FACULDADES PROMINAS
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO IBITURUNA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA INCLUSÃO DA CRIANÇA COM
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO ENSINO REGULAR
Montes Claros-MG.
2020
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA INCLUSÃO DA CRIANÇA COM
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO ENSINO REGULAR
Projeto de Pesquisa apresentado como
critério obrigatório de avaliação da
disciplina TCC I, orientado pela
Professora Ms. Alcione de Oliveira Souza.
Montes Claros-MG.
2020
1 Introdução
A incidência de casos de autismo tem crescido de forma significativa em todo
o mundo. No Brasil, uma a cada 110 pessoas, são portadoras de autismo, segundo
dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao
governo dos Estados Unidos. Com isso, a estimativa é que o Brasil, com 200
milhões de habitantes, tenha 2 milhões de autistas. O diagnóstico pode ser evidente
a maioria das vezes, segundo Oliveira (2009):
As manifestações clínicas são muito precoces, sendo evidentes na
grande maioria dos casos antes dos dois anos de idade. Na verdade,
a disfunção neurológica que está subjacente ao autismo invade a
progressão de todo o neurodesenvolvimento, podendo o quadro
clínico inicial mimetizar um atraso psicomotor global. Há, contudo
especificidades clínicas como as dificuldades de interação e
comunicação social que associadas a comportamento repetitivo
permitem diferenciar o autismo das outras perturbações do
neurodesenvolvimento. (OLIVEIRA, 2009, p. 01).
O termo autismo, de acordo com Gadia, Tuchman e Rotta (2004), foi utilizado
pela primeira vez por Eugen Bleuler, em 1911, para designar pessoas que tinham
dificuldades para interagir com as demais e com muita tendência ao isolamento.
Posteriormente, em 1943, conforme Lopes (2017), Leo Kanner utiliza a
mesma palavra em seu estudo que investigou 11 crianças, todas nascidas em 1930,
que apresentavam dificuldade no relacionamento social e linguístico com outras
pessoas, denominando o quadro de “solidão autista extrema” (principal característica
do autismo).
A partir de Munayer (2018), percebeu-se ainda que a maioria dos indivíduos
acometidos pelo autismo tinha dificuldade para falar ou possuíam formas diferentes
de se comunicar.
Em 1944, conforme Gonçalves et al. (2017), Hans Asperger desenvolveu um
estudo no qual se convence de que o autismo era uma combinação de fatores
biológicos e ambientais. Além disso, percebeu que alguns indivíduos eram
inteligentes e capazes de realizar cálculos matemáticos precisos, desenvolvendo
inclusive experimentos químicos, mas que, apesar de se expressarem com palavras,
eles evitavam o contato visual e eram muito discriminadas na escola.
Em 1980, de acordo com Gadia, Tuchman, Rotta (2004), o autismo foi
reconhecido como doença mental pela Associação Americana de Psiquiatria (AAP),
após uma série de pesquisas realizadas em meados da década de 1980. E, no início
do novo milênio, conforme Túlio e Castanha (2013), foi decretado o dia 2 de abril
como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo pela Organização das Nações
Unidas (ONU).
A partir de 2013, conforme Carnevale (2015), o DSM-5 (Manual de
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição) Passa a abrigar todas
as subcategorias do autismo em um único diagnóstico: Transtorno do Espectro
Autista (TEA)1. Dessa forma, os indivíduos passaram a ser diagnosticados em um
único espectro com diferentes níveis de gravidade, fazendo com que a sindrome de
Asperguer deixasse de ser considerada uma condição separada. Assim, o
diagnóstico para autismo passou a ser definido por dois critérios: as deficiências
sociais e de comunicação e a presença de comportamentos repetitivos e
estereotipados.
Em 2014, o maior estudo já realizado sobre o autismo, realizado Instituto
Karolinska, na Suécia, com a colaboração de especialistas suecos, britânicos e
americanos, que baseou nos dados de mais de 2 milhões de crianças nascidas na
Suécia em 1982, que foram acompanhadas até 2006, definiu que o fator ambiental é
tão importante quanto o genético para risco de autismo.
Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.145/15)
cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que aumenta a proteção aos portadores
de TEA ao definir a pessoa com deficiência, em seu artigo Art. 2º, como “aquela que
tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial”.
Contudo, para que tenhamos realmente uma inclusão nesse processo de
ensino, é preciso que pais, escola e professores reconheçam seus papéis e
trabalhem juntos, o que não vem acontecendo, de acordo com a pesquisa Atitudes
pela Educação, divulgada pelo movimento Todos pela Educação, que revelou que
apenas 12% dos pais sãos considerados comprometidos com a educação do filho.
Um fato preocupante, já que muitos pais se eximem e acreditam que a
responsabilidade educacional da criança é apenas da escola, o que se agrava ainda
1
Transtornos do espectro autista representam uma gama das diferenças do neurodesenvolvimento que são
consideradas transtornos do desenvolvimento neurológico. Distúrbios de neurodesenvolvimento são
condições neurológicas que aparecem precocemente na infância, geralmente antes da idade escolar, e
afetam o desenvolvimento do funcionamento pessoal, social, acadêmico e/ou profissional. Normalmente
envolvem dificuldades na aquisição, retenção ou aplicação de habilidades ou conjuntos de informações
específicas. Distúrbios de neurodesenvolvimento podem envolver distúrbios de atenção, memória,
percepção, linguagem, solução de problemas ou interação social.
mais quando pensamos no processo de inclusão de crianças com Transtorno do
Espectro Autista no ensino regular.
Esta investigação trata-se de um estudo realizado através de uma pesquisa
de bibliográfica, com embasamento teórico, contemplando artigos, livros e revistas
pedagógicas e clínicas, além de autores renomados na discussão da temática.
A problemática levantada para o estudo foi: Como a participação da família na
vida escolar de uma criança com transtorno do espectro autista favorece o seu
processo de aprendizagem de modo a desconstruir processos inversos como, a
exclusão, o preconceito, dentre outros?
A partir deste, elaborou-se o objetivo geral descrito assim: Investigar como a
participação da família na vida escolar de uma criança com transtorno do espectro
autista favorece o seu processo de aprendizagem de modo a desconstruir processos
inversos como, a exclusão, o preconceito, dentre outros, a superproteção. Este foi
destrinchado nos seguintes objetivos específicos: - pesquisar como deve ocorrer a
participação das famílias de alunos com transtorno do espectro autista em relação
ao processo de ensino e aprendizagem; - conhecer as dificuldades encontradas
pelos professores quando a família não participa ativamente do processo de
inclusão escolar; - descrever processos inclusivos que desconstrua processos
inversos, como, a exclusão, o preconceito, dentre outros.
A hipótese levantada para o estudo foi que a criança com Transtorno do
Espectro Autista desenvolve-se mais e melhor quando a família entende seu papel
como parceiro da escola.
Diante disso, justificou-se a realização da presente pesquisa, uma vez que é
de suma importância o envolvimento da família no processo de desenvolvimento da
criança com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular.
2 INCLUSÃO ESCOLAR, TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E FAMÍLIA
2.1 O Transtorno Espectro Autista – TEA: conceito, diagnóstico, causas e
sintomas
3 Considerações Finais
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