Estratégias Empresariais e Planejamento
Estratégias Empresariais e Planejamento
Unidade III
5 A IMPORTÂNCIA DAS ESTRATÉGIAS
A importância das estratégias para as empresas pode ser vista de acordo com suas formas. Para Reis
e Mandetta (2002, p.109): “a estratégia é um instrumento administrativo facilitador e otimizador das
interações da empresa com os fatores ambientais e com os fatores internos”. Você deve entender que a
estratégia empresarial estabelece os valores e estilos administrativos, e também a hierarquia das pessoas
e sistemas dentro dela. Com uma visão competente e uma boa estratégia, a empresa vai alcançar bons
resultados e sucesso.
Há empresas que não conseguem identificar suas estratégias de forma clara e objetiva, e que se
baseiam em ações adotadas em função de um perfil estratégico do ambiente organizacional.
Segundo Oliveira (2002, p. 199), “a combinação de estratégias deve ser feita de forma que se
aproveitem todas as oportunidades possíveis, utilizando a estratégia certa no momento certo”. Vamos
ver então os tipos de estratégias mais utilizadas pelas organizações.
• A estratégia de sobrevivência
[...] esse tipo de estratégia deve ser adotado pela empresa quando não existe
outra alternativa, ou seja, apenas quando o ambiente e a empresa estão em
situação inadequada ou apresentam perspectivas caóticas.
Esse tipo de estratégia tem a desvantagem de não poder ser utilizada por um período longo. Não
adianta sobreviver no mercado sem ter nenhuma perspectiva e expectativa a curto, médio e longo
prazos. Os problemas que identificam esse tipo de estratégia são:
— O desinvestimento: isso ocorre quando uma indústria deixa de fabricar uma linha de produtos e
passa a fazer novos produtos que eventualmente poderiam dar maior lucratividade. Na realidade,
essa situação nunca tem sucesso, e a empresa passa a desinvestir, isto é, briga para manter-se do
jeito que ela é.
— A redução de custos: parecida com o movimento de desinvestimento, isso ocorre com a redução de
funcionários, da qualidade e da diversidade dos produtos, com aumento de produtos em estoque
e menor investimento em marketing. Quando a estratégia de sobrevivência não dá resultado, a
solução final é fechar a empresa.
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Unidade III
• A estratégia de manutenção
Segundo Kaplan e Norton (2004, p. 201), “essa estratégia ocorre quando a empresa identifica
um ambiente com ameaças, porém ela possui fortalezas ou pontos fortes acumulados ao longo de
determinado período”. Se isso ocorrer, a empresa deve aproveitar ao máximo seus pontos fortes e
minimizar as ameaças identificadas como seus pontos fracos.
A situação mais propícia para utilizar a estratégia de manutenção é quando a empresa prefere
enfrentar as dificuldades do dia a dia, optando nesse momento por adotar uma atitude de defesa. O
objetivo é a manutenção da posição conquistada no mercado, defendendo-se de seus concorrentes.
— A estratégia de nicho, que ocorre quando a empresa se dedica a um único produto ou serviço.
Isso acontece quando a empresa concentra seus esforços em apenas um segmento de mercado,
tentando uma estratégia de reduzir seus riscos.
— A estratégia de estabilidade, que se dá quando a empresa tem como objetivo primeiro equilibrar
algo que está muito errado, por exemplo, o nível de estoque ou o fluxo de caixa. Essa fraqueza
interna precisa ser combatida por gerar um desequilíbrio financeiro.
Quando uma empresa escolhe uma estratégia de manutenção, sua principal vantagem é a redução
dos custos. Já a desvantagem é que ela pode perder clientes para concorrentes que oferecem novas
formas, tipos e modelos dos seus produtos e serviços.
Vamos ver agora alguns tipos de estratégia de acordo com o estabelecido pelos seus objetivos
empresariais e conforme suas características e peculiaridades.
— A joint venture, que é quando duas organizações se tornam contratualmente parceiras com
o intuito de produzir ou melhorar um produto novo no mercado. Há empresas que usam a
joint venture para ingressar no mercado externo. Apesar de ser um processo de risco que
é lento, esse tipo de estratégia é adotado por empresas de grande porte, que geralmente
investem numa automação crescente, utilizando sistemas informatizados em âmbitos
nacional e internacional.
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Planejamento Estratégico
— A estratégia da expansão, que é manter seu planejamento para dar suporte para seu crescimento.
Perceba que, para Oliveira (2002, p. 202), “a não expansão na hora certa pode provocar tal
perda de mercado, de forma que a única solução acaba sendo a venda ou a associação com
empresas de maior porte”.
Assim, a conjunção desses dois aspectos faz com que a empresa consiga criar e desenvolver novos
negócios e empreendimentos.
— O desenvolvimento de produtos e serviços ocorre quando a empresa busca mais vendas com
o desenvolvimento de melhores produtos e serviços.
• O desenvolvimento de estabilidade, que ocorre com a fusão de duas empresas que têm a vontade
de crescer juntas no mercado.
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Unidade III
Também a diversificação pode ser uma boa estratégia de desenvolvimento das empresas. Geralmente,
as empresas procuram oportunidades no mercado para implementar um processo de diversificação
quando:
• A diversificação concêntrica, que acontece quando apresenta uma variedade ou uma diversificação
de produtos e serviços; ou quando a empresa investe mais em tecnologia, ou quando a força de
vendas é melhor aproveitada; e quando ela despeja quantidade maior de produtos e serviços no
mesmo mercado.
• A diversificação horizontal acontece quando há concentração de capital por meio de joint ventures
ou fusões de empresas. Esse tipo de diversificação pode também criar uma divisão da empresa em
subsistemas ou departamentos, quando cada departamento passa a ter uma tarefa especializada
no mercado. É uma estratégia muito utilizada em instituições financeiras, principalmente pelos
bancos.
Escola do design
Avaliação Avaliação
externa interna
Fatores-chave Competências
do sucesso distintivas
Criação de
estratégia
Implementação
da estratégia
A base da escola está nos elementos da chamada matriz SWOT (do inglês S = strength = força,
W = weakness = fraqueza, O = opportunity = oportunidade e T = threat = ameaça).
Os registros que existem sobre a origem desse tipo de análise não são precisos. De acordo com
Hlindle e Lawrence, os professores Kenneth Andrews e Roland Christensen, da Harvard Business School,
criaram a análise SWOT. Porém, Tarapanoff indica que, há mais de três mil anos, a ideia que originaria a
análise SWOT já teria sido usada em uma epígrafe contendo um conselho de Sun Tzu: “Concentre-se nos
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Unidade III
pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças.” Embora
seja bastante divulgada e citada por diversos autores, não é tarefa fácil encontrar literatura que aborde
o tema da análise SWOT diretamente.
O caminho mais indicado para entender o conceito da análise SWOT é buscar diretamente sua fonte:
The Concept of Corporate Strategy, do próprio Kenneth Andrews (2001). Nessa matriz, são plotados e
avaliados os pontos fortes e fracos (ambiente interno da organização) e as oportunidades e ameaças
(ambiente externo da organização). No ambiente externo são mensuradas as mudanças: sociais,
governamentais, econômicas, na competição, nos fornecedores e no mercado. No ambiente interno,
são analisadas as capacidades da organização, quanto aos seus processos (produção, relacionamento
com o cliente, gestão de pessoas etc.), bem como suas competências, que Selznick (1960) denominou
de competências distintivas.
A análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de ambiente, o que permite a posterior
avaliação dos cenários, sendo usada como base para o planejamento estratégico de uma organização,
em especial as empresariais.
Strenghts-Weakness-Opportunities-Threats
Forças e Ameaças e
fraquezas oportunidades
a) O processo de formação da estratégia deve ser deliberado, assim como o pensamento deve
ser consciente. Consequentemente, a ação será gerada a partir da razão, de um processo de
pensamento humano controlado de forma rígida.
b) O principal executivo da organização deve ser o responsável pela formação das estratégias, a
partir de um processo deliberado de pensamento. O principal executivo é também o principal
estrategista.
c) O modelo de formação da estratégia deve primar pela simplicidade e pela informalidade.
d) As estratégias devem ser únicas, tendo as melhores resultantes de um processo de design individual,
de um ato criativo.
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Planejamento Estratégico
Escola do planejamento
O modelo básico de planejamento estratégico se inicia com a fixação dos objetivos organizacionais.
Então, estudam-se os ambientes interno e externo, para que sejam elaboradas e avaliadas, por meio de
um processo extremamente complexo, diversas estratégias alternativas para que uma seja escolhida. O
modelo pode ser observado na figura 1.
A mais influente das publicações dessa escola é Corporate Strategy (Estratégia empresarial),
datada de 1965, de Igor Ansoff. No terceiro capítulo desse livro, “Objetivos empresariais”, Ansoff
refuta a ideia de que o lucro ou a sobrevivência a longo prazo sejam os únicos objetivos maiores
de uma empresa e fala em responsabilidade da organização para com a sociedade em geral e
equilíbrio entre os interesses de diversos grupos envolvidos, não apenas dos proprietários da
empresa e de seus dirigentes. Entretanto, no quarto capítulo, “Um sistema prático de objetivos”,
Ansoff trata responsabilidades sociais da empresa como restrições, limites dentro dos quais ela
pode atuar, diferenciando de objetivos:
O livro de Ansoff reflete a maior parte dos pressupostos da escola do design, exceto em um ponto:
o de que o processo não é apenas cerebral, mas formal, passivo de decomposição em etapas distintas,
delineados por listas e sustentados por técnicas. Isso significa que o ator principal da formulação da
estratégia deixa de ser o executivo principal, o CEO, passando a ser uma unidade de apoio específica,
formada por planejadores.
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Unidade III
Esse processo ainda é por demais centrado em uma cúpula para afirmarmos que uma preocupação
com responsabilidade social possa ser fruto de maior proximidade com os diversos grupos de interesse
(partes interessadas) e não dos valores dos membros da equipe de planejamento (MINTZBERG et al.,
2000).
Escola de posicionamento
Essa escola refere-se à formação da estratégia como um processo analítico, cuja ênfase está no
processo de auditoria externa – análise competitiva do setor e da concorrência.
• As origens nas máximas militares, sob influência da milenar obra de Sun Tzu (A arte da guerra) e
Von Clausewitz (On War).
• A busca por imperativos de consultoria, sendo a principal influência do Boston Consulting Group,
por meio da matriz de crescimento-participação e da curva de experiência.
Porter, principal autor dessa escola, prega, em sua obra Competitive Strategy (Estratégia Competitiva,
1980), que a atratividade (lucratividade a longo prazo) de um depende de cinco forças competitivas
básicas: poder de barganha de compradores; poder de barganha de fornecedores; ameaça de novos
entrantes; ameaça de sucedâneos e rivalidade entre concorrentes. Tecnicamente, o “modelo das cinco
forças competitivas” é utilizado para a elaboração da análise estrutural da indústria1, ou seja, a análise
do setor ao qual a organização pertence, ou análise setorial.
Porter (2003) afirma que algumas ações de uma empresa podem causar, isoladamente, redução
da atratividade da indústria como um todo, como quando resolve praticar preços desleais para
eliminar concorrentes ou novos entrantes. Pode-se considerar esse tipo de atitude uma falta de
responsabilidade social por parte da empresa, por eliminar concorrentes que não têm condições de
competir e os empregos que geram, reduzir as opções do consumidor e dar condições à empresa
que praticou preços desleais de praticar preços mais altos posteriormente. Por outro lado, a fixação
de preços por oligopólios para evitar a redução de sua lucratividade também pode ser considerada
imoral (MINTZBERG et al., 2000).
1
Esse termo possui tradução literal em muitos livros, mas o método é aplicado tanto à manufatura quanto aos
serviços. Seu significado mais adequado é setor.
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Planejamento Estratégico
Concorrentes
na indústria
Fornecedores Clientes
Rivalidade entre as
empresas existentes
Produtos
substitutos
Em 1989, Porter introduz o conceito de estratégia genérica: especifica o método fundamental para
a vantagem competitiva que uma empresa está buscando e fornece o contexto para a tomada de ações
em cada área funcional. Competir com a mesma estratégia genérica em muitas unidades empresariais é
uma forma de a empresa diversificada poder agregar valor a essas unidades.
Porter (1989) vê três abordagens de estratégicas genéricas para conseguir vantagem competitiva
em relação aos concorrentes: liderança de custo total, diferenciação e enfoque. A liderança de custo
possibilita à empresa retornos superiores à média de mercado. A diferenciação consiste em agregar
algo a seu produto ou serviço que faça com que ele seja diferenciado dos concorrentes. A estratégia de
enfoque consiste em atender da melhor forma possível a um alvo determinado.
Vantagens estratégicas
Unicidade observada Posição de
pelo cliente baixo custo
toda a indústria
No âmbito de
Liderança
Alvos estratégicoos
Diferenciação em custo
Apenas um
segmento
Foco
Na introdução de seu livro Estratégia competitiva, Porter (2003) faz uma revisão da literatura clássica
de estratégia (escolas do planejamento e do design), identificando a resposta social como parte dos
objetivos empresariais e percebendo a importância dos valores pessoais dos principais implementadores
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Unidade III
Ao criticarem essa escola, os autores reapresentam críticas às outras escolas preditivas, como o
distanciamento do pensamento e da ação, a extrapolação da situação futura para a formulação da
estratégia, utilizando dados fatuais e excesso de formalismo, e, por fim, o fato de a análise poder
produzir síntese. Analisam e criticam ainda a preocupação com alguns pontos, sob a ótica dessa escola:
preocupação a respeito do foco, do contexto, dos processos e de estratégias, além de criticar o conceito
de estratégia preconizado por Porter.
Escola empreendedora
Essa escola tem como mote “a formação de estratégia como um processo visionário” e nasceu dos princípios
da economia. O termo entrepreneur foi adotado, no início do século XIX, pelo economista francês Jean-Batiste
Say, para identificar o indivíduo que transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa
para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento (MINTZBERG et al., 2000). Essa escola de
pensamento estuda como as estratégias são formuladas pelo empreendedor, cuja figura é vista como a força
motriz da organização que criou ou transformou (ibidem, 2000).
O processo empreendedor se inicia com uma imagem do negócio, das necessidades a serem satisfeitas,
do público que se pretende atingir e, principalmente, da forma como se atenderá esse público e de qual
será o caminho para o futuro (MINTZBERG et al., 2000).
A geração da estratégia na empresa empreendedora é caracterizada por grandes saltos para frente,
face à incerteza. A estratégia move-se para diante na organização empreendedora pela tomada de
grandes decisões que podem ser denominadas como golpes ousados (ibidem, 2000).
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Planejamento Estratégico
A escola destaca a centralização da formação estratégica em cima de seu líder, tornando-a mais
flexível e apta às mudanças. Afinal, sua estratégia tinha base na visão de seu líder. A visão é uma
representação mental da estratégia que foi criada ou, ao menos, expressa na cabeça do líder. Porém, com
isso, a organização fica vulnerável às possíveis falhas de seu líder, devido a uma sobrecarga ou a uma
falta de atenção para operações rotineiras.
Em contraste, essa visão do líder é fundamental para a organização. A falta de uma visão dos
negócios é profundamente prejudicial, pois desorienta a organização e os seus membros quanto às suas
prioridades em um ambiente altamente mutável e fortemente competitivo (ibidem, 2000).
Em síntese, as estratégias concebidas pelos empreendedores têm, em grande parte, base em sua
intuição, julgamento pessoal, experiência, sabedoria e valores. Por isso, a estratégia empreendedora
pode tanto levar em consideração princípios éticos e responsabilidade da empresa perante a
sociedade, quanto ser moralmente vazia, orientada apenas para o lucro em si. Isso depende muito
do que se passa na mente do empreendedor, que é o estrategista, e da razão de ser que este para
o empreendimento – se é apenas um investimento com vistas a retorno financeiro ou se tem uma
missão maior (ibidem, 2000).
Outro ponto que merece destaque são as premissas da escola empreendedora, que podemos ver a
seguir, resumidamente.
A estratégia está na mente do líder como sendo uma perspectiva, ou seja, um senso de direção a
longo prazo, que faz com que ele dirija a organização de acordo com esses “trilhos”.
Por fim, resta enfatizar que a inovação é uma atividade comum aos empreendedores, tanto
aqueles que começam um novo negócio, como aqueles que estão trabalhando em organizações
já estabelecidas.
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Unidade III
Escola cognitiva
A escola cognitiva funciona como ponte entre as escolas objetivas e subjetivas. Tem como
mote “a formação da estratégia como um processo mental” e é inspirada em Herbert Simon (teoria
comportamentalista).
As pessoas têm uma percepção tacanha e distorcida da realidade, mas possuem a capacidade
de, ao juntarem essa percepção limitada à realidade futura pretendida em sua mente, criarem
uma visão, um conceito que, por meio da implementação da estratégia, buscam torná-la a própria
realidade.
A responsabilidade social pode vir à tona nas estratégias concebidas justamente devido aos processos
mentais dos estrategistas, que podem criar uma estratégia muito valiosa e consistente, com base em
visão e valores.
Isso não quer dizer, de forma alguma, que a responsabilidade social deva ser adotada com base
somente em opiniões particulares e que sejam só os valores interiores do administrador que contem
para sua adoção. Deve-se levar em consideração que a empresa tem também outros tipos de objetivos
que não devem ser desprezados (MINTZBERG et al., 2000).
As informações:
• fluem por meio de todos os tipos de filtros deturpadores antes de serem decodificadas por mapas
cognitivos (ala objetivo); ou
• são meramente interpretações de um mundo que existe apenas em termos de como é percebido,
isto é, o mundo visto pode ser modelado, emoldurado e construído (ibidem, 2000).
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Planejamento Estratégico
Como conceito, as estratégias são difíceis de realizar. Quando há a realização, normalmente ficam
abaixo do ponto ótimo idealizado e, por consequência, há dificuldade para mudar quando essas
estratégias não são viáveis (ibidem, 2000).
Escola de aprendizado
A escola de aprendizado, que tem como mote “a formação da estratégia como um processo
emergente”, é fundamentada no fato de que os estrategistas aprendem ao longo do tempo.
O que explica o fenômeno do surgimento das estratégias, segundo essa escola, é a capacidade de as
pessoas aprenderem a respeito de uma situação, tanto quanto a capacidade de uma organização lidar
com ela (MINTZBERG et al., 2000).
Mas foi o livro de Brian Quinn, Strategies for Change: Logical Incrementalism (Estratégias para a
mudança: incrementalismo lógico, em tradução livre), lançado em 1980, que impulsionou essa escola e
uma vasta literatura, que traz os seguintes questionamentos:
Um artigo de Walter Kiechel para a revista Fortune, publicado em 1984, aborda um estudo sugerindo
que somente 10% das estratégias formuladas chegam a ser implementadas. Um número que Tom Peters
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Unidade III
considerou “altamente inflacionado” (isso leva a maior questionamento sobre as escolas prescritivas).
De fato, diante do fracasso de uma estratégia, é comum os pensadores culparem os executantes. Mas,
seriam os pensadores capazes de formular estratégias factíveis de se colocarem em prática?
Para essa escola, a formação de estratégia é vista como um processo incremental lógico e emergente,
com a participação de diversos agentes envolvidos. À medida que as pessoas e as organizações vivenciam
uma situação ou oportunidade, elas aprendem, e novas estratégias vão emergindo. Esse processo
pode estar tanto centrado na cúpula quanto disperso hierarquia abaixo na organização. Por isso, os
interesses de diversos stakeholders podem ser considerados e abre-se mais espaço para o surgimento da
responsabilidade social nas estratégias (ibidem, 2000).
Saiba mais
Para concluir os estudos sobre a escola do aprendizado, leia o quadro
“Rumo à organização que aprende”, de Joseph Lampel, no link a seguir:
<[Link]
Saf%C3%A1ri_de_estrat%C3%A9gia_Cap_6_7_e_8.pdf>
Escola de poder
Essa escola de pensamento estratégico foi responsável por trazer explicitamente poder e política
para o desenvolvimento de estratégias. Para ela, o modelo de formulação das estratégias é poder e
política, seja como processo internalizado da organização ou como postura da organização em relação
ao ambiente externo.
A essas duas abordagens, MINTZBERG et al., (2000, p. 191) denominam, respectivamente, de “poder
micro” e “poder macro”:
Isso significa que, internamente, uma corporação é composta de diferentes pessoas, com vasta gama
de concepções e interesses divergentes. As estratégias surgem de um processo extremamente político
de negociação, concessões e manobras entre as diversas partes envolvidas. Se, por um lado, isso reflete
certa democratização, devido à consideração e à atuação de diversos membros no processo, por outro,
faz com que as estratégias levem em consideração muito mais os interesses individuais daqueles que
detêm maior poder, formal ou não, dentro da organização.
Sob o aspecto externo, uma organização estabelece com o seu ambiente uma relação de
interdependência, estando sujeita a diversos grupos de interesse, sendo assim uma organização
política, podendo tanto sofrer pressões do contexto mais amplo em que está inserida quanto
interferir nele.
O questionamento que se pode levantar aqui é se, para essa escola, a responsabilidade social seria
realmente uma preocupação da empresa ou somente uma forma de satisfazer os stakeholders para fazer
uso deles em prol de si, sendo uma mera ferramenta de publicidade com vistas ao ganho de imagem,
cooperação ou aceitação daqueles, e não um comprometimento com interesses que transcendam as
fronteiras da empresa (ibidem, 2000).
Essa escola trouxe para o campo da administração uma contribuição que não pode deixar de ser
citada: a de que a dimensão política pode ter um papel positivo nas organizações, principalmente no
que diz respeito à promoção de mudanças necessárias que comumente são bloqueadas em organizações
mais estabelecidas e legítimas de influência.
Escola cultural
A cultura pode ser entendida como um conjunto de crenças e de maneiras de perceber o ambiente
e responder a este em comum, dentro de determinado grupo, que o distingue dos demais. Os impactos
da cultura no comportamento da organização são claramente visíveis, estando intrinsecamente ligados
à formação de estratégia.
Quanto à adoção de práticas socialmente responsáveis por parte de uma organização, analisando‑se a sua
cultura, é possível inferir se há realmente um comprometimento com o tema ou apenas oportunismo.
Há empresas que realmente têm uma cultura socialmente responsável, ao passo que outras possuem
uma cultura de práticas antiéticas e pouco comprometimento com os interesses da sociedade como um
todo. Claro que as empresas não se situam nem em um extremo nem em outro, estando em um meio-
termo. Porém, é complicado falar em ser socialmente responsável quando não há alinhamento de seus
funcionários em relação ao assunto, por estarem acostumados a uma cultura que não valoriza isso. Esse
contexto conduziria a uma postura que não se sustentaria ao longo do tempo.
Escola ambiental
Para a escola ambiental, o agente central da formação estratégica é o ambiente, ou seja, as atitudes
estratégicas de uma organização são respostas adaptativas a imposições ambientais, por meio de um
processo reativo.
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Unidade III
Assim, a consideração da responsabilidade social na formação de estratégias pode ser fruto de uma
resposta a uma maior pressão do ambiente no sentido de cobrar da empresa o papel de fomentar o
desenvolvimento e o bem-estar da sociedade na qual está inserida.
Escola de configuração
A escola de configuração trata da relação entre o ambiente e a estratégia em um contexto mais amplo,
em que as características de um ambiente, em dado período de tempo, refletem-se na configuração das
características das empresas inseridas nesse ambiente e, consequentemente, em suas estratégias.
Bom, com tanta informação lida por você até agora, como é que todas essas grandes ideias podem
ser organizadas para que a empresa consiga efetivamente avançar? A resposta é simples: com a gestão
das informações.
A gestão das informações da empresa acaba por identificar todos os aspectos envolvidos da
administração. Com a informatização e o consequente uso da informática, os subsistemas das empresas
passam a ser mais bem integrados. Assim, o uso de tecnologia da informação pode fornecer, quase em
tempo real, uma comparação entre os números que eram desejados pelos executivos e os resultados
obtidos.
Como você já leu, a informação é um recurso importante para a empresa. É o recurso que permite a
sinergia dos outros fatores de produção. Ela coordena a mobilização dos outros ativos para melhorar a
performance da empresa.
Você deve entender que a gestão da informação precisa contribuir para o estabelecimento de
metas para conseguir seus bons resultados. É com a informação que se podem criar os indicadores de
desempenho de que a empresa precisa. Também é com a informação que se conseguem as referências
internas e externas do que é uma boa prática, do que é sucesso e qual a diferença entre faturamento e
lucro.
Com as informações, podemos olhar o mercado à luz dos números e fazer uma análise crítica
dos resultados para poder estabelecer o planejamento tático e os planejamentos operacionais e seus
respectivos planos de ação.
74
Planejamento Estratégico
Para que todo o diagnóstico estratégico da empresa seja benfeito, a gestão dos sistemas de informação
precisa contribuir para o desenvolvimento do processo de planejamento. Todos os parâmetros úteis
para guiar a elaboração dos diversos planejamentos necessários, como as tendências da economia,
do mercado, as necessidades do cliente, a força da concorrência, a importância das tecnologias, as
tendências do mercado de trabalho e as mudanças no ambiente legal e social, podem ser diariamente
levantas e acompanhadas pela gestão da informação.
Por causa disso, a gestão das informações precisa gerar informações comparativas e uma base para
a análise crítica do desempenho dos resultados dos diversos setores.
Podemos aqui organizar as tarefas relativas à gestão da informações conforme sua participação no
planejamento estratégico:
1. Na fase de diagnóstico, é necessário definir quais indicadores de desempenho serão utilizados para
acompanhar e avaliar o êxito das estratégias. São desenhados os métodos de acompanhamento
da implementação dos planos de ação e também as formas e tabelas que vão proporcionar o
controle dos processos e o detalhamento das ações.
Assim, as informações criam não apenas os comparativos necessários para o planejamento, mas
as facilidades para acompanhar tudo o que é realizado durante a implementação e a execução do
planejamento. Tudo isso, inclusive a forma de programas e a utilização da informática, tem de servir
para que o planejado seja cumprido. Para isso, precisamos verificar:
3. se as informações já são organizadas dentro dos parâmetros que servem para balancear as
estruturas da empresa e se as informações comparativas utilizadas se relacionam com os principais
processos e metas da empresa;
4. se estão sendo utilizados referenciais comparativos de excelência para dar apoio à formulação de
estratégias.
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Unidade III
Os itens principais para se desenvolver uma análise crítica do desempenho da organização são a
forma como a alta direção participa na análise crítica do desempenho e a utilização dessa análise para
o reforço das estratégias e dos valores da empresa. Dessa maneira, é possível selecionar e utilizar as
informações necessárias para dar apoio nos processos, principalmente naqueles decisórios.
Assim, a gestão das informações permite a análise crítica do desempenho de todos os departamentos
e o uso dessa análise para saber se estão sendo cumpridos os planejamentos.
Com o uso da informação, pode-se compreender a importância dos indicadores dos resultados da
organização, permitindo a satisfação dos clientes e a conquista do mercado. Tendo acesso aos relatórios
gerenciais da empresa, você pode compreender a importância da tecnologia da informação.
Por isso a cultura da informação é um componente importante na gestão dos sistemas e subsistemas
da empresa. Com ela, é possível verificar se os funcionários atuam de acordo com a cultura dos valores
da empresa. Isso acaba influenciando a velocidade e a atualização de todos os processos e ações da
empresa, pois a informação é o fator importante para a tomada de decisão e contribui diretamente os
resultados da empresa.
Você deve perceber que uma empresa convive com dois grandes tipos de sistemas de informação:
aqueles que permitem a tomada de decisão e os que facilitam as operações. Com isso, chegamos à
conclusão que os sistemas de informação são estratégicos quando se destinam ao apoio para a tomada
de decisões administrativas, e são operacionais quando apoiam a realização de ações cotidianas.
A partir desses dois tipos básicos de sistemas de informação, podemos classificá-los pela forma
como eles funcionam. Assim, a empresa acaba desenvolvendo tantos subsistemas de informação, que
são responsáveis pelos processos estabelecidos.
Sabendo que, com a informática, todos esses sistemas se integram, todos devem obedecer o
planejamento estratégico da informação, um planejamento acessório do planejamento estratégico.
76
Planejamento Estratégico
Para isso, é preciso saber o que deve ser informado, por que aquela informação deve existir, quem
informa e quem precisa estar informado, como deve ser informado e quando deve ser informado.
O ambiente de marketing consiste nos participantes e nas forças de mercado que afetam a
capacidade de uma organização de operar efetivamente no fornecimento de seus produtos e serviços
ao mercado. Resumidamente, o desenvolvimento da estratégia é como a teoria da evolução. Ela tem
como alicerce a capacidade de adaptação ao identificar oportunidades no ambiente e desenvolver ou
construir capacitações estratégicas (tecnológica, humana, física, financeira etc.) para tirar vantagem
dessas oportunidades: entregar o maior número de produtos3 a seus clientes com a melhor qualidade,
o menor preço e o menor custo.
O tema tratado aqui é a forma como os gestores, sejam eles de uma organização pública ou privada,
podem perceber e utilizar a seu favor as incertezas do ambiente que circunda sua organização – o
ambiente organizacional de negócios.
Essa não é uma tarefa simples. Pode ser difícil por inúmeras razões. Em primeiro lugar, o ambiente
de negócios engloba diversas variáveis relevantes que atuam simultaneamente na organização, e o
problema está justamente nessa diversidade. A segunda dificuldade encontra-se na complexidade
que surge dessa diversidade, pois muitas dessas variáveis estão inter-relacionadas. Por exemplo,
uma mudança tecnológica pode modificar a natureza do trabalho que, consequentemente, muda o
estilo de vida que, por sua vez, modificará os hábitos de consumo para diversos produtos, criando
oportunidades para algumas e novas organizações, enquanto obrigará algumas a saírem do mercado.
Portanto, entender essas conexões é de fundamental importância para que o gestor possa ter um plano
2
Os termos utilizados são diversos. Alguns autores denominam como ambiente de marketing o micro mais o
macroambiente. Outros denominam como ambiente externo.
3
Bens, serviços ou informações.
77
Unidade III
estratégico adequado para o ambiente de negócios dele. Para terminar, existe a questão da frequência
e da velocidade das mudanças no ambiente de negócios. Mais do que nunca, o ritmo de mudanças
tecnológicas, a velocidade da comunicação e o fluxo de informação global exigem constantes e rápidas
respostas e mudanças ao ambiente de negócios.
Macroambiente de negócios
Indústria ou setor de atuação
Competidores e mercado
Organização
Ambiente interno
Competidores e mercado
Indústria ou setor de atuação
Macroambiente de negócios
Essas camadas funcionam como uma espécie de funil, em que uma análise é feita do aspecto mais
geral para o mais especifico ou vice-versa (conhecidos como top down ou down-up analysis). A camada
mais geral é conhecida como macroambiente de negócios e consiste em uma abordagem ampla dos
fatores que afetam quase todas as organizações em diferente intensidade. É muito importante entender
como mudanças no macroambiente provavelmente causarão impacto na organização. Um bom ponto
inicial pode ser fornecido por um modelo chamado Pestel, que pode ser usado para identificar futuras
tendências nos ambientes político, econômico, social, tecnológico, ambiental (no termo original, em
inglês, environment) e legal que circundam a organização. Essa análise oferece uma ampla quantidade
de dados que possibilitam identificar as agentes-chave para a mudança necessária. Naturalmente,
eles diferem entre cada industria, setor e país. Consequentemente, terão impactos diferentes em cada
organização.
Como parte desse macroambiente de negócios, a próxima camada é pertinente a uma indústria
ou setor. Este se refere a um grupo de organizações que produzem os mesmos produtos ou prestam
os mesmos serviços. A análise estrutural da indústria, conhecida como modelo das cinco forças
competitivas, de Porter, e o conceito de “ciclos da competição de mercado” podem ser úteis para
entender como as dinâmicas no modo de competir estão mudando, tanto na indústria específica
como ao redor dela.
78
Planejamento Estratégico
As forças macroambientais
São quatro as forças macroambientais que comumente afetam as organizações em seus mercados
de atuação: as político-legais, as econômicas, as tecnológicas e as sociais. Por isso, quando uma
organização passa a operar em um novo mercado, é necessário que ela amplie o processo de análises
macroambientais, considerando cada uma dessas forças em cada mercado distinto. Consequentemente,
a análise estratégica acaba adquirindo uma complexidade maior.
O modelo Pestel
A figura a seguir apresenta o modelo Pestel, que categoriza as influências ambientais em seis fatores
principais: político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal. Esses fatores não são independentes
uns dos outros. Muitos estão conectados.
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Unidade III
Que fatores afetam a organização? Quais fatores são mais importantes no presente? E no futuro?
Os fatores listados no Pestel na figura anterior são de valores limitados se eles forem vistos
apenas como uma lista de influências. É importante identificar um número de fatores-chave
direcionadores de mudança, que são as prováveis forças a afetar a estrutura de uma indústria
(setor ou mercado). Ainda que, com toda a certeza, ocorrerão mudanças no ambiente externo
de negócios da maioria das organizações, será o efeito combinado de apenas alguns desses
fatores que terão de fato importância – e não todos os fatores separadamente. Zip (2003)
demonstra um bom exemplo de direcionadores-chave que estão aumentando a globalização
de alguns setores.
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Planejamento Estratégico
Mercado
– Clientes globais
– Transferência de
marketing
– Necessidades
similares dos clientes
Competição
– Competidores globais
– Interdependência
– Altas taxas de importação
e exportação
Existe uma tendência mundial de globalização cada vez maior dos mercados. A atual crise
econômico‑financeira demonstrou isso ao impactar o mundo inteiro em um intervalo de tempo
infinitesimal. Na maioria dos mercados, as necessidades e preferências dos clientes estão tornando-se
cada vez mais similares. A rede McDonald’s é um bom exemplo disso, uma vez que seu cardápio-padrão
é oferecido em quase todos os países do mundo com grande sucesso. Com a globalização dos mercados,
as organizações que operam em mercados internacionais tornam-se clientes globais e procuram
fornecedores que podem operar globalmente. O desenvolvimento da comunicação global e de canais
de distribuição tem conduzido a globalização (um exemplo óbvio é a internet). Como consequência,
esse movimento permite o aparecimento de oportunidades de mercado como uma transferência de
marketing para um nível global. Políticas de marketing, marcas, identidades e campanhas publicitárias
podem ser desenvolvidas em nível mundial. Esse esforço gera demanda global e novas expectativas para
os clientes, além de possibilitar redução de custo de marketing.
A globalização dos custos pode fornecer uma vantagem competitiva, pois algumas organizações
terão maior acesso e\ou estarão mais cientes dessas vantagens que alguns competidores. Esse é o caso
de grandes indústrias em que altos volumes de um produto-padrão são requeridos para estabelecer
economias de escala. Existe também a possibilidade de se construírem vantagens de custo por meio da
experiência adquirida em operações de larga escala. Outra possibilidade de se obterem vantagens de custo
está na eficiência de uma fonte central de abastecimento por fornecedores de baixo custo (fornecedor
de um requisito necessário é fonte para todas as unidades de operação). Os custos específicos de um país,
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Unidade III
como mão de obra ou taxa de câmbio, incentivam as organizações a procurar globalmente por baixo
custo nesses quesitos, como meios para reduzir os custos a um nível melhor que seus competidores (por
exemplo, Índia sendo usada como central de call center de empresas americanas e europeias). O alto
custo de desenvolvimento de produtos também incentiva mais as organizações a operarem com menos
produtos ou a prestarem menos serviços – mas com alcance global – do que absorver custos de uma
linha de produtos maior para uma escala geográfica de atuação menor.
As atividades dos governos mundiais também tendem a direcionar ainda mais a globalização dos
mercados. As políticas de comércio, a criação dos blocos econômicos, o incentivo ao mercado aberto, o
reconhecimento da importância das nações emergentes (G20) são ações visando a operações globais.
A dinâmica das mudanças no ambiente externo está aumentando a competição global, que, por sua
vez, incentiva a busca por mais mercados e mais globalização. Se os níveis de importação e exportação
entre os países são altos, isso aumenta a interação entre os competidores em uma escala mais global. Se
um mercado está competindo globalmente, isso tende a pressionar os competidores a uma globalização
maior, principalmente se eles já operam globalmente, o que pode gerar vantagem competitiva para a
empresa.
O diamante de Porter
Pestel mostrou como podemos analisar e identificar os fatores que influenciam mais diretamente
o ambiente geral competitivo ou macroambiente de uma organização. A relativa importância desses
fatores e o impacto combinado deles no ambiente competitivo diferem entres países. Um exemplo da
importância desse contexto na competição global é providenciado por Michael Porter (1990) no seu
livro A vantagem competitiva das nações. O que se tornou conhecido como o “diamante de Porter”
sugere que existem algumas razões inerentes que definem o porquê de algumas nações serem mais
competitivas que outras (ver figura a seguir). Esse é outro exemplo de como o impacto dos fatores do
ambiente externo de negócios pode ter um caráter estratégico.
Estratégia, estrutura
e rivalidade da
organização
Características Características da
específicas do país demanda
Indústrias
relacionadas e de
suporte
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Planejamento Estratégico
Porter (1990) sugere que a base nacional de uma organização tem um papel muito relevante para
criar vantagem competitiva em uma escala global. A base doméstica fornece características nas quais
as organizações são capazes de construir e expandir para atingir tal vantagem.
O diamante de Porter é usado em diversas formas. Em nível nacional, é empregado por governos
para considerar políticas a serem seguidas para incentivar o desenvolvimento de vantagem competitiva
em suas indústrias. Já que o argumento é que, em essência, as características da competição doméstica
deveriam gerar alguma vantagem em um sentido mais amplo, a implicação é que a competição deveria
ser encorajada em nível nacional, em vez de serem protegidas da competição externa. Entretanto, os
governos podem promover tais vantagens utilizando-se de meios para, por exemplo, garantir altas
expectativas no desempenho dos produtos, desenvolver padrões de segurança ou ambientais ou, ainda,
incentivando a cooperação vertical entre compradores e fornecedores em nível nacional, o que poderia
gerar inovação.
4
Benchmark significa “o referencial”, “a referência”. Benchmarking refere-se ao processo de se comparar com
outras organizações concorrentes ou com processos similares ou distintos, mas considerados modelos, referenciais em
determinado processo, prática de gestão ou resultado.
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Unidade III
de organizações da mesma indústria ou setor em uma mesma localidade dentro de um país específico
– uma consideração importante para a política econômica regional. Mas a política econômica regional
preocupa-se também com a eliminação de circunstâncias desvantajosas e/ou com a atração de
investimentos em novos setores para regiões com privações econômicas – e o modelo do diamante de
Porter pode ajudar, da mesma forma, nessas questões.
As organizações também usam o diamante de Porter como um meio para tentar identificar a extensão
em que eles podem desenvolver as vantagens domésticas para criar uma vantagem competitiva ante os
outros no front global.
Construção de cenários
Em resumo, os cenários são especialmente úteis onde é importante ter uma visão estratégica
de longo prazo, onde existe um número limitado de fatores-chave influenciando o sucesso daquela
determinada estratégia e onde há um alto grau de incerteza sobre tais influências.
Resumo
Exercícios
Questão 1. Carlos Andrade foi nomeado para substituir o antigo presidente do grupo empresarial
Xambri. Seu principal desafio será transformar a cultura de uma empresa familiar em uma nova cultura
organizacional, fundada em novos valores, como profissionalismo, envolvimento e proatividade. Carlos
sabe que essa não será uma tarefa fácil, principalmente em função da resistência dos gerentes e dos
funcionários do grupo Xambri, que não estão acostumados com mudanças e participação nas decisões.
Uma solução fácil seria demiti-los e contratar outros funcionários, mas Carlos não quer criar um clima
tenso na organização. Ele prefere optar por um caminho que melhore o clima e estimule o envolvimento
dos antigos funcionários.
Em qual abordagem teórica da administração Carlos deve se basear para enfrentar esse desafio?
a) Clássica.
b) Comportamental.
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Planejamento Estratégico
c) Contingencial.
d) Fundamental.
e) Sistêmica.
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: a preocupação de Carlos em não demitir e não criar um clima tenso na organização
não está contemplada na teoria clássica. Ao contrário, segundo essa teoria, ele deveria estar
preocupado em fazer a empresa funcionar como uma máquina, com as pessoas certas nos lugares
certos. A partir da teoria clássica, as decisões seriam tomadas estritamente dentro da hierarquia,
independentemente da satisfação dos colaboradores, não havendo preocupação maior com os
aspectos informais da empresa.
B) Alternativa correta.
Justificativa: Carlos imagina ser possível transformar a cultura da empresa por meio da
motivação e da criação de uma estrutura mais democrática, na qual o maior nível de participação
dos funcionários nas decisões a serem tomadas seja esperado. A preocupação com o clima
organizacional e o estímulo ao envolvimento dos antigos funcionários parecem ter como objetivo
o atendimento às necessidades dos trabalhadores. As percepções e atitudes mencionadas são
típicas da abordagem comportamental.
C) Alternativa incorreta.
D) Alternativa incorreta.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: Carlos está preocupado com aspectos eminentemente humanos. O texto não menciona
informações que possam estar relacionadas com a abordagem sistêmica, quer dizer, com o expansionismo,
com o pensamento sintético e com a teleologia.
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Unidade III
Questão 2. Jeremias trabalha como diretor de marketing da Pé no Chão, empresa que produz
sandálias de couro. A empresa nunca desenvolveu uma marca de produtor, comercializando seus
produtos, no Brasil e no exterior, por meio de varejistas, que os vendem com suas próprias marcas.
Jeremias tem tentado convencer os donos da empresa a desenvolver uma marca de produtor, com a
qual eles poderiam vender os produtos. O que o uso de uma marca de produtor permitiria à empresa Pé
no Chão?
A) Vender seus produtos por meio de distribuidores exclusivos, o que garantiria maiores margens de
lucro.
D) Posicionar melhor o produto como de alta qualidade combinando uma marca de produtor com
preço popular.
E) Segmentar o mercado demograficamente, o que não seria possível com marcas próprias de
varejistas.
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