser analisadas, para que o conjunto de deveres inerentes ao exercício
profissional seja executado de acordo com as regras vigentes, mas não
infligindo a própria liberdade individual do profissional. Direito à vida, à
autodeterminação, à integridade física e moral, ou ao reconhecimento da
personalidade são inerentes a todo o ser humano. Sempre que possível, na
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realização de um ato médico, deve obter-se o consentimento livre e
esclarecido, pressupondo que o doente está no pleno uso das suas
capacidades mentais, sendo também da competência do profissional obter
conhecimento se o paciente, através de qualquer meio, exprimiu a sua opinião
ou vontade sobre determinado assunto.

É necessário reconhecer a autonomia do indivíduo e proteger os que têm


autonomia diminuída, basear a atuação no respeito incondicional e absoluto
pelo ser humano, garantir a privacidade e confidencialidade dos dados, obter o
consentimento informado e livre, após informação adequada. O direito à
proteção da saúde é, hoje, considerado como uma conquista civilizacional, o
que implica que a salvaguarda deste direito seja uma responsabilidade da
sociedade e das suas instituições democráticas.

O acesso à saúde é essencial para a busca de uma igualdade efetiva de


oportunidades numa sociedade livre e inclusiva. Porém, não se pode esquecer
que a promoção da saúde deve advir, em primeiro lugar, do próprio indivíduo e
da sua família. Valores como a liberdade e a igualdade de oportunidades
devem ser devidamente protegidos, para que a saúde não seja considerada
apenas como um bem individual, mas sim como um compromisso com o
investimento social.

Conhecer e exercer os direitos e deveres representa uma das formas mais


importantes de defesa da saúde, além de permitir uma melhoria progressiva
dos cuidados e serviços, contribuindo para a sua humanização e colocando o
cidadão como a figura central de todo o sistema. O desenvolvimento de um
bom relacionamento entre doentes e profissionais de saúde, procurando
estimular a participação ativa do doente pretende reafirmar os direitos humanos
fundamentais na prestação de cuidados de saúde, sobretudo, protegendo a
dignidade e integridade humanas. A História mostra o amadurecimento dos
conceitos de saúde, direito e dignidade humana e revela que o homem procura
sempre encontrar o melhor para si próprio, investindo em conhecimento e
organização, na procura do maior interesse do cidadão e melhor prestação de
cuidados

 Independência:

18
• Independência da Criança: a autonomia que carece de suporte

A independência da criança depende em muito da capacidade dos pais em


encontrar um ponto de equilíbrio entre a proteção e a liberdade na educação
dos filhos.

O que é independência?

O significado de independência está ligado a um estado em que a pessoa não


se encontra sob o domínio de força superior ou influência. Além disso,
podemos entender independência num sentido próximo das palavras
autonomia, autossuficiência e liberdade.

Quando falamos da independência infantil, falamos do âmbito da conquista de


habilidades e características, como organização e administração do tempo de
estudos e diversão, sociabilidade desenvolvida entre outras.

Assim temos;

AUTONOMIA – capacidade de gerenciar-se, tomar decisões e planejar seus


objetivos. Tem relação direta com a aptidão mental da pessoa.
INDEPENDÊNCIA – capacidade de fazer suas atividades do dia-a-dia sem
precisar da ajuda de terceiros. Tem relação com a habilidade física.

≥ Como uma criança se pode tornar independente?

Muitos pais acreditam que a independência da criança depende


exclusivamente do “deixar fazer”, ou seja, dar liberdade para que a criança
tenha as suas próprias experiências. O que não se pode deixar de ter em
mente é que, para a criança, muita formas e conteúdos do mundo adulto ainda
não são facilmente compreensíveis. Nesse sentido, a criança precisa de
referências.

Todas as crianças nascem com uma independência em potencial que pode, ou


não, concretizar-se a partir da acção de um ambiente que facilite esse
processo. Para descrever esse ambiente, existe o termo mãe suficientemente
boa. Essa expressão indica um ambiente em que a atitude parental está no
ponto médio entre a superproteção e a negligência, que são os extremos.
Assim, a criança recebe as doses ideais de proteção e liberdade, isso porque

19
está configurado um ambiente atento às necessidades adaptativas de cada
criança. Esse ponto de equilíbrio corresponde ainda a um afastamento gradual
da actuação parental. Um bom exemplo para entender essa diminuição é o
acto de ensinar uma criança a andar de bicicleta.

Inicialmente os pais criam o aparato: instalam rodinhas, compram capacete,


joelheira e cotoveleira e, além disso, seguram a bicicleta. Gradativamente a
acção dos pais vai diminuindo. A criança já não precisa ser segurada e logo vai
dispensar as rodinhas da bicicleta.

A independência da criança depende da capacidade que ela vai desenvolvendo


ao longo da vida de julgar sobre suas próprias habilidades, sem precisar que
outra pessoa atribua valor a isso.

Um exemplo disso é o caso dos estudos:

Gradualmente a criança vai se afastando da necessidade da aprovação da


professora e dos pais, ou das notas, e vai percebendo a importância do
conhecimento.

Como é que os pais podem ajudar?

A palavra de ordem com relação à independência infantil é atenção. Os pais


podem ajudar seus filhos se estiverem atentos às suas necessidades, sejam
elas de carinho ou de espaço.

Estar atento significa perceber os momentos em que a estimulação da


independência é oportuna. Isso porque muitas crianças podem entender esse
estímulo como abandono. Conhecer os gostos e anseios dos filhos é a principal
forma de os auxiliar a construírem os próprios caminhos e isso exige passar
tempo com as crianças. Outra importante acção dos pais é compartilhar as
próprias experiências, incluindo deficiências e limitações. Pais que assumem
uma postura de que sempre se comportaram de forma irrepreensível, na
intenção de servir de modelo para os filhos, podem tornar-se modelos distantes
e inalcançáveis. Mostrar erros e incapacidades é mostrar-se humano e essa é
uma atitude que em muito favorece o desenvolvimento da independência
infantil.

20
≥ Independência Infantil e Deficiência

Um dos complicadores da estimulação à independência infantil é a existência


de qualquer problema no desenvolvimento físico, cognitivo ou emocional das
crianças. Os pais tendem a ter dificuldades em encontrar o ponto de equilíbrio
entre o proteger e o libertar. Para esses pais, vale a mesma palavra: atenção.
Estar atento não às limitações e dificuldades de seus filhos, mas às suas
potencialidades.

Uma criança estimulada, mesmo com grau severo de comprometimento físico


ou mental, pode aprender e tornar-se independente. Essa independência
depende do olhar dos pais e da comunidade em que essa criança está inserida
para aquilo que ela “é capaz de fazer”, para que o estímulo tenha maior
eficiência.

 Deficiência
Termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica,
fisiológica ou anatómica. Diz respeito à actividade exercida pela biologia da
pessoa. Este conceito foi definido pela Organização Mundial de Saúde. A
expressão pessoa com deficiência pode ser aplicada referindo-se a qualquer
pessoa que vivencie uma deficiência continuamente. Contudo, há que se
observar que em contextos legais ela é utilizada de uma forma mais restrita e
refere-se a pessoas que estão sob o amparo de uma determinada legislação.

O termo deficiente para denominar pessoas com deficiência tem sido


considerado por algumas ONGs e cientistas sociais inadequado, pois o termo
leva consigo uma carga negativa depreciativa da pessoa, facto que foi ao longo
dos anos, tornando-se cada vez mais rejeitado pelos especialistas da área e
em especial pelos próprios indivíduos a quem se refira. Muitos, entretanto,
consideram que essa tendência politicamente correcta tende a levar as
pessoas com deficiência a uma negação de sua própria situação e a sociedade
ao não respeito da diferença. Actualmente, porém, esta palavra está a voltar a
ser utilizada, visto que a rejeição do termo, por si só, caracteriza um
preconceito de estigmatização contra a condição do indivíduo revertida pelo
uso de um eufemismo, o que pode ser observado em sites voltados para os
“deficientes” é que o termo deficiente é utilizado de maneira não-pejorativa.

21
 Doença

Uma doença é uma condição particular anormal que afecta negativamente o


organismo e a estrutura ou função de parte de ou de todo um organismo, e que
não é causada por um trauma físico externo. Doenças são interpretadas como
condições médicas que são associadas a sintomas e sinais específicos. Uma
doença pode ser causada por factores externos tais como agentes patogénicos
ou por disfunções internas. Pode entender-se que doença é a apresentação de
anormalidades na estrutura e no funcionamento de um organismo, afetando-o
de forma negativa. Por exemplo, disfunções internas do sistema imunológico
podem produzir uma variedade de diferentes doenças, inclusive várias formas
de imunodeficiência, hipersensibilidade, alergias e desordens ou transtornos
autoimunes.

Doença é frequentemente usada para se referir a qualquer condição que causa


dor, disfunção, desconforto, sentimento de incapacidade, anormalidades
negativas e problemas sociais ou morte à pessoa afligida, ou problemas
similares àqueles em contacto com a pessoa. Neste sentido mais amplo, às
vezes inclui traumas, comportamentos anormais e variações atípicas de
estruturas e funções, enquanto em outros contextos e para outros propósitos
podem ser consideradas categorias distinguíveis. Doenças podem não
somente afectar pessoas fisicamente, como também mentalmente, como a
contração e a convivência com uma doença podem alterar a perspectiva de
vida de uma pessoa afetada. Morte devido a doença é chamada de morte por
causas naturais. Há quatro tipos principais de doença: doenças infeciosas,
doenças de deficiência, doenças hereditárias (o que inclui tanto doenças
genéticas quanto doenças hereditárias não genéticas) e doenças fisiológicas.

22
 Actividades de Vida Diárias – AVD`s
• Qual a importância das Actividades de Vida Diária (AVD) nas crianças?

Qualquer um de nós, sabe o quão difícil é


fazer com que as nossas crianças
participem de forma ativa nas atividades
básicas do dia-a-dia, mas quão importante
é na realidade a participação das crianças
nestas tarefas. As AVD‟s são actividades
orientadas para tomar conta do próprio
corpo, como a higiene pessoal e cuidados
pessoal, tomar banho, controlo de
esfíncteres, vestir, comer.

São competências essenciais para


proporcionar à criança condições para que, dentro das suas potencialidades,
possa criar hábitos de autossuficiência que lhe permitam participar ativamente
do ambiente em que vive.

No início, estas actividades acontecem através do brincar, em que a criança


copia e imita o que ela vê acontecer ao seu redor, o que se reflete em algumas
brincadeiras como por exemplo, dar comida aos bonecos, brincar aos
restaurantes, dar banho aos bonecos, em que são repetidos os passos das
tarefas ajudando na internalização da sequência, bem como dos movimentos
necessários para a ação. Mais tarde, é importante que os pais comecem a
envolver a criança de forma activa, mas faseada nas actividades, pedindo-lhe
ajuda ao longo da actividade, dando oportunidade de a criança ser bem-
sucedida, de forma a aumentar a sua confiança, autoestima e autonomia.
Concluindo, a criança só aprende aquilo que vive concretamente. É importante
que ela faça suas próprias descobertas através da manipulação, exploração do
ambiente físico ou social. Para isso podem e devem ser exploradas situações
referentes à alimentação, higiene pessoal, saúde, segurança, às atividades
domésticas e ao vestuário.

23
≥ Qual a importância das Atividades de Vida Diária (AVD) nas crianças?

No quotidiano há uma riqueza de actividades que são permanentes e as


crianças podem ter a oportunidades de as fazer por si próprias. Essa proposta
desenvolve a autonomia, a independência, a autoestima e a autoconfiança,
favorecendo as relações consigo mesma e com os outros. As AVD‟s são
acções comuns do dia-a-dia como limpar o chão ou uma mesa, varrer, passar a
esfregona, lavar recipientes, servir água, arrumar a mesa, cortar frutas, servir o
almoço, comer com as mãos, colher ou garfo; vestir a roupa, colocar e tirar a
fralda, ir à casa de banho, tomar banho, secar o corpo, lavar e secar as mãos,
pegar e usar objetos da cozinha com cuidado, limpar o nariz, colocar o casaco,
tirar e colocar meias, tirar e colocar calçados, fechar um zíper, pegar na
mochila, pegar o babete (se usar),entre outras. Dito isto, faz muito sentido o
conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygostky. Para propor
essas actividades de vida diárias, o adulto deve observar o que as crianças
fazem sozinhas e o que precisam do apoio de um parceiro mais experiente
(adulto ou criança) para realizar. Esse apoio também pode ser por meio da
observação de como se faz (imitação) ou mesmo do acompanhamento e
incentivo por parte do adulto que dá sustentação a criança, respeitando a
singularidade e ritmo de cada uma. Pelo currículo da vida prática, a criança é
encorajada a descobrir, explorar, a experienciar o processo completo de uma
actividade de uma forma organizada e significativa. Ela é encorajada a ser
responsável e independente de acordo com seu nível de desenvolvimento. Por
esta razão, o adulto nunca fará para a criança nada que ela seja capaz de fazer
por si mesma. É importante para nós, lembrarmos que a criança pequena se
desenvolve pelo movimento e pelo trabalho. O corpo é empregado ao serviço
da mente.

A preparação do ambiente e a postura do professor tem grande


responsabilidade para que a autonomia tenha espaço na escola. O ambiente e
os materiais precisam estar adequados para que o trabalho seja realizado até
que o adulto possa se afastar e a criança fazer por ela mesma. É um
planeamento minucioso que considera todo o entorno: pense do ponto de vista
dos pequenos (altura, alcance, distâncias, obstáculos). Com a oportunidade
dessa autonomia crescer, a criança deixa de ser passiva, começa a participar,

24
a demonstrar interesse e progressivamente conquista a independência nessas
atividades cotidianas.

Aprendem a ter pequenas responsabilidades e a lidar com as consequências.


Há um processo de aprendizagem que precisa ser garantido, o material deve
progredir junto com as conquistas da criança e o ambiente pode precisar de
adaptações. Por exemplo, se a criança vai aprender a beber água no copo de
vidro existem várias etapas até conseguir realizar essa tarefa por conta própria,
ela vai aprender:

• A segurar o copo (com apoio do adulto e depois sozinha);


• A diferenciar o copo de brinquedo;
• Que o copo é de vidro, parte-se e é preciso ter cuidado;
• A virar o copo de água na boca devagar para não cair tudo de uma vez
na sua cara ou roupa;
• A dosear a quantidade de água que engole para não se engasgar;
• A servir-se de água e considerar a quantidade, o peso da jarra...

e isto não acontece de repente, quer um longo processo na vida da criança e


representa tudo o que a criança vai fazer e aprender ao longo da vida e esta
relacionado com a autonomia., os educadores chamam-lhe “processo de
Educação Infantil “.

Apresentar à criança o material (o copo, a jarra, os cortadores, o banquinho,


etc) e mostrar como se usa, é indispensável. Não é preciso explicar
verbalmente, faça para que ela veja e assim aprenderá. E é comum que a
acção seja repetida muitas vezes até que seja dominada completamente, para
que possa passar para outra. Para que tudo isso aconteça vamos considerar o
tamanho dos móveis, das escadas, cabides, espelho, suportes...de tudo que a
criança precisa ter acesso, assim elas podem retirar e usar determinado
objecto e devolve-lo ao devido lugar.

É necessário ter em conta o excesso de objetos disponíveis, as prateleiras e


caixas não precisam estar muito cheias. Escolher um brinquedo é uma decisão
que a criança vai aprender aos poucos, então ofereça poucas opções, para
depois ampliar o reportório, se for o caso. Mantenha os objetos guardados
sempre nos mesmos lugares, se houver alguma mudança que seja gradual.

25
O papel do adulto é reorganizar a sala várias vezes ao dia, o ideal é que não
fique tudo no chão o dia todo. Se as crianças aprendem por imitação, elas
precisam ver o professor guardar e arrumar o ambiente para que se interessem
em ajudar, o adulto também pode convidar e aos poucos na relação com as
crianças colocar regras simples.

Criar um ambiente preparado contribui para que a criança possa agir por
escolha, por iniciativa própria, por exemplo, se ela está cansada ou com sono,
ensinar onde é o quarto e a cama ou alcofa ou que se possa deitar por conta
própria.

≥ AVD´s – matéria da aula;

As atividades da vida diária constituem o nível mais básico de autonomia, que


permitem a participação no dia-a-dia em termos de sobrevivência e bem-estar
básicos. Existem vários instrumentos de medição de atividades da vida diária.
Existem seis instrumentos de medição e, para cada um, identificou-se o
número de perguntas e dimensões avaliadas, as propriedades psicométricas e
a existência de versão portuguesa validada. Todos os instrumentos são
preenchidos pelo profissional, por observação direta, e avaliam os
autocuidados. Vestir/despir, alimentação e mobilidade são atividades comuns a
todos, havendo outras específicas de apenas uma escala. Conclusão: As
dimensões vestir/despir, alimentação e mobilidade são as mais avaliadas.
Apenas o índice de Barthel está validado para a população portuguesa.

Desde épocas remotas os seres humanos procuram envolver-se em atividades


para dar significado à existência e garantir o seu bem-estar. No nível básico de
atividade, as denominadas atividades de vida diária (AVD) ou de autocuidado,
são consideradas essenciais para uma vida independente. No conceito de AVD
estão englobadas tarefas dirigidas para o próprio que promovem e mantêm a
saúde, previnem doenças e/ou incapacidades. Este grupo de atividades
geralmente abrange áreas como a higiene pessoal, vestir-se, ir à casa de
banho, transferir-se e alimentar-se.

26
A medição das AVD é importante em todos os aspetos da prestação de
cuidados a determinadas populações, em que a avaliação da adaptação às
limitações impostas pela doença ou pela idade é essencial, uma vez que a
presença de incapacidade nas AVD´s aumenta a mortalidade, o risco de sofrer
depressão e reduz a qualidade de vida.

As AVD constituem a autonomia mínima que possibilita a participação nos


cuidados pessoais. No caso de pessoas em situação de cuidados continuados
e/ou paliativos, este desígnio não é concretizado, uma vez que sofrem de
incapacidade que limita a sua participação. Quando tal se verifica, o principal
objetivo da intervenção em saúde é otimizar as capacidades do indivíduo, de
modo a obter o apoio necessário para uma vida o mais autónoma possível,
permitindo assim a sua participação em atividades de forma satisfatória e com
melhor qualidade de vida.

≥ Índice de Barthel

Este índice de Barthel é um instrumento que avalia o nível de independência do


indivíduo para dez AVD´s, que foi descrito e publicado por Mahoney e Barthel
em 1965 e validado para a população portuguesa em 2007. Avalia a autonomia
na alimentação, transferências, cuidados pessoais, utilização do WC, banho,
mobilidade, subir e descer escadas, vestir, controlo intestinal, e controlo
urinário. A pontuação final varia entre 0 (máxima dependência) e 100
(independência total), com intervalos de 5 pontos, sendo a pontuação de cada
atividade medida separadamente. Desta forma cada AVD pode ser classificada
entre 2 a 4 níveis, de acordo com a sua importância para a funcionalidade: a
pontuação 0 corresponde à dependência total e a independência pode assumir
a pontuação 5, 10 ou 15 em função dos níveis de classificação (ex.: a atividade
de banho dispõe apenas de dois níveis, enquanto que as transferências
apresentam 4 níveis). Pode ser aplicado por entrevista à pessoa e/ou a
familiares ou através da observação direta do desempenho da pessoa.

Em termos de parâmetros psicométricos de qualidade, a versão original


apresentou bons resultados a nível de validade, fiabilidade e sensibilidade para
descrever mudanças no estado funcional ao longo do tempo.

27
De salientar que esta escala foi validada para a população portuguesa em
idosos não institucionalizados, tendo apresentado elevada fiabilidade, e boa
consistência interna. As suas principais desvantagens são o facto de não
fornecer informação sobre a causa da dependência, não avaliar um leque
maior de AVD e não ser suficientemente sensível a pequenas mudanças.

 Fundamentos conceptuais
≥ Funcionalidade:

O desenvolvimento da funcionalidade na infância tem início com a aquisição de


um amplo espectro de habilidades motoras, que possibilita a criança o domínio
do seu corpo em diferentes posturas, sejam elas estáticas ou dinâmicas. O
conjunto dessas aquisições determinam a função de mobilidade e apresentam
íntima relação com o desenvolvimento cognitivo. Tipicamente, os três primeiros
anos de vida são marcados pelo amadurecimento neuro sensorial representado
pelas aquisições motoras e aquisição da linguagem. Dos 3 aos 7 anos, as
alterações motoras posturais tornam-se menos intensas para dar lugar às
expressões cognitivas compreendendo argumentos lógicos, aspectos sócio
emocionais e comunicação gráfica. Em qualquer faixa etária, determinantes
genéticos e ambientais influenciam o desenvolvimento.

Funcionalidade humana, de acordo com a Classificação Internacional de


Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Organização Mundial de
Saúde, é um termo macro que designa os elementos do corpo, suas funções e
estruturas, as atividades humanas e a participação do ser humano nos
processos sociais, indicando os aspectos positivos da interação dos indivíduos
com determinada condição de saúde e o contexto em que ele vive no que diz
respeito aos fatores pessoais e ambientais (estruturais e atitudinais). A
funcionalidade humana sofre directa influência tanto na presença de doenças,
em especial, das crônicas (representando a mudança provocada pela transição
epidemiológica), quanto na presença de factores contextuais negativos, como
as barreiras ambientais de diferentes aspectos, sejam elas físicas, geográficas,
culturais, tecnológicas, legais, entre outras.

28
 Doença, deficiência e incapacidade;
≥ Doença:

Doença é um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam um ser


vivo, alterando o seu estado normal de saúde. O vocábulo é de origem latina,
em que “dolentia” significa “dor, padecimento”. Em geral, a doença é
caracterizada como ausência de saúde, um estado que ao atingir um indivíduo
provoca distúrbios das funções físicas e mentais. Pode ser causada por fatores
exógenos (externos, do ambiente) ou endógenos (internos, do próprio
organismo).

Diferentes ciências dedicam-se ao estudo das doenças, entre elas: a patologia


estuda as doenças no geral, relacionadas à medicina e outras áreas; a ciência
médica estuda as doenças dos humanos; a fitopatologia analisa as doenças
que afetam as plantas; a medicina veterinária estuda as manifestações
patológicas nos animais. Em geral, ao examinar um doente, o profissional
observa os sinais e sintomas e os associa a uma determinada doença, solicita
exames diversos e a partir dos resultados informa um diagnóstico, que será a
base para o tratamento. Dependendo do contexto, alguns conceitos, tais como
anormalidade, desordem, patologia, perturbação etc., são utilizados como
sinônimos de doença. No sentido figurado, doença é um vício ou uma mania,
considerados como desequilíbrio. Por exemplo: O impulso de comprar sapatos
já se tornou uma doença.

Uma doença é uma condição particular anormal que afeta negativamente o


organismo e a estrutura ou função de parte de ou de todo um organismo, e que
não é causada por um trauma físico externo. Doenças são frequentemente
interpretadas como condições médicas que são associadas a sintomas e sinais
específicos. Uma doença pode ser causada por fatores externos tais como
agentes patogénicos ou por disfunções internas. Pode se entender que doença
é a apresentação de anormalidades na estrutura e no funcionamento de um
organismo, afetando-o de forma negativa. Por exemplo, disfunções internas do
sistema imunológico podem produzir uma variedade de diferentes doenças,
inclusive várias formas de imunodeficiência, hipersensibilidade, alergias e
desordens ou transtornos autoimunes.

29
Em humanos, doença é frequentemente usada amplamente para se referir a
qualquer condição que causa dor, disfunção, desconforto, sentimento de
incapacidade, anormalidades negativas e problemas sociais ou morte à pessoa
afligida, ou problemas similares àqueles em contacto com a pessoa. Neste
sentido mais amplo, às vezes inclui traumas físicos, deficiências, transtornos,
síndromes, infeções, sintomas isolados, comportamentos anormais e variações
atípicas de estruturas e funções, enquanto em outros contextos e para outros
propósitos podem ser consideradas categorias distinguíveis. Doenças podem
não somente afetar pessoas fisicamente, como também mentalmente, como a
contração e a convivência com uma doença podem alterar a perspetiva de vida
de uma pessoa afetada.

Morte devido a doença é chamada de morte por causas naturais. Há quatro


tipos principais de doença: doenças infeciosas, doenças de deficiência,
doenças hereditárias (o que inclui tanto doenças genéticas quanto doenças
hereditárias não genéticas) e doenças fisiológicas. Doenças podem também
ser classificadas de outras maneiras, tais como doenças transmissíveis versus
não-transmissíveis. As doenças mais mortais em humanos são a doença
arterial coronária (obstrução do fluxo sanguíneo), seguida de doença
cerebrovascular e infeções respiratórias agudas. Em países desenvolvidos, as
doenças que causam a maior moléstia em geral são condições
neuropsiquiátricas, tais como depressão e ansiedade. O estudo de doença é
chamado patologia, que inclui o estudo de etiologia, ou causa.

≥ Doença é um conceito complexo e multifacetado:


• Conceito do senso comum: a palavra tem em linguagem quotidiana
diferentes significados, muitas vezes distintos do significado médico;
• Conceito jurídico: doenças dão aos seus portadores determinados
direitos (ex. não ir ao trabalho) e implica deveres para várias instituições
(seguros de saúde, previdência social, empregador);
• Conceito social: ser "doente" implica um determinado papel social que
provoca em outras pessoas compaixão, atenção, apoio; além disso
certos tipos de comportamento geralmente indesejáveis são aceitos
(resmungar, não participar de atividades sociais);

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• Conceito acional: ter uma doença conduz a um determinado tipo de
comportamento e a determinadas ações (procurar um médico, tratamento);
• Conceito profissional: a classificação de um fenômeno como doença implica
que somente algumas classes profissionais podem realizar seu tratamento.
 Conceito médico

Por ter tantos usos e significados diferentes faz-se necessária uma definição
pelo uso científico do termo. O conceito de doença compõem-se, de dois
componentes:

• o distúrbio de funções, grupos de funções ou de sistemas interpessoais;


• o estado não é proposital – "doença" implica incapacidade. Além disso
ele é formado em diferentes níveis:

1. a manifestação;

2. o desenvolvimento da doença, que caracteriza o "estar doente" (Kranksein);

3. o conhecimento dos órgãos afetados e do contexto patológico, de forma a se


compreender como os primeiros níveis se influenciam mutuamente;

4. o conhecimento das causas do contexto patológico

Somente quando todos esses níveis são conhecidos pode-se falar de


nosologia.

 Conceito biopsicossocial

O conceito de doença descrito acima é o chamado "conceito médico". Ele


localiza a doença dentro do indivíduo e a define como um fenômeno isolado,
com causas biológicas e muitas vezes a ser tratado com medicamentos.
Críticas contra esse conceito foram levantadas por várias ciências sociais
(sociologia, antropologia, ciências da saúde, psicologia da reabilitação, etc.):
uma doença não influencia somente o indivíduo, mas todas as pessoas que
estão em contato com ele (família, amigos);

Além disso ela tem não apenas consequências biológicas, mas sociais
(isolamento, preconceito, estereotipificação, etc.) e provocam muitas vezes
mudanças no sistema social.

31
Por isso se fala hoje de um conceito biopsicossocial, ou seja uma doença deve
ser vista sob diferentes pontos de vista, de acordo com os diferentes fatores
que a influenciam:

• Factores biológicos – como a predisposição genética e os processos de


mutação que determinam o desenvolvimento corporal em geral, o
funcionamento do organismo e o metabolismo, etc.;
• Factores psicológicos – como preferências, expectativas e medos, reações
emocionais, processos cognitivos e interpretação das perceções, etc.;
• Factores socioculturais – como a presença de outras pessoas, expectativas
da sociedade e do meio cultural, influência do círculo familiar, de amigos,
modelos de papéis sociais, etc.

A literatura sobre sociologia médica em língua inglesa costuma diferenciar


esses diferentes aspectos da doença com o uso de três termos distintos (que
no inglês quotidiano são usadas como sinónimos):

≥ Disease é a parte médica e técnica;


≥ Illness refere-se à experiência pessoal da pessoa doente;
≥ Sickness refere-se ao aspecto social e relacional da doença.
≥ Significado social da doença

Uma condição pode ser considerada uma doença em algumas culturas e


épocas, mas não em outras. Condições tais como o transtorno do déficit de
atenção com hiperatividade e a obesidade são consideradas doenças por parte
de alguns países desenvolvidos, mas têm sido considerados de forma diferente
em outras culturas. Por exemplo, a obesidade também pode representar
riqueza e abundância e é um símbolo de status em áreas propensas à fome e
alguns lugares mais atingidos pela caquexia decorrente da SIDA.

A doença confere a legitimação social de determinados benefícios, como


auxílio-doença, desnecessidade de comparecer ao trabalho e recebimento de
cuidados por outras pessoas. Em contrapartida, existe uma obrigação por parte
do doente a procurar tratamento e trabalho para voltar a ficar bem.

32
Como comparação, considere-se a gravidez, que não é normalmente
interpretada como uma doença ou uma enfermidade. Por outro lado, é
considerada pela comunidade médica como uma condição que exige cuidados
médicos.

≥ Significado social da doença

A identificação de uma condição como uma doença, ao invés de simplesmente


como uma variação da estrutura ou funcionalidade humana, pode ter
importantes implicações sociais ou econômicas. Os reconhecimentos
controversos como doenças do transtorno de stresse pós-traumático, também
conhecido como o "coração do soldado", "choque de stress do combate" ou
"fadiga do combate", da lesão por esforço repetitivo e da síndrome da Guerra
do Golfo teve uma série de efeitos positivos e negativos sobre as finanças e
outras responsabilidades governamentais, empresas e instituições para
indivíduos, assim como sobre os próprios indivíduos. A implicação social de
considerar o envelhecimento como uma doença pode ser profunda, embora
esta classificação não está ainda generalizada. Os leprosos eram um grupo de
indivíduos socialmente evitados ao longo da história, e o termo "leproso" ainda
evoca estigma social. O medo da doença pode ainda ser um fenômeno social
amplo, embora nem todas as doenças evocam um estigma social extremo.

 Deficiência:

Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica,


fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a
ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou
qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a
exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma
perturbação no órgão.

Incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade para


desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. Surge
como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência
psicológica, física, sensorial ou outra.

33
Representa a objetivação da deficiência e reflete os distúrbios da própria
pessoa, nas atividades e comportamentos essenciais à vida diária.

Desvantagem: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência ou uma


incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de acordo com a
idade, sexo, fatores sociais e culturais Caracteriza-se por uma discordância
entre a capacidade individual de realização e as expectativas do indivíduo ou
do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e relaciona-se às
dificuldades nas habilidades de sobrevivência.

Deficiência - é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma


estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Diz respeito à atividade exercida
pela biologia da pessoa. Este conceito foi definido pela Organização Mundial
de Saúde. A expressão pessoa com deficiência pode ser aplicada referindo-se
a qualquer pessoa que tenha impedimento de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial. Contudo, há que se observar que em contextos
legais ela é utilizada de uma forma mais restrita e refere-se a pessoas que
estão sob o amparo de uma determinada legislação.

O termo deficiente para denominar pessoas com deficiência tem sido


considerado por algumas ONGs e cientistas sociais inadequado, pois o termo
leva consigo uma carga negativa depreciativa da pessoa, fato que foi ao longo
dos anos se tornando cada vez mais rejeitado pelos especialistas da área e em
especial pelos próprios indivíduos a quem se refira. Assim, em alguns
contextos, tem sido proposto o termo diversidade funcional, enquanto todas as
pessoas precisam de ajuda em algum momento de suas vidas, especialmente
na infância e na velhice. Muitos, entretanto, consideram que essa tendência
politicamente correta tende a levar as pessoas com deficiência a uma negação
de sua própria situação e a sociedade ao não respeito da diferença.
Atualmente, porém, esta palavra está voltando a ser utilizada, visto que a
rejeição do termo, por si só, caracteriza um preconceito de estigmatização
contra a condição do indivíduo revertida pelo uso de um eufemismo, o que
pode ser observado em sites voltados aos "deficientes" é que o termo
deficiente é utilizado de maneira não-pejorativa.

34
Capacitismo - é o termo designado para definir quando há discriminação e
preconceito contra pessoas com qualquer tipo de deficiência. O termo
designado para definir quando uma pessoa sem deficiência representa uma
pessoa com deficiência em alguma obra teatral, televisiva, cinematográfica, etc.

A pessoa com deficiência geralmente precisa de atendimento especializado,


seja para fins terapêuticos, como fisioterapia ou estimulação motora, seja para
que possa aprender a lidar com a deficiência e a desenvolver as
potencialidades. A educação especial tem sido uma das áreas que tem
desenvolvido estudos científicos para melhor atender estas pessoas, no
entanto, o que inclui pessoas com deficiência além das necessidades
comportamentais, emocionais, ocupacionais e sociais. Desde a Declaração de
Salamanca, surgiu o termo necessidades educativas especiais, que veio a
substituir o termo criança especial, anteriormente utilizado em educação para
designar a criança com deficiência. Porém, este novo termo não se refere
apenas à pessoa com deficiência, pois engloba toda e qualquer necessidade
considerada atípica e que demande algum tipo de abordagem específica por
parte das instituições, seja de ordem comportamental, seja social, ocupacional,
física, emocional ou familiar.

Um acordo foi celebrado em 25 de agosto de 2006 em Nova Iorque, por


diversos Estados numa convenção preliminar das Nações Unidas sobre os
direitos da pessoa com deficiência, o qual realça, no artigo 24, a educação
inclusiva como um direito de todos. O artigo foi substancialmente revisado e
fortalecido durante as negociações que começaram há cinco anos. Em estágio
avançado das negociações, a opção de educação especial (segregada do
ensino regular) foi removida da convenção, e entre 14 e 25 Agosto de 2006,
esforços perduraram até os últimos dias para remover outro texto que poderia
justificar a segregação de estudantes com deficiência. Após longas
negociações, o objetivo da inclusão plena foi finalmente alcançado e a nova
redação do parágrafo 2 do artigo 24 foi definida sem objeção.

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Cerca de sessenta delegações de Estado e a Liga Internacional da Deficiência
(International Disability Caucus), que representa cerca de 70 organizações não-
governamentais (ONGs), apoiaram uma emenda proposta pelo Panamá que
obriga os governos a assegurar que: as medidas efetivas de apoio
individualizado sejam garantidas nos estabelecimentos que priorizam o
desenvolvimento acadêmico e social, em sintonia com o objetivo da inclusão
plena.

A Convenção preliminar antecede a assembleia geral da ONU para sua


adoção, que se realizará no final deste ano. A convenção estará então aberta
para assinatura e ratificação por todos os países membros, necessitando de 20
ratificações para ser validada. A Convenção da Deficiência é o primeiro
tratado dos direitos humanos do Século XXI e é amplamente reconhecida como
tendo uma participação da sociedade civil sem precedentes na história,
particularmente de organizações de pessoas com deficiência.

≥ Elementos do artigo 24 na instrução do esboço


• Nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência;
• Acesso para estudantes com deficiência à educação inclusiva na sua
comunidade local;
• Acomodação razoável das exigências individuais;
• O suporte necessário dentro do sistema de ensino regular para possibilitar a
aprendizagem.
 Incapacidade:

O termo “incapacidade” (disability) corresponde a uma noção mais complexa e


abrangente; reporta-se à disfuncionalidade no conjunto dos seus diferentes
níveis: deficiências, limitações na actividade e restrições de participação e não
apenas a um dos seus aspectos. Segundo a OMS, a incapacidade consiste na
restrição ou falta de capacidade para realizar uma actividade dentro dos limites
considerados normais para um ser humano. As incapacidades podem ser
temporárias ou permanentes, reversíveis ou irreversíveis, progressivas ou
regressivas e são sempre resultantes de uma deficiência.

36
Na prática uma pessoa com deficiência pode ter maior ou menor grau de
incapacidade, ser mais ou menos funcional no seu dia-a-dia consoante as
condições que encontra no meio físico e social. Por isso se torna tão
importante melhorá-lo, torná-lo para Todos. E Todos temos essa
responsabilidade. Até porque a incapacidade é encarada, à luz do novo
paradigma, como algo que ocorre a todas as pessoas, em alguma altura da
vida.

Se pensarmos em qual é a primeira coisa ou expressão que nos vem à cabeça


quando falamos em deficiência, na maioria das vezes, termos como
dificuldade, incapacidade, e falta de algo, serão os líderes em nossas mentes.
E por que isto acontece?

Isto acontece porque, desde sempre, a sociedade discrimina e classifica as


pessoas com deficiência usando os termos que citamos há pouco. Na
antiguidade, em diversos povos, as crianças que nasciam com algum tipo de
deficiência eram eliminadas (mortas) logo após seu nascimento. Na Idade
Média, as pessoas com deficiência eram isoladas, seja porque eram vistas
como pessoas sem alma, seja porque eram, em alguns casos, vistas como
divindades. Nos palácios, podíamos encontrar pessoas com deficiência
servindo como “Bobos da corte”.

Os conceitos que temos sobre as pessoas com deficiência, desta forma, não
nasceram com a gente, muito menos com nossos pais. Foram passados de
geração para geração durante centenas, milhares de anos. Isto justifica
relacionarmos palavras e expressões negativas às pessoas com deficiência.
Mas deficiência e incapacidade são a mesma coisa? Não. São coisas
diferentes embora possam se relacionar.

A deficiência é algo inerente ao corpo, à condição física ou intelectual da


pessoa, por exemplo, a cegueira e a síndrome de Down. Esteja o mundo
acessível ou não, a deficiência está lá. Já a incapacidade é o resultado da
relação entre a deficiência e as eventuais barreiras do meio. Uma pessoa cega,
isto é, que tem uma deficiência, pode ou não ser capaz de mexer em um
computador, dependendo da existência de algumas barreiras. Se o computador

37
possuir um programa de leitura de ecrã, as barreiras desaparecem. A
deficiência continuará lá, mas a incapacidade de mexer no computador não.

No caso de um paraplégico, a deficiência física estará lá, mas a incapacidade


de transpor um degrau com autonomia vai depender da existência de uma
rampa. Assim temos a diferença entre deficiência e incapacidade. As vezes a
barreira que tem que ser transposta é a falta de um leitor de ecrã ou um
degrau, porém há um outro tipo de barreira tão cruel ou mais que é a barreira
de atitude. É a barreira invisível que muitas vezes não dá a oportunidade de
uma pessoa com deficiência mostrar sua capacidade. É o não sem explicação,
é o desvio de direção das outras pessoas quando passam por ela. É a
discriminação baseada em conceitos preconcebidos. O desafio de cada um de
nós é contribuir para eliminar ou ao menos diminuir as barreiras físicas ou de
atitude, para que uma pessoa com deficiência seja capaz de desempenhar
uma tarefa, aproveitar uma oportunidade e, sobretudo, usufruir a vida.

≥ Funcionalidade vs Incapacidade;

O termo Funcionalidade engloba todas as funções do corpo, actividades e


participação, indicando os aspectos positivos ou facilitadores, da interacção
entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e os seus factores
contextuais, enquanto a Incapacidade sintetiza as deficiências ou alterações
das funções e estruturas, as limitações das actividades e as restrições da
participação, ou a barreira dos factores ambientais, revelando assim os
aspectos negativos da interacção entre um indivíduo e os seus factores
contextuais (ambientais e pessoais). Deste modo, a incapacidade na
conceptualização da CIF, não é considerada um atributo pessoal, mas o
resultado de uma experiência que engloba algum (ou a totalidade) daqueles
factores.

A CIF enquanto classificação, não se limita a descrever de uma forma


detalhada a incapacidade, descreve também de uma forma abrangente a
possibilidade do impacto que os factores ambientais produzem na
funcionalidade do indivíduo, quer enquanto facilitadores, quer enquanto
factores barreira, sendo estes factores que marcam a grande diferença entre as
classificações anteriores e a CIF.

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Estes factores ambientais na sua interacção directa com o estado de saúde do
indivíduo, quando se manifestam como barreira, podem mesmo produzir
incapacidade, restringindo a participação e limitando as actividades, em
indivíduos que em situações ambientais facilitadoras, não seriam considerados
possuidores dessa incapacidade.

Ou seja, quando o contexto ambiental é acessível, quando as políticas sociais


são positivas, quando as circunstâncias atitudinais são de inclusão, a
experiência da incapacidade pode ser dissolvida e minorada, onde o estigma
da incapacidade cede lugar à plena integração e participação social.

Van de Vem et al. 8 acrescentam ainda que a integração obriga que se


considerem elementos subjetivos, que ultrapassam a realidade ambiental.
Adiantam aliás, que estes elementos subjetivos, a quem chamam também,
experiências subjetivas individuais de integração, não estão mencionados na
CIF, mas constituem uma importância vital para a funcionalidade e a integração
social. Reside talvez aí, a dificuldade da codificação dos Factores Pessoais,
não só pela sua múltipla abrangência e variabilidade, mas também enquanto
processo de experiência pessoal subjectiva, enquanto processo revelador e
enfatizador da experiência de vida que, tem a sua melhor manifestação no
discurso narrativo, cujo processo mantém uma difícil operacionalização no
contexto da classificação.

 Dependência

Para Sequeira (2010), a dependência surge como resultado do aparecimento


de um défice, que limita a atividade em termos da funcionalidade, em
consequência de um processo patológico ou acidente. A limitação na atividade
não pode ser compensada na totalidade por uma ajuda técnica, pelo que
necessita de ser compensada com a ajuda de outra pessoa.

A dependência pode ser definida como a incapacidade de a pessoa funcionar


satisfatoriamente sem a ajuda de um semelhante ou de equipamentos que lhe
permitam adaptar-se. Neste sentido, traduz-se pela necessidade de assistência

39
nas atividades quotidianas que o indivíduo já não realiza (Pavarini e Neri,
2000).

Avaliar o grau de dependência funcional ajuda a determinar o tipo de cuidados


necessários, constituindo assim indicadores para um diagnóstico mais preciso
dos cuidados, fundamentados na resposta funcional da pessoa traduzida por
graus de dependência (Araújo et al., 2011).

A avaliação funcional pode ser definida como uma tentativa sistematizada de


medir, de forma objetiva, os níveis nos quais uma pessoa é capaz de
desempenhar determinadas atividades ou funções em diferentes áreas,
utilizando-se de habilidades diversas, para o desempenho das tarefas da vida
quotidiana, para a realização de interações sociais, nas suas atividades de
lazer e noutros comportamentos do seu quotidiano (Devons, 2002; Duarte et
al., 2007). Deve ser efetuada com instrumentos apropriados, fiáveis e válidos
(Botelho, 2000; Sequeira, 2010), com o objetivo de identificar problemas
específicos reais da pessoa idosa, mas também prever em termos de risco de
institucionalização e até de mortalidade (Devons, 2000; Sequeira, 2010). Na
prática clínica, as atividades básicas e as atividades instrumentais constituem
os instrumentos de medida mais utilizada (Hedrick, 1995).

 Sistemas sensoriais

O sistema sensorial é um conjunto de órgãos dotados de células especiais


chamadas de receptores. Através dos receptores, o indivíduo capta estímulos e
informações do ambiente que o cerca e do seu próprio corpo. Os estímulos são
transmitidos na forma de impulsos elétricos até o sistema nervoso central. Por
sua vez, o sistema nervoso central processa as informações, traduzindo-as em
sensações e gerando respostas. É assim que observamos o que está ao nosso
redor, sentimos quando alguém nos belisca, percebemos se a água do banho
está fria, sentimos o gosto das comidas, entre muitas outras sensações.

Nos humanos, os principais órgãos do sistema sensorial são: pele, língua,


nariz, ouvido, estes órgãos captam estímulos físicos ou químicos e
transformam-nos em impulsos elétricos, que são transmitidos ao sistema
nervoso central.

40
≥ Fisiologia dos Sistemas Sensoriais:

Todas as vias sensitivas possuem elementos em comum. Elas iniciam com um


estímulo interno ou externo, que ativa um receptor sensitivo. O receptor é um
transdutor que converte o estímulo em potenciais elétricos graduados. Se os
potenciais graduados atingem o limiar, eles passam a formar potenciais de
ação que é transportado do receptor pelo prolongamento axônico do receptor,
a fibra aferente primária, do neurônio sensitivo primário, até o sistema nervoso
central (SNC), onde os sinais são integrados. Alguns estímulos ativam áreas do
córtex cerebral e tornam-se conscientes, mas outros acontecem sem a nossa
percepção consciente. Como exemplos de estímulos sensoriais conscientes,
temos sentidos especiais (visão, gustação, olfação, equilíbrio e a audição) e
alguns estímulos somatossensoriais (tacto, temperatura, dor, pressão e
propriocepção). Por outro lado, alguns estímulos sensoriais são
subconscientes, tais como a percepção do grau de extensão e estiramento
muscular, a pressão artéria, a osmolaridade dos fluidos corporais, o pH
sanguíneo, a temperatura interna, concentração de glicose no sangue.

O sistema nervoso sensorial faz parte do sistema nervoso responsável pelo


processamento da informação sensorial. Um sistema sensorial consiste em
neurônios sensoriais (incluindo as células receptoras sensoriais), caminhos
neurais e partes do cérebro envolvidas na percepção sensorial. Sistemas
sensoriais comumente reconhecidos são aquela visão, audição, tato, paladar,
olfato e equilíbrio. Em suma, os sentidos são transdutores do mundo físico para
o reino da mente, onde interpretamos a informação, criando nossa percepção
do mundo que nos rodeia. Os organismos precisam de informações para
resolver pelo menos três tipos de problemas: (a) manter um ambiente
adequado, ou seja, homeostase; (b) atividades de tempo (por exemplo,
mudanças sazonais de comportamento) ou sincronizar atividades como os de
co-específicos; e (c) localizar e responder a recursos ou ameaças (por
exemplo, movendo-se para recursos ou evadindo ou atacando ameaças).

41
Os organismos também precisam transmitir informações para influenciar o
comportamento de outro: identificar-se, alertar coespecíficos de perigo,
coordenar atividades ou enganar. O campo receptivo é a área do corpo ou
ambiente ao qual um órgão receptor e células receptoras respondem. Por
exemplo, a parte do mundo que um olho pode ver, é o seu campo receptivo; a
luz que cada haste ou cone pode ver, é o seu campo receptivo. Os campos
recetivos foram identificados para o sistema visual, sistema auditivo e sistema
somatossensorial.

 Estímulo

Os sistemas sensoriais codificam quatro aspectos de um estímulo; tipo


(modalidade), intensidade, localização e duração. A hora de chegada de um
pulso de som e diferenças de fase de som contínuo são usadas para
localização de som. Certos receptores são sensíveis a certos tipos de
estímulos (por exemplo, diferentes mecanorreceptores respondem melhor a
diferentes tipos de estímulos tácteis, como objetos nítidos ou contundentes).
Os receptores enviam impulsos em certos padrões para enviar informações
sobre a intensidade de um estímulo (por exemplo, como um som é alto). A
localização do receptor que é estimulado dá a informação do cérebro sobre a
localização do estímulo (por exemplo, estimular um mecanorreceptor em um
dedo enviará informações para o cérebro sobre esse dedo). A duração do
estímulo (quanto dura) é transmitida por padrões de disparo dos receptores.
Esses impulsos são transmitidos ao cérebro através de neurônios aferentes.

≥ Transmissão

O objetivo de todo sistema sensorial é enviar as informações obtidas para o


sistema nervoso central ou para alguma região que possa corretamente
analisar e processar a informação, como a medula vertebral ou até mesmo
alguns gânglios nervosos. Isso garante que organismos desenvolvam uma
resposta apropriada para determinado estímulo, mesmo que esta resposta seja

42
nula. A transmissão de informações dos receptores sensoriais ocorre pelos
neurônios aferentes.

≥ Fisiologia dos Sistemas Sensoriais:

Todas as vias sensitivas possuem elementos em comum. Elas iniciam com um


estímulo interno ou externo, que ativa um receptor sensitivo. O receptor é um
transdutor que converte o estímulo em potenciais elétricos graduados. Se os
potenciais graduados atingem o limiar, eles passam a formar potenciais de
ação que é transportado do receptor pelo prolongamento axônico do receptor,
a fibra aferente primária, do neurônio sensitivo primário, até o sistema nervoso
central (SNC), onde os sinais são integrados. Alguns estímulos ativam áreas do
córtex cerebral e tornam-se conscientes, mas outros acontecem sem a nossa
percepção consciente. Como exemplos de estímulos sensoriais conscientes,
temos sentidos especiais (visão, gustação, olfação, equilíbrio e a audição) e
alguns estímulos somatossensoriais (tacto, temperatura, dor, pressão e
propriocepção). Por outro lado, alguns estímulos sensoriais são
subconscientes, tais como a percepção do grau de extensão e estiramento
muscular, a pressão artéria, a osmolaridade dos fluidos corporais, o pH
sanguíneo, a temperatura interna, concentração de glicose no sangue.

As diferentes formas de energia (mecânica, luminosa, química) são captadas


pelos nossos receptores sensoriais, e transformados em um potencial de ação,
um sinal que é transmitido e reconhecido pelo nosso SNC. A capacidade de
reconhecermos cada estímulo como único é derivado da ativação de vias
sensoriais específicas, ou seja, cada modalidade sensorial trafega por um
conjunto de neurônios específicos, uma via codificada. Este princípio ficou
conhecido como Princípio da Linha Rotulada e foi descrita por Johannes Muller
em 1826. Para que os estímulos sensoriais tornem-se sensações sensoriais
específicas, temos que reconhecer além da natureza do estímulo (modalidade),
tem que ser codificado a localização, a intensidade e a duração do estímulo.

≥ Receptores Sensoriais

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Os receptores no sistema sensitivo variam amplamente em complexidade,
abrangendo desde terminações ramificadas de um único neurônio sensitivo,
até órgãos sensitivos multicelulares, tais como o olho. Os órgãos dos sentidos
nos seres humanos podem ser muito complexos.

A cóclea da orelha contém cerca de 16.000 receptores sensoriais e mais de um


milhão de partes associadas, e o olho humano possuem cerca de 126 milhões
de receptores sensitivos. Os receptores mais simples são os receptores
somatossensitivos, que consistem de um único neurônio com extremidades
nervosas “livres”. Nos receptores somatossensitivos mais complexos, as
extremidades nervosas são encapsuladas por tecido conjuntivo. Os axônios
dos receptores somatossensitivos (fibras aferentes primárias) podem ser
mielinizados ou des mielinizados. Os sentidos especiais (audição, visão,
equilíbrio, gustação e olfação) têm órgãos sensitivos com células receptoras
altamente especializadas. Os receptores para o olfato são neurônios, mas os 3
outros sentidos utilizam células receptoras não-neurais que fazem sinapse com
neurônios sensitivos. Outras partes não-neurais do corpo frequentemente
atuam como acessórios dos receptores sensitivos, tais como o cristalino e a
córnea do olho e os pêlos dos braços. Os receptores sensoriais são as
primeiras células em cada via sensorial responsável pela transformação de
uma determinada energia, um estímulo, em uma energia elétrica, ou seja,
numa alteração graduada do potencial de membrana do receptor. Esta primeira
alteração que ocorre no receptor derivado do estímulo é denominada de
Potencial Receptor. Vários são os mecanismos que promovem alterações
elétricas nos receptores: deformação mecânica (mecanorreceptores); alteração
térmica (termorreceptores); estímulos químicos (quimiorrecetores); e pelo efeito
da radiação eletromagnética, como a luz (fotorreceptores).

 Modalidades e estruturas biológicas


≥ A Pele

A pele é o maior órgão do corpo humano e, além de outras funções, é


responsável pelo tacto. É através dela que percebemos sensações como calor
e dor. A pele possui milhares de células receptoras na sua superfície. Entre
essas células, encontramos os corpúsculos de Pacini. O corpúsculo é um

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mecanorreceptor que capta estímulos mecânicos, como movimentos ou
alterações na pressão, e os transmite, na forma de impulsos elétricos, para o
sistema nervoso central.

≥ Tacto

É um dos cincos sentidos, pelo qual nos pomos em contacto com o ambiente e
apreciamos o estado físico dos corpos (se sólidos, líquidos ou gasosos),
percebemos o polido ou a aspereza das superfícies, as formas e as dimensões
das coisas, as variantes de temperatura. Na função de órgão de sentidos, a
pele só se exerce em efetivo contacto com os objetos, não atuando à distância,
como a vista. Diz-se, actualmente, que no sentido da pele é o tacto. No
revestimento cutâneo reúnem-se quatro sentidos diferentes, posto que atuam
muitas vezes em associação: o da pressão, o do frio, o do calor e o da dor. As
chamadas sensações tácteis são quase sempre compostas, entrando, na sua
constituição, dois elementos: pressão e temperatura. Se, ainda ao tatear,
efetuarmos movimentos, ou fazermos esforço, outro elemento não cutâneo, é
associado o sentido muscular. Quando, finalmente, a pressão se torna
demasiado violenta, ou as variações de temperatura são excessivas, aparece a
sensação da dor, que domina as outras. As quatro modalidades sensoriais não
se acham distribuídas na pele de maneira uniforme e contínua. Cada uma
apresenta pontos precisos e limitados. Por meio de excitações punctiformes,
obtidas com o emprego de agulhas muito finas, ou de pêlos curtos e rígidos,
demonstram-se os pontos correspondentes a cada sentido. O sentido mais
grosseiro é o tacto. Não obstante, serve-nos esplendidamente, de muitos
modos. É errado dizer que temos um sentido do tacto. Na verdade, este
sentido é um complexo de sentidos. Não é tão subtil e estético como a audição
e a visão, mas, auxilia muito no contacto com o mundo exterior. Nas pessoas
comuns, que se fiam mais da vista e da audição, o tacto pode ficar um tanto
descurado. Revela-se, porém sua eficiência e sua capacidade educativa,
quando faltarem os demais sentidos.

≥ Língua

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A língua possui receptores chamados de papilas gustativas, responsáveis pelo
paladar. As papilas são quimio receptoras, isso quer dizer que elas são
especializadas em detectar a presença de substâncias químicas. Existem
papilas gustativas especializadas na percepção dos quatro sabores básicos:
doce, amargo, azedo e salgado.

Cada tipo de papila localiza-se numa região específica da língua. A


combinação de estímulos nesses quatro tipos de receptores transmite ao
sistema nervoso informações acerca, por exemplo, do sabor dos alimentos que
ingerimos. Porém, o olfato também possui um papel importante na percepção
dos sabores. É por isso que quando estamos com o nariz entupido não
conseguimos sentir corretamente o gosto dos alimentos.

≥ Paladar

O órgão principal do paladar ou gosto, é a língua (mais particularmente, a


mucosa que a cobre), através das papilas gustativas. Umas têm a forma
comprida e fina, sendo por isso chamadas papilas filiformes, outras
apresentam-se sob o aspecto de pequenos fungos, particularidades que lhes
mereceu o nome de fungiformes, e ainda outras, cercadas por uma vala
chamam-se papilas circunvaladas ou caliciformes. As papilas filiformes
encontram-se especialmente na ponta da língua; o resto da superfície é
ocupada por papilas fungiformes de mistura com papilas filiformes; as
caliciformes, em número de 7 a 12, encontram-se perto da raiz da língua. Além
das papilas, encontram-se abaixo da membrana mucosa da língua várias
glândulas. A cada lado do sulco perto da língua há uma glândula de 20mm de
comprimento e 5 a 8 mm da língua. Dentro das papilas caliciformes existem
pequenas glândulas racemosas, que se abrem no interior das papilas,
segregando um líquido aquoso. A sede do gosto, são as glândulas fungiformes
e as caliciformes. Dentro desses órgãos encontram-se numa mistura com
células meramente mecânicas, destinadas a servir de apoio às células
gustativas. As substâncias do sabor chamam-se sápidas, e as que não
produzem impressões gustativas chamam-se insípidas. As diversas sensações
gustativas resultam da associação de quatro sabores fundamentais: sabor

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doce, percebido pela ponta da língua, sabor salgado, percebido pela região
mediana da língua, sabor amargo, percebido pela base da língua e sabor
ácido, percebido pelos cantos da língua. As impressões gustativas são
associadas às impressões olfativas, de tal maneira que a noção que temos do
gosto dos alimentos resulta da soma destas duas impressões.

≥ Nariz

O nariz é o órgão que contém os receptores responsáveis pelo olfato. No


interior da cavidade nasal existe um tecido especializado, o epitélio olfativo,
que contém milhares de receptores, chamados de células olfativas. As células
olfativas possuem pelos sensoriais que captam moléculas voláteis ou de outras
substâncias dispersas no ar inspirado. Em resposta à presença dessas
moléculas, as células olfativas produzem estímulos nervosos. Estes são
conduzidos até o sistema nervoso central onde são traduzidos em sensações.
O olfato atua em conjunto com o paladar na percepção dos sabores. O olfato
também pode nos alertar sobre alimentos estragados, venenosos ou outras
substâncias que, se ingeridas, podem causar danos ao nosso organismo.

≥ Olfato

O sentido do olfato radica numa parte da membrana mucosa, que reveste o


interior das fossas nasais (que comunicam atrás com a boca posterior e a
faringe, na frente com o ar pelas narinas), é conhecida sob a denominação de
pituitária. Esta cobre as fossas nasais em toda a sua extensão: tem cor rosada
consistência e espessura variáveis. Em sua superfície observam-se numerosos
orifícios, que são as aberturas de outras tantas glândulas que segregam o
muco. Um corte através da pituitária oferece o aspecto de todas as mucosas;
debaixo do epitélio encontra-se a derme ou o cório mucoso, constituído, como
todas as membranas semelhantes, de tecido conjuntivo, numerosas glândulas,
nervos e vasos sanguíneos. Encontra-se na pituitária olfativa propriamente dita,
uma mancha amarelada no alto do nariz. A camada superior caracteriza-se por
células alongadas, que se apresentam sob duas formas: umas são cilíndricas,

47
emitindo prolongamentos ramificados para o interior da pituitária e exercendo
uma função meramente mecânica; no meio delas outras fusiformes, compridas,
providas de um núcleo redondo e claro e de vários nucléolos, representadas as
células olfativas propriamente ditas. Cada uma delas possui, como nas células
gustativas, dois prolongamentos nervosos, dos quais um sobe à superfície,
terminando em várias cerdas olfativas outro desce para o interior, indo reunir-
se ao nervo olfativo.

Só a extremidade superior das cerdas entra em contato direto com o mundo


exterior, estando o resto protegido por uma camada perfeitamente
transparente. O órgão do olfato reage a estímulos de origem química. As
partículas odoríferas, emitidas pelos corpos produzem, em contato com as
células olfativas, uma transformação química que se transmite ao cérebro e ali
se manifesta como cheiro.

≥ Ouvidos

Os ouvidos sãos os órgãos responsáveis pela audição e pelo equilíbrio. No


interior do ouvido existem células mecanorreceptoras. Estas células captam
estímulos mecânicos, traduzindo-os em impulsos nervosos. Inicialmente,
vamos ver como funciona a audição. O som é uma vibração, originada por
alterações na pressão, que se propaga através de meios elásticos. As ondas
sonoras são captadas pelo ouvido externo, composto pela orelha e o canal
auditivo externo. Ao final do conduto auditivo existe uma membrana que vibra
de acordo com a intensidade e a frequência do som, o tímpano. As vibrações
do tímpano são transmitidas para um conjunto de pequenos ossículos
articulados (martelo, bigorna e estribo) situados no ouvido médio. O movimento
desses ossículos promove a passagem do som do ouvido externo para o
interno. A vibração dos ossículos age sobre uma câmara chamada de janela
oval. No interior dessa cavidade existe um líquido, denominada perilinfa, na
qual estão imersas células receptoras. Estas células são dotadas de pelos
sensoriais que captam as vibrações no meio líquido, transformando-as em
impulsos nervosos que são transmitidos para o sistema nervoso central. O
ouvido também é responsável pelo equilíbrio e pela percepção dos

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movimentos. Três regiões do ouvido interno participam dessas funções: o
sáculo, o utrículo e os canais semicirculares.

≥ Audição

O órgão da audição é o ouvido, formado externamente pela orelha ou ouvido


externo (órgão de recepção), pelo ouvido médio (órgão de transmissão) e pelo
ouvido interno (órgão de percepção das vibrações sonoras). Os ouvidos
médios e interno acham-se localizados no rochedo do osso temporal.

O ouvido externo é formado pelo pavilhão da orelha e pelo conduto auditivo


externo: transmite as ondas sonoras para o tímpano, membrana que separa o
ouvido externo do ouvido médio. Do interior da caixa do tímpano, entre o
tímpano e a janela oval, encontra-se uma cadeia de três ossinhos: o martelo, a
bigorna e o estribo, os quais se articulam entre si. O martelo encontra-se em
parte na membrana do tímpano e o estribo se aplica por sua base sobre a
janela oval. Os ossinhos podem se mover uns sobre os outros, graças à
músculos. O ouvido interno, o labirinto, parte essencial do aparelho auditivo,
compreende o vestíbulo, o caracol, os canais semi circulares existentes no
rochedo encerrando tubos membranosos separados de suas paredes por
líquido. São nestes tubos que se encontram as últimas ramificações do nervo
acústico. O caracol vai ter ligação com a janela redonda; e no vestíbulo é que
se acha o órgão de Corti o aparelho nervoso da audição. Os sons transmitidos
pelo conduto auditivo externo do tímpano fazem essa membrana vibrar.

As vibrações são transmitidas ao ouvido interno, quer pelo ar da caixa, quer


pelos ossinhos. O ar da caixa está sempre com a mesma pressão que o ar
exterior, por causa da comunicação da caixa com a trompa de Eustáquio, a
qual se abre em cada movimento da deglutição. As vibrações transmitidas ao
líquido do ouvido interno vão impressionar as células nervosas. Os ruídos são
reconhecidos pelos vestíbulos e os canais semi circulares. O som, sensação
harmoniosa, é percebido pelo órgão de Corti, que o transmite ao cérebro.

≥ Olhos

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Os olhos possuem células fotorreceptoras, isto é, capazes de captar estímulos
luminosos, produzindo estímulos nervosos transmitidos ao sistema nervoso
central. Estas células se situam na retina, uma camada de revestimento interno
do olho, e são de dois tipos: bastonetes e cones. Os bastonetes são muito
sensíveis a variações na intensidade luminosa, mas não distinguem cores, o
que é realizado pelos cones. Os raios luminosos penetram nos olhos e passam
pela pupila. A pupila é uma estrutura capaz de controlar a quantidade de luz
que penetra no olho. Em ambientes muito claros ela se fecha; em locais
escuros ela se abre.

Após passar pela pupila, os raios atingem o cristalino. O cristalino atua como
uma lente que projeta os raios luminosos no fundo dos olhos, onde se
encontram os bastonetes e cones. Porém, o cristalino projeta a imagem de
ponta-cabeça. A correção da posição é realizada pelo sistema nervoso central.

≥ Visão

O órgão da visão são os olhos, os globos oculares, situados nas cavidades


orbitárias. As três membranas do globo ocular são: esclerótica, corónide e
retina. A esclerótica, de natureza fibrosa, protetora do globo ocular, é
vulgarmente chamada “o branco dos olhos”. Apresenta, atrás, um orifício, por
onde passa o nervo óptico. Adiante, transforma-se em uma membrana
transparente, a córnea. A corónide, muito rica em vasos sanguíneos, é nutritiva
do globo ocular, para o qual constitui também uma espécie de “câmara escura”,
necessária na formação da imagem retiniana. Na parte posterior da coroide, há
um orifício correspondente ao da esclerótica, dando passagem ao nervo óptico.
Na sua parte anterior, em abertura circular, está encaixado um disco
diversamente colorido, a íris, com um orifício central, a pupila ou “menina dos
olhos”. A cor da íris não é uniforme. A íris contém fibras musculares de duas
espécies: as fibras circulares, que, pela contração, diminuem a abertura pupilar
e as fibras radiadas, que a aumentas. A retina forma-se pelo desdobramento
do nervo óptico, que penetra no globo ocular pela sua parte posterior. Há, na
retina, a pupila, o ponto cego, e a mácula lútea. O globo ocular comporta-se
como uma pequena máquina fotográfica. Os raios luminosos, partindo dos
objetos atravessam a córnea transparente, a pupila, o humor aquoso, o

50
cristalino, onde se desvia, o humor vítreo e vão atingir a retina. Sobre a retina
forma-se uma imagem diminuta
e invertida, é assim que
acontece na máquina
fotográfica. O cristalino
corresponde à lente da
máquina, a retina o filme que é
sensível as impressões
luminosas, e a pupila ao
diafragma. As impressões
recebidas pela retina são transmitidas através do nervo óptico até o cérebro,
onde ocorrem as sensações visuais. Para que as imagens sejam nítidas é
necessário que se formem exatamente sobre a retina, variando o cristalino, sua
própria curvatura, segundo a maior ou menor distância
dos objetos. Essa propriedade do cristalino chama-se
poder de acomodação.

 Principais eixos do Desenvolvimento Saudável –


matéria;
≥ Sistemas Sensoriais

O sistema nervoso sensorial faz parte do sistema


nervoso central responsável pelo processamento da informação sensorial.
Sistemas sensoriais comumente reconhecidos são visão, audição, tato,
paladar, olfato e equilíbrio. Em suma, os sentidos são tradutores do mundo
físico para o universo da mente, onde interpretamos a informação, criando a
nossa percepção do mundo que nos rodeia.

≥ VISÃO

Visão é a habilidade que nos permite ver o que acontece à nossa volta, a
janela para o mundo. A luz forma imagens nos fotorreceptores da retina, dentro
de cada olho, e a informação é levada ao cérebro pelos nervos ópticos. A visão
não é um sentido por si só, mas um aglomerado de mais de um deles, pois há
mais de um receptor para mais de uma informação. O primeiro é a capacidade
de detectar intensidade luminosa; os receptores são células chamadas

51
bastonetes, que trabalham bem até em menores intensidades de luz, mas não

possuem a capacidade de detectar cor. O outro sentido é a capacidade de


detectar cores, e as células receptoras são os cones, que exigem uma
quantidade maior de luz para funcionarem bem; há o debate se este constitui
um ou três sentidos diferentes, pois há três tipos de cones, um para cada cor
primária. Há, ainda, discussão sobre um terceiro sentido, o da estereopsia, a
percepção de profundidade e distância usando ambos os olhos, mas
geralmente é considerada uma função cognitiva (pós sensorial) do córtex visual
do cérebro, ou seja, a interpretação de informação previamente adquirida de
outra forma.

≥ AUDIÇÃO

52
Audição é a percepção do som pelo ouvido. O som é a propagação de ondas
mecânicas em meios materiais, fazendo portanto
da audição a percepção da vibração. As ondas
sonoras chegam até o aparelho auditivo, fazem o
tímpano vibrar que, por sua vez, faz os três ossos
da orelha (martelo, bigorna e estribo) vibrarem; as
vibrações são passadas para a cóclea, onde se
convertem em impulsos nervosos que são
transmitidos ao cérebro pelo nervo auditivo. Dado
que as ondas sonoras normalmente possuem uma
quantidade minúscula de energia, o ouvido é
excecionalmente sensível, e portanto, frágil.

≥ PALADAR;

Paladar (ou gustação) é a capacidade de reconhecer os gostos de substâncias


como comida, alguns minerais, até venenos. Existem cinco sabores básicos
bem conhecidos: salgado, doce, amargo, ácido e umami*. As papilas gustativas
espalham-se em concentrações diferentes por toda a língua, e estão presentes,
ainda que em menor número, até no céu-da-boca, garganta, esófago e nariz;
as suas concentrações variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo.
Isto significa que, ao contrário da lenda popular, a língua percebe sabores
diferentes de forma razoavelmente igual por toda a sua extensão.

* O umâmi possui um gosto residual suave, mas duradouro. Ele induz a


produção de saliva, além de uma sensação aveludada na língua; pode
estimular a garganta, o palato e a parte de trás da boca (Yamaguchi, 1998).

Mesmo com os olhos vendados e o nariz tapado, somos capazes de identificar


um alimento que é colocado na nossa boca. Este sentido é o paladar.
Partículas desprendem-se do alimento e dissolvem-se na boca, onde a
informação é transformada para ser conduzida até o cérebro, que vai

53
descodificá-la. Os seres humanos distinguem as sensações de doce, salgado,
azedo e amargo através das papilas gustativas, situadas nas diferentes regiões
da língua.

≥ OLFATO

O nariz é constituído pelas fossas nasais e pela pirâmide nasal. Na cavidade


nasal encontra-se a pituitária que possui inúmeras terminações nervosas. As
substâncias, ao passarem pela mucosa, estimulam as
terminações nervosas e o nervo olfativo encaminha
as mensagens até o córtex cerebral.

Podemos adivinhar o que está no forno apenas pelo


cheiro que sentimos na cozinha. Este é o sentido do
olfato. Partículas saídas dos alimentos, de líquidos,
de flores, etc. chegam ao nariz e dissolvem-se no
tecido que reveste a região interna do teto da cavidade nasal, a mucosa
olfatória. Ali a informação é transformada, para ser conduzida, através do nervo
olfatório, até o cérebro, onde será descodificada.

≥ TACTO;

O tacto, sistema somatossensorial ou mecanorreceptor, é uma percepção


resultante da ativação de receptores neuronais, geralmente na pele, incluindo
os folículos de cabelo, mas também na língua, na garganta, e mucosa. Existem
inúmeras terminações nervosas especializadas situadas na pele e nos tecidos
internos do organismo, que estão sujeitas a estímulos do tipo: calor, frio, dor,
tacto, entre outros. Tais estímulos são
transformados em impulsos nervosos e
enviados ao sistema nervoso central, na
qual são interpretados e respondidos.

A nossa pele permite-nos perceber a textura


dos diferentes materiais, assim como a
temperatura dos objetos, pelas diferenças de
pressão, captando as variações da energia

54
térmica e ainda as sensações de dor. Podemos sentir a suavidade do
revestimento externo de um pêssego, o calor do corpo de uma criança que
seguramos no colo. Sem estas informações, as nossas sensações de prazer
seriam diminuídas, poderíamos por ex. queimar-nos ou magoar-nos com
frequência. Esta forma de percepção do mundo é conhecida como tacto.

 Sistemas Sensoriais – SINTESE

Os humanos possuem cinco sentidos tradicionalmente conhecidos: visão,


audição, paladar, olfato e tacto. São eles que permitem a captação de imagens,
sons, sabores, odores e toques, garantindo uma percepção de todo o
ambiente, o que sempre nos possibilitou sobreviver e evoluir.

 Sistemas Sensoriais – Patologias Associadas;


≥ Visão
• Miopia: córnea muito curva; vê mal de longe;
• Hipermetropia: córnea plana; vê mal de perto;
• Astigmatismo: córnea irregular, imagem distorcida;
• Presbiopia: cristalino envelhecido, imagem embaçada;
• Ceratocone: deformação da córnea, imagem distorcida;
• Conjuntivite: Inflamação da conjuntiva;
• Glaucoma: acúmulo de humor aquoso;
• Catarata: película de revestimento opaca.
≥ Audição/Equilíbrio;
• Surdez: ausência de audição, por diversos motivos (Ex:
perfuração da membrana timpânica);
• Labirintopatias: ligadas a problemas no labirinto,
provocando tonturas e náuseas.
≥ Olfato
• Rinite: inflamação da mucosa de revestimento;
55
• Sinusite: inflamação dos seios nasais.
≥ Paladar
• Glossite e Glossidina:i inflamações da língua, que provoca
dores e sensação de queimadura.
≥ Tacto
• Polineuropatias: distúrbios em nervos periféricos, que
podem anestesiar o sentido do tacto.
• Hanseníase: uma infecção que ocorre na pele e nos
nervos. Quando são afetados, a região torna-se dormente
e perde a tonicidade muscular. Ou seja, diminui a
sensibilidade ao calor, à dor e ao tacto.
 Sistemas Sensoriais

A função do sistema sensorial é transmitir informações sobre estímulos


externos e internos ao cérebro e reagir a eles. Isso ocorre por meio de células
especializadas, chamados receptores, que compõem os órgãos deste sistema.

Há diversos tipos de receptores especializados para cada sentido:


fotorreceptores, mecanorreceptores, quimiorrecetores, termorreceptores outros.

 Sistemas Sensoriais – RECEPTORES

O início da sensação decorre da resposta de um receptor específico a um


estímulo físico. Os receptores que reagem ao estímulo e iniciam o processo de
sensação são geralmente caracterizados em quatro categorias distintas:
quimiorrecetores, fotorreceptores, mecanorreceptores e termorreceptores.
Todos os receptores recebem estímulos físicos distintos e traduzem o sinal
num potencial de ação elétrica. Este potencial de ação, em seguida, viaja ao
longo de neurónios aferentes para regiões específicas do cérebro onde é
processado e interpretado.

• Quimiorrecetores ou quimiossensores, detectam certos estímulos químicos


e traduzem o sinal num potencial de ação elétrica. Os dois principais tipos
de quimiorrecetores são:

56
• Os quimiorrecetores de distância, são essenciais para receber estímulos no
sistema olfativo através de neurónios receptores olfativos e neurónios no
órgão vomeronasal.
• Os quimiorrecetores diretos incluem as papilas gustativas no sistema
gustativo, bem como receptores nos corpos aórticos que detectam
mudanças na concentração de oxigênio.
≥ Fotorreceptores

Os fotorreceptores são capazes de foto tradução, um processo que converte a


luz (radiação eletromagnética) noutros tipos de energia, um potencial de
membrana. Os três principais tipos de fotorreceptores são: cones, que são
fotorreceptores que respondem significativamente à cor.

Nos seres humanos, os três tipos diferentes de cones correspondem a uma


resposta primária ao curto comprimento de onda (azul), comprimento de onda
médio (verde) e comprimento de onda longo (amarelo/vermelho). As células da
haste são fotorreceptores que são muito sensíveis à intensidade da luz,
permitindo a visão com iluminação fraca. As concentrações e proporção de
varas em cones estão fortemente correlacionadas com o facto de um animal
ser diurno ou noturno. Em seres humanos, as hastes superam em número os
cones em aproximadamente 20: 1, enquanto em animais noturnos, como a
coruja, a razão é mais próxima de 1000: 1.

≥ Mecanorreceptores

Os organorreceptores são receptores sensoriais que respondem a forças


mecânicas, como pressão ou distorção. A maioria dos mecanorreceptores são
cutâneos e agrupados em quatro categorias:

1) Adaptação lenta dos receptores tipo 1 tem pequenos campos recetivos e


responde à estimulação estática. Estes receptores são utilizados
principalmente nas sensações de forma e rugosidade.
2) Adaptação lenta dos receptores de tipo 2 tem grandes campos recetivos e
responde ao estiramento. De forma semelhante ao tipo 1, eles produzem
respostas sustentadas a um estímulo continuado.

57
3) Os receptores de adaptação rápida têm pequenos campos recetivos e
subjazem a percepção de deslizamento.
4) Os receptores de Pacinian têm grandes campos recetivos e são os

receptores predominantes para a vibração de alta frequência.


≥ Termorreceptores

Os termorreceptores são receptores sensoriais que respondem a temperaturas


variáveis. Embora os mecanismos através dos quais esses receptores
funcionem não sejam claros, descobertas recentes mostraram que os
mamíferos têm pelo menos dois tipos distintos de termorreceptores:

1) O bulbo final de Krause, ou corpúsculo bulboidal, detecta temperaturas


acima da temperatura corporal.
2) O órgão final de Ruffini detecta temperaturas abaixo da temperatura
corporal.

≥ Principais eixos do Desenvolvimento Saudável - Sistemas


Sensoriais;

58
 Alimentação
≥ Nutrição e desnutrição

Um pouco por todo o mundo, o padrão de alimentação, bem como a prática de


exercício físico modificaram-se radicalmente ao longo da história humana. A
conhecida relação entre os hábitos de alimentação e a incidência de diversas
doenças, entre elas, oncológicas, cérebro-cardiovasculares, autoimunes,
diabetes, má nutrição em excesso como obesidade ou em défice como
desnutrição, é demonstrada a partir do momento que as entidades reguladoras
de saúde consideram os hábitos alimentares inadequados como o primeiro
factor de risco de perda de anos de vida. Com o objetivo de prevenir o
aparecimento destas e outras doenças, altamente influenciáveis pelos estilos
de vida e hábitos de alimentação adotados, deverá seguir as guidelines e
orientações gerais instituídas pela Organização Mundial da Saúde e Direção
Geral da Saúde.

Mais especificamente, deverá seguir as recomendações nutricionais


individualizadas e personalizadas sugeridas pela sua nutricionista. Delegue
sempre a otimização da sua dieta num profissional de saúde qualificado e
certificado.

A primeira grande medida de prevenção baseia-se nos cuidados de higiene e


segurança alimentar, uma vez que a maior parte dos alimentos são veículo de
transmissão de vários microrganismos patogénicos e contaminantes, que
provocam morbilidade e mortalidade. Por este e outros motivos, pratique uma
alimentação cuidada, saudável e sempre que possível baseada na dieta
mediterrânica, a única que é completa, variada e equilibrada. O seu peso
corporal e respetivo Índice de Massa Corporal (IMC) não deverá ser
negligenciado, mantendo sempre que possível na normoponderalidade (entre
os 18.5 e 24.9 kg/m2).

De uma forma geral, opte sempre por fracionar ao máximo as refeições ao


longo do dia, prevenindo o consumo de snacks calóricos nos lanches
intermédios, regularizando a glicémia e o metabolismo. Inclua diariamente
alimentos ricos em fibra, vitaminas e minerais e pobres em gordura, como por
exemplo: cereais integrais, fruta fresca com casca, sempre que possível da

59
época e em quantidade moderada, hortícolas e vegetais variados sob a forma
de salada ou sopa. Não se esqueça da preciosa recomendação: cinco
hortofrutícolas por dia para garantir o aporte de micronutrientes e antioxidantes,
necessários ao longo do dia para combater os radicais livres. Privilegie sempre
o consumo de gordura mono/polinsaturada presente no azeite, amêndoas,
azeitonas, abacate, peixes gordos como o salmão, sardinha e cavala, em
detrimento da gordura saturada frequentemente encontrada nas carnes
vermelhas, enchidos, manteiga, queijos e leite com alto teor de gordura,
biscoitos, bolachas, fritos, entre outros.

Reforce a ingestão hídrica, através do consumo de água, infusões de ervas


alternado com chás sem açúcar e alimentos ricos em água. O aporte de
líquidos é extremamente importante para o correto funcionamento do
metabolismo e hidratação. Privilegie também o consumo de ervas aromáticas
(manjericão, coentros, salsa, tomilho, tomilho-limão, orégãos, entre outros) em
detrimento do uso do sal ou molhos.

A confeção dos alimentos deverá ser sempre que possível à base de cozidos,
grelhados, assados ou ao vapor, pelo que deverá prevaricar apenas em dias
festivos e de forma esporádica. Por último, reduza o consumo de carnes
vermelhas, produtos processados e fast-food e opte por refeições leves e de
fácil digestão à base de peixe e carne de aves. Pode e deve aumentar o
consumo de leguminosas ricas em fibra, como o grão-de-bico, lentilhas, feijão,
ervilha e favas. Faça dos alimentos, os seus aliados na promoção de saúde e
prevenção da doença.

≥ Implicações na saúde

O conceito de (boa) saúde é constituído por muitas variáveis, e pode ser


influenciado por inúmeros fatores externos, mas, sem dúvida, que a
alimentação tem um papel de grande importância na caminhada para termos
uma vida saudável e também para a manter.

Mesmo antes de nascer, ainda dentro da barriga, os embriões (e mais tarde


fetos) recebem os nutrientes necessários através da mãe, para que ao nascer
já sejam bebés capazes de sobreviver e continuar o seu processo de
crescimento.

60
A partir desse dia, começam a receber a alimentação de outra forma, através
da boca. Começa então a grande aventura que se prolonga por toda a vida:
experimentar alimentos, diferenciá-los, selecioná-los, saboreá-los, e tirar deles
o que têm de melhor para nos dar, e consequentemente, ajudar na
manutenção do nosso bem-estar e saúde. Reconhece-se, hoje, que uma
alimentação saudável durante a infância é duplamente benéfica, pois se por um
lado facilita o desenvolvimento intelectual e crescimento adequado para a
idade, por outro, previne uma série de patologias relacionadas com uma
alimentação incorreta e desequilibrada, como a anemia, obesidade,
desnutrição, cárie dentária, atraso de crescimento, entre outra. Compreende-
se, portanto, a importância do papel da família como modelador de
comportamento e construtor de boas práticas alimentares nas crianças,
principalmente na idade da primeira infância (0-6 anos), idade em que as
escolhas dos pequeninos podem e devem ser reguladas pelos
pais/cuidadores/educadores.

De acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS),


não existe no Mundo melhor alimento que o leite materno, pelo que a
amamentação em exclusivo tem de ser incentivada e apoiada, até aos 6 meses
de vida do bebé e daí em diante, até aos 2 anos, deve ser mantida,
acompanhada/complementada por outros alimentos, sem a adição de sal ou
açúcar, sem ser os naturalmente presentes nos alimentos.

Quando chega então a altura de o bebé iniciar a diversificação alimentar, existe


uma grande preocupação com a introdução dos alimentos (legumes, frutas,
proteínas), procurando que as quantidades oferecidas sejam as adequadas,
que a diversidade seja a maior possível e a qualidade do alimento a melhor que
podemos dar. Nessa altura da vida dos bebés, a família pode contar com a
ajuda e orientação dos profissionais de saúde, que nas consultas do bebé vão
dando informação sobre as próximas etapas do desenvolvimento e sobre a
forma como a alimentação deve acompanhar esse mesmo desenvolvimento.

Quando a criança inicia a creche/ jardim-de-infância, o papel da família


continua a ser preponderante, mas a escola tem igualmente de se posicionar

61
como bom exemplo e ser promotora de boas práticas, adotando medidas
simples como redução de açúcares nas refeições (optando por papas feitas na
creche e não de compra, aumentando a oferta de fruta e legumes nas refeições
principais e fora delas, privilegiando os alimentos da época, etc.).

Com o crescimento da criança não devem diminuir as preocupações, pelo


contrário, no entanto, é fundamental que a família se coloque ao lado da
criança nas boas escolhas e seja o modelo, e não apenas o adulto que quer
que a criança coma o melhor possível, mas não segue a mesma linha. Os pais
serão sempre os primeiros e principais educadores das crianças, nunca se
podendo destituir desse papel nem o passar a terceiros. Alguns estudos têm-se
debruçado sobre as implicações do estilo alimentar familiar no comportamento
alimentar dos filhos, no entanto a identificação das bases que suportam as
decisões dos pais para a prática da alimentação diária têm sido pouco
estudadas.

Os determinantes ambientais são complexos e incluem desde a disponibilidade


dos próprios alimentos, a fatores culturais e económicos. Contudo, em relação
a estes, alguns estudos têm mostrado que o acesso a maiores recursos
financeiros, podendo aumentar o poder de escolha, não se revela sinónimo de
uma alimentação de melhor qualidade (EUFIC, 2005). Este resultado parece
indicar que o que precisamos ter em maior abundância é mesmo o tempo para
refletir e fazer boas escolhas para nós e para os nossos filhos.

≥ O que fazer quando a criança recusa o alimento

Não gostamos de tudo. Não temos de gostar de tudo. Mas é normal a criança
recusar o que não conhece, ou mesmo rejeitar um alimento que já tinha
introduzido e gostado. Nestas fases normais do desenvolvimento devemos
continuar a oferecer o alimento, mesmo que a criança o rejeite. Podemos
encontrar novas formas de o cozinhar, de o apresentar à criança, para que se
sinta mais impelida a experimentar, podemos incluir a criança na tarefa de

62
cozinhar, para que mexa nos alimentos crus, e colocar os alimentos na mesa
para toda a família partilhar a refeição.

A fase de recusa alimentar pode acontecer em algumas crianças, noutras pode


nem se revelar. No entanto, é mais frequente depois da fase da introdução dos
alimentos, ou seja, quando já tem mais de 2 anos, já come alimentos sólidos e
começa a ser autónoma na alimentação. Nesta fase a criança já definiu o que
“gosta” e o que “não gosta” e afirma-o perentoriamente. O adulto pode tentar
contornar com as estratégias acima e sobretudo acrescentar sabor e
vivacidade ao prato. Uma pizza com base de brócolos parece ser uma boa
opção para quem afirma que não gosta deles, ou uns muffins de vegetais
cheios de sabor e bons ingredientes. Há que ser criativo para fugir às recusas.
A paciência é outra qualidade importantíssima quando se tem uma criança que
passa por uma fase assim, mas o tempo é o melhor ajudante nestas situações.
Manter o foco no positivo, encorajar a criança e valorizar os seus esforços vai
contribuir para o sucesso de toda a família neste processo.

≥ Dicas saudáveis (associação portuguesa de nutricionistas)


• Iniciar o almoço e o jantar da família com sopa;
• Comer fruta e vegetais frescos todos os dias, são ricos em vitaminas e
minerais;
• Variar entre carne e peixe;
• Consumir regularmente leguminosas;
• Incluir alguns laticínios na alimentação diária (iogurtes e leites não
açucarados);
• Reduzir o consumo de alimentos açucarados, ricos em gordura e de
baixo valor nutricional, pois têm um valor energético elevado e são
pobres em micronutrientes, contribuindo em grande escala para o
aumento da ingestão das calorias diárias e, consequentemente, do peso
corporal.
• Privilegiar sempre o consumo de água ao longo do dia, evitando sumo,
mesmo naturais;

63
• Iniciar a ingestão de sal e açúcar o mais tarde possível no crescimento
da criança.
 Alimentação;

Denomina-se alimentação ao processo de ingestão de alimentos a fim de


proporcionar os nutrientes necessários para o desenvolvimento do organismo.
A alimentação é de grande importância para a saúde, pois quando realizada de
maneira correta é possível evitar um grande número de doenças, além de
servir de base da nutrição. A alimentação tem particular importância para o
bem-estar físico e mental e é
conhecida a influência na prevenção
de doenças crónicas, como na doença
cardiovascular, a doença oncológica, a
obesidade e a diabetes. Até há poucos
anos a importância da alimentação,
por exemplo na saúde mental estava
relacionada com as consequências
cerebrais que se encontravam nas pessoas com grandes deficiências em
certos nutrientes. Hoje em dia existe
evidência de que alterações mais subtis dos
nutrientes obtidos através da alimentação
devem ser consideradas na apreciação da
saúde neurológica e emocional, em particular
na depressão.

O funcionamento cerebral está dependente de aminoácidos, gorduras,


vitaminas e minerais, pelo que os nutrientes têm uma influência muito
importante no funcionamento físico, intelectual e na saúde mental. Os hábitos
alimentares influenciam o sistema imunitário, limitando ou contribuindo para
diferentes graus de inflamação, de defesas com antioxidantes e nos factores
que influenciam a plasticidade do cérebro.

Existem estudos realizados em diferentes populações, que mostram que os


hábitos alimentares saudáveis, habitualmente associados a tradições locais,
estão associados a menor risco de sintomas de depressão, ansiedade e

64
dificuldades físicas e intelectuais. Também a
alimentação dos recém-nascidos parece
influenciar o desempenho escolar. A
alimentação tradicional tem mostrado ter uma
influência benéfica no humor, memória e na
fadiga. De acordo com diferentes estudos
verifica-se que a alimentação que se tem
desenvolvido nos últimos anos nos países
ocidentais (fast-food) parece estar associada a um desenvolvimento intelectual
abaixo do desejável e ao mesmo tempo parece ser utilizada pelas pessoas
como uma forma de compensarem o stress.

A alimentação ocidental moderna apresenta um desequilíbrio dos nutrientes


mais importantes, devido á modificação dos processos de produção alimentar.
No mundo ocidental comem-se menos alimentos frescos e mais alimentos
processados, com elevado teor calórico e pobres em nutrientes. Em 2011, um
estudo relacionou esta dieta ao aumento de doenças cardiovasculares,
oncológicas, diabetes, depressão e ansiedade, em comparação com uma dieta
tradicional norueguesa. Uma revisão de estudos em 2014, também ligou
padrões alimentares pouco saudáveis com prejuízos na saúde mental em
crianças e adolescentes. A dieta modifica a nossa flora intestinal e esta por sua
vez, produz substâncias que causam alterações diretamente no cérebro.

É então, nos intestinos que se pensa acontecer a grande maioria dos


processos fisiológicos que influenciam todo o nosso organismo e que
condicionam o nosso estado geral, físico, mental e emocional. Os
conhecimentos atuais apontam claramente para os benefícios do consumo de
produtos de origem vegetal e o seu papel na prevenção de doença,
nomeadamente na prevenção de doenças muito frequentes na nossa
sociedade.

Em todo o mundo existe um grande interesse pelo tipo de alimentação com


menor quantidade de produtos de origem animal, também por motivos
relacionados com a proteção do ambiente. Esta dieta chamada sustentável

65
deverá contribuir para a segurança alimentar da actual e das gerações
vindouras.

≥ Esta Dieta Sustentável deve:


• Contribuir para a segurança alimentar e das futuras gerações.
• Deve ser culturalmente aceitável, acessível, justa em termos
económicos e nutricionalmente adequada e saudável.
• Deve promover os produtos locais e tradicionais, promover a
biodiversidade, otimizar os recursos naturais e humanos disponíveis.
• Deve ainda ter em conta a produção de alimentos com reduzido
consumo de água e carbono.
 Alimentação em Portugal;

Em Portugal existe um padrão alimentar com uma oferta abundante e variada


de vegetais ao longo do ano e os modos de confeção tradicionais incluem na
sua base de um modo geral, formas saudáveis e fáceis de adotar. É importante
considerar a diversidade de alimentos, a redução das quantidades de sal,
açúcar e gorduras saturadas e a ingestão adequada de água.

O estilo de vida preconizado pelos povos mediterrânicos também tem vindo a


ser destacado em estudos dedicados à compreensão da relação entre o
padrão alimentar mediterrânico e a saúde. Para além dos fatores nutricionais,
reconhece-se atualmente a importância da interação social, com ênfase no
momento de refeição em grupo, na manutenção da identidade individual e na
minimização da noção de solidão, isolamento e
stress.

A sua importância na saúde do indivíduo não se


limita ao facto de se tratar de uma dieta
equilibrada, variada e com nutrientes
adequados. Aos benefícios de seu baixo teor de
ácidos gordos saturados e alto teor de
monoinsaturados, tal como em glícidos complexos e fibra alimentar, junta-se a
riqueza em antioxidantes, determinantes para o bem-estar. Trata-se de uma

66
dieta equilibrada e variada, que privilegia alimentos frescos e da época, e
representa uma rica herança cultural.

≥ ALIMENTAÇÃO - A FRUTA;

Salientam-se frutos como citrinos, melão, uva, maçã, romã, figo, ameixa,
pêssego, melancia, pera e cerejas.

A fruta fresca é essencialmente fornecedora de glícidos, vitaminas, minerais e


fibra alimentar. É recomendado o consumo de 1 a 2 porções de fruta fresca a
cada refeição principal, crua ou cozinhada e com texturas e cores variadas.

≥ OS PRODUTOS HORTÍCOLAS

No grupo dos hortícolas, destaca-se tradição mediterrânica do consumo de


alho e cebola, presentes em abundância na preparação e confeção das
refeições, o tomate, pimento, pepino e de um leque variada de vegetais
folhosos verdes, de consumo sazonal, muitos destes vegetais tradicionalmente
espontâneos como as beldroegas ou as acelgas. Os hortícolas são
essencialmente fornecedores de vitaminas, minerais e fibra alimentar. É
recomendado o consumo mínimo de 2 porções de hortícolas a cada refeição
principal, crus ou cozinhados e com texturas e cores variadas.

≥ Tubérculos (batata, Batata-doce, inhame e mandioca)

São alimentos essencialmente fornecedores de hidratos de carbono, o que os


torna equivalentes aos cereais. Por exemplo, meio pão ou uma fatia de pão
com 25 a 30g equivale a ingerir uma batata pequena do tamanho de um ovo
com aproximadamente 60 a 80g. O total de tubérculos a ingerir por dia
depende das porções de outros alimentos ricos em hidratos de carbono já
ingeridos e do nível de actividade física. Os tubérculos não fogem à regra da
alimentação saudável, que recomenda como modo de confecção os cozidos,
os estufados, os assados e os grelhados, com pouca gordura. Nos tubérculos,
devido ao seu elevado teor em água, a fritura é particularmente contraindicada
uma vez que absorvem grandes quantidades de gordura.

67
≥ Cereais

Paralelamente à fruta e aos produtos hortícolas é recomendado o consumo de


cereais, com eleição dos pouco refinados e integrais, dado que o efeito do
processamento alimentar traduz-se na redução do teor de fibra alimentar e de
determinados nutrientes. A preservação do farelo é fundamental. Os cereais
são os principais fornecedores de glícidos complexos, a fonte energética para o
funcionamento correto do nosso organismo. Além disso, fornecem vitaminas,
minerais e fibra alimentar. É recomendado o consumo de 1 a 2 porções de
cereais de preferência integrais a cada refeição principal.

≥ Pão

Apesar do valor calórico do pão escuro ser sensivelmente o mesmo do pão


branco, quanto mais refinada estiver a farinha menor a quantidade de fibras,
vitaminas e minerais, que são nutrimentos reguladores essenciais para o
correto funcionamento do organismo. As fibras são importantes na regulação
do trânsito intestinal e na redução do colesterol ingerido nos alimentos. Por
outro lado, as vitaminas do complexo B, os minerais e as fibras ajudam o
organismo a metabolizar os hidratos de carbono presentes no pão escuro.
Deste modo, os nutrimentos energéticos (os hidratos de carbono e as
proteínas) estão naturalmente em equilíbrio com os nutrientes reguladores, o
que não acontece no pão branco.

Acrescenta-se ainda o facto de, nos pães de farinha escura, a absorção do


amido fazer-se lentamente, ajudando a regular o mecanismo de fome e
saciedade. É evidente que a quantidade de pão ingerida e a sua inadequada
distribuição pelas refeições pode facilitar o aumento de peso. Na maioria das
vezes, o principal “culpado” pelo aumento de peso é a quantidade de gordura
adicionada na forma de manteiga, margarinas, creme de barrar com chocolate,
queijos gordos, produtos de charcutaria, patês e carnes gordas. Varie a
escolha do pão. Opte por pão com farinhas integrais, de preferência de mistura
de trigo e centeio, com pouco sal e de cozedura lenta. Os pães de sementes
são também uma excelente alternativa.

≥ Cereais de Pequeno-almoço - (trigo, milho, centeio, cevada, aveia...)

68
O grau de refinação é variável nos cereais de pequeno-almoço e nos pães,
encontrando-se em ambos os casos bons e maus exemplos. Habitualmente,
nos cereais de pequeno-almoço, a indústria alimentar enriquece o produto final
com vitaminas, minerais e fibras, o que aparentemente reconstitui o produto
final, no entanto, a adição de açúcar, gordura e sal nos cereais de pequeno- -
almoço altera o valor energético e nutricional do produto. O mesmo poderá
acontecer na indústria de panificação, em especial nos pães de forma
embalados com farinhas refinadas ou pães doces. Os cereais de pequeno-
almoço integrais tipo “muesli” e pães de farinhas integrais sem adição de
gordura ou quantidades excessivas de açúcar e sal são escolhas igualmente
adequadas.

≥ Arroz

É comercializado na forma refinada - “arroz branco” e na forma integral. O arroz


integral mantém os nutrimentos do grão inteiro (fibras alimentares, vitaminas do
complexo B, vitamina E e minerais como fósforo, zinco, potássio e magnésio,
gordura insaturada e proteínas), sendo a variedade de arroz refinada muito
mais pobre nestes nutrimentos. Quando o grão de arroz é vaporizado antes do
processo de refinação (“arroz vaporizado”), parte das vitaminas e minerais são
absorvidos para o grão, à exceção da fibra que é naturalmente eliminada.
Assim, a prioridade na escolha vai para o “arroz integral”, seguida do “arroz
vaporizado” e, por último, o “arroz branco” (agulha, carolino).

≥ Frutos Oleaginosos

Estudos recentes têm vindo a analisar uma possível associação positiva entre
o seu consumo e a diminuição do risco de doenças coronárias e diabetes. Os
benefícios repercutidos no estado de saúde devem-se ao perfil lipídico deste
grupo de alimentos e a diversos componentes avaliados: vitamina E, fibras,
fitoquímicos, cobre, magnésio.

Os frutos oleaginosos possuem um elevado teor de gordura, maioritariamente


insaturada, e um elevado teor energético. No entanto, estudos sugerem que a
sua inclusão na dieta alimentar não resulta em excesso de peso. Decorrente do

69
teor de fibra alimentar, associado ao teor proteico presente nestes frutos,
fornecem sensação de saciedade favorecendo uma menor ingestão alimentar
diária. Apesar da evidência que sustenta a promoção do seu consumo, é
importante realçar a necessidade de moderação. Neste grupo salientam-se as
amêndoas, avelãs, pinhões, pistachos, nozes e castanhas, sementes de
sésamo e de linhaça.

≥ Leguminosas

São cultivadas em todo o mundo e utilizadas no mediterrâneo. A lentilha terá


sido uma das primeiras a ser cultivada, mas também o grão-de-bico, o
chícharo, o feijão, a ervilha e a fava. As leguminosas são uma excelente
alternativa à carne, se combinadas com cereais ou derivados, ricas em fibra e
hidratos de carbono de absorção lenta importantes para a saciedade, e
fornecedoras de cálcio, ferro, zinco, ácido fólico e vitaminas do complexo B.
Apresentam um baixo índice glicémico.

 Azeite - Principal Fonte de Gordura;

A literatura científica mais recente tem vindo a destacar o azeite virgem, devido
ao seu potencial protetor face ao desenvolvimento de doença cardiovascular,
quando comparado com outros óleos vegetais. O azeite é fornecedor de
lípidos, ácidos gordos essenciais, e vitaminas lipossolúveis, como a vitamina E.

Localizado no centro da pirâmide alimentar, o azeite deve ser a principal fonte


de gordura, a utilizar com moderação quer para o tempero, quer para a
confeção (uma colher de sopa, no máximo).

No azeite virgem, existem vários compostos que contribuem e para a redução


dos danos oriundos da oxidação lipídica, para a diminuição do estado
inflamatório e ainda na melhoria da função endotelial*. É sugerido, também um
efeito benéfico do seu consumo na melhoria da capacidade cognitiva.

*O endotélio é a camada fina de tecido epitelial que reveste a parede interna de


todos os vasos sanguíneos, desde o coração até os capilares, assim como dos
vasos linfáticos

≥ VINHO

70
CONSUMO REGULAR MAS MODERADO DE VINHO, PARTICULARMENTE
NO MOMENTO DA REFEIÇÃO

Sempre que as crenças religiosas e sociais o permitam, é recomendado o


consumo moderado de vinho ou outras bebidas fermentadas, tendo como
referência o consumo máximo de 1 copo por dia para as mulheres e 2 no caso
dos homens.

Um litro de vinho a 12° (graus) tem 12 g de álcool puro, o que corresponde a


120 ml de álcool por litro. Sabendo que 1 litro de vinho de 12 ° tem 120 ml de
álcool e que a densidade do álcool é de 0,8, será apenas necessário multiplicar
120 ml álcool x 0.8 = 96 gramas de álcool por um litro de vinho. Feitos os
cálculos, um copo de cerveja, tipo imperial (250ml), com 5° de álcool, é
equivalente a 1 copo de vinho (100ml) com 12° de álcool, ou a 1 copo de
aperitivo, tipo Martini (80ml) com 16° de álcool, ou a 1 cálice de vinho Madeira
(65ml) com 19° de álcool, ou 1 copo Whisky (30ml) com 40° de álcool,
fornecendo em média 8 a 12 gramas de álcool por bebida.

≥ PEIXE

O padrão alimentar mediterrânico sublinha a importância do peixe, e incentiva o


seu consumo, em quantidades moderadas. Segundo as recomendações
europeias para a prevenção de doenças cardiovasculares, é sugerida a
ingestão de peixe com uma frequência igual ou superior a duas vezes por
semana.

A ingestão moderada e regular de peixe conduz a uma maior adequação de


ingestão de micronutrientes como a vitamina D, iodo e zinco, e encontra-se
associada à prevenção de doenças cardiovasculares e a uma melhoria da
função cognitiva, muito provavelmente devido ao teor de ácidos gordos
polinsaturados da série ómega 3. O consumo de espécies como a sardinha e o
atum era tradicional no mediterrâneo. No sentido da promoção do padrão
alimentar mediterrânico, sugere-se a promoção de espécies de “proximidade”
como a cavala, o carapau, a sarda ou sardinha enquanto espécies com maior
importância na região portuguesa mas também o respeito e o conhecimento

71
pela sustentabilidade da pesca e sazonalidade própria das espécies. Peixe
gordo: sardinha, atum, sarda, cavala, arenque, salmão; magro: pargo,
bacalhau, abrótea, corvina, garoupa, carapau,..). À luz da realidade
contemporânea, é pertinente a promoção do seu consumo sob a versão fresca
e congelada. O congelamento permite um perfil nutricional igualmente favorável
e está habitualmente associada a um menor custo económico. As conservas de
peixe podem apresentar simultaneamente uma vantagem nutricional e
económica, quando consumidas com moderação, uma vez que as quantidades
de sal e gordura são geralmente superiores às dos seus equivalentes frescos.

≥ LACTICÍCIOS

Os laticínios constituem uma boa fonte de proteína de elevado valor biológico,


cálcio, fósforo e vitaminas A, B2 e D. Este grupo de alimentos faz parte da
alimentação dos povos mediterrânicos desde há milénios, nas diferentes
civilizações, e são representados no modelo alimentar mediterrânico,
primordialmente sob a forma de queijo e iogurte. Os lacticínios são
fornecedores de proteínas, minerais dos quais se destaca o cálcio, e vitaminas.
O seu consumo é recomendado sob uma quantidade e frequência moderada e
privilegiando a alternativa com teor de gordura reduzido, visando uma
diminuição do aporte de gordura de origem animal. É recomendado o consumo
de 2 porções de lacticínios por dia. Estudos indicam que o consumo de
laticínios com baixo teor de gordura está associado a uma menor incidência de
síndrome metabólico*.

A síndrome metabólica é caracterizada por uma grande circunferência


abdominal (devido à gordura abdominal excessiva), hipertensão arterial,
resistência aos efeitos da insulina (resistência à insulina) ou diabetes, e por
níveis anormais de colesterol e outras gorduras no sangue (dislipidemia).

≥ CONSUMO MODERADO DE OVOS E AVES;

A carne, o peixe, os ovos e as leguminosas secas proporcionam vários


nutrientes como proteínas, lípidos, glícidos (este último essencialmente no caso
das leguminosas secas), vitaminas e minerais, contribuindo para o adequado
aporte de ácidos gordos essenciais. O ovo fornece proteínas de boa qualidade

72
e é composto por 32 a 35% de gordura, da qual 5% é colesterol. É um alimento
quase completo, só lhe falta a vitamina C, fibra e uma quantidade de hidratos
de carbono. A sua riqueza em colesterol contribui para a construção de milhões
de células que constituem um ser vivo. No entanto, o colesterol presente na
gema do ovo não é problemático, uma vez que a presença de lecitina na gema,
contribui para a redução do colesterol absorvido a nível intestinal. O consumo
de ovos aumenta o colesterol no sangue? Apenas 20% do colesterol do sangue
é fornecido pelos alimentos, sendo os restantes 80% sintetizado pelo
organismo. Na verdade, a gema do ovo contém colesterol, mas isso não é
motivo para eliminar os ovos.

≥ CARNES VERMELHAS

O baixo consumo de carnes vermelhas deve ser em frequência e quantidade.


Bovino, suíno, caprino, ovino, equídeo e produtos de charcutaria. No máximo, 2
porções de carnes vermelhas por semana.

≥ AÇÚCAR

O baixo consumo de açúcares deve ser em frequência e quantidade, bem


como nos produtos açucarados. Os doces fornecem um elevado teor
energético, no entanto têm baixo valor nutricional, fornecendo apenas lípidos
de perfil prejudicial (ácidos gordos saturados) e açúcares simples, associados
por vezes com elevados teores de sal.

O consumo de doces não deve ultrapassar 2 porções por semana. Ainda que o
produto mais utilizado para adoçar seja o açúcar refinado de cana e de
beterraba, são conhecidas alternativas de que são exemplos: açúcar
mascavado que não passa pelo processo de refinamento do anterior. Mel de
abelhas; estévia – Extraído da planta Stevia rebaudiana.

Agave - xarope com textura de mel, extraído de uma planta mexicana do


mesmo nome. Xarope de bordo orgânico (maple syrup)- Foi o primeiro
adoçante utilizado pelos índios americanos. A seiva é extraída de árvores do
gênero Acer. Estas alternativas sugeridas como mais saudáveis ao açúcar
devem ser consumidas também com equilíbrio e moderação. É importante

73
lembrar que os refrigerantes têm em média 120g de açúcar por litro, ou seja,
aproximadamente 15 pacotes de açúcar por litro. Em termos nutricionais, são
bebidas perfeitamente dispensáveis, que fornecem grandes quantidades de
calorias à custa do seu conteúdo em açúcar.

 ALIMENTAÇÃO - Um dos Fundamentos do Desenvolvimento Saudável

 DIETA VEGETARIANA

A evidência mostra não só a importância do consumo regular de produtos de


origem vegetal, mas também de que uma alimentação exclusivamente baseada
em produtos vegetais quando bem planeada, pode preencher todas as
necessidades nutricionais de um ser humano.

A adoção de uma dieta vegetariana não implica, à partida, mais saúde. São
necessárias escolhas alimentares adequadas e um estilo de vida saudável, tal
como na dieta não vegetariana. Uma dieta vegetariana, se mal planeada, com
défice de nutrientes ou com excesso de sal ou gordura, por ex., pode ser
bastante prejudicial para a saúde. No que se refere á proteína, apesar de ser
74
possível garantir um perfil aminoácido adequado às necessidades da maioria
das pessoas com uma dieta vegetariana a obtenção deste perfil necessita de
uma escolha de alimentos muito criteriosa, que poderá não ser de fácil
concretização pela maioria dos consumidores.

Como fontes de proteína de elevado valor biológico são sugeridos três


alimentos: soja, quinoa e amaranto. Os que optam por uma alimentação
vegetariana deverão ser informados e encorajados a consumir os alimentos
que contenham vitamina B12, vitamina D, cálcio, zinco, ferro, iodo e ácidos
gordos essenciais. No caso da vitamina B12, dada a inexistência de fontes
nutricionais numa dieta vegetariana, esta deverá ser obtida através de
alimentos enriquecidos ou suplementos. É prudente que vegetarianos, de uma
forma preventiva, especialmente na gravidez e lactação, façam suplementação
em vitamina B12.

A combinação de leguminosas com cereais e legumes ou hortaliça constitui


uma excelente alternativa aos pratos de carne. O consumo diário de pequenas
quantidades de leguminosas é imprescindível para o normal funcionamento do
nosso organismo. Inclua leguminosas (frescas, secas ou congeladas) em
saladas, pratos ou sopas. As leguminosas incluem o feijão, a ervilha, o grão, a
fava, a lentilha, a soja e o tremoço.

Do adequado conhecimento nutricional destes alimentos é possível fazer


melhores escolhas e valorizar mais, determinados alimentos que integram esta
forma de comer.

As escolhas alimentares deverão privilegiar alimentos locais e respeitar a


sazonalidade dos produtos vegetais, ajudando a preservar desta forma a
sustentabilidade ambiental e económica. A adoção de uma dieta vegetariana
variada e nutricionalmente adequada, recorrendo maioritariamente a produtos
da tradição alimentar portuguesa é exequível e desejável, em detrimento de
produtos alimentares excessivamente processados. A nossa tradição
gastronómica tem como base os produtos de origem vegetal, a começar pela
sopa de hortícolas, uma das peças centrais da gastronomia portuguesa.
Depois, o pão e as leguminosas de diversas variedades, passando pelo azeite
como gordura central de grande qualidade até às centenas de variedades de

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fruta e hortícolas. A nossa tradição gastronómica tem como base os produtos
de origem vegetal, a começar pela sopa de hortícolas, uma das peças centrais
da gastronomia portuguesa. Depois, o pão e as leguminosas de diversas
variedades, passando pelo azeite como gordura central de grande qualidade
até às centenas de variedades de fruta e hortícolas. Dentro dos produtos
vegetais disponíveis em Portugal, mas ainda não suficientemente valorizados,
estão, por exemplo, as algas, o agrião, as beldroegas, a acelga, a farinha de
alfarroba, algumas variedades nacionais de feijão e grão, a batata-doce, a
chicória, a castanha e as bolotas.

 ÁGUA;

O consumo de água é fundamental para promover uma alimentação saudável.


A água é o principal constituinte do organismo, representando cerca de 75% do
peso corporal à nascença, decrescendo esta proporção à medida que a idade
avança. Enquanto nutriente, apresenta um papel ativo em todos os sistemas e
órgãos, com influência no bem -estar e saúde: transporte de nutrientes e
excreção dos resíduos desnecessários através da urina; regulação da
temperatura corporal; otimização do desempenho físico; melhoria do
funcionamento cognitivo e estado de humor; maximização da atenção,
memória e concentração; contribuição para o funcionamento saudável do
coração; preservação da elasticidade da pele; colaboração na digestão e
prevenção da obstipação, entre outros.

Segundo o Instituto de Hidratação e Saúde, o valor de referência para a


ingestão de água proveniente de bebidas, recomendado a adolescentes e
adultos portugueses, é de 1,5 e 1,9 litros por dia, para mulheres e homens
respetivamente. Deve salientar-se a diversidade de fatores que condiciona a
adequação do valor de ingestão para cada indivíduo, pois além da ingestão de
água e infusões, pode existir aumento do aporte hídrico através de outros
alimentos. Sublinha-se como fonte de água, o leite e iogurtes, fruta e sumos de
fruta, os hortícolas e a respetiva inclusão em métodos de confeção como a
sopa. Desta forma, recomenda-se a ingestão diária de sopa, não só pela

76
excelência nutricional, reconhecida e enfatizada pelo padrão alimentar
mediterrânico, mas também pelo seu valor hidratante.

 SAL;

O consumo excessivo de sal e, consequentemente, de sódio está relacionado


com o aumento da tensão arterial e da excreção renal de cálcio. Apenas uma
minoria do sódio consumido (cerca de 10%) provém naturalmente dos
alimentos. O sal adicionado no processamento e confeção dos alimentos é o
que mais contribui para o aporte diário deste mineral. A redução da quantidade
e sal associado na confeção dos alimentos, bem como na sua utilização á
mesa, é um contributo para uma alimentação saudável. A utilização de
PLANTAS AROMATICAS essenciais na conservação e aromatização dos
alimentos, com elevada presença de compostos bioativos permite reduzir a
carga de sal nas refeições. Neste grupo de alimentos, e de forma resumida,
encontramos o alecrim, coentro, funcho, hortelã, manjericão, orégão, poejo,
rosmaninho, salsa e o tomilho.

 ALIMENTOS FUNCIONAIS

Alimentos funcionais são produtos alimentares enriquecidos, com o objetivo de


otimizar a qualidade da alimentação diária em termos da sua composição e
favorecer a manutenção da saúde. É o caso dos alimentos enriquecidos com
alguns componentes, como por exemplo: ómega-3, esteróis vegetais, fibras,
bifidobactérias, cálcio, entre outros. Os alimentos funcionais apenas melhoram
a saúde quando fazem parte de uma dieta variada e equilibrada que inclua
frutas, vegetais, grãos e legumes.

≥ Como se classificam as gorduras?

As gorduras podem ser classificadas de acordo com o seu conteúdo em ácidos


gordos.

 Gorduras saturadas:

As gorduras saturadas são reconhecidas geralmente por serem sólidas à


temperatura ambiente. São gorduras predominantemente constituídas por
ácidos gordos saturados. O consumo excessivo de gordura saturada está

77
associado ao aumento do colesterol sanguíneo, particularmente do colesterol
LDL (“mau colesterol”) e ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Alimentos ricos em gordura saturada:

- Manteiga, natas e queijos gordos;

- Produtos de salsicharia e charcutaria (por exemplo, salsichas, alheiras,


chouriços, morcelas, etc.);

- Banha de porco, óleo de palma e óleo de coco;

- Gordura da carne de vaca, cabrito, etc

 Gorduras monoinsaturadas:

Estas gorduras são predominantemente constituídas por ácidos gordos


monoinsaturados. São geralmente líquidas à temperatura ambiente e
solidificam quando submetidas a temperaturas muito baixas. Os ácidos gordos
monoinsaturados são os que o nosso organismo melhor tolera. O seu consumo
está associado à diminuição do colesterol LDL (“mau colesterol”) e à
manutenção da integridade celular.

Alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas:

- Azeite;

- Azeitona;

- Pera abacate;

- Avelã, amendoim e amêndoa

 Gorduras polinsaturadas:

Estas gorduras são predominantemente constituídas por ácidos gordos


polinsaturados. As gorduras polinsaturadas são líquidas à temperatura
ambiente e solidificam quando submetidas a temperaturas muito baixas. Os
ácidos gordos polinsaturados são considerados essenciais, porque o nosso
organismo não os consegue sintetizar a partir de outras substâncias, por isso
têm que ser fornecidos pela alimentação. Entre os ácidos gordos
polinsaturados, temos os ácidos gordos da série ómega 6 e os ácidos gordos

78
da série ómega 3, que se distinguem com base na sua estrutura química e nas
diferentes funções que cada um desempenha.

Alimentos ricos em gorduras polinsaturadas:

- Óleos vegetais;

- Frutos oleaginosos;

- Cereais integrais e sementes;

- Gordura de peixe (salmão, atum, cavala, sardinha, chicharro, etc.).

≥ O que significa gordura trans?

Significa que um óleo ou outra matéria gorda sofreu uma alteração na sua
forma química, com o objetivo de modificar a textura do produto final, como por
exemplo transformar uma gordura líquida numa gordura sólida (margarina)
para se poder barrar. Esta alteração na estrutura química da gordura torna-a
prejudicial à saúde.

≥ Os 10 Mandamentos para uma Alimentação Saudável

Os ácidos gordos são os principais componentes da gordura. As suas


moléculas podem ter duas estruturas químicas diferentes: a forma mais comum
é “cis”, mas as gorduras também podem assumir a forma “trans”. Esta forma
“trans” pode ter duas origens: ou resulta do processo de bio hidrogenação
(hidrogenação, que ocorre espontaneamente no estômago dos ruminantes) ou
hidrogenação parcial que ocorre durante a transformação dos óleos vegetais
em margarinas para obter uma textura adequada.

Durante o aquecimento (prolongado e/ou elevado) e fritura das gorduras


também se formam ácidos gordos ”trans”. A ingestão excessiva de ácidos
gordos “trans” pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Quase
todas as margarinas e gorduras para barrar contêm gorduras “trans”.Note-se
que o termo “trans” não tem nada a ver com os transgénicos.

1. Cozinha simples, tendo como base as preparações que protegem os


nutrientes, como as sopas, os cozidos, os ensopados e as caldeiradas.

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2. Consumo de alimentos de origem vegetal em detrimento do consumo de
alimentos de origem animal, nomeadamente de produtos hortícolas, fruta, pão
de qualidade e cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas e frutos
oleaginosos.

3. Consumo de alimentos de origem vegetal, produzidos localmente, frescos e


da época.

4. Consumo de azeite como principal fonte de gordura.

5. Consumo moderado de laticínios.

6. Utilização de ervas aromáticas para temperar em detrimento do sal.

7. Consumo frequente de peixe e baixo de carnes vermelhas.

8. Consumo baixo a moderado de vinho e apenas nas refeições principais.

9. Água como principal bebida ao longo do dia.

10. Convívio à volta da mesa.

 DESNUTRIÇÃO

A desnutrição é uma deficiência de calorias ou de um ou mais nutrientes


essenciais.

• A desnutrição pode surgir porque as pessoas não conseguem obter ou


preparar alimentos, porque apresentam algum distúrbio que dificulta a
ingestão ou absorção de alimentos ou porque possuem uma necessidade
de calorias excessivamente alta.
• A desnutrição é geralmente óbvia: As pessoas ficam com peso abaixo do
normal, os ossos ficam salientes, a pele fica seca e sem elasticidade e os
cabelos ficam secos e caem com facilidade.
• Os médicos geralmente conseguem diagnosticar a desnutrição com base
na aparência, altura e peso e situação da pessoa (incluindo informações
sobre dieta e perda de peso).
• As pessoas recebem alimentos em quantidades que aumentam
gradualmente, por via oral se possível, mas, às vezes, por um tubo inserido

80
na garganta que chega até o estômago ou inseridos pela veia (via
intravenosa).

Acredita-se que a desnutrição seja uma deficiência básica de calorias (ou seja,
do consumo geral de alimentos) ou proteínas. As deficiências de vitaminas e as
deficiências de minerais tendem a ser consideradas como distúrbios distintos.
No entanto, quando as calorias são insuficientes, as vitaminas e os minerais
também tendem a sê-lo. A desnutrição, muitas vezes chamada de má nutrição,
é, na verdade, um tipo de má nutrição.

A má nutrição é um desequilíbrio entre os nutrientes de que o corpo precisa e


os nutrientes que o corpo obtém. Assim, a má nutrição também inclui a
sobrealimentação (consumo excessivo de calorias ou nutrientes específicos –
proteínas, gorduras, vitaminas, minerais ou outros suplementos dietéticos),
além de desnutrição.

O número de pessoas desnutridas no mundo tem aumentado desde 2015 e


retornou aos níveis de 2010 – 2011. O estado da segurança alimentar e
nutricional no mundo em 2019, a Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura informou que, em todo o mundo, o número de
pessoas desnutridas aumentou de 777 milhões em 2015 para mais de 820
milhões em 2019. A maioria dessas pessoas vive em países em
desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, a desnutrição é geralmente muito
menos comum do que a sobrealimentação. Porém, certos quadros clínicos
aumentam o risco de apresentar desnutrição.

Esses quadros clínicos incluem o seguinte:

• Ser muito pobre


• Ser sem abrigo
• Ter transtornos psiquiátricos
• Estar gravemente doente (o que faz com que a pessoa não consiga comer
o suficiente, porque perdeu o apetite ou porque as necessidades
nutricionais do seu organismo apresentam-se excessivamente elevadas)

81
• Ser jovem (bebês, crianças e adolescentes correm o risco de desnutrição
porque estão em crescimento e precisam de mais calorias e nutrientes)
• Ter mais idade

Cerca de 1 em cada 7 idosos que vivem nas suas próprias casas consome
menos de 1.000 calorias por dia, o que não é suficiente para uma nutrição
adequada. Até metade dos idosos hospitalizados ou residentes em lares de
terceira idade não consome calorias suficientes.

Quando o organismo não recebe calorias suficientes, consome primeiramente


a sua própria gordura usando-a como calorias, algo semelhante a queimar os
móveis para manter a casa quente. Depois que as gorduras armazenadas são
usadas, o corpo pode romper os seus outros tecidos, como músculos e tecidos
de órgãos internos, levando a problemas graves, incluindo a morte.

Desnutrição proteico-energética

A desnutrição proteico-energética (também conhecida como má nutrição


proteico-energética) é uma deficiência grave de proteínas e calorias que surge
quando a pessoa não consome proteínas e calorias suficientes durante um
longo período.

Nos países em desenvolvimento, a desnutrição proteico-energética geralmente


ocorre em crianças. Isso contribui para a morte de mais da metade do total de
mortes de crianças (por exemplo, aumentando o risco de desenvolver
infecções com ameaça à vida e, se surgirem infecções, aumentando a
gravidade). Porém, este distúrbio pode afetar qualquer pessoa, não importa a
sua idade, se a ingestão de alimentos for inadequada.

A desnutrição proteico-energética possui duas formas principais:

• Marasmo
• Kwashiorkor

Marasmo

O marasmo é uma deficiência grave de calorias e proteínas. A deficiência


tende a surgir em lactentes e crianças pequenas. Geralmente, ela causa perda

82
de peso, perda de músculo e gordura e desidratação. A amamentação
geralmente protege contra o marasmo.

Kwashiorkor

Kwashiorkor é uma deficiência grave mais de proteínas do que de calorias.


Kwashiorkor é menos comum que marasmo. O termo deriva de uma palavra
africana que significa “primeiro filho-segundo filho”, já que um primogénito
muitas vezes desenvolve Kwashiorkor quando nasce o segundo filho e o afasta
do aleitamento materno. Visto que as crianças desenvolvem Kwashiorkor
depois de terem sido desmamadas, normalmente, são mais velhas do que as
que apresentam marasmo.

O Kwashiorkor tende a ocorrer em determinadas regiões do mundo, onde os


alimentos e as refeições nativas destinadas aos bebês desmamados são
deficientes em proteínas, ainda que suficientes em calorias e carboidrato.
Exemplos de tais alimentos são o inhame, a tapioca, o arroz, as batatas e a
banana verde. No entanto, qualquer pessoa pode desenvolver Kwashiorkor, se
a sua alimentação for essencialmente composta por carboidratos. As pessoas
com Kwashiorkor retêm líquidos, conferindo-lhes um aspecto inchado. Se o
Kwashiorkor for grave, o abdômen poderá ficar distendido.

Inanição

A inanição é a manifestação mais extrema da desnutrição proteico-energética.


Ela é causada por uma falta parcial ou total de nutrientes essenciais durante
um longo período de tempo. Ela geralmente ocorre porque não há alimentos
disponíveis (por exemplo, durante uma época de fome), mas ocasionalmente,
ela ocorre quando há alimentos disponíveis (por exemplo, quando a pessoa
fica de jejum ou tem anorexia nervosa).

≥ Causas

A desnutrição pode surgir como resultado de:

• Carência de comida
• Distúrbios ou medicamentos que interferem na ingestão, no
processamento (metabolismo) ou na absorção de nutrientes

83
• Aumento da necessidade de calorias

A pessoa pode não ter acesso a alimentos porque não tem condições
económicas, não tem forma de chegar ao supermercado ou tem alguma
limitação física que as impede de fazer compras. Em algumas partes do
mundo, o abastecimento de alimentos é inadequado devido a guerras, secas,
enchentes ou outros fatores. Alguns distúrbios como, por exemplo, distúrbios
de má absorção interferem com a absorção de vitaminas e minerais. Uma
cirurgia que envolve a retirada de parte do trato digestivo pode ter o mesmo
efeito. Alguns distúrbios como, por exemplo, HIV, cancro ou depressão fazem
com que a pessoa perca o apetite e consuma menos alimentos, o que resulta
na desnutrição.

O uso de determinados fármacos também pode contribuir com a desnutrição.


Os medicamentos podem fazer o seguinte:

• Redução do apetite: Por exemplo, medicamentos usados no tratamento de


hipertensão arterial (como diuréticos), insuficiência cardíaca (como
digoxina) ou
• Provocam náuseas, diminuindo o apetite
• Aceleram o metabolismo (como, por exemplo, a tiroxina e a teofilina) e, com
isso, aumentam a necessidade de calorias e nutrientes
• Interferem com a absorção de determinados nutrientes no intestino

Além disso, a interrupção de certos medicamentos (como os ansiolíticos e os


antipsicóticos) ou o consumo de álcool pode levar à perda de peso.

A ingestão excessiva de álcool, que possui calorias, mas baixo valor nutritivo,
diminui o apetite. Como o álcool danifica o fígado, pode também interferir na
absorção e no uso de nutrientes. O alcoolismo pode causar deficiências de
magnésio, zinco e algumas vitaminas, incluindo tiamina.

O hábito tabágico atenua o paladar e o olfato, tornando o alimento menos


atraente. O tabaco também parece causar outras alterações no corpo que
contribuem para um baixo peso corporal. Por exemplo, estimula o sistema
nervoso simpático, que aumenta o uso de energia do corpo.

84
Alguns problemas de saúde aumentam bastante a necessidade calórica. Elas
incluem infecções, ferimentos, glândula tireoide hiperativa (hipertireoidismo),
queimaduras extensas e febre prolongada.

Nos idosos, vários fatores, incluindo mudanças no corpo relacionadas à idade,


atuam juntos para provocar desnutrição.

≥ Sintomas

O sinal mais óbvio de uma deficiência de calorias é a perda de gordura corporal


(tecido adiposo).

Se a inanição durar cerca de 1 mês, uma pessoa perde aproximadamente um


quarto do seu peso corporal. Se a inanição continuar por mais tempo, os
adultos podem perder metade de seu peso corporal, e as crianças podem
perder ainda mais. Os ossos são observados através da pele e esta torna-se
fina, seca, pouco elástica, pálida e fria. A gordura do rosto perde-se, deixando
as bochechas fundas e os olhos fundos. O cabelo fica seco, fraco e cai com
facilidade.

O desgaste grave do músculo e do tecido adiposo é chamado de caquexia. A


caquexia é considerada resultado da produção excessiva de substâncias
chamadas citocinas, que são produzidas pelo sistema imunológico em resposta
a um distúrbio, como infecção, cancro ou HIV.

Outros sintomas incluem fadiga, incapacidade de permanecer aquecido,


diarreia, perda de apetite, irritabilidade e apatia. Em casos muito graves, a
pessoa pode deixar de apresentar resposta. As pessoas sentem-se fracas e
incapazes de fazer atividades normais. Nas mulheres, os períodos menstruais
ficam irregulares ou cessam. Se a desnutrição for grave, pode haver retenção
de líquido nos braços, nas pernas e no abdômen.

O número de alguns tipos de glóbulos brancos diminui, como acontece com os


pacientes com HIV. Por conseguinte, o sistema imunológico fica debilitado,
aumentando o risco de infecção.

85
Se a deficiência de calorias continuar durante muito tempo, pode-se
desenvolver uma insuficiência hepática, cardíaca e/ou respiratória. A inanição
total (quando não se consome nenhum alimento) provoca a morte em 8 a 12
semanas.

Crianças que estão gravemente desnutridas podem não crescer normalmente.


O desenvolvimento comportamental pode ser acentuadamente lento, e uma
incapacidade intelectual leve pode ser desenvolvida, continuando até, pelo
menos, a idade escolar. A desnutrição, mesmo quando tratada, pode deixar
efeitos a longo prazo nas crianças. Perda de habilidade intelectual e problemas
digestivos podem persistir, às vezes por toda a vida.

Com o tratamento, a maioria dos adultos recupera-se totalmente.

Diagnóstico

• Avaliação médica
• Às vezes, exames de sangue

Geralmente, o médico diagnostica a desnutrição ao fazer perguntas sobre dieta


e perda de peso e por meio de um exame físico. A desnutrição grave e
duradoura normalmente pode ser diagnosticada com base na aparência e no
histórico da pessoa.

Os médicos também fazem perguntas sobre como as pessoas escolhem e


preparam os alimentos, sobre a presença de outros distúrbios, uso de
medicamentos, humor e função mental. Os médicos podem utilizar
questionários padronizados para ajudá-los a obter informações relevantes. As
respostas a essas perguntas podem ajudar a confirmar o diagnóstico,
principalmente quando a desnutrição é menos óbvia, e podem ajudar a
identificar a causa. A identificação da causa é particularmente importante nas
crianças.

Como parte do exame físico, os médicos fazem o seguinte:

86
• Medem a altura e o peso
• Determinam o índice de massa corporal (IMC)
• Estimam a quantidade de músculo e gordura no meio da parte superior do
braço ao medirem a circunferência do braço e a espessura de uma prega
de pele na parte de trás do braço esquerdo (prega cutânea)
• Verificam a existência de outros sintomas que podem indicar desnutrição
(como mudanças na pele e nos cabelos e acúmulo de líquido nos membros
ou no abdômen)

O que eles descobrem ajuda a confirmar o diagnóstico e determinar a


gravidade da desnutrição.

≥ Exames

As circunstâncias vão dizer se é necessário fazer exames. Por exemplo, se a


causa for óbvia e puder ser eliminada, não é necessário fazer exames. O
exame que costuma ser realizado é um exame de sangue para medir a
concentração de albumina (que diminui quando a pessoa não consome uma
quantidade suficiente de proteína). É possível que os médicos também meçam
o número de alguns tipos de leucócitos (que diminuem conforme a desnutrição
piora).

Exames de pele podem ser feitos para verificar o funcionamento do sistema


imunológico. Uma substância contendo um antígeno (que normalmente dá
início a uma reação imunológica) é injetada por via subcutânea. Se ocorrer
uma reação num certo período, o sistema imunológico está funcionando
normalmente. Uma reação com retardo ou nenhuma reação indica que o
sistema imunológico está com problemas, que pode ser devido à desnutrição.
Se os médicos suspeitarem de deficiência de alguma vitamina ou mineral,
exames de sangue são feitos para medir os níveis desses nutrientes. Se os
médicos suspeitarem que a causa é um outro distúrbio, outros testes podem
ser feitos para ajudar a identificar a causa. Por exemplo, se as pessoas tiverem
diarreia grave ou persistente, apesar do tratamento, os médicos podem
analisar uma amostra das fezes e verificar se há micro-organismos que podem
causar infecção. Os exames, como exames de urina e raio X do tórax, podem
ser feitos para procurar infecções.

87
≥ Tratamento
• Alimentação, geralmente por via oral
• Tratamento da causa
• Às vezes, alimentação por sonda ou intravenosa
• Às vezes, medicamentos, no caso de desnutrição grave

Para a maioria das pessoas, o tratamento da desnutrição consiste num


aumento gradual do número de calorias consumidas. A melhor maneira de
conseguir isso é consumindo um número elevado de pequenas, mas nutritivas,
refeições por dia. Por exemplo, as pessoas que passaram fome recebem
primeiramente pequenas quantidades de alimento, com maior frequência (6 a
12 vezes por dia). Depois, a quantidade de alimento aumenta gradualmente.
Se as crianças tiverem diarreia, a alimentação deve ser adiada por um dia ou
dois, para que a diarreia não se agrave. Durante esse intervalo, as crianças
devem receber líquidos.

As pessoas com digestão difícil de alimentos sólidos podem precisar de


suplementos líquidos ou de uma dieta líquida. Muitas vezes, os suplementos
sem lactose (suplementos baseados em iogurte) são usados, porque muitas
pessoas têm dificuldade para digerir a lactose (um açúcar em produtos
lácteos), e a desnutrição pode agravar esse problema. Se consumirem
alimentos que contenham lactose, geralmente essas pessoas vão desarranjos
gástricos (diarreias). Suplementos multivitamínicos também são fornecidos
para ter certeza de que as pessoas estão recebendo todos os nutrientes de
que precisam. Os distúrbios que podem contribuir para a desnutrição (como as
infecções) são tratados. Alguns especialistas recomendam a administração de
antibióticos para crianças gravemente desnutridas, mesmo se não houver
infecção aparente. Se a desnutrição for grave, as pessoas podem precisar ser
hospitalizadas.

Alimentar as pessoas muito rapidamente após uma desnutrição grave pode


provocar complicações, como diarreia e desequilíbrios na água corporal,
glicose (um açúcar) e outros nutrientes. Essas complicações são geralmente
resolvidas com alimentação desacelerada.

88
Os nutrientes são administrados por via oral, sempre que possível. Se eles não
puderem ser administrados por via oral, os nutrientes podem ser administrados
por um dos métodos a seguir:

• Um tubo inserido no trato digestivo (alimentação por sonda)


• Um tubo (cateter) inserido na veia (alimentação intravenosa)
≥ Alimentação por sonda

A alimentação por sonda (nutrição enteral) pode ser utilizada para alimentar
pessoas cujo trato digestivo funciona normalmente se não conseguirem comer
o suficiente para atender às suas necessidades nutricionais (como um paciente
com queimaduras graves) ou que não conseguem deglutir (como as pessoas
que sofreram um acidente vascular cerebral).

No caso da alimentação por sonda, uma sonda de plástico fina (sonda


nasogástrica) é passada pelo nariz até a garganta e desce pela garganta até
atingir o estômago ou intestino delgado (um procedimento denominado
intubação nasogástrica). Caso seja previsto um longo período de alimentação
por sonda, a sonda pode ser diretamente colocada no estômago ou no intestino
delgado através de uma pequena incisão na parede abdominal.

A alimentação administrada por um tubo deve conter todos os nutrientes


necessários. Soluções especiais, incluindo algumas para pessoas com
necessidades específicas (como ingestão limitada de líquidos), estão
disponíveis. Ou, alimentos sólidos podem ser processados e inseridos via
sonda nasogástrica. A alimentação por sonda pode ser fornecida de forma
lenta e contínua ou numa quantidade maior (chamada bolo alimentar) a cada
poucas horas. A alimentação por sonda é a causa de muitos problemas e
alguns são potencialmente mortais:

≥ Inalação (aspiração) de alimentos para o interior do pulmão: Em idosos, a


aspiração é o problema mais comum provocado pela alimentação por
sonda. A aspiração de alimentos pode dar origem à pneumonia. A
probabilidade de aspiração do alimento é menor quando a solução é
administrada lentamente e a cabeceira da cama fica elevada por 1 a 2
horas após a alimentação por sonda, reduzindo o risco de cuspir o alimento
(regurgitação).
89
≥ Diarreia e desconforto abdominal: Mudar a solução ou fornecê-la mais
lentamente pode diminuir esses problemas.
≥ Irritação dos tecidos: A sonda pode irritar e destruir os tecidos do nariz, da
garganta ou do esófago. Se os tecidos ficarem irritados, a sonda de
alimentação geralmente pode ser removida, e a alimentação pode continuar
usando um tipo diferente de sonda.
≥ Alimentação intravenosa

A alimentação intravenosa (nutrição parenteral) é utilizada quando o trato


digestivo não consegue absorver adequadamente os nutrientes (por exemplo,
em pessoas com um distúrbio de má absorção). Esse método também é
utilizado quando o trato digestivo precisa ser mantido temporariamente sem
alimentos (por exemplo, em pessoas com colite ulcerativa grave ou pancreatite
grave).

A alimentação intravenosa pode fornecer uma parte (nutrição parenteral


parcial) ou a totalidade das necessidades nutricionais (nutrição parenteral total)
de uma pessoa. Visto que a nutrição parenteral total requer um tubo
intravenoso maior (cateter), este é introduzido numa veia grande, como a
subclávia, localizada sob a clavícula.

A alimentação intravenosa também pode provocar problemas, como os


seguintes:

≥ Infecção: A infecção é um risco permanente, porque o cateter tende a ficar


implantado no mesmo local durante muito tempo e as soluções alimentares
que passam através deste têm um alto conteúdo de glicose (açúcar), que
promove a proliferação de bactérias. As pessoas que recebem nutrição
parenteral total são minuciosamente controladas quanto aos sinais de
infecção.
≥ Água em excesso (volume excessivo): Fornecer água em excesso pode
provocar retenção de líquido nos pulmões, dificultando a respiração. Dessa
forma, os médicos monitoram o peso da pessoa e a quantidade de urina
expelida regularmente. Às vezes, eles podem reduzir o risco calculando a
quantidade de água exigida antes de começar a alimentação.

90
≥ Desequilíbrios e deficiências nutricionais: As deficiências de certas
vitaminas e minerais ocorrem raramente. Os médicos verificam
regularmente os níveis sanguíneos de minerais dissolvidos (eletrólitos),
glicose e ureia (uma medição da função renal) para identificar certos
desequilíbrios nutricionais. Desta forma, eles podem ajustar a solução
conforme o caso.
≥ Densidade óssea reduzida: A nutrição parenteral total, quando fornecida por
mais de 3 meses aproximadamente, provoca redução da densidade óssea
em algumas pessoas. A razão é desconhecida, e o melhor tratamento é
interromper temporariamente ou permanentemente esse tipo de
alimentação.
≥ Problemas hepáticos: A nutrição parenteral total pode provocar disfunção
hepática, mais comum em lactentes prematuros. Exames de sangue são
feitos para monitorar a função hepática. Ajustar a solução pode ser útil.
≥ Problemas na vesícula biliar: Cálculos biliares podem surgir. O tratamento
envolve ajustar a solução e, se possível, alimentar por via oral ou por sonda
de alimentação.

Medicamentos

As pessoas muito desnutridas às vezes recebem medicamentos para aumentar


o apetite, como o dronabinol ou o megestrol, ou medicamentos para aumentar
a massa muscular, como o hormônio de crescimento ou um esteroide
anabolizante (por exemplo, nandrolona ou testosterona).

 Motricidade;

Marcha

O trabalho da motricidade é feito desde muito cedo pela criança. O contato com
o mundo, com o outro e os movimentos desenvolvidos desde tenra idade, já
são manifestações da motricidade, como afirma Le Boulch (2001) “a criança
desde o nascimento apresenta potencialidades para se desenvolver, mas não
dependem só da maturação dos processos orgânicos, senão também do
intercâmbio com o outrem e que isto é da maior importância na primeira

91
infância” (p.5). É através de um conjunto de desafios que a criança ultrapassa,
do contato com diversos estímulos, com o meio e com outros indivíduos que a
motricidade infantil se desenvolverá.

Por desenvolvimento da motricidade entende-se que esta é “o conjunto das


transformações de resposta, entendidas numa base diacrónica, e constatáveis
ao nível dos movimentos, das qualidades físicas e motoras e das actividades
humanas na adaptação às variações do meio físico e social” (Neto, s/d, p.4).
Nas primeiras idades o desenvolvimento motor é feito através de estímulos,
reagindo ao meio com movimentos reflexos. Inicialmente a criança imita gestos
e movimentos, e através da tentativa e erro e da sua liberdade para se
movimentar ela adquire e desenvolve habilidades motoras mais básicas até às
mais específicas.

No que diz respeito ao desenvolvimento global da criança as atividades


motoras realizadas, pelas mesmas, só farão sentido se permitirem em
simultâneo o desenvolvimento das suas capacidades físico-motoras e
coordenativas e as aprendizagens realizadas através da descoberta do seu
corpo, que estimulam o prazer e o gosto pelo movimento. Além disso, as
atividades motoras deverão proporcionar a socialização de cada criança a uma
cultura motora capaz de contribuir para o seu integral desenvolvimento e de se
prolongar ao longo da vida numa lógica de saúde, qualidade de vida e bem-
estar.

Assim, deverá desde cedo ser estimulado o desenvolvimento da motricidade


infantil, pois esta proporciona em primeiro lugar, um melhor funcionamento e
desenvolvimento dos aparelhos e do sistema do corpo humano e,
consequentemente, uma melhor aprendizagem para a sua vida em sociedade.
Esta aprendizagem requer a aquisição de capacidades de equilíbrio e postura,
essenciais ao deslocamento e exploração do envolvimento; de perícia e
manipulação de objetos, fundamentais ao trabalho e à comunicação, o convívio
e a colaboração, requisitos de uma socialização da própria criança com os
companheiros. Desta forma, o principal objetivo da motricidade infantil é
contribuir para o desenvolvimento do corpo e da mente de uma forma coerente,
através da educação do e pelo movimento. É através do movimento que a
criança absorve e contata com o mundo exterior e toma consciência do seu
92
mundo interior, este faz parte das necessidades fundamentais da vida, porque
a criança através do movimento contata e experiência o mundo que a rodeia.

Através do conhecimento/domínio do seu corpo “e da sua capacidade para a


produção dos seus movimentos, a criança comunica com os seus pares,
realiza as suas aquisições e desenvolve a sua personalidade através de
empenhos, que se refletem nas mais rudimentares manifestações de
movimento expressivo e criativo.” Logo nos primeiros anos de vida, a criança
torna-se um ser criador, através do seu próprio movimento. Os primeiros anos
de vida são importantíssimos para qualquer aprendizagem que a criança venha
a adquirir. Serão nestes anos que desenvolveremos as habilidades
fundamentais para a sobrevivência do ser humano, onde se aprende “a ficar de
pé, a caminhar, a correr, a rastejar, a saltar e a falar”

Muitas destas aquisições estão ligadas ao desenvolvimento da motricidade


infantil, e são os primeiros anos de vida decisivos para estas aquisições, pois
nos anos que se seguem existe uma repetição dos movimentos de modo a os
aperfeiçoar. Após esta aquisição a criança irá desenvolver e experienciar novas
situações ao contatar com o meio, com os objetos e com outras crianças e até
mesmo, com adultos, através de diferentes tipos de jogos, de atividades
lúdicas, entre outros, desenvolvendo a sua motricidade.

Mas são cada vez mais raros os momentos onde podemos encontrar as
crianças, na sua fase decisiva do desenvolvimento a experienciar atividades
motoras, pois nos últimos tempos são notórias as mudanças sociais e com isto,
o crescente aumento de hábitos sedentários. Estes hábitos sedentários são
impulsionados pelo crescente aumento eletrónicos, os hábitos televisivos, as
rotinas das crianças extremamente organizadas, “ (…) a densidade e tráfego
urbano, provocando o aumento da restrição de espaço disponível para as
actividades de rua e como consequência a insegurança crescente no meio
escolar e habitacional” atividades desenvolvidas pelas crianças da sociedade
atual controlam mais o movimento e o próprio espaço onde a criança
desenvolve a sua ação, pois em grande parte são desenvolvidas por
instituições que delimitam em muito as atividades. As atividade de exploração e

93
de experiências em grupo, no que diz respeito aos jogos espontâneos são cada
vez mais limitadas pela maioria das nossas crianças.

Nas sociedades contemporâneas acaba- se por perder as “culturas da infância”


onde não existem as brincadeiras de rua, os jogos tradicionais, as próprias
brincadeiras espontâneas, entre outros, esquecendo-se um pouco da cultura
da infância. “Brincar tem sido visto como a razão de quase todas as realizações
humanas e como a base fundamental em que a cultura humana se alicerça”.

É necessário mudar estes hábitos, pois a criança para o seu bom


desenvolvimento necessita de jogo e atividade física, ou seja de manter o
corpo em movimento de criar, para fomentar desde logo hábitos de vida
saudável e uma vida ativa, não queremos as nossas crianças com um
reportório lúdico pobre, daí cada vez será mais importante na sociedade em
que vivemos motivar e deixar a criança explorar o seu corpo em diferentes
situações e em diferentes espaços. Para além do mais, “ a actividade lúdica
surge como uma manifestação frequente e espontânea no comportamento
infantil, parecendo ser uma atitude natural e indispensável ao seu
desenvolvimento” Para um melhor desenvolvimento da motricidade infantil, e
para colmatar os problemas mencionados anteriormente que se têm vindo a
desenvolver com a sociedade contemporânea, é fundamental preservar as
culturas da infância, pois através dos jogos, das brincadeiras, das danças,
entre outros, que são passados de geração em geração, através da interação
com outras crianças e deixando um pouco de lado o sedentarismo e as
atividades ligadas às novas tecnologias, estas movimentam-se e desenvolvem
habilidades motoras, psicomotoras e sócio motoras, através da atividade
lúdica. Para além da atividades referidas anteriormente virem cada vez mais a
cair em desuso, os brinquedos tradicionais também têm sofrido uma certa
desvalorização, porque têm aparecido nos mercados cada vez mais brinquedos
“ estereotipados e em massa” que “condicionam as brincadeiras que com eles
se têm e uniformizam-nas” e “como se o que fosse importante fosse o
brinquedo e não a brincadeira em si. Também são cada vez mais os chamados
brinquedos eletrónicos, colocados à disposição das nossas crianças.

94
≥ Motricidade fina e motricidade global

O crescimento físico observado nas crianças acontece de maneira muito


rápida. Na motricidade Global, as crianças podem começar a pedalar um
triciclo aos três anos e aos oito anos andar de bicicleta, já que, como já foi
enfatizado o desenvolvimento físico da criança é acompanhado por um
gradativo desenvolvimento neurológico. Durante a infância as crianças gostam
de espaços abertos, com bastante liberdade para poderem correr e brincar a
vontade. Assim como, gostam de frequentar parques públicos para brincar de
baloiços e escorregas. Na Motricidade Fina, por consequência da dependência
de uma progressiva integração e diferenciação de movimentos, a motricidade
fina só se desenvolve, depois de a criança ter dominado os movimentos ligados
aos grandes músculos. O desenvolvimento da motricidade é acompanhado
ainda por aprendizagens que irão complementar e auxiliar habilidades finas,
como: a distinção entre esquerda e direita, organização espácio-temporal,
aumento dos lapsos de atenção concentrada, distinção do antes e depois,
resistência a fadiga e a simbolização e reversibilidade do pensamento em suas
relações com a linguagem.

As habilidades motoras finas, como abotoar camisas e desenhar figuras,


envolvem a coordenação de músculos pequenos e coordenação entre olhos e
mãos. Estas habilidades permitem as crianças um maior senso de
responsabilidade e cuidado pessoal. Aos três anos uma criança é capaz
desenhar um círculo e uma pessoa rudimentar. Aos quatro anos a criança é
capaz de recortar sobre uma linha, desenhar uma pessoa razoavelmente
completa e fazer desenhos e letras grosseiras. E aos cinco anos, a criança é
capaz de se vestir sem muita ajuda, copiar um quadrado ou um retângulo e
desenhar uma pessoa mais elaboradamente que antes.

Como regra geral as habilidades motoras amplas desenvolvem-se mais cedo


do que as habilidades motoras finas. Uma criança de seis anos, por exemplo, é

95
capaz de correr e saltar bem, mas ainda não é muito habilidosa ao manusear
um lápis ou cortar uma gravura.

Quando crianças de seis anos usam um instrumento como a tesoura, todo seu
corpo está envolvido no simples cortar uma simples gravura, ou seja,
movimento da língua, e contração de músculos das costas e dos braços.

≥ Capacidades coordenativas das crianças

A educação física, como componente da educação da educação integral,


assume uma importância vital no desempenho geral do sujeito. Um programa
na educação física bem estruturado desde as primeiras idades pode contribuir
notavelmente para o desenvolvimento motor sem pretender acelerar este
desenvolvimento. Porém, para exercer esta influência sem o perigo de cometer
erros no processo de ensino, todo educador deve alimentar-se da informação
necessária sobre a evolução do desenvolvimento, seus avanços e retrocessos.
Capacidades coordenativas gerais e a capacidade de regulação dos
movimentos manifesta-se sempre que a criança regula suas acções. O adulto
pode fornecer indicações verbais para a criança em determinados momentos,
porém na execução da acção, a própria criança é quem deve regular seu
movimento de acordo com a distância a que está colocado o objecto. Somente
se for necessário, o adulto sugere à criança aproximar-se ou afastar-se do
objeto, abstendo-se de ser ele quem mexa no objeto para que a criança tenha
sucesso. Uma interferência inadequada por parte do adulto pode limitar a
aprendizagem da criança, além de afetar o desenvolvimento desta capacidade.
A importância deste exemplo é o fato de, precisamente, ser a criança quem
regula a ação, e não o adulto. A criança é um ser dinâmico, cheio de
indagações espontâneas e com múltiplas habilidades físicas, sua habilidade
motora é utilizada para expansão do seu desenvolvimento onde o jogo é seu
meio de comunicação e aprendizagem.

≥ Conclusão

A coordenação motora é definida como junção de um conjunto de habilidades e


das estruturas corporais. Dentro dos pré-requisitos para o desenvolvimento da

96
coordenação motora, encontram-se a experiência adquirida, a informação
sensorial, a capacidade intelectual e a antecipação. Em algumas habilidades, a
coordenação se manifesta muito antes do que em outras.

 Motricidade
≥ Fases do desenvolvimento

O desenvolvimento é frequentemente dividido em domínios específicos, como


motor grosseiro, motor fino, linguagem, cognitivo e crescimento
social/emocional. Os estudos estabeleceram as médias de idades alcançadas
por marcos específicos, bem como as faixas de normalidade. Numa criança
normal, os progressos são variáveis dentro de diferentes domínios, como no
caso da criança que começa a andar tarde, mas fala cedo. Influências
ambientais, que variam da nutrição até a estimulação e do impacto da doença
até os efeitos de fatores psicológicos, interagem com factores genéticos para
determinar o grau do progresso e padrão de desenvolvimento.

O Desenvolvimento motor divide-se em motor fino (p. ex., agarrar pequenos


objetos, desenhar) e capacidades motoras amplas (p. ex., andar, subir
escadas). É um processo contínuo que depende do padrão da família, de
factores ambientais ([Link]., quando a atividade é limitada por uma doença
prolongada) e disfunções específicas (p. ex., paralisia cerebral, atraso mental,
distrofia muscular). Normalmente, as crianças começam a andar aos 12 meses,
podem subir escadas mantendo-se firmes aos 18 meses e correm bem aos 2
anos, mas a idade em que essas habilidades são adquiridas pelas crianças
normais variam amplamente. O desenvolvimento motor não deve ser acelerado
de modo significativo pela aplicação de estímulos aumentados.

≥ Desenvolvimento da linguagem

A habilidade de compreensão da linguagem precede a habilidade da fala;


crianças com poucas palavras geralmente podem compreender bastante.
Embora atrasos de linguagem não sejam tipicamente acompanhados de outros
de desenvolvimento, todas as crianças com excessivo atraso de linguagem
deveriam ser avaliadas quanto à existência de outros atrasos de

97
desenvolvimento. Crianças com atrasos das linguagens recetiva e expressiva
apresentam, mais frequentemente, outros problemas de desenvolvimento. A
avaliação de qualquer atraso deve ser iniciada com testes auditivos.

A maioria das crianças que apresentam atraso de linguagem tem inteligência


normal. Por outro lado, crianças com desenvolvimento acelerado da linguagem
estão frequentemente acima da média de inteligência. Progressos de
linguagem abrangem desde o modo de expressar os sons vogais (arrulhar) até
a introdução de sílabas que se iniciam com consoantes (ba-ba-ba). A maioria
das crianças pode dizer “Papa” e “Mama” aos 12 meses, usa várias palavras
aos 18 meses e forma frases de 2 ou 3 palavras aos 2 anos. Aos 3 anos, em
média, uma criança pode manter uma conversação. Aos 4 anos, ela pode
contar histórias simples e envolver-se em uma conversa com adultos ou outras
crianças. Aos 5 anos, a criança pode ter um vocabulário de vários milhares de
palavras. Mesmo antes dos 18 meses, as crianças podem ouvir e compreender
a história que é lida para elas. Aos 5 anos, as crianças são capazes de recitar o
alfabeto e reconhecer palavras simples escritas. Todas essas habilidades são
fundamentais para aprender a ler palavras, frases e sentenças simples.
Dependendo da exposição a livros e habilidades naturais, a maioria das
crianças começa a ler aos 6 ou 7 anos de idade. Esses limites são muito
variáveis.

≥ Desenvolvimento cognitivo

Desenvolvimento cognitivo refere-se ao amadurecimento intelectual das


crianças. Afeto e educação apropriados ao lactente e no início da infância são
reconhecidos como fatores críticos para o crescimento cognitivo e a saúde
emocional. Por exemplo, a leitura para a criança, desde cedo, contribui com
experiências intelectualmente estimulantes e propicia um relacionamento
educativo caloroso, o que trará importante impacto sobre o crescimento nesses
domínios. O intelecto das crianças pequenas é avaliado pela observação das
aptidões de linguagem, curiosidade e habilidades de resolver problemas. Assim
que a criança começa a verbalizar, torna-se mais fácil avaliar a função
intelectual utilizando ferramentas clínicas especializadas. No momento em que

98
a criança vai à escola, ela fica sob monitorização constante como parte do
processo acadêmico. Aos 2 anos, a maioria das crianças entende o conceito de
tempo em termos amplos. Muitas crianças com 2 e 3 anos de idade acreditam
que tudo o que aconteceu no passado aconteceu "ontem", e tudo o que
acontecerá no futuro, acontecerá "amanhã".

Uma criança nessa idade tem imaginação fértil, mas tem dificuldade de
distinguir fantasia da realidade. Aos 4 anos de idade, a maioria das crianças
tem uma compreensão mais complicada do tempo. Elas percebem que o dia é
dividido em manhã, tarde e noite. Elas podem até mesmo apreciar a mudança
das estações.

Aos 7 anos, as capacidades intelectuais das crianças se tornam mais


complexas. Nesse momento, as crianças são cada vez mais capazes de
focalizar mais de um aspecto de um evento ou situação ao mesmo tempo. Por
exemplo, crianças em idade escolar podem reconhecer que um frasco alto e
estreito pode armazenar a mesma quantidade de água do que um curto e
largo. Elas podem reconhecer que remédios podem ter um gosto ruim, mas
podem fazê-las se sentir melhor, ou que a mãe pode estar nervosa com elas,
mas mesmo assim pode amá-las. As crianças são cada vez mais capazes de
entender a perspectiva de outra pessoa e, assim, aprender os fundamentos de
esperar sua vez em jogos ou conversas. Além disso, as crianças em idade
escolar são capazes de seguir as regras consensuais dos jogos. As crianças
nessa idade também são cada vez mais capazes de raciocinar usando os
poderes da observação e múltiplos pontos de vista.

Emoção e comportamento baseiam-se no temperamento e na fase de


desenvolvimento da criança. Cada criança tem um temperamento ou humor
individual. Algumas crianças podem ser alegres e adaptáveis e desenvolver
facilmente rotinas regulares de dormir, acordar, comer e outras atividades
diárias. Essas crianças tendem a responder positivamente a novas situações.
Outras crianças não são muito adaptáveis e podem ter grandes irregularidades
em suas rotinas. Essas crianças tendem a reagir negativamente a novas
situações. Contudo, outras crianças estão nalgum ponto intermediário.

99
O crescimento emocional e a aquisição de aptidões sociais são avaliados pela
observação da interacção da criança com outras, em situações diárias. Quando
a criança começa a falar, a compreensão do seu estado emocional torna-se
muito mais precisa. Assim como acontece com o intelecto, a função emocional
pode ser delineada mais precisamente com ferramentas especializadas.

Chorar é o principal meio de comunicação dos recém-nascidos. Recém-


nascidos choram porque estão com fome, incomodados, aflitos e por muitas
outras razões que podem não ser óbvias. É mais comum que recém-nascidos
com 6 semanas de idade chorem 3 horas/dia, geralmente diminuindo para 1
horas/dia aos 3 meses de idade. Os pais normalmente dão às crianças que
choram comida, trocam a fralda e procuram uma fonte de dor ou desconforto.
Se essas medidas não funcionarem, pegar ao colo ou andar com o recém-
nascido algumas vezes ajuda. Às vezes, nada funciona. Os pais não devem
forçar comida em recém-nascidos durante o choro, pois estes irão comer logo
se a fome for a causa do seu desconforto. Por volta dos 8 meses de idade, os
recém-nascidos normalmente tornam-se mais ansiosos em relação a separar-
se dos pais. Separações ao deitar e em creches podem ser difíceis e marcadas
por acessos de raiva. Esse comportamento pode durar muitos meses. Para
muitas crianças maiores, uma sesta ou boneco de pelúcia serve nesse
momento como um objecto de transição, que age como um símbolo do pai
ausente.

≥ Desenvolvimento emocional e comportamental

Emoção e comportamento baseiam-se no temperamento e na fase de


desenvolvimento da criança. Cada criança tem um temperamento ou humor
individual. Algumas crianças podem ser alegres e adaptáveis e desenvolver
facilmente rotinas regulares de dormir, acordar, comer e outras atividades
diárias. Essas crianças tendem a responder positivamente a novas situações.
Essas crianças tendem a reagir negativamente a novas situações. Contudo,
outras crianças estão nalgum ponto intermediário. O crescimento emocional e a
aquisição de aptidões sociais são avaliados pela observação da interacção da
criança com outras, em situações diárias. Quando a criança começa a falar, a

100
compreensão do seu estado emocional torna-se muito mais precisa. Assim
como acontece com o intelecto, a função emocional pode ser delineada mais
precisamente com ferramentas especializadas. Chorar é o principal meio de
comunicação dos recém-nascidos. Recém-nascidos choram porque estão com
fome, incomodados, aflitos e por muitas outras razões que podem não ser
óbvias.

É mais comum que recém-nascidos com 6 semanas de idade chorem 3


horas/dia, geralmente diminuindo para 1 horas/dia aos 3 meses de idade. Os
pais normalmente dão às crianças que choram comida, trocam a fralda e
procuram uma fonte de dor ou desconforto. Se essas medidas não
funcionarem, pegar ao colo ou andar com o recém-nascido algumas vezes
ajuda. Às vezes, nada funciona. Os pais não devem forçar comida em recém-
nascidos durante o choro, pois estes irão comer logo se a fome for a causa do
seu desconforto. Por volta dos 8 meses de idade, os recém-nascidos
normalmente tornam-se mais ansiosos em relação a separar-se dos pais.
Separações ao deitar e em creches podem ser difíceis e marcadas por acessos
de raiva. Esse comportamento pode durar muitos meses. Para muitas crianças
maiores, uma sesta ou boneco de pelúcia serve nesse momento como um
objecto de transição, que age como um símbolo do pai ausente.

Aos 2 a 3 anos, as crianças começam a testar seus limites e fazer o que elas
foram proibidas de fazer, simplesmente para ver o que vai acontecer. Os
"nãos" frequentes que as crianças ouvem dos pais refletem a luta pela
independência nessa idade. Embora angustiantes para os pais e filhos, os
ataques de raiva são normais porque ajudam as crianças a expressar sua
frustração durante um momento em que não conseguem verbalizar seus
sentimentos. Os pais podem ajudar a diminuir o número de ataques de raiva
não deixando que os filhos se cansem ou fiquem indevidamente frustrados e
entendendo os padrões de comportamento dos seus filhos e evitando situações
que provavelmente podem induzir a ataques de raiva. Algumas crianças têm
particular dificuldade em controlar seus impulsos e precisam que os pais
estabeleçam limites mais restritos em torno dos quais pode haver alguma
segurança e regularidade em seus mundos. Dos 18 meses a 2 anos de idade,
101
as crianças normalmente começam a estabelecer a identidade de gênero.
Durante os anos pré-escolares, as crianças também adquirem uma noção do
papel de gênero, do que meninos e meninas costumam fazer. Espera-se que
elas explorem os órgãos genitais nessa idade e os sinais de que as crianças
estão começando a estabelecer uma conexão entre a imagem corporal e o
gênero. Entre os 2 e 3 anos de idade, as crianças começam a brincar de
maneira mais interativa com as outras crianças.

Embora ainda possam ser possessivas em relação aos brinquedos, elas


podem começar a compartilhar e até mesmo se revezar nas brincadeiras.
Afirmar a posse dos brinquedos dizendo: "isso é meu!" ajuda a estabelecer o
sentido do eu. Embora crianças nessa idade lutem por independência, elas
ainda precisam dos pais por perto para se sentirem seguras e apoiadas. Por
exemplo, elas podem afastar-se dos pais quando se sentem curiosas e logo
depois se esconderem atrás deles quando estão com medo.

Dos 3 aos 5 anos, muitas crianças se interessam por brincadeiras envolvendo


fantasia e amigos imaginários. As brincadeiras envolvendo fantasia permitem
às crianças exprimir com segurança diferentes papéis e sentimentos intensos
de maneiras aceitáveis. As brincadeiras envolvendo fantasia também ajudam
as crianças a crescer socialmente. Elas aprendem a resolver conflitos com os
pais ou outras crianças de maneiras que as ajudam a desabafar frustrações e
manter a autoestima. Também nesse momento, aparecem medos típicos da
infância como "o monstro no armário". Esses medos são normais. Dos 7 aos 12
anos, as crianças superam inúmeros desafios: autoconceito, a base para o que
é estabelecido pela competência em sala de aula; relacionamentos com
colegas, que são determinados pela capacidade de socialização e adaptação;
e relacionamentos familiares, que são determinados em parte pela aprovação
que as crianças obtêm dos pais e irmãos. Embora muitas crianças pareçam dar
muita importância a grupos de colegas, elas continuam buscando
principalmente nos pais o suporte e orientação de que necessitam. Irmãos
podem servir como modelos de vida e como suportes valiosos e críticos em
relação ao que pode ou não ser feito. Nesse momento na vida, as crianças são
muito ativa e se envolvem em muitas atividades e estão ansiosas para explorar
102
novas atividades. Nessa idade, as crianças são aprendizes ansiosos e muitas
vezes respondem bem a conselhos sobre segurança, estilos de vida saudáveis
e prevenção de comportamentos de alto risco.

 Linguagem
≥ Características e função

A linguagem das crianças intriga linguistas e estudiosos do tema. Sendo assim,


as crianças do século XII, por exemplo, apesar de crianças como as de hoje
não brincavam com os mesmos brinquedos, nem sentiam, nem pensavam,
nem se vestiam como as crianças de hoje. E, certamente as crianças deste
século terão características muito diferentes das de hoje. É interessante que
assim surge uma pergunta: se as crianças de antigamente eram diferentes das
de hoje certamente as de amanhã também serão. Por que é então interessante
estudar a infância se esta muda?

Na tentativa de responder a essa questão surgiram muitas teorias. “Aquisição


da linguagem tenta explicar entre outras coisas o facto de as crianças, por volta
dos 3 anos, serem capazes de fazer o uso produtivo - de suas línguas”. Desde
pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A
linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com
o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do
pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a
criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras. Ao nascer, a criança
não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um
sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da
linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.
Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a
gráfica. Para comunicar, a criança utiliza, tanto a linguagem corporal ( mímica,

103
gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já
produz linguagem.

O desenvolvimento da linguagem divide-se em dois estádios: pré – linguístico,


quando o bebê usa o modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática;
e o linguístico, quando usa palavras. No estádio pré – linguístico a criança, no
início, usa o choro para comunicar, podendo ser rica em expressão emocional.
Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o
que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é
possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebê está a chorar de fome, de
cólicas, por estar a sentir-se desconfortável, por querer colo etc.

É importante ressaltar que é a relação do bebê com a mãe, ou com a pessoa


que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender o seu choro. Além do
choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som
gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O
balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza-se pela
produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma-ma-ma-ma”,
que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebê. No
desenvolvimento da linguagem, os bebês começam a imitar casualmente os
sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebês repetem repetidas
vezes os sons como o “da-da-da”, ou “ma-ma-ma-ma”. Por isso as crianças
que têm problemas de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não
são capazes de escutar.

Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem,
deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento
da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de
comunicação, uma ideia de referência e um conjunto de sinais para se
comunicar com aqueles que cuidam dele. O estádio linguístico está pronto para
ser estabelecido. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho
fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas
primeiras palavras. A fala linguística inicia-se geralmente no final do segundo
ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir
a uma pessoa, um objecto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a

104
criança disser apo quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no
banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras.

Espera-se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de


aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da
fala pré-linguística e não revela frustração se não for compreendida. Na fase
inicial da fala linguística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo-
lhe, no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de
casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas
palavras com valor de frases são chamadas holófrases. A partir daqui acontece
uma “explosão de nomes”, e o vocabulário cresce muito.

Aos 2 anos espera-se que as crianças sejam capazes de utilizar um


vocabulário de mais de cem palavras. Entre os 2 e 3 anos as crianças
começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a
preocupar-se com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos
de super-regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os
casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar
“pães”, trazê-los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas,
tentando utilizar corretamente as normas gramaticais.

≥ Estruturas biológicas

A aquisição da linguagem exigiu modificações morfo-anatômicas importantes


no encéfalo, na medula espinhal e outras estruturas não-neurais. O volume
encefálico aumentou rapidamente, em volume absoluto e relativo ao tamanho
corpóreo, na linhagem humana entre 2 milhões e 300 mil anos atrás. O
encéfalo é um órgão altamente custoso do ponto de vista energético, portanto
sua expansão e manutenção na linhagem indica que o mesmo confere uma
vantagem evolutiva significativa. Embora haja correlação entre o volume
encefálico e a capacidade cognitiva geral, o mesmo não ocorre com a
capacidade de linguagem, não havendo um volume encefálico separando
claramente os primatas com e sem linguagem O neocórtex é visto
tradicionalmente como a estrutura neural responsável pela linguagem. A
aquisição da mesma estaria associada ao surgimento de novas estruturas

105
neocorticais e/ou expansão das pré-existentes. O córtex humano é lateralizado,
sendo dividido em dois hemisférios, com o esquerdo controlando o braço direito
e sendo dominante para a linguagem. Pensava-se que a preferência
populacional por ser destro fosse uma exclusividade humana, o que levou à
hipótese da evolução conjunta da lateralização, linguagem e caráter destro,
embora saiba-se hoje que outros primatas são preferencialmente destros. O
hemisfério esquerdo de bonobos, babuínos, chimpanzés e gorilas controla
gestos comunicativos e vocalizações voluntárias, em contraste com o controle
das vocalizações em outros primatas pelo hemisfério direito, indicando que a
dominância do hemisfério esquerdo sobre essas habilidades pode ter
precedido evolutivamente a dominância sobre a linguagem.

Dados anatômicos e comportamentais, contudo, não suportam a assimetria


neural como exclusividade humana ou especialização específica para a
linguagem.

A área de Broca localiza-se no hemisfério esquerdo e é considerada desde sua


descrição como de grande importância para a linguagem. Ela aparece cedo na
linhagem humana, anteriormente ao advento da linguagem. Outros primatas
apresentam estruturas homólogas, mas com organização distinta. A expansão
da estrutura teria permitido o aumento da percepção espacial, conferindo a
coordenação dos membros superiores necessária para o uso de ferramentas e
lançamento de projéteis. Como muitas estruturas espaciais são organizadas
temática e espacialmente, essa expansão teria também fornecido a estrutura
conceptual para componentes chave no desenvolvimento da linguagem.
Embora o papel do neocórtex se mantenha significativamente relevante,
pesquisas das últimas décadas têm destacado a importância de estruturas
neocorticais para a linguagem. Danos nos gânglios basais e cerebelo geram
déficits no aprendizado procedural, memória de trabalho (curto-prazo), sintaxe,
escolha e ordenação de palavras e dispraxia oral; estando associados à
dispraxia orofacial resultante de mutações no gene FOXP2. Tanto os gânglios
basais quanto porções do cerebelo estão fortemente ligadas ao neocórtex por
meio do tálamo, indicando que essas estruturas trabalham conjuntamente para
possibilitar a linguagem. O hipocampo e a amígdala também são componentes

106
importantes, não afetando diretamente a linguagem, mas relacionados à
memória declarativa e aprendizado emocional.

Uma das razões para o foco histórico no neocórtex é a percepção equivocada


de que apenas ele teria aumentado durante a evolução humana, embora o
tamanho dos gânglios basais, cerebelo e hipocampo seja de 2 a 3 vezes maior
em humanos do que em outros grandes primatas. Essa percepção é fruto em
parte da ausência no registro fóssil da sua evolução, pois diferente do córtex
elas são internas ao encéfalo e não deixam impressões na caixa craniana.
Entretanto, o tamanho destas estruturas neocorticais guarda uma forte
correlação com o volume encefálico total, que pode ser usado como um bom
preditor.

As mudanças morfo-anatômicas relacionadas à aquisição da linguagem não se


restringem a estruturas neurais, estendendo-se também ao trato respiratório e
à musculatura. Humanos possuem uma cavidade oral diferente em relação a
outros primatas, assim como uma laringe mais baixa, maior controle da
respiração e ausência de sacos aéreos na laringe. Acredita-se que a
reorganização do trato vocal foi facilitada pelo bipedalismo, por alterações na
dieta ou ambos, e a estrutura laringeal moderna já estaria presente no
ancestral comum de Neandertais e humanos anatomicamente modernos. O
controlo mais fino da respiração é possibilitado por uma maior inervação por
massa cinzenta medular dos músculos respiratórios torácicos e abdominais,
com a terminação direta de muitas fibras corticais em neurônios motores da
medula e tronco cerebral.

≥ Condições necessárias à aquisição

Todo ser humano saudável já nasce programado para falar, com uma
propensão inata para a linguagem. As crianças adquirem a língua ou as línguas
que são empregadas pelas pessoas que convivem perto delas. Este processo
de aprendizagem é algo complexo. Por isso, acredita-se que a aquisição da
primeira língua é a maior façanha que podemos realizar durante toda a vida. Ao
contrário de muitos outros tipos de aprendizagem, esse tipo de conhecimento
não requer ensino direto ou estudo especializado. Em A Descendência do

107
Homem e Seleção em Relação ao Sexo, o naturalista Charles Darwin chamou
esse processo de "tendência instintiva para adquirir uma arte". Desde o
nascimento, os recém-nascidos respondem mais prontamente à fala humana
do que para outros sons. Com cerca de um mês de idade, os bebês parecem
ser capazes de distinguir entre diferentes sons da fala. Já com seis meses de
idade, a criança vai começando a balbuciar, produzindo ou os sons da fala ou
as formas com as mãos das línguas utilizadas em torno deles. Desde muito
cedo, qualquer criança sabe e fala muito além das frases que ela escutou dos
adultos. Não repete simplesmente o que lhe dizem: com as regras que ela
apreendeu das frases ouvidas, forma inúmeras outras, inclusive nunca ouvidas.

Ou seja, desde a primeira infância a criança "cria" as suas frases. Essa


criatividade é o traço característico da chamada gramática universal,
internalizada pelas crianças. Proposta por Noam Chomsky, essa gramática
parte do princípio de que há uma gramática, inerente a todos os falantes de
qualquer língua, que faria com que ninguém optasse por uma estrutura
altamente errada, entre as infinitas combinações possíveis de palavras. As
palavras aparecem entre 12 e 18 meses. Uma criança de 18 meses de idade
emprega em média cerca de 50 palavras.

As primeiras declarações das crianças são holófrases, ou seja, expressões que


utilizam apenas uma palavra para comunicar alguma ideia. Vários meses
depois que uma criança começa a produzir palavras, ele ou ela produzirá
discursos telegráficos e frases curtas que são menos gramaticalmente
complexa do que a fala dos adultos, mas que mostram a estrutura sintática
regular. Com dois anos a criança já domina o arcabouço fundamental de sua
língua. Com aproximadamente três anos, a capacidade da criança de falar ou
de fazer sinais é tão refinada que se assemelha linguagem adulta.

≥ Fases de desenvolvimento

A estimulação em todas as fases do desenvolvimento é fundamental para


incentivar a evolução da criança. Conversar com a criança, repetir palavras e
explorar as palavras através dos contos e da leitura são excelentes formas
para estimular a criança a falar e a diversificar o vocabulário. Muitas vezes, a

108
avaliação da linguagem é realizada com base na perceção que os pais têm
sobre a evolução da criança em casa. Se considerar que o seu bebé não está a
desenvolver-se como esperado, consulte o pediatra para avaliação.

≥ Fases de desenvolvimento

Com 1 mês de idade

•Choro, gritos;

•Segue a face e os sons.

Aos 2 meses de idade

•Palra.

Aos 4 meses de idade

•Ri com intenção.

Aos 6 meses de idade

•Imita o que ouve à volta;

•Vocaliza com entoação;

•Responde quando se chama pelo seu nome;

•Usa sons monossilábicos como “papa” ou “mama” mas sem significado.

Aos 9 meses de idade

•Primeira palavra geralmente aos 10 meses;

•Compreende o “não”;

•Usa “papa” e “mama” com significado.

•Compreende ordens simples, principalmente se forem acompanhadas de


gestos;

•Diz uma ou duas palavras para além de “mama” e “papa”;

•Muitas palavras não são compreendidas, mesmo pelos pais.

Aos 15 meses de idade

109
•Usa 4 a 6 palavras;

•Percebe ordens simples mesmo se não forem acompanhadas por gestos;

•Utiliza entoação e ritmos na frase.

Aos 18 meses de idade

•Diz 5 a 20 palavras;

•Identifica pelo menos uma parte do corpo;

•Associa 2 palavras como “não está” ou “não quero”.

Aos 2 anos de idade

•Diz pelo menos 50 palavras. Algumas crianças já utilizam até 300 palavras;

•Compreende ordens duplas como “vai buscar os sapatos a dá-os ao pai”;

•Pode utilizar frases com 2 ou 3 palavras e com verbos;

•A maioria do que a criança diz contínua a não se perceber;

•Utiliza o “eu”.

Aos 3 anos de idade

•Diz pelo menos 250 palavras. Algumas crianças pode já saber 1000 palavras;

•Compreende o conceito de “dois“;

•Compreende “em cima”, “em baixo”, “ao lado”, “atrás”;

•A maioria do que a criança diz é percebida por todos;

•Sabe nome, sexo e idade;

•Constrói frases com 3 palavras;

•Usa o plural e o tempo passado;

•Repete sequência de 3 algarismos.

110
Aos 3 – 4 anos de idade

•Já articula bem as consoantes e as vogais;

•Constrói frases bem estruturadas;

•Utiliza o “porquê”;

•Conhece uma ou mais cores.

≥ Sinais de alerta sobre a aquisição da fala da criança

Idade pré-escolar

•Fala tardia;

•Linguagem “à bebé” persistente;

•Palavras mal pronunciadas para além do esperado para a idade;

•Dificuldade em acompanhar e decorar canções, rimas e lengalengas;

•História familiar de fala tardia ou alterações ao nível da linguagem e/ou da fala.

1º Ano de escolaridade

•Dificuldade em discriminar os sons da língua (ex: quando a criança ouve “faca”


e “vaca”, não identifica diferenças);

•Dificuldade na divisão silábica e fonémica;

•Dificuldade em associar as letras aos seus sons e vice-versa (ex: a letra “F” lê-
se “éfe”);

•Dificuldade na leitura de sílabas e palavras, sobretudo palavras novas ou mais


complexas;

•Dificuldade na escrita (erros de escrita).

≥ Funções da Linguagem – matéria da aula

Bordenave diz quando se refere à comunicação:

“A comunicação confunde-se com a própria vida. Temos tanta consciência de


que comunicamos como de que respiramos ou andamos. Somente

111
percebemos a sua essencial importância quando, por acidente ou uma
doença, perdemos a capacidade de comunicar”. (Bordenave, 1986. p.17-9).

Comunicar pela fala é uma das características mais instintivas dos seres
humanos. O choro de um bebé quando nasce, já simboliza uma linguagem,
assim como as emoções, os gestos e tantas outras formas de se comunicar. A
diversidade de formas que usamos para comunicar é denominada de Funções
da Linguagem.

As funções da linguagem estabelecem a relação com aquele que fala. Assim,


podem ser classificadas de seis formas diferentes: a função referencial, função
emotiva, função poética, função fática, função apelativa ou imperativa e função
metalinguística.

112
Cada função é responsável por exercer uma atividade em relação aos
elementos que a linguagem possui, ou seja a comunicação. Assim, cada
função está relacionada com o emissor, receptor, mensagem, código, canal e
contexto. A partir daqui, é possível identificar com que intenção o comunicador
está a reproduzir a linguagem.

≥ Funções da Linguagem - Como comunicamos?

Todo o acto comunicativo envolve seis componentes essenciais:

- Emissor (remetente, locutor, codificador);

- Receptor (destinatário, interlocutor, descodificador, ouvinte);

- Mensagem;

- Código;

- Contexto;

- Canal.

 Emissor / remetente – elemento que emite, codifica a mensagem;


 Receptor / destinatário - recebe, descodifica a mensagem;
 Mensagem - conteúdo transmitido pelo emissor;
 Código - conjunto de signos usados na transmissão e recepção da
mensagem
 Mensagem – o assunto, a situação que envolve o emissor e o receptor
 Canal – meio físico pelo qual circula a mensagem e a conexão psicológica.

Partindo dos seis elementos Roman Jakobson, linguista russo, desenvolveu


alguns estudos acerca das funções da linguagem, e a sua utilidade para a
análise e produção de textos. As seis funções são:

1. Função referencial: referente ao objeto ou situação de que a mensagem


trata. A função referencial privilegia justamente o referente da mensagem,
procurando transmitir informações objetivas sobre ele. Esta função predomina
nos textos de caráter científico e é privilegiado nos textos jornalísticos e
didáticos. A função referencial está associada ao contexto.

113
A Função Referencial: é muito comum em textos jornalísticos, tais como:
notícia, reportagem, editorial ou outros tipos de texto como artigos de opinião,
carta de leitor, carta de reclamação, carta de solicitação, discurso de defesa e
acusação, autobiografia, biografia, relato histórico, relato de experiência,
ensaio, debate regrado, exposição oral, seminário, conferência, relatório
científico, carta comercial, redação técnica e oficial...

Já reparou como os jornais, revistas, textos científicos e artigos utilizam uma


linguagem mais formal e impessoal? Pois bem, estes são alguns dos exemplos
em que a função referencial está presente. Ou seja, esta é a função
responsável por informar ou referenciar algo, tendo um texto objetivo como
uma das características. Na função referencial ou Denotativa as frases são
estruturadas na ordem direta, é comum que textos da área da comunicação
adotem este tipo de função, além de materiais didáticos etc. É uma função
destinada a informar a respeito de alguma coisa sem recorrer à emoção ou a
aspectos subjetivos.

2 – A Função Emotiva ou Expressiva: Esta função ocorre quando se destaca o


emissor. A mensagem é centrada nas opiniões, sentimentos e emoções do
emissor, sendo um texto completamente subjetivo e pessoal. A ideia de
destaque do locutor dá-se pela utilização da 1ª pessoa do singular, tanto das
formas verbais, quanto dos pronomes. É comum a presença de interjeições,
reticências e pontos de exclamação. Exemplos: "Tenho um pouco de medo...",
“gosto muito de ti!". Alguns dos exemplos de géneros textuais que contêm a
função emotiva são: diário, relato pessoal, blog, vlog, relato de viagem, carta
pessoal, novela, depoimento, entrevista, narrativa memorialista, crítica
subjetiva (teatral ou cinematográfica), textos poéticos...

A Função Emotiva ou Expressiva: Diferente da função referencial, na função


emotiva o que vale é a comunicação por meio das emoções e da subjetividade.
Além disso, faz uso dos sentimentos. Assim, a função é expressa por meio da
opinião de quem fala, ou seja, o emissor. Por conta disso, é um tipo de texto
escrito na primeira pessoa, expressando o caráter pessoal. Um dos indicadores
da função emotiva num texto é a presença de interjeições e de alguns sinais de
pontuação.

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3 – A Função Apelativa ou Imperativa: É voltada para o receptor. Apresenta um
tom imperativo e é muito encontrada em propagandas, discursos, sermões,
pregações, palestras e até publicidade.

A mensagem é centrada no receptor e organiza-se de forma a influenciá-lo, ou


chamar a sua atenção, o contexto torna-se a parte mais importante da
mensagem. Geralmente, usa-se a 2ª pessoa do discurso (tu/você; vós/vocês),
vocativos e formas verbais ou expressões no imperativo. Em síntese, esta
função é a persuasão do leitor por meio da linguagem. Tem como principal
característica o apelo, e como foco principal quem recebe a mensagem.

Logo, é comum ver a função apelativa em propagandas, publicidades,


discursos políticos e etc. O intuito desta função é influenciar o receptor para
que a mensagem seja “comprada” ou aderida. É escrita na segunda ou terceira
pessoa, além de utilizar de verbos imperativos.

≥ A Função Apelativa ou Imperativa: Exemplos práticos desta função:


• Vote em mim!
• Entre. Não vai se arrepender!
• É só até amanhã. Não perca!

4 – A Função Poética ou Estética: É aquela que se centra sobre a própria


mensagem. Tudo o que, numa mensagem, suplementa o sentimento da
mensagem através do jogo da sua estrutura, de sua tonalidade, de seu ritmo,
de sua sonoridade. Esta função é capaz de despertar no leitor o prazer estético
e surpresa. É explorada na poesia, textos publicitários, letras de músicas …
Interessa entender o sentido por trás das palavras conotativas. Assim, a
preocupação está na escolha das palavras e na forma como a mensagem será
transmitida. Logo, o uso de expressões e figuras de linguagem são bastante
frequentes. Além disso, também é comum encontrar esta função em metáforas,
como nos provérbios, anedotas, trocadilhos e etc. Um exemplo paradigmático
desta função é o poema “A Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade.

115
5 – A Função Fática: a palavra fático significa “ruído, rumor”. Foi utilizada
inicialmente para designar certas formas que se usam para chamar a atenção
(ruídos como psiu, ahn, ei). Esta função ocorre quando a mensagem se orienta
sobre o canal de comunicação ou contacto, procurando verificar e fortalecer a
sua eficiência. Esta função ocorre quando o canal é o foco na construção do
texto. A sua finalidade é estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação
do seu objeto. São exemplos típicos os inícios das conversas, como os
cumprimentos diários, quando ainda não existe um assunto em foco.

A Função Fática: Exemplos: ''Sem dúvida! Entende? Tudo bem?" A função


fática pode ser encontrada em diversos géneros textuais que fazem o uso das
expressões típicas: piada, publicidade, bilhete, chat virtual, músicas... É uma
função que tem como exercício a quebra de linguagem entre o emissor e o
receptor da mensagem. Na função fática a intenção é iniciar um contacto por
meio de cumprimentos, ou de uma abordagem coloquial, objetiva e rápida.

6 – A Função Metalinguística: É caracterizada pela preocupação com o código.


Pode ser definida como a linguagem que fala dela própria, ou seja, descreve o
acto de falar ou escrever. Programas de TV que falam sobre a própria TV ou
que falam sobre os próprios media. Peças de teatro que falam sobre o teatro. A
linguagem (o código) torna-se objeto de análise do próprio texto. Os dicionários
e as gramáticas são repositórios de metalinguagem. Os géneros textuais que
podem contar com a linguagem metalinguística também são vários: verbete de
dicionário, poema, roteiro, romance, sinopse, resenha, resumo... Em síntese, é
a função que usa um código para explicar o próprio código por meio da
linguagem. Ou seja, é uma função focada no emissor. Assim, são exemplos
deste tipo de função textos que expliquem sobre o uso da linguagem. Além
disso, documentários cinematográficos que falam sobre a linguagem do
cinema. Por fim, a função metalinguística é encontrada em textos que
expliquem sobre a função da gramática, além dos dicionários. Exemplo:
Escrever é uma forma de expressão gráfica. Isto define o que é escrita, bem
como exemplifica a função metalinguística.

116
 Motricidade na Infância – matéria da aula;

O trabalho da motricidade é feito desde muito cedo pela criança. O contato com
o mundo, com o outro e os movimentos desenvolvidos desde tenra idade, já
são manifestações da motricidade, como afirma Le Boulch (2001) “a criança
desde o nascimento apresenta potencialidades para desenvolver-se, mas que
elas não dependem só da maturação dos processos orgânicos, senão também
do intercâmbio com o outrem e que isto é da maior importância na primeira
infância” (p.5). É através de um conjunto de desafios que a criança ultrapassa,
do contato com diversos estímulos, com o meio e com outros indivíduos que a
motricidade infantil se desenvolverá. Por desenvolvimento da motricidade
entende-se que esta é “o conjunto das transformações de resposta,
entendidas numa base diacrónica, e constatáveis ao nível dos
movimentos, das qualidades físicas e motoras e das actividades humanas
na adaptação às variações do meio físico e social” (Neto, s/d, p.4). Nas
primeiras idades o desenvolvimento motor é feito através de estímulos,
reagindo ao meio com movimentos reflexos. Inicialmente a criança imita gestos
e movimentos, e através da tentativa e erro e da sua liberdade para se
movimentar ela adquire e desenvolve habilidades motoras mais básicas até às
mais específicas.

No que diz respeito ao desenvolvimento global da criança as atividades


motoras realizadas, pelas mesmas, só farão sentido se permitirem em
simultâneo o desenvolvimento das suas capacidades físico-motoras e
coordenativas e as aprendizagens realizadas através da descoberta do seu
corpo, que estimulam o prazer e o gosto pelo movimento. Além disso, as
atividades motoras deverão proporcionar a socialização de cada criança a uma
cultura motora capaz de contribuir para o seu integral desenvolvimento e de se
prolongar ao longo da vida numa lógica de saúde, qualidade de vida e bem-
estar.

Assim, deverá desde cedo ser estimulado o desenvolvimento da motricidade


infantil, pois esta proporciona em primeiro lugar, um melhor funcionamento e
desenvolvimento dos aparelhos e do sistema do corpo humano e,
consequentemente, uma melhor aprendizagem para a sua vida em sociedade.

117
Esta aprendizagem requer a aquisição de capacidades de equilíbrio e postura,
essenciais ao deslocamento e exploração do envolvimento; de perícia e
manipulação de objetos, fundamentais ao trabalho e à comunicação, o convívio
e a colaboração, requisitos de uma socialização da própria criança com os
companheiros. Desta forma, o principal objetivo da motricidade infantil é
contribuir para o desenvolvimento do corpo e da mente de uma forma coerente,
através da educação do e pelo movimento.

Segundo Samulski (cit. in. Neto, 2003), “Por educação do movimento entende-
se a formação da personalidade através de processos de aprendizagem
motora” (p. 227). É através do movimento que a criança absorve e contata com
o mundo exterior e toma consciência do seu mundo interior, este faz parte das
necessidades fundamentais da vida, porque a criança através do movimento
contata e experiência o mundo que a rodeia.

Através do conhecimento/domínio do seu corpo “e da sua capacidade para a


produção dos seus movimentos, a criança comunica com os seus pares,
realiza as suas aquisições e desenvolve a sua personalidade através de
empenhos, que se refletem nas mais rudimentares manifestações de
movimento expressivo e criativo.” (Condessa, 2006). Logo nos primeiros anos
de vida, a criança torna-se um ser criador, através do seu próprio movimento.
Os primeiros anos de vida são importantíssimos para qualquer aprendizagem
que a criança venha a adquirir.

Como menciona a autora Dulce Santos (2005) serão nestes anos que
desenvolveremos as habilidades fundamentais para a sobrevivência do ser
humano, onde se aprende “a ficar de pé, a caminhar, a correr, a rastejar, a
saltar e a falar” (p. 11). Muitas destas aquisições estão ligadas ao
desenvolvimento da motricidade infantil, e são os primeiros anos de vida
decisivos para estas aquisições, pois nos anos que se seguem existe uma
repetição dos movimentos de modo a os aperfeiçoar. Após esta aquisição a
criança irá desenvolver e experienciar novas situações ao contatar com o meio,
com os objetos e com outras crianças e até mesmo, com adultos, através de

118
diferentes tipos de jogos, de atividades lúdicas, entre outros, desenvolvendo a
sua motricidade.

Mas são cada vez mais raros os momentos onde podemos encontrar as
crianças, na sua fase decisiva do desenvolvimento a experienciar atividades
motoras, pois nos últimos tempos são notórias as mudanças sociais e com isto,
o crescente aumento de hábitos sedentários. Estes hábitos sedentários são
impulsionados pelo crescente aumento tecnológico, os hábitos televisivos, as
rotinas das crianças extremamente organizadas, “(…) a densidade e tráfego
urbano, provocando o aumento da restrição de espaço disponível para as
actividades de rua e como consequência a insegurança crescente no meio
escolar e habitacional” (Neto, 1994, 1997; cit in. Neto, s/d.). As atividades
desenvolvidas pelas crianças da sociedade atual controlam mais o movimento
e o próprio espaço onde a criança desenvolve a sua ação, pois em grande
parte são desenvolvidas por instituições que delimitam em muito as atividades.
As atividades de exploração e de experiências em grupo, no que diz respeito
aos jogos espontâneos são cada vez mais limitadas pela maioria das nossas
crianças. Nas sociedades contemporâneas acaba- se por perder as “culturas
da infância” onde não existem as brincadeiras de rua, os jogos tradicionais, as
próprias brincadeiras espontâneas, entre outros, esquecendo-se um pouco da
cultura da infância. Huizinga (1951, cit in. Neto, 2003) menciona que “brincar
tem sido visto como a razão de quase todas as realizações humanas e como a
base fundamental em que a cultura humana se alicerça” (p. 99).

É necessário mudar estes hábitos, pois a criança para o seu bom


desenvolvimento necessita de jogo e atividade física, ou seja, de manter o
corpo em movimento de criar, para fomentar desde logo hábitos de vida
saudável e uma vida ativa, não queremos as nossas crianças com um
reportório lúdico pobre, daí cada vez será mais importante na sociedade em
que vivemos motivar e deixar a criança explorar o seu corpo em diferentes
situações e em diferentes espaços. Para além do mais, “a actividade lúdica
surge como uma manifestação frequente e espontânea no comportamento
infantil, parecendo ser uma atitude natural e indispensável ao seu
desenvolvimento” (Pessanha, 2003, p. 151).

119
Para um melhor desenvolvimento da motricidade infantil, e para colmatar os
problemas mencionados anteriormente que se têm vindo a desenvolver com a
sociedade contemporânea, é fundamental preservar as culturas da infância,
pois através dos jogos, das brincadeiras, das danças, entre outros, que são
passados de geração em geração, através da interação com outras crianças e
deixando um pouco de lado o sedentarismo e as atividades ligadas às novas
tecnologias, estas movimentam-se e desenvolvem habilidades motoras,
psicomotoras e sócio motoras, através da atividade lúdica. Para além das
atividades referidas anteriormente virem cada vez mais a cair em desuso, os
brinquedos tradicionais também têm sofrido uma certa desvalorização, porque
têm aparecido nos mercados cada vez mais brinquedos “estereotipados e em
massa” que “condicionam as brincadeiras que com eles se têm e uniformizam-
nas” e “como se o que fosse importante fosse o brinquedo e não a brincadeira
em si” (Barra & Sarmento, s/d., p.5). Também são cada vez mais os chamados
brinquedos eletrónicos, colocados à disposição das nossas crianças. Assim, é
cada vez mais importante criar estilos de vida ativos desde a infância, “(…)
criando condições de estimulação oferecidos pela intervenção directa dos pais
(…), pelas escolas (…), e pela comunidade.” (Neto, s/d., p.8) Ora, mas são
cada vez mais as preocupações neste aspeto, onde a atividade de brincar na
infância, nas sociedades contemporâneas e pós-industriais, dependem muito
do tempo que os pais tem disponível para acompanhar as crianças nas suas
brincadeiras, os próprios espaços existentes na comunidade nem sempre são
os mais indicados para que a criança se movimente de forma ativa.

Nesta linha de pensamento Neto (s/d.) refere que “a necessidade de espaço e


tempo para a criança brincar, de forma livre e espontânea, depende em larga
medida da necessidade de tempo e espaço para a família” (p. 10).

Desta forma, a escola desde logo deve ter uma crescente preocupação em
fomentar o movimento criativo, dando “a oportunidade de experimentação, de
adaptação e de exploração do corpo e do movimento” (Condessa, 2006), com
espaços apropriados e disponibilizando diversos materiais em que a criança
possa ser livre para criar promovendo uma aprendizagem ativa, para que não
deixe de movimentar o seu corpo e iniba a sua criatividade.
120
Para Kytta (1995, cit in. Neto, s/d.), “as actividades de exploração do espaço
físico são particularmente importantes no desenvolvimento de representações
cognitivas de envolvimento e essenciais para a organização de um sistema
coordenado de referências” (p.7). Por outro lado, há que oferecer às crianças
momentos de jogo, como jogos espontâneos, jogos tradicionais, com regras,
entre outros, pois estes também possibilitam-nas contactar com o seu mundo
exterior, através da exploração, da imaginação, da fantasia e a própria
adaptação aos diferentes espaços. Porque nesta fase de desenvolvimento são
fundamentais a atividade física e o jogo, para a delimitação de hábitos
saudáveis e para uma vida ativa. A atividade física e o jogo fazem com que a
criança tenha uma melhor perceção de si própria, “eficácia pessoal,
autoestima, interação social e bem-estar psicológico” (Neto, 2003, p. 19).

Assim, devemos desde cedo proporcionar às crianças momentos onde se


desenvolva a motricidade, através dos jogos, das brincadeiras, estimulando o
movimento, pois é através do seu corpo que esta tem uma perceção do meio
exterior, que explora os espaços que frequenta, que contata com o outro e
comunica desde tenra idade. O desenvolvimento da motricidade também será
importante para outras áreas de conhecimento, onde as aquisições de certas
habilidades serão fundamentais para a aquisição de outras aprendizagens.
Importa ainda, dar atenção às culturas da infância, não como meras atividades
de entretenimento para ocupar as crianças, onde a vertente física e motora
será a mais relevante.

Estas serão importantes para criar desde cedo hábitos de vida saudável,
esquecendo as atividades tecnológicas que têm levado a uma vida sedentária,
e não deixando cair em esquecimento a cultura infantil que tanto facilita na
interação com os outros, com o meio e com o conhecimento de si mesmo,
através da perceção do seu corpo em movimento.

121
 A Importância da Motricidade no Desenvolvimento e Bem-Estar
da Criança;
O desenvolvimento da motricidade nas crianças é fundamental para as
aprendizagens que esta vai realizando ao longo do seu percurso escolar.
Existem movimentos que são adquiridos pelo ser humano de forma
espontânea, ou seja, sem que seja preciso alguém que os ensine, ao que os
autores Papalaia, Olds e Feldman referem como sendo as habilidades motoras
básicas, como por exemplo o agarrar, engatinhar e o andar (2009, p.141). A
criança adquire uma nova habilidade motora que o ajudará na aquisição do
próximo movimento. O contato com o meio e com diversos objetos facilitarão à
criança desenvolver novas aquisições, no que diz respeito à sua motricidade.
Como exemplo disso, uma criança que queira ter o contato com um brinquedo
que o chame à atenção, tenta chegar até ele para o agarrar, realizando
diversas deslocações até chegar até ele - a rastejar, a gatinhar, agarrado a um
móvel.

Inicialmente aprendem habilidades simples que, com o passar do tempo serão


desenvolvidas, tornando-se em habilidades mais complexas, onde a criança
passa a ter uma maior noção e controlo do seu corpo e do espaço. A criança
inicialmente não consegue agarrar objetos pequenos, mas com o passar do
tempo esta desenvolve a preensão onde passa a dominar o movimento em
pinça, o que possibilita pegar em objetos mais pequenos. O mesmo acontece
com o movimento de andar, onde inicialmente a criança só consegue
coordenar os movimentos separados dos braços, pernas e pés antes de dar o
primeiro passo. A motricidade pode ser dividida em duas: a motricidade global
e fina. A motricidade global apoia-se sobretudo na realização de movimentos
que desenvolvem o equilíbrio e a locomoção, trabalhando as habilidades
motoras ligadas aos grandes grupos musculares.

A motricidade fina “desenvolve-se com base na percepção, organização e


representação espaço- temporal que possibilita um aumento progressivo da
dominância lateral e do controlo dos movimentos manipulativos (…)”
(Condessa & Fialho, 2008, p. 20), ou seja, todas as habilidades motoras que
envolvam os pequenos músculos e o controlo das ações segmentares,

122
realizadas na coordenação olho-mão/ olho-pé, isto é, visuo-manual/visuo-
pedal.

As primeiras aquisições das crianças prendem-se com o domínio deste tipo de


ações e, para todas as crianças o desenvolvimento da motricidade é
fundamental às aprendizagens posteriores. Contudo, existem situações onde
se verifica um maior desenvolvimento da motricidade fina, e em outros casos
onde o desenvolvimento da motricidade global é mais visível, ou vice-versa.
Segundo Marques (1979, cit. in. Godtsfriedt, 2010) “a motricidade fina só se
desenvolve, depois de a criança ter dominado os movimentos ligados aos
grandes músculos”.

O desenvolvimento da motricidade em conjunto com outras aprendizagens,


ajudará a criança a realizar algumas tarefas associadas às habilidades motoras
finas, como exemplo disso temos “(…) a distinção entre esquerda e direita,
organização espácio-temporal, aumento dos lapsos de atenção concentrada,
distinção do antes e do depois, a resistência a fadiga e a simbolização e
reversibilidade do pensamento em suas relações com a linguagem” (Ibidem).

“Entendida como produto e produtora de processos e experiências de


aprendizagem, a motricidade representa um aspecto da construção do humano
que deve interessar à escola.” (Filho, 2010). A motricidade relacionada aos
processos de aprendizagem nas escolas poderá levar a uma superação, no
que diz respeito, às dificuldades de aprendizagem. Desta forma, é importante
tanto na Educação Pré-escolar como no 1.º Ciclo do Ensino Básico (EB) ter em
atenção ao desenvolvimento da motricidade nas crianças, pois esta está ligada
ao desenvolvimento de aprendizagens nas crianças, como ao bem-estar das
mesmas, ao sentirem-se capazes de realizar determinadas atividades/ tarefas
propostas pelo Educador/ Professor e na própria interação com os outros. “A
escola é a maior experiência de formação e afeta todos os aspetos do
desenvolvimento humano. Na escola, as crianças adquirem conhecimentos,
habilidades e competência social, desenvolvem seus corpos e mentes se
preparam para a vida adulta.” (Papalaia, Olds & Feldman, 2009, p. 339).

 Motricidade no Idoso

123
O desenvolvimento motor é a mudança contínua do comportamento motor ao
longo do ciclo de vida do indivíduo, provocada pela interação entre as
exigências da tarefa motora, a biologia do indivíduo e as condições do
ambiente (Gallahue, Ozmune & Goodway, 2012).

Os mesmos autores referem que o principal objetivo do desenvolvimento motor


e da educação do movimento do indivíduo é aceitar o desafio da mudança no
processo contínuo de adquirir e manter o controlo motor e a competência de
movimento ao longo da vida. Meinel e Schnabel (1976) dizem-nos que para
falarmos em motricidade, devemos falar, primeiramente, em ontogénese
motora. A ontogénese motora é o desenvolvimento individual de habilidades de
condicionamento e da coordenação, e de formas básicas de movimento, como
andar, correr e saltar. De acordo com os mesmos autores a ontogénese motora
abrange o desenvolvimento de habilidades de condicionamento e de
coordenação como habilidades de força, de velocidade e de resistência,
habilidades de direção motora, habilidades motoras de aprendizagem,
adaptação e mudança, entre outras no curso da vida.

A fase da terceira idade é designada como a fase da crescente diminuição do


rendimento motor. Segundo Meinel e Schnabel (1976) este retrocesso começa
entre os 45 e os 50 anos, num processo lento que com o passar dos anos se
torna irreversível. Conforme a pessoa envelhece, as capacidades de
movimento tendem a regredir e a interação coordenada dos mecanismos
sensoriais e motores fica inibido com maior frequência (Gallahue, Ozmune &
Goodway, 2012). Meinel e Schnabel (1976) referem que esta regressão ocorre
por volta dos 60 – 70 anos, alcançando um grau que se torna evidente na
motricidade global do ser humano. Em sujeitos com idade muito avançada, a
necessidade de movimento é muito reduzida, a condução de movimentos
ocorre devagar e há uma perda da capacidade para várias atividades. Para
melhor entendermos a regressão motora, devemos ter em consideração os
processos de envelhecimento de todos os órgãos e tecidos do organismo
humano; a limitação da mobilidade dos processos nervosos e a redução da
capacidade de receção e elaboração de informações (Meinel & Schnabel,
1976).

124
Igualmente importante é a capacidade de condução motora e a de adaptação e
transformação em ações de movimento que são consideravelmente
influenciadas por esta regressão motora.

Certo é que, com o avançar da idade, vamos perdendo qualidades e quando


chegamos à fase da velhice deparamos, muitas vezes, com dificuldades que
não tínhamos antes, tais como: caminhar mais devagar, dificuldades em abrir
um frasco, ou até falta de força necessária para segurar vários objetos com as
mãos (Meinel & Schnabel, 1976). Estas dificuldades, certamente, levam os
mais idosos a sentirem-se deprimidos e a considerarem-se um peso para a
sociedade. Por isso a motricidade deve ser trabalhada, tanto quanto possível,
para que os idosos possam manter, por mais tempo, o bom funcionamento das
suas qualidades motoras.

Algumas das causas possíveis para que este retrocesso comece mais cedo
são: a inatividade desportiva e motora; uma alimentação descuidada; o uso
inadequado de substâncias como a nicotina; e os efeitos condicionados pela
profissão (Meinel & Schnabel, 1976). Para os mesmos autores, a
manifestações da idade na motricidade são um processo inevitável, mas
possível de ser retardado. Para isso, na idade avançada, não se pode apenas
praticar desporto, mas também ter cuidado com o corpo e exercitar as
capacidades motoras. Meinel e Schnabel (1976) revelam ainda que deve haver
muito cuidado com as habilidades de rendimento motoras individuais em
qualquer atividade desportiva na terceira idade. Assim será melhor iniciar a
atividade física através de pequenos jogos. A atividade física é de estrema
importância para que o envelhecimento seja saudável e para que os idosos
mantenham a sua motricidade por mais tempo. Uma das atividades que pode
ser muito útil para os idosos é a ginástica. Quando exercida com regularidade,
melhora a aptidão física, a mobilidade articular; contribui para a manutenção do
desempenho cognitivo; melhora a qualidade do sono e a autoestima e facilita
na socialização dos idosos. De acordo com Ribeiro e Paúl (2011) os exercícios
de mobilidade articular devem ser explorados na sua máxima amplitude e em
diferentes regiões corporais, tais como: cintura escapular, pescoço, braços,
mãos, dedos, caixa torácica, tronco, quadris, pernas e pés. Para estes autores,
125
estes exercícios são muito importantes uma vez que favorecem o domínio
corporal, pois a ginástica é fundamental para que os idosos mantenham os
seus movimentos por mais tempo.

Deste modo, através de vários exercícios, os idosos podem recuperar um


pouco da sua motricidade e por conseguinte aumentar a sua autoestima e
satisfação com a vida, mantendo-se saudáveis por mais tempo.

 Ciclo do sono-vigília
• Funções

Não sabemos ainda a razão por que dormimos. Conhecemos, no entanto, os


mecanismos que produzem o sono.

O sono não tem origem apenas numa zona específica do cérebro; resulta da
ação de uma rede de neurónios (células nervosas) que está espalhada pelo
nosso cérebro. Nessa rede existem:

≥ Neurónios ativadores, que ativam o córtex cerebral de modo a nos


mantermos acordados;
≥ Neurónios que têm exatamente a função contrária, a de adormecermos.

Essencialmente, o sono é „ligado‟ e „desligado‟ em resultado de interações nas


redes neuronais cerebrais. Existem dois mecanismos fundamentais que nos
levam a dormir:

≥ O nosso ritmo biológico;


≥ A chamada „pressão de sono‟.

O relógio biológico do hipotálamo. No nosso cérebro temos „um relógio


biológico‟ numa estrutura chamada de hipotálamo que nos informa quando
devemos estar acordados e quando devemos estar a dormir. Este relógio
natural está alinhado com o ciclo de luz / escuridão (dia / noite) do nosso
planeta e controla todos os ritmos circadiários (que se repetem a cada 24
horas) do nosso organismo. Devemos dormir à noite quando está escuro e
devemos permanecer acordados durante o dia, quando existe a luz. O
hipotálamo regula a produção de melatonina, hormona fundamental para o
sono, consoante a presença ou ausência da luz do sol. A produção de

126
melatonina é máxima no início da noite de modo a promover o início do sono.
Quando somos expostos à luz, diminui a produção de melatonina.

O hipotálamo envia sinais para outras estruturas cerebrais, tais como o tronco
cerebral, e este ativa outras zonas como o córtex cerebral levando à libertação
de neurotransmissores que nos mantêm acordados ou que nos induzem o
sono.

≥ Arquitetura e padrão

Há uma relação muito íntima entre sono de qualidade e saúde mental; o sono é
essencial para o bem-estar psicológico e como explicaremos, desempenha
diversas funções na regulação do organismo.

≥ O sono desempenha diversas funções

O sono é determinante na regulação da homeostasia do nosso organismo,


contribuindo para manter o equilíbrio do meio interno. Entre as funções do sono
encontram-se a conservação de energia, restauração de tecidos, organização
da memória e seleção de informação, consolidação do sistema imunitário e
secreção de hormona do crescimento (GH – “growth hormone”) em crianças e
adolescentes.

≥ Arquitetura do Sono

Existem dois tipos de sono: sono não-REM (sem movimentos oculares rápidos,
do inglês REM – “rapid eye movement”) e sono REM.

≥ Arquitetura e padrão

Sono não-rem:

O sono não-REM ocupa cerca de 75% do sono e estrutura-se em 4 fases.

• Fase 1 – transição entre sono e vigília, facilmente interrompida por ruídos


ou toques. Ondas cerebrais rápidas.
• Fase 2 – Sono mais profundo. Cessam os movimentos dos olhos. Os
músculos relaxam. Importante para a consolidação da memória. São

127
necessários estímulos mais intensos para despertar. Ondas cerebrais
rápidas.
• Fase 3 – Mais profunda que a anterior. Início de ondas lentas. Atividade
cardíaca e respiração abrandam. Importante para funções reparadoras do
sono.
• Fase 4 – Corresponde ao sono mais profundo, em que é mais difícil acordar
uma pessoa. O despertar, se ocorrer, é confuso. Continuam as funções
reparadoras, de crescimento e recuperação de células, tecidos e órgãos.

Sono rem:

No sono REM há atonia muscular generalizada, mas aumento marcado da


atividade cerebral. É nesta fase que ocorrem os sonhos. Pode ser também
importante para a consolidação da memória. Ao longo da noite os ciclos de
sono não-REM/REM sucedem-se a cada 90 a 110 minutos, e os períodos de
sono REM tornam-se progressivamente mais longos. Os últimos correspondem
a 25% do total, portanto passamos menos de ¼ do tempo a sonhar.

As necessidades de sono são variáveis

As necessidades de sono variam em função da altura do ano, do género, da


atividade física e profissional e sobretudo da idade: os bebés passam 95% do
tempo a dormir durante a gravidez. Um recém-nascido pode dormir mais de 16
horas; uma criança de quatro anos pode ter necessidades de sono de cerca de
12 horas, um adolescente 10 horas, um adulto 8 horas (em média) e num idoso
6 horas podem ser suficientes. À medida que as crianças crescem, o sono
evolui de um padrão polifásico para um padrão bifásico. A partir dos 3-4 anos,
a criança passa a dormir de noite. Ao longo do desenvolvimento do
bebé/criança o número de horas de sono necessárias durante o período
noturno e diurna vai variando e adaptando-se às necessidades das crianças.

128
≥ O sono é regulado por vários fatores

A regulação do sono depende de vários aspetos, mas entre os mais


importantes estão a luz (no escuro segrega-se uma hormona, a melatonina,
que induz o início do sono) e a temperatura interna do corpo (a temperatura do
corpo vai subindo até cerca das 18h e começa então a descer lentamente até à
madrugada seguinte, quando normalmente temos necessidade de nos
aconchegar na cama).

Durante o crescimento das crianças, e consoante fase de desenvolvimento,


surgem diversas problemáticas na higiene do sono. Apresentamos aqui
algumas dessas problemáticas, bem como algumas sugestões para as
contrariar. Do nascimento até aos 3 anos, os problemas mais comuns são os

129
“sonos trocados” e dormir com os pais ou a “dança das camas”. Para os “sonos
trocados”, deve-se tentar que o sono durante o dia decorra com luz natural e
sem controlo exagerado dos ruídos – ao contrário do que os pais habitualmente
fazem, que é colocar as crianças a dormir num ambiente sossegado e escuro
durante o dia.

No período da noite, a criança deve dormir num ambiente o mais calmo


possível, sem luz artificial, ou com uma luz de presença de baixa intensidade.
Assim, o bebé vai-se habituando a ter um sono mais repousante e mais
prolongado de noite, que é fisiologicamente mais saudável, com sestas mais
curtas durante o dia. Relativamente a dormir com os pais, é prejudicial para as
rotinas de sono, a individualização da criança e a privacidade do casal. Devem
incutir-se rituais e rotinas que antecipem a ida para a cama de forma calma,
valorizando o sono. Se a criança acordar a meio da noite deve ser tranquilizada
na própria cama e não ser levada para a cama dos pais.

Os problemas mais comuns dos 3 aos 10 anos são pesadelos, terrores


noturnos, enurese e dificuldade em dormir sem uma luz acesa. Deste modo,
deve ser explicado às crianças que os pesadelos são normais e recordados no
dia seguinte para que as crianças consigam distinguir entre o real e o
imaginário. Os terrores noturnos consistem num acordar anormal na fase do
sono profundo sem lembrança do sucedido no dia seguinte, e podem deixar
uma criança muito constrangida. Quanto mais se tenta consolar, mais a crise
se prolonga.

Em situações de enurese (“xixi na cama”) os pais não devem culpabilizar as


crianças. Devem ter o cuidado de alertar as crianças para evitar consumo de
líquidos a partir das 19h. Caso o problema persista após os 5 anos, deve ser
procurada ajuda de profissionais de saúde. A partir dos 10 até aos 18 anos as
crianças começam a querer deitar-se mais tarde testando os limites na luta
contra o sono. É nesta faixa etária que normalmente querem ficar a jogar
computador ou ver televisão até mais tarde e que começam a sair à noite, por
vezes até de madrugada.

Assim sendo, mesmo nestas idades, os pais devem moderar o acesso a


computadores e consolas no quarto a partir do final da tarde. Deve-se explicar

130
que jogar ou ver televisão à noite é ativador e induz privação do sono, por isso,
nunca o devem fazer na cama. É também importante estabelecer uma hora
não muito tardia para chegar a casa após uma saída noturna e explicar que
não é dormindo mais ao fim-de-semana que se compensam as horas de sono
não dormidas nas noites anteriores (a chamada dívida de sono). O Sono é
fundamental. Durma bem. Cresça saudável!

≥ Ritmo circadiano

Até aos 4-6 meses o bebé tem um ritmo de sono-vigília que se repete a cada 3-
4horas. Ou seja, a cada período de 3h dorme, acorda, é alimentado, tem um
período variável de interação e volta a dormir. A partir dos 3-5 meses de idade
o bebé adquire aquilo a que chamamos um ritmo circadiano, ou seja, as
mesmas rotinas repetem-se ao longo de 24h, havendo um período diurno, em
que há luz e atividades, e um período noturno, com diminuição da luz e com o
maior período de sono. Este ritmo que se repete a cada 24h é regulado por
fatores externos, como a luz e as atividades, e por fatores internos, como a
temperatura corporal e hormonas como a melatonina.

≥ Ciclos de sono

O sono de crianças e adultos organiza-se em ciclos, com cerca de 90-120


minutos de duração, e cada ciclo tem diferentes fases, desde sono mais
superficial até sono mais profundo.

Na transição de ciclo podem ocorrer pequenos despertares, que na criança


maior e no adulto são impercetíveis, mas na criança mais pequena,
principalmente nas que têm alguma dificuldade em conciliar o sono sem ajuda
dos pais, pode significar um acordar a meio da noite e o reclamar da atenção
dos cuidadores. É por este motivo que na realidade não podemos dizer que o
bebé dorme toda a noite, sendo o mais correto afirmar que o bebé, no seu
período de sono noturno, tem a capacidade de readormecer sem a ajuda dos
pais.

≥ Ritmo circadiano

Regressão das horas de sono: causas possíveis

131
Existem então períodos ao longo do crescimento dos bebés e crianças nos
quais poderá haver perturbação do padrão de sono habitual:

• Alteração do ritmo de sono: quando o bebé adquire um ritmo de sono


mais semelhante ao do adulto, com um período mais longo de sono
noturno, por vezes tem dificuldade em conciliar o sono sozinho sem ajuda
dos pais; esta alteração acontece por volta dos 4-6meses, sendo mais
comum em bebés que associam o sono a fatores externos dependentes da
presença dos cuidadores (colo, embalo, amamentação, biberão,).
• Etapas do desenvolvimento: é frequente haver alguma perturbação
transitória das horas de sono em momentos de grandes aquisições do
desenvolvimento (gatinhar, andar sozinho,).
• Alterações do ambiente: pequenas mudanças na temperatura ou
luminosidade do quarto podem afetar o sono do bebé.
• Ansiedade de separação: a partir dos 9 meses de idade, a ansiedade de
separação dos pais (que é uma etapa normal do desenvolvimento) pode
levar a que o bebé solicite a sua atenção mais frequentemente,
inclusivamente no período noturno.
• Alterações na rotina: o exemplo típico são as férias, em que a alteração
de casa, quarto e rotinas, acaba por trazer alguma insegurança à criança.

≥ Como lidar com as fases de regressão das horas de sono

Antes de mais, devemos perceber que estes momentos de alteração do padrão


de horas de sono das crianças são frequentes e normais ao longo do seu
crescimento. Na sua maioria são transitórios, mas será importante ter em
atenção alguns aspetos, para que uma fase de regressão de sono não se
transforme numa perturbação de sono por hábitos incorretos. Se estivermos
perante uma fase de perturbação do sono por motivos comportamentais, o
reforço de rotinas e a aplicação de medidas simples de higiene do sono
facilitará a resolução destes períodos.

132
 Higiene do sono
≥ Medidas de higiene do sono
• Manter horários regulares de refeições e sestas durante o dia
• Evitar atividades estimulantes nos momentos que antecedem o
deitar, preferindo momentos de afetividade e interação em família
• Rotina de adormecer consistente, repetida do mesmo modo
diariamente
• Reforço da autonomia no momento do adormecer, sendo o ideal que
o bebé seja colocado no berço ainda acordado e seja capaz de
adormecer sem a presença dos pais
• Evitar que a criança adormeça a comer, de modo a evitar que se crie
a associação entre a alimentação e o sono
• Nos pequenos despertares noturnos esperar um pouco para que o
bebé tenha a oportunidade de readormecer sozinho. Se de facto for
necessário consolar com colo, alimentar, trocar fralda, este processo
deverá ser rápido, de luz diminuída e mínima estimulação, de modo a
que o bebé perceba que este é o momento de dormir. Quando
aplicadas com consistência, transmitindo conforto e segurança, as
rotinas do sono vão ajudar a trazer de volta as noites tranquilas.

 SONO – matéria da aula;

Sono: mecanismos, fases e ciclos

O ritmo biológico e a pressão do sono são os mecanismos que nos levam a


dormir. Não sabemos ainda a razão por que dormimos. Conhecemos, no
entanto, os mecanismos que produzem o sono. O sono não tem origem apenas
numa zona específica do cérebro; resulta da ação de uma rede de neurónios
(células nervosas) que está espalhada pelo nosso cérebro.

Nessa rede existem:

133
• Neurónios ativadores, que ativam o córtex cerebral de modo a nos
mantermos acordados;
• Neurónios que têm exatamente a função contrária, a de adormecermos.

Essencialmente, o sono é „ligado‟ e „desligado‟ em resultado de interações nas


redes neuronais cerebrais. Existem dois mecanismos fundamentais que nos
levam a dormir:

• O nosso ritmo biológico;


• A chamada „pressão de sono‟.
≥ O relógio biológico do hipotálamo

No nosso cérebro temos „um relógio biológico‟ numa estrutura chamada de


hipotálamo que nos informa quando devemos estar acordados e quando
devemos estar a dormir. Este relógio natural está alinhado com o ciclo de luz /
escuridão (dia / noite) do nosso planeta e controla todos os ritmos circadiários
(que se repetem a cada 24 horas) do nosso organismo. Devemos dormir à
noite quando está escuro e devemos permanecer acordados durante o dia,
quando existe a luz. O hipotálamo regula a produção de melatonina, hormona
fundamental para o sono, consoante a presença ou ausência da luz do sol. A
produção de melatonina é máxima no início da noite de modo a promover o
início do sono. Quando somos expostos à luz, diminui a produção de
melatonina. O hipotálamo envia sinais para outras estruturas cerebrais, ta is
como o tronco cerebral, e este activa outras zonas como o córtex cerebral
levando à libertação de neurotransmissores que nos mantêm acordados ou que
nos induzem o sono.

≥ Pressão de sono

Não é a penas a existência de um relógio no interior do nosso cérebro que leva


a adormecer. Dormimos também pela ação de um mecanismo homeostático
(de equilíbrio orgânico) denominado ´pressão de sono´, que traduz a
necessidade que o nosso cérebro tem de dormir. Poderá ser comparado à
vontade de comer quando se tem fome. Quando acordamos de manhã essa
pressão é praticamente zero, mas, com o avançar do dia, a pressão de sono
vai aumentando progressivamente atingindo o valor máximo à noite, altura em
que necessitamos de dormir. Assim que adormecemos, a pressão de sono
134
volta par a valores muito baixos novamente. Se dormirmos a meio do dia uma
sesta superior a 30 minutos a pressão de sono vai diminuir drasticamente
nessa altura e depois já não há tempo para voltar aos valores mais elevados
que nos levam a adormecer à noite. Quando dormimos pouco, aumenta a
possibilidade da ocorrência de microssonos. Nos microssonos adormecemos
involuntariamente, durante um período muito breve (menos de 3 segundos)
sem que nos apercebamos o u possamos controlar. Os microssonos podem ter
consequências desastrosas, como provocarem acidentes de viação ou
industriais.

≥ Fases e ciclos do sono

O sono não é um processo uniforme e igual ao longo de toda a noite.


Desenvolve se por várias fases que se organizam em ciclos. O ciclo do sono
repete se 4 a 6 vezes num a noite. Durante as diferentes fases do sono, o
nosso cérebro emite diferentes sinais elétricos que podem ser captados num
eletroencefalograma. Analisando a atividade elétrica do nosso cérebro e outros
parâmetros fisiológicos podemos determinar em que fase do sono é que o
cérebro está. As diferentes fases do sono têm diferentes funções.

≥ Cada ciclo do sono divide - se em:

• Sono não REM;

• Sono REM.

REM significa rapid eye movements ou, em português, movimentos oculares


rápidos.

Sono não REM

O sono não REM, que tem a maior duração e que surge primeiro na noite, é
constituído por várias fases:

Fases de sono superficial (transição da vigília para o sono);

Fase do sono profundo (com ondas lentas no eletroencefalograma) que é muito


importante pela sua ação repousante e restauradora.

Sono REM

135
O sono REM alterna com o sono não REM.

Durante o sono REM os nossos olhos movem se sob das pálpebras, mas o
restante corpo fica paralisado enquanto sonhamos intensamente, a nossa
respiração acelera e a atividade cerebral elétrica é muito semelhante à que
apresentamos quando estamos acordados. As diferentes fases do sono
intervêm de modo diferente no consolidar da memória. Por exemplo:

Durante o sono não REM de ondas lentas (sono lento profundo) as memórias
declarativas (a memória dos factos) e as memórias episódicas são
consolidadas;

Durante o sono REM processam - se as memórias com conteúdo emocional.

Durante o sono estabelecem-se novas ligações entre os neurónios e eliminam


se outras não necessárias, reestruturando se as redes de neurónios. Por isso,
uma boa noite de sono melhora o nosso cérebro em termos funcionais.

≥ Arquitetura do sono

Como já foi referido, o sono humano não é linear, muito pelo contrário, tem
uma arquitetura singular que nos ajuda a entender a importância das fases p
elas quais devemos passar enquanto dormimos, para alcançarmos qualidade
de vida. O sono saudável apresenta uma arquitetura padrão. Nos momentos
iniciais, o tronco cerebral vai se desligando gradativamente, para sairmos da
fase de vigília e entrarmos ao estágio 1. Este primeiro estágio é a fase dos “
sobressaltos ”, onde se tem a impressão de estar caindo a qualquer momento.

Neste estágio, o corpo desliga as contrações musculares para que o corpo não
fique lutando com inimigos imaginários dos sonhos nos estágios mais
profundos, uma vez que o nosso cérebro não consegue distinguir os sonhos da
realidade.

136
A partir do segundo estágio esta arquitetura é desenvolvida em ciclos. O
cérebro chega a níveis mínimos de atividade e entra no sono profundo, onde o
corpo sofre a sua “manutenção diária” e as enzimas e as hormonas entram em
ação para recuperar a musculatura, consolidar a memória, entre outras tarefas
de extrema importância para que o corpo esteja pronto ao acordar. Então, o
cérebro volta do sono profundo até chegar ao nível de vigília, mas com os
músculos ainda desligados. É nesta fase que os sonhos ocorrem. Este ciclo
virtuoso dura em média de 70 a 110 minutos e repete se de 4 a 6 vezes
durante a noite, findo o qual o cérebro volta a funcionar dando início a nova
fase de vigília.

≥ ARQUITETURA DO SONO SAUDÁVEL

Algumas pessoas apresentam a


arquitetura do sono totalmente

137
desestruturada. Umas deitam-se e demoram muito para adormecer, outras
dormem rápido, mas acordam várias vezes ao longo da noite e ainda existem
as que dormem e acordam três ou quatro horas depois e não conseguem
dormir mais.

≥ ARQUITETURA DO SONO ALTERADA;

Para desfrutar de um sono de qualidade, ele deve apresentar uma


produtividade de 90% a 95%, ou seja, devemos deitar-nos e dormir em 10
minutos, ter um bloco único e consistente de sono e, ao acordar, de sete a oito
horas depois, sentirmo-nos prontos e revigorados para um novo dia.

138
≥ Ritmo circadiano;

O ritmo circadiano é o compasso que rege o seu relógio biológico. Tal como
uma orquestra, o corpo tem um ritmo e uma cadência, nos quais o cérebro é o
maestro. O ritmo circadiano funciona num ciclo de cerca de 24 horas e já
mereceu o prémio nobel da medicina a três cientistas norte americanos, em
2017.

≥ RITMO CIRCADIANO: O RITMO DO CORPO

Estes cientistas investigaram o corpo humano como um grande relógio


biológico. Como “relojoeiros do corpo”, exploraram a ligação dos genes ao

comportamento, ou seja, como funcionam os genes que estão ligados ao sono


e a forma como regulam o metabolismo ao longo do dia. Os seus estudos
permitiram perceber os porquês de algo tão simples como a forma como
acordamos. Este simples reflexo advém de um complexo processo que prepara
o corpo para acordar, mesmo antes de abrirmos os olhos. No sentido inverso,

139
estudaram também de que forma o nosso organismo se prepara para o sono e
nos faz adormecer.

≥ O CÉREBRO É O MAESTRO

Dentro do nosso cérebro, é o hipotálamo que assume o controlo do ritmo


circadiano. Quando o dia começa a escurecer, os olhos enviam um sinal para o
hipotálamo de que está na hora de se sentir cansado. Esta parte do cérebro,
por sua vez, envia sinais para o corpo, através da melatonina, fazendo- o sentir
esse cansaço. A luz do sol funciona como se se tratasse de um interruptor
entre a sonolência e os estados de alerta.

≥ UM RELÓGIO COM VÁRIOS PONTEIROS

A pressão sanguínea, o apetite, o estado de alerta, a temperatura do corpo,


níveis hormonais ou as horas a que sentimos sono também são ditados pelo
ritmo circadiano. Na realidade, a etimologia da palavra circadiana indica “cerca
de um dia”, por isso associa-se o ciclo à imagem de um relógio de vários
ponteiros: o dos níveis hormonais, da temperatura corporal, do metabolismo e
do sono. Enquanto relógio, o corpo sincroniza-se e adapta-se a vários fatores
externos.

Resultado? O corpo reage à movimentação desses ponteiros e à luz. Daí que


quem trabalhe por turnos tenha tanta dificuldade em manter-se acordado à
noite e de dormir durante o dia.

≥ A INFLUÊNCIA DO DIA E DA NOITE

Há algumas alterações no corpo durante estes dois períodos temporais que


podem ajudar a explicar porque existem mais nascimentos por parto natural
durante a noite e madrugada, tal como existem mais óbitos de manhã. A maior
prevalência para os nascimentos prende-se com a libertação de hormonas que
desencadeiam o parto. Por sua vez, as manhãs trazem más notícias devido às
alterações da pressão arterial ao longo da noite. Isto porque, tendencialmente,
a pressão arterial atinge o pico mais baixo por volta da 3 da manhã.
Consequentemente, quando acordamos e saímos da cama, a pressão arterial
tende a aumentar, elevando o risco de ataques cardíacos ou AVC. Por outro
lado, quem tem asma notará, certamente, que se recente mais ao amanhecer.

140
Isso acontece porque o corpo produz menos cortisol, um esteroide anti-
inflamatório, durante a noite.

≥ À MEDIDA QUE OS ANOS PASSAM

O ritmo circadiano difere de pessoa para pessoa, mas também vai mudando à
medida que o corpo vai envelhecendo. O ritmo de uma criança, de um adulto
ou de um idoso são diferentes. Para um adulto, o menor pico de energia
acontece entre as duas e as quatro da manhã e após o almoço, entre as treze
e as quinze horas. No entanto, o mais importante é que cada um reconheça os
sinais do seu corpo. Na realidade, trata-se de ir “dando corda” ao seu próprio
relógio.

≥ BONS HÁBITOS CONDUZEM A UM BOM RITMO BIOLÓGICO

Para que o seu corpo funcione com a precisão de um relógio suíço deve ter
hábitos saudáveis:

• Tenha horários regulares para dormir e acordar.


• Evite adormecer com a televisão, computador ou gadgets ligados.
• Não consuma bebidas alcoólicas ou substâncias estimulantes após as 16
horas.
• Tente expor-se à luz solar durante o dia.
• Não contrarie a necessidade de dormir.
• Se possível, faça uma pequena sesta após o almoço.
≥ NÃO CONTRARIE O SONO
Jet-lag, trabalhos noturnos ou alternados, ou ainda deixar a luz da televisão
ligada durante o sono podem contribuir para alterações no ritmo circadiano
aumentando o risco de:

• Ansiedade
• Insónias
• Sonolência diurna excessiva
• Depressão
• Níveis de desempenho mais baixo
• Maior propensão para acidentes ✓ diabetes ✓ obesidade.

DICA

Substitua os gadgets por um bom livro antes de adormecer. A luz LED destes
aparelhos pode interferir com a produção de melatonina, essencial ao sono.

141
≥ Higiene do sono

A higiene do sono, também conhecida por bons hábitos de sono, pode ser
definida como um conjunto de diversos comportamentos e hábitos adequados,
associados a condições apropriadas do ambiente, que promovem um sono
reparador e previnem a sonolência diurna.

Porquê e Como?

Todas as organizações científicas relativas ao sono recomendam e divulgam


informação sobre a higiene do sono, porque esta promove qualidade e
quantidade adequada de sono, contribuindo assim para a sua saúde e bem-
estar.

Existem diversas recomendações que poderá seguir:

[Link]ário regular para dormir e acordar;

[Link] o tabaco e álcool à noite;

[Link] cafeína depois das 14h;

[Link]ício físico regular, pelo menos 4 horas antes de dormir;

[Link] sem luz e sem ruido;

[Link] adequada do quarto;

[Link] da cama confortável;

[Link] apenas roupa de dormir;

[Link] tecnologia do quarto;

[Link]ções ligeiras à noite;

[Link] sestas em caso de dificuldade em adormecer;

[Link]-se de preocupações diárias antes de ir dormir;

13.A cama não deve ser utilizada para trabalho intelectual ou de lazer;

[Link] pessoal gratificante que antecede o sono;

A higiene do sono também é muito importante para pessoas que estão em


recuperação ou internadas em contexto hospitalar. Todas as pessoas, desde
crianças a idosos beneficiam com higiene do sono.

142
 Emoção

Piaget defendeu o desenvolvimento psicológico como único nas suas


dimensões ativas e cognitivas, pois para ele durante toda a vida de um
individuo existe uma equivalência entre as construções afetivas e cognitivas.
Ele articulou em relação à psicologia afetiva da criança e o estudo da
inteligência os aspectos afetivos e intelectuais infantis ao julgamento moral, as
reações rebeldes, a obediência e aos sentimentos de carinho e temor. Para o
autor a afetividade não se restringe somente as emoções e sentimentos, pois
engloba também as tendências e as vontades da criança, ou seja, a afetividade
assim como toda conduta visa a adaptação, pois o desequilíbrio reflete em uma
impressão afetiva particular e a consciência de uma necessidade. As noções
de equilíbrio e desequilíbrio têm um significado essencial no ponto de vista
afetivo e cognitivo, levando Piaget a refletir sobre os processos de assimilação
e acomodação afetivas. Tendo a assimilação o interesse principal no “eu” e a
compreensão do objeto como tal, e a acomodação é o interesse relativo e o
ajuste dos esquemas do pensamento aos objetos.

Ressalta também, que a afetividade e a inteligência são de naturezas distintas,


ou seja, a energética da conduta vem da afetividade e as estruturas vêm das
funções cognitivas, e assim o campo total junta ao mesmo tempo o sujeito, as
relações e os objetos, todos sendo fundamentais para que ocorram as
condutas e as interações entre sujeitos e objetos. Piaget defende a importância
de diferenciar a predominância dos aspectos afetivos, ou seja, os interesses,
dos aspectos negativos nos meios, as estruturas. Opõe-se à dicotomia feita
entre acção primária e acção secundária, pois para ele as duas possuem
aspectos afetivos e cognitivos.

Utilizou o termo “esquemas afetivos” para designar as construções


equivalentes sobre os sentimentos iniciais da criança, diretamente ligados as
satisfações de suas necessidades. Encontrou no conceito de “força vontade”
uma função reguladora exposta para a construção do pensamento lógico.

143
A criança dos 2 aos 12 anos sofre várias modificações no que diz respeito aos
seus domínios de afetividade em conformidade com o desenvolvimento de sua
cognição, ou seja, os valores os sentimento pessoais e interpessoais e as
brincadeiras. Por sua vez, até os 2 anos aproximadamente, todas as emoções
e sentimentos do bebê são gerados no seu contacto com a mãe e centrados no
corpo da criança, e assim a medida que o corpo infantil se separa do corpo das
outras pessoas a vida afetiva do bebê vai-se descentralizando e transferindo-se
para os outros. Portanto, o sentimento amor-afetividade construído
primeiramente entre mãe e filho vai se generalizando aos outros, como ao pai,
ao irmão e aos companheiros, havendo assim uma modificação ou
acomodação aos factos e situações passadas carregadas de emoções.

O processo de formação e enriquecimento afetivo da criança faz-nos perceber


que esse processo afetivo é continuo e inovador, onde a formação de
sentimentos esta diretamente ligada aos valores e evolução da sociedade, ou
seja, os sentimentos intra-individuais são construídos com a cooperação do
outro e os intra-individuais são elaborados com a ajuda do outro, sendo a troca
intrapessoal.

 Humor

Existem poucas coisas tão maravilhosas como o sorriso e a gargalhada de uma


criança! Para um pai não há nada melhor do que ver seu filho feliz, radiante,
com um sorriso de orelha a orelha. O sorriso é um dos traços diferenciadores
do ser humano. Já viu algum animal rir quando está contente? O sentido do
humor e o sorriso são atos exclusivos da inteligência humana. O
comportamento emocional dos nossos filhos é a chave da sua felicidade
presente e futura. Além disso, o riso e o sorriso nos abrem as portas aos
outros, é um dos veículos mais importantes que os nossos filhos podem usar
para se socializarem.

Ensiná-los a ter um tratamento amável com os outros e a dedicação do seu


sorriso e alegria, lhes ajudarão a se relacionar com qualquer pessoa. Algo que

144
os bebês adotam desde seus primeiros meses de vida é essa conduta de
imitação, com a qual conseguem palavras carinhosas e brincadeiras por parte
de quem lhes olham e caem cativados pelo seu gesto simpático e
comprometedor.

É muito importante desenvolver a atitude alegre dos nossos filhos e ensiná-los


a ter um riso fácil, por exemplo, através das brincadeiras, teatros, filmes de
humor, inclusive de situações reais que muitas vezes superam a ficção e são
realmente hilárias. Os pais deveriam tirar em mais ocasiões, a criança que têm
dentro deles, fazer palhaçadas e surpreendê-los, dar-lhes um ponto de vista
diferente sobre eles mesmos, para que nem sempre vejam o papai e a mamãe
como os que os repreendem quando fazem algo mal, ou lhes proíbem ou
aconselham com seriedade.

Brincar com eles é uma boa maneira de avivar A nossa confiança neles e
oferecer-lhes um excelente companheiro de brincadeiras e risadas à altura das
suas expectativas. Educá-los no sentido do bom humor lhes proporcionará uma
segurança e um bem-estar emocional muito benéfico para seu
desenvolvimento psicológico e por sua vez se estabelecerá uma confiança,
uma cumplicidade, uma comunicação e laços afetivos entre nós e nossos filhos
à prova de qualquer situação difícil.

 Implicações nas relações interpessoais

A afetividade, segundo os psicanalistas, consiste no conjunto de fenómenos


psíquicos demonstrados sob a figura de emoções ou sentimentos e
acompanhados da impressão de prazer ou dor, satisfação ou insatisfação,
agrado ou desagrado, alegria ou tristeza. Afeto é o termo que a psicanálise
procurou na terminologia psicológica alemã, revela qualquer estado afetivo,
penoso ou desagradável, vago ou qualificado, quer se apresente sob a forma
de uma descarga maciça, quer como tonalidade geral. Na visão psicanalítica,
toda pulsão se exprime nos dois registros, do afeto e da representação. O afeto
é a expressão qualitativa da quantidade de energia pulsional e das suas
variações. No entanto, as origens da vida social e emocional e os fatores que
interferem no estabelecimento de um laço afetivo seguro, onde o vínculo
145
emocional mais importante na primeira infância, é o apego que a criança
constitui com uma ou várias pessoas do sistema familiar.

São três componentes básicos, como: condutas de apego (de proximidade e


interacção privilegiada com essas pessoas); representação mental (as crianças
constroem uma ideia de como são essas pessoas, o que podem esperar
delas); e sentimentos (de bem – estar com sua presença ou ansiedade por sua
ausência). O apego possui função adaptativa para a criança inserida na sua
conjuntura, e a sua finalidade é beneficiar a sobrevivência, procurando
aproximar os seus cuidadores e de proporcionar segurança emocional,
transmitindo aceitação incondicional, proteção e bem-estar. A ausência ou
perda das figuras de apego é percebida como ameaça, sinalizada como
situação de risco, de desproteção e desamparo.

Contudo, a afetividade começa quando uma pessoa se chega à outra através


do amor. Este é um sentimento exclusivo que tem na sua essência o medo da
perda, pois quanto mais amor, maior será o medo da separação, da perda e da
morte, o que acaba desencadeando outros sentimentos, tais como o ciúme, a
raiva, o ódio, a inveja, a saudade, ou seja, a afetividade é a mistura de todos
esses sentimentos, e aprender a cuidar adequadamente de todas essas
emoções é que vai proporcionar ao sujeito uma vida emocional equilibrada.

De facto é que os fenómenos afetivos não possuem conceitos e definições


específicos, por isso, na literatura pode-se encontrar, casualmente, a utilização
dos termos afeto, emoção e sentimento, aparentemente como sinónimos.
Porém, na maioria das vezes, o significado da palavra emoção localiza-se
inerente ao elemento biológico do comportamento humano, referindo-se a uma
agitação, uma reação de ordem física. Já a afetividade é utilizada com uma
significação mais ampla, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas
de expressão mais complexas e essencialmente humanas.

“As relações da criança com o mundo exterior são, desde o início, relações de
sociabilidade, visto que, ao nascer, não tem meios de acção sobre as coisas
circundantes, razão porque a satisfação das suas necessidades e desejos tem
de ser realizada por intermédio das pessoas adultas que a rodeiam. Por isso,

146
os primeiros sistemas de reação que se organizam sob a influência do
ambiente, as emoções, tendem a realizar, por meio de manifestações
consoantes e contagiosas, uma fusão de sensibilidade entre o indivíduo e o
seu meio.”

A criança com desenvolvimento cognitivo na fase sensório-motor atravessa um


período de transição do eu para o social, assim, na afetividade, a criança
transpõe do estado de não-diferenciação entre o eu e os construtos físicos e
humanos para um estágio de reconhecer que existem trocas entre ela (o eu
diferenciado) e o outro. Nesse estágio de desenvolvimento há mais troca
afetiva e contágios para a criança do que efectivamente diferenciação das
pessoas e coisas, o que torna ainda mais importantes as interações. O
progresso afetivo-social da criança envolve a mobilidade mental, o jogo
simbólico e a linguagem, e ocorre no estágio pré-operatório, no qual favorece
novas interações e afetos, valorização pessoal e independência em relação ao
objeto afetivo designado pela criança. Com esse progresso evolutivo a
premissa é pré cooperativa devido ao egocentrismo, no estágio das operações
concretas, a criança passa a ter uma personalidade individualizada que
constitui novas relações intra-individuais que promovem novas trocas afetivas e
cognitivas equilibradas. Durante a adolescência surge o pensamento formal.
Este já formado aumenta com as interações afetivas, a mudança social e a
construção de novos valores. Este estágio é o último referente ao
desenvolvimento.

A criança necessita aprender a diferenciar sentimento e acção, ler e interpretar


indícios sociais, bem como compreender a expectativa dos outros, usar as
etapas para resolver problemas, criar expectativas realistas sobre si e entender
normas de comportamento. A criança quando está na escola desenvolve outras
formas de comunicação que não a oral, como os gestos e expressão facial,
além de exercitar, a partir da interacção com os outros, as emoções e suas
influências negativas e positivas, manifestando suas ideias e pensamentos. A
afetividade no processo educativo é importante para que a criança manipule a
realidade e estimule a função simbólica. Afetividade está ligada à auto-estima e
às formas de relacionamento entre aluno e aluno e professor-aluno. Um
147
professor que não seja afetivo com seus alunos fabricará uma distância
perigosa, criará bloqueios com os alunos e deixará de estar criando um
ambiente rico em afetividade.”

A criança com desenvolvimento cognitivo na fase sensório-motor atravessa um


período de transição do eu para o social, assim, na afetividade, a criança
transpõe do estado de não-diferenciação entre o eu e os construtos físicos e
humanos para um estágio de reconhecer que existem trocas entre ela (o eu
diferenciado) e o outro. Nesse estágio de desenvolvimento há mais troca
afetiva e contágios para a criança do que efectivamente diferenciação das
pessoas e coisas, o que torna ainda mais importantes as interações. O
progresso afetivo-social da criança envolve a mobilidade mental, o jogo
simbólico e a linguagem, e ocorre no estágio pré-operatório, no qual favorece
novas interações e afetos, valorização pessoal e independência em relação ao
objeto afetivo designado pela criança. Com esse progresso evolutivo a
premissa é pré cooperativa devido ao egocentrismo, no estágio das operações
concretas, a criança passa a ter uma personalidade individualizada que
constitui novas relações intra-individuais que promovem novas trocas afetivas e
cognitivas equilibradas. Durante a adolescência surge o pensamento formal.
Este já formado aumenta com as interações afetivas, a mudança social e a
construção de novos valores. Este estágio é o último referente ao
desenvolvimento. A criança necessita aprender a diferenciar sentimento e
acção, ler e interpretar indícios sociais, bem como compreender a expectativa
dos outros, usar as etapas para resolver problemas, criar expectativas realistas
sobre si e entender normas de comportamento.

A criança quando está na escola desenvolve outras formas de comunicação


que não a oral, como os gestos e expressão facial, além de exercitar, a partir
da interacção com os outros, as emoções e suas influências negativas e
positivas, manifestando suas ideias e pensamentos. A afetividade no processo
educativo é importante para que a criança manipule a realidade e estimule a
função simbólica. Afetividade está ligada à auto-estima e às formas de
relacionamento entre aluno e aluno e professor-aluno. Um professor que não

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seja afetivo com seus alunos fabricará uma distância perigosa, criará bloqueios
com os alunos e deixará de estar criando um ambiente rico em afetividade.”

Trabalho Elaborado por: Ana Cristina Domingos

FIM

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