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Economia Portuguesa e Europeia: Análise Histórica

[1] O documento discute a industrialização europeia e o atraso econômico português entre 1830-1913, comparando indicadores econômicos e sociais de Portugal e países europeus. [2] Ele também explica a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico, e como medir o nível de vida material através de indicadores físicos e monetários. [3] Por fim, apresenta gráficos comparando o crescimento do PIB per capita de Portugal com outros países europeus ao longo do tempo.

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Economia Portuguesa e Europeia: Análise Histórica

[1] O documento discute a industrialização europeia e o atraso econômico português entre 1830-1913, comparando indicadores econômicos e sociais de Portugal e países europeus. [2] Ele também explica a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico, e como medir o nível de vida material através de indicadores físicos e monetários. [3] Por fim, apresenta gráficos comparando o crescimento do PIB per capita de Portugal com outros países europeus ao longo do tempo.

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Versão atualizada com exercícios

resolvidos nas aulas


In [Link]

1GE301: Economia Portuguesa e Europeia

Módulo 1. A industrialização europeia e o atraso


económico português (1830-1913)
Aurora A.C. Teixeira
Conhecer e compreender a
economia portuguesa no
contexto da economia
In [Link]

europeia. In [Link]

Análise do percurso da economia


portuguesa em matéria de
convergência real no
longo prazo face à economia Manusear e
In [Link]
influencio-negocio/attachment/macroeconomia/
europeia. interpretar a
informação
estatística
disponível.
In [Link]
In [Link]

Operacionalizar,
[Link]

aplicando à economia portuguesa e à economia europeia,


2329084/

um conjunto de conceitos adquiridos em unidades

curriculares anteriormente lecionadas.


2
3
Programa e Plano de aulas

4
“Pequenos” países

“Grandes” países

Alemanha

8
Indicadores económicos e sociais

Como medir o nível de vida material e a respetiva


evolução?

9
Tipo de indicadores
Físicos Monetários

In [Link]
▪ de resultados (R)
In [Link]

Indicam os resultados obtidos com os meios ao dispor de


cruzadas-exercicio-fisico-para-preservar-a-memoria/

uma determinada população para satisfazer uma


determinada necessidade.

▪ de meios (M)
Meios ao dispor de uma determinada população para
satisfazer uma determinada necessidade.

Não envolvem preços. Envolvem preços.

Difícil estabelecer comparações entre países Para efeitos de comparação entre


com base neste tipo de indicadores. países é necessário converter
numa mesma moeda e ajustá-los,
Exemplos: para que reflitam poder de
▪ Esperança de vida média à nascença (R) compra.
▪ Taxa de mortalidade infantil (R)
▪ Nº de professores por aluno (M) Exemplo:
▪ Nº de médicos por habitante (M) ▪ PIB
▪ Despesa em I&D por trabalhador/ investigador (M) ▪ PIB per capita
▪ Nº de anos de instrução formal da população (R) 10
Crescimento vs desenvolvimento económico
Desenvolvimento
Crescimento económico
económico
[Link]
crescimento-economico-regista-aumento-de-2-4-nos-acores/

[Link]
Aumento da/ melhoria na
Indicado por um aumento no produto qualidade de vida dos cidadãos.
interno bruto (PIB) desse país em termos per
capita.

O PIB per capita de um país é o valor monetário


por habitante dos bens e serviços produzidos por
esse país durante um período de tempo específico.
Reflete o nível de vida ‘material’.

11
12
Fonte: United Nations Development Program, in [Link]
Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), “How was life? — Global Well-Being since 1820”.

In [Link]

13
Relação entre PIB per capita ($, PPC) e IDH
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do Banco Mundial e United Nations Development Programme (2022)

HDI Rank 2021


y = 0,1236ln(x) - 0,4468
1,05 R² = 0,911

0,95
Irlanda Singapura Luxemburgo
Grécia

0,85
Catar
Brunei

0,75

0,65

Guiné Equatorial
0,55

0,45

Chade

0,35
0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000

14
Comparações internacionais dos níveis
de vida ao longo do tempo

15
Comparações temporais: Preços correntes versus preços
constantes

▪ PIB preços correntes = PIB em valor, quando a produção de cada ano está
avaliada aos preços desse mesmo ano.

▪ PIB preços constantes = PIB em volume = PIB real, quando a produção de cada
ano está avaliada aos preços de um dado ano base.

▪ Quando falamos em crescimento económico, referimo-nos a quanto se


produziu a mais (ou a menos) relativamente ao ano transato, e esta avaliação só
pode ser feita uma vez expurgado o efeito de crescimento dos preços (i.e.,
inflação).
𝑌𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 = 𝑃 × 𝑄 → 𝑣𝑎𝑟%𝑌𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 = 𝑣𝑎𝑟%𝑃 + 𝑣𝑎𝑟%𝑄

𝑣𝑎𝑟%𝑄= 𝑣𝑎𝑟%𝑌𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑣𝑎𝑟%𝑃 → 𝒗𝒂𝒓%𝑸= 𝒗𝒂𝒓%𝒀𝒏𝒐𝒎𝒊𝒏𝒂𝒍 −


16
PIB a preços Taxa de inflação Taxa de Inflação
PIB preços
constantes (ano Deflator do PIB (Taxa de variação do deflator (Taxa de variação do IPC -
correntes [3]=[1]/[2] do PIB), % Índice de Preços no
base 2016), Milhões
(Milhões de €) [1] [deflator(t+1)/deflator(t)]-1 Consumidor), %
euros [2]
1978 4999 81951 0.061 16.5% 20.9%
1979 6356 88278 0.072 18.7% 21.7%
1980 8260 92809 0.089 24.1% 16.1%
//1986 28248 101247 0.279 18.3% 12.6%
//1990 56350 131967 0.427 11.3% 13.6%
//2000 128414 177367 0.724 3.4% 2.9%
//2008 179102 193415 0.926 1.7% 2.6%
2009 175416 187410 0.936 1.1% -0.8%
2010 179611 190670 0.942 0.6% 1.4%
2011 176096 187336 0.940 -0.3% 3.7%
2012 168296 179803 0.936 -0.4% 2.8%
2013 170492 178153 0.957 2.2% 0.3%
2014 173054 179517 0.964 0.7% -0.3%
2015 179713 182821 0.983 2.0% 0.5%
2016 186490 186490 1.000 1.7% 0.6%
2017 195947 193051 1.015 1.5% 1.4%
2018 205184 198529 1.034 1.9% 1.0%
2019 214375 203855 1.052 1.7% 0.3%
Prov
2020 200088 186645Prov 1.072Prov 1.9% 0.0%
2021 211278Prev 195660Prev 1.080Prev 0.7% 1.3%
2022 226994EST 5.9%Prev
Nota: Ao contrário do IPC, o deflator do PIB não é baseado em um cabaz fixo de bens e serviços; o "cabaz"
do deflator do PIB pode mudar de ano para ano com os padrões de consumo e investimento das pessoas.
Fonte: Pordata
17
In [Link]

18
Comparações internacionais
de níveis de vida material
Conversões do PIB per capita numa mesma unidade monetária

Taxa de câmbio nominal versus

Paridade de poderes de compra (PPC)

19
Os preços dos bens e serviços diferem entre os países.
Ao usar a taxa de câmbio do mercado
para fazer comparações, constatamos
que, numa mesma moeda (e.g., US$),
o preço de um produto no exterior
pode ser muito diferente do mesmo
produto no país de origem.

1 hamburger custa
na Suiça 6,98$
nos EUA 5,81$
na Indonésia 2,36$

1 US$ compra menos B&S na Suiça


do que nos EUA e compra mais B&S na
Indonésia do que nos EUA.

Normalmente, os preços são mais baixos nos países mais pobres


e mais altos nos mais ricos. Isso é conhecido como o efeito Penn.
O "efeito Balassa-Samuelson" é um modelo citado como a
principal causa do efeito Penn pela economia neoclássica, além
de ser sinónimo de "efeito Penn".
Em países mais pobres o nível médio de preços é mais baixo do que
em países mais ricos → Efeito Balassa-Samuelson
▪ Os países mais ricos têm maiores dotações de capital humano e físico, melhores instituições do que países mais

pobres e, por isso, maiores níveis de produtividade no setor dos bens e serviços transacionáveis (BT).

▪ Admitindo concorrência perfeita e livre mobilidade em termos internacionais, a lei do preço único verifica-se para
os bens e serviços transacionáveis, ou seja, para este tipo de bens e serviço o nível de preço é idêntico
para países pobres e países ricos.

▪ Assim, para serem competitivos no setor dos bens e serviços transacionáveis, o salário nominal médio nos

países pobres tem que ser menor do que o salário nominal médio nos países ricos.

▪ Em virtude da mobilidade interna de fatores e concorrência dos setores (de BT e BNT) pelo fator trabalho, o
salário nominal médio no setor dos BNT não poderá afastar-se muito do salário praticado no setor dos BT,
donde o nível de preço médio dos BNT será baixo (no setor dos não transacionáveis, o diferencial de
produtividade entre países não é muito significativo).

▪ Sendo que o nível de preço médio inclui bens e serviços transacionáveis e não transacionáveis, o nível médio de

preço nos países mais pobres tenderá a ser menor do que tal preço nos países mais ricos.

𝑃(𝑛í𝑣𝑒𝑙 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑒ç𝑜𝑠) = 𝑚é𝑑𝑖𝑎 𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 (𝑃𝐵𝑇 ; 𝑃𝐵𝑁𝑇 )


Assim,

1 dólar norte-americano ($) não compra a mesma quantidade de bens e serviços


nos EUA (país mais rico/produtivo) ou em Portugal (país mais pobre/ menos
produtivo).

Como Portugal é mais pobre/ menos produtivo, tem um nível de preços médio
mais baixo do que os EUA.

Logo, 1$ compra mais bens e serviços em Portugal do que nos EUA.

Logo, para evitar distorções, a produção de diferentes economias deverá

ser medida pelo mesmo vetor/nível geral de preços [i.e., em PPC].

22
Para comparar níveis de vida material entre diferentes

economias é necessário não apenas converter os valores monetários para uma


mesma moeda, mas ter em conta que diferentes economias terão níveis de
preços distintos.

Por isso, para evitar distorções, a produção de diferentes economias deverá ser

medida pelo mesmo nível geral de preços/ mesmo vetor


PIBpcPT=QPT*PEUA($) PIBpcPT=QPT*PPT($)
de preços [i.e., em PPC]. PIBpcESP=QESP*PEUA($) PIBpcESP=QESP*PESP($)
PIBpcRU=QRU*PEUA($) PIBpcRU=QRU*PRU($)

Conversão usando a taxa de Conversão usando a taxa de


paridade de poder de compra câmbio corrente

𝑃𝑇,$ 𝑃𝑇 𝑃𝑇,€
𝑷𝑬𝑼𝑨,$ 𝑒 ′ 𝑇𝐶𝑁 𝑐𝑒𝑟𝑡𝑜 = 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑ó𝑙𝑎𝑟𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑟 1 €
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 =𝑄 ×𝑃 × 𝑷𝑻,€
𝑷
𝑷𝑬𝑼𝑨,$ 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇,$ = 𝑄 𝑃𝑇 × 𝑃𝑃𝑇,€ × 𝒆′
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇,€ = 𝑄 𝑃𝑇 × 𝑃𝑃𝑇,€ 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇,$
=𝑄 𝑃𝑇
×𝑃 𝑃𝑇,$
× 𝑷𝑻,$
𝑷
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐𝑃𝑇,$ = 𝑄 𝑃𝑇 × 𝑷𝑬𝑼𝑨,$ 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇,$ = 𝑄 𝑃𝑇 × 𝑷𝑷𝑻,$
Taxa de
câmbio PPC
nominal

24
Taxa de câmbio corrente vs Paridade de Poder de Compra (PPC)/ Purchasing Power Parity (PPP)
A passagem da conversão em taxas de câmbio de mercado/
nominais para PPC resultou num ajustamento para baixo
pois o nível de preço médio na Suíça é superior ao dos EUA.
1$ compra menos bens e serviços na Suíça do que nos EUA.

PIB pc 2021
(Taxa
PIB pc 2021
câmbio
(PPC, $):
corrente, $):
$77324
$93457

[Link]

[Link]

PIB pc 2021
PIB pc 2021 (Taxa câmbio (PPC, $):
corrente, $): $12556 [Link]
$19338
p?t=1316889

Fonte: World Bank Indicators


A passagem da conversão em taxas de câmbio de mercado/
nominais para PPC resultou num ajustamento para cima pois
o nível de preço médio na China é inferior ao dos EUA: 1$
compra mais bens e serviços na China do que nos EUA.
1. Considere a seguinte tabela que fornece informação sobre o PIB per capita português em
2003:
Dólares e PPC correntes (preços dos EUA) ?
Dólares e taxas de câmbio correntes 14161
Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano, PNUD, 2006.

Arbitre um valor possível para o dado em falta na tabela. Justifique devidamente a sua
resposta.

Deverá ser um valor superior a 14.161 dólares.


As taxas de câmbio correntes não entram em linha de conta com os preços dos chamados bens não
transaccionáveis.
Como os preços dos bens não transaccionáveis tendem a ser mais baixos nos países mais pobres (como
é o caso de Portugal quando comparado com os EUA) [Efeito Balassa Samuelson], o uso de taxas de
câmbio correntes tende a subavaliar o poder de compra de um determinado montante monetário
nestes países, relativamente aos países mais ricos.
As taxas de câmbio de PPC corrigem este problema porque entram em linha de conta com os preços
dos dois tipos de bens, corrigindo para o diferencial de nível geral de preços entre os vários países
(neste caso, Portugal versus os EUA).
PIB per capita de Portugal em dólares em PPC=QpcPT×PEUA($)=?
PIB per capita de Portugal em dólares em TCC=QpcPT × PPT($)=14161
Como, pelo efeito Balassa Samuelson, PEUA($) > PPT($) →? > 14161
2. PIB per capita de três países em 2012
Portugal China Alemanha
Euros e preços da Alemanha 17728 6965 29743
Euros e preços de cada país ? ? ?

Arbitre os valores possíveis para os dados em falta na tabela. Justifique devidamente a sua
resposta.

No caso da Alemanha o valor é igual (29743) pois a


referência são os preços da Alemanha.
Relativamente a Portugal e China, como a Alemanha
PIB per capita de Portugal, em euros, a preços da Alemanha (PPC)=QpcPT×PAL(€)=17728
é o país mais produtivo e mais rico, tem, de acordo
PIB per capita de Portugal, em euros, a preços de Portugal (TCC)=QpcPT × PPT(€)=? com o Efeito Balassa Samuelson, níveis de preço dos
Como, pelo efeito Balassa Samuelson, PAL(€) > PPT(€) →? < 17728 bens não transacionáveis (e, nível geral de preços)
mais elevados. Os valores em euros a preços de
PIB per capita da China, em euros, a preços da Alemanha (PPC)=QpcCH×PAL(€)=6965 Portugal e China serão menores do que os que
PIB per capita da China, em euros, a preços da China (TCC)=QpcCH × PCH(€)=? constam a preços da Alemanha.
Como, pelo efeito Balassa Samuelson, PAL(€) > PPT(€) →? < 6965 As taxas de câmbio correntes não entram em linha
de conta com os preços dos chamados bens não
PIB per capita da Alemanha, em euros, a preços da Alemanha (PPC)=QpcAL×PAL(€)=29743 transaccionáveis. Como os preços dos bens não
PIB per capita da Alemanha, em euros, a preços da Alemanha (TCC)=QpcAL × PAL(€)=? transaccionáveis tendem a ser mais baixos nos
países mais pobres (como é o caso de Portugal e
Donde, ? = 29743
China quando comparados com a Alemanha), o uso
[PPC: preços de um dado país, numa dada unidade monetária; TCC: preços de cada país , numa dada unidade monetária] de taxas de câmbio correntes tende a subavaliar o
poder de compra de um determinado montante
monetário nestes países, relativamente aos países
mais ricos. As taxas de câmbio de PPC corrigem este
problema porque entram em linha de conta com os
preços dos dois tipos de bens, corrigindo para o
diferencial de nível geral de preços entre os vários
países (neste caso, Portugal e China versus a
Alemanha).
3. O PIB per capita português face ao conjunto dos países de rendimento médio em 2003
Em dólares e PPC correntes ?
Em dólares e taxas de câmbio correntes 702,8%

Arbitre um valor possível para o dado em falta na tabela. Justifique devidamente a sua
resposta.

𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇 𝑄𝑝𝑐 𝑃𝑇 × 𝑃𝐸𝑈𝐴 $


𝑄𝑝𝑐 𝑃𝑇
𝑒𝑚 𝑃𝑃𝐶 𝑖. 𝑒. , 𝑝𝑟𝑒ç𝑜𝑠 𝑑𝑜𝑠 𝐸𝑈𝐴 = = =?
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑅𝑀 𝑄𝑝𝑐𝑅𝑀 × 𝑃𝐸𝑈𝐴 $ 𝑄𝑝𝑐𝑅𝑀

𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇 𝑄𝑝𝑐 𝑃𝑇 × 𝑃𝑃𝑇 $ 𝑃𝑃𝑇 $


𝑒𝑚 𝑇𝐶𝐶 𝑖. 𝑒. , 𝑝𝑟𝑒ç𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑎í𝑠 = =?× 𝑅𝑀 $ = 702,8%
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑅𝑀 𝑄𝑝𝑐𝑅𝑀 × 𝑃𝑅𝑀 $ 𝑃

Portugal é um país de rendimento elevado.


𝑃𝑃𝑇 $ 𝑃𝑅𝑀 $
?× 𝑅𝑀 $ = 702,8% ֞ ? = 702,8% × 𝑃𝑇 $ Comparado com os países de rendimento
𝑃 𝑃 médio (RM), Portugal apresenta maiores níveis
<1 de produtividade no setor dos bens e serviços
<702,8%× transacionáveis. Logo, de acordo com o efeito
Balassa-Samuelson, em dólares, o nível de
Como a conversão em TCC subavalia o poder de compra dos países preços em Portugal é superior ao nível de
mais pobres, o PIB per capita Português, em PPC será mais próximo preços dos países de Rendimento médio. Ou
do PIB per capita dos países de RM (ou seja, menos de 7 vezes seja, PRM($)<PPT($) .
maior como indica a TCC).
O PIB per capita é um indicador

a) monetário.

b) físico de resultados.

c) físico de meios.

d) monetário e físico.

29
Qual dos seguintes é um indicador físico de meios:

a) Esperança de vida média à nascença.

b) Rácio do número de alunos por professor.

c) Taxa de iliteracia.

d) Anos médios de escolaridade da população ativa.

30
Para comparar o nível de vida material entre PT e o RU deverá ser usado como

indicador o

a) PIB per capita convertido às taxas de câmbio correntes.

b) PIB convertido às taxas de câmbio correntes.

c) PIB per capita em paridades dos poderes de compra.

d) PIB em paridades dos poderes de compra.

31
2021
PIB per Rácio PIBpc
PIB per Taxa de PPC= PT face país i Rácio PIBpc
capita ($, Taxa capita ($, PPC) PEUA($)/Pi($): PT face país i
(Taxas de
de câmbio
corrente) [1]
[2] [2]/[1] câmbio (PPC)
correntes)

Alemanha 50802 57928 1,140 48% 62%


Áustria 53268 58427 1,097 46% 61%
França 43519 50729 1,166 56% 71%
Grandes países Itália 35551 45936 1,292 68% 78%
Reino-Unido 47334 49675 1,049 51% 72%
Média dos "grandes países" 46095 52539 1,149 53% 68%
Bélgica 51768 58931 1,138 47% 61%
Dinamarca 67803 64651 0,954 36% 56%
Noruega 89203 79201 0,888 27% 45%
Pequenos países
Suécia 60239 59324 0,985 40% 60%
Suíça 93457 77324 0,827 26% 46%
Média dos "pequenos países" 72494 67886 0,958 33% 53%
Média dos 10 países 59294 60213 1,054 41% 60%
Portugal 24262 35888 1,479 100% 100%
Estados Unidos 69288 69288 1,000 35% 52%
China 12556 19338 1,540 193% 186%
Outros países
Espanha 30116 40775 1,354 81% 88%
Grécia 20277 31295 1,543 120% 115%
Fonte: Cálculos próprios a partir dos dados do World Bank Indicators

32
Processo de convergência real (ou de catching-up)

É o processo através do qual uma economia mais pobre (como por exemplo Portugal) se

aproxima do nível de vida médio de uma economia mais rica (como por exemplo os EUA).

O processo de convergência real implica então uma subida entre dois momentos no tempo

do rácio (em paridades de poder de compra) do PIB per capita da economia mais pobre

relativamente ao da economia mais rica.

Ou, o que é o mesmo, que a taxa de crescimento do PIB per capita real da economia mais

pobre entre esses dois momentos no tempo seja superior à do PIB per capita real da

economia mais rica.


𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐(𝑃𝑇)
𝐼𝐶 =
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐(𝑒𝑐𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑟𝑖𝑐𝑎)

33
A convergência real pode ser medida de duas
formas:
▪ analisando o comportamento das taxas médias
de crescimento anual, em termos reais;

▪ analisando o comportamento do PIB (per


capita) relativo.

34
Alemanha - Taxa de Portugal - Taxa de PIB pc de Portugal
PIB pc Alemanha PIB pc Portugal crescimento anual crescimento anual face ao da Alemanha
Nota: PIB pc em dólares norte- (real), % (real), % (%)
Americanos, a PPC, a preços 1970 18,549.3 10,496.7 56.6%
constantes de 2010. 1971 18,975.1 11,291.2 2.3% 7.6% 59.5%
1972 19,698.1 12,214.7 3.8% 8.2% 62.0% 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑃𝑇 1970 10496,7
Fonte: OECD Stat. 1973 20,576.2 13,578.1 4.5% 11.2% 66.0% =
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝐴𝐿 1970 18954,3
1974 20,753.3 13,543.4 0.9% -0.3% 65.3%
1975 20,651.8 12,471.7 -0.5% -7.9% 60.4%
1976 21,774.1 12,958.9 5.4% 3.9% 59.5%
Taxa de crescimento anual 1977 22,546.7 13,540.2 3.5% 4.5% 60.1%
1978 23,249.7 13,771.5 3.1% 1.7% 59.2%
1979 24,207.8 14,393.0 4.1% 4.5% 59.5%
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 1971 18975,1
𝑔𝑌 𝐴𝐿 = −1= −1 1980 24,486.5 14,891.7 1.2% 3.5% 60.8%
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 1970 18954.3 1981 24,580.0 15,003.6 0.4% 0.8% 61.0%
1982 24,508.9 15,229.7 -0.3% 1.5% 62.1%
1983 24,962.1 15,137.7 1.8% -0.6% 60.6%
1984 25,757.8 14,802.5 3.2% -2.2% 57.5%
1985 26,417.8 15,184.7 2.6% 2.6% 57.5%
1986 27,014.5 15,813.5 2.3% 4.1% 58.5%
1987 27,383.4 16,851.2 1.4% 6.6% 61.5%
Taxa média de crescimento 1988 28,254.2 18,160.4 3.2% 7.8% 64.3%
1989 29,145.5 19,390.4 3.2% 6.8% 66.5%
anual, 1970-2016 1990 30,411.5 20,233.8 4.3% 4.3% 66.5%
1991 31,721.6 21,177.6 4.3% 4.7% 66.8%
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 2016 1/(2016−1970) 1992 32,120.2 21,416.9 1.3% 1.1% 66.7%
𝑔𝑌ത = -1 1993 31,637.8 20,955.9 -1.5% -2.2% 66.2%
𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 1970
1994 32,334.9 21,107.3 2.2% 0.7% 65.3%
1995 32,831.7 21,949.0 1.5% 4.0% 66.9%
1996 33,036.0 22,631.4 0.6% 3.1% 68.5%
Alemanha 1997 33,628.7 23,527.6 1.8% 4.0% 70.0%
42893.5 1/46 1998 34,321.4 24,530.8 2.1% 4.3% 71.5%
𝑔𝑌ത = 18549.3
-1=0,0184=1,84% 1999 35,013.7 25,340.9 2.0% 3.3% 72.4%
2000 36,035.4 26,116.4 2.9% 3.1% 72.5%
2001 36,619.4 26,436.9 1.6% 1.2% 72.2%
2002 36,592.0 26,494.7 -0.1% 0.2% 72.4%
Portugal 2003 36,345.1 26,148.8 -0.7% -1.3% 71.9%
2004 36,812.4 26,558.8 1.3% 1.6% 72.1%
27117.9 1/46
𝑔𝑌ത = 10496.7
-1=0,021=2,10% 2005 37,126.7 26,713.0 0.9% 0.6% 72.0%
2006 38,578.3 27,078.9 3.9% 1.4% 70.2%
2007 39,925.2 27,699.2 3.5% 2.3% 69.4%
2008 40,471.2 27,714.4 1.4% 0.1% 68.5%
2009 38,330.6 26,863.6 -5.3% -3.1% 70.1%
2010 39,993.3 27,361.0 4.3% 1.9% 68.4%
2011 41,461.7 26,900.6 3.7% -1.7% 64.9%
2012 41,587.5 25,922.0 0.3% -3.6% 62.3%
2013 41,677.1 25,770.0 0.2% -0.6% 61.8%
2014 42,165.8 26,140.6 1.2% 1.4% 62.0% 35
2015 42,521.7 26,667.7 0.8% 2.0% 62.7%
2016 42,893.5 27,117.9 0.9% 1.7% 63.2%
Valor médio da taxa 𝐥𝐧(𝟐)
𝒏= =
Pequenas diferenças na taxa média de crescimento
de crescimento do
PIB real PT, 2000-
𝐥𝐧(𝟐)
𝐥𝐧(𝟏+𝒈𝒚 )
2019: 0,87% =80 anos
anual geram grandes efeitos no longo-prazo. 𝐥𝐧(𝟏,𝟎𝟎𝟖𝟕)

Para duplicar o PIB pc em


... é necessária uma taxa média de
𝒏 𝟏ൗ
𝒙 × 𝟏 + 𝒈𝒚 = 𝟐 × 𝒙 ֜ 𝒈𝒚 = 𝟐 𝒏 −𝟏 crescimento anual aproximadamente igual a

5 anos 14.9%
10 anos 7.2%
15 anos 4.7%
20 anos 3.5%
25 anos 2.9%
30 anos 2.3%
40 anos 1.7%
50 anos 1.4%
60 anos 1.2%
70 anos 1.0%
Nº de anos (n) necessários para duplicar o PIB pc quando a taxa de crescimento média anual é gy:
𝒏 ln(2)
𝒙 × 𝟏 + 𝒈𝒚 = 𝟐 × 𝒙 ֜ 𝒏 × 𝒍𝒏(𝟏 + 𝒈𝒚 ) = ln 2 ֜ 𝑛 =
ln(1 + 𝑔𝑦 ) 36
PIB per Rácio PIBpc
capita 2021 PT face país i
($, PPC) (PPC) 2021

Alemanha 57928 62%


Áustria 58427 61%
França 50729 71%
Grandes países
Itália 45936 78%
Reino-Unido 49675 72%
Média dos "grandes países" 52539 68%
Bélgica 58931 61%
Dinamarca 64651 56%
Noruega 79201 45%
Pequenos países
Suécia 59324 60%
Suíça 77324 46%
70% Média dos "pequenos países" 67886 53%
Média dos 10 países 60213 60%
Portugal 35888 100%
Estados Unidos 69288 52%
China 19338 186%
Outros países
Espanha 40775 88%
Grécia 31295 115%

In [Link]
Projeções para Portugal atualizadas em: 15 de junho de 2022
Projeções para a Área do Euro atualizadas em: 8 de setembro de 2022

Fonte: Eurostat

37
In [Link]
Atualmente (2021), como vimos, Portugal apresenta, em termos de
nível de vida (PIB per capita), um atraso face aos “principais países
industrializados ou desenvolvidos” (países do Norte e Centro da Europa
Ocidental, algumas antigas colónias inglesas de povoamento europeu, como os EUA)
(PIB pc PT é 60% do dos 10 países do Norte e Centro da Europa Ocidental)

Mas, terá sido sempre assim?


E, se não, quando começou a manifestar-se
esse atraso?

38
Evolução do PIB per capita em Portugal, 1820-2022
(preços constantes, PPC, dólares internacionais 2011)

30 000

25 000

20 000

15 000

10 000

5 000

0
1853

1892

1931

1976

2015
1820
1823
1826
1829
1832
1835
1838
1841
1844
1847
1850
1856
1859
1862
1865
1868
1871
1874
1877
1880
1883
1886
1889
1895
1898
1901
1904
1907
1910
1913
1916
1919
1922
1925
1928
1934
1937
1940
1943
1946
1949
1952
1955
1958
1961
1964
1967
1970
1973
1979
1982
1985
1988
1991
1994
1997
2000
2003
2006
2009
2012
2018
2021
Fonte: Maddison Project Database, version 2018; 1990$ benchmark. Bolt, Jutta, Robert Inklaar, Herman de Jong and Jan Luiten van Zanden
(2018), “Rebasing ‘Maddison’: new income comparisons and the shape of long-run economic development” , Maddison Project Working
Paper, nr. 10, available for download at [Link]/maddison . 39
In [Link] 2017-2020: World Bank
Indicators and FMI; 2021: Projeções do BdP relativas ao crescimento do PIB e projeções do crescimento da população com base nos Censos
2021.
Em 1830, de acordo com as estimativas de Bairoch, o PNB pc português

relativamente ao de outros países europeus era de, aproximadamente,

a) 80-95%.

b) 45-55%.

c) 55-60%

d) 65-75%.

40
“Pequenos” países

“Grandes” países

Alemanha

41
Até 1950 → os valores do PIBpc são baseados em estimativas de diferentes autores.

Nota: as taxas de crescimento médias anuais dizem respeito a 16 economias - Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia,
França, Alemanha, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América.
Bairoch, Paul (1976) “Europe’s Gross National Product: 1800/1975”, The Journal of European Economic History, 5, 2, 273-340.
Lains, Pedro (1995) A Economia Portuguesa no Século XIX: crescimento económico e comércio externo, 1833-1913, Lisboa, Imprensa Nacional — Casa da Moeda.
Maddison, Angus (1996) Macroeconomic Accounts for European Countries, in Ark, B.; Craffs, N. (ed.), Quantitative Aspects of Post-War European Economic Growth,
Cambrige, Centre for Economic Policy Research, 27-83.
Nunes, Ana B.; Mata, Eugénia; Valério, Nuno (1989) [NUMAVA] “Portuguese Economic Growth: 1833-1985”, The Journal of European Economic History, 18, 2, 291 -330.
Contração do PIB (real) de 8,4% (Fonte: INE,
23/09/2021)

43
Estimativas do FMI para 2020, em dólares, PPC, preços dos EUA,
indicam que o rácio do PIBpc de Portugal face a Timor-Leste se
cifrará em 656,5%. Se a conversão fosse feita utilizando taxas de
câmbio correntes, o rácio seria
a) maior.
b) menor.
c) igual.
d) indeterminado.

44
Em 2018, o PIBpc da Grécia face ao PIB pc dos EUA, em dólares
Norte-Americanos, convertido à taxa da PPC (a preços dos EUA)
e à taxa de câmbio corrente era de
a) 32,4% e 63,3%, respetivamente.
b) 63,3% e 32,4%, respetivamente.
c) 32,4% em ambos os casos.
d) 63,3% em ambos os casos.

45
Angus Maddison
Fases do desenvolvimento capitalista
Fonte: Dynamic Forces in Capitalist Development: A Long-Run Comparative View (1991)

Angus Maddison (6 de dezembro de 1926 -


24 de abril de 2010) foi um economista
britânico especializado em história
macroeconómica quantitativa, incluindo a
mensuração e análise do crescimento
económico e desenvolvimento. Foi professor
emérito na Faculdade de Economia da
Universidade de Groningen (Holanda). Economia mundial
Fases Período t.c.m.a PIB pc
1ª Fase 1820-1913 1.4%

2ª Fase 1913-1950 1.2%

3ª Fase 1950-1973 3.8%

4ª Fase 1973-... 2.1% (1973-1989)


Nota: as taxas de crescimento médias anuais dizem respeito a 16 economias - Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia,
França, Alemanha, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América.

46
O “processo de crescimento económico moderno”
Expressão utilizada por Simon Kuznets no seu livro Modern
Economic Growth: rate, structure and spread (1969).

▪ Quando um país cresce em termos per


capita, por ano, em média, 1%-3% durante
um período de tempo suficientemente
longo ( 20 anos).

▪ Indicativo que nesse país ocorreu já


transformações de vulto em termos
organizacionais, tecnológicos e de mercado.
Prémio de Ciências Económicas em
Memória de Alfred Nobel de 1971 47
Etapas do processo de crescimento económico
moderno no sec. XIX
Etapas Países envolvidos Factores relevantes
▪ Proximidade geográfica do R.U.
1ª etapa RU (Inglaterra); Bélgica;
▪ Posse de matérias primas
Até 1820/30 Noroeste de França
(ferro e carvão)
França; Alemanha ▪ Proximidade geográfica do R.U.
▪ Posse de matérias primas
2ª etapa (ferro e carvão)
1820/30-1870/80
EUA ▪ Proximidade cultural do R.U.
Países escandinavos
(Dinamarca, Suécia e Noruega).
3ª etapa
Itália.
1870/80-1900
Austrália, Nova Zelândia e ▪ Proximidade cultural do R.U.
Canadá.
Japão.
48
49
50
Os restantes países crescem a taxas
superiores a 1% ao longo do século,
indicativo que nesses países ocorreram já
transformações de vulto em termos
organizacionais, tecnológicos e de Espanha e Portugal:
mercado, isto é, entraram já no processo Países que crescem a taxas
de crescimento económico moderno próximas das economias pré-
associado à Revolução Industrial. industriais (muito inferiores a 1%)
51
Crescimento económico comparado 1830-1913

Até inicio do sec. XIX, todos os países da Europa (com exceção do RU e Bélgica)
operavam no quadro das tecnologias anteriores à Revolução
Industrial e tinham portanto todos níveis baixos de produto per
capita e bastante próximos uns dos outros.

Fonte: Bairoch (1976), Europe's Gross National Product: 1800-1975, The Journal of
[Link] European Economic History , volume 5, nº 2, 273-340
52
“Revolução Industrial”: conjunto de mutações económicas
e sociais que se refletiram em significativos aumentos nos
níveis de produtividade e de produto por habitante.

[Link]

53
Enormes aumentos na produtividade
Nº de horas de trabalho necessárias para produzir 100 libras de Fio de Algodão nº 80

Tecnologia Nº horas

Fiação Manual 50000


[Link] (século XVIII)

Fiação Mecânica 135


(Máquina de Robert, 1825)

[Link]

54
In [Link]
▪ Sociedades camponesas → industriais e urbanas.
▪ Fabricação era feita nas casas das pessoas,
ferramentas manuais →máquinas motorizadas,
máquinas especiais, fábricas e produção em
massa.
▪ Papel central: indústrias de ferro e têxtil, o

[Link]
desenvolvimento da máquina a vapor.
▪ Sistemas aprimorados de transporte, comunicação
e bancos.
▪ Aumento de volume e variedade de produtos
manufaturados e um padrão de vida melhorado
para alguns.
▪ Más condições de vida para as classes pobres e
trabalhadoras.
55
Etapas do processo de crescimento económico moderno
no sec. XIX
% emprego Produção Taxa de Taxa média
Economias
setor Industrial por analfabetismo de direitos
Etapas europeias
primário habitante 1900 em 1850 aduaneiros,
envolvidas
1900 (RU=100) 1875-1913
1ª etapa ▪ RU ▪ 11% ▪ 100 ▪ 10%-30% ▪ 0%
Até 1820/30 ▪ Bélgica ▪ 27% ▪ 91 ▪ nd ▪ 6-14%
2ª etapa
▪ França ▪ 41% ▪ 55 ▪ 10%-30% ▪ 18-24%
1820/30-
▪ Alemanha ▪ 37% ▪ 70 ▪ 10%-30% ▪ 12-17%
1870/90
▪ Noruega ▪ 41% ▪ nd ▪ nd ▪ nd
3ª etapa
▪ Dinamarca ▪ 47% ▪ 34 ▪ 25% ▪ 9%
1870/90-
▪ Suécia ▪ 53% ▪ 41 ▪ 10% ▪ 16-28%
1900
▪ Itália ▪ 57%* ▪ 28 ▪ nd ▪ 17-25%
À margem ▪ Portugal ▪ 65% ▪ 18 ▪ 88%** ▪ 27%
do processo ▪ Grécia ▪ nd ▪ 19 ▪ nd ▪ nd
de CEM ▪ Espanha ▪ nd ▪ 20 ▪ 75% ▪ 37%
56
Notes: * 1925; ** 1864; nd – não disponível.
Fontes: Octávio Figueiredo, Guião EPE; Paul Bairoch and Richard Kozul-Wright (1996). Globalization myths: some
historical reflections on integration, industrialization and growth in the world economy. WP No. 113.
A Grã-Bretanha, no início do século XVIII,
combinou necessidades e recursos sociais que
proporcionaram as pré-condições necessárias à
inovação comercialmente bem-sucedida e um
sistema social capaz de sustentar e
institucionalizar os processos de rápida
mudança tecnológica.

Energia do vapor foi excepcional e manteve-se


assim para a maioria dos fins industriais até o
século XIX. O vapor não substituiu simplesmente
outras fontes de energia, transformou-as.

57
Crescimento económico comparado 1830-1913

À medida que o processo de crescimento económico moderno


associado à Revolução Industrial inglesa se foi difundindo no
espaço, a situação de alterou significativamente.
Os países da Europa continental e do Mundo não foram atingidos
todos da mesma forma por esse processo de difusão espacial
durante o século XIX.

Dinamarca; Suécia; Noruega; Itália;


Austrália; Nova Zelândia; Canadá; França; RU; Bélgica
Japão Alemanha; EUA
(1870/90-1900) (Até 1820/30) 58
(1820/30-1870/90)
▪ O fosso em matéria de nível de vida médio

[Link]
In [Link]
entre a maioria dos países do Mundo, hoje
incluídos no grupo dos “países
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento”
e os “principais países industrializados ou
desenvolvidos” foi criado durante o século Enormes aumentos na produtividade

XIX.

▪ As diferenças no nível de vida entre estes


dois grupos de países estão associadas à
introdução das inovações organizativas,
tecnológicas, de produto e de mercados
que são normalmente associadas ao
processo de crescimento económico In [Link]

moderno.
59
Países que ficaram à margem/ “perderam o comboio” do processo de
crescimento económico moderno no sec. XIX

In [Link]

Países que não acompanharam de forma suficientemente dinâmica o movimento


de industrialização europeu do século XIX.
60
Empobrecimento relativo
da economia portuguesa
face às economias do Norte
e Centro da Europa.

Fonte: Figura construída com base nos dados constants em Figueiredo, Octávio (1998). Convergência Real no Longo Prazo da Economia Portuguesa. Vol. 11, pp. 82-100.

61
Primazia da Grã Bretanha
Revolução Industrial Inglesa
Why The Industrial Revolution Happened Here,

in
[Full Episode | The Industrial Revolution | BBC Documentary]
[Link]
happened-here/

62
Fatores promotores do crescimento económico moderno, RU
Dimensões RU Portugal

▪ Clima intelectual favorável – troca


abundante de ideias científicas e
▪ Elevados níveis de analfabetismo.
tecnologias, sem que existisse censura por
▪ Baixos níveis de escolarização.
Conhecimento parte do Estado ou Igreja.
▪ Baixa capacidade de absorção da
e Tecnologia ▪ Vanguarda do conhecimento científico.
tecnologia do exterior.
▪ Ideia do conhecimento prático/ aplicado.
▪ Censura a novas ideias.
▪ Trabalho conjunto do Homens das ideias e
o das tecnologias (‘Ilumismo industrial’).
▪ Abundância de carvão e ferro.
▪ Energia barata.
Recursos ▪ Falta de recursos naturais adequados.
▪ Surgimento da indústria de instrumentos
de precisão.
▪ Elevada instabilidade política.
▪ Estabilidade política. ▪ Escassa abertura ao exterior (direitos
Política ▪ Baixos/ inexistentes diretos aduaneiros. aduaneiros elevados).
▪ Regime monarquia parlamentar. ▪ Excessiva especialização no setor
primário, com baixas produtividades.
▪ Ausência de uma elite empresarial
▪ Supremacia da evidência científica face ao
suficientemente dinâmica.
dogma.
Institucional ▪ Deficiente papel do Estado. 63
▪ Criação de sociedades científicas.
▪ Enquadramento institucional e legislativo
▪ Liberdade política e de expressão.
de tipo tradicional.
Nos princípios do século XIX
a) a maioria dos países da Europa continental estava envolvida no
processo de crescimento económico moderno desencadeado
pela Revolução Industrial inglesa.
b) as diferenças entre os diversos países da Europa continental em
matéria de produtividade e, assim, as diferenças entre esses
países em matéria de produto por habitante eram já
significativas.
c) o Reino Unido e o território da atual Bélgica observavam taxas
de crescimento do PNB per capita real superiores a 1%/ano.
d) apenas Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda operavam ainda num
paradigma pre-industrial, caracterizado por baixas
produtividades e predomínio da agricultura.
64
As etapas do processo de crescimento económico moderno são

a) 1ª etapa (1820/30-1913); 2ª etapa (1913-1950); 3ª etapa


(1950-1973); 4ª etapa (1973-1989).

b) 1ª etapa (Até 1820/30); 2ª etapa (1820/30-1870/80); 3ª


etapa (1870/80-1900).

c) 1ª etapa (1820/30-1913); 2ª etapa (1913-1950); 3ª etapa


(1950-1973); 4ª etapa (1973-2022).

d) 1ª etapa (Até 1820/30); 2ª etapa (1820/30-1870/80); 3ª etapa


(1870/80-1900); 4ª etapa (1900-1989).
65
De 1820/30 até por volta de 1870/80, Portugal observa uma
acentuada

a) divergência real face à França, Alemanha e EUA.

b) convergência real face à França, Alemanha e EUA.

c) divergência real face à Dinamarca, Suécia e Noruega.

d) convergência real face à Dinamarca, Suécia e Noruega.

66
“Of much higher relevance was the radical
institutional transformation brought by the
liberal revolution ... Everything started in
1820 ...” (Amaral, Luciano, 2019, pp. 17)

Economia portuguesa 67
Economia portuguesa

1850-1890s: Regeneração (Amaral, 2019)


1850-1910: Regeneração (Figueiredo, Textos apoio)

68
O Ultimato britânico de 1890 contra as pretensões
portuguesas em África provocou um movimento social e
político de exaltação patriótica e de contestação da
Monarquia. Marcava o fim do pretendido “mapa cor-de-
rosa”, que uniria Angola e Moçambique, sob a soberania de
Portugal.
No final do século XIX, os países europeus disputam o
continente africano, fonte importante de matérias-primas e
riqueza.
A evolução da economia portuguesa entre 1830-1913

71
Indicador de convergência real [PNBpc PT/PNBpc Eur10], 1830-1913
A industrialização europeia e o atraso económico português (1830-
1913)
1830 1860 1913

Bairoch 95% 73% 38%

NUMAVA 82% 43% 38%

Maddison 37%

Project Maddison
81% 48% 34%
2020
Divergência real entre os anos de ponta (1830 e 1913): o PNB per capita/
rendimento médio por habitante cai significativamente ao longo do período
Evolução em matéria em análise. [(38%-95%)/83=-0,7 p.p.]
de convergência/ Entre 1850-1900 o nível de vida material médio dos portugueses, segundo Lains e
divergência Numava, aumenta (época do Fontismo – obras públicas, transportes), mas tal não é
suficiente para evitar a divergência real face ao conjunto dos países do Norte e Centro da
Europa.
Razões para a Ao contrário dos outros 10 países da Europa (que se industrializaram em diferentes fases
ao longo do período), Portugal não observou um processo de industrialização alargado
evolução do IC tendo por isso ficado fora do processo de crescimento moderno.

72
1850-1900 (algum debate)
A evolução decenal do
indicador de convergência, de
acordo com as estimativas de
NUMAVA mostram um
movimento diferente das dos
outros autores, indicando
convergência real, ou seja
aproximação do nível de
produto por habitante
português ao dos 10, entre
Fonte: Figueiredo, O. (1998). "Convergência Real no Longo Prazo da Economia Portuguesa“, Notas Económicas, 11, pp. 82-100 (in [Link]
1860-1890.
[Link]/bitstream/10316.2/25049/1/NotasEconomicas11_artigo5.pdf?ln=en)

❑ A partir da década de 1840 verifica-se um certo avanço da indústria moderna em


Portugal (têxteis, moagens, transformação da cortiça e conservas de peixe).
❑ Os governos liberais implementaram, sobretudo a partir de 1851, um enquadramento
institucional e legislativo mais favorável ao crescimento económico.
❑ Política de investimentos públicos no domínio das infraestruturas ligadas aos transportes
e às comunicações (Fontismo).
No entanto, não parece plausível que esses progressos possam ter sido suficientemente
importantes para que a taxa de crescimento do produto por habitante português tenha sido
claramente mais elevada que a dos países do norte e centro da Europa entre 1860 e 1890,
como resulta das estimativas de NUMAVA.
A Geração
O grupo dissolveu-se por volta de 1894
dos 70
“... o ser
vencido e
derrotado na
O debate vida
sobre as depende, não
causas do
atraso da realidade
português… aparente a
que chegou,
Ver
[Link]
[Link]/2021/05/05/antero- mas do ideal
de-quental-as-causas-da-
decadencia-dos-povos-
peninsulares-nos-ultimos-tres- íntimo a que
seculos/

aspirava.”
(Eça de Queirós)

Antero de Quental

Fonte: P. Marinho 1888. In: Ilustração Portuguesa, n.º 902, de 2.6.1923, pág. 690 (in [Link]

“não pretendemos impor as nossas opiniões, mas


1842-1891 (49 anos) simplesmente expô-las: não pedimos a adesão das
pessoas que nos escutam; pedimos só a discussão“
(Antero de Quental, “As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos”, Discurso
na noite de 27 de Maio de 1871, na Sala do Casino Lisbonense)
A evolução da economia portuguesa entre 1830-1913

1846: Inconvertibilidade
/curso forçado das notas
1837: Governo emitidas pelo BdP.
suspende os Depreciação cambial;
pagamentos Aumento da inflação.

1891: Crise financeira.


Bancarrota parcial.
Suspensão da
1876: Crise bancária. convertibilidade do real
1946: Revolta da Maria da Fonte

1821-1825: 1846-1847:
Independência do Guerra da
Brasil (1822) Patuleia

1828-1834: 13
governos 1842-1846:
Guerras Reformas fiscais e obras públicas
Cabralismo
liberais
1851-1868: Regeneração 1868-1889: Fontismo

1854: adopção do padrão ouro (1 real=1,625mg ouro)

Monarquia Constitucional (1834–1910) 1908:


Regicídio
1910:
Implementação
da República
Segundo as séries de Nuno Valério,
publicadas em "The Concise Economic
A evolução da economia portuguesa
History of Portugal“, o peso da dívida entre 1830-1913
pública (bruta) no PIB no ano fiscal de
1892-1893 foi de 124,3%.
Nota: De acordo com os dados (provisórios) Consolidada* 1891: Crise financeira
da Pordata, em 2021 que a dívida pública Junho 1892: incumprimento
bruta cifrou-se em 125,5% do PIB, prevendo- (bancarrota) parcial da dívida
se que, em 2022, atinja os 118,9% do PIB. soberana

Fonte: José Luís Cardoso e Pedro Lains (2010). Paying for the liberal State. The rise of public finance in the nineteenth-
Dívida bruta das Administrações Públicas em % do PIB
century Europe. Cambridge University Press.
2020:
160,0
134,9%
140,0
120,0
100,0
80,0
* A dívida consolidada do sector das Administrações Públicas 60,0
40,0
corresponde à dívida deste sector excluindo a dívida detida por 20,0
entidades das Administrações Públicas, cuja emissão tenha sido 0,0
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
realizada por entidades do mesmo sector.
Séc. XIX:
Emergência de um
moderno sistema
bancário

Fonte: in [Link]
1ª nota de Portugal - 1ª nota emitida pelo Banco de
Lisboa: 19 mil e duzentos reis
Banco de Portugal: fundado a 19 de
novembro de 1846 pela fusão do Banco
de Lisboa e da Companhia Confiança
Banco de Lisboa: fundado a 31 de Nacional
dezembro de 1821

77
1837: criação da Junta de Crédito Público
(administrava e arrecadava os fundos destinados ao pagamento de juros e amortizações
de toda a dívida consolidada da Nação; a partir de 1841 geria também a dívida externa)

Atualmente a
entidade
homóloga é a
Agência de
Gestão da
Tesouraria e
da Dívida
Pública - IGCP,
E.P.E.
([Link] )
entidade pública
a quem
compete, nos
termos do
Decreto-Lei n.º
200/2012, entre
outros, gerir, de
forma integrada,
a tesouraria, o
financiamento e
a dívida pública
direta do Estado.
1842 78
1887
Fonte: [Link]

Sem comboios não há progresso


28 de Outubro de 1856: primeira viagem entre Lisboa e o Carregado
A viagem inaugural, de 37 quilómetros, deveria ter contado com a presença do rei D. Pedro V,
mas este chegou atrasado e o comboio, batizado D. Luís, partiu sem o passageiro real.
A rede ferroviária expandiu-se depressa nos anos seguintes, especialmente sob influência de
Fontes Pereira de Melo, Ministro das Obras Públicas. Em 1861 o comboio chega à fronteira com
Espanha, em Badajoz, e no ano seguinte é assegurada a ligação entre Lisboa e o Porto.
In [Link]
80
“Um gigantesco cão vadio,
esquelético e esfaimado, de
nome "Deficit".
Era assim que Rafael Bordalo
In [Link]

Pinheiro parodiava o mundo da


Finança no início do século XX.
As patas do animal assentam
sobre as margens do Tejo e o
Grande Cão fareja impostos e
outras polémicas financeiras sob
a forma de uma vasilha de lixo e
bolos envenenados.”
In [Link]
financas-de-bordalo-pinheiro

"II – A Finança: O Grande Cão", Litografia: A 81


Paródia, 24.01.1900, Rafael Bordal Pinheiro
Fatores que frearam a industrialização em Portugal –
perspetiva dos historiadores económicos

▪ Opções políticas erradas traduzidas na falta de proteção à


indústria e que conduziram a uma especialização na
agricultura (dependência de Inglaterra).
“A história de Portugal durante a segunda metade do século
XIX ilustra o caso dos países cuja industrialização foi bloqueada
Miriam Halpern Pereira
pela Inglaterra”. Professora Catedrática Emérita do Departamento
de História do ISCTE/ IUL (84 anos)

“de 1847 a 1890-1891, o setor mais dinâmico da economia


portuguesa foi a agricultura” e no período da Regeneração, “o
lento crescimento industrial foi compensado por um nítido
crescimento agrícola baseado na exportação”.
Portugal celebrou vários tratados com o RU que favoreceram a
entrada de produtos manufacturados ingleses.
Portugal especializou-se na produção de bens agrícolas para
exportação e importava bens industriais, designadamente
texteis, do RU.
82
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos

▪ Apesar de terem existido surtos de


industrialização assentes em iniciativas
Manuel Villaverde Cabral

protecionistas, estes foram insuficientes para Investigador Emérito do ICS (81 anos)

vencer o fosso que separava Portugal da


generalidade dos países da Europa [Manuel Villaverde
Armando Castro (1918-1999)
Historiador económico, FEP

Cabral; Armando Castro; Joel Serrão] .


▪ Escassez de capital humano, recursos naturais e

fraca procura interna [Jaime Reis]. Joel Serrão (1919-2008)


Historiador económico, ISEG

Jaime Reis
Investigador Emérito do ICS (77 anos) 83
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos
Segundo Pedro Lains, a informação quantificada
disponível põe em causa algumas das teses da análise de
Miriam Halpern Pereira. Designadamente quanto a:
Pedro Lains (1959-2021)
Investigador Coordenador, ICS

▪ Nível das taxas aduaneiras (Portugal tinha das pautas alfandegárias mais gravosas da Europa)

Nota: CWT=hundredweight é uma unidade


de medida para o peso usado em certos
contratos comerciais. No Reino Unido,
representa 112 libras (cerca de 51kg).

84
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos

▪ Comércio externo (Portugal estava menos aberto ao exterior e


mais protegido do que os países que avançaram com a
revolução industrial) Pedro Lains (1959-2021)
Investigador Coordenador, ICS

85
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos
▪ Produção agrícola (a maioria da população em
Portugal continuava ligada à agricultura, com
um nível de vida baixo, e portanto uma procura
Pedro Lains (1959-2021)
interna débil incapaz de gerar recursos Investigador Coordenador, ICS

suficientes para o investimento).


Características da Países europeus no
agricultura em Portugal processo de
industrialização
Estrutura fundiária arcaica
com excessiva
concentração da Melhorias na
propriedade nos latifundios produtividade agrícola
do Sul e fragmentação a permitiram:
Norte (fraca integração no ▪ Libertação de mão de
mercado). obra para a indústria;
Baixa produtividade, ▪ Aumento do
incapacidade de rendimento → maior
Fonte: Pedro Lains (2003). Os progressos do atraso. Uma nova história económica de Portugal, modernização, deficiência poder de compra
1842-1992. Lisboa: Imprensa das Ciências Sociais.
empresarial, escassez de (mercado para os bens
capital e dificuldade em industriais)
86
adoptar certos
melhoramentos.
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos
▪ Produção industrial - na linha de Vilaverde Cabral,
Armando Castro e Joel Serrão, parece ter existido um forte
crescimento da indústria na 2ª metade do séc.
Pedro Lains (1959-2021)
XIX. Investigador Coordenador, ICS

87
Fatores que frearam a industrialização em Portugal – perspetiva dos
historiadores económicos
▪ Jaime Reis aponta como fatores impeditivos de uma maior difusão da
industrialização em Portugal:
▪ Fraca procura interna, insuficiente para sustentar o desenvolvimento de
setores industriais chave na industrialização europeia.
Jaime Reis
▪ Inexistência de uma base de recursos naturais (e.g., carvão e ferro) Investigador Emérito do ICS (77 anos)

▪ Baixa produtividade do trabalho e limitada capacidade de absorção das


inovações do exterior, decorrente dos baixos niveis de educação e baixa
formação técnica da mão de obra industrial.

[Link]

88
Fatores que frearam a industrialização em Portugal
Fatores Proponentes
Opções políticas erradas Falta de proteção à indústria (dependência de Inglaterra) Miriam Halpern
traduzidas que conduziu a uma especialização na agricultura Pereira

Escassez de capital humano - baixos Baixa produtividade do trabalho e limitada capacidade


niveis de educação e baixa formação técnica Jaime Reis
de absorção das inovações do exterior
da mão de obra industrial

Escassez de recursos naturais e.g., carvão e ferro Jaime Reis

Insuficiente para sustentar o desenvolvimento de setores


Fraca procura interna industriais chave na industrialização europeia
Jaime Reis

Reduzida abertura ao comércio Elevadas taxas aduaneiras penalizavam a importação de


Pedro Lains
externo máquinas e equipamentos
Estrutura fundiária arcaica com excessiva concentração
da propriedade nos latifundios do Sul e fragmentação a
Norte.
Excessiva especialização na Baixa produtividade, incapacidade de modernização,
Pedro Lains
agricultura deficiência empresarial, escassez de capital e dificuldade
em adoptar certos melhoramentos.
Nível de vida baixo, e portanto uma procura interna débil
incapaz de gerar recursos suficientes para o investimento.
Fraca qualidade institucional – Jaime Reis
instabilidade política; corrupção; Estado débil 89
Fatores promotores/ inibidores do crescimento económico moderno, RU vs. PT

Dimensões RU Portugal

▪ Clima intelectual favorável – troca


abundante de ideias científicas e
▪ Elevados níveis de analfabetismo.
tecnologias, sem que existisse censura por
▪ Baixos níveis de escolarização.
Conhecimento parte do Estado ou Igreja.
▪ Baixa capacidade de absorção da
e Tecnologia ▪ Vanguarda do conhecimento científico.
tecnologia do exterior.
▪ Ideia do conhecimento prático/ aplicado.
▪ Censura a novas ideias.
▪ Trabalho conjunto do Homens das ideias e
o das tecnologias (‘Ilumismo industrial’).
▪ Abundância de carvão e ferro.
▪ Energia barata.
Recursos ▪ Falta de recursos naturais adequados.
▪ Surgimento da indústria de instrumentos
de precisão.
▪ Elevada instabilidade política.
▪ Estabilidade política. ▪ Escassa abertura ao exterior (direitos
Política ▪ Baixos/ inexistentes diretos aduaneiros. aduaneiros elevados).
▪ Regime monarquia parlamentar. ▪ Excessiva especialização no setor
primário, com baixas produtividades.
▪ Ausência de uma elite empresarial
▪ Supremacia da evidência científica face ao
suficientemente dinâmica.
dogma.
Institucional ▪ Deficiente papel do Estado. 90
▪ Criação de sociedades científicas.
▪ Enquadramento institucional e legislativo
▪ Liberdade política e de expressão.
de tipo tradicional.
“Most probably, the explanation for the
Portuguese economic performance in the
nineteenth century lies not in one of these
various individual explanations but in a

combination of many of them. One thing is


certain, however: in the first decade of the In [Link]
poorer-than-other-european-countries/

twentieth century, Portugal was one of the


poorest, less industrialized, less educated, and
less open countries of Europe, with a long way
to follow in order to converge to higher wealth
and welfare levels.” (Amaral, 2019, pp. 56)
91
Exercício
Considere a seguinte tabela com os valores (em %) para o PNB per capita da Alemanha
relativamente a um conjunto de 10 economias europeias e face a uma economia X. Os
dados de base estão a preços (constantes) dos EUA.:
Ano Alemanha/10 países Alemanha/ Economia X
1830 92,9 98,0
1870 91,7 104,7
1913 95,7 254,5

a) “Admitindo que a Alemanha apresenta em 1913 um nível de produtividade médio


no setor dos bens e serviços transacionáveis superior ao da economia X, se
alternativamente à paridade de poder de compra fossem utilizadas as taxas de câmbio
nominais para efeitos de conversão, o rácio do PNB per capita da Alemanha face ao país
X seria superior”. Concorda com a afirmação? Justifique.

b) Determine o ritmo/ variação anual médio/a a que a economia X converge/ diverge


relativamente à média dos 10 países europeus e indique, justificando, se a evolução
comparada (face aos 10 países europeus) apresentada para a Economia X é compatível
com a evolução da economia portuguesa para o período em análise.

92
a) “Admitindo que a Alemanha apresenta em 1913 um nível de produtividade médio no setor dos bens e serviços
transacionáveis superior ao da economia X, se alternativamente à paridade de poder de compra fossem utilizadas as
taxas de câmbio nominais para efeitos de conversão, o rácio do PNB per capita da Alemanha face ao país X seria
superior”. Concorda com a afirmação? Justifique.
Ano Alemanha/10 países Alemanha/ Economia X
1915 92,9 98,0
1918 91,7 104,7
1924 95,7 254,5

A afirmação é verdadeira.

Sendo que a Alemanha é mais produtiva do que o país X nos bens e


serviços transacionáveis, os salários nominais são também mais elevados.
Efeito Balassa-Samuelson

𝑃𝑁𝐵𝑝𝑐 𝐴𝐿 𝑄𝑝𝑐 𝐴𝐿 × 𝑃𝐸𝑈𝐴 $


𝑃𝑃𝐶 =
Como há mobilidade de fatores (designadamente, trabalho), os salários 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑋 𝑄𝑝𝑐 𝑋 × 𝑃𝐸𝑈𝐴 $
𝐴𝐿
𝑄𝑝𝑐
nominais no setor dos bens e serviços não transacionáveis (B&S NT) na = = 254,5%
𝑄𝑝𝑐 𝑋
Alemanha tenderão a ser mais elevado.

Sendo que os níveis de produtividade no setor dos B&S NT não são muito
diferentes entre países, os produtores dos B&S NT, que não enfrentam 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝐴𝐿 𝑄𝑝𝑐 𝐴𝐿 × 𝑃 𝐴𝐿 $
𝑇𝐶𝐶 =
concorrência internacional, refletem os salários nominais mais elevados em 𝑃𝐼𝐵𝑝𝑐 𝑋 𝑄𝑝𝑐 𝑋 × 𝑃 𝑋 $
preços mais elevados. Como o nível geral de preços é uma média 𝑃𝐴𝐿 $
= 254,5% × 𝑋 $
ponderada de transacionáveis e não transacionáveis, o preço global médio 𝑃
>1
tende a ser mais elevado na Alemanha do que no país X. >254,5%

O uso de taxas de câmbio correntes (TCC), ao não entrar em linha de conta


com os preços dos B&S NT, tende a subavaliar o poder de compra de um
determinado montante monetário da economia X relativamente à
Alemanha.

Assim, o rácio do PNB per capita alemão face ao país X usando as TTC seria
superior a 254,5%.
b) Determine o ritmo/ variação anual médio/a a que a economia X converge/ diverge relativamente à média dos 10
países europeus e indique, justificando, se a evolução comparada (face aos 10 países europeus) apresentada para a
Economia X é compatível com a evolução da economia portuguesa para o período em análise.

Ano Alemanha/10 países (1) Alemanha/ Economia X (2) EconX/10= (1)/(2) Ritmo de conv(div) médio anual
1830 92,9 98,0 94,8%
1870 91,7 104,7 87,6% (87,6%-94,8%)/40=-0,18 p.p.
1913 95,7 254,5 37,6% (37,6%-87,6%)/43=-1,16 p.p.
1830-1913 (37.6%-94,8%)/83=-0,69 p.p.

Entre 1830 e 1913 a economia X diverge em termos reais e globalmente 57,2 pontos
percentuais, ou seja, 0,7 p.p. por ano, em média, face às 10 economias europeias.

Entre 1830 e 1870 (1870 e 1913) diverge, em termos reais, 0,2 p.p. (1,2 p.p.) por ano em
média.

O indicador de convergência para os anos de ponta (1830 e 1913) é compatível com a


evolução da economia portuguesa

Mas, o valor relativo ao ano de 1870 não. Deveria ser muito mais baixo já que uma parte
das economias europeias estava já no processo de industrialização, enquanto que
Portugal permaneceu (até meados do século XX) num paradigma rural, caracterizado por
baixas produtividades e, por isso, arredado do processo de crescimento económico
moderno.
Material de apoio ao
estudo do Módulo 1
Textos de apoio (Moodle)
Slides (Sigarra) In [Link]

Praticar
Exercício 1-4 (EXERCÍCIOS MÓDULOS I A IV - Sigarra/ Moodle)
In [Link]

95

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