Gêneros Textuais: Estruturas e Exemplos
Gêneros Textuais: Estruturas e Exemplos
Gêneros Textuais
Caras alunas, caros alunos,
De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “os gêneros textuais são
nossa forma de inserção, ação e controle social no dia a dia”. Eles configuram os
textos que encontramos em nossa vida diária e apresentam padrões estabelecidos
socialmente. Assim, pode-se dizer que toda atividade discursiva acontece por meio de
gêneros.
Nesse sentido, a compreensão sobre gêneros textuais faz-se extremamente
necessária para a formação acadêmica dos indivíduos, sendo, inclusive, assunto exigido
por inúmeros vestibulares. Por isso, este material foi elaborado para auxiliá-los quanto
ao entendimento de textos diversos. Nele, vocês encontrarão uma descrição sobre
cada gênero abordado, além das suas principais características e da sua estrutura
composicional.
Junto a essa compreensão, também se revela importante o constante treino
para aperfeiçoamento do exercício de redação e, por isso, esperamos que este
conteúdo contribua para o aprimoramento desse treino e para o aprofundamento de
seus estudos acerca dos gêneros textuais de maneira geral.
Bom desempenho!
LABORATÓRIO DE REDAÇÃO
Sumário
GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO............................................................................................................6
2. ABAIXO-ASSINADO/PETIÇÃO ON-LINE............................................................................7
3. APÓLOGO...........................................................................................................................8
4. ANÚNCIO PUBLICITÁRIO/TEXTO PUBLICITÁRIO/CAMPANHA PUBLICITÁRIA/PROPAGANDA.....9
5. ARTIGO/TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA..............................................................10
6. ARTIGO DE OPINIÃO.......................................................................................................12
7. BIOGRAFIA.......................................................................................................................14
8. BIOGRAFIA ROMANCEADA.............................................................................................16
9. CARTA ABERTA.................................................................................................................17
10. CARTA ARGUMENTATIVA (RECLAMAÇÃO/SOLICITAÇÃO)..........................................19
11. CARTA DO LEITOR..........................................................................................................21
12. CARTA PESSOAL.............................................................................................................22
13. CARTUM.........................................................................................................................23
14. CHARGE..........................................................................................................................24
15. COMENTÁRIO EM SITE/ON-LINE..................................................................................25
16. CONTO............................................................................................................................26
17. CONTO DE FADAS..........................................................................................................27
18. CONTO DE TERROR/MISTÉRIO/ASSOMBRAÇÃO........................................................30
19. CRÔNICA NARRATIVA....................................................................................................31
20. CRÔNICA ARGUMENTATIVA.........................................................................................33
21. DEBATE REGRADO.........................................................................................................35
22. DEPOIMENTO................................................................................................................36
23. EDITORIAL......................................................................................................................37
24. ENTREVISTA/ENTREVISTA JORNALÍSTICA...................................................................39
25. FÁBULA...........................................................................................................................41
26. HAICAI............................................................................................................................42
27. MANIFESTO....................................................................................................................43
28. MINICONTO/MICROCONTO/MICRONARRATIVA........................................................44
29. NOTA DE REPÚDIO........................................................................................................45
30. NOTÍCIA..........................................................................................................................46
31. NOTÍCIA NA INTERNET/ON-LINE..................................................................................48
32. PARÁBOLA......................................................................................................................49
33. PODCAST........................................................................................................................50
34. POST/POSTAGEM..........................................................................................................52
35. RECEITA..........................................................................................................................53
36. RELATO PESSOAL...........................................................................................................54
37. RELATO DE VIAGEM......................................................................................................55
38. RESENHA........................................................................................................................56
39. REPORTAGEM................................................................................................................58
40. RESUMO.........................................................................................................................60
41. SINOPSE.........................................................................................................................61
42. TEXTO TEATRAL.............................................................................................................63
43. TUTORIAL.......................................................................................................................65
44. VERBETE.........................................................................................................................66
FORMAS ARTÍSTICAS DE EXPRESSÃO
1. LAMBE-LAMBE.................................................................................................................67
2. PASTICHE..........................................................................................................................67
3. PARÓDIA...........................................................................................................................68
GÊNEROS TEXTUAIS
GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO
O abaixo-assinado é um tipo de documento de caráter argumentativo. Suas
principais características são persuasão e reivindicação sobre algum fato que provoca
incômodo social, insatisfação de todos ou de um grupo específico. Logo, é um
gênero que pretende solicitar que seja atendido um pedido de melhoria e mudança
apresentado por muitas pessoas. De modo geral, os abaixo-assinados são dirigidos a
uma autoridade do local ou da sociedade em geral (empresários, governantes, chefes
de departamento, síndicos etc.). Para serem eficientes, apresentam apenas uma
reivindicação, expressa de forma clara, formal, consistente e sucinta.
Estrutura:
– Vocativo: nome do destinatário e cargo;
– Corpo do texto: o pedido, a argumentação;
– Local e data;
– Assinaturas dos que aderiram à causa (em vestibulares, as assinaturas não são
necessárias, a não ser que sejam solicitadas pela proposta).
Exemplo:
OSG 5308/22
6
GÊNEROS TEXTUAIS
2. ABAIXO-ASSINADO/PETIÇÃO ON-LINE
Exemplo:
OSG 5308/22
7
GÊNEROS TEXTUAIS
3. APÓLOGO
O apólogo constitui um gênero narrativo cujo objetivo é ensinar algo para o
leitor. Tem caráter metafórico, e suas personagens são seres inanimados, em geral
objetos, os quais agem como seres humanos a fim de provocar uma reflexão de ordem
social e ética acerca dos comportamentos humanos. Nele, não há a explicitação de
uma moral, ou seja, o ensinamento geralmente está implícito.
Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:
A televisão e o rádio
Depois de uma tarde de domingo qualquer na sala de estar, a televisão recém-
-desligada, após ter sido utilizada por horas a fio, começou a vangloriar-se:
- Sou o objeto tecnológico de comunicação perfeito e, por isso, o preferido pelas
famílias brasileiras.
Ao ouvir os dizeres nada modestos da vizinha, o rádio não se conteve e falou em
tom desdenhoso, o qual logo assumiu uma tonalidade aborrecida:
- Tão jovem, mas tão soberba é essa televisão! Chegou ao Brasil quase 30 anos
após a minha chegada, contudo tem a audácia de achar que é melhor que eu!
A televisão riu bem-humorada e disse:
- Amigo, não se irrite com o que digo. É apenas a verdade. Respeito-te imensamente
por teres chegado aqui primeiro, mas o que importa agora é a preferência das pessoas, e
elas, claramente, gostam mais de mim. Fui utilizada durante várias horas esta semana.
- Petulante! Isso que você é! Eu possibilito que as pessoas escutem notícias,
debates, novelas e recados desde 1922. Sou tão bom quanto você e creio que eu seja
preferido. - falou o rádio.
- Querido, eu não sou boa, sou perfeita. Você fornece apenas som, eu ofereço som
e imagem. Com isso, toda família me adora, incluindo as que possuem integrantes
com deficiência auditiva, os quais você não acolhe. Eu sou completa. Entretenho até
as crianças com meus desenhos animados coloridos, o que gera descanso aos pais,
enquanto tu não fazes isso. Como amiga, sugiro que te atualizes, caso contrário,
acabarás esquecido. - redarguiu a televisão.
- O rádio, agora pálido e trêmulo, nada conseguiu responder. Achou melhor manter
o silêncio, ao qual já estava submetido há muitos dias, tendo em vista que ninguém da
casa o utilizava com frequência.
Contudo, quando percebeu que seus antigos ouvintes se cansaram da TV, pois
gostavam do mistério e do estímulo à imaginação que o rádio proporcionava, viu que
ainda havia um cantinho no coração de seus mais fiéis companheiros.
OSG 5308/22
8
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
Exemplo:
OSG 5308/22
9
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Introdução: apresentação da ideia principal do texto;
– Desenvolvimento: exposição de argumentos que, algumas vezes, visam a persuadir
o leitor. Nessa parte, cabem comparações, explicações, relatos de experiências,
dados estatísticos, relações de causa e efeito etc.;
– Conclusão: fechamento do texto. Como nem sempre o texto chega a ser conclusivo,
ele pode ser concluído com hipóteses e perspectivas futuras de estudo.
Exemplo:
OSG 5308/22
10
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
11
GÊNEROS TEXTUAIS
6. ARTIGO DE OPINIÃO
Estrutura:
– Introdução: título opcional; apresentação da tese a ser defendida, de modo a guiar
o leitor ao que virá nas demais partes do texto. Busca contextualizar o assunto a ser
abordado por meio de afirmações gerais e/ou específicas. Nesse momento, pode
evidenciar o objetivo da argumentação que será sustentada ao longo do artigo,
bem como a importância de se discutir o tema;
– Desenvolvimento: expõe os argumentos e constrói a opinião a respeito da questão
examinada. É importante ressaltar que todo texto argumentativo precisa apresentar
OSG 5308/22
12
GÊNEROS TEXTUAIS
provas a favor da posição que assumiu e provas para mostrar que a posição contrária
está equivocada. Os argumentos baseiam-se nos conceitos apresentados, na
adequação dos fatos para exemplificar esses conceitos, bem como na correção do
raciocínio que estabelece relações entre conceitos e fatos. Para evitar abstrações,
geralmente faz-se uso da exposição de fatos, dados e exemplos;
– Conclusão: evidencia a resposta à questão apresentada, podendo haver uma
reafirmação da posição assumida ou uma apreciação do assunto abordado. Não
é adequado fazer um simples resumo ou uma mera paráfrase das afirmações
anteriores, é preciso que haja uma reflexão final.
Exemplo:
OSG 5308/22
13
GÊNEROS TEXTUAIS
7. BIOGRAFIA
Estrutura:
– Título: normalmente, é composto pelo nome de quem será biografado;
– Texto: não segue uma estrutura padrão, mas, geralmente, os parágrafos são
construídos a partir da infância do biografado, seguindo uma ordem cronológica.
Exemplo:
Rachel de Queiroz
OSG 5308/22
14
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
15
GÊNEROS TEXTUAIS
8. BIOGRAFIA ROMANCEADA
Estrutura:
– Título: normalmente, é composto pelo nome de quem será biografado;
– Texto: não segue uma estrutura padrão, mas, geralmente, os parágrafos são
construídos a partir da infância do biografado, seguindo uma ordem cronológica.
Exemplo:
Este trecho faz parte do primeiro capítulo de Juventude em Viena: uma
Autobiografia, biografia romanceada, escrita de 1915 a 1920, que narra a vida do autor
Arthur Schnitzler até 1889, antes de conhecer a fama como escritor com a novela O
Tenente Gustl, publicada em 1900.
“Nessa época, ou seja, quando eu tinha 4 ou 5 anos de idade, é que surge meu
primeiro camarada de brincadeiras do qual me lembro, um jovem conde alman, cujo
pai era paciente do meu. Eu por certo não saberia mais com que brincadeiras nós, ainda
tão garotos, passávamos o tempo, se não tivesse me ficado na memória uma pergunta
peculiar, que fiz certa vez à minha babá, provavelmente por causa de seu absurdo
especial, do qual eu logo viria a me dar conta. Nós havíamos disposto nossos soldados
de madeira em ordem de batalha sobre o tampo branco da mesinha em que brincávamos,
quando me ocorreu de repente me informar com minha babá quem na verdade eram os
inimigos, se os de bainhas verdes ou se os de bainhas vermelhas. A babá repassou
a pergunta à babá dos alman com a mesma seriedade, e esta designou, com a maior
determinação, os vermelhos como sendo os inimigos, ao que me decidi, tranquilo, aceitar
a batalha, já não me lembro mais se na condição de amigo ou de inimigo.”
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
16
GÊNEROS TEXTUAIS
9. CARTA ABERTA
Estrutura:
– Título: segue o padrão de início com “Carta aberta” seguido do destinatário, do
tema ou do destinatário junto do tema;
– Corpo do texto;
– Local e data;
– Assinatura do(s) remetente(s).
Exemplo:
OSG 5308/22
17
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
18
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Local e data;
– Vocativo;
– Introdução: apresentar um problema, suas causas e consequências;
– Desenvolvimento: expor argumentos capazes de comprovar que o remetente tem
razão, por estar sendo desrespeitado em seus direitos ou por não ver seus direitos
atendidos;
– Conclusão: ratificar o problema apresentado e reivindicar uma solução;
– Despedida;
– Assinatura (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar o texto, a não ser
que a proposta assim exija).
Exemplo:
OSG 5308/22
19
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
20
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
21
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Local e data;
– Vocativo;
– Corpo do texto;
– Despedida;
– Assinatura (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar o texto, a não ser
que a proposta assim exija).
Exemplo:
OSG 5308/22
22
GÊNEROS TEXTUAIS
13. CARTUM
O cartum consiste em uma estética gráfica, crítica, lírica e/ou anedótica. Aborda,
geralmente, situações universais e atemporais. É um gênero jornalístico considerado
opinativo ou analítico que critica, satiriza e expõe situações por meio do grafismo e
do humor. Hoje, esse gênero abrange praticamente todos os veículos de difusão da
informação gráfica: jornais, revistas e internet. Utiliza-se de elementos da história em
quadrinhos, como balões, cenas e onomatopeias, por meio dos quais se expõe uma
opinião ou um ponto de vista em um desenho que pode, ou não, ser acompanhado de
legenda.
São características desse gênero: a linguagem não verbal; a sátira; o humor;
a ironia; o cômico; a flexibilidade; a associação da linguagem verbal ao desenho
expressivo; a expressão de imagens atemporais e o entrelaçamento entre palavras,
imagens e sentido.
Exemplo:
OSG 5308/22
23
GÊNEROS TEXTUAIS
14. CHARGE
Exemplo:
OSG 5308/22
24
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
OSG 5308/22
25
GÊNEROS TEXTUAIS
16. CONTO
O conto configura-se como um texto narrativo, por isso, é possível observar nele
os elementos essenciais de uma narração: personagens, enredo, tempo e espaço. É
uma narrativa curta, em que há poucas personagens, com tempo e espaço reduzidos.
Apresenta apenas um conflito, em geral, já próximo do final (desfecho), pois vai ao foco
de interesse, dispensando elementos que não importam ao seu propósito.
Estrutura:
– Introdução: essa parte apresenta a situação inicial, ou seja, a introdução da(s)
personagem(ns) e do cenário no qual será desenvolvida a narrativa;
– Desenvolvimento: nessa parte do conto, o conflito surge, havendo uma quebra da
normalidade. Esse conflito leva a narrativa ao clímax, momento de maior tensão do texto;
– Conclusão: essa parte consiste no desfecho do conto, parte da história em que o
conflito é resolvido, quebrando ou confirmando uma expectativa.
Exemplo:
OSG 5308/22
26
GÊNEROS TEXTUAIS
Os contos de fadas são histórias bem antigas, que foram recontadas por
várias gerações antes de serem registradas por escrito. Eles fazem parte da chamada
tradição oral, isto é, eram compartilhados de boca em boca, geração após geração,
apresentando, por isso, diferentes versões da mesma história. Geralmente, os contos
de fada narram histórias de príncipes, princesas, bruxas, fadas, duendes, dragões e
outros seres mágicos. As histórias costumam acontecer em um tempo bem antigo e
têm como principal cenário os reinos, cheios de bosques e florestas, nos quais todo tipo
de acontecimento mágico é possível. Além disso, há sempre um final feliz, marcado,
muitas vezes, pela famosa expressão “e foram felizes para sempre”. A estrutura desse
gênero segue o padrão da estrutura do conto convencional.
Exemplo:
A Bela e a Fera
Há muitos anos, em uma terra distante, viviam um mercador e suas três filhas . A
mais jovem era a mais linda e carinhosa, por isso era chamada de “Bela”.
Um dia, o pai teve de viajar para longe a negócios. Reuniu as suas filhas e disse:
- Não ficarei fora por muito tempo. Quando voltar, trarei presentes. O que vocês
querem?
As irmãs de Bela pediram presentes caros, enquanto ela permanecia quieta.
O pai se voltou para ela, dizendo :
- E você, Bela, o que quer ganhar?
- Quero uma rosa, querido pai, porque, neste país, elas não crescem - respondeu
Bela, abraçando-o forte.
O homem partiu, conclui os seus negócios, pôs-se na estrada para a volta. Tanta
era a vontade de abraçar as filhas, que viajou por muito tempo sem descansar. Estava
muito cansado e faminto, quando, a pouca distância de casa, foi surpreendido, em uma
mata, por furiosa tempestade, que lhe fez perder o caminho.
Desesperado, começou a vagar em busca de uma pousada, quando, de repente,
descobriu ao longe uma luz fraca. Com as forças que lhe restavam, dirigiu-se para
aquela última esperança. Chegou a um magnífico palácio, o qual tinha o portão aberto e
acolhedor. Bateu várias vezes, mas sem resposta. Então, decidiu entrar para esquentar-
se e esperar os donos da casa. O interior, realmente, era suntuoso, ricamente iluminado
e mobiliado de maneira esquisita.
O velho mercador ficou defronte da lareira para enxugar-se e percebeu que havia
uma mesa para uma pessoa, com comida quente e vinho delicioso. Extenuado, sentou-se
e começou a devorar tudo.
OSG 5308/22
27
GÊNEROS TEXTUAIS
Atraído depois pela luz que saía de um quarto vizinho, foi para lá, encontrou uma
grande sala com uma cama acolhedora, onde o homem se esticou, adormecendo logo. De
manhã, acordando, encontrou vestimentas limpas e uma refeição muito farta. Repousado
e satisfeito, o pai de Bela saiu do palácio, perguntando-se espantado por que não havia
encontrado nenhuma pessoa. Perto do portão, viu uma roseira com lindíssimas rosas e se
lembrou da promessa feita a Bela. Parou e colheu a mais perfumada flor. Ouviu, então,
atrás de si um rugido pavoroso e, voltando-se, viu um ser monstruoso que disse:
- É assim que pagas a minha hospitalidade, roubando as minhas rosas? Para
castigar-te, sou obrigado a matar-te!
O mercador jogou-se de joelhos, suplicando-lhe para ao menos deixá-lo ir abraçar
pela última vez as filhas. A Fera lhe propôs, então, uma troca: dentro de uma semana
devia voltar ou ele ou uma de suas filhas em seu lugar.
Apavorado e infeliz, o homem retornou para casa, jogando-se aos pés das filhas e
perguntando-lhes o que devia fazer. Bela aproximou-se dele e lhe disse:
- Foi por minha causa que incorreste na ira do monstro. É justo que eu vá...
De nada valeram os protestos do pai, Bela estava decidida. Passados os sete dias,
partiu para o misterioso destino.
Chegada à morada do monstro, encontrou tudo como lhe havia descrito o pai e
também não conseguiu encontrar alma viva. Pôs-se então a visitar o palácio e, qual
não foi a sua surpresa, quando, chegando a uma extraordinária porta, leu ali a
inscrição com caracteres dourados: “Apartamento de Bela”.
Entrou e se encontrou em uma grande ala do palácio, luminosa e esplêndida. Das
janelas tinha uma encantadora vista do jardim. Na hora do almoço, sentiu bater e
se aproximou temerosa da porta. Abriu-a com cautela e se encontrou ante a Fera.
Amedrontada, retornou e fugiu através da salas. Alcançada a última, percebeu que fora
seguida pelo monstro. Sentiu-se perdida e já ia implorar piedade ao terrível ser, quando
este, com um grunhido gentil e suplicante lhe disse:
- Sei que tenho um aspecto horrível e me desculpo; mas não sou mau e espero que
a minha companhia, um dia, possa ser-te agradável. Para o momento, queria pedir-te,
se podes, honrar-me com tua presença no jantar.
Ainda apavorada, mas um pouco menos temerosa, Bela consentiu e, ao fim da tarde,
compreendeu que a Fera não era assim malvada. Passaram juntos muitas semanas,
e Bela cada dia se sentia afeiçoada àquele estranho ser, que sabia revelar-se muito
gentil, culto e educado.
Uma tarde, a Fera levou Bela à parte e, timidamente, disse-lhe:
- Desde quando estás aqui, a minha vida mudou. Descobri que me apaixonei por
ti. Bela, queres casar-te comigo?
A moça, pega de surpresa, não soube o que responder e, para ganhar tempo, disse:
- Para tomar uma decisão tão importante, quero pedir conselhos a meu pai que não
vejo há muito tempo!
OSG 5308/22
28
GÊNEROS TEXTUAIS
A Fera pensou um pouco, mas tanto era o amor que tinha por ela que, ao final,
a deixou ir, fazendo-se prometer que após sete dias voltaria. Quando o pai viu Bela
voltar, não acreditou nos próprios olhos, pois a imaginava já devorada pelo monstro.
Pulou-lhe ao pescoço e a cobriu de beijos. Depois começaram a contar-se tudo que
acontecera, e os dias passaram tão velozes, que Bela não percebeu que já haviam
transcorridos bem mais de sete.
Uma noite, em sonhos, pensou ver a Fera morta perto da roseira. Lembrou-se da
promessa e correu desesperadamente ao palácio.
Perto da roseira, encontrou a Fera que morria.
Então, Bela a abraçou forte, dizendo:
- Oh! Eu te suplico: não morras! Acreditava ter por ti só uma grande estima, mas
como sofro, percebo que te amo.
Com aquelas palavras, a Fera abriu os olhos e soltou um sorriso radioso e diante
de grande espanto de Bela começou a transformar-se em um esplêndido jovem, o qual a
olhou comovido e disse:
- Um malvado encantamento me havia preso naquele corpo monstruoso. Somente
fazendo uma moça apaixonar-se podia vencê-lo e tu és a escolhida. Queres casar-te
comigo agora?
Bela não fez repetir o pedido, e, a partir de então, viveram felizes e apaixonados.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
29
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
Um mistério assustador
Stanislaw Ponte Preta.
OSG 5308/22
30
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Introdução: o texto parte de uma observação do cotidiano de caráter pessoal;
– Desenvolvimento: desencadeamento do fato a ser contado;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:
Sofreres d’amor
Airton Monte
Quem porventura acreditar que o romantismo morreu faz tempo, que não é mais crível
nem possível a existência de pessoas românticas nesse mundo tão pobre de sentimentos, eu
decididamente aconselho, sugiro que pense um pouco melhor, pois pode estar redondamente
enganado. E com o empedernido coração pleno de equívocos. Sim, porque há pessoas que
pensam de modo muito diferente e, apesar da gélida indiferença de alguns de nossos
semelhantes, ainda acreditam piamente no existir infindável do romantismo, quer estejam
ou não incendiadas de paixão. Eu, mesmo correndo o risco de parecer patético, confesso
ser um romântico incurável, sem qualquer pejo nem pudor. Sim, sou tão romântico que
até pareço haver saído de um poema de Álvares de Azevedo ou de Lord Byron.
Conheço uma amiga, dessas raras mulheres que envelhecem sem perder o romantismo
nem a capacidade de devanear sobre romances fantasiosos ou reais. Outro dia, numa de
nossas longas conversas, ela me confessou timidamente que achava lindo um homem sofrer
por amor. Não sofrer calado, discretamente, quase às escondidas como quem esconde,
envergonhado, um terrível pecado. Admirava com fervor aquele tipo de homem que sofre
às escâncaras, ostentando a sua dor de cotovelo feito um galardão pelos bares noite
adentro, contando seu drama a qualquer desconhecido, com coragem suficiente para mandar
a dignidade às favas. Respeito a opinião da amiga que, aliás, já ensandeceu vários homens.
OSG 5308/22
31
GÊNEROS TEXTUAIS
Sei de casos do mesmo gênero, com alguns findando inclusive em suicídio. Nada vejo
demais em sofrer por amor, do sujeito sentir-se mutilado ao perder a mulher amada e que
a pensava sua para todo o sempre, assim na terra como no céu. Nada há de anormal, de
doentio, em se ficar um certo tempo deprimido, na fossa, macambúzio, sem ver nenhuma
graça na vida, em outras mulheres, tomar porres homéricos, dar escândalos em público,
passar um vexamezinho aqui, outro acolá. Sofrer por amor é, talvez, a mais humana das
dores. Entanto, como não creio nem sequer um pingo nesse tal de propalado amor eterno,
penso que todas as dores e sofreres d’amor devem ser intensos e passageiros qual chuvas
de verão. As musas mudam, se vão, mas o romantismo fica, dura, resiste, permanece.
A amiga, depois de ouvir-me, olhou-me de esguelha como se eu fosse um ser
extraterrestre, um alienígena do sentimento. De infarto você não morre, porque não tem
coração, falou-me ela. E retirou-se, incontinenti, de minha incômoda presença. Chamei o
garçom, pedi mais um chope e um samba bem triste do Noel. Quedei-me a lembrar amores
idos e vividos, ocultos nas brumas do ontem e o quanto sofri, padeci por cada um deles
num inventário masoquista. Para alguns escrevi poemas. Para outros, canções. Os versos
permaneceram vivos, já os amores não. Meu coração não é besta e por eles não sofre mais.
Meu coração é um vasto cemitério sentimental povoado de lápides anônimas, derruídas,
soterradas pela poeira do olvido. O vento do tempo, implacável coveiro, felizmente apagou os
nomes gravados em cada tumba. Mas não me arrependo de havê-los vivido.
Disponível em:[Link]
OSG 5308/22
32
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Introdução: normalmente já há a explicitação do que será defendido pelo autor;
– Desenvolvimento: desencadeamento das ideias defendidas intercaladas de
trecho(s) narrativo(s);
– Conclusão: reflexão final.
Exemplo:
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha
de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece
estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A
máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador
é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não
aceita. Simplesmente ignora você. Mas, se apenas ignorasse, ainda seria suportável. Ele
responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos comandos
digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária
eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas
manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às
vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o
computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui,
pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum
pudor em dizer que sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto
quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que
você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá
todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever
podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de
quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo
nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
OSG 5308/22
33
GÊNEROS TEXTUAIS
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas
dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de
uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável
cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais
formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr
Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois
dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a
palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais
rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca
seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro
tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo,
precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei
em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre,
a pobrezinha.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
34
GÊNEROS TEXTUAIS
Etapas:
– Planejamento: para que o debate aconteça, é essencial que o local, as regras, o
moderador (responsável por garantir as regras do debate e a unidade da discussão)
e o secretário (responsável por registrar os principais pontos dos argumentos
apresentados – personagem opcional) sejam previamente estabelecidos. Ao
moderador cabe a organização da duração de cada fala dos debatedores para
que o tempo definido e o tema central sejam bem trabalhados; aos debatedores
cabe pesquisar e recolher informações sobre o tema para que haja um bom
desenvolvimento de argumentos;
– Execução: durante todo o debate, os participantes devem respeitar as diferentes
opiniões, utilizar um vocabulário específico – relacionado com o tema em discussão
– e uma linguagem adequada para expressar com clareza o argumento elaborado e
não interromper as intervenções dos demais participantes;
– Avaliação: é necessário refletir em conjunto sobre as diferentes posições defendidas
e as conclusões alcançadas a partir do debate.
OSG 5308/22
35
GÊNEROS TEXTUAIS
22. DEPOIMENTO
Exemplo:
Desde a minha juventude, eu tinha o sonho de ser pai. Sempre gostei muito de crianças
e, com frequência, me imaginava cuidando do meu bebê. Inúmeras vezes, pensei o quão
maravilhoso seria quais as primeiras palavras do meu filho, os primeiros passos, as
primeiras risadas. Eu tinha certeza de que, um dia, viveria isso.
Há cinco anos, casei com a mulher da minha vida. Ela, como eu, nutria, desde muito
nova, o desejo de ser mãe. Quando nos conhecemos, descobri que, além de uma pessoa
fantástica, ela compartilhava o mesmo sonho que eu. Logo nos casamos e decidimos ter
nosso primogênito.
Depois de alguns meses tentando sem obter resultados, descobrimos que a minha esposa
tinha uma anomalia no útero e era praticamente impossível que nós tivéssemos um bebê
tanto por maneira natural quanto por fertilização. Foi o pior dia da minha vida. Todos
aqueles anos sonhando e planejando a chegada do nosso bebê tinham sido em vão. Eu não
poderia ser pai. Nossa angústia era imensa. Com o passar do tempo, a nossa dor não havia
diminuído, mas aprendemos a conviver com ela. Eu não tinha mais esperanças.
Até que, ano passado, eu e ela, de uma maneira quase milagrosa, nos tornamos pais.
Descobrimos que, há dez anos, nosso filho nos esperava em um abrigo. No dia em que,
finalmente, encontramos nosso primogênito, eu e minha esposa já havíamos aceitado que
não teríamos filhos. Convidados por um amigo, nós fomos visitar, sem maiores intenções,
um abrigo de crianças e adolescentes e, assim que adentramos naquele lugar, um menino
veio correndo me abraçar. Naquele momento, eu sabia que eu tinha me tornado pai. Por não
ser mais bebê, o meu filho foi rejeitado por várias famílias, mas, ao olhar nos seus olhos,
eu sabia que nós pertencíamos um ao outro. Eu conheci o José quando ele tinha dez anos.
Eu não ouvi suas primeiras palavras, não vi seus primeiros passos e nem suas primeiras
risadas, mas não importava, pois finalmente meu filho havia encontrado o seu lar.
OSG 5308/22
36
GÊNEROS TEXTUAIS
23. EDITORIAL
Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresenta a tese, opinião que será defendida ao longo do texto;
– Desenvolvimento: expõe comentários e opiniões que representam a linha de
pensamento do jornal ou da revista sobre o assunto;
– Conclusão: exibe retomada da ideia central do texto e sugestão de solução para o
problema abordado ou promoção de reflexão no leitor.
OSG 5308/22
37
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
A ciência no Brasil
OSG 5308/22
38
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
OSG 5308/22
39
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
OSG 5308/22
40
GÊNEROS TEXTUAIS
25. FÁBULA
A fábula é um texto narrativo alegórico, em geral com presença de diálogo, que
apresenta uma moral explícita, cujo objetivo é levar o leitor a um ensinamento. O texto
dessa narrativa é essencialmente metafórico e moralizante e seus personagens são
animais com comportamento semelhante ao humano.
Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho e explicitação da moral da história.
Exemplo:
OSG 5308/22
41
GÊNEROS TEXTUAIS
26. HAICAI
Haicai, também chamado de “Haiku” ou “Haikai”, é um poema curto de origem
japonesa. A palavra “haicai” é formada por dois termos “hai” (brincadeira, gracejo) e
“kai” (harmonia, realização), ou seja, geralmente representa um poema despretensioso,
humorístico. Surgido no Japão em princípios do século XIII e imortalizado por Matsuo
Bashô (1644-1694), acabou se popularizando pelo mundo. Apesar de serem poemas
concisos e objetivos, os haicais possuem grande carga poética.
Estrutura:
O tradicional haicai japonês possui uma estrutura específica, ou seja, uma forma
fixa composta de três versos (terceto) formados por um total de 17 sílabas poéticas,
ou seja:
– Primeiro verso: apresenta 5 sílabas poéticas (pentassílabo);
– Segundo verso: apresenta 7 sílabas poéticas (heptassílabo);
– Terceiro verso: apresenta 5 sílabas poéticas (pentassílabo).
Embora essa seja sua estrutura tradicional, o haicai foi se modificando com o
tempo, visto que alguns escritores não seguem esse padrão de sílabas, ou seja, possui
uma silabação livre geralmente com dois versos mais curtos e um mais longo. Com
relação à rima, geralmente, faz-se do primeiro verso com o terceiro, obedecendo a
esta fórmula:
____A
______B
_ _ _ _A
Ademais, os haicais são poemas objetivos com uma linguagem simples e podem
ou não apresentar um esquema de rimas e títulos.
Exemplo:
“Rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?”
Paulo Leminski
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
42
GÊNEROS TEXTUAIS
27. MANIFESTO
O manifesto serve como instrumento de participação da sociedade no que se
refere à manifestação da cidadania. Tem o objetivo de expressar o livre protesto, por
meio de reivindicações e de solicitações, tendo em vista as transformações sociais ou a
necessidade de resolução de algum problema de ordem particular, com o intuito de que
toda a sociedade tenha conhecimento da questão. Entre as principais características do
manifesto estão a intenção persuasiva, a adequação da linguagem ao padrão formal da
língua e a predominância de verbos no presente do indicativo.
Estrutura:
– Título: segue um padrão de início com “Manifesto a/contra/em favor/sobre, etc.”;
– Texto;
– Local e data;
– Assinatura do(s) idealizador(es).
Exemplo:
OSG 5308/22
43
GÊNEROS TEXTUAIS
28. MINICONTO/MICROCONTO/MICRONARRATIVA
O miniconto trata-se de uma narrativa curta, que não ultrapassa uma página.
Pode ocupar de uma linha (microconto) a um conjunto de até 500 caracteres (letras,
espaços e pontuação). Os minicontos de maior circulação compreendem até 150
caracteres, seguindo uma tendência atual de tamanho ideal para serem compartilhados
rapidamente por meios eletrônicos, como o celular. Desse modo, têm chance de
alcançar maior número de leitores, embora haja coletâneas em livros com textos
desse gênero. A concisão, uma das características principais dessas narrativas, leva em
consideração que o texto precisa ser pensado exatamente para seu pequeno tamanho;
por isso, não é meramente um texto que foi resumido ou cortado para conter certo
número de caracteres. Outra característica importante é a exatidão, já que o texto
precisa apresentar clareza suficiente para provocar o efeito desejado no leitor e ser
compreendido. A brevidade do miniconto exige períodos curtos, sem longas descrições.
Estrutura:
Exemplo:
Pangloss
OSG 5308/22
44
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Título: nota de repúdio (pode também estar acompanhada de um complemento
que já explicite o que se repudia);
– Corpo do texto: há inicialmente a identificação do autor da nota de repúdio
(indivíduo, órgão, empresa etc.) e do objeto do repúdio. Em seguida, apresentam-se
justificativas para a manifestação de repúdio;
– Local e data;
– Assinatura do autor da nota (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar
o texto, a não ser que a proposta assim exija).
Exemplo:
OSG 5308/22
45
GÊNEROS TEXTUAIS
30. NOTÍCIA
Estrutura:
– Título: também chamado de manchete, deve ser chamativo e apresentar formas
verbais no presente para destacar a parte mais importante da notícia;
– Subtítulo: tem o objetivo de acrescentar informações às já expressas na manchete;
– Lide: deve oferecer as informações básicas e se encontra no primeiro parágrafo.
Ele procura responder a seis perguntas básicas (quem, o quê, quando, por que,
onde e como), mas, nem sempre, todos os elementos serão indicados no primeiro
parágrafo, podendo ser encontrados no decorrer do texto;
– Corpo: deve apresentar as informações que compõem o fato.
Exemplo:
A rodovia que ligará Fortaleza à Madalena trará grandes benefícios para a pequena cidade.
No dia 20 de maio, foram iniciadas as construções da nova rodovia cearense
que ligará as cidades de Fortaleza, de Redenção e de Canindé até a pequena cidade de
Madalena. O Governo Estadual e a Prefeitura Municipal são os responsáveis por essa
obra tão aguardada pelos moradores da cidade, que ocorrerá a partir da reforma da
antiga rodovia que estava inutilizada e atravessava a cidade no seu centro. De acordo
com a Prefeitura, a previsão de inauguração da estrada ocorrerá no final do mês
de setembro de 2022. A obra está sendo construída a partir de recursos destinados
OSG 5308/22
46
GÊNEROS TEXTUAIS
pelo governo estadual e municipal, por meio do Plano de Interligação Estadual, que
ofertará a possibilidade de construção de novas rodovias em outras cidades interioranas
no Ceará.
Segundo o Governador Camilo Santana, essa rodovia foi muito solicitada pelos
moradores devido ao difícil acesso à cidade de Madalena, tendo em vista que prejudicava
o cotidiano dos indivíduos com a falta de abastecimento suficiente de alimentos, de
serviços e, até mesmo, de água, tendo em mente que a região não consegue ser dependente
apenas dos poços residenciais presentes em poucas residências.
A obra será um grande avanço para o desenvolvimento da pequena cidade
de Madalena, pois beneficiará o acesso tanto de pessoas quanto de serviços e de
mercadorias, permitindo a interligação com a capital Fortaleza.
OSG 5308/22
47
GÊNEROS TEXTUAIS
O Unicef, Fundo das Nações Unidas para infância, criou um programa para incentivar
a criação de vagas de emprego para jovens no Brasil. O projeto 1MIO quer gerar, até o fim
de 2022, um milhão de oportunidades para pessoas em vulnerabilidade social.
Em sete meses, o projeto já gerou mais de 50 mil oportunidades em todo o país. A
ideia do programa é conectar os jovens que querem e precisam trabalhar às empresas, às
organizações e aos órgãos do governo que têm vagas disponíveis. Além das vagas, ele
também abre caminho para o desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens investindo
nas competências de cada um. O site também oferece 138 cursos on-line de formação.
Unicef quer aumentar o número de parceiros. Todas as empresas que têm vagas
para aprendizes, estagiários e oportunidades para jovens podem se cadastrar. No site
do projeto, é possível se cadastrar para as vagas, os cursos e, também, para se tornar
parceiro.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
48
GÊNEROS TEXTUAIS
32. PARÁBOLA
Estrutura:
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:
OSG 5308/22
49
GÊNEROS TEXTUAIS
33. PODCAST
Podcasts são arquivos digitais de áudio publicados na internet que podem
ser ouvidos, até mesmo em celulares, a qualquer momento, por qualquer pessoa.
São considerados “textos para ouvir”. Geralmente, nos textos de podcasts, há uma
estrutura de apresentação, de diálogo e de argumentação para o convencimento dos
ouvintes. Nesse sentido, o principal objetivo seria escrever um texto argumentativo a
ser transmitido oralmente.
Estrutura:
– Introdução: saudação aos ouvintes, apresentação do podcast e explicitação do que
será defendido no texto;
– Desenvolvimento: argumentação a respeito da ideia apresentada inicialmente;
– Conclusão: fechamento do texto com uma reflexão final acerca do que foi defendido
e uma despedida aos leitores.
Exemplo:
Bom dia, queridos ouvintes! Estamos aqui em mais um podcast, trazendo informação
e reflexão para você. O tema de hoje é a importância das comunidades tradicionais
brasileiras para a preservação da nossa biodiversidade. Em primeiro lugar, você sabe
o que é erosão genética? Esse conceito relaciona-se à perda do patrimônio genético, que
tem sido ocasionada pela eliminação de espécies. Imagine que uma área de vegetação
nativa passe a abrigar plantações de soja. Toda a biodiversidade presente ali é perdida,
juntamente com os genes desses seres vivos, que poderiam originar cosméticos,
alimentos, medicamentos e outros produtos biotecnológicos. Infelizmente, as 200 mil
espécies descritas nos biomas brasileiros, além daquelas ainda desconhecidas, estão
ameaçadas pelo avanço da monocultura, da mineração e da atividade madeireira. Nesse
contexto, as populações indígenas e as comunidades locais, como caiçaras, quilombolas
e seringueiros, mantêm uma relação não apenas econômica com a terra, mas também
simbólica. Portanto, a luta pela preservação dos biomas faz parte de sua cultura.
Em relação a isso, a ONU tem mostrado que a preservação da natureza é maior
onde vivem os povos indígenas, devido ao profundo conhecimento que eles detêm sobre a
dinâmica ambiental. Antes de todos, eles identificam uma área exaurida e passam a não
a explorar, permitindo sua recuperação. No entanto, a permanência deles está ameaçada.
Lembremos o atual desmonte financeiro da Funai. Além disso, a contaminação por
mercúrio tem inviabilizado a sobrevivência dos indígenas e, consequentemente, da
floresta. Ao ouvir floresta, aposto que você se lastima pelo desmatamento da Amazônia,
não é mesmo? Porém, o Cerrado brasileiro está em maior risco de extinção. Aquelas
árvores retorcidas são responsáveis pela manutenção de nove importantes bacias
hidrográficas brasileiras e pela estabilidade do clima do Centro-Sul. Isso significa
que o fim do Cerrado deixará a região mais populosa do país sem água. A razão do
desmatamento do Cerrado é a expansão da soja, commodity com alto valor no mercado.
Porém, a que custo socioambiental?
OSG 5308/22
50
GÊNEROS TEXTUAIS
OSG 5308/22
51
GÊNEROS TEXTUAIS
34. POST/POSTAGEM
Gênero comum ao universo das redes sociais, o post tornou-se fonte para
pesquisa de informação, ferramenta de trabalho e auxílio a profissionais (jornalistas,
repórteres, professores etc.), espaço para divulgação de arte e artistas (pintores,
fotógrafos, escritores etc.) que buscam visibilidade na internet. Esse gênero textual é
extremamente amplo e se modifica de acordo com o objetivo do autor. Pode apresentar
teor argumentativo, quando se pretende defender alguma ideia; teor narrativo e
descritivo, quando se quer relatar o que se passou no dia, como uma espécie de diário,
entre outras possibilidades. Por esse motivo, não possui uma estrutura fixa.
Exemplo:
OSG 5308/22
52
GÊNEROS TEXTUAIS
35. RECEITA
A receita é um gênero textual de natureza injuntiva que apresenta duas partes
bem definidas, ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir indicadas por
títulos. A primeira parte apenas relaciona os ingredientes, estipulando as quantidades
necessárias, indicadas em gramas, xícaras, colheres, pitadas etc. No modo de fazer, os
verbos se apresentam quase sempre no modo imperativo (o modo verbal que expressa
ordem, conselho), pois essa parte indica, passo a passo, a sequência dos procedimentos
e da junção dos ingredientes a ser seguida para se obter o melhor resultado da receita.
Às vezes, o imperativo é substituído pelo infinitivo, como “Preparar a massa: misturar
com as pontas dos dedos […]”, “Aos poucos, abrir pequenas porções da massa […]” etc.
Uma receita pode apresentar outras informações, como grau de dificuldade,
tempo médio de preparo, rendimento. Pode, ainda, conter dicas para decoração ou
para variações. Nesse gênero textual, costuma-se empregar uma linguagem direta,
clara e objetiva, pois sua finalidade é levar o leitor a obter sucesso em um preparo.
Ao tratar-se de uma receita não culinária, deve-se atentar para a funcionalidade dos
elementos textuais que comporão a produção, haja vista que, nessa adaptação, o que se dever
preservar é somente a força imperativa e a estrutura organizativa do referido gênero, não sua
aplicação integral e literal, sob pena de não produzir um texto coerentemente significativo.
Estrutura:
– Título;
– Ingredientes: contém uma lista dos materiais necessários para aquilo que se
pretende fazer. Costuma apresentar as quantidades de cada material;
– Modo de fazer/de preparo: apresenta os procedimentos que serão necessários
para se fazer a receita.
Exemplo:
OSG 5308/22
53
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:
Depois que eu me aposentei, senti, por dois meses, um grande vazio em minha
vida, o que mudou totalmente quando fui acolhido pela ONG Abraçando a Terceira
Idade. Então, hoje, eu tenho uma nova rotina, bastante diferente da que eu tinha
antes. O espaço da ONG oferece a mim e aos outros integrantes a possibilidade de
nós escolhermos se queremos ou não morar nela, e, pela praticidade, eu decidi ficar.
Todo dia, acordo às oito da manhã, me arrumo e vou tomar café para, às nove horas,
começar as atividades.
Quando eu termino de comer, espero o transporte que me deixa na primeira prática do
dia, a hidroginástica. Depois disso, eu troco de roupa e vou em direção à Casa da Cerâmica,
onde nós fazemos e decoramos vasos. Normalmente, no final de algum mês, ocorre a exposição
dessas obras para que os outros membros e os visitantes as apreciem. Após as atividades
da manhã, eu almoço, volto para meu apartamento e tomo um banho. Do meio dia até as
três da tarde, os auxiliares nos permitem dormir e, posteriormente, vamos lanchar ao
ar livre, observando o entardecer e o pôr do sol. Quando o relógio marca dezoito horas,
começa a noite de jogos na ONG. Eu e meus amigos adoramos bingo, gamão e banco
imobiliário, dentre todos os jogos que são oferecidos. O jantar é servido às dezenove e
trinta, e todas as atividades são encerradas por volta de oito e meia da noite, quando
eu e os outros integrantes nos encaminhamos aos nossos apartamentos para dormir.
Fazer parte da Abraçando a Terceira Idade é muito bom para mim, pois pratico
diferentes ações todos os dias, converso com os amigos que fiz aqui e vivo tranquilamente.
A ONG tem contribuído bastante para que eu e os outros acolhidos aproveitemos essa
fase da vida da melhor forma, já que, além de todas essas atividades, são ofertadas
mais, como costura, pintura, pilates e também há acompanhamento médico.
OSG 5308/22
54
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
Viajar para a Turquia é conhecer um país com paisagens belíssimas, regiões bem
diferentes entre si, muita história e povo afável. A cidade que hoje se chama Istambul
já foi Constantinopla e, antes, Bizâncio. Fundada pelos gregos, pertenceu ao Império
Romano, foi conquistada pelos otomanos e depois islamizada.
Hoje, caminhar pelas ruas, pelos palácios e pelos mercados de Istambul é sentir
todas as camadas de civilização que ali coexistem. Viver com as diferenças, mantra
repetido à exaustão nos tempos atuais, é um dos princípios que guiou por séculos a
formação da cultura istambuliota.
Cheguei a Istambul com neve e a paisagem da cidade fica ainda mais delicada com
suas mesquitas e igrejas bizantinas cobertas pelos flocos brancos de neve. Na véspera
da ida para a Capadócia, nevou muito em G reme, o que fez com que as montanhas e as
formações únicas das “chaminés de fadas” estivessem cobertas de branco.
Nas minhas referências ocidentais, as imagens me lembraram da história de João
e Maria, dos doces da casinha da bruxa e da sua cobertura de açúcar, um tempo fora
do tempo. Grandes espaços, ótimos vinhos, casas trogloditas e ambiente de misticismo,
nesse berço do Cristianismo.
Em Efesus, as ruínas dessa cidade grega e, posteriormente, romana, construída
por orientação do oráculo e protegida por Artemísia, deusa da fertilidade, voltamos
ao passado e descobrimos um dos complexos arquitetônicos mais bem cuidados da
Antiguidade. A biblioteca de Celsius, o teatro romano preservado, os banhos, os
mosaicos encantam o viajante que ama História.
Minha viagem à Turquia, presente que me dei para festejar meu aniversário, foi
um dos mais lindos e sensíveis momentos que tive. A Turquia é um país complexo,
encruzilhada de inúmeras culturas e essa foi uma iniciação no Oriente Médio. Ela já me
chama para uma próxima viagem e novos destinos. A lamparina, que encontrei em um
passeio pelas ruas de Istambul, vai trazer meus próximos desejos.
Por: Ana Beatriz Demarchi Barel
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
55
GÊNEROS TEXTUAIS
38. RESENHA
Estrutura:
– Introdução: É elaborada de forma breve e tem como objetivo contextualizar os
aspectos da obra, como o autor, o assunto, os objetivos e a relevância para o leitor
interessado no tema;
– Resumo da obra: Pode ser crítico ou objetivo. Sem crítica, apresenta apenas a
descrição das ideias contidas na obra. Com crítica, o resenhista apresenta as ideias
e também opina, ou seja, indica pontos positivos e/ou negativos. No resumo,
devem constar, ainda, informações mais específicas sobre a obra: se é dividida em
capítulos/partes/atos/volumes (estrutura) – quantos, quais, como, se houve um
mais importante etc.; deve-se esclarecer se há continuações ou outras produções
que fazem referência à obra resenhada;
– Opinião: Nas resenhas críticas, a opinião é dada pelo autor da resenha, o qual,
normalmente, responde a algumas questões, assumindo um posicionamento e,
consequentemente, argumentando.
OSG 5308/22
56
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
O filme “A Troca” (2008) é baseado em uma inacreditável história real que você
precisa conhecer. Dirigido pelo talentoso Clint Eastwood, o filme conta a trajetória de
Christine Collins em sua busca pela verdade.
O longa-metragem de 2h21min é estrelado pela talentosíssima Angelina Jolie, que
dá um show de interpretação, o qual a levou a ser indicada ao Oscar por esse filme.
Essa obra cinematográfica conta a incrível reviravolta de eventos que cercaram o
desaparecimento de Walter, filho de Christine, em março de 1928. O menino de apenas
nove anos fica desaparecido por supostos cinco meses e é trazido de volta pela polícia.
A trama se complica quando Christine percebe que o menino que foi entregue aos
seus cuidados não é Walter. Desesperada pela verdade, ela tenta descobrir o que
aconteceu e onde está seu filho. Sem ninguém acreditando nela, Collins acaba em um
hospital psiquiátrico, mas mesmo assim não desiste da verdade.
Angelina Jolie nos leva por um mar de emoções ao longo do drama e consegue
prender nossa respiração em certos momentos. A narrativa é cheia de surpresas e choca
com a forma como as mulheres eram tratadas naquela época. Além disso, a busca de
uma mãe por seu filho nos envolve do começo ao fim e nos faz questionar: até onde
você iria para descobrir a verdade?
Sem dúvidas, esse é um dos meus dramas favoritos e é uma recomendação ideal
para quem gosta de reviravoltas e emoções fortes que vão mexer com sua mente.
Conforme os fatos se esclarecem, fica evidente que os detetives envolvidos no caso
fariam qualquer coisa para preservar sua imagem. O longa traz diversos personagens
marcantes e, ao assisti-lo, você nem percebe o tempo passando. Clint Eastwood foi
excelente com essa produção marcante.
Disponível em: [Link] (adaptado).
OSG 5308/22
57
GÊNEROS TEXTUAIS
39. REPORTAGEM
Estrutura:
A estrutura da reportagem não é fácil de ser definida. Porém, alguns elementos
tendem a se repetir:
– Manchete: o título principal;
– Subtítulo: pequeno texto que atrai o interesse do leitor;
– Corpo da reportagem: pode ser desenvolvido de muitas formas, dependendo do
tema e do estilo de cada autor.
OSG 5308/22
58
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
Mancha gigante de plástico no oceano cria novo habitat para animais marinhos
Cientistas encontraram animais marinhos que estão vivendo em restos de plástico
numa área de mar aberto conhecida como a “grande mancha de lixo do Pacífico”.
Muitas dessas criaturas são espécies costeiras, que passaram a viver a quilômetros de
seus habitats usuais, numa área que fica entre a costa da Califórnia (EUA) e o Havaí.
Plantas e animais, incluindo anêmonas, pequenos insetos marinhos, moluscos e
caranguejos, foram encontrados em 90% dos pedaços de plástico.
Cientistas estão preocupados com o fato de que o plástico está ajudando a transportar
espécies invasoras.
O estudo examinou itens de plástico com mais de 5 centímetros de diâmetro coletados de um
giro - uma área onde correntes em círculo fazem com que detritos se acumulem - no Pacífico.
A pesquisadora líder, Linsey Haram, que conduziu o trabalho no Smithsonian
Environmental Research Centre, disse: “Plásticos são mais permanentes que muitos dos
detritos naturais que você costumava ver no mar aberto. Eles estão criando um habitat
mais permanente nesta área”.
Haram trabalhou com o Ocean Voyages Institute, uma ONG que coleta plásticos
poluentes em expedições marítimas, e com oceanógrafos da Universidade do Havaí em Manoa.
O mundo tem pelo menos cinco giros infestados de plástico. Acredita-se que este do
Pacífico tenha a maior quantidade de plástico - cerca de 79 mil toneladas numa região
de mais de 1,6 quilômetro quadrado.
“Todo tipo de coisa vai parar lá”, disse Haram. “Não é uma ilha de plástico, mas há
definitivamente uma grande quantidade de plástico presa ali.”
Boa parte disso é microplástico - muito difícil de ver a olho nu, mas também
há itens maiores, incluindo redes de pesca abandonadas, boias e até barcos que têm
flutuado no giro desde o tsunami no Japão em 2011.
Os pesquisadores, que relataram suas descobertas no periódico Nature
Communications, começaram a investigação ao analisar o tsunami devastador.
O desastre fez com que toneladas de detritos fossem jogadas no Oceano Pacífico, e
centenas de espécies japonesas costeiras foram vistas vivas em itens que chegaram às
costas do Pacífico na América do Norte e a ilhas havaianas.
“Queremos saber como o plástico pode ser um meio de transporte para espécies
invasoras”, disse Haram à BBC News.
Alguns dos organismos que os pesquisadores encontraram no plástico eram espécies de
mar aberto - organismos que sobrevivem ao navegar no plástico flutuante. Mas a descoberta
mais impressionante, diz Haram, foi a diversidade de espécies costeiras no plástico.
“Mais da metade dos itens tinha espécies costeiras neles”, ela disse. “Isso cria uma
série de questões sobre o que significa ser uma espécie costeira.”
Os cientistas dizem que a descoberta joga luz sobre outras “consequências não
intencionais” da poluição por plástico - um problema que só deve crescer.
Um estudo anterior estimou que um total de 25 bilhões de toneladas de lixo plástico
terão sido geradas até 2050.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
59
GÊNEROS TEXTUAIS
40. RESUMO
Exemplo:
OSG 5308/22
60
GÊNEROS TEXTUAIS
41. SINOPSE
Estrutura:
– Título: deve ser escolhido intencionalmente a fim de chamar a atenção do leitor;
– Corpo do texto: deve conter informações sobre onde, como e quando acontecem
os eventos. No caso das sinopses de filmes, o diretor é, por vezes, mencionado e há
uma breve caracterização dos atores principais.
Exemplo:
Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala
Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas,
em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida.
Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no
qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação
milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte
do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela
se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história
a receber o Prêmio Nobel da Paz.
OSG 5308/22
61
GÊNEROS TEXTUAIS
Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta
pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma
sociedade que valoriza filhos homens.
O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida
escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas
do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.
Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, esse livro é uma
janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas
também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades,
muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
62
GÊNEROS TEXTUAIS
Estrutura:
– Título;
– Falas: são iniciadas pelo nome da personagem que falará naquele momento;
– Rubricas: indicam aos atores como deve ser a interpretação do texto e os
movimentos de cena.
Exemplo:
Dona Benta: Bom dia! (ou Boa tarde). Gosto muito de contar histórias para as
crianças. Hoje estou aqui para contar mais uma história muito interessante a vocês. É a
história de um tesouro escondido. Um tesouro muito valioso. Todos que tinham alguns
problemas e tocassem naquele tesouro, os problemas desapareciam. A nossa história
começa quando Pedrinho sonha numa noite de luar.
Pedrinho: (Deitado em sua caminha, luar ao fundo, a boneca Emília entra)
Emília: Pedrinho, acorda. Você tem uma grande missão a realizar.
Pedrinho: O quê? (acordando) Quem está falando?
Emília: Sou eu, a boneca Emília. Não me conhece mais não? Sou a boneca de
Narizinho.
OSG 5308/22
63
GÊNEROS TEXTUAIS
Pedrinho: Boneca Emília? Mas bonecas não falam. Deve ser um sonho. Vou voltar
a dormir. (deita-se)
Emília: Será que eu vou ter que beliscar o seu bumbum?
Pedrinho: Acho bom, pra eu ter certeza que não é um sonho.
Emília: (Se aproxima e belisca o seu bumbum)
Pedrinho: Ai, doeu sabia?
Emília: Você não pediu?
Pedrinho: Pedi, mas não precisava exagerar.
Emília: E então, está preparado?
Pedrinho: Preparado pra que?
Emília: Preparado para encontrar um grande tesouro.
Pedrinho: Tesouro? Que tesouro?
Emília: O que você vai procurar.
Pedrinho: Mas é necessário que eu vá mesmo? Por que eu?
Emília: Porque você foi o escolhido.
Pedrinho: Essa história não está me cheirando bem. Mas se é para o bem de todos,
diga aos seus superiores que eu vou.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
64
GÊNEROS TEXTUAIS
43. TUTORIAL
Exemplo:
O Canva é uma ferramenta de design feita para criar e editar uma série de artes
gráficas a partir de templates prontos: posts para redes sociais, apresentações,
logotipos, cartazes e até mesmo vídeos, dentre tantas outras opções. Fontes e imagens
também são disponibilizadas para as criações.
Para começar a usá-lo, o primeiro passo é fazer o cadastro na plataforma. A
criação da conta é gratuita e você pode explorar toda a ferramenta sem pagar nada a
mais por isso. Há três opções de login: conectar sua conta do Google; conectar sua conta
do Facebook; criar um novo login usando seu e-mail. Depois disso, com a conta criada,
você já será redirecionado(a) para a página inicial do seu perfil no Canva.
Nela existe a opção de escolher um template para começar a elaborar o seu design
tanto navegando pelo menu horizontal quanto clicando em “Criar um design” e selecionando
qual modelo de preferência.
Para você se familiarizar com o Canva, é necessário conhecer os recursos que estão
à sua disposição para desenvolver suas peças. Ao escolher o formato da peça, clique
no botão “Templates” no canto superior esquerdo - as sugestões que aparecerão terão
as dimensões adequadas para o layout. Você pode rolar a barra e ver todas as opções
disponíveis.
Ao selecionar o template e aplicá-lo ao design, existe a opção de editar todos os
elementos da imagem. Para isso, clique em qualquer parte da peça e, em seguida, faça
as edições usando os recursos da barra que aparecerá na parte superior da tela.
O segundo ícone da barra lateral esquerda da página tem os elementos que você pode
usar na sua criação. Eles estão separados em categorias e, para ver a lista completa
de opções, é só clicar em “Ver tudo”.
Com o recurso de texto, dá para escolher dentre as opções prontas e editá-las, ou
criar do zero um título, subtítulo ou texto em geral. Por exemplo, você pode optar por
um layout e usá-lo como base para criar o texto da forma como preferir, mudando
posições, cores e tamanhos. Agora você já sabe como usar!
Disponível em [Link] (adaptado).
OSG 5308/22
65
GÊNEROS TEXTUAIS
44. VERBETE
O verbete é um gênero textual de caráter explicativo que se caracteriza por
apresentar definições, exemplos e informações relevantes relativas a um determinado
termo. Em um verbete, as sequências textuais mais presentes são a exposição e a
descrição, porque a intenção do autor é, unicamente, transmitir dados da realidade
ao leitor de forma direta e objetiva, sem duplo sentido. Os textos explicativos tratam
da identificação de fenômenos, de conceitos e de definições. Por isso, é o texto
que predomina nos livros didáticos, nos dicionários, nas enciclopédias e nas aulas
expositivas, por exemplo. A estratégia mais típica na construção de um verbete é a de
pergunta/resposta. A sensação é de que esses textos estão respondendo a perguntas.
Em textos que primam pelo didatismo, é comum o autor lançar uma pergunta para,
logo depois, desenvolver o texto. Gramaticalmente, o verbete apresenta várias marcas,
como: distanciamento do autor em relação ao tema do qual trata, resultando em um
texto objetivo e escrito, geralmente, em terceira pessoa; predicados organizados em
torno de verbos: ser, ter, conter, consistir, compreender, indicar, significar, constituir,
denominar, designar; sinais de pontuação que introduzem explicações ou citações (dois-
pontos, parênteses, aspas, travessões); orações coordenadas explicativas introduzidas
pelas conjunções pois e porque; orações subordinadas adjetivas explicativas; marcas
de reiteração (“isto é”, “ou seja”, “melhor dizendo”, “em outras palavras”), com o
objetivo de eliminar dúvidas.
É fundamental destacar, por fim, que, no verbete e em todos os textos
explicativos, não há a defesa de uma ideia, de um ponto de vista, características básicas
do texto argumentativo.
Estrutura:
– Título – termo a ser definido, explicado, descrito;
– Texto: a quantidade de parágrafos vai depender do objetivo do autor do verbete, podendo
ser composto de apenas um parágrafo, caso seja mais sucinto, ou de vários parágrafos,
caso o autor decida fazer a definição em categorias distintas, por exemplo.
Exemplo:
Girafa
A girafa é o mamífero mais alto que existe, medindo 5,5 metros de altura ou mais.
Vive nas savanas da África oriental e seu nome científico é Giraffa camelopardalis. A
girafa tem corpo curto, mas pernas e pescoço bem compridos. A pelagem marrom-clara
tem manchas marrom-avermelhadas. Muitas girafas têm dois pequenos chifres entre as
orelhas. A girafa tem narinas grandes e o olfato aguçado. Sua língua pode chegar a
45 centímetros de comprimento. A girafa come plantas e consegue alcançar folhas que
estão no alto das árvores, mas não come grama. Seu pescoço rígido torna muito difícil
alcançar o solo. Para beber água, ela precisa afastar bem as pernas a fim de conseguir
se abaixar. [...]
Girafa. In Britannica escola. Enciclopédia escolar britannica, 2018.
Disponível em: [Link]
OSG 5308/22
66
GÊNEROS TEXTUAIS
1. LAMBE-LAMBE
Exemplo:
2. PASTICHE
OSG 5308/22
67
GÊNEROS TEXTUAIS
Exemplo:
MONA LISA, Leonardo da Vinci, 1503 MÔNICA LISA, Maurício de Souza, 1989
3. PARÓDIA
Exemplo:
Pat/Lab. Red.
OSG 5308/22
68
Mais informações:
(85) 3255.2900
Duque de Caxias
(85) 3477.2000
Washington Soares
(85) 3486.8400
Aldeota
[Link]
Fairy tales maintain relevance by adapting their timeless themes of good versus evil, transformation, and morality to contemporary contexts, allowing for varied interpretations that resonate with modern audiences. These narratives offer escapism and lessons that appeal to universal emotions, ensuring their endurance across generations as they are reimagined through different media like films and literature .
Scientific articles are structured to present and support hypotheses or experiments with logical, data-driven arguments and typically adhere to a formal tone, aiming to inform or persuade a specialized audience. Fairy tales, by contrast, are flexible in structure, often featuring a narrative arc involving magical events, targeting broader audiences, especially children, to convey moral lessons. While scientific writings focus on accuracy and evidence, fairy tales emphasize entertainment and ethical teachings .
Technological disparity impacts education by creating "digital asymmetry" between schools with and without modern technology. Without necessary devices and skills, teachers' performance is hampered as they seek to independently learn how to use technology. This lack of preparation can lead to diminished educational outcomes for students, highlighting the need for resource investment and digital training in schools .
The transition towards 'connected education' in schools faces challenges such as the lack of modern technological infrastructure, inadequate internet access, and insufficient teacher training in technology use. As most educators lack support and resources, they struggle independently, impacting their teaching efficiency and disadvantaging students in digital literacy, necessitating investments in both technology and educator training .
Textual genres serve as a means of insertion, action, and social control in daily life, as explained by the linguist Luiz Antônio Marcuschi. They are forms through which all discursive activity takes place, being indispensable for the academic formation of individuals .
Understanding textual genres is essential for academic formation because they shape the texts encountered in daily life and present socially established patterns. This understanding is often required in many competitive exams and contributes to improving writing and discourse skills .
Terror stories are defined by their inclusion of mysterious characters and supernatural elements meant to instill fear. They often take place in eerie, unknown locales, contributing to the story's verisimilitude and tension. These narratives usually unfold in the past, with conflicts centered around unexplained phenomena, heightened by a climax where the supernatural becomes evident, leaving readers unsettled .
A protest letter, such as a below-signed petition, uses persuasion through well-structured argumentation: a clear statement of a demand, formal language, and the authority of numerous signatories. Its structure typically includes the recipient's name and title, the body containing the complaint and supporting arguments, the local and date, and a list of signatures .
The tale 'A Bela e a Fera' illustrates transformation and love as pivotal themes, where inner beauty and genuine affection lead to literal and metaphorical change. This narrative reveals that the Beast, initially a terrifying creature, transforms back into a human prince through Belle's love, embodying the transformative power of true, selfless love—the core message often found in fairy tales—concluding with a happy ending .
An advertisement engages its target audience by using an appropriate language that addresses the audience's psychological, social, and economic concerns. Its primary objective is to create a clear, reliable, and attractive image of a product, service, or idea to attract and retain customers. It employs rhetorical figures, intertextuality, and persuasive techniques, relying on visual elements like images and slogans .









