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Criptococose: Causas e Sintomas

Este documento descreve a criptococose, uma micose causada pelo fungo Cryptococcus neoformans que pode infectar os pulmões e o sistema nervoso central. O fungo é transmitido através da inalação de esporos presentes no solo e em excrementos de pombos. A infecção pode causar leptomeningite, meningoencefalite ou formar cistos no cérebro, levando a sintomas como cefaleia e alterações neurológicas. O diagnóstico é feito por cultura do fungo a partir de amostras de lí
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Criptococose: Causas e Sintomas

Este documento descreve a criptococose, uma micose causada pelo fungo Cryptococcus neoformans que pode infectar os pulmões e o sistema nervoso central. O fungo é transmitido através da inalação de esporos presentes no solo e em excrementos de pombos. A infecção pode causar leptomeningite, meningoencefalite ou formar cistos no cérebro, levando a sintomas como cefaleia e alterações neurológicas. O diagnóstico é feito por cultura do fungo a partir de amostras de lí
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Criptococose:

e linfática a partir de um foco pulmonar – esse foco


pulmonar pode ser assintomático e pode involuir antes que
o quadro neurológico apareça.
→ Etiologia e transmissão: a criptococose é uma micose
sistêmica causada pela levedura Cryptococcus neoformans. É possível que o fungo atravesse a barreira
O C. neoformans é um fungo de formato arrendondado que hematoencefálica através da produção de uma
se multiplica por brotamento e possui uma cápsula espessa metaloprotease fúngica que se adere ao endotélio,
(com grande quantidade de polissacarídeos). Sua permitindo a internalização e migração do fungo para
conformação facilita a infecção, pois ela impede a dentro das meninges (aracnoide e pia-máter) e/ou do tecido
apresentação de antígenos, a fagocitose a migração dos nervoso. O acometimento das meninges e/ou do tecido
leucócitos e a formação de anticorpos. nervoso depende da resposta imune do paciente.
* A resposta imunológica eficiente contra o fungo requer a → Manifestações clínicas: os sinais e sintomas são
opsonização por causa da cápsula e, além disso, a produção variáveis, de acordo com as lesões. Nos casos de
de melanina pelo fungo permite a resistência à morte leptomeningite e meningoencefalite pseudocística
celular. Sendo assim, quando o fungo atinge o SNC, ele disseminada, o quadro clínico evolui de forma subaguda ou
possui alta virulência, pois nessa região há uma baixa crônica, progressiva e com períodos de remissão e
produção de anticorpos e de moléculas do sistema exacerbação.
complemento. Além disso, o tecido nervoso possui uma São comuns os casos de cefaleia e hipertensão
grande quantidade de componentes, como a catecolamina, intracraniana, decorrentes da grande quantidade de fungos
a qual é um substrato para a produção da melanina por nas vilosidades aracnoideas (com obstrução da circulação
ação da fenol-oxidase do fungo – isso permite ainda mais a do líquido cerebroespinal).
sobrevivência do C. neoformans. – Infecção do SNC: os sinais e sintomas associados são
O C. neoformans se prolifera intensamente nos cefaleia progressiva intensa por várias semanas, rigidez da
excrementos secos dos pombos, por causa da grande nuca, letargia, alterações comportamentais, confusão,
quantidade de compostos nitrogenados que eles têm. Os alterações visuais (fotofobia, diplopia, menor acuidade
criptococos são fungos saprófitas, que vivem no solo, visual), náuseas, vômitos, ataxia, convulsões.
frutas secas, cereais e em árvores.  Leptomeningite criptocócica: é a forma mais
comum da criptococose e é caracterizada pelo
espessamento da pia-máter, a qual passa a uma
aparência opalescente (aspecto leitoso) ou
gelatinosa. As lesões que são formadas afetam a
forma do encéfalo e é possível perceber um
alargamento da base dos sulcos (“cálice
invertido”).
 Meningoencefalite pseudocística disseminada: a
intensa infecção das leptomeninges (aracnoide e
pia-máter) leva à formação de cistos perivasculares
presentes no córtex cerebral, nos núcleos da base,
no tálamo e no tronco encefálico. Esse
→ Fisiopatologia: a infecção se estabelece, inicialmente,
acometimento é mais frequente em
pela inalação do fungo, que chega aos pulmões. Nos
imunossuprimidos e a resposta inflamatória é
pulmões, células do sistema imune (macrófagos e
mínima ou ausente (com poucos macrófagos e
neutrófilos) fagocitam os micro-organismos e o sistema
células gigantes com os fungos em seu interior).
complemento é ativado, mas a principal resposta contra a
replicação do fungo é a imunidade específica por células-T * O aspecto gelatinoso nesses casos é resultado da
– essa resposta, em imunocompetentes, é capaz de cápsula polissacarídica do fungo e o cisto é
“manter” a infecção nos pulmões, sem que ela se formado por tecido nervoso aumentado,
dissemine. frequentemente, ao redor de um vaso (sem que
haja reação inflamatória ou glial).
Essa doença pode acometer qualquer parte do organismo,
especialmente, os pulmões e as meninges (causa  Leptomeningite granulomatosa criptocócica:
meningite) – o C. neoformans tem tropismo pelo sistema caracterizada por lesões nas meninges e no
nervoso. O SNC é afetado por disseminação hematogênica parênquima nervoso, que levam à inflamação
crônica do tipo granulomatosa – essa inflamação, para investigar lesões e possíveis alterações nos
quando ocorre no encéfalo ou na medula espinhal, ventrículos.
é chamada de encefalite ou mielite granulomatosa * As causas mais comuns da hipertensão intracraniana são
criptocócica. bloqueios nas vilosidades aracnoides ou edema cerebral.
* Quando os granulomas coalescem, formam-se – Diagnóstico diferencial: toxoplasmose, tuberculose,
tumores denominados criptococomas – mais meningoencefalites, sífilis, sarcoidose, histoplasmose,
comum em infecções por C. gattii. linfomas.
– Infecção pulmonar: o fator de risco mais associado a → Epidemiologia: a criptococose é a principal micose
essa infecção é o DPOC, além do uso de corticoides e dos oportunista encontrada em pacientes com HIV/AIDS. Isso
transplantes. O quadro clínico da infecção sintomática é indica que a criptococose acontece em pessoas
caracterizado, na maioria das vezes, por febre, dispneia e imunossuprimidas (com linfoma, leucemia, em uso de
tosse – tratados com antifúngico. A lesão típica nesse caso corticoides, transplantados, PVHIV, com DM, insuficiência
de infecção é o nódulo pleural. Nos pacientes renal, disfunção hepática, pneumopatia crônica). Em
imunocomprometidos, podem ocorrer casos de infiltrado imunocompetentes, a doença é, principalmente, causada
intersticial difuso, podendo levar à insuficiência pelo Cryptococcus gattii. Geralmente, a doença acontece
respiratória aguda. em adultos, mais frequentemente, em homens.
– Infecção de outros órgãos: em pessoas que têm uma A criptococose NÃO é de notificação compulsória e a
resposta imune debilitada, o C. neoformans é capaz de investigação deve procurar se há associação com
atingir muitos órgãos, como: pele (pápulas semelhantes ao imunodeficiência (a doença é um evento sentinela para
molusco contagioso, erupções acneiformes, nódulos, imunossupressão).
úlceras, placas, celulite, fístulas)., próstata (considerado
– Medidas de controle: de acordo com o Guia de Bolso de
como um reservatório de fungos persistentes), ossos
Doenças Infecciosas e Parasitárias, não existem medidas
(lesões vertebrais e nas proeminências ósseas) e
preventivas específicas, apenas a divulgação dos riscos de
articulações, mamas, olhos (coriorretinite, vitrite, invasão
infecção. Podem ser estabelecidas medidas de controle de
do nervo ocular), laringe.
proliferação de pombos, como: reduzir a quantidade de
→ Diagnóstico: o diagnóstico é feito a partir do alimentos, água e abrigo para os pombos. Os locais em que
desenvolvimento da levedura em cultura, por meio de as fezes estão acumuladas devem ser umidificados, para
amostras do líquido cerebroespinal, sangue, escarro, que não haja dispersão de aerossóis.
material das lesões cutâneas e outros fluidos infectados.
Na biópsia, é possível perceber a levedura, com 5 a 10
micrômetros, envolta por uma cápsula. O diagnóstico
definitivo pode acontecer pela coloração de mucicarmina
(a cápsula fica rosa). Nos fluidos corpóreos, os criptococos
são detectados com tinta nanquim. Há também o exame de
aglutinação em látex para o antígeno polissacarídico
criptocócico, de alta sensibilidade e especificidade e é um
bom método para rastreamento em imunossuprimidos e em * Em 2018, o MS começou a estruturar o sistema de
infecções disseminadas. vigilância e controle de micoses sistêmicas e, a partir disso,
* O LCE do paciente com criptococose apresenta uma alta é esperado que haja o acompanhamento da doença, bem
concentração de leucócitos, com predomínio de células como seu perfil epidemiológico, determinantes sociais,
mononucleares, proteinorraquia aumentada e glicorraquia ocorrência, magnitude e transcendência e vulnerabilidade
diminuída. Nos casos de AIDS, o paciente pode ter no Brasil.
achados normais, o que decorre da resposta imune
deficiente.
* TODOS os pacientes com AIDS que apresentarem
cefaleia devem fazer os exames com tinta nanquim, teste
de látex e cultura do LCE. TODOS os pacientes com
meningoencefalite criptocócica devem fazer tomografia
computadorizada ou ressonância magnética do encéfalo –
→ Tratamento: para infecções do SNC, são utilizadas
Anfotericina B e Flucitosina (terapia de indução) +
Fluconazol. Em infecções fora do SNC, uso de Fluconazol
(terapia de manutenção por toda a vida em pacientes com
AIDS e por 1 ano para HIV negativos).
BIBLIOGRAFIA
→ Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. 2. ed. – Coura
→ Microbiologia médica. 7. ed. – Murray
→ Bogliolo patologia. 8. ed. – Geraldo Brasileiro Filho
→ Doenças infecciosas e parasitárias guia de bolso – Ministério da
Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de
Vigilância Epidemiológica.
→ Cecil Medicina – Goldman e Schafer – 24. ed.
→ Criptococose: causas, sintomas, tratamento e prevenção – MS

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