MATERIAL DO CURSO
APERFEIÇOAMENTO EM SUPORTE BÁSICO DE VIDA (BLS)
APOSTILA
ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO INICIAL EM
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA – PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
(PCR)
Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS), nas últimas décadas, as doenças
cardiovasculares (DCV) tem sido a primeira causa de
morte no mundo. Nos Estados Unidos, estima-se que
250 mil pessoas morrem por ano em decorrência das
doenças coronarianas antes de chegar ao hospital.
No Brasil, 300 mil pessoas morrem por ano devido
a doenças cardiovasculares.
As doenças do aparelho circulatório representam a
principal causa de óbito (32%) no país e as doenças
isquêmicas do coração são responsáveis por 80% dos
episódios de morte súbita. Frente a essa situação, o
Ministério da Saúde instituiu a Portaria GM/MS nº 2.420,
em 9 de novembro de 2004, constituindo um grupo
técnico (GT) com a finalidade de avaliar e recomendar
estratégias de intervenção do SUS para abordagem da
morte súbita.
Dentre todas as situações que caracterizam risco
de morte iminente, nenhuma emergência supera a
prioridade do atendimento da PCR. Esta é definida como
a cessação abrupta das funções cardíacas, respiratórias
e cerebrais.
É comprovada pela ausência de pulso central
(carotídeo ou femoral), de movimentos respiratórios
(apneia) ou respiração agônica (gasping), inconsciência
que ocorre de oito a 12 segundos após a PCR e midríase
completa em menos de três minutos.
Entre as causas mais comuns de PCR, além das
arritmias, encontramos infarto agudo do miocárdio, distúrbios
respiratórios e hidroeletrolíticos.
A parada cardíaca súbita (PCS) acontece de forma
inesperada, nos mais variados locais como feiras-livres,
supermercados, estações de metrô, aeroportos, clínicas
médicas, consultórios odontológicos e, inclusive, nos hospitais.
A detecção e tratamento precoce das PCR é fator
determinante para assegurar a sobrevivência, evitando o
comprometimento neurológico causado pela falta de
oxigenação cerebral, resultando em sequelas graves
irreversíveis.
Este evento, na maioria das vezes, ocorre fora do
ambiente hospitalar e é geralmente presenciado pela
família, colegas de trabalho ou por pessoas
desconhecidas, que não possuem conhecimento sobre
as ações básicas para manutenção da vida, que
poderiam ser aplicadas até a chegada do atendimento
pré-hospitalar (APH).
Para que o socorro possa ser prestado de
maneira sistematizada ao cliente com parada cardíaca
súbita, a AHA 2010 desenvolveu a cadeia de
sobrevivência, constituída pela sequência de ações:
1 2 3 4 5
1. Reconhecimento imediato da PCR e acionamento do serviço de
emergência/urgência (ligue 192 ou 193);
2. RCP precoce, com ênfase nas compressões torácicas;
3. Rápida desfibrilação;
4. Suporte avançado de vida eficaz;
5. Cuidados pós-RCP integrados.
No terceiro elo indica-se a realização da
desfibrilação, mantendo as manobras de RCP. O quarto elo
destaca-se pelos cuidados da equipe de SAV do Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Finalmente, os cuidados pós-PCR integrados fazem
parte do quinto elo da cadeia de sobrevivência e os
principais objetivos são: otimizar a função cardiopulmonar,
melhorando a perfusão dos órgãos; transferir o cliente para
continuidade do cuidado; identificar e tratar as causas
reversíveis; induzir hipotermia para otimizar a recuperação
neurológica; evitar ventilação excessiva.
O primeiro elo da cadeia de sobrevivência é reconhecer
inconsciência ou respiração inadequada (gasping) e acionar o
Serviço Médico de Emergência (SME), fazendo ligação
telefônica para 192 ou 193. Lembre-se que a segurança da cena
não deve ser negligenciada, pois, dependendo do local, pode
representar perigo para a pessoa que prestará o socorro e para
o cliente.
O SBV é o segundo elo da cadeia de sobrevivência e
deve ser iniciado no atendimento pré-hospitalar com a RCP
precoce com ênfase nas compressões torácicas de alta
qualidade.
Lembre-se que os protocolos de atendimento
realizados de forma sistematizada, baseados no método
mnemônico C-A-B orientam as manobras de SBV. O
objetivo é garantir a boa oxigenação cerebral, realizando
manobras de compressões torácicas e ventilação, que
devem ser imediatamente iniciadas e realizadas até a
chegada do SAV. A sequência de eventos de uma PCR
nos leva a melhor compreensão das ações que são
necessárias para sua reversão.
SISTEMATIZANDO A ASSISTÊNCIA EM PCR
SUPORTE BÁSICO DE VIDA PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Objetivo principal:
Instituir as condições mínimas necessárias para recuperar
ou manter a oxigenação e a perfusão cerebral; consiste no
reconhecimento da PCR e realização de procedimentos
para a RCP.
C – CIRCULAÇÃO - ADULTO
Você deverá suspeitar de PCR se o
paciente não responder ou apresentar
respiração anormal (gasping); verifique pulso
carotídeo ou femoral em até 10 segundos; caso
não sinta o pulso inicie manobras de RCP
colocando a pessoa em uma superfície plana e
rígida e use o DEA/DAE (desfibrilador externo
automático), se disponível.
Manter a frequência de 30 compressões para duas
ventilações; com um ou dois profissionais atuando nas manobras
de RCP. Realizar revezamento entre massageadores a cada dois
minutos ou a cada cinco ciclos de 30 compressões e duas
ventilações.
As compressões serão realizadas colocando-se a região
hipotenar de uma das mãos na linha mamilar sobre o osso
esterno, e a outra mão apoiada sobre o dorso da primeira. As
compressões devem ser rápidas e fortes, sendo exercidas com o
peso do corpo sobre os braços e mãos, a uma amplitude de
compressão de no mínimo 5 cm em adulto.
POSICIONAMENTO CORRETO DAS MÃOS PARA REALIZAÇÃO DA
COMPRESSÃO TORÁCICA NO ADULTO.
POSICIONAMENTO CORRETO DOS BRAÇOS
PARA COMPRESSÕES TORÁCICAS NO
ADULTO.
• Assim que houver uma via aérea avançada colocada, as
compressões torácicas poderão ser contínuas, a uma frequência
mínima de 100/minuto (AHA, 2010).
• Caso a parada cardiorrespiratória seja testemunhada, ou seja,
tenha ocorrido a menos de 4 minutos, iniciar RCP e, se o
desfibrilador externo automático (DEA) for disponibilizado, utilizá-lo
imediatamente.
• Caso você encontre o cliente inconsciente e não saiba ao certo
por quanto tempo ele está nesta condição, realize 2 minutos de RCP
ou cinco ciclos de 30 compressões/duas ventilações, para depois
utilizar o DEA. Atendimento realizado em equipe, enquanto se instala
o DEA outro mantém a RCP. Uma vez instalado, interromper a RCP
para a análise do ritmo pelo DEA.
A – Vias aéreas (VA) - Adulto
• Iniciam-se as manobras de abertura das vias aéreas. Se não
houver suspeita de trauma cervical, é realizada por meio da
inclinação da cabeça e levantamento do queixo. Em caso de
suspeita de trauma, utilizar a técnica de elevação do ângulo da
mandíbula.
• Observe se há evidências de ruídos como roncos e estridores.
Verifique se há sangue na boca, dentes quebrados, dentaduras
soltas, presença de conteúdo gástrico ou corpo estranho. Caso
identifique qualquer problema, é necessário corrigi-lo.
MANOBRA DE INCLINAÇÃO DA CABEÇA E ELEVAÇÃO DO MENTO
(AHA).
• Lembre-se que a principal causa de obstrução das
vias aéreas em pessoa inconsciente é a queda da língua.
Utilize uma cânula orofaríngea, se necessário, para manter
a permeabilidade das vias aéreas.
B – BOA VENTILAÇÃO – ADULTO
• O procedimento “ver, ouvir, sentir se há respiração” foi removido
das etapas do algoritmo de SBV (AHA, 2010).
• Após a primeira série de compressões torácicas iniciais, a via
aérea é aberta e são aplicadas duas ventilações. Lembre-se que
a utilização da bolsa-valva-máscara é sempre a melhor
indicação; escolha o tamanho do dispositivo adequado para
melhor abordagem de vias aéreas, relembrando princípios
básicos.
• As ventilações com via aérea avançada por profissionais de
saúde podem ser feitas na proporção uma a cada seis a oito
segundos (oito a 10 ventilações/min). É importante que se
verifique a elevação do tórax.
FIXAÇÃO DA MÁSCARA FACIAL EM C
FIXAÇÃO DA MÁSCARA FACIAL EM E
D- DESFIBRILAÇÃO – ADULTOS
• O uso de corrente elétrica aplicada externamente para
tratar a fibrilação ventricular foi descrito primeiramente em
1956. Desde então, a capacidade dos desfibriladores para
reverter ritmos cardíacos fatais apresentou grande
progresso.
• O desfibrilador externo automático (DEA) é utilizado
no SBV por profissionais habilitados, e pode ser operado
por pessoa leiga treinada. Tem como função analisar o
ritmo cardíaco, reconhecer ritmo chocável e orientar o
usuário como proceder.
• A desfibrilação é a aplicação de uma corrente elétrica sobre
o músculo cardíaco, por um curto período de tempo, para
cessar o ritmo anormal. É indicado para fibrilação ventricular
(FV) e taquicardia ventricular sem pulso (TV).
Pás autoadesivas devem ser colocadas
sobre o peito do cliente.
Produção, Edição, Elaboração e Revisão de Texto:
ESCON - Escola de Cursos Online
Proibida a reprodução total ou parcial sem permissão expressa da ESCON. (Lei 9.610/98)