Definições:
A otite média aguda (OMA) consiste em inflamação da orelha média
decorrente da infecção de vias aéreas superiores. Pode ser classificada em:
•Otite média aguda ou supurativa: Abaulamento moderado a grave da
membrana timpânica ou quadro novo de otorreia que não é atribuído à otite
externa, acompanhado de sinais e sintomas de inflamação do ouvido médio;
•Otite média aguda recorrente: É a ocorrência de três ou mais episódios de
OMA em seis meses, ou quatro ou mais episódios em 12 meses;
•Otite média secretora ou efusional: É a inflamação da orelha média em que
há uma coleção líquida no seu espaço e a membrana timpânica está intacta.
Não há sinais ou sintomas de infecção aguda.
Fisiopatologia
A otite média é resultado da interação de múltiplos fatores de risco, como infecção (viral
ou bacteriana), fatores anatômicos (disfunção da tuba auditiva e de seu clearance, fenda
palatina e fenda palatina submucosa), imaturidade e deficiência imunológica, alergias,
hospedeiro (idade, predisposição familiar, amamentação, sexo e etnia), fatores ambientais
e sociais (convívio com outras crianças, creche, tabagismo passivo), estações do ano
mais frias, hipertrofia e infecções das adenoides, refluxo gastroesofágico e chupeta. O
aleitamento materno protege contra a OMA.
Agentes etiológicos: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável,
e Moraxella catarrhalis. Com menor frequência, pode ocorrer envolvimento
de Streptococcus pyogenes, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus ou
de Pseudomonas spp. (otite média crônica). Os seguintes vírus são os principais
responsáveis por OMA: vírus sincicial respiratório, picornavírus (ex.: rinovírus,
enterovírus), coronavírus, influenza vírus, adenovírus e metapneumovírus humano.
Apresentação Clínica
Grupo de risco: A incidência de OMA é maior nos dois primeiros anos de vida, com pico
de incidência entre 6 e 12 meses. 25-30% das crianças com menos de 3 anos que
apresentam infecções de vias aéreas superiores têm episódio de OMA como
complicação.
Quadro clássico: A maioria dos sinais e sintomas é inespecífica, como febre,
irritabilidade, cefaleia, anorexia, vômitos e diarreia. A febre ocorre em um terço das vezes,
mas febre alta (> 39,5oC) é incomum, a não ser quando acompanhada de bacteremia.
Otalgia: É o sintoma mais comum. Nas crianças menores, a irritabilidade ou o puxar a
orelha, especialmente quando associados à febre e IVAS, podem ser os únicos indicativos
de dor. Porém, a ausência de sintomas álgicos não exclui o diagnóstico.
Otorreia: Pode ocorrer na OMA supurada, na criança com perfuração crônica da
membrana timpânica ou com tubo de ventilação.
Exame do ouvido: Na presença de OMA, a membrana timpânica fica com a coloração
opaca (branca ou amarelada), com ou sem hiperemia e com abaulamento. Alguns
pacientes podem apresentar perfuração aguda da membrana timpânica, com saída de
secreção purulenta. Na maior parte das vezes, essa perfuração é pequena e de difícil
visualização, suficiente apenas para a saída do exsudato. Sintomas sugestivos de
complicações da OMA: vertigem, nistagmo, zumbido, edema ao redor da orelha e
paralisia facial.
Otite média secretora: Assintomática, não sendo reconhecida pelos pais na maioria das
vezes. A criança maior costuma se queixar de diminuição da audição ou uma sensação de
“orelha entupida”. Ficar atento, pois pode provocar alterações no desenvolvimento
cognitivo e da linguagem.