OS SOFISTAS: CONTEXTO HISTÓRICO
O século V a. C., período em que os sofistas viveram, foi muito importante para o desenvolvimento da civilização grega. O governantes
Péricles proporcionou uma democracia que intensificou a vida cultural, intelectual e artística.
O momento histórico favoreceu a atuação dos sofistas, pois a democracia ateniense estava se desenvolvendo. Por isso, decisões sobre
assuntos públicos começaram a ser debatidas em praças públicas. Essas ocasiões em que havia uma assembleia em que todos os
cidadãos debatiam eram chamadas de Eclésia.
No entanto, eram considerados cidadãos somente homens livres maiores de 21 anos que tivessem nascido na Grécia. Somente 10%
da população cumpria essas exigências. Era esse grupo de pessoas que os sofistas destinavam as suas aulas, para que essa parcela
privilegiada da sociedade pudesse exercer suas atividades democráticas de forma mais hábil.
Na Grécia Antiga, haviam professores itinerantes que percorriam as cidades ensinando, mediante pagamento, a arte da retórica às
pessoas interessadas. A principal finalidade de seus ensinamentos era introduzir o cidadão na vida política.
Eles eram chamados de sofistas, termo que originalmente significaria “sábios”, mas que adquiriu o sentido de desonestidade intelectual,
principalmente por conta das definições de Aristóteles e Platão. Aristóteles, por exemplo, definiu a sofística como "a sabedoria
(sapientia) aparente mas não real”. Para ele, os sofistas ensinavam a argumentação a respeito de qualquer tema, mesmo que os
argumentos não fossem válidos, ou seja, não estavam interessados pela procura da verdade e sim pelo refinamento da arte de vencer
discussões, pois para eles a verdade é relativa de acordo com o lugar e o tempo em que o homem está inserido.
Os sofistas eram mestres da RETÓRICA E DA ORATÓRIA. Ensinavam tais artes para quem estivesse interessado em conhecer e
aprender tais saberes e que, além disso, se dispusessem a pagar por suas aulas. O fato de cobrarem por seus ensinamentos fez com
que fossem considerados falsos mestres por grandes sábios da época, em especial por Sócrates, Platão e Aristóteles. É preciso, no
entanto, analisar sua trajetória e pensamento a partir de tudo o que fizeram e não apenas em se considerando partes de sua trajetória.
Os sofistas eram relativistas, ou seja, um de seus principais argumentos para o uso da retórica era a ideia de que o conhecimento
verdadeiro não é absoluto. A partir disso, eles criaram a teoria do contra-argumento (antilogia). Por causa desse movimento (argumento,
seguido de contra-argumento, seguido de argumento, etc.) é que o discurso, na filosofia grega, teve um salto qualitativo e pôde se
transformar na filosofia que conhecemos hoje. Nesse sentido, para as condições de existência do pensamento grego e,
consequentemente, para o pensamento europeu ocidental, o método retórico desenvolvidos pelos sofistas foi fundamental.
Tais pensadores acreditavam, por exemplo, que a verdade era múltipla, relativa e mutável. Será que este pensamento pode ser
descartado de imediato e considerado incorreto? A leitura de mundo realizada pela humanidade não é algo que ocorre sob o prisma de
suas relações e do tempo e espaço em que vivem? Ao assim pensar, naquele tempo longínquo, os sofistas estavam nos ensinando
que cada indivíduo é único, capaz de pensar e compreender o mundo de modo singular, influenciado pelo meio em que vive, atado as
amarras do tempo no qual realiza sua trajetória. É, certamente, algo a ser considerado e que lhes confere credibilidade quanto a sua
forma original de pensar e se posicionar.
Os sofistas ensinavam principalmente os jovens a debater em público e a defenderam suas opiniões e seus pontos de vista. A finalidade
desse método era o desenvolvimento do poder de argumentação para derrubar as teses contrárias e convencer as pessoas. Por isso,
eles ficaram conhecidos como os mestres na arte do convencimento.
PRINCIPAL SOFISTA
Protágoras – Nasceu no ano de 490 a.C. em Abdera e é considerado por muitos autores como sendo o primeiro sofista. Entre as
diversas hipóteses levantadas por ele, Protágoras afirmava que “o homem era a medida de todas as coisas”. Sua afirmação foi base
para o relativismo, no qual cada indivíduo interpreta uma coisa de sua forma específica. É como se não houvesse a possibilidade de
um pensamento universal, mas as coisas são da forma como aparecem a cada pessoa, em sua dimensão individual. Por isso não há
como conhecer o verdadeiro e separá-lo do falso, não existe o belo e o feito, esses conceitos são relativos e dependem da subjetividade
e individualidade de cada um.
OS SOFISTAS E SÓCRATES
É famosa a crítica de Sócrates aos sofistas. Primeiramente, o filósofo ensinava nas praças, só que não cobrava as aulas. Para ele, o
ensino não era uma mercadoria que podia ser comprado, mas algo que era construído por meio de perguntas e respostas em busca
da verdade, que está no interior de cada um.
Sócrates também afirmava que a opinião é uma expressão individual, diferentemente do conceito, que seria universal, isto é, válido
para todos. Nesse sentido, os sofistas ensinavam a retórica para convencer os outros que sua opinião é a melhor. Já Sócrates ensinava
a dialética, ou seja, fazia de conta que não sabia para levar as pessoas admitirem sua falta de conhecimento e, através de seus
questionamentos, chegar a um conhecimento seguro.