Técnicas Radiológicas II
Profa. Andressa Caron Brey
Indaial – 2020
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020
Elaboração:
Prof . Andressa Caron Brey
a
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
B848t
Brey, Andressa Caron
Técnicas radiológicas II. / Andressa Caron Brey. – Indaial:
UNIASSELVI, 2020.
216 p.; il.
ISBN 978-65-5663-157-8
ISBN Digital 978-65-5663-155-4
1. Anatomia humana. – Brasil. Centro Universitário Leonardo Da
Vinci.
CDD 611
Impresso por:
Apresentação
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático Técnicas
Radiológicas II. Aqui, vamos estudar os exames de coluna, arcabouço
torácico, tórax, abdome, crânio, face e seios da face, bem como anatomia,
patologia e protocolos desses exames.
Na Unidade 1, você vai aprender sobre os exames de coluna, bem
como sua anatomia, suas principais patologias e as devidas instruções sobre
como obter imagens radiológicas dessa estrutura do corpo humano. Esses
assuntos serão divididos em tópicos, então estudaremos desde a anatomia
óssea, muscular e articular, até as principais lesões, os posicionamentos de
coluna, como identificar estruturas nas radiografias e os requisitos técnicos.
Na Unidade 2, serão abordados os mesmos temas gerais de anatomia,
posicionamentos e estrutura das radiografias, mas, dessa vez, voltados ao
arcabouço torácico, ao tórax e ao abdome.
Por fim, na Unidade 3, será apresentada a parte final dos
posicionamentos, seguindo a mesma estrutura das unidades anteriores, mas,
agora, enfatizando o crânio, a face e os seios da face.
Saber a anatomia óssea, muscular e articular, a biomecânica e as lesões
mais recorrentes, como alterações da coluna e patologias da região torácica
e do abdome, bem como ter portfólio e estudo de imagens, permite que o
profissional de radiologia esteja preparado para atender toda a diversidade
de casos de seus pacientes.
Bons estudos!
Profa. Andressa Caron Brey
NOTA
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes – ENADE.
Bons estudos!
UNI
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais
que possuem o código QR Code, que é um código
que permite que você acesse um conteúdo interativo
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utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos
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um novo conhecimento.
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro
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Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Sumário
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL............................. 1
TÓPICO 1 — ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL................................................................ 3
1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 3
2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL....................................................................................... 3
2.1 VÉRTEBRAS CERVICAIS............................................................................................................... 6
2.2 VÉRTEBRAS TORÁCICAS............................................................................................................. 9
2.3 VÉRTEBRAS LOMBARES.............................................................................................................. 9
2.4 VÉRTEBRAS SACRAIS................................................................................................................. 10
2.5 VÉRTEBRAS COCCÍGEAS.......................................................................................................... 11
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 12
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 13
TÓPICO 2 — ARTICULAÇÃO E MUSCULATURA DA COLUNA VERTEBRAL.................. 15
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 15
2 ARTICULAÇÃO DA COLUNA....................................................................................................... 15
2.1 ARTICULAÇÕES INTERVERTEBRAIS..................................................................................... 15
2.2 DISCO INTERVERTEBRAL......................................................................................................... 16
2.3 ARTICULAÇÃO ZIGAPOFISÁRIA............................................................................................ 16
2.4 ARTICULAÇÃO COSTAL............................................................................................................ 16
2.5 ARTICULAÇÃO ATLANTO-OCCIPITAL................................................................................. 16
2.6 ARTICULAÇÃO ATLANTOAXIAL........................................................................................... 17
2.7 CANAL VERTEBRAL................................................................................................................... 17
3 BIOMECÂNICA DA COLUNA....................................................................................................... 17
4 MÚSCULOS DA COLUNA.............................................................................................................. 18
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 21
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 22
TÓPICO 3 — LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL....................................................................... 23
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 23
2 CURVATURAS VERTEBRAIS......................................................................................................... 23
3 HÉRNIA DE DISCO .......................................................................................................................... 26
4 FRATURAS.......................................................................................................................................... 27
5 OUTRAS LESÕES COMUNS.......................................................................................................... 27
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 29
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 30
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL............ 31
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 31
2 INCIDÊNCIAS PARA COLUNA CERVICAL............................................................................... 32
3 INCIDÊNCIAS DA COLUNA TORÁCICA.................................................................................. 39
4 INCIDÊNCIAS DA COLUNA LOMBAR...................................................................................... 42
5 INCIDÊNCIAS DE SACRO-CÓCCIX............................................................................................ 44
6 ROTINA PARA ESCOLIOSE........................................................................................................... 46
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 50
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 51
TÓPICO 5 — ANATOMIA DAS IMAGENS................................................................................... 53
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 53
2 ANATOMIA DAS IMAGENS.......................................................................................................... 53
2.1 ÂNGULO DE COBB...................................................................................................................... 60
2.2 MÉTODO FERGUSON................................................................................................................. 60
2.3 OUTRAS MEDIDAS RADIOGRÁFICAS................................................................................... 61
RESUMO DO TÓPICO 5..................................................................................................................... 63
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 64
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS.................................. 65
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 65
2 PROTEÇÃO RADIOLÓGICA PARA COLUNAS........................................................................ 65
3 CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS...................................................................................................... 66
4 FLUXOGRAMA DA REALIZAÇÃO DO EXAME....................................................................... 67
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................. 69
RESUMO DO TÓPICO 6..................................................................................................................... 76
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 77
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO
DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME..................................... 79
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME................ 81
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 81
2 ARCABOUÇO TORÁCICO.............................................................................................................. 81
3 TÓRAX.................................................................................................................................................. 83
3.1 SISTEMA RESPIRATÓRIO........................................................................................................... 83
3.2 SISTEMA CIRCULATÓRIO......................................................................................................... 85
3.3 TIMO................................................................................................................................................ 87
3.4 ABDOME......................................................................................................................................... 87
3.4.1 Sistema digestivo.................................................................................................................. 87
3.4.2 Sistema urinário.................................................................................................................... 90
3.4.3 Peritônio................................................................................................................................. 91
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 92
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 93
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME...... 95
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 95
2 ARCABOUÇO TORÁCICO.............................................................................................................. 95
3 POSICIONAMENTO DO TÓRAX............................................................................................... 104
4 POSICIONAMENTO DO ABDOME........................................................................................... 110
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 114
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 115
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO,
TÓRAX E ABDOME.................................................................................................. 117
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 117
2 ARCABOUÇO TORÁCICO............................................................................................................ 117
2.1 ESTERNO...................................................................................................................................... 117
2.2 ARCOS COSTAIS......................................................................................................................... 117
3 TÓRAX................................................................................................................................................ 118
4 ABDOME............................................................................................................................................ 119
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 127
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 128
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME........... 129
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 129
2 ARCABOUÇO TORÁCICO............................................................................................................ 129
2.1 FRATURAS DE ARCOS COSTAIS............................................................................................ 129
2.2 PECTUS CARINATUM E PECTUS EXCAVATUM.................................................................. 130
3 TÓRAX................................................................................................................................................ 131
3.1 BRONQUITE................................................................................................................................ 131
3.2 PNEUMONIA.............................................................................................................................. 131
3.3 DERRAME PLEURAL................................................................................................................. 132
3.4 PNEUMOTÓRAX........................................................................................................................ 132
3.5 HEMOTÓRAX.............................................................................................................................. 133
3.6 ATELECTASIA............................................................................................................................. 133
3.7 EMBOLIA PULMONAR............................................................................................................. 133
3.8 TUBERCULOSE........................................................................................................................... 133
3.9 ENFISEMA.................................................................................................................................... 134
3.10 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC).............................................. 134
4 ABDOME............................................................................................................................................ 135
4.1 ABDOME AGUDO...................................................................................................................... 135
4.2 COLITE . ....................................................................................................................................... 136
4.3 OBSTRUÇÃO INTESTINAL ..................................................................................................... 137
4.4 ÍLIO PARALÍTICO...................................................................................................................... 137
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 139
TÓPICO 5 — CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS.............................................................................. 141
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 141
2 ERROS COMUNS............................................................................................................................ 141
3 ROTINAS BÁSICAS........................................................................................................................ 141
4 PROTEÇÃO....................................................................................................................................... 142
5 COLIMAÇÃO.................................................................................................................................... 142
5.1 TAMANHO DE RI....................................................................................................................... 143
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 145
RESUMO DO TÓPICO 5................................................................................................................... 150
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 151
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE....... 153
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE................................................................ 155
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 155
2 OSSOS................................................................................................................................................. 155
3 MÚSCULOS....................................................................................................................................... 162
4 ARTICULAÇÕES.............................................................................................................................. 163
5 SEIOS DA FACE............................................................................................................................... 165
6 DENTIÇÃO........................................................................................................................................ 166
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 168
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 169
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE...................... 171
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 171
2 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO........................................................... 171
3 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE FACE.................................................................. 178
4 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SEIOS DA FACE............................................. 183
5 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE ATM E MANDÍBULA.................................... 186
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 192
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 193
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO CRÂNIO E DA FACE.............................. 195
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 195
2 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO CRÂNIO........................................................................... 195
3 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA FACE.................................................................................. 196
4 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS SEIOS DA FACE.......................................................... 197
5 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA ATM................................................................................... 197
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 198
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 199
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS.......... 201
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 201
2 PATOLOGIAS DO CRÂNIO E DA FACE................................................................................... 201
3 PATOLOGIAS DOS SEIOS DA FACE......................................................................................... 202
4 PATOLOGIAS DA ATM.................................................................................................................. 202
5 ERROS COMUNS............................................................................................................................ 203
6 ROTINAS BÁSICAS........................................................................................................................ 203
7 PROTEÇÃO....................................................................................................................................... 204
8 COLIMAÇÃO.................................................................................................................................... 204
9 TAMANHO DE RI............................................................................................................................ 204
10 TÉCNICA RADIOGRÁFICA....................................................................................................... 205
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 206
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 213
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 214
REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 215
UNIDADE 1 —
TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA
COLUNA VERTEBRAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer os aspectos anatômicos das estruturas ósseas, musculares e
articulares da coluna;
• aprender sobre as estruturas anatômicas e o funcionamento dos tecidos
envolvidos no arcabouço torácico, no tórax e no abdome;
• relembrar as estruturas ósseas, musculares e articulares do crânio;
• reconhecer as principais patologias do esqueleto axial;
• entender, replicar e adaptar os posicionamentos radiográficos do
esqueleto axial;
• identificar estruturas nas imagens radiográficas do esqueleto axial;
• compreender os critérios de qualidade das radiografias de coluna, tronco
e crânio.
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em seis tópicos. No decorrer da unidade, você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
TÓPICO 2 – ARTICULAÇÃO E MUSCULATURA DA COLUNA
VERTEBRAL
TÓPICO 3 – LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL
TÓPICO 4 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA
VERTEBRAL
TÓPICO 5 – ANATOMIA DAS IMAGENS
TÓPICO 6 – PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
CHAMADA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.
1
2
TÓPICO 1 —
UNIDADE 1
ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
1 INTRODUÇÃO
Na época das suas aulas de história, você deve se lembrar da linha da
evolução humana, mais especificamente do homo erectus, termo que significa
homem ereto, ou seja, que anda sobre apenas dois membros e com a coluna ereta.
A coluna vertebral tem muitas funções e uma delas é justamente sustentar
o corpo e a postura do ser humano. Ela também auxilia na locomoção e protege
a medula espinhal.
2 ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
A coluna vertebral pertence ao esqueleto axial, corresponde a ⅖ do peso
corporal e é dividida em cinco partes: cervical, torácica, lombar, sacro e cóccix.
Na porção superior, articula-se com o occipital por meio do côndilo occipital e,
na porção inferior, com o ílio pela articulação sacroilíaca.
Os ossos que compõem a coluna são chamados de vértebras e são
sobrepostos um a um. Ao todo, são 33 vértebras, sendo sete cervicais, 12 torácicas,
cinco lombares, cinco sacrais e quatro coccígeas. O número total pode variar de
32 a 35, pois é comum encontrar vértebras extranumerárias, sendo os locais mais
comuns a coluna torácica e o cóccix.
As divisões da coluna existem porque as vértebras têm características
gerais iguais, mas são diferentes em cada grupo de vértebras. Cada coluna ainda
apresenta uma curvatura diferente, como pode ser visto na figura a seguir.
3
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
DICAS
Vamos aprofundar seu conhecimento? A seguir, temos uma imagem em
perfil da coluna. Pinte a região cervical de vermelho, a torácica de azul, a lombar de
amarelo, o sacro de verde e o cóccix de laranja. Desenhe setas e identifique cada uma
das vértebras pela abreviação utilizada. Por exemplo: C3 para a terceira vértebra cervical
(e assim por diante).
FIGURA – COLUNA EM PERFIL
FONTE: A Autora
4
TÓPICO 1 — ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
As vértebras são nomeadas de acordo com a sua localização e ordem. A
primeira vértebra do corpo (também a primeira vértebra cervical) é chamada de
C1 – o C maiúsculo é de cervical e o número 1, a sua ordem. A última cervical
é a 7ª vértebra, chamada C7. Da mesma forma, na parte torácica, fazemos a
associação da letra e do número da vértebra: a primeira torácica (e a 8ª do corpo)
é denominada T1 e a última (a 19ª do corpo), T12. Na lombar, a primeira lombar
é chamada de L1 e a última, L5. Já a primeira vértebra sacral é denominada S1
e a última, S5. Por fim, no cóccix, a primeira vértebra é conhecida como CC1 e a
última, CC4.
As características gerais são comuns a quase todas as vértebras, exceto a
C1 e a C2. O corpo vertebral é responsável pela sustentação do esqueleto, com
uma face superior e uma inferior, e, em cada face superior, encontramos um disco
vertebral, o qual corresponde à maior parte da vértebra e se encontra na sua parte
anterior.
O processo espinhoso está relacionado ao movimento. Tem formato de
espinho e situa-se posteriormente à vértebra. Nas costas, bem no centro, podemos
sentir vários “caroços” um embaixo do outro – que são os processos espinhosos.
Sua forma muda de acordo com a região da coluna.
Os processos transversos também estão relacionados ao movimento do
tronco. São duas projeções, uma de cada lado da vértebra, separando o pedículo
da lâmina. Algumas vértebras podem ter, na ponta do processo transverso, a
fóvea articular.
Já os processos articulares superiores e inferiores evitam que as vértebras
se movimentem na direção anteroposterior. O processo articular superior de uma
vértebra articula-se com o processo articular inferior da vértebra logo acima.
Cada vértebra tem dois processos articulares superiores e dois inferiores.
As lâminas garantem a proteção do canal medular e se unem para formar
o processo espinhoso.
Assim como a lâmina, o pedículo também auxilia na proteção do canal
vertebral. Ele liga o corpo da vértebra ao processo espinhoso, sendo dois pedículos
em cada vértebra. O pedículo tem o formato de uma ponte e a curvatura abaixo
dele é chamada de incisura vertebral inferior.
O forame vertebral é a abertura central da vértebra, sendo formado por
corpo vertebral, pedículos e lâminas. Por ele, passa o tubo neural, e sua forma e
tamanho dependem da região da coluna.
5
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
2.1 VÉRTEBRAS CERVICAIS
As vértebras cervicais são menores que as demais, com corpo vertebral
reduzido e forame vertebral maior. O processo espinhoso apresenta, em seu
final, uma pequena divisão, chamada de processo espinhoso bífido. No meio
do forame transverso, temos o forame transverso, por onde passam as artérias
vertebrais.
A primeira vértebra cervical, também a primeira do corpo, é chamada de
atlas, devido à história do titã grego Atlas, que, por desafiar Zeus, foi condenado
a segurar o céu – por conta de uma alusão ao peso da cabeça e aos problemas que
enchem a mente e que precisamos carregar, a primeira vértebra recebeu o nome
desse titã grego.
A atlas não tem corpo, apenas dois arcos, o anterior e o posterior. No
centro do arco anterior, internamente, há a face articular para o dente da axis e,
externamente, o tubérculo anterior. Na face superior, tem-se as faces articulares
para os côndilos occipitais e a massa lateral, a qual é uma proeminência que
aumenta o tamanho da face articular.
No arco posterior, temos o tubérculo posterior e, inferiormente, as faces
articulares para a axis. Na Figura 1, é possível identificar essas estruturas e colori-
las, se você quiser.
FIGURA 1 – ATLAS EM ÂNGULOS SUPERIOR E INFERIOR
SUPERIOR
Atlas
6
TÓPICO 1 — ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
INFERIOR
FONTE: A autora
A axis é o nome da segunda vértebra cervical, que tem um processo
ósseo forte denominado de processo odontoide da axis ou dente da axis. O
dente articula-se com a face articular para o dente da axis, na atlas. Ele possui,
na face anterior, a face articular anterior para a atlas e, posteriormente, a face
articular posterior para o ligamento transverso. A axis apresenta um corpo alto
com massas laterais, que, na sua face superior, compõem as faces articulares
para a atlas. O processo e o forame transverso são laterais, mas projetados para
baixo. Inferiormente, são encontradas as faces articulares para a C3. O processo
espinhoso é grande quando comparado às demais vértebras cervicais. Na Figura
2, temos diferentes visões das vértebras para identificar essas estruturas.
FIGURA 2 – AXIS EM ÂNGULOS SUPERIOR, ANTERIOR E POSTERIOR
SUPERIOR
Axis
7
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
ANTERIOR
POSTERIOR
FONTE: A autora
A C7 é a maior das vértebras cervicais e tem características semelhantes
às vértebras torácicas, pois é uma vértebra de transição. O processo espinhoso
da C7 é mais longo e proeminente que das demais vértebras do corpo. É aquele
“caroço” facilmente visualizado entre o pescoço e o tronco. A proeminência da
C7 é um ponto de reparo muito utilizado na radiologia. Na Figura 3, temos uma
vértebra cervical para identificação de suas estruturas.
FIGURA 3 – CERVICAL EM ÂNGULOS SUPERIOR E LATERAL
Cervical
SUPERIOR LATERAL
FONTE: A autora
8
TÓPICO 1 — ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
2.2 VÉRTEBRAS TORÁCICAS
As vértebras torácicas não têm bifurcação no processo espinhoso como as
cervicais, mas seu processo espinhoso é projetado para baixo e é mais pontiagudo
que os das demais vértebras. As vértebras torácicas também apresentam várias
fóveas, tanto no corpo vertebral quanto no processo transverso. Essas fóveas têm
a função de se articular com os arcos costais e limitar seus movimentos durante
a respiração.
Os processos articulares são anteriores e posteriores, com exceção da
T12, na qual são lateralizados, como nas vértebras lombares. O corpo vertebral é
triangular e o processo transverso também. Na Figura 4, é possível identificar as
estruturas das vértebras torácicas.
FIGURA 4 – TORÁCICA EM ÂNGULOS LATERAL E SUPERIOR
Torácica
LATERAL SUPERIOR
FONTE: A autora
2.3 VÉRTEBRAS LOMBARES
Os corpos vertebrais das vértebras lombares são maiores que os demais,
com forma ovalada, assim, garantem maior sustentação. O processo vertebral
é triangulado. O processo espinhoso é largo e na horizontal. Nos processos
transversos, é possível encontrar os processos mamilares que são pequenas
projeções. Na figura 5, é possível verificar as estruturas listadas anteriormente,
identifique-as.
9
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 5 – VÉRTEBRA LOMBAR EM ÂNGULOS SUPERIOR E LATERAL
Lombar
LATERAL
SUPERIOR
FONTE: A autora
2.4 VÉRTEBRAS SACRAIS
As vértebras sacrais são fundidas umas nas outras, ou seja, não há disco
intervertebral entre elas. Assim, o sacro apresenta uma forma de pirâmide
invertida e, portanto, a parte de cima do sacro é a base e a parte de baixo é o
ápice. O sacro se articula com: a L5 superiormente, o cóccix inferiormente e o ílio
lateralmente.
Na face anterior do sacro, é possível observar os pontos de ligação de uma
vértebra com a outra, linhas chamadas de cristas sacrais transversas, sendo, ao
total, quatro cristas na face anterior. Na ponta de cada crista, temos um forame,
denominado forame sacral. Ao todo são oito forames sacrais, sendo quatro de
cada lado.
Superiormente, há os processos articulares superiores da S1 e o
promontório, que é a borda do corpo da S1. Inferiormente, no centro, encontra-se
o hiato sacral e, lateralmente a ele, os cornos sacrais.
Na face posterior, também temos três cristas. A central e mais proeminente
delas é a crista sacral mediana, formada pela união dos processos espinhosos.
Logo após, está a crista sacral intermediária, ao lado, a vista posterior dos forames
sacrais e, em seguida, as cristas sacrais laterais.
Na Figura 6, encontram-se o sacro e o cóccix. Você pode identificar as
estruturas e pintá-las de cores diferentes, para ficar mais fácil a sua identificação.
10
TÓPICO 1 — ANATOMIA DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 6 – SACRO E CÓCCIX EM ÂNGULOS ANTERIOR E POSTERIOR
FONTE: A autora
2.5 VÉRTEBRAS COCCÍGEAS
As vértebras que formam o cóccix também são fundidas e, assim como
o sacro, o cóccix se assemelha a uma pirâmide invertida. Logo, a base do cóccix
fica em cima e o ápice, embaixo. Na parte superior, estão os cornos coccígeos. O
número de vértebras do cóccix pode variar entre três e cinco.
DICAS
É importante saber a diferença entre os tipos vertebrais, para facilitar na
identificação nas imagens radiográficas – por isso, utilize este conteúdo para aprender sobre
a localização de cada vértebra e realizar as aquisições da coluna total de forma adequada
e sem erros.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• A coluna vertebral pertence ao esqueleto axial, corresponde a ⅖ do peso
corporal e é dividida em cinco partes: cervical, torácica, lombar, sacro e cóccix.
• Os ossos que compõem a coluna são chamados de vértebras e são sobrepostos
um a um. Ao todo, são 33 vértebras, sendo sete cervicais, 12 torácicas, cinco
lombares, cinco sacrais e quatro coccígeas.
• As vértebras são nomeadas de acordo com a sua localização e ordem. A
primeira vértebra do corpo (também a primeira vértebra cervical) é chamada
de C1 – o C maiúsculo é de cervical e o número 1, a sua ordem. A última
cervical é a 7ª vértebra, chamada C7. Da mesma forma, na parte torácica,
fazemos a associação da letra e do número da vértebra: a primeira torácica (e
a 8ª do corpo) é denominada T1 e a última (a 19ª do corpo), T12. Na lombar, a
primeira lombar é chamada de L1 e a última, L5. Já a primeira vértebra sacral
é denominada S1 e a última, S5. Por fim, no cóccix, a primeira vértebra é
conhecida como CC1 e a última, CC4.
• Os processos transversos estão relacionados ao movimento do tronco.
• Os processos articulares superiores e inferiores evitam que as vértebras se
movimentem na direção anteroposterior.
• As lâminas garantem a proteção do canal medular e se unem para formar o
processo espinhoso. O pedículo também auxilia na proteção do canal vertebral.
• O forame vertebral é a abertura central da vértebra, sendo formado por corpo
vertebral, pedículos e lâminas. Por ele, passa o tubo neural, e sua forma e
tamanho dependem da região da coluna.
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AUTOATIVIDADE
1 Sobre as vértebras cervicais, assinale a alternativa que contém uma estrutura
específica das vértebras cervicais:
a) ( ) Pedículo.
b) ( ) Corpo.
c) ( ) Lâmina.
d) ( ) Processo espinhoso bífido.
2 Sobre as vértebras torácicas, assinale a alternativa que contém uma estrutura
específica das vértebras torácicas:
a) ( ) Processo espinhoso.
b) ( ) Fóvea costal.
c) ( ) Forame vertebral.
d) ( ) Processo articular superior.
3 Sobre as vértebras lombares, assinale a alternativa que contém uma
estrutura específica das vértebras lombares.
a) ( ) Processo espinhoso.
b) ( ) Processo mamilar.
c) ( ) Forame vertebral.
d) ( ) Processo articular superior.
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TÓPICO 2 —
UNIDADE 1
ARTICULAÇÃO E MUSCULATURA DA COLUNA VERTEBRAL
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, abordaremos a musculatura que mantém a coluna estável,
as articulações e seus movimentos e a biomecânica da coluna, muito importante
para entendermos como movimentos incorretos podem causar lesões à coluna.
Veremos todos os tipos articulares que a coluna possui e como eles se
relacionam entre si, dando atenção a sua localização e aos movimentos que
permitem ou não a coluna realizar.
2 ARTICULAÇÃO DA COLUNA
Para entendermos os exames de coluna, precisamos reconhecer os
elementos de interposição das articulações que a compõem, bem como o ângulo
dessas articulações.
Isso é importante para entendermos por que realizar exames oblíquos ou
a angulação do raio central nas aquisições.
2.1 ARTICULAÇÕES INTERVERTEBRAIS
Apesar de a coluna ter uma certa mobilidade, ela não é uma articulação
sinovial, pois não tem os elementos de interposição existentes em uma articulação
sinovial. Então, é importante sabermos que a coluna é uma articulação
cartilaginosa do tipo sínfise.
Essas articulações mostram certa mobilidade e têm, como elemento de
interposição, discos. Esses discos são firmemente ligados ao corpo e ajudam a
manter a estabilidade da coluna.
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UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
2.2 DISCO INTERVERTEBRAL
Os discos intervertebrais são formações fibrocartilaginosas que servem
para absorver o impacto e permitir alguns movimentos articulares. O disco
é formado por um anel fibroso e, internamente, pelo núcleo pulposo, que é
constituído de colágeno e água. Com o tempo e o uso, o núcleo desidrata, o que
resulta nas lesões de disco.
Os discos são encontrados a partir do espaço existente entre as vértebras
C2 e C3 até o espaço entre L5 e S1.
2.3 ARTICULAÇÃO ZIGAPOFISÁRIA
Também conhecida como apofisária, a articulação zigapofisária é formada
pelos processos articulares. Assim, o processo articular superior de uma vértebra
se articula com o processo inferior da vértebra acima.
Nas vértebras cervicais, essas articulações ocorrem acima e abaixo dos
pilares articulares. Como consequência, o ângulo dessas articulações é de 90°.
Nas vértebras torácicas, o ângulo das articulações é de 70°. Para uma
boa visualização dessas articulações abertas, é preciso angular o paciente nesse
mesmo ângulo na aquisição oblíqua.
Já nas vértebras lombares, o ângulo varia de 30°, para as últimas vértebras,
a 50°, para as primeiras.
2.4 ARTICULAÇÃO COSTAL
É a articulação entre a fóvea costal, presente no processo transverso e
no corpo vertebral das torácicas, e o arco costal. Há dois tipos das articulações:
a costovertebral, que ocorre entre o corpo da vértebra e o arco costal, e a
costotransversa, que é feita entre o processo transverso e o arco costal. Essas
articulações são do tipo sinovial, em forma de dobradiça e diartrodial.
2.5 ARTICULAÇÃO ATLANTO-OCCIPITAL
É a articulação formada pelos côndilos occipitais e as fóveas, para os
côndilos presentes na face superior da atlas. Essa articulação permite a rotação
do crânio e é tipo condiloide, sinovial com mobilidade do tipo diartrodial.
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TÓPICO 2 — ARTICULAÇÃO E MUSCULATURA DA COLUNA VERTEBRAL
2.6 ARTICULAÇÃO ATLANTOAXIAL
São duas as articulações existentes entre a atlas e a axis. A primeira é entre
a face anterior do dente da axis e a face posterior do arco anterior da atlas. A outra
articulação é a zigapofisária, que é bilateral e com espaçamento simétrico.
Tanto a articulação zigapofisária quanto a do dente com o arco são do tipo
sinovial, em forma de dobradiça e diartrodial.
2.7 CANAL VERTEBRAL
O canal vertebral, que passa pelos forames, seguirá as curvaturas das
colunas. Ele é tanto grande e triangular, com grande movimento, como na cervical
e na lombar, quanto pequeno e levemente arredondado, com pouco movimento,
como na torácica.
3 BIOMECÂNICA DA COLUNA
A coluna atua como estrutura e base para a maioria dos movimentos do
corpo, sendo necessário garantir a sua estabilidade. Os músculos retroabdominais,
oblíquos interno e externo, psoas, eretores de coluna, interespinhais, quadrado
lombar e serrátil realizam, entre outras funções, a estabilização da coluna.
Os movimentos feitos pela coluna dependem da região. Por exemplo, a
coluna cervical realiza uma rotação de até 12°, enquanto a torácica, uma rotação
de até 9° e a lombar de apenas 2°. No entanto, a articulação lombo-sacra tem
rotação de 5°.
Você pode até pensar: “Mas eu rodo mais a minha lombar do que meros
2°!”. Então, levante-se e distribua, de modo uniforme, o seu peso sobre os seus
pés. Gire a sua lombar o máximo que conseguir. Em seguida, olhe para as suas
pernas – com certeza, elas estarão cruzadas, pois a rotação da lombar é de apenas
2°. Então, quando forçamos ângulos maiores, nosso corpo ativa o quadril, que
consegue ângulos maiores.
As flexões laterais também seguirão a mesma ideia. Novamente, a
cervical tem a maior amplitude de movimento, com 10° de flexão lateral máxima;
a torácica varia de 6° a 9° e a lombar de 3° a 6°.
Já na flexão, enquanto a cervical aguenta até 17° e a torácica varia de 4° a
10°, a lombar chega a 20°. A pouca flexão da torácica decorre do fato de ela estar
presa aos arcos costais e esterno.
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UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
É importante entendermos que, quando realizamos esses movimentos,
e até mesmo no simples ato de andar, exercitamos duas ações importantes na
coluna: a compressão e o cisalhamento.
Na compressão normal, quando estamos sentados ou andando e não
realizamos flexão ou extensão da coluna, o disco vertebral recebe a compressão
do peso corporal e o distribui radialmente, ou seja, para todos os lados por
igual. Assim, não há sobrecarga no disco. Contudo, na flexão e na extensão, a
sobrecarga vai para apenas um ponto. Na flexão, a compressão é na parte anterior
da vértebra e, na parte posterior, ocorre aumento da tensão. Como consequência,
comprimimos e forçamos a parte anterior e esticamos a parte posterior para além
da sua possibilidade.
Já no cisalhamento, quando rodamos a coluna, tencionamos os discos, ao
puxar cada ponta para um lado. Conclusão: devemos evitar, a todo custo, realizar
esses movimentos.
DICAS
A biomecânica da coluna ajuda a entender a importância da realização de
exames de coluna em ortostase e sem os calçados, pois permite avaliar com qualidade o
alinhamento da coluna.
4 MÚSCULOS DA COLUNA
Os músculos que compõem a coluna, pertencem à musculatura do
tronco e apresentam várias funções. O esplênio, por exemplo, tem a função de
movimentar a cabeça. Já o eretor da coluna é responsável por movimentá-la
lateralmente, como no posicionamento de inclinações da coluna, além de estendê-
la por inteiro. A rotação e a estabilização das colunas cervical e torácica é ação
do músculo transverso espinal. Os interespinais são responsáveis pela rotação
e pela extensão da coluna. Os intertransversários e os levantadores da costela
respondem por ajudar nas inclinações da coluna, sendo que os levantadores
também elevam os arcos costais na respiração. O Quadro 1 mostra as inserções
dos músculos da coluna.
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TÓPICO 2 — ARTICULAÇÃO E MUSCULATURA DA COLUNA VERTEBRAL
QUADRO 1 – MÚSCULOS DA COLUNA
Músculo Inserções
Ligamento nucal e processos espinhosos das vértebras C7-T3 ou T4 até
Esplênio da cabeça
processo mastoide e terço lateral da linha nucal superior do occipital
Ligamento nucal e processos espinhosos das vértebras C7-T3 ou T4 até
Esplênio do pescoço tubérculos posteriores dos processos transversos das vértebras C1-C3
ou C4
Largo tendão na porção posterior da crista ilíaca, face posterior do
Eretor da espinha
sacro, processos espinhosos sacrais e lombares inferiores e ligamento
iliocostal
supraespinhal até ângulos das costelas inferiores e dos processos cervicais
Largo tendão na porção posterior da crista ilíaca, face posterior do
Eretor da espinha sacro, processos espinhosos sacrais e lombares inferiores e ligamento
longuíssimo supraespinhal até processos transversos nas regiões cervicais e torácica
e processo mastoide
Largo tendão na porção posterior da crista ilíaca, face posterior do
Eretor da espinha sacro, processos espinhosos sacrais e lombares inferiores e ligamento
espinal supraespinhal até processos espinhosos nas regiões torácicas mais altas
e no crânio
Processos transversos das vértebras C4-T12 até osso occipital e processos
Transverso-espinal
espinhosos das regiões torácica e cervical, estendendo-se por 4 a 6
semiespinal
segmentos
Sacro e ílio, processos transversos de T1-T3 e processos articulares de C4-
Transverso espinal
C7 até processos espinhosos das regiões torácica e cervical, estendendo-se
multífido
por 2 a 4 segmentos
Processos transversos das vértebras até junção das lâminas e processos
Transverso espinal
transversos ou nos processos espinhosos de vértebras acima de sua
rotadores
origem, estendendo-se por 1 a 2 segmentos
Faces superiores dos processos espinhosos das vértebras cervicais e
Interespinais lombares até face interior dos processos espinhosos da vértebra superior
à vértebra de origem
Processos transversos das vértebras cervicais e lombares até processos
Intertransversários
transversos das vértebras adjacentes
Levantadores das Pontas dos processos transversos das vértebras C7 e T1-T11 até costela,
costelas entre o tubérculo e o ângulo
FONTE: A autora
Os ligamentos da coluna dão estabilidade e restringem os movimentos. O
Quadro 2 mostra uma descrição de cada um deles.
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UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
QUADRO 2 – LIGAMENTOS DA COLUNA
Ligamento Local Ação
Longitudinal anterior Base do crânio ao sacro Estabilizar a coluna
Ligamento nucal às apófises coronoides do Unir os processos
Interespinhoso
sacro espinhosos
Face anterior da lâmina superior à face Preservar a postura
Amarelo
posterior da lâmina inferior de cada vértebra (por ter elasticidade)
Dentro do canal medular e ligado aos corpos
Longitudinal posterior Limitar flexão
vertebrais
Cruciforme (superior,
Une-se às fibras do alar Limitar a rotação
transverso e inferior)
Limitar flexão lateral
Intertransversos Apófises transversas
e rotação
Estabilizar
Iliolombar L5 até articulação sacroilíaca
lombossacra
Limitar rotação e
Supraespinhoso Processos espinhosos
flexão anterior
FONTE: A autora
Saber a inserção dos músculos ou o movimento ajuda a entender
imagens mais complexas, como as de ressonância, mas também a perceber quais
movimentos o paciente consegue fazer, suas limitações e, principalmente, para
onde irradia a sua dor.
20
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• As articulações que dão movimento e amortecimento para a coluna vertebral.
• A coluna é uma articulação cartilaginosa do tipo sínfise. Atua como estrutura e
base para a maioria dos movimentos do corpo, sendo necessário garantir a sua
estabilidade. Os músculos retroabdominais, oblíquos interno e externo, psoas,
eretores de coluna, interespinhais, quadrado lombar e serrátil realizam, entre
outras funções, a estabilização da coluna.
• Os músculos que compõem a coluna, pertencem à musculatura do tronco
e apresentam várias funções. O esplênio, por exemplo, tem a função de
movimentar a cabeça. Já o eretor da coluna é responsável por movimentá-
la lateralmente, como no posicionamento de inclinações da coluna, além de
estendê-la por inteiro. A rotação e a estabilização das colunas cervical e torácica
é ação do músculo transverso espinal. Os interespinais são responsáveis pela
rotação e pela extensão da coluna. Os intertransversários e os levantadores
da costela respondem por ajudar nas inclinações da coluna, sendo que os
levantadores também elevam os arcos costais na respiração.
21
AUTOATIVIDADE
1 Sobre a articulação zigapofisária, importante na avaliação radiográfica,
analise as afirmativas a seguir:
I- É a articulação formada entre os processos articulares superior e inferior.
II- É a articulação formada entre a fóvea costal e o arco costal.
III- Presente na maioria das vértebras.
IV- É do tipo sinovial.
V- É do tipo cartilaginosa.
VI- Presente na articulação entre o occipital e a C1.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, III e VI estão corretas.
b) ( ) As sentenças II, III e V estão corretas.
c) ( ) As sentenças I, III, IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças V e VI estão corretas.
2 O ângulo de 70° das articulações zigapofisárias da coluna torácica exige
que o pocisionamento para a correta visualização destas articulações seja:
a) ( ) Em PA.
b) ( ) Em AP.
c) ( ) Perfilado.
d) ( ) Angulado.
3 Reconhecer os músculos da coluna ajuda a entender as suas patologias.
Assinale a alternativa que contém apenas músculos da coluna:
a) ( ) Deltoide, oblíquos interno e externo, psoas, eretores de coluna,
interespinhais, quadrado lombar e serráti.
b) ( ) Retroabdominais, oblíquos interno e externo, psoas, eretores de coluna,
interespinhais, quadrado lombar e gastrocnêmio.
c) ( ) Retroabdominais, abdutor longo do polegar, psoas, eretores de coluna,
interespinhais, quadrado lombar e serráti.
d) ( ) Retroabdominais, oblíquos interno e externo, quadrado, eretores de
coluna, interespinhais, quadrado lombar e serráti.
22
TÓPICO 3 —
UNIDADE 1
LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL
1 INTRODUÇÃO
As lesões da coluna estão relacionadas, em sua maioria, ao mau uso por
movimentos repetitivos e além de suas capacidades, bem como a traumas diretos.
As lesões mais comuns, que resultam em exames no setor de
radiodiagnóstico, são: lombalgias com ou sem trauma, lesão de chicote, fraturas
e hérnias de disco. Esses temas serão apresentados ao longo deste tópico, a fim
de esclarecer quais movimentos podemos fazer com esses pacientes e qual a
importância da realização dos exames da coluna em pé, sempre que possível.
2 CURVATURAS VERTEBRAIS
A cifose e lordose são normais, mas podem ser aumentadas. A cifose
corresponde ao aumento da convexidade da cervical e início da torácica, resultando
na famosa corcunda. Já a lordose é caracterizada pelo aumento da concavidade
da lombar. Ainda podemos citar a hiperlordose, que ocorre na cervical pelo uso
contínuo do celular e consequente hiperflexão do pescoço constante.
Por fim, a escoliose é a curvatura desenvolvida, geralmente em
toracolombar (Figura 7), tanto para a direita quanto para a esquerda. Uma pessoa
pode ter mais de uma curvatura e, em casos severos, muitas curvaturas acrescidas
de lordose e cifose – nesses casos, a pessoa nasce com a patologia, que recebe o
nome de escoliose congênita.
Na Figura 7, é possível observar a escoliose em uma paciente feminina,
que são as mais afetadas pela doença em razão do uso de bolsas, enquanto
os homens são mais afetados pela cifose pelo uso de mochilas. Já a lordose é
comumente visualizada em pacientes que, rotineiramente, usam salto alto. As
grávidas também desenvolvem lordose em decorrência do grande deslocamento
do centro de gravidade.
23
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 7 – RADIOGRAFIA DE ESCOLIOSE EM PACIENTE FEMININA
FONTE: <[Link]
Acesso em: 4 set. 2020.
A deformação do corpo, para se adaptar a essas lesões, pode ser vista na
Figura 8. É muito importante ter em mente que as deformidades da coluna não
provocam apenas problemas nela, mas em todo o corpo. Em resumo, podemos
dizer que:
• cifoses estão associadas a problemas respiratórios e tendinites de
supraespinhosos (ombro);
• hiperlordose de cervical está associada à amortecimento de dedos e protrusão
das articulações temporomandibulares (ATMs);
• lordose está ligada a desvios de marcha, dores no quadril e inflamação do
nervo ciático;
• escoliose afeta marcha, respiração e centro de gravidade (equilíbrio).
Assim, é fácil perceber que não se trata apenas da dor, mas de todo um
complexo sistema que deve ser avaliado. Esses são só alguns sintomas que, às
vezes, o paciente apresenta e passa meses sem identificar o problema; após o
tratamento da coluna, os sintomas desaparecem.
24
TÓPICO 3 — LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 8 – DESVIOS DE COLUNA: LORDOSE, CIFOSE E ESCOLIOSE – A PELVE SE
REPOSICIONA PARA SE ADAPTAR À MARCHA
FONTE: A autora
ATENCAO
Vamos tentar uma atividade? Para você entender melhor como os desvios
prejudicam todo o corpo, fique em pé, force a coluna nas posições indicadas na Figura 8
e caminhe um pouco. Tente realizar atividades como se sentar e carregar alguma coisa, e
anote o que sentiu em cada uma delas – isso o ajudará a compreender melhor o paciente
e posicioná-lo com mais facilidade.
As lesões de disco decorrem do aumento significativo de força empregado
nele. Um disco normal da coluna cervical aguenta uma pressão de até 3.200
newtons (N); já a coluna torácica suporta de 4.500 N (primeiras vértebras) a
11.500 N; na lombar, a pressão máxima é de 15.000 N – isso ocorre porque, como
vimos anteriormente, o corpo vertebral da lombar é maior, justamente para dar
mais sustentação à coluna.
25
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
3 HÉRNIA DE DISCO
A queixa mais comum do atendimento médico de coluna são as dores,
geralmente associadas a formigamento de membros superiores (MMSS),
dor, desvio de marcha e inflamação do nervo ciático. Geralmente, a resposta
encontrada pelo paciente é hérnia de disco. Uma hérnia é uma projeção de algum
tecido para outro local – por exemplo, a hérnia de hiato é a projeção do estômago
para cima do diafragma.
Na coluna, a hérnia é a projeção ou o deslocamento do conteúdo do disco
vertebral para fora do seu local de origem. Essa projeção pode ser anterior ou
lateral, geralmente assintomáticas nos estágios iniciais, ou posterior, que tendem
a causar mais dor no paciente, pois, posterior ao corpo vertebral (onde ficam os
discos), temos o canal medular e, nele, todas as fibras nervosas do corpo. Então,
a hérnia, ao se deslocar posteriormente, acaba por comprimir o tecido do canal
medular. O local de maior ocorrência é a lombar.
A hérnia discal lombar consiste de um deslocamento do conteúdo
do disco intervertebral – o núcleo pulposo – através de sua
membrana externa, o ânulo fibroso, geralmente em sua região
posterolateral. Dependendo do volume de material herniado, poderá
haver compressão e irritação das raízes lombares e do saco dural,
representadas clinicamente pela dor conhecida como ciática. Essa
dor é conhecida desde a Antiguidade, mas a sua relação com a hérnia
discal não foi descoberta até o início do século 20, quando Mixter e
Barr a descreveram (VIALLE, 2010, p. 17).
Ainda de acordo com Vialle (2010), a hérnia é descrita conforme sua
forma. Se a projeção for larga, mas pequena em extensão, ela é dita protrusão; se
ela for pequena em largura e grande na extensão, é chamada de extrusão; quando
escorrega para fora do corpo e perde sua forma e continuidade, caracteriza um
sequestro.
NOTA
Para aprofundar seus estudos, assista ao vídeo “Anatomia Humana – Coluna
Vertebral: Discos Intervertebrais e Hérnia de Disco”, do canal “Anatomia Fácil com Rogério
Gozzi”. Depois anote os principais pontos.
26
TÓPICO 3 — LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL
4 FRATURAS
As fraturas de coluna podem ser patológicas ou, mais comumente, por
trauma. O Quadro 3 apresenta os principais tipos de fratura de coluna.
QUADRO 3 – FRATURAS DE COLUNA
Nome Descrição
Caracterizado pelo movimento causado na cervical em freadas bruscas e
Chicote colisões frontais de carros. A cabeça do paciente é projetada para a frente e
para trás, de forma abrupta
Associada à osteoporose, resulta de microfraturas provocadas pelo peso do
Por compressão
corpo no corpo vertebral
Fratura dos pedículos da C2 com ou sem luxação, gerando instabilidade.
Enforcado
São raros os casos de sobrevivência, causados por hiperextensão extrema
Resultante de alta carga no esqueleto axial, seja uma queda em pé ou queda
Jefferson de objeto na cabeça do paciente. Resulta na fratura dos arcos anterior e
posterior da C1
Odontoide Fratura do dente e das massas laterais
Trauma de cervical em hiperflexão. O corpo vertebral é esmagado. Associado
Em gota
à tetraplegia
Causada por hiperflexão da lombar, leva à fratura do corpo vertebral, processo
De chance espinhoso e processo transverso. Pode ser causado pela desaceleração com
cinto de segurança em colisão
FONTE: A autora
5 OUTRAS LESÕES COMUNS
As lesões de coluna vão além de fraturas e lesões discais. A taxa de
probabilidade de outras ocorrências varia de acordo com a região do país, dadas
as condições de vida de cada município. Podemos citar como outras lesões
comuns da coluna:
• Osteófito – Outro “vilão” da coluna é o famoso “bico de papagaio”. Essa lesão
é, na verdade, causada pelo desgaste do corpo vertebral, geralmente por artrose
vertebral. Como consequência, ocorre o crescimento de uma formação óssea
em forma de gancho ou bico, que, por vezes, pinça alguma estrutura e provoca
dor e travamento. Os osteófitos podem ocorrer em qualquer articulação, mas
são extremamente comuns na cervical.
• Osteoartrite – Artrite associada à degeneração articular, leva à esclerose óssea
e à formação de osteófitos.
• Osteoporose – Doença caracterizada pela perda de mineralização óssea,
decorrente da idade e dos hábitos alimentares.
27
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Espondilite – Inflamação vertebral. Sua forma mais grave é a espondilite
anquilosante, que resulta em dores da região sacroilíaca que seguem para toda
a coluna.
• Espondilólise – Dissolução de uma vértebra por falha no desenvolvimento.
• Espondilolistese – Deslizamento anterior de vértebras, geralmente associada à
osteoartrite.
• Espinha bífida – Lesão congênita em que a medula espinhal fica exposta por
causa da má formação da parte posterior das vértebras lombares.
• Metástases – Na radiologia convencional, é comum a imagem para rastreamento
e observação dos padrões osteolíticos ou osteoblásticos.
28
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Diversas patologias podem afetar a coluna, como lombalgias com ou sem
trauma, lesão de chicote, fraturas e hérnias de disco.
• O principal motivo que leva o paciente ao médico para avaliar a coluna é a dor.
• Geralmente, a causa da dor é por trauma ou movimento incorreto da coluna, o
que, ao longo do tempo, pode levar a várias das patologias.
• Podem-se citar como lesões comuns da coluna: osteófitos, osteoartrite,
osteoporose, espondilite, espondilólise, espondilolistese, espinha bífida e
metástases.
• As patologias podem ser diferenciadas por meio do exame por imagem da
coluna; portanto, é imprescindível que o exame seja realizado corretamente.
29
AUTOATIVIDADE
1 As fraturas de coluna geralmente são decorrentes de vários fatores, sendo
os mais comuns:
a) ( ) Traumas e patologias.
b) ( ) Patologias e queimaduras.
c) ( ) Apenas de traumas.
d) ( ) Apenas de patologias.
2 A coluna possui curvaturas normais e anormais. Analise as afirmativas a
seguir:
I- A cifose é a curvatura acentuada da coluna torácica e sua avaliação é feita
pelo perfil de coluna torácica.
II- A lordose é a curvatura acentuada da lombar e sua avaliação é pelo perfil
de coluna lombar.
III- A escoliose é a curvatura anormal de toda a coluna e, para sua visualização,
deve-se realizar incidência em AP.
IV- A hiperlordose é um desvio na cervical, causado pelo uso constante do
celular, e sua observação é realizada pelo perfil de cervical.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) Somente a sentença III está correta.
d) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas.
3 Cada lesão tem uma característica distinta. Qual patologia é descrita como
“lesão causada pelo desgaste do corpo vertebral, geralmente decorrente
de artrose vertebral. Como consequência, ocorre o crescimento de uma
formação óssea em forma de gancho ou bico”?
a) ( ) Osteófito.
b) ( ) Fratura.
c) ( ) Escoliose.
d) ( ) Espinha bífida.
30
TÓPICO 4 —
UNIDADE 1
POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO
DA COLUNA VERTEBRAL
1 INTRODUÇÃO
Para unir os conceitos apreendidos até aqui com a prática, veremos as
principais incidências para visualização da coluna ao longo deste tópico.
Quando trabalhamos com posicionamentos, é importante termos rotinas.
No Quadro 4, podem ser observadas as rotinas básicas com os posicionamentos
utilizados. Os demais posicionamentos são ditos especiais e aplicam-se a casos
específicos.
NOTA
“Quando o médico solicita um exame, é possível posicionar o paciente de
diferentes formas, e a principal delas é em anteroposterior ou AP. A parte posterior do
paciente estará em contato com o receptor de imagem, enquanto o raio central (RC)
entrará pela parte anterior. Na posteroanterior, a parte posterior receberá o raio central e a
parte anterior estará em contato com o filme. Comumente, dizemos PA para essa posição.
Contudo, se o paciente estiver de lado, ou seja, se o raio central entrar em um lado e o
outro lado estiver em contato com o receptor de imagens, estará em perfil ou PF.
Por fim, há a posição que mais gera dúvidas e discussões na radiologia: a oblíqua.
As oblíquas anteriores são aquelas em que o paciente está de frente para a mesa ou estativa.
Uma oblíqua anterior direita (OAD) é quando o lado direito estiver em contato com a mesa
e, o esquerdo, distante. Ainda, o paciente está em uma posição oblíqua anterior esquerda
(OAE) quando o lado direito estiver em contato com a mesa e, o esquerdo, distante. Quando
o paciente estiver de costas para a mesa ou estativa, ele está em oblíqua posterior. Se o lado
direito estiver em contato com a mesa, há uma oblíqua posterior direita (OPD) e, se for o
lado esquerdo, uma oblíqua posterior esquerda (OPE)” (BREY, 2020).
31
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
QUADRO 4 – ROTINAS DE COLUNA
Rotina Incidências
Dente da axis Transoral
Cervical AP, P e nadador
Torácica AP e P
Lombar AP e P
Oblíquas OA e OP
Sacro-cóccix AP sacro, AP cóccix e P sacro-cóccix
FONTE: A autora
E
IMPORTANT
Um ponto muito fundamental nos posicionamentos de coluna, quando em
ortostase, é sempre realizar o exame do paciente sem calçados, pois as deformidades na
sola e na palmilha, provocados pelo uso, podem mostrar deformidades na coluna e induzir
erro no diagnóstico médico.
2 INCIDÊNCIAS PARA COLUNA CERVICAL
A seguir, veremos as incidências de coluna cervical e os respectivos
procedimentos, como posição do paciente, considerações técnicas e necessidade
ou não de o paciente suspender a respiração durante a realização do exame.
NOTA
As linhas de posicionamento ajudam a posicionar o paciente, de modo que
ele não fique torto e não prejudique a avaliação da radiografia pelo médico. A seguir, são
apresentadas as siglas utilizadas para essas linhas. É importante ressaltar que elas são
apenas linhas imaginárias.
• “A primeira e mais importante é a linha médio sagital ou LMS. Divide o corpo ao meio,
em duas partes iguais, e passa pelo meio da testa, sobre o nariz, no meio do queixo, no
umbigo e na sínfise púbica. Assim, há um braço e uma perna para cada lado.
• A linha interpupilar (LIP) passa por ambas as pupilas e é muito útil para os posicionamentos
em perfil.
• A linha glabelo-meatal ou LGM liga a glabela, que é a proeminência entre as sobrancelhas,
ao meato acústico externo (MAE).
32
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
• A linha acântio meatal (LAM) liga o acântio, uma região que fica logo abaixo do nariz, ao
MAE.
• A linha mento-meatal (LMM) liga o mento (ponta do queixo) ao MAE, referência para
posicionamentos especiais do crânio.
• A linha órbito-meatal, ou LOM, que vai do canto da órbita ao MAE, e a linha infra-órbito-
meatal, ou LIOM, que vai do arco inferior da órbita ao MAE, são amplamente utilizadas
nos posicionamentos de crânio, tanto na radiologia convencional como na odontológica”
(BREY, 2020).
• Incidência transoral para o dente:
◦ Posição do paciente: em decúbito dorsal com a boca aberta. Para uniformizar
o contraste da imagem, sugere-se que o paciente tente encostar a língua no
céu da boca. Dê preferência sempre para o decúbito, pois o paciente fica mais
estável e isso reduz a angulação da coluna cervical, demonstrando melhor
o processo odontoide. Lembre-se de alinhar o paciente com a linha médio
sagital (LMS) da mesa e garantir a não rotação da cabeça e do pescoço.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao receptor de imagem (RI)
e está na altura dos côndilos mandibulares (tangencia os incisivos centrais
superiores na maioria dos pacientes). Para encontrá-los, olhe dentro da
boca do paciente e encontre o ponto de junção da mandíbula com a maxila.
Distância foco-filme (Dfofi) de 1 metro. A colimação é na estrutura.
◦ Respiração: suspender a respiração.
• Incidências em AP ou PA para o dente:
◦ Nome alternativo: Fuchs (AP) ou Judd (PA).
◦ Posição do paciente: em decúbito ventral, para Judd, e em decúbito dorsal,
para Fuchs, com a linha mentomeatal (LMM) perpendicular à mesa. Deve
estar alinhado com a LMS da mesa e cabeça sem rotação. Muitos pacientes
não conseguirão deixar a LMM perpendicular à mesa, então é necessário
adaptar o RC à inclinação.
◦ Considerações técnicas: o RC, no método Fuchs, é paralelo à LLM,
direcionado ao mento, e, no Judd, direcionado ao ínio. A colimação é nas
estruturas e a Dfofi é de 1 m.
◦ Respiração: suspender a respiração.
• Incidência AP em mastigação ou mandíbula oscilante para o dente:
◦ Nome alternativo: método de Ottomello.
◦ Posição do paciente: em decúbito dorsal, alinhado à LMS da mesa. Linha
acantiomeatal (LAM) perpendicular à mesa. A mandíbula do paciente deve
estar em movimento: ele deverá abrir e fechar a boca rapidamente. Pode-se
treinar com ele antes de executar o exame, para garantir que ele movimentará
apenas a mandíbula, e não a cabeça.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao RI na cartilagem cricoide.
RI centralizado ao filme e Dfofi de 1 m. Colimação na estrutura.
◦ Respiração: suspender respiração.
33
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Incidência AP axial:
◦ Posição do paciente: em ortostase, bem alinhado com a linha médio sagital
da estativa, braços ao lado do corpo. Verificar se não há rotação da cabeça.
Para isso, deve-se tocar as mastoides do paciente para perceber se estão a
mesma distância (equidistantes) do chão (Figura 9).
◦ Considerações técnicas: o RC incide na cartilagem cricoide (C4), angulado
cefalicamente 15°. RI centralizado ao RC. Como o RC está angulado, é
importante lembrar que todas as estruturas estarão projetadas, então o filme
deve ser projetado também. Dfofi de 1 m. A colimação deve incluir os ângulos
mandibulares.
◦ Respiração: suspender a respiração.
FIGURA 9 – AP DE CERVICAL COM RC 15° CEFÁLICO
FONTE: A autora
• Incidência perfil:
◦ Posição do paciente: em perfil verdadeiro, com os braços soltos ao lado do
corpo (Figura 10). É importante que os ombros estejam relaxados e soltos para
baixo, a fim de possibilitar a visualização da articulação C7-T1. Para garantir
o alinhamento da cabeça, verifica-se se as mastoides estão equidistantes
do chão. A coluna deve estar alinhada na LMS, e não o pescoço. Estender
levemente o queixo para evitar sobreposição.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao filme, incidindo na
cartilagem cricoide. RI centralizado ao RC e Dfofi varia de 1,5 m a 1,8 m, de
acordo com o tamanho dos ombros (DOF). Colimação nas estruturas.
◦ Respiração: suspender a respiração.
34
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 10 – PERFIL DE CERVICAL
FONTE: A autora
• Incidência perfil de nadador:
◦ Nome alternativo: método de Twining para a região C4-T3.
◦ Posição do paciente: em ortostase, com os braços na posição do nadador – o
braço próximo à estativa deve ficar levantado e bem encostado na estativa,
o outro braço deve estar tracionado para baixo, com o ombro para baixo
(não permitir que o paciente contraia o ombro; Figura 11). Tórax e cabeça
alinhados com a LMS.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao filme, saindo na axila. RI
centralizado ao RC e Dfofi de 1,5 m a 1,8 m, dependendo do tamanho dos
ombros. Colimação nas estruturas.
◦ Respiração: suspender a respiração.
FIGURA 11 – PERFIL DE NADADOR
FONTE: A autora
35
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Incidência oblíquas anterior e posterior:
◦ Posição do paciente: em ortostase e bem alinhado com a LMS. Braços ao lado.
Girar o paciente em 45° (coluna e cabeça), conforme a Figura 12. Estender
o queixo e elevar levemente a cabeça, para tirar a mandíbula da linha de
observação. Sempre é necessário fazer as duas oblíquas, uma anterior e uma
posterior. É importante lembrar que, na oblíqua anterior (OA), o paciente
está de costas para o tubo e, na oblíqua posterior (OP), está de frente.
◦ Considerações técnicas: o RC varia de acordo com a posição. Nas OAs,
o RC é 15° caudal na cartilagem cricoide. Nas OPs, o RC é 15° cefálico na
cartilagem cricoide. O RI é centralizado, seguindo a projeção, e a Dfofi é de
1,5 m a 1,8 m, dependendo do tamanho dos ombros do paciente. A colimação
é na estrutura.
◦ Respiração: suspender a respiração.
FIGURA 12 – OA E OP DE CERVICAL
FONTE: A autora
• Incidência para trauma – perfil:
◦ Posição do paciente: em decúbito com colar cervical, geralmente, preso na
prancha do serviço de atendimento de emergência. Nunca soltar o paciente
ou movimentá-lo. Coloque a maca encostada na estativa e alinhe a cartilagem
cricoide com a LMS da estativa. Tracione os braços do paciente para baixo.
36
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
E
IMPORTANT
Uma dica, nesses casos, é colocar o seu colete de chumbo ao contrário. Isso
porque, ao tracionar, você ficará de costas para o feixe e, no uso tradicional, suas costas
ficarão expostas (os coletes são abertos atrás). Assim, ao vestir o colete ao contrário, será
possível se proteger da exposição.
◦ Considerações técnicas: RC ao nível da cricoide e Dfofi de 1,5 m a 2 m, de
acordo com os ombros e a distância do paciente da estativa. Colimar na
estrutura.
◦ Respiração: se o paciente estiver consciente, ele deve suspender a respiração;
se estiver inconsciente ou não colaborativo, observa-se a respiração, para
disparar o feixe de raios X no momento de menor movimento.
• Incidência para trauma – perfil de nadador:
◦ Nome alternativo: método de Twining para a região C4-T3.
◦ Posição do paciente: em decúbito com colar cervical, geralmente preso na
prancha do serviço de atendimento de emergência. Nunca soltar o paciente
ou movimentá-lo. Coloca-se a maca encostada na estativa e alinha-se a
cartilagem cricoide com a LMS da estativa. Elevar o braço mais próximo da
estativa e tracionar o outro braço do paciente para baixo.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao filme, saindo na axila. RI
centralizado ao RC e Dfofi de 1,5 m a 2 m, dependendo do tamanho dos
ombros. Colimação nas estruturas.
◦ Respiração: se o paciente estiver consciente, deve suspender a respiração;
se estiver inconsciente ou não colaborativo, observa-se a respiração, para
disparar o feixe de raios X no momento de menor movimento.
• Rotina dinâmica – incidências de hiperflexão e hiperextensão:
◦ Posição do paciente: em ortostase, em perfil verdadeiro e coluna alinhada
com a LMS. Ombros relaxados e soltos. Na hiperflexão, o paciente deve
encostar o queixo no tórax, se possível. Na hiperextensão, eleva-se a cabeça
para trás o máximo possível. Cuidar para o paciente não movimentar a
torácica, em vez da cervical. Realizar sempre as duas incidências. Na Figura
13, é possível visualizar ambas as posições.
37
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
ATENCAO
Deve-se ter muito cuidado com o paciente, pois é comum se movimentarem
muito rápido e ficarem tontos. Sempre encaixe uma das suas mãos na nuca e outra na testa
do paciente, para o retirar da posição aos poucos.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular ao filme na cartilagem cricoide.
RI centralizado ao filme e Dfofi de 1,5 m a 1,8 m, dependendo do tamanho
dos ombros. Colimado nas estruturas.
◦ Respiração: suspender a respiração.
FIGURA 13 – HIPEREXTENSÃO E HIPERFLEXÃO
FONTE: A autora
• Incidência AP axial para pilares (arco vertebral):
◦ Posição da parte: paciente alinhado na LMS, sem rotação da cabeça ou tórax.
Hiperestender o pescoço do paciente até a LMM ficar perpendicular à mesa.
◦ Considerações técnicas: RC com ângulo caudal de 20° na cartilagem cricoide.
RI centralizado ao RC e Dfofi de 1 m. Colimação na estrutura.
◦ Respiração: suspender a respiração.
38
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
3 INCIDÊNCIAS DA COLUNA TORÁCICA
A seguir, serão apresentadas as incidências relativas à coluna torácica e
os respectivos procedimentos, como posição do paciente, considerações técnicas
e necessidade ou não de o paciente suspender a respiração durante a realização
do exame.
• Incidência AP:
◦ Posição do paciente: em ortostase, com os braços ao lado do corpo e alinhado
com a LMS, como demonstrado na Figura 14.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular ao RI e 8 cm a 10 cm abaixo da
incisura jugular. RI alinhado ao RC, Dfofi de 1 m e colimação na estrutura.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração para manter a uniformidade
do contraste.
E
IMPORTANT
O ideal é sempre realizar as colunas em ortostase, para preservar a abertura
normal dos espaços articulares e não ocultar possíveis desvios. Contudo, para pacientes
pós-trauma, deve-se fazer com o paciente em decúbito dorsal e, se possível, com os
joelhos fletidos, para correta visualização da vértebra e da abertura dos espaços articulares.
FIGURA 14 – AP DE COLUNA TORÁCICA
FONTE: A autora
39
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Incidência perfil:
◦ Posição do paciente: em ortostase, com os braços à frente do corpo e apoiados
um no outro (posição da Jeannie é um gênio). Distribuir bem o peso sobre
ambas as pernas. Coluna alinhada a LMS da estativa (Figura 15).
ATENCAO
A coluna torácica tem uma grande concavidade, então, para alinhar a coluna
na LMS, deve-se traçar uma linha perpendicular ao chão, que passe pelas duas extremidades
da coluna, ou seja, por T1 e T12. Em seguida, fazer uma linha perpendicular ao chão, que
tangencie o ponto máximo da curvatura, geralmente ao nível da T7. Por fim, alinhar com a
LMS da estativa a linha média dessas duas primeiras e equidistante às duas
FIGURA 15 – PERFIL DE TORÁCICA
FONTE: A autora
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular e 8 cm a 10 cm abaixo da
incisura jugular. Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e RI alinhado ao RC.
Posicionar o RI cerca de 5 cm acima do ombro.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração, para uniformizar o contraste.
40
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
E
IMPORTANT
O ideal é sempre realizar as colunas em ortostase, para preservar a abertura
normal dos espaços articulares e não ocultar possíveis desvios. Contudo, para pacientes
pós-trauma, deve-se fazer com o paciente em decúbito lateral e com os joelhos e braços
fletidos, para a correta visualização da vértebra e da abertura dos espaços articulares,
corrigindo a curvatura abdominal para que todas as vértebras estejam no mesmo nível. Em
pacientes traumatizados e na maca, realizar na estativa, como é feito na cervical.
• Incidências oblíquas anterior e posterior:
◦ Posição do paciente: em ortostase, posicioná-lo em perfil e depois girar o
corpo em 20°, para ter um ângulo de 70° do paciente em relação à estativa.
Coluna alinhada a LMS. Para OP, o braço mais próximo da estativa fica
levantado e o outro, abaixado e afastado. Para OA, o braço mais próximo fica
abaixado e o outro, levantado. Pode ser realizada em decúbito, seguindo os
mesmos critérios (Figura 16).
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular e 8 cm a 10 cm abaixo da
incisura jugular. RI centralizado ao RC e 5 cm acima dos ombros. Dfofi
de 1 m e colimação na estrutura. Conferir a sombra projetada na estativa,
observando para não cortar.
◦ Respiração: prender em expiração.
FIGURA 16 – OA E OP DE TORÁCICA
FONTE: A autora
41
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
4 INCIDÊNCIAS DA COLUNA LOMBAR
As incidências de coluna lombar são muito utilizadas, pois são recorrentes
em traumas, mais especificamente em quedas.
• Incidência AP:
◦ Posição do paciente: em ortostase com a LMS alinhada à estativa, braços
ao lado do corpo e levemente afastados. Peso bem distribuído em ambas as
pernas. Pode ser feito em decúbito, nos mesmos casos da torácica (Figura 17).
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo 4 cm acima da crista
ilíaca. Dfofi de 1 m, RI centralizado ao RC e colimação na estrutura.
◦ Respiração: prender em expiração para manter a uniformidade do contraste.
ATENCAO
Cuidado: você pode perceber que, talvez, o seu umbigo esteja na mesma
altura da crista ilíaca. No entanto, nunca utilize o umbigo como referência, pois pacientes
que passam por cirurgia plástica, comumente, ficam sem umbigo ou, ainda, aqueles com
grande circunferência abdominal tendem a ter o umbigo projetado para baixo. Em ambos
os casos, o exame seria cortado e seria necessário expor novamente o paciente à radiação,
por descaso e descuido seu. Sempre pergunto aos meus alunos se eles gostariam de ser
atendidos dessa forma. Respeito ao paciente e aos perigos da radiação é tudo!
FIGURA 17 – AP DE LOMBAR
FONTE: A autora
42
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
• Incidência perfil:
◦ Posição do paciente: em perfil verdadeiro e braços na posição Jeannie é um
gênio. Peso bem distribuído entre as duas pernas. Pode ser realizado em
decúbito, conforme perfil de torácica da Figura 18.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular e 4 cm acima da crista ilíaca.
RI perpendicular ao RC, Dfofi de 1 m e colimar na estrutura.
◦ Respiração: prender em expiração.
FIGURA 18 – PERFIL DE LOMBAR
FONTE: A autora
• Incidências oblíquas anterior e posterior:
◦ Posição do paciente: em ortostase com giro de 45° em relação à estativa.
Coluna alinhada com a LMS. Peso bem distribuído entre as duas pernas.
Pode ser realizado em decúbito, seguindo os mesmos critérios (Figura 19).
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular e 4 cm acima da crista ilíaca.
RI centralizado ao RC, Dfofi de 1 m e colimar na estrutura, observando-se a
sombra projetada, para não cortar.
◦ Respiração: prender em expiração.
43
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 19 – OA E OP DE LOMBAR
FONTE: A autora
• Incidência AP axial para transição L5-S1:
◦ Posição do paciente: em decúbito ventral e alinhado com a LMS da mesa.
◦ Considerações técnicas: RC na espinha ilíaca anterossuperior (EIAS)
angulado em 30° cefálico, para homens, e 35°, para mulheres. RI centralizado
com a projeção do RC, Dfofi de 1 m e colimar na estrutura.
◦ Respiração: suspender.
• Incidência perfil para transição L5-S1:
◦ Posição do paciente: em decúbito lateral, com os joelhos fletidos e sem
rotação. Coluna alinhada a LMS da mesa. Usar apoio na curvatura em contato
com a mesa, para garantir que todas as vértebras estão no mesmo nível.
◦ Considerações técnicas: o RC é 4 cm inferior à crista ilíaca e 5 cm posterior
à EIAS, com angulação de 5° a 10°, dependendo do tamanho da pelve. RI
centralizado com a projeção do RC, Dfofi de 1 m e colimação na estrutura.
◦ Respiração: suspender.
5 INCIDÊNCIAS DE SACRO-CÓCCIX
Também muito solicitadas em casos de quedas, estão as incidências de
sacro e cóccix. A seguir, serão apresentadas junto aos respectivos procedimentos,
como posição do paciente, às considerações técnicas e à necessidade ou não de o
paciente suspender a respiração durante a realização do exame.
44
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
• Incidência AP axial do sacro:
◦ Posição do paciente: em decúbito dorsal alinhado a LMS da mesa e joelhos
fletidos, se possível.
◦ Considerações técnicas: o RC é entre a sínfise púbica e a EIAS e 15° cefálico.
RI centralizado na projeção do RC, Dfofi de 1 m e colimar nas estruturas
(Figura 20).
◦ Respiração: prender em expiração.
FIGURA 20 – AP DE SACRO
FONTE: A autora
• Incidência AP axial do cóccix:
◦ Posição do paciente: em decúbito dorsal alinhado a LMS da mesa e joelhos
fletidos, se possível (Figura 21).
◦ Considerações técnicas: o RC é 5 cm acima da sínfise púbica e 10° caudal. RI
centralizado na projeção do RC, Dfofi de 1 m e colimar nas estruturas.
◦ Respiração: prender em expiração.
FIGURA 21 – AP DE CÓCCIX
FONTE: A autora
45
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Perfil de sacro-cóccix:
◦ Posição do paciente: em decúbito lateral, com o sacro alinhado com a LMS,
pernas fletidas, como na Figura 22.
◦ Considerações técnicas: o RC é perpendicular de 8 cm a 10 cm posterior à
EIAS e a distância dependerá da lordose do paciente. RI centralizado, Dfofi
de 1 m e colimação na estrutura.
◦ Respiração: prender na expiração.
FIGURA 22 – PERFIL DE SACRO-CÓCCIX
FONTE: A autora
• Perfil de cóccix:
◦ Posição do paciente: em decúbito lateral, com o cóccix alinhado com a LMS
e pernas fletidas.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular 8 cm a 10 cm posterior e 5 cm
abaixo da EIAS. RI centralizado ao RC, Dfofi de 1 m e colimação na estrutura.
◦ Respiração: prender em expiração.
6 ROTINA PARA ESCOLIOSE
Uma das pesquisas de coluna mais comuns é a avaliação de escoliose e
vértebras fundidas. A seguir, serão descritas as rotinas para esses casos.
• Rotina para escoliose – PA ou AP:
◦ Posição do paciente: em ortostase, com peso distribuído em ambos os pés,
não forçar alinhamento. Realizar em decúbito somente com pedido médico.
Em casos de acompanhamento de escoliose, realizar em PA, para reduzir a
dose nas mamas. A técnica pode ser visualizada na Figura 23.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo no meio do filme, RI
4 cm abaixo da crista ilíaca. Dfofi de 1 m a 1,5 m (aumentar para caber a
estrutura no filme), colimação nas bordas do filme.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração.
46
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 23 – PA E P DE ESCOLIOSE
FONTE: A autora
• Rotina para escoliose – perfil
◦ Posição do paciente: em perfil com os braços na posição da Jeannie é um
gênio, peso bem distribuído e coluna alinhada com a LMS. Não forçar
alinhamento.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo no meio do filme, RI
4 cm abaixo da crista ilíaca. Dfofi de 1 m a 1,5 m (aumentar para caber a
estrutura no filme), colimação nas bordas do filme.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração.
• Rotina para escoliose – método de Ferguson:
◦ Posição do paciente: duas aquisições em PA, primeiro em ortostase (se
não for possível, realizar sentado) com os braços ao lado do corpo. Depois,
adicionar um bloco de 8 cm embaixo do pé ou quadril na convexidade
e tentar alinhar a coluna do paciente (não forçar). O método pode ser
observado na Figura 24.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo no meio do filme, RI
4 cm abaixo da crista ilíaca. Dfofi de 1 m a 1,5 m (aumentar para caber a
estrutura no filme), colimação nas bordas do filme.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração.
47
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 24 – PA ESCOLIOSE COM E SEM BLOCO
FONTE: A autora
• Rotina para escoliose – inclinações:
◦ Posição do paciente: duas aquisições, com paciente em decúbito e alinhado a
LMS. Sem mover a pelve, ele deve inclinar-se para um lado o máximo possível
e, depois, para o outro lado, como na Figura 25. Realizar em ortostase com
o pedido médico, pois o paciente em pé roda a pelve anteriormente no lado
oposto da inclinação.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo no meio do filme, RI
4 cm abaixo da crista ilíaca. Dfofi de 1 m a 1,5 m (aumentar para caber a
estrutura no filme), colimação nas bordas do filme.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração.
FIGURA 25 – INCLINAÇÕES DA COLUNA
FONTE: A autora
48
TÓPICO 4 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DA COLUNA VERTEBRAL
• Rotina de fusão – hiperflexão e hiperextensão:
◦ Posição do paciente: duas incidências, com o paciente em decúbito lateral
e alinhado a LMS, com pernas fletidas. Sem mover a perna, flexionar todo
o corpo até ficar em posição fetal. Depois, hiperestender o corpo o máximo
possível, como na Figura 26.
◦ Considerações técnicas: RC perpendicular e incidindo no meio do filme ou na
fusão, se ela for conhecida, RI 4 cm abaixo da crista ilíaca. Dfofi de 1 m a 1,5 m
(aumentar para caber a estrutura no filme), colimação nas bordas do filme.
◦ Respiração: prender a respiração em expiração.
FIGURA 26 – HIPERFLEXÃO E HIPEREXTENSÃO DA COLUNA
FONTE: A autora
Realizar os posicionamentos seguindo todos os parâmetros, além de
utilizar lógica e rapidez no atendimento dos pacientes, é de extrema importância,
pois garante que a imagem terá qualidade técnica e auxilia na realização de um
diagnóstico correto e rápido.
49
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Existem muitos posicionamentos de coluna e cada parte tem a sua
particularidade. Com o portfólio apresentado neste tópico, você poderá
verificar cada um dos critérios de qualidade e utilizar as dicas dadas sobre a
realização do exame com lógica e rapidez.
• Deve-se realizar as incidências da cervical sempre com a máxima atenção, para
incluir a vértebra de transição, e com cuidado nos casos de pacientes em uso de
colar cervical.
• Sempre realizar os exames com o paciente descalço e em ortostase, para garantir
compressão e alinhamentos iguais aos naturais do paciente.
50
AUTOATIVIDADE
1 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Para o método de Ferguson, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Utilizado para avaliar cifose.
b) ( ) Realizado em decúbito.
c) ( ) Utilizar bloco na concavidade.
d) ( ) Utilizar bloco na convexidade.
2 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Assinale a alternativa que descreve a rotina de sacro-cóccix:
a) ( ) AP de sacro, AP de cóccix e P de sacro.
b) ( ) AP de cóccix, P de sacro-cóccix e AP de sacro.
c) ( ) P de cóccix, AP de L5-S1 e P de sacro.
d) ( ) AP de L5-S1, P de L5-S1.
3 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Descreva a rotina de cervical.
4 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Descreva a rotina de torácica.
5 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Descreva a rotina de lombar.
6 Por que é importante realizar os exames de coluna em ortostase e sem
calçados?
7 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que
isso representa. Sobre a incidência oblíqua de coluna cervical, assinale a
alternativa CORRETA:
a) ( ) Em OA, o RC é 15° cefálico.
b) ( ) Em OA, o RC é 25° caudal.
c) ( ) Em OP, o RC é 25° caudal.
d) ( ) Em OP, o RC é 15° cefálico.
51
8 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Sobre a rotina de escoliose, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A pelve deve ser movimentada no posicionamento, para garantir o
máximo de inclinação.
b) ( ) O RC incide 40 cm acima da borda inferior do filme, de modo a ficar no
centro do filme.
c) ( ) O RI é posicionado de 3 a 5 cm acima da crista ilíaca, a fim de incluir
toda a sínfise púbica.
d) ( ) O exame é realizado em expiração, para reduzir o contraste da região
pulmonar.
9 É importante conhecer os métodos de aquisição para cada área e o que isso
representa. Sobre a rotina de sacro-cóccix, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O RC para cóccix é 15° caudal.
b) ( ) O RC para sacro é 15° cefálico.
c) ( ) O RC para sacro é na altura das cristas ilíacas.
d) ( ) O RC para cóccix é 10 cm abaixo da sínfise púbica.
52
TÓPICO 5 —
UNIDADE 1
ANATOMIA DAS IMAGENS
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, vamos entender como identificar as características da
imagem, pois um bom profissional precisa mais do que apenas realizar o exame
– deve saber avaliar com critério a imagem feita.
2 ANATOMIA DAS IMAGENS
Para a radiografia transoral, é importante que o dente e o corpo da C2
sejam bem visualizados, e a articulação zigapofisária C1-C2 deve estar bem
aberta. A radiografia foi bem executada quando nem os dentes nem o occipital se
sobrepõem ao processo odontoide. Se as massas laterais estiverem equidistantes,
é sinal de que a cabeça do paciente não está rodada. O mesmo poderá ser visto na
incidência de mandíbula móvel, embora com maior dificuldade. Já em AP e PA, a
visualização do processo odontoide será dentro do forame magno.
No AP de cervical, deve-se visualizar os ângulos da mandíbula e os
primeiros e segundos pares de arcos costais, a fim de garantir que toda a cervical
foi adquirida. A visualização da C2 e da C1 é impossibilitada pela mandíbula.
São visualizados os corpos vertebrais de C3 a T2, os espaços dos discos, a ponta
dos processos espinhosos (no centro do corpo vertebral da vértebra abaixo), os
processos transversos e os pedículos; no centro do corpo vertebral, também é
possível observar o ar dentro da traqueia.
A ausência de rotação é garantida pelos ângulos mandibulares
equidistantes da base do filme, pelas articulações esternoclaviculares
equidistantes da borda do filme e pela não visualização somente de C2 e C1
– caso C3 não esteja visível, isso significa que a cabeça ficou muito abaixada.
A Figura 27 apresenta uma radiografia de AP de cervical, importante para
identificar as estruturas listadas.
53
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 27 – AP DE COLUNA CERVICAL
FONTE: <[Link]
old_male_-_anteroposterior.jpg>. Acesso em: 4 set. 2020.
No exame de perfil da cervical, os espaços articulares e os corpos
vertebrais devem estar bem alinhados, não sendo possível a visualização da
base do corpo vertebral. A articulação zigapofisária C7-T1 deve ser visualizada;
do contrário, indicará que os ombros não foram corretamente tracionados.
Os ângulos da mandíbula devem estar sobrepostos. À frente das vértebras, é
possível observar uma linha escura, que é o ar na traqueia. Na Figura 28, temos
um perfil de cervical, que ajuda a identificar essas estruturas vertebrais.
FIGURA 28 – PERFIL DE CERVICAL
FONTE: <[Link]
Acesso em: 4 set. 2020.
54
TÓPICO 5 — ANATOMIA DAS IMAGENS
Nessa imagem, podemos avaliar alguns espaços específicos. O tamanho
do forame magno pode ser avaliado pela linha de McRae e o espaço raquidiano
também pode ser medido, sendo, na atlas, de 14 mm e, no resto da cervical, de
12 mm aproximadamente. Valores inferiores podem indicar pseudoartrose da
atlas ou compressão medular. Já o intervalo atlantoaxial é utilizado para avaliar
instabilidade associada à síndrome de Down, artrite reumatoide e trauma, espaço
que deve ter no máximo 3 mm, em adultos, e 5 mm, em crianças.
Na rotina tradicional de trauma, sempre deve ser adicionado o perfil de
nadador. Nessa incidência, deve-se obrigatoriamente visualizar a transição C7-
T1, pois, sem essa visualização, o paciente não pode tirar o colar cervical. Além da
transição, podem-se ver os corpos vertebrais de C4 a T3, bem como seus espaços.
Isso também pode ser aplicado para incidências no trauma, mas é necessário
lembrar que, nesses casos, os artefatos são esperados.
NOTA
Na Radiologia, chamamos de artefato qualquer objeto que poderia ser retirado
do paciente, como brincos, colares e até os pregos das macas dos serviços de emergência.
Já para tudo aquilo que não deveria estar no corpo, mas, por um motivo qualquer, está,
como um anel engolido, denomina-se achado – tal qual uma vértebra extranumerária ou
uma fratura.
Nas radiografias oblíquas, é possível visualizar os forames intervertebrais
e os pedículos. Uma boa radiografia não demonstra o ramo mandibular em cima
da coluna (cabeça projetada para a frente) e a angulação correta do RC garante as
aberturas discais.
Nas radiografias dinâmicas de hiperextensão e hiperflexão, serão
observadas a curvatura e a amplitude da coluna e da estabilidade articular; na
hiperflexão, notam-se os processos espinhosos bem separados uns dos outros e,
na hiperextensão, quase sobrepostos. Essas radiografias são muito utilizadas após
um longo tratamento com colar cervical ou mesmo cirurgia da coluna cervical.
Todavia, é necessário pedir que o médico retire o colar cervical, sendo que, em
muitas clínicas, é comum pedir que ele assine no caderno ou aponte no sistema
que retirou o colar do paciente. Na Figura 29, você pode identificar as estruturas
tanto da hiperextensão quanto da hiperflexão.
55
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
FIGURA 29 – FLEXÃO E EXTENSÃO DE CERVICAL
FONTE: <[Link]
Acesso em: 4 set. 2020.
A incidência de AP para pilares serve para demonstrar bem os arcos
vertebrais que são formados pelas massas laterais dos processos transversos, os
quais aparecem sobrepostos e separados pelas articulações zigapofisárias.
Para avaliar se a incidência de AP de torácica está bem realizada, observe
as articulações esternoclaviculares, que devem ser vistas no topo do filme e
equidistantes da coluna. A colimação deve ser bem fechada em torno da coluna e
devem ser visualizados corpos vertebrais, espaços discais, processos transversos
e articulações costovertebrais, sendo que os processos espinhosos se apresentam
centrados no topo do corpo da vértebra de baixo.
Para contar as vértebras torácicas, nunca comece de baixo para cima, pois
é muito comum que a torácica apresente vértebras extranumerárias. Inicie sempre
pela T1, basta lembrar que ela se articula com o primeiro par de arcos costais; pare
a contagem quando chegar na L1. A Figura 30 mostra uma imagem de coluna
torácica. Apesar de realizarmos em expiração, o contraste ainda é prejudicado
pela curvatura da coluna. Tente contar as vértebras e identificar suas partes.
56
TÓPICO 5 — ANATOMIA DAS IMAGENS
FIGURA 30 – AP DE COLUNA TORÁCICA
FONTE: <[Link]
Acesso em: 4 set. 2020.
No perfil de torácica, visualizamos muito bem corpos vertebrais, espaços
discais e processos transversos. As vértebras superiores tendem a não ser bem
visualizadas, por conta das demais estruturas do corpo. Uma radiografia dessa
incidência pode ser vista na Figura 31, então tente identificar suas estruturas.
FIGURA 31 – COLUNA TORÁCICA EM PERFIL
FONTE: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 4 set. 2020.
57
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
Por fim, nas incidências de coluna torácica, têm-se as incidências oblíquas,
as quais apresentam as articulações zigapofisárias.
Na incidência de AP de lombar, os corpos vertebrais são visualizados
com os processos espinhosos centrados na parte inferior do corpo vertebral. É
importante que a articulação sacroilíaca apareça por inteiro e que a transição
T12-L1 esteja completamente inclusa na imagem; assim, é fundamental que o
último par costal apareça na imagem. O tamanho das articulações sacroilíacas
define se a pelve está ou não rodada. A Figura 32 representa um AP de lombar;
observe bem a imagem e tente identificar as estruturas.
FIGURA 32 – AP DE COLUNA LOMBAR
FONTE: <[Link] Acesso em: 4 set. 2020.
Para a avaliação do perfil de lombar, é importante que os corpos vertebrais
estejam bem perfilados. Os corpos se apresentam anteriores. É possível visualizar
também forames intervertebrais, processos espinhosos e pedículos. Dependendo
da solicitação médica, todo o sacro deve ser incluído na imagem. Use a Figura 33
para identificar as estruturas.
58
TÓPICO 5 — ANATOMIA DAS IMAGENS
FIGURA 33 – PERFIL DE COLUNA LOMBAR
FONTE: <[Link] Acesso em: 4 set. 2020.
Nas incidências oblíquas de lombar, apresentam-se bem as articulações
zigapofisárias. Essas imagens são conhecidas como imagens do cachorrinho
e ele, obrigatoriamente, deve aparecer. O nariz é o processo transverso, o olho
é o pedículo, a orelha é o processo articular superior e a patinha dianteira é o
processo articular inferior.
DICAS
Vamos pesquisar? Procure na internet cinco imagens diferentes de oblíquas de
lombar, imprima e desenhe o cachorrinho nelas.
Nas imagens de AP de sacro, deve-se visualizar os forames sacrais,
as articulações sacroilíacas e L5-S1. O sacro deve estar projetado no centro da
abertura pélvica. Nas imagens de AP do cóccix, é o cóccix que aparece projetado
na abertura pélvica, sem sobreposição da sínfise púbica. As articulações coccígeas
aparecem separadas e bem centradas na abertura. Já no perfil de sacro-cóccix,
ambos devem estar bem visualizados e centrados no filme.
59
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
2.1 ÂNGULO DE COBB
O ângulo de Cobb é utilizado pelos médicos para determinar o grau de
curvatura da coluna. Para isso, o radiologista deve traçar duas retas nas vértebras
mais inclinadas acima e abaixo, depois desenhar uma linha perpendicular que
tangencia os corpos vertebrais dessas duas vértebras. Essas são as linhas base.
Em seguida, traçar algumas retas perpendiculares nas vértebras centrais e medir
o ângulo entre elas. O ideal é que o ângulo seja igual a 0, pois qualquer valor
diferente revela algum nível de escoliose. Entretanto, todos nós temos algum
grau de escoliose, devido às más posturas do dia a dia.
2.2 MÉTODO FERGUSON
Outro método para avaliar a escoliose é o de Ferguson, no qual são
marcados três pontos das vértebras: nas duas das pontas da curvatura e na mais
rodada, traça-se uma reta ligando as duas primeiras vértebras marcadas e depois
as duas últimas, medindo-se o ângulo entre elas.
NOTA
Sugestões de leitura: vamos aprofundar um pouco o nosso estudo com a leitura
dos artigos Mensuração da Curva Escoliótica pela Técnica de Cobb Intraobservadores e
Interobservadores e sua Importância Clínica, de Godinho (2011), e Reprodutibilidade do
Método Cobb na Medição da Lordose Lombar de Crianças Utilizando Diferentes Níveis
Vertebrais, de Sedrez et al. (2019), que falam sobre o uso do método de Cobb. Faça uma
reflexão sobre eles e sobre o quanto você, enquanto profissional, pode auxiliar para que o
médico possa avaliar corretamente as imagens adquiridas.
Para a avaliação da lordose e da cifose, é necessária uma incidência da
coluna total e uma da pelve em perfil (fazer um perfil de lombar com um filme
maior e colocar o RC na crista ilíaca). O radiologista avaliará o balanço sagital
da pelve e coluna. Primeiro, ele realizará as medidas da incidência pélvica, que
é o ângulo entre o platô e a linha que passa pelas cabeças femorais. Essa medida
ajuda a avaliar a lordose lombar. Já a versão pélvica é o ângulo formado pela
LMS e a linha formada pela cabeça femoral e o platô pélvico. Em seguida, mede-
se o ângulo formado por uma linha de referência e o platô pélvico, chamado de
inclinação sacral. Essas medidas ajudam a avaliar os graus de lordose e cifose,
pois a pelve tende a se projetar para a frente (lordose) ou para trás (cifose) para
equilibrar a coluna com desvio.
60
TÓPICO 5 — ANATOMIA DAS IMAGENS
2.3 OUTRAS MEDIDAS RADIOGRÁFICAS
As medidas radiográficas são importantes para a avaliação médica, por
isso realizar um exame de qualidade é imprescindível. A seguir, estão algumas
medidas que também podem ser obtidas a partir de radiografias:
• Distância interpedicular: para obter essa medida, é importante realizar a
aquisição em AP. O médico medirá a distância entre as superfícies mediais dos
pedículos de uma vértebra específica.
• Medida da distância atlas-odontoide: realizar a radiografia com o paciente
em perfil e a cabeça em posição neutra. É medida a distância entre a margem
posteroinferior do arco anterior da atlas e a face anterior do dente da axis.
• Junção atlantoaxial na síndrome de Down: realizar radiografia da cervical
em perfil, hiperflexão e hiperextensão. O médico medirá a distância atlanto-
odontoide e a largura do canal medular. Essa avaliação é feita principalmente
em pessoas com Down que desejam praticar atividades esportivas. Pessoas que
apresentarem distância maior que 4,5 mm devem ter restrições esportivas, se
elas envolverem trauma em cabeça ou pescoço.
• Detecção de luxação atlanto-occipital anterior: realizar o exame em perfil
verdadeiro. O médico verificará a razão básio-arco posterior/opístio-arco
anterior. Se o valor for menor que 1,0, não há luxação.
• Junção atlanto-occipital (linha x): realizar perfil de cervical na mesa. O médico
desenhará uma linha do básio até C2 e outra do opístio até C2. O nível de
cruzamento das linhas indicará se há ou não luxação.
• Intervalo básio-processo odontoide: realizar radiografia de perfil de cervical
na mesa. O médico medirá a distância do básio ao dente da áxis. Essa medida
auxilia na detecção de luxação atlanto-occipital.
• Intervalo básio-axial: realizar radiografia de perfil de cervical. É importante
demonstrar o básio. Desenha-se uma linha tangenciando a face posterior da
áxis e mede-se a distância desta linha ao básio. Essa medida ajuda a avaliar a
luxação atlanto-occipital.
• Junção atlanto-occipital: com o receptor de imagem em pé, realizar perfil de
crânio. O médico medirá as distâncias articulares em cinco pontos equidistantes.
Alterações nas medidas indicam deslocamento na articulação, pois, na
articulação normal, o espaço articular é equidistante em todos os pontos.
• Relações atlantoaxiais posteriores: realizar hiperflexão de cervical. São medidas
a altura do arco posterior da atlas e a distância interapofisária em flexão. Valores
acima de 2 mm em flexão indicam lesão dos ligamentos posteriores.
• Diferença entre subluxação verdadeira e pseudo-subluxação de C2-C3 em
crianças: traça-se uma linha que toca os processos espinhosos e, se a distância
for maior que 2 mm, tem-se uma luxação.
• Distância interapofisária na luxação de cervical: realizar o AP de cervical
em decúbito dorsal. O médico medirá as distâncias da ponta dos processos
espinhosos e comparará. Se alguma das medidas apresentar valor 150% maior
que a de cima ou a de baixo, isso caracterizará luxação anterior. Essa técnica
pode ser utilizada para as vértebras cervicais finais, quando, mesmo com a
tração dos braços, não conseguimos visualizá-las com clareza.
61
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
• Diâmetro sagital do canal medular cervical em bebês: com a imagem em perfil
verdadeiro e Dfofi de 90 cm, o médico realizará uma subtração das medidas da
distância do corpo à lâmina e sua altura.
• Diâmetro sagital da medula cervical em adultos: realizar a radiografia de perfil
com o paciente em posição neutra da cabeça e sentado. O médico medirá a
distância do corpo vertebral à lâmina.
• Medida da cifose torácica: realizar a incidência de perfil de torácica. Utiliza-se
o mesmo padrão visto no ângulo de Cobb.
• Comprimento da coluna torácica em recém-natos: realizar AP de torácica e,
então, mede-se da primeira à última vértebra. Valores altos indicam que a mãe
é diabética e abaixo, que houve atraso no crescimento intrauterino.
• Comprimento da coluna torácica em crianças até 16 anos: em pacientes com
menos de dois anos, realizar o AP em decúbito; acima dessa idade, realizar em
ortostase; todos com Dfofi de 1,8 m. Novamente, deve-se medir da T1 a T12.
• Medida do ângulo lombossacro: realizar incidência de transição L5-S1 em
ortostase. Paciente em perfil. O médico passará uma linha no ápice do corpo
do S1 e uma linha paralela à base do filme. O ângulo entre elas é o ângulo
lombossacro.
• Altura dos discos lombares normais: realizar exame em perfil, em posição
neutra. A medida é feita da seguinte maneira: (altura anterior do disco – altura
posterior do disco) x 100% / profundidade do disco.
• Altura do disco lombossacro com e sem vértebras transicionais: realizar exames
de AP e perfil. A altura é expressa por uma proporção das alturas dos outros
discos.
• Corpo vertebral e índice de disco: realizar perfil verdadeiro em decúbito. É
feita a divisão da espessura do disco pela altura do corpo e o valor é comparado
com o da vértebra abaixo.
• Diâmetro sagital da medula lombar: realizar perfil de coluna. O diâmetro é
medido para cada vértebra do corpo da vértebra até o arco neural.
• Medida da medula para detecção de estreitamento: realizar AP e perfil de
lombar. Em AP, a medida vai do corpo vertebral até o processo espinhoso e,
em perfil, é a distância interpedicular. Variações grandes nos valores indicam
estreitamento do canal medular.
62
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você aprendeu que:
• As imagens de coluna podem dar muitas informações além de desvios e
fraturas, e ainda podem ser traiçoeiras, por isso sempre conte as vértebras
da imagem e as identifique, observando suas características anatômicas para
garantir a qualidade.
• É importante sempre cuidar para que os espaços vertebrais fiquem bem abertos
e que a imagem reproduza o formato correto da coluna. Para isso, deve-se tirar
os calçados do paciente, utilizar uma boa técnica na aquisição da imagem e
avaliar com cuidado a imagem adquirida, pois, assim, o médico conseguirá
medir os espaços e determinar a terapêutica com facilidade.
63
AUTOATIVIDADE
1 Entender a imagem e reconhecer as estruturas é parte fundamental da
profissão. Sobre a contagem de vértebras torácicas, assinale a alternativa
CORRETA:
a) ( ) O correto é colocar o filme dois dedos acima do ombro e obter a imagem
com 12 vértebras.
b) ( ) Deve-se sempre começar a contar pela lombar e de baixo para cima.
c) ( ) Deve-se sempre começar a contar de cima para baixo, a partir do
primeiro par de arcos costais.
d) ( ) Deve-se sempre começar a contar a partir do segundo par de arcos
costais.
2 Entender a imagem e reconhecer as estruturas é parte fundamental da
profissão. Sobre a contagem das vértebras lombares, assinale a alternativa
CORRETA:
a) ( ) O correto é colocar o filme dois dedos acima do último arco costal e
obter a imagem com 6 vértebras.
b) ( ) Deve-se sempre começar a contar pela torácica e de baixo para cima.
c) ( ) Deve-se sempre começar a contar de cima para baixo, a partir do sacro.
d) ( ) Deve-se sempre começar a contar a partir do segundo par de arcos
costais.
3 Entender a imagem e reconhecer as estruturas é parte fundamental da
profissão. Na imagem de perfil de cervical, qual dos critérios listados
garante que a imagem será de qualidade?
a) ( ) MAEs sobrepostas.
b) ( ) Sela túrcica em uma angulação de 37° caudais.
c) ( ) Articulações esternoclaviculares distantes 5 cm entre si.
d) ( ) Ângulos da mandíbula distantes 3 cm entre si.
4 Entender a imagem e reconhecer as estruturas é parte fundamental da
profissão. A sobra radiolúcida centralizada nos corpos vertebrais que pode
ser visualizada no AP de cervical é:
a) ( ) O esôfago.
b) ( ) O estômago.
c) ( ) A traqueia.
d) ( ) A adenoide.
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TÓPICO 6 —
UNIDADE 1
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
1 INTRODUÇÃO
O posicionamento correto garante um diagnóstico mais preciso e a
qualidade do serviço radiológico também está associada a uma imagem bonita e
mais próxima da realidade do paciente.
Contudo, isso não tem valor sem a prática das medidas de segurança
corretas por parte do profissional, que envolvem a técnica correta, o uso de proteção
radiológica e a redução do gasto de materiais e da vida útil dos equipamentos.
2 PROTEÇÃO RADIOLÓGICA PARA COLUNAS
Para exames de coluna, o uso do colete de chumbo se torna impossível,
em função de sua projeção nas imagens adquiridas. Assim, é possível fazer uso
de saiote de chumbo, protetor de tireoide, protetor gonadal e óculos de chumbo.
O Quadro 5 apresenta as principais sugestões para a proteção radiológica em
exames de coluna.
QUADRO 5 – PROTEÇÃO RADIOLÓGICA PARA COLUNA
Região Cuidados
Cervical Uso de saiote de chumbo
Torácica Uso de óculos de chumbo e protetor gonadal
Lombar Uso de óculos de chumbo
Sacro-cóccix Uso de colete, mas acima da cintura, e óculos de chumbo
FONTE: A autora
A colimação também é um item importante, por isso deve-se centralizar
a luz de colimação na estrutura apenas, cerca de 5 cm para cada lado da coluna,
usando a maior Dfofi possível sempre. Se perceber que o paciente realiza
rotineiramente um exame de coluna, dê preferência para as aquisições em PA.
65
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
3 CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
Em muitas cidades do Brasil, ainda encontramos sistemas tela-filme.
Nesses casos, sempre divida o filme para evitar gastos e otimizar as imagens.
Nos posicionamentos apresentados ao longo desta unidade, não falamos
de filmes, então sempre escolha o do tamanho da estrutura a ser estudada. Na
Tabela 1, são listadas opções de tamanho dos filmes; caso não tenha a medida
correta, escolha sempre um tamanho acima.
TABELA 1 – TAMANHOS DE RECEPTORES DE IMAGEM
Região Tamanho
Cervical 18x24 (AP) e 24x30 nos demais
Torácica 30x40
Lombar 24x30 ou 30x40
Sacro-cóccix 18x24
Escoliose 35X43
FONTE: A autora
Quanto à técnica a ser utilizada, sempre respeite o cálculo e nunca utilize
o famoso “olhômetro”. Respeite também a carta técnica do equipamento. Sempre
observe o tamanho da estrutura e a distância que ela está do receptor de imagem
para selecionar qual lado ficará do lado do cátodo (sempre o mais espesso). Em
todo caso, a Tabela 2 mostra algumas sugestões para as rotinas básicas.
TABELA 2 – TÉCNICAS PARA COLUNAS
Incidência mAs kVp
Transoral 32 55
AP de cervical 25 50
P de cervical 40 57
Nadador 64 66
Hiperflexão e hiperextensão 32 66
AP de torácica 80 63
P de torácica 100 73
AP de lombar 64 73
P de lombar 70 77
Oblíqua de lombar 70 77
AP de sacro 100 80
AP de cóccix 100 80
P de sacro-cóccix 120 85
FONTE: A autora
66
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
4 FLUXOGRAMA DA REALIZAÇÃO DO EXAME
A Figura 34 apresenta um fluxograma com as etapas do atendimento para
colunas. Se quiser, elabore o seu próprio passo a passo, pois o importante é você
compreender que é preciso lógica e rapidez no atendimento – e o fluxograma é
um resumo que pode auxiliar nisso.
FIGURA 34 – FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO
67
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
Realizar técnica
preestabelecida
com proteção
FONTE: A autora
68
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
MENSURAÇÃO DA CURVA ESCOLIÓTICA PELA TÉCNICA DE
COBB INTRAOBSERVADORES E INTEROBSERVADORES E SUA
IMPORTÂNCIA CLÍNICA
Rigel Rego de Sá Godinho
Renato Hiroshi Salvioni Ueta
David Del Curto
Délio Eulálio Martins
Marcelo Wajchenberg
Eduardo Barros Puertas
Foram utilizadas 22 radiografias simples da coluna toracolombar, em
ortostase, na incidência posteroanterior, de pacientes portadores de escoliose
idiopática, entre 5 e 37 anos de idade, em acompanhamento regular no ambulatório
do Grupo da Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Escola
Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp). Para
a obtenção dos exames, os pacientes não foram submetidos a alguma carga de
radiação além daquela já necessária para o seu acompanhamento ambulatorial.
Os exames foram avaliados por quatro diferentes categorias de profissionais
ortopedistas e cirurgiões da coluna vertebral: Residente de Ortopedia e
Traumatologia (três anos de experiência), sendo nomeado Res-OT; Especializando
em Cirurgia da Coluna Vertebral (quatro anos de experiência), nomeado como
Esp-Col; Cirurgiões ortopedistas da Coluna Vertebral com seis e quinze anos de
experiência, chamados de Cir-Jr. e Cir-Sênior, respectivamente. Foi realizada a
mensuração das curvas escolióticas através do método descrito por Cobb, a qual
todos os avaliadores estavam familiarizados. As vértebras terminais das curvas não
foram previamente marcadas, para analisar a interpretação de cada profissional
em relação a identificação das vértebras que pertencem à curva, sendo somente
considerado concordantes quando os níveis superior e inferior foram semelhantes.
Somente foram mensuradas as curvas principais (consideradas as de maior valor
angular) de cada radiografia. Os nomes dos pacientes na identificação dos exames
foram subtraídos e substituídos por etiquetas numeradas aleatoriamente (Figura
1). Foram utilizadas a mesma régua própria para medição de curva escoliótica de
haste única, a mesma lapiseira e as mesmas condições para todos os participantes
(Figura 2). Após a primeira medição por cada um dos profissionais, nova medição
por cada um dos representantes de cada categoria foi realizada, mas com nova
organização na ordem de identificação numérica dos exames e intervalo mínimo
de duas semanas entre a primeira e a segunda medição, com o intuito de reduzir
algum efeito de memorização.
69
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
Figura 1 – Exemplo de imagem radiográfica anteroposterior utilizada para mensuração angular
de coluna escoliótica
Figura 2 – Material utilizado para mensuração manual
Foram excluídos pacientes submetidos a alguma cirurgia prévia na coluna
vertebral, aqueles com alguma anomalia congênita e aqueles com radiografias
que apresentaram características não compatíveis com escoliose idiopática, além
de paciente gestante. O estudo utilizou a infraestrutura do Hospital São Paulo,
tendo o ambulatório do Grupo da Coluna do Departamento de Ortopedia e
Traumatologia EPM-Unifesp como o principal local de processamento de suas
etapas. Este estudo foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de São Paulo, sob o protocolo 0298/11.
70
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
Foram observados, quanto às medidas dos ângulos, concordâncias
excelentes entre as avaliações intraobservadores (1ª e 2ª medição), e observadas
concordâncias excelentes entre as avaliações interobservadores (na 1ª e 2ª
medição), uma vez que o CCI em todas as situações se manteve maior que 0,75,
que representa excelente reprodutibilidade. Foram observadas concordâncias
excelentes entre as avaliações interobservadores (na 1ª medição) quanto às medidas
dos ângulos, com um CCI = 0,945. Em relação as medidas intraobservadores
das curvas mensuradas, notamos grande variação nos valores obtidos pelo
observador especializando em coluna, mostrando desvio padrão (13,58°). Por
outro lado, a menor variação foi observada quando avaliados os valores medidos
pelo residente em ortopedia, com desvio padrão de 5,29°, seguido pelo cirurgião
sênior, com variação de 6,67°.
Ao analisarmos as medidas inter-observadores notamos que a maior
variação ocorreu quando as curvas foram medidas pelo residente em ortopedia,
comparado com o especializando em cirurgia de coluna, com desvio padrão de
12,72°. No entanto, observamos que a variação entre os avaliadores foi próxima
a 10°. Ao observarmos a concordância dos níveis mensurados intraobservadores,
percebemos maiores concordâncias entre os observadores cirurgião sênior e
residente em Ortopedia, com valores de 63,9% e 59%, respectivamente. Quando
analisado a concordância interobservadores dos níveis mensurados, observa-
se uma maior porcentagem quando comparados o residente em Ortopedia e o
cirurgião de coluna sênior, de 54,5%; e uma menor concordância entre o residente
em ortopedia e o cirurgião de coluna júnior, de 22,7% (Tabela 5).
As medidas individuais dos ângulos, de cada radiografia dos os pacientes
envolvidos nesse estudo, estão ilustradas na Figura 3, o qual mostra os resultados
obtidos por todos os observadores, tanto na 1ª quanto na 2ª medição.
Figura 3 – Medidas individuais dos ângulos pela técnica de Cobb nas diferentes medições
71
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
Muitos estudos avaliaram variações nas mensurações de curvas
escolióticas pelo método de Cobb, tanto intraobservadores e interobservadores.
A mensuração manual do ângulo de Cobb depende da experiência e julgamento
do profissional que está fazendo a medição. A seleção da vértebra terminal,
tanto cranial quanto caudalmente, pertencentes à curva, enquadra-se como
importante parâmetro para a mensuração da curva escoliótica idiopática.
Devido a influência que esta seleção representa para determinar o valor da
curva na escoliose idiopática, no nosso estudo avaliamos a concordância intra e
interobservador em relação aos níveis mensurados.
Observou-se no nosso estudo concordâncias excelentes entre as avaliações
inter e intraobservadores, mesmo com todas as adversidades existentes
relacionadas à mensuração manual. Podemos ressaltar dados interessantes no
que diz respeito tanto à porcentagem de concordância intra e interobservadores
em relação aos níveis incluídos na curva escoliótica, quanto à variação em graus
das mensurações das mesmas.
Observamos concordância para a escolha dos níveis de 59% apresentada
pelo residente em Ortopedia na análise intraobservacional, menor apenas que a
concordância do cirurgião sênior, de 63,9%, dentre todos os quatro profissionais
envolvidos. Chama a atenção o fato de o menos experiente dos observadores
ter obtido resultados mais concordantes que o especializando em coluna e do
que o cirurgião Júnior. Esta situação pode ser explicada pela maior cautela de
um profissional menos familiarizado com a técnica que irá empregar para a
mensuração do exame, o que pode levar a obtenção de melhores resultados do que
de outro profissional mais experiente que, por ter supostamente mais intimidade
com a técnica, pode aplicá-la de maneira menos atenciosa. Quando analisamos as
concordâncias interobservadores dos níveis escolhidos, observamos que a maior
porcentagem é justamente entre os dois observadores com maior concordância no
estudo intraobservacional, ou seja, o residente em ortopedia e o cirurgião sênior,
que apresentam uma concordância dos níveis vertebrais de 54,5%.
Na análise da mensuração, em graus, das curvas no estudo
intraobservacional, a variação obtida pelo residente em Ortopedia foi nessa ocasião
a melhor, sendo 5,29°, seguida pelo cirurgião sênior, que obteve um valor de 6,67°.
Dados esses que podemos relacionar com o estudo das concordâncias dos níveis,
uma vez que o resultado angular obtido numa mensuração de curva escoliótica
depende dos níveis selecionados, ou seja, da seleção das vértebras terminais
das extremidades cranial e caudal pertencentes à curva a ser medida. Uma vez
que observamos os mesmos dois profissionais com as melhores concordâncias
intra e interobservadores (Res-OT e Cir-Senior), observamos a influência da
escolha dos níveis com os valores angulares obtidos das curvas, relacionados
com os menores valores de desvio padrão na análise intraobservacional, também
para os dois mesmos observadores. Todavia, na análise interobservadores das
mensurações angulares, temos um menor desvio padrão entre o residente em
Ortopedia e o cirurgião Júnior, de 7,49°. Em outro recente estudo nacional que
72
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
também avaliou a reprodutibilidade intra e interobservadores em indivíduos com
escoliose idiopática, pelo método manual de Cobb, foi relatado diferenças de até
3° intraobservador. Foi evidenciado ainda neste estudo citado, uma concordância
intraobservador para o ângulo de Cobb com relação significativa excelente,
independente do nível da curva, sendo que, na concordância interobservador,
houve relação estatisticamente significativa no nível torácico, mas no nível lombar
os observadores não apresentaram correlação significativa entre si.
Tradicionalmente, mesmo aceitando variação de 5° como valor necessário
para confirmar a evolução da curva, esses valores tem sido contestados por alguns
estudos, uma vez que valores como 95% dos intervalos de confiança (ICs) com
variação de 2.6° a 8.8° já foram relatados. No nosso estudo, observou-se variações
de até 12,72° de desvio padrão.
Muitos estudos revelam o método de Cobb como propenso a erros e como
não confiável. Erros são devido à seleção de diferentes vértebras terminais (“end
vertebras”) e à estimativa de inclinações diferentes das vértebras. Em estudos,
os quais as vértebras incluídas nas curvas escolióticas foram predeterminadas,
foram observados desvio padrão de mensuração além de 5°11. Outro fator que
pode proporcionar diferenças na mensuração da curva da coluna vertebral é a
escolha das referências ósseas para empregar o método de Cobb: platôs vertebrais
ou pedículos , os quais, segundo Mehta et al., variam como opção de acordo com a
idade do paciente, sendo o método de mensuração com os pedículos ligeiramente
melhor para crianças menores que sete anos de idade, e similar, se não melhor,
para os outros grupos, quando comparado ao método de mensuração com as
placas terminais (platôs). Loder et al. relata que dificuldades para identificação
da placa terminal para mensuração angular são ainda maiores nos casos das
escolioses congênitas, devido a imaturidade esquelética, ossificação incompleta
e desenvolvimento anômalo das vértebras terminais. A confiabilidade dos
parâmetros radiográficos nas escolioses neuromusculares foi estudada por Gupta
et al., que relata o método de Cobb como método também seguro para esse tipo de
deformidade. No nosso estudo, a escolha da referência utilizada para mensuração
da curva escoliótica foi de livre escolha para os observadores.
Temos como parâmetros para tratamento da escoliose idiopática,
deformidade na coluna com valores angulares que quando entre 10° e 25° será
monitorada regularmente até a maturidade esquelética ou progressão significativa
da curva; valores entre 25° e 45°, o tratamento com órtese (brace) é sugerido; valor
é maior que 45°, o tratamento cirúrgico geralmente é recomendado. Considerando
que, na prática clínica, é indicação de progressão da curva a variação superior a
cinco graus entre duas radiografias sucessivas, num intervalo de 6 meses, faz-
se necessário análise cautelosa, associado à experiência do observador, e que,
preferencialmente, os exames sejam avaliados pelo mesmo profissional durante
o acompanhamento de pacientes portadores de escoliose idiopática, para que as
condutas sejam tomadas de maneira mais fidedigna.
73
UNIDADE 1 — TÉCNICAS RADIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL
Visto a extrema importância desse método de mensuração do tamanho da
curva escoliótica, diretamente relacionada ao quadro clínico e tratamento, atentamos
ao fato de aprofundar a discussão sobre a sua confiabilidade no nosso meio.
Outro fator importante ressaltado em alguns estudos refere-se a uma das
maiores limitações do método de Cobb, que é a representação da deformidade
tridimensional (3D) complexa da coluna escoliótica por uma mensuração simples
em duas dimensões (2D), o que não permite uma descrição completa e fidedigna de
toda extensão da curva, sendo de difícil obtenção informações sobre os três planos
(coronal, sagital e transverso) na prática clínica. Gstoettner et al. concluíram que,
até o surgimento de um sistema de mensuração próprio tridimensional, o método
de Cobb é capaz somente de avaliar a curva escoliótica em dois planos, por melhor
que seja a qualidade da imagem em AP e no perfil. Com o aparecimento dos
métodos de mensuração através de imagens digitalizadas e também através do
computador, muitos trabalhos foram feitos com o intuito de comparar a acurácia
desses novos sistemas com o sistema convencional de mensuração. Alguns
desses estudos concluem que não há diferenças significativas com relação aos
resultados, quando comparados os sistemas de mensuração manual, de imagens
digitalizadas e ou pelo computador. Outros artigos, no entanto, concluem que os
sistemas de mensuração de imagens digitais, e ou com auxílio do computador,
apresentam uma variabilidade intra e interobservadores muito menor quando
comparados aos sistemas de mensuração manual.
Neste estudo, procuramos reproduzir a rotina no atendimento aos
pacientes portadores de escoliose idiopática. Considerando que grande parte
destes pacientes são acompanhados em centros universitários, muitos desses na
rede pública de saúde, nos quais são atendidos por profissionais de diferentes
níveis de experiência e dispondo, por muitas vezes, de radiografias simples.
Apesar do valor de concordância ter sido considerado excelente em todas as
mensurações (CCI>0,75), feitas nas condições relatadas, observamos que houve
variação importante das medidas em graus com relação à avaliação intra e
interobservadores, com valores de até 13,58° e 12,72°, respectivamente. Por
outro lado, menores variações foram registradas quando a curva escoliótica foi
medida por um mesmo avaliador (residente em Ortopedia e cirurgião Sênior).
Ressaltando, portanto, a importância da análise cautelosa e também a experiência
do observador na mensuração das curvas escolióticas.
Concluímos que houve concordância excelente (CCI>0,75) na avaliação
dos ângulos nas mensurações das curvas escolióticas intra e interobservadores
pelo método manual de Cobb. Ao mesmo tempo, as mensurações apresentaram
variação de até 13,58° intraobservadores, e de até 12,72° interobservadores.
Adaptado de Godinho, R. R. de S. et al. Mensuração da curva escoliótica pela técnica de Cobb
intraobservadores e interobservadores e sua importância clínica. Coluna. v. 10, n. 3, p. 216-220,
2011. Disponível em: [Link] Acesso em: 22 set. 2020.
74
TÓPICO 6 — PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E QUESTÕES TÉCNICAS
DICAS
Leia também o artigo Reprodutibilidade do método Cobb na medição da
lordose lombar de crianças utilizando diferentes níveis vertebrais, de Sedrez et al. (2019),
que fala sobre o uso do método de Cobb: [Link] Faça uma reflexão
sobre como você, enquanto profissional, pode auxiliar para que o médico possa avaliar
corretamente as imagens dos pacientes.
75
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico, você aprendeu que:
• É necessário atenção aos critérios técnicos da sua exposição, sempre adaptando
a técnica estabelecida na carta técnica para cada paciente.
• Um fluxograma de atendimento para colunas (Figura 34). Caso prefira, é
possível criar o próprio esquema de atendimento. O importante é empregar
lógica e rapidez no atendimento dos pacientes.
76
AUTOATIVIDADE
1 Para exames de coluna, o uso do colete de chumbo se torna impossível. Por
quê?
a) ( ) Pois aparecerá e se projetará nas imagens adquiridas.
b) ( ) Pois aparecerá e não protegerá a medula.
c) ( ) Pois não aparecerá e se projetará nas imagens adquiridas.
d) ( ) Pois não aparecerá e não protegerá a medula.
2 Para exames de coluna, a colimação é, sem dúvidas, extremamente
importante. Qual é a forma correta de se colimar a coluna?
a) ( ) Na estrutura apenas.
b) ( ) O mais aberta possível.
c) ( ) Sempre pegando toda a coluna em todas as aquisições.
d) ( ) Não é necessário colimar.
3 Ao posicionar o paciente, além de decidir como fazê-lo, sempre se deve
observar o tamanho de sua estrutura e a sua distância para o receptor, para
selecionar para qual lado deverá ficar o cátodo, que deve ser:
a) ( ) A parte mais espessa.
b) ( ) A parte mais fina.
c) ( ) A parte mais longa.
d) ( ) A parte mais curta.
77
78
UNIDADE 2 —
ANATOMIA, PATOLOGIA E
POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO
DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO
E ABDOME
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender a anatomia do arcabouço torácico, tórax e do abdome;
• compreender os posicionamentos radiológicos para realizar exames
dessas estruturas;
• saber os critérios de avaliação das radiografias relacionadas aos exames;
• identificar os erros mais comuns que ocorrem ao realizar os exames.
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade, você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E
ABDOME
TÓPICO 2 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE ARCABOUÇO
TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
TÓPICO 3 – ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO
TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
TÓPICO 4 – PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E
ABDOME
TÓPICO 5 – CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
CHAMADA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.
79
80
TÓPICO 1 —
UNIDADE 2
ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO,
TÓRAX E ABDOME
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, revisitaremos a anatomia óssea dos arcos costais e do
esterno, importantes na avaliação de fraturas e traumas, além do tórax, líder
absoluto em número de solicitações médicas de qualquer ambiente radiológico,
seja clínico ou hospitalar.
Também veremos os sistemas que englobam o abdome, qual a disposição
dos principais tecidos e o seu funcionamento.
2 ARCABOUÇO TORÁCICO
O arcabouço torácico, ou caixa torácica, é formado, anteriormente, pelo
esterno e dividido em três partes: o manúbrio, o corpo do esterno e o processo
xifoide.
O manúbrio se articula com a clavícula pela articulação esternoclavicular
e com o primeiro par costal, sendo ligado ao corpo do esterno pela sínfise
manubriesternal ou ângulo do esterno. Na face superior, apresenta uma depressão
chamada de incisura jugular ou fúrcula esternal.
No corpo do esterno, os demais arcos costais se inserem por articulação
cartilaginosa. O processo xifoide liga-se ao corpo pela sínfise xifosternal. Na
Figura 1, temos o esterno. Você pode utilizar a imagem para identificar as
estruturas citadas.
81
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 1 – ESTERNO
FONTE: A autora
Os arcos costais ou costelas são ossos finos e arqueados que, em sua
maioria, se ligam ao esterno e à coluna. Ao todo, são 24 arcos costais formando
12 pares costais. Os arcos costais são formados por um sulco costal e pelas faces
articulares. Os pares costais são classificados em falsos e verdadeiros. São ditos
verdadeiros aqueles que se articulam com o esterno por cartilagens únicas. Já os
falsos não se articulam diretamente com o esterno, sendo que os dois últimos
pares se articulam apenas com a coluna e são ditos flutuantes.
A cartilagem do primeiro par costal se articula com o esterno pela
articulação do tipo cartilaginosa, enquanto, do segundo ao nono par, a articulação
com o esterno é do tipo sinovial. As articulações que ligam os pares costais
inferiores (do sexto ao décimo par) são do tipo fibrosa. Com a coluna, os arcos
costais também fazem articulação pelas fóveas costais, do tipo sinovial, como já
vimos na unidade anterior. Na Figura 2, temos as vistas anterior e posterior do
arcabouço torácico. Aproveite e numere os arcos costais.
FIGURA 2 – ARCABOUÇO TORÁCICO EM VISTA ANTERIOR E POSTERIOR, RESPECTIVAMENTE
FONTE: A autora
82
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
3 TÓRAX
O tórax é composto pelos sistemas respiratório, circulatório e digestório
alto, sendo responsável pela maioria dos exames realizados na radiologia. Nele,
podemos detectar muitas doenças do trato respiratório e de origem traumática,
como veremos adiante.
3.1 SISTEMA RESPIRATÓRIO
As aquisições do tórax têm como objetivo demonstrar o sistema
respiratório, por isso, precisamos conhecê-lo. Sua importância é facilitar a
troca de gases com o meio externo e, assim, garantir que o sangue tenha o nível
correto de oxigênio, mantendo o pH do sangue. Desse modo, são funções do
sistema respiratório a troca de gases, a filtragem de materiais tóxicos ao corpo, a
metabolização de alguns compostos e a reserva sanguínea.
O sistema respiratório inicia no trato respiratório superior, que engloba
nariz, faringe, laringe e terço superior da traqueia. Revestido de muco, para
umidificar e aprisionar pequenas partículas, o trato superior tem alto reflexo à
tosse pelo toque ou por agentes químicos, e o reflexo do espirro, pela ação do 5°
par de nervos cranianos. No nariz, encontram-se as coanas, em que o ar é filtrado
por pelos e aquecido. Em seguida, o ar passa pela faringe, que se encontra anterior
às vértebras cervicais. A faringe é seguida pela laringe, que é um tubo composto
de nove cartilagens: tireoide, cricoide, epiglótica, aritenoides, corniculadas
e cuneiformes. É na laringe, também, que se encontram as cordas vocais, que
são duas pregas que abrem e fecham conforme o ar passa, para produzir a fala.
Após passar pela laringe, o ar passa pela traqueia, um tubo de aproximadamente
12 cm com uma porção cervical e uma torácica, que fica anterior ao esôfago. A
porção torácica dá início ao trato respiratório inferior. O ar, então, segue para
os brônquios. A traqueia se divide em brônquio fonte direito e esquerdo, cuja
divisão é chamada de karina. Os brônquios contêm células ciliadas, que produzem
muco. É importante diferenciar as características de cada um. O brônquio fonte
direito é mais largo e mais curto que o outro. Quando entra no hilo pulmonar,
ele se divide em brônquios lobares superior, médio e inferior. Já o brônquio fonte
esquerdo não é recurvado, é mais longo e, quando entra no hilo pulmonar, se
divide em superior e inferior, além de ser o mais afetado por aspirações, por
conta da sua anatomia.
O pulmão é o principal órgão do sistema respiratório, tem, em média, 700
g e 25 cm de tamanho e apresenta a forma de uma pirâmide. O pulmão direito é
dividido em três lobos, o superior, médio e inferior, e em duas fissuras, a oblíqua,
que faz a divisão do inferior com os demais, e a horizontal, que separa o superior
do médio. O pulmão esquerdo tem dois lobos, o superior e o inferior, que são
divididos pela fissura oblíqua. O pulmão possui força elástica devido ao alto
nível de elastina e colágeno em seu tecido, o que permite que ele infle com o ar.
83
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
Os brônquios se tornam bronquíolos e representam o final da via aérea,
pois, ao fim de cada um, encontram-se os alvéolos, que são os responsáveis pelas
trocas gasosas. A Figura 3 mostra uma representação de todo o trato respiratório.
FIGURA 3 – SISTEMA RESPIRATÓRIO
FONTE: A autora
A pleura é uma camada delgada que reveste os pulmões. A pleura visceral
fica em contato com os pulmões e a pleura parietal, voltada para fora. Assim, ao
respirar, não há atrito entre as estruturas. O sistema respiratório realiza quatro
grandes eventos:
• Ventilação pulmonar: diz respeito à renovação cíclica do gás alveolar pelo ar
atmosférico.
• Difusão do oxigênio e do dióxido de carbono, que ocorre entre os alvéolos e o
sangue.
• Transporte de oxigênio e dióxido de carbono no sangue e nos líquidos corporais.
• Regulação das funções respiratórias.
Para realizar a ventilação, o corpo utiliza um conjunto de músculos. O
principal deles é o diafragma, que se insere nos arcos costais e na coluna. Ele se
contrai no momento da inspiração, das bordas para o centro. Como resultado, os
pulmões são tracionados para baixo.
Os músculos intercostais são encontrados entre os arcos costais, sendo
que os intercostais externos realizam o movimento de alça de balde e puxam
os arcos costais para cima na inspiração. enquanto os músculos escalenos e
esternocleidomastoideos auxiliam no movimento de alça de balde.
84
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
A expiração é uma ação passiva, decorrente do relaxamento dos músculos
da inspiração. Quando forçada, é realizada pela parede abdominal e pelos
músculos intercostais internos. A inspiração é a fase ativa da respiração, ou seja,
há gasto de energia do corpo, e é resultante da contração da musculatura, descrita
anteriormente. Como resultado, há uma redução de pressão pulmonar, o que
provoca a entrada de ar. Já na expiração, os músculos relaxam, o que aumenta a
pressão nos pulmões e resulta em expulsão do ar que estava dentro dos pulmões.
Isso é chamado de complacência pulmonar.
A troca gasosa é chamada de hematose e é de responsabilidade da
pequena circulação. Desse modo, o sangue, cheio de gás carbônico, passa pelo
alvéolo e é oxigenado – o gás carbônico sai do corpo na expiração e o oxigênio
entra na inspiração.
Assim como o coração, os pulmões apresentam duas circulações: a
brônquica, que nutre as vias aéreas e os vasos pulmonares, e a pulmonar, que
nutre as paredes alveolares.
3.2 SISTEMA CIRCULATÓRIO
O coração é o principal órgão do sistema circulatório e possui quatro
cavidades (Figura 4), sendo dois ventrículos e dois átrios. Sua função é bombear
o sangue ao longo do corpo, cuja finalidade é oxigená-lo. Os átrios bombeiam
sangue para os ventrículos e estes, para os pulmões (direito) e para o corpo
(esquerdo). Para isso, o coração contrai e relaxa: a contração é chamada de sístole
e o relaxamento de diástole.
FIGURA 4 – CORAÇÃO
FONTE: A autora
85
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
O sangue que circula o corpo e o oxigena faz parte da chamada grande
circulação. Nela, o sangue oxigenado nos pulmões segue para o corpo, passando
por artérias, arteríolas e chegando nos capilares. Lá, o oxigênio passa para os
tecidos, nos quais o sangue recebe o dióxido de carbono, passando dos capilares
para vênulas e veias, e para o coração. Do coração, segue aos pulmões para o
sangue ser reoxigenado e voltar ao coração e, consequentemente, ao corpo. As
Figuras 5 e 6 mostram ilustrações da pequena e da grande circulação.
FIGURA 5 – GRANDE CIRCULAÇÃO
Veias Cavas
FONTE: A autora
FIGURA 6 – PEQUENA CIRCULAÇÃO
FONTE: A autora
86
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
3.3 TIMO
O timo é uma glândula endócrina associada à maturação do sistema
imunológico. Ele secreta a timosina, que é responsável pelo crescimento ósseo e
pelo desenvolvimento corporal.
3.4 ABDOME
Contendo o sistema digestório, o sistema excretor e vários órgãos
acessórios, o abdome já não é tão realizado na radiologia convencional, pois
a tomografia adquire imagens com muito mais precisão. No entanto, ter
um equipamento de tomografia ainda não é realidade em todas as cidades
brasileiras, por isso, nas radiografias de abdome, podemos detectar muitas
doenças agrupadas, chamadas de abdome agudo.
3.4.1 Sistema digestivo
A digestão é a transformação físico-química das macromoléculas da
comida em partes pequenas, que podem ser absorvidas pelo organismo e que
resulta na nutrição de todo o corpo. As funções do sistema digestivo incluem a
ingestão, a mastigação, a digestão, a absorção e a eliminação de resíduos (nessa
ordem).
A digestão ocorre em duas etapas: mecânica e química. A digestão
mecânica decorre da mastigação e dos movimentos peristáticos, enquanto a
digestão química ocorre na boca pela insalivação e, no estômago e no duodeno,
pela quimificação. Para a digestão química, ocorre o seguinte processo: o alimento,
com a saliva, resulta no bolo alimentar, que, ao entrar em contato com o suco
gástrico, forma o quimo; quando este sofre ação do suco pancreático, do suco
entérico e da bile forma o quilo.
O alimento entra pela boca, passa por faringe, esôfago, estômago, intestino
delgado e intestino grosso. Na boca, ocorrem os processos de mastigação,
lubrificação e deglutição do alimento pela ação de dentes, língua e glândulas
salivares. A Figura 7 apresenta uma ilustração dos órgãos digestivos.
87
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 7 – SISTEMA DIGESTIVO
FONTE: A autora
A faringe é um órgão comum a dois sistemas, sendo dividida em
nasofaringe, orofaringe e laringofaringe. É na faringe que se encontra a epiglote,
responsável pela abertura do sistema digestório pela força dos músculos da
deglutição; ao ser forçada para trás, resulta no fechamento do sistema respiratório.
Após passar pela faringe, o bolo alimentar se dirige ao esôfago, localizado
entre os pulmões e atrás do coração e da traqueia, passando pelo diafragma. O
esôfago é um tubo muscular com, aproximadamente, 25 cm de comprimento e
2 cm de diâmetro. A cárdia é a região do estômago que se liga ao estômago e
funciona como uma válvula.
NOTA
Como vimos, o esôfago atravessa o diafragma por uma abertura, chamada
de hiato. Pode ocorrer alargamento dessa abertura, o que pode fazer com que parte do
estômago suba para a cavidade torácica, formando a hérnia de hiato.
88
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
O estômago é um órgão oco e possui quatro regiões: cárdia, fundo, corpo
e piloro. O fundo do estômago fica na parte superior do estômago; o corpo é
repleto de pregas e o piloro é a conexão do estômago com o duodeno e funciona
como a cárdia. O estômago é responsável por parte da digestão, agindo como
uma glândula exócrina. Como função endócrina, ele produz grelina, gastrina e
pepsina, entre outras enzimas, que formam o suco gástrico.
O estômago é elástico e altera o seu tamanho de acordo com a quantidade
de alimento que comemos. Contudo, é importante saber que o tipo físico
influencia na forma do estômago e, consequentemente, no posicionamento de
tórax e abdome. É dito hiperestênico o paciente baixo e com o tórax largo, no qual
o estômago fica praticamente deitado. O estênico ou normolíneo é o indivíduo
de estatura padrão e com tórax mediano, no qual o estômago fica levemente
inclinado, ficando a parte mais baixa para o lado do fígado. O hipoestênico é
aquele que é alto e tem o tórax mais fino e, como resultado, o estômago fica em
pé no corpo, formando um U. Por fim, o astênico é aquele muito alto e com tórax
muito fino, em que o estômago se alonga, formando um J. Para visualizar melhor
essas diferenças, a Figura 8 demonstra uma representação dos tipos morfológicos
de estômago.
FIGURA 8 – TIPOS MORFOLÓGICOS DE ESTÔMAGO
FONTE: A autora
No intestino delgado, ocorre a terceira etapa da digestão química. O
intestino delgado pode ser dividido em três partes: duodeno, jejuno e íleo, e
possui, em média, 6 m de comprimento, sendo repleto de microvilosidades. Estas
são responsáveis pelo aumento da absorção dos nutrientes pelo corpo. Algumas
patologias, como a doença celíaca, atrofiam as microvilosidades, reduzindo a
capacidade de absorção de nutrientes e podendo levar à desnutrição.
O intestino grosso tem a parede mais grossa que o delgado e é dividido
em apêndice, ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente,
cólon sigmoide e reto. A divisão do cólon ascendente para o transverso ocorre
89
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
abaixo do fígado e, por isso, recebe o nome de flexura esplênica, enquanto do
transverso para o descendente é chamada de flexura hepática. O intestino grosso
reabsorve a água e os sais minerais, sintetizando as vitaminas K e B2, além de
formar o bolo fecal.
O fígado é uma glândula responsável por várias ações no corpo humano.
Ele produz a bile, que é armazenada e secretada pela vesícula biliar, armazena
ferro e vitaminas, realiza a glicogênese, metaboliza lipídios, sintetiza proteínas,
desintoxica o organismo e realiza a hemocaterese.
O pâncreas produz dois hormônios, a insulina e o glucagon, além do suco
pancreático, que atua no duodeno com várias enzimas. A insulina retira a glicose
do sangue e o glucagon age no fígado, quebrando o glicogênio em glicose, para
mandar para o sangue na hipoglicemia.
3.4.2 Sistema urinário
O sistema urinário é constituído por dois rins, dois ureteres, uma bexiga e
uma uretra (Figura 9). Suas funções incluem a filtragem do sangue, a restituição da
água e de solutos na corrente sanguínea e a produção de urina, sendo importante
para manter a homeostase, que é o equilíbrio eletrolítico do corpo.
FIGURA 9 – SISTEMA URINÁRIO
FONTE: A autora
90
TÓPICO 1 — ANATOMIA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
Cada rim tem 10 cm e fica localizado abaixo do diafragma e atrás do
peritônio (retroperitonial). Internamente, o rim possui o córtex renal, a medula
renal e as pirâmides renais. Os néfrons são as unidades renais e são responsáveis
pela filtração do sangue. Os ureteres vão dos rins à bexiga e transportam a urina
entre esses dois órgãos, passando por baixo da bexiga para impedir o refluxo
durante a micção.
Localizada na pelve, a bexiga urinária é um órgão oco e fibroso, que
armazena de 500 ml a 800 ml de urina, dependendo do sexo. Os homens, pela
ausência do útero, armazenam um volume maior.
Por fim, a uretra é o tubo que conduz a urina da bexiga para o meio
externo. Nos homens, mede cerca de 18 cm e, nas mulheres, 3 cm, o que implica
maior número de infecções urinárias em mulheres, pois o caminho dos agentes
patogênicos é mais curto que nos homens.
As glândulas suprarrenais ou adrenais ficam alojadas acima dos rins e
produzem a aldosterona, responsável pela retenção de água.
3.4.3 Peritônio
Assim como o pulmão é revestido pela pleura, os órgãos do abdome
são revestidos pelo peritônio, uma camada serosa composta de duas paredes: a
parietal e a visceral, sendo que, entre elas, temos a cavidade peritonial. Os órgãos
presos no peritônio são chamados de retroperitoniais e os envolvidos por ele de
peritoniais.
91
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Conceitos de anatomia que são primordiais para o entendimento das diferenças
dos posicionamentos de tórax e arcos costais.
• Para avaliar os pulmões e o coração em uma radiografia de tórax, utilizamos
uma técnica específica e diferente de quando queremos ver os arcos costais, a
fim de proporcionar qualidade e exatidão ao exame.
• O tipo de tórax (estênico, astênico etc.) altera a posição e o formato dos órgãos e,
consequentemente, na hora do exame, isso influenciará na escolha do receptor
de imagem (RI) e da área de colimação do exame.
92
AUTOATIVIDADE
1 O nome da bifurcação dos brônquios, vista no PA de tórax, é:
a) ( ) Cúpula diafragmática.
b) ( ) Hilo pulmonar.
c) ( ) Karina.
d) ( ) Botão aórtico.
2 Assinale a alternativa que completa corretamente os espaços da frase:
“O hilo direito é mais _____________ que o hilo esquerdo e os dois têm
densidades _________________”.
a) ( ) Baixo/diferentes.
b) ( ) Alto/diferentes.
c) ( ) Baixo/iguais.
d) ( ) Alto/iguais.
3 Assinale a alternativa que preenche corretamente o espaço da frase: “O
_____________ ou normolíneo é o paciente de estatura padrão e tórax
mediano, cujo estômago fica levemente inclinado, com a parte mais baixa
para o lado do fígado”.
a) ( ) Estênico.
b) ( ) Astênico.
c) ( ) Hiperestênico.
d) ( ) Hipoestênico.
93
94
TÓPICO 2 —
UNIDADE 2
POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO
TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, veremos os posicionamentos envolvidos nas aquisições do
arcabouço torácico e do esterno, e como selecionar a melhor opção de visualização.
Também mostraremos as possibilidades para o tórax, sempre ressaltando a
importância da respiração bem-feita, para o abdome simples e para o abdome agudo.
Em muitos lugares, a tomografia substitui as investigações do abdome
por raios X. No entanto, na falta de um tomógrafo, a radiografia é a melhor opção
para avaliar lesões abdominais.
2 ARCABOUÇO TORÁCICO
Arcabouço torácico também é chamado de caixa torácica e engloba os
arcos costais e o esterno. A seguir, serão vistos os posicionamentos do arcabouço
torácico.
• Oblíquo anterior direito (OAD) de esterno (Figura 10):
◦ Paciente em ortostase e PA, girando-o 20° para o lado direito. Raio central
(RC) perpendicular e centrado no esterno. RI centrado no RC, distância foco-
filme (Dfofi) de 1 m, colimação na estrutura e respiração rápida e curta.
FIGURA 10 – POSICIONAMENTO OAD DE ESTERNO
FONTE: A autora
95
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
• Perfil de esterno (Figura 11):
◦ Paciente em ortostase e perfil verdadeiro, esterno alinhado à linha médio
sagital (LMS) e braços projetados para trás. RC perpendicular e no centro do
esterno, RI alinhado ao RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração
suspensa em inspiração.
FIGURA 11 – POSICIONAMENTO PERFIL DE ESTERNO
FONTE: A autora
• PA de articulações esternoclaviculares (Figura 12):
◦ Paciente em decúbito dorsal e alinhado à LMS da mesa, braços acima da
cabeça. RC perpendicular 7 cm abaixo da proeminência da C7. RI centrado no
RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração suspensa em expiração.
FIGURA 12 – POSICIONAMENTO PA DE ARTICULAÇÕES ESTERNOCLAVICULARES
FONTE: A autora
96
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
• Oblíquo anterior de articulação esternoclavicular (Figura 13):
◦ Paciente em decúbito dorsal, alinhado à LMS da mesa, girá-lo 15°, o braço
mais distante da mesa elevado e o oposto abaixado (Figura 13). RC 7,5 cm
abaixo da proeminência da C7 e 3 a 5 cm lateral à LMS. RI centrado no RC,
Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração suspensa em expiração.
FIGURA 13 – POSICIONAMENTO OBLÍQUO ANTERIOR DE ARTICULAÇÃO
ESTERNOCLAVICULAR
FONTE: A autora
• AP de arcos costais:
◦ Paciente em ortostase em AP e alinhado à LMS da estativa. Elevar levemente
o queixo e braços ao longo do corpo. Para aquisições dos arcos costais acima
do diafragma (Figura 14), o RC é 8 a 10 cm abaixo da incisura jugular, RI 4
cm acima dos ombros e respiração em inspiração. Para aquisições abaixo do
diafragma (Figura 15), o RC é entre o processo xifoide e o último arco costal.
A base do RI deve estar na crista ilíaca e a respiração, em expiração. Dfofi de
1 m, colimação na estrutura.
97
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 14 – AP DE ARCOS COSTAIS ACIMA DO DIAFRAGMA
FONTE: A autora
FIGURA 15 – AP DE ARCOS COSTAIS ABAIXO DO DIAFRAGMA
FONTE: A autora
• PA de arcos costais (Figuras 16 e 17):
◦ Paciente em ortostase e em PA, alinhado à LMS da estativa. Elevar levemente
o queixo e braços ao longo do corpo e ombros projetados para a frente. RC 18
a 20 cm abaixo da proeminência da C7, RI 4 cm acima do ombro, Dfofi de 1
m, colimação na estrutura e respiração suspensa em inspiração.
98
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 16 – POSICIONAMENTO PA DE ARCOS COSTAIS SUPERIORES
FONTE: A autora
FIGURA 17 – POSICIONAMENTO PA DE ARCOS COSTAIS INFERIORES
FONTE: A autora
• Oblíqua de arcos costais:
◦ Paciente em ortostase e alinhado com a LMS da estativa. Dfofi de 1 m e
colimação na estrutura. Levantar o braço mais próximo da estativa acima da
cabeça, enquanto o outro deve permanecer abaixado. A rotação do paciente
é de 45°, mas a direção dependerá do que se pretende visualizar no exame:
▪ Oblíquas anteriores: paciente em PA, afastar a área de interesse da estativa.
O ombro contrário fica mais próximo da estativa.
▪ Oblíquas posteriores: paciente em AP, a área de interesse fica encostada na
estativa. O ombro contrário fica mais afastado.
99
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
◦ Já RC e respiração dependem se o objetivo da avaliação são os arcos acima ou
abaixo do diafragma:
▪ Acima do diafragma: RC 8 a 10 cm abaixo da incisura jugular, RI 4 cm
acima dos ombros e respiração suspensa em inspiração.
▪ Abaixo do diafragma: RC entre o processo xifoide e o último arco costal, RI
na crista ilíaca e respiração suspensa em expiração.
◦ As Figuras 18 a 21 demonstram os posicionamentos oblíquo posterior direito
(OPD), oblíquo posterior esquerdo (OPE), OAD e oblíquo anterior esquerdo
(OAE) acima e abaixo, respectivamente.
FIGURA 18 – POSICIONAMENTO OPD DE ARCOS COSTAIS SUPERIORES E INFERIORES
FONTE: A autora
100
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 19 – POSICIONAMENTO OPE DE ARCOS COSTAIS
FONTE: A autora
101
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 20 – POSICIONAMENTO OAD DE ARCOS COSTAIS SUPERIORES E INFERIORES
FONTE: A autora
102
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 21 – POSICIONAMENTO OAE DE ARCOS COSTAIS
FONTE: A autora
103
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
3 POSICIONAMENTO DO TÓRAX
Como visto, os exames do tórax estão relacionados ao trato respiratório
e, portanto, são direcionados para os pulmões e as vias aéreas. O mediastino
também pode ser visualizado nesses exames.
NOTA
Não confunda pedidos de raios X de tórax, com de arcos costais e de coluna
torácica. São posições semelhantes, porém com técnicas e objetivos bem diferentes.
• PA de tórax (Figura 22):
◦ Paciente em ortostase e alinhado à LMS da estativa. Em PA, ele deve
abrir levemente os braços e projetar os ombros para a frente (isso tirará as
escápulas da frente), além de elevar um pouco o queixo, para que não fique
na área do exame. RC 17 a 20 cm abaixo da proeminência da C7, Dfofi de 1,8
m, colimação na estrutura. A respiração é na segunda inspiração profunda
(apneia). O RI deve estar dois dedos acima da sombra do ombro; assim,
quando o paciente inspirar, o ápice pulmonar não será cortado.
◦ Pacientes que não conseguirem realizar o exame em pé, podem fazê-lo
sentados, sem interferência. Crianças pequenas podem ser posicionadas
sentadas na borda da mesa e abraçando o RI – o que ainda permite realizar a
aquisição em PA, que é a forma mais indicada.
FIGURA 22 – POSICIONAMENTO PA DE TÓRAX
FONTE: A autora
104
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
ATENCAO
Sempre verifique a história do paciente, pois ela irá definir o posicionamento
e a técnica a serem realizados. Um bom exemplo disso é que os raios X de tórax são
comumente solicitados antes de uma cirurgia, para avaliar a área cardíaca. Entretanto, se a
aquisição for realizada em AP e/ou decúbito, o exame não terá valor diagnóstico.
• Perfil de tórax (Figura 23):
◦ Paciente em ortostase e em perfil verdadeiro, com o lado esquerdo
encostado na estativa e alinhado à LMS. Braços elevados acima da cabeça.
RC perpendicular e 8 a 10 cm abaixo da incisura jugular, Dfofi de 1,8 m
e colimação na estrutura. RI na altura do ombro. A técnica respiratória
utilizada é exposição em segunda inspiração completa. Assim como no PA, a
aquisição pode ser feita com o paciente sentado.
FIGURA 23 – POSICIONAMENTO PERFIL DE TÓRAX
FONTE: A autora
• AP de tórax: é utilizada nos exames realizados em leito, quando o paciente não
pode ser deslocado até o setor de radiologia ou em casos de trauma em que
ele não pode ficar em pé e não há tomografia computadorizada disponível no
hospital. Logo, é necessário cuidado ao movimentar o paciente no leito e na
sala de radiologia, e utilizando a gaveta da mesa sempre que possível.
◦ Paciente deitado na maca, com RI embaixo dele. Tentar alinhar o máximo
possível o RI e o paciente. RC 8 a 10 cm abaixo da incisura jugular, Dfofi de
1 m em decúbito e 1,8 para semidecúbito; colimação na estrutura. Quanto à
105
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
respiração: se o paciente estiver consciente e colaborativo, expor na segunda
inspiração completa; caso contrário, observar a respiração e disparar durante
a inspiração. A Figura 24 demonstra o posicionamento em decúbito.
◦ Para recém-natos e crianças que não se permaneçam sentadas, o AP pode ser
utilizado. Deve-se colocar uma fronha ou manta para não deixar a criança
com frio. Bebês geralmente choram durante o exame, e isso é ótimo, pois
a inspiração tende a ser mais profunda – embora pareça estranho, quando
choram, as crianças precisam “puxar” ar para continuar o choro e é, nesse
momento, que se deve fazer a exposição. Lembre-se de que crianças pequenas
não entendem ordens do tipo “inspire profundamente”.
FIGURA 24 – POSICIONAMENTO AP DE TÓRAX
FONTE: A autora
• AP lordótico:
◦ Colocar o paciente distante da estativa em 30 cm, em AP. Alinhá-lo bem com
a LSM da estativa e projetar o corpo para trás, até encostar na estativa. O
objetivo é que apenas os ombros estejam em contato com a estativa (Figura
25). RC perpendicular e centrado no esterno, RI 7 cm acima dos ombros,
Dfofi de 1,8 m, colimação nas estruturas e respiração em segunda inspiração
profunda.
106
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 25 – POSICIONAMENTO AP LORDÓTICO
FONTE: A autora
• Oblíquas de tórax:
◦ Paciente em ortostase e alinhado com a LMS da estativa. RC 17 a 20 cm abaixo
da proeminência da C7, Dfofi de 1,8 m, colimação na estrutura e respiração
em segunda inspiração profunda. A rotação do paciente é de 45° e a direção
dependerá do que se pretende visualizar:
▪ Oblíquas anteriores: paciente em PA, afastar a área de interesse da estativa.
O ombro contrário fica mais próximo da estativa.
▪ Oblíquas posteriores: paciente em AP, a área de interesse fica encostada na
estativa. O ombro contrário fica mais afastado.
◦ As Figuras 26 a 29 demonstram os posicionamentos de OPD, OPE, OAD e
OAE, respectivamente.
FIGURA 26 – POSICIONAMENTO OPD
FONTE: A autora
107
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 27 – POSICIONAMENTO OPE
FONTE: A autora
FIGURA 28 – POSICIONAMENTO OAD
FONTE: A autora
FIGURA 29 – POSICIONAMENTO OAE
FONTE: A autora
108
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
• AP de tórax lateral:
◦ Paciente deitado em perfil verdadeiro e AP (Figura 30), com os braços acima
da cabeça. RC será horizontal, perpendicular e 8 a 10 cm abaixo da incisura
jugular. Dfofi de 1,8 m, colimação na estrutura e respiração em segunda
inspiração completa.
FIGURA 29 – POSICIONAMENTO AP DE TÓRAX LATERAL
FONTE: A autora
• AP de vias aéreas (Figura 30):
◦ Paciente em ortostase alinhado à LMS e em AP. RC perpendicular 2,5 cm
acima da incisura jugular, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura. Expor em
inspiração lenta e profunda.
FIGURA 30 – POSICIONAMENTO AP DE VIAS AÉREAS
FONTE: A autora
109
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
• Perfil de vias aéreas (Figura 31):
◦ Paciente em ortostase, em perfil verdadeiro, com os braços projetados para
trás. Lembre-se de centralizar a parte anterior do pescoço. RC perpendicular
na cartilagem cricoide, RI centrado no RC, colimação da estrutura. Expor em
inspiração lenta e profunda.
FIGURA 31 – POSICIONAMENTO PERFIL DE VIAS AÉREAS
FONTE: A autora
NOTA
Nas incidências de tórax, o objetivo é avaliar os tecidos cheios de ar. Por isso,
as técnicas respiratórias devem ser seguidas à risca. A segunda inspiração profunda garante
que o pulmão estará completamente cheio; portanto, não se deve ter preguiça de treinar
a técnica com o paciente.
4 POSICIONAMENTO DO ABDOME
O abdome apresenta poucas incidências e sua principal indicação é o
abdome agudo. A região possui muitos órgãos, como já visto, mas a sua correta
visualização é possível por meio de contraste. Contudo, veremos, a seguir, apenas
as incidências que não demandam contraste.
• AP de abdome em ortostase (Figura 32):
◦ Paciente em ortostase em AP e alinhado à LMS. RC centrado no RI, centro
do RI, 5 cm acima da crista ilíaca, colimação na estrutura, Dfofi de 1 m e
respiração em expiração.
110
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 32 – POSICIONAMENTO AP DE ABDOME EM ORTOSTASE
FONTE: A autora
• AP de abdome em decúbito dorsal (Figura 33):
◦ Paciente em decúbito dorsal (supino) e alinhado à LMS da mesa. RC
centralizado no RI, base do RI na sínfise púbica, colimação na estrutura,
Dfofi de 1 m, respiração em expiração.
FIGURA 33 – POSICIONAMENTO AP DE ABDOME EM DECÚBITO DORSAL
FONTE: A autora
• AP de abdome em decúbito ventral (Figura 34):
◦ Paciente em decúbito ventral (pronado) e alinhado à LMS da mesa. RC
centralizado no RI, base do RI na sínfise púbica, colimação na estrutura,
Dfofi de 1 m, respiração em expiração.
111
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 34 – POSICIONAMENTO AP DE ABDOME EM DECÚBITO VENTRAL
FONTE: A autora
• AP de abdome lateral:
◦ Paciente em decúbito lateral e em AP (Figura 35), com braços elevados. RC
com raios horizontais e perpendicular, 5 cm acima da crista ilíaca, RI centrado
no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em expiração.
FIGURA 35 – POSICIONAMENTO AP DE ABDOME LATERAL
FONTE: A autora
• Perfil de abdome (Figura 36):
◦ Paciente em perfil verdadeiro e alinhado à LMS da mesa, com braços elevados.
RC 5 cm acima da crista ilíaca, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na
estrutura e respiração em expiração.
112
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 36 – POSICIONAMENTO PERFIL DE ABDOME
FONTE: A autora
• Perfil de abdome em decúbito dorsal:
◦ Paciente em decúbito dorsal, próximo à estativa e com braços elevados
(Figura 37). RC com raios horizontais e perpendicular, 5 cm acima da crista
ilíaca, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração
em expiração.
FIGURA 37 – POSICIONAMENTO DE ABDOME EM DECÚBITO DORSAL
FONTE: A autora
113
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A anamnese ajuda a entender quais posicionamentos da região do tronco os
pacientes conseguem realizar.
• No arcabouço torácico, deve-se ter atenção com a similaridade dos traumas
de arcos costais e dos traumas de clavícula e de ombro; com a respiração
comprometida, o paciente pode desmaiar de dor.
• No tórax, deve-se ter extrema atenção à respiração, além de posicionar o topo
do RI dois dedos acima da sombra. Lembre-se de que a respiração, mesmo em
bebês, é o que garante a qualidade do seu exame.
• Nas aquisições de abdome, principalmente nas investigações de abdome
agudo, o paciente deve permanecer alguns minutos na posição em que
realizará o exame, para que as coleções se ajustem e seja possível obter uma
boa visualização do nível hidroaéreo.
114
AUTOATIVIDADE
1 O tórax deve ser feito em PA para:
a) ( ) O coração ficar maior.
b) ( ) O coração ficar menor.
c) ( ) Aparecer o timo.
d) ( ) Aparecer todos os arcos costais.
2 Nas aquisições de abdome, a base do RI deve estar:
a) ( ) Na sínfise púbica.
b) ( ) Na crista ilíaca.
c) ( ) 5 cm acima da sínfise púbica.
d) ( ) 5 cm abaixo do último par costal.
115
116
TÓPICO 3 —
UNIDADE 2
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO,
TÓRAX E ABDOME
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, estudaremos como identificar as estruturas das imagens
adquiridas nos posicionamentos de tórax, abdome e arcabouço torácico.
Deve-se ter sempre em mente que a identificação das estruturas é o que
garante a qualidade do exame realizado para o laudo, assegurando, assim, que o
exame foi bem feito.
2 ARCABOUÇO TORÁCICO
As imagens do arcabouço abrangem o esterno e os arcos costais, por isso
é muito importante compreender que a técnica respiratória e a técnica utilizada
irão determinar a qualidade das aquisições, cujo objetivo é permitir uma boa
observação dos arcos costais, e não do tórax.
2.1 ESTERNO
O esterno, na posição OAD, aparece obscurecido e é visível o manúbrio,
seu corpo e o processo xifoide. À frente da imagem, é possível visualizar os arcos
costais. A técnica respiratória borra o pulmão e a área cardíaca, o que destaca o
esterno. A coluna não deve aparecer, mas caso isso aconteça, denota angulação
errada do paciente. Nas aquisições para as articulações esternoclaviculares, é
possível visualizar os espaços articulares.
2.2 ARCOS COSTAIS
Nas aquisições acima do diafragma, são visualizados do 1° par costal ao
9° e, nas aquisições seguintes, são visualizados do 8° ao 12° par costal.
117
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
3 TÓRAX
As radiografias de tórax PA (Figura 38) e AP devem incluir todo o
pulmão, da sua base ao ápice. A traqueia aparece preenchida de ar. As escápulas
se apresentam levemente lateralizadas, garantindo o posicionamento correto
dos braços. A técnica utilizada deve ser capaz de demonstrar a vascularização
pulmonar. Na aquisição em AP, o coração aparecerá aumentado pelo crescimento
da distância objeto-filme (DOF) – como é um exame indicado para pacientes que
não ficam em pé, o pulmão não será totalmente infl ado e, consequentemente, a
imagem ficará mais densa e a vascularização não poderá ser bem observada.
FIGURA 38 – RADIOGRAFIA PA DE TÓRAX, RESPECTIVAMENTE, DE PACIENTE FEMININA
ACIMA E DE PACIENTE MASCULINO ABAIXO
FONTE: <[Link] <[Link]
chest_radiograph_(X-ray).jpg>. Acesso em: 30 set. 2020.
Deve-se avaliar, nas radiografias de tórax, os campos pulmonares, os
vasos pulmonares, o diafragma e as áreas ao redor, o mediastino, o coração, as
estruturas ósseas e as partes moles.
Nas aquisições de perfil (Figura 39), a sobreposição dos ângulos
costofrênicos garante que o paciente não está rodado. Todo o pulmão deve ser
incluído na imagem. No AP em decúbito lateral, o pulmão mais próximo da mesa
aparecerá menor que o outro.
118
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 39 – PERFIL DE TÓRAX
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
No AP lordótico, as clavículas aparecem projetadas para cima e os arcos
costais, alargados. A base do pulmão não é bem visualizada.
Nas oblíquas de tórax, os pulmões devem estar demonstrados desde o
ápice até os seios costofrênicos.
Para visualização das vias aéreas, é necessário que a traqueia e a laringe
estejam cheias de ar. A aquisição deve incluir desde o meato acústico externo
(MAE), o que inclui a orofaringe, até o nível da T3.
Na investigação dos campos cardíacos, para uma avaliação primária, a
radiografia do tórax dá informações do tamanho e da forma do coração.
4 ABDOME
Nas radiografias do abdome, é possível observar o contorno do fígado, a
sombra dos rins, o estômago com a bolha gástrica e os intestinos. A técnica correta
também evidencia o músculo psoas e os processos transversos das vértebras
lombares. Um bom posicionamento pode ser avaliado pela simetria da pelve e
quando os arcos costais estiverem equidistantes da coluna vertebral. A Figura
40 apresenta uma radiografia de abdome como exemplo para identificar essas
estruturas.
119
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 40 – RADIOGRAFIA AP DE ABDOME
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
DICAS
Nas imagens a seguir, adaptadas de Bontrager (2005), temos os esquemas dos
posicionamentos. Utilize-os para identificar as estruturas e compor o seu portfólio.
a) OAD de esterno
120
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
b) Perfil de esterno
c) PA de articulações esternoclaviculares
d) Oblíqua de articulação esternoclavicular
121
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
e) PA de tórax
f) Perfil de tórax
g) AP de tórax em decúbito lateral
122
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
h) Oblíquas anteriores de tórax
i) Oblíquas posteriores de tórax
j) Vias aéreas AP
123
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
k) Perfil de vias aéreas
l) AP de abdome em supino
m) AP de abdome em ortostase
124
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
n) AP de abdome com raios horizontais
o) AP de abdome em pronação
p) Perfil de abdome
125
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
q) Perfil de abdome com raios horizontais
FONTE: Adaptada de Bontrager (2005)
126
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A respiração no tórax e a técnica respiratória são importantes para manter o
contraste nos arcos costais.
• No abdome, a técnica radiográfica é o diferencial entre uma imagem com
qualidade, que demonstra todas as sombras teciduais necessárias, e uma
imagem borrada.
CHAMADA
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
127
AUTOATIVIDADE
1 No exame das vias aéreas, o contraste é dado pela passagem de ar, por isso
o exame deve ser realizado:
a) ( ) Na segunda inspiração profunda.
b) ( ) Na segunda expiração profunda.
c) ( ) Na inspiração lenta e profunda.
d) ( ) Na expiração lenta e profunda.
2 Nas radiografias de abdome, várias estruturas são visíveis. Assinale a
alternativa que contém essas estruturas:
a) ( ) Fígado, rins, estômago e intestinos.
b) ( ) Fígado, coração, estômago e intestinos.
c) ( ) Timo, rins, estômago e coração.
d) ( ) Coração, rins, timo e intestinos.
3 Para visualizar o esterno sem a sobreposição dos arcos costais, deve-se:
a) ( ) Utilizar uma colimação extremamente fechada.
b) ( ) Utilizar a técnica respiratória para borrar.
c) ( ) Utilizar um feixe mais penetrante, aumentando o mAs.
d) ( ) Utilizar um feixe mais penetrante, aumentando o kV.
128
TÓPICO 4 —
UNIDADE 2
PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E
ABDOME
1 INTRODUÇÃO
As patologias do arcabouço se resumem a traumas de alto impacto, que
geram fraturas ou fissuras ósseas.
No tórax, a quantidade de patologias é enorme e, em razão das
sintomatologias semelhantes, precisamos estar atentos às diferenças, para
permitir o uso da técnica correta para cada caso.
No abdome, existem muitas patologias de abdome agudo. É importante
ter essa lista de patologias sempre em mente, para realizar rapidamente os
exames, a fim de auxiliar o médico a obter o diagnóstico o mais rápido possível.
2 ARCABOUÇO TORÁCICO
Neste tópico, estudaremos as fraturas de arcos costais, o pectus carinatum
(peito de pombo) e pectus excavatum (como peito escavado).
Agora que você já sabe os conteúdos que serão abordados, podemos
iniciar nossos estudos. Vamos lá?
2.1 FRATURAS DE ARCOS COSTAIS
A descontinuidade dos arcos costais é causada por traumas e pode
lesionar os órgãos internos. As fraturas de arcos costais prejudicam a respiração
por levarem instabilidade dos músculos intercostais, que executam o movimento
de alça de balde. Fraturas em costelas próximas levam a uma patologia chamada
tórax instável. Na Figura 41, podemos visualizar uma radiografia demonstrando
fraturas consolidadas de arcos costais.
129
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 41 – FRATURA DE ARCO COSTAL
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
2.2 PECTUS CARINATUM E PECTUS EXCAVATUM
O pectus carinatum é conhecido como peito de pombo e é caracterizado
pela proeminência do esterno. Já o pectus excavatum é conhecido como peito
escavado (Figura 42), com o esterno apresentando uma forte depressão.
FIGURA 42 – PEITO ESCAVADO
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
130
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
3 TÓRAX
A radiografia de tórax é um dos primeiros exames solicitados em muitos
hospitais, pois permite à equipe ter uma base do estado da região em casos de
complicações ou internação de longo prazo.
O tórax tem um vasto grupo de indicações. Uma das mais comuns é
a aspiração de corpos estranhos, os quais podem se alojar ao longo de todo o
trato respiratório, sendo que as imagens de vias aéreas e do tórax auxiliam na
identificação e na localização do objeto.
3.1 BRONQUITE
A bronquite pode ter origem infecciosa ou não e é caracterizada pela alta
produção de muco e tosse envolvendo toda a área brônquica. Os lobos inferiores
são os mais afetados. O aspecto radiográfico é radioluscência por toda a imagem e
opacidade na região inferior.
3.2 PNEUMONIA
É uma inflamação pulmonar com acúmulo de líquido, que pode ser
causada por vírus ou bactéria. É percebida na imagem por infiltração com
alteração de densidade, apresentando focos opacos heterogêneos e mal definidos
com configuração segmentada. A Figura 43 demonstra uma radiografia de um
paciente com pneumonia lobar.
FIGURA 43 – PNEUMONIA LOBAR
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
131
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
3.3 DERRAME PLEURAL
Presença de líquido na pleura. A imagem radiográfica dependerá do
tamanho da lesão e de como o paciente for posicionado, pois o derrame se
desloca quando ele estiver em pé ou deitado. O exame de derrame pleural mostra
radiodensidade aumentada e seios costofrênicos arredondados, permitindo a
avaliação de nível hidroaéreo. Na Figura 44, é possível observar a radiografia de
uma paciente com a lesão.
FIGURA 44 – DERRAME PLEURAL
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
3.4 PNEUMOTÓRAX
Trata-se da presença de ar na pleura. O aspecto radiográfico é o deslocamento
do pulmão da parede torácica, conforme pode ser visto na Figura 45.
FIGURA 45 – PNEUMOTÓRAX
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
132
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
3.5 HEMOTÓRAX
Caracterizado pela presença de sangue na pleura. Na radiografia, é
possível observar o nível hidroaéreo.
3.6 ATELECTASIA
Colapso de parte ou de todo o pulmão por obstrução. A região afetada
aparece na imagem com característica radiodensa e pode-se observar, em alguns
casos, o desvio dos tecidos moles, como a traqueia, o coração e o diafragma.
3.7 EMBOLIA PULMONAR
É o bloqueio da artéria pulmonar, que pode levar ao infarto pulmonar.
Demonstrada por opacidade em forma de cunha, também chamada de corcunda
de Hampton (Figura 46) – uma embolia no lobo inferior direito.
FIGURA 46 – EMBOLIA PULMONAR
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
3.8 TUBERCULOSE
Doença bacteriana contagiosa. Em uma radiografia, é possível diferenciar
a primária da secundária (recidiva): na tuberculose primária, podem ser vistos
focos opacos em todo o pulmão e aumento do hilo pulmonar; na secundária,
observam-se calcificações nas regiões superiores dos lobos.
133
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
Para diferenciar tuberculose ativa de inativa, é necessário ter exames
anteriores e avaliar se há consolidações e cavitações que indiquem tuberculose
ativa ou investigar se os focos já se apresentam calcificados, para identificar a
tuberculose inativa. A Figura 47 representa uma radiografia de um paciente com
tuberculose.
FIGURA 47 – TUBERCULOSE
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
3.9 ENFISEMA
Caracterizada pela destruição dos alvéolos pulmonares, faz com que o ar
não seja expelido. Na imagem, veremos o pulmão aumentado com radiolucências
e diafragma achatado, gerando deformação no tórax.
3.10 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma obstrução
resultante de enfisema ou bronquite crônica. O aspecto radiográfico será de
enfisema pulmonar (Figura 48) em AP abaixo.
134
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
FIGURA 48 – DPOC
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
4 ABDOME
Acadêmico, neste subtópico, vamos conhecer mais acerca do órgão
abdome, adentrar nos conceitos de abdome agudo, da colite, da obstrução
intestinal e do ílio paralítico.
Agora que você já sabe os conteúdos que serão abordados, podemos
iniciar nossos estudos. Vamos lá?
4.1 ABDOME AGUDO
As rotinas de abdome agudo servem para avaliar algumas patologias de
origem aguda, e não crônica, como:
• Ascite: acúmulo de líquido no peritônio. Na imagem, é caracterizada por um
borramento por toda a cavidade.
• Pneumoperitônio (Figura 49): presença de ar ou gás na cavidade peritoneal; no
abdome, em ortostase, é possível observar uma radiotransparência abaixo do
diafragma.
135
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
FIGURA 49 – PNEUMOPERITÔNIO
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
4.2 COLITE
Doença crônica, quando do tipo ulcerativa, é uma inflamação do cólon;
nas imagens (Figura 50), é possível observar a alça dilatada e protusões com ar
em seu interior, principalmente na região do retossigmoide.
FIGURA 50 – COLITE ULCERATIVA
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
136
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS DE ARCABOUÇO TORÁCICO, TÓRAX E ABDOME
4.3 OBSTRUÇÃO INTESTINAL
Bloqueio parcial ou total do cólon, geralmente resultante de aderência
fibrosa, doença de Crohn, invaginação ou volvo; na radiografia (Figura 51),
conseguimos ver a alça distendida e com ar.
FIGURA 51 – OBSTRUÇÃO INTESTINAL
FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2020.
4.4 ÍLIO PARALÍTICO
Resultante de falta de motilidade intestinal, na imagem podemos
observar ar e líquidos no intestino delgado e dilatação no intestino grosso.
137
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Apesar de simples, os exames radiográficos do tronco podem mostrar uma
infinidade de patologias, desde traumas, que geram fraturas, pneumoperitônio
e hemotórax até doenças crônicas, como diverticulite e pólipos, H1N1 e
tuberculose.
• A respeito das patologias respiratórias, deve-se atentar para as patologias de
maior ocorrência na região de atuação do profissional de radiologia, conferindo
o protocolo de exame e a técnica para o atendimento delas. Assim, é possível se
precaver e entregar exames de qualidade para casos recorrentes.
138
AUTOATIVIDADE
1 “Bloqueio parcial ou total do cólon, geralmente resultante de aderência
fibrosa, doença de Crohn, invaginação ou volvo” refere-se a:
a) ( ) Tuberculose.
b) ( ) Obstrução intestinal.
c) ( ) Fratura.
d) ( ) Hemotórax.
2 Com relação ao hemotórax na radiografia, deve-se avaliar:
a) ( ) O nível hidroaéreo no peritônio.
b) ( ) O nível hidroaéreo no mediastino.
c) ( ) A saturação de oxigênio do paciente.
d) ( ) O nível hidroaéreo na pleura.
3 Assinale a opção que contém uma patologia congênita:
a) ( ) Edema pulmonar.
b) ( ) Cirrose.
c) ( ) Pneumotórax.
d) ( ) Peito escavado.
139
140
TÓPICO 5 —
UNIDADE 2
CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, abordaremos as características técnicas que dão qualidade
ao exame e garantem a segurança do profissional.
Lembre-se de que dados, como técnicas, variam de acordo com o local e a
incidência de determinada patologia na região.
2 ERROS COMUNS
Todo grupo de imagens tem também uma lista de erros comuns. A
seguir, serão apresentados os mais recorrentes nos exames de tórax, abdome e
arcabouço torácico:
• Técnica respiratória errada.
• Tamanho incorreto do filme.
• Alinhamento incorreto com a LSM.
• Técnica (kVp e mAs) incorreta para a patologia.
• Pressa para a realização do exame.
• Falta de anamnese.
• Dfofi errada.
• Colimação muito aberta.
• Angulação errada do paciente, para mais e para menos.
• Identificação errada das oblíquas – imagem de radiologia diferente do pedido
médico.
3 ROTINAS BÁSICAS
Vimos muitos posicionamentos ao longo desta unidade, mas apenas
uma parcela dessas ocorrências é rotineira; os demais exames são ditos
complementares. No Quadro 1, é possível encontrar as rotinas básicas para cada
estrutura estudada. Lembre-se de que essas rotinas podem variar de acordo
com o pedido médico, com o hospital ou com a clínica.
141
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
QUADRO 1 – ROTINA DOS EXAMES DE TRONCO
Região Rotina
Arcos costais AP e PA
Esterno OAD
Tórax PA e P
Vias aéreas AP e P
Abdome simples AP em ortostase
PA de tórax, AP de abdome em
Abdome agudo ortostase, AP lateral de abdome, AP
de abdome em decúbito dorsal
FONTE: A autora
4 PROTEÇÃO
Para exames trabalhados nesta unidade, é impossível a utilização do
colete de chumbo. Entretanto, o protetor e o saiote podem ser utilizados. O
Quadro 2 descreve as principais sugestões de uso desses equipamentos.
QUADRO 2 – PROTEÇÃO RADIOLÓGICA PARA TRONCO
Região Cuidados
Arcos costais superiores e esterno Saiote
Arcos costais inferiores e abdome Sem uso de protetores
Tórax Saiote
Vias aéreas Saiote
FONTE: A autora
5 COLIMAÇÃO
A colimação também é um item importante, por isso deve-se centralizar a
luz de colimação apenas na estrutura e usar a maior Dfofi e a menor DOF possível,
sempre. Lembre-se de que, apesar do tronco ser grande, colimações pequenas
podem ser realizadas nas incidências de esterno.
142
TÓPICO 5 — CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
5.1 TAMANHO DE RI
Em muitas regiões do Brasil, ainda encontramos sistemas de tela-filme.
Nesses casos, sempre se deve dividir o filme para evitar gastos e otimizar as
imagens.
Como não falamos de filmes nos nossos posicionamentos, orientamos
sempre escolher conforme o tamanho da estrutura a ser radiografada, posicionando
o filme de acordo com o eixo longo da anatomia de evidência. Lembre-se de
projetar o filme quando o RC for angulado. No Quadro 3, são listadas algumas
opções – caso não estejam disponíveis, escolha sempre um tamanho acima da
estrutura a ser radiografada.
QUADRO 3 – TAMANHO DOS RECEPTORES DE IMAGEM CONFORME A REGIÃO
Região Tamanho
Esterno 18x24
Arcos costais 30X40 ou 35X45
Tórax 35x35 ou 35x43 para PA e 30X40 para P
Abdome 30X40 ou 35X43
Vias aéreas 24X30
FONTE: A autora
Com relação à técnica utilizada, sempre se deve respeitar o cálculo (nunca
utilizar o famoso “olhometro”). Respeite também a carta técnica do equipamento
e observe com atenção o tamanho da estrutura e a distância que ela está do
receptor de imagem, para selecionar qual lado ficará voltado ao cátodo (sempre
o mais espesso). Em todo caso, a Tabela 1 apresenta algumas sugestões para as
rotinas básicas.
TABELA 1 – TÉCNICAS PARA O EXAME DO TRONCO
Incidência mAs kVp
OAD de esterno 45 65
Arcos costais 64 73
Tórax PA 2,5 120
Tórax P 10 100
Abdome em ortostase 16 50
Abdome decúbito 16 48
Vias aéreas AP 25 50
Vias aéreas P 40 57
FONTE: A autora
143
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
Algumas patologias do tórax exigem que a técnica radiográfica seja
alterada para melhor visualização, por isso é importante a realização da anamnese,
que ajuda a determinar a técnica (Quadro 4).
QUADRO 4 – AJUSTE DE TÉCNICA PARA DOENÇAS DO TÓRAX
Patologia Ajuste de técnica
Aspiração Técnica de partes moles em vias aéreas superiores
Atelectasia Aumentar
Bronquite –
DPOC Reduzir
Enfisema Reduzir muito de acordo com a gravidade
Derrame pleural Aumentar
Hemotórax –
Pneumonia Aumentar
Pneumotórax –
Embolia pulmonar –
Tuberculose –
FONTE: Adaptado de Bontrager (2005)
144
TÓPICO 5 — CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
ACHADOS INICIAIS NA RADIOGRAFIA DE TÓRAX EM UMA
POPULAÇÃO PEDIÁTRICA COM DIAGNÓSTICO DE INFECÇÃO
VIRAL POR H1N1
Isa Félix Adôrno
Tiago Kojun Tibana
Rômulo Florêncio Tristão Santos
Victor Machado Mendes Leão
Yvone Maia Brustoloni
Pedro Augusto Ignácio Silva
Marco Antônio Ferreira
Thiago Franchi Nunes
Há poucas séries populacionais pediátricas que descrevem sinais
iniciais da infecção pelo H1N1 na radiografia de tórax como preditores de um
pior desfecho clínico. Também não encontramos estudos que compararam as
alterações observadas em pacientes que não necessitaram de ventilação invasiva
e pacientes que evoluíram com essa demanda. O objetivo principal deste estudo
foi caracterizar a frequência dos padrões radiográficos iniciais de pacientes
pediátricos portadores de pneumonia pelo vírus H1N1 e o objetivo secundário
foi avaliar possíveis sinais radiológicos preditores de um pior desfecho clínico.
Os dados foram coletados dos prontuários médicos dos pacientes. A
análise das imagens foi realizada no sistema PACS do serviço de radiodiagnóstico
da nossa instituição. Foram incluídos todos os pacientes admitidos no
departamento de pediatria entre os anos de 2012 e 2016 que preencheram os
critérios clinicolaboratoriais e tiveram infecção confirmada de vírus H1N1. Esses
critérios incluíram sintomas semelhantes aos da gripe, temperatura corporal de
37,8° C ou superior, tosse ou dor de garganta, evolução rápida e teste de reação
em cadeia da polimerase de transcriptase reversa em tempo real com resultados
positivos para o vírus H1N1.
Foram incluídos todos os pacientes submetidos a radiografia de tórax em
até 24 horas após a abertura do quadro clínico e com diagnóstico confirmado
de H1N1. Depois de revisar os prontuários e registros dos pacientes para sinais
e sintomas, resultados laboratoriais, de imagem, culturas de sangue, urina
e escarro (quando disponíveis), os pacientes com doença aguda simultânea
adicional comprovada (por exemplo, bacteremia observada na admissão) foram
excluídos. Inicialmente, a população selecionada foi de 25 pacientes, e destes,
5 foram excluídos por falta de informações e exames nos prontuários médicos
e 3 por não confirmação do diagnóstico de H1N1. Dessa forma, a amostra final
totalizou 17 casos.
145
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
Foram coletados dados dos pacientes selecionados em relação a idade,
sexo, procedência, etnia, histórico de vacinação contra H1N1, comorbidades e
fatores de risco, sintomas, dados do exame físico de entrada, exames laboratoriais,
exames de imagem, tratamento instituído, admissão na unidade de terapia
intensiva, início de ventilação mecânica, tempo de hospitalização e óbito. Os
detalhes do tempo transcorrido desde o primeiro sintoma até a admissão ao
hospital foram registrados.
Todas as radiografias foram adquiridas em aparelho digital modelo
Digital Diagnostic TH/VR (Siemens Axiom MDF, Erlangen, Alemanha). As
imagens foram revisadas em consenso por dois radiologistas (um com 8 anos
e outro com 20 anos de experiência em imagens torácicas) e dois residentes de
radiologia do segundo e terceiro anos. Em nossa instituição, para a faixa etária
pediátrica, a radiografia foi obtida rotineiramente na incidência anteroposterior,
e caso necessário, uma incidência lateral foi adicionada. Os dois revisores
desconheciam os dados clínicos e o desfecho clínico dos pacientes. Dos 17
pacientes com radiografia de tórax obtida na admissão, nenhuma imagem
anterior estava disponível para comparação. A revisão foi realizada em uma
estação de trabalho do sistema de arquivamento e comunicação de imagens
(Dicom Viewer; Medical Connections Ltd., UK).
Cada radiografia foi primeiramente caracterizada como normal ou
anormal. As radiografias alteradas (100% dos casos) foram, então, analisadas
quanto ao padrão radiológico. Os achados que provavelmente estavam
relacionados com a infecção atual por influenza foram descritos de acordo
com o padrão de envolvimento radiológico: marcas peribroncovasculares,
consolidação, opacidades alveolares inespecíficas, marcas peribroncovasculares
associadas a consolidação, marcas peribroncovasculares associadas a opacidades
alveolares inespecíficas, consolidação associada a opacidades alveolares
inespecíficas, e marcas peribroncovasculares com consolidação e opacidades
alveolares inespecíficas. A consolidação foi definida como um aumento
homogêneo da atenuação do parênquima pulmonar obscurecendo as margens
dos vasos e vias aéreas. Opacidades alveolares inespecíficas foram definidas
como uma área de opacidade pulmonar aumentada, nebulosa, dentro da qual a
definição das estruturas pulmonares geralmente é preservada. Essa opacidade
é menos opaca que a consolidação e se assemelha ao padrão em vidro fosco
descrito em TCs. As imagens foram interpretadas utilizando a descrição do
glossário da Sociedade Fleischner.
A distribuição dos achados radiográficos foi caracterizada como unilateral
ou bilateral. A simetria dos achados também foi avaliada como achados simétricos
e assimétricos. Em relação à distância do hilo, os achados foram categorizados
como central (4 cm do hilo), periférico ou ainda peribroncovascular. A extensão
dos achados foi considerada menor que 25% ou maior que 25%. Além disso, os
pulmões foram segmentados em zonas superiores, médias e inferiores usando
linhas horizontais imaginárias que dividiam os pulmões nesses três níveis, cada
146
TÓPICO 5 — CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
zona sendo representada por um terço do eixo longo de cada pulmão. A presença
e o tamanho do derrame pleural foram registrados, assim como outros achados,
incluindo dispositivos de suporte vital, aumento da área cardíaca, edema
pulmonar, pneumotórax ou pneumomediastino.
A idade média dos pacientes (10 do sexo feminino e 7 do sexo masculino)
foi de 45,5 meses. A duração dos sinais e sintomas variou de 1 a 15 dias. Oito
(47,1%) pacientes necessitaram de suporte respiratório, enquanto nove (52,9%)
precisaram utilizar tal suporte após a avaliação inicial no departamento de
medicina de emergência, tendo dois casos evoluído para óbito. Numa pesquisa
sobre a situação vacinal, localizamos 4 (23,5%) não vacinados, 2 (11,8%)
vacinados e 11(64,7%) sem registro ou não informados. Todos os pacientes (100%)
apresentaram febre e tosse. Coriza estava presente em sete (41,2%) pacientes,
vômitos em seis (35,3%), diarreia em dois (11,8%) e dor de garganta em dois
(11,8%) pacientes. A média da saturação de oxigênio foi de 93,5% e a frequência
respiratória foi de 50,9 incursões por minuto.
As características encontradas com maior frequência nas radiografias
foram as marcas peribroncovasculares em cinco pacientes (29%), com extensão
abaixo de 25% em nove (52,9%). Consolidação foi relatada em três casos (17,6%)
e opacidades alveolares inespecíficas em dois (11,8%). Anormalidades múltiplas
ou concomitantes se mostraram em sete (41,2%) pacientes. Bilateralidade esteve
presente em mais da metade dos exames (64,7%) e assimetria em 13 (76,5%).
Acometimento de todo o parênquima pulmonar foi observado em nove pacientes
(52,9%), do terço médio em cinco (29,4%), e do terço superior em um (5,9%) e
do inferior em dois (11,8%). Não detectamos acometimento peribroncovascular.
Derrame pleural foi observado em quatro casos (23,5%), pneumotórax em dois
(11,8%) e pneumomediastino em um paciente (5,9%).
Na comparação dos achados radiológicos entre pacientes com e sem
suporte respiratório, houve diferença estatisticamente significativa na simetria
entre os grupos: nos pacientes com suporte ventilatório houve preponderância
de achados assimétricos, ao passo que os pacientes sem suporte ventilatório
foram igualmente distribuídos em relação à frequência de achados simétricos
e assimétricos (p = 0,029). Demais aspectos, como consolidações isoladas ou
associadas a outros padrões, extensão das lesões, lateralidade, simetria, região
envolvida e distribuição, não se mostraram estatisticamente significantes nesse
contexto, bem como na comparação das características clínicas dos pacientes com
e sem suporte ventilatório.
A maior parte dos artigos recentes sobre radiologia torácica em infecções
aborda aspectos de TC. Contudo, especialmente em crianças, a radiografia
de tórax continua exercendo importante papel. Existem poucos trabalhos
avaliando os achados iniciais na radiografia de tórax em populações pediátricas
com suspeita de infecção pelo H1N1. São reconhecidas dificuldades para se
diferenciar, radiologicamente, pneumonia viral de outros processos infecciosos,
147
UNIDADE 2 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TÓRAX, ARCABOUÇO TORÁCICO E ABDOME
como bronquiolite, sobretudo até a faixa etária de dois anos. A causa da infecção
(viral × bacteriana ou fúngica) não pode ser confiavelmente definida de acordo
com as características por imagem. Entretanto, há uma expectativa dos médicos
pediatras em relação aos achados dos exames radiológicos para que possam
nortear o manejo dos pacientes com H1N1, em conjunto com os dados clínicos e
exames laboratoriais.
Em relação às características clínicas elencadas, nosso estudo demonstrou
que não houve diferença estatística no estabelecimento de critérios clínicos que
permitam distinguir grupos que não requerem suporte ventilatório daqueles que
necessitaram, com pior desfecho. As marcas peribroncovasculares, associadas
ou não a outros padrões, foram identificadas como achado radiológico mais
prevalente na população estudada (64%). Em seguida, as opacidades alveolares
inespecíficas foram o segundo achado mais comum. Tais prevalências de
anormalidades foram semelhantes aos achados encontrados por outros autores.
Entretanto, a frequência de achados radiográficos anormais na nossa população
foi diferente de estudos publicados em pacientes da população adulta, cuja taxa
de anormalidades encontrada foi de apenas 27% versus 100% na nossa amostra.
O padrão radiológico de marcas peribroncovasculares foi semelhante
ao observado em associação com o vírus respiratório sincicial e infecção do
vírus parainfluenza, comumente visto em crianças. O motivo da ausência
desse achado entre pacientes adultos é incerto, porém, pode estar relacionado a
diferenças imunológicas entre as populações pediátrica e adulta. É possível que
pacientes pediátricos que ainda não tenham desenvolvido imunidade substancial
para vários vírus do trato respiratório inferior possam ter uma forma suave e
autolimitada de infecção pelo H1N1 visível nas radiografias de tórax, semelhante
à forma como eles respondem a outros tipos de vírus, como vírus respiratório
sincicial ou vírus parainfluenza. Em contraste, pacientes adultos podem não
ter tais anormalidades radiográficas porque provavelmente já foram expostos a
vários vírus de trato respiratório quando crianças. Como resultado, os pacientes
adultos podem ter imunidade mais robusta a novas infecções virais.
Nossos resultados sugerem que a radiografia de tórax pode desempenhar
um papel importante para ajudar a diagnosticar, tratar e realizar seguimento
adequado do paciente com infecção por influenza H1N1 confirmada em
laboratório, porque a assimetria do envolvimento pulmonar demonstrou
significância estatística (p = 0,029) para separar o grupo que evoluiu com pior
prognóstico, uma vez que os pacientes que necessitaram de ventilação mecânica
ou foram a óbito ou tiveram preponderância de achado assimétrico.
Com base nos achados descritos nas pandemias anteriores de gripe,
manifestações radiológicas da infecção por influenza incluem ainda consolidação
segmentar, que pode ser homogênea ou irregular e unilateral ou bilateral. Nosso
relatório corrobora esses achados, já que a consolidação foi um achado frequente,
encontrado em 35% dos pacientes, de maneira isolada ou associada a outros
148
TÓPICO 5 — CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
padrões. As radiografias em série podem mostrar áreas de consolidação irregulares
de 1 a 2 cm de diâmetro que rapidamente se tornam confluentes. Em uma série
na literatura, a doença era unilateral e bilateral em aproximadamente o mesmo
número de casos e amplamente disseminada em aproximadamente um quarto dos
pacientes com opacidades bilaterais, enquanto o derrame pleural era raro.
Os achados na radiografia de tórax em pacientes pediátricos com
infecção por H1N1 incluem marcas peribroncovasculares, opacidades alveolares
inespecíficas e consolidação pulmonar, entre outros padrões. A assimetria do
envolvimento pulmonar demonstrou significância estatística para separar o grupo
que evoluiu com pior prognóstico, uma vez que os pacientes que necessitaram
de ventilação mecânica ou foram a óbito ou tiveram preponderância de achado
assimétrico. O diagnóstico definitivo é baseado na correlação dos achados na
radiografia com os sintomas clínicos e resultados de testes laboratoriais.
FONTE: Adaptado de Adôrno IF et al. Achados iniciais na radiografia de tórax em uma população
pediátrica com diagnóstico de infecção viral por H1N1. Radiol Bras., v. 52, n. 2, p. 78-84, 2019.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 30 set. 2020.
CHAMADA
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149
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você aprendeu que:
• Saber a anatomia, as patologias, os posicionamentos e as especificações das
estruturas avaliadas são aspectos fundamentais nas radiografias de tórax,
abdome e arcabouço torácico.
• O arcabouço torácico contempla os posicionamentos do esterno e dos arcos
costais, e sua principal indicação são fraturas de arcos costais. Quanto a esta
aquisição, é importante lembrar que, por causa dos músculos intercostais,
que realizam o movimento de alça de balde na respiração, a aquisição deve
ser feita rapidamente em paciente que apresenta dificuldade de respirar
(exceto se em uso de faixa ao redor do tórax, pois a faixa ajuda a estabilizar a
musculatura e a fratura).
• Com relação ao tórax, as aquisições ajudam a avaliar o mediastino e,
principalmente, o tórax. O número de patologias avaliadas é vasto, sendo
destacadas algumas das mais comuns na rotina hospitalar. Ressalta-se que a
respiração é um fator de extrema importância, pois acrescenta contraste na
imagem do tórax – por isso, é importante treiná-la com o paciente, sempre que
possível.
• Nas aquisições de abdome, a principal indicação é a avaliação do abdome
agudo, que envolve um conjunto de patologias. Entre os principais pontos
nessas aquisições, está a importância de se incluir desde a crista ilíaca até parte
dos arcos costais, sempre deixando o paciente na posição por alguns minutos,
a fim de, em avaliações de níveis hidroaéreos, obter melhor visualização das
estruturas e dos níveis.
• É fundamental, nas aquisições de tórax, o uso de máscara e luvas. Na verdade,
elas devem ser utilizadas em todos os exames, mas, sobretudo, nessa aquisição,
pois existem muitas doenças infectocontagiosas no trato respiratório.
• Sempre se deve realizar a anamnese em todos os exames e ler com atenção
toda a requisição médica, incluindo o CID, pois isso ajuda a pensar no que o
paciente consegue ou não fazer, em termos de posicionamento e das alterações
necessárias à técnica radiológica utilizada, além de prever os principais
cuidados com a saúde do profissional.
150
AUTOATIVIDADE
1 A escolha do filme radiográfico ou do receptor de imagens depende:
a) ( ) Do tamanho da estrutura.
b) ( ) Do peso do paciente.
c) ( ) Da técnica utilizada.
d) ( ) Da patologia.
2 Algumas patologias do tórax exigem que o profissional altere a técnica
radiográfica. Assinale a opção em que a técnica deve ser reduzida:
a) ( ) Derrame pleural.
b) ( ) Atelectasia.
c) ( ) DPOC.
d) ( ) Bronquite.
3 As técnicas de tórax e arcos costais são diferentes, porque:
a) ( ) São partes diferentes do corpo.
b) ( ) São estruturas diferentes a serem avaliadas.
c) ( ) São realizadas em equipamentos diferentes.
d) ( ) Nunca são realizadas no mesmo paciente.
151
152
UNIDADE 3 —
ANATOMIA, PATOLOGIA E
POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E
FACE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender, replicar e adaptar os posicionamentos radiográficos do crânio e
da face;
• identificar estruturas nas imagens radiográficas do crânio e da face;
• avaliar os critérios de qualidade das radiografias do crânio e da face.
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividia em quatro tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.
TÓPICO 1 – ANATOMIA DE CRÂNIO E FACE
TÓPICO 2 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO
TÓPICO 3 – ANATOMIA RADIOGRÁFICA
TÓPICO 4 – PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES
TÉCNICAS
CHAMADA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.
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154
TÓPICO 1 —
UNIDADE 3
ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
1 INTRODUÇÃO
O crânio é formado por poucos ossos, mas contém muitas estruturas que
servem de apoio para o sistema nervoso central (SNC) e os órgãos dos sentidos,
sendo também suporte de músculos que possibilitam as expressões faciais, como
o sorriso e a mastigação.
Veremos, neste tópico, os ossos que compõem o crânio, a face e as
suas estruturas, além das principais articulações, em especial a articulação
temporomandibular (ATM), e dos músculos presentes no crânio.
2 OSSOS
A principal função dos ossos do crânio é a proteção do SNC, pois a calota
craniana impede que impactos na cabeça atinjam diretamente o encéfalo. Como
funções acessórias, apresenta cavidades necessárias para o sistema digestivo e
respiratório, além de servir como suporte para os dentes e, consequentemente,
para a mastigação.
A cabeça pode ser dividida em neurocrânio e viscerocrânio. O neurocrânio
é composto pela base craniana e pela calvária, que estão em contato direto com o
SNC, o qual é revestido pelas meninges. O neurocrânio é formado pelos seguintes
ossos:
• Frontal: é um osso único, em forma de concha. Localiza-se, anteriormente, no
crânio (testa) e, em seu interior, há um bolsão de ar chamado seio frontal, com
formato de uma couve-flor. A proeminência central (entre as sobrancelhas e
um pouco acima delas) é chamada de glabela. A parte inferior do frontal forma
o teto da órbita.
• Occipital: osso único que forma a nuca e a base do crânio. Na face posterior,
apresenta uma proeminência chamada de ínio e, na face inferior, uma abertura
chamada de forame magno, pelo qual passa todo o tubo neural e que faz a
articulação da coluna com o crânio pelos côndilos occipitais. Internamente, o
occipital contém duas abóbadas, onde repousa o cerebelo, chamadas de fossas
cerebelares.
155
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Parietal: é composto por um par de ossos, um direito e um esquerdo, localizados
posteriormente ao frontal e na parte superior do crânio, unidos pela sutura
sagital e em formato de uma cunha. Internamente, é possível observar os sulcos
das meninges.
• Temporal: também é composto por um par de ossos que pode ser dividido
em três partes: parte escamosa, na qual se encontram a fossa mandibular e o
processo para o arco zigomático, a parte timpânica, em que consta o meato
acústico externo (MAE), e uma parte mais rugosa chamada de parte petrosa,
onde estão o processo mastoideo, o processo estiloide e a região das células
da mastoide. O temporal é um osso pneumático, ou seja, com vários bolsões
de ar (células da mastoide) que reduzem o peso dos ossos do crânio e tornam
a cabeça mais leve para a coluna sustentar. Os temporais se encontram logo
abaixo dos parietais.
• Esfenoide: é um osso que se aloja entre os temporais e se conecta com o frontal
e o etmoide. Em formato de borboleta, é justamente essa semelhança que dá
nome a duas de suas estruturas: a asa maior e a asa menor do esfenoide. No
centro, encontramos a sela túrcica, que é uma depressão em forma de sela,
onde a hipófise ficará alojada.
• Etmoide: é um osso que faz ligação com o frontal, o esfenoide e com os ossos da
face. A lâmina perpendicular divide, junto com o septo nasal, o nariz em duas
cavidades. Em vista frontal, tem o formato de pulmões e apresenta conchas
nasais superior e média.
A Figura 1 apresenta um esquema do crânio em perfil contendo as
estruturas listadas.
DICAS
Vamos aprofundar seu conhecimento? A seguir, temos uma imagem com o
perfil de um crânio. Pinte um osso de cada cor e identifique as estruturas, conforme o
seguinte o padrão: frontal (azul claro); occipital (azul escuro); parietal (roxo escuro); temporal
(verde escuro); esfenoide (roxo claro); etmoide (rosa escuro); zigomático (laranja); maxila
(marrom escuro); nasal (cinza); lacrimal (verde claro); concha nasal inferior (amarelo);
vômer (vermelho); palatino (rosa claro); e mandíbula (marrom claro).
156
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
FIGURA 1 – CRÂNIO EM PERFIL
FONTE: A autora
NOTA
Você reparou que o processo da mastoide, apresentado na imagem, é
anterior ao processo espinhoso do temporal e que o etmoide e o esfenoide aparecem
muito pouco? Durante a pintura dos segmentos, você se lembrou de identificar o MAE? Ele
é muito importante para os posicionamentos de crânio, pois todas as linhas de referência
passam por ele.
A partir da Figura 1, é possível perceber que o crânio possui muitos
“buracos”, que chamamos de forames. Alguns deles são muito importantes para
a radiologia. É importante seguir a ordem deles, para não se perder:
1. Canal óptico – o mais anterior de todos, está localizado na asa menor do
esfenoide.
2. Forame redondo – lateral e abaixo do canal óptico, encontra-se na asa maior do
esfenoide.
3. Forame oval – logo abaixo do redondo, é o mais bem definido de todos.
4. Forame lácero – parece mais um rasgo, está localizado quase no mesmo nível
do oval e, ligeiramente, medial ao lácero.
5. Forame espinhoso – o menor de todos, bem abaixo do lácero.
6. Meato acústico interno (MAI) – é a “saída” do MAE, localiza-se mais próximo
do forame magno.
157
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
7. Forame jugular – abaixo do MAI e mais medial também.
8. Canal do hipoglosso – encontra-se na borda do forame magno, praticamente
dentro dele.
9. Forame magno – é o maior de todos, por onde passa o tronco encefálico (não
tem como errar).
A Figura 2 mostra a vista interna do crânio.
DICAS
A seguir, temos uma imagem da vista interna de um crânio. Tente identificar os
pontos listados anteriormente e dê destaque às asas maior e menor do esfenoide, pintando
todas as partes da imagem, conforme o seguinte padrão: frontal (azul claro); occipital (azul
escuro); parietal (roxo escuro); temporal (verde escuro); esfenoide (roxo claro); etmoide
(rosa escuro); zigomático (laranja); maxila (marrom escuro); nasal (cinza); lacrimal (verde
claro); concha nasal inferior (amarelo); vômer (vermelho); palatino (rosa claro) e mandíbula
(marrom claro).
FIGURA 2 – VISTA INTERNA DO CRÂNIO
FONTE: A autora
Na Figura 2, é possível observar, no centro do frontal, uma parte do
etmoide chamada de lâmina crivosa ou cribiforme. No centro da lâmina, temos
uma proeminência chamada de crista galli.
158
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
No centro da imagem, temos ainda a sela túrcica (Figura 3) ou sela turca.
Ela é um importante ponto de reparo nas aquisições de perfil do crânio, pois o seu
posicionamento garante que o paciente não está rodado. A sela é composta pelos
processos clinoides anteriores e posteriores, pelo dorso da sela, pelo clivus e
pela sela em si. O processo clinoide anterior tem a aparência de um corno e situa-
se lateralmente aos canais ópticos. Os processos clinoides posteriores são duas
proeminências, tendo, entre elas, o dorso da sela; na parte mais abaixo do dorso,
temos o clívus. A Figura 3 apresenta um perfil da sela – útil para identificar as
estruturas listadas.
FIGURA 3 – SELA TÚRCICA
FONTE: A autora
Já o viscerocrânio corresponde ao ossos da face e à mandíbula e serve de
suporte para as vísceras dos órgãos dos sentidos. É formado pelos seguintes ossos:
• Zigomático: osso par que, junto com a maxila e o temporal, formam a maçã do
rosto. Possui o forame zigomático e a proeminência do arco zigomático, que
se unem ao do temporal para formar o arco zigomático.
• Maxila: osso também par, que se articula com o zigomático, frontal e palatino.
Possui um bolsão de ar, o seio da face maxilar e os processos alveolares para a
inserção dos dentes, por meio das articulações do tipo gonfose. Inferiormente,
as maxilas se unem pela sutura maxilar ou sutura palatina mediana, que as
une desde os palatinos até a face mesial dos incisivos superiores, onde há o
forame incisivo. Na face anterior, bem no centro, temos o forame infra orbital.
• Nasal: osso também par, muito fino e pequeno. Faz articulação com o frontal e
repousa sobre o etmoide.
• Lacrimal: osso duplo que se insere ao lado do etmoidal e possui um pequeno
ducto, o qual se inicia no canal lacrimal. Quando choramos, o ducto
transborda e parte das lágrimas vão para os seios maxilares. Por isso, nosso
nariz escorre quando choramos e ficamos com o rosto inchado, como quando
estamos com sinusite.
• Concha nasal inferior: as conchas nasais recebem esse nome por ter a forma
da concha do nautilus, um crustáceo com uma concha pontuda. As conchas
nasais superior e medial fazem parte do etmoide, mas as conchas inferiores são
ossos próprios e auxiliam na respiração.
• Vômer: osso em forma de lança, dá suporte ao etmoide e vai da espinha nasal
anterior até os palatinos.
159
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Palatino: osso duplo e alongado, sem forma definida. Localiza-se entre o
esfenoide e o vômer.
• Mandíbula: único osso móvel do crânio. É formado por duas metades que se
unem ao longo do fechamento das epífises ósseas. Assim como a maxila, possui
processos alveolares, em que ficarão os dentes. Na parte mais anterior, temos o
queixo que, a partir de agora, chamaremos de mento. Ao lado do mento, temos
os forames mentuais, que estão no corpo da mandíbula, seguidos do ângulo
da mandíbula, ramo da mandíbula que se divide em processo coronoide e
côndilo da mandíbula. Na face interna da mandíbula, temos a língula – ao
passar a língua pela mandíbula, é possível sentir uma depressão, sendo a parte
mais alta a língula.
Se observarmos o crânio de baixo (Figura 4), veremos melhor esfenoide,
palatino, vômer e maxila. Os côndilos occipitais, que fazem a articulação com a
atlas, ficam bem visíveis; lateralizados ao forame magno, é possível identificar as
lâminas pterigoideas e os hâmulos pterigoideos, assim como a espinha nasal
posterior e a sutura palatina e maxilar.
DICAS
Para aprofundar seu conhecimento, pinte todas as partes da imagem,
conforme o seguinte padrão: frontal (azul claro); occipital (azul escuro); parietal (roxo
escuro); temporal (verde escuro); esfenoide (roxo claro); etmoide (rosa escuro); zigomático
(laranja); maxila (marrom escuro); nasal (cinza); lacrimal (verde claro); concha nasal inferior
(amarelo); vômer (vermelho); palatino (rosa claro) e mandíbula (marrom claro).
FIGURA 4 – VISTA INFERIOR DO CRÂNIO
FONTE: A autora
160
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
Na vista em AP do crânio, conseguimos visualizar com clareza
mandíbula, maxila, zigomático, lacrimal e nasal. Na Figura 5, temos uma vista
em AP que possibilita identificar bem o etmoide, dividindo o nariz em duas
cavidades e logo acima do vômer. Abaixo do vômer, temos a maxila e a espinha
nasal anterior. Abaixo desta, temos o chamado acântio. É possível observar as
conchas nasais médias (acima) e inferiores (abaixo) dentro do nariz. Repare que
a cavidade orbital é formada por vários ossos.
DICAS
Pinte todas as partes da imagem, conforme o seguinte padrão: frontal (azul
claro); occipital (azul escuro); parietal (roxo escuro); temporal (verde escuro); esfenoide
(roxo claro); etmoide (rosa escuro); zigomático (laranja); maxila (marrom escuro); nasal
(cinza); lacrimal (verde claro); concha nasal inferior (amarelo); vômer (vermelho); palatino
(rosa claro) e mandíbula (marrom claro).
FIGURA 5 – CRÂNIO AP
FONTE: A autora
Na Figura 6, temos a órbita em detalhe e, em preto, a fissura orbital, uma
fenda resultante da união dos ossos do crânio. Na parte mais superior, tem-se o
frontal; mais lateral, o zigomático; mais medial, o lacrimal seguido do etmoide.
A base da órbita é formada pela maxila, a menor porção de osso percebida é o
palatino e o restante é o esfenoide, sendo que, acima da fissura central, temos a asa
menor e, abaixo, a asa maior. No arco supra orbital, vê-se o forame supraorbital.
161
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
DICAS
Pinte todas as partes da imagem, conforme o seguinte padrão: frontal (azul
claro); occipital (azul escuro); parietal (roxo escuro); temporal (verde escuro); esfenoide
(roxo claro); etmoide (rosa escuro); zigomático (laranja); maxila (marrom escuro); nasal
(cinza); lacrimal (verde claro); concha nasal inferior (amarelo); vômer (vermelho); palatino
(rosa claro) e mandíbula (marrom claro).
FIGURA 6 – DETALHE DA ÓRBITA
FONTE: A autora
3 MÚSCULOS
Os músculos da face são muitos e estão envolvidos na mastigação e na fala,
como o masseter, e nos movimentos da cabeça, como o esternocleidomastoideo.
Contudo, em sua maioria, os músculos da cabeça são responsáveis por demonstrar
emoções, mesmo que pequenas, como o nojo (leve contração da boca com elevação
do nariz e leve fechamento das pálpebras) e a alegria (abertura das pálpebras,
sorriso largo com projeção posterior das orelhas e sobrancelhas).
162
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
DICAS
Caro acadêmico, para entender melhor os músculos da face, separamos dois
vídeos importantes sobre anatomia e microexpressões:
• Anatomia dos músculos da cabeça em 3D, do canal "Motus Hominis", que mostra a
posição dos músculos da cabeça e ajuda a compreender a função de muitas estruturas:
[Link]
• O que sua Face revela?, do canal "Metaforando", que demonstra pequenas emoções
impressas no nosso rosto e como elas formam opiniões – além de curioso, ajuda
a identificar alguns trejeitos dos pacientes, a fim de evitar desgastes e facilitar os
procedimentos do dia a dia: [Link]
4 ARTICULAÇÕES
As articulações do crânio são, em sua maioria, do tipo sutura, ou seja, o
elemento de interposição é tecido fibroso e há baixa ou nenhuma mobilidade entre
os ossos. Todas as linhas que ligam um osso no outro, das imagens apresentadas
anteriormente, são articulações do tipo sutura. Algumas chamam mais a nossa
atenção, sendo que três delas se encontram na calvária.
Calvária é, basicamente, a tampa do crânio. É formada por três ossos:
anteriormente, o frontal; posteriormente, o occipital; e, entre eles, os parietais
direito e esquerdo. A sutura que une o frontal aos parietais é chamada de sutura
coronal; a que une o parietal direito ao esquerdo é a sutura sagital; e a que une
os parietais ao occipital é a sutura lambdoide, que recebe esse nome por se
assemelhar à letra grega lambda (𝜆) – a Figura 7 mostra como realmente é parecido
com o formato da letra. A união das suturas sagital e coronal recebe o nome de
bregma, enquanto a união das suturas sagital com lambdoide, de lambda.
DICAS
Aproveite a imagem a seguir para identificar as suturas e repare como elas
se parecem com divisas de cidades e Estados, com bordas bem irregulares. Pinte as áreas
conforme o seguinte padrão: frontal (azul claro); occipital (azul escuro); parietal (roxo
escuro); temporal (verde escuro); esfenoide (roxo claro); etmoide (rosa escuro); zigomático
(laranja); maxila (marrom escuro); nasal (cinza); lacrimal (verde claro); concha nasal inferior
(amarelo); vômer (vermelho); palatino (rosa claro) e mandíbula (marrom claro).
163
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 7 – CALVÁRIA
FONTE: A autora
Outra sutura importante é a formada pela ligação do esfenoide com
o parietal, região chamada de ptério. O ptério e o bregma são comumente
denominados de moleira. As famosas moleiras levam este nome porque, quando
se toca essa região em bebês, percebe-se que é incrivelmente mole em comparação
com o resto do crânio. Isso ocorre porque o bebê não nasce com o crânio inteiro,
seus ossos crescem e unem-se uns aos outros pelos centros ósseos. Embora pareça
estranho uma região tão sensível quanto o crânio não nascer fechada, basta se
lembrar da forma como um bebê nasce em partos normais para perceber que
não é fisicamente possível: ao passar pelo canal vaginal, os centros dos ossos do
crânio se aproximam de forma a permitir a saída do bebê.
As gonfoses também são articulações fibrosas, sendo responsáveis por
prender os dentes dentro dos processos alveolares da maxila e da mandíbula.
Por isso, tratamentos ortodônticos levam tempo para deslocar todo o processo
articular. Se o ortodontista fizesse com rapidez, é provável que as pessoas ficassem
com os dentes moles e até os perdessem.
O último tipo articular importante é a única articulação móvel do crânio:
a ATM, que atua na mastigação, fonação e deglutição. Todos nós temos ATMs,
apesar de, infelizmente, alguns terem disfunções temporomandibulares (DTM),
seja por luxação, fratura ou bruxismo.
Como toda articulação sinovial, a ATM apresenta cartilagens articulares
na fossa (que fica no temporal, logo à frente do processo esfenoide do temporal) e
na cabeça da mandíbula, localizada no côndilo da mandíbula. O disco articular
é fibrocartilaginoso e se desloca durante a abertura e o fechamento da boca,
por isso realizamos as técnicas de ATM sempre com a boca aberta e fechada. A
movimentação da ATM depende da dentição e dentes tortos ou que demandaram
muito tempo de ortodontia costumam alterar o padrão de movimento, que sempre
puxa para um dos lados. Para fazer o teste, diante de um espelho, basta abrir bem
lentamente a boca e observar algum desvio de ATM do deslocamento para um
dos lados. Na Figura 8, temos um esquema da articulação temporomandibular.
164
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
DICAS
Como atividade de fixação, pinte os elementos de interposição de acordo
com o esquema: o côndilo da mandíbula (A) e o temporal (B) de amarelo; as estruturas
articulares: cápsula articular (1 – azul), membrana sinovial (2 – vermelho), cartilagem
articular (3 – verde), cavidade articular (4 – cinza) e disco (7 – roxo). Pinte também as letras
de amarelo.
FIGURA 8 – ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
FONTE: A autora
5 SEIOS DA FACE
Os seios da face são bolsões de ar presentes ao redor da cavidade nasal e
que auxiliam na respiração. São quatro pares de seios da face:
• Seio frontal: localizado no seio frontal, logo acima da cavidade nasal.
• Seio maxilar: localizado na maxila e nas laterais ao nariz e logo acima dos
dentes superiores.
• Seio esfenoidal: localizado na parte anterior do esfenoide e posterior à
cavidade nasal.
• Seio etmoidal: são vários bolsões, também chamados de células etmoidais, e se
localizam ao redor da cavidade nasal.
Os seios da face ficam, normalmente, cheios de ar, mas líquidos como
lágrimas, água e pus, podem adentrar nos seios, gerando inchaço das partes
moles, abaixo dos olhos, e dores de cabeça, como na gripe e na sinusite. Na Figura
9, temos um desenho esquemático dos seios da face.
165
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 9 – SEIOS DA FACE
FONTE: <[Link] Acesso em: 29 set. 2020.
6 DENTIÇÃO
Apesar de não ser o foco desta unidade, é sempre bom lembrar dos dentes.
As pessoas têm duas dentições: a decídua, que são os famosos dentes de leite, e
a permanente, que conta com 32 dentes. Os dentes são divididos de acordo com
sua função, localização e forma:
• Incisivos: podem ser centrais ou laterais, são os dentes da frente. Os de cima são
maiores, sendo que os centrais são mais proeminentes que os laterais. Já todos
os de baixo apresentam o mesmo tamanho e são menores que os superiores.
• Caninos: parecidos com presas, são dentes de corte. Os superiores são maiores
e mais à frente da arcada dentária.
• Pré-molares: dentes de mastigação, são pequenos e em pares (primeiro e segundo).
• Molares: também são dentes de mastigação de alimentos mais resistentes. São
em trios, sendo que o terceiro é o último a nascer perto dos 18 anos – o famoso
dente do juízo ou, melhor, do siso.
Os dentes de leite nascem para permitir a alimentação mais adequada ao
bebê, também servindo como guias para o nascimento dos dentes permanentes.
Os dentes de leite têm toda a estrutura de um dente de adulto. Conforme o dente
permanente se desenvolve, a raiz do dente de leite é destruída e sobra apenas a
coroa presa na gengiva (que é quando dizemos que o dente da criança está mole)
e, assim que tiramos, vemos o outro dente já pronto.
166
TÓPICO 1 — ANATOMIA DO CRÂNIO E DA FACE
Ao longo da infância, é possível radiografar o crânio ou a face e perceber
muitos dentes, alguns alocados na mandíbula e na maxila, como “dentes normais”,
e outros envoltos em uma cápsula e sem a raiz, que são os dentes permanentes se
desenvolvendo. Quanto mais velhos ficamos, deixamos de ver o amontoado de
dentes. A Figura 10 traz uma radiografia panorâmica utilizada pela odontologia
para avaliação dentária de uma criança de 8 anos.
FIGURA 10 – RADIOGRAFIA PANORÂMICA
FONTE: <[Link]
Acesso em: 29 set. 2020.
NOTA
Conforme visto na imagem anterior, você consegue diferenciar os dentes de
leite dos permanentes? E os dentes que ainda não nasceram, consegue identificá-los?
167
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• A anatomia do crânio e como os ossos se relacionam, além de como se formam
as suturas da calvária e como a ATM funciona.
• Os ossos que formam a cabeça são divididos em dois grupos: osso do crânio
e ossos da face. Essa divisão ajuda a identificar os ossos nas radiografias e,
também, a entender as diferenças dos posicionamentos de crânio para os de
face.
• Ao longo da vida, temos duas dentições, a primária e a secundária, ambas
com características específicas. Saber como ocorre essa troca é importante para
identificar os dentes de leite e os definitivos nas imagens.
• Conhecer os seios da face e como se distribuem na cabeça nos ajuda a realizar
os posicionamentos da região com mais precisão.
168
AUTOATIVIDADE
1 Sobre os ossos do crânio, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Occipital, parietal e esfenoide.
b) ( ) Occipital, frontal e vômer.
c) ( ) Vômer, parietal e frontal.
d) ( ) Nasal, lacrimal e maxila.
2 Separar crânio de face é de suma importância. Sobre o exposto, assinale a
alternativa que contém apenas ossos da face:
a) ( ) Nasal, lacrimal e occipital.
b) ( ) Nasal, occipital e mandíbula.
c) ( ) Mandíbula, lacrimal e esfenoide.
d) ( ) Nasal, mandíbula e lacrimal.
3 Sabemos que os seres humanos passam por duas fases de dentição. Com
base no exposto, assinale a alternativa CORRETA quanto à nomenclatura
da dentição de leite:
a) ( ) Permanente.
b) ( ) Decídua.
c) ( ) Secundária.
d) ( ) Variante.
169
170
TÓPICO 2 —
UNIDADE 3
POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE
CRÂNIO E FACE
1 INTRODUÇÃO
O posicionamento do crânio exige que o paciente não apresente nenhuma
rotação, por isso é necessário revisar as linhas do crânio e atentar-se ao correto
alinhamento. Você pode encontrar algumas divergências de angulação no
posicionamento do crânio. Quando isso acontecer, observe a linha de referência do
autor. Acadêmico, para se lembrar de todas as linhas, preencha o quadro a seguir:
QUADRO 1 – LINHAS DO CRÂNIO
Sigla Nome
LMS
LIP
LGM
LOM
LIOM
LAM
LLM
LMM
FONTE: A autora
2 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO
A seguir, veremos os corretos posicionamentos do paciente em cada caso
e as respectivas considerações técnicas para a realização do exame de crânio.
171
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• AP de crânio (Figura 11):
◦ Paciente em decúbito dorsal, alinhamento à linha médio sagital (LMS) da
mesa e à linha orbitomeatal (LOM) perpendicular à mesa. Raio central (RC)
perpendicular na glabela, receptor de imagem (RI) centrado em RC, Distância
foco-filme (Dfofi) de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 11 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE AP DE CRÂNIO
FONTE: A autora
• Perfil de crânio (Figura 12):
◦ Paciente em decúbito ventral, com o crânio bem encostado na mesa e em
perfil verdadeiro. Para garantir o perfil verdadeiro, verificar se a LMS da face
do paciente está paralela à mesa e a linha interpupilar (LIP), perpendicular à
mesa. RC perpendicular, 5 cm acima do MAE, RI centrado no RC, Dfofi de 1
m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 12 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PERFIL DE CRÂNIO
FONTE: A autora
172
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• PA de crânio – método de Caldwell (Figura 13):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa e LOM perpendicular.
RC 15° caudal saindo do násio. RI centrado no RC, colimação na estrutura,
Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
FIGURA 13 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE CRÂNIO UTILIZANDO
O MÉTODO DE CALDWELL
FONTE: A autora
• PA de crânio (Figura 14):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa e LOM perpendicular.
RC perpendicular ao RI saindo da glabela. RI centrado no RC, colimação na
estrutura, Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
FIGURA 14 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE CRÂNIO
FONTE: A autora
173
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• PA de crânio – método de Haas (Figura 15):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa e LOM perpendicular.
RC 25° cefálico ao nível do MAE. RI centrado no RC, colimação na estrutura,
Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
FIGURA 15 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE CRÂNIO UTILIZANDO
O MÉTODO DE HAAS
FONTE: A autora
• Towne para crânio (Figura 16):
◦ Paciente em decúbito dorsal, alinhado com a LMS da mesa. Dfofi de 1 m,
colimação nas estruturas, respiração em apneia e RI projetado no RC. O RC
pode ser direcionado tanto para a LOM quanto para a linha infraorbitomeatal
(LIOM), incidido sempre 4 cm acima da glabela:
▪ LOM perpendicular à mesa – 30° caudal;
▪ LIOM perpendicular à mesa – 37° caudal;
▪ Com colar cervical – 45° caudal.
FIGURA 16 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TOWNE PARA CRÂNIO
FONTE: A autora
174
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Submentovértice (SMV; Figura 17):
◦ Paciente deitado (pode ser feito em ortostase), em decúbito dorsal e com a
cabeça projetada para trás até que a LIOM fique paralela ao RI. Corpo alinhado
à LMS da mesa. RC perpendicular à LIOM e 2 cm acima do MAE. RI centrado
em RC, colimação na estrutura, Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
FIGURA 17 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SMV
FONTE: A autora
• Towne para sela turca (Figura 18):
◦ Paciente em decúbito dorsal, alinhado com a LMS da mesa e LIOM
perpendicular à mesa. Dfofi de 1 m, colimação nas estruturas, respiração em
apneia e RI projetado no RC. O RC incidirá 4 cm acima da glabela e seu
ângulo de entrada dependerá do que se quer ver:
▪ 30° caudal – processos clinoides anteriores;
▪ 37° caudal – dorso e processos clinoides posteriores.
FIGURA 18 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TOWNE PARA SELA TURCA
FONTE: A autora
175
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Perfil para sela turca (Figura 19):
◦ Paciente em decúbito ventral, com o crânio bem encostado na mesa e em
perfil verdadeiro. Para garantir o perfil verdadeiro, verificar se a LMS da
face do paciente está paralela à mesa e a LIP, perpendicular à mesa. RC
perpendicular, 2 cm acima e 2 cm à frente do MAE, RI centrado no RC, Dfofi
de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 19 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PERFIL PARA SELA TURCA
FONTE: A autora
• Oblíqua de mastoide – método de Law modificado (Figura 20):
◦ Paciente em decúbito ventral, com o crânio bem encostado na mesa e em
perfil verdadeiro. Deve-se rodar a cabeça 15° em direção à mesa. RC 15°
caudal, 2,5 cm acima e para trás do MAE de cima, RI centrado no RC, Dfofi
de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 20 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE OBLÍQUA DE MASTOIDE UTILIZANDO
O MÉTODO DE LAW MODIFICADO
FONTE: A autora
176
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Oblíqua de mastoide – método de Stenvers (Figura 21):
◦ Paciente em decúbito ventral, com o crânio bem encostado na mesa e em perfil
verdadeiro. Deve-se rodar a cabeça 45° em direção à mesa. RC 12° cefálico, 7
a 10 cm para trás e 1,25 cm para baixo do MAE de cima, RI centrado no RC,
Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 21 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE OBLÍQUA DE MASTOIDE
UTILIZANDO O MÉTODO DE STENVERS
FONTE: A autora
• Oblíqua de mastoide – método de Arcelin (Figura 22):
◦ Também conhecido como método de Stenvers invertido. Paciente em
decúbito dorsal, com o crânio bem encostado na mesa e em perfil verdadeiro.
Deve-se girar a cabeça 45° em direção à mesa. RC 10° caudal, 2,5 cm à frente
e 2 cm acima do MAE de cima, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação
na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 22 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE OBLÍQUA DE MASTOIDE
UTILIZANDO O MÉTODO DE ARCELIN
FONTE: A autora
177
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
3 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE FACE
É importante saber que os posicionamentos da face englobam os ossos da
face, a cavidade ocular e a mandíbula, com incidência exclusiva para a ATM.
A partir dos posicionamentos descritos, a seguir, será possível perceber
que, mesmo que alguns sejam extremamente parecidos, a diferença está no foco
do exame: se, no crânio, com o objetivo de observar a calota craniana ou os ossos
da face, mais finos e em maior número.
• PA de face – método Caldwell (Figura 23):
◦ Paciente em decúbito ventral (podendo ser feito em ortostase), alinhado
à LMS da mesa e LOM perpendicular. RC 15° caudal saindo do násio. RI
centrado no RC, colimação na estrutura, Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
FIGURA 23 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE FACE UTILIZANDO
O MÉTODO CALDWELL
FONTE: A autora
• Perfil de face (Figura 24):
◦ Paciente em decúbito ventral (podendo ser feito em ortostase), com o
crânio bem encostado na mesa e em perfil verdadeiro. Para garantir o perfil
verdadeiro, verificar se a LMS da face do paciente está paralela à mesa e a
LIP perpendicular à mesa. RC centrado no zigoma, RI centrado no RC, Dfofi
de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
178
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 24 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PERFIL DE FACE
FONTE: A autora
• Método de Waters (Figura 25):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa, com o queixo
encostando na mesa, de forma que a linha mentomeatal (LMM) fique
perpendicular à mesa – também pode ser feito em ortostase. RC perpendicular,
saindo no acântio, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e
respiração em apneia.
FIGURA 25 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO UTILIZANDO O MÉTODO DE WATERS
FONTE: A autora
179
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Método Waters modificado (Figura 26):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa, com o queixo e o
nariz encostados na mesa, de forma que a LLM fique perpendicular à mesa –
também powde ser feito em ortostase. RC perpendicular, saindo no acântio,
RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em
apneia.
FIGURA 26 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE MÉTODO WATERS MODIFICADO
FONTE: A autora
• Método Rhese para órbita (Figura 27):
◦ Paciente em decúbito ventral alinhado à LMS da mesa, e a órbita afetada bem
encostada sobre a mesa. Lembre-se de que a órbita afetada deve estar sobre
a LMS da mesa e a face precisa estar bem alinhada. RC perpendicular ao
centro da órbita encostada. RI centrado em RC, Dfofi de 1 m, colimação nas
estruturas e respiração em apneia.
FIGURA 27 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE MÉTODO RHESE PARA ÓRBITA
FONTE: A autora
180
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Perfil de ossos paranasais (OPN; Figura 28):
◦ Paciente deitado em decúbito ventral, com a cabeça em perfil verdadeiro –
também pode ser feito em ortostase. RC 1,25 cm abaixo do násio. RI centrado
no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 28 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PERFIL DE OPN
FONTE: A autora
• Tangencial de OPN (Figura 29):
◦ Paciente sentado na borda da mesa e o RI posicionado de forma que a
LGA fique perpendicular a ele. RC incidindo no násio e paralelo à linha
glaboloalveolar (LGA). RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na
estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 29 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TANGENCIAL DE OPN
FONTE: A autora
181
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• SMV para arcos zigomáticos (Figura 30):
◦ Paciente em ortostase com o vértice da cabeça apoiado na estativa, de forma
a hiperestender o pescoço, e LIOM paralela à estativa. RC perpendicular e 4
cm abaixo do mento. RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura
e respiração em apneia.
FIGURA 30 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SMV PARA ARCOS ZIGOMÁTICOS
FONTE: A autora
• Oblíqua de arcos zigomáticos (Figura 31):
◦ Paciente em ortostase com o vértice da cabeça apoiado na estativa, de forma
a hiperestender o pescoço, e LIOM paralela à estativa. Então, girar a cabeça
15° para o lado afetado e o queixo mais 15°. RC perpendicular centrado no
arco zigomático. RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e
respiração em apneia.
FIGURA 31 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE OBLÍQUA ARCOS ZIGOMÁTICOS
FONTE: A autora
182
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Towne para arcos zigomáticos (Figura 32):
◦ Paciente em decúbito dorsal alinhado com a LMS da mesa. Dfofi de 1 m,
colimação nas estruturas, respiração em apneia e RI projetado no RC. O
RC pode ser direcionado tanto para a LOM quanto para a LIOM, incidido
sempre 2,5 cm acima da glabela:
▪ LOM perpendicular à mesa – 30° caudal;
▪ LIOM perpendicular à mesa – 37° caudal.
FIGURA 32 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TOWNE PARA ARCOS ZIGOMÁTICOS
FONTE: A autora
4 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SEIOS DA FACE
Nos posicionamentos dos seios da face, embora sejam parecidos com os
posicionamentos radiográficos da face, são diferentes em relação ao objetivo de
observação (ou do foco), exigindo adaptações e técnicas.
Reveja, no início da unidade, a localização dos seios da face, vai te ajudar
a entender essas pequenas diferenças de posicionamento.
• PA de seios da face – método de Caldwell (Figura 33):
◦ Paciente em ortostase e em PA, alinhado à LMS da estativa e com a testa e
o nariz encostados nela, de forma que a LOM faça 15° com a estativa. RC
perpendicular saindo no násio. RI centrado no RC, colimação na estrutura,
Dfofi de 1 m e respiração em apneia.
183
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 33 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE SEIOS DA FACE UTILIZANDO
O MÉTODO DE CALDWELL
FONTE: A autora
• Método de Waters para seios da face (Figura 34):
◦ Paciente em ortostase e em PA, alinhado à LMS da estativa com o queixo
encostando nela, de forma que a LMM fique perpendicular à esta. RC
perpendicular saindo no acântio, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação
na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 34 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO UTILIZANDO O MÉTODO
DE WATERS PARA SEIOS DA FACE
FONTE: A autora
184
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Perfil de seios da face (Figura 35):
◦ Paciente em ortostase, com o crânio bem encostado na estativa e em perfil
verdadeiro. Para garantir o perfil verdadeiro, verificar se a LMS da face do
paciente está paralela à estativa e a LIP perpendicular a ela. RC entre o canto
externo do olho e o MAE, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na
estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 35 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PERFIL DE SEIOS DA FACE
FONTE: A autora
• SMV para seios da face (Figura 36):
◦ Paciente em ortostase com o vértice da cabeça apoiado na estativa, de forma
a hiperestender o pescoço, e LIOM paralela à estativa. RC perpendicular e 4
cm abaixo do mento. RI centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura
e respiração em apneia.
FIGURA 36 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SMV PARA SEIOS DA FACE
FONTE: A autora
185
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Transoral para seios da face (Figura 37):
◦ Paciente em ortostase e em PA, alinhado à LMS da estativa, com o queixo
e nariz encostando nela, com a boca aberta, de forma que a LOM forme
um ângulo de 37° com a estativa. RC perpendicular saindo no acântio, RI
centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 37 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO TRANSORAL PARA SEIOS DA FACE
FONTE: A autora
5 POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE ATM E MANDÍBULA
Neste momento, trabalharemos a mandíbula, o único osso móvel do
crânio, é um osso robusto e que cobre boa parte do impacto dos traumas de face.
A disfunção da ATM também é uma lesão comum no ambiente radiológico
e que pode ser pedida por um ortopedista, um buco-maxilo ou, mais comumente,
por um dentista.
186
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• PA de mandíbula (Figura 38):
◦ Paciente em decúbito ventral, alinhado à LMS da mesa com a LOM
perpendicular à mesa. RC perpendicular saindo da união dos lábios. RI
centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 38 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA DE MANDÍBULA
FONTE: A autora
• PA axial de mandíbula (Figura 39):
◦ Paciente em decúbito ventral alinhado à LMS da mesa, com a LOM
perpendicular à mesa. RC 20° cefálico saindo no acântio. RI centrado no RC,
Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 39 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE PA AXIAL DE MANDÍBULA
FONTE: A autora
187
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
• Towne para mandíbula (Figura 40):
◦ Paciente em decúbito dorsal, alinhado com a LMS da mesa. Dfofi de 1 m,
colimação nas estruturas, respiração em apneia e RI projetado no RC. O
RC pode ser direcionado tanto para a LOM quanto para a LIOM, incidindo
sempre na glabela:
▪ LOM perpendicular à mesa – 35° caudal;
▪ LIOM perpendicular à mesa – 42° caudal;
▪ LOM perpendicular à mesa – 40° caudal para fossas temporomandibulares.
FIGURA 40 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TOWNE PARA MANDÍBULA
FONTE: A autora
• SMV para mandíbula (Figura 41):
◦ Paciente em ortostase com o vértice da cabeça apoiado na estativa, de forma
a hiperestender o pescoço, e LIOM paralela à estativa. RC perpendicular
entre o ângulo da mandíbula e o mento. RI centrado no RC, Dfofi de 1 m,
colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 41 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE SMV PARA MANDÍBULA
FONTE: A autora
188
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
• Axiolateral de mandíbula (Figura 42):
◦ Paciente em decúbito dorsal, a cabeça em perfil com o lado de interesse mais
próximo da mesa. Com os dentes bem fechados, girar a cabeça de acordo
com as orientações abaixo:
▪ Perfil verdadeiro – ramo da mandíbula;
▪ 30° – corpo da mandíbula;
▪ 45° – mento;
▪ 10° – vista completa da mandíbula.
◦ O RC é angulado 5 a 10° cefálico e direcionado para a região de interesse. RI
centrado no RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia.
FIGURA 42 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO AXIOLATERAL DE MANDÍBULA
FONTE: A autora
• Towne para ATM (Figura 43):
◦ Paciente em decúbito dorsal alinhado com a LMS da mesa. Dfofi de 1 m,
colimação nas estruturas, respiração em apneia e RI projetado no RC. O
RC pode ser direcionado tanto para a LOM quanto para a LIOM, incidindo
sempre 2,5 cm acima das ATMs:
▪ LOM perpendicular à mesa – 35° caudal;
▪ LIOM perpendicular à mesa – 42° caudal.
189
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 43 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE TOWNE PARA ATM
FONTE: A autora
◦ Aquisições de boca aberta e fechada: envolvem sempre quatro incidências.
É necessário radiografar ambas as ATMs, tanto com boca aberta quanto
fechada, para comparação da funcionalidade da ATM. Existem dois métodos
para essa aquisição:
▪ Método de Law – paciente em decúbito ventral, com o crânio bem
encostado na mesa e em perfil verdadeiro. Deve-se girar a cabeça 15° em
direção à mesa. RC 15° caudal 4 cm acima do MAE de cima, RI centrado no
RC, Dfofi de 1 m, colimação na estrutura e respiração em apneia. Na Figura
44, é possível ver o posicionamento radiográfico para aquisições de boca
aberta e boca fechada utilizando o método de Law.
FIGURA 44 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO PARA AQUISIÇÕES DE BOCA ABERTA
E BOCA FECHADA UTILIZANDO O MÉTODO DE LAW
FONTE: A autora
190
TÓPICO 2 — POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO DE CRÂNIO E FACE
▪ Método de Schuller – paciente em decúbito ventral, com o crânio bem
encostado na mesa e em perfil verdadeiro. RC 25° caudal 1,25 cm a
frente e 5 cm acima do MAE de cima, RI centrado no RC, Dfofi de 1 m,
colimação na estrutura e respiração em apneia. Na Figura 45, é possível
ver o posicionamento radiográfico para aquisições de boca aberta e boca
fechada utilizando o método Schuller.
FIGURA 45 – POSICIONAMENTO RADIOGRÁFICO PARA AQUISIÇÕES DE BOCA ABERTA E
BOCA FECHADA UTILIZANDO O MÉTODO DE SCHULLER
FONTE: A autora
Na sua rotina, escolha o método mais fácil para o paciente. Para manter
a boca aberta, você pode utilizar um rolinho feito com gases. Isso pode ser
necessário em pacientes que não conseguem sustentar a boca aberta por muito
tempo. Lembre-se de descartar o rolinho de gases como lixo biológico após o uso.
191
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Existem várias formas de posicionamentos de crânio, diferenciadas de acordo
com as solicitações médicas de radiografias de crânio, face e seios da face.
• Apesar de apresentarem posicionamentos semelhantes, existem diferenças no
RC e na colimação das estruturas a serem visualizadas.
• A radiografia da mandíbula é sempre o primeiro passo para a avaliação
de traumas e lesões de ATM e um posicionamento cuidadoso pode dar o
diagnóstico necessário, tenha paciência e atenção nesses exames, realizando-os
bilateralmente para comparação adequada.
192
AUTOATIVIDADE
1 Realize o seu próprio portfólio. Infelizmente, na correria dos setores,
nem sempre temos um técnico experiente para ajudar em caso de dúvida
(e carregar dúzias de apostilas para o estágio ou trabalho não é muito
apropriado). A seguir, temos um exemplo de portfólio. Imprima um para
cada incidência aprendida e preencha. É importante que você imprima
utilizando apenas ¼ da folha, pois você deverá guardar em um álbum
pequeno de fotos, daqueles que cabem no bolso do seu jaleco – assim terá
toda informação que precisa a um passo de você.
FONTE: A autora
2 Na avaliação da mastoide utilizamos Arcelin. Sobre a aquisição de Arcelin,
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A cabeça do paciente deve ser girada 45° para demonstrar o lado de cima.
b) ( ) O RC incide 10° caudal, 2,5 cm anterior e 2 cm superior ao MAE de baixo.
c) ( ) A face do paciente deve ser inclinada 45° em direção ao RI.
d) ( ) O RC incide 12° cefálico, 7 a 10 cm posterior e 1,25 inferior ao MAE de
cima.
3 Também podemos utilizar a técnica de Law modificada para mastoide.
Sobre a incidência de Law modificada para mastoides, assinale a alternativa
CORRETA:
a) ( ) O RC incide 2,5 cm posterior e superior ao MAE de baixo.
b) ( ) Prender o pavilhão auricular para trás ajuda a evitar sobreposição.
c) ( ) A face do paciente deve ser inclinada 15° em relação ao RI.
d) ( ) O RC incide 15° cefálico.
193
194
TÓPICO 3 —
UNIDADE 3
ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO CRÂNIO E DA FACE
1 INTRODUÇÃO
A anatomia radiográfica do crânio muda muito de acordo com a angulação
do RC e a localização dele. Como temos muitas estruturas amontoadas, a
angulação do RC permite sua visualização, mas a sua interpretação nem sempre
é simples. Para analisar uma radiografia de crânio, sempre inicie das bordas para
o centro, para não se perder.
2 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO CRÂNIO
Nas imagens de crânio em AP ou PA, devemos englobar toda a cabeça do
paciente, desde o vértice até a mandíbula (incluir as ATMs garante que todo o
crânio e a face estão incluídos).
No método de Caldwell, conseguimos visualizar, com detalhes o frontal,
as asas maior e menor do esfenoide, as fissuras orbitais, a sutura sagital e o seio
frontal. A ausência de rotação é verificada pela simetria das fissuras orbitais.
O método de Towne deve demonstrar a cela dentro do forame magno,
pois a verificação da rotação é avaliada pela equidistância do forame magno às
margens laterais do crânio.
O posicionamento em perfil deve demonstrar todo o crânio, do seio
frontal ao ínio. A cela, os processos clinoide e os MAEs devem estar perfeitamente
sobrepostos. Isso indica que o crânio está sem rotação.
Um exemplo pode ser visto na Figura 46, que apresenta uma radiografia
de PA de crânio – com os seus conhecimentos, tente identificar as estruturas
citadas anteriormente.
195
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
FIGURA 46 – PA DE CRÂNIO
FONTE: <[Link]
Acesso em: 29 set. 2020.
3 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA FACE
As incidências de face podem ser realizadas em ortostase ou em decúbito,
de acordo com a necessidade do paciente. Deve-se ter em mente que inchaços
causados por traumas podem dificultar o posicionamento em decúbito.
Nas incidências de face, seguem-se os mesmos princípios de qualidade
do crânio, embora sem a necessidade de demonstrar todo o crânio, ou seja, a
colimação deve estar restrita à face.
No posicionamento em perfil, deve-se incluir do seio frontal ao mento
e até o MAE. A cela deve estar sobreposta, assim como os MAEs e os côndilos
mandibulares. Já nas incidências de Caldwell e Waters, incluem-se os seios da
face, as ATMs e as mastoides.
No perfil de OPN, o ideal é visualizar a sobra do nariz (cartilagem),
os nasais sobrepostos e a espinha nasal. Na aquisição do zigomático, deve-se
demonstrar todo o arco zigomático – as demais estruturas não devem aparecer
com nitidez. No Rhese, o forame óptico, na base da imagem, garante o correto
posicionamento da órbita e a correta avaliação das estruturas.
196
TÓPICO 3 — ANATOMIA RADIOGRÁFICA DO CRÂNIO E DA FACE
4 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DOS SEIOS DA FACE
Para os seios da face, seguem-se os mesmos critérios de cuidado em
relação ao crânio e à face, mudando-se apenas o foco do processo.
Nas aquisições de seios da face, é importante que o exame seja sempre
realizado em pé, pois isso garante que as secreções dentro dos seios se concentrem
na base dos seios, facilitando a sua identificação e auxiliando a caracterização do
conteúdo do seio.
No perfil, visualizamos os seios esfenoidais, etmoidais e maxilares. No
método de Caldwell, é possível observar o seio frontal e as células etmoidais,
enquanto, no de Waters, identificamos os seios frontal e maxilares e as células da
mastoide.
5 ANATOMIA RADIOGRÁFICA DA ATM
O método de aquisição de boca aberta e fechada é, sem dúvida, o mais
interessante na avaliação da ATM, uma vez que ele possibilita avaliar a função
articular. Quando o paciente está com a boca fechada, o côndilo mandibular se
encontra dentro da fossa e, com a boca aberta, ele aparece à frente da fossa.
NOTA
Avaliar o crânio não é fácil, depende de tempo e dedicação, por isso não se
preocupe se não conseguir identificar muitas estruturas. Na internet, existem muitos sites
com bancos de imagens para estudo radiográfico – use a abuse deles!
197
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O crânio demonstra muitas estruturas com muitos detalhes e pequenas
alterações de posição e RC. Isso é incrível, pois permite observar as estruturas
com precisão.
• Para analisar uma radiografia de crânio, sempre inicie das bordas para o centro,
para não se perder.
• Nas aquisições do crânio, embora os posicionamentos sejam parecidos, a
diferença está no foco do exame: crânio, face, seios da face ou ATMs.
198
AUTOATIVIDADE
1 Sobre a aquisição da sela turca, assinale a alternativa que corresponde a um
critério de qualidade no perfil de sela túrcica.
a) ( ) Mastoide direita anterior à mastoide esquerda.
b) ( ) MAEs alinhados verticalmente.
c) ( ) Sela em perfil verdadeiro.
d) ( ) ATM direita posterior à ATM esquerda.
2 Na imagem de SMV de crânio, é possível identificar qual item corretamente?
a) ( ) O dente da axis à frente do forame magno.
b) ( ) A sutura maxilar aparece lateralizada.
c) ( ) A espinha nasal posterior não pode ser visualizada.
d) ( ) As mastoides aparecem lateralizadas ao forame magno.
3 A imagem radiográfica que demonstra o crânio projetado e ampliado, a
face toda sobreposta com a mandíbula também projetada e tem a função de
demonstrar o occipital e os parietais é:
a) ( ) SMV para crânio.
b) ( ) Haas.
c) ( ) Stenvers.
d) ( ) Arcelin.
199
200
TÓPICO 4 —
UNIDADE 3
PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES
TÉCNICAS
1 INTRODUÇÃO
As patologias do crânio não são muitas, embora tenham grande
importância, pois podem prejudicar o SNC de diversas formas, causando, por
exemplo, traumatismo cranioencefálico (TCE).
O posicionamento do crânio e da face envolve o correto alinhamento das
estruturas e a correta avaliação das possibilidades de movimento do paciente,
pois, como vimos, nem todos conseguem alinhar a linha do crânio corretamente.
Conhecer as variações dos posicionamentos do crânio é importante para
evitar erros de posicionamento e sobreposição de estruturas indesejadas.
Como já discutimos anteriormente, além do posicionamento, é preciso
atenção à técnica radiográfica selecionada, a fim de obter uma imagem de
qualidade. A seguir, listaremos os principais pontos técnicos para um bom exame.
2 PATOLOGIAS DO CRÂNIO E DA FACE
No crânio, as patologias são fraturas e concussões – ambas decorrentes de
traumas diretos que exigem cuidados médicos rápidos para minimizar os danos.
Fraturas da órbita e do nariz são comuns em pacientes que praticam lutas
e geralmente são causadas por socos. A fratura de nariz é comum em outros
esportes – e em estudantes que levaram “boladas” nessa estrutura.
O escalpelamento é a retirada de pele, músculos e ossos da calvária, que se
inicia nos arcos supraciliares até a nuca. Sua incidência depende da região, pois,
no norte do país, é muito comum na população ribeirinha e no sexo feminino,
pois as ribeirinhas, acidentalmente, prendem seus cabelos nos motores das
embarcações – nas demais regiões, não é tão comum.
201
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
3 PATOLOGIAS DOS SEIOS DA FACE
As mais comuns são as rinites e as sinusites. Se você mora no Sul do
país, mais especificamente na região de Curitiba, com certeza já sofreu com elas.
Ambientes muito úmidos e frios são propícios para o aparecimento das patologias
dos seios da face.
A sinusite é a inflamação das mucosas dos seios da face e é caracterizada
por dor na região (testa, olhos inchados e marejados), dificuldade de respirar,
sensação de cabeça pesada, febre, cansaço e coriza.
Já a rinite é uma resposta a um agente externo, como a poeira e os ácaros.
Os sintomas são forte coriza, edema nasal, espirros constantes e coceira no nariz,
na garganta e nos olhos.
4 PATOLOGIAS DA ATM
Nesse caso, as patologias da ATM são as DTM, isto é, qualquer alteração
na estrutura articular, seja no espaço articular, na musculatura, na artrose da
cabeça ou, o mais comum, no deslocamento discal. Há inúmeras origens de DTM:
• Bruxismo e apertamento: o bruxismo é o famoso ranger os dentes. Durante o
sono, a pessoa raspa um dente no outro e, com o tempo, a dentina é afetada e os
dentes perdem sua forma e reduzem seu tamanho, expondo a raiz nervosa dos
dentes. Também é comum a retração gengival, o que pode levar à gengivite.
Já no apertamento, o paciente não raspa os dentes, apenas aperta a arcada de
baixo contra de cima, não só à noite, mas durante todo o dia. A longo prazo, o
disco não resiste às compressões e acaba se deslocando da sua área.
• Dentição desalinhada: muitas pessoas procuram um ortodontista para alinhar
os dentes (uma escolha estética) e conseguem, além disso, eliminar dores
que costumavam ter, devido à má oclusão dentária que pode provocar tanto
movimentos indesejados da ATM quanto DTM.
• Uso de aparelho: conforme explicado anteriormente, o aparelho ortodôntico
pode resolver a DTM. Entretanto, ele também pode causá-la – o uso muito
prolongado de aparelho pode causar sofrimento à ATM e provocar DTM.
• Traumas: qualquer trauma direto sobre a ATM pode levar à DTM pós-
traumática.
• Estresse: por causar noites mal dormidas, leva à tensão muscular, que gera
apertamento e provoca DTM.
Os sintomas comuns da DTM são dor ao mastigar ou dor constante. Em
casos mais graves, podem ser citados: dores de cabeça, enjoo, tontura, perda
de equilíbrio, dores de ouvido de origem desconhecida, dores musculares em
ombros e coluna cervical, inflamação da musculatura da face, fraturas dentárias,
gengivite e os famosos estalos.
202
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
O ouvido e o equilíbrio podem ser afetados em virtude da proximidade
com a ATM. Já as lesões musculares ocorrem pela proximidade com o grupo
muscular da ATM.
5 ERROS COMUNS
Todo grupo de imagens possui também um grupo de erros comuns, a
seguir, temos os mais comuns de crânio.
• Falta de alinhamento da estrutura com a LMS da mesa ou estativa.
• Escolha incorreta da linha do crânio para alinhamento.
• Não retirada de acessórios do paciente, como brincos, correntes e grampos de
cabelo.
• Não soltar o cabelo do paciente – lembre-se de que cabelos molhados ou com
creme produzem artefatos na imagem.
• Não adaptar corretamente o ângulo do RC nas aquisições com colar cervical.
6 ROTINAS BÁSICAS
Ao longo desta unidade, vimos muitos posicionamentos, mas apenas uma
parcela é rotineira e os demais exames são ditos complementares. O Quadro 2
apresenta as rotinas básicas para cada estrutura estudada. Lembre-se de que essas
rotinas podem variar de acordo com o pedido médico, do hospital ou da clínica.
QUADRO 2 – ROTINA DOS EXAMES DE CRÂNIO
Região Rotina
Crânio AP, P e Towne
Face Caldwell, Waters e P
Seios da face Caldwell, Waters e P
Nariz (OPN) P
Zigomático Hirtz para zigoma
Mandíbula AP ou Hirtz para mandíbula
ATM Stenvers ou Schuller (quatro incidências)
Órbita Rhese
FONTE: A autora
203
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
7 PROTEÇÃO
Nas aquisições de crânio, não é possível proteger o cristalino, por isso
precisamos usar a colimação e reduzir o máximo possível a área a ser irradiada;
para o restante do corpo, utilizamos o colete de chumbo, mas é preciso avaliar se
o protetor de tireoide não ficará na frente das aquisições anguladas. O Quadro 3
mostra as principais sugestões de proteção radiológica para imagens de crânio.
QUADRO 3 – PROTEÇÃO RADIOLÓGICA PARA CRÂNIO
Região Cuidados
Crânio Colete de chumbo + colimação
Face e seios da face Colete de chumbo + colimação
ATM Colete de chumbo + colimação
FONTE: A autora
8 COLIMAÇÃO
A colimação é de extrema importância nas aquisições de crânio, uma vez
que podemos utilizá-la como fator de proteção radiológica, ao reduzir a área a ser
irradiada. Colimações pequenas também auxiliam na melhora do contraste da
imagem, pois o feixe fica menor e com menor impacto do efeito Heel.
9 TAMANHO DE RI
Em muitas cidades do Brasil, ainda encontramos sistemas tela-filme.
Nesses casos, deve-se dividir o filme, para evitar gastos com filmes e otimizar as
imagens.
Nos posicionamentos, sempre escolha o filme do tamanho da estrutura a
ser radiografada e o posicione seguindo o eixo longo da anatomia radiografada.
Lembre-se de projetar o filme quando o RC for angulado. A Tabela 1 apresenta
algumas opções de tamanho dos filmes – caso não as tenha, escolha sempre um
tamanho acima.
204
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
TABELA 1 – TAMANHOS DE RECEPTORES DE IMAGEM
Região Tamanho
Crânio 24X30
Face 24X30
Seios da face 18X24
ATM 13X18 ou 24X30 dividido em 4
Órbita 13X18
OPN 13X18
Mandíbula 24X30
Zigomático 13X18 unilateral ou 24X30 bilateral
FONTE: A autora
10 TÉCNICA RADIOGRÁFICA
Com relação à técnica utilizada, sempre respeite o cálculo – nunca utilize
o famoso “olhômetro”. Respeite também a carta técnica do equipamento. Sempre
observe o tamanho da estrutura e a distância que ela está do receptor de imagem
para selecionar qual lado ficará do lado do cátodo (sempre o mais espesso).
Em todo caso, a Tabela 2 mostra algumas sugestões técnicas para as rotinas
básicas de crânio.
TABELA 2 – TÉCNICAS PARA CRÂNIO
Incidência mAs kVp
AP crânio 25 60
P crânio 20 55
Towne 32 66
Waters 25 63
Caldwell 25 63
Hirtz 6,4 50
OPN 2,5 20
Órbita 25 60
Mandíbula AP 25 63
ATM 20 63
FONTE: A autora
Por fim, é importante cuidar sempre da proteção radiológica, para expor
o mínimo necessário do paciente na aquisição. Lembre-se de que as imagens
DICOM guardam não apenas os dados do paciente e da imagem, mas também o
profissional e a técnica utilizada no exame. Além disso, a colimação é um fator de
proteção radiológica.
205
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
LEITURA COMPLEMENTAR
RADIOPROTEÇÃO, DOSE E RISCO EM EXAMES RADIOGRÁFICOS
NOS SEIOS DA FACE DE CRIANÇAS, EM HOSPITAIS DE
BELO HORIZONTE, MG
Marco Aurélio de Sousa Lacerda
Helen Jamil Khoury
Teógenes Augusto da Silva
Camila Maria de Sousa Lacerda
Alexandre Ferreira Carmo
Márcio Tadeu Pereira
As incidências radiográficas habitualmente empregadas para diagnóstico
da sinusite aguda são:
• Waters ou mentonaso, para avaliação preferencial dos seios maxilares.
• Caldwell ou frontonaso, para estudo dos seios frontais, etmoidais anteriores.
• Hirtz ou submentovértice, em que se estudam os seios etmoidais posteriores e
o esfenoidal.
• Incidência em perfil, que permite a avaliação de todos os seios, especialmente
o frontal e o esfenoidal, o assoalho e a parede posterior dos seios maxilares, as
fossas nasais e, também, a rinofaringe.
Alguns estudos clínicos têm mostrado que uma única incidência de Waters
(mentonaso) tem altíssimo nível de concordância com a série completa de quatro
incidências. Com a realização de uma única incidência mentonaso em crianças,
pode-se ter exatidão de 87% no diagnóstico da sinusite aguda. Nesse sentido,
o guia britânico de boas práticas em radiologia pediátrica fornece critérios de
qualidade apenas para as incidências mentonaso e lateral.
O objetivo deste trabalho foi avaliar a frequência das incidências
radiográficas realizadas nos seios da face de pacientes pediátricos em hospitais da
cidade de Belo Horizonte, MG, bem como as condições de radioproteção, técnicas
radiográficas empregadas, o kerma no ar de entrada e as doses nos órgãos mais
expostos.
Durante a realização dos procedimentos radiográficos acompanhados nos
hospitais, foram avaliadas as condições de radioproteção, por meio da observação
dos seguintes quesitos: uso de protetores plumbíferos para o paciente, uso de
grades antiespalhamento, cilindro de colimação e de filtração adicional no tubo.
Os rendimentos dos tubos de raios X das cinco salas dos hospitais em
estudo foram determinados para diferentes valores de tensão (kV) aplicados ao
tubo, mantendo-se fixa a carga (Q). Para a medida do kerma no ar, foi utilizada
uma câmara de ionização Radcal/MDH 10X5-6 previamente calibrada, acoplada a
206
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
um eletrômetro Radcal/MDH 9015, também calibrado. A câmara foi posicionada
sobre a mesa de exames, no centro do campo de radiação, a uma distância de 100
cm do foco e a 20 cm da mesa. A partir do rendimento do tubo e dos parâmetros de
irradiação utilizados para cada paciente, foi possível estimar o kerma no ar incidente
(INAK) e o kerma no ar de entrada (ESAK), utilizando as seguintes equações:
INAK = Ri ∙ Q ∙ (Dref./ DFP)² (1)
ESAK = INAK ∙ BSF (2)
Em que: Ri é o rendimento do tubo de raios X para a técnica radiográfica
empregada no exame, interpolado a partir da curva do rendimento em função
da tensão, do tipo Ri = a ∙ (kV)b, sendo a e b parâmetros de ajuste da curva; Q é
o produto da corrente do tubo (I) pelo tempo de exposição (t), empregados no
exame, em miliampère-segundo (mAs); Dref. é a distância em que o rendimento
foi medido (1 m); DFP é a distância entre o foco e a pele do paciente, em metros;
BSF é o fator de retroespalhamento, adimensional. Este é função do tamanho
de campo, da filtração do equipamento e da técnica radiográfica empregada no
exame. Foi adotado, neste trabalho, um valor fixo 1,30 para o BSF.
A partir do kerma no ar incidente, das características dos pacientes e das
técnicas radiográficas empregadas nos exames, as doses nos órgãos mais expostos
foram avaliadas utilizando o software PCXMC.
Na Figura 1, as incidências mais utilizadas em exames de seios da face
foram a frontonaso e a mentonaso, sendo que apenas no hospital E foi constatada,
com frequência, a solicitação de apenas uma incidência mentonaso. Nos demais
hospitais, as incidências frontonaso e mentonaso eram realizadas conjuntamente.
A incidência lateral foi observada apenas no hospital D, porém em uma fração
pequena dos exames avaliados (< 10%). Por isso, a incidência lateral não foi
incluída nas demais análises feitas neste estudo. Durante o acompanhamento
dos exames, foi constatado, com relação aos protetores plumbíferos, que somente
o hospital D fez uso de protetores de tireoide, em cerca de 25% dos exames.
Em contrapartida, pela análise da Figura 2, verifica-se que nos hospitais D e
B não foram adotados, em nenhum exame, cilindros de colimação, conforme
recomenda o guia britânico de boas práticas e um dos principais tratados de
técnica radiológica. A não adoção de cilindros em exames radiográficos de seios
da face pode expor, desnecessariamente, a região da tireoide (que é um órgão
de alta radiossensibilidade) e do esôfago, além de aumentar a dose nos demais
órgãos, como o cristalino, o cérebro e a medula. Esse fato pode ser constatado
pela análise da Tabela 2. Por isso, é recomendada a utilização de um colimador
cilíndrico acoplado ao colimador do aparelho de raios X, para a realização de
exames de seios da face. Fato interessante observado no hospital D é que uma
placa de chumbo com um orifício central é colocada no chassi, de modo que
a imagem fique com a aparência similar à que seria obtida caso se utilizasse o
cilindro. Isso reforça a falta de cultura de proteção radiológica, uma vez que
os técnicos procuram atender as exigências médicas (visualização da imagem
circular) sem a preocupação com a proteção ao paciente.
207
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
Figura 1. Número de exames realizados em cada incidência radiográfica nos seios da face, para
pacientes pediátricos distribuídos em três faixas etárias, nas cinco salas dos quatro hospitais
estudados.
Figura 2. Percentual de exames em que foram usados, respectivamente, grade
antiespalhamento e cilindros de colimação, para pacientes distribuídos nas três faixas
etárias, nos quatro hospitais estudados.
208
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
Tabela 2. Valores mínimos, médios e máximos das doses nos órgãos (em mGy) mais expostos
em crianças com idades inferiores a 10 anos, em todos os hospitais estudados.
A Figura 2 permite, ainda, constatar que, em quase todos os exames, foram
utilizadas grades antiespalhamento. Isso está em desacordo com o guia britânico
de boas práticas, que não recomenda o uso de grades em exames de seios da
face de pacientes com idades inferiores a 10 anos. O uso da grade é importante
porque reduz a radiação espalhada. Entretanto, também reduz a intensidade
do feixe de radiação que incide no filme e, portanto, requer técnicas com maior
valor de carga (mAs), o que aumenta a dose no paciente. Como a intensidade da
radiação espalhada depende, entre outros fatores, da espessura do indivíduo e
os pacientes pediátricos apresentam pequenas espessuras, o uso de grades não
é importante do ponto de vista de redução da radiação espalhada – o seu uso
somente irá aumentar a dose no paciente.
Na Figura 3, é mostrado o número de exames de seios da face (incidência
frontonaso e mentonaso, agrupados conjuntamente) em função da tensão do tubo
e tempo de exposição. Pode-se constatar que o hospital D é o que emprega maiores
valores de tensão (kV) nos exames e os hospitais C e E, os menores valores de
tensão e maiores valores de tempo de exposição. Foi observado, durante o estudo,
que apenas o aparelho de raios X do hospital B é capaz de fornecer valores de
tempo de exposição menores que 10 ms e, portanto, é o único dos hospitais
estudados que atende as exigências mínimas dos manuais de boas práticas para
a realização de exames radiográficos em crianças. No entanto, pode-se constatar
que, apesar de possuir aparelho de raios X capaz de fornecer valores menores
de tempo, ainda é considerável o número de exames realizados, nesse hospital,
com tempos altos (superiores a 40 ms). Isso colabora para que, conforme mostra a
209
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
Figura 4, os valores de kerma no ar de entrada encontrados nesse hospital sejam
maiores que os encontrados nos hospitais C e D, sendo inferiores apenas aos
encontrados no hospital E. A Figura 4 mostra, ainda, que o hospital E apresentou
grande variação nos valores de kerma no ar de entrada.
Figura 3. Número de exames de seios da face em função da tensão do tubo de raios X e do
tempo de exposição empregados nos quatro hospitais, para pacientes em três faixas etárias
estudadas.
Figura 4. Distribuição dos valores de kerma no ar de entrada estimados para pacientes dos
quatro hospitais estudados em exames de seios da face (frontonaso e mentonaso).
210
TÓPICO 4 — PATOLOGIAS, ERROS COMUNS E CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS
Os valores médios do kerma no ar de entrada para as cinco salas dos quatro
hospitais foram, respectivamente: 1.398 µGy, 829 µGy, 877 µGy, 1.168 µGy e 3.886
µGy, para pacientes com idades entre 1 e 5 anos; 1.561 µGy, 1.107 µGy, 1.184 µGy,
1.327 µGy e 4.400 µGy, para pacientes com idades entre 5 e 10 anos; e 1.613 µGy,
960 µGy, 1.520 µGy, 1.518 µGy e 5.091 µGy, para pacientes com idades entre 10 e
16 anos. Todos esses valores foram acima dos níveis de referência propostos pelo
guia britânico. Pode-se perceber que os valores médios encontrados no hospital
E são três vezes superiores aos valores médios encontrados nos demais hospitais.
Como esses valores são uma estimativa da média por incidência, a realização
de duas incidências (frontonaso e mentonaso) por paciente, que são comuns nos
hospitais B, C e D, expõe o paciente pediátrico a riscos menores que os decorrentes
da realização de uma única incidência mentonaso no hospital E.
A análise da Tabela 2 permite constatar que, apesar de o hospital E
apresentar valores de kerma no ar de entrada significativamente maiores
que os encontrados nos demais hospitais, as doses na tireoide e no esôfago
foram menores. Isso pode ser atribuído ao uso intensivo, nesse hospital, de
colimadores cilíndricos acoplados ao tubo. Os resultados encontrados ressaltam
a importância da utilização do cilindro em exames radiográficos nos seios da
face. Os valores de dose no cristalino estimados para os pacientes do hospital E
são, provavelmente, mais baixos do que os fornecidos na Tabela 2, uma vez que
foram aproximados pelo valor do kerma no ar de entrada. Como no hospital E
se utilizam, frequentemente, cilindros de colimação, essa aproximação tende a
sobre-estimar o valor da dose no cristalino. Portanto, os altos valores de dose
encontrados para esse órgão apontam para a necessidade de se empregar, quando
tecnicamente possível, projeções posteroanteriores, em vez de anteroposteriores,
que foram as comumente adotadas em crianças com idades inferiores a 6 anos
em todos os hospitais.
Foi realizado estudo de frequência, radioproteção, doses e riscos dos
exames radiográficos nos seios da face de crianças em hospitais da cidade de
Belo Horizonte. Foi constatado que as incidências mentonaso e frontonaso são
frequentemente solicitadas em conjunto, na maioria dos hospitais. Esse fato
confere uma dose significativa para o paciente e põe em dúvida a justificativa da
solicitação das duas incidências, tendo em vista os estudos clínicos apresentados
na literatura. Foi constatado que os riscos para os pacientes podem ser diminuídos
consideravelmente mediante otimização dos procedimentos, principalmente no
que diz respeito à colimação do campo de raios X (com a utilização de cilindros), a
não utilização de grades antiespalhamento, o emprego de altos valores de tensão
e baixos valores de tempo (e, consequentemente, cargas). Além disso, um esforço
maior por parte dos técnicos de radiologia em se empregar, quando tecnicamente
possível, projeções posteroanteriores, em vez de anteroposteriores, contribuiria,
também, para uma redução significativa das doses no cristalino.
FONTE: Adaptado de LACERDA, M. A. S. et al. Radioproteção, dose e risco em exames
radiográficos nos seios da face de crianças, em hospitais de Belo Horizonte, MG.
Radiologia Brasileira, São Paulo, v. 40, n. 6, 2007. Disponível em: [Link]
br/pdf/rb/v40n6/[Link]. Acesso em: 19 set. 2020.
211
UNIDADE 3 — ANATOMIA, PATOLOGIA E POSICIONAMENTO DE CRÂNIO E FACE
DICAS
Aproveite a leitura sugerida para refletir sobre as ideias apresentadas:
1. Descreva os pontos que achou mais relevantes sobre o artigo.
2. Comente sobre suas percepções quanto ao seu futuro profissional.
3. Quais cuidados você terá na sua prática profissional?
Bons estudos!
212
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Embora existam poucas lesões da cabeça, elas são importantes e mostram como
exames tão complexos podem solucionar patologias que, à primeira vista, são
tão simples.
• É importante chamar a atenção dos problemas ou dos pequenos detalhes que
produzem resultados muito diferentes do esperado e que podem levar a erro
médico. Por isso, sempre devemos estar atentos aos detalhes, para fornecer
sempre o melhor exame possível.
• As técnicas radiográficas dependem de carta técnica e do equipamento,
portanto, não se deve utilizar a técnica de um equipamento em outro, mesmo
que sejam da mesma marca e ano.
• É importante cuidar sempre da proteção radiológica, para expor o mínimo
necessário do paciente na aquisição.
• As imagens DICOM guardam não apenas os dados do paciente e da imagem,
mas também o profissional e a técnica utilizada no exame.
• A colimação é um fator de proteção radiológica.
CHAMADA
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AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
213
AUTOATIVIDADE
1 Diferencie sinusite e rinite.
2 A DTM tem origem em diversos fatores, assinale a opção que contém um
desses fatores:
a) ( ) Enxaqueca.
b) ( ) Trauma.
c) ( ) Otite.
d) ( ) Dor de garganta.
3 Os traumas no crânio podem originar diversos problemas. Assinale a opção
que contém a sigla que indica que houve trauma na região:
a) ( ) TCE.
b) ( ) CC.
c) ( ) AVC.
d) ( ) AVE.
4 Escolha um dos erros listados e um posicionamento descrito ao longo desta
unidade e reflita como o erro afeta as estruturas visualizadas.
5 Existem muitos erros que podem ser cometidos no posicionamento.
Assinale a alternativa que contém um dos erros mais comuns na aquisição
de radiografias:
a) ( ) Alinhar o paciente com a mesa.
b) ( ) Alinhar o RI com o paciente.
c) ( ) Abrir toda a colimação.
d) ( ) Usar um goniômetro para verificar a angulação do RC e do paciente.
6 Sobre os exames com colar cervical, assinale a opção que contém a correção
necessária para realização a do exame:
a) ( ) Retirar o colar cervical.
b) ( ) Aumentar o mAs.
c) ( ) Corrigir a angulação das incidências para LIOM.
d) ( ) Paciente em ortostase.
214
REFERÊNCIAS
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