CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC
CAMPUS III – CURSO DE PSICOLOGIA
DISCIPLINA PSICOLOGIA COMUNITÁRIA
Prof. Renata Guerda A. Santos
Sistema Único de Saúde – Atenção Básica
Reforma Sanitária no Brasil
A Reforma Sanitária pode ser entendida como ideia, proposta, movimento,
projeto e processo, representando então uma reforma social que passa por um ciclo:
uma ideia que surgiu a partir de uma crítica ao sistema de saúde durante a ditadura.
Originou uma proposta apresentada pelo Cebes (Centro Brasileiro de
Estudos em Saúde) que vinculou essa ideia a concepção de direito a saúde,
trazendo um conjunto de princípios e proposições, que podem ser verificadas no
documento “A Questão democrática na Área da Saúde”. Tornou-se um movimento,
“movimento sanitário” ou “movimento da Reforma Sanitária” mobilizando forças
políticas, ideológicas e sociais, foi também um projeto apresentado na 8ª
Conferência Nacional de Saúde realizada em 1986, onde continha um conjunto de
políticas articuladas que requerem consciência sanitária, participação da cidadania,
e vinculação com lutas e políticas sociais amplas. É ainda um processo, e constitui-
se de um conjunto de práticas, que envolve uma totalidade social, não apenas
praticas teóricas, ideológicas e políticas.
Portanto a Reforma Sanitária é uma Reforma Social que foi resultado de um
grande movimento da sociedade civil brasileira, defendendo a democracia, os
direitos sociais e a construção de um novo sistema de saúde. Essa reforma social
constitui-se dos seguintes elementos:
- Democratização da saúde: eleva a consciência sanitária sobre saúde e o
reconhecimento dos direitos a saúde, garantindo o acesso universal e igualitário ao
Sistema Único de saúde e participação social na gestão e na criação de políticas.
- Democratização do Estado: assegurando a descentralização do processo decisório
e o controle social, assim como também protegendo a ética e transparência nos
governos.
- Democratização da sociedade: buscando uma organização econômica e cultural,
como produção e distribuição justa da riqueza e do saber ou uma totalidade de
mudanças, que envolvem políticas públicas e práticas de saúde, mediante uma
reforma intelectual e moral.
Desse modo, a reforma sanitária é vista como um projeto civilizatório, e dentro
de sua constituição deve existir princípios e valores que nunca devemos perder, para
que toda a sociedade possa expressar esses valores, pois as mudanças almejadas
para a saúde são almejadas também para a sociedade brasileira.
Atenção Básica
A criação do Sistema Único de Saúde (SUS), não só aumentou a quantidade
de serviços oferecidos a população, mas também ampliou a quantidade desses
serviços com uma visão de integralidade de atenção a saúde. Há muito tempo vem
se questionando o modelo tradicional devido a doença ser o objeto principal da
intervenção. Mas nas abordagens existentes pode-se verificar que o contexto de
vida onde o indivíduo está inserido, como sua experiência individual contribuem para
seu adoecimento.
Os profissionais da área de saúde não forma treinados para identificar e
cuidar desse problema nesse estágio, devido ao método hegemônico que ainda
limita a visão desses profissionais quanto ao cuidado básico. A escuta do sujeito é
reprimida e por isso a dificuldade no acolhimento no cuidado integral à saúde. O
modelo assistencial é visto com o objetivo de tratar apenas com a doença e suporte
psicossocial. Identificando ansiedade, tristeza e baixa autoestima, então o cuidado
se resume em aliviar o sofrimento por solidariedade.
Então fui criada uma estratégia chamada de Estratégia Saúde da Família
(ESF), uma forma de reorientação da Atenção Básica, que considera a ampliação de
acesso ao usuário, a qualificação e as práticas de saúde. Entender o ambiente físico
e social ajuda a equipe multidisciplinar compreender a relação saúde-doença,
identificando a necessidade das intervenções antes das práticas curativas.
O Psicólogo na Atenção Básica – Promoção e Prevenção
Ao longo do tempo a saúde vem se tornando como uma fonte de riqueza na
vida cotidiana da pessoas, trazendo recursos positivos tanto na área social quanto
na aptidões físicas trazendo o bem-estar.
O programa de Saúde a Família estrutura o movimento de liberdade de
escolha do indivíduo agregada a responsabilidade social. Sendo este indivíduo autor
e responsável pela sua vida social e saúde. Ele deve ir além da cura do indivíduo,
buscando se fortalecer individualmente e coletivamente para enfrentar os problemas
cotidianos.
Bennett e Murphy (1999) lembram que a psicologia tem um papel a
desempenhar nos programas dirigidos, quer à mudança individual quer à social ou
ambiental, trazendo intervenções de Promoção da Saúde centradas na saúde
positiva, mas as diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Psicologia, que prevê
a atuação do psicólogo em diferentes contextos, considerando as necessidades
sociais, os direitos humanos, tendo em vista a promoção da qualidade de vida dos
indivíduos, grupos, organizações e comunidades, vem se contrapondo as reais
necessidades e os psicólogos voltaram-se para atendimentos individuais em
consultórios particulares e de alto custo.
Programas de Promoção da Saúde preocupa-se com a presença ou
ausência de fatores de risco da doença ou com a doença propriamente dita. Mesmo
quando relacionados com a saúde psicológica, foram consideradas as perturbações
psicológicas ou morbidade psiquiátrica, e desconsiderado o bem-estar e a qualidade
de vida.
Bleger (1992) alerta que “a função do psicólogo não deve ser basicamente a
terapia e sim a saúde pública” (p.20) e como tal precisa ocupar um lugar em toda a
equipe de saúde, pois neste contexto existem muitas necessidades, mas também
muitas possibilidades de se beneficiar um maior número de pessoas, enquanto que
na clínica individualizada.
Bock (1993) ressalta uma dificuldade do trabalho psicológico que é a
fragmentação da ciência psicológica, e explica que a Psicologia apareceu como uma
ciência capaz de contribuir para a transformação do indivíduo e da sociedade. No
entanto, a inexistência de um projeto coletivo que dê corpo à profissão, “uma
profissão da ajuda, da vida, do movimento, da transformação, ou seja, uma profissão
com grande potencial, mas que se apresenta pequena e sem projeto na sociedade
onde se insere” (p.288), dificulta o desenvolvimento de um trabalho segundo a
Promoção da Saúde.
Assim compreende-se a necessidade de investigar mais o papel do
psicólogo na Promoção da Saúde, e qual a importância da Psicologia na saúde
coletiva.
Psicologia Comunitária no Campo da Saúde Pública
Ao
Referências:
1. PAIM, JS. Reforma sanitária brasileira: contribuição para compreensão e
critica [online]. Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008. 356 p.
ISBN 978-85-7541-359-3. Available from
2. ScieELO Books <http:/[Link]>
3. Machado MFAS, Monteiro EMLM, Queiroz DT, Vieira NFC, Barroso MGT.
Integralidade, formação de saúde, educação em saúde e as propostas do
SUS: uma revisão conceitual. Ciênc Saude Colet. 2007;12(2):335-42.
4. Bennett, P. & Murphy, Y, S. (1999). Psicologia e promoção de saúde. Lisboa:
Climepsi.
5. Bleger, J. (1992). Psico-higiene e Psicologia Institucional. Porto Alegre: Artes
Médicas.
6. Bock, A. M. B. (1993). Eu caçador de mim: pensando a profissão de
psicólogo. Em M. J. Spink, (Org.), O conhecimento no cotidiano: as
representações sociais na perspectiva da psicologia social. (pp.280-291), São
Paulo: Brasiliense.