Urgências e Emergências
Psiquiátricas
Suicídio
Professor Bruno Luna
A saúde mental é o estado de funcionamento harmônico que os
indivíduos desenvolvem para viver em constante interação com a
sociedade.
É a capacidade de conduzir a própria vida, sendo capazes de reconhecer
suas limitações.
Já a doença mental é considerada quando as pessoas não conseguem
desenvolver ou manter-se em estado harmônico para viver com a
sociedade.
Fonte: COSTA; CUNHA; SILVA, 2018.
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Considera-se crise psiquiátrica a fase da vida em que o sofrimento é
intenso e acaba desencadeando uma desestruturação da vida psíquica,
familiar e social de um individuo.
A situação de crise caracteriza-se por uma condição onde existe um
distúrbio de pensamento, emocional ou comportamental, na qual seja
necessário um acolhimento apropriado e rápido, focalizado no
paciente, no intuído de evitar maiores prejuízos físicos ou emocionais e
até mesmo extinguir possíveis riscos de vida.
Fonte: COSTA; CUNHA; SILVA, 2018.
Na psiquiatria o termo crise é usado para caracterizar as situações de
urgências e emergências psiquiátricas, nas quais abrangem tentativas
de suicídio, depressões, psicoses, síndromes cerebrais orgânicas.
Fonte: COSTA; CUNHA; SILVA, 2018.
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Urgências e Emergências Psiquiátricas
As urgências e emergências psiquiátricas podem ser definidas como
quaisquer alterações agudas de origem psiquiátrica em que ocorram
mudanças do estado mental de um individuo, as quais implicam em
risco atual e significativo de morte ou injúria grave, para o paciente
ou para terceiros, necessitando de intervenção terapêutica imediata.
Fonte: VEDANA, 2016
Urgências e Emergências Psiquiátricas
As emergências psiquiátricas são momentos críticos marcados pela
fragilidade e instabilidade do cliente.
É relevante que o profissional de saúde se apresente, esclareça os
objetivos do atendimento, transmita confiança, segurança e
consistência em suas ações e não emita julgamentos pessoais.
Fonte: VEDANA, 2016
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Urgências e Emergências Psiquiátricas
O atendimento a situações de urgência e emergência psiquiátricas
deve atender aos objetivos que são prioritários:
Estabilização do quadro (controle de sintoma alvo);
Reconhecimento de patologias e alterações orgânicas (que podem
ter ocasionado as alterações mentais);
Estabelecimento de hipóteses diagnósticas;
Encaminhamento para continuidade do cuidado.
Urgências e Emergências Psiquiátricas/suicídio
O suicídio é um fenômeno complexo e representa um grande
problema de saúde pública. As manifestações associadas ao
comportamento autolesivo são varias e conceituadas dentro de um
conjunto de pensamentos e atos que englobam categorias:
1) suicídio completo;
2) tentativa de suicídio;
3) atos preparatórios para o comportamento suicida;
4) ideação suicida;
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Urgências e Emergências Psiquiátricas/suicídio
5) comportamento autoagressivo sem intenção de morrer;
6) automutilação não intencional e
7) automutilação com intenção suicida desconhecida.
Urgências e Emergências Psiquiátricas/suicídio
As tentativas de suicídio são mais comuns em mulheres, enquanto o
suicídio consumado é mais observado em homens.
A abordagem a pessoa portadora de transtorno mental em estado de
emergência e, em especial ao paciente que tentou suicídio, deve ser
realizada com segurança, rapidez e qualidade, já que esse
procedimento é fator decisivo na aceitação e adesão do individuo ao
tratamento.
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Urgências e Emergências Psiquiátricas/suicídio
É de suma importância que os profissionais de saúde se engajem em
maneiras estratégicas no âmbito das políticas públicas em saúde
mental e reabilitação dos indivíduos com transtornos mentais,
principalmente os com ideação suicida e tentativa de suicídio.
Não basta que o sujeito sobreviva, é necessário trabalhar o
sofrimento do indivíduo, as motivações e fatores relacionados ao
suicídio e a promover reconstrução de novos modos de subjetividade.
Urgências e Emergências Psiquiátricas
O comportamento suicida é uma expressão que cobre uma série de
fenômenos ligados ao suicídio, dos quais os mais relevantes são o
suicídio propriamente dito (óbito) e a tentativa de suicídio.
Esse comportamento envolve gestos que muitas vezes não leva a
morte, mas traz sequelas e problemas por toda a vida e que muitas
vezes é necessária internação devido às agressões com o próprio
corpo.
Fonte: SILVA et al., 2017
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Autoagressão e risco de suicídio
Critérios de inclusão:
Paciente em condição de intenso sofrimento, que se manifesta por meio
de desejo, impulso, ideação ou planejamento de atos autolesivos
comumente direcionados ao objetivo de levar à morte;
Paciente que apresenta sinais de autonegligência grave;
Fonte: BRASIL, 2016
Autoagressão e risco de suicídio
Critérios de inclusão:
Presença de sentimento de desesperança e/ou culpa, conflitos
interétnicos ou familiares, rupturas ou alterações significativas no
contexto de vida do sujeito, como doença grave ou terminal, perda de
um ente querido, perda de poder econômico ou desemprego.
Cena que envolva uma pessoa em situação de sofrimento, com sinais de
desespero, angústia e/ou desesperança, em local de risco elevado que
possa levar a lesões graves ou à morte, como pontes altas e viadutos,
plataformas de trem/metrô, vias de tráfego intenso de veículos e mar.
Fonte: BRASIL, 2016
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Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
1. Ao se aproximar do local da ocorrência, desligar a sirene e manter
apenas os sinais luminosos, sem pisca ou estrobo;
2. Avaliar ambiente, sujeitos e segurança (método ACENA);
Fonte: BRASIL, 2016
Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
3. Em caso de presença de objetos ou condições que promovam risco de
heteroagressão ou autoagressão, informar o médico regulador para que
solicite apoio de equipes especializadas e/ou autoridades policiais.
Exemplos:
• Objetos: armas de fogo, armas brancas, vidros quebrados, etc.;
• Condições: altura (risco de queda), tráfego intenso (risco de
atropelamento), água (risco de afogamento), refém, etc.
Fonte: BRASIL, 2016
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Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
4. Afastar curiosos, imprensa ou qualquer estímulo que possa contribuir
para o aumento do estresse na cena;
5. Abordar o paciente conforme os princípios previstos no protocolo de
Manejo da Crise em Saúde Mental;
Fonte: BRASIL, 2016
Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
4. Afastar curiosos, imprensa ou qualquer estímulo que possa contribuir
para o aumento do estresse na cena;
5. Abordar o paciente conforme os princípios previstos no protocolo de
Manejo da Crise em Saúde Mental;
Fonte: BRASIL, 2016
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Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
6. Durante o manejo verbal e a negociação, são ações importantes que
podem ser realizadas pelo mediador ou por outros membros da equipe de
atendimento:
• Identificar um familiar, um amigo, uma referência comunitária ou um
profissional preferencialmente indicado pelo paciente que possa oferecer
suporte e negociar necessidades de apoio e formas de lidar com a situação,
bem como fornecer informações que possam ajudar na compreensão dos
acontecimentos;
• Comunicar em voz baixa e com discrição ou por meio de bilhetes entregues
ao mediador as informações obtidas junto à família e à comunidade.
Fonte: BRASIL, 2016
Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
7. Avaliar, a partir da mediação, a presença de fatores de risco e fatores de
proteção.
8. Diante do aceite de ajuda por parte do paciente, realizar, assim que
possível, a avaliação primária e a avaliação secundária, atentando a sinais de
intoxicação exógena e automutilação.
• A fim de preservar a confiança e manter o paciente colaborativo na
continuidade da abordagem pré-hospitalar, não utilizar a contenção física
antes de esgotar todos os recursos de manejo da crise ou na tentativa de
disciplinar, retaliar ou coagir o paciente;
Fonte: BRASIL, 2016
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Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
9. Monitore o tempo todo a segurança da cena e mantenha atenção
redobrada sobre mudanças de comportamento do paciente, mesmo que ele
aparente calma durante a abordagem. Uma comunicação clara sobre a
intenção, os objetivos, a ordem dos procedimentos, entre outros
esclarecimentos, pode reduzir riscos.
10. Cuidados durante o transporte do paciente na ambulância do Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
11. Caso o suicídio seja consumado, seguir protocolo específico de trauma;
Fonte: BRASIL, 2016
Autoagressão e risco de suicídio
Conduta:
12. Realizar contato com a Central de Regulação das Urgências (CRU) para
comunicar a situação a partir da avaliação realizada e para orientações e
definições quanto aos encaminhamentos;
13. Registrar ações e intercorrências na ficha de atendimento. Recomenda-se
o registro das orientações passadas à família, se houver.
Fonte: BRASIL, 2016
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Avaliação ACENA:
Fonte: BRASIL, 2016
Rumo à aprovação!
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Urgências e Emergências
Psiquiátricas/Suicídio
Questões
Professor Bruno Luna
1. (Prefeitura de Turmalina - MG/COTEC/2019) As emergências psiquiátricas
são transtornos que envolvem risco de morte ou risco social grave,
necessitando de intervenções imediatas. Assinale a alternativa CORRETA em
relação às emergências psiquiátricas.
a) A síndrome de abstinência de substâncias psicoativas pode ser considerada
uma emergência psiquiátrica.
b) Todo paciente psiquiátrico deve ser contido fisicamente a fim de não
colocar em risco a equipe de atendimento e dos demais pacientes.
c) Ao atender uma emergência psiquiátrica, não é recomendado separar o
paciente dos demais, a fim de não lhe causar constrangimento e sensação de
desamparo.
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1. (Prefeitura de Turmalina - MG/COTEC/2019)
d) Os pronto-socorros, como regra, não podem atender casos de emergência
psiquiátrica sem que esse atendimento seja feito por um médico psiquiatra.
2. (Prefeitura de Turmalina - MG/COTEC/2019) A maioria das pessoas que se
matam dão avisos sobre suas intenções. Se o paciente se torna quieto e
aparenta estar tranquilo, pode ser um sinal importante de que resolveu a
ambivalência e decidiu morrer. Como forma de auxiliar na avaliação, há uma
série de fatores predisponentes, precipitantes e protetores que devem ser
sondados a fim de ajudar na definição de presença ou ausência de risco de
suicídio. Analise as proposições seguintes, no que se refere à definição desses
fatores, e marque a opção correta.
I. Fatores predisponentes: sexo (masculino: tentativa, feminino: suicídio),
idade (mais jovens: suicídio, mais idosos: tentativa), história familiar de
comportamento suicida, alcoolismo ou outros transtornos mentais, tentativas
prévias, presença de doenças físicas, estado civil: divorciado, viúvo, solteiro e
casado, estar desempregado ou aposentado, entre outros.
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2. (Prefeitura de Turmalina - MG/COTEC/2019)
II. Fatores protetores: ausência de transtorno mental, gestação, senso de
responsabilidade para com a família, suporte social positivo, religiosidade,
estar empregado, satisfação elevada com a vida, presença de criança na
família, capacidade de resolução de problemas positiva, teste de realidade
intacto, relação terapêutica positiva.
III. Fatores precipitantes: separação conjugal, ruptura de relação amorosa,
rejeição afetiva e/ou social, alta recente de hospitalização psiquiátrica, graves
perturbações familiares, perda do emprego, modificação na situação
econômica ou financeira, gestação indesejada, vergonha, culpa, ansiedade
intensa, insônia global, intoxicação por substâncias psicoativas, temor de ser
descoberto (por algo socialmente indesejado).
2. (Prefeitura de Turmalina - MG/COTEC/2019)
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c) Somente a afirmativa III está correta.
d) Somente as afirmativas II e III estão incorretas
e) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
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3. (HCFMUSP/VUNESP/2015) A emergência psiquiátrica é conceituada pela
OMS (Organização Mundial de Saúde) como qualquer situação na qual a
pessoa fica exposta a risco iminente de morte ou de lesão grave, provocada
por sentimentos, pensamentos ou ações que colocam em risco a própria
pessoa ou a terceiros, o ambiente e a sociedade. Aproximadamente 20% da
população que procura o pronto-socorro com emergência psiquiátrica
apresenta risco de
a) agressividade.
b) intoxicação exógena.
c) dependência de substância psicoativa.
d) sintomas psicóticos.
e) suicídio.
4. (HUAP-UFF/EBSERH/2016) Caracterizam-se por humor triste, perda do
interesse e prazer nas atividades cotidianas, sendo comum uma sensação de
fadiga aumentada. O paciente pode se queixar de dificuldade de
concentração, pode apresentar baixa autoestima e autoconfiança,
desesperança, ideias de culpa e inutilidade; visões desoladas e pessimistas do
futuro, ideias ou atos suicidas. Assinale a alteração de saúde mental que
melhor corresponde à descrição acima
a) Transtorno da ansiedade
b) Síndrome de pânico
c) Disfunção cognitiva leve
d) Depressão
e) Demência
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5. (HUAP-UFF/EBSERH/2016) De acordo com as condições de saúde e o risco
para o suicídio de determinados grupos populacionais, considere:
5. (HUAP-UFF/EBSERH/2016)
A sequência correta, na ordem 1, 2 e 3, do nível de prevenção e o respectivo
grupo da população é:
a) III, I e II.
b) I, II e III.
c) II, I, III.
d) III, II e I.
e) I, III e II.
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6. (HU-UFJF/EBSERH/2015) Conforme Townsend (2002), existem mitos e fatos
sobre a prática de suicídio. É correto afirmar como fato que
a) as pessoas que falam em suicídio não o cometem.
b) as pessoas que querem se matar só apresentam tendências suicidas por um
período limitado. Caso se recuperem dos sentimentos de autodestruição, elas
passam a levar uma vida normal.
c) todos os indivíduos suicidas são doentes mentais, e o suicídio é o ato de
uma pessoa psicótica.
6. (HU-UFJF/EBSERH/2015)
d) não se pode impedir uma pessoa de cometer suicídio, pois sua mente está
voltada para morrer.
e) as pessoas geralmente cometem suicídio tomando uma dose excessiva de
drogas.
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7. (SEDS-TO/FUNCAB/2014) Em emergências psiquiátricas envolvendo
pacientes violentos, a meta imediata consiste em colocar a violência sob
controle. Sendo assim, na atenção ao paciente potencialmente violento,
recomenda-se:
a) as entrevistas com esses pacientes devem ser em ambiente fechado para
evitar a fuga.
b) oferecer privacidade ao paciente para que reflita sozinho sobre seu
comportamento.
c) contestar possíveis ilusões para evitar comportamentos agressivos.
d) as contenções devem ser utilizadas como último recurso.
GABARITO
01 - A
02 - B
03 - E
04 - D
05 - D
06 - A
07 - D
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