Regulamento Geral do Ruído em Portugal

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Este documento aprova o Regulamento Geral do Ruído em Portugal, estabelecendo o regime de prevenção e controlo da poluição sonora. O regulamento se aplica a atividades ruidosas permanentes e…

Decreto-Lei n.

º 9/2007

de 17 de Janeiro

Artigo 1.º
Aprovação do Regulamento Geral do Ruído

É aprovado o Regulamento Geral do Ruído, que se publica em anexo ao presente


decreto-lei e dele faz parte integrante.

REGULAMENTO GERAL DO RUÍDO

CAPÍTULO I
Disposições gerais

Artigo 1.º
Objecto

O presente Regulamento estabelece o regime de prevenção e controlo da poluição


sonora, visando a salvaguarda da saúde humana e o bem-estar das populações.

Artigo 2.º
Âmbito

1 - O presente Regulamento aplica-se às actividades ruidosas permanentes e temporárias


e a outras fontes de ruído susceptíveis de causar incomodidade, designadamente:

a) Construção, reconstrução, ampliação, alteração ou conservação de edificações;

b) Obras de construção civil;

c) Laboração de estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços;

d) Equipamentos para utilização no exterior;

e) Infra-estruturas de transporte, veículos e tráfegos;

f) Espectáculos, diversões, manifestações desportivas, feiras e mercados;

g) Sistemas sonoros de alarme.

2 - O Regulamento é igualmente aplicável ao ruído de vizinhança.

3 - O presente Regulamento não prejudica o disposto em legislação especial,


nomeadamente sobre ruído nos locais de trabalho, certificação acústica de aeronaves,
emissões sonoras de veículos rodoviários a motor e de equipamentos para utilização no
exterior e sistemas sonoros de alarme.
4 - O presente Regulamento não se aplica à sinalização sonora de dispositivos de
segurança relativos a infra-estruturas de transporte ferroviário, designadamente de
passagens de nível.

Artigo 3.º
Definições

Para efeitos do presente Regulamento, entende-se por:

a) «Actividade ruidosa permanente» a actividade desenvolvida com carácter


permanente, ainda que sazonal, que produza ruído nocivo ou incomodativo para quem
habite ou permaneça em locais onde se fazem sentir os efeitos dessa fonte de ruído,
designadamente laboração de estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços;

b) «Actividade ruidosa temporária» a actividade que, não constituindo um acto isolado,


tenha carácter não permanente e que produza ruído nocivo ou incomodativo para quem
habite ou permaneça em locais onde se fazem sentir os efeitos dessa fonte de ruído tais
como obras de construção civil, competições desportivas, espectáculos, festas ou outros
divertimentos, feiras e mercados;

c) «Avaliação acústica» a verificação da conformidade de situações específicas de ruído


com os limites fixados;

d) «Fonte de ruído» a acção, actividade permanente ou temporária, equipamento,


estrutura ou infra-estrutura que produza ruído nocivo ou incomodativo para quem habite
ou permaneça em locais onde se faça sentir o seu efeito;

e) «Grande infra-estrutura de transporte aéreo» o aeroporto civil identificado como tal


pelo Instituto Nacional de Aviação Civil cujo tráfego seja superior a 50000 movimentos
por ano de aviões civis subsónicos de propulsão por reacção, tendo em conta a média
dos três últimos anos que tenham precedido a aplicação das disposições deste diploma
ao aeroporto em questão, considerando-se um movimento uma aterragem ou uma
descolagem;

f) «Grande infra-estrutura de transporte ferroviário» o troço ou conjunto de troços de


uma via férrea regional, nacional ou internacional identificada como tal pelo Instituto
Nacional do Transporte Ferroviário, onde se verifique mais de 30000 passagens de
comboios por ano;

g) «Grande infra-estrutura de transporte rodoviário» o troço ou conjunto de troços de


uma estrada municipal, regional, nacional ou internacional identificada como tal pela
Estradas de Portugal, E. P. E., onde se verifique mais de três milhões de passagens de
veículos por ano;

h) «Infra-estrutura de transporte» a instalação e meios destinados ao funcionamento de


transporte aéreo, ferroviário ou rodoviário;

i) «Indicador de ruído» o parâmetro físico-matemático para a descrição do ruído


ambiente que tenha uma relação com um efeito prejudicial na saúde ou no bem-estar
humano;
j) «Indicador de ruído diurno-entardecer-nocturno (L(índice den))» o indicador de ruído,
expresso em dB(A), associado ao incómodo global, dado pela expressão:

L(índice den) = 10 x log (1/24) [13 x 10(elevado a (L(índice d)/10)) + 3 x 10(elevado a


(L(índice e) + 5)/10) + 8 x 10(elevado a ((L(índice n) + 10)/10)]

l) «Indicador de ruído diurno (L(índice d)) ou (L(índice day))» o nível sonoro médio de
longa duração, conforme definido na Norma NP 1730-1:1996, ou na versão actualizada
correspondente, determinado durante uma série de períodos diurnos representativos de
um ano;

m) «Indicador de ruído do entardecer (L(índice e)) ou (L(índice evening))» o nível


sonoro médio de longa duração, conforme definido na Norma NP 1730-1:1996, ou na
versão actualizada correspondente, determinado durante uma série de períodos do
entardecer representativos de um ano;

n) «Indicador de ruído nocturno (L(índice n)) ou (L(índice night))» o nível sonoro


médio de longa duração, conforme definido na Norma NP 1730-1:1996, ou na versão
actualizada correspondente, determinado durante uma série de períodos nocturnos
representativos de um ano;

o) «Mapa de ruído» o descritor do ruído ambiente exterior, expresso pelos indicadores


L(índice den) e L(índice n), traçado em documento onde se representam as isófonas e as
áreas por elas delimitadas às quais corresponde uma determinada classe de valores
expressos em dB(A);

p) «Período de referência» o intervalo de tempo a que se refere um indicador de ruído,


de modo a abranger as actividades humanas típicas, delimitado nos seguintes termos:

i) Período diurno - das 7 às 20 horas;

ii) Período do entardecer - das 20 às 23 horas;

iii) Período nocturno - das 23 às 7 horas;

q) «Receptor sensível» o edifício habitacional, escolar, hospitalar ou similar ou espaço


de lazer, com utilização humana;

r) «Ruído de vizinhança» o ruído associado ao uso habitacional e às actividades que lhe


são inerentes, produzido directamente por alguém ou por intermédio de outrem, por
coisa à sua guarda ou animal colocado sob a sua responsabilidade, que, pela sua
duração, repetição ou intensidade, seja susceptível de afectar a saúde pública ou a
tranquilidade da vizinhança;

s) «Ruído ambiente» o ruído global observado numa dada circunstância num


determinado instante, devido ao conjunto das fontes sonoras que fazem parte da
vizinhança próxima ou longínqua do local considerado;

t) «Ruído particular» o componente do ruído ambiente que pode ser especificamente


identificada por meios acústicos e atribuída a uma determinada fonte sonora;
u) «Ruído residual» o ruído ambiente a que se suprimem um ou mais ruídos
particulares, para uma situação determinada;

v) «Zona mista» a área definida em plano municipal de ordenamento do território, cuja


ocupação seja afecta a outros usos, existentes ou previstos, para além dos referidos na
definição de zona sensível;

x) «Zona sensível» a área definida em plano municipal de ordenamento do território


como vocacionada para uso habitacional, ou para escolas, hospitais ou similares, ou
espaços de lazer, existentes ou previstos, podendo conter pequenas unidades de
comércio e de serviços destinadas a servir a população local, tais como cafés e outros
estabelecimentos de restauração, papelarias e outros estabelecimentos de comércio
tradicional, sem funcionamento no período nocturno;

z) «Zona urbana consolidada» a zona sensível ou mista com ocupação estável em


termos de edificação.

Artigo 4.º
Princípios fundamentais

1 - Compete ao Estado, às Regiões Autónomas, às autarquias locais e às demais


entidades públicas, no quadro das suas atribuições e das competências dos respectivos
órgãos, promover as medidas de carácter administrativo e técnico adequadas à
prevenção e controlo da poluição sonora, nos limites da lei e no respeito do interesse
público e dos direitos dos cidadãos.

2 - Compete ao Estado definir uma estratégia nacional de redução da poluição sonora e


definir um modelo de integração da política de controlo de ruído nas políticas de
desenvolvimento económico e social e nas demais políticas sectoriais com incidência
ambiental, no ordenamento do território e na saúde.

3 - Compete ao Estado e às demais entidades públicas, em especial às autarquias locais,


tomar todas as medidas adequadas para o controlo e minimização dos incómodos
causados pelo ruído resultante de quaisquer actividades, incluindo as que ocorram sob a
sua responsabilidade ou orientação.

4 - As fontes de ruído susceptíveis de causar incomodidade podem ser submetidas:

a) Ao regime de avaliação de impacte ambiental ou a um regime de parecer prévio,


como formalidades essenciais dos respectivos procedimentos de licenciamento,
autorização ou aprovação;

b) A licença especial de ruído;

c) A caução;

d) A medidas cautelares.
Artigo 5.º
Informação e apoio técnico

1 - Incumbe ao Instituto do Ambiente:

a) Prestar apoio técnico às entidades competentes para elaborar mapas de ruído e planos
de redução de ruído, incluindo a definição de directrizes para a sua elaboração;

b) Centralizar a informação relativa a ruído ambiente exterior.

2 - Para efeitos do disposto na alínea b) do número anterior, as entidades que disponham


de informação relevante em matéria de ruído, designadamente mapas de ruído e o
relatório a que se refere o artigo 10.º do presente Regulamento, devem remetê-la
regularmente ao Instituto do Ambiente.

CAPÍTULO II
Planeamento municipal

Artigo 6.º
Planos municipais de ordenamento do território

1 - Os planos municipais de ordenamento do território asseguram a qualidade do


ambiente sonoro, promovendo a distribuição adequada dos usos do território, tendo em
consideração as fontes de ruído existentes e previstas.

2 - Compete aos municípios estabelecer nos planos municipais de ordenamento do


território a classificação, a delimitação e a disciplina das zonas sensíveis e das zonas
mistas.

3 - A classificação de zonas sensíveis e de zonas mistas é realizada na elaboração de


novos planos e implica a revisão ou alteração dos planos municipais de ordenamento do
território em vigor.

4 - Os municípios devem acautelar, no âmbito das suas atribuições de ordenamento do


território, a ocupação dos solos com usos susceptíveis de vir a determinar a classificação
da área como zona sensível, verificada a proximidade de infra-estruturas de transporte
existentes ou programadas.

Artigo 7.º
Mapas de ruído

1 - As câmaras municipais elaboram mapas de ruído para apoiar a elaboração, alteração


e revisão dos planos directores municipais e dos planos de urbanização.

2 - As câmaras municipais elaboram relatórios sobre recolha de dados acústicos para


apoiar a elaboração, alteração e revisão dos planos de pormenor, sem prejuízo de
poderem elaborar mapas de ruído sempre que tal se justifique.
3 - Exceptuam-se do disposto nos números anteriores os planos de urbanização e os
planos de pormenor referentes a zonas exclusivamente industriais.

4 - A elaboração dos mapas de ruído tem em conta a informação acústica adequada,


nomeadamente a obtida por técnicas de modelação apropriadas ou por recolha de dados
acústicos realizada de acordo com técnicas de medição normalizadas.

5 - Os mapas de ruído são elaborados para os indicadores L(índice den) e L(índice n)


reportados a uma altura de 4 m acima do solo.

6 - Os municípios que constituam aglomerações com uma população residente superior


a 100000 habitantes e uma densidade populacional superior a 2500 habitantes/km2
estão sujeitos à elaboração de mapas estratégicos de ruído, nos termos do disposto no
Decreto-Lei n.º 146/2006, de 31 de Julho.

Artigo 8.º
Planos municipais de redução de ruído

1 - As zonas sensíveis ou mistas com ocupação expostas a ruído ambiente exterior que
exceda os valores limite fixados no artigo 11.º devem ser objecto de planos municipais
de redução de ruído, cuja elaboração é da responsabilidade das câmaras municipais.

2 - Os planos municipais de redução de ruído devem ser executados num prazo máximo
de dois anos contados a partir da data de entrada em vigor do presente Regulamento,
podendo contemplar o faseamento de medidas, considerando prioritárias as referentes a
zonas sensíveis ou mistas expostas a ruído ambiente exterior que exceda em mais de 5
dB(A) os valores limite fixados no artigo 11.º

3 - Os planos municipais de redução do ruído vinculam as entidades públicas e os


particulares, sendo aprovados pela assembleia municipal, sob proposta da câmara
municipal.

4 - A gestão dos problemas e efeitos do ruído, incluindo a redução de ruído, em


municípios que constituam aglomerações com uma população residente superior a
100000 habitantes e uma densidade populacional superior a 2500 habitantes/km2 é
assegurada através de planos de acção, nos termos do Decreto-Lei n.º 146/2006, de 31
de Julho.

5 - Na elaboração dos planos municipais de redução de ruído, são consultadas as


entidades públicas e privadas que possam vir a ser indicadas como responsáveis pela
execução dos planos municipais de redução de ruído.

Artigo 9.º
Conteúdo dos planos municipais de redução de ruído

Dos planos municipais de redução de ruído constam, necessariamente, os seguintes


elementos:

a) Identificação das áreas onde é necessário reduzir o ruído ambiente exterior;


b) Quantificação, para as zonas referidas no n.º 1 do artigo anterior, da redução global
de ruído ambiente exterior relativa aos indicadores L(índice den) e L(índice n);

c) Quantificação, para cada fonte de ruído, da redução necessária relativa aos


indicadores L(índice den) e L(índice n) e identificação das entidades responsáveis pela
execução de medidas de redução de ruído;

d) Indicação das medidas de redução de ruído e respectiva eficácia quando a entidade


responsável pela sua execução é o município.

Artigo 10.º
Relatório sobre o ambiente acústico

As câmaras municipais apresentam à assembleia municipal, de dois em dois anos, um


relatório sobre o estado do ambiente acústico municipal, excepto quando esta matéria
integre o relatório sobre o estado do ambiente municipal.

CAPÍTULO III
Regulação da produção de ruído

Artigo 11.º
Valores limite de exposição

1 - Em função da classificação de uma zona como mista ou sensível, devem ser


respeitados os seguintes valores limite de exposição:

a) As zonas mistas não devem ficar expostas a ruído ambiente exterior superior a 65
dB(A), expresso pelo indicador L(índice den), e superior a 55 dB(A), expresso pelo
indicador L(índice n);

b) As zonas sensíveis não devem ficar expostas a ruído ambiente exterior superior a 55
dB(A), expresso pelo indicador L(índice den), e superior a 45 dB(A), expresso pelo
indicador L(índice n);

c) As zonas sensíveis em cuja proximidade exista em exploração, à data da entrada em


vigor do presente Regulamento, uma grande infra-estrutura de transporte não devem
ficar expostas a ruído ambiente exterior superior a 65 dB(A), expresso pelo indicador
L(índice den), e superior a 55 dB(A), expresso pelo indicador L(índice n);

d) As zonas sensíveis em cuja proximidade esteja projectada, à data de elaboração ou


revisão do plano municipal de ordenamento do território, uma grande infra-estrutura de
transporte aéreo não devem ficar expostas a ruído ambiente exterior superior a 65
dB(A), expresso pelo indicador L(índice den), e superior a 55 dB(A), expresso pelo
indicador L(índice n);

e) As zonas sensíveis em cuja proximidade esteja projectada, à data de elaboração ou


revisão do plano municipal de ordenamento do território, uma grande infra-estrutura de
transporte que não aéreo não devem ficar expostas a ruído ambiente exterior superior a
60 dB(A), expresso pelo indicador L(índice den), e superior a 50 dB(A), expresso pelo
indicador L(índice n).
2 - Os receptores sensíveis isolados não integrados em zonas classificadas, por estarem
localizados fora dos perímetros urbanos, são equiparados, em função dos usos existentes
na sua proximidade, a zonas sensíveis ou mistas, para efeitos de aplicação dos
correspondentes valores limite fixados no presente artigo.

3 - Até à classificação das zonas sensíveis e mistas a que se referem os [Link] 2 e 3 do


artigo 6.º, para efeitos de verificação do valor limite de exposição, aplicam-se aos
receptores sensíveis os valores limite de L(índice den) igual ou inferior a 63 dB(A) e
L(índice n) igual ou inferior a 53 dB(A).

4 - Para efeitos de verificação de conformidade dos valores fixados no presente artigo, a


avaliação deve ser efectuada junto do ou no receptor sensível, por uma das seguintes
formas:

a) Realização de medições acústicas, sendo que os pontos de medição devem, sempre


que tecnicamente possível, estar afastados, pelo menos, 3,5 m de qualquer estrutura
reflectora, à excepção do solo, e situar-se a uma altura de 3,8 m a 4,2 m acima do solo,
quando aplicável, ou de 1,2 m a 1,5 m de altura acima do solo ou do nível de cada piso
de interesse, nos restantes casos;

b) Consulta dos mapas de ruído, desde que a situação em verificação seja passível de
caracterização através dos valores neles representados.

5 - Os municípios podem estabelecer, em espaços delimitados de zonas sensíveis ou


mistas, designadamente em centros históricos, valores inferiores em 5 dB(A) aos
fixados nas alíneas a) e b) do n.º 1.

Artigo 12.º
Controlo prévio das operações urbanísticas

1 - O cumprimento dos valores limite fixados no artigo anterior é verificado no âmbito


do procedimento de avaliação de impacte ambiental, sempre que a operação urbanística
esteja sujeita ao respectivo regime jurídico.

2 - O cumprimento dos valores limite fixados no artigo anterior relativamente às


operações urbanísticas não sujeitas a procedimento de avaliação de impacte ambiental é
verificado no âmbito dos procedimentos previstos no regime jurídico de urbanização e
da edificação, devendo o interessado apresentar os documentos identificados na Portaria
n.º 1110/2001, de 19 de Setembro.

3 - Ao projecto acústico, também designado por projecto de condicionamento acústico,


aplica-se o Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios, aprovado pelo
Decreto-Lei n.º 129/2002, de 11 de Maio.

4 - Às operações urbanísticas previstas no n.º 2 do presente artigo, quando promovidas


pela administração pública, é aplicável o artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de
Dezembro, competindo à comissão de coordenação e desenvolvimento regional
territorialmente competente verificar o cumprimento dos valores limite fixados no artigo
anterior, bem como emitir parecer sobre o extracto de mapa de ruído ou, na sua
ausência, sobre o relatório de recolha de dados acústicos ou sobre o projecto acústico,
apresentados nos termos da Portaria n.º 1110/2001, de 19 de Setembro.

5 - A utilização ou alteração da utilização de edifícios e suas fracções está sujeita à


verificação do cumprimento do projecto acústico a efectuar pela câmara municipal, no
âmbito do respectivo procedimento de licença ou autorização da utilização, podendo a
câmara, para o efeito, exigir a realização de ensaios acústicos.

6 - É interdito o licenciamento ou a autorização de novos edifícios habitacionais, bem


como de novas escolas, hospitais ou similares e espaços de lazer enquanto se verifique
violação dos valores limite fixados no artigo anterior.

7 - Exceptuam-se do disposto no número anterior os novos edifícios habitacionais em


zonas urbanas consolidadas, desde que essa zona:

a) Seja abrangida por um plano municipal de redução de ruído; ou

b) Não exceda em mais de 5 dB(A) os valores limite fixados no artigo anterior e que o
projecto acústico considere valores do índice de isolamento sonoro a sons de condução
aérea, normalizado, D(índice 2m,n,w), superiores em 3 dB aos valores constantes da
alínea a) do n.º 1 do artigo 5.º do Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios,
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 129/2002, de 11 de Maio.

Artigo 13.º
Actividades ruidosas permanentes

1 - A instalação e o exercício de actividades ruidosas permanentes em zonas mistas, nas


envolventes das zonas sensíveis ou mistas ou na proximidade dos receptores sensíveis
isolados estão sujeitos:

a) Ao cumprimento dos valores limite fixados no artigo 11.º; e

b) Ao cumprimento do critério de incomodidade, considerado como a diferença entre o


valor do indicador L(índice Aeq) do ruído ambiente determinado durante a ocorrência
do ruído particular da actividade ou actividades em avaliação e o valor do indicador
L(índice Aeq) do ruído residual, diferença que não pode exceder 5 dB(A) no período
diurno, 4 dB(A) no período do entardecer e 3 dB(A) no período nocturno, nos termos do
anexo I ao presente Regulamento, do qual faz parte integrante.

2 - Para efeitos do disposto no número anterior, devem ser adoptadas as medidas


necessárias, de acordo com a seguinte ordem decrescente:

a) Medidas de redução na fonte de ruído;

b) Medidas de redução no meio de propagação de ruído;

c) Medidas de redução no receptor sensível.


3 - Compete à entidade responsável pela actividade ou ao receptor sensível, conforme
quem seja titular da autorização ou licença mais recente, adoptar as medidas referidas na
alínea c) do número anterior relativas ao reforço de isolamento sonoro.

4 - São interditos a instalação e o exercício de actividades ruidosas permanentes nas


zonas sensíveis, excepto as actividades permitidas nas zonas sensíveis e que cumpram o
disposto nas alíneas a) e b) do n.º 1.

5 - O disposto na alínea b) do n.º 1 não se aplica, em qualquer dos períodos de


referência, para um valor do indicador L(índice Aeq) do ruído ambiente no exterior
igual ou inferior a 45 dB(A) ou para um valor do indicador L(índice Aeq) do ruído
ambiente no interior dos locais de recepção igual ou inferior a 27 dB(A), considerando o
estabelecido nos [Link] 1 e 4 do anexo I.

6 - Em caso de manifesta impossibilidade técnica de cessar a actividade em avaliação, a


metodologia de determinação do ruído residual é apreciada caso a caso pela respectiva
comissão de coordenação e desenvolvimento regional, tendo em conta directrizes
emitidas pelo Instituto do Ambiente.

7 - O cumprimento do disposto no n.º 1 é verificado no âmbito do procedimento de


avaliação de impacte ambiental, sempre que a actividade ruidosa permanente esteja
sujeita ao respectivo regime jurídico.

8 - Quando a actividade não esteja sujeita a avaliação de impacte ambiental, a


verificação do cumprimento do disposto no n.º 1 é da competência da entidade
coordenadora do licenciamento e é efectuada no âmbito do respectivo procedimento de
licenciamento, autorização de instalação ou de alteração de actividades ruidosas
permanentes.

9 - Para efeitos do disposto no número anterior, o interessado deve apresentar à entidade


coordenadora do licenciamento uma avaliação acústica.

Artigo 14.º
Actividades ruidosas temporárias

É proibido o exercício de actividades ruidosas temporárias na proximidade de:

a) Edifícios de habitação, aos sábados, domingos e feriados e nos dias úteis entre as 20 e
as 8 horas;

b) Escolas, durante o respectivo horário de funcionamento;

c) Hospitais ou estabelecimentos similares.

Artigo 15.º
Licença especial de ruído
1 - O exercício de actividades ruidosas temporárias pode ser autorizado, em casos
excepcionais e devidamente justificados, mediante emissão de licença especial de ruído
pelo respectivo município, que fixa as condições de exercício da actividade relativas aos
aspectos referidos no número seguinte.

2 - A licença especial de ruído é requerida pelo interessado com a antecedência mínima


de 15 dias úteis relativamente à data de início da actividade, indicando:

a) Localização exacta ou percurso definido para o exercício da actividade;

b) Datas de início e termo da actividade;

c) Horário;

d) Razões que justificam a realização da actividade naquele local e hora;

e) As medidas de prevenção e de redução do ruído propostas, quando aplicável;

f) Outras informações consideradas relevantes.

3 - Se a licença especial de ruído for requerida prévia ou simultaneamente ao pedido de


emissão do alvará de licença ou autorização das operações urbanísticas previstas nas
alíneas a) e b) do artigo 2.º do presente decreto-lei, tal licença deve ser emitida na
mesma data do alvará.

4 - Se a licença especial de ruído requerida nos termos do número anterior não for
emitida na mesma data do alvará, esta considera-se tacitamente deferida.

5 - A licença especial de ruído, quando emitida por um período superior a um mês, fica
condicionada ao respeito nos receptores sensíveis do valor limite do indicador L(índice
Aeq) do ruído ambiente exterior de 60 dB(A) no período do entardecer e de 55 dB(A)
no período nocturno.

6 - Para efeitos da verificação dos valores referidos no número anterior, o indicador


L(índice Aeq) reporta-se a um dia para o período de referência em causa.

7 - Não carece de licença especial de ruído:

a) O exercício de uma actividade ruidosa temporária promovida pelo município, ficando


sujeita aos valores limites fixados no n.º 5;

b) As actividades de conservação e manutenção ferroviária, salvo se as referidas


operações forem executadas durante mais de 10 dias na proximidade do mesmo
receptor.

8 - A exigência do cumprimento dos valores limite previstos no n.º 5 do presente artigo


pode ser dispensada pelos municípios no caso de obras em infra-estruturas de
transporte, quando seja necessário manter em exploração a infra-estrutura ou quando,
por razões de segurança ou de carácter técnico, não seja possível interromper os
trabalhos.
9 - A exigência do cumprimento dos valores limite previstos no n.º 5 do presente artigo
pode ser ainda excepcionalmente dispensada, por despacho dos membros do Governo
responsáveis pela área do ambiente e dos transportes, no caso de obras em infra-
estruturas de transporte cuja realização se revista de reconhecido interesse público.

Artigo 16.º
Obras no interior de edifícios

1 - As obras de recuperação, remodelação ou conservação realizadas no interior de


edifícios destinados a habitação, comércio ou serviços que constituam fonte de ruído
apenas podem ser realizadas em dias úteis, entre as 8 e as 20 horas, não se encontrando
sujeitas à emissão de licença especial de ruído.

2 - O responsável pela execução das obras afixa em local acessível aos utilizadores do
edifício a duração prevista das obras e, quando possível, o período horário no qual se
prevê que ocorra a maior intensidade de ruído.

Artigo 17.º
Trabalhos ou obras urgentes

Não estão sujeitos às limitações previstas nos artigos 14.º a 16.º os trabalhos ou obras
em espaços públicos ou no interior de edifícios que devam ser executados com carácter
de urgência para evitar ou reduzir o perigo de produção de danos para pessoas ou bens.

Artigo 18.º
Suspensão da actividade ruidosa

As actividades ruidosas temporárias e obras no interior de edifícios realizadas em


violação do disposto nos artigos 14.º a 16.º do presente Regulamento são suspensas por
ordem das autoridades policiais, oficiosamente ou a pedido do interessado, devendo ser
lavrado auto da ocorrência a remeter ao presidente da câmara municipal para
instauração do respectivo procedimento de contra-ordenação.

Artigo 19.º
Infra-estruturas de transporte

1 - As infra-estruturas de transporte, novas ou em exploração à data da entrada em vigor


do presente Regulamento, estão sujeitas aos valores limite fixados no artigo 11.º

2 - As grandes infra-estruturas de transporte aéreo em exploração à data da entrada em


vigor do presente Regulamento, abrangidas pelo Decreto-Lei n.º 293/2003, de 19 de
Novembro, devem adoptar medidas que permitam dar cumprimento ao disposto no
artigo 11.º até 31 de Março de 2008.

3 - Para efeitos do disposto nos números anteriores, devem ser adoptadas as medidas
necessárias, de acordo com a seguinte ordem decrescente:

a) Medidas de redução na fonte de ruído;

b) Medidas de redução no meio de propagação de ruído.


4 - Excepcionalmente, quando comprovadamente esgotadas as medidas referidas no
número anterior e desde que não subsistam valores de ruído ambiente exterior que
excedam em mais de 5 dB(A) os valores limite fixados na alínea b) do n.º 1 do artigo
11.º, podem ser adoptadas medidas nos receptores sensíveis que proporcionem conforto
acústico acrescido no interior dos edifícios adoptando valores do índice de isolamento
sonoro a sons de condução aérea, normalizado, D(índice 2m,n,w), superiores em 3 dB
aos valores constantes da alínea a) do n.º 1 do artigo 5.º, da alínea a) do n.º 1 do artigo
7.º e da alínea a) do n.º 1 do artigo 8.º, todos do Regulamento dos Requisitos Acústicos
dos Edifícios.

5 - A adopção e implementação das medidas de isolamento sonoro nos receptores


sensíveis referidas no número anterior compete à entidade responsável pela exploração
das infra-estruturas referidas nos [Link] 1 e 2 do presente artigo ou ao receptor sensível,
conforme quem mais recentemente tenha instalado ou dado início à respectiva
actividade, instalação ou construção ou seja titular da autorização ou licença mais
recente.

6 - Por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do


ambiente e dos transportes e para efeito do cumprimento dos valores limite fixados no
artigo 11.º do presente Regulamento, podem ser equiparadas a grandes infra-estruturas
de transporte as infra-estruturas de transporte aéreo identificadas pelo Instituto Nacional
de Aviação Civil como aeroporto civil com tráfego superior a 43000 movimentos por
ano de aviões subsónicos de propulsão por reacção e em que não seja possível cumprir
os valores limite que lhes seriam aplicáveis.

7 - O cumprimento do disposto no presente artigo é objecto de verificação no âmbito do


procedimento de avaliação de impacte ambiental, quando ao mesmo haja lugar.

8 - Quando a infra-estrutura de transporte não esteja sujeita a avaliação de impacte


ambiental, a verificação do cumprimento do disposto no presente artigo é efectuada no
âmbito do respectivo procedimento de licenciamento ou autorização.

9 - As grandes infra-estruturas de transporte aéreo, ferroviário e rodoviário elaboram


mapas estratégicos de ruído e planos de acção, nos termos do disposto no Decreto-Lei
n.º 146/2006, de 31 de Julho.

Artigo 20.º
Funcionamento de infra-estruturas de transporte aéreo

1 - São proibidas nos aeroportos e aeródromos não abrangidos pelo disposto no


Decreto-Lei n.º 293/2003, de 11 de Novembro, a aterragem e a descolagem de
aeronaves civis entre as 0 e as 6 horas, salvo por motivo de força maior.

2 - Por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas dos
transportes e do ambiente, pode ser permitida a aterragem e a descolagem de aeronaves
civis entre as 0 e as 6 horas nos aeroportos e aeródromos que disponham de um sistema
de monitorização e simulação de ruído que permita caracterizar a sua envolvente
relativamente ao L(índice den) e L(índice n) e determinar o número máximo de
aterragens e descolagens entre as 0 e as 6 horas, de forma a assegurar o cumprimento
dos valores limite fixados no artigo 11.º
3 - A portaria referida no número anterior fixa, em função dos resultados do sistema de
monitorização e de simulação de ruído, o número máximo de aterragens e descolagens
permitido na infra-estrutura de transporte aéreo entre as 0 e as 6 horas, a identificação
das aeronaves abrangidas em função do nível de classificação sonora de acordo com as
normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), bem como outras
restrições de operação.

4 - As aeronaves a operar no território nacional devem ser objecto de certificação


acústica de acordo com as normas estabelecidas pela OACI.

Artigo 21.º
Outras fontes de ruído

As fontes de ruído susceptíveis de causar incomodidade estão sujeitas ao cumprimento


dos valores limite fixados no artigo 11.º, bem como ao disposto na alínea b) do n.º 1 e
no n.º 5 do artigo 13.º e são sujeitas a controlo preventivo no âmbito de procedimento
de avaliação de impacte ambiental, quando aplicável, e dos respectivos procedimentos
de autorização ou licenciamento.

Artigo 22.º
Veículos rodoviários a motor

1 - É proibida, nos termos do disposto no Código da Estrada e respectivo Regulamento,


a circulação de veículos com motor cujo valor do nível sonoro do ruído global de
funcionamento exceda os valores fixados no livrete, considerado o limite de tolerância
de 5 dB(A).

2 - No caso de veículos de duas ou três rodas cujo livrete não mencione o valor do nível
sonoro, a medição do nível sonoro do ruído de funcionamento é feita em conformidade
com a NP 2067, com o veículo em regime de rotação máxima, devendo respeitar os
limites constantes do anexo II do presente Regulamento, que dele faz parte integrante.

3 - A inspecção periódica de veículos inclui o controlo do valor do nível sonoro do


ruído global de funcionamento.

Artigo 23.º
Sistemas sonoros de alarme instalados em veículos

1 - É proibida a utilização em veículos de sistemas sonoros de alarme que não possuam


mecanismos de controlo que assegurem que a duração do alarme não excede vinte
minutos.
2 - As autoridades policiais podem proceder à remoção de veículos que se encontram
estacionados ou imobilizados com funcionamento sucessivo ou ininterrupto de sistema
sonoro de alarme por período superior a vinte minutos.

Artigo 24.º
Ruído de vizinhança

1 - As autoridades policiais podem ordenar ao produtor de ruído de vizinhança,


produzido entre as 23 e as 7 horas, a adopção das medidas adequadas para fazer cessar
imediatamente a incomodidade.

2 - As autoridades policiais podem fixar ao produtor de ruído de vizinhança produzido


entre as 7 e as 23 horas um prazo para fazer cessar a incomodidade.

Artigo 25.º
Caução

1 - Por despacho conjunto do membro do Governo competente em razão da matéria e do


membro do Governo responsável pela área do ambiente, pode ser determinada a
prestação de caução aos agentes económicos que se proponham desenvolver, com
carácter temporário ou permanente, actividades ruidosas, a qual é devolvida caso não
surjam, nos prazo e condições nela definidos, reclamações por incomodidade imputada
à actividade ou, surgindo, venha a concluir-se pela sua improcedência.

2 - Caso ocorra a violação de disposições do presente Regulamento e das condições


fixadas na caução, a mesma pode ser utilizada para os seguintes fins, por ordem
decrescente de preferência:

a) Ressarcimento de prejuízos causados a terceiros;

b) Liquidação de coimas aplicadas nos termos do artigo 28.º do presente Regulamento.

CAPÍTULO IV
Fiscalização e regime contra-ordenacional

Artigo 26.º
Fiscalização

A fiscalização do cumprimento das normas previstas no presente Regulamento compete:

a) À Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território;

b) À entidade responsável pelo licenciamento ou autorização da actividade;

c) Às comissões de coordenação e desenvolvimento regional;

d) Às câmaras municipais e polícia municipal, no âmbito das respectivas atribuições e


competências;
e) Às autoridades policiais e polícia municipal relativamente a actividades ruidosas
temporárias, no âmbito das respectivas atribuições e competências;

f) Às autoridades policiais relativamente a veículos rodoviários a motor, sistemas


sonoros de alarme e ruído de vizinhança.

Artigo 27.º
Medidas cautelares

1 - As entidades fiscalizadoras podem ordenar a adopção das medidas imprescindíveis


para evitar a produção de danos graves para a saúde humana e para o bem-estar das
populações em resultado de actividades que violem o disposto no presente
Regulamento.

2 - As medidas referidas no número anterior podem consistir na suspensão da


actividade, no encerramento preventivo do estabelecimento ou na apreensão de
equipamento por determinado período de tempo.

3 - As medidas cautelares presumem-se decisões urgentes, devendo a entidade


competente, sempre que possível, proceder à audiência do interessado concedendo-lhe
prazo não inferior a três dias para se pronunciar.

Artigo 28.º
Sanções

1 - Constitui contra-ordenação ambiental leve:

a) O exercício de actividades ruidosas temporárias sem licença especial de ruído em


violação do disposto do n.º 1 do artigo 15.º;

b) O exercício de actividades ruidosas temporárias em violação das condições da licença


especial de ruído fixadas nos termos do n.º 1 do artigo 15.º;

c) A violação dos limites estabelecidos no n.º 5 do artigo 15.º, quando a licença especial
de ruído é emitida por período superior a um mês;

d) A realização de obras no interior de edifícios em violação das condições


estabelecidas pelo n.º 1 do artigo 16.º;

e) O não cumprimento da obrigação de afixação das informações nos termos do n.º 2 do


artigo 16.º;

f) O não cumprimento da ordem de suspensão emitida pelas autoridades policiais ou


municipais, nos termos do artigo 18.º;

g) A utilização de sistemas sonoros de alarme instalados em veículos em violação do


disposto no n.º 1 do artigo 23.º;

h) O não cumprimento da ordem de cessação da incomodidade emitida pela autoridade


policial nos termos do n.º 1 do artigo 24.º;
i) O não cumprimento da ordem de cessação da incomodidade emitida pela autoridade
policial nos termos do n.º 2 do artigo 24.º

2 - Constitui contra-ordenação ambiental grave:

a) O incumprimento das medidas previstas no plano municipal de redução de ruído pela


entidade privada responsável pela sua execução nos termos do artigo 8.º;

b) A instalação ou o exercício de actividades ruidosas permanentes em zonas mistas, nas


envolventes das zonas sensíveis ou mistas ou na proximidade dos receptores sensíveis
isolados em violação do disposto no n.º 1 do artigo 13.º;

c) A instalação ou o exercício de actividades ruidosas permanentes em zonas sensíveis


em violação do disposto no n.º 4 do artigo 13.º;

d) A instalação ou exploração de infra-estrutura de transporte em violação do disposto


no n.º 1 do artigo 19.º;

e) A não adopção, na exploração de grande infra-estrutura de transporte aéreo, das


medidas previstas no n.º 2 do artigo 19.º necessárias ao cumprimento dos valores limite
fixados no artigo 11.º;

f) A aterragem e descolagem de aeronaves civis em violação do disposto no n.º 1 do


artigo 20.º;

g) A violação das condições de funcionamento da infra-estrutura de transporte aéreo


fixadas nos termos do n.º 3 do artigo 20.º;

h) A instalação ou exploração de outras fontes de ruído em violação dos limites


previstos no artigo 21.º;

i) O não cumprimento das medidas cautelares fixadas nos termos do artigo 27.º

3 - A negligência e a tentativa são puníveis, sendo nesse caso reduzido para metade os
limites mínimos e máximos das coimas referidos no presente Regulamento.

4 - A condenação pela prática das infracções graves previstas no n.º 2 do presente artigo
pode ser objecto de publicidade, nos termos do disposto no artigo 38.º da Lei n.º
50/2006, de 29 de Agosto, quando a medida concreta da coima aplicada ultrapasse
metade do montante máximo da coima abstracta aplicável.

Artigo 29.º
Apreensão cautelar e sanções acessórias

A entidade competente para aplicação da coima pode proceder a apreensões cautelares e


aplicar as sanções acessórias que se mostrem adequadas, nos termos do disposto na Lei
n.º 50/2006, de 29 de Agosto.
Artigo 30.º
Processamento e aplicação de coimas

1 - O processamento das contra-ordenações e a aplicação das respectivas coimas e


sanções acessórias é da competência da entidade autuante, sem prejuízo do disposto nos
números seguintes.

2 - Compete à câmara municipal o processamento das contra-ordenações e a aplicação


das coimas e sanções acessórias em matéria de actividades ruidosas temporárias e de
ruído de vizinhança.

3 - Compete à Direcção-Geral de Viação o processamento das contra-ordenações e a


aplicação das coimas e sanções acessórias em matéria de veículos rodoviários a motor e
sistemas sonoros de alarme instalados em veículos.

CAPÍTULO V
Outros regimes e disposições de carácter técnico

Artigo 31.º
Outros regimes

1 - O ruído produzido por equipamento para utilização no exterior é regulado pelo


Regulamento das Emissões Sonoras para o Ambiente do Equipamento para Utilização
no Exterior, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 76/2002, de 26 de Março.

2 - Ao ruído produzido por sistemas sonoros de alarme instalados em imóveis aplica-se


o Decreto-Lei n.º 297/99, de 4 de Agosto, que regula a ligação às forças de segurança,
Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública, de equipamentos de
segurança contra roubo ou intrusão que possuam ou não sistemas sonoros de alarme
instalados em edifícios ou imóveis de qualquer natureza.

3 - Os espectáculos de natureza desportiva e os divertimentos públicos nas vias, jardins


e demais lugares públicos ao ar livre realizam-se nos termos do disposto no Decreto-Lei
n.º 310/2002, de 18 de Dezembro.

Artigo 32.º
Normas técnicas

1 - Sem prejuízo do disposto no artigo 3.º do presente Regulamento, são aplicáveis as


definições e procedimentos constantes da normalização portuguesa em matéria de
acústica.

2 - Na ausência de normalização portuguesa, são utilizadas as definições e


procedimentos constantes de normalização europeia ou internacional adoptada de
acordo com a legislação vigente.
Artigo 33.º
Controlo metrológico de instrumentos

Os instrumentos técnicos destinados a realizar medições acústicas no âmbito da


aplicação do presente Regulamento são objecto de controlo metrológico de acordo com
o disposto no Decreto-Lei n.º 291/90, de 20 de Setembro, e respectivas disposições
regulamentares.

Artigo 34.º
Entidades acreditadas

1 - Os ensaios e medições acústicas necessárias à verificação do cumprimento do


disposto no presente Regulamento são realizados por entidades acreditadas.

2 - As entidades acreditadas noutro Estado membro que pretendam desenvolver no


território nacional as actividades referidas no número anterior devem notificar a
entidade portuguesa com competência de acreditação.

3 - As entidades fiscalizadoras que realizem ensaios e medições acústicas necessárias à


verificação do cumprimento do disposto no presente Regulamento dispõem de um prazo
de quatro anos para se acreditarem no âmbito do Sistema Português da Qualidade.

   
ANEXO I
(a que see refere o arrtigo 13.º)

Parâm
metros paraa a aplicação
o do critérioo de incomo
odidade

1 - O valor do L(índice Aeq)


A do ruíddo ambientee determinaado durante a ocorrênccia do
ruídoo particular deve ser co
orrigido de aacordo com
m as caracterrísticas tonaais ou impullsivas
do rruído particcular, passaando a dessignar-se por nível de avaliaçãoo, L(índice Ar),
apliccando a seguuinte fórmuula:

L(índdice Ar) = L(índice


L Aeeq) + K1 + K
K2

em qque K1 é a correcção
c to
onal e K2 é a correcção
o impulsiva.

Estess valores sãão K1 = 3 dB(A)


d ou K22 = 3 dB(AA) se for dettectado que as componnentes
tonaiis ou imppulsivas, reespectivameente, são característiicas especííficas do ruído
particcular, ou sãão K1 = 0 dB(A) ou K2 = 0 dB B(A) se estas compone nentes não forem
f
identtificadas. Caso
C se veriifique a coeexistência de
d componeentes tonaiss e impulsiivas a
correecção a adiccionar é de K1
K + K2 = 6 dB(A).

O méétodo para detectar as característiicas tonais do ruído deentro do inttervalo de tempo


de avvaliação, coonsiste em verificar,
v noo espectro de
d um terço de oitava, sse o nível so
onoro
de umma banda excede
e o das adjacente s em 5 dB((A) ou maiss, caso em qque o ruído deve
ser considerado tonal.

O mmétodo para detectar ass característticas impullsivas do ru uído dentro do intervaalo de


temppo de avaliaação, consisste em deteerminar a diiferença enttre o nível sonoro con ntínuo
equivvalente, L(ííndice Aeq)), medido em m simultânneo com carracterística iimpulsiva e fast.
Se essta diferença for superiior a 6 dB(A
A), o ruído deve
d ser con
nsiderado immpulsivo.

2-A Aos valores limite da diiferença enttre o L(índicce Aeq) do ruído ambiiente que inclui o
ruídoo particularr corrigido o (L(índicee Ar)) e o L(índice Aeq) do ruído residual,
estabbelecidos naa alínea b) do
d n.º 1 do aartigo 13.º, deve ser adicionado o vvalor D ind
dicado
na taabela seguinnte. O valor D é deterrminado em m função daa relação peercentual en ntre a
duraçção acumullada de oco orrência do ruído partiicular e a duração
d totaal do períod
do de
referrência.

3-EExcepções à tabela anteerior - para o período nocturno nãão são apliccáveis os vaalores
de D = 4 e D = 3, mantenndo-se D = 2 para valores percen ntuais inferiiores ou igu
uais a
50%. Exceptua--se desta restrição a applicação de D=3 para actividadess com horárrio de
funciionamento até
a às 24 hooras.

4-P Para efeitos da verificaação dos vaalores fixad dos na alíneea b) do n.ºº 1 e no n.º 5 do
artigoo 13.º, o inttervalo de teempo a quee se reporta o indicadorr L(índice A
Aeq) correspponde
ao peeríodo de um m mês, dev vendo corre sponder ao mês mais crítico
c do anno em termmos de
emissão sonoraa da(s) fontte(s) de ruíído em avaaliação no caso de see notar maarcada
sazonnalidade annual.

A
ANEXO II
I
Lim
mites para veeículos de duas
d e três ro
odas
 

Common questions

Com tecnologia de IA

Os municípios com uma densidade populacional superior a 2500 habitantes/km^2 são obrigados a elaborar planos estratégicos de ruído de acordo com o Decreto-Lei n.º 146/2006. Estes planos devem gerir os problemas e efeitos do ruído através de planos de ação específicos .

O prazo máximo para a execução dos planos municipais de redução de ruído é de dois anos a partir da entrada em vigor do regulamento. Este período pode ser influenciado pela necessidade de faseamento das medidas, conforme a urgência das áreas afetadas pelo ruído .

A não adoção das medidas previstas no plano municipal de redução de ruído constitui uma contra-ordenação ambiental grave, podendo resultar em sanções para as entidades privadas responsáveis pela sua execução .

A licença especial de ruído pode ser emitida para atividades ruidosas temporárias em casos excepcionais e devidamente justificados, mediante proposta entregue com 15 dias úteis de antecedência ao início da atividade .

A avaliação dos valores limite de ruído nas zonas sensíveis e mistas é feita por medições acústicas, ou consulta dos mapas de ruído. As medições devem, sempre que tecnicamente possível, ser afastadas 3,5 m de qualquer estrutura reflectora, e situar-se a alturas padronizadas .

Os planos de redução de ruído devem incluir a identificação das áreas que precisam de redução do ruído, quantificação da redução necessária, identificação das entidades responsáveis, e indicação das medidas de redução e sua eficácia .

Em caso de impossibilidade técnica de cessar uma atividade ruidosa, a metodologia de determinação do ruído residual é analisada pela comissão de coordenação e desenvolvimento regional, considerando as diretrizes do Instituto do Ambiente. Medidas alternativas podem incluir isolamento acústico adicional em receptores sensíveis .

Os municípios podem estabelecer valores limite de exposição ao ruído inferiores em 5 dB(A) aos fixados nas restantes zonas, em áreas sensíveis ou mistas, como centros históricos. Isso pode ajudar a preservar o ambiente sonoro dessas áreas .

Medidas destinadas a zonas sensíveis ou mistas expostas a ruído que exceda os valores limite em mais de 5 dB(A) são classificadas como prioritárias, já que a exposição excessiva ao ruído pode causar significativos impactos à saúde pública e qualidade de vida .

Os planos municipais de ordenamento do território asseguram a qualidade do ambiente sonoro ao promoverem a distribuição adequada dos usos do território, considerando as fontes de ruído existentes e previstas. Eles estabelecem a classificação e delimitação de zonas sensíveis e mistas para proteger áreas do excesso de ruído .

Decreto-Lei n.º 9/2007 
de 17 de Janeiro 
 
 Artigo 1.º 
Aprovação do Regulamento Geral do Ruído 
É aprovado o Regulamento
4 - O presente Regulamento não se aplica à sinalização sonora de dispositivos de 
segurança relativos a infra-estruturas de t
j) «Indicador de ruído diurno-entardecer-nocturno (L(índice den))» o indicador de ruído, 
expresso em dB(A), associado ao inc
u) «Ruído residual» o ruído ambiente a que se suprimem um ou mais ruídos 
particulares, para uma situação determinada;  
v) «
Artigo 5.º 
Informação e apoio técnico 
1 - Incumbe ao Instituto do Ambiente: 
a) Prestar apoio técnico às entidades competen
3 - Exceptuam-se do disposto nos números anteriores os planos de urbanização e os 
planos de pormenor referentes a zonas excl
b) Quantificação, para as zonas referidas no n.º 1 do artigo anterior, da redução global 
de ruído ambiente exterior relativa
2 - Os receptores sensíveis isolados não integrados em zonas classificadas, por estarem 
localizados fora dos perímetros urba
ausência, sobre o relatório de recolha de dados acústicos ou sobre o projecto acústico, 
apresentados nos termos da Portaria
3 - Compete à entidade responsável pela actividade ou ao receptor sensível, conforme 
quem seja titular da autorização ou lic

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