OSÀNYIN
Para entendermos a amplidão desta energia, começamos falando da
casa de Osànyin, toda a mata, que apesar de também ser a morada de
Ogun e Osòssí, apenas ele detém o poder do conhecimento e o poder
das folhas.
Itan: Como Osànyin aprendeu sobre as folhas
Osànyin foi o primeiro filho de Nanã e Osàalá, que assim como os
seguintes, não era o filho que a mãe sonhava. O menino vivia isolado,
sentindo-se uma aberração; entretanto, era muito curioso e ansiava por
ser amado. Cansado de viver no esquecimento, resolveu que não
viveria mais entre os homens e partiu floresta adentro, buscando um
lugar onde ninguém jamais o alcançasse.
Depois de dias e noites, de fome e cansaço, muito longe de Iraó, na
Nigéria, onde nasceu, Osànyin chegou a floresta de Daomé, onde
desmaiou sem forças. O frágil menino parecia estar fadado ao encontro
com Ikú, mas não era esse seu destino, pois foi aos pés de Iroko que
havia desfalecido. Imediatamente Iroko se compadeceu e invocou a
presença de Iyàmy Ósòrongá, para prestar socorro àquela criança caída
ao chão.
Passaram-se outros tantos dias, até que o menino conseguisse reagir a
tantas dificuldades que enfrentara, mas assim o Sagrado havia
determinado, e o menino acordou. A partir de então, Osànyin sentia que
havia encontrado sua família, um pai e uma mãe que cuidavam e o
amavam. Iyamy Òsòrongá, deu à Osányin um pássaro encantado, para
que o protegesse e a avisasse de qualquer perigo que o menino
corresse, era Eleyê.
Era o reino de Aguè, o vodum responsável por todas as ervas do Aiye e,
consequentemente, senhor dos elementais que as encantam. Foi assim
que Osànyin conheceu Aroni, um ser pequenino, que fumava cachimbo,
elemental mais do que sábio, que o ensinou a encantar as folhas.
Osànyin aproveitou cada aprendizado, cada informação que seu grande
amigo Aroni lhe ensinou, e foi assim que conquistou a sabedoria e o
poder das folhas sagradas.
Itan: Porque Osànyin às vezes dança ou é representado com uma
perna só
Apesar de já ter aprendido todos os encantamentos e poções mágicas,
Osányin sempre se alegrava quando o amigo Aroni aparecia contando
sobre suas peripécias, apesar de não compactuar com certos feitos,
apenas advertia-o para que tomasse cuidado, mas o outro ria muita e
dizia: Quem pode comigo?
Aroni tinha o hábito de cegar os olhos das pessoas a quem ele atacava,
isso o divertia muito. O tempo foi passando e quase todo povoado de
uma cidade próxima já estava cego devido aos ataques. Sem muita
esperança, o chefe do povoado decidiu procurar um Babalaô, para que
consultasse Orunmilá e cessasse os tais ataques. Foi pedido que se
fizesse um ebó, assim os habitantes fizeram e dizia assim:
- Faça Ebó, pois Aroni é um ser mau, e com o ebó ele irá encontrar
alguém pior do que ele.
Então, num belo dia, Aroni passeava esperando que alguém passasse
por ali para que pudesse cegá-lo, quando escutou um barulho no meio
do mato, e pensou, irei me esconder para atacar de surpresa, foi
quando uma pessoa se aproximou, e Aroni pulou de trás da árvore, mas
para sua surpresa ele era um homem muito alto e muito negro,
carregando uma espada que brilhava como se tivesse luz própria, era
Ogun. Tentou atacá-lo, mas Ogun era mais ágil e com um golpe só,
cortou-lhe uma mão, uma das pernas e metade do saco escrotal. Aroni
fugiu, escapando por um triz de perder a vida.
Osànyin cuidou e curou o amigo Aroni, mas jamais se esqueceu da
lição: Não importa o quão poderoso e mau seja uma pessoa, sempre
haverá outro pior.
Itan: Como Osànyin se transformou em Orisà
Certo dia, quando passava por Àgbàsaláààrin ayá lòrun (rocha entre o
céu e a Terra), Osànyin encontrou Orunmilá, orisà responsável pelos
mistérios e interpretações de Ifá, que estava vindo do Orun com
diversas folhas para plantar e nomeá-las. Imediatamente Osányin se
ofereceu para ajudá-lo, pedido o qual o Orisá não se fez de rogado em
aceitar.
Enquanto trabalhavam, contou-lhe sua história e a vivência junto a
Aroni, o que fez Orunmilá se interessar cada vez mais, pois enquanto
limpavam o terreno, Osànyin advertia sobre uma ou outra planta que
não deveria ser arrancada do terreno, e explicava a magia que continha
e o poder de cura.
Quando por fim o trabalho ficou pronto, Orunmilà resolveu intervir junto
ao Sagrado, reconhecendo a dedicação e o conhecimento que Osànyin
possuía, transformou-o no Orisà responsável por todas as ervas do
Aiye.
Itan: Comos os Orisás se apropriaram das folhas de Osànyin
Desde garoto, Osànyin gostava mais de ficar sozinho do que na
companhia de outras pessoas. Depois de ter se mudado para a floresta
e adquirido toda a sabedoria e poderes mágicos através de muito
estudo e dedicação, passou a ajudar quem o procurava precisando de
remédio ou feitiço, entretanto, guardava muito bem, cada folha
encantada, dentro de uma cabaça e não mostrava para ninguém.
Os outros orixás dependiam dele para toda magia que envolvesse
ervas, o que por muitas vezes causava aborrecimento entre eles.
Sangó, cansado dessa dependência, e sabendo que Osànyin era muito
solitário, chamou sua esposa Oya e lhe pediu que o encantasse com
sua beleza e persuasão, e então roubasse seus segredos. Oya, que não
sabia dizer não ao marido, partiu floresta adentro. Enquanto isso, Sangò
fez uma reunião com todos os outros Orixás, revelando seu plano e
marcando o local que deveriam se reunir para divisão das folhas.
Oya encontrou Osànyin e o convenceu de acompanhá-la a um passeio,
mal sabia ele que partia para uma emboscada. Ao chegarem num
determinado ponto da floresta, onde todos estavam escondidos, ela fez
soprar uma grande ventania, derrubando a cabaça de Osànyin e
espalhando as folhas ao vento. No mesmo instante, cada Orisà que
estava escondido, correu para pegar quantas folhas conseguisse, e
assim foi.
Desesperado, Osànyin gritou: Ewe Ewe Assà (oh, as folhas, as folhas),
mas, muitas já haviam sido pegas pelos outros, sobrando umas poucas
na cabaça.
Entretanto, o que os outros todos não sabiam, era que sem o ofó de
Osànyin, elas não passavam de folhas.
Assistindo a tudo do Orun, Oludumaré interviu:
- A partir de hoje, cada folha capturada terá a energia do seu
detentor, mas para que possam ser ativadas, somente o ofó de
Osanyin terá esse poder. Quanto às folhas que permaneceram
dentro da cabaça, essas serão sagradas e só pertencem a você
Osanyin, usadas para os fundamentos imprescindíveis. Assim
está determinado!
EWÊ Ó! KÓ SI EWÊ, KÓ SÍ ÒRISÀ!
Essa frase não deve apenas ser traduzida como “Sem folhas, sem
Orisà” ou algo próximo; contém uma afirmação de que sem o
conhecimento do mistério não existe a energia, assim sendo, é
inútil para o Sagrado
Por isso existem as rezas (ofós), que na verdade são o ingrediente
principal para se ativar uma magia. De nada adianta um banho de folhas
se não souber prepará-lo; um ebó só é recebido se rezado; e,
completando com uma frase que considero perfeita: Só se levanta para
ensinar, o que teve disciplina em permanecer sentado para aprender.
INTERPRETAÇÃO DA ENERGIA DE OSANYIN
DISCRIÇÃO, Osànyin leva toda uma vida na floresta sem afetar ou ser
afetado por qualquer criatura do ambiente
INTELIGÊNCIA, essa é uma energia que utiliza a perspicácia para
atingir seus propósitos.
DEDICAÇÃO, essa energia se dedica tanto aos seus interesses de
aprendizado, quanto aos que o auxiliam na empreitada, demonstrando
gratidão
INDEPENDÊNCIA, Osànyin pode ser tomada como a energia da
individualidade, mostrando-nos que existem à nossa disposição
diversos mistérios a serem compreendidos, mas por mais ajuda que
tenhamos, o caminho deve ser percorrido através apenas de nosso
esforço
PARA OSANYIN SE PEDE FORÇA DE VONTADE E DETERMINAÇÃO
PARA CUMPRIR TAREFAS
SE PEDE CONCENTRAÇÃO PARA ESTUDOS E PROVAS
DISCERNIMENTO PARA ENTENDER O TIPO DE ENERGIA A QUAL
ESTÁ SE CONVIVENDO, SE É OU NÃO CONFIÁVEL
E PRINCIPALMENTE, ANTES DE MACERAR QUALQUER BANHO,
SEJA PARA QUAL FOR O ORISÀ, MAGNETIZAÇÃO DAS FOLHAS,
PARA QUE RECEBAM A MAGIA
COMIDA
Amasse abacate e cubra com amendoin torrado e caramelizado.
Coloque um punhado de fumo ao lado, para Aroni, e do outro 3 folhas
de louro para Orunmilà
Sirva sobre folha de mamona ou prato, de preferência barro. Entregue
em uma mata
ADÚRA
Meré-meré Osànyon ewè o e jìn
Meré-meré Osànyon ewè o e jin
Mermeré ewè o e jin ngbe non
E ji meré-meré Osànyin wa le
tradução:
Habilmente Osànyin as folhas vós destes
Habilbente Osànyoin as folhas vòs destes
Habilmente as folhas vós destes secas no caminho
Vós destes habilmente Osànyin a nós a magia