“INOVAÇÃO TECNOLÓGICA: Os novos rumos da
Engenharia Mecânica e Industrial.”
DESENVOLVIMENTO DE MODELOS DIDÁTICOS PARA PROJETOS DE MÁQUINAS ORIENTADOS A
MANUFATURA ADITIVA
João Victor de Oliveira (1) (oliveiravictor33@[Link]), Amanda Liriel do Prado (1)
(amandaliriel04@[Link]), João Vitor Bodnar de Brito (1) (joaovitor2510turmab@[Link]), Rafael
Voltolini (1) ([Link]@[Link])
(1) Centro Universitário de Tecnologia de Curitiba (UNIFATECPR); Departamento de Engenharia Mecânica
RESUMO: Práticas de ensino podem desestimular estudantes da engenharia, principalmente na área de
projetos. Adoção de metodologias ativas de ensino proporcionam imersão e atualizam as práticas
tradicionais teóricas. Numa abordagem tradicional são disponibilizados exercícios de projetos mecânicos que
alcançam resultados parciais e raramente são materializados. Assim, este projeto tem como objetivo
disponibilizar os 03 primeiros exemplos de uma base virtual com modelos virtuais e físicos, com memorial de
cálculos, que possam agir ativamente na construção de conhecimento em projetos mecânicos na
engenharia. O projeto segue a metodologia de design thinking, que envolve o projetista com imersão no
problema e construção da solução. Os memoriais de cálculos seguem a literatura para dar forma aos
modelos virtuais tridimensionais. Para a etapa de prototipagem e construção dos modelos físicos, a
manufatura aditiva por extrusão de filamento em PLA é adotada. A validação de eficiência dos modelos
virtuais e físicos em sala de aula foi investigada por pesquisa qualitativa em 04 turmas de engenharia com
resultados que indicam ser interessante ou vantajoso a todos os entrevistados.
PALAVRAS-CHAVE: Projetos Mecânicos, Prototipagem, Manufatura Aditiva, Metodologia Ativa, Design
Thinking
DEVELOPMENT OF DIDACTIC MODELS FOR ADDITIVE MANUFACTURING ORIENTED MACHINE
DESIGNS
ABSTRACT: Teaching practices can discourage engineering students, especially in the design area. Adoption
of active teaching methodologies provide immersion and update traditional theoretical practices. In a
traditional approach, mechanical design exercises are available that achieve partial results and are rarely
materialized. Thus, this project aims to provide the first 03 examples of a virtual base with virtual and
physical models, with calculations memorial, which can actively act in the construction of knowledge in
mechanical engineering projects. The project follows the design thinking methodology, which involves the
designer immersing himself in the problem and building the solution. Calculation memorials follow the
literature to shape three-dimensional virtual models. For the prototyping and construction of the physical
models, additive manufacturing by extrusion of PLA filament is adopted. The validation of efficiency of virtual
and physical models in the classroom was investigated by qualitative research in 04 engineering classes with
results that indicate to be interesting or advantageous to all respondents.
KEYWORDS: Mechanical Design, Prototyping, Additive Manufacturing, Active Methodology, Design Thinking
DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Os autores são os únicos responsáveis por este trabalho.
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1. INTRODUÇÃO
A educação na engenharia está evoluindo com os avanços tecnológicos, e da mesma forma
espera-se a inovação dos métodos de ensino. As práticas do ensino tradicional são restritas no
estímulo ao estudante, causando desengajamento do ensino de maneira passiva (SILVA; CECÍLIO,
2007). A utilização de metodologias ativas de ensino faz com que o aluno deixe de ser coadjuvante
no aprendizado, trazendo para si a imersão no conhecimento da disciplina (MASSON et al., 2012). A
ABP (Aprendizagem Baseada em Projeto) é um método de ensino ativo que incentiva os alunos a
aprender colocando o conhecimento em prática (NAKASONE, 2018). Estimula o desenvolvimento
de habilidades de maneira desafiadora, onde o senso de responsabilidade e a capacidade de
comunicação são trabalhadas junto às capacidades cognitivas dos alunos (OLIVEIRA et al., 2020).
Na engenharia, projetos de máquinas podem ser interpretados como conjuntos de
mecanismos e seus componentes notórios, que podem ser aplicados em diversas formas
construtivas e sistemáticas. Budynas; Nisbett (2016) discutem ser imprescindível um estudo
detalhado dos elementos de máquinas, com formas construtivas, tamanhos e suas respectivas
localizações no conjunto geral. Dentre diferentes projetos de elementos e projetos de máquinas,
podemos citar as máquinas térmicas (como motores a combustão interna e seus respectivos
componentes), máquinas de fluxo (como a bomba centrífuga) ou ainda redutores de velocidade.
Percebe-se, nesse contexto, uma oportunidade do uso de protótipos no processo criativo,
visualizando problemas de maneira direta, além de uma importante ferramenta para realizar
ensaios e testes reais no desenvolvimento de um produto, incorporando o método denominado
“modelagem-teste-resultado” (WILTGEN, 2019).
Adicionalmente, nota-se a presença da manufatura aditiva em disciplinas de projetos e
meios de práticas de ensino. Está cada vez mais acessível e presente no cotidiano do acadêmico,
segundo Rifkin (2012) ao qual especula que a manufatura aditiva tende a ser uma das bases da
próxima revolução industrial. A impressão 3D pode ser utilizada para os mais diversos fins, mas a
utilização dela como ferramenta se mostrou importante para a criação de desenvolvimento
tecnológico, e para a criação de protótipos (3DLAB, 2017). A manufatura aditiva está baseada na
criação de modelos físicos a partir de modelagens tridimensionais em softwares feitos para tal
proposito. Por meio da extrusão de material polimérico se é possível dar uma forma tangível e
palpável para antes conteúdos apenas visuais ou orais. Em vista da oportunidade que a manufatura
aditiva pode oferecer ao aprendizado do aluno é essencial tirar proveito desta ferramenta para
aprimorar o desempenho dele, visando criar modelos tridimensionais de quesitos técnicos e muitas
vezes abstratos do ensino da engenharia.
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Ao utilizar a ABP com práticas de projeto baseadas na teoria de projetos de máquinas e
prototipagem auxiliada pela manufatura aditiva pode-se preparar um ambiente que estimule
práticas de ensino e aprendizagem. Acredita-se que seja possível um aproveitamento maior dos
alunos, visto que é uma maneira de explanar o conteúdo, com um método mais dinâmico de
ensino, podendo ser aplicadas a várias áreas do conhecimento da engenharia (CESAR; ALVES, 2015).
Assim, o objetivo deste trabalho é criar uma base de modelos virtuais e físicos, com memorial de
cálculos, disponível aos acadêmicos para auxiliar a construção do conhecimento.
2. METODOLOGIA
Para o projeto e construção dos modelos virtuais de máquinas adota-se as diretrizes do
Desing Thinking conforme esquema exposto na Figura 01. Como propôs Brown (2020), a malha do
processo de inovação tem seu cerne em conceber e entregar o que é desejável do ponto de vista
humano, estando intrinsicamente ligado ao usuário final. Seguindo uma metodologia a qual é
fundamentada na imersão do problema, idealização de uma solução e prototipação de um
mecanismo ao qual solucione as questões levantadas por validações. Os fundamentos do Desing
Thinking se apoiam nos pilares da exploração de novas possibilidades, ao qual justifica uma nova
idealização para visualização dos componentes de elementos de máquina de um motor a
combustão interna.
FIGURA 1. Metodologia de Design Thinking. Fonte: Adaptado de Dam; Siang (2018).
Esta pesquisa é aplicada e caracteriza-se como pesquisa-ação, devido ao envolvimento na
construção da solução para o problema enunciado (THIOLLENT, 1986). A metodologia pesquisa-
ação, ou investigação-ação, utiliza técnicas de pesquisa para formular a melhor forma de agir,
almejando a melhoria de algum aspecto prático. A pesquisa-ação, além da participação, supõe uma
forma de ação planejada de caráter educacional, técnico ou outro, que nem sempre se encontra
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em propostas de pesquisa participante. Para Tripp (2005), a pesquisa-ação promove a capacitação
tecnológica dos participantes, permitindo um crescimento do senso crítico e da capacidade de
solucionar problemas.
A construção do projeto é demonstrada através de 03 projetos de diferentes áreas de
engenharia mecânica: bomba centrífuga, motor a combustão interna e redutor de velocidades.
Para a modelagem tridimensional foi adotado o software Autodesk Inventor, para o planejamento
de impressão 3D a ferramenta Ultimaker Cura. Todos os modelos foram impressos em tecnologia
de extrusão de material na impressora Ender 3 com filamento PLA.
A validação dos protótipos foi realizada através de questionário com alunos dos cursos de
Engenharia de Produção e Engenharia Mecânica da UnifatecPR – Centro Universitário de Tecnologia
de Curitiba de caráter qualitativo.
3. RESULTADOS E CONCLUSÕES
Cada projeto foi desenvolvido independente através de trabalho em equipe na construção
do conhecimento. Posteriormente, todos seguem as mesmas diretrizes para modelagem
tridimensional, planejamento para impressão 3D, fatiamento e impressão. Os questionários foram
aplicados tendo em vista os 03 projetos juntos na obtenção das respostas.
3.1 Bomba centrífuga
Na disciplina de máquinas de fluxo, o exemplo de equipamento mais adotado pela indústria
é a bomba centrífuga. Seu funcionamento ocorre devido a força centrífuga fornecida através do
giro do rotor, que faz a sucção da água para dentro do corpo da bomba com o intuito de criar
pressão e ser expelida para fora do corpo peça descarga (FOX et al., 2018).
Para o melhor rendimento de uma bomba centrífuga, é necessário que haja um
dimensionamento correto do rotor, pois ele pode ter várias dimensões e tamanhos, sendo
aplicadas para as mais diferentes funções (SCHWARZ, 2020). Com as informações de dimensão
desejadas, como a espessura da pá, largura e ângulo, assim como os diâmetros interno e externo, é
possível criar a modelagem de rotor específico para vários modelos desejados (RAIZ, 2022).
Com base na literatura (FOX et al., 2018 e MACINTYRE, 1997), foi desenvolvimento o
memorial de cálculos do projeto. As dimensões adotadas para base do desenho foram: espessura
(S) de 5 milímetros (mm) em toda a extensão da pá, diâmetro interno(D1) de 31 mm, diâmetro
externo (D2) de 150 mm, largura da pá interna (B1) de 25 mm, largura da pá externa (B2) de 10
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mm, ângulo interno (β1) da pá de 30 graus e ângulo externo (β2) da pá de 50 graus. O rotor será
semi-aberto, o coeficiente de rugosidade (Kz) da pá e de 6,5, visto que o material é fundido. As
dimensões foram escolhidas de maneira arbitrária, para a comprovação da teoria apresentada no
material teórico. Seguindo o memorial de cálculos, foi possível determinar a quantidade de pás de
7,5735 com os diâmetros e os ângulos definidos. O valor a ser considerado é apenas o número
inteiro. Logo, o número 7 determina a quantidade de pás conforme exposto na Figura 02.
FIGURA 2. Modelo virtual do rotor de bomba centrífuga. Fonte: Os autores (2022).
3.2 Motor a combustão interna
Os motores atuais são derivativos dos constructos de Otto e Diesel onde o combustível é
queimado internamente, sendo o mecanismo composto por pistão, biela e virabrequim (BRUNETTI,
2018). O movimento alternativo do pistão é convertido em movimento rotativo através da biela e
do virabrequim. O pistão é a parte do motor ao qual recebe o movimento derivado das expansões
dos gases da combustão interna, a biela se caracteriza como a parte que liga o pistão ao
virabrequim sendo sua cabeça presa ao pistão e o pé ligado ao virabrequim, e o mesmo que
transforma o movimento recebido pela biela em movimento rotativo para o volante do motor. De
maneira a garantir seu funcionamento, os elementos são selados dentro do motor, de maneira que
para demonstrar seu funcionamento é necessário a utilização de figuras, esboços e uma didática
explicativa de meios orais, contudo nesse campo de oportunidades de ensino a manufatura aditiva
ganha um destaque especial.
Para o projeto, foi adotado principalmente o livro “Motores de combustão interna” de
Brunetti (2018). As variações de motores são as comumente utilizadas no mercado automotivo,
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sendo classificadas como as orientações dos pistões – posição horizontal, vertical e em V. O
conjunto selecionado para tal finalidade didática são os componentes de um motor de combustão
interna, ao qual possui partes distintas para sua exposição, sendo as principais suas bielas, pistões,
virabrequins e cilindros. Com base nas variáveis para o dimensionamento de um motor, foram
definidos valores conforme a Figura 03.
FIGURA 3. Dimensionamento das câmaras de explosão. Fonte: Os autores (2022).
Ao analisar 03 possíveis orientações, foi decidido demonstrá-las como um conjunto aberto e
visível de funcionamento conforme exposto na Figura 04. Através da montagem dos componentes
impressos pela manufatura aditiva se tem um conjunto apto a análise do funcionamento do
mecanismo. A forma construtiva adota unidades separadas do sistema, para um aprendizado
específico de cada orientação o motor pode ser desmontado em 3 módulos únicos e
independentes do sistema geral. Com peças adaptativas as quais permitem que mesmo sozinhos,
os módulos possam ter a rotação livre por meio de um eixo de apoio inserido em espaços
delimitados em cada modulo, ao qual pode ser retirado quando se montar o conjunto todo
novamente.
FIGURA 4. Orientação dos pistões alinhados, em V e boxer. Fonte: Os autores (2022).
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Um exemplo de prática do aprendizado é definir áreas especificas para especular dúvidas e
gerar ensinamentos, como por exemplo o cálculo do volume morto do cilindro, ao qual se calcula o
quanto de espaço após a compressão total resta dentro do cilindro, dada pela região côncava
dentro dele. Para uma diversidade de cálculos de volume morto possíveis existem duas variações
de fim de cilindro, uma de 15mm e outra de 45mm, ambas acopláveis no corpo do cilindro,
podendo ser trocadas manualmente para exemplificar exercícios. Os ciclos de combustão interna
são umas das principais análises possíveis através do uso do protótipo, representando o
funcionamento do motor. É possível visualizar e acompanhar o processo com a movimentação do
pistão na câmera modelada e adaptada do artefato.
3.3 Redutor de velocidade
Um redutor de velocidade é um componente de máquina que pode ser definido como um
dispositivo mecânico que tem como função principal a redução da velocidade de um acionador, que
na maioria das vezes é um motor elétrico. Ele é utilizado quando existe a necessidade de adequar a
rotação do motor para a rotação requerida pelo dispositivo a ser acionado (TRANSMAQ, 2019).
De acordo com Budynas; Nisbett (2016), os componentes básicos de um redutor de
velocidade são rolamentos, eixos de entrada e saída, carcaça e engrenagens. O funcionamento do
redutor de velocidade é simples, quanto menor for a rotação do motor, comparada à rotação dos
eixos, a velocidade será maior. Em contrapartida, quando a rotação do motor é maior do que a do
eixo causa um aumento na força. Levando em conta as leis da física, quando a rotação diminui, o
torque aumenta. Os redutores de velocidade normalmente podem ser acionados através de um
motor elétrico, hidráulico, de combustão interna ou turbina a vapor.
No projeto, várias etapas foram necessárias até sua concretização. O entendimento sobre os
tipos de redutor foi o primeiro passo: pesquisar sobre os tipos de redutores e suas aplicações.
Buscando maior facilidade de modelagem e impressão foi definido a confecção do modelo de um
redutor do tipo trem de engrenagens, com eixos em paralelo e engrenagens de dentes retos,
composto por 4 eixos em paralelo e 3 pares de engrenagens. Em seguida, foi definido o
dimensionamento das engrenagens seguindo o modelo exposto pela literatura Budynas; Nisbett
(2016 e Stephan et al. (2011) foi possível realizar os cálculos de dimensionamento das engrenagens.
Para este projeto várias etapas foram necessárias até sua concretização, em um processo
iterativo na busca do melhor conjunto. A modelagem das engrenagens foi realizada com os valores
expostos na Tabela 01.
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TABELA 01. Valores definidos na obtenção do conjunto de engrenagens do redutor.
Fonte: Os autores (2022).
O modelo do redutor é do tipo trem de engrenagens, com eixos em paralelo e engrenagens
de dentes retos, composto por 4 eixos em paralelo e 3 pares de engrenagens. Para cada par de
engrenagem foi dimensionado uma relação de transmissão diferente, que afetou o número de
dentes em cada uma delas. Outro diferencial em cada par foi a largura da face e o módulo.
Para o primeiro par a relação de transmissão é de 0,23 a largura da face é de 2 mm, sendo
que a coroa tem diâmetro externo de 54 mm e o pinhão de 14 mm. Para o segundo par a relação
de transmissão é de 0,52 a largura da face é de 3 mm para coroa e 5 mm para o pinhão, sendo que
a coroa tem diâmetro externo de 42 mm e o pinhão de 22 mm. Para o terceiro par a relação de
transmissão é a maior sendo ela de 0,60 a largura da face é de 5 mm para as duas engrenagens, a
coroa tem diâmetro externo de 41 mm e o pinhão de 25 mm.
Além de explorar como a escolha da relação de transmissão diferente, a largura e o
diâmetro afetam a engrenagem e seu número de dentes, buscou-se também diferentes tipos de
modelagem que auxiliam na economia de material conforme Figura 05.
FIGURA 5. Modelos de engrenagens com variações de preenchimento. Fonte: Os autores (2022).
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A partir dos dados definidos na tabela, é possível definir o tamanho dos eixos, dos encaixes,
da distância entre cada um e como vai ser a relação de um eixo para o outro. Para os eixos, além do
encaixe sextavado também foi explorado o alívio de tensões evitando ter ângulos de 45° que
acumulem tensão. O resultado do modelo virtual pode ser visualizado na Figura 06.
FIGURA 6. Modelo de redutor de velocidades tridimensional. Fonte: Os autores (2022).
3.4 Prototipagem
A obtenção de modelos físicos por meio da impressão 3D depende de uma metodologia que
começa no modelo 3D digital, seja ele obtido por modelação direta no sistema CAD 3D, ou
proveniente de um processo inverso de modelação. No qual, o objeto é previamente submetido a
um processo de aquisição de forma, eventualmente através de um sistema de scanner 3D, do qual
resulta uma nuvem de pontos que é posteriormente processada através de software até se atingir
uma cópia digital 3D do objeto físico (RELVAS, 2018). Assim que adquirido o modelo 3D digital, este
é convertido para um formato poligonal, normalmente STL. O modelo STL é posteriormente fatiado,
obtendo informações de onde será ou não adicionado material. A peça física é, então, gerada por
meio do empilhamento (e da adesão) sequencial das camadas, iniciando na base até atingir o seu
topo (AHRENS et al., 2017).
O processo é dividido em 5 etapas, sendo elas:
(1) Modelagem tridimensional;
(2) Obtenção do modelo geométrico 3D, geralmente em STL;
(3) Planejamento do processo para fabricação por camada (fatiamento e definição de
estruturas de suporte e estratégias de deposição de material);
(4) Fabricação da peça no equipamento de AM;
(5) Pós-processamento (remoção de suporte).
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A Figura 07 apresenta a etapa de fatiamento seguida do protótipo impresso dos projetos de
máquinas, sempre visando a eliminação ou redução de estruturas de suporte.
a) b) c)
FIGURA 7. Arquivos do planejamento de impressão e protótipos impressos dos 03
projetos: a) rotor de bomba centrífuga, b) pistão, biela e virabrequim do motor a combustão
e, c) engrenagem do redutor de velocidades. Fonte: Os autores (2022).
3.5 Validação
Moldado de maneira qualitativa o questionário visou avaliar as noções práticas e usuais dos
modelos tanto impressos quanto simulados em seus softwares específicos. Foi realizado um teste
de usabilidade de protótipo simultaneamente a aplicação do questionário as turmas de graduação.
O teste foi baseado nas 10 heurísticas Nielsen descritas em Pacheco et al. (2019). Um teste de
usabilidade consiste na interação com o usuário e a partir disso são determinados pontos de
análise, no caso do protótipo os principais focos foram na aprendizagem, eficiência, eficácia e
satisfação do usuário.
Dos entrevistados, acima de 50% declarou não possuir conhecimento sobre manufatura
aditiva, o que indica uma oportunidade para fomentar projetos de pesquisa. Dos quais, 100%
validam o uso de protótipos impressos como parte da transmissão de conhecimento na forma
prática e experimental conforme exposto na Figura 08. Como o projeto descreve o uso de modelos
virtuais e protótipos impressos, os participantes declaram conseguir compreender a movimentação
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dos protótipos quando usados simultaneamente para a compreensão do problema. Dos
participantes, 93% concordam que os protótipos ajudariam na compreensão e resolução de
problemas matemáticos nas suas respectivas áreas de conhecimento. No campo de resposta
discursiva, houve interesse no compartilhamento dos métodos matemáticos na íntegra para uso
em sala de aula, além de instruções da modelagem e planejamento da impressão 3D.
FIGURA 8. Avaliação do projeto no quesito de interesse dos participantes. Fonte: Os autores
(2022).
3.6 Conclusões
Projetos de máquinas e elementos de máquinas são disciplinas da engenharia que carecem
de estudos detalhados para a absorção máxima do conhecimento. O uso de prototipagem para a
materialização dos modelos teóricos e virtuais consolida a construção da solução. A imersão do
estudante na etapa de projeto e processo de fabricação através da manufatura aditiva eleva
questões que costumam ser deixadas de lado nas etapas iniciais do projeto.
Este projeto explorou as etapas iniciais de projetos mecânicos até a geração do protótipo
por manufatura aditiva em extrusão de material polimérico. Notou-se uma oportunidade de
estudos futuros na exploração de projetos mecânicos, mecanismos e elementos de máquinas com
todas as etapas de criação e prototipagem compartilhadas aos estudantes da engenharia. Durante
a avaliação dos resultados ficou claro que existe interesse dos acadêmicos, mas faltam recursos
funcionais e visuais na obtenção dos dados. Atualmente os alunos estão habituados com o
imediatismo na exposição de dados, o que gera uma oportunidade de criação de material
pedagógico alinhada as expectativas vigentes.
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