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Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

Este documento discute as literaturas africanas em língua portuguesa. Primeiro, define literatura e conceitua os principais gêneros literários de Cabo Verde, como a revista Claridade. Em seguida, revisa brevemente a literatura de Cabo Verde e sua importância para a identidade cultural do país. Por fim, conclui ressaltando o papel fundamental da literatura para as sociedades africanas.
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Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

Este documento discute as literaturas africanas em língua portuguesa. Primeiro, define literatura e conceitua os principais gêneros literários de Cabo Verde, como a revista Claridade. Em seguida, revisa brevemente a literatura de Cabo Verde e sua importância para a identidade cultural do país. Por fim, conclui ressaltando o papel fundamental da literatura para as sociedades africanas.
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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA


LICENCIATURA EM ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Literaturas africanas em Língua Portuguesa

Elsa José Tomás

Chimoio, Abril de 2022


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
LICENCIATURA EM ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Literaturas africanas em Língua Portuguesa

Elsa José Tomás

708177590

Trabalho submetido a Universidade Católica de


Moçambique no instituto à Ensino a Distância em
Chimoio como requisito parcial para obtenção do grau de
Licenciatura em ensino a língua portuguesa.

Orientado por:

Júlio César Thomo

Chimoio, Abril de 2022

Templante
ÍNDICE
Conteúdo

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................1

1.1 Contextualização................................................................................................................1

1.2 Objectivos de pesquisa............................................................................................................1

1.2.1. Geral................................................................................................................................1

1.2.2. Específicos......................................................................................................................1

1.3 Metodologia.......................................................................................................................2

2. REVISÃO DA LITERATURA.................................................................................................3

2.1 Conceitos da literatura.......................................................................................................3

2.2. Literatura de Cabo Verde.......................................................................................................5

2.2 A revista claridade.............................................................................................................6

3. CONCLUSÃO.......................................................................................................................8

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................................9
1

1. INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização

O presente artigo tem o objectivo explanar sobre as Literaturas Africanas em Língua Portuguesa
e realizar uma reflexão sobre a importância da literatura para a sociedade africana. A língua
portuguesa tornou-se o idioma oficial de alguns países e, hoje, são consolidadas; e expressam as
ideias dos autores e da população. A literatura é marcada pela fragmentação e por uma forte
tradição oral de construção e propagação da sabedoria. A África é um continente formado por
diversas culturas e muitas ainda são desconhecidas pela sociedade moderna. Nesse sentido,
busca-se apresentar algumas características marcantes dos notáveis escritores africanos. 

As literaturas africanas em língua portuguesa podem ser consideradas recém-chegadas, pois os


países que foram colonizados por Portugal receberam sua independência no final do século XX.
No período de colonização, existiu a criação de textos literários nas colónias, entretanto os textos
eram conforme o ponto de vista do colonizador português.

Com o passar dos tempos, os escritores perceberam que deveriam escrever a partir das
perspectivas locais, com isso seus textos começaram a serem entendidos como os de Cabo-Verde,
Moçambique e Angola. A África é um país continental onde existem várias culturas e, muitas
destas culturas existem inúmeras igualdades.

1.2 Objectivos de pesquisa

Subjacente aos temas em discussão, o trabalho visa alcançar 1 (um) objectivo geral, e 2 (dois)
objectivos específicos.

1.2.1. Geral

 Compreender a literatura africana em Língua Portuguesa.

1.2.2. Específicos

 Conceituar a literatura na óptica de diferentes autores;


 Caracterizar a literatura Cabo Verdiana.
2

1.3 Metodologia

Para atingir o objectivo proposto, a pesquisa bibliográfica foi conduzida no Scientific Electronic
Library Online (SciELO), e Google Scholar. Também foram consultados livros e documentos
com relevância para o tema. Estes foram incluídos por acreditar-se que livros e outros
documentos representam produção de conhecimento importante e actual sobre o tema em foco.

Foram critérios de inclusão: publicações disponíveis online, na íntegra, nos idiomas português e
inglês, que abordassem sobre os valores da ética social em revisões sistemáticas e sem limite de
data de publicação. Foram critérios de exclusão: publicações duplicadas e/ou com enfoque
estritamente em ensaios clínicos randomizados. A colecta dos dados foi realizada no dia 14 de
Abril de 2022. Todas as obras analisadas foram citadas juntamente com seus respectivos autores,
respeitando-se, assim, os princípios éticos em pesquisa.
3

2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Conceitos da literatura

A questão remete para uma pluralidade de conceitos complexos e não raro ambíguos. O termo
pode assumir significações diversas, é fortemente polissémico. À partida, e simplificadamente,
podemos dizer que a literatura pertence ao campo das artes (arte verbal), que o seu meio de
expressão é a palavra e que a sua definição está comummente associada à ideia de estética/valor
estético.

Etimologicamente, o termo deriva do latim litteratura, a partir de littera, letra1. Aparentemente,


portanto, o conceito de literatura parece estar implicitamente ligado à palavra escrita ou impressa,
à arte de escrever, à erudição. Nas línguas europeias, a palavra “literatura” designou em regra, até
ao século XVIII, o saber, o conhecimento, as artes e as ciências em geral. Até à segunda metade
desse século, para designar especificamente a arte verbal, o corpus textual, eram utilizadas
palavras como “poesia”, “verso” e “prosa” (que hoje reconhecemos enquanto classificação de
géneros literários).

Citemos Maria Vitalina Leal de Matos: “A palavra “literatura” só em época relativamente recente
desde meados do século XVIII – tem o significado que hoje lhe damos. Até aí, a palavra existia
mas com um sentido diferente: designava, de modo geral, o que estava escrito e o seu conteúdo, o
conhecimento. O vocábulo “literatura” durante o século XVIII, continuando ainda a designar o
conjunto das obras escritas e dos conhecimentos nelas contidos, passa a adquirir uma acepção
mais especializada, referindo-se especialmente às “belas artes”, ganhando assim uma conotação
estética e passando a denominar-se a arte que se exprime pela palavra” (Matos, 2001: 200-201).

Saliente-se que ao significar a arte que se exprime pela palavra, o vocábulo assume desde logo
uma referência nacional, enquanto conjunto da produção literária de determinado país. É na
segunda metade do século XVIII que Voltaire caracteriza a literatura como forma particular de
conhecimento que implica valores estéticos e uma particular relação com as letras. Na mesma
linha de análise, não esqueçamos Diderot e a sua definição de literatura como arte e como o
conjunto das manifestações dessa arte, os textos impregnados de valores estéticos. Diderot
documenta “dois novos e importantes significados com que o lexema “literatura” será
crescentemente utilizado a partir da segunda metade do século XVIII: específico fenómeno
estético, específica forma de produção, de expressão e de comunicação artísticas e corpus de
4

objectos – os textos literários – resultante daquela particular actividade de criação estética”


(Silva, 2007: 6).

Digamos então, à partida, que o fenómeno literário se traduz em duas dimensões: por um lado, a
actividade de criação ou produção literária; por outro, o texto, o corpus textual de determinada
colectividade, de determinado grupo, de determinada época. Na primeira metade do século XX,
três correntes/movimentos de teoria e crítica literária tentam estabelecer o conceito de literatura,
em oposição ao conceito positivista: o Formalismo Russo, o New Criticism americano e a
Estilística.

Estes movimentos “advogam o princípio de que os textos literários possuem características


estruturais peculiares que os diferenciam inequivocamente dos textos não-literários, daí
procedendo a viabilidade e a legitimidade de uma definição referencial de literatura” (Silva, 200.
15). Emerge a ideia de que a literatura deve ser definida como modalidade específica da
linguagem verbal, relacionando-se com a linguística. Tomemos por exemplo o Formalismo

Russo. Para os formalistas russos, a linguagem literária é resultado demuma função específica da
linguagem verbal. Segundo Roman Jakobson, a comunicação verbal pressupõe a interacção de
seis factores, sendo que cada um deles origina uma função linguística específica. Em geral,
verifica-se em cada mensagem a presença de mais do que uma função, embora uma deles seja
dominante:

 A função expressiva (ou emotiva) está centrada no emissor;


 A função conotativa está orientada para o destinatário;
 A função referencial (denotativa ou cognitiva) está orientada para o contexto;
 A função fática ocorre em mensagens que têm por finalidade estabelecer, prolongar ou
interromper a comunicação, isto é, verificar se o processo funciona;
 A função metalinguística está centrada no código, ocorre quando “o emissor e/ou o
receptor julgam necessário averiguar se ambos utilizam na verdade o mesmo código”
(Jakobson);
 A função poética está centrada na própria mensagem.

2.2. Literatura de Cabo Verde

O impacto do colonialismo não foi tão drástico, impulsivo e dramático em Cabo Verde como o
foi nas outras regiões africanas que passaram pelo processo de colonização portuguesa. Essa
5

situação acabou por criar algumas condições necessárias para o aparecimento da literatura cabo-
verdiana. Amílcar Cabral (1976, p. 25) informa-nos que “desde muito cedo a terra, bem como os
centros de controlo e administração, passaram para as mãos de uma burguesia nascida em Cabo
Verde, formada, maioritariamente, por mestiços”.

Em seus apontamentos sobre a literatura cabo-verdiana, Cabral (1976) afirma que a poesia que se
escrevia em Cabo Verde caracterizava-se por um desprendimento quase total do ambiente,
sublimando-se numa expressão poética que nada tinha em comum com a terra e o povo do
arquipélago. Para Cabral, possuidores de uma cultura clássica, adquirida principalmente no
Seminário de S. Nicolau, os poetas da geração em referência esqueceram-se da terra e do povo.
De olhos fixos nos clássicos europeus, os escritores produziam uma poesia em que o amor, o
sofrimento pessoal, a exaltação patriótica e o saudosismo eram traços comuns.

Em raras excepções, como nas composições de P. Cardoso, ao traduzir, do crioulo, quadras


populares do Fogo, encontrava-se algo do que, mais tarde, se tornaria realidade nos poetas da
nova geração: uma comunhão íntima entre o poeta e o seu mundo. Porém, era ainda a influência
da cultura clássica que caracterizava o aspecto formal da poesia em referência: o respeito sagrado
à métrica e a submissão à rima. Essa submissão ao modelo de escrita europeu devia-se à condição
económica em que vivia a elite cabo-verdiana, alheia à realidade do país. Segundo Cabral (1976,
p. 27), para essa elite, a terra e o povo estavam distantes: “Este, nas letras da Morna, canta os
seus sofrimentos e amores, enquanto os poetas compõem sonetos perfeitos para exaltar um
sentimento qualquer, as belezas da Grécia ou uma data célebre da História”.

Entre 1920 e 1930 já existia uma elite muito consciente dos problemas que afectavam as ilhas.
Essa elite concentrava-se em São Nicolau, Santo Antão e São Vicente, e muitos eram
comerciantes, professores, estudantes e jornalistas que estavam em contacto com as correntes e os
movimentos literários de Portugal, como o modernismo e o neo-realismo. Mas foi sobretudo o
modernismo brasileiro que influenciou essa geração de escritores, que começava a tomar uma
consciência cada vez mais nítida da realidade das ilhas. A atenção era focada cada vez mais na
terra, no ambiente socioeconómico e no povo das ilhas.

Os poetas dessa fase eram homens comuns que caminhavam de mãos dadas com o povo e tinham
os pés fincados na terra. Cabo Verde passou a ser o espaço e o ambiente onde as árvores morrem
de sede, os homens, de fome, e a esperança nunca morre. O mar passou a ser a estrada da
libertação e da saudade, e o marulhar das vagas, a tentação constante, a lembrança permanente do
6

desespero de querer partir e de ter de ficar. A terra, a terra mártir, tornou-se a Mamã que alimenta
os filhos; que não morreu, mas jaz adormecida numa migalha de terra no meio do mar. A voz do
poeta, agora, é a voz da própria terra, do próprio povo, da própria realidade cabo-verdiana.

O grande passo para a virada da temática da literatura produzida em Cabo Verde foi dado em
1936, na Ilha de S. Vicente, por um grupo de intelectuais, que lançou a revista Claridade. Os
intelectuais que possibilitaram a publicação da revista foram, principalmente, Baltasar Lopes
(autor do romance Chiquinho – 1947), Manuel Lopes (autor do romance Os flagelados do vento
leste – 1960) e Jorge Barbosa (poeta renomado, autor de Arquipélago – 1935, Ambiente – 1941,
Caderno de um ilhéu – 1956, e Poesia inédita e dispersa – edição póstuma, 1993).

Podem ser indicadas como presenças literárias fortes no movimento dos “claridosos”,
principalmente nos primeiros anos, a revista portuguesa Presença, de Coimbra, que publicou
vários poemas de Jorge Barbosa e tinha uma boa recepção entre os intelectuais caboverdianos, e a
literatura brasileira, principalmente os romances neo-realistas da segunda fase do modernismo:
Menino do engenho e Bangüê, de José Lins do Rego, Jubiabá e Mar morto, de Jorge Amado, e
romances de Graciliano Ramos, de Raquel de Queiroz e de Marques Rebelo. A poesia de Manuel
Bandeira foi um “alumbramento” para os intelectuais caboverdianos, que também destacaram
Jorge de Lima e Ribeiro Couto como descobertas instigantes.

De modo parecido a Angola e Moçambique, a literatura começa, em princípio, com a imprensa


(Cabo Verde, 1907, A Voz de Cabo Verde, 1911, O Mindelense, 1913, O Cabo-verdiano, 1918
etc.). No início do século XX, instaura-se o período Hesperitano, nomeado pela alusão ao mito
das Ilhas Hespérides, em que sobressai o tema de Pasárgada (pela referência ao poema do
brasileiro Manuel Bandeira), de evasionismo (Pedro Cardoso, Hespérides, 1930, José Lopes,
Hesperitanas, 1929).

2.2 A revista claridade

A revista Claridade, marco da literatura moderna cabo-verdiana, surgiu num momento de grande
turbulência nacional e internacional. No âmbito nacional, a situação de grande penúria do povo
cabo-verdiano, consequência de uma má administração secular do colonizador português e das
prolongadas estiagens típicas do arquipélago, bem como o estado de extrema opressão e
repressão causado pelo regime ditatorial salazarista marcaram o quotidiano das ilhas. No plano
internacional, acontecimentos significativos do século XX, tais como a Queda da Bolsa de
7

Valores de Nova Iorque, o Nazismo e o Fascismo, presentes na Europa, bem como a Guerra Civil
Espanhola, caracterizaram um período composto por graves consequências económicas, políticas
e sociais.

O movimento literário cabo-verdiano surgiu com a revista Claridade, em 1936, e vai-se


firmando, lenta e subterraneamente, alastrando-se para fora dessa revista, envolvendo uma
geração inteira. Claridade surgiu sem o habitual Manifesto, que andava na moda por essa altura,
sem uma explicação prévia, sem um programa expresso. O principal projecto da Geração da
Claridade era o de fincar os pés na terra - falar da terra, do homem em todo o seu envolvimento,
da cultura mais própria, criando, assim, raízes com o chão, por forma a proporcionar uma íntima
e profunda ligação de amor firme do homem à terra que o sustém.

Para realizar o desejo de levar o povo a fincar os pés na terra, os homens da Geração da Claridade
tinham, forçosamente, que dedicar grande parte do seu interesse ao movimento contrário a esta
vontade - a emigração. De facto, o tema da emigração foi amplamente retratado na literatura que
marcou a Geração da Claridade. Há mesmo quem acuse os homens desta Geração de dar
demasiada importância e atenção a esta temática, tornando (ao olhar exterior) a literatura cabo-
verdiana da década de 30 quase exclusivamente baseada na temática do "Evasionismo".

De par com esta temática, e talvez motivada por ela, Claridade prende-se a temas recorrentes
como os do terralongismo geográfico - a terra longe, o local de fuga para onde emigravam os
homens de Cabo Verde: América, principalmente; o tratamento duplo do elemento Mar - mar
como prisão, que impede o homem de alargar os seus horizontes, e o mar como evasão, que
permite ao homem novos conhecimentos, novas experiências e, sobretudo, possibilidades de
sobrevivência numa terra, pelo menos, mais fértil; as montanhas e planícies áridas e secas - que
impediam o homem de subsistir naquela terra tão infértil; a dimensão telúrica da terra - onde se
revela um incomensurável amor àquela terra, amor esse que tanto faz sofrer na hora da partida; a
tragédia das eternas secas das ilhas - que fustigam a terra e a alma cabo-verdianas, levando ao
desespero de querer partir.

A envolver todas estas temáticas que giram à volta do grande e marcante tema da emigração
temos, espelhadas em todos os textos, mensagens e condutas destes homens da Claridade, a
indesmentível e claramente declarada fé desmedida, religiosidade pura deste povo que, mesmo
marcado pelas agruras daquela terra, não deixam de esperar que um dia tudo mude e eles
possam fincar os pés numa terra que os sustente plenamente.
8

Em 1936 aparece a revista Claridade, à volta de Baltasar Lopes, com o lema “fincar os pés na
terra caboverdiana”, destacando-se nesta, também, o poeta Jorge Barbosa e os ficcionistas
Manuel Lopes e António Aurélio Gonçalves. Com uma educação literária portuguesa e
europeia (em especial, na literatura francesa do século XIX), trata-se de facto dos criadores da
literatura caboverdiana autónoma que introduzem novos temas como a estiagem, a emigração, a
vida urbana (sobretudo do Mindelo e da burguesia). Baltasar Lopes é autor do romance cabo-
verdiano fundador, Chiquinho, 1947). A revista é publicada ainda nos anos de 1947 – 1949 e de
1958 – 1960. Na esteira desta revista surge Certeza (1944), com maior preocupação pela temática
social, à laia do neorrealismo português (Manuel Ferreira, Orlanda Amarílis etc.).

No início da segunda metade do século XX, há uma ruptura significativa constituída pelo
Suplemento Cultural do Boletim de Cabo Verde (1958), em que se anuncia uma nova geração
(Gabriel Mariano, Ovídio Martins), introduzindo o tema da nacionalidade literária. Esta
ruptura é exemplarmente expressa no ensaio Consciencialização na Literatura Caboverdiana
(CEI, 1963) de Onésimo Silveira e no poema “Gritarei berrarei matarei Não vou para Pasárgada”
de Ovídio Martins, nos quais se recusa o evasionismo esteticista hesperitano e claridoso.

Em 1962 aparece ainda Sèló, o suplemento de Notícias de Cabo Verde, a que estão ligados poetas
como Arménio Vieira ou Oswaldo Osório. Nos anos 70, a literatura consolida-se ainda mais
com uma profusa obra narrativa (p. ex. Teixeira de Sousa), bem como com uma poesia original
(Corsino Fortes). Após a independência, surgem muitas novas revistas, destacando-se Ponto &
Vírgula (1983 – 1987) de Germano Almeida, autor de ficções entre o realismo e a fantasia.
9

3. CONCLUSÃO

O panorama literário aqui apresentado demonstra bem a importância da literatura africana de


expressão portuguesa actualmente. É por meio de textos e autores com as mais variadas propostas
estéticas que se constrói o legado literário das nações lusófonas. Evidentemente, essa produção é
mais bem compreendida no contexto em que se insere, mas, sem dúvida alguma, trata-se de uma
literatura que tem um alcance universal, que ultrapassa os limites do continente africano e da
própria língua portuguesa.

Não devemos nos esquecer, além disso, que essa literatura estabelece laços inquebrantáveis com
a realidade sociocultural brasileira, sendo seu estudo particularmente propício à compreensão de
nossa própria produção literária, caudatária, de certo modo, da cultura de matriz africana e de
suas manifestações linguísticas. Essa valorização do legado cultural africano, aliás, já vem se
realizando, aos poucos, por força da lei 10.639, de 2003, por meio da qual ensino da história e da
cultura africana e afro-brasileira não apenas torna mais eficaz o acesso dos estudantes a
informações preciosas acerca de nossa formação cultural, mas também possibilita a compreensão
que leva à consciência – da formação social brasileira.
10

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Amarilis, O (1983). Ilhéu dos pássaros. Lisboa: Plátano.


2. Anderson, B (1982). Nação e consciência nacional. Tradução Lélio Lourenço de Oliveira.
São Paulo: Ática.
3. Andrade, F (1982). In: FERREIRA, Manuel. O discurso no percurso africano I. Lisboa:
Plátano.
4. Augel, M (2005). O desafio do escombro: a literatura guineense e a narração da
naçã[Link] (Doutorado em Literaturas de Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
5. Barbeitos, Arlindo (1977). Angola angolê angolema. Lisboa: Sá da Costa.
6. Barbosa, Jorge (1989). Poesias – I. Lisboa: ALAC.
7. Cassamo, Suleiman (1989). O regresso do morto. Maputo: Associação dos Escritores
Moçambicanos.
8. Chabal, Patrick (1994). Vozes moçambicanas: literatura e nacionalidade. Lisboa.
9. Chabal, Patrick (1996). The postcolonial literature of lusophone Africa. London: Hurst &
Company..

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