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Mito e Filosofia: A Origem do Pensamento

1) O documento discute o surgimento da filosofia na Grécia antiga a partir do declínio dos mitos e do aumento do uso da razão (logos). 2) A filosofia emergiu durante a transição do saber mítico para o pensamento racional entre os séculos VII-VI a.C. na Grécia. 3) O desenvolvimento da pólis, ou cidade-estado grega, contribuiu para o surgimento da filosofia ao incentivar o debate público e racional sobre assuntos políticos e outros temas.

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Mito e Filosofia: A Origem do Pensamento

1) O documento discute o surgimento da filosofia na Grécia antiga a partir do declínio dos mitos e do aumento do uso da razão (logos). 2) A filosofia emergiu durante a transição do saber mítico para o pensamento racional entre os séculos VII-VI a.C. na Grécia. 3) O desenvolvimento da pólis, ou cidade-estado grega, contribuiu para o surgimento da filosofia ao incentivar o debate público e racional sobre assuntos políticos e outros temas.

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REDE EDUCAMISSAMI

Colégio Santíssimo Sacramento


Evangelizamos educando a partir da Eucaristia

Alagoinhas-BA

Módulo 01

FILOSOFIA

Série/Ano: 9º ano - FII Professor: Delson


Estudante: _____________________________________
I Trimestre
Índice
1. O Mito e a Filosofia
1.1. O que é mito;
1.2. Mito e filosofia: o nascimento da filosofia ou surgimento da filosofia;
1.3. Senso comum e o bom senso
1.4. Do Senso comum ao senso crítico
1.5. Consciência crítica e filosófica
1.6. Cosmogonia e Cosmologia: os filósofos pré-socráticos

2. Conhecimento - simbiose entre sujeito e objeto


2.1. A capacidade de conhecer
2.2. Formas de conhecer - Intuição
2.3. Conhecimento discursivo

2.4. Teoria do conhecimento

2.5. A possibilidade do conhecimento

1. O Mito e a Filosofia

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 1


1.1. O que é mito;
Entre as mais antigas explicações conhecidas sobre o mundo formuladas por
diversos grupos humanos ao longo da história, encontram-se as lendas e os mitos de
culturas muito antigas – egípcia, indiana, chinesa, grega, romana, asteca, maia, entre
outras – e suas respectivas cosmogonias ou cosmogêneses, isto é, exposições sobre a
origem e a formação do universo.

No caso dos gregos, um conjunto de deuses primordiais representava, segundo a


narrativa mítica, o surgimento do cosmos (“universo ordenado”, conforme estudamos no
capítulo 1). De acordo com o poema Teogonia (“origem dos deuses”), de Hesíodo, escrito
por volta de VIII a.C., a primeira divindade teria sido Caos (o abismo, o vazio
indeterminado e ilimitado), mas logo apareceram Gaia (a Terra), Tártaro (o mundo
subterrâneo, de trevas profundas) e Eros (o amor). De cada uma dessas divindades
vieram outras e, da união entre elas, nasceram outras mais, conformando assim várias
estirpes de deuses e deusas, heróis e heroínas e outras entidades.

Desse modo, as forças e os fenômenos da natureza e dos seres naturais estavam


simbolicamente representados em seres divinos ou sobrenaturais, geralmente concebidos
segundo a imagem humana, antropomorfizados. A cosmogonia contida nos mitos
equivalia praticamente à genealogia de suas deidades.

Genealogia – estudo da origem e história de um indivíduo em


relação a seus antepassados ou família. Por extensão, em
alguns filósofos, estudo das concepções e acontecimentos que
determinaram ou favoreceram a formação de certas ideias,
valores ou crenças

Em seu significado original, o termo mito refere-se às narrativas e ritos tradicionais,


pertencentes à cultura de um povo, que utilizam elementos simbólicos para explicar a
realidade e dar sentido a suas vidas. De acordo com o especialista romeno em história
das religiões Mircea eliade (1907-1986), “o mito conta uma história sagrada; ele relata um
acontecimento ocorrido no tempo primordial […]. o mito narra como, graças às façanhas
dos entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir […].” (Mito e realidade, p. 11).

Por intermédio de ritos sagrados, diversos grupos humanos renovavam suas


alianças com os seres sobrenaturais, o que produzia uma sensação de amparo diante
dos perigos da existência. Assim, a consciência mítica mostrava-se operativa, isto é,
trazia resultados, transmitindo os valores desejados pelas sociedades. no mundo
contemporâneo ocidental predomina uma visão racional e materialista da realidade, mas
o mito ainda tem lugar privilegiado em diversas culturas espalhadas por todo o planeta.

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 2


O psiquiatra suíço Carl g. Jung (1875-1961) considerava
importante o indivíduo trabalhar internamente seus próprios
símbolos e mitos. Por isso estimulava as pessoas a
refletirem sobre si mesmas, tendo como referência a
seguinte pergunta: “Qual é o mito que você vive?”. Pesquise
diversas mitologias e identifique o mito que mais reflete sua
maneira de ser neste instante. encontre o aspecto da
realidade ou valor que ele representa e por que você se
identifica com ele.

1.2. Mito e filosofia: o nascimento da filosofia ou surgimento da filosofia;


Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasceu na Grécia entre os séculos
VII e VI a.c., promovendo a passagem do saber mítico (alegórico) ao pensamento racional
(logos). Essa passagem ocorreu durante longo processo histórico, sem um rompimento
brusco e imediato com as formas de conhecimento utilizadas no passado. Durante muito
tempo os primeiros filósofos gregos compartilharam de crenças míticas, enquanto
desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a filosofia. Essa transição do
mito à razão “significa precisamente que já havia, de um lado, uma lógica do mito e que,
de outro lado, na realidade filosófica ainda está incluído o poder do lendário” (Châtelet,,
História da filosofia: ideias, doutrinas, v. 1, p. 21).

Conforme analisa o historiador francês Pierre Grimal (1912-1996) em A mitologia


grega:

O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão, como a palavra que


narra à palavra que demonstra. Logos e mito são as duas metades da
linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito. O
logos, sendo uma argumentação, pretende convencer. O logos é
verdadeiro, no caso de ser justo e conforme à “lógica”; é falso quando
dissimula alguma burla secreta (sofisma). Mas o mito tem por finalidade
apenas a si mesmo. Acredita-se ou não nele, conforme a própria vontade,
mediante um ato de fé, caso pareça “belo” ou verossímil, ou simplesmente
porque se quer acreditar. O mito, assim, atrai em torno de si toda a parcela
do irracional existente no pensamento humano; por sua própria natureza, é
aparentado à arte, em todas as suas criações. (p. 89.)

A força da mensagem dos mitos reside, portanto, na capacidade que eles têm de
sensibilizar estruturas profundas, inconscientes, do psiquismo humano.

Retornemos a nosso tema: o nascimento da filosofia.

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Segundo análise do historiador e filósofo francês Jean-Pierre Vernant (1914-2007),
o momento histórico da Grécia antiga em que se afirma a utilização do logos (a razão)
para resolver os problemas da vida estaria vinculado ao surgimento da pólis, cidade-
estado grega. A pólis foi uma nova forma de organização social e política, desenvolvida
entre os séculos VIII e VI a.C., na qual os cidadãos passaram a dirigir os destinos da
cidade. Entendida como criação dos próprios cidadãos, e não dos deuses, a pólis podia
ser explicada e organizada de forma racional, isto é, de acordo com a razão.

Debate em praça pública uma das características das cidades-estado gregas –


especialmente atenas – era a prática constante da discussão política em praça pública
pelos cidadãos. Isso contribuiu para que o raciocínio bem formulado e convincente se
tornasse, com o tempo, o modo adotado para refletir sobre todas as coisas, não só as
questões políticas.

Por isso, para Vernant, a razão grega é filha da pólis, e o nascimento da filosofia
relaciona-se de maneira direta com o universo espiritual que então surgiu:

O que implica o sistema da pólis é primeiramente uma extraordinária


preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos de poder. [...]
A palavra não é mais o termo ritual, a fórmula justa, mas o debate
contraditório, a discussão, a argumentação [...]. A arte política é
essencialmente exercício da linguagem; e o logos, na origem, toma
consciência de si mesmo, de suas regras, de sua eficácia, através de sua
função política. [...] Uma segunda característica da pólis é o cunho de
plena publicidade dada às manifestações mais importantes da vida social.
[...] A cultura grega constitui-se, dando a um círculo sempre mais amplo –
finalmente ao demos [povo] todo – o acesso ao mundo espiritual,
reservado no início a uma aristocracia [...]. Tornando-se elementos de uma
cultura comum, os conhecimentos, os valores, as técnicas mentais são
levadas à praça pública, sujeitos à crítica e à controvérsia. [...] Doravante,
a discussão, a argumentação, a polêmica tornam-se as regras do jogo
intelectual, assim como do jogo político. Era a palavra que formava, no
quadro da cidade, o instrumento da vida pública; é a escrita que vai
fornecer, no plano propriamente intelectual, o meio de uma cultura comum
e permitir uma completa divulgação de conhecimentos previamente
reservados ou interditos. (Vernant, As origens do pensamento grego, p.
34-36.)

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Atividades (responder no caderno)
01) “Logos e mito são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente
fundamentais da vida do espírito.” explique essa afirmação de Pierre Grimal.

02) Por que se pode dizer, baseado no estudo do helenista Jean-Pierre Vernant, que o
surgimento da filosofia foi engendrado em “praça pública”?

03) Acredita-se ou não nele [o mito], conforme a própria vontade, mediante um ato de fé,
caso pareça “belo” ou verossímil, ou simplesmente porque se quer acreditar. (GrimaL, A
mitologia grega, p. 89.) reflita sobre essa afirmação, procurando relacioná-la com alguns
mitos do mundo atual. Depois, compartilhe com a classe suas reflexões e descobertas e
escute as de seus colegas.

1.3. Senso Comum e bom senso

Chamamos senso comum ao conhecimento adquirido por tradição, herdado dos


antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que
pertencemos. Trata-se de um conjunto de ideias que nos permite interpretar a realidade, bem como
de um corpo de valores que nos ajuda a avaliar, julgar e portanto agir.

Como examinaremos ao longo deste percurso filosófico , o senso comum não é refletido e se
encontra misturado a crenças e preconceitos. É um conhecimento ingênuo (não-crítico),
fragmentário (porque difuso, assistemático e muitas vezes sujeito a incoerências) é conservador
(resiste às mudanças). Com isso não queremos desmerecer a forma de pensar do homem comum,
mas apenas enfatizar que o primeiro estádio de conhecimento precisa ser superado em direção a
uma abordagem crítica e coerente, características estas que não precisam ser necessariamente
atributos de formas mais requintadas de conhecer, tais como a ciência ou a filosofia.

Em outras palavras, o senso comum precisa ser transformado em bom senso, este entendido
como a elaboração coerente do saber e como explicitação das intenções conscientes dos indivíduos
livres. Segundo o filósofo Gramsci, o bom senso é "o núcleo sadio do senso comum". Qualquer
pessoa, não sendo vítima de doutrinação e dominação, e se for estimulada na capacidade de
compreender e criticar, torna-se capaz de juízos sábios porque vitais, isto é, orientados para sua
humanização.

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Geralmente os obstáculos à passagem do senso comum ao bom senso resultam da exclusão
do indivíduo das decisões importantes na comunidade em que vive. Em sociedades não-
democráticas as informações não circulam igualmente em todas as camadas sociais e nem todos têm
igual possibilidade de consumir e produzir cultura. No Brasil, por exemplo, um terço das crianças
em idade escolar estão excluídas da educação, isso sem falar da pirâmide educacional segundo a
qual os que têm acesso à escola abandonam o estudo no decorrer do processo, sendo mínima a
porcentagem dos que atingem os níveis superiores de escolarização.

Não é só isso. Mesmo aqueles que frequentam escolas submetem -se à perversa divisão em
que, para alguns, é reservada a formação humanística e científica, enquanto outros recebem apenas
preparação técnica, mantendo -se a dicotomia trabalho intelectual/trabalho manual. Com isso é
garantida a dominação daqueles que são obrigados a se ocupar apenas com o fazer . A superação de
tal estado de coisas decorre não só da democratização do acesso à escola e da negação da escola
dualista (formação acadêmica versus formação técnica) como também depende da conquista de
espaços possíveis de atuação nos sindicatos e nas organizações representativas dos mais diversos
tipos.

No entanto, não são apenas os trabalhadores manuais que não têm conseguido passar do
senso comum para o bom senso. Funcionários de empresas, empresários, especialistas de qualquer
área, inclusive cientistas, podem estar restritos a formas fragmentárias do senso comum quando se
acham presos a preconceitos, a concepções rígidas, quando sucumbem à ação massificante dos
meios de comunicação de massa.

Outras vezes, renunciamos ao exercício do bom senso quando nos submetemos ao poder dos
tecnocratas, seduzidos pelo "saber do especialista". Basta observar a timidez de decisão dos pais
que, ao educarem os filhos, delegam poderes a psicólogos, pedagogos e pediatras. Não
pretendemos, ao dizer isso, desvalorizar a contribuição tão importante da ciência, muito ao
contrário! Apenas ressaltamos que o homem leigo não precisa permanecer passivo diante do saber
do técnico, demitindo-se das ações que ele próprio poderia exercer. Ele tem o direito de informar-se
ativamente a respeito do tratamento a que se acha submetido e dos seus efeitos.

Em última análise, convém desmistificar a tendência de cultuar as pessoas "estudadas" em


detrimento do homem "sem letras" ou simplesmente não especialista. Qualquer homem, se não foi
ferido em sua liberdade e dignidade, e se teve ocasião de desenvolver a habilidade crítica, será
capaz de autoconsciência, de elaborar criticamente o próprio pensamento e de analisar
adequadamente a situação em que vive. É nesse estádio que o bom senso se aproxima da filosofia,
da filosofia de vida. Podemos perceber que não é automática a passagem do senso comum ao bom

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senso, e um dos obstáculos ao processo se encontra na difusão da ideologia, entendida em sentido
restrito.

“Deus ajuda quem cedo


madruga” “ Querer é poder!”
“Filho de peixe,
peixinho é…”

1.4. Do Senso comum ao senso crítico

De maneira geral, os vários modos da consciência coexistem, maior ou menor grau, quando
emitimos algum juízo sobre a realidade. Isso nos leva a fazer outra distinção em relação a certo tipo
de saber.

Em nossa conversa diária com as pessoas é comum surgir uma série de opiniões sobre os
mais variados assuntos. Muitas dessas opiniões frequentemente conseguem um consenso, isto é,
obtêm a concordância da maioria das pessoas de um grupo. Essas opiniões podem também se tornar
concepções aceitas por diversos segmentos de uma sociedade. Esse vasto conjunto de opiniões,
aceitas como verdadeiras, mas sem fundamentação de sua validade, recebe o nome de senso
comum. O filósofo belga Chaim Perelman ( 1912 - 1984) define senso comum como uma série de
crenças admitidas por um determinado grupo social, cujos membros acreditam serem
compartilhadas por todos os homens.

O senso comum reflete o entendimento médio, comum das pessoas. São usualmente
generalizações, cuja origem ou fundamentação inicial já se perdeu. Muitas dessas concepções
podem ser encontradas em frases feitas ou em ditados populares, como “amigos, amigos, negócios à

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parte”, “Deus ajuda quem cedo madruga”, “Querer é poder”, “Filho de peixe, peixinho é” .
repetidas irrefletidamente no cotidiano, algumas noções do senso comum manifestam ideias falsas,
preconceituosas ou parciais da realidade. Outras, no entanto, revelam profunda reflexão sobre a
vida – o que chamamos sabedoria popular.

Mas há também aquelas que reproduzem determinadas conclusões científicas popularizadas,


como “Vitamina C é boa contra resfriado”. O que se verifica nas noções do senso comum é que,
frequentemente, os modos de consciência encontram-se emaranhados, formando uma aglutinação
acrítica (sem exame crítico) de juízos ou concepções, provenientes tanto da intuição como do
campo racional ou religioso. assim, o que caracteriza basicamente as convicções pertencentes ao
senso comum não é sua falta de veracidade (capacidade de expressar a verdade ou não), mas sim
sua falta de fundamentação, ou seja, o fato de que as pessoas não costumam saber o porquê dessas
noções. Simplesmente as repetem irrefletida e automaticamente, pois é assim que pensa o grupo
social ao qual pertencem. Era o que Sócrates tentava mostrar. Isso significa que, após realizar um
exame crítico das noções de senso comum, podemos encontrar bons fundamentos (explicações)
para certas opiniões, mas para outras, não. Em consequência, as primeiras poderiam ser
consideradas afirmações verdadeiras, e as segundas, falsas. Veja uma representação gráfica dessa
explicação.

★ Interprete o gráfico acima.

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CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 8


Ter em conta os limites do senso comum e procurar desenvolver uma consciência mais
crítica nos ajuda a não cair na armadilha das opiniões e das aparências. Veja o seguinte exemplo do
Sol:

• aparência – de forma intuitiva, parece não haver nenhum problema com a noção de que o
Sol nasce a leste, cruza o céu diurno e se põe a oeste. todos podem comprovar esse fenômeno, que é
uma experiência diária, permanente e universal;

• conhecimento científico – só que os astrônomos sabem – e a gente aprende desde cedo na


escola – que isso é aparente: o que de fato ocorre é que a terra gira em torno de seu eixo no
movimento de rotação, de oeste a leste, dando a impressão de que é o Sol que se move de leste a
oeste.

Assim, essa noção do senso comum está errada (é falsa), e nós devemos ativar nossa
consciência crítica a fim de não cair na tentação de defender ideias “tão óbvias” como essa sem
buscar uma boa fundamentação para elas. Ocorre, no entanto, que a consciência crítica tende a ser,
como dissemos, crítica de si mesma, tendo a capacidade de produzir uma reviravolta: ela percebe
que é possível relativizar a importância dada à visão astronômica do fenômeno (consciência
racional) e resgatar o valor da vivência direta (consciência intuitiva). Veja que, apesar de a
explicação astronômica (a teoria) ser incontestável, na prática (que se diz práxis no jargão
filosófico) o que nós percebemos e vivemos diariamente de forma intuitiva é o Sol movimentando-
se de leste para oeste, e é isso o que importa conhecer em nossas vidas cotidianas, de modo geral.
Por exemplo, para buscar a melhor insolação e decidir o posicionamento de uma casa, é mais útil
saber o lado onde o Sol “nasce” do que o lado para o qual a terra gira, embora uma coisa explique a
outra.

Isso quer dizer que, de outra perspectiva, o senso comum está correto. Há noções do senso
comum que, do ponto de vista da práxis, podem ser tão proveitosas quanto as do meio científico,
dependendo do contexto em que se aplicam.

Vimos, nesse exemplo, como a consciência, ao ser crítica, é capaz de perceber o mundo
externo e realizar um diálogo interno, em um pingue-pongue ou vaivém dialético entre esses
processos mentais e diferentes modos de consciência. Isso nos indica que o desenvolvimento da
consciência crítica também depende do crescimento harmonioso de duas operações básicas de nossa
consciência: a atenção para o mundo e a reflexão sobre si. Se apenas uma delas progride, há uma
deformação, um abalo no processo de conscientização e de conhecimento. Como filosofou o
escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), o ser humano só conhece o mundo
dentro de si se toma consciência de si mesmo dentro do mundo. Trata-se de um processo dialético,

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 9


que vai do eu ao mundo e do mundo ao eu, da identidade (consciência de si) à alteridade
(consciência do outro) e vice-versa.

1.5. Consciência crítica e filosófica

A consciência filosófica, crítica implica, portanto, não apenas o processo de estranhar-


duvidar-questionar, mas também a prática de estabelecer correlações entre as coisas, as
informações, os fatos, os indivíduos envolvidos e você mesmo/mesma dentro desse contexto.

[...] ao objetivar meu próprio ser por meio da


linguagem meu próprio ser torna-se maciça e
continuamente acessível a mim, ao mesmo
tempo que se torna assim alcançável pelo
outro. (Berger e LuckMann, A construção
social da realidade, p. 58.)

A filosofia não tem apenas a importantíssima função crítica (analítica). Ela realiza também
uma função construtiva (sintética), pois trata de considerar e relacionar todos os elementos de uma
totalidade, tentando organizar uma visão de mundo verdadeira ou, pelo menos, mais próxima da
verdade. Observe que você domina todos os conceitos contidos nessa definição. E já começou a
trabalhar no desenvolvimento de suas habilidades críticas e a filosofar, em um processo que almeja
fundamentalmente a sabedoria. Então, vamos lá…ampliar as nossas concepções sobre
conhecimento e sabedoria.

Por que dizemos sabedoria e não conhecimento?

Conhecimento é uma palavra que tem vários significados, mas podemos sintetizá-los em
dois:

• em um sentido amplo e geral (que se diz, em filosofia, lato sensu), conhecimento é a


percepção ou consciência que se tem de algo. Por exemplo: o conhecimento de quem é fulano, o
conhecimento do que disse beltrano, o conhecimento de como se chega a tal lugar etc. Trata-se da
simples consciência que se tem de algo, fruto de uma experiência direta ou de uma informação
recebida, que pode ou não estar equivocada;

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 10


• já em um sentido mais específico e restrito (que se diz, em filosofia, stricto sensu),
conhecimento significa consciência do que algo realmente é (ou seja, da verdade), por oposição ao
conhecimento ilusório ou enganoso. trata-se do que se sabe solidamente, de maneira fundamentada,
como é o saber dos especialistas (pelo menos em princípio). É a episteme dos gregos. As diversas
áreas da ciência buscam esse tipo de saber (aliás, o termo ciência, em sua raiz etimológica latina,
significa “conhecimento”).

Observe a representação desta percepção:

Uma expressão da visão integradora


do conhecimento, que ainda persistia
em boa medida na idade Moderna, é
a metáfora da árvore do saber,
proposta por Descartes no século
XVII. No prefácio de sua obra
Princípios de filosofia, ele explica
que toda a filosofia é como uma
árvore, cujas raízes são a metafísica,
o tronco é a física e os ramos que
saem desse tronco constituem todas
as outras ciências, que se reduzem a
três principais: a medicina, a
mecânica e a moral. Observe que a
teologia (ou religião) já não fazia
parte de seu projeto científico-
filosófico.

Os filósofos também buscam o conhecimento stricto sensu. aliás, foram eles que começaram
a sistematizar essa busca há mais de 24 séculos, quando não havia separação entre filosofia e
ciência. Foram eles que iniciaram esse processo de tentar explicar os fenômenos naturais e humanos
sem o auxílio dos deuses e mitos, apoiando-se progressivamente na razão. Mas os filósofos
procuravam igualmente um tipo de saber superior, uma espécie de “conhecimento por detrás do
conhecimento”, bem como um “conhecimento que vai além do conhecimento”, que permite estar
lúcido em meio ao turbilhão da existência. É a esse conhecimento integrador – que conduz à vida
boa – que damos o nome de sabedoria.

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 11


★ Este gráfico é semelhante ao da página 06, com uma alteração. Interprete-o.

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Vemos então que, embora hoje em dia a filosofia e a ciência sejam entendidas como duas
áreas de estudo muito distintas e separadas, nem sempre foi assim. Desde a Grécia antiga, o saber
filosófico reunia o conjunto dos conhecimentos racionais desenvolvidos pelo ser humano:
matemática, astronomia, física, biologia, lógica, ética, política etc. Não havia separação entre
filosofia e ciência. Elas estavam fusionadas, eram a mesma coisa.

Até mesmo a investigação sobre Deus (a teologia) fazia parte das especulações dos
filósofos. Essa visão integradora perdurou até o fim da Idade Média. A partir da idade Moderna,
com o desenvolvimento do método científico, aplicado primeiro pela física, a realidade a ser
conhecida passou a ser progressivamente dividida, recortada, atomizada em setores independentes.
Desse modo, surgiram as diversas áreas de investigação científica que conhecemos hoje, como a
matemática, a física, a química, a biologia, a geografia, a antropologia, a psicologia, a sociologia,
entre outras. Acabava, assim, a antiga unidade do conhecimento.

Mas esse processo de especialização não parou aí, pois cada uma dessas grandes áreas
científicas também se subdividiu em outras mais específicas, sobretudo a partir do século XX. Por
isso se diz hoje que vivemos a “era dos especialistas”. No contexto dessa separação, a filosofia não
abandonou seus vínculos com o campo hoje denominado científico, mas passou a relacionar-se com
ele de outro modo. Ela realiza atualmente – notadamente o setor da filosofia da ciência – o trabalho
de reflexão sobre os conhecimentos alcançados pelas diversas áreas científicas, questionando a
validade de seus métodos, critérios e resultados. Nesse sentido, ela fornece uma importante
contribuição para os estudos epistemológicos de cada ciência. Ao mesmo tempo, por sua
abordagem abrangente, a filosofia ainda representa, em certo sentido, a possibilidade de integração
de todos esses saberes.

Tenha em conta que a filosofia ocidental não é a única forma de


pensar reflexivo sobre a realidade, embora alguns estudiosos
reivindiquem que o termo filosofia deve ser aplicado apenas à
produção filosófica do Ocidente. Diversas culturas da Ásia e do
Oriente Médio também desenvolveram pensamentos ricos e
abrangentes
CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais sobre os diversos aspectos
Módulo 01 -do universo e12da
FILOSOFIA
existência – e até mesmo crítico, conforme assinalam alguns
estudiosos –, podendo perfeitamente ser denominados
“filosofias”.
Atividades (responder no caderno)
01) Explique que tipo(s) de consciência(s) se destaca(m) na filosofia e no filosofar.

02) Algumas noções do senso comum escondem ideias falsas, parciais ou preconceituosas,
enquanto outras revelam profunda reflexão sobre a vida. Como você explica essa contradição?

03) Identifique, entre as afirmações a seguir, aquelas que podem ser consideradas noções do senso
comum e as que constituem meras opiniões ou crenças pessoais. Justifique.

I. toda criança deve receber educação escolar.

II. Os dias de chuva são belos.

III. O cão é o melhor amigo do ser humano.

IV. Quanto maior a velocidade, maior o risco de acidente.

V. Os sorvetes de morango são os mais gostosos.

VI. Domingo é dia santo.

04) Destaque as semelhanças e as diferenças entre o saber da ciência e o saber da filosofia.

05) (UFMG) Leia este trecho: “Eu quero dizer que o mal [...] não tem profundidade, e que por esta
mesma razão é tão terrivelmente difícil pensarmos sobre ele [...] O mal é um fenômeno superficial
[...] Nós resistimos ao mal em não nos deixando ser levados pela superfície das coisas, em parando
e começando a pensar, ou seja, em alcançando uma outra dimensão que não o horizonte de cada dia.
Em outras palavras, quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ele ceda ao mal.”
(ARENDT, H. Carta a Grafton, apud ASSY, B. Eichmann, banalidade do Mal e Pensamento em
Hannah Arendt. in: Jardim, e.; BIGNOTTO , N. (org.). Hannah Arendt, diálogos, reflexões,
memórias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. p. 145.)

A partir da leitura desse trecho, redija um texto, argumentando a favor de ou contra esta afirmativa:
“Para se prevenir o mal, é preciso reflexão”.

CSSS 9º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais Módulo 01 - FILOSOFIA 13


1.6. Cosmogonia e Cosmologia: os filósofos pré-socráticos

De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como
período pré socrático (isto é, anterior a Sócrates ou à sua filosofia). Assim, esse período abrange o
conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto, no século VII a.C., até o
séc. V a.C. cabe ressaltar, porém, que alguns filósofos chamados “pré-socráticos” foram
contemporâneos de Sócrates, sendo assim designados porque mantiveram o tipo de investigação de
seus predecessores, centrado na natureza.

Sócrates, por sua vez, inaugurou outro tipo de reflexão, voltado ao ser humano, dando início
à tradição clássica da filosofia grega . É difícil conhecer o pensamento do período pré-socrático em
toda a sua dimensão, pois são poucos os escritos encontrados de seus pensadores, e até mesmo suas
datas de nascimento e morte são incertas.

Dentre os objetivos desses primeiros filósofos, destaca-se a construção de uma cosmologia –


explicação racional e sistemática das características do universo – que substituísse a antiga
cosmogonia – explicação sobre a origem do universo baseada nos mitos. Assim, com base na razão
e não na mitologia, os primeiros filósofos gregos tentaram encontrar o princípio substancial ou
substância primordial (a arché, em grego) existente em todos os seres, a “matéria-prima” de que são
feitas todas as coisas.

Quando afirmamos que a filosofia nasceu na Grécia, devemos tornar essa afirmação mais
precisa. Afinal, nunca houve na antiguidade um estado grego unificado. O que chamamos de Grécia
nada mais era que o conjunto de muitas cidades-estado (pólis), independentes umas das outras e

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muitas vezes rivais . Portanto, no vasto mundo grego, a filosofia teve como berço mais
precisamente a cidade de Mileto, situada na Jônia, litoral ocidental da Ásia Menor (região hoje
pertencente ao território da turquia). Caracterizada por múltiplas influências culturais e por um rico
comércio, Mileto abrigou os três primeiros pensadores da história ocidental a quem atribuímos a
denominação filósofos. São eles: Tales, Anaximandro e Anaxímenes.

a) Tales: a água

Tales de Mileto (c. 623-546 a.c.) é tido como o pensador que deu início à indagação racional
sobre o universo. Inspirando-se provavelmente em concepções egípcias, acrescidas de suas próprias
observações de corpos hídricos – como rios e mares –, bem como da vida animal e vegetal, ele
dizia: “tudo é água”.

Assim para Tales, a água – por permanecer basicamente a mesma em todas as


transformações dos corpos, apesar de assumir diferentes estados (sólido, líquido e gasoso) – seria a
arché, a substância primordial, a origem única de todas as coisas, presente em tudo o que existe.
Como princípio vital, a água penetraria todos os seres, de tal maneira que tudo seria animado por
ela. Isso quer dizer que tudo teria alma (isto é, anima ou psyché) e, ao mesmo tempo, tudo seria
também divino (ou “cheio de deuses”), pois não haveria separação entre o sagrado e o mundano.

O universo seria uno e homogêneo. Apesar da simplicidade da afirmação de Tales a respeito


da água – e considerando que a água não representava para ele o mesmo que representa hoje para
nós –, pela primeira vez tentava-se explicar a multiplicidade da realidade de maneira sintética e
simples, empregando um elemento natural e concreto, visível para todos. Era também a primeira
concepção monista da filosofia, pois considera que tudo o que existe pode ser reduzido a um
princípio único ou realidade fundamental . Muitas outras concepções monistas surgiriam depois.

b) Anaximandro: o indeterminado

Outro filósofo de Mileto, Anaximandro (c. 610- -547 a.c.), discípulo de Tales, procurou
aprofundar as concepções do mestre sobre a origem única de todas as coisas e resolver os
problemas que Tales lançara.

Ele buscou em meio aos diversos elementos observáveis e determinados no mundo natural –
especialmente os tradicionais pares de contrários que se “devoram entre si” (água, terra, ar e fogo)
–, mas não lhe foi possível identificar entre eles o princípio único e primordial de todos os seres.
Anaximandro pensou, então, que deveria haver alguma substância diferente, ilimitada, e que dela
nascessem o céu e todos os mundos nele contidos. Foi assim que o filósofo chegou à conclusão de
que a arché é algo que transcende os limites do observável, ou seja, que não se situa em uma

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realidade ao alcance dos sentidos, como a água. Por isso, denominou-a ápeiron, termo grego que
significa “o indeterminado”, “o infinito” no tempo.

O ápeiron seria a “massa geradora” dos seres e do cosmo, contendo em si todos os


elementos opostos. Segundo sua explicação, por diversos processos naturais de diferenciação entre
contrários (por exemplo, frio e calor) e de evaporação teriam surgido o céu e a terra, bem como os
animais, em uma sucessão evolutiva que faz lembrar a bem posterior teoria da evolução das
espécies (do século XIX). O cosmo, para anaximandro, se manteria por compensações cíclicas entre
os contrários (as sucessivas estações do ano) até ser reabsorvido no ápeiron e recriado novamente a
partir deste. Isso significa que ele concebeu um cosmo dinâmico, mas limitado no tempo (que é
cíclico), e que tem sua origem e seu fim no ápeiron, o qual é infinito. Desse modo, temos certo
retorno a algumas concepções relativas aos deuses primordiais (ao caos mítico, por exemplo),
porém sem voltar diretamente a eles e com maior grau de abstração conceitual e justificação lógica.

c) Anaxímenes: o ar

A discussão sobre o problema da arché prosseguiu com um terceiro milésio, Anaxímenes (c.
588 -524 a.c.), discípulo de anaximandro. ele concordava que a origem de todas as coisas era
indeterminada, mas recusou-se a atribuir a essa indeterminação o caráter de arché.

Para Anaxímenes, a substância primordial não poderia ser um elemento situado fora dos
limites da observação e da experiência sensível, como o ápeiron de Anaximandro. Em discordância
com aspectos do pensamento dos dois mestres anteriores, mas buscando uma síntese entre eles,
anaxímenes incorporou argumentos de ambos e propôs o ar como princípio de todas as coisas:
“como nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro
e ar o mantêm” (ANAXÍMENES, em Souza, Pré-socráticos, p. 51).

Ele considerou o fato de que o ar, quase inobservável, é um elemento mais sutil que a água,
mas que ao mesmo tempo nos anima, nos dá vida, como testemunha nossa respiração. Infinito e
ilimitado, penetrando todos os vazios do universo, o ar constituiria uma arché menos indeterminada
que o ápeiron. Também seria um princípio ativo, gerador de movimento, como nos ventos.
Segundo Anaxímenes, pelos processos de rarefação e condensação se formariam os outros
elementos – que para os antigos eram a terra, a água e o fogo, além do próprio ar – e, a partir destes,
todos os demais. a terra, por exemplo, seria o estado mais condensado (isto é, de menor volume) do
ar, enquanto o fogo seria o mais rarefeito (de maior volume). Nascido do ar e movido por ele, o
cosmo seria uma espécie de respiração gigante.

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2. O Conhecimento

2.1. O que é conhecimento?

Pedimos somente um pouco de ordem para nos proteger do caos. Nada é


mais doloroso, mais angustiante do que um pensamento que escapa a si
mesmo, idéias que fogem, que desaparecem apenas esboçadas, já
corroídas pelo esquecimento ou precipitadas em outras, que também não
dominamos.

A epígrafe deste capítulo se refere ao esforço constante que anima o homem a compreender.
Diante do caos - que não significa vazio, mas desordem - procuramos estabelecer semelhanças,
diferenças, contiguidades, sucessão no tempo, causalidades, que possibilitem "pôr ordem no caos".
Mesmo porque só assim será possível ao homem também agir sobre o mundo e tentar transformá -
lo.

O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que
conhece e o objeto a ser conhecido. A apropriação intelectual do objeto supõe que haja regularidade
nos acontecimentos do mundo; caso contrário, a consciência cognoscente nunca poderia superar o
caos. Por exemplo, Kant diz: "Se o cinábrio [minério de mercúrio] fosse ora vermelho, ora preto,
ora leve, ora pesado (...), minha imaginação empírica nunca teria ocasião de receber no pensamento,
com a representação) da cor vermelha, o cinábrio pesado".

O conhecimento pode designar o ato de conhecer, enquanto relação que se estabelece entre a
consciência que conhece e o mundo conhecido. Mas o conhecimento também se refere ao produto,
ao resultado do conteúdo desse ato, ou seja, o saber adquirido e acumulado pelo homem. Na
verdade, ninguém inicia o ato de conhecer de uma forma virgem, pois esse ato é simultâneo à
transmissão pela educação dos conhecimentos acumulados em uma determinada cultura. No correr

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dos tempos, a razão humana adquire formas diferentes, dependendo da maneira pela qual o homem
entra em contato com o mundo que o cerca.

A razão é histórica e vai sendo tecida na trama da existência humana. Então, a capacidade
que o homem tem, em determinado momento, de discernir as diferenças e as semelhanças, e de
definir as propriedades dos objetos que o rodeiam, estabelece o tipo de racionalidade possível
naquela circunstância. (Deleuze e Guattari) A apreensão que fazemos do mundo não é sempre
tematizada, sendo inicialmente pré-reflexiva. E isso vale tanto para o homem das sociedades tribais
e para a criança como para nós, no cotidiano da nossa vida. Não é sempre que estamos refletindo
sobre o mundo (ainda bem!), e a abordagem que dele fazemos se encontra primeiro no nível da
intuição, da experiência vivida.

Se de início o homem precisa de crenças e opiniões prontas (nas formas de mito ou do senso
comum), a fim de apaziguar a aflição diante do caos e adquirir segurança para agir, em outro
momento) é preciso que ele seja capaz de "reintroduzir o caos", criticando as verdades
sedimentadas, abrindo fissuras e fendas no "já conhecido", de modo a alcançar novas interpretações
da realidade. Todo conhecimento dado tende a esclerosar -se no hábito, nos clichês, no preconceito,
na ideologia, na rigidez das "escolas". Esse conhecimento precisa ser revitalizado pela construção
de novas teorias (no caso da filosofia e da ciência) e pelo despertar de novas sensibilidades (no caso
da arte). Pelo esforço resultante do questionamento, a razão elabora o trabalho de conceituação, que
tende a se tornar cada vez mais complexo, geral e abstrato.

A ação do homem, inicialmente "colada" ao mundo, é lentamente elucidada pela razão, que
permite "viver em pensamento" a situação que ele pretende compreender e transformar. Com isso
não estamos dizendo que o pensar humano possa ficar separado do agir (já vimos como essa relação
é dialética), mas que o próprio pensamento torna-se objeto do pensamento: instala-se a fase de auto-
reflexão e crítica do conhecimento anteriormente recebido. Os diversos modos de conhecer, apenas
indicados neste item, serão analisados em outros capítulos deste livro: o mito, o senso comum, a
ciência, a arte e a filosofia.

2.2. Formas de conhecer - Intuição

Se perguntarmos "de que modo o sujeito que conhece pode apreender o real?", a resposta
imediata que nos vem à mente é que o homem conhece pela razão, pelo discurso. Mas nós
apreendemos o real também pela intuição, que é uma forma de conhecimento imediato, isto é, feito
sem intermediários, um pensamento presente ao espírito. Como a própria palavra indica (tueriem
latim significa "ver"), intuição é uma visão súbita. Enquanto o raciocínio é discurso e se faz por

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meio da palavra, a intuição é inefável, inexprimível: como poderíamos explicar em que consiste a
sensação do vermelho'!

A intuição é importante por ser o ponto de partida do conhecimento, a possibilidade da


invenção, da descoberta, dos grandes "saltos" do saber humano. Partindo de uma divisão muito
simplificada, a intuição pode ser de vários tipos:

- intuição sensível - é o conhecimento imediato que nos é dado pelos órgãos dos sentidos: sentimos
que faz calor; vemos que a blusa é vermelha; ouvimos o som do violino

- intuição inventiva - é a do sábio, do artista, do cientista, quando repentinamente descobrem uma


nova hipótese, um tema original. Também na vida diária, enfrentamos situações que exigem
soluções criativas, verdadeiras invenções súbitas.

- intuição intelectual é a que se esforça por captar diretamente a essência do objeto. Por exemplo, a
descoberta de Descartes do cogito (eu pensante) enquanto primeira verdade indubitável.

2.3. Conhecimento discursivo

Para compreender o mundo, para "organizar o caos", a razão supera as informações


concretas e imediatas que recebe, organizando-as em conceitos ou idéias gerais que, devidamente
articulados, podem levar à demonstração e a conclusões que se consideram verdadeiras.

Diferentemente da intuição, a razão é por excelência a faculdade de julgar. Chamamos


conhecimento discursivo ao conhecimento mediato, isto é, aquele que se dá por meio de conceitos.
É o pensamento que opera por etapas. por um encadeamento de idéias, juízos e raciocínios que
levam a determinada conclusão.

Para tanto, a razão precisa realizar abstrações. Abstrair significa "isolar", "separar de". Fazemos
uma abstração quando isolamos, separamos um elemento de uma representação, elemento este que
não é dado separadamente na realidade (representação significa a imagem, ou a ideia da "coisa"
enquanto presente no espírito).

Quando vemos um cinzeiro, temos inicialmente a imagem dele, uma representação mental de
natureza sensível e de certa forma concreta e particular. Porque se refere àquele cinzeiro
especificamente (por exemplo, de forma hexagonal e de cristal transparente).

Quando abstraímos, isolamos essas características por serem secundárias. E consideramos


apenas o "ser cinzeiro". Resulta daí o conceito ou ideia de cinzeiro, que é a representação
intelectual de um objeto e, portanto, imaterial e geral. Ou seja, a ideia de cinzeiro não se refere
àquele cinzeiro particular, mas a qualquer objeto que sirva para recolher cinzas. Da mesma forma,
podemos abstrair do cinzeiro a forma ou a cor, que de fato não existem fora da coisa real.

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O matemático reduz as coisas que têm peso, dureza, cor, para só considerar a quantidade. Por
exemplo, quando dizemos 2, consideramos apenas o número, deixando de lado se são duas pessoas
ou duas frutas.

A lei científica também é abstrata. Quando concluímos que o calor dilata os corpos, fazemos
abstração das características que distinguem cada corpo para considerar apenas os aspectos comuns
àqueles corpos, ou seja, o corpo em geral" enquanto submetido à ação do calor.

Ora, quanto mais tornamos abstrato um conceito, mais nos distanciamos da realidade
concreta. Esse artifício da razão é importante enquanto possibilidade de transcendência, para a
superação do "aqui e agora" e construção de hipóteses transformadoras do real. No entanto, toda
vez que a razão se distancia demais do vivido, a teoria se petrifica e o conhecimento é empobrecido.

Na filosofia contemporânea a crítica às formas esclerosadas do racionalismo exacerbado faz


retomar o valor da intuição em pensadores como Bergson, Dilthey, Husserl. Da mesma forma,
permanecer no nível do vivido e da intuição impede o distanciamento fecundo da razão que
interpreta e critica. O verdadeiro conhecimento se faz, portanto, pela ligação contínua entre intuição
e razão, entre o vivido e o teorizado, entre o concreto e o abstrato.

2.4. Teoria do conhecimento

A teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica que investiga quais são os problemas
decorrentes da relação entre sujeito e objeto do conhecimento, bem como as condições do
conhecimento verdadeiro. Embora os filósofos da Antiguidade e da Idade Média tratassem de
questões referentes ao conhecimento, não se pode dizer que a teoria do conhecimento existisse
enquanto disciplina independente, pois essas questões se achavam vinculadas aos textos de
metafísica. Surge como disciplina autônoma apenas na Idade Moderna, quando os filósofos se
ocupam de forma sistemática com as questões sobre a origem, essência e certeza do conhecimento
humano, a partir de Descartes, Locke, Hume, e culminando com a grande crítica da razão levada a
efeito por Kant.

O esquema a seguir indica os principais problemas do conhecimento: - quanto ao critério da


verdade: o que permite reconhecer o verdadeiro? (Exemplo: a evidência, a utilidade prática.) -
quanto à possibilidade do conhecimento: pode o sujeito apreender o objeto? (Exemplo:
dogmatismo, ceticismo.) - quanto ao âmbito do conhecimento: abrange a totalidade do real, ou se
restringe ao sujeito que conhece? (Exemplo: realismo, idealismo.) - quanto à origem do
conhecimento: qual é a fonte do conhecimento? (Exemplo: racionalismo, empirismo.)

A verdade Todo conhecimento coloca o problema da verdade. Pois quando conhecemos,


sempre nos perguntamos se o enunciado corresponde ou não à realidade. Van Meegeren foi um

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pintor que falsificou obras de Vermeer, como A moça de turbante. O museu de Washington, mesmo
depois de descoberta a fraude, comprou do governo holandês a maioria dos Van Meegeren, tal era a
qualidade do seu trabalho: "Os falsos Vermeer eram verdadeiros Van Moegeren". Comecemos
distinguindo verdade e realidade. Na linguagem cotidiana, frequentemente os dois conceitos são
confundidos. Se nos referimos a um colar, a um quadro, a um dente, só podemos afirmar que são
reais e não verdadeiros ou falsos.

Se dizemos que o colar ou o dente são falsos, devemos reconhecer que o "falso" colar é uma
verdadeira bijuteria e o dente um verdadeiro dente postiço. Isso porque a falsidade ou veracidade
não estão na coisa mesma, mas no juízo, e portanto no valor da nossa afirmação. Há verdade ou não
dependendo de como a coisa aparece para o sujeito que conhece.

Por isso dizemos que algo é verdadeiro quando é o que parece ser. Assim, ao beber o líquido
escuro que me parecia café, descubro que o "falso" café é uma verdadeira cevada. A verdade ou
falsidade existe apenas no juízo "este líquido é café", no qual se estabelece o vínculo entre sujeito e
objeto, típico do processo do conhecimento. Resta portanto saber o que é a verdade enquanto juízo
a respeito da realidade. Para os escolásticos, filósofos medievais, "a verdade é a adequação do nosso
pensamento as coisas". O juízo seria verdadeiro se a representação fosse cópia fiel do objeto
representado. Essa definição sofreu posteriormente inúmeras críticas, sobretudo quando, a partir da
Idade Moderna, rompeu -se a crença de que a realidade do mundo aí está para ser conhecida na sua
transparência.

Afinal, a questão é mais complexa: como julgar a verdade da representação do real pelo
pensamento? Ou seja, como saber se a definição mesma de verdade é verdadeira? Além disso, a
filosofia moderna vai questionar a possibilidade mesma de conhecimento do real. Isso nos remete
para a discussão a respeito do critério da verdade. Qual o sinal que permite reconhecer a verdade e
distingui-la do erro? Não pretendemos analisar passo a passo as discordâncias dos autores a respeito
do assunto, devido à complexidade e à necessidade de aprofundamento da questão. Algumas
referências serão feitas nos capítulos que se seguem; por enquanto, bastam-nos algumas pistas.

Para Descartes, o critério da verdade é a evidência. Evidente é toda ideia clara e distinta, que
se impõe imediatamente e por si só ao espírito. Trata-se de uma evidência resultante da intuição
intelectual. Para Nietzsche é verdadeiro tudo o que contribui para fomentar a vida da espécie e falso
tudo o que é obstáculo ao seu desenvolvimento. Para o pragmatismo (William James, Dewey,
Peirce), a prática é o critério da verdade. Nesse caso, a verdade de uma proposição se estabelece a
partir de seus efeitos, dos resultados práticos. Nos dois últimos casos (Nietzsche e pragmatismo), o
critério da verdade deixa de ser um valor racional e adquire um valor de existência, que pode ser
sintetizado na frase de Saint -Exupery: "A verdade para o homem é o que faz dele um homem. Há

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ainda os lógicos que buscam o critério da verdade na coerência interna do argumento. Verdadeiro
seria então o raciocínio que não encerra contradições e é coerente com um sistema de princípios
estabelecidos.

Essa é a verdade típica da matemática. Afirmar que por um ponto fora de uma reta só passa
uma paralela a essa reta pode ser verdadeiro se admitirmos os postulados de Euclides, mas falso se
adotarmos os princípios da geometria não-euclidiana. A verdade pode ainda ser entendida como
resultado d o consenso, enquanto conjunto de crenças aceitas pelos indivíduos em um determinado
tempo e lugar e que os ajuda a compreender o real e agir sobre ele. É difícil e complexa a discussão
a respeito dos critérios da verdade, mesmo porque são diferentes as posturas que temos diante do
real quando nos dispomos a compreendê-lo.

Por exemplo, alguém poderá dizer- bem na linha dos positivistas que só a ciência nos dá o
conhecimento verdadeiro, uma vez que os critérios de verificabilidade (pelo menos das ciências da
natureza, como a física) nos levam a conclusões seguras, objetivas, aceitas pela comunidade dos
cientistas e que, ainda por cima, com o desenvolvimento da tecnologia, resultam em eficácia no
agir.

Por outro lado, não há como deixar de reconhecer que a ciência, sendo um conhecimento
abstrato, seleciona o que lhe interessa conhecer e reduz as infinitas possibilidades do real, excluindo
o sujeito com suas emoções e sentimentos. Nesse sentido, por que recusar um outro tipo de verdade,
aquela intuída pelo sentimento? E não se poderia falar na verdade que resulta da experiência
artística, já que também a arte é uma forma de conhecimento? Entre os dois extremos do
conhecimento, das ciências da natureza e do conhecimento pela arte, convém lembrar as
dificuldades na busca da verdade das ciências humanas e das novas exigências para se estabelecer o
estatuto epistemológico do conhecimento do homem pelo homem.

2.5. A possibilidade do conhecimento

Uma das discussões em torno do problema do conhecimento diz respeito à possibilidade ou


não de o espírito humano atingir a certeza. Distinguiremos inicialmente duas tendências principais:
o ceticismo e o dogmatismo. Ceticismo "Nada existe. Mesmo se existisse alguma coisa, não
poderíamos conhecê -la; concedido que algo existe e que o podemos conhecer, não o podemos
comunicar aos outros."

Essas três proposições, atribuídas a Górgias (séc. IV a.C.). um dos representantes da


sofística, exemplificam a postura conhecida como ceticismo. Naquele mesmo século, outro grego
chamado Pirro, acompanhando Alexandre Magno em suas expedições de conquista, conheceu
muitos povos com valores e crenças diferentes. Como geralmente fazem os céticos, deve ter

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confrontado a diversidade das convicções que animam os homens, bem como as diferentes
filosofias tão contraditórias, abstendo-se no final de aderir a qualquer certeza.

Pelo menos semelhante no gosto pelas viagens, o filósofo renascentista Montaigne retoma
os temas do ceticismo. Contrapõe-se às certezas da escolástica decadente e à intolerância de um
período de lutas religiosas, analisando nos Ensaios a influência de fatores pessoais, sociais e
culturais na formação das opiniões. Skeptikós, em grego, significa "que observa", "que considera".
O cético tanto observa e tanto considera que conclui, nos casos mais radicais, pela impossibilidade
do conhecimento; e nas tendências moderadas suspensão provisória de qualquer juízo. Portanto, há
gradações no ceticismo.

Os céticos moderados admitem uma forma relativa de conhecimento (relativismo),


reconhecendo os limites para a apreensão da verdade. Para outros moderados, mesmo que seja
impossível encontrar a certeza, não se deve abandonar a busca. Mas para o ceticismo radical, como
o pirronismo, se a certeza é impossível, é melhor renunciar ao conhecimento, o que traz, como
consequência prática, a indiferença absoluta em relação a tudo. O ceticismo radical se contradiz ao
se afirmar, pois concluir que "toda certeza é impossível e a verdade é inacessível" não deixa de ser
uma certeza, e tem valor de verdade.

Os filósofos gregos tinham uma concepção realista do conhecimento, pois para eles não era
problemática a existência do mundo. O mundo é considerado inteligível, isto é, tudo no mundo é
compreensível pelo pensamento. O conhecimento se faz pela formação de conceitos, que são
verdadeiros enquanto adequados à realidade existente. Na Idade Moderna, a partir de Descartes, o
realismo metafísico dos gregos é colocado em questão.

Porque a questão metafísica é antecipada pela questão epistemológica "como descobrir a


verdade?". Ao desenvolver o método para evitar o erro e chegar à verdade indubitável, Descartes
encontra o cogito. A pergunta "quem existe?", responde: "eu e meus pensamentos". E é desse ponto
de partida que pensa poder recuperar a existência de Deus e do mundo. Com isso, o idealismo se
configura como o caminho para a procura da verdade que acaba por restringir o conhecimento ao
âmbito do sujeito que conhece.

Atividades (responder no caderno)


01. Explique o processo do conhecimento usando os seguintes conceitos: sujeito,
objeto,pensamento e verdade.

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02. Leia a citação de Deleuze e Guattari e relacione com o problema do conhecimento: "O pintor
não pinta sobre uma tela virgem, nem o escritor escreve sobre uma página branca. mas a página ou
a tela estão já de tal maneira cobertas de clichês preexistentes, preestabelecidos, que é preciso de
início apagar, limpar, laminar, mesmo estraçalhar para fazer passar uma corrente de ar. saída do
caos, que nos traga a visão."

03. Identifique as frases seguintes, indicando se o conhecimento em questão resulta da razão ou da


intuição (nesse caso, quando possível, indique de que tipo):

a) Isto é vermelho.

b) É um conhecimento que progride por idéias gerais e abstratas.

c) Exige o uso de linguagem.

d) É comunicável.

e) Gosto deste gato.

f) Exige demonstração.

g) Este lápis é menor do que aquele.

h) É inexprimível.

i) Assim que mergulhou na água, Arquimedes descobriu subitamente o princípio do empuxo.

j) É o conhecimento que se relaciona imediatamente com os objetos.

04. Leia a citação a seguir e, a partir dela, distinga verdade e realidade: “Van Meegeren é um dos
mais ilustres falsários de toda a história da arte. Vários quadros desse pintor foram comprados pelos
museus holandeses e colocados entre autênticos Vermcer e Pieter de Hooch. Toda uma comissão
formada por especialistas altamente competentes concluíra pela autenticidade dessas obras, O
escândalo teve um final estranho: o Museu de Washington comprou do governo holandês a quase
totalidade dos Van Meegeren. Os falsos Vermeer eram verdadeiros Van Meegeren." (Huisman e
Vergez)

05. Faça uma pesquisa para distinguir os diferentes estados de espírito em relação à verdade:
ignorância; erro; falsidade; opinião; dúvida; probabilidade; certeza; crença.

06. Faça uma dissertação sobre o tema: "A verdade é filha do tempo".

07. "O filósofo é crítico, embora não seja cético. Não desespera da verdade, mas recusa todas as
certezas, considerando-as provisórias e sujeitas a serem relativizadas por novos argumentos ."
(Rouanet)

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABBAGNANO, Niccolà. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia - História e grandes temas. [Link]: Saraiva, 2006.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando - Introdução à Filosofia. SP: Moderna,


2009.

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