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Paixão Platônica no Colégio Interiorano

1) O narrador se interessa romanticamente por um novo aluno chamado Kim Taehyung. 2) Seu melhor amigo o encoraja a falar com Taehyung, mas o narrador se sente inseguro por ser virgem e achar que Taehyung é inalcançável. 3) Durante a aula, o narrador é pego olhando para Taehyung e fica envergonhado quando o professor chama sua atenção.

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Yasmin Jahnel
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Paixão Platônica no Colégio Interiorano

1) O narrador se interessa romanticamente por um novo aluno chamado Kim Taehyung. 2) Seu melhor amigo o encoraja a falar com Taehyung, mas o narrador se sente inseguro por ser virgem e achar que Taehyung é inalcançável. 3) Durante a aula, o narrador é pego olhando para Taehyung e fica envergonhado quando o professor chama sua atenção.

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Show de vizinho

Sabe, as vezes tudo o que precisamos é de um empurrão do destino para


mudar nossas vidas. E com “mudar” quero dizer tirar ela do poço e colocar no
mais alto patamar já sequer imaginado por um garoto de dezoito anos, virgem
e sem muita perspectiva de futuro.
E o meu “empurrão” tem nome, sobrenome e um olhar tão sedutor capaz de
sugar a alma do seu corpo, usar e abusar dela das mais absurdas e perversas
formas para só então devolver ao seu cadáver já desfalecido e totalmente sem
estruturas.
Seu nome é Kim Taehyung, e para ser sincero, nunca nada soou tão bem
quanto isso. Eu poderia ficar o dia inteiro repetindo e criando milhares de
situações onde posso chamá-lo.
“Mãe esse é o Taehyung”
“Taehyung, pega tal coisa pra’ mim?”
“Sim o Taehyung, somos amigos...”
Viu só? Absolutamente em tudo soa bem.
Ninguém sabia bem ao certo o que alguém como ele, fazia em uma escola
como a nossa. Colégio pacato em uma cidadezinha do interior que ninguém
que olhasse o mapa da região se preocuparia em saber o nome.
Mas felizmente fomos agraciados com seu charme natural, seu cabelo
castanho escuro ondulado que chegava a roçar os ombros, e uma maravilhosa
boca esculpida como se fosse a melhor obra de arte já registrada desse lado
da Coreia.
— Cara, você tá encarando ele de novo. Já pensou em falar com ele? — Jimin,
meu melhor amigo, disse ao me pegar vergonhosamente fazendo algo que
ultimamente já era rotineiro.
Olhar para o aluno novo disfarçadamente sempre que eu tivesse oportunidade.
O que “disfarçadamente” devemos enfatizar, não parece ter dado certo.
Inclusive, acredito não ser muito bom em esconder todo o meu encanto e
curiosidade a respeito do garoto que chegou a exatamente cinco dias atrás.
— Você sabe que eu iria travar e começar a gaguejar feito um idiota. —
Respondo suspirando ao fechar meu armário e iniciar nossa caminhada até a
sala de aula, perdendo o Kim pelo corredor cheio de outras almas penadas.
— Sim, isso com certeza. — Ele concluiu como se fosse um fato. — Mas qual
é, não custa tentar. Você nunca ficou tão interessado em alguém como nesse
garoto misterioso. — Sorriu batendo palminhas na maior empolgação.
A pergunta é: Por que ele está tão animado com isso?
— Eu não sei nada sobre ele Ji, talvez ele nem curta garotos... — Sussurrei já
ficando desanimado com a ideia de nunca descobrir por simples covardia
minha.
Apesar de ser uma escola no interior, a homossexualidade não era um tabu tão
grande assim. O que me deixava menos apavorado, já que eu não precisava
fingir um namoro com alguma garota ou algo assim para não ser espancado na
saída da escola.
Mas isso não me impedia de guardar segredo, mesmo nunca ninguém tendo
me perguntado. Eu só não era de sair gritando isso para todo mundo, apenas
meus amigos mais próximos sabiam.
— Você nunca vai saber se não se aproximar dele. Eu sei que ele é todo
popular e intimidador, mas é um garoto assim como nós, você não deve ficar
endeusando ele mentalmente! — Me repreendeu já sabendo de todas as
representações mentais que faço dele como nada mais nada menos que
inalcançável.
E com inalcançável, podemos dizer apenas impossível de alguém como ele se
interessar por alguém como eu. Um garoto que gagueja sempre que está com
vergonha e acima de tudo virgem sem nada de mais a oferecer.
Dou um sorriso sem graça como resposta e vejo ele bufar ao jogar os cabelos
loiros para trás, numa mania recorrente do mesmo.
Me distraio completamente ao entrar na sala e ver que Taehyung havia
chegado antes de nós, e já ocupava seu lugar na lateral ao lado da janela.
A claridade que traspassava o vidro batia em sua silhueta, o deixando quase
que como uma pintura. O cabelo castanho brilhava com tons de cobre e sua
pele levemente amorenada parecia ainda mais quente. A boca vermelha era
mordida enquanto o mesmo rodava um lápis em sua mão e encarava o livro de
física com as sobrancelhas – muito bem desenhadas porém escondidas pelo
cabelo ondulado – franzidas.
— Está quente aqui né? Acho que vou pegar o controle do ar-condicionado. —
Reclamo para o meu amigo, que sentou na cadeira da frente revirando os olhos
ao me olhar sacudir o moletom em sinal de calor.
— Jungkook, lá fora faz dezessete graus. — Jimin me olha zombeteiro.
Dezessete? Parece que estou dentro de um forno.
— Será que estou doente? — Arregalo os olhos pensando se não estava com
febre talvez. Até coloco o dorso da mão em minha testa afim de averiguar a
temperatura.
— O nome disso é fogo no cu. — Sorriu malicioso e recebe meu dedo do meio
como resposta.
No fim ele estava certo, era apenas meu corpo reagindo a minha paixão
platônica e completamente impossível de acontecer. Aliás, reparei que
ultimamente meu corpo vem reagindo de uma maneira muito estranha.
Será que estou passando pela puberdade só agora?
Nunca senti necessidade de me tocar com frequência. Era como se a cinco
dias atrás o sexo fosse só algo muito distante e dispensável por mim. Como eu
disse, apenas a cinco dias atrás.
Depois disso venho sentindo calores a arrepios constantemente, e isso
simplesmente quando fico reparando tempo demais nele ou por alguma falha
de roteiro recebo um olhar. Mas pode ser qualquer que seja, já me deixa como
se eu tivesse uma escola de samba no estômago.
E como eu sei que as “borboletas no estômago” na verdade é apenas cocô
caminhando pelo intestino, posso afirmar que Taehyung mexe com meu
intestino muitas vezes por dia.
— Alunos, estou desapontado com a nota de vocês na prova de ontem. — O
professor entra na sala já reclamando do nosso desempenho.
Era difícil me concentrar na palestra sobre “estudar não só na escola” que ele
estava se empenhando em fazer. Estávamos no último ano, então não
deveríamos estar indo tão mal nas provas porque isso tudo refletia na nossa
admissão pra faculdade. Mas era impossível quando se tinha Kim Taehyung a
uma cadeira de distância.
Ele conseguia ser simplesmente fascinante em todos os detalhes, e a roupa
escura que moldava perfeitamente seu corpo deixava tudo ainda mais tentador.
Ele exalava sexo na maneira de agir, de andar, até de respirar.
Era injusto para qualquer mulher ou homem na Terra.
— Senhor Jeon? — Acordo dos meus devaneios com o professor me
chamando. Possivelmente pela segunda vez.
— Sim professor, desculpe. — Desvio o olhar para o senhor já de idade que
me encarava diretamente.
Pelo canto do olho, vejo o Kim apoiar a cabeça no punho e me olhar assim
como toda a sala estava fazendo naquele momento.
— Estava te parabenizando por ter tirado a maior nota da turma, mas vejo que
está muito ocupado prestando a atenção no senhor Kim. — O velho alterna o
olhar de mim para o aluno novo que estava na carteira ao lado.
Meu rosto queima de vergonha. Olho rapidamente para o garoto e o vejo
esboçar um sorriso mínimo. Nossos olhares se esbarram por um instante, mas
sem conseguir sustentar mais de um segundo, desvio de vez para minhas
mãos em cima da carteira.
— Obrigado professor, mas estava apenas distraído em pensamentos. — Digo
baixo, tentando me livrar o quanto antes daquela atenção exagerada da turma.
Para alguém sem autoconfiança como eu era péssimo ser o centro das
atenções.

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