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CBM: Gás de Carvão em Camadas e Metano

Este documento apresenta informações sobre gás de carvão em camadas (CBM). Discute a composição e origem do gás metano, o processo de formação do carvão fóssil, e métodos para extração e identificação de metano. O documento contém referências bibliográficas e é elaborado por estudantes de Geologia da Universidade Licungo sobre o tema CBM para a disciplina de Recursos Energéticos.

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CBM: Gás de Carvão em Camadas e Metano

Este documento apresenta informações sobre gás de carvão em camadas (CBM). Discute a composição e origem do gás metano, o processo de formação do carvão fóssil, e métodos para extração e identificação de metano. O documento contém referências bibliográficas e é elaborado por estudantes de Geologia da Universidade Licungo sobre o tema CBM para a disciplina de Recursos Energéticos.

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Alexandre Simões

Arminda Armando Johane

Osvaldo Zebo Bulaque

Cristina Ricardo Maia

Isabel Joana Jaime Mandomando

Jairosse Bernardo Barros

Rosário Fernando Bernardo

CBM – Gás de carvão em camadas

Universidade Licungo

Beira, 2022

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Alexandre Simões

Arminda Armando Johane

Osvaldo Zebo Bulaque

Cristina Ricardo Maia

Isabel Joana Jaime Mandomando

Jairosse Bernardo Barros

Rosário Fernando Bernardo

IV: Ano

Geologia

Disciplina: Recursos Energeticos

CBM – Gás de carvão em camadas

Docente:

PhD. Mateus Manharage

Universidade Licungo

Beira, 2022

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Índice
1. Introdução...........................................................................................................................4
2. Objetivos.............................................................................................................................5
2.1. Objectivo geral.............................................................................................................5
2.2. Objectivos específicos..................................................................................................5
3. Metodologias.......................................................................................................................5
5. GÁS METANO...................................................................................................................6
5.1. CBM – Gás de carvão em camadas....................................................................................6
5.3. Composição do gás natural...............................................................................................7
5.4. Fontes e processos de formação do Metano................................................................7
5.4.1. Microbiana (biogênico)......................................................................................7
5.4.2. Termogênica........................................................................................................7
6. CARVÃO FÓSSIL.............................................................................................................8
6.1. Processos de formação do Carvão fóssil............................................................................9
6.2. Armazenagem e fluxo de gás......................................................................................10
7. Extração do gás Metano...................................................................................................11
8. Métodos analíticos para identificação de metano..........................................................12
8.1. Cromatografia Gasosa................................................................................................12
8.2. Coletores de gases usuais...........................................................................................14
9. Conclusão..........................................................................................................................17
10. Referências Bibliográficas...........................................................................................18

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1. Introdução
O presente trabalho foi elaborado por um grupo de estudantes do quarto ano do curso de
Geologia, em seguida abordar-se-ão assuntos relacionados com o tema em questão
“CBM – Gás de Carvão em camadas”.

Devido à abundância e distribuição geográfica das reservas, aliada ao baixo custo


quando comparado a outros combustíveis, o carvão continuará sendo um dos principais
insumos para geração de energia, porém, nos últimos anos há um interesse cada vez
maior na avaliação dos recursos de gás natural associado com as camadas de carvão
(coal bed methane - CBM). O gás natural está desempenhando um papel crescente no
atendimento das demandas mundiais de energia por causa de sua abundância e sua
natureza limpa. Como resultado, os lotes de exploração de gás e desenvolvimento deste
campo estão em pleno andamento (WANG, 2009).

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2. Objetivos
2.1. Objectivo geral
 Máximizar o conhecimento sobre o CBM - gás de carvão em camadas.

2.2. Objectivos específicos


 Analisar a composição e origem do gás natural, e conhecer o carvão fóssil;
 Compreender os métodos analíticos para identificação do metano, e os
colectores de amostras;
 Conhecer as formas de extração do gás em jazidas.

3. Metodologias
Para a realização do presente trabalho a proponente fez valer o uso do método da
consulta bibliográfica, baseado em leituras de obras científicas, manuais e outros
documentos relevantes já publicados.

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4. Gás natural associado com as camadas de carvão

4.1. Historial do CBM

Os primeiros poços piloto de CBM foram perfurados e concluídos em 1971 por U.S.
Bureau of Mines em 11 locais nos Estados Unidos. O primeiro projeto comercial de
CBM foi em 1977 na Bacia San Juan (oeste dos EUA). Já na Austrália, o poço pioneiro
foi em 1999 e no Canadá em 2002 (NORWESTCORP). No Brasil, o primeiro poço para
estudos de CBM foi concluído em 2007, na jazida Santa Terezinha, RS pelo Laboratório
de Carvão e Rochas Geradoras de Petróleo da UFRGS, seguido por 2 poços no litoral de
Santa Catarina, 1 poço na jazida Chico Lomã (presente estudo) e 1 poço na jazida de
Morungava (análises em andamento).

5. GÁS METANO
O gás metano (CH4), não possui cor (incolor) nem cheiro (inodoro). Considerado um
dos mais simples hidrocarbonetos, possui pouca solubilidade na água e, quando
adicionado ao ar, torna-se altamente explosivo. Desta forma, é utilizado como fonte de
energia.

Fórmula estrutural do metano

5.1. CBM – Gás de carvão em camadas


O termo CBM (coalbed methane) é a nomenclatura utilizada para referir ao gás metano
gerado e armazenado nas camadas de carvão.

5.2. Factores que influenciam o CBM

Existem muitos fatores condicionantes para a ocorrência e geração de CBM. Os mais


importantes são a composição maceral do carvão, conteúdo de cinza, rank, porosidade,

6
permeabilidade, além da espessura do pacote sobre o carvão (para não haver escape de
gás), a ocorrência de intrusões ígneas e falhamentos na área de estudo, etc.

5.3. Composição do gás natural


O gás natural associado às camadas de carvão contém dominantemente metano, seguido do
CO2 e hidrocarbonetos mais pesados (até nonano), com pequenas quantidades de nitrogênio,
oxigênio, hidrogênio e hélio (RICE, 1993 apud BUTLAND, 2006); (CLAYTON, 1998).

5.4. Fontes e processos de formação do Metano


O metano pode ser formado por dois processos: microbiano (biogênico) e
termogênico.

5.4.1. Microbiana (biogênico)


Ocorre na superfície da Terra e em bacias sedimentares rasas, a temperaturas inferiores
a 100°C (CLAYTON, 1998). O metano é produzido através da decomposição da
matéria orgânica por micro-organismos, comumente em turfeiras e pântanos.

5.4.2. Termogênica
Se forma a partir da deterioração da matéria orgânica a grandes profundidades,
associada com o aumento da pressão e temperatura em bacias sedimentares
(LEVANDOWSKI, 2009). Com o aumento da profundidade, temperatura e pressão
ocorre a desvolatilização da matéria orgânica, cujo produto é a geração de metano,
dióxido de carbono e água (RICE et al., 1993).

7
Figura 1: Geração de gás com o aumento do nível de maturação, modificado de U.S,
Department of Energy National Petroleum technology office.

            

Figura 2: Gás metano em combustão

O gás metano (encontrado no gás natural) em minas de carvão é inflamável, os riscos


são de asfixia ou de explosão se estiver misturado com o ar, como nas minas de carvão.
Quando a concentração de gás metano chega a 5% há risco de explosão (TORRES e
GAMA, 2005).

Se inalado, o metano pode causar asfixia, parada cardíaca, inconsciência e até mesmo
danos no sistema nervoso central.

8
6. CARVÃO FÓSSIL
Segundo a norma ISO – carvão é uma rocha sedimentar carbonada, fundamentalmente
derivada de restos vegetais, com matéria mineral associada correspondendo a um teor
em cinzas, inferior ou igual a 50%, em massa, expresso na base seco.

A Turfa é considerada apenas como a matéria-prima principal a partir da qual se forma


o carvão, aliás em perfeita coerência com a doutrina do ICCP (1963) (Lemos de Sousa
1999). Com efeito, a turfa é composta por restos mortos da própria vegetação existente
em pântanos, pauis, lagunas, etc. (designados, quando aí se deposite turfa, por
turfeiras), restos estes ainda não consolidados e, mais ou menos, fortemente
decompostos por turbificação (ou humificação) em condições essencialmente
anaeróbicas e de saturação de água.
Segundo o tempo de fossilização ele pode ser: Lenhite, Hulha, Antracite.

Hulha: CH4 (gás metano) 30% outros gases:

Figura 3: Carvão Fonte: MEDEIROS, 2003. p 5

6.1. Processos de formação do Carvão fóssil

9
Figura 4: Processo de formação do carvão.

Fonte: Figura modificada de BYJU’S.

6.2. Armazenagem e fluxo de gás


De acordo com Butland (2006), no carvão, o gás encontra-se principalmente nos poros
e fraturas por causa da adsorção física, trapeados com as camadas de carvão ou
associado a sedimentos através das forças de van der Walls.
O carvão é caracterizado como um sistema de dupla porosidade (WARREN
e ROOT, 1963 apud PILLALAMARRY et al., 2011), onde a porosidade primária
consiste em microporos associados com a matriz de carvão e sistema de porosidade
secundário chamado sistema de cleats ou fraturas.
Já o sistema de porosidade secundária, consiste de uma rede de fraturas
estreitamente espaçadas, rodeando a matriz de carvão, a qual fornece os caminhos de
fluxo para gás e água segundo Pillalamarry et al. (2011).
A relação entre a estrutura das camadas de carvão e o fluxo de gás pode ser mostrada
como: fraturas (“cleats”) envolvendo a matriz de microporos.

A migração do gás através do carvão, é governada por dois fatores principais:

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a) a distância que o metano tem para difundir, a qual depende do espaçamento dos
“cleats” (fraturas) que delineam os chamados blocos de matriz no carvão e

b) a quantidade de vazão de gás através dos “cleats”, o qual depende da


espessura, comprimento, continuidade e permeabilidade dos poros (GAMSON et
al., 1996).
Segundo Mavor e Nelson (1997) aproximadamente 98% do gás natural fica
armazenado nos microporos do carvão.

Figura 5: Modelo de porosidade - fraturas (cleats) e microporos (GAMSON et al.,


1996, modificado).

Figura 6: Modelo do fluxo de metano conforme o fluxo de Darcy, modificado de KGS

Já Taylor et al. (1998) citam que nos estágios iniciais de carbonificação há uma
diminuição na porosidade devido ao preenchimento dos poros por betume durante o
processo de betuminização, e com o aumento da temperatura, o betume é volatilizado e
a porosidade aumenta novamente, portanto o aumento da porosidade com o rank
estaria ligado a remoção do betume gerado no estágio de betuminização.

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7. Extração do gás Metano
• A extração do metano consiste na perfuração de um poço. As paredes do poço contém
pequenos furos para estimular a produção de gás ou através do faturamento para fazer
fluir mais livremente.

Figura 7: Diagrama de um poço CBM ou CSM

Figura 8: Perfil de produção de um poço CBM ou CSM

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8. Métodos analíticos para identificação de metano
A medição de gás metano é muito importante para a caracterização de fontes emissoras
e para a mitigação do mesmo. Existem alguns métodos já testados para a identificação e
quantificação deste gás. (WANG, 2003).

8.1. Cromatografia Gasosa


A cromatografia é um método físico-químico de separação. (DEGANI et al., 1998).

A cromatografia gasosa permite a realização de análises qualitativas e quantitativas. A


análise qualitativa é baseada na velocidade com que cada componente da mistura
atravessa a coluna, utilizando-se o parâmetro Tempo de Retenção (tr). O tempo de
retenção de uma substância é o tempo gasto desde o momento em que a amostra é
injetada, até o momento em que o maior número de moléculas da substância sai do
sistema cromatográfico e é detectado (LANÇAS, 1993).

As substâncias separadas saem da coluna, dissolvidas no gás de arraste e passam por um


detector; dispositivo que gera um sinal elétrico proporcional à quantidade de material
eluído. O registro deste sinal em função do tempo é o cromatograma, sendo que as
substâncias aparecem nele como picos com área proporcional à sua massa, o que
possibilita a análise quantitativa (LANÇAS, 1993; COLLINS et al., 2006).

Os detectores mais utilizados na cromatografia gasosa são: a.) condutividade térmica


(DCT), usado para compostos orgânicos, inorgânicos, derivados de petróleo etc., b.)
ionização de chama (DIC), usado para compostos orgânicos com baixa sensibilidade
para formaldeído e ácido fórmico, c.) (PERES, 2002).

O detector de ionização de chama, denominado DIC, ou FID do inglês flame ionization


detector, é o detector mais sensível de cromatografia gasosa para hidrocarbonetos. Este
é um detector muito bom para a identificação de metano, e outros hidrocarbonetos.
(HINSHAW, 2005).

Conforme o que foi emanado acima, a ilustração a seguir (figura 9) ilustra o aparelho
utilizado em cromatografia.

13
Figura 9‫ ׃‬cromatografo de laboratório.

Figura 10‫ ׃‬princípio de funcionamento do cromatografo.

8.2. Coletores de gases usuais


Tedlar

Os Tedlars são sacos para coleta de gases produzidos pela empresa DuPont. Estes
oferecem resistência à permeação de gás para dentro e para fora dos sacos de amostras,
garantindo a integridade da mesma.

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Figura 11: Sacos de coleta tipo Tedlar

Exetainers

O uso de Exetainers é bastante importante para o transporte das amostras ao laboratório,


onde as mesmas são analisadas. Trata-se de tubos de vidro (1) com tampa de rosca (2) e
septo de silicone (3).

Figura 12: Coletor de gases do tipo Exetainer

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Canisters

Projetado para coletas e armazenamento de gases, é um botijão de aço inox eletropolido


que garante a estabilidade das amostras. Os canisters podem ser utilizados para
amostragem de ar ambiente, gases de poços de monitoramento de contaminação de solo
e também adaptado para outras amostragens (MARTINEZ, 2012).

O uso de canisters oferece algumas vantagens sobre outros métodos de coleta de gases
tais como: as amostra podem ser analisadas em até 30 dias para compostos orgânicos
voláteis sem perdas significativas.

Figura 13: Coletores de gases do tipo Canister.

Microseringas

Microseringas são utilizadas para a coleta de amostras quando estas se encontram


próximas ao local de análise.

Figura 14: Microseringas utilizadas para coleta e injeção de amostras gasosas.

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Vacutainers

Os Vacutainers são tubos evacuados com tampas de borracha com cores codificadas.

8.3. Algumas aplicações do gás metano em diversas áreas a nível mundial

Segundo o Mercado de Metano (Methane to Markets Partnership), em 2009 havia 240


projetos de utilização de metano proveniente de minas de carvão no mundo.

Figura 16: Diferentes tipos de projetos de utilização do metano proveniente de minas


de carvão no mundo. Fonte: Methane to Markets Partnership (2009).

9. Conclusão
Conclui-se que o gás natural associado às camadas de carvão contém dominantemente
metano. Portanto, os factores mais importantes para a ocorrência e geração de CBM são
a composição maceral do carvão, conteúdo de cinza, rank, porosidade, permeabilidade,
a ocorrência de intrusões ígneas e falhamentos na área de estudo, etc. Para que o
trabalho seja eficaz, é necessário que se faça a realização de mais poços na mesma
jazida preferencialmente, em um local não afetado por intrusões.

A presença de intrusões ígneas têm alguma influência na geração de gás natural, no que
tange a desorção e adsorção de metano, sendo importante o maior conhecimento da
geofísica, por exemplo. Os poucos trabalhos existentes ainda mostram conclusões
insuficientes sobre essas intrusões.

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10. Referências Bibliográficas
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 LEVANDOWSKI, J. H. Petrologia e Geoquímica das camadas de carvão e sua
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Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pp. 1 – 102, 2014.

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