História e Evolução dos Vírus
História e Evolução dos Vírus
Sumário..............................................................................................................................i
Abstract............................................................................................................................iv
Metodologia.....................................................................................................................vi
Agradecimentos..............................................................................................................vii
Índice de figuras..............................................................................................................ix
Índice de tabelas.............................................................................................................xi
Abreviaturas...................................................................................................................xii
1. Introdução.................................................................................................................1
1.1. História dos Vírus...............................................................................................2
1.2. Os Vírus..............................................................................................................3
1.3. Nomenclatura Viral..........................................................................................11
2. Evolução..................................................................................................................13
2.1. A Coevolução do Vírus e o Hospedeiro...........................................................16
2.2. Importância das Vias de Transmissão..............................................................18
2.3. Os vírus e a Evolução das Espécies..................................................................20
3. Vírus como Vetores na Tecnologia do DNA Recombinante..............................28
3.1. Terapia Genética...............................................................................................30
4. Conclusão................................................................................................................38
5. Bibliografia.............................................................................................................40
i
Índice de figuras
Figura 1. John Franklin Enders, Thomas H. Weller e Frederick Chapman
Robbins, prémio Nobel da medicina em 1954.
Figura 2. Esquema comparativo dos tamanhos de diversos vírus. (Adaptado
de Lopes e Rosso, 2010).
Figura 3. Diferentes tipos de cápsides víricas: a) Cápside do bacteriófago T-
even virus (Myoviridae) com cabeça poligonal e cauda em forma de espiral,
b) Vírus Herpes simplex (Herpesviridae) com cápside poligonal e membrana
externa, c) Adenovírus humano 2 (Adenoviridae) com cápside poligonal sem
membrana. d) Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA)
(Retroviridae). e) Vírus do mosaico do tabaco (Tobamovirus) com cápside
em espiral.
Figura 4. Estrutura geral de um vírus com invólucro e sem invólucro.
Figura 5. Esquema de penetração de vírus com invólucro: (a) endocitose e
lise da vesícula; (b) fusão entre o cápside viral e a membrana plasmática
para a libertação do material genético viral.
ii
Figura 15. Distribuição dos protocolos clínicos por tipo de vetor (A) e
segundo as patologias (B).
Índice de tabelas
iii
Abreviaturas
DNA - Ácido
desoxirribonucleico
mRNA – RNA
mensageiro
iv
1. Introdução
Os vírus são muitas vezes considerados como fragmentos de DNA ou RNA celular que
escaparam há muito tempo de cromossomas celulares e que evoluíram mais tarde
através da captura de genes adicionais dos genomas dos seus hospedeiros. No entanto,
essa visão agora tem sido desafiada pela descoberta de uma surpreendente homologia
entre os vírus e os hospedeiros distantemente relacionados, e através análises
filogenéticas que sugerem a transferência de genes de vírus para as células (Filée et
al.,2003).
Existem muitas razões para acreditar agora que os vírus são mais antigos do que as
células modernas e sempre foram mais abundantes e diversos do que os seus alvos
celulares (Forterre e Prangishvilia, 2009).
Os avanços na genómica dos vírus e as formas de vida celulares têm grandemente
estimulado o interesse nas origens e evolução. Os vírus são companheiros ubíquos das
formas de vida celulares, parece que cada organismo celular estudado tem o seu próprio
vírus ou, pelo menos, elementos genéticos egoístas semelhantes a vírus (Koonin et
al.,2006).
De acordo com estas novas hipóteses, vírus desempenharam um papel crítico nas
transições evolutivas principais, tais como a invenção de DNA e mecanismos de
replicação de DNA, a formação dos três domínios da vida, ou ainda, a origem do núcleo
eucariótico (Forterre, 2006).
“Os cientistas atualmente são capazes de isolar os vírus que infetaram animais
ancestrais e que contribuíram para o aparecimento dos animais placentários, inclusive o
próprio homem. O nosso DNA contém as suas pegadas. Identificamos as infeções que
acometeram desde hominídeos ancestrais até o homem moderno, desde a nossa
separação dos macacos até às doenças adquiridas em África, inclusive a tuberculose,
companheira eterna do homem”.
1
1.1. História dos Vírus
Em 1898 foi descoberto o primeiro vírus animal por Friedrich Loeffler e Paul Frosch
responsável pela febre aftosa. Trabalhando juntos com Kock, filtraram o líquido contendo o
agente causador da doença e observaram que esse líquido ainda permanecia infecioso
mesmo depois do processo de filtração. Substituindo a membrana filtrante por outra com
poros de menores dimensões, conseguiram filtrar o agente patológico e comprovar que este
era constituído por partículas e não por um líquido. Também provaram que algumas formas
dessas partículas possuíam a capacidade de se replicar. A partir desta data a virologia torna-
se uma disciplina científica. Contudo, só na década de 1940 e devido ao avanço das
técnicas microscópicas, nomeadamente, a microscopia eletrónica é que os vírus foram
observados.
No início do século XX, em 1915, Frederick Twort e em 1917, Félix d'Herelle, descobriam
que as bactérias poderiam ser infetadas por vírus. No ano de 1935, Wendell Stanley
cristalizou o vírus do mosaico do fumo e descobriu que eram compostos, na sua maioria por
proteínas. Em 1949, John Franklin Enders, Thomas H. Weller e Frederick Chapman
Robbins, (figura 1), desenvolveram, em conjunto, uma técnica para reproduzir o vírus da
poliomielite em culturas de células vivas de animais. Com este trabalho estes três cientistas
receberam, em 1954, o prémio Nobel da medicina.
Apesar dos primeiros estudos das viroses surgissem no início do século, foi a partir de
1931, com o aparecimento do microscópio eletrónico, que a composição química e
estrutura dos vírus foram conhecidas.
2
então conhecidas. Em 1973, este comité altera o nome do comité para Internacional
Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV), como é atualmente conhecido. Nesse mesmo
ano os virologistas organizaram os vírus em níveis hierárquicos de ordem, família,
subfamília, género e espécie, além de níveis mais baixos de hierarquia (Santos, N. S. O. et
al. 2008).
1.2. Os Vírus
Os Vírus, do latim virus, "veneno" ou "toxina", são pequenos agentes infeciosos (20- 400
ηm de diâmetro), (figura 2), que na sua maioria só são visíveis a microscópio eletrónico e
apresentam o genoma constituído por uma ou várias moléculas de ácido nucleico, o ácido
desoxirribonucleico (DNA) ou ácido ribonucleico (RNA), as quais podem ser formadas por
cadeias simples ou duplas.
O material genético ou genoma dos vírus pode ser organizado de diversas formas, uma
característica dos vírus diferente de qualquer outro organismo. Os restantes organismos
utilizam apenas o DNA para armazenar a informação genética, no entanto, os vírus podem
utilizar o DNA ou RNA, estando o material genético do vírus protegido por um involucro
proteico, a cápside.
De um modo generalizado os vírus são extremamente pequenos, sendo a maior parte menor
que as bactérias. No entanto, alguns vírus podem ser maiores que as bactérias como é o
acaso do Ebolavirus, figura 2 (Lopes e Rosso, 2010).
3
Figura 2. Esquema comparativo dos tamanhos de diversos vírus. (Adaptado de Lopes e
Rosso, 2010).
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(Myoviridae) com cabeça poligonal e cauda em forma de espiral, b) Vírus Herpes
simplex (Herpesviridae) com cápside poligonal e membrana externa, c) Adenovírus
humano 2 (Adenoviridae) com cápside poligonal sem membrana. d) O vírus da
imunodeficiência humana (VIH) (Retroviridae). e) Vírus do mosaico do tabaco
(Tobamovirus) com cápside em espiral. (McKenna e Faulkner, 2001).
Alguns vírus também possuem um involucro externo á cápside, composto por uma
bicamada fosfolipídica e por proteínas imersas nessa bicamada designada de invólucro,
que lhes conferem uma proteção extra e facilita entrada do vírus nas células. Um
exemplo de vírus que possui invólucro é o vírus da imunodeficiência humana (VIH),
figura 4 (McKenna e Faulkner, 2001).
A infeção de uma célula por parte de um vírus com membrana pode ocorrer através da
fusão com a membrana celular introduzindo a cápside no interior das células, que
posteriormente libertará o material genético. Nos vírus sem membrana existe a hipótese
da infeção poder ser desencadeada através de proteínas especializadas para introduzir o
material genético nas células, figura 5. Após as moléculas de DNA ou RNA viral se
instalarem no citoplasma das células hospedeiras, apropriam-se da maquinaria
metabólica da célula para produzir réplicas do seu genoma bem como das proteínas
necessárias à formação dos novos viriões (McKenna e Faulkner, 2001).
Classe I: Vírus de DNA cadeia dupla (dsDNA). Os vírus desta classe conseguem
construir diretamente o RNAm. Exemplo: Adenovirus, Herpesvirus, Poxvirus.
Classe II: Vírus de DNA de cadeia simples (ssDNA). Esta classe pode ser subdividida
em duas classes: vírus de DNA de cadeia simples positiva e vírus de DNA de cadeia
simples negativa, contudo, ambos utilizam um intermediário de dsDNA para sintetizar o
mRNA. Exemplo: Parvovirus.
Classe III: Vírus RNA cadeia dupla (dsRNA). Esta classe produz o mRNA
6
diretamente. Exemplo: Reovirus.
Classe IV: Vírus RNA cadeia simples positivo [(+)ssRNA]. Exemplo: Picornavirus,
Togavirus.
Classe V: Vírus RNA cadeia simples negativo [(-)ssRNA]. Nesta classe o RNA é o
mRNA. Nesta classe o RNA é complementar ao mRNA, servindo para a síntese das
várias moléculas de RNA (+) necessárias para tomar o controle da célula hospedeira.
Exemplo: Orthomyxovirus, Rhabdovirus.
Classe VI: Vírus RNA cadeia simples (ssRNA) com intermediário dsDNA. A
transcriptase reversa viral forma uma molécula de DNA que então sofre o processo de
transcrição por ação das enzimas do hospedeiro. Exemplo: Retrovirus.
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material genético primário dos vírus pode estar no DNA como no RNA, destacando-se
assim três tipos de vírus: o vírus do DNA, o vírus do RNA não retrovírus e o vírus do
RNA retrovírus.
Nos vírus de RNA que não são retrovírus o material genético encontra-se no RNA e não
possuem a enzima transcriptase reversa podendo ser divididos em três tipos: os vírus de
cadeia positiva, vírus de cadeia negativa ver (figura 9), e vírus de cadeia dupla.
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Figura 9. Representação esquemática do processo de multiplicação dos três diferentes
tipos de vírus de RNA de cadeia simples: vírus de cadeia + (A), vírus de cadeia - (B) e o
retrovírus (C) (Amabis e Martho 2009).
Os vírus de cadeia positiva são aqueles cujo RNA do genoma apresenta a mesma
sequência de bases azotadas que os mRNA por eles produzidos. Na célula hospedeira, a
molécula de RNA viral chamada cadeia positiva funciona como modelo para a síntese
de moléculas de RNA complementares ou cadeia negativa que, por sua vez, atuam
como modelo para a produção de cadeias complementares ou seja a cadeia positiva.
Algumas dessas cadeias positivas são utilizadas como mRNA e permitem a síntese das
proteínas virais e as outras cadeias positivas fazem parte do genoma dos novos vírus
formados na célula infetada. São exemplos destes vírus o vírus da rubéola e o vírus do
dengue.
O vírus de cadeia negativa são aqueles cujo RNA genómico apresenta uma sequência de
bases nitrogenadas complementares às dos do mRNA formados. Na célula hospedeira, a
molécula de RNA viral também chamada de cadeia negativa serve de modelo para a
síntese de moléculas de RNA complementares de cadeia positiva. Algumas dessas
moléculas de cadeia positiva atuam diretamente como mRNA na síntese de proteínas
virais e outras moléculas que funcionam como modelo na síntese de cadeia negativa, as
quais constituirão o genoma dos novos vírus formados na célula infetada. Exemplos
9
deste tipo de vírus são os hantavírus, que causam febre hemorrágica, e o vírus da gripe.
Estes vírus são arredondados, mas podem ser filamentosos, com invólucro e têm cerca
de 80 a 120 nm de diâmetro (Lopes e Rosso, 2010).
Os vírus de RNA que são retrovírus contêm uma cadeia simples de RNA associada à
enzima transcriptase reversa. A enzima transcriptase reversa é uma enzima que produz
DNA tendo como modelo o RNA viral. Esta enzima faz a transcrição reversa,
contrariamente ao que normalmente acontece nas células, onde o RNA é produzido a
partir de um DNA que lhe serve de modelo. À medida que sintetiza o DNA, a
transcriptase reversa degrada o RNA modelo. Em seguida, a enzima produz uma cadeia
de DNA complementar à que foi copiada da RNA viral, originando uma molécula de
DNA de cadeia dupla. Esse DNA será utilizado para transcrever moléculas de RNA que
atuam como mensageiras na síntese das proteínas virais. O DNA produzido pela
transcriptase reversa sintetiza também o RNA que constituirá o genoma dos novos vírus
formados na célula infetada.
10
consiste me vírus com genoma formado por RNA de cadeia simples positiva sem
intermediários de DNA e o seu material genético esta protegido por uma proteína
especial de revestimento.
2. Evolução
A alimentação, as espécies predadoras e os agentes infeciosos desempenham funções
importantes na evolução das espécies, nomeadamente a humana. Os vírus ocupam uma
posição estratégica na evolução dos seus hospedeiros devido á sua capacidade de atuar
como parasitas genéticos moleculares. A luta contra as doenças infeciosas tem sido
considerada um importante processo evolutivo. Se um parasita provoca a mortalidade
do hospedeiro ou diminui a sua fertilidade pode ser considerado um agente seletivo. A
maioria das espécies apresenta diversidade genética na produção de anticorpos que
atuam na resistência às doenças. Considerando-se que em geral os agentes patogénicos
se desenvolvem mais rapidamente que as defesas do hospedeiro, é interessante que o
hospedeiro possua diversidade genética e elevada taxa de mutação nos genes
relacionados à resistência a doenças (Van Blerkon, 2003).
Os vírus podem afetar a evolução dos seus hospedeiros, interagindo diretamente com o
DNA do hospedeiro. Devido a sua simplicidade estrutural e sua dependência da
maquinaria de replicação e transcrição da célula hospedeira, os vírus atuam como
parasitas genéticos moleculares, podendo alterar o genoma do hospedeiro. O genoma de
quase todos os vírus de DNA é constituído por DNA semelhante ao genoma das células
do hospedeiro. Esta similaridade a nível da estrutura e da replicação favorece a
integração do vírus com o genoma do hospedeiro, podendo esta integração ser feita a
nível dos gametas e assim o novo código genético ser passado à próxima geração como
se fosse uma característica mendeliana.
Comparados com os vírus de RNA, os vírus de DNA tendem a infetar tipos específicos
de células de uma única espécie hospedeira. Muitos vírus de DNA provocam infeções
crónicas e latentes no hospedeiros por longos período de inatividade do vírus mantendo-
se no hospedeiro em pequenas populações por períodos prolongados. Os vírus de DNA
tendem, portanto, a ser mais estáveis que os vírus de RNA. Provavelmente os primeiros
hominídeos transportaram vários tipos de vírus de DNA, que se diversificaram e
migraram com a população humana. As filogenias desses grupos de vírus coincidem
com as relações evolutivas dos seus hospedeiros primatas, ind icando um padrão de
coevolução (Van Blerkon, 2003; Villarreal, 2007).
12
O genoma de aproximadamente 70% dos vírus que infetam animais apresenta-se na
forma de RNA. O processo de replicação desses vírus apresenta em relação aos virus
de DNA erros maiores, com elevadas taxas de substituição de nucleotídeos. Assim
sendo, os vírus de RNA possuem uma taxa de mutação maior, o que lhes confere a
capacidade de se adaptar a novos hospedeiros e de aumentar a sua virulência.
Geralmente, os vírus de RNA são menos específicos em relação ao hospedeiro que os
vírus de DNA e podem transmitir-se facilmente entre diferentes espécies animais.
Apesar de alguns vírus de RNA causarem infeções inaparentes nos hospedeiros os seus
reservatórios naturais, a maioria realiza ciclos contínuos de replicação e produção de
novos vírus, que afetam o hospedeiro (Van Blerkon, 2003).
Uma vez que o processo transcrição reversa carece da fase de revisão da replicação do
DNA, um retrovírus sofre mutações muito frequentemente. Após integração no genoma
hospedeiro, estes vírus escapam à deteção pelo sistema imunológico, tornando-se
semelhantes aos vírus de DNA. O vírus da imunodeficiência humana apresenta
populações geneticamente diversas com taxas de mutação mais rápidas.
Quando o sistema entra em desequilíbrio, a célula hospedeira pode sofrer alterações nas
suas funções celulares ou ocorrer a morte celular, provocando o desenvolvimento da
doença associada ao vírus, figura 10.
Apesar de esta doença ser a responsável pela diminuição drástica da população de coelhos
na Austrália, surgiram formas menos virulentas do vírus e os coelhos apresentam maior
resistência à infeção (Fenner e Ratcliffe, 1966).
Esta conceção apesar de genericamente estar correta, os vírus podem evoluir no sentido de
aumentar a virulência se isso lhes trouxer vantagens de sobrevivência e transmissão, pelo
que contradizendo esta visão tradicional, os resultados obtidos para a infeção de crustáceos
Daphnia magna na Inglaterra, Alemanha e Rússia com o protozoário da estirpe da
Inglaterra mostraram que o crustáceo da Inglaterra era o que apresentava maior número de
esporos ou seja maior infeção em comparação com as populações de hospedeiros das outras
regiões da Europa. Este resultado confirma que a hipótese de que o grau de virulência é
determinado pela seleção natural para maximizar a transmissão do parasita e não um
indicativo da antiguidade da relação parasita- hospedeiro (Fenner e Ratcliffe, 1966; Trager,
1986).
15
artrópodes, não foram alvo de estudo, pois a inclusão destas pode alterar os resultados e as
conclusões dos autores (Ewald, 1983; Ewald, 1987; Ewald. e Schubert, 1989; Ewald,
1993).
Segundo os estudos, a gravidade das doenças associadas com transmissão por vetores
resulta em parte da adaptação do parasita ao hospedeiro. Os agentes infeciosos transmitidos
por vetores biológicos, tais como, insetos hematófagos, com virulência relativamente alta e
que se disseminem pelos vários tecidos do hospedeiro terão uma probabilidade maior de se
multiplicar. Isso aconteceria porque o hospedeiro debilitado e imóvel tem maior
probabilidade de ser picado pelos insetos, facilitando a transmissão do parasita para outros
indivíduos. A gravidade de doenças tais como a febre-amarela, tripanossomíase africana e
malária poderia ser explicada como uma consequência evolucionária da transmissão de
parasitas por vetores b iológicos (Ewald, 1983).
16
infetados, podem permanecer viáveis e infeciosos durante vários meses no ambiente e,
assim, contaminar águas destinadas ao consumo humano, além de resistirem aos atuais
processos de tratamento da água (Ewald, 1993; Tavares, 2005).
As três grandes classes de hipóteses para a origem dos vírus são defendidas na literatura
(Claverie, 2006; Forterre, 2006; Wessner, 2010):
i. A hipótese do vírus primeiro foi revivida na última década por Wolfram Zillig
que sugeriu que os vírus foram originados no mundo pré-biotico, usando a sopa
primitiva como hospedeiro. Tal hipótese está em linha com a visão, adotada por
vários biólogos moleculares, em que a formação das células ocorreu
relativamente tarde na evolução da vida.
ii. A hipótese do escape é uma hipótese tradicional que vê os vírus como elementos
do genoma de uma célula que escaparam do seu ambiente celular,
transformando-se em elementos genéticos autónomos e invejosos infeciosos, é
uma hipótese mais fácil de defender num cenário pré LUCA para a origem dos
vírus. Estes genomas podem ter sido constituídos por cromossomas
semiautónomos (possivelmente formados por uma pequena quantidade de genes
de RNA) que foram replicados independentemente e transferidos aleatoriamente
entre as células. Alguns cromossomas de RNA poderiam codificar proteínas de
revestimento que ajudariam o proto vírus no processo de transferência,
finalmente tornando-se infecioso.
18
genética produzida por desaminação da citosina em uracilo (uma reação química
espontânea comum) pode ser reconhecida e reparada no DNA ao contrario do RNA.
Como consequência desta estabilidade, e mais fiável replicação, a substituição do RNA
pelo DNA como material genético celular permitiu um aumento no tamanho do
genoma, células com genomas maiores de DNA tornaram-se mais complexas,
ultrapassando os seus ancestrais com genoma baseado em RNA (Lazcano et al.,1988).
No entanto, estas argumentações não podem explicar totalmente a origem do DNA,
desde a evolução do sistema de reparação do DNA removendo uracilo do DNA, e, de
um modo mais geral, a vantagem de ter uma genoma maior pode ter sido um fator
determinante no processo de evolução apenas depois da população de células de DNA
estar estabelecida. E se em vez disso, a substituição do RNA por DNA ocorreu primeiro
nos vírus, a modificação do seu genoma de RNA em DNA teria produzido um beneficio
imediato para os vírus (um pré-requisito para a seleção darwinista). Nos sabemos que
alguns vírus modernos alteram de fato quimicamente o seu genoma de DNA para se
tornarem resistentes ás nucleasses do seu hospedeiro (por exemplo por via de metilação,
hidroximetilação ou processos químicos mais complexos de modificação)( Forterre,
2006). Como primeiro passo, o surgimento ou recrutamento da redutase ribinucleotida
activa ancestral no vírus, iria modificar o genoma de RNA em genoma de DNA
contendo uracilo (U-DNA). Este passo intermedio na transição de RNA para DNA é
inferido da síntese de dTMP a partir de dUMP em células modernas. Alguns vírus de
bactérias que têm genomas de U-DNA podem ser relíquias desta primeira transição
(Forterre, 2006). Vírus que que conservaram um genoma de RNA evoluíram
mecanismos alternativos para proteger o seu material genético contra a degradação do
RNA ou modificando enzimas, sendo que alguns deles mantêm o seu genoma de RNA
nas suas capsides durante todo o processo de infeção, enquanto outros conseguem
codificar proteínas que inibem a degradação celular do RNA ou modificam mecanismos
responsáveis pela degradação do RNA (ex: desmetilases). No segundo passo, o
surgimento de atividade de timidilato sintase em alguns vírus de linhagem U-DNA terá
produzido vírus com a forma moderna de DNA contendo timidina T-DNA. Este passo
terá ocorrido de forma independente pelo menos duas vezes de modo a explicar a
existência de duas timidilato sintase não homologas, ThyA e ThyX (Myllykallio et
al.,2002). Em concordância com a ideia que a ribonucleótido redutase e a timidilato
sintase foram inventadas na virosfera , é importante notar que muitos vírus de DNA são
capazes de codificar o seu próprio ribonucleótido redutase ou a sua timidilato sintase.
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Além disso, estas proteínas estão normalmente apenas relacionadas distantemente com
aquelas codificas pelos seus hospedeiros na arvore filogenética(Myllykallio et al.,2002;
Filée et al.,2003;Miller et al.,2003;Forterre et al.,2004).
Forterre (2006) defende ainda a hipótese da eucariogénese viral, isto é, os vírus seriam
os responsáveis pela emergência do núcleo eucariótico. Os Poxvírus têm um ciclo
reprodutivo reminiscente a características do núcleo eucariótico. A polimerase de DNA
e as enzimas de capping de RNAm do Poxvírus estão evolutivamente relacionadas com
as dos eucariotas (embora formem um grupo monofilético viral). A transcrição inicial
do DNA viral ocorre ainda no núcleo viral e o RNA resultante é passado ao citoplasma
do hospedeiro por meio de poros. Depois da liberação do núcleo viral, o DNA do vírus
organiza-se segundo um mininúcleo, recrutando a membrana do retículo
endoplasmático do hospedeiro. A replicação do DNA do vírus só se realiza após a
formação do mininúcleo que desaparece após término da replicação viral num processo
controlado por proteínas fosforilantes. Embora Poxvírus tenham um genoma pequeno,
os mimivírus têm um genoma (cerca de 1Mb), o que é metade do tamanho dos menores
genomas eucariotas. Assim um vírus de DNA poderia ser um iniciador da eucariogénese
(Forterre, 2006).
A hipótese que o DNA foi transferido dos vírus para as células, juntamente com todo a
maquinaria necessária para a sua replicação, foi originalmente proposta para explicar a
existência de duas combinações de proteínas replicadores do DNA não homologas,
umas no domínio Bacteria, e o outro conjunto em Archaea e Eucarya. Foi então
necessário conceber que ocorreram pelo duas transferências independentes para ter em
conta esta observação. Recentemente Forterre sugeriu que ocorreram três tranferencia
de DNA independentes de vírus para células de RNA , o que levou à formação dos três
domínios Archaea, Bacteria e Eucarya. A hipótese “três vírus três domínios” pode
explicar porque a maioria da maquinaria de replicação em células Eucarya e Archaea,
apesar de similar, exibe diferenças criticas. Consequentemente, as principais
topoisomerases do DNA Eucarya (Topo IB e Topo IIA) não são filogeneticamente
relacionadas com as das Archaea (Topo IA e Topo IIB) (Gadelle et al.,2003; Krogh e
Shuman, 2002). Em adição, Archaea contem DNA polimerases da família D sem
homólogos presentes em Eucarya. (Cann et al.,1998). Alem disso, as DNA polimerases
da família B em células Archaea e Eucarya, apesar de serem homologas, não estão
especificamente relacionadas, mas ambas agrupam com diferentes grupos virais na
filogenia das DNA polimerases B (Filée et al.,2003).
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Esta hipótese pode também explicar o motivo pelo qual membros de diferentes
domínios são infetados por grupos de vírus específicos. Se um ancestral de todos os
vírus existentes presentemente já prospera-se no tempo de LUCA, membros de uma
determinada família viral (por exemplo Fuselloviridae) deveriam ser capazes de infetar
células dos três domínios celulares. E isto não é aparentemente o caso, uma vez que a
presença de fuselloviridae aparenta ser restrita a células do domínio Archaea. Contudo ,
num cenário três vírus três domínios, seguindo uma diversificação inicial das linhagens
virais paralelamente com a divergência nas linhagens de células de RNA, apenas vírus
de eram capazas de infetar células de RNA no ponto de origem de cada domínio
poderiam ter sobrevivido a massiva eliminação de células de RNA ( e RNA/DNA vírus)
que ocorreu após o surgimento das três linhagens de células de DNA. Isto teria
selecionado em cada domínio uma subpopulação de diferentes famílias virais que
estariam pré adaptadas para infetar as células de DNA recém formadas (Forterre, 2006).
Claverie (2006) também defende a eucario génese viral, ocorrendo por transferência
gradual do genoma de RNA do hospedeiro para o núcleo. Para Witzany, os telómeros
são outra marca do processo de eucariogénese viral. Contudo, não se sabe se os
telómeros nas bactérias com núcleos, os Planctomycetes, são semelhante às dos
eucariotas, apesar de fornecer um importante dado para a hipótese à eucariogénese viral
(Witzany, 2008).
Assim, a complexa parede celular bacteriana poderia ter origem numa resposta à
pressão seletiva para evitar os ataques virais já que esta é o principal modo de entrada
do vírus por meio da fusão deste com a membrana celular. Isso explica a pequena
diversidade viral entre as bactérias em comparação com os vírus de Arquea e eucariotas
e a predominância de vírus Caudovirales. Uma vez que estes vírus desenvolveram um
sistema de entrada com uma cauda proteica que penetra na parede e na membrana
celulares e injeta o material genético para o interior da célula hospedeira. Por
22
conseguinte, os autores sugerem que os mecanismos nos hospedeiros para evitar a
infeção por parte dos vírus que poderiam ter conduzido à divergência entre os domínios
e entre as espécies dentro de cada domínio, através de um efeito colateral na redução da
transferência lateral de genes (Forterre e Pragishvili, 2009).
De acordo com Forterre (2006), os vírus têm um papel na evolução das mitocôndrias e
dos cloroplastos. As mitocôndrias são derivadas de uma α-proteobactéria
endossimbionte, mas a polimerase de RNA, a polimerase de DNA e a helicase
codificadas no seu genoma são similares aos correspondentes elementos do bacteriófago
T3/T7. As proteínas homólogas são codificadas pelo genoma de provírus crípticos
presentes em proteobactérias. Aparentemente houve uma substituição não homóloga na
evolução do organelo. Já nos cloroplastos, a polimerases de RNA são similares quer às
bacterianas (cianobactérias) quer às virais.
Nos eucariotas, tais como, nos mamíferos aproximadamente 30% do genoma consiste
em sequências intrónicas, e 60% do genoma consiste em regiões intergénicas com
elementos móveis em variados estados de degradação. Segundo Koonin et al. (2006),
estes elementos móveis, são oriundos do “Mundo de Vírus” ancestral. Os vírus
endógenos e retroelementos podem libertar-se de uma porção do genoma e inserirem-se
em outra porção, alterando o padrão de expressão de genes. Por outro lado podem criar
novos genes criando um novo sítio de edição – splicing - alternativo. (Forterre e
Pragishvili, 2009).
Harris sugere que uma infeção viral na linhagem germinativa de um ancestral metatério
pode ter impulsionado o desenvolvimento da placenta o que justificaria a presença de
retrovírus endógenos no citotrofoblasto placentário. Os retrovírus são capazes de induzir
a fusão celular tanto em tecidos cultivados quanto in vivo. Após o parto, com a expulsão
da placenta, o sinciciotrofoblasto exibe sinais de degeneração com aglomeração nuclear
e picnose. Este padrão é idêntico ao sincício formando em células cultivada e infetadas
com retrovírus, bem como em certos tumores e tecidos de organismos com infeção
retroviral, figura 11.
23
Figura 11. Sincício-fusão de várias células infetadas por um vírus ([Link]
[Link]).
A palavra vetor, que deriva do Latim vector (aquele que carrega, entrega) define o
agente que constitui ou contém os genes a serem transferidos e expressos em células
recetoras.
Hoje há uma enorme quantidade de estudos que descrevem o potencial dos vírus como
vetores de clonagem para células animais, recebendo especial atenção os vírus de
mamíferos tais como Simian vírus 40 (SV40), o Adenovirus e o Baculovirus. O vírus
SV40, isolado de células tumorais de macacos, foi um dos primeiros sistemas virais
utilizados para introduzir genes em células de mamíferos.
25
Vetores virais tem sido usados na terapia genética, a fim de levarem o DNA terapêutico
ao núcleo das células alvo. Atualmente há cinco grupos principais de vetores virais
usados: retrovirais, lentivírus, adenovírus, virais adenoassociados e virais de herpes
simplex.
Em 1944 Avery Oswald e seus colaboradores demonstraram que era possível transferir
genes de uma estirpe bacteriana patogénica para outra não-patogénica, identificando o
DNA como portador da informação genética. Esta descoberta permitiu a James Watson
e Francis Crick em 1953 propor a estrutura da dupla-hélice do DNA. Só no ano de 1964
Edward L. Tatum, Joshua Lederberg e Arthur Kornberg, prémios Nobel da medicina,
especularam a possibilidade transferir genes (Menck, e Ventura, 2007).
A possibilidade de usar os vírus como veículos para transportar e introduzir genes num
paciente, permitindo a cura de doenças abre enormes perspetivas na área da saúde. Esta
terapia pretende utilizar as estratégias dos vírus, que ao longo da evolução por milhões
de anos aperfeiçoaram a capacidade de transferir material genético para células de um
indivíduo resultando em benefício terapêutico (Menck, e Ventura, 2007).
Mas afinal o que é a terapia génica. A terapia genética envolve qualquer estratégia de
introdução de uma informação genética numa célula com o intuito de modificar o curso
de uma doença.
A teoria por trás da terapia genética é bastante simples, apesar de sua prática ser
bastante mais complexa. O objetivo da terapia genética é proporcionar às células as
ferramentas necessárias para combater uma dada doença. Por exemplo, a hemofilia é
causada por uma mutação genética herdada num gene que regula a coagulação
sanguínea. Através da transferência de uma cópia saudável desse gene para o doente, as
células deste doente podem produzir a proteína que estava ausente e, assim, regular a
coagulação de forma apropriada. Esta terapia funciona de uma forma diferente em
27
relação aos fármacos tradicionais, os quais não corrigem a origem da doença mas
apenas tratam dos sintomas da doença. Com a terap ia genética, em teoria, uma doença
herdada pode ser tratada na sua origem genética e o doente pode ter uma vida normal
sem a necessidade de medicamentos adicionais (Menck, e Ventura, 2007).
Quando falamos de “transferência génica” não estamos a ser precisos no uso do termo
pois o que realmente está a ser transferido é, na maioria das vezes, um cDNA. O cDNA
é um derivado do mRNA e que contém todas as informações necessárias para produzir
uma proteína de uma forma compacta e simplificada. No entanto, a introdução do
cDNA numa célula não garante a produção da proteína são necessárias as informações
que regulam o processo de transcrição e tradução, ou seja, como, onde e quanto de
proteína terá que ser produzida. Assim, o cDNA tem que ser acompanhado de
sequências de DNA extras, ditas sequências regulatórias, que são importantes para
controlar todo o processo (Menck, e Ventura, 2007).
28
([Link]
Para introdução de genes nos organismos pode ser executada de duas formas: a
introdução in vivo e a introdução ex vivo, figura 14. Na estratégia ex vivo consiste na
modificação das células de um tecido-alvo retiradas de um paciente e cultivadas in vitro
posteriormente são expandidas e reintroduzidas no paciente onde vão expressar o gene
exógeno desejado. Na estratégia in vivo, os vetores eficientes, como os adenovírus,
podem transportar o transgene (material genético transferido) diretamente ao órgão alvo
(como o fígado) através de uma injeção endovenosa, levando à eficiente expressão do
transgene.
Ex vivo:
Colheita e cultivo in vitro das células do paciente;
Transdução com vetor carregando o gene terapêutico;
Seleção e expansão das células com gene terapêutico;
Reintrodução das células modificadas no paciente.
In vivo:
Formulação apropriada do vetor que carrega o gene terapêutico;
Injeção direta do vetor no tecido-alvo do paciente.
29
Os Vírus são vetores génicos por excelência que têm evoluído há milhões de anos na
natureza em associação com todos os organismos desde as bactérias até plantas e
animais. Os sistemas biomoleculares específicos de transferência, recombinação e
expressão génica dos vírus constituem instrumentos poderosos para a construção de
vetores cada vez mais eficientes e seguros.
Na figura 15, pode ver-se representada a distribuição dos diferentes tipos de vetores que
têm sido utilizados em protocolos clínicos. Como pode ser observado, os vetores
derivados de adenovírus e retrovírus são os principais veículos para ensaios em seres
humanos, contribuindo com 50 % de todos os testes. Outros vírus muito utilizados são
os derivados de vírus adenoassociados (AAV), vírus não-patogénicos, que, apesar de
muito limitados no espaço disponível para o transgene, permitem a sua expressão
durante bastante tempo, induzindo fraca resposta imunológica, e os derivados de vírus
da família poxviridae como o vaccinia, empregues em seres humanos durante mais de
dois séculos em processos de imunização contra a varíola (Dani, 2002).
a) b)
Figura 15. Distribuição dos protocolos clínicos por (a) tipo de vetor; (b) segundo as
patologias ([Link]
30
Apesar de ser uma terapia promissora a terapia genética apresenta algumas limitações,
nomeadamente:
Apesar destas limitações espera-se que a terapia genética se torne uma abordagem
básica para a promoção da saúde e tornando-se um método universal na prevenção de
doenças e no desenvolvimento de tratamentos. Os bacteriófagos, baculovirus, retrovirus,
adenovirus e vírus adenoassociados são exemplos de vírus que foram modificados com
sucesso pelas técnicas do DNA recombinante e são aplicados na agricultura e na
medicina. Na tabela 2, apresentam-se os diferentes vírus estudados (Dani, 2002).
31
Tabela 2. Métodos Biológicos utilizados na introdução de genes em células de
mamíferos (Dani, 2002).
32
4. Conclusão
Uma vez que todos os organismos são infetados por vírus, existe uma grande
possibilidade de infeções e de transferência de genes virais entre os diferentes seres
vivos, confirmando o papel dinâmico dos vírus na circulação dos genes na biosfera.
Por outro lado, este mecanismo evolutivo não é unilateral. O hospedeiro também
evoluiu com as infeções de modo a tornar-se resistente a elas, dando origem a pressões
seletivas que levam à seleção de agente infeciosos capazes de vencer estas barreiras e
reinstalar a infeção. Portanto, as doenças infeciosas evoluem segundo um jogo de
pressões seletivas cujo resultado final será a garantia de existência do hospedeiro e do
agente infecioso.
O papel dos vírus no planeta transcende a visão estreita de que são apenas agentes
causadores de doenças. Nos últimos anos, numerosos estudos sugerem que os vírus de
vários tipos podem ter contribuído para a evolução de importantes características dos
hospedeiros ajudando a construir a teia que forma a árvore da vida.
Estima-se, que 8,3% do genoma humano seja formado por esses fragmentos genéticos
dos vírus, em consequência de infeções virais ocorridas ao longo de cerca de 3,5
milhões de anos de evolução. Esta percentagem é superior à dos genes funcionais
existentes no nosso genoma (4% a 5%), o que leva a indagar quantas mais sequências
virais têm função no nosso organismo.
33
placentários.
Por outro lado perspetiva-se que nos próximos 20 anos seja possível com a terapia
génica tornar a medicina mais preventiva, e o diagnóstico e as terapias mais específicos
e efetivos, integrados ao aconselhamento genético dentro do serviço médico apesar das
limitações em relação à eficiência e direcionamento dos vetores de transferência
genética.
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