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Introdução ao Raciocínio Lógico

O documento discute o raciocínio lógico e sua importância. (1) Define lógica como a ciência que estuda as leis e critérios de validade do pensamento e da demonstração; (2) Explica que usar a lógica requer domínio sobre o pensamento e saber pensar; (3) Argumenta que a lógica é importante para profissionais de TI para solucionar problemas de forma eficiente e eficaz.

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Janice Ferreira
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Introdução ao Raciocínio Lógico

O documento discute o raciocínio lógico e sua importância. (1) Define lógica como a ciência que estuda as leis e critérios de validade do pensamento e da demonstração; (2) Explica que usar a lógica requer domínio sobre o pensamento e saber pensar; (3) Argumenta que a lógica é importante para profissionais de TI para solucionar problemas de forma eficiente e eficaz.

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RACIOCÍNIO LÓGICO

Muitas pessoas gostam de falar ou julgar que possuem e sabem usar o raciocínio lógico,
porém,
quando questionadas direta ou indiretamente, perdem, esta linha de raciocínio, pois este
depende de inúmeros fatores para completá-lo, tais como:
calma,
conhecimento,
vivência,
versatilidade,
experiência,
criatividade,
ponderação,
responsabilidade, entre outros.

Ao nosso ver, para se usar a lógica é necessário ter domínio sobre o pensamento, bem como, saber
pensar, ou seja, possuir a "Arte de Pensar". Alguns dizem que é a seqüência coerente,
regular e necessária de acontecimentos, de coisas ou fatos, ou até mesmo, que é a
maneira de raciocínio particular que cabe a um indivíduo ou a um grupo. Existem outras definições que
expressam o verdadeiro raciocínio lógico aos profissionais de processamento de dados, tais como: um
esquema sistemático que define as interações de sinais no equipamento automático do processamento
de dados, ou o computador científico com o critério e princípios formais de raciocínio e pensamento.

Para concluir todas estas definições, podemos dizer que lógica é a ciência que estuda as leis e critérios
de validade que regem o pensamento e a demonstração, ou seja, ciência dos princípios
formais do raciocínio.

Usar a lógica é um fator a ser considerado por todos, principalmente pelos profissionais de informática
(programadores, analistas de sistemas e suporte), têm como responsabilidade dentro das organizações,
solucionar problemas e atingir os objetivos apresentados por seus usuários com eficiência e
eficácia, utilizando recursos computacionais e/ou automatizados. Saber lidar com
problemas de ordem administrativa, de controle, de planejamento e de raciocínio. Porém,
devemos lembrá-los que não ensinamos ninguém a pensar, pois todas as pessoas, normais
possuem este "Dom", onde o nosso interesse é mostrar como desenvolver e aperfeiçoar melhor
esta técnica, lembrando que para isto, você deverá ser persistente e praticá-la constantemente,
chegando à exaustão sempre que julgar necessário.

Ao procurarmos a solução de um problema quando dispomos de dados como um ponto de


partida e
temos um objetivo a estimularmos, mas não sabemos como chegar a esse objetivo temos um problema.
Se soubéssemos não haveria problema.

É necessário, portanto, que comece por explorar as possibilidades, por experimentar hipóteses,
voltar atrás num caminho e tentar outro. É preciso buscar idéias que se conformem à natureza do
problema, rejeitar aqueles que não se ajustam a estrutura total da questão e organizar-se.

Mesmo assim, é impossível ter certeza de que escolheu o melhor caminho. O pensamento tende a ir e vir
quando se trata de resolver problemas difíceis.

Mas se depois de examinarmos os dados chegamos a uma conclusão que aceitamos


como certa concluímos que estivemos raciocinando.

Se a conclusão decorre dos dados, o raciocínio é dito lógico.


Importante!
A prova deverá auferir do candidato, se o mesmo entende a estrutura lógica de relações arbitrárias entre
pessoas, lugares, coisas, ou eventos fictícios.

Entende-se por estruturas lógicas as que são formadas pela presença de proposições ou sentenças
lógicas (são aquelas frases que apresentam sentido completo, como por exemplo: Madalena é culpada).

Observe que a estrutura lógica vai ligar relações arbitrárias e, neste caso, nada deverá ser levado para a
prova a não ser os conhecimentos de Lógica propriamente dita, os concursandos muitas vezes caem em
erros como:

Se Luiza foi à praia então Rui foi pescar, ora eu sou muito amigo de uma Luiza e de um Rui e ambos
detestam ir à praia ou mesmo pescar, auto induzindo respostas absurdas.

Dessa forma, as relações são arbitrárias, ou seja, não importa se você conhece Luiza, Madalena ou Rui.
Não importa o seu conhecimento sobre as proposições que formam a frase, na
realidade pouco importam se as proposições são verdadeiras ou falsas. Quero dizer que o
seu conhecimento sobre a frase deverá ser arbitrário, vamos ver através de outro exemplo:

Todo cavalo é um animal azul


Todo animal azul é árvore
Logo Todo cavalo é árvore

Observe que podemos dizer que tem-se acima um argumento lógico, formado por três
proposições categóricas (estas têm a presença das palavras Todo, Algum e Nenhum), as
duas primeiras serão denominadas premissas e a terceira é a conclusão.

Observe que as três proposições são totalmente falsas, mas é possível comprovar que a conclusão é
uma conseqüência lógica das premissas, ou seja, que se considerar as premissas como verdadeiras, a
conclusão será, por conseqüência, verdadeira, e este argumento será considerado válido logicamente.

A arbitrariedade é tanta que na hora da prova pode ser interessante substituir as proposições por letras,
veja:

Todo A é B
Todo B é C
Logo Todo A é C

A arbitrariedade ainda se relaciona a pessoas, lugares, coisas, ou eventos fictícios.


Cobra-se nesse tipo de prova o ato de deduzir novas informações das relações fornecidas, ou seja, o
aspecto da Dedução Lógica poderá ser cobrado de forma a resolver as questões.

Sucesso e bons estudos.

Apostilas Cds Objetiva

Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou


eventos fictícios; deduzir novas informações das relações fornecidas e
avaliar as condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas
relações.

INTRODUÇÃO AO RACIOCÍNIO LÓGICO

Lógica é a ciência que trata dos princípios válidos do raciocínio e da argumentação. Seu estudo trata das
formas do pensamento em geral e das operações intelectuais que visam à determinação
do que é verdadeiro ou não, ou seja, um encadeamento coerente de alguma coisa
que obedece a certas convenções ou regras. Assim, o estudo da lógica é um esforço no sentido
de determinar as condições que permitem tirar de determinadas proposições (ponto ou idéia de
que se parte para estruturar um
raciocínio), também chamadas de premissas, uma conclusão delas derivada.

Conceitos Básicos sobre as Estruturas Lógicas

PROPOSIÇÕES

Chamaremos de proposição ou sentença, a todo conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um


pensamento de sentido completo.
Sendo assim, vejamos os exemplos:
a) O Instituto do Coração fica em São Paulo.
b) O Brasil é um País da América do Sul.
c) A Polícia Federal pertence ao poder judiciário.

Evidente que você já percebeu que as proposições podem assumir os valores falsos ou verdadeiros,
pois elas expressam a descrição de uma realidade, e também observamos que uma
proposição representa uma informação enunciada por uma oração, e, portanto, pode ser
expressa por distintas orações, tais como:
“Pedro é maior que Carlos”, ou podemos expressar também por “Carlos é menor que Pedro”.

Temos vários tipos de sentenças:


Declarativas
Interrogativas
Exclamativas
Imperativas

Leis do Pensamento

Vejamos algumas leis do pensamento para que possamos desenvolver corretamente o nosso pensar.

Princípio da Identidade. Se qualquer proposição é verdadeira, então, ela é verdadeira.


Princípio de Não-Contradição. Uma proposição não pode ser ao mesmo tempo verdadeira e falsa.

Princípio do Terceiro Excluído. Uma proposição só pode ser verdadeira ou falsa , não havendo
outra alternativa.
Sentenças Abertas. Quando substituímos numa proposição alguns componentes por variáveis,
teremos uma sentença aberta.

VALORES LÓGICOS DAS PROPOSIÇÕES

Valor lógico é a classificação da proposição em verdadeiro (V) ou falso (F), pelos princípios da
não-contradição e do terceiro excluído. Sendo assim, a classificação é única, ou seja, a proposição só
pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplos de valores lógicos:
r: O número 2 é primo. (Verdadeiro)
s: Marte é o planeta vermelho. (Verdadeiro)
t: No Brasil, fala-se espanhol. (Falso)
u: Toda ave voa. (Falso)
v: O número 3 é par. (Falso)
x: O número 7 é primo. (Verdadeiro)
z: O número 7 é ímpar. (Verdadeiro)

Somente às sentenças declarativas pode-se atribuir valores de verdadeiro ou falso, o que ocorre
quando a sentença é, respectivamente, confirmada ou negada. De fato, não se pode atribuir um valor de
verdadeiro ou falso às demais formas de sentenças como as interrogativas, as exclamativas e outras,
embora elas também expressem juízos.

São exemplos de proposições as seguintes sentenças declarativas:


O número 6 é par.
O número 15 não é primo.
Todos os homens são mortais.
Nenhum porco espinho sabe ler.
Alguns canários não sabem cantar.
Se você estudar bastante, então aprenderá tudo.
Eu falo inglês e francês.
Marlene quer um sapatinho novo ou uma boneca.

Não são proposições:


Qual é o seu nome?
Preste atenção ao sinal.
Caramba!

Proposição Simples

Uma proposição é dita proposição simples ou proposição atômica quando não contém qualquer outra
proposição como sua componente. Isso significa que não é possível encontrar como parte de uma
proposição simples alguma outra proposição diferente dela. Não se pode subdividi-la em partes menores
tais que alguma delas seja uma nova proposição.

Exemplo:
A sentença “Carla é irmã de Marcelo” é uma proposição simples, pois não é possível identificar como
parte dela qualquer outra proposição diferente. Se tentarmos separá-la em duas ou mais partes menores
nenhuma delas será uma proposição nova.

Proposição Composta

Uma proposição que contenha qualquer outra como sua parte componente é dita proposição composta
ou proposição molecular. Isso quer dizer que uma proposição é composta quando se pode extrair como
parte dela, uma nova proposição.

SENTENÇAS ABERTAS

Sentenças matemáticas abertas ou simplesmente sentenças abertas são expressões que não podemos
identificar como verdadeiras ou falsas.
Por exemplo: x + 2 = 9

Essa expressão pode ser verdadeira ou falsa, dependendo do valor da letra x.


Se x for igual a 7, a sentença é verdadeira, pois 7+2=9
Se x for igual a 3, a sentença é falsa, pois 3 + 2 não é igual a 9 (3 + 2 ≠ 9)

Em sentenças abertas sempre temos algum valor desconhecido, que é representado por uma letra do
alfabeto. Pode-se colocar qualquer letra, mas as mais usadas pelos matemáticos são: x, y e z.

Veja outros exemplos de sentenças abertas:


x+3 ≠ 6
2y -1 < - 7

Pode-se, também, ter uma sentença aberta como proposição, porém nesse caso não é possível atribuir
um valor lógico.
x é um y brasileiro.

Nessa proposição b, o valor lógico só pode ser encontrado se soubermos quem é x e y (variáveis livres).
No caso de x igual a Roberto Carlos e y igual a cantor, a proposição será verdadeira.

Já no caso de x igual a Frank Sinatra e y igual a cantor, a proposição será falsa.

Portanto, é muito comum na resolução de problemas matemáticos, trocar-se alguns nomes por variáveis.

Estude os valores lógicos da sentença aberta: "Se 10x - 3 = 27 então x2 + 10x = 39"

Resolução:
Equação do primeiro grau: As equações do primeiro grau possuem uma única solução:
10x - 3 = 27
10x = 27 + 3
10x = 30
x = 30
10
x=3

CONECTIVOS LÓGICOS

Chama-se conectivo a algumas palavras ou frases que em lógica são usadas para formarem proposições
compostas.
Veja alguns conectivos:
A negação não cujo símbolo é ~.
A disjunção ou cujo símbolo é v.
A conjunção e cujo símbolo é ^
O condicional se,....., então, cujo símbolo é -- >.
O bicondicional se, e somente se, cujo símbolo é < - >.
Exemplo:
A sentença “Se x não é maior que y, então x é igual a y ou x é menor que y” é uma proposição
composta na qual se pode observar alguns conectivos lógicos (“não”, “se ... então” e “ou”) que estão
agindo sobre as proposições simples “x é maior que y”, “x é igual a y” e “x é menor que y”.

Uma propriedade fundamental das proposições compostas que usam conectivos lógicos é que o seu
valor lógico (verdadeiro ou falso) fica completamente determinado pelo valor lógico de cada proposição
componente e pela forma como estas sejam ligadas pelos conectivos lógicos utilizados.
As proposições compostas podem receber denominações especiais, conforme o conectivo lógico usado
para ligar as proposições componentes.

Conjunção: A e B

Denominamos conjunção a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que estejam
ligadas pelo conectivo “e”.
A conjunção A e B pode ser representada simbolicamente como: A ^ B

Exemplo:
Dadas as proposições simples:
A: Alberto fala espanhol.
B: Alberto é universitário.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a conjunção ”A


^ B” corresponderá à interseção do conjunto A com o conjunto B. A ∩ B.

Uma conjunção é verdadeira somente quando as duas proposições que a compõem forem verdadeiras,
Ou seja, a conjunção
”A ^B” é verdadeira somente quando A é verdadeira e B é verdadeira também. Por isso dizemos que a
conjunção exige a simultaneidade de condições.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da conjunção “A e B” para


cada um dos valores que A e B podem assumir.

Disjunção: A ou B

Denominamos disjunção a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que estejam
ligadas pelo conectivo “ou”.
A disjunção A ou B pode ser representada simbolicamente como: A v B

Exemplo:
Dadas as proposições simples:
A: Alberto fala espanhol.
B: Alberto é universitário.

A disjunção “A ou B” pode ser escrita como:


A v B: Alberto fala espanhol ou é universitário.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a disjunção “A v


B” corresponderá à união do conjunto A com o conjunto B.

Uma disjunção é falsa somente quando as duas proposições que a compõem forem falsas. Ou seja, a
disjunção “A ou B” é falsa somente quando A é falsa e B é falsa também. Mas se A for verdadeira ou se
B for verdadeira ou mesmo se ambas, A e B, forem verdadeiras, então a disjunção será verdadeira. Por
isso dizemos que, ao contrário da conjunção, a disjunção não necessita da simultaneidade de condições
para ser verdadeira, bastando que pelo menos uma de suas proposições componentes seja verdadeira.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da disjunção “A ou B” para


cada um dos valores que A e B podem assumir.

Condicional: Se A então B

Denominamos condicional a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que estejam
ligadas pelo conectivo “Se ... então” ou por uma de suas formas equivalentes.
A proposição condicional “Se A, então B” pode ser representada simbolicamente como:

Exemplo:
Dadas as proposições simples:
A: José é alagoano.
B: José é brasileiro.

A condicional “Se A, então B” pode ser escrita como:


A → B: Se José é alagoano, então José é brasileiro.

Na proposição condicional “Se A, então B” a proposição A, que é anunciada pelo uso da conjunção “se”,
é denominada condição ou antecedente enquanto a proposição B, apontada pelo advérbio “então” é
denominada conclusão ou conseqüente.
As seguintes expressões podem ser empregadas como equivalentes de “Se A, então B”:
Se A, B.
B, se A.
Todo A é B.
A implica B.
A somente se B.
A é suficiente para B.
B é necessário para A.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos, por meio de um diagrama, a proposição


condicional "Se A então B" corresponderá à inclusão do conjunto A no conjunto B (A está contido em
B):

Uma condicional “Se A então B” é falsa somente quando a condição A é verdadeira e a conclusão B é
falsa, sendo verdadeira em todos os outros casos. Isto significa que numa proposição condicional, a
única situação que não pode ocorrer é uma condição verdadeira implicar uma conclusão falsa.

Na tabela-verdade apresentada a seguir podemos observar os resultados da proposição condicional “Se


A então B” para cada um dos valores que A e B podem assumir.
Bicondicional: A se e somente se B

Denominamos bicondicional a proposição composta formada por duas proposições quaisquer que
estejam ligadas pelo conectivo “se e somente se”.
A proposição bicondicional “A se e somente se B” pode ser representada simbolicamente
como:

Exemplo:
Dadas as proposições simples:
A: Adalberto é meu tio.
B: Adalberto é irmão de um de meus pais.

A proposição bicondicional “A se e somente se B” pode ser escrita como:


A ↔ B: Adalberto é meu tio se e somente se Adalberto é irmão de um de meus pais.
Como o próprio nome e símbolo sugerem, uma proposição bicondicional “A se e somente se B” equivale
à proposição composta “se A então B”.

Podem-se empregar também como equivalentes de “A se e somente se B” as seguintes expressões:


A se e só se B.
Todo A é B e todo B é A.
Todo A é B e reciprocamente.
Se A então B e reciprocamente.
A somente se B e B somente se A.
A é necessário e suficiente para B.
A é suficiente para B e B é suficiente para A. B
é necessário para A e A é necessário para B.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos através de um diagrama, a proposição


bicondicional “A se e somente se B” corresponderá à igualdade dos conjuntos A e B.

A proposição bicondicional “A se e somente se B” é verdadeira somente quando A e B têm o mesmo


valor lógico (ambas são verdadeiras ou ambas são falsas), sendo falsa quando A e B têm valores
lógicos contrários.

Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da proposição bicondicional


“A se e somente se B” para cada um dos valores que A e B podem assumir.

Negação: Não A

Dada uma proposição qualquer A denominamos negação de A à proposição composta que se obtém a
partir da proposição A acrescida do conectivo lógico “não” ou de outro equivalente.
A negação “não A” pode ser representada simbolicamente como: ~A

Podem-se empregar, também, como equivalentes de “não A” as seguintes expressões:


Não é verdade que A.
É falso que A.

Se a proposição A for representada como conjunto através de um diagrama, a negação “não A”


corresponderá ao conjunto complementar de A.

Uma proposição A e sua negação “não A” terão sempre valores lógicos opostos.
Na tabela-verdade, apresentada a seguir, podemos observar os resultados da negação “não A” para
cada um dos valores que A pode assumir.

A TABELA-VERDADE

Da mesma forma que as proposições simples podem ser verdadeiras ou falsas,


as proposições compostas podem também ser verdadeiras ou falsas. O valor-verdade de uma
expressão que representa uma proposição composta depende dos valores-verdade das subexpressões
que a compõem e também
a forma pela qual elas foram compostas.

As tabelas-verdade explicitam a relação entre os valores-verdade de uma expressão


composta em termos dos valores-verdade das subexpressões e variáveis que a compõem.

Na tabela abaixo, encontra-se todos os valores lógicos possíveis de uma proposição


composta correspondente das proposições simples abaixo:
p: Claudio é estudioso.
q: Ele passará no concurso.

TEOREMA DO NÚMERO DE LINHA DA TABELA-VERDADE

A tabela-verdade lista todas as possíveis combinações de valores-verdade V e F para as variáveis


envolvidas na expressão cujo valor lógico deseja-se deduzir. A tabela-verdade de uma proposição
composta com n proposições simples componentes contém linhas. Ou seja, cada proposição simples
tem dois valores V ou F, que se excluem. Para n proposição simples (atômicas) distintas, há tantas
possibilidades quantos são os arranjos com repetição de (V e F) elementos n a n. Segue-se que o
número de linhas da tabela-verdade é . Assim para duas proposições são 4 linhas; para três proposições
são 8; etc.

Então, para se construir uma tabela-verdade procede-se da seguinte maneira:


1) Determina-se o número de linhas da tabela-verdade que se quer construir;

2} Observa-se a procedência entre os conectivos, isto é, determina-se a forma das proposições que
ocorrem no problema.

3) Aplicam-se as definições das proposições lógicas que o problema exigir.

OPERAÇÕES SOBRE AS PROPOSIÇÕES E SUA TABELA-VERDADE


Uma série de operações é realizada quando so analisam as proposições e seus respectivos conectivos.

a) Negação ( ~)

A negação de uma proposição p, indicada por ~p (Iê--se: "não p) é, por definição, a proposição que é
verdadeira ou falsa conforme p é falsa ou verdadeira, de maneira que se p é verdade então ~p é falso,
e vice-versa. Os possíveis valores lógicos para a negação são dados pela tabela-verdade abaixo:

p: Antonio é estudioso.
~p: Antonio não é estudioso.

b) Conjunção ( ^ )
A conjunção de duas proposições p e q, indicada por p /\ q (lê-se: "p e q") é, por definição, a proposição
que é verdadeira só quando o forem as proposições componentes. A tabela-verdade para a conjunção de
duas proposições é dada a seguir:

c) Disjunção ( v )
A disjunção de duas proposições p e q, indicada por p v q (lê-se: "p ou q"), é, por definição, a proposição
que é verdadeira sempre que pelo menos uma das proposições componentes o for.
A tabela-verdade para a disjunção de duas proposições é dada a seguir:

p v q: Antonio é estudioso ou ele passará no concurso.

d) Disjunção exclusiva ( v )

A disjunção de duas proposições p e q, indicada por p v q (lê-se: "ou p ou q", mas não ambos), é, por
definição, a proposição que é verdadeira sempre que a outra for falsa.
A tabela verdade para a disjunção exclusiva de duas proposições é dada a seguir.

pvq; ou Antonio é estudioso ou ele passará no concurso (mas não ambos).

e) Condicional ( → )

A proposição condicional, indicada por p → q (lê-se: "Se p então q") é, por definição, a proposição que é
falsa quando p é verdadeira e q falsa, mas ela é verdadeira nos demais casos. A tabela-verdade para a
proposição condicional é dada a seguir:

p → q: Se Antonio é estudioso, então ele passará no concurso.

f) Bicondicional (p ↔ q )

A proposição bicondicional, indicada por p ↔ q (lê-se: "p se e somente se q") é, por definição, a
proposição que é verdadeira somente quando p e q têm o mesmo valor lógico. A tabela-verdade para a
proposição bicondicional é dada a seguir:
p ↔ q: Antonio é estudioso se e somente se ele passar no concurso.
Ou seja, p é condição necessária e suficiente para q.

TAUTOLOGIA

A palavra Tautologia é formada por 2 radicais gregos: taut (o) – o que significa “o mesmo” e -logia que
significa “o que diz a mesma coisa já dita”. Para a lógica, a Tautologia é uma proposição analítica que
permanece sempre verdadeira, uma vez que o atributo é uma repetição do sujeito, ou seja, o uso de
palavras diferentes para expressar uma mesma idéia; redundância, pleonasmo.

Exemplo: O sal é salgado

Uma proposição composta formada pelas proposições A, B, C, ... é uma tautologia se ela for sempre
verdadeira, independentemente dos valores lógicos das proposições A, B, C, ... que a compõem.

Exemplo:
A proposição “Se (A e B) então (A ou B)” é uma tautologia, pois é sempre verdadeira,
independentemente dos valores lógicos de A e de B, como se pode observar na tabela-verdade abaixo:

CONTRADIÇÃO

A contradição é uma relação de incompatibilidade entre duas proposições que


não podem ser simultaneamente verdadeiras nem simultaneamente falsas, por
apresentarem o mesmo sujeito e o mesmo predicado, mas diferirem ao mesmo tempo em
quantidade e qualidade.

Exemplo: Todos os homens são mortais e alguns homens não são mortais.

Há uma relação de incompatibilidade entre dois termos em que a afirmação de um implica a negação do
outro e reciprocamente.

Uma proposição composta P (p, q, r, ...) é uma contradição se P (p, q, r, ... ) tem valor lógico F quaisquer
que os valores lógicos das proposições componentes p, q, r, ..., , ou seja, uma contradição conterá
apenas F na última coluna da sua tabela-verdade.

Exemplo: A proposição "p e não p", isto é, p ^ (~p) é uma contradição. De fato, a tabela-verdade de p ^
(~p) é:

O exemplo acima mostra que uma proposição qualquer e sua negação nunca poderão ser
simultaneamente verdadeiros ou simultaneamente falsos.

Como uma tautologia é sempre verdadeira e uma contradição sempre falsa, tem-se que:
a negação de uma tautologia é sempre uma contradição
enquanto
a negação de uma contradição é sempre uma tautologia

CONTINGÊNCIA

Chama-se Contingência toda a proposição composta em cuja última coluna de sua tabela-verdade
figuram as letras V e F cada uma pelo menos vez. Em outros termos, contingência é toda proposição
composta que não é tautologia nem contradição.
As Contingências são também denominadas proposições indeterminadas.

A proposição "se p então ~p", isto é, p → ( ~p) é uma contingência. De fato, a tabela-verdade de p

( ~p) é:

Resumidamente temos:
Tautologia contendo apenas V na última coluna da sua tabela-verdade;
Contradição contendo apenas F na última coluna da sua tabela-verdade;
Contingência contendo apenas V e F na última coluna da sua tabela-verdade.

Proposições Logicamente Equivalentes

Dizemos que duas proposições são logicamente equivalentes ou simplesmente equivalentes quando são
compostas pelas mesmas proposições simples e suas tabelas-verdade são idênticas. Uma conseqüência
prática da equivalência lógica é que ao trocar uma dada proposição por qualquer outra que lhe seja
equivalente, estamos apenas mudando a maneira de dizê-la.

Da definição de equivalência lógica pode-se demonstrar as seguintes equivalências:

Leis associativas:

Leis distributivas:

Lei da dupla negação:

Equivalências da Condicional

Negação de Proposições Compostas

Um problema de grande importância para a lógica é o da identificação de proposições equivalentes à


negação de uma proposição dada. Negar uma proposição simples é uma tarefa que não oferece grandes
obstáculos. Entretanto, podem surgir algumas dificuldades quando procuramos identificar a negação de
uma proposição composta.
Como vimos anteriormente, a negação de uma proposição deve ter sempre valor lógico oposto ao da
proposição dada. Deste modo, sempre que uma proposição A for verdadeira, a sua negação não A deve
ser falsa e sempre que A for falsa, não A deve ser verdadeira.
Em outras palavras, a negação de uma proposição deve ser contraditória com a proposição dada.

A tabela abaixo mostra as equivalências mais comuns para as negações de algumas proposições
compostas:

Proposição Negação Direta Equivalente da Negação

Compreensão e elaboração da lógica das situações por meio de: raciocínio


verbal; raciocínio seqüencial; orientação espacial e temporal; formação de
conceitos; discriminação de elementos.
As funções intelectuais são constituídas por alguns raciocínios como: verbal, numérico,
abstrato e espacial. Essas relações contribuem para a compreensão e elaboração do
processo lógico de uma situação, através da formação de conceitos e discriminação de elementos.

Raciocínio Verbal
Definição: Trata-se da capacidade que possuímos para expressar as idéias utilizando símbolos verbais
para organizar o pensamento e estabelecer relações abstratas entre conceitos verbais.
As questões relativas ao raciocínio verbal são apresentadas sob a forma de analogias. Após a percepção
da relação entre um primeiro par de palavras, deve-se encontrar uma quarta palavra que
mantenha relação com uma terceira palavra apresentada.

Exemplos:

1) Quarto está para Casa, como Capítulo está para:


a) Dicionário b) Leitura c) Livro d) Jornal e) Revista

Resposta é a C: Livro.

2) Homem está para Menino, como Mulher está para :


a) Senhora
b) Menina
c) Jovem
A resposta é Menina.
Os homens na infância são chamados de meninos e as mulheres de meninas.

3) Presidente está para o país assim como o Papa está para:


a) Igreja
b) Templo
c) Mundo
d) Missa
e) Europa

A resposta é Igreja.
O presidente é o representante do país assim como o Papa é o representante da Igreja.

4) Pelé está para o futebol assim como Michael Jordan está para:
a) Handball
b) Vôlei
c) Gol
d) Basquete
e) Automobilismo

A resposta é Basquete.
Pe!é foi o maior jogador de futebol de todos os tempos e assim como Michael Jordan foi o de basquete.

Raciocínio Numérico (Matemático e Sequencial)


Definição: É a capacidade de compreender problemas que utilizam operações que envolvam números,
bem como o domínio das operações aritméticas básicas.
As questões relativas a raciocínio numérico são apresentadas sob a, forma de sequência de números.
Deve-se, encontrar a lei de formação da sequência para dar continuidade a mesma.

Exemplos:
1) Escreva o próximo termo da seqüência:
1 2 3 4 5 6 ?

A resposta é 7. Essa é a seqüência dos números naturais.

2) Escreva o próximo termo da seqüência:


2 4 6 8 10 12 14 ?

A resposta é 16. Essa é a seqüência dos números pares.

3) Escreva o próximo termo da seqüência:


1 2 4 8 16 32 ?

A resposta é 64. A lei de formação da seqüência é dada pelo dobro do número anterior, perceba que o
segundo número é o dobro do primeiro e o terceiro o dobro do segundo e assim por
diante, então o próximo número será o dobro de 32, ou seja, 64.

4) Escreva o próximo termo da seqüência:


0 1 4 9 25 36 ?

A resposta é 49. A lei de formação dessa sequência é a multiplicação do número por ele mesmo,
perceba:
0x0=0
1x1=1
2x2=4
3x3=9
4 x 4 = 16
5 x 5 = 25
6 x 6 = 36
7 x 7 = 49

Pode-se dizer também que a lei de formação é elevar o número ao quadrado, alias elevar o número ao
quadrado é o mesmo que multiplica ele por ele mesmo.

Raciocínio Abstrato
Definição: É a capacidade de compreender e estabelecer relações entre objetos e similares, comparando
símbolos, idéias e conceitos.

As questões relativas a raciocínio abstrato exigem a análise de certa relação de figuras, objetos, etc.

Exemplos:

1) Qual das cinco representa a melhor comparação ?

está p ara a ssim com o e stá para:

a) b) c) d) e)

A resposta é C.
Inicialmente temos um círculo dividido em duas partes, então o quadrado também deve ser dividido em
duas partes.

2) Qual das cinco se parece menos com as outras quatro?

a) b) c) d) e)

A resposta é D. Todas as figuras são compostas por segmentos retos, exceto o círculo.

Raciocínio Espacial
Definição: É a aptidão para visualizar relações de espaço, de dimensão, de posição e de direção, bem
como julgar visualmente formas geométricas.

Exemplos:

1) Os quadrados abaixo têm todos o mesmo tamanho.

I II III IV V
Em qual deles a região sombreada tem a maior área?
a) I b) II c) III d) IV e) V

A resposta é E.
Na opção I o quadrado está dividido em quatro triângulos iguais, de modo que a
área da região
sombreada é a metade da área do quadrado, Na opção II, a diagonal divide o
quadrado em dois triângulos iguais, e outra vez a área da região sombreada é metade da área do
quadrado. Na opção III o triângulo sombreado tem área menor do que o triângulo sombreado
da Opção II, ou seja, menor que metade da área do quadrado. Na opção IV, observamos na
figura ao lado que a perpendicular MN ao segmento AB divide o quadrado nos pares de triângulos
iguais AMN, ADN e BMN, BCN; segue mais uma vez que a área da região sombreada é metade da
área do quadrado. Finalmente, a área do triângulo sombreado na opção V é maior do que a área do
triângulo sombreado da opção II, ou seja, é maior do que metade da área do quadrado.

Comentário: observamos que na opção IV o ponto N não precisa ser o ponto médio do lado CD. De fato,
o argumento usado acima para analisar essa opção não depende da posição de N ao longo de CD.

2) Cinco discos de papelão foram colocados um a um sobre uma mesa, conforme mostra a figura.
Em que ordem os discos foram colocados na mesa?

a) V,R,S,U,T
b) U,R,V,S,T
c) R,S,U,V,T
d) T,U,R,V,S
e) V,R,U,S,T

A resposta é a A .
Na figura vê-se que V está abaixo de R, que está abaixo de S, que está abaixo de U, que está abaixo de
T. Logo a ordem em que os discos foram colocados sobre a mesa é V, R, S, U, T.

Formação de Conceitos
O conceito, é uma idéia (só existe no plano mental) que identifica uma classe de objetos singulares. Tal
identificação se dá através da criação do “objeto generalizado” da respectiva classe, o qual é
definido pelo conjunto dos atributos essenciais dessa classe e corresponde a cada um dos objetos
singulares nela incluídos, não se identificando, contudo, com qualquer um deles especificamente. O
objeto generalizado preserva, apenas, os atributos essenciais para a inclusão dos objetos singulares no
conceito.

Em muitos casos, os conceitos são associados a palavras ou expressões especiais que os designam.

Exemplo
Palavras e expressões associadas a conceitos: “caderno”; “livro”; “escola”; “céu”; “amor”; “felicidade”;
“política”; “família”; “linha poligonal”; “equação”; “equação do terceiro grau” ...

Notemos que em alguns conceitos são mais evidentes as mediações de fatores alheios aos mesmos que
alteram seus significados originais, interferindo mesmo em sua essência. Assim, “amor” e “política”, por
exemplo, embora sejam valores sociais de grande relevância adquiriram sentidos bem diferentes dos
originais, sofrendo, de certa forma, uma “desvalorização” ao longo de um processo de deterioração
marcado pela sua vulgarização ou pela sua prostituição.

Notemos, também, que as expressões que designam os conceitos referem-se ao respectivo objeto
generalizado. Quando alguém diz: “vou comprar um caderno”, não está se referindo a um objeto singular,
isto é, a um caderno específico, mas ao objeto generalizado. Na verdade, o objeto singular – o caderno
que efetivamente será comprado – ainda será escolhido. Da mesma forma, quando alguém diz “vou à
praia”, tanto pode ir à praia de Copacabana, como à de Ipanema ou da Barra da Tijuca, que são, esses
sim, objetos singulares.

Exemplo
Outras palavras e expressões que designam conceitos:
1) lápis
2) relógio
3) cadeira
4) avião
5) livro
6) função quadrática
7) figura geométrica
8) integral

Notemos que os três últimos não fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas, sendo construídos
através do processo científico que ocorre, em geral, na escolaridade formal. Os demais estão
assimilados pela cultura geral e sua compreensão se dá a nível social e através do conhecimento
espontâneo.
O conceito apresenta em sua estrutura o “volume” e o “conteúdo”, estando associado a uma expressão
gestual, gráfica ou idiomática que o designa.

O volume do conceito é o conjunto de todos os objetos singulares nele incluídos e o conteúdo do


conceito é sua expressão no plano material e se apresenta numa linguagem idiomática, gráfica ou
gestual, articulando de modo conjugado todos os atributos essenciais do respectivo objeto generalizado.
O conteúdo do conceito se apresenta na forma de uma expressão que articula de modo conjugado todos
os atributos essenciais da respectiva classe; manifesta seu volume e seu conteúdo e identifica o
respectivo objeto generalizado.

Exemplo
a) O volume do conceito “caderno” é o conjunto de todos os cadernos
b) O volume do conceito “tigre” é o conjunto de todos os tigres

Exemplo
a) A expressão “substância cuja molécula é constituída por um átomo de oxigênio e dois átomos de
hidrogênio” corresponde ao conteúdo de um conceito comumente designado pela palavra “água”.
b) A expressão “número real inteiro não negativo” é o conteúdo de um conceito muito usado na aritmética
e conhecido por “número natural”.
c) A expressão: “Homem que “forneceu” o espermatozóide que fecundou o óvulo que deu origem ao
jovem José Pedro Guimarães” é o conteúdo do conceito “pai do jovem José Pedro Guimarães.

Exemplo
São exemplos de objetos singulares:
a) Caneta que meu pai utilizou para assinar o contrato de seu primeiro casamento
b) Sapato que estou calçando agora no pé esquerdo
c) Número inteiro maior do que 5 e menor do que 7

Um conceito pode ser formado em distintos graus de generalização, desde o conceito singular que
corresponde a um objeto específico - concreto ou abstrato - até o conceito generalizado (no grau de
máxima generalização), passando por graus intermediários de generalização, correspondentes a
subclasses do respectivo gênero, nas quais se incluem alguns e se excluem outros objetos. Os atributos
essenciais são definidos para cada grau de generalização e o volume de um conceito está contido no
volume de outro conceito de maior grau de generalização.

Exemplo
Conceito singular: “o cachorro do Jorge que mordeu o vizinho ontem”
Conceito generalizado: “Alberto não gosta de cachorro”.
Conceito com grau intermediário de generalização: “ Pedro gosta de cachorro marrom”

No caso do conceito singular apresentado, os atributos presentes (relativos ao conceito ‘cachorro’) são:
1) ser do Jorge; 2) ter mordido o vizinho ontem. Ambos os atributos são qualidades, pois não fazem
parte dp cachorro (objeto singular).

A presença do atributo “ter mordido o vizinho ontem”, indica que:


a) Jorge tem mais de um cachorro;
b) Algum outro cachorro de Jorge mordeu o vizinho em algum dia distinto de ‘ontem’;
c) Somente um cachorro de Jorge mordeu o vizinho ‘ontem’.

Exemplo

Classificação (isto é, a separação em subclasses) do conceito “ser vivo”:

Notemos que em cada grau de generalização as subclasses correspondem a conceitos contraditórios em


relação à classe anterior e que no sétimo grau de generalização ainda não se chegou
ao conceito singular.

Notemos, também, que na passagem de um grau de generalização para outro menor é escolhido
um critério e dentro dele um atributo. Na passagem do segundo para o terceiro grau de
generalização, o critério foi a “natureza do intelecto” e o atributo escolhido foi “ser racional”. Poderia
ter sido escolhido o critério “natureza do corpo do animal” e o atributo poderia ter sido “ser vertebrado”.

Nesse exemplo, os critérios e os atributos correspondentes, foram:

(1) a palavra “ser” é substantivo e não verbo


(2) a palavra “ser” é verbo e não substantivo

Quando tratamos de um conceito singular, consideramos todos os atributos que identificam o objeto bem
determinado e que o separam de todos os demais da classe a que pertence. Quando se trata de conceito
generalizado em grau intermediário – correspondente a uma subclasse do gênero - são descartados os
atributos peculiares dos objetos individualizados e aqueles específicos a qualquer outra subclasse, sendo
considerados apenas os atributos essenciais à identificação da classe respectiva. Quando se
trata de conceito generalizado em grau máximo, são preservados apenas os atributos
essenciais a todos os objetos que se incluem no conceito, abstraindo os atributos específicos a
qualquer subclasse e aqueles que identificam um único objeto ou um grupo de objetos
singulares, isto é, permanecem apenas as propriedades do objeto generalizado.

Exemplo
Apresentamos abaixo uma seqüência de conceitos em ordem decrescente de graus de generalização:
a) caderno
b) caderno vertical
c) caderno vertical com pauta
d) caderno vertical com espiral com pauta
e) caderno vertical com espiral com pauta e capa dura
Notemos que “caderno horizontal“ é um conceito com mesmo grau de generalização do que
“caderno vertical”, o mesmo acontecendo com os conceitos “caderno vertical com pauta” e “caderno
vertical sem pauta”.

Notemos, ainda, que a relação entre o grau de generalização e o número de atributos


essenciais do conceito é inversa, isto é, quanto mais atributos essenciais, menor é o grau de
generalização.

O conteúdo de um conceito, exceto para aquele de grau de generalização máximo, é expresso a partir do
conceito de grau de generalização imediatamente superior.

Existe uma estreita relação entre a elaboração teórica (no plano mental) de uma idéia e sua expressão
concreta (no plano material), a qual se dá através de uma linguagem apropriada (escrita, falada, gestual
ou gráfica), de tal modo que uma coisa não se concretiza plenamente sem a outra. Em
conseqüência disso, o conhecimento somente está construído quando elaborado no
plano mental e expresso adequadamente no plano material.

No caso do conhecimento científico, isto é, aquele construído através do processo


científico, se usa comumente a linguagem idiomática conjugada com uma linguagem específica ao
contexto: (linguagem jurídica, linguagem policial. Linguagem matemática), havendo, também,
o uso da linguagem gráfica (desenho, esboço, gráfico, tabela). Como existe uma
correspondência intrínseca entre a idéia (plano mental) e a linguagem (sua expressão no plano
material), esta deve ser adequada àquela, sob pena de comprometer o conhecimento construído.

Exemplo
a) A mala do Alberto está tão pesada que parece que vai estourar
b) Todo dia viajo com a “mala” do Alberto.

A formação do conceito generalizado

Em geral, a construção de um conceito – Isto é, a aprendizagem – começa no plano


material com a observação de objetos singulares incluídos no conceito, os quais são
conhecidos através de seus atributos sensorialmente percebidos. Em seguida, tal
conhecimento passa ao plano mental sob a mediação de um signo, que pode ser uma palavra,
uma expressão ou algum outro elemento material que assume a função de “nome” do objeto e
depois se confunde com o próprio. O conhecimento de um número adequado de objetos
singulares incluídos num mesmo conceito possibilita que a separação dos atributos comuns e depois
dos essenciais, o que ocorre no plano mental e, muitas vezes, de modo inconsciente.
Esse processo possibilita a construção do conceito num primeiro grau de generalização e o signo que
antes correspondia particularmente a um dos objetos singulares observados, passa a
identificar qualquer um deles e, numa fase seguinte, passa a corresponder ao conjunto de tais objetos,
isto é, designa o objeto generalizado correspondente ao tal conjunto.

Quando o número de objetos da “família” conhecidos é suficientemente grande para a identificação de


todos os atributos essenciais, torna-se possível alcançar o maior grau de generalização, descartando-se
os atributos não essenciais. Nesse ponto, a “família” passa a ser o “gênero” e o signo que a identifica
passa a corresponder ao objeto generalizado, abstrato, que só existe no plano mental
e não mais corresponde a qualquer um dos objetos singulares, ainda que tal signo
continue a ser utilizado como referência a cada um deles em particular.

O conceito não apenas identifica o objeto generalizado ao qual se refere mas se identifica
com ele e corresponde à internalização mental do conjunto dos objetos singulares ao qual se
refere. Os objetos singulares que inicialmente são conhecidos sensorialmente e depois
através da mediação simbólica, pouco a pouco vão se fundindo num único objeto
abstrato, generalizado, que se transforma numa imagem mental que substitui sua forma material
ou materializada.

Relações entre conceitos


As relações existentes entre os objetos singulares se apresentam igualmente entre os conceitos que os
incluem, variando desde muito remotas a muito próximas. Essas relações podem existir em função de
circunstâncias (factuais, temporais, espaciais, funcionais, etc...) e podem existir em função
de nexos lógicos entre os objetos. No primeiro caso estão: lápis e caderno; automóvel e
rua; ar e avião. No segundo caso estão: retângulo e quadrado; homem e
mulher; cachorro e gato. As relações circunstanciais sempre podem existir, quaisquer que
sejam os objetos, enquanto que as relações lógicas
só existem, em geral, entre objetos que se incluem em algum conceito comum a ambos.

Exemplo
Relações não lógicas (circunstanciais, factuais, temporais, etc.)
1) Estar na mesma sala (um azulejo e um livro)
2) Apresentar a letra x (a palavra “xícara” e a expressão “ax+b”
3) Ser usado para alcançar um objeto no alto (uma pedra e uma escada)
4) Terem sido comprados no mesmo dia (um martelo e um revolver)
5) Apresentar o numeral 2 (a equação “2x+3=0” e a quantia “R$27,00”)

Exemplo
Relações lógicas
1) Ser “ser humano” (duas pessoas distintas)
2) Ser talher (garfo e faca)
3) Ser equação do primeiro grau (2x + 3 = 0 e 5x – 7 = 0)
4) Ser grandeza vetorial (velocidade e força)

Conceitos comparáveis e incomparáveis

Em função dos nexos lógicos entre os objetos que incluem, os conceitos podem ser classificados como
comparáveis ou incomparáveis, conforme existam ou não existam tais nexos, respectivamente. Devido à
natureza relativa, quanto à intensidade, dos nexos lógicos eventualmente existentes entre
os objetos incluídos em conceitos distintos, a classificação dos conceitos como comparáveis ou
incomparáveis não pode ser considerada de modo absoluto. Assim, pode-se considerar que quanto
mais fortes forem tais nexos, mais os conceitos são comparáveis e quanto mais fracos o forem, mais
eles são incomparáveis. Regra geral, os conceitos comparáveis identificam subclasses de
uma classe identificada por um conceito de maior grau de generalização, o que não ocorre com os
conceitos incomparáveis.

Exemplo
“Homem” e “mulher”, são conceitos comparáveis: apresentam nexos lógicos fortes revelados pelo fato de
que identificam subclasses da classe identificada pelo conceito “ser humano”. Da mesma forma, “ouro” e
“ferro” são conceitos comparáveis: correspondem a subclasses do conceito “metal”.

Exemplo
“Planta” e “raiva” são conceitos não comparáveis: não existem nexos lógicos entre eles,
o que se expressa pelo fato de não corresponderem a subclasses de um mesmo conceito.

Observação:
a) As sentenças “os conceitos A e B identificam subclasses de uma mesma classe
identificada pelo conceito X”, “os conceitos A e B são subordinados ao conceito X” e “os volumes
dos conceitos A e B estão contidos no volume do conceito X”, são equivalentes.
b) Na linguagem corrente, o conceito é “confundido” com a classe que ele identifica. Isso é aceitável,
sendo a distinção assegurada pelo contexto ou explicitada no texto.

Compreensão do processo lógico que, a partir de um conjunto de


hipóteses, conduz, de forma válida, a conclusões determinadas.
PROCESSO LÓGICO - HIPÓTESES E CONCLUSÃO

Lógica e Argumentação

Na estrutura do raciocínio lógico se distingue como elemento central o argumento, que


consiste na articulação do conjunto de premissas de modo a justificar a conclusão.

As proposições somente podem ser designadas como premissa ou como conclusão no contexto de um
argumento e as designações em um argumento podem ser diferentes em outro. Assim, uma proposição
pode ser conclusão num argumento e premissa em outro.

Sabe-se que o objetivo da lógica consiste no estudo das formas de argumentação válidas,
pois ela estuda e sistematiza a validade ou invalidade da argumentação.

Dessa maneira, o objeto de estudo da lógica é determinar se a conclusão de um argumento é ou não


uma conseqüência lógica das proposições. Lembre-se que uma proposição
(declaração/afirmação) é uma sentença que pode ser verdadeira ou falsa.

Argumento
Denomina-se argumento a relação que associa um conjunto de proposições P1, P2, ... Pn ,
chamadas premissas do argumento, a uma proposição C a qual chamamos de conclusão do argumento.

No lugar dos termos premissa e conclusão podem ser usados os correspondentes hipótese e tese,
respectivamente.

Os argumentos que têm somente duas premissas são denominados silogismos.

Assim, são exemplos de silogismos os seguintes argumentos:

I - P1: Todos os artistas são apaixonados.


P2: Todos os apaixonados gostam de flores.
C: Todos os artistas gostam de flores.

II - P1: Todos os apaixonados gostam de flores.


P2: Miriam gosta de flores.
C: Miriam é uma apaixonada.

Outro exemplo de um argumento (forma típica):

Quem nasce no Brasil e tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira.


Roberto nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros.

Roberto tem nacionalidade brasileira.

Exemplos de diferentes maneiras de expressar o mesmo argumento (na cor verde, indicadores
de premissa ou de conclusão):

Roberto tem nacionalidade brasileira, pois Roberto nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros,
e quem nasce no Brasil e tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira.

Quem nasce no Brasil e tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira. Portanto, Roberto
tem nacionalidade brasileira, uma vez que Roberto nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros.

Roberto nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros. Ora, quem nasce no Brasil e
tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira. Logo, Roberto tem nacionalidade brasileira.

Roberto é brasileiro, porque nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros.


[Pressupostos:
(a) Quem nasce no Brasil e tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira;
(b) "brasileiro" significa "ter nacionalidade brasileira".]

Quem nasce no Brasil e tem pais brasileiros possui nacionalidade brasileira. Por isso, Roberto é
brasileiro. [Pressupostos:
(a) Roberto nasceu no Brasil e seus pais são brasileiros;
(b) "brasileiro" significa "ter nacionalidade brasileira".]

Não são argumentos (embora possam parecer):

Condicionais, isto é, hipóteses. Nesse caso, o que se está propriamente afirmando


é apenas o condicional como um todo - a proposição composta que estabelece o nexo
entre duas proposições componentes, o antecedente e o conseqüente. Quando digo que se fizer sol
neste fim de semana, eu irei
à praia, não estou fazendo previsão do tempo, afirmando que fará sol neste fim de semana, nem estou
pura e simplesmente me comprometendo a ir à praia. A única coisa que estou fazendo
é afirmar a conexão entre duas proposições, dizendo que a eventual verdade da primeira
acarreta a verdade da segunda. Sendo assim, apenas uma proposição é afirmada; logo, não temos
um argumento.

Ligações não-proposicionais, isto é, conexões de frases em que pelo menos uma delas não é uma
proposição. Se pelo menos uma das frases ligadas não for uma proposição (for, por exemplo, um
imperativo ou um pedido), não caberá a afirmação da verdade de algo com base na verdade de outra
coisa. Não se terá, conseqüentemente, um argumento.

PROPOSIÇÕES E FRASES

Um argumento é um conjunto de proposições. Quer as premissas quer a conclusão de um argumento


são proposições. Mas o que é mesmo uma proposição?

Uma proposição é o pensamento que uma frase declarativa exprime literalmente.

Não confunda proposições com frases. Uma frase é uma entidade lingüística, é a unidade gramatical
mínima de sentido. Por exemplo, o conjunto de palavras "O Brasil é um" não é uma frase. Mas o conjunto
de palavras "O Brasil é um país" é uma frase, pois já se apresenta com sentido gramatical. Há vários
tipos de frases: declarativas, interrogativas, imperativas e exclamativas. Mas só as frases declarativas
exprimem proposições. Uma frase só exprime uma proposição quando o que ela afirma tem valor de
verdade.

Por exemplo, as seguintes frases não exprimem proposições, porque não têm valor de verdade, isto é,
não são verdadeiras nem falsas:.
1) Que horas são?
2) Traz a apostila.
3) Prometo ir ao shopping.
4) Quem me dera gostar de Matemática.

Mas as frases seguintes exprimem proposições, porque têm valor de verdade, isto é, são verdadeiras ou
falsas, ainda que, acerca de algumas, não saibamos, neste momento, se são verdadeiras ou falsas:

1) O Brasil fica na América do Norte.


2) Brasília é a capital do Brasil.
3) A neve é branca.
4) Há seres extra-terrestres inteligentes.

A frase 1 é falsa, a 2 e a 3 são verdadeiras. E a 4?

Bem, não sabemos qual é o seu valor de verdade, não sabemos se é verdadeira ou falsa, mas
sabemos que tem de ser verdadeira ou falsa. Por isso, também exprime uma proposição.

Uma proposição é uma entidade abstrata, é o pensamento que uma frase declarativa exprime
literalmente. Ora, um mesmo pensamento pode ser expresso por diferentes frases. Por isso, a mesma
proposição pode ser expressa por diferentes frases. Por exemplo, as frases "O
governo demitiu o presidente da TAP" e "O presidente da TAP foi demitido pelo governo" exprimem
a mesma proposição.
As frases seguintes também exprimem a mesma proposição: "A neve é branca" e "Snow is white".

Argumento Válido
Dizemos que um argumento é válido ou ainda que ele é legítimo ou bem construído quando a sua
conclusão é uma conseqüência obrigatória do seu conjunto de premissas. Posto de outra forma: quando
um argumento é válido, a verdade das premissas deve garantir a verdade da conclusão do argumento.
Isto significa que jamais poderemos chegar a uma conclusão falsa quando as premissas forem
verdadeiras e o argumento for válido.

É importante observar que ao discutir a validade de um argumento é irrelevante o valor de verdade de


cada uma das premissas. Em Lógica, o estudo dos argumentos não leva em conta a verdade ou
falsidade das proposições que compõem os argumentos, mas tão-somente a validade destes.

Exemplo:
O silogismo:
“Todos os pardais adoram jogar xadrez.
Nenhum enxadrista gosta de óperas.
Portanto, nenhum pardal gosta de óperas.”

está perfeitamente bem construído (veja o diagrama abaixo), sendo, portanto, um argumento válido,
muito embora a verdade das premissas seja questionável.

Op = Conjunto dos que gostam de óperas


X = Conjunto dos que adoram jogar xadrez
P = Conjunto dos pardais

Pelo diagrama pode-se perceber que nenhum elemento do conjunto P (pardais) pode pertencer ao
conjunto Op (os que gostam de óperas).

Validade Lógica (Exemplos)


Argumento (I):

Todas as aranhas são seres que têm seis patas


Todos os seres que têm seis patas são seres que têm asas
:. Todas as aranhas são seres que têm asas

Argumento (II):

Todas as baleias são mamíferos


Todos os mamíferos são pulmonares
:. Todas as baleias são pulmonares

A estrutura comum (válida) dos argumentos (I) e (II) é:

Todo A é B
Todo B é C
:. Todo A é C

Argumento (III):

Alguns mamíferos são cetáceos


Alguns cetáceos são dentados
:. Alguns mamíferos são dentados

Argumento (IV):

Alguns presentes nesta sala são moradores de Porto Alegre


Alguns moradores de Porto Alegre são octagenários
:. Alguns presentes nesta sala são octagenários

A estrutura comum (inválida) dos argumentos (III) e (IV) é:

Alguns A são B
Alguns B são C
:. Alguns A são C

Argumento Inválido
Dizemos que um argumento é inválido, também denominado ilegítimo, mal construído ou falacioso,
quando a verdade das premisssas não é suficiente para garantir a verdade da conclusão.

Exemplo:
O silogismo:
“Todos os alunos do curso passaram.
Maria não é aluna do curso.
Portanto, Maria não passou.”

é um argumento inválido, falacioso, mal construído, pois as premissas não garantem (não obrigam) a
verdade da conclusão (veja o diagrama abaixo). Maria pode Ter passado mesmo sem ser aluna do
curso, pois a primeira premissa não afirmou que somente os alunos do curso haviam passado.
P = Conjunto das pessoas que passaram.
C = Conjunto dos alunos do curso.

Na tabela abaixo, podemos ver um resumo das situações possíveis para um argumento:

Premissas

Argumentos dedutivos sempre requerem um certo número de "assunções-base". São as chamadas


premissas; é a partir delas que os argumentos são construídos; ou, dizendo de outro modo, são as
razões para se aceitar o argumento. Entretanto, algo que é uma premissa no contexto de um argumento
em particular, pode ser a conclusão de outro, por exemplo.

As premissas do argumento sempre devem ser explicitadas, esse é o princípio do audiatur et


altera pars*. A omissão das premissas é comumente encarada como algo suspeito, e provavelmente
reduzirá
as chances de aceitação do argumento.

A apresentação das premissas de um argumento geralmente é precedida pelas palavras


"Admitindo que...", "Já que...", "Obviamente se..." e "Porque...". É imprescindível que seu
oponente concorde com suas premissas antes de proceder com a argumentação.

Usar a palavra "obviamente" pode gerar desconfiança. Ela ocasionalmente faz


algumas pessoas aceitarem afirmações falsas em vez de admitir que não entendem por que algo é
"óbvio". Não hesite em questionar afirmações supostamente "óbvias".

Expressão latina que significa "a parte contrária deve ser ouvida".

Inferência

Umas vez que haja concordância sobre as premissas, o argumento procede passo a passo através do
processo chamado inferência.

Na inferência, parte-se de uma ou mais proposições aceitas (premissas) para chegar a outras novas. Se
a inferência for válida, a nova proposição também deve ser aceita. Posteriormente essa
proposição poderá ser empregada em novas inferências.
Assim, inicialmente, apenas podemos inferir algo a partir das premissas do argumento; ao
longo da
argumentação, entretanto, o número de afirmações que podem ser utilizadas aumenta.

Há vários tipos de inferência válidos, mas também alguns inválidos, os quais serão
analisados neste documento. O processo de inferência é comumente identificado pelas frases
"conseqüentemente..." ou "isso implica que...".

Conclusão
Finalmente se chegará a uma proposição que consiste na conclusão, ou seja, no que se está tentando
provar. Ela é o resultado final do processo de inferência, e só pode ser classificada como conclusão no
contexto de um argumento em particular.

A conclusão se respalda nas premissas e é inferida a partir delas. Esse é um processo sutil que merece
explicação mais aprofundada.

Tabela Verdade para Implicação

• Se as premissas são falsas e a inferência é válida, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa. (Linhas 1
e 2.)
• Se as premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa, a inferência deve ser inválida. (Linha 3.)
• Se as premissas são verdadeiras e a inferência é válida, a conclusão deve ser verdadeira. (Linha 4.)

Então o fato que um argumento é válido não necessariamente significa que sua conclusão suporta - pode
ter começado de premissas falsas.
Se um argumento é válido, e além disso começou de premissas verdadeiras, então é chamado de um
argumento sensato. Um argumento sensato deve chegar à uma conclusão verdadeira.

Exemplo de argumento

A seguir exemplificamos um argumento válido, mas que pode ou não ser "consistente".
1 - Premissa: Todo evento tem uma causa.
2 - Premissa: O Universo teve um começo.
3 - Premissa: Começar envolve um evento.
4 - Inferência: Isso implica que o começo do Universo envolveu um evento.
5 - Inferência: Logo, o começo do Universo teve uma causa.
6 - Conclusão: O Universo teve uma causa.

A proposição da linha 4 foi inferida das linhas 2 e 3.


A linha 1, então, é usada em conjunto com proposição 4, para inferir uma nova proposição (linha 5).
O resultado dessa inferência é reafirmado (numa forma levemente simplificada) como
sendo a
conclusão.
Reconhecendo Argumentos
O reconhecimento de argumentos é mais difícil que das premissas ou conclusão. Muitas
pessoas abarrotam textos de asserções sem sequer produzir algo que possa ser chamado argumento.

Algumas vezes os argumentos não seguem os padrões descritos acima. Por exemplo, alguém pode dizer
quais são suas conclusões e depois justificá-las. Isso é válido, mas pode ser um pouco confuso.

Para piorar a situação, algumas afirmações parecem argumentos, mas não são. Por exemplo:
"Se a
Bíblia é verdadeira, Jesus ou foi um louco, um mentiroso, ou o Filho de Deus".

Isso não é um argumento; é uma afirmação condicional. Não explicita as premissas necessárias para
embasar as conclusões, sem mencionar que possui outras falhas.

Um argumento não equivale a uma explicação. Suponha que, tentando provar que
Albert Einstein acreditava em Deus, disséssemos: "Einstein afirmou que 'Deus não joga
dados' porque cria em Deus".

Isso pode parecer um argumento relevante, mas não é; trata-se de uma explicação da
afirmação de Einstein. Para perceber isso, lembre-se que uma afirmação da forma "X porque Y" pode
ser reescrita na forma "Y logo X". O que resultaria em: "Einstein cria em Deus, por isso afirmou que
'Deus não joga dados'".

Agora fica claro que a afirmação, que parecia um argumento, está admitindo a conclusão que deveria
estar provando.

Ademais, Einstein não cria num Deus pessoal preocupado com assuntos humanos .

Falácias

Há um certo número de "armadilhas" a serem evitadas quando se está construindo um


argumento dedutivo; elas são conhecidas como falácias. Na linguagem do dia-a-dia, nós
denominamos muitas crenças equivocadas como falácias, mas, na lógica, o termo possui significado
mais específico: falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido.

(Além da consistência do argumento, também se podem criticar as intenções


por detrás da argumentação.)

Argumentos contentores de falácias são denominados falaciosos. Freqüentemente parecem válidos e


convincentes; às vezes, apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar a falha lógica.

A seguir está uma lista de algumas das falácias mais comuns e determinadas técnicas retóricas bastante
utilizadas em debates. A intenção não foi criar uma lista exaustivamente grande, mas apenas ajudá-lo a
reconhecer algumas das falácias mais comuns, evitando, assim, ser enganado por elas.

Acentuação / Ênfase

A Acentuação funciona através de uma mudança no significado. Neste caso, o significado é alterado
enfatizando diferentes partes da afirmação.

Por exemplo:
"Não devemos falar mal de nossos amigos"
"Não devemos falar mal de nossos amigos"
Ad Hoc

Como mencionado acima, argumentar e explicar são coisas diferentes. Se estivermos interessados em
demonstrar A, e B é oferecido como evidência, a afirmação "A porque B" é um argumento. Se estivermos
tentando demonstrar a veracidade de B, então "A porque B" não é um argumento, mas uma explicação.

A falácia Ad Hoc é explicar um fato após ter ocorrido, mas sem que essa explicação seja aplicável a
outras situações. Freqüentemente a falácia Ad Hoc vem mascarada de argumento. Por
exemplo, se admitirmos que Deus trata as pessoas igualmente, então esta seria uma explicação Ad
Hoc:

"Eu fui curado de câncer"


"Agradeça a Deus, pois ele lhe curou"
"Então ele vai curar todas pessoas que têm câncer?"
"Hmm... talvez... os desígnios de Deus são misteriosos."

Afirmação do Conseqüente

Essa falácia é um argumento na forma "A implica B, B é verdade, logo A é verdade". Para entender por
que isso é uma falácia, examine a tabela (acima) com as Regras de Implicação.

Aqui está um exemplo:


"Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E
nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador."

Esse argumento é o contrario da Negação do Antecedente.

Anfibolia

A Anfibolia ocorre quando as premissas usadas num argumento são ambíguas devido a negligência ou
imprecisão gramatical.

Por exemplo:
"Premissa: A crença em Deus preenche um vazio muito necessário."

Evidência Anedótica

Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica.

Por exemplo:
"Há abundantes provas da existência de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma
garota que estava morrendo de câncer, então sua família inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi
curada."

É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas
não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado,
mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de
seu amigo para serem convencidos.

Evidências Anedóticas podem parecer muito convincentes, especialmente queremos acreditar nelas.

Argumentum ad Antiquitatem

Essa é a falácia de afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou "sempre foi assim". A
falácia oposta é a Argumentum ad Novitatem.

"Cristãos acreditam em Jesus há milhares de anos. Se o Cristianismo não fosse verdadeiro, não teria
perdurado tanto tempo"

Argumentum ad Baculum / Apelo à Força

Acontece quando alguém recorre à força (ou à ameaça) para tentar induzir outros a
aceitarem uma
conclusão. Essa falácia é freqüentemente utilizada por políticos, e pode ser sumarizada na expressão "o
poder define os direitos". A ameaça não precisa vir diretamente da pessoa que argumenta.

Por exemplo::
"...assim, há amplas provas da veracidade da Bíblia, e todos que não aceitarem essa verdade queimarão
no Inferno."

"...em todo caso, sei seu telefone e endereço; já mencionei que possuo licença para portar armas?"

Argumentum ad Crumenam

É a falácia de acreditar que dinheiro é o critério da verdade; que indivíduos ricos têm mais chances de
estarem certos. Trata-se do oposto ao Argumentum ad Lazarum.

Exemplo:
"A Microsoft é indubitavelmente superior; por que outro motivo Bill Gates seria tão rico?"

Argumentum ad Hominen

Argumentum ad Hominem literalmente significa "argumento direcionado ao homem";


há duas
variedades.

A primeira é a falácia Argumentum ad Hominemabusiva: consiste em rejeitar uma afirmação e justificar


a recusa criticando a pessoa que fez a afirmação.

Por exemplo:
"Você diz que os ateus podem ser morais, mas descobri que você abandonou sua mulher e filhos."

Isso é uma falácia porque a veracidade de uma asserção não depende das virtudes da pessoa que a
propugna. Uma versão mais sutil do Argumentum ad Hominen é rejeitar uma proposição baseando-se
no fato de ela também ser defendida por pessoas de caráter muito questionável.

Por exemplo:
"Por isso nós deveríamos fechar a igreja? Hitler e Stálin concordariam com você."

A segunda forma é tentar persuadir alguém a aceitar uma afirmação utilizando como
referência as circunstâncias particulares da pessoa.

Por exemplo:
"É perfeitamente aceitável matar animais para usar como alimento. Esperto que você não contrarie o que
eu disse, pois parece bastante feliz em vestir seus sapatos de couro."

Esta falácia é conhecida como Argumenutm ad Hominem circunstancial e também pode ser
usada como uma desculpa para rejeitar uma conclusão.

Por exemplo:
"É claro que a seu ver discriminação racial é absurda. Você é negro"
Essa forma em particular do Argumenutm ad Hominem, no qual você alega que
alguém está
defendendo uma conclusão por motivos egoístas, também é conhecida como "envenenar o poço".

Não é sempre inválido referir-se às circunstâncias de quem que faz uma afirmação.
Um indivíduo certamente perde credibilidade como testemunha se tiver fama de mentiroso ou traidor;
entretanto, isso não prova a falsidade de seu testemunho, nem altera a consistência de quaisquer de
seus argumentos lógicos.

Argumentum ad Ignorantiam

Argumentum ad Ignorantiam significa "argumento da ignorância". A falácia consiste em


afirmar que
algo é verdade simplesmente porque não provaram o contrário; ou, de modo equivalente, quando for dito
que algo é falso porque não provaram sua veracidade.

(Nota: admitir que algo é falso até provarem o contrário não é a mesma coisa que afirmar. Nas leis, por
exemplo, os indivíduos são considerados inocentes até que se prove o contrário.)

Abaixo estão dois exemplos:

"Obviamente a Bíblia é verdadeira. Ninguém pode provar o contrário."

"Certamente a telepatia e os outros fenômenos psíquicos não existem. Ninguém jamais foi
capaz de prová-los."

Na investigação científica, sabe-se que um evento pode produzir certas evidências de sua ocorrência, e
que a ausência dessas evidências pode ser validamente utilizada para inferir que o evento não ocorreu.
No entanto, não prova com certeza.

Por exemplo:
"Para que ocorresse um dilúvio como o descrito pela Bíblia seria necessário um enorme volume de água.
A Terra não possui nem um décimo da quantidade necessária, mesmo levando em conta a
que está congelada nos pólos. Logo, o dilúvio não ocorreu."

Certamente é possível que algum processo desconhecido tenha removido a água. A ciência, entretanto,
exigiria teorias plausíveis e passíveis de experimentação para aceitar que o fato tenha ocorrido.

Infelizmente, a história da ciência é cheia de predições lógicas que se mostraram equivocadas. Em 1893,
a Real Academia de Ciências da Inglaterra foi persuadida por Sir Robert Ball de que a comunicação com
o planeta Marte era fisicamente impossível, pois necessitaria de uma antena do tamanho da Irlanda, e
seria impossível fazê-la funcionar.

Argumentum ad Lazarum

É a falácia de assumir que alguém pobre é mais íntegro ou virtuoso que alguém rico. Essa
falácia é
apõe-se à Argumentum ad Crumenam.

Por exemplo:
"É mais provável que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram das distrações que o
dinheiro possibilita."

Argumentum ad Logicam

Essa é uma "falácia da falácia". Consiste em argumentar que uma proposição é falsa
porque foi apresentada como a conclusão de um argumento falacioso. Lembre-se que um
argumento falacioso pode chegar a conclusões verdadeiras.
"Pegue a fração 16/64. Agora, cancelando-se o seis de cima e o seis debaixo, chegamos a 1/4."
"Espere um segundo! Você não pode cancelar o seis!"
"Ah, então você quer dizer que 16/64 não é 1/4?"

Argumentum ad Misericordiam

É o apelo à piedade, também conhecida como Súplica Especial. A falácia é cometida quando alguém
apela à compaixão a fim de que aceitem sua conclusão.

Por exemplo:
"Eu não assassinei meus pais com um machado! Por favor, não me acuse; você não vê que já estou
sofrendo o bastante por ter me tornado um órfão?"

Argumentum ad Nauseam

Consistem em crer, equivocadamente, que algo é tanto mais verdade, ou tem mais chances
de ser,
quanto mais for repetido. Um Argumentum ad Nauseamé aquele que afirma algo repetitivamente até a
exaustão.

Argumentum ad Novitatem

Esse é o oposto do Argumentum ad Antiquitatem; é a falácia de afirmar que algo é


melhor ou mais
verdadeiro simplesmente porque é novo ou mais recente que alguma outra coisa.

"BeOS é, de longe, um sistema operacional superior ao OpenStep, pois possui um design muito mais
atual."

Argumentum ad Numerum

Falácia relacionada ao Argumentum ad Populum. Consiste em afirmar que quanto mais


pessoas
concordam ou acreditam numa certa proposição, mais provavelmente ela estará correta.

Por exemplo:
"A grande maioria dos habitantes deste país acredita que a punição capital é bastante
eficiente na
diminuição dos delitos. Negar isso em face de tantas evidências é ridículo."

"Milhares de pessoas acreditam nos poderes das pirâmides; ela deve ter algo de especial."

Argumentum ad Populum

Também conhecida como apelo ao povo. Comete-se essa falácia ao tentar conquistar a
aceitação de
uma proposição apelando a um grande número de pessoas. Esse tipo de falácia é
comumente caracterizado por uma linguagem emotiva.

Por exemplo:
"A pornografia deve ser banida. É uma violência contra as mulheres."

"Por milhares de anos pessoas têm acreditado na Bíblia e Jesus, e essa crença teve um enorme impacto
sobre suas vida. De que outra evidência você precisa para se convencer de que Jesus é o filho de Deus?
Você está dizendo que todas elas são apenas estúpidas pessoas enganadas?"

Argumentum ad Verecundiam
O Apelo à Autoridade usa a admiração a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirmação. Por
exemplo:
"Isaac Newton foi um gênio e acreditava em Deus."

Esse tipo de argumento não é sempre inválido; por exemplo, pode ser relevante fazer referência a um
indivíduo famoso de um campo específico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:
"Hawking concluiu que os buracos negros geram radiação."
"Penrose conclui que é impossível construir um computador inteligente."
Hawking é um físico, então é razoável admitir que suas opiniões sobre os buracos negros são
fundamentadas. Penrose é um matemático, então sua qualificação para falar sobre o assunto é bastante
questionável.

Audiatur et Altera Pars

Freqüentemente pessoas argumentam partir de assunções omitidas. O princípio do Audiatur et


Altera
Pars diz que todas premissas de um argumento devem ser explicitadas. Estritamente, a
omissão das premissas não é uma falácia; entretanto, é comumente vista como algo suspeito.

Bifurcação

"Preto e Branco" é outro nome dado a essa falácia. A Bifurcação ocorre se alguém apresenta uma
situação com apenas duas alternativas, quando na verdade existem ou podem existir outras.

Por exemplo:
"Ou o homem foi criado, como diz a Bíblia, ou evoluiu casualmente de substâncias
químicas
inanimadas, como os cientistas dizem. Já que a segunda hipótese é incrivelmente improvável, então..."

Circulus in Demonstrando

Consiste em adotar como premissa uma conclusão à qual você está tentando chegar.
Não raro, a
proposição é reescrita para fazer com que tenha a aparência de um argumento válido.

Por exemplo:
"Homossexuais não devem exercer cargos públicos. Ou seja, qualquer funcionário público que se
revele um homossexual deve ser despedido. Por isso, eles farão qualquer coisa para
esconder seu
segredo, e assim ficarão totalmente sujeitos a chantagens. Conseqüentemente, não se deve
permitir
homossexuais em cargos públicos."

Esse é um argumento completamente circular; a premissa e a conclusão são a mesma


coisa. Um argumento como o acima foi realmente utilizado como um motivo para que
todos os empregados homossexuais do Serviço Secreto Britânico fossem despedidos.

Infelizmente, argumentos circulares são surpreendentemente comuns. Após chegarmos


a uma conclusão, é fácil que, acidentalmente, façamos asserções ao tentarmos explicar o raciocínio a
alguém.

Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição

É a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo clássico é a pergunta capciosa:


"Você parou de bater em sua esposa?"
A questão pressupõe uma resposta definida a outra questão que não chegou a ser feita. Esse truque é
bastante usado por advogados durante o interrogatório, quando fazem perguntas do tipo:
"Onde você escondeu o dinheiro que roubou?"
Similarmente, políticos também usam perguntas capciosas como:

"Até quando será permitida a intromissão dos EUA em nossos assuntos?"


"O Chanceller planeja continuar essa privatização ruinosa por dois anos ou mais?"

Outra forma dessa falácia é pedir a explicação de algo falso ou que ainda não foi discutido.

Falácias de Composição

A Falácia de Composição é concluir que uma propriedade compartilhada por um número de elementos
em particular, também é compartilhada por um conjunto desses elementos; ou que as propriedades de
uma parte do objeto devem ser as mesmas nele inteiro.

Exemplos:
"Essa bicicleta é feita inteiramente de componentes de baixa densidade, logo é muito leve."
"Um carro utiliza menos petroquímicos e causa menos poluição que um ônibus. Logo, os carros
causam menos dano ambiental que os ônibus."

Acidente Invertido / Generalização Grosseira

Essa é o inverso da Falácia do Acidente. Ela ocorre quando se cria uma regra geral
examinando
apenas poucos casos específicos que não representam todos os possíveis casos.

Por exemplo:
"Jim Bakker foi um Cristão pérfido; logo, todos os cristãos também são."

Convertendo uma Condicional

A falácia é um argumento na forma "Se A então B, logo se B então A".


"Se os padrões educacionais forem abaixados, a qualidade dos argumentos vistos na
internet diminui. Então, se vermos o nível dos debates na internet piorar,
saberemos que os padrões educacionais estão caindo."

Essa falácia é similar à Afirmação do Conseqüente, mas escrita como uma afirmação condicional.

Cum Hoc Ergo Propter Hoc

Essa falácia é similar à Post Hoc Ergo Propter Hoc. Consiste em afirmar que devido a dois eventos terem
ocorrido concomitantemente, eles possuem uma relação de causalidade. Isso é uma falácia
porque ignora outro(s) fator(es) que pode(m) ser a(s) causa(s) do(s) evento(s).
"Os índices de analfabetismo têm aumentado constantemente desde o advento da
televisão.
Obviamente ela compromete o aprendizado"
Essa falácia é um caso especial da Non Causa Pro Causa.

Negação do Antecedente

Trata-se de um argumento na forma "A implica B, A é falso, logo B é falso". A tabela com as Regras de
Implicação explica por que isso é uma falácia.

(Nota: A Non Causa Pro Causa é diferente dessa falácia. A Negação do Antecedente possui a
forma "A implica B, A é falso, logo B é falso", onde A não implica B em absoluto. O problema não é que
a implicação seja inválida, mas que a falsidade de A não nos permite deduzir qualquer coisa sobre B.)
"Se o Deus bíblico aparecesse para mim pessoalmente, isso certamente
provaria que o
cristianismo é verdade. Mas ele não o fez, ou seja, a Bíblia não passa de ficção."

Esse é oposto da falácia Afirmação do Conseqüente.

Falácia do Acidente / Generalização Absoluta / Dicto Simpliciter

Uma Generalização Absoluta ocorre quando uma regra geral é aplicada a uma situação em particular,
mas as características da situação tornam regra inaplicável. O erro ocorre quando se vai do
geral do específico.

Por exemplo:
"Cristãos não gostam de ateus. Você é um Cristão, logo não gosta de ateus."

Essa falácia é muito comum entre pessoas que tentam decidir questões legais e morais aplicando regras
gerais mecanicamente.

Falácia da Divisão

Oposta à Falácia de Composição, consiste em assumir que a propriedade de um


elemento deve
aplicar-se às suas partes; ou que uma propriedade de um conjunto de elementos é compartilhada por
todos.
"Você estuda num colégio rico. Logo, você é rico."
"Formigas podem destruir uma árvore. Logo, essa formiga também pode."

Equivocação / Falácia de Quatro Termos

A Equivocação ocorre quando uma palavra-chave é utilizada com dois um ou mais


significados no
mesmo argumento.

Por exemplo:
"João é destro jogando futebol. Logo, também deve ser destro em outros esportes, apesar de ser
canhoto."

Uma forma de evitar essa falácia é escolher cuidadosamente a terminologia antes


de formular o argumento, isso evita que palavras como "destro" possam ter vários
significados (como "que usa preferencialmente a mão direita" ou "hábil, rápido").

Analogia Estendida

A falácia da Analogia Estendida ocorre, geralmente, quando alguma regra geral está sendo discutida.
Um caso típico é assumir que a menção de duas situações diferentes, num argumento sobre uma regra
geral, significa que tais afirmações são análogas.
A seguir está um exemplo retirado de um debate sobre a legislação anticriptográfica.
"Eu acredito que é errado opor-se à lei violando-a."
"Essa posição é execrável: implica que você não apoiaria Martin Luther King."
"Você está dizendo que a legislação sobre criptografia é tão importante quando a
luta pela
igualdade dos homens? Como ousa!"

Ignorantio Elenchi / Conclusão Irrelevante

A Ignorantio Elenchi consiste em afirmar que um argumento suporta uma conclusão em


particular,
quando na verdade não possuem qualquer relação lógica.

Por exemplo:
Um Cristão pode começar alegando que os ensinamentos do Cristianismo são
indubitavelmente verdadeiros. Se após isso ele tentar justificar suas afirmações dizendo que tais
ensinamentos são muito benéficos às pessoas que os seguem, não importa quão eloqüente ou
coerente seja sua argumentação, ela nunca vai provar a veracidade desses escritos.

Lamentavelmente, esse tipo de argumentação é quase sempre bem-sucedido, pois faz as


pessoas enxergarem a suposta conclusão numa perspectiva mais benevolente.

Falácia da Lei Natural / Apelo à Natureza

O Apelo à Natureza é uma falácia comum em argumentos políticos. Uma versão


consiste em
estabelecer uma analogia entre uma conclusão em particular e algum aspecto do mundo natural, e então
afirmar que tal conclusão é inevitável porque o mundo natural é similar:
"O mundo natural é caracterizado pela competição; animais lutam uns contra os
outros pela posse de recursos naturais limitados. O capitalismo - luta pela posse de capital -
é simplesmente um
aspecto inevitável da natureza humana. É como o mundo funciona."

Outra forma de Apelo à Natureza é argumentar que devido ao homem ser produto da natureza, deve se
comportar como se ainda estivesse nela, pois do contrário estaria indo contra sua própria essência.
"Claro que o homossexualismo é inatural. Qual foi a última vez em que você viu
animais do
mesmo sexo copulando?"

Falácia "Nenhum Escocês de Verdade..."

Suponha que eu afirme "Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau". Você contra-argumenta
dizendo que seu amigo Angus gosta de açúcar no mingau. Então eu digo "Ah, sim, mas
nenhum escocês de verdade coloca".

Esse é o exemplo de uma mudança Ad Hoc sendo feita para defender uma afirmação, combinada com
uma tentativa de mudar o significado original das palavras; essa pode ser chamada uma combinação de
falácias.

Non Causa Pro Causa

A falácia Non Causa Pro Causa ocorre quando algo é tomado como causa de um evento, mas sem que
a relação causal seja demonstrada.

Por exemplo:
"Eu tomei uma aspirina e rezei para que Deus a fizesse funcionar; então minha dor de cabeça
desapareceu. Certamente Deus foi quem a curou."

Essa é conhecida como a falácia da Causalidade Fictícia. Duas variações da Non Causa Pro Causa
são as falácias Cum Hoc Ergo Propter Hoc e Post Hoc Ergo Propter Hoc.

Non Sequitur

Non Sequitur é um argumento onde a conclusão deriva das premissas sem qualquer conexão lógica.

Por exemplo:
"Já que os egípcios fizeram muitas escavações durante a construção das
pirâmides, então
certamente eram peritos em paleontologia."
Pretitio Principii / Implorando a Pergunta

Ocorre quando as premissas são pelo menos tão questionáveis quanto as conclusões atingidas.

Por exemplo:

"A Bíblia é a palavra de Deus. A palavra de Deus não pode ser questionada; a Bíblia diz que ela
mesma é verdadeira. Logo, sua veracidade é uma certeza absoluta."

Pretitio Principii é similar ao Circulus in Demonstrando, onde a conclusão é a própria premissa.

Plurium Interrogationum / Muitas Questões

Essa falácia ocorre quando alguém exige uma resposta simplista a uma questão complexa.
"Altos impostos impedem os negócios ou não? Sim ou não?"

Post Hoc Ergo Proter Hoc

A falácia Post Hoc Ergo Propter Hoc ocorre quando algo é admitido como causa de
um evento
meramente porque o antecedeu.
Por exemplo:
"A União Soviética entrou em colapso após a instituição do ateísmo estatal; logo, o ateísmo deve
ser evitado."

Essa é outra versão da Falácia da Causalidade Fictícia.

Falácia "Olha o Avião"

Comete-se essa falácia quando alguém introduz material irrelevante à questão sendo discutida, fugindo
do assunto e comprometendo a objetividade da conclusão.
"Você pode até dizer que a pena de morte é ineficiente no combate à criminalidade, mas e as
vítimas? Como você acha que os pais se sentirão quando virem o assassino de seu filho
vivendo às
custas dos impostos que eles pagam? É justo que paguem pela comida do assassino de seu filho?"

Reificação

A Reificação ocorre quando um conceito abstrato é tratado como algo concreto.

"Você descreveu aquela pessoa como 'maldosa'. Mas onde fica essa 'maldade'?
Dentro do cérebro? Cadê? Você não pode nem demonstrar o que diz, suas afirmações são infundadas."

Mudando o Ônus da Prova

O ônus da prova sempre cabe à pessoa que afirma. Análoga ao Argumentum ad Ignorantiam, é a falácia
de colocar o ônus da prova no indivíduo que nega ou questiona uma afirmação. O erro,
obviamente, consiste em admitir que algo é verdade até que provem o contrário.
"Dizer que os alienígenas não estão controlando o mundo é fácil... eu quero que você prove."

Declive Escorregadio

Consiste em dizer que a ocorrência de um evento acarretará conseqüências daninhas,


mas sem
apresentar provas para sustentar tal afirmação.
Por exemplo:
"Se legalizarmos a maconha, então mais pessoas começarão a usar crack e heroína, e teríamos
de legalizá-las também. Não levará muito tempo até que este país se transforme numa
nação de viciados. Logo, não se deve legalizar a maconha."

Espantalho

A falácia do Espantalho consiste em distorcer a posição de alguém para que possa ser atacada mais
facilmente. O erro está no fato dela não lidar com os verdadeiros argumentos.
"Para ser ateu você precisa crer piamente na inexistência de Deus. Para convencer-se disso, é
preciso vasculhar todo o Universo e todos os lugares onde Deus poderia estar. Já que obviamente você
não fez isso, sua posição é indefensável."

RACIOCÍNIO LÓGICO 
 
Muitas  pessoas  gostam  de  falar  ou  julgar  que  possuem  e  sabem  usar  o  raciocínio  lógi
Importante! 
 
A prova deverá auferir do candidato, se o mesmo entende a estrutura lógica de relações arbitrárias entr
avaliar as condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas 
relações. 
 
 
INTRODUÇÃO AO RACIOCÍNIO LÓGICO 
 
Lógic
Exemplos de valores lógicos: 
r: 
O número 2 é primo. (Verdadeiro) 
s: 
Marte é o planeta vermelho. (Verdadeiro) 
t: 
No
Se x for igual a 7, a sentença é verdadeira, pois 7+2=9 
Se x for igual a 3, a sentença é falsa, pois 3 + 2 não é igual a
As proposições compostas podem receber denominações especiais, conforme o conectivo lógico usado 
para ligar as proposiçõe
B for verdadeira ou mesmo se ambas, A e B, forem verdadeiras, então a disjunção será verdadeira. Por 
isso dizemos que
Bicondicional: A se e somente se B 
 
Denominamos bicondicional a proposição composta formada por duas proposiçõ
A negação “não A” pode ser representada simbolicamente como:  ~A 
 
Podem-se empregar, também, como equivalentes de “n
Uma série de operações é realizada quando so analisam as proposições e seus respectivos conectivos. 
 
a) Negação ( ~)

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