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Poda na Citricultura: Práticas e Impactos

Este documento discute a poda em pomares de citros no Brasil. A poda pode reduzir a produtividade no curto prazo, mas promove frutos de melhor qualidade ao aumentar a luminosidade e ventilação na copa. Embora a poda possa atrasar o crescimento, ela auxilia no controle de pragas e doenças e pode manter a produtividade quando feita periodicamente, diminuindo a competição entre as plantas.

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Gustavo Ayres
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Poda na Citricultura: Práticas e Impactos

Este documento discute a poda em pomares de citros no Brasil. A poda pode reduzir a produtividade no curto prazo, mas promove frutos de melhor qualidade ao aumentar a luminosidade e ventilação na copa. Embora a poda possa atrasar o crescimento, ela auxilia no controle de pragas e doenças e pode manter a produtividade quando feita periodicamente, diminuindo a competição entre as plantas.

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Citrus R&T (e-ISSN 2236-3122)

Revisão/Review
[Link]
doi: 10.5935/2236-3122.20130003

Poda na citricultura

Fernando Alves de Azevedo1*, Nathália Barbosa Lanza2, Cristina Rodrigues Gabriel Sales2,
Karina Iolanda Silva2, André Luiz Barros2 & José Dagoberto De Negri1

RESUMO

A citricultura brasileira passa por adaptações em virtude de problemas com pragas e


doenças agravadas pela grande oscilação dos preços, resultando na adoção de alternativas como
o plantio adensado. Com o uso de novas técnicas de cultivo é necessário o aprimoramento das
práticas culturais, como a adoção da poda. Sua utilização pode ser questionável, pois por um
período pode reduzir a produtividade e também retardar o crescimento da planta face à retirada
de ramos e de folhas fotossinteticamente ativas, consequentemente promovendo redução
na área foliar. Além disso, a poda tem interferência na relação fonte-dreno. É importante
registrar também que as folhas dos citros são importantes órgãos de reserva, assim uma poda
drástica pode causar perda de crescimento vegetativo e frutificação. Contudo, favorece maior
luminosidade e aeração no interior da copa, com redução do porte das plantas, promovendo
frutos de melhor qualidade. Auxilia ainda no controle de pragas e doenças, melhorando a
eficiência de aplicação de defensivos e controlando a alternância da produção em algumas
variedades cítricas. Deve-se frisar ainda que quando a poda é feita periodicamente, as plantas
podem se manter produtivas, diminuindo a competição entre as copas. Podem ser destacados
alguns tipos de podas: formação, frutificação (topo e lateral), rejuvenescimento, limpeza e
poda para troca de copa. Em geral, a melhor época para esta prática é após a colheita. É
essencial o entendimento da técnica já que, se realizada de forma inadequada, pode ser mais
prejudicial que benéfica à planta.
Termos de indexação: citros, fisiologia, tratos culturais.

SUMMARY

Pruning in citrus culture

The Brazilian citrus has undergone adaptations due to problems with pests and diseases
aggravated by the large price fluctuation, resulting in the adoption of alternatives, such as higher
density planting. This transition requires the improvement of practices crop management,
such as the adoption of the pruning technique. Its use could be questionable because for a

1
Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC. Rodovia Anhanguera, km 158, Caixa Postal 4, 13490-970, Cordeirópolis-SP.
*
Autor para correspondência - Email: fernando@[Link]
2
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Ecofisiologia e Biofísica/IAC. Campinas-SP.
18 Azevedo et al.

period it can reduce productivity and also retards plant growth due to removal of branches and
photosynthetically active leaves, consequently decreasing the total leaf area. Furthermore, the
pruning technique also has large interference in source-sink relationship. It’s also important
to list that leaves and stems of citrus trees quantity are sources of carbohydrates, a drastic
pruning can cause losses of vegetative growth and fruiting. On the other hand, pruning favors
light penetration and air movement inside the canopy, reducing the plant size and promotes
better fruits quality. Pruning also helps to control pests and diseases, improving the efficiency
of pesticide application and controlling the alternate bearing in some citrus genotypes. It’s
important to highlight that when the practice of pruning is done periodically, the productivity
of crop yield can be maintained, reducing the competition between the canopies. Currently it
can be pointed some types of pruning: training, production (hedging and topping), rejuvenation,
cleaning and pruning change of canopy. In general, the best period to prune is after harvesting
the orchard. It’s essential to understand this technique, since an inadequate pruning may be more
harmful that beneficial to the plant.
Index terms: citrus, physiology, practices crop management.

INTRODUÇÃO o que promove a redução na área foliar e a diminuição


na produção de carboidratos de reserva, bem como sua
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de frutificação (Koller, 1994).
citros e o principal produtor de laranjas (FAO, 2013). Contudo, favorece maior luminosidade e
A queda da produtividade e a falta de condições dos aeração no interior da copa, com redução do porte
produtores em adotar inovações tecnológicas para a das plantas, promovendo frutos de melhor qualidade.
cultura os tornam pouco competitivos, promovendo uma Auxilia ainda no controle de pragas e doenças,
mudança no perfil que tradicionalmente era composta melhorando a eficiência de aplicação de defensivos
por pequenos produtores. Com o estabelecimento de e controlando a alternância da produção em algumas
novas áreas de plantios adensados, mais de 60% da variedades cítricas. Promove melhoria na qualidade
produção de laranja em São Paulo ficou concentrada dos frutos, facilita a colheita e melhora a relação entre
com apenas 1% dos citricultores, aumentando assim a a raiz e a parte aérea. Porém, uma poda inadequada
produtividade por unidade de área (Conab, 2011). pode levar a grandes prejuízos, como queimaduras dos
Os plantios cada vez mais adensados têm como ramos, excesso de brotações e diminuição na relação
objetivo aumentar a longevidade dos pomares evitando carbono:nitrogênio, determinando atrasos na produção,
o esgotamento da planta por produções excessivas e prejuízos na qualidade dos frutos e até mesmo a
obter um retorno mais rápido dos investimentos, pois propagação de diversas doenças.
compensa os períodos de baixa produtividade e os altos Portanto, a poda é um ponto importante da
custos de implantação dos pomares (Recupero, 1990, gestão integrada dos pomares de citros, sendo essencial
De Negri & Blasco, 1991). Essa prática, porém, exige a o entendimento da técnica para equilibrar a produção,
utilização mais frequente e criteriosa da poda, que deve aumentar a longevidade das plantas e manter a
ser feita de acordo com os hábitos de desenvolvimento, qualidade dos frutos.
formato, idade e vigor vegetativo das plantas (Petto
Neto, 1991). ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DO
No Brasil, a prática da poda em plantas cítricas USO DA PODA EM CITROS
não é muito usual (Donadio & Rodriguez, 1992).
Diversos autores questionam sua aplicação, pois ela Nas últimas duas décadas o plantio de citros na
reduz a produtividade e retarda o crescimento da planta Flórida (EUA) tendeu a aumentar o número de árvores
(Koller, 1994). Isso ocorre devido à retirada de ramos e por hectare, como vem ocorrendo no Brasil. Em 1987, o
consequentemente de folhas fotossinteticamente ativas, espaçamento era de 8,5 m nas entrelinhas e de 4,8 m na

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linha, passando, atualmente para 5,3 m de espaçamento solo e do clima, do espaçamento de plantio e do manejo
nas entrelinhas. Esse adensamento foi devido à redução conduzido no pomar. Estes fatores influenciam o vigor
da área de disponibilidade de água, garantindo retorno e o hábito de crescimento das plantas (Oliveira et al.,
econômico antecipado do investimento. As razões 2011a; De Negri et al., 2005).
ganham ainda mais força pelo fato de promover o uso Quando a prática da poda é sistemática e
sustentável das terras e da água, que está se tornando cada periodica, as plantas se mantêm sadias e produtivas,
vez mais escassa (Padrón-Chávez & Rocha-Peña, 2007). diminuindo a competição entre as copas. Uma
A poda é uma parte importante da gestão importante aplicação da poda pelos citricultores
integrada dos pomares de citros, que tem como brasileiros está relacionada ao programa de manejo
objetivos principais: otimizar o tamanho das árvores, de pragas e doenças, principalmente aquelas que se
facilitar a gestão, aumentar a produção e prolongar a desenvolvem no interior da copa das plantas (Santarosa,
vida produtiva dos pomares (Amoros, 1989; Donadio 2009) como, por exemplo, a clorose variegada dos
& Rodriguez, 1992; Sartori, 2005; Koller, 2009). Esta citros (Lopes, 1999) e a leprose (Gravena, 2005).
técnica possibilitou o adensamento de plantio, que por Quando a poda não é realizada de forma
sua vez facilitou a produção pela adequada exposição adequada, a planta cresce excessivamente em altura
ao sol, redução de problemas com o frio, melhor e, portanto, dificulta o trabalho do manejo do pomar.
desenvolvimento da copa, aumento da vida útil do Quando isso ocorre, os problemas fitossanitários
pomar e eficiência de produção. Embora esse aumento aumentam e aliado a uma má aplicação de defensivos,
seja garantido nos primeiros anos, a alta densidade no pode levar à redução gradual da produtividade dos
plantio pode reduzir a produção ao longo do tempo citros (Wheaton et al., 1991, Ferguson, 2005).
devido ao sombreamento (Wheaton et al.,1991). O alto A poda varia de acordo com os objetivos
sombreamento pode levar à redução da parte aérea e da que se pretende atingir. Atualmente, existem os
frutificação na parte inferior da copa, sendo necessário seguintes tipos: poda de formação, de frutificação, de
o uso de escadas para a colheita, encarecendo-a (De rejuvenescimento, de limpeza, poda visando regular o
Negri et al., 2005). tamanho da copa (lateral e topo) e poda para troca de
O plantio mais adensado é prática de rotina em copa (re-enxertia) (Oliveira et al., 2011b)
países como Japão, Espanha, Israel, Itália e Marrocos,
pelo fato das áreas serem limitadas e do alto valor das FISIOLOGIA DA PODA
terras nestes países (Teófilo Sobrinho et al., 1992).
Em maior adensamento, a produtividade de fruto se O plantio adensado de citros tem sido cada vez
torna menor por planta, mas maior por área, quando mais utilizado (Tucker et al., 1994a). Esta técnica leva
comparado ao plantio menos adensado. Com esta a uma maior ocupação da área do pomar e traz algumas
prática é possível evitar o estresse ou esgotamento, que vantagens, como o aumento da eficiência do uso da
pode levar a planta à morte pelo excesso de produção água, já que se necessita de um menor volume de água
(Teófilo Sobrinho et al., 2002). Os espaços adequados de irrigação, além de menor uso de agroquímicos,
para as realizações do manejo rotineiro da cultura por se ter uma aplicação mais eficiente (Tucker et al.,
possibilitam melhor qualidade da fruta. No Brasil, uma 1994a). Mas, para um plantio adensado, é necessário o
distância de 2,5 m entre as extremidades das copas é planejamento da área do pomar, já que além dos fatores
suficiente e permite o estabelecimento dos pomares econômicos que são alterados com esta técnica, muitos
futuros, conduzindo a uma boa produção (De Negri & fatores biológicos são modificados, o que inclui a
Blasco, 1991; Teófilo Sobrinho et al., 2002). quantidade de luz disponível, o carregamento de frutos
O uso da poda faz parte das medidas de e a eficiência de produção (Tucker et al., 1994a). Há
programas de manejo, promovendo o balanço entre a um decréscimo da produção de fruto por planta, mas
parte aérea e o sistema radicular e levando a melhores um aumento de produção por área. Este fato pode
produções (Carvalho et al., 2005a). A necessidade de ser interessante, já que cada árvore produz menos,
poda depende de vários fatores: das combinações copa- evitando-se assim o esgotamento das plantas (Teófilo
porta-enxerto utilizadas, das condições nutricionais do Sobrinho et al., 2002).

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20 Azevedo et al.

Uma das causas da menor produtividade por para que se possa fazer um manejo adequado
planta é o auto sombreamento intenso das árvores, privilegiando os principais processos fisiológicos das
causado muitas vezes pelo uso da técnica do plantas, como a fotossíntese (Machado et al., 2005).
adensamento do plantio. Desta forma, a necessidade de Estudo na Flórida sobre o efeito da poda no
um controle vegetativo apropriado da copa é essencial microclima da copa em tangelo Orlando (Citrus
(Bevington, 1980), sendo a poda muito utilizada para paradisi Macfaden. x Citrus reticulata Blanco) mostrou
este fim. que a temperatura não foi afetada na porção inferior do
Um dos principais fatores que é afetado pela interior da copa, mas na parte superior a temperatura
poda é a entrada da luz, e como este fator ambiental é o sofreu uma elevação, sendo que na primavera e no
responsável por prover energia para a fotossíntese, ele verão este aumento foi de 10 °C em relação às plantas
será um dos principais responsáveis pelo crescimento sem poda, atingindo até 45 °C. A poda interferiu no
da planta e pelo carregamento dos frutos (Tucker et microclima e acarretou maior tamanho de frutos, mas
al., 1994b). Acredita-se que a copa das plantas precisa menor produtividade (Morales et al., 2000).
interceptar apenas 30% de toda a luminosidade anual. A exposição dos citros a regiões com temperaturas
Esta interceptação pode variar conforme a idade da elevadas, em que as folhas atingem temperaturas
planta, os dias e a latitude em que se encontra o pomar próximas a 40 °C, leva ao fechamento estomático e
(Wheaton et al., 1991). a uma redução na assimilação de CO2, crescimento e
Os primeiros eventos fotoquímicos no processo produtividade (Raveh et al., 2003), já que a temperatura
fotossintético são dirigidos pela presença da luz e o ótima para a atividade fotossintética em citros varia
produto final da fotossíntese são os carboidratos, que entre 25 e 30 °C (Spiegel-Roy & Goldschmidt, 1996).
representam o elemento essencial na relação fonte- Medina et al. (2002) também observaram fechamento
dreno (Ribeiro et al., 2006; 2012). Em plantas adultas, dos estômatos em mudas de laranjeira sob excesso de
apenas 3% a 4% da radiação solar máxima chega ao radiação solar. Os citros são originados de sub-bosques
interior da copa, sendo a baixa disponibilidade de de florestas asiáticas e são plantas com pequeno
energia luminosa a causa da morte dos galhos mais sistema radicular e baixa condutividade hidráulica.
internos (Medina, 2001). A poda aumenta o acesso Desta forma, regiões muito quentes e secas não são
da luz ao interior da copa, afetando o florescimento, adequadas para o desenvolvimento destas plantas
a frutificação e a coloração dos frutos (Tucker et al., (Kriedeman & Barrs, 1981). Além disso, a atividade
1994b). de carboxilação da Rubisco torna-se menor devido ao
Os citros apresentam uma baixa saturação da aumento da fotorrespiração (Berry & Björkman, 1980)
fotossíntese pela luz e exibem uma redução na eficiência em temperaturas superiores a 35 °C (Ribeiro et al.,
quântica efetiva do fotossistema II com o aumento da 2004).
radiação fotossinteticamente ativa acima de 750 µmol O aumento do déficit de pressão de vapor do ar
m-2 s-1 (Medina et al., 2002). A diferença de exposição de 1 para 2 kPa em função do aumento de temperatura
de folhas das copas de citros, algumas sob alta radiação pode causar queda de até 50% na fotossíntese em mudas
e outras no interior do dossel sob sombreamento de laranjeiras Valência sobre limoeiro Cravo (Medina
constante, acarreta variação nas características et al., 1998; Habermann et al., 2003). A queda da taxa
fotossintéticas, sendo interessante a produtividade em de assimilação de CO2 devido ao aumento no déficit de
citros resultante da atividade fotossintética nos dois pressão de vapor do ar foliar também ocorre em plantas
tipos de folhas (Ribeiro & Machado, 2007). jovens de laranjeira Valência, tangor Murcott (Citrus
Além da relação da poda com o acesso de luz na sinensis L. Osbeck x Citrus reticulata Blanco) e lima
copa, as plantas de citros apresentam uma complexa ácida Tahiti [Citrus latifolia (Yu. Tanaka) Tanaka]
interação com o ambiente, desde a temperatura do solo (Machado et al., 2005). Desta forma, a alteração
interferindo no metabolismo do sistema radicular, até do microclima da copa através da poda acarreta em
a variação da quantidade de luz que as folhas estão mudanças na fisiologia dos citros, sendo importante o
expostas (Ribeiro & Machado, 2007). É essencial conhecimento das plantas para a tomada de decisão no
conhecer as respostas das plantas à variação ambiental, pomar.

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Poda na citricultura 21

A técnica da poda também tem grande no ano seguinte (Goldschmist & Golomb, 1982). Parte
interferência na relação fonte-dreno. Os carboidratos das perdas ocorridas no ano de podas drásticas pode ser
produzidos pelos tecidos fotossintéticos são recuperada, portanto, no ano consecutivo (Eissenstat &
armazenados como amido nas folhas, que agem como Duncan, 1992).
um importante órgão de reserva nos citros, tornando- O efeito da poda e as respostas hormonais não
se fontes de amido e de carboidratos solúveis quando são bem entendidos. A floração em citros se baseia no
necessário (Goldschmidt & Koch, 1996). Desta forma, nascimento de flores sobre ramos da brotação nova. Sua
uma poda drástica pode causar perda de crescimento abundância será decorrente do período de alguns meses
vegetativo e de produtividade de frutos (Tucker ou mesmo poucas semanas antes da nova brotação
et al., 1994b). As raízes são drenos insaturados de (Sousa, 1979). A auxina produzida na gema terminal
reserva, sendo, como as folhas, importantes órgãos inibe o desenvolvimento das gemas laterais, sendo que
de armazenamento de carboidratos (Goldschmidt & a remoção da gema apical leva à quebra da dominância
Koch, 1996). apical, levando à brotação das gemas laterais (Tucker
Além disso, sabe-se que o acúmulo de et al., 1994b). Muitas das alterações ocorridas após a
carboidratos de reserva nas folhas em períodos de poda podem, portanto, ser explicadas pela quebra da
baixa demanda interfere na atividade fotossintética dominância apical. A orientação das ramificações nos
(Foyer, 1988; Paul & Pellny, 2003). Porém, foi citros também interfere no crescimento e na frutificação
demonstrado por Ribeiro et al. (2012) que há uma das árvores, provavelmente pela distribuição de
associação positiva entre a taxa fotossintética e a hormônios de crescimento e carboidratos. Quando os
exportação/consumo de fotoassimilados, mesmo nas ramos estão dispostos mais horizontalmente há um
folhas com alta concentração de carboidratos. O estudo menor crescimento e maior floração (Tucker et al.,
provê evidências de que a fotossíntese em citros é 1994b).
mais fortemente regulada pelo aumento da demanda Se a poda realizada for severa, espera-se que as
de carboidratos pelos drenos do que pela concentração próximas gemas sejam predominantemente vegetativas.
absoluta de carboidratos nas folhas. Já se as podas de anos anteriores foram brandas, estas
Nos citros, uma parte substancial dos serão responsáveis por uma grande diferenciação das
fotoassimilados é utilizada para a produção dos gemas vegetativas em frutíferas (Sousa, 1979). A
frutos. Com a remoção de parte da copa com podas, relação entre o crescimento da planta e a frutificação
grande parte dos carboidratos produzidos é utilizada tem dependência, entre outros fatores, pela razão
para o restabelecimento da copa, sendo que parte dos dos teores de carboidratos e de nitrogênio. Quando
fotoassimilados também será usada para o sistema estes são adequados, crescimento moderado e alta
radicular, já que ocorre a morte de parte das raízes produtividade ocorrem. Porém, quando ambos estão
após a poda (Goldschmist & Golomb, 1982). O baixos, tanto o crescimento quanto a produtividade
crescimento do sistema radicular diminui ou para após tornam-se baixos. Plantas com baixa quantidade de
uma poda parcial, por até três semanas (Head, 1969; carboidratos, mas elevada quantidade de nitrogênio
Eissenstat & Duncan, 1992), sugerindo que a regulação apresentam crescimento vegetativo vigoroso, mas
do crescimento é promovida por fotoassimilados baixa produtividade. Podas excessivas levam a esta
ou substâncias provenientes da copa (Eissenstat & última relação, já que grande parte dos carboidratos
Duncan, 1992). armazenada nas folhas são removidos pela poda. Desta
Em média, no primeiro ano de vida da planta forma, a adubação nitrogenada deve ser balanceada
a parte reprodutiva é a responsável pela alocação de de acordo com o grau de poda efetuado nas plantas
carbono para a copa. Em contrapartida, quando a planta (Tucker et al., 1994b).
adulta é podada, o carbono alocado para as raízes é Muitas vezes uma alta produção leva ao
predominante. Desta forma, estudos de alternância de consumo de carboidratos, afetando a relação
produção indicam que o aumento na quantidade de carboidrato:nitrogênio, o que leva a uma baixa
carboidratos de reserva em raízes, folhas e caules em um produtividade no ano consecutivo, com vigoroso
ano de baixa produtividade, leva a uma maior produção crescimento vegetativo. Atualmente, pela menor

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22 Azevedo et al.

longevidade dos pomares e pela necessidade de rápido No campo, a poda de formação é realizada nos
retorno dos investimentos, é recomendado um maior três primeiros anos após o plantio das mudas. Tem
adensamento de plantio (De Negri et al., 2005). Porém, como objetivo promover o crescimento dos ramos
a poda realizada em árvores vigorosas em plantio principais, que servirão de base para a copa da planta.
adensado pode causar um problema constante de Estes ramos devem ser bem conduzidos, pois irão
excesso de ramos vegetativos e alto custo para a planta garantir máximo aproveitamento da radiação solar
produzir frutos (Tucker et al., 1994b). incidente, suportar toda parte aérea, os frutos até
A poda após uma alta produção estimula a fase de colheita, além dos fortes ventos durante o
o crescimento vegetativo, mas depois de uma ciclo do cultivo. Após o plantio no campo, a planta
produtividade baixa e antes de uma esperada alta deve assim ser conduzida até atingir 1 m de altura,
produtividade pode ajudar a reduzir a alternância de removendo-se periodicamente as brotações laterais.
produção (Tucker et al., 1994b). Teófilo Sobrinho et al. Posteriormente, realiza-se o desponte com altura
(2002) observaram maior desenvolvimento vegetativo de 50 a 80 cm do solo, dependendo da cultivar.
nos maiores espaçamentos, mas maior produção total Quando as brotações atingirem cerca de 10 a 15
de frutos por hectare no plantio mais adensado, não cm de comprimento, realiza-se o desbrotamento,
sendo verificada diferença na qualidade dos frutos deixando-se de três a quatro brotações, dispostas
entre os tratamentos. radialmente e espaçadas em aproximadamente 5 cm
Historicamente, a citricultura brasileira passou de distância umas das outras, que irão formar os
por diversas adaptações devido a problemas com ramos principais, também conhecidos como pernadas.
pragas e doenças, retenção dos preços e problemas A partir dos ramos principais, sucessivamente, devem
com a indústria de suco, resultando muitas vezes ser selecionadas de duas a três brotações de forma
em aumento de custos da cultura. Para garantir a subsequente para formação da copa. Abaixo das
sobrevivência dos pomares e aumentar a produtividade, pernadas todas as brotações devem ser eliminadas,
os citricultores estão adotando diferentes alternativas, inclusive as decorrentes do porta-enxerto. Quanto
dentre elas o adensamento de plantio que acarreta antes forem eliminadas essas brotações, melhor será o
em um novo desafio: o aprimoramento das práticas desenvolvimento da planta (Lewis & McCarty, 1973;
culturais principalmente em relação à adoção da poda Amoros, 1989; Donadio & Rodriguez, 1992; Sartori,
das árvores (Coopercitrus, 2010). 2005; Koller, 2009; Oliveira et al., 2011b).
Outra poda durante a formação é a poda de
TIPOS DE PODA NA CITRICULTURA aeração, realizada quando a planta está formada e com
a copa bem fechada, necessitando ser aberta (Figura 1).
Poda de formação Nesse caso podam-se os ramos mais eretos do interior
da copa e os que têm tendência de crescer para o seu
A poda de formação era uma prática usual, ainda interior de tal forma que, neste caso também, obtenha-
na formação de mudas cítricas, quando estas eram se uma formação de taça para a planta. É necessário
conduzidas com uma haste principal e três pernadas, podar cada ramo e avaliar como ficou a estrutura da
saindo do viveiro com 18 meses e com a estrutura planta para ser dado novo passo. Esse tipo de poda,
praticamente definida. Porém, não é mais uma técnica por ser inicialmente mais agressivo, requer repasse
adotada, pois atualmente, a muda é conduzida com após três anos. Durante esse período é possível que
haste única (muda ‘pavio’) e comercializada com cerca algumas desbrotas sejam necessárias para equilibrar as
de 10 a 12 meses. Assim, no viveiro é realizada apenas brotações.
poda de rebaixamento, onde o enxerto é conduzido Sendo assim, a poda de formação tem a função
com haste única e tem sua haste rebaixada a 40-60 principal de garantir a planta uma boa formação, com
cm de comprimento, dependendo da variedade. Suas altura e distribuição desejadas e ramos em condições
brotações crescem livremente após o plantio no campo, para a exploração produtiva (Sousa, 1979). A poda de
onde o produtor faz a condução deixando 3-4 pernadas formação é feita manualmente ou no máximo com uma
para a formação da copa (Carvalho et al., 2005b). tesoura de poda acionada por ar comprimido.

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Poda na citricultura 23

Figura 1. Plantas de tangor Ortanique: antes (A) e após (B) poda de abertura da copa, Fazenda
Três Pinheiros, Taquarivaí/SP, 2009 (Fotos: Azevedo, FA).

Poda de limpeza ou de inverno moléstias, como leprose, cochonilha escama farinha,


gomose e principalmente rubelose (Figura 2).
Dentre os diferentes tipos de podas, a de limpeza É denominado tratamento de inverno porque
consiste na retirada de todos os galhos e ramos secos, normalmente essa operação deve ser feita nessa
doentes e improdutivos, normalmente mal localizados estação do ano. De modo geral, deve ser efetuada
na copa. Tem sua maior recomendação no período na época mais seca e fria e de preferência as plantas
do inverno e o corte deve ser feito na parte sadia do não devem apresentar frutos em desenvolvimento. A
galho da planta. Tal prática pode ser feita em intervalos retirada dos ramos deve ser feita de modo que o corte
regulares ou quando diagnosticados ramos doentes seja rente ao tronco, evitando deixar tocos na planta.
(Petto Neto, 1991; Carvalho et al., 2005a). Os ramos mais grossos devem ser retirados com
Essa operação é realizada com intuito de a utilização de serrotes, enquanto que nos médios
aumentar a aeração, iluminação e facilitar o manejo emprega-se serra de poda e nos finos a tesoura de
cultural, eliminando-se ramos ladrões, principalmente poda. Com auxílio de uma escova de aço, deve-
os localizados no interior das árvores de maior vigor se fazer a raspagem do tronco e galhos, retirando-
(Lewis & McCarty,1973; Padrón-Chávez & Rocha- se os fungos de cobertura e partes necrosadas mais
Peña, 2007). Essa limpeza auxilia no controle de certas superficiais (Carvalho et al., 2005a).

Figura 2. Sintomas de rubelose (doença fúngica) (A); e planta após poda de limpeza/inverno (B) (Fotos: Centro
de Citricultura Sylvio Moreira/IAC).

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24 Azevedo et al.

Posteriormente a essas operações, deve-se fazer A Alternaria alternata é um fungo facultativo


o pincelamento com tinta ou pasta cúprica (Figura que pode sobreviver em material em decomposição
2B) para prevenir a entrada de patógenos e facilitar a ou morto. Estudos realizados quanto às formas de
cicatrização, assim como o pincelamento do tronco até distribuição e locais com maior concentração de
a inserção das primeiras pernadas com pastas à base esporos do fungo indicam que materiais sintomáticos
de cobre. Esse tratamento deve ser feito nos meses têm papel fundamental como fontes de inóculo nos
mais frios do ano (inverno), coincidindo com a fase de ciclos seguintes da doença (Timmer et al., 1998),
repouso vegetativo das plantas. razão pela qual as medidas de sanitização, como, por
A poda de limpeza pode ser considerada exemplo, o emprego da poda, resultam em melhoria
como meio de prevenção, pois atua de acordo com nos níveis de controle da doença.
os princípios da erradicação, proteção e regulação.
Estas práticas reduzem o inóculo inicial, além de Poda de Frutificação
alterarem o microclima do pomar. Tais princípios não
são limitados a um grupo de doenças, mas atuam de Essa técnica busca um equilíbrio da frutificação,
maneira a diminuir a incidência geral de enfermidades com frutos distribuídos tanto na periferia como na parte
no próximo ciclo de produção (Laranjeira et al., 2005). interna da copa (Koller, 2006), evitando o excesso de
De acordo com Martelli (2011), a poda de inverno vegetação da planta ou reduzindo os ramos frutíferos
para retirada de ramos secos, é importante para reduzir para que não haja superprodução da planta, o que
fontes de inóculos e no controle da mancha marrom de diminui a qualidade da fruta e leva à decadência das
alternaria em pomar de tangor Murcott (Figura 3). árvores (Fideghelli, 1991). É a responsável por garantir

Figura 3. Plantas adultas de tangor Murcott sem poda de limpeza (A e C) e podadas (B e


D) – Fazenda Água Boa, Aguaí/SP, 2012 (Fotos: Azevedo, F.A.).

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Poda na citricultura 25

o equilíbrio da produção com qualidade e consistência a parte inferior da copa para aumentar a intensidade
(Sousa, 1979). da floração, frutificação, tamanho do fruto e, por
A poda de frutificação deve ser realizada logo consequência, o rendimento das plantas. Além disso,
após a colheita dos frutos, em árvores a partir do quarto facilita a entrada de tratores e máquinas para aplicação
ano de plantio (Oliveira et al., 2011b), promovendo a de defensivos e adubos (Figura 5).
formação de novos ramos que terão a capacidade de
produzir na estação seguinte (Lewis & McCarty, 1973;
Donadio & Rodriguez, 1992; Koller, 2006; Padrón-
Chávez & Rocha-Peña, 2007).

15º-30º

Figura 5. Plantas de citros após poda lateral – Fazenda


Cambuhy, Matão/SP, 2013 (Fotos: Lanza, R).

Já a poda de topo é feita para diminuir a


altura das plantas no sentido de facilitar o controle
de pragas e doenças e a colheita. Ela é feita com o
mesmo equipamento que pode cortar na horizontal
Figura 4. Inclinação da poda lateral para maior ou em duas sessões inclinadas 15º em relação a uma
eficiência de insolação. paralela ao solo, na parte mais alta da planta (Figura
6). A altura de corte varia entre 2,5 e 3 metros do
Esse tipo de poda deve ser efetuado em pomares solo. Essa poda deve ser anual, de preferência após
que contenham alta densidade de plantas por área, onde uma boa colheita, somente sendo podados ramos
se registra o encontro de copas, ocasionando queda de com diâmetro menor que 2 cm para não haver grande
produção. É também recomendado para pomares que interferência na produção seguinte (Carvalho et al.,
tenham maiores espaçamentos entre as plantas, onde 2005a).
se desenvolvam plantas de porte avantajado, podendo No intuito de evitar o excesso de crescimento,
a poda ser laterais ou de topo (Carvalho et al, 2005a). esse tipo de poda reduz custos com colheita e permite
As podas laterais são feitas obedecendo a uma melhor cobertura na aplicação de defensivos no pomar,
inclinação de 15º em relação ao eixo vertical relativo à além de promover maior rendimento e aumentar o
base da planta (Figura 4) para aumentar a incidência de tamanho dos frutos. A altura ideal para realizar a poda
raios solares e a produção. Em geral, recomenda-se a é variável e depende da variedade e do espaçamento do
poda em ângulos de 5º a 15º (Lewis & McCarty, 1973; pomar. Geralmente realiza-se a poda em torno de 50
Padrón-Chávez & Rocha-Peña, 2007; Oliveira et al., a 100 cm abaixo da altura padrão da planta. Para um
2011b). melhor aproveitamento dos raios solares, recomenda-
Esse tipo de poda consiste em cortar os ramos se a poda em ângulos de 15º a 30º (Lewis & McCarty,
laterais das plantas para evitar a competição por luz 1973; Padrón-Chávez & Rocha-Peña, 2007; Oliveira et
entre as linhas de plantio. Permite a entrada de luz até al., 2011b).

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26 Azevedo et al.

15º-30º

Figura 6. Tipos de poda de topo utilizados na citricultura: horizontal (esquerda) e em duas


sessões inclinadas (direita).

Poda de Rejuvenescimento inverno (Figura 7). e, após a poda, o tronco e os ramos


devem ser pintados com cal adicionada de fixador ou
Esse tipo de poda recupera árvores decadentes, com tinta plástica na cor branca e mantidos nestas
pouco vigorosas e que apresentem baixa produtividade, condições até bom desenvolvimento da vegetação
mas ainda com valor comercial. É interessante seu uso (Lewis & McCarty, 1973; Padrón-Chávez & Rocha-
em plantas com idade avançada, expostas a tempestades Peña, 2007; Santarosa, 2009; Oliveira et al., 2011b;
ou a ataque severo de pragas e/ou doenças, como brocas, Sousa, 1979).
cochonilhas, algas, fungos e ácaros. Esta técnica limita- Esta poda quando bem sucedida, dará
se em deixar apenas o tronco com as pernadas iniciais, retorno mais imediato, mas com menor vida útil,
eliminando-se toda a vegetação da copa. Para evitar se comparada à formação de um novo pomar nas
danos de queimaduras de sol, deve ser realizada no mesmas condições.

Figura 7. Plantas de laranjeira doce após poda drástica (Foto: Centro de Citricultura
Sylvio Moreira/IAC).

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Poda na citricultura 27

Poda para troca de copa ou re-enxertia prática. O setor de máquinas e implementos agrícolas
oferece tratores e equipamentos diversificados, com
Esse tipo de poda é empregado com o objetivo diferentes tamanhos e finalidades. Dessa forma, a
de trocar a copa de plantas em pomares já estabelecidos prática da poda mecanizada requer estudos e critérios
e produtivos. Esta prática é útil quando a variedade para sua implantação, pois diferente dos equipamentos
copa deixa de ser interessante do ponto de vista de poda manual, a poda mecanizada requer alto
econômico e/ou o pomar está com baixa produtividade, investimento por parte do produtor (Lewis & McCarty,
porém saudável e bem conduzido. A enxertia da nova 1973; Padrón-Chávez & Rocha-Peña, 2007; Oliveira et
copa é realizada pela garfagem de ramos por meio de al., 2011b).
cortes das plantas a uma altura de 80 a 100 cm do solo,
deixando parte dos ramos principais originários da ÉPOCA RECOMENDADA PARA
antiga copa. Os garfos de 15 a 20 cm de comprimento PODA NA CITRICULTURA
por pernada são cobertos até seu pegamento para não
desidratarem (Lewis & McCarty, 1973; Padrón-Chávez Para escolher a melhor época para realizar a poda
& Rocha-Peña, 2007; Oliveira et al., 2011b). alguns parâmetros devem ser levados em consideração,
como a localização geográfica da propriedade, a
FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS cultivar, a intensidade e o tipo de poda. Em geral, a
COMUMENTE UTILIZADOS melhor época para a poda é após a colheita do pomar.
NA PODA EM CITROS Em algumas variedades de maturação precoce, a poda
pode ser realizada a partir de junho, porém antes da
Existe uma série de ferramentas que podem
brotação normal da primavera. Variedades como a
ser utilizadas para podar plantas cítricas, sendo que
laranja Valência, de maturação tardia, na qual a planta
as principais são: tesoura, serrote, formão, podão e
mantém frutos durante todo o ano, deve ser realizada a
motosserra que são fáceis de encontrar no mercado e
poda lateral no final da primavera, logo após a colheita
de custo relativamente baixo.
dos frutos maduros do ciclo atual de cultivo. Em alguns
Devido ao porte de algumas árvores, são
casos, bons resultados foram obtidos em longo prazo
necessárias escadas para atingir os ramos mais
com poda no final do inverno, causando menos danos à
elevados. Os instrumentos de corte devem ser bem
planta uma vez que há menos folhas e frutos (Lewis &
afiados para permitir cortes lisos e contínuos. Em razão
McCarty, 1973; Padrón-Chávez & Rocha-Peña, 2007;
do risco de disseminação de doenças, os instrumentos
Oliveira et al., 2011b).
de poda devem ser desinfetados antes e durante a poda
de cada talhão. Para tanto, podem ser utilizados álcool
70%, amônia quaternária a 0,2% do produto comercial, CONSIDERAÇÕES FINAIS
formalina ou hipoclorito de sódio a 2%.
No caso específico das motosserras, deve-se A poda é uma prática cultural de grande
substituir o óleo usual da correia por óleo mineral importância, principalmente quando se faz uso do
ou vegetal, que não danifica os tecidos do lenho das cultivo adensado, como está ocorrendo atualmente no
plantas. Quando houver necessidade de grandes cortes, Brasil. Neste cenário, essa técnica assume um papel
é essencial realizar a pintura dessas regiões com pastas fundamental no controle do crescimento vegetativo
à base de cobre (Souza, 1979), no intuito de evitar o das plantas, na melhoria da qualidade dos frutos e na
ataque de doenças (Lewis & McCarty, 1973; Padrón- eficiência de utilização dos nutrientes. É essencial o
Chávez & Rocha-Peña, 2007; Oliveira et al., 2011b). entendimento da poda, visando equilibrar a produção
Os cortes deixados pelas podas devem ser lisos e e a longevidade das plantas, já que quando realizada
inclinados, evitando acúmulo de água da chuva levando de forma inadequada, pode reduzir gradualmente a
a podridões (Sousa, 1979). produtividade.
A poda mecanizada consiste no uso de máquinas Dessa forma, as podas mecanizadas laterais e de
e tratores especialmente desenvolvidos para essa topo, em pomares adensados, serão importantíssimas

Citrus Research & Technology, Cordeirópolis, v.34, n.1, p.17-30, 2013


28 Azevedo et al.

nesse novo cenário de produção e os produtores com implantação de um pomar cítrico. In: Rodriguez O,
maior sucesso serão aqueles que integrarem as práticas Viégas F, Pompeu Jr J, Amaro AS (Eds). Citricultura
de manejo do tamanho da árvore no plano de ação geral brasileira. Campinas: Fundação Cargill, v.1, p. 318-
para manter o balanço entre o crescimento vegetativo 332.
e a produção de frutos, sustentando altos níveis de
produção. Assim tornam-se imprescindíveis trabalhos De Negri JD, Stuchi ES & Blasco EEA (2005)
de pesquisa para adequar a época e intensidade ideal da Planejamento e implantação do pomar cítrico. In:
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