0% acharam este documento útil (0 voto)
74 visualizações8 páginas

Fundamentos da Psicologia da Gestalt

1. A Gestalt é uma teoria psicológica que estuda como os seres humanos percebem as coisas, focando nas leis mentais e na relação entre a forma e a percepção. 2. Embora foquem no comportamento, a Gestalt e o Behaviorismo diferem na abordagem, sendo que a Gestalt liga-se mais à percepção e à forma, enquanto o Behaviorismo vê o comportamento como resultado do ambiente. 3. Kurt Lewin desenvolveu a Teoria do Campo, segundo a qual o indivíduo e o meio não são

Enviado por

Luiza Rocha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
74 visualizações8 páginas

Fundamentos da Psicologia da Gestalt

1. A Gestalt é uma teoria psicológica que estuda como os seres humanos percebem as coisas, focando nas leis mentais e na relação entre a forma e a percepção. 2. Embora foquem no comportamento, a Gestalt e o Behaviorismo diferem na abordagem, sendo que a Gestalt liga-se mais à percepção e à forma, enquanto o Behaviorismo vê o comportamento como resultado do ambiente. 3. Kurt Lewin desenvolveu a Teoria do Campo, segundo a qual o indivíduo e o meio não são

Enviado por

Luiza Rocha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS (CECH)


DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA (DHI)

INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM

GESTALT

Ingridy Gabrielle
Lara Resende
Laura Regina
Luiza Rocha
Matheus Henrique
Romero Romulo

Aracaju
2021
Sumário

1. Introdução..................................................................................................................3

2. Behaviorismo e Gestalt...............................................................................................3

3. Fenômeno Fi e isomorfismo psiconeural....................................................................4

4. Figura e Imagem.........................................................................................................4

5. Teoria do Campo de Kurt Lewin................................................................................5

6. Gestalt e aprendizagem...............................................................................................6

7. Considerações finais...................................................................................................7

8. Referências bibliográficas de pesquisa:......................................................................8


3

1. Introdução

Surgida da crítica ao estruturalismo, a Gestalt é uma importante tendência teórica da


psicologia, muito ligada à psicofísica e aos estudos sobre as sensações, tendo uma forte base
desenvolvida pela relação entre a forma e a percepção. A gestalt é uma teoria que estuda
como os seres humanos percebem as coisas enfocando as leis mentais considerando que os
fenômenos psicológicos, físicos, biológicos e simbólicos constituem um conjunto autônomo,
indivisível e articulado. Em suma, a psicologia da gestalt defende que, para se compreender as
partes, é preciso, antes, compreender o todo.
É importante ressaltar a diferença entre a psicologia da gestalt e a gestalt-terapia. A
gestalt-terapia foi oficialmente fundada em 1951 com o livro “Gestalt Therapy” escrito pelo
psicoterapeuta e psiquiatra Fritz Perls e trata-se de um modelo de psicoterapia onde tudo o
que faz parte da vida do indivíduo é utilizado para compreendê-lo como um todo, colocando
que sem entender profundamente todas as partes que formam um indivíduo é impossível
compreendê-lo em sua plenitude, já a psicologia da Gestalt trata sobre a percepção que temos
sobre as formas e a relação destas com o meio geográfico, comportamental e os campos
psicológicos.

2. Behaviorismo e Gestalt.

A fim de se entender a Gestalt, deve-se ter em mente que o Behaviorismo e a Gestalt


têm, em seu cerne, o mesmo objeto de estudo; o comportamento. No entanto, ambos avaliam
de forma diferente. Em primeiro lugar, quanto ao Behaviorismo, inaugurado pelo americano
John B. Watson (1913) no artigo “Psicologia: como os behavioristas a veem.”, tem-se como
ponto fundamental a ideia do comportamento a ser estudado a partir de certas variáveis do
meio. Aos behavioristas, assim, determinados estímulos resultam em repostas do organismo
devido ao meio de equipamentos hereditários e formação de hábitos (Estímulo > Resposta).
Desta forma, atualmente, o Behaviorismo está associado, além do comportamento, com a
interação do sujeito com o ambiente. Ou seja, interação resultante da fusão da ação do
indivíduo e do ambiente.
Em segundo lugar, quanto à Gestalt, foi desenvolvida pelo tcheco Max Wertheimer
(1880-1943), o alemão Wolfrang Kohler (1887-1967) e o estônio Kurt Koffka (1886-1941)
4

baseados nos estudos da psicofísica (forma e percepção) e, assim, construíram uma teoria
psicológica. Nela, há sua forte ligação com a forma e configuração tendo, como afim, a boa-
forma. Desta forma, a metodologia de análise é a imagética. A Gestalt tem como si a
percepção e o movimento a fim de avaliar o comportamento. Este deve ser estudado em
aspectos amplos levando em conta as considerações que alteram as percepções do indivíduo.
Portanto, liga-se à teoria do isomorfismo a qual busca a regularidade (simetria).

3. Fenômeno Fi e isomorfismo psiconeural

O Fenômeno Fi apresentado por Max Wertheimer no início do século XX já estava


sendo estudado e compreendido muito antes, porém foi por meio de seu experimento e análise
que se demonstrou de maneira notória como funcionava o Fenômeno; utilizando-se de dois
canhões de luz o psicólogo observou que ao transacionar de um feixe de luz para o outro, com
um tempo de 60 milissegundos entre eles (sendo de extrema importância o atendimento dessa
temporalidade uma vez que ao utilizar um tempo maior ou menor que esse não irá obter um
efeito desejado), era possível observar uma tendência a acreditar que a luz alternava de
posição, não as identificando enquanto dois feixes de luz distintos.
A observação experimental realizada pelo psicólogo já vinha sendo realizada nos
zootropo, por meio de figuras pintadas em sequência na parte interna de um cilindro com tiras
verticais em suas laterais que davam um efeito de movimentação das figuras quando giravam
o cilindro; não só o zootropo, como também o experimento de Wertheimer demonstram bem a
tendência psicológica de cada indivíduo em suas faculdades mentais plenas de criar uma
linearidade e uma continuidade quando associamos uma temporalidade correta e uma
semelhança entre os objetos estáticos apresentados em sequência.
Por certo, podemos encontrar o Fenômeno Fi muito presente em nosso cotidiano,
onde os desenhos animados são ótimos exemplos de imagens estáticas apresentadas em uma
sequência rítmica e lógica criando um efeito de movimentação, porém essa capacidade de
organização e distribuição de similaridades é encontrada em várias outras situações.
A descoberta do Fenômeno Fi foi essencial para a construção das bases de
pensamento da Gestalt, possibilitando a formatação de outros experimentos que utilizavam
como estrutura o funcionamento cognitivo entendido por meio desse pensamento psicológico.

4. Figura e Imagem
5

A Gestalt trabalha com a percepção que temos do meio ambiente e de que forma esse
componente nos afeta. Dessa maneira, por causa de afetações e da nossa percepção pessoal,
acabamos vendo o ambiente de acordo com a nossa interpretação e em algumas situações
acabamos tendo impressões erradas sobre ele. As interpretações feitas de modo errôneo, a
exemplo de estar em uma festa e ao olhar para uma pessoa achar que é um amigo, mas na
verdade é só um desconhecido, ou seja, para que consigamos ter uma percepção verdadeira é
necessário que a imagem obedeça os princípios de boa forma, como equilíbrio, simetria,
estabilidade e simplicidade, quanto mais estiver clara a forma, melhor iremos trabalhar com a
figura e com o fundo.
Sendo assim, colocando na ótica da gestalt terapia clínica, se estamos implicados com
uma situação e não vemos uma saída, é porque não conseguimos ainda separar a figura e o
fundo, a figura seria nesta perspectiva o problema iminente, o sentimento que aflorou durante
a situação, e o fundo consiste no real problema, nesse sentido, qual ou quais experiências
passadas me influenciaram a ter o mesmo comportamento? Porque eu me comportei dessa
forma? Qual foi o gatilho?
Assim, com a ajuda da terapia clínica a situação será isolada e o terapeuta
conjuntamente com o paciente, irão começar a investigação, com o intuito de deixar bem
definida a figura e o fundo, e por fim fazer o cliente fechar a sua gestalt. O objetivo desse
processo é que, em outras situações que tenham o mesmo cerne, o paciente irá conseguir
desarmar o gatilho identificando nitidamente a figura e o fundo da situação.

5. Teoria do Campo de Kurt Lewin

Kurt Lewin (1890-1947) desenhou novos postulados para compreender o


comportamento humano partindo da teoria Gestalt. Entretanto, não podemos considerar
Lewin um gestaltista já que toma um novo rumo abandonando a preocupação psicofisiológica
da Gestalt e indo buscar na física as bases metodológicas da sua pesquisa.
O principal conceito de sua teoria é o espaço vital. Nesse ele investiga como o
indivíduo se situa, se comporta e se manifesta; como o espaço vital atua e se manifesta para
esse indivíduo. As variáveis que operam nesse espaço vital são fundamentalmente três:
tensão, força e necessidade. A questão é que, para Lewin, o indivíduo e o entorno não são
coisas separadas e, sim, duas realidades que estão sempre interagindo entre si e se
modificando mutualmente.
6

O campo psicológico de Lewin é apoiado no entendimento de que o espaço de vida


deve ser considerado dinamicamente levando em conta não apenas o indivíduo e o meio, mas
também a totalidade dos fatos existentes e mutualmente interdependentes. O que é um dos
pontos mais importantes da sua discordância do behaviorismo que acredita que a influência
dos outros é o que molda nossa personalidade e faz cada pessoa o que ela é.
Essa ideia, de a relação do indivíduo não ser separada do entorno descredita a crença
de que somos resultado apenas da influência externa, uma vez que também influenciamos
nosso meio, estabelecendo uma relação mútua com nosso entorno. A maneira individual como
reagimos a essa relação, a essas situações específicas, em Lewin, é chamada de realidade
fenomênica. E pode ser compreendida como o meio comportamental da Gestalt que é
determinado como as coisas através da nossa percepção.
Contudo, Lewin vai além da percepção (enquanto fenômeno psicofisiológico) e
considera também as características de personalidade do indivíduo, os componentes
emocionais ligados ao grupo e a própria situação vivida. Assim, como a situações passadas e
que estejam ligadas ao acontecimento. Desta forma, pode ser explicado como a soma de
fatores individuais e específicos que explicam uma reação a um determinado estímulo.
Após avaliar o comportamento individual, Lewin se interessou pelo comportamento
em grupo, como forma de completar sua análise do comportamento visto em sua totalidade.
Afinal, passamos grande parte do nosso tempo dentro de grupos e, como visto no campo
psicológico de Lewin, o espaço de vida deve levar em conta a totalidade de fatos existentes e
mutualmente interdependentes. E, segundo o psicólogo, a característica definidora do grupo é
a interdependência dos seus de seus membros. De forma que, em seu raciocínio, um grupo
não é a soma das características de seus membros. Mas, na verdade, um resultado dos
processos que ali ocorrem. Resgatando a base da teoria Gestalt de que o todo é maior que a
soma das partes.
A partir dessas ideias, transportou a noção de campo psicológico e criou o conceito de
campo social formado pelo grupo e seu ambiente. Lembrando de levar em conta o clima
social onde uma liderança autocrática, democrática ou liberalista determina o desempenho do
grupo. É importante destacar que quando falamos do grupo de acordo com Kurt Lewin,
estamos nos referindo ao grupo pequeno, pois este não acreditava que a psicologia possuía
instrumento suficiente para o estudo de grandes massas.

6. Gestalt e aprendizagem
7

Para a Gestalt as atividades cerebrais tendem ao equilíbrio, simetria e organização de


modo que os processos psicológicos, como resultado dessas, também apresentam a mesma
tendência. O equilíbrio quando quebrado gera uma tensão, como quando se está diante de um
problema por exemplo, para solucionar isso o organismo observa o ambiente e testa
mentalmente soluções.
Wolfgang Köhler (1887 – 1967), nesse sentido, estudou os processos de aprendizagem
através de experiências com chimpanzés. Os animais então eram colocados em situações
problemas para as quais a resolução também estava disposta, apreendendo a situação e
testando hipóteses de resolução os animais chegavam ao insight, isto é, uma solução
repentina; o termo designa uma compreensão imediata, como uma espécie de entendimento
interno (BOCK, et. al., 2001). Isso é possível, para a Gestalt, porque foi oferecido não só o
problema como também as ferramentas de solução.
Para os gestaltistas, portanto, a aprendizagem por insight é mais eficaz que a prática
comum de memorização e de repetição. Desse modo, ressaltam-se algumas características: a
solução encontrada é repentina e o desempenho é livre de erros, isso não só é lembrado
continuamente como também adaptável visto que se busca compreender o todo, a estrutura do
problema. Wertheimer propõe a partir disso que a aprendizagem por meio da pedagogia
gestalt é prazerosa porque a resolução do problema leva ao retorno do equilíbrio natural em
todos os organismos. Essa abordagem da aprendizagem segue sempre do todo para a parte,
levando em consideração a percepção dos indivíduos em relação ao problema e o concebendo
enquanto sujeito ativo no processo de aprendizagem.

7. Considerações finais

Enquanto na teoria behaviorista há relação de causa e efeito, entre um entre o estímulo


e a resposta, para os gestaltistas, no entanto, entre o estímulo que o meio fornece e a resposta
do sujeito há um processo de percepção. Em consonância, não só a maneira como
percebemos um estimulo é que vai desencadear nossa resposta como também a tendência dos
nossos organismos ao equilíbrio e a simetria, decodificando estímulos através da busca pela
boa-forma. Assim, as forças que nos levam a procura-la estão concentradas no campo
psicológico cujos princípios são a proximidade, a semelhança e o fechamento. Para a gestalt
os processos pedagógicos de aprendizagem devem estar baseados no estímulo a
comportamentos ativos nos alunos, contextualizando-se problemas e dispondo ferramentas de
solução que proporcionem o insight.
8

8. Referências bibliográficas de pesquisa:

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.
Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. reform. e ampl. São Paulo:
Saraiva, 2004.
D’ACRI, Gladys. A concepção de sintoma à Luz da Gestalt-terapia. Revista IGT na
Rede, V.4, N o 7, 2007, p. 117-120.
GALLI, Loeci Maria Pagano. Um Olhar Fenomenológico sobre a questão da saúde e
da doença: A cura do ponto de vista da Gestalt- terapia. Revista Estudos e Pesquisas em
Psicologia, UERJ, Rio de Janeiro, 1 o semestre de 2009, N.1, p.58-70.
Kurt Lewin e sua teoria sobre as relações interpessoais. A mente é maravilhosa, 2021.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 25 de abr. de 2021.
SILLS, C.; JOYCE, P. Técnicas em Gestalt: Aconselhamento e psicoterapia. In:
Fenomenologia e Teoria de Campo. 3a edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
8.1. Vídeos
Max Wertheimer – Fenômeno Fi e o isomorfismo psiconeural. Youtube. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 25 abr. 2021.
Max Wertheimer – Lei da pregnância. Youtube. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 25 abr. 2021.
Max Wertheimer – Gestalt na Educação. Youtube. Disponível em: <
[Link] Acesso em: 25 abr. 2021.

Você também pode gostar