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Competências de Escuta Ativa em Psicologia

Este documento descreve o modelo de Ivey, Ivey & Zalaquett (2010) para o desenvolvimento de competências de escuta ativa para entrevistas e conversas no âmbito de conselheiros e psicólogos. O modelo enfatiza a importância de três "V's": contato visual, paralinguística e "sintonizar", assim como uma linguagem corporal atenta, para demonstrar que se está ouvindo ativamente. O documento também discute conceitos como autoconhecimento, empatia e competências sociais que são importantes para este modelo.

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Oriana Cardoso
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Competências de Escuta Ativa em Psicologia

Este documento descreve o modelo de Ivey, Ivey & Zalaquett (2010) para o desenvolvimento de competências de escuta ativa para entrevistas e conversas no âmbito de conselheiros e psicólogos. O modelo enfatiza a importância de três "V's": contato visual, paralinguística e "sintonizar", assim como uma linguagem corporal atenta, para demonstrar que se está ouvindo ativamente. O documento também discute conceitos como autoconhecimento, empatia e competências sociais que são importantes para este modelo.

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Introdução ao modelo de Ivey, Ivey &

Zalaquett (2010)

Este modelo está relacionado com o desenvolvimento de


competências para a realização de entrevistas e conversas no
âmbito de conseleurs e psicólogos.

Pretende desenvolver competências de audição do que o outro tem


a dizer.

A escuta ativa é raramente executada, sendo que as pessoas se


ouvem pouco umas às outras e, muitas vezes, em vez de
escutarem e compreenderem o outro, tem apenas opiniões a dar
sobre o que este está a sentir, julgando antecipadamente o que o
outro sente e pensa em vez de o deixarem se expressar sobre isso.
Conceito de inteligência emocional

Desenvolver o nosso estilo pessoal, isto é, reconhecer as nossas


habilidades naturais, interesse em ser psicólogo e integrar as
competências que vamos aprender, ou seja, a importância do
autoconhecimento e da inteligência emocional, que inclui:

• Autoconhecimento (ex: aspetos positivos e a melhorar; aquilo


que fazemos melhor (bem feito naturalmente) e os outros que
temos de aperfeiçoar).
• Autorregulação (capacidade de atender àquilo que são as
reações que sentimos em nós próprios e orientar o nosso
comportamento e ação – numa conversa interpessoal e vida
pessoal vamos exprimir reações perante aquilo que ouvimos,
desse modo devemos procurar saber e compreender aquilo
que estamos a sentir e se nos incomoda).
• Motivação e utilização de capacidades interpessoais (dado ao
facto de aspirarmos ser bons profissionais e marcar a
diferença, existe esta motivação para tornar o nosso desejo
possível e fazer uso daquilo que a nossa natureza nos
fornece, das nossas competências, tal como das nossas
aprendizagens).
• Empatia (capacidade de ouvir e compreender os outros; se
não possuímos empatia pelos outros isso mostra que não
estamos interessados nem disponíveis para os compreender,
pelo que só com ela podemos demonstrar que estamos
genuinamente interessados neles, naquilo que são as suas
questões e disponíveis para os compreender).
• Competências sociais (a forma com desenvolvemos relações,
como confiamos nas pessoas e como as pessoas vão confiar
em nós, ou seja, a nossa habilidade para desenvolver
relações interpessoais saudáveis).
A aprendizagem destas competências envolverá uma evolução
ao longo de diferentes níveis propostos por Ivey, Ivey &
Zalaquett:

• Identificação e classificação (o nosso comportamento e


como nos comportamos/comunicamos).
• Competência básica.
• Competência intencional (quando já podemos utilizar
estas competências antecipando o resultado).
• Ensino da competência (quando já somos capazes de
explicar aos outros).
Comportamento de atendimento

Atender estar ativamente com… (pessoas)

Em situações difíceis da vida, a mera presença de alguém é de


importância extrema. Da mesma maneira, ser-se ignorado é
doloroso. Sendo nós tão sensíveis à atenção ou falta desta por
parte dos outros, é paradoxal o quão insensíveis parecemos ser
tantas vezes a “atender” os outros.

Sensibilidade conhecimento e competências no comportamento


de atendimento (ex: relação terapeuta – cliente) permite:

• Mostrar aos clientes que a terapeuta está interessada no que


está a dizer.
• Aumentar a capacidade da terapeuta de reconhecer a
tendência da cliente de focar em certos tópicos.
• Altera o nosso comportamento de atendimento para se ajustar
a cada pessoa (ex: adaptar a questões culturais).
• Recurso quando se está confuso/ perdido na conversa,
quando não souber o que fazer, atenda. Se não sabemos o
que fazer no seguimento de uma determinada conversa,
vamos parar e tentar perceber o que nos estão a dizer,
voltamos a pedir para nos explicar melhor o que querem dizer
com uma determinada situação.

Saber estar e atender são ingredientes chaves para desenvolver e


manter uma relação empática, calorosa e de confiança que permita
a quem fala (ex: familiar, amigo, colega, paciente) explorar a sua
situação e partilhar com quem ouve.

Uma vez alcançada esta forma de estar, o ouvinte está na posição


de ouvir ativamente o que o outro diz de forma verbal e não verbal.
Ouvir ativamente é mais difícil do que à primeira vista possa
parecer. A verdade é que não são raras as vezes em que não nos
ouvimos ativamente uns aos outros. Quantas vezes ouvimos dizer
“não estás a ouvir nada do que te digo”, ao que responde “estou
sim, até posso repetir tudo o que disseste”.
Repetir não chega. É mais do que a presença física o que se
espera de quem nos ouve. Queremos que quem nos ouve esteja
presente psicologicamente, socialmente e emocionalmente.

Segundo o modelo de Ivey, Ivey & Zalaquett (2010) para mostrar


que se está a atender e ouvir de forma ativa precisamos dos três
“V’s” do atendimento mais linguagem corporal atenta.

➢ Visual/ eye contact – contato visual.


➢ Vocal qualities – paralinguística.
➢ Verbal tracking – “sintonizar”.

➢ Attentive and authentic body language – comportamento não


verbal autêntico.

Contacto ocular

Manter mostra que se está com o cliente. Mostra interesse no


que tem para dizer.

“Delicado” Comunica empatia, carinho.

Olhar o cliente de frente Mostra envolvimento, “estou disponível


para si. Escolhi estar consigo”.
Não esquecer a diversidade cultural

Situação que a professora Filipa Palha passou:

Na inglaterra, teve um paciente, refugiado politico vindo do Irão, que


estava com depressão aguda, este nas primeiras duas semanas
não falou e manteve a cabeça entre as pernas a sessão toda (50
minutos). Com o tempo, este foi falando e, posteriormente,
levantando a cabeça, mas não focando na psicóloga, pois
culturalmente não era suposto ele olhar para uma senhora ou uma
professional nos olhos. A doutora Filipa esteve as primeiras semana
a dizer que “Estava tudo bem. Entendia que era muito dificil e que
podia levar o tempo que necessitasse.” e os meses seguintes a
falar com alguém que não olhava nos olhos dela enquanto falava,
porém mantinha-se presente e não focava a sua atenção noutro
objeto.

Nem todas as culturas consideram o “olhar nos olhos” bom.

Paralinguística

Forma como transmitimos a informação através da maneira de falar.

Nem sempre pensamos neste aspeto, porém deviamos manter a


pergunta “que impacto a nossa voz tem nos outros?” bem acente.
Uma das perguntas que podemos fazer aos outros é esta e tentar
saber que sentimento a mesma transmite.

• O impacto da nossa voz varia de pessoa para pessoa.


• Através do tom de voz, cadencia da fala e volume
transmitimos muitos dos sentimentos que temos pelos outros
e do interesse e envolvimento no que está a acontecer.

• Através do volume da nossa voz “ sublinhamos verbalmente”


certas palavras ou frases às quais queremos dar maior
enfase.

“Não interessa tanto o que se diz, mas como se diz”. Um dos


exemplos que mostra a veracidade e explica esta frase é Hitler que,
embora falasse de tópicos discriminatórios e violentos, mantinha um
discurso eloquente que cativava muitas pessoas, essas que se
centravam na forma como ele falava e não no que dizia em si.
Assim, também existe no quotidiano muitas pessoas que fazem uso
do:

• Tom
• Volume
• Velocidade

Da voz para assim enganar as outras pessoas, por exemplo, uma


pessoa que mantenha um discurso violenta, mas tenha um tom de
voz doce, um volume baixo e a velocidade lenta vai manipular os
outros ao ponto de faze-los pensar que é uma pessoa boa e calma.

Existem quatro tipos de índices paralinguísticos:

• Qualidade da voz Volume, articulação, ritmo ou velocidade


• Características vocais Ruídos como o riso, choro, gritos e
bocejos.
• Qualificadores vocais Maneira como as palavras e frases
são proferidas (tom de voz)
• Segregados vocais Fatores rítmicos que contribuem para o
fluxo da fala, por exemplo, pausas e interrupções (“hum”)
Verbal tracking (Sintonizar)

Acompanhar “a par e passo” os clientes


✓ Acompanhamento verbal dos assuntos ajudando os clientes a
descrever adequadamente as suas narrativas.
✓ Estar alerta para a “atenção seletiva” a certos temas e a
tendência para ignorar outros (exemplo: pessoas com
depressão).
✓ Usar a paráfrase, fazendo a pessoa perceber o que está a
dizer e a tentar compreender com o intuito de perceber o
problema.

Acompanhar “o ritmo” dos clientes


✓ Os ritmos dos clientes variam.
✓ Uns são mais lentos e outros mais rápidos. Não ter pressa
com uns e ter a capacidade para conter outros pode ser
necessário

Acompanhar o tempo dos clientes


✓ Muitas das histórias dos nossos clientes foram construídas e
vividas durante anos. O tempo que vão precisar para as
contar vai variar de pessoa para pessoa.
✓ Ajudar as pessoas e acompanha-las no seu tempo.

Comportamento não verbal autêntico

Comunicação proxémica
• O modo como as pessoas se colocam espacialmente em
relação às outras tem uma função comunicativa.
• A comunicação proxémica refere-se a essa transmissão de
informação através do arranjo espacial.
• A distância apropriada para manter uma conversa varia de
cultura para cultura (e.g. os ingleses são muito mais “frios” em
relação ao toque, abraços e beijos)

Linguagem corporal
• A forma como o corpo se movimenta também dá sinais de
conforto ou desconforto sobre os temas abordados.

Autenticidade: Ser autêntico, natural. A qualidade da presença do


terapeuta é fundamental para transmitir uma clara vontade de
trabalhar com os clientes.

• A linguagem corporal é um poderoso veículo de comunicação.


• É necessário estar atento não só ao que transmitimos aos
clientes, como saber interpretar o que se diz respeito ao
próprio terapeuta em si e à relação consigo mesmo. “Estou a
ficar ansioso. Porque?”
• Capacidade de se autorregular e conter certas reações ao que
acontece no espaço terapêutico. Aguentar o que os outros
nos contam e manter a nossa postura e não sucumbir.

Silencio

Quais os significados do silencio nas relações interpessoais? Como


se antecipa os momentos de silencio numa sessão?

• Faz parte integrante da comunicação e são frequentes nas


relações interpessoais.
• É vivido de diversas maneiras (pode ser embaraçoso,
confortável ou desesperante).
• O silencio pode ser uma parte importante das sessões, visto
que permite aos clientes refletir, lembrar-se de pontos a focar,
bem como tomar consciência de certos aspetos tratados. É
necessário que os terapeutas se sintam confortáveis nos
silêncios e evitem preenche-los.
Às vezes é importante não dar atenção e ignorar-mos a insistencia
das pessoas em alguns aspetos, pois é essencial para que se
consigam focar no ponto principal.

Reflexões finais

É muito importante praticar essas competências, dado que só assim


podes corrigir e apreender.
Aprendizagem é o que fica depois de já termos esquecido. Passa a
pertencer-nos de forma natural autenticidade.

Perguntas abertas e fechadas

Existe muitas formas de fazer perguntas.

Funções principais

• Se as perguntas forem usadas de forma adequada, podemos


esperar que os clientes falem mais livremente. As perguntas
fechadas tendem a resultar em repostas breves e ajudam a
obter informação específica.
• Tal como o comportamento de atendimento, as perguntas
podem encorajar ou desmotivar os clientes a falar.

• As perguntas estão sob controlo dos terapeutas, ficando o


cliente condicionado à sua grelha de referência. As perguntas
podem afastar-nos da direção que os clientes querem seguir.

O adequado conhecimento e a adequada utilização das “perguntas”


permite:
• Levar os clientes a acrescentar mais informações sobre o
mundo, enriquecendo as suas histórias.
• Fazer uma avaliação cuidada e correta do assunto/problema
apresentado pelo cliente.
• Guiar a forma como os clientes irão falar sobre os assuntos.
Perguntas começadas por “o que” normalmente levam a
factos, as começadas por “como” a sentimentos e processos e
as “porque” a razões.
• Promover ou não a conversa do cliente de acordo com as
necessidades dos terapeutas.

Perguntas fechadas
• As perguntas fechadas podem responder-se em poucas
palavras. Tem a vantagem de permitir focar na entrevista e
obter informação específica, embora a liderança permaneça
do lado dos terapeutas.
• Exemplos: “Vive com a sua mãe”; “Que idade é que tem”;
“Começou há muito tempo a escola”
As perguntas abertas e fechadas

• Essências para a avaliação e diagnóstico.

• A forma como as perguntas são formuladas determinam a


resposta.
As perguntas podem ser essências:

• Obter informação importante que não foi dita


✓ No caso da pessoa que centra o seu discurso nos seus
sintomas depressivos e incapacidade de agir, sentimos
que falta informação importante sobre assuntos que
estão subconscientes à depressão. Utilizar a pergunta
aberta “Que coisas importantes estão a acontecer neste
momento a si e à sua família?” pode trazer à luz o facto
de estar a decorrer um divórcio, a perda de um emprego
ou outra preocupação. Desta forma, o que seria uma
depressão clássica, torna-se diferente pelos
condicionamentos da vida e o tratamento passa a ser
diferente.

• O que está por detrás do que os clientes nos trazem?

• O que mais está a acontecer/ se está a passar na sua vida


neste momento?

✓ Olhando para o que temos vindo a falar, o que mais se


pode acrescentar? Se pensar nesta sessão, pense num
aspeto que lhe pareça irrelevante em relação a este
assunto. Pode até ter sido alguma coisa que já pensou,
mas não falou. Pode falar-me do que está a acontecer
neste momento?
✓ O que é que um amigo/familiar acrescentaria ao que foi
dito?
✓ Do ponto de vista (raça, religião, sexo, etc.) como é que
esta situação poderia ser vista?
✓ Estamos a esquecer-nos de alguma coisa?
✓ Procura de aspetos positivos.
Oito aspetos centrais sobre perguntas

1. As perguntas ajudam a iniciar as sessões/estabelecer o


contacto inicial.

• Numa primeira fase as perguntas podem permitir aos clientes


falar do que entenderem e, posteriormente, encaminha-los
para temas centrais, fazer ligação a temas que tem sido
trabalhados.
• Para clientes pouco faladores pode ser difícil lidar com este
tipo de perguntas abertas, pelo que pode ser necessário
começar as sessões com uma conversa mais informal para ir
preparando o cliente para entrar no material da sessão.

2. As perguntas abertas ajudam a enriquecer e aperfeiçoar a


história

• Uma pergunta aberta sobre um tópico já apresentado também


ajuda a dar continuidade à sessão.
• Aperfeiçoar histórias e o que está a ser falada e o que foi
evoluindo e como estão a lidar com as dificuldades
• Explorar os processos de adoção de novos mecanismos

3. As perguntas ajudam a identificar aspetos específicos das


histórias dos clientes para tornar mais concreto/específico o
que é dito
• Do vago para o específico e concreto. “Pode-me dar um
exemplo do que me está a falar?”
• Às vezes, os exemplos que nos são podem ser filtrados
pela pessoa, sendo que a interpretação que nos é dada é
daquela pessoa .

4. As perguntas são essenciais para a avaliação

• Mesmo que tenhamos um protocolo para avaliar, também é


importante conseguirmos, do ponto de vista clínico, enquadrar
essa avaliação, ou seja, os questionários de avaliações são
importantes, mas depois tem de ser contextualizados num
conhecimento mais alargado e mais clínico. Depende do
enquadramento.

5. A forma como a pergunta é formulada determina o que o


cliente vai dizer (Porque, o que, como, etc)

6. As perguntas também podem ser problemáticas

• Bombardear com perguntas e colocar múltiplas questões


• Perguntas como afirmações onde se apresenta o nosso ponto
de vista
• Questões culturais. Em certas culturas fazer perguntas não é
apropriado
• Perguntas começadas com “porquê” podem tornar as pessoas
defensivas
• Quem faz as perguntas é quem está em controlo, é preciso
cautela. Alguns clientes fazem-nos perguntas, quem tem de
fazer perguntas somos nós e não responde-las.

7. Em certas culturas podem originar desconfiança

8. Para ajudar os clientes a identificarem/encontrarem aspetos


positivos nos próprios e no que os rodeia
Encorajamento, paráfrase e síntese

Funções principais

• Mostrar aos clientes que os ouvimos, vimos os seus pontos de


vista e sentimos o mundo deles como eles o experienciam.
✓ Perceber as situações que as pessoas nos trazem, os
seus acontecimentos, preocupações, do ponto de vista
daquilo que elas sentem, experienciaram, os
comportamentos, pensamentos e contexto.
• Fazer sentir aos clientes que estão a ser compreendidos
• A partir do momento em que as histórias foram ouvidas
verdadeiramente, os clientes estão muito mais abertos e
preparados para mudar.

Funções secundárias

• Clarificar o cliente sobre o que ele disse ou está a tentar dizer.


✓ Devolver aquilo que ouvimos, clarificarmos o que a
pessoa está a dizer.
• Clarificar o terapeuta sobre o que o cliente disse. Ao “devolver”
ao cliente o que ouvimos, é possível avaliar/confirmar a
precisão da nossa escuta ativa.
✓ Confirmarmos a precisão da nossa competência de
escuta ativa, a precisão daquilo que estamos a ouvir.
• Ajuda aos clientes a falar mais detalhadamente sobre os
assuntos que os preocupam.
• Ajuda os clientes muito faladores a parar de repetir os mesmos
assuntos que os preocupam.
• Ajuda os clientes a clarificar os assuntos e a explica-los.
• Ajuda os clientes a organizar os aspetos das suas temáticas
através de sumarização pontuais.
Encorajar

• Demonstrado através do verbal e do não verbal.


✓ “Uh-huh”
✓ “Sim”
✓ “Certo”
✓ Repetir palavras/frases
✓ Acenar com a cabeça
✓ Sorrir

Parafrasear

• Dizer por palavras suas o que o cliente tem vindo a expor


com a finalidade de o ajudar a ter consciência do seu ponto
de vista e para mostrar que o terapeuta está em sintonia e
compreender o que está a ser dito.
• Ao longo do que vai ser falado, com pequenas informações
que vamos retirando.

Inclui normalmente:
➢ Uma frase que pode começar com o nome do cliente.
➢ Palavras chave utilizadas pelo cliente com o intuito de incluir
as ideias chave conforme ditas pelo cliente.
➢ A essência do que foi dito de forma sintetizada.
➢ O pedido de confirmação da exatidão do que se disse.

Exemplo: João - “Fiquei mesmo chateado com os meus pais.


Quando eu não estava em casa, entraram no meu quarto e
revistaram tudo. Estão desconfiados que me drogo.”
Reflexão de sentimentos: “João, vejo que está mesmo zangado.”
(Utilização apenas após o cliente apontar o mesmo sentimento)

Algumas das perguntas que poderiam ser feitas incluem:


• Que outros sentimentos é que esta situação lhe traz?
• Pode falar-me do que levou os seus pais a estarem
desconfiados e revistarem o seu quarto?

Sintetizar

• O terapeuta resume por palavras suas e/ou utilizando


frases do cliente o conteúdo do que tem sido dito durante a
sessão. Desta forma, oferece a oportunidade de o cliente
perceber ligações entre assunto, ouvir o que ele próprio
tem a dito e pensar em novas perspetivas. Por outro lado,
mostra que o terapeuta está a acompanhar e a
compreender o que tem vindo a ser falado.
• Muitas pequenas informações que integramos, ligamos uns
aos outros e sistematizamos.

De uma forma geral, estas competências são muito úteis. No


entanto, devem ser usadas juntamente com as competências de
atendimento para demonstrar sintonia com a linguagem não verbal.
De igual forma, as competências de observação também permitem
perceber se o cliente está “engaged”, conectada e a acompanhar.
Não correr o risco de parecer estar a “dizer sempre a mesma coisa”.
Com as crianças

• Estar na mesma altura que elas para as ouvirmos, sem


estabelecer contacto de uma forma abusiva ou intimidatória.
• Manter a concentração das crianças ao lhes dar alguma coisa
para mexerem com as mãos.
• Linguagem simples, concreta e perguntas curtas.
• Utilizar constantemente o encorajamento, a paráfrase e a
sumarização.
• Usar os nomes e nãos os pronomes.
• O sorriso e o humor é muito importante (mas é preciso cuidado
na utilização do humor).
Reflexão de sentimentos

As emoções podem ser vistas como a nossa resposta mais


inconsciente e imediata ao que sentimos no quotidiano. Depois,
vamos tendo consciente destas emoções e, aí, atribuímos um
significado, tornando-se as emoções em sentimentos (reconhece as
nossas emoções).

Acabamos por não saber nem ter consciência da riqueza associada


a cada experiência emocional que nós temos. Essa riqueza permite-
nos vivenciar e partilhar a nossa experiência de uma forma muito
mais rica e profunda.

Existe alguns sentimentos mais imediatos, num nível mais superficial,


e outros que temos de explorar e ajudar as pessoas compreende-los
melhor.
Ouvir e reconhecer sentimentos

Ao ouvir e reconhecer sentimentos nós vamos puder fazer uma


ligação entre uma série de experiências.

Escolha quatro sentimentos identificados (ou outros da sua escolha).


Lembre-se de situações em que os viveu de forma intensa e, como
no exemplo que se segue, descreva em detalhe a sua experiência.

Quando me sinto aceite:


• Fico feliz.
• Sinto-me seguro.
• Sinto-me em paz.
• Os meus medos diminuem
• A vida parece-me maravilhosa

Quando tenho medo:


• Fico com a boca seca.
• Sinto um nó na garganta.
• Apetece-me fugir.
• Fecho-me
• Sinto-me inseguro.

As pessoas com quem vamos trabalhar, podem também ter elas esta
escassez de vocabulário e falta de treino e experiência em conseguir
explorar as diferentes camadas emocionais associadas Às suas
vivencias.
Observar e refletir sentimentos

• Parafrasear
✓ Ao parafrasear estamos a dizer por palavras nossas o
que o cliente tem vindo a expor com a finalidade de o
ajudar a ter consciência do seu ponto de vista e para
mostrar que nós estamos em sintonia e compreendemos
o que está a ser transmitido.

Centrado no conteúdo
Pelo o que está a dizer…

• Reflexão de sentimentos
✓ Refletir sentimentos, por seu lado, pressupõe a
capacidade de observar sentimentos/emoções
expressos, nomeá-las e repeti-las de volta ao cliente.

Reflete o(s) sentimentos


O que está a sentir… Sente-se…

Estas duas competências são, muitas vezes, usadas em conjunto.

Refletir sentimentos é muito semelhante a parafrasear com a


exceção do foco de atenção ser nas emoções associadas à história
e não ao conteúdo ou informação factual da mesma.

Objetivo principal:
• Nas palavras, pensamentos e comportamentos dos clientes
estão subentendidas emoções. O objetivo da reflexão de
sentimentos é para tornar estas emoções implícitas e/ou
escondidas, explícitas e compreensíveis para os clientes.
✓ Elicitar a riqueza do mundo emocional dos clientes.
✓ Reconhecer a ambivalência emocional que muitos
clientes tem em relação a pessoas significativas ou
acontecimentos. Através da reflexão de sentimentos
podemos ajudar os clientes a resolver estas
ambivalências complexas.
✓ Ajudar a que haja um constante contacto com a
experiência básica do que se está a passar.

A primeira estapa no processo de reflexão de sentimento envolve:


• Reconhcer palavras chave que exprimem sentimento
(explícito)
✓ Sente-se magoado, está triste, vejo que está
dececionado.
• Reconhecer os sentimentos não falados mas implícitos
(Linguagem não verbal)
✓ Lábios subitamente estreitados e maxilar proeminente
podem significar determinação; olhos brilhantes, cólera
ou entusiasmo; voz trémula, ansiedade, medo ou
revolta; os olhos baixos, medo ou submissão.

Temos de começar por aquilo que é explícito, depois pegar no que


é implícito, conforme conseguirmos.
Não esquecer que:
• Os sentimentos e emoções são expressos de maneiras e com
intensidades diferentes.
• Uma situação e acontecimentos normalmente está envolto em
mais do que um único sentimento ou emoção, nem sempre
fácil de identificar.
• A mesma situação pode provocar sentimentos mistos e
contraditórios (amor e ódio).
• Sentimentos de “confusão” ou “ambivalência” normalmente
encobrem outros sentimentos mais complexos a ser
identificados.
• Aspetos culturais e estruturais do momento (“Um homem não
chora”; estará esta pessoa preparada/capaz de
compreender/viver o que sente?).

As pessoas diferem na forma e intensidade com que vivenciam e


exprimem o seu lado emocional.

Algumas pessoas ficam completamente “tomadas” pelo que sentem


e outras mantem a sua dimensão emocional de forma racional e
distante.

No entanto, não significa que cada um tem só um estilo e que um


estilo é melhor do que o outro, pois muitas vezes se percebe que
vamos utilizando diferentes estilos dependendo, também, das
situações.
Estilo emocional concreto – os sentimentos são identificados,
nomeados com afirmações como “Parece que se está a sentir
triste”. Posteriormente, é possível adicionar a causa deste
sentimento “Sente-se triste porque”. Explorar de forma concreta as
emoções ajuda a clarificar os assuntos. À medida que se vai tendo
mais consciência do que se sente, é possível aprofundar a
experiência emocional das pessoas. Para muitos só o facto de “dar
nome” ao que sentem já é terapêutico. Como se sente? Que nome
daria ao que está a sentir?
Sensório motor
• Vive mais intensamente as suas emoções
Estilo formal operacional
• Mais abstratas e mais formais
• Evitam viver o nível sensorial
• Mais capacitado, segundo os autores, para executar a
reflexão de sentimentos, porém podem estar mais

Abstrato dialético (mais efetivas em analisar as suas emoções,


mas também vão perceber que elas vão mudando ao longo do
contexto).

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