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Integração Europeia: Portugal nos Anos 60

1. O documento apresenta o plano de aulas para o módulo 4 do curso "Economia Portuguesa e Europeia" sobre a integração europeia nos anos 1960. 2. O módulo aborda a integração europeia nos anos 1960, a industrialização extrovertida de Portugal neste período e a evolução das estruturas produtivas internas. 3. As aulas ocorrerão nas semanas de 21 de setembro a 15 de dezembro e abordarão temas como o crescimento econômico comparado, a adesão

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Integração Europeia: Portugal nos Anos 60

1. O documento apresenta o plano de aulas para o módulo 4 do curso "Economia Portuguesa e Europeia" sobre a integração europeia nos anos 1960. 2. O módulo aborda a integração europeia nos anos 1960, a industrialização extrovertida de Portugal neste período e a evolução das estruturas produtivas internas. 3. As aulas ocorrerão nas semanas de 21 de setembro a 15 de dezembro e abordarão temas como o crescimento econômico comparado, a adesão

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1GE301: Economia Portuguesa e Europeia

Módulo 4. Módulo IV. A integração europeia nos


anos 60 (1960-1973)
Aurora A.C. Teixeira
Aula das Hora de início Hora do Fim Programa e Plano de aulas
11:30
11:35 12:50
(T04; 218)

14:00 14:10 15:25


(T02; 141)

15:30
V. O período das VI. A consolidação da
15:35 16:50 rupturas e dos
(T02; 135) IV. A integração integração europeia
17:00 europeia nos anos choques petrolíferos (da adesão à CEE aos
17:00 18:15
(T04; 156)
60 (1960-1973) (1973-1985) nossos dias)

Semanas/
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
dias
21 28 05 12 19 26 02 09 16 23 30 08 14
4ª set set out out out out nov nov nov nov nov dec dec
22 29 06 13 20 27 03 10 17 24 01 08 15
5ª set set out out out out nov nov nov nov dec dec dec

Revisões
para o 1º
III. A teste
II. O período das
I. A industrialização europeia guerras mundiais industrialização 24/11/2022, 9h: 1º teste (40%) [Módulos 1 a 4]
e o atraso económico e da crise de introvertida dos
português (1830-1913) anos 50 (1950- 02/01/2023, 14h30: 2º teste (60%) [Módulos 5 e 6] /
1929 (1913- Exame Época Normal
1950) 1960)
23/01/2023, 14h30: Exame da Época de Recurso
Síntese Módulos 1-4

Módulo 1 Módulo 2 Módulo 3 Módulo 4


(1820-1913) (1913-1950) (1950-1960) (1960-1973)
A industrialização O período das A industrialização A integração
europeia e o atraso guerras mundiais e introvertida dos europeia nos anos
económico português da crise de 1929 anos 50 60

t.v.m.a: 1,4% t.v.m.a: 1,2% t.v.m.a: 3,8% t.v.m.a.: 3,8%

Convergência real Ligeira convergência Forte convergência


Divergência real
nula real real

Estagnação
PT não entra no processo Inicio do processo de Industrialização
de crescimento moderno
programada e
industrialização. extrovertida
Ruralismo
Economia rural, Paradigma rural, Peso setor primário
Peso setor primário
baixas baixas desce
ainda muito elevado.
produtividades produtividades significativamente
1. O crescimento económico

In [Link]
comparado no período

[Link]
2. A adesão à EFTA e o acordo de

cao-europeia-de-livre-comercio-efta/
comércio livre com as
Comunidades Europeias

3. A industrialização extrovertida e a evolução


das estruturas produtivas internas
[Link]

[Link]

[Link] 4. A evolução do comércio externo e do


investimento direto estrangeiro
5. Os grupos
económicos
[Link]

6. O andamento dos grandes


agregados macroeconómicos

4
[Link]
In [Link]

15:33-18:43
Anos Eventos/ Transformações políticas-sociais Eventos/ Transformações económicas

1959 Portugal é membro fundador da EFTA Criação da EFTA


1960
II Plano de
1961 Início da Guerra Colonial Portugal adere ao FMI
fomento
Crise Académica de 1962 (revolta estudantil (1959-
1962 contra o Estado Novo) Portugal adere ao GATT
1964)
1963
1964
Humberto Delgado (“General sem medo”) Fim da Lei da Nacionalização dos Plano
1965 assassinado em Espanha por agentes da PIDE Capitais
(Polícia Internacional e de Defesa do Estado, 1945-1969)
Intercalar
Inauguração da ponte sobre o Tejo (Ponte 25 de
1966 de Abril), com o nome de Ponte Salazar. Fomento
Grandes cheias da região de Lisboa (500 (1965-
1967 mortos) 1967)
Marcello Caetano torna-se primeiro-ministro
1968 de Portugal (A.O. Salazar tem um acidente)
1969 III Plano de
1970 António Oliveira Salazar morre Fomento
Fim do Sistema de Pagamentos (1968-
1971 Internacionais de Bretton-Woods 1973)
1972 Acordo Comercial Livre (Portugal – CEE)
1973 1º choque do petróleo
83 anos

Crise 1929

1ª GM 2ª GM

Fontes: 1830-1938: Bairoch (1976), %, dólares e preços dos EUA de 1960; 1950-1965: OECD,
National Accounts (%, dólares e PPC 2000); 1970-2016: OECD (%, dólares e PPC 2010).

7
1. O crescimento económico comparado no período

▪ 1960-1973: um período de forte recuperação, caracterizado por


uma mais rápida e estável.

▪ O ritmo de convergência foi de cerca de 1.4 pontos percentuais


por ano (18.7/13 anos).

▪ Em 1973, o nível do produto per capita português tinha


alcançado os cerca de 57% da média dos 10.

8
PIBpc português relativamente ao de 10 países do norte e centro da Europa
(%, dólares e PPC 2000 da OCDE)

70

60 57

50

40 39

30

20
1960-1973: convergência
de 18,7 pontos
10
percentuais (i.e., 1.4
pontos percentuais ao ano)
0
1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973

Fonte: Gráfico construído a partir dos dados da OCDE constantes em Figueiredo, O., Guião de Economia Portuguesa e Europeia.

9
Taxa de crescimento média anual do PNB pc, 1960-1973
(%, em dólares dos EUA, a preços de 1960)
8,0%

7,1%
7,0%

6,0%

5,0% 4,7% 4,6%


4,4% 4,3%
4,1%
3,9%
4,0% 3,7%
3,2%
2,9%
3,0%
2,4%

2,0%

1,0%

0,0%
França

Noruega

Suécia
Alemanha

Reino-Unido

Bélgica

Suíça
Itália

Dinamarca

Portugal
Áustria(-Hungria)

Média 5 'grandes' (3.9%) Média 5 'pequenos' (3.7%) .

Fonte: Bairoch (1976), Europe's Gross National Product: 1800-1975, The Journal of European Economic History , volume 5, nº 2, 273-340

10
1. O crescimento económico comparado no período EFTA Acordo
BM GATT Comércio livre
FMI com CEE
Abertura ao
exterior
OCDE

Desenvolvimento Crescente
de setores abertura aos
industriais virados capitais
para a exportação estrangeiros

Emergência das Aceleração da Industrialização


atividades convergência, extrovertida
turísticas
1960-1973
Grandes
grupos
económicos
Alteração no
perfil de
especialização da
Crescimento
das remessas
economia
de emigrantes portuguesa
na Europa

11
Salazar e a Europa...
Desconfiado, relutante, hesitante, resignado, céptico,
a contragosto, desconfiado, conformado, pragmático
(Lurdes Ferreira e Luís Villalobos, 25 de Março de 2007, Público).

1953 "Da Europa [à excepção do Pacto


do Atlântico], nada mais nos
interessa substancialmente no
terreno político: interessam-nos
mais Angola e Moçambique e até
o Brasil (...), a nossa feição
atlântica impõe-nos, pois, limites
à colaboração europeia".
1946 (Circular enviada por Salazar a todas as missões
“Portugal, na semana passada não teve
notícias de relevo, aliás, semelhança dos
últimos 20 anos. (…) Passados que têm 20
1959 diplomáticas em 6 de Março de 1953)

anos de ditadura de Salazar, ou decano dos


ditadores na Europa, Portugal é uma terra
A opção pela EFTA representava "o menor dos males" ,
melancólica, de pessoas porque não questionava o que Salazar considerava intocável,
empobrecidas, confusas e o sistema político e as colónias ultramarinas. A solução para
amedrontadas. ” o país "não ficar de fora" da Europa.
Ao risco de isolamento da segunda economia mais atrasada
da Europa, depois da Grécia - tal como hoje -, Salazar cedeu
ao "pragmatismo“. (Lurdes Ferreira e Luís Villalobos, 25 de Março de 2007,12Público).
2. A adesão à EFTA e o acordo de
Abertura ao
comércio livre com as Comunidades exterior

Europeias

Organização Europeia para a Cooperação Económica (OECE)

- Criada em 1948, em Paris.


Comunidade Económica Europeia (CEE)
- Destinada a assegurar a aplicação - Criada em 1957 pelo Tratado Associação Europeia de
do Plano Marshall à Europa. de Roma Comércio Livre (EFTA)
- Portugal foi um dos 16 países - Constituída pela: - Criada em 1959 pela pela
subscritores da Convenção que cria Convenção de Estocolmo
a OECE. * Alemanha
- Constituída pela
- Em 1960 Portugal e restantes * França
membros, a que se associaram os * Grã-Bretanha,
* Itália
EUA e o Canadá, assinaram a nova * Áustria Marca o fim do
Convenção pela qual a OECE foi * Bélgica isolacionismo do
substituída pela Organização para * Suíça,
* Luxemburgo Estado Novo
a Cooperação e o * Portugal
Desenvolvimento Económico * Holanda
(OCDE). * países escandinavos

A a participação de Portugal na EFTA decorreu da orientação


da Grã-Bretanha para este espaço de integração económica. 13
Abertura ao
exterior

In [Link]
efta-countries-show-how-hard-brexit-will-be-for-britain

European Court of Justice

14
In [Link]
José Gonçalo Corrêa d’Oliveira
(1921-1976)
Subsecretário de Estado do
Orçamento (1955-1958),
posteriormente promovido a
Secretário de Estado do Comércio
(1958-1969, ficando responsável
pela política comercial europeia.

15
CEE EFTA

Abertura ao
exterior

2. A adesão à EFTA e o acordo de comércio livre


com as Comunidades Europeias 16
concentrado de
tomate;
conservas de
peixe; vinhos
(para os países
escandinavos)

▪ Mais rápida do lado dos parceiros


pasta para
comerciais de Portugal. papel;
construção e
reparação

Queda pogressiva dos ▪ Exportações portuguesas de produtos naval

industriais (e alguns produtos agrícolas e têxtil, do


direitos aduaneiros vestuário e do
alimentares) beneficiaram da redução calçado
progressiva dos direitos aduaneiros.

▪ período de 20 anos para a supressão total dos


direitos alfandegários.
Regime especial para Portugal ▪ possibilidade de prorrogar este período no caso
[Convenção de Estocolmo]:
de surgirem dificuldades de pagamentos
“Economia atrasada” externos.
▪ possibilidade de introduzir novas tarifas para as
chamadas “indústrias nascentes”.

Abertura ao
exterior

2. A adesão à EFTA e o acordo de comércio livre


com as Comunidades Europeias 17
2. A adesão à EFTA e o
acordo de comércio Abertura ao
exterior
livre com as
1960: membro
Comunidades BM e FMI
Europeias

1962: membro
* General Agreement on Tariffs and do GATT*
Trade - Acordo Geral sobre Tarifas e
Comércio: um acordo internacional
estabelecido em 1947, visando
promover o comércio internacional
e remover ou reduzir barreiras Grã-Bretanha e a
comerciais, tais como tarifas ou
1972: Acordo Dinamarca deixam
quotas de importação, e a de Comércio a EFTA para
eliminação de preferências entre os Livre com CEE aderirem à CEE.
signatários, visando obter vantagens
mútuas.
Antecessor da Organização Mundial
de Comércio (OMC) (1995).

18
(Taxa de proteção aduaneira)

Assinatura Assinatura
acordos do do Acordo
GATT de Comércio
Livre com a
CEE

Fonte: Cálculos próprios com base nas estatísticas de Valério, N. (200), Estatísticas Históricas Portuguesas, Vol. I, INE.

2. A adesão à EFTA e o acordo de comércio livre com as


Comunidades Europeias 19
3. A industrialização
Estado Novo extrovertida e a
(1933-1974)
evolução das estruturas
[1926-1933: ditadura nacional] produtivas internas

Ysy_pU9_vB4/ToA1tEpg3oI/AAAAAAAALfQ/oep4aLy6s
[Link]

mo/s1600-h/[Link]
Fase ruralista ou de Fase industrialista ou
estagnação programada desenvolvimentista

In [Link]
(1926-1945) (1945-1974)
5429196077/
In

[Link]

Industrialização Industrialização
introvertida ou por extrovertida ou por
substituição de promoção das
[Link]

importações exportações
(1945-1960) (1960-1974)
Frábrica Robinson de cortiça (Portalegre)

Indústria automóvel,
Portugal, 1960
Fonte: Biblioteca de Arte / Art Library
Fundação Calouste Gulbenkian 20
In [Link]

15:30-17:20
21
Da Ditadura à União Europeia: Intervencionismo, Liberalização, Competitividade

Fonte: [Link]

01:37-17:20
3. A industrialização extrovertida e a evolução das
estruturas produtivas internas
Em termos de estruturas produtivas internas, no início dos anos 60 Portugal era

Essencialmente agrícola

c. 50% população ativa

In [Link]
Estagnação da produtividade
da agricultura
1953: 100.0 1960: 100.2
Portugal. Minho, lavoura. Décadas de 50/60 [Fonte: Rosas (1994)]

23
3. A industrialização extrovertida e a evolução das
estruturas produtivas internas
Não se verificaram as ‘externalidades positivas’ da industrialização
sobre o setor agrícola (como esperavam os ‘industrialistas)

Industrialização por substituição das importações →


desenvolvimento das indústria dos adubos químicos e
da metalomecânica → desenvolvimento agricultura

Modernização agricultura → libertação de mão-de-obra


→ mais mão-de-obra para indústria
[Fonte: Rosas (1994)]

24
3. A industrialização extrovertida e a evolução das estruturas
produtivas internas

“Poeira industrial” de Novas indústrias,


pequenas empresas mal desenvolvidas principalmente
equipadas e trabalhando no âmbito da estratégia de
maioritariamente para o industrialização por
mercado interno. substituição de importações

(sectores de produção de bens (produção dos grandes bens


de consumo final: têxteis, as intermediários e de equipamento:
agro-alimentares e as indústrias refinaria do petróleo, petroquímica,
da madeira e cortiça). adubos e outros produtos
intermediários químicos, cimentos,
pasta para papel e indústrias
metalomecânicas).
50% VAB indústria transformadora; elevado pendor exportador. Setor muito concentrado; protegido;
produção orientada para mercado
interno.
25
3. A industrialização extrovertida e a evolução das estruturas
produtivas internas

II Plano de Plano Intercalar de III Plano de


Desenvolvimento Desenvolvimento Desenvolvimento
(1959-1964) (1965-1967) (1968-1973)
• Continuação da estratégia • Liberalização progressiva do • Abandono da estratégia de
de industrialização por comércio externo. industrialização por
substituição de • Preocupação quanto à substituição de
importações. competitividade importações.
internacional da indústria • Promoção das exportações:
Indústria transformadora portuguesa - necessidade • Incentivos públicos aos setores
de expor um pouco mais as industriais voltados para os
de base como setor a empresas à concorrência
mercados externos.
• Concentração dos esforços nos
privilegiar, não obstante internacional. setores em que Portugal possuía
ainda explicitar a autarcia. vantagens comparativas.

Vantagens comparativas
Baixo custo da Têxtil,
vestuário e
mão-de-obra
1960-1973, a política estrutural do Estado Novo continuará calçado

a ter como prioridade a industrialização do país. Abundância de Pasta papel;


recursos florestais cortiça

Situação Construção
Nota: e reparação
greográfica naval
I Plano (1953-1958).
Modelo de autarcia.
I Plano II Plano Plano Intercalar III Plano
1953-1958 1959-1964 1965-1967 1968-1973

Investimento total 7.6 21.0 35.5 122.2


(em millhões escudos)

Distribuição por
sector (em %)

Agricultura, Pescas 17.0 17.3 8.0 15.1

Indústria 11.6 27.4 43.0 25.2


Energia 34.6 21.4 16.0 14.7

Transportes e
comunicações
32.1 30.8 18.0 22.2
Ensino e
2.1 3.0 2.5 4.6
Investigação

Turismo 2.8 9.7

Saúde 1.0 1.9

Habitação 5.4 6.6


Fonte: Neves, J.C. (1994) The Portuguese Economy A Picture in Figures, XIX and XX centuries, Universidade Católica Editora, Lisboa

27
3. A industrialização extrovertida e a evolução das estruturas
produtivas internas
População ativa (%) PIB (%)
1960 1970 1960 1970

60 50 46,9
49,1 45 41,2 41,3
50 40 36,3
35
40 33,4 33,9
32,8 30
30 26,4 25 22,4
24,5
20
20 15 12
10
10
5
0 0
Primário Secundário Terciário Primário Secundário Terciário
Fonte: Figuras construídas a partir dos dados disponibilizados em Figueiredo, O., Guião de EPE, pág. 84.

Atitude mais liberal face a


investidores estrangeiros Estruturas
produtivas cada vez
Forte mais dualistas
Entrada na EFTA
Entrada de crescimento
investimento do produto
estrangeiro industrial
Adesão ao Banco
Mundial (BM)

Apesar da produtividade na agricultura ter crescido para um valor de 183 em 1973


(face ao ano de base, 100, em 1960), em 1973 o nível médio de produtividade
neste setor , comparativamente ao do resto da economia, caiu para 40% (em 1960
era de 55%).
Taxa de crescimento média anual (em %) do VAB na indústria transformadora, 1960-1973

*Preços constantes de 1963.


Fonte: Figura construída a partir dos dados
disponibilizados em Figueiredo, O., Guião de EPE, pág. 84.

3. A industrialização extrovertida e a
evolução das estruturas produtivas internas 29
Investimentos
4. A evolução do comércio estrangeiros orientados
externo e do investimento para a exportação
(máquinas e material eléctrico;
directo estrangeiro Investimentos no
concentrado de tomate).

comércio por grosso;


química, refinação de
petróleo.
Extração mineira 1960-1973: nova
Infraestruturas legislação sobre a
(especialmente transportes 2ª metade de 40 e entrada de capitais
e comunicações)
década de 50: estrangeiros
"Condicionamento (Decreto-Lei
Industrial" e Lei de n°463/2 de 28 de
Último quartel do Nacionalização dos Abril de 1965).
Comércio de
séc. XIX até até à Capitais" (Lei n°1994),
vinho do Porto criação do "Estado publicada em 1943.
Novo" Só empresas nacionais – isto é,
CUF+ Suecos+Holandeses

empresas em que pelo menos 60%


Tratado de do capital fosse português –
Methuen (Tratado poderiam dedicar-se à exploração
dos Panos e de serviços públicos e a atividades
Vinhos): Grã- em regime de exclusivo, bem como
Bretanha e àquelas que fossem "consideradas
Portugal, 1703. de interesse fundamental para a
defesa do Estado ou para a
economia da Nação".
Para mais detalhes, ver:
Teresa Silva Lopes & Vítor Corado Simões (2021), Foreign investment in Portugal and knowledge spillovers: From
the Methuen Treaty to the 21st century, Business History, DOI: 10.1080/00076791.2017.1386177
4. A evolução do comércio externo e do investimento
directo estrangeiro

Lei da Nacionalização dos Capitais (1943) Novo Decreto-Lei n.º 46.312 (1965)

▪ Proibia o investimento direto ▪ Aumentava o número de sectores em


estrangeiro em todo um conjunto de que os investidores estrangeiros
sectores de actividade económica. podiam aplicar os seus capitais.

▪ Impunha limites restritos à composição ▪ As restrições à composição do capital


do capital social das empresas das empresas com participação
participadas por este tipo de capital estrangeira também foram muito
(pelo menos 60% teria que ser detido flexibilizadas e, na maioria dos casos,
por portugueses). chegaram mesmo a desaparecer.

▪ Incentivos fiscais, assim como


condições favoráveis de repatriamento
das mais-valias e dos capitais, foram
igualmente criados no âmbito da nova
legislação.
Fonte: Cálculos próprios baseados nas Séries Longas do Banco de Portugal.

32
4. A evolução do comércio externo e do investimento
directo estrangeiro

▪ Aparecimento de novas
indústrias centradas na
Atitude mais liberal face a investidores exportação.
estrangeiros ▪ Emergência de novos
segmentos
exportadores dentro da
Integração de Portugal na indústria
EFTA Entrada de transformadora
investimento portuguesa (máquinas e
estrangeiro material eléctrico, construção e
reparação naval, pasta para
papel, algumas indústrias
Adesão ao Banco Mundial (BM) químicas, concentrado de
tomate).
▪ Desenvolvimento de
algumas indústrias já
anteriormente
vocacionadas para os
mercados externos (e.g.,
indústria do vestuário).

33
1960: De exportadora
de produtos primários
(produtos com um grau
de transformação muito
reduzido, como os
agrícolas)

Importantes alterações
Crescimento das
no perfil de
exportações de
IDE especialização
produtos
internacional da
manufacturados
economia portuguesa

1973: A parte dos


produtos
manufacturados é
maioritária.

34
Composição das exportações totais portuguesas em 1960 e em 1973 (%) Portugal apresentava, em
Produtos 1960 1973 1973 e relativamente a
Alimentares e Bebidas 25.3 17.8 1960, uma especialização
internacional mais
Matérias-Primas e
Combustíveis
24.9 14.9 diversificada e também
mais centrada em
Produtos Manufacturados 49.8 67.3 sectores com maior valor
Fonte: Lopes (1996).
acrescentado.

Composição das exportações de produtos manufacturados portuguesas em 1960 e em 1973 (%)


Produtos 1960 1973
Obras em Cortiça e Madeira 24.9 7.1
Pasta de papel 4.9 7.3
Fios e tecidos 36.2 24.7
Minerais não metálicos 3.9 3.5
Máquinas e Material de
Transporte
8.6 21.6
Vestuário, Malhas e Têxtil-Lar 2.9 14.8
Calçado 17.9 19.4
35
Outros 17.9 19.4
5. Os grupos económicos

aceleração do
processo de
industrialização CUF
concentração
extrovertida
do capital
industrial
Champallima
BNU +Burnay
ud

7 Magníficos
▪ Os grandes grupos industriais (CUF
e Champallimaud) reforçam a sua
posição - alianças com as empresas Borges Espírito Santo
do sector financeiro.
▪ Os grupos financeiros apostam em BPA
determinados projectos industriais
de grande envergadura.
▪ 75% (55%) da carteira comercial do sector bancário (seguros).
▪ posição muito importante nos “sectores de base” da indústria (siderurgia, cimentos,
indústria química) e nas actividades ligadas ao comércio e à exploração de produtos
coloniais (açúcar, café, tabaco, algodão, petróleo).
In [Link]

3:30-6:38
37
Influenciaram a
mudança de política
económica externa
e a alteração na
estratégia de
industrialização
Contribuíram para a
Fortes relações a
captação de
nível do aparelho de
investimento
Estado
estrangeiro

1960-1973:
Viragem para uma
maior abertura ao
exterior da
economia
portuguesa

5. Os grupos económicos
Pirites cimentos, cimentos,
siderurgia
Transportes
petróleos,
marítimos, metalomec petróleos,
metalomecâ cervejas
supermerca Máquinas ânica máquinas
nica pesada
dos pesada

CUF Champalli Espírito


maud Santo
maquinaria, química,
construção, celulose, minérios de celulose, artigos de
reparação óleos celulose,
ferro papel borracha
naval alimentares

tabacos, tabaco,
construção construção construção

Artigos de cimentos,
cimentos, borracha celulose

Vinho do têxtil, Auto-


petróleos cervejas Porto trefilaria turismo
estradas

Borges BNU/
BPA
Burnay

imprensa pesca transportes faianças,


publicidade vidro
marítimos porcelanas

matérias celulose,
imobiliário plásticas material
elétrico

5. Os grupos económicos
Situação macroeconómica 1950-1960

Contas Contas Mercado de


Inflação
públicas externas trabalho

Situação Taxa de
Virtualmente
relativamente desemprego baixa
equilibradas
favorável (2,4% em 1960;
entre 1953 e 1960,
2,7%).
Défice público, Saldos positivos das
transferências privadas (com as
Aumento anual dos desde o final dos remessas dos emigrantes) e dos
preços moderado anos 40, inferior a serviços (com o turismo) quase
permitem contrabalançar o
1,8% do PIBpm défice comercial persistente.
A evolução dos salários
reais não foi muito
significativa (entre
O valor da moeda 1945 e 1960 foi muito
Dívida pública de portuguesa conhecia uma inferior ao da
21,6% do PIBpm em grande estabilidade
produtividade do
1960 desde os finais dos anos
quarenta. trabalho).

6. Evolução dos grandes agregados


macroeconómicos
Situação macroeconómica no período da abertura (1960-1973)

Contas Contas Mercado de


Inflação
públicas externas trabalho

Situação favorável A taxa de


desemprego
Evolução menos
manteve-se, no
favorável A BTC apresentou, entre 1964- geral, baixa (abaixo
73, quase sempre saldos
positivos, o que permitiu uma dos 2%)
forte acumulação de reservas
Crescimento anual em ouro e divisas,
dos preços elevado
a partir de 1963 Crescimento das remessas dos
emigrantes (principal meio de O forte fluxo
O défice público acumulação de reservas) e emigratório e o
começou a desenvolvimento das atividades
turísticas. aumento da procura de
acentuar-se a partir trabalho, associado à
do início dos anos expansão da atividade
sessenta, mas foi Grande estabilidade da económica, exerceram
pressão ascendente
controlado moeda portuguesa
sobre os salários.

6. Evolução dos grandes agregados


macroeconómicos
Fonte: Pordata e Valério (2006)
Taxa de inflação (%)
(com base no deflator do PIB)
14,0%
12,7%
12,0%
10,0%
8,0% 7,6%
6,9%
6,0% 6,3%
4,7% 4,7%
4,0% 4,0%
3,1% 2,9%
2,0% 2,0% 2,4% 2,1%
1,4% 1,5% 1,5% 1,1% 1,6%
0,9% 0,8% 0,5% 0,5%
0,0% 0,2%
-0,5%
1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973
-2,0%
-2,6%
-4,0%

Causas do processo inflacionário


▪ saldos positivos e excepcionalmente elevados da balança corrente.
▪ a subida dos preços internacionais de algumas matérias-primas chave.
▪ um crescimento muito acentuado da economia portuguesa, conjugado com
uma forte valorização dos títulos em bolsa.

Procura excede oferta no mercado dos bens e serviços.


Subida dos custos unitários da mão-de-obra.
Contas Públicas
Fonte: Banco de Portuga, Séries Longas para a Economia Portuguesa.

Capacidade (+)/Necessidade (-) de financiamento do Estado e Administrações Públicas

1,5%
0,8%
0,6% 0,7%
0,4% 0,5% 0,5%
0,1% 0,0% 0,2%
0,0%
-0,3%
1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 -0,4% 1967 -0,4%
1966 -0,5% 1968 1969 1970 1971 1972 1973
-0,9% -1,1%

-2,8%
-3,0%
-3,3% -3,3%

O défice público começou a acentuar-se. 1960 e 1965:


▪ subida das despesas - provocada pela “Guerra Colonial”.
▪ queda das receitas - provocada pela baixa dos direitos alfandegários na
sequência da adesão portuguesa à EFTA .

Reforma fiscal (1959 e 1964) → melhorou a situação, a partir de 1965.


1965 – 1973: os défices públicos voltaram a ser moderados.
Contas Públicas

A dívida pública aumentou o seu peso no PIB entre 1963-64 (22.4% do PIB), mas
baixou gradualmente nos anos seguintes situando-se abaixo dos 16% em 1973.

6. Evolução dos grandes agregados


macroeconómicos
Contas Externas
Fonte: Banco de Portuga, Séries Longas para a Economia Portuguesa.

10,0%

5,0%
3,0% 2,5% 3,0%
1,3% 1,6% 1,9%
0,7% 0,8%
0,0%
0,0%
-0,7% -1,1% -0,3%
-1,8% -2,0% -1,3% -1,1% -1,2%
-2,4% -1,9%
-2,7%
-5,0%

-10,0% -8,5%

-15,0%
1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973
Balança de transacções correntes Bens e serviços Mercadorias f.o.b.(1)
Serviços Rendimentos Transferências Unilaterais

Entre 1960 e 1973, sobretudo a partir de 1964, a balança corrente portuguesa


apresentou quase sempre saldos positivos, o que permitiu uma forte acumulação de
reservas em ouro e divisas.
A evolução favorável da balança corrente explica-se quase exclusivamente
pelo crescimento das remessas de emigrantes portuguesas na Europa e pelo
desenvolvimento das atividades turísticas.
Emigração portuguesa, 1960-1974 em milhares de pessoas
Fonte: Pordata

Emigrantes, por ano e acumulado (desde 1960)


140 000 1 000 000
900 000
120 000
800 000
100 000 700 000

80 000 600 000


500 000
60 000 400 000
40 000 300 000
200 000
20 000
100 000
0 0
1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974
Acumulado Por ano

Mercado de trabalho
Fonte: Banco de Portuga, Séries Longas para a Economia Portuguesa.

Taxa de Desemprego (%)


4,5%

4,0%
3,9%
3,5% 3,5%
3,3% 3,4%
3,2%
3,0% 3,1% 3,0% 3,0% 3,1%
2,9% 2,9%
2,8%
2,6% 2,7%
2,5% 2,5% 2,6%
2,4% 2,4%

2,0%
1,8% 1,8%
1,5% 1,4%

1,0%
1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973

A taxa de desemprego manteve-se, no geral, baixa ao londo de


todo o período de 1950 até 1973.

Mercado de trabalho
Salários reais crescem mais do que a produtividade a
partir de 1960 → aumento do custo unitário real do trabalho.
O forte fluxo emigratório e o aumento da procura de trabalho,
associado à expansão verificada na atividade económica durante
o período, exerceram uma pressão ascendente sobre os salários.
Mercado de trabalho
49
Material de apoio ao
estudo do Módulo 4
Textos de apoio (Moodle)
In [Link]

Slides (Sigarra)

Praticar
Exercício 5 & 8 (Moodle)

In [Link]

50

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