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Gêneros Textuais: Estruturas e Exemplos

1. O documento discute gêneros textuais e fornece exemplos de 43 gêneros diferentes. 2. É destinado a estudantes e tem o objetivo de auxiliá-los no entendimento de textos diversos, descrevendo as características de cada gênero. 3. A compreensão dos gêneros textuais é importante para a formação acadêmica dos estudantes e é cobrada em vestibulares.

Enviado por

Rebeca Borges
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Gêneros Textuais: Estruturas e Exemplos

1. O documento discute gêneros textuais e fornece exemplos de 43 gêneros diferentes. 2. É destinado a estudantes e tem o objetivo de auxiliá-los no entendimento de textos diversos, descrevendo as características de cada gênero. 3. A compreensão dos gêneros textuais é importante para a formação acadêmica dos estudantes e é cobrada em vestibulares.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Gêneros Textuais
Caras alunas, caros alunos,
De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “os gêneros textuais são
nossa forma de inserção, ação e controle social no dia a dia”. Eles configuram os
textos que encontramos em nossa vida diária e apresentam padrões estabelecidos
socialmente. Assim, pode-se dizer que toda atividade discursiva acontece por meio de
gêneros.
Nesse sentido, a compreensão sobre gêneros textuais faz-se extremamente
necessária para a formação acadêmica dos indivíduos, sendo, inclusive, assunto exigido
por inúmeros vestibulares. Por isso, este material foi elaborado para auxiliá-los quanto
ao entendimento de textos diversos. Nele, vocês encontrarão uma descrição sobre
cada gênero abordado, além das suas principais características e da sua estrutura
composicional.
Junto a essa compreensão, também se revela importante o constante treino
para aperfeiçoamento do exercício de redação e, por isso, esperamos que este
conteúdo contribua para o aprimoramento desse treino e para o aprofundamento de
seus estudos acerca dos gêneros textuais de maneira geral.
Bom desempenho!

LABORATÓRIO DE REDAÇÃO
Sumário
GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO............................................................................................................6
2. ABAIXO-ASSINADO/PETIÇÃO ON-LINE............................................................................7
3. APÓLOGO...........................................................................................................................8
4. ANÚNCIO PUBLICITÁRIO/TEXTO PUBLICITÁRIO/CAMPANHA PUBLICITÁRIA/PROPAGANDA.....9
5. ARTIGO/TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA..............................................................10
6. ARTIGO DE OPINIÃO.......................................................................................................12
7. BIOGRAFIA.......................................................................................................................14
8. BIOGRAFIA ROMANCEADA.............................................................................................16
9. CARTA ABERTA.................................................................................................................17
10. CARTA ARGUMENTATIVA (RECLAMAÇÃO/SOLICITAÇÃO)..........................................19
11. CARTA DO LEITOR..........................................................................................................21
12. CARTA PESSOAL.............................................................................................................22
13. CARTUM.........................................................................................................................23
14. CHARGE..........................................................................................................................24
15. COMENTÁRIO EM SITE/ON-LINE..................................................................................25
16. CONTO............................................................................................................................26
17. CONTO DE FADAS..........................................................................................................27
18. CONTO DE TERROR/MISTÉRIO/ASSOMBRAÇÃO........................................................30
19. CRÔNICA NARRATIVA....................................................................................................31
20. CRÔNICA ARGUMENTATIVA.........................................................................................33
21. DEBATE REGRADO.........................................................................................................35
22. DEPOIMENTO................................................................................................................36
23. EDITORIAL......................................................................................................................37
24. ENTREVISTA/ENTREVISTA JORNALÍSTICA...................................................................39
25. FÁBULA...........................................................................................................................41
26. HAICAI............................................................................................................................42
27. MANIFESTO....................................................................................................................43
28. MINICONTO/MICROCONTO/MICRONARRATIVA........................................................44
29. NOTA DE REPÚDIO........................................................................................................45
30. NOTÍCIA..........................................................................................................................46
31. NOTÍCIA NA INTERNET/ON-LINE..................................................................................48
32. PARÁBOLA......................................................................................................................49
33. PODCAST........................................................................................................................50
34. POST/POSTAGEM..........................................................................................................52
35. RECEITA..........................................................................................................................53
36. RELATO PESSOAL...........................................................................................................54
37. RELATO DE VIAGEM......................................................................................................55
38. RESENHA........................................................................................................................56
39. REPORTAGEM................................................................................................................58
40. RESUMO.........................................................................................................................60
41. SINOPSE.........................................................................................................................61
42. TEXTO TEATRAL.............................................................................................................63
43. TUTORIAL.......................................................................................................................65
44. VERBETE.........................................................................................................................66
FORMAS ARTÍSTICAS DE EXPRESSÃO
1. LAMBE-LAMBE.................................................................................................................67
2. PASTICHE..........................................................................................................................67
3. PARÓDIA...........................................................................................................................68
GÊNEROS TEXTUAIS

GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO
O abaixo-assinado é um tipo de documento de caráter argumentativo. Suas
principais características são persuasão e reivindicação sobre algum fato que provoca
incômodo social, insatisfação de todos ou de um grupo específico. Logo, é um
gênero que pretende solicitar que seja atendido um pedido de melhoria e mudança
apresentado por muitas pessoas. De modo geral, os abaixo-assinados são dirigidos a
uma autoridade do local ou da sociedade em geral (empresários, governantes, chefes
de departamento, síndicos etc.). Para serem eficientes, apresentam apenas uma
reivindicação, expressa de forma clara, formal, consistente e sucinta.
Estrutura:
– Vocativo: nome do destinatário e cargo;
– Corpo do texto: o pedido, a argumentação;
– Local e data;
– Assinaturas dos que aderiram à causa (em vestibulares, as assinaturas não são
necessárias, a não ser que sejam solicitadas pela proposta).
Exemplo:

Excelentíssimo Senhor Prefeito de Fortaleza,


É de conhecimento geral que a degradação ambiental provocada pelo uso e pelo
descarte inadequado de lixo plástico na cidade mostra-se preocupante, tendo em vista a
grande quantidade de detritos jogados diariamente pelas ruas, o que faz esgotos serem
entupidos, gerando diversos casos de alagamentos e de prejuízos aos moradores. Diante
disso, nós exigimos uma legislação que regulamente e minimize ao máximo o uso de
detritos plásticos em Fortaleza com urgência.
Eu, como cidadão que habito nessa cidade desde a infância, posso confirmar diversos
casos de ruas sujas com garrafas velhas, potes de plásticos quebrados e, até mesmo, de
lagos e lagoas poluídas com tais resíduos, em razão de enchentes em épocas de chuva,
quando as águas de bueiros invadem nossas casas. Além disso, é possível lembrar
da política de reciclagem pouco presente no cotidiano dos moradores, demonstrando,
assim, a necessidade da criação de uma legislação que regulamente a diminuição de lixo
plástico na cidade de Fortaleza.
Portanto, nós, cidadãos da capital do Ceará, unidos pela causa ambiental e pelo
nosso bem-estar, exigimos que essa medida seja tomada, tendo em mente a gravidade
dos impasses listados neste abaixo-assinado. Enquanto não houver um empenho mais
expressivo em torno dessa agenda, a quantidade de lixo plástico só aumentará, gerando
prejuízo ao povo fortalezense e ao meio ambiente.
Fortaleza, 19 de abril de 2021.
Seguem assinaturas dos que aderiram à causa.

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GÊNEROS TEXTUAIS

2. ABAIXO-ASSINADO/PETIÇÃO ON-LINE

Em abaixo-assinados e petições on-line, o registro das assinaturas é eletrônico,


podendo constar o endereço de e-mail ou o perfil de uma rede social no lugar
do telefone, por exemplo. Além disso, há sites gratuitos que permitem elaborar
e disponibilizar abaixo-assinados e petições on-line. A estrutura desses gêneros é a
mesma do abaixo-assinado convencional.

Exemplo:

Petição on-line ao governador do estado pelos direitos dos animais.


Excelentíssimo Senhor Governador Camilo Santana,
Como cidadão consciente da necessidade de promoção do bem-estar e dos direitos dos
animais, venho, em nome da ONG Animal, da qual sou membro, solicitar a aprovação
de uma legislação local que puna mais efetivamente os praticantes de maus-tratos em
animais. Tal reivindicação decorre da necessidade de ações que efetivamente combatam
os maus-tratos e promovam a segurança animal, que novamente está em evidência após
um caso de espancamento de cachorro ocorrido semana passada em uma das ruas de
Fortaleza,
Observa-se, diariamente, a grande quantidade de seres vivos, como cachorros e
gatos, abandonados nas ruas do estado do Ceará. Esses animais, além de não terem
um lar em que possam receber carinho, são constantemente submetidos a diversas
privações, como passar fome, calor e frio. Ademais, a violência é algo extremamente
recorrente na rotina dos animais, seja no ambiente doméstico, seja nas ruas, como
ocorreu no caso anteriormente citado.
Diante dessa realidade tão cruel, não há dúvidas da urgência por medidas que
combatam o problema. É preciso considerar que alguns direitos foram conquistados ao
longo do tempo, como os previstos no Estatuto dos Animais, que determina, por exemplo,
que os agressores dos animais sejam presos e que o governo crie ações voltadas
à causa, o que representou um grande avanço. No entanto, em meio aos recentes
acontecimentos, é notória a não execução de tais medidas.
Diante disso, senhor governador, solicito, em nome de todos os que abaixo assinam,
que promova intervenções nessa problemática, como a aprovação de uma legislação
estadual que tenha o objetivo de efetivamente punir os agressores dos animais. Somente
assim a garantia dos direitos dos animais será alcançada no Ceará.
Fortaleza, 11 de junho de 2021.
Atenciosamente,

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GÊNEROS TEXTUAIS

3. APÓLOGO
O apólogo constitui um gênero narrativo cujo objetivo é ensinar algo para o
leitor. Tem caráter metafórico, e suas personagens são seres inanimados, em geral
objetos, os quais agem como seres humanos a fim de provocar uma reflexão de ordem
social e ética acerca dos comportamentos humanos. Nele, não há a explicitação de
uma moral, ou seja, o ensinamento geralmente está implícito.
Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:

A televisão e o rádio
Depois de uma tarde de domingo qualquer na sala de estar, a televisão recém-
-desligada, após ter sido utilizada por horas a fio, começou a vangloriar-se:
- Sou o objeto tecnológico de comunicação perfeito e, por isso, o preferido pelas
famílias brasileiras.
Ao ouvir os dizeres nada modestos da vizinha, o rádio não se conteve e falou em
tom desdenhoso, o qual logo assumiu uma tonalidade aborrecida:
- Tão jovem, mas tão soberba é essa televisão! Chegou ao Brasil quase 30 anos
após a minha chegada, contudo tem a audácia de achar que é melhor que eu!
A televisão riu bem-humorada e disse:
- Amigo, não se irrite com o que digo. É apenas a verdade. Respeito-te imensamente
por teres chegado aqui primeiro, mas o que importa agora é a preferência das pessoas, e
elas, claramente, gostam mais de mim. Fui utilizada durante várias horas esta semana.
- Petulante! Isso que você é! Eu possibilito que as pessoas escutem notícias,
debates, novelas e recados desde 1922. Sou tão bom quanto você e creio que eu seja
preferido. - falou o rádio.
- Querido, eu não sou boa, sou perfeita. Você fornece apenas som, eu ofereço som
e imagem. Com isso, toda família me adora, incluindo as que possuem integrantes
com deficiência auditiva, os quais você não acolhe. Eu sou completa. Entretenho até
as crianças com meus desenhos animados coloridos, o que gera descanso aos pais,
enquanto tu não fazes isso. Como amiga, sugiro que te atualizes, caso contrário,
acabarás esquecido. - redarguiu a televisão.
- O rádio, agora pálido e trêmulo, nada conseguiu responder. Achou melhor manter
o silêncio, ao qual já estava submetido há muitos dias, tendo em vista que ninguém da
casa o utilizava com frequência.
Contudo, quando percebeu que seus antigos ouvintes se cansaram da TV, pois
gostavam do mistério e do estímulo à imaginação que o rádio proporcionava, viu que
ainda havia um cantinho no coração de seus mais fiéis companheiros.

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GÊNEROS TEXTUAIS

4. ANÚNCIO PUBLICITÁRIO/TEXTO PUBLICITÁRIO/CAMPANHA PUBLICITÁRIA/


PROPAGANDA

O anúncio é um gênero do âmbito publicitário que tem o objetivo de difundir


uma marca de produto, serviço ou ideia, criando-lhe uma imagem clara, confiável
e duradoura, capaz de atrair e conquistar o cliente. Esse gênero precisa considerar
aspectos psicológicos, sociais e econômicos, além de fazer bom uso dos recursos
discursivos (figuras de linguagem, intertextualidade, técnicas argumentativas e
mecanismos de persuasão), das imagens e dos movimentos. Para ser eficaz, o anúncio
deve estar voltado para o público-alvo, o que implica uma linguagem adequada e o
conhecimento das necessidades e das expectativas desse público em relação ao
produto.

Estrutura:

Os textos publicitários não apresentam uma estrutura rígida, mas devem


apresentar informações sobre o assunto tratado e sobre quem produziu o texto.
– Imagem;
– Título;
– Texto condutor do consumidor: direciona ao objetivo do anúncio;
– Assinatura dos anunciantes;
– Slogan da marca.

Exemplo:

Disponível em: [Link] Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

5. ARTIGO/TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Para que haja avanços na ciência, é necessário que os cientistas questionem


conceitos e experimentos que foram, anteriormente, considerados incontestáveis.
A verdade científica atual pode não ser a de amanhã, pois, até mesmo na ciência,
a verdade é relativa, e o discurso mais aceito convence, muitas vezes, apenas
por determinado período, já que o posicionamento científico é revisto diante da
apresentação de novos fatos e evidências. Por meio do texto científico, escrito por
cientistas para leitores interessados em ciência e, geralmente, publicado na forma de
artigos em revistas especializadas, registra-se o raciocínio desenvolvido no trabalho
de pesquisa. Em razão disso, a linguagem é precisa e objetiva, e o autor apoia seus
argumentos em provas, testes e dados estatísticos, por esse motivo, também, emprega
quase sempre a variedade padrão formal da língua. Além disso, o texto de divulgação
científica transmite conhecimentos sistemáticos, por isso pode apresentar uma
intenção didática.

Estrutura:
– Introdução: apresentação da ideia principal do texto;
– Desenvolvimento: exposição de argumentos que, algumas vezes, visam a persuadir
o leitor. Nessa parte, cabem comparações, explicações, relatos de experiências,
dados estatísticos, relações de causa e efeito etc.;
– Conclusão: fechamento do texto. Como nem sempre o texto chega a ser conclusivo,
ele pode ser concluído com hipóteses e perspectivas futuras de estudo.
Exemplo:

Fruta da vida: um estudo sobre a influência do caju na longevidade

O cajueiro (Annacardium occidentale) é uma planta originária do Nordeste do Brasil,


com copa tortuosa e diferentes portes. Sua fruta é amplamente utilizada por tribos
indígenas do Ceará, que - de acordo com antropólogos da Universidade Estadual do Ceará
- vivem muito. Dito isso, foi realizada uma investigação científica para verificar uma
possível relação entre o consumo do caju e o aumento da expectativa de vida.
Inicialmente, foi preciso descobrir e isolar o princípio ativo da fruta. Para tanto,
realizou-se uma parceria com o Núcleo de Farmacologia da Universidade Federal do
Ceará, que obteve êxito ao separar essa substância a partir da sua dissolução em etanol
e de sua posterior destilação. Ineditamente, esse composto foi nomeado de “cajuína” e
armazenado em comprimidos, em homenagem à bebida nordestina.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Um mês depois, deu-se início a um estudo sistemático para testar a efetividade do


químico. 1000 idosos voluntários foram reunidos em quatro grupos, um controle e
três teste. O primeiro grupo recebeu comprimidos placebo, que continham apenas açúcar,
enquanto nos restantes foram administrados 50, 40 ou 30 miligramas de cajuína por
dia.
Por fim, os resultados foram surpreendentes. Após 35 anos, os integrantes do
grupo controle tiveram uma expectativa de vida de 79,8 anos; o grupo que recebeu
30 miligramas da substância, de 84,5 e os outros dois grupos, de 92,39. Tais dados
levaram a Universidade Estadual do Ceará à conclusão de que o caju realmente aumenta
a longevidade das pessoas e, para maximizar a eficiência da cajuína, ela deve ser
administrada em doses de 40 ou 50 miligramas por dia.

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GÊNEROS TEXTUAIS

6. ARTIGO DE OPINIÃO

O artigo de opinião é um gênero textual pertencente ao jornalismo opinativo que


faz uso da argumentação para analisar, avaliar e responder a uma questão controversa.
Caracteriza-se pela exposição de um ponto de vista, assinado por um jornalista ou um
colaborador do jornal ou da revista, sobre determinado assunto atual, geralmente de
ordem social, econômica, política ou cultural. Nesse gênero, a tipologia textual de base
é a dissertativa, pois o autor expõe informações sobre um assunto sobre o qual se
emite uma opinião. Cada parágrafo de desenvolvimento, habitualmente, contém um
argumento que oferece suporte à conclusão geral. Evidencia-se, assim, a interação no
processo de produção: o autor se coloca no lugar do leitor e antevê suas posições para
poder refutá-las. Ele justifica suas afirmações tendo em vista possíveis questões ou
conclusões contrárias, suscitadas pelo público leitor.
Na produção do artigo, o autor pode optar por uma linguagem mais flexível ou
mais cuidadosa. A primeira emprega um conjunto de palavras, expressões e construções
mais usuais, com uma sintaxe acessível ao leitor comum. A segunda utiliza um vocabulário
mais elaborado. A escolha por um dos níveis depende do público a que se destina o
texto. A fim de manter a coerência temática e a coesão, o produtor vale-se de operadores
argumentativos (elementos linguísticos que orientam a sequência do discurso – mas,
entretanto, porém, portanto, além disso etc.), operadores de tempo e demonstrativos
(este, esse, aquele, agora, hoje, neste momento, ultimamente, recentemente) etc.
Para apresentar a questão e os argumentos, o autor utiliza predominantemente
o presente do indicativo, mas também pode fazer uso do pretérito em explicações
ou em apresentação de dados e evidências. É muito comum, também, o emprego de
argumentos de autoridade, que consistem na citação de autores renomados ou de
autoridades no assunto para comprovar uma ideia, uma tese ou um ponto de vista.
Em razão de tudo isso, o artigo de opinião desempenha importante papel na
sociedade, pois possibilita a interação entre o articulista e o leitor, ampliando ideias e
pontos de vista, garantindo-lhe, também, um melhor entendimento da sociedade e,
consequentemente, o aperfeiçoamento das relações que nela se estabelecem.

Estrutura:
– Introdução: título opcional; apresentação da tese a ser defendida, de modo a guiar
o leitor ao que virá nas demais partes do texto. Busca contextualizar o assunto a ser
abordado por meio de afirmações gerais e/ou específicas. Nesse momento, pode
evidenciar o objetivo da argumentação que será sustentada ao longo do artigo,
bem como a importância de se discutir o tema;
– Desenvolvimento: expõe os argumentos e constrói a opinião a respeito da questão
examinada. É importante ressaltar que todo texto argumentativo precisa apresentar

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GÊNEROS TEXTUAIS

provas a favor da posição que assumiu e provas para mostrar que a posição contrária
está equivocada. Os argumentos baseiam-se nos conceitos apresentados, na
adequação dos fatos para exemplificar esses conceitos, bem como na correção do
raciocínio que estabelece relações entre conceitos e fatos. Para evitar abstrações,
geralmente faz-se uso da exposição de fatos, dados e exemplos;
– Conclusão: evidencia a resposta à questão apresentada, podendo haver uma
reafirmação da posição assumida ou uma apreciação do assunto abordado. Não
é adequado fazer um simples resumo ou uma mera paráfrase das afirmações
anteriores, é preciso que haja uma reflexão final.

Exemplo:

No período da modernidade, a escrita era praticada por grandes cientistas na


tentativa de comprovar teorias que revolucionariam a sociedade da época. Nos dias
hodiernos, esses e outros escritos estão associados ao uso do computador, o qual
facilitou bastante o fluxo de informações disponíveis para a leitura, mas também
causou alguns prejuízos graves.
No contexto da leitura no computador, é notável que esse eletrônico facilitou o fluxo
de informações a partir da disponibilização de materiais, como os acadêmicos, por meio
de servidores de internet, em grande parte do mundo. Esse fato é de grande importância
para a dinâmica social, pois o próprio ato de ler favorece, por exemplo, o aumento
da consciência crítica dos cidadãos e, com isso, a maior busca por direitos sociais,
presentes, por exemplo, nas recentes manifestações ocorridas na Grécia, as quais foram
iniciadas nas redes cibernéticas.
Todavia, é importante destacar que, infelizmente, o uso de computadores diminui,
muitas vezes, o ato de escrever em papel e de ler artigos grandes, em razão,
respectivamente, da praticidade desses eletrônicos e da busca por resumos rápidos em
meio à “correria” diária. A desvalorização da leitura e da escrita se torna um problema,
pois diminui a pluralidade de opiniões e desfavorece o crescimento da mentalidade
crítica populacional. Por isso, é imprescindível que campanhas instruam as pessoas a
usarem de forma benéfica o computador, a leitura e a escrita.
Desse modo, é perceptível que, com o surgimento dos computadores, existem pontos
positivos e negativos acerca da relação, nos dias hodiernos, do ato de ler e de escrever.
Além disso, para o uso completo desses três elementos, é muito importante a criação de
projetos de conscientização sobre a utilização correta deles pelas pessoas.

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GÊNEROS TEXTUAIS

7. BIOGRAFIA

A biografia é uma narrativa não ficcional, que busca reconstruir os fatos


mais relevantes da vida de uma pessoa ou de uma personagem que, normalmente,
alcançou fama por meio de suas ações. A partir de um narrador-observador, a biografia
reconstitui, cronologicamente, as principais realizações do biografado. Além disso, os
verbos, geralmente, são usados no passado, e há a presença de pronomes pessoais e
possessivos e de marcadores temporais (na infância, na adolescência, naquela época,
etc.). A linguagem utilizada é adequada à norma-padrão da língua. A biografia destina-
-se, geralmente, a pessoas interessadas na história de vida de personalidades e pode
ser publicada no formato de livro (quando relativamente extensa) ou em forma de
homenagens em revistas e páginas da internet.

Estrutura:
– Título: normalmente, é composto pelo nome de quem será biografado;
– Texto: não segue uma estrutura padrão, mas, geralmente, os parágrafos são
construídos a partir da infância do biografado, seguindo uma ordem cronológica.

Exemplo:

Rachel de Queiroz

Quinta ocupante da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, eleita em 4 de


agosto de 1977, na sucessão de Candido Motta Filho, e recebida pelo Acadêmico Adonias
Filho em 4 de novembro de 1977.
Raquel de Queirós nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, e
faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003. Filha de Daniel de Queirós
e de Clotilde Franklin de Queirós, descende, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar,
parente, portanto, do autor ilustre de O Guarani, e, pelo lado paterno, dos Queirós,
família de raízes profundamente lançadas no Quixadá e no Beberibe.
Em 1917, foi para o Rio de Janeiro, em companhia dos pais que procuravam, nessa
migração, fugir dos horrores da terrível seca de 1915, que mais tarde a romancista
iria aproveitar como tema de O Quinze, seu livro de estreia. No Rio, a família Queirós
pouco se demorou, viajando logo a seguir para Belém do Pará, onde residiu por dois
anos.
Em 1919, regressou a Fortaleza e, em 1921, matriculou-se no Colégio da Imaculada
Conceição, onde fez o curso normal, diplomando-se em 1925, aos 15 anos de idade.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Estreou em 1927, com o pseudônimo de “Rita de Queluz”, publicando trabalho no


jornal “O Ceará”, de que se tornou afinal redatora efetiva. Em fins de 1930, publicou
o romance O Quinze, que teve inesperada e funda repercussão no Rio de Janeiro e em
São Paulo. Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando
a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática
exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca.
Em 1932, publicou um novo romance, intitulado João Miguel, e em 1937, retornou
com Caminho de Pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe de
Oliveira, com o romance As Três Marias. Em 1950, publicou em folhetins, na revista
O Cruzeiro, o romance O Galo de Ouro.
Cronista emérita, publicou mais de duas mil crônicas, cuja seleta propiciou a edição
dos seguintes livros: A Donzela e a Moura Torta, 100 Crônicas Escolhidas, O Brasileiro
Perplexo e O Caçador de Tatu. No Rio, onde passou a residir em 1939, colaborou no
Diário de Notícias, em “O Cruzeiro” e em “O Jornal”. Escreveu duas peças de teatro,
Lampião, em 1953, e A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro
do Instituto Nacional do Livro, além de O Padrezinho Santo, peça que escreveu para
a televisão, ainda inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu o livro
O Menino Mágico, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu das histórias que inventava
para os netos. Dentre as suas atividades, destacava-se também a de tradutora, com
cerca de quarenta volumes vertidos para o português.
Foi membro do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até
sua extinção, em 1989. Participou da 21ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em
1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando especialmente na Comissão dos
Direitos do Homem. Em 1988, iniciou sua colaboração semanal no jornal “O Estado de
São Paulo” e no “Diário de Pernambuco”.
Recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em
1980; o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981;
a Medalha Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar (1983);
a Medalha Rio Branco, do Itamarati (1985); a Medalha do Mérito Militar no grau de
Grande Comendador (1986); a Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais
(1989); O Prêmio Luís de Camões (1993); o Prêmio Moinho Santista, na categoria
de romance (1996); o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (2000). Em 2000, foi eleita para o elenco dos “20 Brasileiros
empreendedores do Século XX”, em pesquisa realizada pela PPE (Personalidades
Patrióticas Empreendedoras).
Disponível em: [Link] (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

8. BIOGRAFIA ROMANCEADA

A biografia romanceada é um texto em que a imaginação do biógrafo tem


importante participação na narrativa da vida do biografado, pois, ao mesmo tempo,
narra fatos pesquisados em diferentes fontes (entrevistas de testemunhas, documentos,
correspondência) e pode também fazer comentários, valorizar uma ideia por meio de
uma ilustração etc. O biógrafo tem liberdade para descrever cenários que não conheceu,
criar diálogos, inserir cenas, pensamentos de personagens. Busca, assim, preencher
lacunas sobre o que se sabe dos vários momentos da vida do biografado, realçando,
enfatizando, dando ritmo ao que é relatado. Há, em síntese, uma combinação entre
uma narrativa técnica, precisa, com cronologia e narração literária dos fatos.

Estrutura:
– Título: normalmente, é composto pelo nome de quem será biografado;
– Texto: não segue uma estrutura padrão, mas, geralmente, os parágrafos são
construídos a partir da infância do biografado, seguindo uma ordem cronológica.

Exemplo:
Este trecho faz parte do primeiro capítulo de Juventude em Viena: uma
Autobiografia, biografia romanceada, escrita de 1915 a 1920, que narra a vida do autor
Arthur Schnitzler até 1889, antes de conhecer a fama como escritor com a novela O
Tenente Gustl, publicada em 1900.

Juventude em Viena: uma autobiografia

“Nessa época, ou seja, quando eu tinha 4 ou 5 anos de idade, é que surge meu
primeiro camarada de brincadeiras do qual me lembro, um jovem conde alman, cujo
pai era paciente do meu. Eu por certo não saberia mais com que brincadeiras nós, ainda
tão garotos, passávamos o tempo, se não tivesse me ficado na memória uma pergunta
peculiar, que fiz certa vez à minha babá, provavelmente por causa de seu absurdo
especial, do qual eu logo viria a me dar conta. Nós havíamos disposto nossos soldados
de madeira em ordem de batalha sobre o tampo branco da mesinha em que brincávamos,
quando me ocorreu de repente me informar com minha babá quem na verdade eram os
inimigos, se os de bainhas verdes ou se os de bainhas vermelhas. A babá repassou
a pergunta à babá dos alman com a mesma seriedade, e esta designou, com a maior
determinação, os vermelhos como sendo os inimigos, ao que me decidi, tranquilo, aceitar
a batalha, já não me lembro mais se na condição de amigo ou de inimigo.”
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

9. CARTA ABERTA

A carta aberta serve como instrumento de denúncia, de participação social,


de manifestação de cidadania. De acordo com o próprio nome, ela objetiva ser lida
por qualquer pessoa, uma vez que pode ser publicada não apenas em jornais e
revistas, mas também no rádio, na televisão e na internet. Geralmente, ela se dirige
a uma autoridade, com o propósito de que esta se inteire de um problema e tome
providências para resolvê-lo. Por essa razão, emprega-se o padrão da linguagem formal,
com verbos no presente do indicativo em primeira ou em terceira pessoa. É um texto
de intenção persuasiva, que aborda um assunto de ampla repercussão social. Entre
os elementos essenciais da carta aberta estão exposição de um problema, reflexão,
denúncia, reclamação e solicitação, linguagem clara e objetiva, além da exposição de
uma argumentação que fundamente a denúncia.

Estrutura:
– Título: segue o padrão de início com “Carta aberta” seguido do destinatário, do
tema ou do destinatário junto do tema;
– Corpo do texto;
– Local e data;
– Assinatura do(s) remetente(s).

Exemplo:

Carta Aberta à População Brasileira


Povo brasileiro,
Inicialmente, como integrante de um grupo de universitários, quero expressar minha
preocupação com o uso excessivo de smartphones pelos indivíduos, uma vez que ele
prejudica a interação social, acarreta problemas psicológicos e diminui a concentração
em atividades elementares, sendo responsável por uma geração profundamente marcada
pela dependência a esses aparelhos.
A criação dos aparelhos de comunicação facilitou nossas vidas, apresentando
variadas funções, as quais otimizaram as tarefas diárias e o aprendizado, pelo alto teor
informativo. Não obstante, hodiernamente, o uso indiscriminado do celular tem trazido
consequências nocivas aos indivíduos de todas as idades, oferecendo ferramentas que
viabilizam a falta de atenção e, consequentemente, prejudicam a realização de práticas
simples. Esse panorama tem relação com a ideia de Modernidade Líquida do sociólogo
ygmunt Bauman, a qual externa a impaciência e o excesso de insegurança existente hoje
em razão da quantidade de informação que recebemos ao mesmo tempo, além da interação
social afetada, acarretando, dessa forma, ansiedade e outros problemas psicológicos, os
quais podem prejudicar a vida de muitos indivíduos.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Sendo assim, é necessário, cidadãos de todo o Brasil, um despertamento coletivo


acerca da quantidade de horas que passamos usando o smartphone, desligados da
realidade palpável, pois isso pode ser muito prejudicial em médio e em longo prazo. Não
podemos nos deixar dominar por um pequeno aparelho, o qual foi criado com o intuito
de facilitar nossa realidade e não de se tornar uma prisão intelectual e emocional, como
se nassa existência se resumisse apenas ao smartphone.
Diante disso, povo desta pátria, reitero minha preocupação com o uso excessivo do
celular.
Atenciosamente,
Fortaleza, 12 de fevereiro de 2021.

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GÊNEROS TEXTUAIS

10. CARTA ARGUMENTATIVA (RECLAMAÇÃO/SOLICITAÇÃO)

A carta argumentativa dirige-se a um destinatário específico, normalmente


a uma autoridade política, civil ou religiosa, e tem como objetivo solicitar algo,
geralmente de interesse coletivo, ou fazer alguma reclamação. Assim, as cartas
argumentativas de solicitação visam a reivindicar a solução de um problema ou apenas
solicitar algo, e as cartas argumentativas de reclamação objetivam apresentar às
autoridades reclamações sobre um problema da comunidade. Às vezes – quando, ao
mesmo tempo, reclama-se de algo e solicita-se uma solução – esses tipos de carta se
misturam. A carta argumentativa tem como características a intenção persuasiva, a
linguagem clara e objetiva, em nível formal, de acordo com a norma-padrão e o uso de
verbos no presente do indicativo e/ou no imperativo. Além disso, é preciso salientar o
uso do pronome de tratamento adequado ao cargo do destinatário e o predomínio, em
geral, da primeira pessoa. Para a composição de cartas argumentativas, sugere-se que
sejam evitadas marcas de oralidade.

Estrutura:
– Local e data;
– Vocativo;
– Introdução: apresentar um problema, suas causas e consequências;
– Desenvolvimento: expor argumentos capazes de comprovar que o remetente tem
razão, por estar sendo desrespeitado em seus direitos ou por não ver seus direitos
atendidos;
– Conclusão: ratificar o problema apresentado e reivindicar uma solução;
– Despedida;
– Assinatura (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar o texto, a não ser
que a proposta assim exija).

Exemplo:

Fortaleza, 31 de agosto de 2021.


Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza,
Como representante de uma associação comunitária, venho, por meio desta carta,
depois de conversar com os estudantes de uma das escolas do bairro onde atuo, exigir
uma maior conectividade nelas, a qual é impedida, hoje, pela infraestrutura precária
e pelos professores não capacitados. Em virtude disso, os alunos vivenciam uma
desigualdade digital, podendo ter afetada sua qualidade do ensino.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Em relação à educação conectada, é preciso haver nas escolas computadores modernos,


internet rápida e outros equipamentos tecnológicos. Entretanto, não se encontram
nessas instituições tais meios, gerando o que se conhece como “assimetria digital”, em
comparação com aquelas que os possuem, como afirmam mais de 60% dos professores
da rede pública, segundo a pesquisa do movimento Todos pela Educação. Assim, sem os
aparelhos necessários, o campo educacional dessas escolas fica ultrapassado.
Além disso, grande parte do corpo docente não sabe como utilizar as tecnologias
e, também, não é instruído para isso, possibilitando que mais de 85% dos educadores
busquem descobrir sozinhos o funcionamento desses aparelhos, de acordo com o TIC
Educação. Como resultado, o âmbito de ensino pode ser impactado, já que, por esse
aprendizado demandar muito tempo, o rendimento dos professores é reduzido. Em
consequência, a não preparação dos profissionais para a educação conectada pode
trazer prejuízos aos alunos.
Logo, solicito a Vossa Excelência uma reforma nas escolas do bairro onde presto
a ação comunitária, mediante, por exemplo, a inserção de aparelhos tecnológicos e
o fornecimento de aulas sobre os recursos digitais aos professores, tudo isso para
aumentar a conectividade nessas instituições e beneficiar os estudantes.
Respeitosamente,

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GÊNEROS TEXTUAIS

11. CARTA DO LEITOR


A carta do leitor geralmente é direcionada a jornais e revistas e tem por
finalidade expressar opiniões e sugestões; debater argumentos levantados em
matérias e fazer críticas a respeito delas; trazer perguntas, reflexões, elogios, incentivos
etc. Para o leitor, é o meio de expor seu ponto de vista em relação ao assunto lido;
para o veículo de informação, é uma maneira de saber o que está agradando ou não a
opinião pública. O objetivo do leitor, ao escrever uma carta para um jornal da cidade ou
uma revista de circulação nacional, é tornar pública sua ideia, além de se sentir parte
da informação. Não há regras estabelecidas para se fazer uma carta desse gênero,
mas espera-se que o assunto e o objetivo da carta (opinar, sugerir, debater) sejam
especificados logo no início, além de apresentar uma linguagem clara e precisa. Nesse
tipo de carta, a linguagem pode ser mais pessoal (empregando pronomes e verbos
em primeira pessoa) ou mais impessoal (empregando pronomes e verbos em terceira
pessoa). O grau de impessoalidade depende da intenção do autor: protestar, brincar
ou impressionar.
Estrutura:
– Local e data;
– Vocativo;
– Corpo do texto;
– Despedida;
– Assinatura (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar o texto, a não ser
que a proposta assim exija).
Exemplo:

Maringá, 17 de julho de 2017.


À revista Pazes,
Sou leitora frequente da revista Pazes e, enquanto lia meu feed de notícias, deparei-
-me com o texto “Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI”, de
Ana Fraiman. Após a leitura, pude perceber que eu contribuí para a solidão da minha avó.
Primeiramente, senhores editores, gostaria de dizer que, com a minha correria do dia a
dia, acabava não visitando a minha avó, eram raros os momentos em que ficávamos juntas
e eu acabava agindo exatamente como exposto no texto. A gente trocava algumas ideias,
mas não dialogava, eu não aprendia valores com ela e não conhecia suas individualidades.
Portanto, a partir do texto de vocês, reconhecendo tamanha importância desse
assunto e movida pela empatia, mudarei meus antigos atos e começarei a dialogar
com ela, conhecendo-a cada dia mais, e compartilharemos novidades e histórias. Além
disso, vamos começar a fazer aula de natação juntas. Por fim, sugiro à revista novas
postagens sobre o tema a fim de mobilizar mais leitores para mudanças tão importantes.
Atenciosamente,
Leitora.
Página do Facebook “120 na redação UEM (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

12. CARTA PESSOAL

A carta pessoal é um tipo de texto epistolar utilizado, geralmente, entre


indivíduos que apresentam certa aproximação (amigos, familiares etc.). Dependendo
da pessoa a quem se destina, a linguagem utilizada na carta pessoal pode ser uma
linguagem mais despretensiosa (coloquial e informal) ou mais preocupada com as
normas gramaticais (linguagem formal). Desse modo, se a carta for destinada a uma
pessoa próxima, é provável que apresente vícios e figuras de linguagem, bem como
gírias e expressões populares. No entanto, se for uma carta destinada ao diretor de
uma escola, por exemplo, expressões de formalidade serão incluídas, como em frases
que expressem cordialidade (atenciosamente, cumprimentos etc.), além de se observar
mais rigorosamente a norma-padrão da língua.

Estrutura:
– Local e data;
– Vocativo;
– Corpo do texto;
– Despedida;
– Assinatura (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar o texto, a não ser
que a proposta assim exija).
Exemplo:

São Paulo, 25 de outubro de 2000.


Meu querido filho,
Como está? Inicio esta carta com imensas saudades. Desde que você foi estudar no
Rio, eu e sua mãe sentimos um silêncio e uma ausência constante pela casa. Sabemos
que falta uma parte essencial da nossa família. Apesar disso, estamos tão orgulhosos de
todo o seu esforço e das conquistas até aqui! Amamos você e torcemos por seu sucesso!
Em se tratando da universidade, como vai o semestre? As aulas de anatomia se
tornaram mais “fáceis”? (Risos) Fique firme e tranquilo, sabemos que tem todas as
capacidades necessárias. E quanto à bolsa? Tem se sentido satisfeito com as pesquisas?
Nesta semana iremos para o interior visitar sua avó. Ela se encontra um pouco
adoentada, e queremos ajudá-la com os exames e os remédios, além disso, ajuda-nos a
canalizar a tamanha saudade que estamos sentindo. Estamos contando os dias para o
Natal, prepararemos uma linda festa para ouvir todas as suas experiências.
Aguardamos a sua resposta e, ansiosamente, a sua chegada.
Com carinho, do seu querido pai,
Disponível em: [Link] (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

13. CARTUM

O cartum consiste em uma estética gráfica, crítica, lírica e/ou anedótica. Aborda,
geralmente, situações universais e atemporais. É um gênero jornalístico considerado
opinativo ou analítico que critica, satiriza e expõe situações por meio do grafismo e
do humor. Hoje, esse gênero abrange praticamente todos os veículos de difusão da
informação gráfica: jornais, revistas e internet. Utiliza-se de elementos da história em
quadrinhos, como balões, cenas e onomatopeias, por meio dos quais se expõe uma
opinião ou um ponto de vista em um desenho que pode, ou não, ser acompanhado de
legenda.
São características desse gênero: a linguagem não verbal; a sátira; o humor;
a ironia; o cômico; a flexibilidade; a associação da linguagem verbal ao desenho
expressivo; a expressão de imagens atemporais e o entrelaçamento entre palavras,
imagens e sentido.

Exemplo:

Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

14. CHARGE

A charge é uma ilustração cujo objetivo é satirizar um acontecimento, uma ideia


da atualidade ou mesmo as personagens envolvidas. O autor da charge apresenta sua
visão por meio de linguagem visual, inserindo, às vezes, uma complementação verbal.
Por tratar-se de um texto com diversos significados, quanto maior o conhecimento
prévio do leitor sobre os símbolos apresentados e a realidade social envolvida, mais
sentidos serão levantados e melhor será a compreensão da sátira. São características
desse gênero: o exagero (ênfase em aspectos marcantes, distorcendo a realidade com
o intuito de provocar o riso); o ridículo (o riso do que foge à normalidade); a ruptura
discursiva (presença de final inesperado, uma quebra da lógica, que provoca comicidade
pela surpresa) e a polifonia (vários discursos presentes na voz dos personagens, ou
outros textos combinados para criar o sentido).

Exemplo:

Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

15. COMENTÁRIO EM SITE/ON-LINE

O comentário é um texto curto por meio do qual o autor sintetiza um fato


(show, livro, questão polêmica, etc.) ao qual referencia e subordina um juízo de
valor, expressando um ponto de vista, ou seja, demonstrando ou justificando adesão,
refutação, apoio, crítica, ironia, questionamento etc. Na internet, o que se observa é
que o autor do comentário pode ou não ser especialista no assunto. Há liberdade de
estilo de linguagem, espontaneidade e subjetividade de escrita. Em bons comentários
on-line, é comum que haja fundamentação da opinião emitida; linguagem clara, para
ser inteligível por diferentes pessoas, e tom polido e cortês, expressando respeito a
diferentes pontos de vista e à privacidade dos outros. Por possuir uma gama extensa
de possibilidades, não possui uma estrutura fixa.

Exemplo:

Comentário crítico sobre a importância da leitura para o exercício da cidadania


”Um país se faz com homens e livros.” Essa sábia afirmação de Monteiro Lobato
aponta para a grande importância que a leitura rege na sociedade, revelando que a um
país que manifesta harmonia e pleno funcionamento antecipa-se um aguçado pensamento
crítico. Nesse sentido, percebe-se que a leitura é primordial para que a cidadania seja
assegurada com indivíduos aptos para dominar áreas do âmbito social e formar um
país próspero. Logo, é indubitável que o hábito de ler seja inserido no atual quadro
secular.
Diante da realidade do intenso desenvolvimento da tecnologia, o bombardeio
de informações por vezes acríticas oferecidas pelo uso das redes sociais provoca
manipulação em massa, formando, assim, cidadãos alienados. Esse quadro, somado à
escassez do hábito da leitura, impede que o exercício da cidadania seja desempenhado
integralmente.
É consenso, portanto, a urgência da inserção da prática da leitura no meio
social, visto que, dessa forma, a sociedade seria formada de indivíduos conscientes e
democratas.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

16. CONTO

O conto configura-se como um texto narrativo, por isso, é possível observar nele
os elementos essenciais de uma narração: personagens, enredo, tempo e espaço. É
uma narrativa curta, em que há poucas personagens, com tempo e espaço reduzidos.
Apresenta apenas um conflito, em geral, já próximo do final (desfecho), pois vai ao foco
de interesse, dispensando elementos que não importam ao seu propósito.

Estrutura:
– Introdução: essa parte apresenta a situação inicial, ou seja, a introdução da(s)
personagem(ns) e do cenário no qual será desenvolvida a narrativa;
– Desenvolvimento: nessa parte do conto, o conflito surge, havendo uma quebra da
normalidade. Esse conflito leva a narrativa ao clímax, momento de maior tensão do texto;
– Conclusão: essa parte consiste no desfecho do conto, parte da história em que o
conflito é resolvido, quebrando ou confirmando uma expectativa.

Exemplo:

Todos os dias, ao primeiro sol da manhã, mãe e filha sentavam-se na soleira da


porta. E deitada a cabeça da filha no colo da mãe, começava esta a catar-lhe piolhos.
Os dedos ágeis conheciam sua tarefa. Como se vissem, patrulhavam a cabeleira
separando mechas, esquadrinhando entre os fios, expondo o claro azulado do couro. E
na alternância ritmada de suas pontas macias, procuravam os minúsculos inimigos,
levemente arranhando com as unhas, em carícia de cafuné.
Com o rosto metido no escuro pano da saia da mãe, vertidos os cabelos sobre a testa,
a filha deixava-se ficar enlanguescida, enquanto a massagem tamborilada daqueles
dedos parecia penetrar-lhe a cabeça, e o calor crescente da manhã lhe entrefechava os
olhos.
Foi talvez devido à modorra que a invadia, entrega prazerosa de quem se submete a
outros dedos, que nada percebeu naquela manhã - a não ser, talvez, uma leve pontada
- quando a mãe, devassando gulosa o secreto reduto da nuca, segurou seu achado entre
polegar e indicador e, puxando-o ao longo do fio negro e lustroso em gesto de vitória,
extraiu-lhe o primeiro pensamento.

COLASANTI, Marina. E tinha a cabeça cheia deles.


Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

17. CONTO DE FADAS

Os contos de fadas são histórias bem antigas, que foram recontadas por
várias gerações antes de serem registradas por escrito. Eles fazem parte da chamada
tradição oral, isto é, eram compartilhados de boca em boca, geração após geração,
apresentando, por isso, diferentes versões da mesma história. Geralmente, os contos
de fada narram histórias de príncipes, princesas, bruxas, fadas, duendes, dragões e
outros seres mágicos. As histórias costumam acontecer em um tempo bem antigo e
têm como principal cenário os reinos, cheios de bosques e florestas, nos quais todo tipo
de acontecimento mágico é possível. Além disso, há sempre um final feliz, marcado,
muitas vezes, pela famosa expressão “e foram felizes para sempre”. A estrutura desse
gênero segue o padrão da estrutura do conto convencional.

Exemplo:

A Bela e a Fera
Há muitos anos, em uma terra distante, viviam um mercador e suas três filhas . A
mais jovem era a mais linda e carinhosa, por isso era chamada de “Bela”.
Um dia, o pai teve de viajar para longe a negócios. Reuniu as suas filhas e disse:
- Não ficarei fora por muito tempo. Quando voltar, trarei presentes. O que vocês
querem?
As irmãs de Bela pediram presentes caros, enquanto ela permanecia quieta.
O pai se voltou para ela, dizendo :
- E você, Bela, o que quer ganhar?
- Quero uma rosa, querido pai, porque, neste país, elas não crescem - respondeu
Bela, abraçando-o forte.
O homem partiu, conclui os seus negócios, pôs-se na estrada para a volta. Tanta
era a vontade de abraçar as filhas, que viajou por muito tempo sem descansar. Estava
muito cansado e faminto, quando, a pouca distância de casa, foi surpreendido, em uma
mata, por furiosa tempestade, que lhe fez perder o caminho.
Desesperado, começou a vagar em busca de uma pousada, quando, de repente,
descobriu ao longe uma luz fraca. Com as forças que lhe restavam, dirigiu-se para
aquela última esperança. Chegou a um magnífico palácio, o qual tinha o portão aberto e
acolhedor. Bateu várias vezes, mas sem resposta. Então, decidiu entrar para esquentar-
se e esperar os donos da casa. O interior, realmente, era suntuoso, ricamente iluminado
e mobiliado de maneira esquisita.
O velho mercador ficou defronte da lareira para enxugar-se e percebeu que havia
uma mesa para uma pessoa, com comida quente e vinho delicioso. Extenuado, sentou-se
e começou a devorar tudo.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Atraído depois pela luz que saía de um quarto vizinho, foi para lá, encontrou uma
grande sala com uma cama acolhedora, onde o homem se esticou, adormecendo logo. De
manhã, acordando, encontrou vestimentas limpas e uma refeição muito farta. Repousado
e satisfeito, o pai de Bela saiu do palácio, perguntando-se espantado por que não havia
encontrado nenhuma pessoa. Perto do portão, viu uma roseira com lindíssimas rosas e se
lembrou da promessa feita a Bela. Parou e colheu a mais perfumada flor. Ouviu, então,
atrás de si um rugido pavoroso e, voltando-se, viu um ser monstruoso que disse:
- É assim que pagas a minha hospitalidade, roubando as minhas rosas? Para
castigar-te, sou obrigado a matar-te!
O mercador jogou-se de joelhos, suplicando-lhe para ao menos deixá-lo ir abraçar
pela última vez as filhas. A Fera lhe propôs, então, uma troca: dentro de uma semana
devia voltar ou ele ou uma de suas filhas em seu lugar.
Apavorado e infeliz, o homem retornou para casa, jogando-se aos pés das filhas e
perguntando-lhes o que devia fazer. Bela aproximou-se dele e lhe disse:
- Foi por minha causa que incorreste na ira do monstro. É justo que eu vá...
De nada valeram os protestos do pai, Bela estava decidida. Passados os sete dias,
partiu para o misterioso destino.
Chegada à morada do monstro, encontrou tudo como lhe havia descrito o pai e
também não conseguiu encontrar alma viva. Pôs-se então a visitar o palácio e, qual
não foi a sua surpresa, quando, chegando a uma extraordinária porta, leu ali a
inscrição com caracteres dourados: “Apartamento de Bela”.
Entrou e se encontrou em uma grande ala do palácio, luminosa e esplêndida. Das
janelas tinha uma encantadora vista do jardim. Na hora do almoço, sentiu bater e
se aproximou temerosa da porta. Abriu-a com cautela e se encontrou ante a Fera.
Amedrontada, retornou e fugiu através da salas. Alcançada a última, percebeu que fora
seguida pelo monstro. Sentiu-se perdida e já ia implorar piedade ao terrível ser, quando
este, com um grunhido gentil e suplicante lhe disse:
- Sei que tenho um aspecto horrível e me desculpo; mas não sou mau e espero que
a minha companhia, um dia, possa ser-te agradável. Para o momento, queria pedir-te,
se podes, honrar-me com tua presença no jantar.
Ainda apavorada, mas um pouco menos temerosa, Bela consentiu e, ao fim da tarde,
compreendeu que a Fera não era assim malvada. Passaram juntos muitas semanas,
e Bela cada dia se sentia afeiçoada àquele estranho ser, que sabia revelar-se muito
gentil, culto e educado.
Uma tarde, a Fera levou Bela à parte e, timidamente, disse-lhe:
- Desde quando estás aqui, a minha vida mudou. Descobri que me apaixonei por
ti. Bela, queres casar-te comigo?
A moça, pega de surpresa, não soube o que responder e, para ganhar tempo, disse:
- Para tomar uma decisão tão importante, quero pedir conselhos a meu pai que não
vejo há muito tempo!

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GÊNEROS TEXTUAIS

A Fera pensou um pouco, mas tanto era o amor que tinha por ela que, ao final,
a deixou ir, fazendo-se prometer que após sete dias voltaria. Quando o pai viu Bela
voltar, não acreditou nos próprios olhos, pois a imaginava já devorada pelo monstro.
Pulou-lhe ao pescoço e a cobriu de beijos. Depois começaram a contar-se tudo que
acontecera, e os dias passaram tão velozes, que Bela não percebeu que já haviam
transcorridos bem mais de sete.
Uma noite, em sonhos, pensou ver a Fera morta perto da roseira. Lembrou-se da
promessa e correu desesperadamente ao palácio.
Perto da roseira, encontrou a Fera que morria.
Então, Bela a abraçou forte, dizendo:
- Oh! Eu te suplico: não morras! Acreditava ter por ti só uma grande estima, mas
como sofro, percebo que te amo.
Com aquelas palavras, a Fera abriu os olhos e soltou um sorriso radioso e diante
de grande espanto de Bela começou a transformar-se em um esplêndido jovem, o qual a
olhou comovido e disse:
- Um malvado encantamento me havia preso naquele corpo monstruoso. Somente
fazendo uma moça apaixonar-se podia vencê-lo e tu és a escolhida. Queres casar-te
comigo agora?
Bela não fez repetir o pedido, e, a partir de então, viveram felizes e apaixonados.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

18. CONTO DE TERROR/MISTÉRIO/ASSOMBRAÇÃO

O conto de terror é constituído das principais características do conto, mas, nessas


histórias, personagens e situações misteriosas visam provocar o medo. Segundo estudiosos,
esses contos tinham, originalmente, a função de alertar, sobretudo as crianças e os jovens,
para os perigos da noite, do escuro, dos lugares desconhecidos etc. Esse gênero apresenta
fatos fora do comum que o autor acredita serem assustadores e para os quais não há uma
explicação razoável. Nessas histórias, há sempre seres sobrenaturais, assombrações e/ou
outros elementos que provocam medo nas demais personagens.
A descrição do local em que se passam os fatos é muito importante, porque confere
veracidade àquilo que é contado e contribui para a criação do clima de mistério que o
narrador deseja construir. Além disso, o mais comum é que os fatos narrados tenham
ocorrido há muito tempo; assim, o tempo verbal predominante é o pretérito. Geralmente,
o enredo está centrado em um conflito, que é responsável pelo nível de tensão da narrativa.
O conflito é marcado pela presença de um fenômeno não explicado, representado pela
aparição e/ou presença de um fenômeno ou de um ser sobrenatural. Na construção do
enredo, há sempre um momento em que o clima assustador se concretiza: quando o
ser sobrenatural é identificado ou a sua presença é sentida pelas demais personagens. A
estrutura desse gênero segue o padrão da estrutura do conto convencional.

Exemplo:

Um mistério assustador
Stanislaw Ponte Preta.

Em uma pequena cidade do interior, havia um mistério nunca revelado. Todos


os moradores tinham medo e andavam apavoradas. Trata-se de uma pequena casa
abandonada, onde morou um antigo prefeito da cidadezinha.
Após a morte do político, os moradores passaram a ouvir estranhos barulhos de sua casa.
Gritos e batidas nas portas eram alguns sons que todos ouviam ao se aproximar da casa.
Certo dia, dois compadres resolveram entrar na casa que intrigava todos os moradores
da pacata cidade. Logo que se aproximaram da casa, começaram a ouvir barulhos de portas
batendo. Os dois ficaram muito assustados, mas não desistiram e entraram na casa.
Perceberam que o barulho vinha do quarto, então subiram as escadas em direção ao quarto,
respiraram fundo, criaram coragem e abriram a porta, mas não havia nada lá dentro.
Os dois compadres resolveram andar por toda a casa. Os barulhos continuavam cada
vez mais altos. Eles entraram na biblioteca, a porta se fecha e eles ficam paralisados
com aquilo que veem. Eles soltam um grito de horror que foi ouvido por todos da rua.
Desde esse dia, nunca mais se viu esses dois compadres.
E a cidade que tinha um grande mistério passou a ter dois, para o terror de todos
os moradores.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

19. CRÔNICA NARRATIVA


A crônica é um texto narrativo que trata de fatos do cotidiano, oscilando entre o
texto jornalístico e o texto literário. Nesse gênero, a realidade é documentada de forma
livre e pessoal. De maneira leve e descontraída, o cronista resgata o tempo, flagrando
o presente e registrando o passado. A crônica conserva intacto o registro do cotidiano
feito pela sensibilidade, pelo olhar, pela subjetividade de um observador que capta a vida
de modo natural, poético e artístico. Trata-se de um gênero cuja característica principal
é a versatilidade, pois concentra em si grande possibilidade de abordagem temática,
liberdade de estrutura e de linguagem, permitindo a presença de coloquialismo e até de
algumas marcas de oralidade, embora deva obedecer à norma-padrão.

Estrutura:
– Introdução: o texto parte de uma observação do cotidiano de caráter pessoal;
– Desenvolvimento: desencadeamento do fato a ser contado;
– Conclusão: desfecho da história.

Exemplo:

Sofreres d’amor

Airton Monte

Quem porventura acreditar que o romantismo morreu faz tempo, que não é mais crível
nem possível a existência de pessoas românticas nesse mundo tão pobre de sentimentos, eu
decididamente aconselho, sugiro que pense um pouco melhor, pois pode estar redondamente
enganado. E com o empedernido coração pleno de equívocos. Sim, porque há pessoas que
pensam de modo muito diferente e, apesar da gélida indiferença de alguns de nossos
semelhantes, ainda acreditam piamente no existir infindável do romantismo, quer estejam
ou não incendiadas de paixão. Eu, mesmo correndo o risco de parecer patético, confesso
ser um romântico incurável, sem qualquer pejo nem pudor. Sim, sou tão romântico que
até pareço haver saído de um poema de Álvares de Azevedo ou de Lord Byron.
Conheço uma amiga, dessas raras mulheres que envelhecem sem perder o romantismo
nem a capacidade de devanear sobre romances fantasiosos ou reais. Outro dia, numa de
nossas longas conversas, ela me confessou timidamente que achava lindo um homem sofrer
por amor. Não sofrer calado, discretamente, quase às escondidas como quem esconde,
envergonhado, um terrível pecado. Admirava com fervor aquele tipo de homem que sofre
às escâncaras, ostentando a sua dor de cotovelo feito um galardão pelos bares noite
adentro, contando seu drama a qualquer desconhecido, com coragem suficiente para mandar
a dignidade às favas. Respeito a opinião da amiga que, aliás, já ensandeceu vários homens.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Sei de casos do mesmo gênero, com alguns findando inclusive em suicídio. Nada vejo
demais em sofrer por amor, do sujeito sentir-se mutilado ao perder a mulher amada e que
a pensava sua para todo o sempre, assim na terra como no céu. Nada há de anormal, de
doentio, em se ficar um certo tempo deprimido, na fossa, macambúzio, sem ver nenhuma
graça na vida, em outras mulheres, tomar porres homéricos, dar escândalos em público,
passar um vexamezinho aqui, outro acolá. Sofrer por amor é, talvez, a mais humana das
dores. Entanto, como não creio nem sequer um pingo nesse tal de propalado amor eterno,
penso que todas as dores e sofreres d’amor devem ser intensos e passageiros qual chuvas
de verão. As musas mudam, se vão, mas o romantismo fica, dura, resiste, permanece.
A amiga, depois de ouvir-me, olhou-me de esguelha como se eu fosse um ser
extraterrestre, um alienígena do sentimento. De infarto você não morre, porque não tem
coração, falou-me ela. E retirou-se, incontinenti, de minha incômoda presença. Chamei o
garçom, pedi mais um chope e um samba bem triste do Noel. Quedei-me a lembrar amores
idos e vividos, ocultos nas brumas do ontem e o quanto sofri, padeci por cada um deles
num inventário masoquista. Para alguns escrevi poemas. Para outros, canções. Os versos
permaneceram vivos, já os amores não. Meu coração não é besta e por eles não sofre mais.
Meu coração é um vasto cemitério sentimental povoado de lápides anônimas, derruídas,
soterradas pela poeira do olvido. O vento do tempo, implacável coveiro, felizmente apagou os
nomes gravados em cada tumba. Mas não me arrependo de havê-los vivido.
Disponível em:[Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

20. CRÔNICA ARGUMENTATIVA

A crônica argumentativa é um texto que procura ir além da mera notícia,


revelando as nuances do pensamento de seu autor sobre questões do cotidiano. É um
gênero que defende explicitamente um ponto de vista. Uma crônica argumentativa é,
em geral, mais longa do que uma crônica narrativa, pois apresenta trechos narrativos e
trechos opinativos que se alternam na construção das ideias que pretendem conduzir
o leitor a uma reflexão. Os trechos narrativos da crônica argumentativa conservam as
características da crônica narrativa: poucas personagens, narrados de forma subjetiva,
com drama ou humor, a depender do que o autor do texto quer defender. São
características comuns da crônica argumentativa o uso de primeira pessoa, a linguagem
informal, além da franca exposição das emoções do autor.

Estrutura:
– Introdução: normalmente já há a explicitação do que será defendido pelo autor;
– Desenvolvimento: desencadeamento das ideias defendidas intercaladas de
trecho(s) narrativo(s);
– Conclusão: reflexão final.

Exemplo:

Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha
de cima, com superioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece
estar dizendo: vamos lá, seu desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A
máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa. Com o computador
é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tudo ao modo dele, senão ele não
aceita. Simplesmente ignora você. Mas, se apenas ignorasse, ainda seria suportável. Ele
responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos comandos
digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária
eletrônica. É um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas
manda errado, ele diz “Errado”. Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às
vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim, para todo mundo ouvir. Comecei a usar o
computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vinha ele: “Bip!” “Olha aqui,
pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum
pudor em dizer que sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto
quem a usa não vale com ele. Está subentendido, nas suas relações com o computador, que
você jamais aproveitará metade das coisas que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá
todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver programando. A máquina de escrever
podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma empáfia, o mesmo ar de
quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a máquina, mesmo
nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas
dificilmente voltará à máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de
uma Mercedes e voltando à carroça. Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável
cumplicidade que tínhamos com a velha máquina. É outro tipo de relacionamento, mais
formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusiasmo de gente como Millôr
Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele e depois
dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a
palavra que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais
rápido, jamais nos sujará os dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca
seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro
tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo,
precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei
em casa e bati na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre,
a pobrezinha.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

21. DEBATE REGRADO

O debate é um gênero essencialmente oral, mas, ainda assim, a escrita possui


papel fundamental neste momento. Ela não somente é parte da pesquisa, como
também participa da execução do debate (nas anotações, nos lembretes, nos resumos)
e tem papel fundamental na organização e no respeito que devem permear esse
momento.

Etapas:
– Planejamento: para que o debate aconteça, é essencial que o local, as regras, o
moderador (responsável por garantir as regras do debate e a unidade da discussão)
e o secretário (responsável por registrar os principais pontos dos argumentos
apresentados – personagem opcional) sejam previamente estabelecidos. Ao
moderador cabe a organização da duração de cada fala dos debatedores para
que o tempo definido e o tema central sejam bem trabalhados; aos debatedores
cabe pesquisar e recolher informações sobre o tema para que haja um bom
desenvolvimento de argumentos;
– Execução: durante todo o debate, os participantes devem respeitar as diferentes
opiniões, utilizar um vocabulário específico – relacionado com o tema em discussão
– e uma linguagem adequada para expressar com clareza o argumento elaborado e
não interromper as intervenções dos demais participantes;
– Avaliação: é necessário refletir em conjunto sobre as diferentes posições defendidas
e as conclusões alcançadas a partir do debate.

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22. DEPOIMENTO

O depoimento é um gênero textual em que são narrados fatos vividos por


uma pessoa e, por isso, apresenta os elementos básicos da narrativa: sequência de
fatos, pessoas, tempo e espaço. O narrador é onipresente e sempre o protagonista
da história. Verbos e pronomes são empregados predominantemente na 1ª pessoa.
Os verbos oscilam entre o pretérito perfeito e o presente do indicativo. Emprega-se o
padrão culto formal da língua. Por ser um gênero de caráter subjetivo, não possui uma
estrutura fixa, embora exija a sequência canônica de introdução, desenvolvimento e
desfecho, bem como carregue um efeito moral.

Exemplo:

Desde a minha juventude, eu tinha o sonho de ser pai. Sempre gostei muito de crianças
e, com frequência, me imaginava cuidando do meu bebê. Inúmeras vezes, pensei o quão
maravilhoso seria quais as primeiras palavras do meu filho, os primeiros passos, as
primeiras risadas. Eu tinha certeza de que, um dia, viveria isso.
Há cinco anos, casei com a mulher da minha vida. Ela, como eu, nutria, desde muito
nova, o desejo de ser mãe. Quando nos conhecemos, descobri que, além de uma pessoa
fantástica, ela compartilhava o mesmo sonho que eu. Logo nos casamos e decidimos ter
nosso primogênito.
Depois de alguns meses tentando sem obter resultados, descobrimos que a minha esposa
tinha uma anomalia no útero e era praticamente impossível que nós tivéssemos um bebê
tanto por maneira natural quanto por fertilização. Foi o pior dia da minha vida. Todos
aqueles anos sonhando e planejando a chegada do nosso bebê tinham sido em vão. Eu não
poderia ser pai. Nossa angústia era imensa. Com o passar do tempo, a nossa dor não havia
diminuído, mas aprendemos a conviver com ela. Eu não tinha mais esperanças.
Até que, ano passado, eu e ela, de uma maneira quase milagrosa, nos tornamos pais.
Descobrimos que, há dez anos, nosso filho nos esperava em um abrigo. No dia em que,
finalmente, encontramos nosso primogênito, eu e minha esposa já havíamos aceitado que
não teríamos filhos. Convidados por um amigo, nós fomos visitar, sem maiores intenções,
um abrigo de crianças e adolescentes e, assim que adentramos naquele lugar, um menino
veio correndo me abraçar. Naquele momento, eu sabia que eu tinha me tornado pai. Por não
ser mais bebê, o meu filho foi rejeitado por várias famílias, mas, ao olhar nos seus olhos,
eu sabia que nós pertencíamos um ao outro. Eu conheci o José quando ele tinha dez anos.
Eu não ouvi suas primeiras palavras, não vi seus primeiros passos e nem suas primeiras
risadas, mas não importava, pois finalmente meu filho havia encontrado o seu lar.

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GÊNEROS TEXTUAIS

23. EDITORIAL

O editorial é um gênero de texto que circula em diferentes veículos de


comunicação, como jornais e revistas, evidenciando uma determinada opinião, que
não necessariamente representa o ponto de vista do “dono da empresa”, mas da linha
editorial institucional. Dessa forma, quem o redige, geralmente, é o editor-chefe ou
a pessoa que trabalha para o jornal ou para a revista, e é denominado “editorialista”.
Esse gênero textual tem a função de se posicionar diante de algum
acontecimento, política pública ou fato social recente, apresentando argumentos que
possam intervir, de alguma maneira, na opinião dos leitores. Além disso, o editorial é
um texto de base dissertativa-argumentativa, constituído por enunciados que orientam
a argumentação e por marcas linguísticas (como operadores argumentativos, índices
de avaliação, modalizadores) que colaboram para sinalizar a tese e os argumentos
que a desenvolvem. As relações entre a tese e os argumentos são estabelecidas por
elementos da língua chamados de “recursos de coesão textual”.
As principais características do editorial são a impessoalidade, por não ser
assinado por um particular, e ser escrito geralmente em terceira pessoa do singular
ou em primeira pessoa do plural; a topicalidade, por tratar, em geral, de apenas uma
questão; a condensabilidade, por ser claro e breve; e a especificidade opinativa, por ter
sempre que assumir uma posição, pois sua finalidade é aconselhar e dirigir as opiniões
dos leitores. Em um editorial, não se pode ter nenhuma reserva, deve-se decidir por
um lado da questão tratada.

Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresenta a tese, opinião que será defendida ao longo do texto;
– Desenvolvimento: expõe comentários e opiniões que representam a linha de
pensamento do jornal ou da revista sobre o assunto;
– Conclusão: exibe retomada da ideia central do texto e sugestão de solução para o
problema abordado ou promoção de reflexão no leitor.

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Exemplo:

A ciência no Brasil

No livro A quarta Revolução Industrial, o autor laus Schwab defende a ideia de


a sociedade estar se encaminhando para uma revolução tecnológica que transformará
fundamentalmente a forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam. Esse
panorama ocorre em diferentes escolas nos países, dado o fato de esse desenvolvimento estar
relacionado aos investimentos na área científica feitos pelas nações. No Brasil, o setor das
pesquisas tem estado com um déficit de insumos desde o ano de 2015, tendo ocorrido um
verdadeiro desmonte no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, o que afeta, em demasia,
o desenvolvimento social e econômico do País.
É importante destacar que o investimento em ciência aumentou muito na primeira década
deste século, consoante o diretor da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, e estava prestes
a alcançar os valores aplicados nos países ricos, impactando positivamente os indicadores
socioeconômicos, haja vista a implantação das ações afirmativas nas universidades, o
que ampliou as oportunidades de educação e das verbas destinadas às bolsas de iniciação
científica. Não obstante, desde 2015, com a crise econômica, o Brasil começou a retroceder
no âmbito de pesquisas, sendo a educação uma das áreas a sofrer mais com o corte
de gastos, deixando-a com uma limitação de atuação. Essa problemática vem piorando
excepcionalmente a cada ano, tendo em vista o descompromisso das autoridades, refletido na
ausência de políticas públicas que assistam o setor da ciência.
Nesse contexto, é perceptível que o desenvolvimento do Brasil é prejudicado pelo
imediatismo com o qual as decisões são tomadas, tornando-as apenas soluções paliativas,
ao passo que a burocracia existente em torno das medidas adotadas para resultados em
longo prazo, como os obtidos pela ciência, é demasiada, e os insumos destinados a essa
área são insuficientes, não explorando o verdadeiro potencial do povo para a realização do
fazer científico.
Levando-se em conta esses aspectos, percebe-se que o Brasil, para conseguir arrefecer
o abismo social existente, a deficiência educacional e os demais problemas socioeconômicos,
necessita de uma atenção maior das autoridades no setor científico, com a destinação de
investimentos. Esse contexto deve ser levado em consideração para que o país passe pela
quarta revolução, defendida por laus, com saldos de transformações sociais positivos,
garantindo seu pleno desenvolvimento.

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24. ENTREVISTA/ENTREVISTA JORNALÍSTICA

As entrevistas são geralmente publicadas em revistas, jornais, sites da internet


e em outros meios de comunicação. Elas são um mecanismo para se conhecer uma
personalidade, saber mais sobre determinado assunto e buscar informações por
intermédio de alguém que será entrevistado. Assim, a entrevista é composta por
perguntas e respostas. A entrevista é um gênero de natureza oral. Mesmo havendo
um planejamento escrito (questionário prévio), na sequência, o que prevalece é o
diálogo oral. Contudo, a entrevista pode ser transcrita para a linguagem escrita quando
o propósito é a sua publicação em jornal, revista, livro etc. Com o advento da internet,
as entrevistas também puderam ser conduzidas de forma escrita, sem a necessidade
de oralidade, por meio dos recursos hipertextuais, como chats, entre outros. Pode-se
entrevistar uma única pessoa ou um grupo, dependendo de qual for a finalidade do
texto.
A linguagem da entrevista vai variar a depender do entrevistador e do
entrevistado, contudo é preciso destacar que o registro escrito de uma entrevista
necessita, além de doses de bom-senso, de se obervar a adequação e o atendimento
aos elementos comunicativos, pois se está passando um discurso do registro oral, que
tem suas características específicas, para o escrito. Assim, ao realizar isso, deve-se
atentar à fidelidade dos fatos, às formas de falar do entrevistado e, ainda, ao provável
uso do registro informal, aproximando-se no que der à norma-padrão, sem modificar
totalmente o registro de fala do entrevistado.

Estrutura:

As entrevistas apresentam estruturas próprias, que variam tanto de um


entrevistador para outro quanto de um meio de comunicação para outro, mas, em
geral, encerram-se na seguinte estrutura:
– Manchete ou título inicial: indica o tema tratado;
– Apresentação: propõe as informações básicas sobre o que se está falando;
– Perguntas e respostas: são realizadas por um entrevistador e concedidas por um
entrevistado, respectivamente.

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Exemplo:

“Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar”


Sociólogo polonês cria tese para justificar atual paranoia contra a violência e a
instabilidade dos relacionamentos amorosos

O sociólogo polonês radicado na Inglaterra ygmunt Bauman é um dos intelectuais


mais respeitados e produtivos da atualidade. Aos 84 anos, escreveu mais de 50 livros.
As quase duas dezenas de títulos já publicados no País venderam mais de 200 mil
cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Pode-se explicar o apelo de sua obra pela
relativa simplicidade com que esmiúça aspectos diversos da “modernidade líquida”, seu
conceito fundamental. É assim que ele se refere ao momento da História em que vivemos.
Os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para
ser “sólido”. Disso resultariam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto
às celebridades, o endividamento geral, a paranoia com segurança e até a instabilidade dos
relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas. É cada um por si. Em entrevista à
ISTOÉ, por e-mail, o professor emérito das universidades de Leeds, no Reino Unido, e de
Varsóvia, na Polônia, falou sobre seus estudos.
ISTOÉ - O que caracteriza a “modernidade líquida”?
ygmunt Bauman - Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão.
Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio
“líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem.
A temperatura elevada - ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a
circulação de mercadorias rentáveis - não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem
o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior
expectativa de vida.
ISTOÉ - A atual crise financeira tem potencial para mudar a forma como vivemos?
ygmunt Bauman - Pode ter ou não. Primeiramente, a crise está longe de terminar.
Ainda veremos suas consequências de longo prazo (um grande desemprego, entre outras).
Em segundo lugar, as reações à crise não foram até agora animadoras. A resposta quase
unânime dos governos foi de recapitalizar os bancos, para voltar ao “normal”. Mas foi
precisamente esse “normal” o responsável pela atual crise. Essa reação significa armazenar
problemas para o futuro. Mas a crise pode nos obrigar a mudar a maneira como vivemos.
A recapitalização dos bancos e das instituições de crédito resultou em dívidas públicas
altíssimas, que precisam ser pagas pelos nossos filhos e netos - e isso pode empobrecer as
próximas gerações. As dívidas exorbitantes podem levar a uma considerável redistribuição
da riqueza. São os países ricos agora os mais endividados. De qualquer forma, não são as
crises que mudam o mundo, e, sim, nossa reação a elas.
Disponível em: [Link]
URAR+/ (Adaptado)

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GÊNEROS TEXTUAIS

25. FÁBULA
A fábula é um texto narrativo alegórico, em geral com presença de diálogo, que
apresenta uma moral explícita, cujo objetivo é levar o leitor a um ensinamento. O texto
dessa narrativa é essencialmente metafórico e moralizante e seus personagens são
animais com comportamento semelhante ao humano.

Estrutura:
– Título;
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho e explicitação da moral da história.
Exemplo:

O cão e a abelha: a união fortalece a comunidade


Era primavera. Uma estação maravilhosa, a qual representa o renascimento e a
celebração da vida. Contudo, no ano em que ocorre esta história, a ocorrência desse
lindo fenômeno não se faz presente na fazenda ”Doce Lar” - local onde habitam, dentre
os mais variados animais, o cão e a sua amiga abelha -, em virtude do contexto de
pandemia bacteriana que assolava a maioria dos bichos.
O cenário epidêmico global já havia “ceifado” a vida de, praticamente, um terço da
população de animais da Terra. Doce Lar era um dos lugares que ainda, pode-se dizer,
resistia à calamidade. Foi nesse panorama que os moradores da fazenda decidiram
optar pelo isolamento social, pois, certa vez, ouviram a notícia, no rádio, da tragédia
provocada pela pandemia: a estimativa do número de mortos era de seis criaturas por dia.
Entretanto, apesar de quase todos concordarem com a opção, a abelha decidiu não seguir o
conselho dos demais bichos. Essa tomada de decisão desagradou seu companheiro, o cão,
o qual ficou bastante triste em saber que a amiga estava sendo tão egoísta.
Meses passaram-se. A pandemia não se estabilizava. A cadeia alimentar dos
animais estava desequilibrada. A abelha saía, diariamente, de sua casa para polinizar
e para sugar o néctar das poucas flores que ainda restavam na fazenda. Pensava: “ora,
eu não vou deixar de trabalhar só porque os outros me recomendaram - para o bem de
minha saúde - ficar dentro da colmeia. Azar o deles... aliás, essa doença não é páreo
para mim!” Um ano havia sido concluído, desde o aparecimento do mal em questão, e
a senhora melífera continuava “nutrindo” a mesma lógica de pensamento, até que, certo
dia, foi acometida da desgraça.
Finalmente, após ter sentido os danos de seu ato individualista, a abelha se
arrependeu de não ter sido humilde, na época, com todos os colegas. Somente o seu fiel
amigo cão perdoou a companheira, mas com a condição de que ela refletisse sobre suas
ações e de que aprendesse a ter juízo de valor.
Moral: “Não existe equilíbrio se não houver ética”.

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26. HAICAI
Haicai, também chamado de “Haiku” ou “Haikai”, é um poema curto de origem
japonesa. A palavra “haicai” é formada por dois termos “hai” (brincadeira, gracejo) e
“kai” (harmonia, realização), ou seja, geralmente representa um poema despretensioso,
humorístico. Surgido no Japão em princípios do século XIII e imortalizado por Matsuo
Bashô (1644-1694), acabou se popularizando pelo mundo. Apesar de serem poemas
concisos e objetivos, os haicais possuem grande carga poética.

Estrutura:
O tradicional haicai japonês possui uma estrutura específica, ou seja, uma forma
fixa composta de três versos (terceto) formados por um total de 17 sílabas poéticas,
ou seja:
– Primeiro verso: apresenta 5 sílabas poéticas (pentassílabo);
– Segundo verso: apresenta 7 sílabas poéticas (heptassílabo);
– Terceiro verso: apresenta 5 sílabas poéticas (pentassílabo).
Embora essa seja sua estrutura tradicional, o haicai foi se modificando com o
tempo, visto que alguns escritores não seguem esse padrão de sílabas, ou seja, possui
uma silabação livre geralmente com dois versos mais curtos e um mais longo. Com
relação à rima, geralmente, faz-se do primeiro verso com o terceiro, obedecendo a
esta fórmula:
____A
______B
_ _ _ _A

Ademais, os haicais são poemas objetivos com uma linguagem simples e podem
ou não apresentar um esquema de rimas e títulos.

Sílabas Poéticas X Sílabas Gramaticais:


A contagem das sílabas literárias, ou poéticas, distingue-se da contagem das
sílabas gramaticais. Isso se dá porque, enquanto na gramática se considera
o número de sílabas gráficas, na literatura se considera o número de sílabas
sonoras. Há duas regras que diferenciam as sílabas literárias:
• Contar somente até a última sílaba tônica de cada verso;
• Unir sílabas quando houver som fraco e forte ou vice-versa;

Exemplo:
“Rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?”
Paulo Leminski
Disponível em: [Link]

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27. MANIFESTO
O manifesto serve como instrumento de participação da sociedade no que se
refere à manifestação da cidadania. Tem o objetivo de expressar o livre protesto, por
meio de reivindicações e de solicitações, tendo em vista as transformações sociais ou a
necessidade de resolução de algum problema de ordem particular, com o intuito de que
toda a sociedade tenha conhecimento da questão. Entre as principais características do
manifesto estão a intenção persuasiva, a adequação da linguagem ao padrão formal da
língua e a predominância de verbos no presente do indicativo.
Estrutura:
– Título: segue um padrão de início com “Manifesto a/contra/em favor/sobre, etc.”;
– Texto;
– Local e data;
– Assinatura do(s) idealizador(es).
Exemplo:

Manifesto sobre o trabalho dos servidores públicos

Enquanto representante da empresa “Brasil”, que agrega funcionários públicos de


diferentes órgãos, venho reafirmar o dever dos servidores públicos com o eficiente
trabalho realizado à população. Não há dúvidas de que o funcionalismo público foi
essencial para a construção do Brasil que temos atualmente. Diante disso, é importante
debater tal processo histórico e a função desses trabalhadores na contemporaneidade.
Desde quando tal segmento de trabalho foi introduzido no Brasil, com a chegada da
Família Real no século XIX, tem-se a concepção de que o servidor público é responsável
direto pela administração do país. Ao longo dos anos, por meio de variados serviços
prestados à população, como análise, fiscalização e representação política em diferentes
setores, esse modo de trabalho adequou-se aos variados contextos exigidos, como as
transformações políticas e tecnológicas. Assim, esse servidor tornou-se essencial para
o bom funcionamento do país.
Na atualidade, o servidor público continua sendo essencial para a construção
do Brasil. Por exemplo, é tal trabalhador o responsável por diferentes funções que
asseguram o pleno desenvolvimento do país, como o diagnóstico, o debate e a solução de
problemas diversos. Além disso, tal funcionário é, por diversas ocasiões, participante
direto das decisões públicas tomadas e das relações estabelecidas entre os diferentes
âmbitos, como social, jurídico e administrativo.
Portanto, diante de tal importância que o servidor público tem, é imprescindível
a plena realização de seus deveres. A organização, a assiduidade, a impessoalidade
nas relações de trabalho e a responsabilidade são características que esse trabalhador
possui o compromisso de ter. Dessa forma, o pleno desenvolvimento do Brasil será
possível.
Fortaleza, 22 de junho de 2021.

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28. MINICONTO/MICROCONTO/MICRONARRATIVA

O miniconto trata-se de uma narrativa curta, que não ultrapassa uma página.
Pode ocupar de uma linha (microconto) a um conjunto de até 500 caracteres (letras,
espaços e pontuação). Os minicontos de maior circulação compreendem até 150
caracteres, seguindo uma tendência atual de tamanho ideal para serem compartilhados
rapidamente por meios eletrônicos, como o celular. Desse modo, têm chance de
alcançar maior número de leitores, embora haja coletâneas em livros com textos
desse gênero. A concisão, uma das características principais dessas narrativas, leva em
consideração que o texto precisa ser pensado exatamente para seu pequeno tamanho;
por isso, não é meramente um texto que foi resumido ou cortado para conter certo
número de caracteres. Outra característica importante é a exatidão, já que o texto
precisa apresentar clareza suficiente para provocar o efeito desejado no leitor e ser
compreendido. A brevidade do miniconto exige períodos curtos, sem longas descrições.

Estrutura:

– Os microcontos contêm apenas uma linha;


– Já os minicontos são, geralmente, compostos de uma introdução, um único e
sintético conflito e um desfecho inusitado.

Exemplo:

Pangloss

Frederico se encanta fácil. Voltou da fazenda esses dias e me disse de olhos


esbugalhados: José, não é incrível? O ovo da galinha é feito do tamanho exato do espaço
na caixinha! Não sobra nem falta. E o lombo do cavalo, criado no formato certo pra
sela do cavaleiro? A criação é perfeita! Dizia essas coisas com tanta maravilha que
eu, querendo responder, sentia-me como vilão de filme antigo. Então só confirmava:
de fato, meu amigo. Algum arquiteto distraído, algum demiurgo de plantão fez nossos
olhos na exata medida da nossa ilusão.
José M. Umbelino Filho
Disponível em: [Link]

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29. NOTA DE REPÚDIO


O repúdio é um termo que diz respeito ao ato convicto de não aceitação de
algo a que se rejeita. Assim, a nota de repúdio está relacionada à manifestação de
uma recusa expressa ao conteúdo de algo de que se discorda veementemente. Esse
tipo de nota pode manifestar o pensamento de uma pessoa, de uma empresa, de uma
associação, ou de um órgão, entre outras entidades, a fim de demonstrar reprovação
quanto a determinada colocação. As notas de repúdio costumam ser divulgadas em
canais de comunicação próprios, incluindo redes sociais, e podem até mesmo ser
encaminhadas à imprensa.

Estrutura:
– Título: nota de repúdio (pode também estar acompanhada de um complemento
que já explicite o que se repudia);
– Corpo do texto: há inicialmente a identificação do autor da nota de repúdio
(indivíduo, órgão, empresa etc.) e do objeto do repúdio. Em seguida, apresentam-se
justificativas para a manifestação de repúdio;
– Local e data;
– Assinatura do autor da nota (lembre-se de que, em provas, não é permitido assinar
o texto, a não ser que a proposta assim exija).
Exemplo:

Nota de repúdio à suspensão da gratuidade da passagem de transporte público a idosos

Recentemente, a fim de conter os gastos da prefeitura, o prefeito de Fortaleza suspendeu a


utilização gratuita de modais veiculares públicos aos idosos. Como membro da organização
não governamental Mobilidade Maximizada, repudio veementemente essa ação.
Nesse sentido, é visível que os idosos, muitas vezes, tornam-se progressivamente
incapazes de conduzir um veículo automotor com segurança, já que, com o avanço da
idade, surgem debilidades físicas que os impossibilitam disso, a exemplo da catarata,
problema da visão que dificulta a visibilidade no trânsito. Em vista disso, para
se locomoverem seguramente, esses indivíduos recorrem aos transportes públicos,
os quais se tornam praticamente necessários a eles. Sendo assim, nós da ONG
discordamos da cobrança de um serviço que se mostra estritamente fundamental aos
idosos, principalmente com a finalidade de conter os gastos da prefeitura.
Portanto, nós, membros da Mobilidade Maximizada, percebemos a tamanha
injustiça que é retirar o direito dos idosos do acesso gratuito aos transportes públicos,
especialmente a fim de possibilitar a contenção de gastos. Esperamos, com isso, um
retorno da prefeitura no sentido de que haja a retomada dessa gratuidade.
ONG Mobilidade Maximizada.

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GÊNEROS TEXTUAIS

30. NOTÍCIA

A notícia é um gênero textual de cunho jornalístico cujo propósito é divulgar


acontecimentos reais de interesse público. Ela relata as circunstâncias em que
aconteceram tais fatos de maneira clara, objetiva e precisa, procurando destacar
aspectos relevantes. Já que a finalidade da notícia é informar, termos ou expressões
que expressem a opinião do escritor devem ser evitados. Por isso, há poucos adjetivos
e advérbios para, de certo modo, não ser revelado o posicionamento do autor do texto.
Em função disso, a notícia se caracteriza não só pela objetividade e clareza, mas também
pela impessoalidade. Outra caraterística, que provém da linguagem impessoal, é o
emprego da terceira pessoa. Quanto à linguagem, a maior parte dos textos jornalísticos
é escrita de acordo com a norma culta da língua, podendo cada texto adequar-se ao
meio no qual é veiculado (jornal impresso, televisão, rádio e internet). É importante
destacar que os verbos do texto são escritos predominantemente no passado, mas os
títulos das notícias são escritos no presente com o intuito de produzir no leitor uma
sensação de proximidade entre os fatos relatados e o momento da leitura.

Estrutura:
– Título: também chamado de manchete, deve ser chamativo e apresentar formas
verbais no presente para destacar a parte mais importante da notícia;
– Subtítulo: tem o objetivo de acrescentar informações às já expressas na manchete;
– Lide: deve oferecer as informações básicas e se encontra no primeiro parágrafo.
Ele procura responder a seis perguntas básicas (quem, o quê, quando, por que,
onde e como), mas, nem sempre, todos os elementos serão indicados no primeiro
parágrafo, podendo ser encontrados no decorrer do texto;
– Corpo: deve apresentar as informações que compõem o fato.

Exemplo:

Rodovia é construída no interior do Ceará

A rodovia que ligará Fortaleza à Madalena trará grandes benefícios para a pequena cidade.
No dia 20 de maio, foram iniciadas as construções da nova rodovia cearense
que ligará as cidades de Fortaleza, de Redenção e de Canindé até a pequena cidade de
Madalena. O Governo Estadual e a Prefeitura Municipal são os responsáveis por essa
obra tão aguardada pelos moradores da cidade, que ocorrerá a partir da reforma da
antiga rodovia que estava inutilizada e atravessava a cidade no seu centro. De acordo
com a Prefeitura, a previsão de inauguração da estrada ocorrerá no final do mês
de setembro de 2022. A obra está sendo construída a partir de recursos destinados

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GÊNEROS TEXTUAIS

pelo governo estadual e municipal, por meio do Plano de Interligação Estadual, que
ofertará a possibilidade de construção de novas rodovias em outras cidades interioranas
no Ceará.
Segundo o Governador Camilo Santana, essa rodovia foi muito solicitada pelos
moradores devido ao difícil acesso à cidade de Madalena, tendo em vista que prejudicava
o cotidiano dos indivíduos com a falta de abastecimento suficiente de alimentos, de
serviços e, até mesmo, de água, tendo em mente que a região não consegue ser dependente
apenas dos poços residenciais presentes em poucas residências.
A obra será um grande avanço para o desenvolvimento da pequena cidade
de Madalena, pois beneficiará o acesso tanto de pessoas quanto de serviços e de
mercadorias, permitindo a interligação com a capital Fortaleza.

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GÊNEROS TEXTUAIS

31. NOTÍCIA NA INTERNET/ON-LINE

A notícia veiculada na internet possui as mesmas características da notícia


veiculada em jornais impressos, diferindo-se deste pelo fato de constituir um relato
mais sintético bem como de permitir traços de informalidade, em razão do meio em
que se veicula.
Exemplo:

Unicef cria programa para incentivar criação de vagas de emprego


para jovens no Brasil
Até o fim de 2022, o projeto 1MIO quer gerar um milhão de oportunidades. Saiba
como se cadastrar ou se tornar um parceiro.

O Unicef, Fundo das Nações Unidas para infância, criou um programa para incentivar
a criação de vagas de emprego para jovens no Brasil. O projeto 1MIO quer gerar, até o fim
de 2022, um milhão de oportunidades para pessoas em vulnerabilidade social.
Em sete meses, o projeto já gerou mais de 50 mil oportunidades em todo o país. A
ideia do programa é conectar os jovens que querem e precisam trabalhar às empresas, às
organizações e aos órgãos do governo que têm vagas disponíveis. Além das vagas, ele
também abre caminho para o desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens investindo
nas competências de cada um. O site também oferece 138 cursos on-line de formação.
Unicef quer aumentar o número de parceiros. Todas as empresas que têm vagas
para aprendizes, estagiários e oportunidades para jovens podem se cadastrar. No site
do projeto, é possível se cadastrar para as vagas, os cursos e, também, para se tornar
parceiro.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

32. PARÁBOLA

A parábola é um gênero textual moralizante e faz uso da linguagem figurada para


ensinar ao leitor lições que o engrandeçam. Diferentemente da fábula (personagens
animais) e do apólogo (personagens objetos), os personagens da parábola são seres
humanos em situações vividas que encerram preceitos de natureza moral e/ou
religiosa. Esse tipo de narrativa é alegórica e transmite uma mensagem indireta, por
meio de comparação. Faz uso da linguagem figurada, que o leitor associará à situação
do cotidiano a que o texto se refere sem maiores dificuldades. Em termos estruturais,
constitui-se de elementos como personagens, tempo, lugar e foco narrativo em
3ª pessoa.

Estrutura:
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.
Exemplo:

A Parábola do Bom Samaritano


Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou:
“Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”
“O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”
Ele respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de
todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.
Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso e viverá”.
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu
nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram,
deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote.
Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou
ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem,
chegou aonde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele. Aproximou-se,
enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu
próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois
denários ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. Quando eu voltar, lhe pagarei todas as
despesas que você tiver’.
“Qual desses três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”
“Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei.
Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

33. PODCAST
Podcasts são arquivos digitais de áudio publicados na internet que podem
ser ouvidos, até mesmo em celulares, a qualquer momento, por qualquer pessoa.
São considerados “textos para ouvir”. Geralmente, nos textos de podcasts, há uma
estrutura de apresentação, de diálogo e de argumentação para o convencimento dos
ouvintes. Nesse sentido, o principal objetivo seria escrever um texto argumentativo a
ser transmitido oralmente.

Estrutura:
– Introdução: saudação aos ouvintes, apresentação do podcast e explicitação do que
será defendido no texto;
– Desenvolvimento: argumentação a respeito da ideia apresentada inicialmente;
– Conclusão: fechamento do texto com uma reflexão final acerca do que foi defendido
e uma despedida aos leitores.

Exemplo:

Bom dia, queridos ouvintes! Estamos aqui em mais um podcast, trazendo informação
e reflexão para você. O tema de hoje é a importância das comunidades tradicionais
brasileiras para a preservação da nossa biodiversidade. Em primeiro lugar, você sabe
o que é erosão genética? Esse conceito relaciona-se à perda do patrimônio genético, que
tem sido ocasionada pela eliminação de espécies. Imagine que uma área de vegetação
nativa passe a abrigar plantações de soja. Toda a biodiversidade presente ali é perdida,
juntamente com os genes desses seres vivos, que poderiam originar cosméticos,
alimentos, medicamentos e outros produtos biotecnológicos. Infelizmente, as 200 mil
espécies descritas nos biomas brasileiros, além daquelas ainda desconhecidas, estão
ameaçadas pelo avanço da monocultura, da mineração e da atividade madeireira. Nesse
contexto, as populações indígenas e as comunidades locais, como caiçaras, quilombolas
e seringueiros, mantêm uma relação não apenas econômica com a terra, mas também
simbólica. Portanto, a luta pela preservação dos biomas faz parte de sua cultura.
Em relação a isso, a ONU tem mostrado que a preservação da natureza é maior
onde vivem os povos indígenas, devido ao profundo conhecimento que eles detêm sobre a
dinâmica ambiental. Antes de todos, eles identificam uma área exaurida e passam a não
a explorar, permitindo sua recuperação. No entanto, a permanência deles está ameaçada.
Lembremos o atual desmonte financeiro da Funai. Além disso, a contaminação por
mercúrio tem inviabilizado a sobrevivência dos indígenas e, consequentemente, da
floresta. Ao ouvir floresta, aposto que você se lastima pelo desmatamento da Amazônia,
não é mesmo? Porém, o Cerrado brasileiro está em maior risco de extinção. Aquelas
árvores retorcidas são responsáveis pela manutenção de nove importantes bacias
hidrográficas brasileiras e pela estabilidade do clima do Centro-Sul. Isso significa
que o fim do Cerrado deixará a região mais populosa do país sem água. A razão do
desmatamento do Cerrado é a expansão da soja, commodity com alto valor no mercado.
Porém, a que custo socioambiental?

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GÊNEROS TEXTUAIS

Desse modo, vimos que precisamos de políticas para proteger as comunidades


tradicionais e preservar a nossa biodiversidade. Isso não significa deixar de plantar
soja, mas utilizar a tecnologia para aumentar a produção, de modo que não seja
necessário desmatar novas áreas. Além disso, devemos priorizar atividades que
conciliam economia e manutenção da biodiversidade, como a coleta de castanhas e
frutas. Tais atividades podem ainda contribuir para a valorização dos atores sociais
locais, com fortalecimento de sua etnia e sua cultura. Por exemplo, o comércio de
pequi e de açaí é bastante lucrativo. E, com certeza, estudos sobre a diversidade
revelariam mais itens com potencial econômico e biotecnológico. Portanto, destruir
biomas e comunidades tradicionais não pode ser uma opção. Pense a respeito. Até nosso
próximo podcast, pessoal.
Disponível em: [Link] (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

34. POST/POSTAGEM

Gênero comum ao universo das redes sociais, o post tornou-se fonte para
pesquisa de informação, ferramenta de trabalho e auxílio a profissionais (jornalistas,
repórteres, professores etc.), espaço para divulgação de arte e artistas (pintores,
fotógrafos, escritores etc.) que buscam visibilidade na internet. Esse gênero textual é
extremamente amplo e se modifica de acordo com o objetivo do autor. Pode apresentar
teor argumentativo, quando se pretende defender alguma ideia; teor narrativo e
descritivo, quando se quer relatar o que se passou no dia, como uma espécie de diário,
entre outras possibilidades. Por esse motivo, não possui uma estrutura fixa.

Exemplo:

Disponível em: página do Ministério da Saúde no Twitter.

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GÊNEROS TEXTUAIS

35. RECEITA
A receita é um gênero textual de natureza injuntiva que apresenta duas partes
bem definidas, ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir indicadas por
títulos. A primeira parte apenas relaciona os ingredientes, estipulando as quantidades
necessárias, indicadas em gramas, xícaras, colheres, pitadas etc. No modo de fazer, os
verbos se apresentam quase sempre no modo imperativo (o modo verbal que expressa
ordem, conselho), pois essa parte indica, passo a passo, a sequência dos procedimentos
e da junção dos ingredientes a ser seguida para se obter o melhor resultado da receita.
Às vezes, o imperativo é substituído pelo infinitivo, como “Preparar a massa: misturar
com as pontas dos dedos […]”, “Aos poucos, abrir pequenas porções da massa […]” etc.
Uma receita pode apresentar outras informações, como grau de dificuldade,
tempo médio de preparo, rendimento. Pode, ainda, conter dicas para decoração ou
para variações. Nesse gênero textual, costuma-se empregar uma linguagem direta,
clara e objetiva, pois sua finalidade é levar o leitor a obter sucesso em um preparo.
Ao tratar-se de uma receita não culinária, deve-se atentar para a funcionalidade dos
elementos textuais que comporão a produção, haja vista que, nessa adaptação, o que se dever
preservar é somente a força imperativa e a estrutura organizativa do referido gênero, não sua
aplicação integral e literal, sob pena de não produzir um texto coerentemente significativo.

Estrutura:
– Título;
– Ingredientes: contém uma lista dos materiais necessários para aquilo que se
pretende fazer. Costuma apresentar as quantidades de cada material;
– Modo de fazer/de preparo: apresenta os procedimentos que serão necessários
para se fazer a receita.

Exemplo:

Receita para minimizar a violência infantil no Brasil


A violência contra crianças está presente na realidade brasileira e, para diminuí-la,
alguns ingredientes são importantes. Inicialmente, é preciso quinhentos gramas de amor,
um quilo de respeito, pois este deve ser recíproco entre os mais velhos e os mais novos,
duas xícaras de punição, mais 500 mL de movimentação social e governamental para
que a mudança realmente ocorra, cinco colheres de cuidado e 250 mL de consciência.
Siga o modo de preparo, usando as quantidades indicadas a fim de alcançar o objetivo.
Primeiramente, em um recipiente grande, coloque o amor, acrescentando as cinco
colheres de cuidado. Em seguida, adicione um quilo de respeito e os 250 mL de consciência,
misturando-os bem, até que toda a massa deixe de ficar pegajosa nas mãos. Quando
atingido esse ponto, é necessário reservá-la por quarenta minutos para que ela cresça
bastante. Depois, abra a massa, despejando as duas xícaras de punição e os 500 mL de
movimentação social e governamental, misturando novamente com o intuito de que fique
tudo homogêneo. Por fim, divida a massa, em porções iguais, na assadeira e ponha no
forno por uma hora e meia ou asse toda ela por duas horas e meia.
Tendo realizado todos os procedimentos de modo adequado, as atitudes violentas contra
o público infantil irão reduzir rapidamente. Como resultado, a integridade dos menores será
assegurada, e eles, também, terão a qualidade de vida e o bem-estar aumentados.

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GÊNEROS TEXTUAIS

36. RELATO PESSOAL

O relato pessoal é um gênero que possui narratividade, pois apresenta


os elementos que constituem a narrativa: personagem, narrador, sequência de
acontecimentos e definição de tempo e de espaço. Quanto ao narrador, ele é sempre
personagem, mais precisamente o protagonista, logo, o texto é escrito em primeira
pessoa. É um gênero textual que se refere à documentação e à memorização das
ações humanas, ou seja, registra fatos realmente vividos, bem como as impressões e
sensações do narrador-personagem a respeito desses fatos.

Estrutura:
– Introdução: apresentação da situação inicial;
– Desenvolvimento: desencadeamento do conflito e do clímax;
– Conclusão: desfecho da história.

Exemplo:

Depois que eu me aposentei, senti, por dois meses, um grande vazio em minha
vida, o que mudou totalmente quando fui acolhido pela ONG Abraçando a Terceira
Idade. Então, hoje, eu tenho uma nova rotina, bastante diferente da que eu tinha
antes. O espaço da ONG oferece a mim e aos outros integrantes a possibilidade de
nós escolhermos se queremos ou não morar nela, e, pela praticidade, eu decidi ficar.
Todo dia, acordo às oito da manhã, me arrumo e vou tomar café para, às nove horas,
começar as atividades.
Quando eu termino de comer, espero o transporte que me deixa na primeira prática do
dia, a hidroginástica. Depois disso, eu troco de roupa e vou em direção à Casa da Cerâmica,
onde nós fazemos e decoramos vasos. Normalmente, no final de algum mês, ocorre a exposição
dessas obras para que os outros membros e os visitantes as apreciem. Após as atividades
da manhã, eu almoço, volto para meu apartamento e tomo um banho. Do meio dia até as
três da tarde, os auxiliares nos permitem dormir e, posteriormente, vamos lanchar ao
ar livre, observando o entardecer e o pôr do sol. Quando o relógio marca dezoito horas,
começa a noite de jogos na ONG. Eu e meus amigos adoramos bingo, gamão e banco
imobiliário, dentre todos os jogos que são oferecidos. O jantar é servido às dezenove e
trinta, e todas as atividades são encerradas por volta de oito e meia da noite, quando
eu e os outros integrantes nos encaminhamos aos nossos apartamentos para dormir.
Fazer parte da Abraçando a Terceira Idade é muito bom para mim, pois pratico
diferentes ações todos os dias, converso com os amigos que fiz aqui e vivo tranquilamente.
A ONG tem contribuído bastante para que eu e os outros acolhidos aproveitemos essa
fase da vida da melhor forma, já que, além de todas essas atividades, são ofertadas
mais, como costura, pintura, pilates e também há acompanhamento médico.

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GÊNEROS TEXTUAIS

37. RELATO DE VIAGEM

O relato de viagem é um gênero semelhante ao relato pessoal, com a


especificidade de que o que será registrado necessariamente serão momentos
vividos em uma viagem. Nesse gênero, o narrador-personagem conta as impressões e
sensações a respeito de lugares, pessoas e situações com as quais se depara ao longo de
uma viagem, procurando caracterizá-los. Logo, o uso de adjetivos faz-se imprescindível
para essa caracterização. O relato de viagem geralmente aborda o objetivo da viagem;
o(s) lugar(es) visitado(s); as características desses lugares; o roteiro realizado e as
experiências vividas.

Exemplo:

Viajar para a Turquia é conhecer um país com paisagens belíssimas, regiões bem
diferentes entre si, muita história e povo afável. A cidade que hoje se chama Istambul
já foi Constantinopla e, antes, Bizâncio. Fundada pelos gregos, pertenceu ao Império
Romano, foi conquistada pelos otomanos e depois islamizada.
Hoje, caminhar pelas ruas, pelos palácios e pelos mercados de Istambul é sentir
todas as camadas de civilização que ali coexistem. Viver com as diferenças, mantra
repetido à exaustão nos tempos atuais, é um dos princípios que guiou por séculos a
formação da cultura istambuliota.
Cheguei a Istambul com neve e a paisagem da cidade fica ainda mais delicada com
suas mesquitas e igrejas bizantinas cobertas pelos flocos brancos de neve. Na véspera
da ida para a Capadócia, nevou muito em G reme, o que fez com que as montanhas e as
formações únicas das “chaminés de fadas” estivessem cobertas de branco.
Nas minhas referências ocidentais, as imagens me lembraram da história de João
e Maria, dos doces da casinha da bruxa e da sua cobertura de açúcar, um tempo fora
do tempo. Grandes espaços, ótimos vinhos, casas trogloditas e ambiente de misticismo,
nesse berço do Cristianismo.
Em Efesus, as ruínas dessa cidade grega e, posteriormente, romana, construída
por orientação do oráculo e protegida por Artemísia, deusa da fertilidade, voltamos
ao passado e descobrimos um dos complexos arquitetônicos mais bem cuidados da
Antiguidade. A biblioteca de Celsius, o teatro romano preservado, os banhos, os
mosaicos encantam o viajante que ama História.
Minha viagem à Turquia, presente que me dei para festejar meu aniversário, foi
um dos mais lindos e sensíveis momentos que tive. A Turquia é um país complexo,
encruzilhada de inúmeras culturas e essa foi uma iniciação no Oriente Médio. Ela já me
chama para uma próxima viagem e novos destinos. A lamparina, que encontrei em um
passeio pelas ruas de Istambul, vai trazer meus próximos desejos.
Por: Ana Beatriz Demarchi Barel
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

38. RESENHA

A resenha é um gênero textual curto que visa ao esclarecimento e à opinião


subjetiva ou ao conhecimento sobre determinado objeto de interesse público: filmes,
livros, discos, shows, peças teatrais ou outras produções relevantes do ponto de vista
artístico ou científico. Trata-se de um gênero bastante usado no meio acadêmico. A
resenha, assim como outros gêneros textuais, possui especificidades. Uma delas é que
há diferentes possibilidades de ser elaborada, remetendo, portanto, a contextos de
produções diferentes. No entanto, em todas, há, pelo menos, dois aspectos básicos
indispensáveis para a composição: descrição da obra resenhada e comentários do
produtor da resenha sobre a obra. A resenha crítica apresenta, além de informações
sobre a obra, opiniões e comentários do resenhista. Quanto ao tom da crítica, ela pode
ser moderada, respeitosa ou agressiva; porém, independentemente do tom utilizado,
a linguagem deve obedecer à norma-padrão da língua. Já a resenha descritiva traz
apenas informações mais objetivas, como o nome do filme, dos diretores, o ano da
produção, além de uma sinopse do enredo.

Estrutura:
– Introdução: É elaborada de forma breve e tem como objetivo contextualizar os
aspectos da obra, como o autor, o assunto, os objetivos e a relevância para o leitor
interessado no tema;
– Resumo da obra: Pode ser crítico ou objetivo. Sem crítica, apresenta apenas a
descrição das ideias contidas na obra. Com crítica, o resenhista apresenta as ideias
e também opina, ou seja, indica pontos positivos e/ou negativos. No resumo,
devem constar, ainda, informações mais específicas sobre a obra: se é dividida em
capítulos/partes/atos/volumes (estrutura) – quantos, quais, como, se houve um
mais importante etc.; deve-se esclarecer se há continuações ou outras produções
que fazem referência à obra resenhada;
– Opinião: Nas resenhas críticas, a opinião é dada pelo autor da resenha, o qual,
normalmente, responde a algumas questões, assumindo um posicionamento e,
consequentemente, argumentando.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Exemplo:

O filme “A Troca” (2008) é baseado em uma inacreditável história real que você
precisa conhecer. Dirigido pelo talentoso Clint Eastwood, o filme conta a trajetória de
Christine Collins em sua busca pela verdade.
O longa-metragem de 2h21min é estrelado pela talentosíssima Angelina Jolie, que
dá um show de interpretação, o qual a levou a ser indicada ao Oscar por esse filme.
Essa obra cinematográfica conta a incrível reviravolta de eventos que cercaram o
desaparecimento de Walter, filho de Christine, em março de 1928. O menino de apenas
nove anos fica desaparecido por supostos cinco meses e é trazido de volta pela polícia.
A trama se complica quando Christine percebe que o menino que foi entregue aos
seus cuidados não é Walter. Desesperada pela verdade, ela tenta descobrir o que
aconteceu e onde está seu filho. Sem ninguém acreditando nela, Collins acaba em um
hospital psiquiátrico, mas mesmo assim não desiste da verdade.
Angelina Jolie nos leva por um mar de emoções ao longo do drama e consegue
prender nossa respiração em certos momentos. A narrativa é cheia de surpresas e choca
com a forma como as mulheres eram tratadas naquela época. Além disso, a busca de
uma mãe por seu filho nos envolve do começo ao fim e nos faz questionar: até onde
você iria para descobrir a verdade?
Sem dúvidas, esse é um dos meus dramas favoritos e é uma recomendação ideal
para quem gosta de reviravoltas e emoções fortes que vão mexer com sua mente.
Conforme os fatos se esclarecem, fica evidente que os detetives envolvidos no caso
fariam qualquer coisa para preservar sua imagem. O longa traz diversos personagens
marcantes e, ao assisti-lo, você nem percebe o tempo passando. Clint Eastwood foi
excelente com essa produção marcante.
Disponível em: [Link] (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

39. REPORTAGEM

A reportagem é um texto jornalístico e, como a notícia, pode ser veiculada em


jornais e revistas, impressos ou on-line. Esse gênero textual trata um assunto com maior
profundidade, ampliando o enfoque sobre ele com dados estatísticos, gráficos, fotografias,
mapas e boxes informativos; e também apresentando a opinião da equipe de reportagem
e de pessoas envolvidas com o assunto por meio de trechos de entrevistas ou citações. Por
isso, apresenta mais detalhes que a notícia e é, geralmente, um texto mais longo.
Existem reportagens de diversas naturezas. Elas podem abordar escândalos
políticos, impactos das variações da economia na vida da população, viagens, novas
tecnologias, produtos culturais etc. Dependendo do tema, a reportagem permite um
maior envolvimento do autor, dando margem para que ele manifeste sua opinião.
A linguagem empregada na reportagem deve ser clara, objetiva, direta, impessoal e
acessível à maioria dos leitores. Além disso, deve ser escrita de acordo com a variedade
padrão da língua. Nesse gênero de texto, predominam os verbos no presente do
indicativo (em terceira pessoa), pois as reportagens tratam, normalmente, de assuntos
de interesse público, que têm relação com a atualidade. A reportagem também pode
produzir no leitor a impressão de que novas versões ou interpretações dos fatos podem
surgir, ou seja, de que a discussão sobre o assunto em questão está em aberto.
O assunto da reportagem pode ser apresentado, entre outras, de maneira
expositiva, em que se narra o fato de forma simples e objetiva; inferencial, em que
se estabelecem conexões com acontecimentos passados ou com fatos relacionados;
e opinativa, em que se tenta convencer o leitor a aceitar, como mais adequado, um
ponto de vista específico.

Estrutura:
A estrutura da reportagem não é fácil de ser definida. Porém, alguns elementos
tendem a se repetir:
– Manchete: o título principal;
– Subtítulo: pequeno texto que atrai o interesse do leitor;
– Corpo da reportagem: pode ser desenvolvido de muitas formas, dependendo do
tema e do estilo de cada autor.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Exemplo:

Mancha gigante de plástico no oceano cria novo habitat para animais marinhos
Cientistas encontraram animais marinhos que estão vivendo em restos de plástico
numa área de mar aberto conhecida como a “grande mancha de lixo do Pacífico”.
Muitas dessas criaturas são espécies costeiras, que passaram a viver a quilômetros de
seus habitats usuais, numa área que fica entre a costa da Califórnia (EUA) e o Havaí.
Plantas e animais, incluindo anêmonas, pequenos insetos marinhos, moluscos e
caranguejos, foram encontrados em 90% dos pedaços de plástico.
Cientistas estão preocupados com o fato de que o plástico está ajudando a transportar
espécies invasoras.
O estudo examinou itens de plástico com mais de 5 centímetros de diâmetro coletados de um
giro - uma área onde correntes em círculo fazem com que detritos se acumulem - no Pacífico.
A pesquisadora líder, Linsey Haram, que conduziu o trabalho no Smithsonian
Environmental Research Centre, disse: “Plásticos são mais permanentes que muitos dos
detritos naturais que você costumava ver no mar aberto. Eles estão criando um habitat
mais permanente nesta área”.
Haram trabalhou com o Ocean Voyages Institute, uma ONG que coleta plásticos
poluentes em expedições marítimas, e com oceanógrafos da Universidade do Havaí em Manoa.
O mundo tem pelo menos cinco giros infestados de plástico. Acredita-se que este do
Pacífico tenha a maior quantidade de plástico - cerca de 79 mil toneladas numa região
de mais de 1,6 quilômetro quadrado.
“Todo tipo de coisa vai parar lá”, disse Haram. “Não é uma ilha de plástico, mas há
definitivamente uma grande quantidade de plástico presa ali.”
Boa parte disso é microplástico - muito difícil de ver a olho nu, mas também
há itens maiores, incluindo redes de pesca abandonadas, boias e até barcos que têm
flutuado no giro desde o tsunami no Japão em 2011.
Os pesquisadores, que relataram suas descobertas no periódico Nature
Communications, começaram a investigação ao analisar o tsunami devastador.
O desastre fez com que toneladas de detritos fossem jogadas no Oceano Pacífico, e
centenas de espécies japonesas costeiras foram vistas vivas em itens que chegaram às
costas do Pacífico na América do Norte e a ilhas havaianas.
“Queremos saber como o plástico pode ser um meio de transporte para espécies
invasoras”, disse Haram à BBC News.
Alguns dos organismos que os pesquisadores encontraram no plástico eram espécies de
mar aberto - organismos que sobrevivem ao navegar no plástico flutuante. Mas a descoberta
mais impressionante, diz Haram, foi a diversidade de espécies costeiras no plástico.
“Mais da metade dos itens tinha espécies costeiras neles”, ela disse. “Isso cria uma
série de questões sobre o que significa ser uma espécie costeira.”
Os cientistas dizem que a descoberta joga luz sobre outras “consequências não
intencionais” da poluição por plástico - um problema que só deve crescer.
Um estudo anterior estimou que um total de 25 bilhões de toneladas de lixo plástico
terão sido geradas até 2050.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

40. RESUMO

Resumo é um texto em que se pretende sintetizar, ou seja, extrair a ideia principal


de outro texto. Para isso, o processo de leitura é muito importante, por selecionar
e ordenar informações, permitindo a análise de títulos, subtítulos e ilustrações; o
reconhecimento e o destaque das ideias nucleares bem como a relação e a integração
dos fragmentos marcados.

Exemplo:

Resumo do livro “Olhai os lírios do campo”, de Érico Veríssimo

O romance narra a contínua morfose de sentimentos e emoções sentidos e vividos


por Eugênio, que é uma pessoa profundamente infeliz, marcada por uma infância pobre
e por experiências humilhantes. Assombrado pelo fantasma da pobreza, cria para si um
fantasmagórico complexo de inferioridade que o assombra por grande parte da vida.
Eugênio forma-se em Medicina com grandes dificuldades financeiras e espirituais,
sentindo-se incapacitado para exercer sua profissão.
No dia de sua formatura, reconhece na colega de curso Olívia a mulher, amiga e
amante que vem a ser. Olívia era dotada de grande sensibilidade, serenidade e senso de
espírito e era para Eugênio uma espécie de sedativo, pois lhe abrandava o sofrimento.
Mesmo assim, Eugênio, que odiava a pobreza, casa-se com Eunice para ganhar “status”
e abandona a profissão de médico. Levando a cômoda vida de rico, sente-se deslocado
e inútil, tornando-se amante de uma amiga de Eunice, como que para provar sua
utilidade. Nesse meio tempo, Olívia parte para o interior, onde dá à luz uma menina,
filha de Eugênio. Passados três anos, Olívia e Eugênio reencontram-se e passam a
viver novamente juntos.
Quando Eugênio resolve separar-se de Eunice, Olívia morre de uma hemorragia,
deixando aos amigos que ficaram uma grande lição de vida. Eugênio separa-se de Eunice
e passa a viver com a filha na casa dos Falk, velhos amigos de Olívia, e recomeça
a exercer sua profissão com a ajuda de seu velho amigo, o doutor Seixas. Tomado
de grande ânimo, Eugênio dedica-se, com alma e coragem até então desconhecidas, à
medicina.
A crescente felicidade lhe deixa a mente aberta para novos ideais, não simplesmente
para ganhar a vida, mas para ter a certeza de existir, pois Olívia sempre dizia:
“Considerai os lírios do campo. Eles não fiam nem tecem e, no entanto, nem Salomão em
toda sua glória se cobriu como um deles”.
Disponível em: [Link]

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41. SINOPSE

Sinopse é a apresentação concisa de um conteúdo. É uma espécie de resumo,


uma narração breve que pode decorrer não só em razão de um filme, mas também de
um evento, uma peça teatral, um livro. Seu objetivo é descrever de forma inaugural,
prima facie, com fins comerciais ou de consumo, a trama ou o tema do objeto artístico
que está em destaque, sem contemplar o final da história da trama, criando certa
expectativa da descoberta dos acontecimentos e do desfecho da história. Tem por
finalidade levar o leitor a entender a ideia central do enredo, fazendo-o se interessar
por ele, funcionando como uma espécie de chamariz.

Estrutura:
– Título: deve ser escolhido intencionalmente a fim de chamar a atenção do leitor;
– Corpo do texto: deve conter informações sobre onde, como e quando acontecem
os eventos. No caso das sinopses de filmes, o diretor é, por vezes, mencionado e há
uma breve caracterização dos atores principais.

Todos os elementos recorrentes são fatores importantes que podem influenciar


na decisão de escolha ou não do filme por parte do leitor que está realizando a leitura
da sinopse.

Exemplo:

Sinopse do livro Eu sou Malala


Eu sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação
e foi baleada pelo Talibã

Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala
Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas,
em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida.
Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no
qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação
milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte
do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela
se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história
a receber o Prêmio Nobel da Paz.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta
pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma
sociedade que valoriza filhos homens.
O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida
escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas
do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.
Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, esse livro é uma
janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas
também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades,
muitas vezes incompreendido pelo Ocidente.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

42. TEXTO TEATRAL

O texto teatral possui a maioria dos elementos básicos de um texto narrativo


– enredo, tempo, espaço e personagem –, mas não necessariamente conta com a
presença de um narrador. Esse gênero apresenta discurso direto e conta uma história
por meio das ações e falas das personagens, que dialogam ou monologam (falam consigo
mesmas). As rubricas explicativas estão presentes no texto teatral, visando indicar aos
atores como deve ser a interpretação do texto e os movimentos de cena, comumente
substituindo o narrador da história. Em casos mais específicos, as rubricas devem
aparecer entre parênteses durante ou antes das falas, sempre em itálico ou em letra
maiúscula. Já em casos mais gerais, as rubricas descrevem o cenário e as personagens
da peça. Geralmente, o texto teatral indica pelo nome qual personagem falará naquele
momento e intercala as falas com ações, tornando o texto mais dinâmico. Além disso,
emprega uma linguagem adequada às personagens e ao contexto retratado.

Estrutura:
– Título;
– Falas: são iniciadas pelo nome da personagem que falará naquele momento;
– Rubricas: indicam aos atores como deve ser a interpretação do texto e os
movimentos de cena.

Exemplo:

Busca ao tesouro - Monteiro Lobato


1ª Cena

Dona Benta: Bom dia! (ou Boa tarde). Gosto muito de contar histórias para as
crianças. Hoje estou aqui para contar mais uma história muito interessante a vocês. É a
história de um tesouro escondido. Um tesouro muito valioso. Todos que tinham alguns
problemas e tocassem naquele tesouro, os problemas desapareciam. A nossa história
começa quando Pedrinho sonha numa noite de luar.
Pedrinho: (Deitado em sua caminha, luar ao fundo, a boneca Emília entra)
Emília: Pedrinho, acorda. Você tem uma grande missão a realizar.
Pedrinho: O quê? (acordando) Quem está falando?
Emília: Sou eu, a boneca Emília. Não me conhece mais não? Sou a boneca de
Narizinho.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Pedrinho: Boneca Emília? Mas bonecas não falam. Deve ser um sonho. Vou voltar
a dormir. (deita-se)
Emília: Será que eu vou ter que beliscar o seu bumbum?
Pedrinho: Acho bom, pra eu ter certeza que não é um sonho.
Emília: (Se aproxima e belisca o seu bumbum)
Pedrinho: Ai, doeu sabia?
Emília: Você não pediu?
Pedrinho: Pedi, mas não precisava exagerar.
Emília: E então, está preparado?
Pedrinho: Preparado pra que?
Emília: Preparado para encontrar um grande tesouro.
Pedrinho: Tesouro? Que tesouro?
Emília: O que você vai procurar.
Pedrinho: Mas é necessário que eu vá mesmo? Por que eu?
Emília: Porque você foi o escolhido.
Pedrinho: Essa história não está me cheirando bem. Mas se é para o bem de todos,
diga aos seus superiores que eu vou.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

43. TUTORIAL

Tutorial é um gênero textual de caráter prescritivo/descritivo que consiste em


ensinar uma técnica ou um conteúdo. A origem do termo está associada a tutor, ou seja,
já está ligada ao universo de ensino-aprendizagem. Alguém que tem conhecimento de
algo o ensina passo a passo. Tutoriais são entendidos também como sinônimos de
manuais e são textos instrucionais cada vez mais presentes na internet.

Exemplo:

Tutorial de como usar o Canva

O Canva é uma ferramenta de design feita para criar e editar uma série de artes
gráficas a partir de templates prontos: posts para redes sociais, apresentações,
logotipos, cartazes e até mesmo vídeos, dentre tantas outras opções. Fontes e imagens
também são disponibilizadas para as criações.
Para começar a usá-lo, o primeiro passo é fazer o cadastro na plataforma. A
criação da conta é gratuita e você pode explorar toda a ferramenta sem pagar nada a
mais por isso. Há três opções de login: conectar sua conta do Google; conectar sua conta
do Facebook; criar um novo login usando seu e-mail. Depois disso, com a conta criada,
você já será redirecionado(a) para a página inicial do seu perfil no Canva.
Nela existe a opção de escolher um template para começar a elaborar o seu design
tanto navegando pelo menu horizontal quanto clicando em “Criar um design” e selecionando
qual modelo de preferência.
Para você se familiarizar com o Canva, é necessário conhecer os recursos que estão
à sua disposição para desenvolver suas peças. Ao escolher o formato da peça, clique
no botão “Templates” no canto superior esquerdo - as sugestões que aparecerão terão
as dimensões adequadas para o layout. Você pode rolar a barra e ver todas as opções
disponíveis.
Ao selecionar o template e aplicá-lo ao design, existe a opção de editar todos os
elementos da imagem. Para isso, clique em qualquer parte da peça e, em seguida, faça
as edições usando os recursos da barra que aparecerá na parte superior da tela.
O segundo ícone da barra lateral esquerda da página tem os elementos que você pode
usar na sua criação. Eles estão separados em categorias e, para ver a lista completa
de opções, é só clicar em “Ver tudo”.
Com o recurso de texto, dá para escolher dentre as opções prontas e editá-las, ou
criar do zero um título, subtítulo ou texto em geral. Por exemplo, você pode optar por
um layout e usá-lo como base para criar o texto da forma como preferir, mudando
posições, cores e tamanhos. Agora você já sabe como usar!
Disponível em [Link] (adaptado).

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GÊNEROS TEXTUAIS

44. VERBETE
O verbete é um gênero textual de caráter explicativo que se caracteriza por
apresentar definições, exemplos e informações relevantes relativas a um determinado
termo. Em um verbete, as sequências textuais mais presentes são a exposição e a
descrição, porque a intenção do autor é, unicamente, transmitir dados da realidade
ao leitor de forma direta e objetiva, sem duplo sentido. Os textos explicativos tratam
da identificação de fenômenos, de conceitos e de definições. Por isso, é o texto
que predomina nos livros didáticos, nos dicionários, nas enciclopédias e nas aulas
expositivas, por exemplo. A estratégia mais típica na construção de um verbete é a de
pergunta/resposta. A sensação é de que esses textos estão respondendo a perguntas.
Em textos que primam pelo didatismo, é comum o autor lançar uma pergunta para,
logo depois, desenvolver o texto. Gramaticalmente, o verbete apresenta várias marcas,
como: distanciamento do autor em relação ao tema do qual trata, resultando em um
texto objetivo e escrito, geralmente, em terceira pessoa; predicados organizados em
torno de verbos: ser, ter, conter, consistir, compreender, indicar, significar, constituir,
denominar, designar; sinais de pontuação que introduzem explicações ou citações (dois-
pontos, parênteses, aspas, travessões); orações coordenadas explicativas introduzidas
pelas conjunções pois e porque; orações subordinadas adjetivas explicativas; marcas
de reiteração (“isto é”, “ou seja”, “melhor dizendo”, “em outras palavras”), com o
objetivo de eliminar dúvidas.
É fundamental destacar, por fim, que, no verbete e em todos os textos
explicativos, não há a defesa de uma ideia, de um ponto de vista, características básicas
do texto argumentativo.

Estrutura:
– Título – termo a ser definido, explicado, descrito;
– Texto: a quantidade de parágrafos vai depender do objetivo do autor do verbete, podendo
ser composto de apenas um parágrafo, caso seja mais sucinto, ou de vários parágrafos,
caso o autor decida fazer a definição em categorias distintas, por exemplo.

Exemplo:

Girafa
A girafa é o mamífero mais alto que existe, medindo 5,5 metros de altura ou mais.
Vive nas savanas da África oriental e seu nome científico é Giraffa camelopardalis. A
girafa tem corpo curto, mas pernas e pescoço bem compridos. A pelagem marrom-clara
tem manchas marrom-avermelhadas. Muitas girafas têm dois pequenos chifres entre as
orelhas. A girafa tem narinas grandes e o olfato aguçado. Sua língua pode chegar a
45 centímetros de comprimento. A girafa come plantas e consegue alcançar folhas que
estão no alto das árvores, mas não come grama. Seu pescoço rígido torna muito difícil
alcançar o solo. Para beber água, ela precisa afastar bem as pernas a fim de conseguir
se abaixar. [...]
Girafa. In Britannica escola. Enciclopédia escolar britannica, 2018.
Disponível em: [Link]

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GÊNEROS TEXTUAIS

FORMAS ARTÍSTICAS DE EXPRESSÃO

1. LAMBE-LAMBE

É uma técnica de arte e intervenção urbana baseada na colagem de cartazes


em espaços públicos e privados. Tais cartazes, que podem ser compostos de imagens
e palavras, contêm mensagens diretas e provocativas, muitas vezes baseadas em jogos
de palavras e na intertextualidade, com o intuito de transmitir ideias e pensamentos,
divulgar as artes ou até mesmo protestos elaborados através de imagens e textos. Seu
nome deriva da forma como são afixadas nos espaços urbanos por meio de uma “cola”
superposta ao cartaz.

Exemplo:

2. PASTICHE

Pastiche é um instrumento de produção artística que imita criativamente, de


forma explícita, o estilo de outros artistas. Também é considerado pastiche a colagem
ou montagem de vários textos ou gêneros para compor um novo texto. Esse gênero é
apontado como uma forma de hipertexto, pois se trata de uma produção derivada de
outra que lhe é anterior. O objetivo do pastiche não é satirizar ou criticar a obra que
baseou a sua produção, embora possa se aproximar disso. Na verdade, funciona como
uma homenagem à força e ao prestígio da obra original e faz uma provocação a ela
ao levá-la para outro contexto de produção. Diante das características norteadoras do
gênero pastiche, pode depreender-se que a sua estrutura não é fixa, pois depende da
obra que servirá de base para a produção, além da intenção do autor ao fazê-lo.

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GÊNEROS TEXTUAIS

Exemplo:

MONA LISA, Leonardo da Vinci, 1503 MÔNICA LISA, Maurício de Souza, 1989

3. PARÓDIA

A paródia consiste em um tipo de intertextualidade, ou seja, configura um texto


influenciado por outro texto, em que se destaca a desconstrução da ideia original,
geralmente com uma sátira, piada ou ironia, não tendo obrigatoriamente um efeito
cômico. Nesse gênero, os contextos são atualizados de forma que se mostrem em
oposição aos originais. A paródia e o contexto parodiado são diferentes nos sentidos,
nos pontos de vista ideológicos e/ou na forma. Diante das características norteadoras
do gênero paródia, pode-se depreender que a sua estrutura não é fixa, pois depende
da obra que servirá de base para a produção, além da intenção do autor ao fazê-lo.

Exemplo:

Texto Original Paródia de Canção do Exílio

“Minha terra tem palmeiras “Minha terra tem macieiras da Califórnia


Onde canta o sabiá, onde cantam gaturamos de Veneza. (...)
As aves que aqui gorjeiam Eu morro sufocado em terra
Não gorjeiam como lá.” estrangeira.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai, quem me dera chupar uma
carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de
idade!””
(“Canção do Exílio”, Murilo Mendes)

Pat/Lab. Red.

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Mais informações:

(85) 3255.2900
Duque de Caxias

(85) 3477.2000
Washington Soares

(85) 3486.8400
Aldeota
[Link]

Common questions

Com tecnologia de IA

Fairy tales maintain relevance by adapting their timeless themes of good versus evil, transformation, and morality to contemporary contexts, allowing for varied interpretations that resonate with modern audiences. These narratives offer escapism and lessons that appeal to universal emotions, ensuring their endurance across generations as they are reimagined through different media like films and literature .

Scientific articles are structured to present and support hypotheses or experiments with logical, data-driven arguments and typically adhere to a formal tone, aiming to inform or persuade a specialized audience. Fairy tales, by contrast, are flexible in structure, often featuring a narrative arc involving magical events, targeting broader audiences, especially children, to convey moral lessons. While scientific writings focus on accuracy and evidence, fairy tales emphasize entertainment and ethical teachings .

Technological disparity impacts education by creating "digital asymmetry" between schools with and without modern technology. Without necessary devices and skills, teachers' performance is hampered as they seek to independently learn how to use technology. This lack of preparation can lead to diminished educational outcomes for students, highlighting the need for resource investment and digital training in schools .

The transition towards 'connected education' in schools faces challenges such as the lack of modern technological infrastructure, inadequate internet access, and insufficient teacher training in technology use. As most educators lack support and resources, they struggle independently, impacting their teaching efficiency and disadvantaging students in digital literacy, necessitating investments in both technology and educator training .

Textual genres serve as a means of insertion, action, and social control in daily life, as explained by the linguist Luiz Antônio Marcuschi. They are forms through which all discursive activity takes place, being indispensable for the academic formation of individuals .

Understanding textual genres is essential for academic formation because they shape the texts encountered in daily life and present socially established patterns. This understanding is often required in many competitive exams and contributes to improving writing and discourse skills .

Terror stories are defined by their inclusion of mysterious characters and supernatural elements meant to instill fear. They often take place in eerie, unknown locales, contributing to the story's verisimilitude and tension. These narratives usually unfold in the past, with conflicts centered around unexplained phenomena, heightened by a climax where the supernatural becomes evident, leaving readers unsettled .

A protest letter, such as a below-signed petition, uses persuasion through well-structured argumentation: a clear statement of a demand, formal language, and the authority of numerous signatories. Its structure typically includes the recipient's name and title, the body containing the complaint and supporting arguments, the local and date, and a list of signatures .

The tale 'A Bela e a Fera' illustrates transformation and love as pivotal themes, where inner beauty and genuine affection lead to literal and metaphorical change. This narrative reveals that the Beast, initially a terrifying creature, transforms back into a human prince through Belle's love, embodying the transformative power of true, selfless love—the core message often found in fairy tales—concluding with a happy ending .

An advertisement engages its target audience by using an appropriate language that addresses the audience's psychological, social, and economic concerns. Its primary objective is to create a clear, reliable, and attractive image of a product, service, or idea to attract and retain customers. It employs rhetorical figures, intertextuality, and persuasive techniques, relying on visual elements like images and slogans .

GÊNEROS TEXTUAIS
Gêneros Textuais
Caras alunas, caros alunos,
De acordo com o linguista Luiz Antônio Marcuschi, “os gêneros textuais são 
nossa forma de inserç
GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO.........................................................................................
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GÊNEROS TEXTUAIS
GÊNEROS TEXTUAIS
1. ABAIXO-ASSINADO
O abaixo-assinado é um tipo de documento de caráter argume
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2. ABAIXO-ASSINADO/PETIÇÃO ON-LINE
Em abaixo-assinados e petições on-line, o registro das assi
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3. APÓLOGO
O apólogo constitui um gênero narrativo cujo objetivo é ensinar algo para o 
leitor
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