ROGÉRIO RENZETTI 1
1º EXERCÍCIO DE CONTESTAÇÃO
EXERCÍCIO 1 - Exame de Ordem II – adaptado – Reforma Trabalhista
Kelly Amaral, assistida por advogado particular não vinculado ao seu sindicato de classe,
ajuizou reclamação trabalhista, pelo Rito Ordinário, em face do Banco Finanças S/A (RT
nº 1234/2010), em 13.09.2010, afirmando que foi admitida em 04.08.2002, para exercer
a função de gerente geral de agência, e que prestava serviços diariamente de segunda-
feira a sexta-feira, das 09h00min às 20h00min, com intervalo para repouso e
alimentação de 30 (trinta) minutos diários, apesar de não ter se submetido a controle
de ponto. Seu contrato extinguiu-se em 15.07.2009, em razão de dispensa imotivada,
quando recebia salário no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), acrescido de 45%
(quarenta e cinco por cento), a título de gratificação de função.
Nomeada, em janeiro/2009, para exercer o cargo de delegado sindical de representação
obreira, no setor de cultura e desporto da entidade e que inobstante tal estabilidade foi
dispensada imotivadamente, por iniciativa de seu empregador. Inobstante não prestar
atividades adstritas ao caixa bancário, por isonomia, requer o recebimento da parcela
quebra de caixa, com a devida integração e reflexos legais.
Alegou, também, fazer jus a isonomia salarial com o Sr. Osvaldo Maleta, readaptado
funcionalmente por causa previdenciária, e por tal desde janeiro/2008 exerce a função
de Gerente Geral de Agência, ou seja, com idêntica função à autora da demanda, na
mesma localidade e para o mesmo empregador e cujo salário fixo superava R$ 8.000,00
(oito mil reais), acrescidos da devida gratificação funcional de 45%.
Alega a não fruição e recebimento das férias do período 2007/2008, inobstante admitir
ter se retirado em licença remunerada, por 32 (trinta e dois) dias durante aquele período
aquisitivo.
Diante do exposto, postulou a reintegração ao emprego, em face da estabilidade acima
perpetrada ou indenização substitutiva e a condenação do banco empregador ao
pagamento de 02 (duas) horas extraordinárias diárias, com adicional de 50% (cinquenta
por cento), e de 30 minutos extras, pela supressão do intervalo mínimo de uma hora.
Postulou também o recebimento da parcela denominada quebra de caixa, bem como
sua integração e reflexos nos termos da lei, diferenças salariais e reflexos em aviso
prévio, férias integrais e proporcionais, décimo terceiro salário integral e proporcional,
FGTS + 40%, face pleito equiparatório e férias integrais 2007/2008, de forma simples e
acrescidos de 1/3 pela não concessão a tempo e modo. Pleiteou, por fim, a condenação
do reclamado ao pagamento de indenização por danos morais e de honorários
advocatícios sucumbenciais no importe de 20%.
ROGÉRIO RENZETTI 2
Considerando que a reclamação trabalhista foi ajuizada perante a 1ª Vara do Trabalho
de Boa Esperança/MG, redija, na condição de advogado contratado pelo banco
empregador, a peça processual adequada, a fim de atender aos interesses de seu
cliente.
Hora de resolver!
AO DOUTO JUÍZO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE BOA ESPERANÇA/MG
Processo nº 1234/2010
BANCO FINANÇAS S/A, já qualificado nos autos, vem, à presença de Vossa
Excelência, por intermédio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa), com
escritório profissional no endereço profissional, onde recebe intimações e
notificações, com fulcro no art. 847 da CLT, OFERECER:
CONTESTAÇÃO
à reclamação trabalhista que lhe move KELLY AMARAL, já qualificada nos autos em
epígrafe, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.
I – PRELIMINAR
1. Inépcia da petição inicial
Na reclamação trabalhista consta o pedido de indenização por danos morais,
sem a indicação de qualquer causa de pedir.
Nos termos do art. 330, parágrafo 1º, I, do CPC, a petição inicial será inepta
quando lhe faltar o pedido ou causa de pedir. Quanto ao pedido de indenização por
danos morais, a petição inicial apresenta apenas o pedido, estando ausente a causa de
pedir, sendo, portanto, inepta.
Neste sentido, de rigor o acolhimento da preliminar de inépcia da petição inicial,
na forma do art. 337, IV, do CPC.
Pelo exposto, requer a extinção do processo sem resolução do mérito, nos
termos arts. 485, I, e 330, parágrafo 1º, I, do CPC, quanto ao pedido de indenização por
danos morais.
II – PREJUDICIAL DE MÉRITO
Prescrição quinquenal
A reclamante ajuizou reclamação trabalhista em 13/09/2010, postulando as
verbas anteriores ao início do contrato de trabalho, em 04/08/2002.
Nos termos dos arts. 7º, XXIX, da CF, 11 da CLT e Súmula 308, I, do TST, as
pretensões anteriores aos últimos cinco anos, contados da data do ajuizamento estão
prescritas.
Pelo exposto, requer a extinção do processo com resolução do mérito, nos
termos do art. 487, II, do CPC, quanto às parcelas anteriores a 13/09/2005.
III – MÉRITO
1. Reintegração
A reclamante postulou a reintegração ao emprego ou a equivalente indenização
substitutiva, tendo em vista a suposta estabilidade adquirida em janeiro de 2009 por
ROGÉRIO RENZETTI 3
ter sido nomeada delegada sindical de representação obreira.
No entanto, conforme estabelece a OJ 369 da SDI-I do TST, o delegado sindical
não é beneficiário da estabilidade provisória prevista no art. 8º, VIII, da CF/88, a qual
é dirigida, exclusivamente, àqueles que exerçam ou ocupem cargos de direção nos
sindicatos, submetidos a processo eletivo.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
2. Horas extras e intervalo
A reclamante postulou a condenação do reclamado ao pagamento de 2 horas
extraordinárias com adicional de 50% por laborar de segunda a sexta-feira, das 9h às
20h, bem como o pagamento de mais 30 minutos extras pela redução do intervalo
intrajornada.
No entanto, conforme estabelece a Súmula 287 do TST, para o gerente-geral de
agência bancária, presume-se o exercício de encargo de gestão, aplicando-se-lhe o art.
62, II, da CLT. Tal artigo estabelece que não são abrangidos pelo regime do capítulo da
duração da jornada de trabalho os gerentes, assim considerados os exercentes de
cargo de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do disposto no artigo, os diretores
e chefes de departamento ou filial que recebam gratificação de função superior a 40%.
Assim sendo, a reclamante, por ser gerente-geral de agência e perceber gratificação
de função de 45%, não se submete ao controle de jornada de trabalho, não fazendo
jus às horas extras pleiteadas.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
3. Quebra de caixa
A reclamante postulou o recebimento da parcela quebra de caixa, com a devida
integração, e seus reflexos legais, alegando isonomia ao cargo de caixa bancário.
No entanto, tal parcela é devida somente ao caixa bancário, uma vez que suas
atividades demandam uma maior responsabilidade ao lidar diretamente com dinheiro.
Logo, é incabível a percepção da parcela quebra de caixa pela reclamante, que exerce
função de gerente-geral de agência.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
4. Equiparação salarial
A reclamante postulou equiparação salarial ao Sr. Osvaldo Maleta, readaptado
funcionalmente por causa previdenciária.
No entanto, conforme estabelece art. 461, parágrafo 4º, da CLT, o trabalhador
readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou mental atestada pelo
órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma para fins de
equiparação salarial.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
5. Férias 2007/2008
A reclamante postulou o pagamento de férias integrais do período aquisitivo de
2007/2008 de forma simples e acrescidas de 1/3, pela não concessão a tempo e modo.
Entretanto, afirmou ter se retirado em licença remunerada por 32 (trinta e dois) dias
durante aquele período aquisitivo.
No entanto, conforme estabelece o art. 133, II, da CLT, não terá direito a férias o
ROGÉRIO RENZETTI 4
empregado que, no curso do período aquisitivo, permanecer em gozo de licença, com
percepção de salários, por mais de 30 (trinta) dias.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
6. Honorários advocatícios
A reclamante postulou o pagamento de honorários advocatícios de sucumbência
no importe de 20%.
No entanto, conforme estabelece o art. 791-A da CLT, os honorários advocatícios
são devidos entre o mínimo de 5% e o máximo de 15% sobre o valor que resultar da
liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível
mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa.
Pelo exposto, requer a improcedência do pedido da reclamante.
7. Honorários advocatícios
Requer a condenação da reclamante ao pagamento de honorários advocatícios,
nos termos do art. 791-A da CLT, no importe de 15%, sobre o valor que resultar da
liquidação.
IV – REQUERIMENTOS FINAIS
Por todo exposto, requer a produção de todos os meios de prova em direito
admitidos, especialmente pelo depoimento pessoal, prova documental, pericial e
testemunhal, sob os efeitos da confissão.
Requer ainda o acolhimento da preliminar de inépcia, da prejudicial de mérito
de prescrição quinquenal e, no mérito, a improcedência dos pedidos formulados pela
reclamante, bem como a condenação ao pagamento das custas processuais e
honorários advocatícios de e 15%, nos termos do art. 791-A, da CLT.
Termos em que,
pede deferimento.
Local e data.
Advogado(a)
OAB nº