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Tipos de Amor: Eros, Ágape e Philia

O documento discute os diferentes tipos de amor na filosofia e teologia, incluindo eros, ágape e philia. Apresenta as visões de Platão, Hesíodo e outros sobre eros, e discute como ágape se tornou um termo importante no Novo Testamento para expressar o amor entre Deus e os homens. Também analisa como eros pode levar a desequilíbrios se não equilibrado pela ágape.

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Paulo Moraes
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Tipos de Amor: Eros, Ágape e Philia

O documento discute os diferentes tipos de amor na filosofia e teologia, incluindo eros, ágape e philia. Apresenta as visões de Platão, Hesíodo e outros sobre eros, e discute como ágape se tornou um termo importante no Novo Testamento para expressar o amor entre Deus e os homens. Também analisa como eros pode levar a desequilíbrios se não equilibrado pela ágape.

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AMOR

Eros (no senso comum é associado ao amor apaixonado, com desejo e atração
sensual, mas na psicanálise e psicologia analítica ele segue o sentido de energia vital
em geral ou integradora da psique, o que se aproxima do significado original de
amor, descrito por Platão), Ágape (Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus
é amor – Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor – Aquele que
não ama não conhece a Deus, porque Deus é caridade), Philia (A palavra philia
(φιλία), embora traduzida por amizade, pode ser entendida como tipo para todas as
afeições, consistindo na afeição-matriz mais forte e desenvolvida na cultura da Grécia
Antiga). Em grego, phileo é o termo mais utilizado para designar o afeto entre as
pessoas. Erao e eros expressam o amor como um bem cobiçado e desejado. O eros
tem algo de demoníaco, enquanto, na busca do êxtase, a razão é acuada. Por sua vez,
o verbo agapao e o substantivo ágape (Ágape é uma das diversas palavras gregas
para o amor) são usados com significados bem mais vagos, entre os quais o mais
característico é o de predileção. Este verbo já é utilizado desde Homero, mas não o
substantivo, que corresponde ao grego tardio e que fora da Bíblia é difícil de ser
encontrado. Na linguagem do Novo Testamento, adquiriu riquíssimo significado,
expressando a plenitude de relação entre Deus e o homem, e a nova relação que o
cristianismo estabelece entre um homem e o outro.

Não basta afirmar que para Platão o eros é a força central que move a alma dos
homens para buscar o bom, o belo, o verdadeiro. O próprio Platão admite que o eros
é como uma loucura ou mania, coincidindo com Hesíodo, que vê nele uma paixão
cega.

Devemos admitir que no eros há inegável ambiguidade. Naturalmente, não é


ambiguidade no pensado, mas antes, no pensante, ou melhor no amante. Dito de
outra forma, essas facetas distintas revelam tendência fática para identificar e
confundir o impulso de amor com o instinto, o sexuado com o sexual, o universal com
a promiscuidade.

O eros, como bem observa Zubiri, não exclui agape, mas a põe em perigo de traição.
O que caracteriza eros, que caminha pelos cumes, beirando os abismos, é a falta de
equilíbrio; sendo um impulso sublime, acha-se em constante risco de despencar. O
eros descobre, em termos bíblicos, a condição daquele que nasceu fora do Paraíso, e
que necessita de todo o poder criador de Deus para recuperar o equilíbrio original.
Eis aqui o local em que se produz a grande revelação do amor em perfeito equilíbrio,
que define a própria essência de Deus, o qual, na expressão do apóstolo João, “é
agape” (1Jo 4,8) . E esta não é uma afirmação gratuita; brota, antes, de uma
impressionante experiência humana. Com efeito, segundo o próprio João, “ninguém
jamais viu Deus, mas o Filho unigênito nos foi dado a conhecer” (Jo 1,18) (Deus
nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o
revelou). Portanto, olhando para Jesus, e vê-lo é ver o Pai (Jo 14,9) (Disse-lhe Jesus:
Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a
mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?), observando seu amor jamais
desmentido, chegou à conclusão de que Deus é agape: o impulso mais genial,
contínuo e desinteressado, na direção da união, seja dentro, seja fora da Trindade.

Jesus encarna e confirma como ninguém o fato de que “não há maior amor do que o
de quem dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Por isso, na cruz se revela o amor
total, que não desiste ou cede nem diante da morte, e da morte na cruz (Fl 2,8) (E,
achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e
morte de cruz. Filipenses 2:8).
De tudo isto se deduz que eros não pode ser pista de decolagem para a philia, para a
amizade, a não ser que, equilibrado pela ágape, transformando-se naquilo que
Orígenes chamava de eros ouranios, amor celeste. Mas um celeste que implica, não
uma realidade diluída ou aparente, – doceta, afinal (Docetismo é uma doutrina cristã
do século II, considerada herética pela Igreja primitiva. Antecedente do gnosticismo,
acreditavam que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria
sido apenas aparente) – mas antes uma realidade recriada, capaz de alcançar as mais
altas cotas humanas, precisamente por beber no mais alto manancial: Deus.

Digamos para terminar que a ágape divina, pela qual e para a qual somos, também
tem caráter de resposta à fascinação do ser, por parte daquele que com razão é
chamado amante da vida (Sb 11,26) (Mas poupais todos os seres, porque todos são
vossos, ó Senhor, que amais a vida). Esta é a razão metafísica que postula da ágape
atitude decidida de amizade universal, capaz de mudar o rosto do mundo mediante
nosso abraço.

Dicionário de pensamento contemporâneo – Paulus

– Segundo Maturana o ser humano é fundamentalmente emocional. Mas não só o ser


humano como também todo ser vivo e seres animados (segundo ele até mesmo o
carro). A emoção para ele são disposições corporais que modificam o domínio de
ações – muda-se o “ambiente” muda a expressão corporal. O ambiente é o espaço
sobre o qual uma ação se desenvolve, ou seja, o domínio da ação. Para Maturana todo
ser vivo interpreta o ambiente para sobreviver.

– O diferencial entre seres humanos e outros seres está na capacidade de expressar


reflexões. Nós como outros seres somos seres sencientes, que sentem, mas apenas
nós seres humanos temos consciência reflexiva de nossos atos.

– Maturana defende que a emoção que está na base do ser humano é o amor. Foi o
amor que permitiu a vida surgir. Amor é a aceitação do outro.

– A tese de Maturana é puramente biológica, sem qualquer base religiosa. Para ele,
as sociedades que não se fundamentam no amor estão fadadas à extinção: “nós seres
humanos somos originados do amor e dependemos dele”, “relações sociais são
baseadas no amor. Se não fossem, não seriam sociais”

– Maturana é tão biólogo, tão biólogo, que faz filosofia; assim como Kapra que é tão
físico, tão físico, que também faz filosofia – visão holística.

– Para os gregos inexistia a dicotomia “bem e mal”. Os próprios deuses eram bons e
maus. Mas já para Platão a dicotomia existe, e é ela passada adiante.

– A razão influencia o conhecimento. O conhecimento faz a diferença na escolha do


bem pessoal, na hora de saber o que é bom para nós.

– Desejos são imateriais, mas são comumente ligados a realizações materiais. Qual a
relação entre sexo e amor?

– O sexo tem como finalidade apenas a reprodução? Não se pode buscar prazer nele?

– O Eros é um prazer que nos contamina, é instinto, irracional, material.

– Porque o Eros foi tão “proibido”?


– Porque não se fundamenta nada no efêmero, fundamenta-se no mundo das ideias,
que é imortal.

– O desequilíbrio é o movimento do equilíbrio. O amor cristão – platônico – busca um


equilíbrio estático, inexistente.

– Ser pleno é saber balancear o que acontece conosco.

– A perfeição é a negação.

– Tudo o que é bom é ilegal, imoral ou egoísta.

– No nosso coração cabem muitos amores.

– O que eu nego eu quero.

– Santo agostinho: ame e faça o que quiser.

– Amar é aceitar as diversidades. Reconhecer (aceitar) o outro como outro.

– A falta é o amor – busca de algo no outro.

– Se ficamos muito tempo sozinhos, falta o outro; se ficamos muito com o outro
faltamos a nós mesmos.

– Amar é fundamental!

AMOR II

As emoções

Quando falamos em emoções, fazemos referencia ao domínio de ações em que um


animal se move. Notamos que isto é assim pelo fato de que nossos comentários e
reflexões, quando falamos de emoções, se referem às ações possíveis do outro, que
pode ser um animal ou uma pessoa. Por isso, digo que o que conotamos quando
falamos de emoções soa os diferentes domínios de ações possíveis para cada pessoa e
animais, e as distintas disposições corporais que os constituem e realizam.

Por isso mesmo, sustento que não há ação humana sem uma emoção que a estabeleça
como tal e a torne possível como ato. Por isso penso também que, para que se desse
um modo de vida baseado no estar juntos em interações recorrentes no plano da
sensualidade em que surge a linguagem, seria necessária uma emoção fundadora
particular, sem a qual esse modo de vida na convivência não seria possível. Esta
emoção é o amor. O amor é a emoção que constitui o domínio de ações em que nossas
interações recorrentes com o outro fazem do outro um legítimo outro na convivência.
As interações recorrentes no amor ampliam a estabilizam a convivência; as
interações recorrentes na agressão interferem e rompem a convivência. Por isso a
linguagem como domínio de coordenações consensuais de conduta, não pode ter
surgido na agressão, pois esta restringe a convivência ainda que, uma vez na
linguagem, ela possa ser usada na agressão.
Finalmente, não é a razão o que nos leva à ação, mas a emoção. Cada vez que
escutamos alguém dizer que ele ou ela é racional e não emocional, podemos escutar
o eco da emoção que está sob essa afirmação, em termos de um desejo de ser ou de
obter. Cada vez que afirmamos que temos uma dificuldade no fazer, existe de fato
uma dificuldade no querer, que fica oculta pela argumentação sobre o fazer. Falamos
como se fosse óbvio que certas coisas devessem ocorrer em nossa convivência com
outros, mas não as queremos, por isso não ocorrem. Ou dizemos que queremos uma
coisas, mas não a queremos ou queremos outra, e fazemos, é claro, o que queremos,
dizendo que a outra coisa não pode ser feita. Há uma certa sabedoria
consuetudinária tradicional quando se diz “Pelo seus atos os conhecereis”. Mas o que
é que conheceremos observando as ações do outro? Conheceremos suas emoções
como fundamentos que constituem suas ações. Não conheceremos o que poderíamos
chamar de seus sentimentos, senão o espaço de existência efetiva em que esse ser
humano se move.

O fundamento emocional do social

A emoção fundamental que torna possível a história da hominização é o amor. Sei que
o que digo pode chocar, mas insisto, é o amor. Não estou dizendo com base no
cristianismo. Se vocês me perdoam direi que, infelizmente, a palavra amor foi
desvirtuada, e que a emoção que ela conota perdeu sua vitalidade, de tanto se dizer
que o amor é algo especial e difícil. O amor é constitutivo da vida humana, mas não é
nada em especial. O amor é o fundamento do social, mas nem toda convivência é
social. O amor é a emoção que constitui o domínio de condutas em que se dá a
operacionalidade da aceitação do outro como legítimo outro na convivência, e é esse
modo de convivência que conotamos quando falamos do social. Por isso, digo que o
amor é a emoção que funda o social. Sem a aceitação do outro na convivência, não há
fenômeno social.

Em outras palavras, digo que só são sociais as relações que se fundam na aceitação
do outro como um legítimo outro na convivência, e que tal aceitação é o que constitui
uma conduta de respeita. Sem uma história de interações suficientemente
recorrentes, envolventes e amplas, em que haja aceitação mútua num espaço aberto
às coordenações de ações, não podemos esperar que surja a linguagem. Se não há
interações na aceitação mutua, produz-se a separação ou a destruição. Em outras
palavras, se há na história dos seres vivos algo que não pode surgir na competição,
isso é a linguagem.

Repito o que já disse antes: a linguagem, como domínio de coordenações consensuais


de conduta, pode surgir somente numa história de coordenações consensuais de
conduta, e isso exige uma convivência constituída na operacionalidade da aceitação
mútua, em um espaço de ações que envolve constantemente coordenações
consensuais de conduta nessa operacionalidade. Como também já disse, isso tem que
ter ocorrido na história evolutiva de nossos antepassados, e o que sabemos sobre seu
modo de vida mais provável há 3,5 milhões de anos revela que tal modo de vida já
existia naquela época.

Além disso, esse modo de vida até hoje se conserva em nós. Com efeito, ainda somos
animais colheitadores, e isso é evidente tanto no bem-estar que sentimos nos
supermercados quanto em nossa dependência vital da agricultura; ainda somos
animais compartilhadores, e isso é evidente na criança que tira comida de sua boca
para dar à mãe, e no que acontece conosco quando alguém nos pede uma esmola;
ainda somos animais que vivemos na facilidade com que estamos dispostos a
participar de atividades cooperativas, quando não temos um argumento racional para
recusá-las; ainda somos animais cujos machos participam do cuidado com os bebês, o
que vemos na disposição dos homens para cuidar das crianças quando não têm
argumentos racionais para desvalorizar tal atividade; ainda somos animais que
vivemos em grupos pequenos, o que transparece em nosso sentir parte de uma
família; ainda somos animais sensuais que vivemos espontaneamente no tocar e
acariciar mútuo, quando não pertencemos a uma cultura que nega a legitimidade do
contato corporal; e, por último, ainda somos animais que vivemos a sensualidade no
encontro personalizado com o outro, o que se evidencia em nossa queixa quando isso
não ocorre.

Mas, sobretudo no presente momento da história evolutiva a que pertencemos – que


começou com a origem da linguagem, quando o estar na linguagem se fez parte do
modo de vida que, ao conservar-se, constituiu a linguagem Homo a que pertencemos
–, somos animais dependentes do amor. O amor é a emoção central na história
evolutiva humana desde o início, e toda ela se dá como uma história em que a
conservação de um modo de vida no qual o amor, a aceitação do outro como legítimo
outro na convivência, é uma condição necessária para o desenvolvimento físico,
comportamental, psíquico, social e espiritual normal da criança, assim como para a
conservação da saúde física, comportamental, psíquica, social e espiritual do adulto.

Num sentido estrito, nós seres humanos nos originamos no amor e somos
dependentes dele. Na vida humana, a maior parte do sofrimento vem da negação do
amor: somos filhos do amor.

Na verdade, eu diria que 99% das enfermidades humanas têm a ver com a negação
do amor. Não estou falando como cristão – não me importa o que tenha dito o Papa,
não estou repetindo o que ele disse. Estou falando com base na biologia. Estou
falando com base na compreensão das condições que tornam possível uma história de
interações recorrentes suficientemente íntima para que possa se dar a recursividade
('‘recursividade’' é um termo usado de maneira mais geral para descrever o processo
de repetição de um objeto de um jeito similar ao que já fora mostrado. Um bom
exemplo disso são as imagens repetidas que aparecem quando dois espelhos são
apontados um para o outro) nas coordenações consensuais de conduta que
constituem a linguagem.

No emocional, somos mamíferos. Os mamíferos são animais em que o emocionar é,


em boa parte, consensual, e nos quais o amor em particular desempenha um papel
importante. Mas o amor, como a emoção que constitui o operar em aceitação mútua e
funda o social como o sistema de convivência, ocorre também com os chamados
insetos sociais. Se vocês observarem um formigueiro, por exemplo, notaram que as
formigas que o constituem não se atacam mutuamente. Ainda que ataquem e
destruam um intruso, cooperam na construção e na manutenção do formigueiro, e
compartilham alimentos. Além disso é possível reconstruir a história evolutiva dos
insetos e mostrar o que os constitui como tais. Com efeito, a partir do estudo das
diferentes classes de insetos que existem atualmente e de seus restos fósseis, pode-se
mostrar que a origem da socialização dos insetos se dá no momento em que as
fêmeas põem os ovos e ficam tocando-os e chupando certas secreções deliciosas que
eles têm, sem comê-los ou danificá-los. Em outras palavras, a história dos insetos
sociais se inicia quando as fêmeas tratam seus ovos como companhia legítima numa
relação de aceitação mútua, e se constitui com a formação de uma linhagem na qual
essa relação de interações de aceitação mútua se conserva como modo de viver, e se
amplia às larvas e adultos. Todas as comunidades atuais de insetos sociais, colmeia,
formigueiro, ou cupinzeiro, qualquer que seja sua complexidade, são o presente de
uma história de conservação de relações de aceitação mútua entre seus membros,
que começa na relação fêmea-ovo. Se as fêmeas tivessem se separado de seus ovos
ou os tivessem destruído ao tocá-los ou chupá-los, essa história não teria ocorrido.

A emoção que funda o social como a emoção que constitui o domínio de ações no qual
o outro é aceito como um legítimo outro na convivência é o amor. Relações humanas
que não estão fundadas no amor – eu digo – não são relações sócias. Portanto, nem
todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as comunidades
humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação
mútua.

Diferentes emoções especificam diferentes domínios de ações. Portanto,


comunidades humanas, fundadas em outras emoções diferentes do amor, estarão
constituídas em outros domínios de ações que não são o da colaboração e do
compartilhamento, em coordenações de ações que não implicam a aceitação do
outro como um legítimo outro na convivência, e não serão comunidades sociais.

Emoções e linguagens na educação e na política, de Humberto Maturana

– O título – O ser e o nada – cria dois pontos:

o ser-em-si (o ser-em-si é aquele que se coloca perante uma identidade fixa e pronta
de si, tratando a si mesmo de maneira rígida e determinada, como uma essência já
acabada, ou um objeto) e

o ser-para-si.

o “em si” tudo o que existe e o “para-si” a consciência

O ser-para-si é consciência e vazio, enquanto que o ser-em-si é inteiramente


preenchido por si mesmo e sem nenhum vazio. O ser-para-si contêm uma
abertura, e precisamente essa abertura possibilita sempre ultrapassar seus
próprios limites.
Enquanto o ser-em-si permanece fechado em suas próprias fronteiras, o ser-
para-si se ultrapassa constantemente. O ser-para-si é um ser para o futuro,
uma espontaneidade criadora.

Fonte:
[Link]

[Link]
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%20enquanto,sempre%20ultrapassar%20seus%20pr%C3%B3prios%20limites.

– O ser humano é um ser absolutamente livre; a única possibilidade do humano é ser


livre – ele está condenado a ser livre.

O que são:
• Em-si – tudo o que existe sem o humano – característica fundamental,
identidade, ser absoluto, acabado, pronto, hermético. O animal faz-se por instinto,
sem questionamento. As “coisas” são e ponto, não há outras possibilidades.

• Para-si – Surgimento do humano – princípio da contradição – é o que não é – o


ser humano é nada.

• Em-si – essência antecede a existência – é.

• Para-si – existência antecede a essência – eu sou o que minha razão determina.

Para Sartre:

– O que o ser humano é: má fé: desculpas (“a, mas isso…”), “eu ouvi o chamado de
deus, serei monge” – ele escolheu ser monge, a princípio deus nem existe.

– Má fé é tirar a responsabilidade de nossas costas, abrir concessões, arrumar


desculpas, justificativas.

– O tamanho de nossa liberdade é proporcional ao tamanho de nossa


responsabilidade.

– A consciência não é em-si, pois ela se constitui em relação a alguma coisa. A


consciência é a relação sobre algo. Portanto é mutável, não é algo pronto e acabado.

– A relação humana é conflitiva.

– Eu com minha consciência olho para o outro e o vejo como objeto mesmo sabendo
que este é consciente. Da mesma forma o outro nos vê como objetos e isso causa um
mal-estar: estamos sendo julgados.

Para Maturana:

– Segundo Maturana a emoção é a base do ser humano e dos seres vivos em geral.
Todo ato se baseia na emoção. Amor como emoção fundamental – aproximação e
aceitação do outro como legítimo outro.

• Sartre – o ser humano é único, não aceita o outro e o transforma em coisa –


conflito.

• Maturana – o ser humano aceita o outro como legítimo outro. Diz que pelo
conflito não haveria hoje a humanidade.

– Existimos pelo outro. Para Maturana a aproximação é inevitável. Para Sartre a


existência do homem é questionável. E o homem transforma o outro em coisa.
– Mas o fato é que nos aproximamos sempre uns dos outros. Temos necessidades de
contado, e, sobretudo de amor.

AMOR III

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita
seriedade e um pouco de riso – para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de
muitas, poxa! É de colher… – não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua
dama por inteiro – seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde
clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada – para viver um
grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que
porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo
cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre
preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que se compenetrar da verdade de que


não existe amor sem fidelidade – para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor
por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa e indizível liberdade
que traz só um amor.

Para viver um grande amor, il faut (é necessário) além de fiel, ser bem conhecedor de
arte culinária e judô – para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso
também ter muito peito – peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada
como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista – muito mais, muito
mais que na modista! – para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer
saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com
torresmo conta ponto a favor.

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos,
strogonoffs – comidinhas pra depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha
e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu
grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se
possível, um só defunto – pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente
não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu a amada
sente – e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e
conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia – pra viver um grande
amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser
impermeável ao diz-que-me-diz-que – que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber
achar a bem-amada – para viver um grande amor.

Vinícius de Moraes, Para viver um grande amor

– O amor é o porquê. É o ato.

– Há várias formas de sentir e pensar o amor. O amor é muitas vezes uma palavra
perdida. Essência… Ele existe ou é?

– Se o amor é, ficamos na estratosfera. Ele existe, é uma questão de vida, é saber


reconhecer, compreender, respeitar. O amor é realidade, por isso ele existe. Não é
preciso declamar o amor, este se percebe, sente-se… Mas ouvi-lo é ótimo assim como
dizer. Tema novo hoje é a palavra sentimento. Já havíamos falado de emoções –
disposições corporais – paixão, mas não sentimento.

– Fora da realidade do corpo há sentimento?

– Para Yung o sentimento tem lugar na razão, é um nível de pensamento.

– A alma é erótica – o que dizer? Amar ou agir amantemente?

– Se há algo que incomoda, diga, o amor resolve-se no diálogo. Não há 35 anos de


casamento intocáveis. Não há como concordar com tudo, mas havendo o diálogo
pode-se chegar a um consenso.

– O amor é bem ou mal?

– Pode ser os dois. Já moveram guerras por amor. O amor é movimento que pode
contaminar, expandir ou sufocar. O amor cotidiano pode ser entendido como cuidado,
mas podem existir outros meios de amor. O amor não é uma coisa só. Fazem muito
por um amor só, mas existem meios que não são discutidos.

– Todos falam de amor, mas não se assume a responsabilidade do amor dito. Perdeu-
se o sentido pelo uso banalizado e exagerado.

– Os poetas trazem a realidade do amor para nossa dimensão como se o amor fosse
uma coisa muito distante.

– Existem quantos amores? Algum de mentira? O amor de amante, de filho, dos pais…
Existe o principal? Nós não falamos do amor sobre nós mesmos. Nós transmitimos
aos outros o que somos, se não nos amamos, como amar aos outros?

– Amar ao próximo como a ti mesmo.

– O que é se amar?

– É estar bem com você.

– É o egocentrismo.

– Não. O egocentrismo é colocar-se acima dos outros. O amor é outra coisa. Auto-
estima, cuidar-se… Amar-se… Aceitação do eu, respeito, individualização.
– Amar-se é um aprendizado?

– As dificuldades nos ajudam a nos construirmos, mas só se assumimos as


responsabilidades. O amor se faz na relação, é aprendido na relação.

– Mas também é uma necessidade, a maior necessidades do ser humano.

– A relação não se da de uma só maneira, por isso o amor se da de várias maneiras.

– Como é o amor instintivo?

– Por exemplo, de mãe pra filho. O único amor verdadeiro é o amor de mãe para filho.
Amor de criação, o resto é substituível e amor substituível não é amor.

– O amor e o desamor caminham juntos.

– Amor essência busca-se, amor existência constrói-se.

– Nossa vida é um esforço para esclarecermos a obscuridade da nossa linguagem. A


função primeira da filosofia é a filosofia da linguagem.

– O que significa colocar uma experiência para os outros? Nós avaliamos nossas
experiências? Quem somos nós?

– Não posso dizer como sou, posso dizer apenas o que acontece comigo. Não existe o
amor em estado puro. Nós acontecemos sempre de forma diferente.

– Certa vez, Monet pintou um mesmo monte de feno inúmeras vezes durante um dia.
Disseram que ele era louco. Ele disse que não pintava o mesmo monte de feno, pois a
luz mudava e o tornava um monte de feno diferente.

– O amor é ‘acontecência’. A felicidade acontece no momento da distração. O amor


não acontece, ele existe.

– A paixão acontece – é um impulso.

– No cotidiano, cometemos atos de amor.

– A abstração é uma necessidade da plenitude. O amor é colocado como arquétipo,


essências absolutas não existem.

– A ação do amor é a própria ‘acontecência’ – olhares, gestos…

– O sentimento pode não ser expresso por palavras, mas ele existe em nós por isso
pode ser sentido.

– Porque eu não preciso de ti eu te amo.

– É melhor amar ou ser amado?

– “Eu te amo” não é um fato definitivo e acabado.

– Sempre elegemos um modelo.


– O amor é necessário para conviver e coexistir. Se fossemos só no mundo, não seria
necessário amor. Mas podemos melhorar ou piorar a nossa convivência. Como
acontecem nossas convivências?

– Viva o momento presente.

– Amor não é condescendência, sentimentalismos, passar a mão na cabeça. Uma


forma amorosa é dar atenção a quem fala e a quem escuta. Amor é presença.

– Deu nossa hora…

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