MÓDULO – CONDUTOR DE TURISMO
1. APRESENTAÇÃO
1.1.O que é ser condutor de Turismo
A promoção de cursos de capacitação de condutores de turismo e o seu
reconhecimento e regulamentação ainda são incipientes no Brasil. Contudo, essas ações
apresentam perspectivas promissoras, especialmente quando se analise o potencial
ecoturístico e a biodiversidade do país.
Conforme o Ministério do Meio Ambiente (MMA/BRASIL, 2011), experiências de
ecoturismo de base comunitária estão dando seus primeiros passos em território nacional. Para
que se consolidem como atividade econômica viável, dependem de políticas públicas que
valorizem os conhecimentos, saberes e tradições das comunidades, e estimulem o
empreendedorismo social no processo de transformação da rica sociobiodiversidade em
produtos ecoturísticos com a “cara” do Brasil.
Apesar da capacitação de condutores ser uma prática em vias de consolidação no
Brasil, a concepção do “sujeito” condutor não é explicitada ou referenciada detalhadamente.
Quais as ações e princípios esperados desses profissionais que os caracterizam como
condutores? Como eles podem promover o ecodesenvolvimento turístico local? Quais são as
expectativas sociais sobre esses profissionais? Neste módulo serão mostradas algumas das
atividades desenvolvidas pelo condutor de turismo, dando ênfase ao trabalho deste
profissional no Parque Nacional da Chapada Diamantina, na região central do Estado da
Bahia. Por outro lado, o módulo visa propor uma base epistemológica para essa formação
profissional, em prol de um turismo mais ecológico, comunitário, “humanizado” e identitário.
1.2.A Chapada Diamantina
Localizada a cerca de 400 km de Salvador, há diversas formas de chegar à Chapada
Diamantina, e grande parte delas sugere um tempo de permanência de uma semana. Todos os
sábados há voos regulares a partir de Salvador. As agências de receptivo prestam serviços de
traslado privativo e oferecem roteiros regulares completos, que contribuem para reduzir o
custo da viagem.
Para os viajantes independentes, o acesso de carro a partir de Salvador pode ser feito
pela BR-324 até Feira de Santana. A partir daí, o motorista pode decidir entre dois caminhos:
ou pela BR-116 até o entroncamento com a BR-242 (Rodovia Bahia-Brasília) ou pela BA-052
até o município de Ipirá, e daí até Itaberaba. Depois desta cidade, os dois caminhos se
reencontram e seguem pela BR-242, até o trevo de acesso à cidade. Daí até Lençóis são
apenas mais 12 km. Há também vários horários diários de ônibus a partir de Salvador e a
viagem dura cerca de seis horas.
A Chapada Diamantina emergiu como destino turístico em meados dos anos 70,
quando foi escolhida por aventureiros de várias nacionalidades, atraídos pela natureza
exuberante em harmonia com arquitetura colonial em ótimo estado de conservação devido ao
isolamento e à estagnação do crescimento econômico no séc. XX.
Já nos anos 80, a região teve seu maior desafio com a criação do Parque Nacional da
Chapada Diamantina. Este desafio logo se tornou uma oportunidade de desenvolvimento
sustentável. As poucas pessoas, que até então ainda viviam basicamente da extração de
diamantes e pequenas produções de agricultura e pecuária, tiveram suas atividades
redirecionadas para áreas fora dos limites do parque. Além deste fato, o crescente interesse
pelo Ecoturismo e pelo Turismo de Aventura possibilitou uma virada econômica para a região,
onde os garimpeiros mais velhos se aposentaram e os mais novos começaram a se adaptar a
novas atividades, inclusive algumas ligadas ao turismo.
Aos poucos, pessoas da comunidade e recém-chegados tornaram-se empreendedores
locais, abrindo pousadas, restaurantes, agências, lojas de artesanato e outros serviços para
atender a uma demanda de visitantes ávida por aventura. Com a melhoria da estrutura, na
década de 90, algumas operadoras de turismo especializadas em natureza e aventura
começaram a promover excursões para a Chapada Diamantina, o que mudou radicalmente a
história do destino. Atualmente a Chapada apresenta uma nova imagem, pois atende, além dos
aventureiros, um perfil mais amplo de viajantes, uma vez que oferece serviços e atividades
focados em padrões de excelência, acessíveis para famílias com crianças, idosos ou pessoas
que querem estar em contato com a natureza, sem deixar de lado conforto, charme e requinte.
Para o turismo, o resultado são serviços de hotéis e restaurantes refinados e
charmosos, a princípio incomuns para um destino tão isolado. No centro histórico há inúmeras
e bem qualificadas agências de turismo, que oferecem excelentes opções de trilhas e roteiros
emocionantes, planejados sob o conceito de Aventura Segura, proporcionando aos visitantes
experiências inesquecíveis e dimensionadas para atender a suas expectativas e possibilidades.
As opções de hospedagem são surpreendentes e há uma grande diversidade e
quantidade de hotéis e pousadas com estilo e requinte. Desde casas de famílias e albergues até
pousadas de charme e hotéis de médio porte, há opções com conforto para os mais diversos
públicos, inclusive famílias com crianças.
A diversidade cultural e o caráter cosmopolita de Lençóis se refletem em sua
gastronomia, que oferece boas surpresas aos seus visitantes. A culinária tradicional está
presente em pratos típicos, de origem sertaneja, tropeira e garimpeira, como o feijão de corda,
carne de bode, godó de banana, cortado de palma, batata da serra e outros. Há restaurantes de
comida caseira por quilo e lanches caprichados para quem volta da trilha. Os empreendedores,
vindos das mais variadas regiões, trouxeram novos ingredientes e criaram restaurantes que
servem pratos da culinária internacional e contemporânea, mas utilizam muitos produtos
locais, proporcionando uma experiência gastronômica no melhor estilo slow food. E, como
estamos na Bahia, acarajé e beiju são algumas das delícias imperdíveis para quem está de
passagem por Lençóis. Uma refeição curiosa no destino são os lanches de trilha: kits com
sanduíches, frutas desidratadas, doces, sucos e outras guloseimas naturais que podem ser
levadas na mochila pelos aventureiros para piqueniques em meio aos mais fascinantes
cenários da Chapada Diamantina.
O artesanato traduz a identidade do interior da Bahia, do período da exploração do
diamante. A matéria-prima principal são o couro e a pedra. Um dos principais ícones é a
bruaca, usada pelos burros que acompanhavam as tropas e cortavam o sertão no período do
garimpo.
As operadoras nacionais especializadas em Ecoturismo e Turismo de Aventura já
ofertam o destino em pacotes disponíveis em várias agências do Brasil. Para os viajantes
independentes, há ótimas informações sobre o destino nos guias impressos nacionais e
internacionais. Os sites das pousadas e das agências locais também oferecem ótimas
informações, além de opções de roteiros e serviços.
O Parque Nacional da Chapada Diamantina é a principal unidade de conservação da
região e guarda alguns dos mais belos conjuntos de cachoeiras do Brasil. São centenas de
quedas d'água que escorrem entre penhascos, nas serras cobertas de verde, com uma
vegetação mista de Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. A Cachoeira da Fumaça, com cerca de
380 m de queda livre, é a segunda mais alta do País, só superada pela Cachoeira dos Anjos na
fronteira do Brasil com a Venezuela. No parque há várias trilhas, com diferentes graus de
dificuldade, entre as quais uma das mais famosas a trilha do Vale do Pati, que atrai turistas de
todo o mundo para se aventurar em caminhadas de até sete dias, passando pela Cachoeira da
Fumaça, Cachoeirão, Ruinha, Morro Branco, Funis e Morro do Castelo e visitando
comunidades tradicionais, esotéricas e alternativas.
Alguns dos principais atrativos ficam nos municípios do entorno do parque e muitos
deles, no mundo subterrâneo, uma vez que a região se destaca por possuir o maior acervo
espeleológico da América do Sul, com cavernas de beleza cênica e grande importância
científica.
As agências locais, capacitadas para atender às normas de segurança, organizam
roteiros que atendem aos mais diversos perfis de público. Os mais procurados incluem os
principais atrativos como Igatu, uma antiga e bem preservada vila de garimpeiros; Vale do
Capão, com suas comunidades alternativas, terapias holísticas e excelentes e requintadas
pousadas; Morro do Pai Inácio, um dos lugares de contemplação mais fantásticos da região e
cenário de interessantes lendas e causos; Vale do Pati; Cachoeira da Fumaça; Cachoeira do
Buracão; Mucugezinho e Poço do Diabo; além das grutas do Lapão, Lapa Doce e Fumacinha,
entre inúmeros outros atrativos tão interessantes quanto estes.
As agências também oferecem atividades específicas, como trekking, escalada em
rocha, mountain bike, cavalgadas, observação de aves, canionismo, mergulho em cavernas e o
exclusivo cave-jumping.
1.3.O segmento de Turismo de Aventura
Quando o Turismo de Aventura começou a despontar no Brasil, no início dos anos 90,
era entendido como uma atividade associada ao Ecoturismo e, muitas vezes, confundido com
atividades e esportes de aventura que não tinham relação com o turismo. Com a evolução do
mercado e dos conceitos, o Turismo de Aventura passou a ter características estruturais e
consistência mercadológica próprias. De acordo com a definição adotada pelo MTur,
“Turismo de Aventura compreende os movimentos turísticos decorrentes da prática de
atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo.” Isso significa que, para ser
Turismo de Aventura, é preciso que:
a) Haja movimento turístico, ou seja, pessoas se deslocando de seu local de residência
habitual e utilizando serviços e equipamentos turísticos no destino;
b) O movimento seja motivado pela busca de experiências físicas e sensoriais recreativas
que envolvem desafio, riscos avaliados, controláveis e assumidos;
c) As aventuras ocorram em quaisquer espaços: natural, construído, rural, urbano,
estabelecido como área protegida ou não;
d) Não haja competição, pois, neste caso, as atividades são tratadas no âmbito do
segmento Turismo de Esportes e não de Aventura;
Atualmente, o segmento está representado nacionalmente pela Associação Brasileira
de Empresas de Turismo de Aventura e Ecoturismo (Abeta), formada por pequenos
empreendedores de várias partes do país. A associação trabalha na criação de normas técnicas
aplicáveis ao Turismo de Aventura, trazendo mais confiabilidade e parâmetros para o
desenvolvimento do segmento, com o objetivo de torná-lo mais competitivo nacional e
internacionalmente. Uma ação de grande destaque e abrangência nacional é o Programa
Aventura Segura, uma iniciativa do Ministério do Turismo e Sebrae Nacional, em parceria
com a Abeta. Trata-se de uma ação dedicada ao fortalecimento, à qualificação e à estruturação
do Ecoturismo e Turismo de Aventura no Brasil, com foco em iniciativas voltadas para o
desenvolvimento com qualidade, sustentabilidade e segurança. Para saber mais sobre este
segmento, é recomendada a leitura das publicações do Ministério do Turismo e da Abeta sobre
o tema.
A região apresenta capacidade de competir internacionalmente no segmento proposto,
e em alguns quesitos possui mesmo fortes diferenciais competitivos, tais como: concentração
de agências de turismo com foco na operação de atividades de aventura; clima estável,
favorável à prática das atividades durante a maior parte do ano; diversidade de cenários
naturais, que possibilitam a diversificação da oferta de atividades, e ainda um Parque
Nacional, que por si já é um importante atrativo turístico.
O processo de qualificação da Chapada Diamantina no segmento de Turismo de
Aventura não é estático e necessita ser orientado para o amadurecimento da governança
regional, que poderá então conduzir o processo, buscando excelência nos serviços e sintonia
com as diretrizes nacionais. A experiência do projeto Destinos Referência poderá pontuar as
próximas etapas fundamentais na qualificação do destino, como o apoio ao fortalecimento da
organização setorial, amparado por um planejamento estratégico de longo prazo, voltado para
qualificação da oferta e posicionamento no mercado.
2. CONCEITOS
[Link] Sustentável
A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz
de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as
necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o
futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar três objetivos:
crescimento econômico, igualdade social e conservação ambiental.
Dentro deste contexto, surge o ecoturismo e o turismo de base comunitária, que
falaremos mais adiante.
[Link] de Conservação do Brasil
Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC entende-se por
unidade de conservação: “espaço territorial e seus recursos” ambientais, incluindo as águas
jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo Poder
Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob-regime especial de
administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção (SNUC, 2000). Dentro
deste Sistema, existem dois tipos de Ucs:
[Link] de Conservação: O Turismo e suas Categorias
Segundo o dicionário Aurélio, TURISMO é “viagem ou excursão feita por prazer, a
locais que despertam interesse”. É o setor econômico que apresenta os mais elevados índices
de crescimento no contexto mundial. O seu desenvolvimento tem trazido preocupações aos
governos locais, às comunidades receptoras e às organizações conservacionistas por colocar
em risco áreas naturais, protegidas ou não, de riquezas imensuráveis, assim como importantes
patrimônios históricos, naturais e culturais.
Isso se deve à velocidade e escala dos investimentos públicos e privados, em
detrimento da aplicação prévia de mecanismos de planejamento participativo, legislação de
uso do solo, zoneamento e proteção ambiental, educação dos visitantes e planos de
monitoramento da atividade, que podem garantir a proteção da base dos recursos naturais e
culturais que fundamentam os negócios do turismo.
O turismo possui várias vertentes e ele surge como possibilidade de reencontro, de
fantasia, sair em busca do novo, da saúde física, mental, de expressarem-se no encontro com
outra cultura, outros valores, sabores, tempos e diversão.
Existem algumas formas sustentáveis de turismo, como o ecoturismo e o turismo e
base comunitária, que buscam a prática do desenvolvimento sustentável. Elas têm potencial
para contribuir para a conservação de diversidade biológica dentro e fora de áreas protegidas,
assim como promover melhorias na qualidade de vida das comunidades locais e regionais.
Vamos falar um pouco sobre cada uma delas.
[Link]
Segundo a definição oficial brasileira, “ecoturismo é um segmento da atividade
turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua
conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do
ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas” (EMBRATUR).
O ecoturismo se baseia em três pilares de beneficiários: visitante, comunidade e meio
natural.
[Link] de Base Comunitária
“É um modelo alternativo de gestão turística, interna e autônoma, manejado pelas
organizações comunitárias rurais, indígenas e urbanas, marcadas pela diversidade econômica
de seus sistemas produtivos e pela administração integral do desenvolvimento em seus
territórios de origem”. (BOLÍVIA, 2006)
[Link] de Base Comunitária
“O ecoturismo de base comunitária deve ser visto como o turismo realizado em áreas
naturais, determinado e controlado pelas comunidades locais, que gera benefícios para estas e
para áreas relevantes para a conservação da
biodiversidade.” (Rene Scharer)
[Link] Comum | Ecoturismo e Turismo de Base Comunitária: Algumas
diferenças
2.7.1. Comum – as pessoas contemplam o que conseguem ver sem se mexer muito.
Ecoturismo e Turismo de Base Comunitária – existe movimento, as pessoas tomam sol
e chuva, caminham, conhecem a cultura local, a culinária e a história, num envolvimento mais
profundo com a região.
2.7.2. Ecoturismo / Turismo de Base Comunitária: alguns benefícios
Favorece o desenvolvimento das comunidades locais através de emprego de mão-de-
obra local em funções como guias, além de gerar meios de hospedagens (áreas de
acampamento, pequenas pousadas), alimentação, produção agrícola.
[Link] de Turismo e Condutores de Visitantes
2.8.1. Guia de Turismo
É o profissional que, devidamente cadastrado na EMBRATUR – Instituto Brasileiro de
Turismo exerce as atividades de acompanhamento, orientação e transmissão de informações a
pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais,
internacionais ou especializados. Para se tornar Guia de Turismo, o candidato tem que
preencher, dentre os requisitos: ter concluído o 2º grau e o Curso de Formação Profissional de
Guia de Turismo.
2.8.2. Condutor de Turismo
O Condutor de Turismo de Ecoturismo, devidamente credenciado no ICMBio / MMA,
poderá atuar no Parque Nacional da Chapada Diamantina e em outros parques afins. Além
disso, o condutor deve estar cadastrado junto às secretarias municipais de turismo da sua área
de atuação e é altamente sugerido estar filiado a uma associação local de guias e condutores
de visitantes, tendo em vista que são essas entidades que poderão atuar na capacitação,
reciclagem e fiscalização desses profissionais de acordo com a legislação local.
O condutor atua como o elo entre o visitante, a comunidade e o próprio ambiente que,
apesar de ameaçar o visitante por um lado, é frágil e requer cuidados para que não se degrade
por outro. O condutor tem o importante papel de intérprete que sabe conciliar da melhor
forma possível os interesses e as necessidades de ambas as partes.
3. TÉCNICAS DE CONDUÇÃO DE VISITANTES
[Link] conduzir visitantes?
Existem passeios turísticos que requerem maior cuidado na visitação. É o caso da
famosa trilha do Vale do Paty, além de outros locais encantadores e de difícil acesso na
Chapada Diamantina; é o caso também do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga e o
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros são Unidades de Conservação respectivamente de
Uso Sustentável e de Proteção Integral e, portanto, se constituem polos naturais e culturais de
atração para visitantes. Quando chegam a áreas como esta, os visitantes se ocupam em
atividades como caminhadas em trilhas, visita a comunidades, experimentação da cultura local
(culinária, festividades e etc.), entre outras.
Se eles passeiam sozinhos, pode ocorrer:
a) risco de destruição ambiental e cultural;
b) desconforto;
c) perigo.
Porém, se a visita ocorre monitorada, os visitantes:
a) irão aos melhores lugares com mais informações interessantes;
b) não estragarão a natureza e nem a cultura local.
[Link] de Visitantes
3.2.1. Turista sem consciência
É aquele que em geral joga lixo onde não deve, costuma achar que tudo lhe pertence
e age como se fosse o último a estar por ali: carrega tudo o que acha interessante sem se
tocar que outro visitante futuro não terá nada para ver. Normalmente reclama de tudo.
3.2.2. Turista Pseudo Aventureiro
É um terror para a natureza. Costuma se vestir com roupa camuflada, como se
estivesse indo para uma guerrilha. Geralmente não quer nada com os condutores, que poderão
coibi-lo em suas manifestações de vandalismo.
3.2.3. Turista Aventureiro
É aquele todo equipado, treinado e habituado a andar em grupos independentes por
trilhas de todas as dificuldades e comprimentos. Não usam guias, pois localizar o caminho é
uma de suas habilidades, são autossuficientes em quase tudo e, em sua maioria, não
representam perigo para a natureza. Às vezes ajudam até reparar o estrago dos outros.
3.2.4. Ecoturista
Costuma estar em harmonia com o ambiente e com as pessoas, é bem disposto para as
caminhadas, espera muito do condutor, como: levar nos melhores locais em segurança, passar
informações de animais, plantas e histórias da região etc.
É importante saber que um tipo de visitante não exclui o outro. O que ocorre é uma
variação de proporção entre os diversos tipos. É claro que essa classificação não é absoluta,
existindo sempre exceções em todos os casos e turistas que não se enquadram em nenhum
tipo.
[Link]ções e Responsabilidades do Condutor
a) Conduzir o grupo - Não é só levar pelo caminho certo. Vai muito, além disso.
b) Informar o grupo - As informações são de três tipos: instruções de comportamento,
informações interpretativas e avisos.
c) Cuidar do grupo - Fisicamente e psicologicamente.
d) Socorrer - É obrigação do guia prestar primeiros-socorros, salvamento, resgate e
transporte. Enfim, garantir a integridade do visitante.
[Link]ções e Responsabilidades do Condutor para com a Natureza
a) Contribuir na preservação e monitoramento das áreas visitadas - Cabe ao condutor
cuidar da área visitada orientando e vigiando seus visitantes quanto ao bom
comportamento.
b) Conscientizar o visitante - Os condutores agem como educadores ambientais,
educando os visitantes com relação à qualidade de vida e à forma de visitação em
áreas protegidas.
[Link]ções e Responsabilidades do Condutor para com a Comunidade Local
Conservar a cultura local - O condutor deve orientar os visitantes quanto ao bom
comportamento na comunidade, evitando o uso de drogas ilícitas e outras atividades que
causem choque com a cultura local.
[Link] do Grupo e da Equipe de Condutores
A experiência tem nos mostrado que o grupo nunca deve exceder 10 visitantes. Mas,
caso você se defronte com um grupo maior que isso já formado, a sugestão é que ele seja
dividido em dois ou mais subgrupos, que farão roteiros diferentes ou a mesma trilha, com um
intervalo mínimo de tempo calculado para que os grupos não se encontrem nem nas paradas.
A relação ideal é um guia para cada dez visitantes, e no mínimo dois guias por passeio
para garantir a segurança em situações onde, ocorrendo algum problema com um dos guias, o
grupo ainda tenha o outro para garantir a segurança de todos e o socorro do próprio
companheiro.
3.7.Técnica Profissional
Conduzir um grupo começa bem antes do primeiro passo da caminhada ser dada. O
condutor dispõe de certa técnica que ao mesmo tempo em que cumpre os procedimentos
preliminares à atividade, o coloca como guia de fato do grupo. Ou seja, o guia assume a sua
posição de liderança. Por mais adverso que seja o humor de seu grupo, existem dois
elementos, muito fortes, que devem ser empregados para ganhar a confiança e a simpatia dos
visitantes: paciência e psicologia.
A ideia agora é fazer da apresentação à reunião para instruções iniciais, uma
oportunidade para o guia se posicionar como profissional que liderará a atividade, em troca de
segurança e informações.
4. CONDUTOR
Uma possível sequência de ações pode ser da seguinte forma:
1. Conclame o grupo, disperso, a se reunir em círculo;
2. Proceda à(s) apresentação (ões) do(s) condutor (es);
3. Esclareça ao grupo a atividade que irão desenvolver;
4. Defina (com simpatia) onde irão andar os condutores e visitantes;
5. Esclareça-os sobre comportamentos na natureza;
6. Esclareça-os sobre comportamentos adequados ao convívio com a comunidade local,
se for o caso;
7. Fale ao seu grupo sobre o ato de caminhar;
8. Cheque o equipamento do pessoal;
9. Pergunte sobre necessidades especiais, medicamentos, alergias, asma, etc.
Essa reunião informativa deve durar entre cinco e 10 minutos e não mais do que isso,
pois no início de um dia de caminhada sempre há uma grande ansiedade em começar logo a
atividade por parte dos visitantes.
4.1.Técnicas de Caminhada em Grupo
4.1.1. Comunicação
[Link].Com os visitantes
a) Ocorrem em geral para informações e avisos.
b) Como fazer essas comunicações?
c) Reunião do grupo no início da trilha e nos pontos de interesse;
d) Paradas estratégicas e interpretativas;
e) Nos trajetos de deslocamento veicular até os atrativos visitados.
[Link].Entre os condutores
a) Entre os aspectos mais importantes, os guias devem comunicar-se para:
b) Verificar se a caminhada pode continuar;
c) Em casos de retardatários;
d) Necessidade de parada breve;
e) Alerta de obstáculos à frente;
f) Necessidade de auxílio ou socorro;
g) Alerta de tromba d’água ou outras situações de risco como presença de serpentes.
[Link].Comunicação Guia-Guia
a) Diálogo direto;
b) Apitos;
c) Rádio – comunicadores.
[Link].Intervalo entre comunicações ordinárias
Comunicações ordinárias são aquelas feitas sem motivo aparente. Não apareceu
dificuldade, não tem abismo, não há enchente ou tromba d’água, ninguém se machucou, mas é
necessário haver uma comunicação entre os guias. Isso se faz nas paradas para juntar o grupo
e conferir, com certeza, se tudo vai bem.
[Link] você tem visão de Grupo / Se você não tem visão de Grupo
Deve-se estabelecer um momento de comunicação a cada 10 minutos em média,
podendo ser flexionado esse tempo de acordo com o seu tipo de grupo ou de trilha.
Para prevenir erros, a comunicação de fato deve ocorrer a intervalo máximo de 30
minutos.
4.2.1. Velocidade da caminhada
Em um grupo de caminhada, constituído por pessoas que não realizam treinamento
contínuo e específico para andar por trilhas irregulares, deve-se andar DEVAGAR.
Se esse grupo for muito heterogêneo ou formado por pessoas de má forma física, sua
velocidade de progresso deve ser menor ainda.
Na prática, as velocidades de caminhadas são muito variáveis e alguns fatores
importantes devem ser considerados na determinação da velocidade do grupo. São eles:
a) Homogeneidade ou Heterogeneidade do grupo - Quanto mais homogêneo for o grupo,
maior a sua liberdade em acelerar a caminhada quando for conveniente. Já se o grupo
for muito heterogêneo, certamente haverá pessoas que só consigam caminhar
lentamente, obrigando o grupo todo a andar devagar, pois, de outra forma, abrir-se-ia
uma distância muito grande entre as pontas assim como entre os elementos do grupo.
b) Disposição mental - É uma medida de ânimo das pessoas em fazerem a caminhada
lentamente ou rapidamente.
c) Na ida ou na volta - Geralmente as pessoas estão com mais energia na ida e mais
desgastadas na volta.
d) Condição física do grupo.
e) Dificuldade do percurso.
f) Condições climáticas.
g) Carga.
É o guia que determina a velocidade da caminhada, baseado em sua sensibilidade
sobre todo o grupo.
4.2.2. Paradas
Vamos analisar agora os motivos que fazem um grupo em marcha parar de andar.
a) Paradas rápidas para juntar o grupo;
b) Paradas para descanso;
c) Paradas para alimentação;
d) Paradas para explicações;
e) Paradas cênicas;
f) Parada por força de obstáculo;
g) Paradas para socorro.
4.2.3. Ordem de caminhada
Normalmente não se muda a ordem natural que se estabelece entre os participantes.
Mas há casos nos quais você precisa "intervir cirurgicamente" no grupo e mudar a ordem dos
caminhantes. Isso altera o resultado!
Por exemplo, se no fim de uma trilha, já voltando, um ou um grupinho é sempre
identificado como os retardatários do grupo e se essa demora está sendo muito grande, basta
você colocar os mais lentos à frente, que dos fatores positivos passam a correr:
a) Quem estava na frente tende a caminhar mais devagar, ficando atrás. Isso colabora
para igualar a velocidade dos participantes.
b) Se os mais lentos estão à frente, não é preciso fazer parada para esperar, todos passam
a caminhar no mesmo ritmo, o que geralmente dá a sensação de todos estarem indo em
uma boa velocidade.
[Link]ção Ambiental
Interpretação ambiental é uma importante ferramenta de trabalho utilizada na educação
ambiental, no manejo de áreas protegidas e, mais recentemente, no ecoturismo. Trata-se de um
conjunto de técnicas de comunicação que visa revelar a natureza e a cultura local para o
público, a fim de informar-lhe, entretê-lo e sensibilizá-lo, promovendo atitudes e consciência
conservacionistas.
A base conceitual da interpretação está na sensibilização e transmissão de informações
aos visitantes, caracterizando-se por traduzir a linguagem do meio ambiente, num sentido
amplo, envolvendo aspectos naturais, históricos, arquitetônicos, sociais e culturais, à
linguagem comum dos visitantes, por meio de uma abordagem própria, aliando
entretenimento, presença de significado, organização e também de uma mensagem a ser
comunicada, buscando cativar o visitante e estimulá-lo a pensar (Egydio, 1999).
A interpretação ambiental deve ser um processo contínuo e estar presente em todas as
etapas de contato do visitante com seu destino. A fim de estimular e manter seu interesse, é
importante explorar todos os sentidos: compreensão, visão, audição, olfato e tato. Há pessoas
que captam melhor as informações por meio da visualização, outras da audição ou do toque.
Enfim, quanto mais possibilidades de exploração sensorial, maiores são as chances de o
visitante captar e reter a informação.
Em geral, as pessoas gostam mais de envolvimento sensorial, humor, novas
informações inteligíveis e um intérprete entusiasmado. E desgostam de leitura, intérprete que
fala muito, um programa técnico e apresentações longas e sem entusiasmo.
Por parte do público, é importante considerar suas limitações de tempo, de interesses e
de capacidades. Geral- mente o visitante não dispõe de muito tempo ou interesse para obter
muita informação ou participar de um processo educativo. Por isso, deve-se dar prioridade aos
conteúdos mais significativos e importantes. As formas de comunicação precisam ser diretas,
objetivas e eficientes.
[Link] Interpretativos
Podem ser classificados em personalizados e não personalizados. Os meios
personalizados proporcionam uma interação entre o público e o guia ou intérprete. Os meios
não personalizados são os que não utilizam pessoas, apenas objetos ou aparatos.
[Link] Guiadas e Autoguiadas
Não se deve encarar uma trilha apenas como acesso a determinado atrativo. A própria
trilha deve ser considerada como importante atrativo e, por isso, ser bem planejada e
valorizada pela interpretação. As trilhas guiadas necessitam de um guia ou condutor que
indicará o caminho e interpretará o ambiente.
[Link]ção de Flora
O Parque Nacional da Chapada Diamantina fica em uma região de transição de
biomas, por isso abrange áreas de cerrado, caatinga, campos rupestres e matas de altitude. E o
mais impressionante é conhecer de perto a mistura desses biomas que formam uma das mais
exuberantes paisagens do Brasil.
4.6.1. Caatinga
O bioma, abrange 11% do território nacional, ocupando uma área de 844.453 Km².
Apresenta clima semiárido e possui vegetação com poucas folhas e adaptadas para os períodos
de secas, além de grande biodiversidade. A Caatinga ocupa a totalidade do estado do Ceará e
parte do território de Alagoas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Rio Grande do Norte e Sergipe.
As principais características da vegetação da Caatinga são, solo raso e pedregoso,
árvores baixas, troncos tortuosos e que apresentam espinhos e folhas que caem no período da
seca (com exceção de algumas espécies, como o juazeiro). Destacam-se neste bioma, as
seguintes espécies: bromélias, xique-xique, mandacaru, embiratanha, acácia, juazeiro,
macambira, maniçoba, umbu e mimosa.
A fauna da Caatinga apresenta bastante diversificação, onde contém 40 espécies de
lagartos, 7 espécies de anfisbenídeos (espécies de lagartos sem pés), 45 espécies de serpentes,
4 de quelônios, 1 de Crocodylia, 44 anfíbios anuros e 1 de Gymnophiona.
Dos principais animais que pertencem a este bioma, estão: ararinha-azul, sapo-cururu, onça-
parda, macaco-prego, asa-branca, cotia, tatu-bola, sagui-do-nordeste, preá, tatu-peba, veado-
catingueiro, sagui-do- nordeste, guigó-da-caatinga e jacaré-de-papo-amarelo.
Os ecossistemas do bioma Caatinga encontram-se bastante alterados, com a
substituição de espécies vegetais nativas por cultivos e pastagens. O desmatamento e as
queimadas são ainda práticas comuns no preparo da terra para a agropecuária que, além de
destruir a cobertura vegetal, prejudicam a manutenção de populações da fauna silvestre, a
qualidade da água, e o equilíbrio do clima e do solo.
De acordo com o IBGE, 27 milhões de pessoas vivem atualmente no polígono das
secas. A extração de madeira, a monocultura da cana-de-açúcar e a pecuária nas grandes
propriedades (latifúndios) deram origem à exploração econômica. Na região da Caatinga,
ainda é praticada a agricultura de sequeiro, que é uma técnica para cultivo em terras
extremamente secas.
Os órgãos ambientais do setor federal estimam que mais de 46% da área da Caatinga já
foi desmatada e é considerada ameaçada de extinção. Vale ressaltar que muitas espécies são
endêmicas desse bioma, ou seja, ocorrem apenas lá.
4.6.2. Cerrado
A observação de flora é fácil e pode ser feita de muitas maneiras. Pode-se aprender
sobre a flora olhando uma paisagem do alto de um morro e, ao mesmo tempo, observando
uma folha minúscula para olhar a superfície com o auxílio de uma lupa. É enorme a variedade
de cheiros, cores, texturas e formas. Isso sem falar das variações internas que, embora não
vejamos, devem ser lembradas, tais como a presença de óleos e o uso medicinal de
determinadas plantas pela comunidade local. Cada paisagem tem sua peculiaridade e seus
detalhes. Cada local visitado apresenta sinais de como era originalmente e de como ficou
depois de sofrer alterações resultantes da ação do ser humano.
Cada bioma brasileiro tem condições de clima e de solo que favorecem o crescimento
de um conjunto típico de plantas. Ao visitar regiões de Cerrado típico, por exemplo, podem-se
ver plantas muito bem adaptadas a longos períodos de seca e às queimadas: em geral são
arvores retorcidas, com raízes longas e sistemas subterrâneos desenvolvidos, bem como caules
ásperos e espessos, entre outras características.
O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil, cobrindo cerca de 30% do
território nacional e perfazendo uma área entre 1,8 e 2 milhões de km2 nos Estados de Goiás,
Tocantins, Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso, oeste de Minas Gerais, Distrito Federal,
oeste da Bahia, sul do Maranhão, oeste do Piauí e porções do Estado de São Paulo. Ainda há
porções de cerrado em outros estados da federação (PR) ou em áreas disjuntas dentro de
outros biomas (Floresta Amazônica). É a segunda maior formação vegetal do país, após a
Floresta Amazônica, concentrando-se principalmente no Planalto Central Brasileiro
(Coutinho, 1990; Eigen, 1994; Ribeiro &Walter, 1998).
O Cerrado é uma das regiões de maior biodiversidade do mundo, e estima-se que
possua mais de seis mil espécies de árvores e 800 espécies de aves (MMA, 2002). Acredita-se
que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das abelhas sejam endêmicas. Ao
lado da Mata Atlântica, é considerado um dos hotspots mundiais, ou seja, um dos biomas mais
ricos e ameaçados do mundo (MMA, 2002).
Assim como ocorre nos outros biomas do Brasil, a posição e extensão do Cerrado são
determinadas pelo clima, que é do tipo tropical, com precipitação variando de 750 a 2000 mm
por ano, em média, embora na maior parte da província ocorram chuvas entre 1100 e 1600
mm por ano. Ocorrem duas estações climáticas por ano, a estação seca, que dura
aproximadamente cinco meses (de maio a outubro) e a estação chuvosa, no restante do ano
(de outubro a maio) (Eiten, 1994).
A vegetação do Cerrado e sua densidade, entretanto, não dependem do grau de
pluviosidade, como ocorre nas savanas da África, mas sim de fatores edáficos (fertilidade,
teor de alumínio e grau de saturação do solo) e modificações pelo fogo e corte. Esses fatores
produzem diversas formas ou fisionomias para o Cerrado. Os tipos de vegetação que ocorrem
no interflúvio são: (1) o cerrado sensu lato; (2) a floresta mesofítica; (3) o campo rupestre; (4)
os campos litossólicos miscelâneos; e (5) a vegetação de afloramento de rocha maciça. Há
também os tipos de vegetação associadas aos cursos d'água, que são: (1) as florestas galerias
ou florestas de encosta; (2) os buritizais e veredas; (3) o campo úmido; (4) os brejos
permanentes; (5) o pantanal; (6) as plantas aquáticas e brejeiras (Eiten, 1994). A vegetação
principal do Cerrado é a do cerrado sensu lato, que cobre cerca de 85% da área total.
O restante do bioma Cerrado é ocupado pelos outros tipos de vegetação e também por
corpos d'água. O cerrado sensu lato apresenta ainda categorias fisionômicas baseadas na
proporção das três formas de crescimento de plantas: árvores, arbustos e gramíneas. São elas:
(a) campo limpo – fisionomia dominada por gramíneas, com baixa cobertura de arbustos e
ausência de árvores; (b) campo sujo – fisionomia dominada por gramíneas e arbustos, com
baixa cobertura de árvores; (c) cerrado sensu stricto – fisionomia com baixa cobertura de
gramíneas e de arbustos, e mediana cobertura de árvores; e (d) cerradão – fisionomia com
formações florestais com estrato herbáceo sem gramíneas, e dominado por plântulas e outras
ervas e a maior cobertura de árvores do gradiente (até 7m) (Eiten, 1994; Henriques, 2005).
O bioma Cerrado abriga um número de espécies vegetais e animais semelhante ao
encontrado em formações florestais, tendo sido considerado como uma das 27 áreas críticas
de biodiversidade do planeta e alto grau de endemismo, principalmente em relação à flora
(Marinho-Filho et al. 2010). A grande complexidade de hábitats e paisagens no Cerrado
propiciam a existência de uma fauna diversa e abundante, distribuída de acordo com os
recursos ecológicos disponíveis, topografia, solo e microclima (Alho, 1981). Segundo Dias
(1982), na região de cerrado, devido a sua grande heterogeneidade, podem ocorrer até 5% da
fauna mundial, e cerca de um terço da fauna brasileira (Coutinho, 1990). Estimativas
apontaram aproximadamente 320.000 espécies da fauna para o Cerrado, distribuídas por 35
filos e 89 classes, sendo 67.000 de invertebrados, correspondendo a 20% da biota desse bioma
(Dias, 1992).
É muito interessante que o condutor procure transmitir ao visitante um pouco da
história da vegetação que se apresenta na sua frente, bem como suas características ou até
mesmo usos na cultura local.
[Link]ção de Fauna
Recentemente, a fauna silvestre passou a ter outro valor econômico: o de atrativo
turístico. Em virtude do crescimento da degradação ambiental em todo o planeta, muitos
passaram a “caçar” animais apenas através das lentes de seus equipamentos como binóculos,
filmadoras e máquinas fotográficas.
Conhecer os animais e seus hábitos é uma atividade estimulante e intrigante. Com o
fortalecimento do movimento ambientalista, um número crescente de estudiosos passou a se
interessar pela fauna silvestre. O ecoturista, experiente ou iniciante, aprecia a observação de
fauna de uma maneira geral, particularmente quando obtém maiores informações sobre os
animais observados.
É preciso também saber valorizar os grupos mais abundantes e evidentes como insetos,
as aves e os répteis. Os mamíferos de grande e médio porte são de difícil observação no
Brasil, seja pela escassez, pelo comportamento arisco, pelos hábitos noturnos ou pela
vegetação fechada.
A observação direta desses animais requer locais bem preservados, além da habilidade
e equipamentos específicos. Aqueles que pretendem promover a observação de fauna devem
inicialmente aprender sobre os animais mais evidentes, a fim de valorizar esse importante
atrativo eco turístico. A observação de animais raros ou endêmicos (que só existem em locais
restritos) é uma atividade que valoriza qualquer produto eco turístico. No entanto requer mais
conhecimento e responsabilidade.
4.7.1. Ética
É fundamental ter respeito pelos animais que se pretende observar, evitando perturbá-
los. Um animal sensível pode abandonar seu ninho e, até mesmo, deixar de frequentar um
local, caso se sinta ameaçado pela presença do homem. Ninhos e filhotes nunca devem ser
tocados ou perturbados. Não se deve aproximar demais dos animais nem provocar uma
revoada apenas para conseguir uma fotografia.
4.7.2. Ambientes e horários
É importante compreender que existem horários e locais adequados para esta
atividade. Alguns animais, como a maioria das aves, são mais ativos no início e no fim do dia;
outros, como a maioria dos répteis, são mais ativos nos horários mais quentes; já os
mamíferos são mais ativos no crepúsculo e à noite.
Alguns animais só são encontrados nas matas, outros nos campos e muitos são
encontrados na transição de ambientes diferentes. Quanto mais opções de ambientes e
horários diferentes, maior será a quantidade de espécies possíveis de serem observadas.
De maneira geral, devemos procurar os animais em locais de alimentação, abrigo e
reprodução. Flores e frutos são atrativos importantes para a fauna, e o conhecimento de
plantas que estão florescendo ou frutificando será de grande valia na detecção de animais
silvestres. Fontes de água também são locais muito visitados pelos animais, especialmente na
época seca.
4.7.3. Observação direta
A melhor maneira de se observar a fauna é a direta, isto é, utilizando nossa visão,
audição e olfato para detectar e apreciar os animais. Para facilitar e melhorar a visualização, é
importante o uso de binóculos. Uma lupa também é útil no campo para observar pequenos
animais, como os insetos.
A visualização pode ser diurna ou noturna. De dia, é importante o uso de roupas
discretas e até o uso de esconderijos para conseguir uma aproximação maior dos animais.
Esses esconderijos podem ser improvisados com panos, plásticos, galhos e folhas. Devem-se
evitar cheiros fortes (perfume, etc.) para não espantar os animais que se pretende observar,
uma estratégia utilizada para se aproximar de animais que possuem bom olfato é caminhar
contra o vento, evitando que percebam a presença humana à distância.
Outro detalhe importante é evitar conversa e barulho, pois a maioria dos animais
possui ótima audição. Muitos animais detectam a presença de outro pelo movimento. Deve-se
caminhar lentamente, especialmente na aproximação de algum animal, e evitar movimentos
bruscos. Sendo detectado pelo animal, deve-se ficar imóvel até que ele prossiga na sua
atividade.
4.7.4. Audição e olfato
Além da visão, deve-se procurar aprimorar outros sentidos que podem auxiliar na
detecção de animais. Animais territoriais costumam marcar seu território com excrementos,
urina ou secreções que podem ser detectados e até identificados pelo olfato. O uso da audição
é muito importante, pois o simples estalo de um graveto pode nos revelar a localização de um
animal. No caso das aves, o conhecimento de seus cantos é um dos principais trunfos
utilizados por ornitólogos e observadores de aves para localizar e identificar as diferentes
espécies. Outros animais também emitem vocalizações para se comunicar. Geralmente essas
vocalizações são mais frequentes na época de acasalamento. Algumas vocalizações podem
confundir e até assustar uma pessoa inexperiente.
4.7.5. Transportes
A melhor maneira de se observar a fauna é a pé, particularmente nas trilhas. No
entanto, existem situações em que um meio de transporte pode facilitar a visualização dos
animais, a exemplo de cavalos e carros equipados para tal atividade.
4.7.6. Torres e passarelas
Algumas estruturas podem facilitar a observação de fauna, permitindo a aproximação e
locais de difícil acesso, tais como torres e passarelas suspensas. O planejamento e a instalação
desses equipamentos devem ser feita por pessoal qualificado, garantindo segurança e evitando
grandes impactos. Atenção especial precisa ser dada aos materiais utilizados e às dimensões
dos equipamentos, a fim de evitar a poluição visual de estruturas artificiais e fora de
proporções.
4.7.7. Observação noturna
Alguns animais possuem olhos adaptados para a visão noturna e, por causa da sua
constituição, refletem a luz. Esse fator permite uma localização rápida e eficaz. Com o uso de
uma lanterna possante ou de um farol manual conhecido como cilibim, podem-se localizar
com relativa facilidade os animais.
4.7.8. Observação indireta
Os animais deixam diversos sinais diferentes: rastros, excrementos, pelas escamas,
fuçados, arranhões, tocas, camas, ninhos e restos alimentares. Com a prática, aprende-se onde
e quando procurar por esses vestígios. A identificação do animal e a leitura do que pode ser
encontrado já é uma tarefa mais difícil. Para isso, é muito importante o uso de guias de
identificação de sinais.
As amostras coletadas precisam ser etiquetadas com informações sobre procedência,
data e coletor. Pelos e excrementos têm de ser secos e guardados com naftalina para evitar o
apodrecimento.
4.7.9. A procura
Procure inicialmente por trilhas de animais, onde a vegetação foi pisoteada, ou na
beira de rios e córregos. São bons locais para se encontrar rastros e excrementos. Procure
também em trilhas de gado ou ainda em estradas de terra. Solos macios como lama ou fofos,
como pó de terra ou areia fina, são melhores para encontrar rastros. Solos duros, como terra
batida e areia grossa.
Molhada, dificilmente registrarão pegadas. Procure principalmente em locais onde
sejam prováveis fontes de água e alimento, por exemplo, embaixo de plantas que estejam
florescendo ou frutificando.
Pela manhã bem cedo (orvalho) ou após uma chuva são os melhores horários para
procurar rastros. O solo úmido favorece a impressão de pegadas e a vegetação molhada
revela trilhas recém-percorridas.
4.7.10. Observação de aves
“Ave” é uma terminologia correta para os seres emplumados, genérico para as
diversas espécies da avifauna. O uso de “pássaros” ou “passarinhos” como genérico é
considerado cientificamente errado para se referir a aves passeriformes, como andorinha,
bem-te-vi, curió, entre outras.
Os nomes comuns variam de região para região, sobretudo em se tratando de um país
grande como o Brasil, onde os nomes são dados pelos habitantes de determinada região em
função das características mais aparentes ou relevantes da ave (cor, canto, comportamento,
hábitat, etc.).
O nome científico em geral é formado por pares de nomes cujos significados são
decorrentes das características da ave, mas também podem incluir o nome de quem a
identificou primeiro ou uma homenagem a alguém.
Atualmente, os observadores de aves – birders ou birdwatchers – tornaram-se o maior
grupo de observadores da vida silvestre do planeta e é o grupo que mais cresce setorialmente
no mundo. Trata-se de atividade que se resume em “colecionar avistagem” de aves. Porém,
em nenhuma das ciências relacionadas com a natureza, a linha que separa o amador do
profissional (ornitólogo) é tão insignificante. Esse fato faz com que o guia ou condutor seja
uma peça fundamental desse rentável segmento ecoturístico.
A melhor forma de iniciar-se na atividade de observar aves é com alguém mais
experiente, que pode ser amador ou guia especializado. Em geral, o observador principiante
fica admirado com a habilidade dos mais experientes que, rapidamente, classificam e
identificam aves.
A habilidade e a rapidez com que se consegue classificar e identificar aves deve-se ao
fato de que o observador experiente sabe o que observar, sobretudo comparando as
características da ave em observação com outras de seu conhecimento, associando diversos
elementos:
a) Tamanho (maior ou menor que um pardal, galinha, urubu, etc.).
b) Forma, aspecto ou silhueta (corpo, pernas, caudas, asa, bico, etc.).
c) Cores (geral, predominante, da cabeça, do peito, das asas, riscas, etc.).
d) Vocalização (alarme, chamado, territorial, canto, dueto, coro, etc.).
e) Voo (planado, batendo asas, direto ou furtivo, curto ou longo, etc.).
f) Hábitat (mata aberta ou fechada, vegetação campestre, veredas, rochas, etc.)
g) Comportamento (alimentar, pouso – chão / galhos, solitária, em grupo, etc.).
A maioria dos pássaros prefere um hábitat específico para alimentar, aninhar, acasalar
ou mesmo descansar, quando em rota migratória. Na atividade de observar aves, conhecer as
características da construção dos ninhos ou de permanência de aves em determinado lugar
ajuda bastante na identificação.
4.7.11. Normas de conduta:
a) Promova o bem-estar das aves e seu ambiente natural;
b) Apoie e promova a proteção e a conservação de habitats;
c) Limite o tempo de interação ao observar, fotografar, gravar ou filmar aves;
d) Limite a observação ou, se for o caso, evite em áreas consideradas frágeis, utilizadas
por aves para alimentação, descanso, acasalamento e/ou procriação;
e) Em hábitats onde é possível a observação, permaneça nas trilhas e estradas utilizando,
sempre que possível camuflagem natural ou artificial;
f) Tome conhecimento das normas locais aplicáveis para a observação e as informe aos
componentes do grupo;
g) Assegure-se que os participantes de grupos de observação tenham conhecimento da
ética e das práticas, relembrando sempre as normas e condutas.
Como norma geral, todos os que gostam de aves e de observá-las devem sempre
respeitar a vida silvestre e o meio ambiente. Em qualquer situação de conflito entre a fauna e
os interesses dos observadores, o bem-estar das aves e o respeito por seus habitats devem ser
prioridade.
4.7.12. O que levar para uma caminhada?
[Link]. Vestuário para Caminhadas
a) Calça comprida - deve ser de tecido macio, de preferência algo largo e confortável;
b) Camisa ou camiseta - pode ser de manga longa ou curta, dependendo do calor, dos
insetos e da abertura da trilha;
c) Tênis adequado - deve ser preferencialmente de solado de borracha e antiderrapante,
confeccionado em nylon ou lona para o pé não ficar abafado, solado alto para absorver
irregularidades, cano semiólogo e calcanhar rijo;
d) Meias - a meia ajuda a evitar formação de bolhas;
e) Boné ou chapéu - muito importante sob sol forte em regiões abertas.
[Link]. Considerações finais sobre as roupas
a) Devem ser preferencialmente de cor clara, que absorvem menos calor, sendo assim
mais confortáveis;
b) Os guias devem usar uma roupa de cor que seja visível e reconhecível.
É um fator de segurança que ao mesmo tempo dá um toque de diferenciação ao guia;
c) Roupa de banho pode ser usada por baixo, facilitando na hora do banho;
d) O uso de roupas camufladas do tipo militar não é recomendável.
4.7.13. Equipamentos de Excursionismo
[Link]. Equipamentos /Itens Básicos para condutores e visitantes
Mochila Cantil Lanterna
Capa de chuva
Repelente
Lanche
Sacos para lixo Protetor solar Roupa de banho
[Link]. Equipamentos de segurança coletiva e individual para Condutores
Corda Apito Relógio
Canivete
Estojo de Primeiros-Socorros
Colete Salva Vidas
Recue Bag
Isqueiro ou fósforos protegidos
[Link]. Outros Equipamentos Interessantes para Guias
Mapas
Bússola
Altímetro
GPS
Binóculos
4.7.14. Alimentação para Caminhadas
Os alimentos têm uma dupla função em uma caminhada: repor as energias e sais
minerais gastos com atividade física intensiva, e dar uma compensação psicológica ao cansaço
e às eventuais condições adversas de uma caminhada. É comum um grupo ficar mal-
humorado e reclamante no momento da fome e, logo após comer, volta o bom humor e a
descontração.
Antes da caminhada, recomendamos um café da manhã reforçado, mas de fácil
digestão. Isso é importante porque o alimento leva certo tempo até ficar disponível no sangue
e nos músculos e é com esse desjejum que você terá energia até o lanche da hora do almoço.
Para a caminhada recomendamos levar: sanduíches de queijo, barras de cereal ou de
proteína, biscoitos, frutas secas ou frescas, mas que não amassem, suco em caixinha, etc.
Recomenda-se não levar embalagens muito grandes, vidros e bebidas alcoólicas.
5. SEGURANÇA
Proporcionar segurança ao grupo é uma das funções principais do guia. A questão da
segurança pode ser dividida em três etapas básicas e independentes apresentadas a seguir.
Por ordem de importância:
SEGURANÇA = CONCEITOS + TÉCNICAS + EQUIPAMENTOS
Conceitos de segurança
[Link] evitar perigos:
a) Andar sempre dentro das trilhas.
b) Ter sempre um guia experiente à frente, com os olhos atentos ao chão, para identificar
uma eventual cobra na trilha, antes de passar por ela.
c) Conduzir o grupo com extrema cautela a locais que se saiba haver casos de vespas,
abelhas ou marimbondos muito próximos à trilha.
d) Não levar, exceto que seja fundamental, o grupo em passagens muito próximas a
abismos.
e) Em paradas, permanecer com a atenção voltada ao grupo, delimitar área de circulação
dentro de alcance visual de algum guia e grudar os olhos em quem estiver dentro da
água.
f) Alertar a quem não sabe nadar onde é raso e onde é fundo, determinando que fiquem
no raso.
g) Proibir mergulho de cabeça e/ou saltos ornamentais m locais inadequados.
h) Evitar fazer com o grupo ou permitir escaladas de cachoeiras, onde as pedras sempre
lisas determinam tombos do alto, com consequências graves.
i) Ter sempre agasalho, capa de chuva e lanterna, tanto você como o grupo.
j) Não sair com grupos muito grandes ou com poucos guias o que não permitiria um bom
controle das situações, gerando maior risco.
k) Calcule certamente o tempo das caminhadas, lembrando que um grupo sempre é mais
lento que você andando sozinho. É uma tendência frequente subestimar os tempos do
percurso.
l) Fique sempre atento às mudanças de tempo.
m) Evite que as caminhadas terminem à noite, onde os riscos de acidentes aumentam
naturalmente.
n) Sempre que necessário, dê os avisos e instruções do grupo de forma que todos sejam
comunicados.
o) No inverno ou em regiões mais frias, tome todos os cuidados em não expor seu grupo
a situações de frio intenso.
p) Esteja sempre atento ao fenômeno de espalhamento do grupo ao longo da trilha. Não
hesite em fazer paradas para juntá-lo novamente (efeito minhoca).
q) Nunca passe por uma bifurcação sem ter a confirmação que o grupo está todo junto.
r) Sempre que o grupo se dispersar, confira-o com chamadas ou contagem.
s) Durante paradas instrua o grupo que, para se ausentar da área de circulação para "ir ao
banheiro" ou por outro motivo, deve-se comunicar a um dos guias.
t) Observe e faça por ser observada sempre a ordem de caminhada que determina guias
nas pontas do grupo.
u) Se você tiver dúvida em uma trilha, o que pode eventualmente ocorrer em função de
modificação recente e surpreendente da paisagem, por queda de árvores, por exemplo,
não prossiga com seu grupo. Se for o caso, deixe o grupo parado e faça um rápido
conhecimento até ter certeza do caminho. Só então conduza o grupo.
v) Esteja sempre atento ao grupo e perceba quando é requerido descanso, reidratação,
cuidados de primeiros socorros ou conforto psicológico. Um grupo levado muito além
de seu limite é candidato a riscos desnecessários e sérios.
w) Assuma, junto com os demais guias, a liderança do seu grupo e encare todas as
situações, por mais problemáticas que pareçam, com calma e objetividade.
x) Aplique-se na sua função, estudando, trocando experiência com colegas, vivendo
situações difíceis por conta própria para adquirir uma sólida segurança própria.
5.2.Técnicas de Segurança
a) Grupo monitorado - guias sempre abrindo e sempre fechando o grupo ou, se for grupo
pequeno, mantê-lo suficientemente próximo para acompanhar visualmente todos os
participantes.
b) Ajuntamento do grupo.
c) Assistência localizada - nas passagens de média dificuldade como uma pedra mais alta
para passar, um buraco ou uma pinguela sem corrimão, posicionar o guia-móvel para
ajudar a todos.
d) Passagens críticas - usar a corda para dar segurança em descidas ou subidas que não
tenham bons locais de segurar ou onde o excursionista não possa de jeito nenhum cair,
como nas proximidades de precipícios.
e) Travessias de rios - Antes de começar uma travessia, deve-se proceder a uma
cuidadosa análise para determinar se o rio está com volume normal ou acima do nível.
Em ambos os casos, os guias devem determinar o traçado da travessia, levando em
conta a correnteza, a forma do piso e a profundidade. Geralmente se atravessa num
ângulo voltado para o lado que a correnteza naturalmente conduz. O rio, estando
normal, o guia faz sozinho ou junto com outro guia uma travessia- teste. Vai e volta.
Se o rio estiver muito cheio, deve fazer o teste preso a uma corda, que posteriormente
será fixada na outra margem. Para atravessar o pessoal, há três técnicas seguras:
travessia autônoma (os guias se colocam em posições intermediárias para ajudar
alguma dificuldade eventual); travessia por corrente humana (dando a mão para outro,
andando de frente para a correnteza); travessia com auxílio de corda.
[Link] - Socorros
Se você estiver sempre atento aos critérios de segurança, é provável que não ocorra
nada de extraordinário em sua caminhada. Mas se houver algum imprevisto, temos que saber
como socorrer. Os eventuais usos que você fizer dos conceitos e técnicas de primeiros-
socorros buscam, resgate e salvamento podem também ser chamados de “ossos do ofício”.
Socorrer é uma atividade bem diversificada, que pode ser simples como a colocação de
um band-aid num pequeno corte até a difícil tarefa de procurar e achar um excursionista
perdido. Enquanto tudo vai bem numa caminhada, qualquer pessoa comunicativa e com
conhecimentos sobre a região pode fazer um bom papel de guia, mas numa emergência é que
é colocada à prova a verdadeira capacidade de liderar o grupo e solucionar problemas difíceis,
ou seja, guiar efetivamente. Quando o socorro é solicitado para alguma ocorrência mais grave,
saber todas as técnicas de socorro é muito útil. Mas fundamental mesmo é manter o
autocontrole, pois só assim se consegue tomar decisões sábias e rápidas. O grupo, quando
ocorre um incidente mais grave, tende a se desestabilizar emocional- mente, tornando-se um
segundo problema grave para ser resolvido pelos guias. Além disso, cada excursionista em
crise pode contaminar a outro e assim o problema se generaliza.
Dada a importância da segurança dos visitantes na atividade do condutor, é muito
importante o módulo do curso específico de segurança e primeiros socorros ministrado por
profissional capacitado com: Bombeiro Militar ou Civil, Socorrista ou Médico de atendimento
de urgência. Os condutores deverão participar de curso de reciclagem em primeiros socorros
no mínimo uma vez por ano preferencialmente uma vez a cada semestre.
6. TÉCNICAS DE EXCURSIONISMO DE MÍNIMO IMPACTO
[Link]ípios de Conduta Consciente em Ambientes Naturais
a) Planejamento é Fundamental
b) Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar
conhecimento dos regulamentos e restrições existentes.
c) Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes
de qualquer atividade em ambientes naturais.
d) Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas.
e) Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.
f) Evite viajar para áreas populares durante feriados prolongados e férias.
g) Certifique-se de que você possui uma forma de acondicionar seu lixo (sacos plásticos),
para trazê-lo de volta.
h) Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu
condicionamento físico e seu nível de experiência.
[Link]ê é responsável por sua segurança
O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar
grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade.
Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro de viagem com alguém
de confiança, com instruções para acionar o resgate, se necessário.
Avise a administração da área que você está visitando sobre: sua experiência, o
tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e a data esperada de
retorno. Estas informações facilitarão o seu resgate em caso de acidente. Aprenda as técnicas
básicas de segurança, como navegação (como usar um mapa e uma bússola) e primeiros
socorros. Para tanto, procure os clubes excursionistas, escolas de escalada, etc.
Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado para cada situação.
Acidentes e agressões à natureza em grande parte são causados por improvisações e uso
inadequado de equipamentos. Leve sempre lanterna, agasalho, capa de chuva e um estojo de
primeiros socorros, alimento e água, mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas
horas de duração.
Caso você não tenha experiência em atividades recreativas em ambientes naturais,
entrem em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou associações de
condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar impactos sem perceber e
correr riscos desnecessários.
[Link] das trilhas e dos locais de acampamento
a) Mantenha-se nas trilhas pré-determinadas - não use atalhos que cortem caminhos. Os
atalhos favorecem a erosão e a destruição das raízes e plantas inteiras.
b) Mantenha-se na trilha mesmo se ela estiver molhada, lamacenta ou escorregadia. A
dificuldade das trilhas faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Se você contorna a
parte danificada de uma trilha, o estrago se tornará maior no futuro.
c) Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o
impacto.
d) Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem.
e) Acampe o pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água.
f) Não cave valetas ao redor das barracas, escolha melhor o local e use um plástico sob a
barraca.
g) Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem
arranque a vegetação, nem remova pedras ao acampar.
h) Traga seu lixo de volta
i) Se você puder levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, pode trazê-la
vazia na volta.
Ao percorrer uma trilha, ou sair de uma área de acampamento, certifique-se de que
elas permaneçam como se ninguém houvesse passado por ali. Remova todas as evidências de
sua passagem. Não deixe rastros!
Não queime nem enterre o lixo. As embalagens podem não queimar completamente, e
animais podem cavar até o lixo e espalhá-lo. Traga todo o seu lixo de volta com você.
Utilize as instalações sanitárias que existirem. Caso não haja instalações sanitárias
(banheiros) na área, cave um buraco com quinze centímetros de profundidade o pelo menos
60 metros de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, em local onde não
seja necessário remover a vegetação.
[Link] cada coisa em seu lugar
a) Não construa qualquer tipo de estrutura, como bancos, mesas, pontes etc. Não quebre
ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar
servindo de abrigo para aves ou outros animais.
b) Resista à tentação de levar "lembranças" para casa. Deixe pedras, artefatos, flores,
conchas etc. onde você os encontrou, para que outros também possam apreciá-los.
c) Tire apenas fotografias, deixe apenas leves pegadas, e leves para casas apenas suas
memórias.
6.5.Não faça fogueiras
a) Fogueiras matam o solo, enfeiam os locais de acampamento e representam uma grande
causa de incêndios florestais.
b) Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros
modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido
e prático que acender uma fogueira.
c) Para iluminar o acampamento, utilize um lampião ou uma lanterna em vez de uma
fogueira.
d) Se você realmente precisa acender uma fogueira, utilize locais previamente
estabelecidos, e somente se as normas da área permitirem.
e) Mantenha o fogo pequeno, utilizando a madeira morta encontrada no chão.
f) Tenha absoluta certeza de que sua fogueira está completamente apagada antes de
abandonar a área.
[Link] os animais e as plantas
Observe os animais à distância. A proximidade pode ser interpretada como uma
ameaça e provocar um ataque, mesmo de pequenos animais. Além disso, animais silvestres
podem transmitir doenças graves.
Não alimente animais. Os animais podem acabar se acostumando com comida humana
e passar a invadir os acampamentos em busca de alimento, danificando barracas, mochilas e
outros acampamentos.
Não retire flores e plantas silvestres. Aprecie sua beleza no local, sem agredir a
natureza e dando a mesma oportunidade a outros visitantes.
[Link] cortês com outros visitantes
Ande e acampe em silêncio, preservando a tranquilidade e a sensação de harmonia que
a natureza oferece. Deixe rádios e instrumentos sonoros em casa.
Deixe os animais domésticos em casa. Caso traga o seu animal com você, mantenha-o
controlado todo o tempo, incluindo evitar latidos ou outros ruídos. As fezes dos animais
devem ser tratadas da mesma maneira que as humanas. Elas também estão sob sua
responsabilidade. Muitas áreas não permitem a entrada de animais domésticos, verifique com
antecedência.
Cores fortes, como branco, azul, vermelho ou amarelo, devem ser evitadas, pois
podem ser vistas a quilômetros de distância e quebram a harmonia dos ambientes naturais.
Use roupas e equipamentos de cores neutras, para evitar a poluição visual em locais muito
frequentados.
Colabore com a educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo
impacto sempre que houver oportunidade.
[Link] seu Grupo, causando o Mínimo Impacto.
Como guia, você deve cuidar para que seus guiados se comportem adequada- mente
dentro dos conceitos de mínimo impacto e ao fazer paradas com o seu grupo, estude um local
que consiga absorver o impacto do grupo todo se aglomerando. Como exemplo, não é bom
fazer uma parada em trilha estreita, pois certamente a vegetação será danificada pelas pessoas
se acomodando.
a) Certifique-se se o grupo está levando consigo sacos de lixo.
b) Tenha sempre com você alguns a mais para eventuais faltas.
c) Nas instruções gerais que precedem a caminhada fale sobre os comportamentos
adequados em relação ao lixo.
d) Antes de iniciar uma pausa para lanche, lembre a todos sobre os cuidados com o lixo,
por mais insignificante que possa parecer.
e) Após levantar para partir, examine o local para ver se este encontra- se absolutamente
isento de lixo. Inclua algum eventual lixo remanescente de algum visitante não
consciente que tenha visitado o local anteriormente.
f) Apanhe você mesmo o lixo restante ou induza seu grupo a fazer um mutirão de
limpeza. Isso deve ser feito com simpatia e dinamismo, pois nesse ato você estará
também educando o turista.
g) Ao terminar a atividade, oriente para a disposição seletiva de materiais recicláveis nos
contentores apropriados ou, na falta desse sistema, oriente para o destino que se queira
dar ao lixo (lixeiras na propriedade, na cidade, no camping, etc.).
h) Uma vez limpa, a tendência da trilha é permanecer limpa por mais tempo enquanto
que uma trilha suja tende a se tornar muito mais suja rapidamente. É que muitas
pessoas, ao verem um local com lixo, se sentem à vontade para deixar também seu
lixo.
7. CAMINHADAS DE MAIS DE UM DIA
Até agora temos visto basicamente aspectos envolvidos em caminhada de um
dia, ou seja, a caminhada começa pela manhã e termina à tarde ou no máximo no começo da
noite, se atrasar. Agora vamos ver como ficam as caminhadas mais longas ou em locais que
não dispõem de infraestrutura de alimentação e hospedagem, quando você vai pernoitar na
natureza. As diferenças ficam por conta de:
I. Preparo – O seu grupo deve ter um melhor preparo físico e condições psicológicas
para suportar situações mais cansativas e desconfortáveis. É comum estarmos
carregando mais peso e dormirmos em barracas apertadas.
II. Tamanho do Grupo – Seu grupo deve preferencialmente ser pequeno, de seis a dez
pessoas, no máximo, para dois guias.
III. Vestuário – Não se esqueça de nunca de levar e fazer que seja levado muda de roupa
para dormir e trocar se molhar a original.
IV. Equipamentos – O essencial é: barraca saca de dormir, fogareiro, mochila cargueira e
isolante térmico.
V. Alimentação – Numa caminhada de mais de um dia faz-se necessário três refeições
diárias para manter um bom rendimento do corpo:
a) Desjejum - café da manhã.
b) Almoço - tradicionalmente não se almoça em caminhada. Nesse horário faz-se um
lanche, com vantagens: não quebramos o ritmo da caminhada, perdendo um tempo
imenso cozinhando alimentos. Uma refeição leve fica fácil prosseguir a caminhada.
c) Janta - é a hora em que se faz a refeição quente.
VI. Não leve - produtos perecíveis como maionese, vidros, alimentos hidratados e bebidas
alcoólicas.
VII. Mínimo Impacto – Excursionando por um período prolongado, suas chances de
impactar a natureza aumentam. Tenham sempre frescas à mente as técnicas de
excursionismo de mínimo impacto. Elas englobam viagens de mais de um dia.
VIII. Segurança Dia e Noite – As técnicas de segurança para caminhadas de um dia
se aplicam integralmente também em viagens com pernoite de campo. Alguns
cuidados adicionais devem ser observados:
a) Monitore o cansaço dos visitantes sob o peso das mochilas cargueiras. Faça mais
descansos. Ande numa velocidade mais lenta do que se estivessem sem carga.
b) Escolha bem a área de camping.
c) Se vai abandonar a barraca para fazer alguma incursão local, evite deixar alimentos
dentro da barraca. Os animais poderão sentir o cheiro e entrar na tenda por métodos
pouco ortodoxos.
d) Quando deixar botas e tênis dormirem do lado de fora, faça sempre uma cuidadosa
inspeção em seu interior para verificar se não há animais.
e) Lembre-se que você estará muito mais isolado e longe de outros cuidados se não os
que você possa dar diretamente em caso de acidente.
[Link] da Trilha
Um dos objetivos de trilhas de uso público em áreas naturais é suprir as necessidades
recreativas de maneira a manter o ambiente estável e permitir ao visitante a segurança e o
conforto necessários.
As trilhas devem sutilmente encorajar o visitante a permanecer nelas por serem
facilmente reconhecidas como caminho mais fácil, que evita obstáculos e minimiza a energia
dispensada. Para tanto, devem manter uma regularidade e continuidade de seu caminho,
evitando mudanças bruscas de direção e sinalização; obstáculos como pedras, árvores caídas e
poças de lama devem ser evitados, pois provocam a abertura de desvios.
Grande parte do impacto ambiental em trilhas ocorre por causa do seu abandono. Este
é consequência de: tentativa de evitar necessários ziguezagues, obstáculos e trilhas com
superfície formada somente por pedras ou, ainda, a procura da sensação de “aventura”
(Schnaider, 1986).
As trilhas podem ser divididas em trilhas de curtas e longas distâncias. As de curta
distância apresentam caráter recreativo e educativo, com programação desenvolvida para
interpretação do ambiente natural. Já as de longa distância valorizam a experiência do
visitante que busca deslocar-se por grandes espaços selvagens, como as viagens de travessia
pela região.
[Link]
Há pelo menos dois fatores de alteração do solo decorrentes da utilização de trilhas:
compactação e erosão. O efeito do pisoteio produz um impacto direto, que resulta na
exposição das raízes das árvores, causando riscos de doenças e quedas, e na diminuição da
capacidade de retenção de ar e absorção de água, alterando a capacidade do solo de sustentar a
vida vegetal e animal associada. As trilhas ainda alteram o padrão de escoamento da água na
região. Por estar com a superfície limpa, o solo absorve menor quantidade de água, por isto
escorre com maior velocidade devido à ausência de obstáculos. A água provoca o
deslocamento de partículas, aumentando a erosão. Quanto maior a inclinação do terreno,
maior a velocidade da água e maior a quantidade de partículas deslocadas.·.
[Link]ção
A presença de uma trilha provoca mudanças na composição da vegetação ao redor.
Quando uma trilha é aberta há alteração da luminosidade disponível, o que facilita o
crescimento das plantas tolerantes à luz. O constante pisoteia na trilha acaba destruindo as
plantas por choque direto e pela compactação do solo. A erosão do solo expõe as raízes das
plantas, dificultando sua sustentação e facilitando a contaminação por pragas.
[Link] fatores
Lixo, incêndios, vandalismos e coleta de materiais são problemas comuns associados à
utilização das trilhas.
[Link]
O planejamento de trilhas deve levar em consideração:
a) Clima;
b) Topografia;
c) Drenagem;
d) Vegetação;
e) Habitat;
f) Solo;
g) Informações técnicas já existentes sobre a região (mapas, fotografias etc.);
h) Características históricas e culturais Diversidade biológica, climática e topográfica.
[Link] de volume de uso futuro
É importante evitar que a direção da água seja a mesma da trilha. Deve haver, ao
menos, um sistema de drenagem correto para que ela corra “pela” e não “ao longo” da
superfície da trilha.
Uma forma de ascensão moderada é conseguida pelos ziguezagues, mas sua
construção deve levar em consideração os seguintes fatores (Proudam, 1977):
a) Eles são difíceis de construir;
b) Sua repetição é monótona;
c) Devem dar a sensação de avanço para quem sobe;
d) Devem ter curvas espaçadas para que uma não seja visível de outra (a fim de evitar
que as pessoas cortem caminho);
e) A distância entre elas deve ser longa.
[Link]
Como a presença de uma trilha altera o padrão de circulação água na área, algumas
obras de “reorganização” da drenagem são necessárias.
a) CANAL – Lateral de escoamento;
b) VALA – Perpendicular;
c) BARREIRA.
Podem-se construir canais laterais de escoamento (para que a água corra
paralelamente à trilha), canais que cruzam perpendicularmente à trilha (tanto em nível
como por baixo da mesma) e valas ou barreiras oblíquas à superfície da trilha,
para facilitar o escoamento da água que está eventualmente sobre ela.
[Link] de corpos d'água
Neste tema, estão incluídos não só a ultrapassagem de rios e riachos como
também a ultrapassagem de locais alagados.
No primeiro caso, as obras são basicamente de construção de pontes e pinguelas.
Com relação à ultrapassagem de alagados, pode-se solucionar o problema com blocos
de pedra e/ou “fatias” de troncos dispostos estratégica e sequencialmente. Outra maneira
(porém mais dispendiosa) são os tablados ou estrados, que permitem uma caminhada
fácil e segura, transferindo a superfície de uso direto do solo para a madeira, pedras ou
troncos e tablados ou estrados para a ultrapassagem de alagados.
[Link]ção de erosão
A construção de degraus é uma das mais difíceis obras em trilhas. Devem ser
construídos somente se não houver alternativa. É importante evitar longos trechos de
degraus em linhas retas, construção em terrenos ao lado de quedas abruptas (terrenos
normalmente instáveis) e também analisar o local da obra tanto com uma visão de quem
desce como de quem sobe, a fim de tornar o traçado o mais atrativo possível (Agate,
1983). Os degraus podem ser feitos de várias maneiras: com pedras, troncos e pranchas
de madeira.
A construção de “paredes” de contenção em declives tanto previne a erosão da
trilha, no caso da encosta estar abaixo dela, como previne a deposição de material
advindo da encosta acima. Também pode ser feita de pedras, troncos ou com ambos
(Agate, 1983; Proudman, 1977).
7.10. Tipos de degraus utilizados em trilhas
a) Com pedras com troncos
b) Com tábuas isoladas em escada
c) Paredes de contenção
d) Contenção da erosão acima da trilha com o uso de madeira
e) Contenção da erosão acima da trilha com o uso de mais de um material
f) Contenção da erosão acima da trilha com o uso de pedras
g) Outras
7.11. Mirante
a) Estrutura para prover segurança durante observação de um determinado
panorama.
b) Corrimão
c) Estrutura para prover segurança, em escadas e pinguelas.
d) Guarda-corpo
e) Estrutura de proteção, principalmente em mirantes, quando há exposição a
desníveis acentuados e perigosos.
8. ROTEIRO E PRODUTO TURÍSTICO
Produtos turísticos é o resultado da soma de atividades e serviços, apoiados por
equipamentos e infraestrutura, combinados para se apreciar ou desfrutar atrativos, quer
sejam eles baseados em recursos culturais, ambientais (flora e fauna) ou cênicos.
Tecnicamente, entende-se que o processo de desenvolvimento de produtos
ecoturísticos ou turísticos de base comunitária, se traduz na seguinte fórmula:
ATRATIVOS – Recursos naturais e culturais
+
INFRAESTRUTURA – Centro de informações, estradas, trilhas, mirantes, etc.
+
EQUIPAMENTOS – Equipamentos de Segurança, canoas, barcos, veículos 4x4, etc.
+
ATIVIDADES – Cursos, caminhadas, observação de flora, aves etc.
+
SERVIÇOS – Transporte, alimentação, hospedagem, guiarem, lavanderia etc.
=
PRODUTO
Procedimentos básicos para a execução de um roteiro turístico, utilizando um
produto:
a) Fazer um levantamento dos atrativos, da infraestrutura, dos equipa- mentos, das
atividades e dos serviços disponíveis, observando as normas dos locais a serem
visitados;
b) Construir um roteiro, detalhando quantidade de dias, horários, etc.;
c) Exercitar o roteiro;
d) Fazer um teste.
[Link] bom roteiro deve ter:
a) Diversidade (ambiental e cultural);
b) Autenticidade (mostrar e proporcionar a vivência do que é típico do local);
c) Beleza cênica;
d) Informação em quantidade e qualidade (geografia, ecologia, história e cultura);
e) Rusticidade com conforto;
f) Limpeza em todos os locais;
g) Segurança.
OBSERVAÇÃO: tenha sempre um segundo plano em mente, se prevenindo para
a possibilidade de algo não funcionar, a exemplo da quebra de algum equipamento ou
mudança de tempo.·.
9. CARTOGRAFIA, ORIENTAÇÃO E NAVEGAÇÃO.
Como guia você deve conhecer tão bem o caminho que não necessita de mapa
para “se achar”. Mas saber como se lê um mapa e bússola é importante em caso de
resgate, pesquisa de novas trilhas (normalmente em áreas de difícil acesso) e como
objeto de ilustração da caminhada aos seus guiados.
[Link]
Um mapa é uma representação plana do terreno, destinada a transmitir
informação acerca da posição relativa entre cidades, estradas, acidentes geográficos, etc.
Esta representação é feita através de algumas características impressas no mapa.
[Link]
É a relação entre uma distância no terreno e sua representação no mapa. Uma
escala de 01h50min. 000 indica que cidades, montanhas, lagos e estradas são
representados no mapa cinquenta mil vezes menores do que são na realidade ou que
500 metros (50 mil centímetros) no terreno equivale a 1 centímetro no mapa.
[Link] de coordenadas
Forma de identificar a posição de um ponto na superfície da terra por meio de
um conjunto de números. Por exemplo, a posição de uma cachoeira, uma montanha,
pode ser anotada, possibilitando a troca de informações a respeito de como chegar a
esses lugares.
Através de dois ângulos (longitude e latitude), podemos nos localizar na superfície
terrestre, similar a um endereço.
[Link]ções gráficas
São os símbolos usados para indicar o que está representado (estradas, ferrovias,
curvas de nível, rios e etc.). A maioria das medições é por representação direta de linhas
coloridas, contínuas ou tracejadas, devidamente identificadas na legenda do mapa.
O artifício mais interessante são as curvas de nível, que são linhas
representativas das montanhas e vales.
10. CURVAS DE NÍVEL
10.1. Bússolas
A bússola é um instrumento utilizado há centenas de anos em navegação. Seu
principal componente é uma agulha que aponta sempre para o norte magnético, alinhada
com o campo magnético da Terra.
Um detalhe fundamental a ser lembrado quando utilizamos a bússola em
conjunto com o mapa topográfico é a existência de dois nortes: o norte magnético (norte
da bússola) e o norte verdadeiro (norte do mapa). Essa diferença ocorre porque o
fenômeno natural que causa o magnetismo terrestre não está alinhado com o eixo de
rotação da Terra (que define o norte e o sul verdadeiros). Esse fenômeno também não é
estável temporalmente, de forma que a posição do norte magnético varia lentamente ao
longo dos anos.
Um fator muito importante a considerar quando utilizamos uma bússola é a
interferência causada por objetos metálicos, aparelhos elétricos, rochas e outras
anomalias locais.
11. CONCLUSÕES
11.1. Ética Profissional
A responsabilidade do guia ou condutor é muito grande. Cabe a ele cuidar da
integridade do turista, da comunidade local e dos patrimônios cultural e ambiental. O
condutor deve seguir rigorosamente os horários e roteiros e usar flexibilidade quando
necessário, procurando sempre atender às expectativas do cliente. Além disso, outros
fatores devem ser observados:
a) Ética entre os guias: Os guias devem se respeitar mutuamente, tomarem.
b) Decisões em conjunto e, em caso de discordância, resolver isso em particular.
11.2. Guia mulher:
Guias mulheres devem ser respeitadas e consideradas sem discriminação
alguma. Cabe lembrar que mulher que se torna guia pode perfeitamente manter a graça
da feminilidade.
a) Respeito com o guiado: Ao falar ou se referir a seus visitantes, mantenha sempre
o respeito. Não significa submissão. Se o grupo for mal educado com você, não
desça ao nível dele.
b) Igualdade: Todos os participantes têm direito de serem guiados de forma igual.
c) Profissionalismo: O guia ou condutor deve ter sempre em mente a seriedade do
seu trabalho (mesmo mantendo bom humor, descontração e brincadeiras na hora
certa). Além disso, guias devem dar sempre exemplos positivos. Devem agir
sempre dentro dos conceitos de mínimo impacto e cuidados com a natureza e
com a cultura local. Não é bom fazer coisas ou ir a locais onde aos guiados seja
proibido, para simples diversão.
d) Conflitos: Conflitos entre participantes do grupo podem ser resolvidos com o
apoio do próprio pessoal, ficando mais delicadas situações de conflito entre um
visitante ou o grupo todo com os guias. Aja de forma diplomática e procure
estabelecer as verdadeiras causas do problema colocando toda a sua capacidade
de raciocínio na direção de solucioná-lo. Mas, ocorrendo um caso de
desobediência sistemático do seu pedido e esgotado todos os seus argumentos
para resolver a questão, chame o grupo todo para testemunhar os fatos. Assim,
se acontecer alguma coisa a eles, você terá várias testemunhas para isentá-lo da
culpa.
11.3. Associativismo
O associativismo é a reunião de pessoas ou entidades com objetivos específicos
a fim de gerar benefícios e superar dificuldades em nível econômico, social, ambiental
ou político.
A realidade brasileira, particularmente do interior, onde se pratica o ecoturismo e
o turismo de base comunitária, requer uma adequação na qualificação do guia aos
baixos níveis de escolaridade e ao difícil acesso aos cursos oficiais. Nos estados de
Goiás e Bahia desenvolveu-se na Chapada dos Veadeiros e Chapada Diamantina, a
categoria de Condutor de Visitante. A maioria dos condutores locais formaram as Cavas
(Associações dos Condutores de Visitantes). Os cursos foram realizados através de
parcerias com ONGs e governos municipais, estaduais e federais.
Como a atividade de Condutor de Turismo é regulamentada pelo Ministério do
Meio Ambiente, mas não é reconhecida pelo Ministério do Turismo, as associações de
condutores pressionaram e a EMBRATUR recomendou que os estados
regulamentassem os condutores locais. Em São Paulo, estes profissionais foram
reconhecidos como Monitores Ambientais enquanto que, na Bahia, a Bahiatursa está
com um projeto em mãos, visando regulamentar a atividade no território baiano,
engavetado há mais de cinco anos. As associações de condutores de visitantes da
Chapada Diamantina ainda lutam por este reconhecimento. Em Goiás e principalmente
na Chapada dos Veadeiros as Associações de Condutores de Visitantes são bastante
atuantes, garantindo a qualidade da capacitação e reciclagem dos condutores e a
segurança e a satisfação dos visitantes.
É altamente recomendado que os condutores formados se associem a uma
associação de condutores de sua região. Em Alto Paraíso existem a ACVCV –
Associação de Condutores de Visitantes da Chapada dos Veadeiros, com sede no
povoado de São Jorge, e a SERVITUR - Associação de Guias e Prestadores de Serviços
em Ecoturismo da Chapada Dos Veadeiros, na sede do município. Em Cavalcante
existem a ACECE – Associação de Condutores de Ecoturismo de Cavalcante e Entorno
e a Guia Kalunga Associação de Guias do Quilombo Kalunga, ambas localizadas na
sede do município.
11.4. Conclusões e Reflexões
Conduzir bem um grupo não é uma tarefa muito simples, como deu para
perceber ao longo deste curso. Exige conhecimento, experiência e sensibilidade.
Conduzir um grupo é muito mais do que levá-lo a algum lugar. É levar com
informação e segurança.
Conduzir grupos é uma profissão muito agradável, pelo contato com a natureza e
ao mesmo tempo, contato humano. Mas de muita responsabilidade também. Muitas
vezes a vida das pessoas está nas mãos do guia.
Para dar segurança é preciso ter uma sólida segurança própria e esta se adquire
estudando e principalmente, tendo experiências pessoais.
VOCÊ SE SENTE SEGURO PARA DAR SEGURANÇA A UM GRUPO DE
VISITANTES?
Reflita profundamente e responda honestamente para si, esta pergunta.
Caso você não se sinta ainda preparado para guiar uma excursão, não desanime.
Aprofunde-se no estudo dos conceitos e técnicas aqui abordados e comece
acompanhando outros grupos como auxiliar ou aprendiz. Discuta suas vivências com
seus colegas.
Mesmo guias experientes aprendem mais a cada caminhada. É muito importante
e bonito sermos humildes e reconhecer, se forem o caso, que precisamos aprender mais
antes de assumir uma grande responsabilidade. A vida retribuirá esse gesto com uma
evolução profissional gradual, sólida e cheia de boas lembranças. Do contrário,
assumindo responsabilidades sem estarmos preparados para tal, à vida pode nos
devolver surpresas indesejadas.
12. REFERÊNCIAS
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