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Ação de Divórcio Litigioso com Tutela

Este documento é uma petição de divórcio litigioso com pedido de antecipação de tutela provisória de evidência. O autor solicita o divórcio da requerida após tentativa frustrada de divórcio consensual e alega estar separado de fato há vários anos. O autor também pede a concessão da gratuidade de justiça e que o divórcio seja deferido liminarmente com base no direito potestativo à dissolução do casamento.

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Ação de Divórcio Litigioso com Tutela

Este documento é uma petição de divórcio litigioso com pedido de antecipação de tutela provisória de evidência. O autor solicita o divórcio da requerida após tentativa frustrada de divórcio consensual e alega estar separado de fato há vários anos. O autor também pede a concessão da gratuidade de justiça e que o divórcio seja deferido liminarmente com base no direito potestativo à dissolução do casamento.

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MODELO DE PETIÇÃO

DIVÓRCIO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA.


MODELO GERAL
Rénan Kfuri Lopes

Exmo. Sr. Juiz de Direito da Vara de Família da Comarca de ...

(nome, qualificação, endereço e CPF), por seu advogado in fine assinado, ut instrumento de
procuração anexo (doc. n. ...), vem perante Vossa Excelência, com fundamento no art. 693 e
seguintes do CPC propor a presente AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO COM PEDIDO DE
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA, em face de (nome,
qualificação, endereço e CPF), pelos motivos de fato e de direito que a seguir se expõe:

I. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

1. Requer o autor, a concessão dos benefícios de gratuidade da justiça, com fulcro no art. 98 e
seguintes do CPC e na lei 1.060/50, em virtude de ser pessoa pobre na acepção jurídico da
palavra e sem condições de arcar com os encargos decorrentes do processo, sem prejuízo de
seu próprio sustento e de sua família, conforme comprovante de rendimento e declaração de
hipossuficiência em anexos.

II. DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

2. O autor por meio deste advogado tentou realizar o divórcio consensual, todavia sua ex-
companheira, mostrou-se indisposta ao procedimento consensual. Nesse sentido, opta-se pela
dispensa da audiência de mediação e conciliação.

III. DOS FATOS

3. O requerente constituiu casamento civil com a requerida em ..., sob o regime de comunhão
parcial de bens, como consta na cópia da certidão de casamento anexa.

4. Salienta-se que depois da Emenda Constitucional 66/2010, não é mais possível a


interferência estatal na autonomia da vontade privada, principalmente no Direito de Família,
proporcionando a dissolução do casamento pelo divórcio imediato, independentemente de
culpa, motivação ou da prévia separação judicial.

5. O autor informa está separado de fato desde ..., ou seja, há aproximadamente ... (...) anos.
Contudo, durante esse tempo as partes permaneceram constando nos registros públicos como
casados.

6. Ademais, o autor está em um novo relacionamento há 01(um) ano com pretensão de


iminente matrimônio, razão pela qual, querendo atualizar o seu estado civil, entrou em contato
com a requerida afim de realizar o pretendido divórcio de maneira consensual. Porém, por
razão ignorada pelo autor, esta por sua vez, negou-se assinar os papeis.

7. Assim, diante da negativa da requerida em lhe conceder o divórcio, o autor não teve
alternativa a senão propor na forma litigiosa.
IV. DOS BENS

8. As partes estão casadas sob o regime parcial de comunhão de bens, contudo, não possuem
bens a partilhar.

V. DOS ALIMENTOS ENTRE OS CÔNJUGES

9. Não se faz necessária a fixação de alimentos entre os cônjuges, tendo em vista que se
encontram separados de fato há ... (anos) e nunca precisaram do apoio financeiro
reciprocamente. Diante disso, é necessária a fixação de alimentos entre as partes.

VI. DO DIREITO

10. A Emenda Constitucional nº 66, de 2010, deu nova redação ao parágrafo 6º do artigo 226
da Carta Magna. Disposição esta, que trata sobre a dissolução do casamento civil.

11. Com o novo texto, o divórcio passou a depender de um único requisito, qual seja: a
manifestação de vontade dos cônjuges, em atenção a autonomia privada das partes, restando
eliminada exigência de separação anterior. De modo, que em conformidade com a
Constituição Federal em seu Artigo 226, parágrafo 6º, em vigor:

“O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio”

12. Desta feita, perfeitamente cabível a presente ação, pois o pedido está em plena
conformidade com a legislação vigente.

13. O Código Civil assim assevera:

“Art. 1.571. A sociedade conjugal termina


IV- pelo divórcio.”

14. Nessa diapasão, o vínculo conjugal deve ser extinto, com decretação do divórcio, tendo
em vista a impossibilidade da vida comum, diante da perda do affectio maritalis, ou seja, os
sentimentos decorridos da convivência entre marido e mulher cessaram.

VII. DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA

15. Nos termos do art. 311, II e IV do CPC:

“CPC, art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração


de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando:

II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese


firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante;

IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do
direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.

Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente.”
16. Nesse sentido, mostra-se necessária a antecipação dos efeitos da tutela de evidência\,
tendo em vista que a partir da Emenda Constitucional 66/2010, o divórcio tornou-se um
direito potestativo incondicionado, ou seja, não se admitindo mais discussões sobre culpa,
sabendo a outra parte apenas a aceita-lo, bem como em razão disso, houve a supressão do
requisito de prévia separação judicial, podendo o divórcio litigioso ser diretamente concedido.

17. Assim, compreende-se que basta um dos cônjuges, em virtude do fim do afeto, ou
respeito, embora não seja obrigado a revelar real motivação, valer-se do poder jurídico de
interferir na relação jurídica matrimonial e optar pela extinção da união, independentemente
do tempo de duração dela. Logo, caberá ao outro cônjuge apenas a sujeição à decretação do
divórcio direto litigioso, fato este incontroverso que dispensa a produção de provas e o
próprio consenso. Tendo em vista que qualquer alegação da requerida, não será capaz de
impedir, modificar ou extinguir o direito autoral, muito menos haverá prova capaz de gerar
dúvida razoável ou julgador quanto ao direito potestativo do autor.

18. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo possui posicionamento análogo: sendo o
divórcio um direito potestativo, é possível a concessão de tutela de evidência para decretá-lo
“diante da desnecessidade de concordância da outra parte”. A Corte paulista decretou o
divórcio em sede de tutela de evidência, consubstanciado no art. 311, inc. IV, do CPC, em
virtude “da EC nº 66/2010, que deu nova redação ao § 6º do art. 226, da CF, de modo a não
mais exigir das partes que comprovem a culpa e o decurso de tempo para a dissolução do
vínculo matrimonial” (TJSP, 9ª Câmara de Direito Privado, Agravo de Instrumento nº
2267701-33.2018.8.26.0000, Des. José Aparício Coelho Prado Neto, j. 22.11.2019 ***Chris,
ver o DJe e retirar a data do julgado).

19. Por sua vez, a 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro,
levando em consideração o direito potestativo da parte, em consonância ao aludido no art. 311
do CPC, reconheceu ser plausível a sua concessão em sede de tutela de evidência. Entendeu-
se, igualmente, que o contraditório poderia ser adiado, tendo em vista que a oitiva do outro
cônjuge e a produção de provas outras não seriam capazes de desfigurar a vontade manifesta
da parte interessada na cessação da união havida (TJRJ, 20ª Câmara Cível, Agravo de
Instrumento nº 0042493-26.2019.8.19.0000, Desa. Maria da Glória Oliveira Bandeira de
Mello, DJ 07.08.2019)

20. Por essa razão, entende-se ser plenamente possível a concessão da tutela de evidência para
que seja liminarmente, decretado o divórcio entre a partes com fulcro no art. 311, incisos II e
IV do CPC, tendo em vista a inconteste evidência do direito material do demandante, por se
tratar de alegação comprovada apenas documentalmente, com respaldo em norma de índole
constitucional.

21. Portanto, requer seja deferido liminarmente o divórcio em atenção de que a ação de
cognação desta já se inicia com a maturação suficiente para o deferimento da antecipação dos
efeitos do pleito de dissolução do vínculo conjugal.

22. Assim, não é razoável impor ao demandante o ônus de suportar a morosa tramitação do
feito para que, só ao final, tenha apreciada sua pretensão, quando já houver manifestado
inequívoco interesse em seu divorciar.

VIII. PEDIDOS
23. Ex positis, o autor requer:

a) a concessão da gratuidade processual, nos termos do artigo 98 e seguintes do Código


Processo Civil;

b) a citação da requerida, no endereço registrado no preâmbulo, para, querendo, responder a


presente, sob pena sofrer os efeitos da revelia;

c) seja deferida liminarmente a antecipação dos efeitos da tutela de evidência com fulcro no
art. 311, II e IV do CPC, bem como seja ao final dado a procedência do pedido do requerente,
com a decretação do divórcio do casal;

d) após trânsito em julgado da presente ação seja expedido mandado judicial para averbação
no respectivo Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais;

e) a condenação da Requerida ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios


de sucumbência, conforme art. 85, §2º do Código de Processo Civil.

f) a produção de todos os meios de prova em direitos admitidas, em especial, prova


documental, e tantas quantas se façam necessárias para o deslinde da causa.

Valor da causa: R$ ...

P. Deferimento.
(Local e data)
(Assinatura e OAB do Advogado)

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