Quais são os documentos psicológicos?
São modalidades de documentos psicológicos:
I - Declaração;
II - Atestado Psicológico;
III - Relatório:
a) Psicológico;
b) Multiprofissional;
IV - Laudo Psicológico;
V - Parecer Psicológico.
O que é uma declaração psicológica?
A declaração psicológica é um documento que registra, de forma objetiva e sucinta, informações
pontuais sobre a prestação de serviços, tais como: comparecimento e acompanhamento (tempo, dias
e horários). Este documento não deve ser utilizado para registrar sintomas, situações ou estados
psicológicos. Para saber mais informações sobre este documento e sua estrutura consulte o artigo 9º
da Resolução CFP Nº 006/2019.
O que é um atestado psicológico?
O atestado psicológico certifica, com fundamento no diagnóstico psicológico, uma determinada
situação, estado ou funcionamento psicológico. Suas principais finalidades são justificar faltas,
impedimentos, afastamentos ou dispensas, ou ainda justificar aptidão para atividades específicas
após um processo de avaliação psicológica. A informação emitida no atestado deve possuir
justificativa verificada tecnicamente e, em se tratando de afirmação sobre aptidão para atividades
específicas, deve se respaldar em processo de avaliação psicológica no rigor da Resolução CFP Nº
009/2018. Este documento deve ser requerido formalmente (informação a ser registrada no
prontuário psicológico) e deve se restringir às informações solicitadas, incluindo o uso de
classificações diagnósticas, caso entenda pertinente. Alerta-se que o Conselho Regional de
Psicologia pode solicitar a apresentação da fundamentação técnico científica que embasou a emissão
do atestado, devendo a/o psicóloga/o dispor do registro documental pelo prazo estipulado no art. 4º,
§ 1º da Resolução CFP nº 001/2009. Para saber mais informações sobre o atestado psicológico e sua
estrutura consulte o artigo 10 da Resolução CFP Nº 006/2019 que segue anexa.
O que é um relatório psicológico?
O relatório psicológico comunica descritivamente a atuação profissional em determinado caso,
podendo gerar orientações, recomendações, encaminhamentos e intervenções. Partindo da análise do
registro documental do trabalho realizado, é necessário avaliar quais dados serão pertinentes à
finalidade e aos destinatários do documento para, então, descrevê-los de forma contextualizada e
fundamentada. A narrativa deve ser detalhada, didática, precisa, harmônica e de linguagem acessível
ao destinatário. A descrição literal das sessões, atendimentos ou acolhimentos deve ser utilizada
apenas se justificada tecnicamente e acompanhada do raciocínio técnico. Destaca-se que, embora
este documento possa mencionar o diagnóstico psicológico, essa não é sua finalidade. Para saber
mais informações sobre este documento e sua estrutura consulte os artigos 11 e 12 da Resolução CFP
Nº 006/2019 que segue anexa.
O que é um laudo psicológico?
O laudo psicológico resulta de um processo de avaliação psicológica e objetiva subsidiar decisões
relacionadas ao contexto em que surgiu a demanda. Após a devida análise dos dados obtidos e do
registro documental da avaliação psicológica realizada, é necessário avaliar quais dados são
pertinentes à finalidade e aos destinatários do documento para, então, descrever os resultados do
processo de forma contextualizada e fundamentada. O laudo psicológico deve fornecer apenas as
informações necessárias e relacionadas à demanda, relatando o encaminhamento, as intervenções, o
diagnóstico, o prognóstico, a hipótese diagnóstica, a evolução do caso, orientação e/ou sugestão de
projeto terapêutico. Da mesma forma que o relatório, a linguagem deve ser didática, precisa,
harmônica e acessível ao destinatário. A descrição literal das sessões, atendimentos ou acolhimentos
deve ser utilizada apenas se justificada tecnicamente e acompanhada do raciocínio técnico. Para
saber mais informações sobre este documento e sua estrutura consulte o artigo 13 da Resolução CFP
Nº 006/2019.
O que é um parecer psicológico?
O parecer psicológico oferece uma resposta sobre uma questão-problema pertinente ao campo da
Psicologia ou sobre algum documento psicológico, visando subsidiar 9 tecnicamente uma decisão. O
parecer pode ser requerido por meio de quesitos, sendo que cabe à/ao psicóloga/o avaliar se há
condições para respondê-los respeitando os limites de sua atribuição. Além disso, para cumprir a
finalidade deste documento é necessário conhecimento técnico específico a respeito do assunto
questionado, por isso, é fundamental que a/o profissional faça uma autoanálise sobre sua aptidão para
atender este tipo de demanda. É necessário observar o rigor estrutural deste documento,
contextualizando os argumentos apresentados tanto do ponto de vista técnico, quanto dos parâmetros
éticos.
Qual a diferença entre declaração e atestado e atestado psicológico?
Um erro comum na elaboração de documentos psicológicos se refere à emissão de atestado para
informar que determinada pessoa esteve em atendimento psicológico. Nesse caso, o documento
correto a ser emitido é a declaração, que se destina a informar dados pontuais sobre a realização do
atendimento e serve, na maioria das vezes, a objetivos administrativos. Já o atestado psicológico
comunica uma conclusão técnica a respeito das condições psicológicas da pessoa atendida. Apesar de
serem documentos sintéticos, são completamente diferentes no que se refere a sua finalidade e ao
tipo de informação que está sendo transmitida.
Qual a diferença entre relatório e laudo psicológico?
A distinção entre relatório e laudo psicológico está na finalidade dos documentos. Enquanto o
primeiro descreve o trabalho, sua evolução e sugere encaminhamentos, o segundo discorre sobre um
processo de avaliação psicológica e faz recomendações com base nos seus resultados.
O atestado psicológico comunica com precisão sintética a conclusão técnica a respeito das condições
psicológicas da pessoa atendida. Diferentemente do laudo psicológico, fornece suporte a decisões
sem tecer sobre os procedimentos, os argumentos e as interpretações técnicas inerentes à avaliação
psicológica. Assim, embora ambos resultem de diagnóstico e/ou avaliação psicológica, comunicam
de modo distinto em detalhamento e argumentação. Por isso, o sigilo profissional é o principal
parâmetro para a escolha entre estas modalidades: a/o profissional deve se perguntar para quem e
para que está fazendo este documento e avaliar qual a melhor modalidade.
Quando sou solicitada/ o a elaborar um documento que não consta
entre as possibilidades descritas na resolução, o que devo fazer?
Além de observar o disposto na Resolução CFP nº 006/2019, cabe destacar que o Código de Ética
Profissional da/o Psicóloga/o demarca a autonomia e a responsabilidade da/o profissional pela
escolha dos processos de trabalho, instrumentos e técnicas que sejam suficientes para garantir a
qualidade do serviço oferecido. Desta forma, entende-se que é de sua competência orientar a pessoa
atendida acerca dos documentos mais adequados à demanda de acordo com o trabalho que está sendo
realizado, a finalidade e o destino que será dado ao documento.
Qual documento escolho para solicitar uma avalição ou para
encaminhar uma demanda?
Caso seja pertinente comunicar o resultado de uma avaliação psicológica (diagnóstico, hipótese
diagnóstica) e demonstrar tecnicamente os argumentos que justificam a necessidade do
encaminhamento, a modalidade mais apropriada é o laudo psicológico. Se, para cumprir essa função,
a descrição do trabalho desenvolvido e sua evolução for suficiente, sugere-se o relatório psicológico.
O documento elaborado pela/o psicóloga/o para comunicar-se com outros profissionais deve revelar
apenas as informações necessárias para qualificar o encaminhamento, prezando pelo atendimento
adequado às demandas da pessoa atendida e resguardando o seu direito à confidencialidade dos
demais conteúdos acessados durante o atendimento psicológico.
O que devo considerar para contribuir com um documento
multiprofissional?
É possível a participação de psicóloga/os em documentos multiprofissionais desde que sejam
preservados o sigilo e a autonomia profissional da/o psicóloga/o e que, ao avaliar o contexto e as
relações de trabalho, compreenda-se que esta é a forma mais coerente de expressão dos seus
resultados. Sobre a atuação em equipe multiprofissional destaca-se da Resolução CFP Nº 006/2019
as orientações dos artigos 11 e 12 para relatório multiprofissional e para a comunicação dos
resultados da avaliação psicológica nesse contexto.
Documentos psicológicos têm prazo de validade? Onde consta esta
informação?
Sim. No último parágrafo do documento psicológico deve haver menção sobre a previsão legal do
tempo em que deve ser feita nova análise para aferir a permanência dos fenômenos observados. Caso
não exista uma norma específica ao contexto da demanda, deve-se registrar a natureza dinâmica dos
aspectos avaliados, bem como – sempre que houver embasamento técnico – descrever a expectativa
de permanência das constatações observadas.
Preciso fazer registro documental (prontuário) mesmo fazendo um
relatório (ou outro documento)?
Sim. O registro documental é a materialidade do trabalho realizado. Por isso, é necessário que seja
feito e atualizado com frequência para preservar a documentação das informações e interpretações do
objeto do trabalho e de sua evolução, dados que irão contextualizar os documentos produzidos. O
prontuário psicológico é uma modalidade de registro documental que trata das informações
necessárias para o acompanhamento do trabalho, por isso todos os documentos psicológicos emitidos
devem estar anexados a ele.
Que providências devem ser tomadas na entrega de um documento
psicológico?
Os documentos psicológicos somente podem ser entregues diretamente à/ao beneficiária/o,
responsável legal e/ou solicitante. A/O psicóloga/o deve possibilitar entrevista devolutiva e manter
protocolo de entrega, ou seja, entregar o documento original e coletar a rubrica na cópia do mesmo,
que deve ser anexada ao prontuário. Quando não for possível a entrevista devolutiva de laudos e
pareceres, deve-se registrar a justificativa em prontuário.
Por quanto tempo deve ser arquivado um prontuário psicológico e, por
consequência, os documentos os documentos emitidos pela/o
profissional?
Os registros documentais do serviço psicológico devem ser arquivados por ao menos 5 (cinco) anos.
Esse prazo poderá ser ampliado nos casos previstos em lei, por determinação judicial, ou ainda em
casos específicos em que a análise contextual pressupõe a manutenção da 14 guarda por maior
tempo. Esse material deve ser arquivado de modo a preservar a intimidade das pessoas, grupos e
instituições atendidas, pois somente essas e a fiscalização do Conselho Regional de Psicologia
poderão acessá-lo. A responsabilidade por esta guarda é da/o profissional e da instituição que
desenvolveu o trabalho.
Quais providências devem ser tomadas com os documentos psicológicos
no desligamento de um profissional de seu local de trabalho?
O Código de Ética Profissional do Psicólogo (em seus artigos 1º, alínea ‘k’, e 15) determina à
categoria que, ao se desligar de seu local de trabalho, garanta a continuidade dos serviços em
andamento e zele pelo destino dos materiais sigilosos. Para tanto, deve haver troca de informações
entre profissionais. Quando não é possível o encontro presencial para o relato e entrega dos registros
do trabalho realizado, é admissível que os materiais permaneçam lacrados durante o período anterior
à efetiva substituição. Nesse caso é preciso formalizar a tutela destes documentos por uma/um
profissional legalmente habilitado e cujo Código de Ética pressuponha o sigilo. Sempre que mais
seguro e nas situações de extinção do serviço de psicologia, o material deve ser remetido ao CRP-12,
onde permanecerá até que seja solicitado mediante a nomeação de psicóloga/o substituta/o.