Análise de Os Lusíadas: Epopeia Renascentista

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Os Lusíadas são uma epopeia renascentista que celebra as navegações portuguesas. A obra possui uma estrutura épica clássica com proposição, invocação e narrativa centrada na viagem de Vasco …

Enviado por

João Pereira

OS LUSÍADAS

Os Lusíadas são, claramente, uma obra do Renascimento, atendendo a que


espelham muitos dos valores e conceitos renascentistas:
- pluralidade cultural
- espírito crítico
- experiência humanista
- valorização das capacidades do Homem
- conceito de herói
- valorização da observação e da experiência

A EPOPEIA: VALORIZAÇÃO DA OBRA


A epopeia é uma composição narrativa, em verso ou em prosa, que em estilo
elevado - grandiloquente - canta uma ação heroica passada. Celebra uma ação
grandiosa ou uma série de grandes acontecimentos históricos. Nesse sentido, Os
Lusíadas são uma obra épica, uma epopeia, na qual encontramos os elementos que nos
permitem classificar o texto enquanto tal, nomeadamente:
ação- épica, com grandeza e solenidade, de modo a expressar heroísmos (a ação
central é a aventura das Descobertas, de que se destaca a viagem marítima de Vasco da
Gama à Índia, uma ação repleta de heroísmo e, por isso, digna de ser louvada; surgem
episódios da mitologia).
herói- o protagonista devia revelar grande valor moral, além da sua estirpe social, em
Os Lusíadas, o herói é o povo português - “o peito ilustre Lusitano”(canto I est.3) - ,
representado na figura do comandante das naus, Vasco da Gama, há portanto, um herói
coletivo e um herói individual.
maravilhoso- verifica-se não só a intervenção das divindades da mitologia (por
exemplo, Vénus e Baco), como do Deus dos cristãos.
estrutura- que está assente em partes obrigatórias: PROPOSIÇÃO, INVOCAÇÃO E
NARRAÇÃO, Os Lusíadas apresentam quatro partes e determina uma narração in
media res.
forma- há um narrador que relata os acontecimentos; podemos, inclusive, distinguir
os seguintes narradores:
O Poeta Relata a viagem de Vasco da Gama desde Moçambique até à Índia e toda a
viagem de regresso (Cantos I,II,VI,VII,VIII,IX e X)
Vasco da Gama Conta ao rei de Melinde:
- a História de Portugal (Cantos III E IV)
- a viagem desde Lisboa até Moçambique (Final do Canto IV e Canto V)
Paulo da Gama Relata, em Calecute, ao Catual alguns factos da nossa História e explica o
significado das 23 figuras representadas nas bandeiras (Canto VIII)
Fernão Veloso Descreve o episódio dos Doze de Inglaterra (Canto VI)
Camões teve ainda necessidade de recorrer a fontes históricas, atendendo
sobretudo aos episódios que compõem o plano da História de Portugal e que se
encontram essencialmente nos Cantos III, IV e VII. Com efeito, a épica torna-se,
durante o Renascimento , o género mais valorizado, uma vez que permite dar destaque
às ações dos homens. Assim:
- o objetivo da epopeia é narrar e louvar os feitos grandiosos, e por isso dignos
de memória, de um povo, para que não caiam no esquecimento e possam servir de
exemplo e de inspiração para outros homens;
- o Humanismo do século XV instituiu uma crença inabalável no Homem, nas
suas capacidades e também na sua exemplaridade, daí que as descobertas marítimas se
tenham apresentado como um feito extraordinário merecedor de ser imortalizado. A
aventura dos Portugueses por “mares nunca dantes navegados” era uma prova do
espírito dos tempos, da confiança no Homem. Era o resultado do seu desejo de
conhecer e de ver, pelos seus próprios olhos, o mundo.

ESTRUTURA INTERNA DA OBRA:


Agora que já refletimos sobre a natureza de Os Lusíadas, podemos centrar a
nossa atenção na sua estrutura que, de acordo com as regras do género da epopeia
clássica, se estrutura em 3 partes obrigatórias:
PROPOSIÇÃO Na Proposição (Canto I, est.1-3), Camões propõe-se a cantar:
(apresentação do - as navegações e as conquistas no Oriente nos reinados de [Link]
assunto) e de [Link]ão II
- as vitórias em África de [Link]ão I a [Link] (est.2 vv.1-4)
INVOCAÇÃO Há várias Invocações:
(súplica de - 1º. (Canto I, est.4-5) - súplica às ninfas do Tejo (Tágides) para que o
inspiração para ajudem na organização do poema
escrever O - 2ª. (Canto III, est.1-2) - súplica a Calíope, porque estão em causa os
Poema) mais importantes feitos lusíadas
-3ª. (Canto VII, est.78-87) - súplica às ninfas do Tejo e do Mondego,
queixando-se dos seus infortúnios
- 4ª. (Canto X, est.8-9) - nova invocação a Calíope para que o inspire
para terminar a obra
DEDICATÓRIA A Dedicatória (Canto I, est.6-18):
(facultativa) - esta dedicatória a [Link]ão reflete a esperança do povo português
(oferecimento da no novo monarca e, sobretudo, na possibilidade de retomar a
obra a expansão no Norte de África
[Link]ão)
NARRAÇÃO A Narração (a partir do Canto I, est.19 e seguintes):
(desenvolvimento - iniciada in media res (quando a frota se encontra no canal de
do assunto, já a Moçambique, em rota para Melinde - Cantos I e II), apresenta
meio da ação - momentos retrospetivos (da História de Portugal e da viagem),
In media res) momentos prospetivos (sonhos, presságios, profecias..) e um epílogo
(regresso dos nautas, incluindo o episódio da Ilha dos Amores)
ESTRUTURA EXTERNA DA OBRA:
- forma narrativa:
- versos decassílabos (geralmente heroicos, com o acento rítmico na 6ª e 10ª sílabas)
- rimas com o esquemas abababcc (rima cruzada nos primeiros seis versos e
emparelhada nos dois últimos)
- estâncias - oitavas
- poema dividido em dez cantos (1102 estâncias, sendo o canto mais longo o X, com
156 estrofes, e o mais pequeno o VII, com 87 estrofes)

RESUMO DOS CAPÍTULOS:


Canto I
- Proposição (est.1-3) - apresentação do assunto do poema: cântico das grandes figuras
da saga nacional - os navegadores, os conquistadores, os reis e todos os “que por
obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando”, ou seja, os heróis imortais.
- Invocação (est.4-5) - o poeta pede inspiração às ninfas do Tejo, para que elas lhe
concedam um estilo adequado à grandeza dos feitos nacionais que vai cantar e
divulgar por todo o mundo : “Que se espalhe e se cante no Universo”.
- Dedicatória (est.6-18) - o poema é dedicado a [Link]ão, que é incentivado a
continuar os grandes feitos dos seus antepassados, em especial os da expansão de
carácter bélico e religioso e elogio dos heróis portugueses (aqueles “em quem poder
não teve a morte”).
- Início da Narração (est.19) - enquanto a armada portuguesa de Vasco da Gama já se
encontra no Índico, reúne-se o Consílio dos Deuses (primeiro episódio do plano dos
deuses), convocado por Júpiter, com o objetivo de decidir se os Portugueses devem ou
não ser apoiados na sua aventura marítima. Vénus e Marte estão do lado dos
Portugueses; Baco não quer ajudar os Lusitanos, ainda que estes descendam de Luso,
“seu tão privado”, pois teme ser esquecido no Oriente. Júpiter cede aos argumentos da
deusa do amor e do deus da guerra, decidindo que os Portugueses devem chegar à
Índia, dando cumprimento ao Fado. Apesar dessa decisão, Baco prepara ciladas aos
Portugueses na Ilha de Moçambique e em Quíloa. Aqui, a intervenção de Vénus, a
protetora dos nautas, salvará os navegadores, que rumarão a Mombaça.
- O canto fecha com uma reflexão do poeta (est.105-106) a vida oferece “tão pouca
segurança” ao homem, apresentado-se como “Caminho se vida nunca certo”. Daí que
o poeta pergunte: “Onde pode acolher-se um fraco humano”, “um bicho da terra tão
pequeno” contra os perigos do mar e da terra?

Canto II
- Em Mombaça, a armada de Vasco da Gama é recebida pelo rei, que, influenciado por
Baco, prepara uma armadilha. Mais uma vez, Vénus intervém a favor dos Portugueses.
Com a colaboração das Nereidas, impede a entrada das naus no porto de Mombaça,
manobra que havia sido orientada por um falso piloto, disponibilizado pelo régulo de
Moçambique.
- Vasco da Gama, tomando consciência do perigo que haviam corrido, dirige uma
prece à “Guarda Divina”, agradecendo terem sido salvos.
- Uma vez em Melinde, o rei recebe os Portugueses calorosamente e faz uma visita à
armada, pedindo ao “valeroso capitão” que lhe conte as “guerras famosas e
excelentes / Co povo havidas que a Mafoma adora”. (est.108), tudo sobre a terra, o
clima, a região onde Vasco da Gama mora e também “a antiga geração, / E o
princípio do Reino tão potente”. Finalmente, uma última solicitação: que lhe conte
“dos rodeios / Longos em que te traz o Mar irado”: (est.110)

Canto III
- O poeta, consciente da grandeza da tarefa que lhe é pedida - narrar “O que contou
ao Rei o ilustre Gama” -, invoca Calíope, para que ela lhe dê a inspiração condizente
com a narrativa da História de Portugal que vai encetar. Assim, é inserido na estrutura
narrativa, agora com mais fôlego, o plano da História de Portugal, que ocupa
sobretudo os Cantos III e IV.
- A narrativa do Gama é longa e inclui bastante informação como: a localização de
Portugal na Europa; a descrição da Europa; a história primitiva e lendária de Portugal,
desde Luso a Viriato; o início e a formação da nacionalidade (conde [Link] e
[Link]); o reinado de [Link] Henriques (guerras de independência contra
Castelhanos e Mouros, destacando-se a fidelidade do vassalo Egas Moniz e o episódio
da batalha de Ourique - est.42-54) ; os reinados de [Link] I a [Link]; o reinado de
[Link] IV, destacando-se o episódio de Inês de Castro (est.118-135); e, por fim, os
reinados de [Link] a [Link].
- O canto termina com uma reflexão, motivada pelo amor de [Link] por [Link]
Teles, e cujo tema é precisamente o poder do amor - “Mas quem pode livrar-se,
porventura, / Dos laços que Amor arma brandamente(...)?” (est.142)

Canto IV
- Vasco da Gama continua a sua narrativa, relatando acontecimentos da segunda
dinastia: o interregno após a morte de [Link] (crise de 1383/85); os episódios da
crise (o papel de Nuno Álvares Pereira e a batalha de Aljubarrota - est.28-44); o
reinado de [Link]ão I, salientando-se a conquista de Ceuta; os reinados de [Link],
[Link] V, [Link]ão II (com destaque para os preparativos para a viagem à Índia); o
reinado de [Link] I.
- Deste último reinado, destacam-se: o sonho profético do rei, no qual os rios Indo e
Ganges, representados por dois velhos, anunciam as futuras glórias dos Portugueses no
Oriente; a partida da armada (est.87-93) e o episódio do Velho do Restelo (est.94-104)
que culmina com uma reflexão sobre a ambição desmedida do Homem - “Mísera sorte!
Estranha condição!”.

Canto V
- Este canto ocupa-se da narrativa da viagem da armada de Vasco da Gama de Lisboa
a Melinde, em que o comandante luso conta ao rei de Melinde episódios como: o
Cruzeiro do Sul; o Fogo de Santelmo; a tromba marítima; a aventura de Fernão Veloso
(um dos tripulantes que decide ir explorar o novo território); o encontro com o gigante
Adamastor, durante o qual se destacam as profecias dos desastres e naufrágios a
ocorrer no cabo das Tormentas (est.37-73); o escorbuto.
- Depois de Vasco da Gama concluir a sua narrativa ao rei de Melinde, o poeta encerra
o canto com uma invetiva contra os Portugueses seus contemporâneos pelo desprexo a
que votaram as Letras, particularmente a poesia: “É não se ver prezado o verso e a
rima, / Porque quem não sabe arte, não na estima”. (est.97).

Canto VI
- O poeta recupera o estatuto de narrador, contando a saída da armada de Melinde a
caminho de Calecute, orientada por um piloto melindano. Baco, não conformado com
a iminente chegada dos Portugueses à Índia, desce ao palácio de Neptuno e é
convocado um consílio dos deuses marinhos (est.8-36). Após acesa discussão, a
decisão é apoiar Baco no seu capricho. Para tal, ordena-se a Éolo que sol~te os ventos
irados, com o objetivo de destruir a armada portuguesa.
- No mar calmo e sem suspeita da trama de Baco, os marinheiros passam o tempo a
ouvir histórias destacando-se o episódio dos Doze de Inglaterra (est.43-69), contado
por Fernão Veloso.
- Inesperadamente e de forma violenta, surge uma tempestade (est.70-84). “Vendo
Vasco da Gama que tão perto / Do fim do seu desejo se perdia”, dirige uma
comovente prece à Divina Guarda. Esta prece é ouvida por Vénus que, uma vez mais,
socorre os Portugueses, com a ajuda das ninfas, as quais, com o seu poder sedutor,
acalmam os ventos . Dominada a tempestade, os marinheiros avistam, enfim, Calecute
- “Terra é de Calecu, se não me engano”; (est.92). Vasco da Gama agradece a Deus o
sucesso da viagem.
- A finalizar, novas considerações do poeta, desta vez sobre o verdadeiro valor da
glória.

Canto VII
- Com a armada em Calecute, o canto começa com uma reflexão do poeta: um elogio
ao espírito de cruzada lusitano e uma crítica severa às nações europeias que não
seguem o exemplo dos Portugueses na expansão da fé cristã. (est.2-15).
- Descreve-se a Índia, com particular destaque para os primeiros contactos entre
portugueses e indianos, preparados pela ida do degredado João Martins a terra, com o
propósito de dar a conhecer as intenções dos lusitanos. Já em terra, a embaixada
portuguesa é recebida pelo Catual, e depois pelo Samorim.
- Paulo da Gama, irmão do capitão, fica a bordo da nau capitaina e recebe a visita do
Catual, que lhe pede para explicar o significado das figuras representadas nas
bandeiras portuguesas.
- A encerrar o canto, uma nova lamentação do poeta. Camões, ao invocar as ninfas do
Tejo e do Mondego, queixa-se dos seus infortúnios, criticando, também, todos aqueles
que oprimem e exploram o povo. Para além disso, reconhece, com ironia amarga, que
o não apreço pelo seu trabalho desencorajará futuros escritores - “Que exemplos a
futuros escritores, / Pera espertar engenhos curiosos, / Pera porem as cousas em
memória, / Que merecerem ter eterna glória!” (est.82).

Canto VIII
- Paulo da Gama, novo narrador, relata ao Catual alguns episódios da História de
Portugal, destacando a coragem de alguns heróis míticos e/ou verdadeiros: Ulisses,
Viriato, Sertório, o conde [Link], Egas Moniz, Dom Fuas Roupinho, Nuno
Álvares Pereira, os infantes [Link] e [Link], entre outros.
- Baco, que continua a sua cruzada contra os Portugueses, aparece em sonhos a um
sacerdote brâmane, indispondo-o contra os nautas lusos, que, segundo o deus, apenas
vinham saquear e pilhar. O Samorim, que fora advertido pelo sacerdote das “más”
intenções do navegador, interroga Vasco da Gama. Este procura esclarecer a situação e
chegar a um entendimento, que passará pela troca de fazendas europeias por
especiarias orientais. No entanto, Catual opõe-se a esta decisão e prende o capitão, não
o deixando regressar à armada. Vasco da Gama só conseguirá a liberdade após
subornar o Catual, que, a troco das fazendas europeias, lhe permite regressar a bordo.
- Lamentações do poeta sobre o vil poder do “metal luzente e louro” fecham o canto.

Canto IX
- Ultrapassadas algumas vicissitudes, os Portugueses, sempre ajudados por Monçaide,
iniciam a viagem de regresso à pátria. Vénus, permanentemente atenta, resolve
preparar-lhes uma surpresa, uma recompensa por todos os sacrifícios passados. Cria
uma ilha divina e maravilhosa, segundo o modelo clássico (bucólica, harmoniosa nas
cores e formas) e povoada por ninfas que se oferecerão aos nautas. Estes, exortados
por Fernão Veloso, viverão momentos de amor e de prazer, que constituem o merecido
prémio para quem tão alto fez subir o nome de Portugal.
- Vasco da Gama encontra-se com Tétis no seu palácio e a ninfa explica-lhe que este
repouso é a compensação de “trabalhos tão longos(...) / O prémio lá no fim, bem
merecido” (est.88).
- O poeta explica a simbologia da ilha (est.89-92) e termina tecendo considerações
sobre a verdadeira forma de atingir a Fama e a Imortalidade - “Por isso, ó vós que as
famas estimais, / Se quiserdes no mundo ser tamanhos, / Despertai já do sono do ócio
ignavo, / Que o ânimo, de livre, faz escravo” (est.92); “E ponde na cobiça um freio
duro, / E na ambição tambem, (...)” (est.93); “Ou dai na paz as leis iguais,
constantes(...) / Ou vos vesti nas armas rutilantes, / Contra a Lei dos immigos
Sarracenos”. (est.94) Se assim procederem, conclui o poeta, “Sereis entre os Heróis
esclarecidos / E nesta Ilha de Vénus recebidos” (est.95).
Canto X
- Tétis e as restantes ninfas oferecem um banquete aos marinheiros, durante o qual
uma ninfa, fazendo um discurso profético, narra os feitos futuros dos lusitanos no
Oriente, não sem antes, todavia , o poeta ter, de novo, invocado Calíope. A ninfa
continua o seu discurso, centrando-se nos heróis e governadores da Índia.
- Tétis leva o Gama até ao alto de um monte e aí mostra-lhe a máquina do mundo e os
locais por onde se estenderá o Império Português.
- Por fim, os navegadores embarcam rumo a Portugal, trazendo para a sua pátria e para
o seu rei glória e títulos novos.
- O canto encerra com um lamento do poeta pelo facto de o seu talento não ser
reconhecido, sobretudo por aqueles a quem canta. [Link]ão a dar continuidade à
glória dos Portugueses, oferecendo-se para servir o rei e a pátria - “Pera servir-vos,
braço às armas feito; / Pera cantar-vos, mente às Musas dada”. O poeta aponta ainsa
um caminho: o do Norte de África - “o monte Atlante, / (...) campos de Ampelusa / Os
muros de Marrocos e Trudante”:

MATÉRIA ÉPICA:
- a viagem de Vasco da Gama à Índia - as Descobertas - momento áureo da nossa
História
- os feitos históricos - apresentados por Vasco da Gama ao rei de Melinde e por Paulo
da Gama ao Catual - acontecimentos que atestam a ação grandiosa ao serviço da pátria

MITIFICAÇÃO DO HERÓI:
“Os Lusíadas” este termo designava os Portugueses descendentes de Luso,
companheiro de Baco. Assim, o povo português, os lusíadas adquire grandeza mítica.
A mitificação do herói está, pois, já subjacente ao próprio título da obra.
Camões procurou que a sua epopeia anunciasse a história de todo o povo da
“geração de Luso”, “invicto e forte”.

REFLEXÕES DO POETA:
O olhar glorificador e o tom de exaltação eufórica de que se revestem Os
Lusíadas não invalidam a manifestação de um desencanto face à pátria portuguesa,
capaz de grandes feitos, mas progressivamente mergulhada numa “austera apagada e
vil tristeza”.
Estes momentos de reflexão têm a particularidade de apresentarem uma estrutura
semelhante, devido ao facto de surgirem na sequência de um acontecimento que os
motivou. Por outro lado tratando-se de um discurso que exprime juízos de valor e
juízos críticos.
OS QUATROS PLANOS E A SUA INTERDEPENDÊNCIA:

A narração dos acontecimentos ocorridos


durante a viagem realizada entre Lisboa e
Calecute:
- partida em 8 de julho de 1497
- peripécias da viagem
PLANO DA - paragem em Melinde durante 10 dias ENCONTRA-SE
VIAGEM - chegada a Calecute a 18 de maio de 1498 NOS CANTOS
(plano central) - regresso a 29 de agosto de 1948 I,II,V,VI,VII,VIII,I
- chegada da nau de Vasco da Gama a Lisboa, X E X.
a 29 de agosto de 1499
A função deste plano é conferir unidade ao
poema. É, por isso, uma espécie de
“esqueleto” da epopeia.
Relato dos factos marcantes da História de
Portugal:
- em Melinde, Vasco da Gama narra ao rei os
principais acontecimentos da nossa História,
desde Viriato até ao reinado de [Link] I,
enaltecendo os feitos dos Portugueses: a
PLANO DA batalha de Ourique, a batalha de Aljubarrota,
HISTÓRIA DE os Doze de Inglaterra... APARECE NOS
PORTUGAL - em Calecute, Paulo da Gama apresenta ao CANTOS
(plano encaixado) Catual episódios e personagens representados II,III,IV,V,VIII,IX
nas bandeiras portuguesas
- a História posterior à viagem do Gama é-nos
narrada, em prolepse, através das profecias
A função deste plano é relatar e enaltecer a
História de Portugal.
A mitologia permite e favorece a evolução da
ação: os deuses assumem-se como adjuvantes
PLANO DA (Vénus) ou como oponentes dos Portugueses OCORRE NOS
MITOLOGIA (Baco). Constitui portanto a intriga da obra. CANTOS
(plano paralelo) - os deuses apoiam os Portugueses: consílio I,II,V,VI,VII,
dos deuses no Olimpo, na Ilha dos Amores... VIII,IX,X
A função deste plano é conferir beleza, ação e
diversidade ao poema, ajudando no processo
de divinização dos Portugueses.
Considerações, críticas, lamentos e opiniões SURGE NOS
PLANO DO POETA do poeta, expressas, nomeadamente, no início CANTOS
(plano ocasional) e no fim dos cantos. I,II,III,V,VI,VII,
Este plano serve para o poeta transmitir as VIII,IX,X
suas posições face ao mundo, aos outros e a si.
Após a análise dos quatro planos, podemos concluir que:
- o Plano de Viagem e o Plano da Mitologia ocorrem em simultâneo
- a articulação entre o Plano da Viagem e o Plano da Mitologia sai reforçada pelo
estatuto que os Portugueses conquistam, após chegarem à Índia - estatuto de
divindades, por terem concretizado algo de sobre-humano; como prémio, é-lhes
oferecida uma recompensa digna de deuses - a Ilha dos Amores
- o Plano da História de Portugal é um plano encaixado, que apresenta episódios
bélicos como a Batalha de Ourique, a Batalha do Salado, a Batalha de Aljubarrota e
líricos, como o da Formosíssima Maria ou o de Inês de Castro
- o Plano da História de Portugal funciona quer por analepses quer por prolepses.
Como exemplos destas últimas contam-se as profecias de Júpiter, as de Adamastor e as
do poeta, funcionando todas como relatos futuros do que aconteceu e que
posteriormente veio a integrar a História de Portugal
- o Plano do Poeta será vital para o entendimento do pendor humanista da epopeia

A ANTIEPOPEIA:
A riqueza do poema está, pois, também nesta vertente didática e interventiva,
nesta capacidade de Camões de mostrar o outro lado da epopeia - a antiepopeia. Na
verdade, nos momentos em que o poeta tece críticas aos Portugueses ou quando deixa
conselhos aos seus contemporâneos, matéria épica e o canto sublime dão lugar à
antiepopeia, isto é, ao reconhecimento e à condenação da vileza, da miséria humana e
do parasitismo.

RECURSOS EXPRESSIVOS:
- anáfora
- anástrofe
- apóstrofe
- comparação
- enumeração
- hipérbole
- interrogação retórica
- metáfora
- metonímia
-personificação

OS LUSÍADAS
Os Lusíadas são, claramente, uma obra do Renascimento, atendendo a que
espelham muitos dos valores e conceitos re
Camões teve ainda necessidade de recorrer a fontes históricas, atendendo
sobretudo aos episódios que compõem o plano da Histó
ESTRUTURA EXTERNA DA OBRA:
- forma narrativa:
- versos decassílabos (geralmente heroicos, com o acento rítmico na 6ª e 10ª sí
- Vasco da Gama, tomando consciência do perigo que haviam corrido, dirige uma
prece à “Guarda Divina”, agradecendo terem sido
(um dos tripulantes que decide ir explorar o novo território); o encontro com o gigante
Adamastor, durante o qual se destacam
futuros escritores, / Pera espertar engenhos curiosos, / Pera porem as cousas em
memória, / Que merecerem ter eterna glória!”
Canto X
- Tétis e as restantes ninfas oferecem um banquete aos marinheiros, durante o qual
uma ninfa, fazendo um discurso pro
OS QUATROS PLANOS E A SUA INTERDEPENDÊNCIA:
PLANO DA
VIAGEM
(plano central)
A narração dos acontecimentos ocorridos
durante a
Após a análise dos quatro planos, podemos concluir que:
- o Plano de Viagem e o Plano da Mitologia ocorrem em simultâneo
- a

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