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Políticas de Informação

Profª. Daniella Camara Pizarro

Indaial – 2019
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019

Elaboração:
Profª. Daniella Camara Pizarro

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

P695p

Pizarro, Daniella Camara

Políticas de informação. / Daniella Camara Pizarro. – Indaial:


UNIASSELVI, 2019.
180 p.; il.
ISBN 978-85-515-0401-7

1. Políticas públicas de informação. - Brasil. II. Centro Universitário


Leonardo Da Vinci.

CDD 020

Impresso por:
Apresentação
Prezado acadêmico, seja bem-vindo!

É uma satisfação estar aqui para refletirmos sobre este importante


elemento curricular de sua formação acadêmica e profissional. Este livro
didático, direcionado à disciplina de “Políticas de Informação”, pretende
proporcionar a você conhecimentos obrigatórios presentes na ementa desta
referida disciplina.

Para facilitar nossa caminhada, vamos trabalhar esses conteúdos


reagrupados e inter-relacionados de forma coerente em três unidades.
Na Unidade 1, vamos compreender o que significa o desenvolvimento de
coleções, bem como refletir algumas questões: por que, para quem, onde
e como desenvolvemos coleções. E, por fim, compreender a finalidade da
Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções.

Na Unidade 2, vamos estudar os aspectos sociais, políticos e análise


de políticas públicas, seguido da contextualização de políticas públicas
culturais.

Na Unidade 3, abordaremos as políticas públicas de informação no


cenário nacional, as políticas públicas do livro, leitura e bibliotecas no país.
E, por fim, as políticas públicas relacionadas às minorias sociais, como, por
exemplo, os idosos e as populações de origem africana.

Sugerimos a leitura atenta de cada unidade deste livro didático, bem


como após cada leitura, exercite seus conhecimentos por intermédio das
respostas das autoatividades. Estas foram preparadas visando auxiliar você
a reforçar e fixar seu aprendizado nesta disciplina. É importante lembrar que
devemos ter uma boa gestão do tempo de estudo na qual possamos praticar
uma leitura atenta, calma e que possamos nos concentrar nas reflexões aqui
propostas. Desejamos um ótimo estudo e que este material possa contribuir
para a sua formação e para sua prática futura como bibliotecário!

Tudo de bom!

Profª. Daniella Camara Pizarro

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto


para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

UNI

Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos


materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais
que possuem o código QR Code, que é um código
que permite que você acesse um conteúdo interativo
relacionado ao tema que você está estudando. Para
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!

IV
V
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer teu conhecimento, construímos, além do livro


que está em tuas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela terás
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares,
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar teu crescimento.

Acesse o QR Code, que te levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nessa caminhada!

VI
Sumário
UNIDADE 1 – POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO...........................................................1

TÓPICO 1 – O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO.....................................................3


1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................................3
2 O QUE SÃO POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO?................................................................................3
2.1 TIPOS DE POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO ..................................................................................7
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................10
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................11

TÓPICO 2 – PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO...............................................13


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................13
2 ABORDAGENS SOBRE AS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO: BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO.......................................................................14
2.1 O ESTADO INFORMACIONAL E A POLÍTICA DE INFORMAÇÃO.....................................16
2.2 O EXERCÍCIO DA CIDADANIA E A INFORMAÇÃO COMO DIREITO UNIVERSAL
DE TODO CIDADÃO......................................................................................................................18
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................22
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................24

TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE


INFORMAÇÃO.................................................................................................................27
1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................27
2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: O QUE SÃO?.......................................................27
3 POLÍTICA NACIONAL DE INFORMAÇÃO E OS CONCEITOS DE
INFRAESTRUTURA DE INFORMAÇÃO E DA “SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ..........30
4 POLÍTICAS PÚBLICAS, MICROPOLÍTICAS E O REGIME DE INFORMAÇÃO..................35
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................40
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................52
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................54

UNIDADE 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E


CULTURAIS....................................................................................................................57

TÓPICO 1 – ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS


PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS........59
1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................59
2 POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PAPÉIS DO GOVERNO E SEUS ATORES...............................60
3 ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS.............................................................................................63
4 MODELOS TEÓRICOS PARA COMPREENSÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS...................67
4.1 MODELO SEQUENCIAL OU DO CICLO POLÍTICO (POLICY CICLE).................................67

VII
4.1.1 Metáfora dos fluxos múltiplos (Multiple Streams Framework)............................................69
4.1.2 Modelo do equilíbrio interrompido (Punctuated Equilibrium Theory)..............................73
4.1.3 Quadro teórico das coligações de causa ou de interesse (Advocacy Coalition
Framework – ACF).....................................................................................................................75
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................83
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................93
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................95

TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS..........................................................................97


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................97
2 O QUE SÃO POLÍTICAS CULTURAIS?..........................................................................................97
3 POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL.......................................................................99
4 PLANO NACIONAL DE CULTURA (PNC)...................................................................................102
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................105
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................107

UNIDADE 3 – DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO


NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA
E PARA BIBLIOTECAS.............................................................................................109

TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL.......111


1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................111
2 GOVERNO ELETRÔNICO COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA DE INFORMAÇÃO........112
3 PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, O LIVRO VERDE E O LIVRO
BRANCO...............................................................................................................................................115
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................120
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................128
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................130

TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS


NO BRASIL.......................................................................................................................133
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................133
2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS BIBLIOTECAS NO BRASIL..............................................133
3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: CONHECENDO A POLÍTICA
NACIONAL DO LIVRO E O PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA (PNLL)......138
3.1 EIXO 1 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO...........................................................................140
3.2 EIXO 2 – FOMENTO À LEITURA E À FORMAÇÃO DE MEDIADORES............................142
3.3 EIXO 3 – VALORIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA LEITURA E INCREMENTO DO
SEU VALOR SIMBÓLICO.............................................................................................................143
3.4 EIXO 4 - DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DO LIVRO..............................................145
3.5 POLÍTICA NACIONAL DE LEITURA E ESCRITA (PNLE)....................................................146
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................149
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................150

TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS:


CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS POLÍTICAS
INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO............................................153
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................153
2 POLÍTÍCAS PÚBLICAS PARA AS PESSOAS IDOSAS: BREVE
CONTEXTUALIZAÇÃO....................................................................................................................154

VIII
2.1 POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO............................................................................................158
2.2 ESTATUTO DO IDOSO..................................................................................................................160
2.3 POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA......................................................160
2.4 PENSANDO O IDOSO E O ACESSO ÀS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO
E INFORMAÇÃO (TICs)...............................................................................................................161
3 POLÍTICAS PÚBLICAS PELA PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL:
MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS E A INFLUÊNCIA EM POLÍTICAS PÚBLICAS
PARA A POPULAÇÃO NEGRA......................................................................................................163
3.1. SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE
(SEPPIR) E AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA POPULAÇÃO NEGRA E
QUILOMBOLA..............................................................................................................................165
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................167
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................169

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................171

IX
X
UNIDADE 1

POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO:
CONCEITUAÇÃO, PANORAMA
E POLÍTICAS PÚBLICAS DE
INFORMAÇÃO

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer os aspectos conceituais e tipologias das políticas de informação;

• entender o panorama histórico das políticas de informação;

• aprender sobre a legislação que promove o acesso à informação e à cultura;

• compreender a sociedade da informação e sua relação com as políticas


públicas de informação.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer desta unidade, você
irá encontrar autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.

TÓPICO 1 – O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO

TÓPICO 2 – PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO

TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS


DE INFORMAÇÃO

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

O CONCEITO DE POLÍTICA DA
INFORMAÇÃO

1 INTRODUÇÃO
A informação é fundamental na vida de qualquer ser humano. Quando
iniciamos a leitura de um livro, de um artigo, de letreiros em outdoors ou em
propagandas na televisão estamos obtendo informações que poderão ser úteis
para a transformação de nossas vidas nos mais diferentes contextos, tais como
educacional, profissional, político, econômico etc.

Com a chegada da internet, diariamente somos bombardeados com


informações que, em sua maioria, não são relevantes para o nosso dia a dia.
No entanto, é um direito do cidadão que o uso da internet permita o acesso às
informações. Entre os tipos de informações que os sujeitos possuem estão as
informações governamentais, por exemplo, que permitem o acompanhamento
e controle das ações do Estado e também sobre os gastos e investimentos. As
políticas de informação permitem que as pessoas tenham acesso às informações
governamentais, assim como a algumas informações que envolvem organizações,
instituições e demais órgãos controlados pela administração pública.

Neste tópico, será apresentado o conceito de política da informação, além


das suas características, história, legislação e sua relação dentro da sociedade da
informação, biblioteconomia e ciência da informação.

2 O QUE SÃO POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO?


Considerada uma das formas mais antigas de governança, a política de
informação tem sofrido diversas mudanças a partir das sucessivas alterações
passadas pelo Estado, principalmente, após a década de 1990. Desde o período
de 1960, tomou-se consciência da rapidez das mudanças ocorridas entre o espaço,
tempo e fronteiras, assim como, dos processos decisórios (PINHEIRO, 2011). A
UNESCO, na década de 1950, incentivou a formação dos centros nacionais de
informação, aqueles que, posteriormente, passaram a ter a função de definir o
que seriam políticas de informação e de estabelecer os sistemas de informação
específicos de cada país (PELUFÊ; SILVA, 2004).

3
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

A implementação de políticas de informação tem sido um desafio em


diversos países para que estes possam ingressar e participar efetivamente da
chamada Sociedade da Informação (FERREIRA; SANTOS; MACHADO, 2012).
Conforme a filósofa Maria Nélida González de Gómez (2003), a Sociedade
da Informação se convencionou tendo como base o aporte teórico da filosofia
da linguagem. Nesse sentido, a linguagem e a natureza comunicativa da
humanidade perpassam todos os âmbitos do agir e do fazer, assim como das
esferas das relações de poder. Ao se pensar a concepção de política como a
definição do bem comum, é necessário pensar no cuidado com a comunicação, já
que esta é carregada de conteúdos informacionais e deve conduzir os indivíduos
a alcançarem sua condição humana em todas as possibilidades coletivas de
dignidade e de felicidade (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003).

Para se compreender o que são políticas de informação, é necessário


o entendimento dos conceitos de política e informação de forma separada.
Política é definida como “o estabelecimento, por parte de um país, estado,
município, organização, comunidade ou grupo, de estratégias e diretrizes de
atuação com uma visão macroeconômica” (LLARENA; PINHO; NÓBREGA,
2013, s.p.). A política pode ser entendida como arte ou ciência da organização,
direção e administração de nações ou Estados. Toda política precisa de um
plano ou planejamento, definidos como “componentes da política nacional de
desenvolvimento das nações, esta que pressupõe a concepção de um modelo
global de desenvolvimento” (LLARENA; PINHO; NÓBREGA, 2013, s.p.). Sobre
o processo de criação de políticas, leis, normas ou regras, este possui seu início
com uma “demanda de institucionalização de uma determinada atividade ou
problema, e, além de um conhecimento técnico para a resolução de problemas, é
primordial a criação de significado, além da concordância da solução encontrada
entre os atores envolvidos” (BASTOS, 2013, p. 20).

Quanto à informação, esta é uma força constitutiva na sociedade e pode ser


definida como um fenômeno humano e derivado das interações sociais, situada
entre o conhecimento e as comunicações (RIBEIRO, 2004). Farias e Vital (2007,
s. p.) lembram que “por denotar poder e ser um elemento essencial em todos os
processos organizacionais, a informação nunca é neutra, e nem todas as pessoas
têm interesse que ‘tudo’ circule nos diferentes setores”.

DICAS

Para compreender mais sobre o conceito de informação, acesse o vídeo “O


pensamento vivo da informação”, com Armando Malheiro.

4
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO

FONTE: <[Link] Acesso em: 30 set. 2019.

Conforme o seu histórico evolutivo, as políticas de informação têm levado


os Estados a promoverem os avanços científico e tecnológico (DUTRA; CORRÊA;
RUAS, 2013). A política de informação aponta a agenda proveniente da tomada
de decisão que envolve os atores políticos e sociais, as instituições e seus processos
informacionais (COELHO, 2019). Foi a partir dos anos 1950, com o crescimento de
alguns Estados do Ocidente, que começou a construção de políticas de informação
com o objetivo de produzir os avanços científico e tecnológico sob incentivo dos
Estados. Estes passaram a promover a importância da ciência e da tecnologia (C
& T) como elementos de modernização da estrutura produtiva, conforme afirma
Pinheiro (2011; 2012).

O início do uso do conceito começou na área governamental como uma


política de Estado e o termo foi criado no pós II Guerra Mundial enquanto um
“implemento para as áreas de ciência e tecnologia militar” (DUTRA; CORRÊA;
RUAS, 2013, p. 24). Ainda com relação ao conceito, Choo (2011, p. 314) define
as políticas de informação como procedimentos operacionais das próprias
organizações, assim, são vistas como:

regras que especificam o sistema de comunicação que dirige e delimita


o fluxo e o uso da informação. Em particular, essas regras definem as
características da informação que entra na organização, distribuição
e condensação da informação recebida, a distribuição e condensação
da informação gerada internamente e as características da informação
que devem sair da organização.

Para Davenport (1998, p. 52), a política de informação é um componente


crítico que “envolve o poder proporcionado pela informação e as responsabilidades
da direção em seu gerenciamento e uso”. Enquanto isso, González de Gómez
(1999, p. 11) considera que as políticas de informação são “um conjunto de práticas

5
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

e ações encaminhadas à manutenção, reprodução, mudança e reformulação de


um regime de informação, no espaço local ou global”.

Quanto à abordagem sobre o estudo da política de informação, Braman


(2006, p. 9) afirma que este:

[...] deve começar com a questão o que é informação. Não há uma


resposta fácil [...]. Os debates sobre o direito comercial internacional,
por exemplo, são consistentemente marcados por diferenças entre
aqueles que veem fluxos de informações internacionais, como filmes,
programas de televisão e filmes, e aqueles que veem esses meios de
comunicação como potentes forças culturais.

Já em 1980, Garcia afirmou que uma política no campo da informação


científica ou tecnológica indica que há princípios sobre o que é desejável e
realizável para um país em termos de: produção, transparência e acesso à
informação. Assim,

por um lado, há uma idealização, por outro, objetivos de atuação


e de transformação da realidade numa determinada direção. A
operacionalização de uma política inicia-se com a tradução dos
princípios de transformação da realidade, através do detalhamento
e da delimitação do campo de ação, seguindo-se a formulação de
metas, ou seja, dos resultados concretos a serem obtidos dentro de um
prazo determinado, visando à implementação da (s) política (s) e das
diretrizes (GARCIA, 1980, p. 5).

DICAS

Ficou com dúvidas ainda sobre as políticas de informação? Veja este vídeo
disponibilizado pela Profa. Bárbara Coelho intitulado “O que é política de informação”, no
qual entrevista as especialistas em Política de Informação, Dra. Terezinha Elisabeth da Silva
(Câmara dos Deputados) e Dra. Joana Coeli Garcia (UFPB), no Enancib em Salvador.

FONTE: <[Link] Acesso em: 17 jun. 2019.

6
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO

2.1 TIPOS DE POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO


A informação possui um caráter público, material e social da informação
desde o início dos tempos. Para os estudos da informação, há a importante tarefa
de buscar “conciliar estudos sobre o fenômeno da informação em nosso tempo
com estudos das práticas sociais e públicas, das realidades políticas, da economia
e da cultura” (FROHMANN, 2006, p. 1).

As organizações (bibliotecas, unidades de informação, empresas,


instituições, universidades etc.) diariamente são influenciadas pela informação e
a cada momento a informação está sob ação do poder, da política e da economia.
Dessa forma, o olhar consciente e sistemático para as políticas de informação de
dentro de uma organização – seja ela privada ou governamental – é um elemento
natural e inevitável para o aperfeiçoamento do uso de sistemas de informação e
do conhecimento (DAVENPORT, 1998).

Entre os fatores que levam à escolha de determinada política de informação


para uma organização estão: o tamanho, o seu ramo de atividade, a estrutura
da organização, e essencialmente, quem faz as escolhas e as consequências à
organização (DAVENPORT, 1998).

Conforme Davenport (1998), existem diversos modelos viáveis para


governar a informação em uma instituição, entre eles, destacam-se quatro
modelos: o federalismo, feudalismo, monarquia e anarquia. Cada um desses
modelos pode ser adequado para um determinado tipo de organização, e
formam “a evolução do controle local em contraposição ao controle centralizado
do ambiente informacional” (DAVENPORT, 1998, p. 91-92).

FIGURA 1 – A EVOLUÇÃO DO CONTROLE DA INFORMAÇÃO

Monarquia Federalismo Feudalismo Anarquia

Maior controle Menor controle


Central Central

FONTE: <[Link]
Acesso em: 16 jun. 2019.

Davenport (1998, p. 92 apud FARIAS; VITAL, 2007, s.p.) teve os cinco tipos
de política da informação sintetizados da seguinte forma:

7
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Utópico tecnocrático – a forte abordagem técnica como solução para


todos os problemas. Enfoca fortemente a modelagem e categorização
da informação e está sempre atenta a novas tecnologias de software e de
hardware. A política utópica tecnocrática dá mais ênfase à tecnologia
que à informação, tecnologia é um suporte que torna possíveis a
circulação, armazenamento e disseminação da informação com maior
eficácia, com importância indiscutível no processo de gestão da
informação. Porém, aliadas à tecnologia, a qualidade, a confiabilidade
e a precisão da informação são elementos fundamentais, definidores
do ‘sucesso’ da gestão e algumas vezes são negligenciados na política.
Anárquico – inexistência de qualquer política de gerenciamento
de informação. Os indivíduos determinam seus próprios sistemas
de informações e a forma de gerenciamento. A política anárquica
não seria exatamente uma política, mas sim a falta dela. Davenport
(1998) diz que esse tipo de política é frequente em locais onde os
funcionários trabalham essencialmente com conhecimento, como
cientistas, consultores, programadores. Cada um cria seu ‘sistema de
informação’. Em empresas menores, a situação também é frequente,
e possível pelo fato de o presidente ou diretor ter conhecimento e
domínio sobre todos os processos, correndo o risco de, na falta do
diretor, o caos ser instaurado.
Feudalista – o gerenciamento da informação por unidades ou funções
individuais, que definem suas próprias necessidades de informações,
reportando somente parte das informações para a organização. A
política feudalista dificulta ou impede a disseminação da informação
na organização como um todo. Sabendo-se que a maior parte da
informação que uma empresa necessita encontra-se dentro dela mesma,
esse tipo de política cria sérios entraves ao fomento e compartilhamento
de informações entre os diferentes pares. O feudalismo não leva em
consideração o contexto mais amplo, delimitando-se aos problemas
informacionais do setor.
Monárquico – o gerenciamento da informação é ditado pelo líder da
organização que define o sistema de informações e o nível de acesso
dos demais componentes da organização. A política monárquica
apresenta características similares à feudalista, sendo que o poder de
decisão sobre as informações, fontes que irão circular pela organização,
encontra-se centrado em uma pessoa.
Federalista – o gerenciamento da informação é feito com a participação
de todos os elementos da organização, poucas decisões centralizadas.
O objetivo é que a política seja determinada como resultado do
consenso. Há uma certa autonomia dos diferentes setores, porém,
o objetivo final é sempre compartilhado por todos os membros e as
decisões são discutidas com toda a organização.

Para Farias e Vital (2007), esses diferentes tipos de políticas de informação


trazem vantagens e desvantagens, além de sofrerem com a influência do
contexto no qual estão inseridos. Dessa forma, para as autoras, o profissional da
informação deve realizar o diagnóstico para saber qual é a política de informação
que predomina na organização para trabalhar os seus pontos fortes e fracos de
forma a democratizar o acesso, a disseminação e o uso da informação.

8
TÓPICO 1 | O CONCEITO DE POLÍTICA DA INFORMAÇÃO

Deve haver uma mudança na cultura da organização e das novas tecnologias


via gerenciamento da política de informação (DAVENPORT; ECCLES; PRUSAK,
1992 apud FARIAS; VITAL, 2007). O gerenciamento da política, apoiado por todos
os gerentes da organização e tendo a informação como um elemento fundamental
para o sucesso, é algo que deve ser focado nos ambientes das organizações. Os
próprios tomadores de decisão dentro de uma organização devem identificar suas
necessidades de informação e buscar supri-las de forma a obter o conhecimento
necessário para a resolução dos seus problemas do cotidiano profissional junto
aos contextos políticos e econômicos da sociedade (FARIAS; VITAL, 2007).

DICAS

Para conhecer um exemplo de política da informação, recomenda-se a leitura


da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde, com elaboração em 2016 pelo
Ministério da Saúde.

FONTE: <[Link]
informatica_saude_2016.pdf>. Acesso em: 2 ago. 2019.

9
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• A política de informação é uma das formas mais antigas de governança.

• A UNESCO incentivou a formação de centros nacionais de informação, os


quais definiriam o que são políticas de informação e quais os sistemas de
informação de cada país.

• Um dos desafios encontra-se na implementação de políticas de informação,


pois sem elas os países estariam fora do que se convencionou chamar de
Sociedade da informação.

• As políticas de informação não podem ser compreendidas sem antes


compreender o que são políticas e o que é informação.

• Por conta da política de informação, os países têm investido na promoção da


ciência e da tecnologia. Foi nos Estados do Ocidente que começou a construção
de políticas para os avanços científico e tecnológico.

• Existem diversos conceitos de políticas de informação. O conceito de Choo


(2011) afirma que políticas de informação são regras que especificam o sistema
de comunicação que dirige e delimita o fluxo e o uso da informação.

• Os cinco tipos de política de informação são: utópico-tecnocrático, feudalista,


monárquico, anárquico e federalista.

• O profissional da informação deve fazer o diagnóstico da organização para


saber qual política de informação melhor se encaixa.

10
AUTOATIVIDADE

1 Considerando o tópico estudado, responda com verdadeiro (V) ou falso (F)


para as seguintes sentenças:

a) ( ) As políticas de informação são desnecessárias à gestão das organizações.


b) ( ) Os diferentes tipos de política sofrem com a influência do contexto e das
especificidades que caracterizam cada organização.
c) ( ) O profissional da informação precisa realizar um estudo de comunidade
dentro da organização, buscando compreender os pontos fortes e fracos,
assim como as melhores formas de democratizar o uso e o acesso à
informação.
d) ( ) O gerenciamento das políticas da informação não necessita do apoio dos
gerentes da organização, pois há a informação como elemento para o
sucesso.
e) ( ) Uma política no campo da informação científica ou tecnológica indica
que há princípios sobre o que é desejável e realizável para um país em
termos de: produção, transparência e acesso à informação, além da sua
estrutura, recursos de informação e necessidades informacionais de seus
usuários (GARCIA, 1980).

2 Identifique qual é o propósito/objetivo da Política Nacional de Informação e


Informática em Saúde – PNIIS, disponibilizada como leitura complementar
do Tópico 1 desta unidade.

I. Promover o uso inovador, criativo e transformador da tecnologia da


informação, melhorando os processos de trabalho em saúde e, assim,
resultando em um Sistema Nacional de Informação em Saúde (SNIS)
articulado e que produza informações para os cidadãos, a gestão, a prática
profissional, a geração de conhecimento e o controle social, garantindo
ganhos de eficiência e qualidade mensuráveis através da ampliação de acesso,
equidade, integralidade e humanização dos serviços de saúde, contribuindo,
dessa forma, para a melhoria da situação de saúde da população.
II. Identificar as necessidades informacionais, o mapeamento dos fluxos
formais (conhecimento explícito) de informação nos diferentes ambientes
da organização, até a coleta, filtragem, análise, organização, armazenagem
e disseminação, objetivando apoiar o desenvolvimento das atividades
cotidianas e a tomada de decisão no ambiente corporativo.
III. Uma ação que promoverá a conquista da “cidadania digital” e contribuirá
para uma sociedade mais igualitária, com a expectativa da inclusão social.
IV. Levantar algumas referências da abordagem cognitiva de análise de políticas
públicas para a compreensão da constituição da educação básica do campo,
um referencial que integra, na atualidade, a política educacional brasileira.
V. Direcionar, para escolas rurais com turmas multisseriadas, a instauração de
uma nova prática pedagógica, buscando promover a melhoria da qualidade
do ensino fundamental.
11
Conforme os itens descritos, marque a resposta CORRETA:
a) ( ) As questões I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a questão I está correta.
c) ( ) As questões I, II e III estão corretas.
d) ( ) As questões IV e V estão corretas.
e) ( ) As questões II, III e IV estão corretas.
f) ( ) Somente a questões IV está correta.
g) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

3 Conforme Davenport (1998), existem cinco tipos de políticas de informação.


Entre os tipos, encontra-se a política anárquica, que se refere:

a) ( ) À ênfase ligada à tecnologia. Tecnologia é um suporte que torna


possíveis a circulação, armazenamento e disseminação da informação
com maior eficácia, com importância indiscutível no processo de gestão
da informação.
b) ( ) À inexistência de qualquer política de gerenciamento de informação.
Os indivíduos determinam seus próprios sistemas de informações e a
forma de gerenciamento. A política não seria exatamente uma política,
mas sim a falta dela.
c) ( ) Ao gerenciamento da informação por unidades ou funções individuais.
Estas definem suas próprias necessidades de informações, reportando
somente parte das informações para a organização.
d) ( ) À apresentação de características similares à feudalista, sendo que o
poder de decisão sobre as informações, fontes que irão circular pela
organização encontra-se centrado em uma pessoa.
e) ( ) Ao objetivo que a política seja determinada como resultado do consenso.
Há uma certa autonomia dos diferentes setores, porém, o objetivo
final é sempre compartilhado por todos os membros e as decisões são
discutidas com toda a organização.

4 Para González de Gómez (1999, p. 11), as políticas de informação são “um


conjunto de práticas e ações encaminhadas à manutenção, reprodução,
mudança e reformulação de um regime de informação, no espaço local ou
global”. A partir da leitura deste tópico, elabore um conceito de políticas de
informação para a sua organização.

5 Como foi percebido ao longo do Tópico 1, existem desafios para a


implementação de políticas de informação. Qual é o principal deles?

a) ( ) Planos e planejamento.
b) ( ) Filosofia da linguagem.
c) ( ) Concepção política.
d) ( ) Sociedade da informação.
e) ( ) Fenômenos humanos e sociais.

12
UNIDADE 1
TÓPICO 2

PANORAMA DAS POLÍTICAS DE


INFORMAÇÃO

1 INTRODUÇÃO
No contexto da sociedade da informação, as mudanças mundiais
demarcadas fortemente pelos paradigmas técnicos, econômicos e das tecnologias
da informação têm incentivado a competitividade entre Estados. A informação
é poder, e o estabelecimento de uma sociedade da informação permeada pelo
poder do controle da informação e do capital se tornou o principal objetivo
daqueles que desejam ser considerados países de primeiro mundo.

Embora se tenha como afirmativa de que estamos na sociedade da


informação, é preciso compreender que sociedades como a brasileira ainda
não levam a informação para todo e qualquer cidadão. Comunidades carentes,
ribeirinhas, indígenas, carcerárias, entre outras, ainda estão longe de possuírem
o acesso às informações que, de fato, tragam mudanças efetivas para suas vidas.
Mesmo que diuturnamente se tenha contato com uma gama de informações, a
maioria daquilo que se recebe não é relevante para a transformação de sujeitos
pertencentes a determinadas classes sociais, econômicas, de cor, religião,
sexualidade ou cultura.

Como profissionais da informação e bibliotecários, deve-se refletir sobre o


papel da informação, seu acesso e uso pelas populações que compõem a sociedade
brasileira. Dessa forma, neste tópico, será apresentada a informação como um
direito universal a partir das declarações de direitos humanos e da Constituição
Federal Brasileira.

Neste tópico, você estudará as políticas da informação e as contribuições


da Ciência da Informação para a discussão desse campo, bem como sobre o
conceito de estado informacional, estabelecido por Sandra Braman e as legislações
de promoção de acesso à informação.

13
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

2 ABORDAGENS SOBRE AS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NA


CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO
As sociedades têm criado historicamente seus próprios parâmetros para
institucionalizar as informações que produzem buscando que estas sejam mais
ou menos dependentes da ação do Estado (LIMA; MALIN, 2011). Em diferentes
países, “o conflito que tem se estabelecido para os diferentes Estados é o de
pertencimento ou não à sociedade que rebatiza o mundo com uma nova era”
(AUN, 2000, p. 1). Os Estados estão buscando reestruturar suas políticas de
informação e as substituindo por programas de curto prazo como solução de
emergência à participação neste ambiente.

González de Gómez é uma das epistemólogas da Ciência da Informação


a enfatizar que “a política de informação emerge como tema e domínio
relativamente autônomo, em nível nacional e internacional, no cenário do pós-
guerra, associada às políticas de ciência e tecnologia” (GONZÁLEZ DE GOMÉZ,
2002, p. 27). A ligação entre a informação e a política encontra-se estabelecida pela
inclusão da informação na esfera de intervenção do Estado (País), em especial,
no que se refere à dimensão de racionalidade administrativa, onde a informação
torna-se um dos fatores estratégicos do desenvolvimento científico-tecnológico
(SILVA; PINHEIRO, 2011).

A Ciência da Informação tem discutido sobre política de informação,


embora ainda precise de maior aprofundamento em seus aspectos teóricos e
contextuais, como elencam os autores Frohmann (1995), McClure e Jaeger (2008) e
Silva e Pinheiro (2011). Especificamente sobre o conceito de política de informação,
Aun (2000) e Silva e Pinheiro (2011) apontam que ainda existem na literatura
algumas dificuldades quanto aos aspectos semânticos e conceituais entre os
termos política, planos, programas, diretrizes, regras que levam à confusão sobre
a utilização adequada dos termos. Como mudança, a sociedade contemporânea
passa a possuir uma nova configuração e a dar uma nova dimensão à política da
informação.

Outra questão levantada na literatura refere-se à confusão semântica e


conceitual que há entre os termos política, planos, programas, regras e diretrizes,
como resultado de uma mudança nas formas de gestão dos Estados a partir
do processo neoliberal. Essa nova configuração da sociedade contemporânea
modifica a “face da informação” e o seu contexto social se transfigura, dando
nova dimensão à política de informação (SILVA; PINHEIRO, 2011).

As transformações ocorridas na sociedade fazem com que ocorra um


deslocamento dos discursos sobre as políticas de informação dando um lugar de
neutralidade. No entanto, não se pode esquecer que as políticas são os resultados
das relações de poder e, portanto, a neutralidade não existiria na política visto
que “onde há poder, o poder se exerce, mesmo que não se consiga determinar
a titularidade desse poder”, conforme aponta Foucault (1989) citado por Silva e
Pinheiro (2011, p. 1631).

14
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO

A Ciência da Informação originalmente se preocupou com a geração, o


armazenamento e a disseminação da informação para seu uso de forma efetiva
vinculada a campos temáticos da ciência e tecnologia. Posteriormente, trouxe
seu olhar para os movimentos da globalização e seu impacto na comunicação e
transferência da informação, conduzindo “a um estado de tensão na distribuição
de informação de valor agregado ou de mercado e as informações de bem público
e de livre acesso” (AUN, 1997, p. 1). Entre as questões a serem definidas nas
políticas de informação, encontram-se a dosagem, as prioridades e valores da
informação, assim como a duplicidade entre o acesso e o limite, o direito público
e o privado.

Frohmann (1995) aborda a política pública como área da pesquisa dentro
da Ciência da Informação. Para o autor, existiram muitos debates sobre o tema,
não havia sinais de que as políticas de informação tenham sido implementadas.
O tema da política da informação possui um leque de problemas devido às
diferentes concepções trazidas, tornando o tema complexo (FROHMANN, 1995).
Dentro das limitações sobre o tema política de informação dentro da Ciência da
Informação, o autor destaca:
• a interpretação da questão da política de informação sob o foco da
produção documental governamental, ou seja, a política do governo
para os documentos do governo;
• a restrição do foco da pesquisa em política de informação diante
dos problemas de produção, organização e disseminação das
informações científica e tecnológica;
• o foco epistemológico estreito da Ciência da Informação sobre
política de informação;
• o caráter instrumental da pesquisa, com ênfase nas maximizações
técnica e gerencial do fluxo da informação (ênfase para a
implementação de tecnologias, aprimoramento da comunicação
entre departamentos no âmbito da administração pública, aumento
do acesso aos documentos governamentais) e;
• a ausência de ênfase na relação entre informação e poder
(FROHMANN, 1995, s.p.).

Na evolução do tema política da informação, a conexão entre tecnologia


e seus papéis humano e social vinculados à preocupação com as políticas de
informação e o privilégio dado a determinados campos conceituais e teóricos
passaram a ser o foco de pesquisas da área a partir da década de 1970 (AUN,
1997). O tema política de informação, na opinião de Silva e Pinheiro (2011), tem
que ser refletivo e verificado sobre a necessidade de atualização conceitual.
Também é importante compreender que a sociedade da década atual é diferente
daquela de 1970 e 1980, período quando as pesquisas e produções sobre política
de informação dentro da Ciência da Informação começaram a ser evidenciadas.
“Intensas transformações afetaram profundamente a sociedade nessas [...]
décadas, modificando também a maneira como pensamos, agimos e trabalhamos
as questões da informação” (SILVA; PINHEIRO, 2011, p. 1627).

Dentro do Estado Brasileiro, as atividades informacionais sempre


estiveram ligadas à figura gestora do país. Com relação aos novos modos de

15
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

institucionalização e de disseminação da informação, estes têm sido criados


tanto no contexto nacional como internacional, um resultado dos esforços
organizados e mobilizados pela sociedade civil na sua relação com o Estado
(LIMA; MALIN, 2011).

Na década de 1980, o quadro institucional começou a incorporar de


forma mais explícita uma nova organização, parceria e mediadora envolvendo
os movimentos sociais e de organizações da sociedade civil, tais como as
Organizações Não Governamentais (ONGs) (LIMA; MALIN, 2011).

O governo brasileiro buscou introduzir-se na chamada Sociedade da


Informação a partir do ano de 1996, por intermédio do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, programa que foi lançado em
dezembro de 1999 e coordenado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia.

2.1 O ESTADO INFORMACIONAL E A POLÍTICA DE


INFORMAÇÃO
O Estado informacional se refere a uma “fase da evolução humana em
que o poder informacional é fator decisivo para os Estados, em seus processos
de disputa e controle” (PINHEIRO, 2011, p. 1487). De forma emergente, o
“poder informacional permeia os meios clássicos de poder estatal: instrumental,
estrutural e simbólico, constituindo-se como um quarto instrumento”
(PINHEIRO, 2011, p. 1487).

Para Braman (2006), o Estado sabe muito mais sobre indivíduos do que
os indivíduos sobre o Estado. Com o advento da democracia representativa,
o conhecimento individual sobre as atividades e processos realizados pelos
governos e também o conhecimento sobre os próprios cidadãos se tornaram algo
que muitos buscam apreender para repartir os recursos e a representação.

As exigências informativas do Estado acabaram por aumentar, buscando


conhecer os indivíduos, grupos e comunidades que seriam utilizadores de
suas políticas. Nas décadas após o estabelecimento de agências reguladoras e
de programas de redes de segurança, as leis e os regulamentos foram também
criados para aumentar a simetria entre o conhecimento do cidadão sobre o Estado
e do Estado sobre o cidadão (BRAMAN, 2006). No entanto, Braman (2006) afirma
que nunca houve de fato uma simetria absoluta ou a completa transparência,
pois a necessidade de proteção da segurança nacional manteve em sigilo as
informações críticas sobre o governo e as leis de privacidade buscam proteger
algumas informações e pessoas do governo.

Com o estado informacional, no entanto, aumenta a capacidade estatal


de reunir e processar informações sobre seus cidadãos. Em contrapartida, a
capacidade de o cidadão aprender o que o governo tem realizado, investido,

16
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO

decidido ou exterminado tem diminuído. Isso tem acontecido, pois o uso das
técnicas de vigilância sobre o indivíduo tem aumentado (BRAMAN, 2006).

Atualmente, se forem analisadas as mídias sociais como facebook,


instagram, twitter e demais redes sociais, percebe-se que as informações pessoais
se encontram cada vez menos sigilosas e a privacidade ameaçada. Para utilizar
uma mídia social como o facebook, por exemplo, é preciso cadastrar seus dados
pessoais e assinar os termos de privacidade dessas redes. Os aplicativos em
smartphones, jogos on-line e demais produtos e serviços como a internet banking
coletam informações dos seus clientes e depois as comercializam para empresas
e prestadores de serviços.

FIGURA 2 - PÁGINA INICIAL DE CADASTRO NO FACEBOOK E A RELAÇÃO DE DADOS


SOLICITADOS

FONTE: <[Link] Acesso em: 17 jun. 2019.

No que se refere ao Estado, observa-se que há uma demanda da


sociedade para que o Estado aumente a sua transparência. Entre as informações
governamentais que mais causam interesse nos cidadãos estão as informações
legislativas e as informações que embasam a construção de políticas públicas.
Estas são necessárias para a implementação de ações que promovam a igualdade
de direitos e o pleno exercício da cidadania dos cidadãos a partir do acesso à
informação sobre o tema (CERÓN; LIMA, 2013). Entretanto, há uma precariedade
da organização da informação governamental, conforme afirmam Ceron e Lima
(2013), e isso afeta a eficácia das formulações de políticas públicas de informação,
que deixam de levar em consideração os requisitos necessários de informação
para a formulação e suporte.

17
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

2.2 O EXERCÍCIO DA CIDADANIA E A INFORMAÇÃO


COMO DIREITO UNIVERSAL DE TODO CIDADÃO
A informação é construtora da cidadania. A cidadania é observada
como um conjunto de conquistas que perpassam as questões políticas, civis
e sociais e está contextualizada a diversos acontecimentos resultantes da
ação dos sujeitos de nossa sociedade. No entanto, quando se analisa o que é
repassado à sociedade no que se refere à informação, percebe-se que o repasse
está aquém do que é necessário para mudanças efetivas da sociedade (PELUFÊ;
SILVA, 2004). O conceito de cidadania presume a participação do indivíduo na
sociedade, sendo que seu exercício se dará de maneira mais efetiva e consciente
se ele possuir embasamento crítico acerca dos acontecimentos político-sociais
(PELUFÊ; SILVA, 2004).

Ao se refletir sobre a informação, deve-se buscar entender quais os


instrumentos normativos a indicam como um direito humano. Comecemos,
então, com a Declaração dos Direitos Humanos – anteriormente intitulada de
Universal dos Direitos do Homem – aprovada pela Assembleia Geral das Nações
Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948, um dos primeiros documentos criados
em prol da atribuição dos direitos e deveres das pessoas (ORGANIZAÇÃO DAS
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009).

Em seu artigo 19, a Declaração infere que “todo o homem tem direito
à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias
por quaisquer meios, independentemente de fronteiras” (ORGANIZAÇÃO
DAS NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009, s.p., grifo nosso). Desse aspecto, pode-se
entender que é a partir do acesso à informação que surgirá uma conscientização
crítica sobre a realidade, pois, pelo intercâmbio de informações, os sujeitos
sociais se comunicam, tomam conhecimento de seus deveres e direitos e
também tomam decisões sobre suas vidas em todos os níveis (educacional,
profissional, coletivo, individual, econômico etc.) (ORGANIZAÇÃO DAS
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009).

Após essa Assembleia Geral da ONU, foi solicitado aos países-membros


que os mesmos publicassem o texto da Declaração para que ele fosse disseminado,
lido e explicado, em especial nas escolas e demais instituições educacionais, sem
distinção política ou econômica dos Países ou Estados (ORGANIZAÇÃO DAS
NAÇÕES UNIDAS, [1948] 2009).

Quarenta anos após, na Constituição da República Federativa do Brasil de


1988, artigo 5º, inciso XIV, passa a ser “assegurado a todos o acesso à informação
e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”
(BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso). Ainda no artigo 5º, no inciso XXXIII, a
Constituição afirma que:

18
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO

todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu


interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado (BRASIL, 1988, s.p., grifo nosso).

Sobre o item, a Constituição traz um regulamento identificado pela


Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que vigora para os órgãos públicos
integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário
e do Ministério Público, além das autarquias, fundações públicas, sociedades
de economia mista, empresas públicas e demais entidades que sejam direta ou
indiretamente controladas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios
(BRASIL, 2011). Conhecida desde sua implementação como Lei de Acesso à
Informação, a lei e seus procedimentos buscam assegurar ao cidadão o direito
fundamental de acesso à informação. A Lei traz ainda as diretrizes para que seja
executada:

I- observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como


exceção;
II- divulgação de informações de interesse público, independentemente
de solicitações;
III- utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia
da informação;
IV- fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na
administração pública;
V- desenvolvimento do controle social da administração pública
(BRASIL, 2011, s.p.).

Com relação aos conceitos, a Lei aborda os conceitos de:

a) Informação: refere-se a dados, processados ou não, contidos em determinado


meio, suporte ou formato, que podem ser usados para produção e transmissão
de conhecimento;
b) Documento: refere-se à unidade de registro de informações em quaisquer
formatos ou suportes;
c) Informação sigilosa: refere-se àquela informação submetida de forma
temporária para restrição de acesso público em razão de ser imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado;
d) Informação pessoal: refere-se à informação relacionada à pessoa natural
identificada ou identificável;
e) Tratamento da informação: refere-se ao conjunto de ações relacionadas
à produção, recepção, classificação, acesso, uso, reprodução, transporte,
transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação,
avaliação, destinação ou controle da informação;
f) Disponibilidade: a qualidade da informação que pode ser usada e conhecida
pelos indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados;
g) Autenticidade: refere-se à qualidade da informação produzida, expedida,
recebida ou modificada por determinada pessoa, equipamento ou sistema;

19
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

h) Integridade: refere-se à qualidade da informação não modificada, incluindo a


sua origem, trânsito e destinação;
i) Primariedade: relaciona-se à qualidade da informação que foi coletada
na fonte, com o máximo de detalhes possíveis, sem nenhuma modificação
(BRASIL, 2011).

Com relação ao acesso à informação e à divulgação, a Lei infere que cabe


aos órgãos e às entidades do poder público o seguinte:

a) A gestão transparente da informação, de forma a propiciar o amplo acesso à


mesma e a sua divulgação;
b) A proteção da informação, de forma a garantir a sua disponibilidade,
autenticidade e integridade;
c) A proteção das informações sigilosas e da informação pessoal, observadas a
disponibilidade, autenticidade, integridade e a restrição ao acesso (BRASIL,
2011).

Entre os direitos observados, encontra-se o direito da obtenção à:

a) Orientação quanto aos procedimentos para a consecução de acesso, assim


como a localização da informação para sua obtenção e uso;
b) Informação contida em registros ou documentos que tenham sido produzidos
ou acumulados por órgãos ou entidades, recolhidos ou não aos arquivos
públicos;
c) Informação que tenha sido criada ou custodiada por pessoa física ou alguma
entidade privada decorrente de vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo
que esse vínculo não exista mais;
d) Informação primária, íntegra, autêntica e atual;
e) Informação referente às atividades exercidas por órgãos e entidades, incluindo
aquelas relativas à política, organização e serviços;
f) Informação relacionada à administração do patrimônio público, utilização de
recursos de ordem pública, licitação de contratos administrativos;
g) Informação relativa à implementação, acompanhamento e resultados de
projetos, programas e ações de órgãos e entidades públicas, além de metas e
indicadores. Ainda, informações relativas ao resultado de auditorias, prestações
e tomadas de contas, inspeções feitas por órgãos de controles interno e externo,
inclusive prestações de contas relativas a exercícios anteriores.

Com relação às informações que não são compreendidas pelas Lei de


acesso à informação, estão aquelas que fazem parte de projetos de pesquisa e
desenvolvimento científicos ou tecnológicos onde o sigilo é necessário para a
segurança da sociedade e do país.

20
TÓPICO 2 | PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO

Sobre as informações parcialmente sigilosas, a lei afirma que está


assegurado ao cidadão o acesso à parte não sigilosa por intermédio de certidão,
extrato ou cópia com as partes sob sigilo ocultadas do documento apresentado.

Como podemos observar, a Lei de acesso à informação tem propiciado ao


cidadão a oportunidade de obter maior controle sobre as informações públicas.
Assim, consegue participar dos processos de tomada de decisão de forma mais
crítica e exigir ações do Estado, assim como o monitoramento para ações de
combate à corrupção (FERREIRA; SANTOS; MACHADO, 2012).

DICAS

Acesse o site da Organização das Nações Unidas (ONU) e leia na íntegra a


Declaração Universal: [Link]

21
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• As sociedades têm criado historicamente seus próprios parâmetros para


institucionalizar as informações que produzem buscando que estas sejam mais
ou menos dependentes da ação do Estado.

• Os Estados estão buscando reestruturar suas políticas de informação e as


substituindo por programas de curto prazo como solução de emergência.

• A política de informação emerge como tema e domínio relativamente


autônomo, em nível nacional e internacional, no cenário do pós-guerra,
associada às políticas de ciência e tecnologia.

• A Ciência da Informação tem discutido sobre política de informação, embora


ainda precise de maior aprofundamento em seus aspectos teóricos e contextuais,
como elencam os autores Frohmann (1995), McClure e Jaeger (2008) e Silva e
Pinheiro (2011).

• A sociedade contemporânea passa a possuir uma nova configuração e a dar


uma nova dimensão à política da informação.

• As transformações ocorridas na sociedade fazem com que ocorra um


deslocamento dos discursos sobre as políticas de informação.

• Frohmann (1995) aborda a política pública como área da pesquisa dentro da


Ciência da Informação. Para o autor, existiram muitos debates sobre o tema,
não havia sinais de que as políticas de informação tenham sido implementadas.
Considera que o tema política da informação possui um leque de problemas
devido às diferentes concepções trazidas.

• Para Frohmann (1995), existem limitações do tema política de informação


dentro da CI.

• Na evolução do tema política da informação, a conexão entre tecnologia e


seus papéis humano e social vinculados à preocupação com as políticas de
informação e o privilégio dado a determinados campos conceituais e teóricos
passaram a ser o foco de pesquisas da área a partir da década de 1970.

• Dentro do Estado Brasileiro, as atividades informacionais sempre estiveram


ligadas à figura gestora do país.

22
• O Estado informacional se refere a uma “fase da evolução humana em que o
poder informacional é fator decisivo para os Estados, em seus processos de
disputa e controle”.

• Para Braman (2006), o Estado sabe muito mais sobre indivíduos do que os
indivíduos sobre o Estado.

• Com o estado informacional, no entanto, aumenta a capacidade estatal


de reunir e processar informações sobre seus cidadãos. Em contrapartida,
a capacidade de o cidadão aprender sobre o que o governo tem realizado,
investido, decidido ou exterminado tem diminuído.

• Há uma demanda da sociedade para que o Estado aumente a sua transparência.

• Entre as informações governamentais que mais causam interesse nos cidadãos,


estão as informações legislativas e as informações que embasam a construção
de políticas públicas.

23
AUTOATIVIDADE

1 Conforme o material estudado, identifique quais as limitações elencadas


por Frohmann sobre o tema da política de informação na Ciência da
Informação.

I. A interpretação da questão da política de informação sob o foco da


produção documental governamental, ou seja, como política do governo
para os documentos do governo;
II. A restrição do foco da pesquisa em política de informação diante dos
problemas de produção, organização e disseminação das informações
científica e tecnológica;
III. O foco epistemológico estreito da Ciência da Informação sobre política de
informação;
IV. O caráter instrumental da pesquisa, com ênfase na maximização técnica
e gerencial do fluxo da informação (ênfase para a implementação de
tecnologias, aprimoramento da comunicação entre departamentos no
âmbito da administração pública, aumento do acesso aos documentos
governamentais) e;
V. A ausência de ênfase na relação entre informação e poder.

Após a leitura das sentenças, marque a resposta correta:


a) ( ) As respostas I e II estão corretas.
b) ( ) As respostas III e IV estão corretas.
c) ( ) As respostas I, II e III estão corretas.
d) ( ) As respostas III, IV e V estão corretas.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

2 Leia a sentença a seguir:

Nas décadas após o estabelecimento de agências reguladoras e de


programas de redes de segurança, as leis e os regulamentos foram também
criados para aumentar a simetria entre o conhecimento do cidadão sobre o
Estado e do Estado sobre o cidadão (BRAMAN, 2006). Para Braman (2006),
nunca houve de fato uma simetria absoluta ou a completa transparência,
visto que:

a) ( ) O comportamento informacional se refere ao modo como os indivíduos


lidam com a informação, o que inclui a busca, o uso, a alteração, a troca
e o acúmulo.
b) ( ) A necessidade de proteção da segurança nacional manteve em sigilo as
informações críticas sobre o governo e as leis de privacidade buscam
proteger algumas informações pessoais do governo.
c) ( ) É necessário entender que mudar a maneira como as pessoas usam
a informação e construir uma cultura informacional são desafios da
gestão da informação nas organizações.

24
d) ( ) A necessidade de formação e capacitação continuada dos recursos
humanos para o uso adequado dessas ferramentas e para o
desenvolvimento das potencialidades das aplicações em prol das
atividades desempenhadas pelo Centro de Pesquisa.
e) ( ) Uma organização processa a informação para dar sentido a seu ambiente,
para criar novos conhecimentos e para tomar decisões.

3 Conforme a Lei de Acesso à informação, existe um tipo de informação que


se refere àquela informação submetida de forma temporária à restrição de
acesso público em razão de ser imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado. Marque a resposta em que aparece a qual tipo de informação o
conceito se refere:

a) ( ) Informação pessoal.
b) ( ) Informação sigilosa.
c) ( ) Informação primária.
d) ( ) Informação de organizações não-governamentais.
e) ( ) Informação relacionada ao patrimônio público.

4 A lei de acesso à informação aborda as informações que não são


contempladas por sua implementação. Quais tipos de informação são
excluídos da referida lei?

5 Conforme a Lei de Acesso à informação, quais os conceitos de autenticidade,


integridade e primariedade?

25
26
UNIDADE 1
TÓPICO 3

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

1 INTRODUÇÃO
A sociedade da informação tem sido discutida desde o final do século
XX, início do século XXI. Tal termo foi criado para tentar explicar de uma forma
mais fácil sobre constituição da sociedade pós-industrial e do paradigma técnico-
econômico (WERTHEIN, 2000). Dentro das transformações que fazem parte da
sociedade da informação está a constituição de sociedades menos industrializadas
e onde o paradigma da tecnologia da informação e da comunicação está presente
nas transformações existentes dentro das sociedades. Dentro deste contexto da
sociedade da informação, a informação é a matéria-prima, na qual as tecnologias
penetram e afetam as atividades humanas (tanto individual ou coletivas) sob o
predomínio da sociedade em rede (CASTELLS, 2000; WERTHEIN, 2000).

Atrelado ao desenvolvimento da sociedade da informação, encontram-se


as ações realizadas pelo governo que se destinam a resolver obstáculos presentes
dentro dos setores (saúde, educação, economia etc.) daquele país. Tais ações são
as conhecidas políticas públicas, criadas pelos governos em forma de atividades
que são elaboradas visando agir e influenciar na vida dos cidadãos.

Neste tópico será apresentado o conceito de políticas públicas, além das


políticas públicas de informação, alguns tipos de políticas públicas no contexto
da gestão da informação, assim como, uma breve contextualização sobre políticas
nacionais de informação, os conceitos de “infraestrutura de informação” e da
“sociedade da informação”.

2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: O QUE SÃO?


As políticas públicas de informação têm sido estudadas dentro da
Ciência da Informação juntamente com os esforços para a compreensão do papel
do Estado e suas implicações na sociedade atual. Dessa forma, o estudo das
políticas públicas tem buscado observar qual a lógica existente entre o Estado e a
Sociedade, identificando as relações existentes entre seus atores e compreendendo
as dinâmicas da ação pública (JARDIM; SILVA; NHARRELUGA, 2009).

27
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

As políticas públicas são compreendidas como o “Estado em ação” e,


conforme Muller e Surel (2004, p. 11),

a ação do Estado pode ser considerada como o lugar privilegiado em


que as sociedades modernas, enquanto sociedades complexas, vão
colocar o problema crucial de sua relação com o mundo através da
construção de paradigmas ou referenciais, sendo que o conjunto de
matrizes cognitivas e normativas intelectuais determina, ao mesmo
tempo, os instrumentos graças aos quais as sociedades agem sobre
elas mesmas.

Quanto ao conceito, este encontra-se entre os interesses e as metas políticas


e burocráticas, mas não necessariamente de forma congruente, manifestando-se
como algo além do aparato governamental. Dessa forma, a política de informação
se expressa para além do campo formal das leis e dos regulamentos, incluindo
práticas e ações informacionais de determinados contextos em que se integram
sujeitos, instituições e interesses, cujas manifestações nem sempre são reveladas
por mecanismos formais (SILVA, 2011; PEREIRA; SILVA, 2015; BARCELOS;
PEREIRA; SILVA, 2017).

DICAS

Para saber um pouco mais sobre o conceito de política pública, acesse e leia o
Diccionario Crítico de Ciencias Sociales.

FONTE: FERRI DURÁ, J. Políticas públicas. In: REYES, R. Diccionario crítico de ciencias sociales.
2004. Disponível em: [Link] Acesso em: 1° out. 2019.

28
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Dessa forma, assim como as “políticas públicas são desenvolvidas para


serem implementadas em contextos específicos de informação, as políticas
de informação também dependem dos diversos segmentos e contextos
comunitários para se desenvolverem no cotidiano das pessoas” (PEREIRA;
SILVA, 2015, p. 7-8). Desse modo, as políticas de informação são elaboradas e
direcionadas com o intuito de atender às demandas, suprir as necessidades e
atender às exigências das comunidades. Portanto, encontram-se além do que o
aparato governamental engloba. De fato, pelo caráter público dessas políticas,
há a multiplicação de seu desempenho e a inter-relação com o governo e a
sociedade (PEREIRA; SILVA, 2015).

Entre os tipos de Políticas Públicas de Educação no contexto da gestão da


informação, podemos citar como exemplos:

a) Sistema Integrado de Gestão Educacional (SIGE): o sistema é o de


gerenciamento de informações da Secretaria de Educação do Estado do Ceará-
SEDUC. Desenvolvido em parceria com o CETREDE da Universidade Federal
do Ceará, objetiva a otimização e modernização dos processos administrativos
e de compartilhamento e integração de informações entre as instituições de
ensino e a SEDUC (PEREIRA; SILVA, 2015).

FIGURA 3 – SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO EDUCACIONAL

FONTE: <[Link]
Acesso em: 17 jun. 2019.

29
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

b) Sistema de Acompanhamento das Ações do Paic (SAAP): é um sistema


informatizado de gerenciamento de informações desenvolvido visando à
coleta de informações para o município poder entender a sua rede escolar,
direcionar e acompanhar as ações de gestão e das práticas educacionais do
Programa de Alfabetização na Idade Certa – PAIC (PEREIRA; SILVA, 2015).

c) Plano de Ações Articuladas (PAR): o planejamento multidimensional da


política de educação colocou à disposição dos municípios, estados e do Distrito
Federal, instrumentos para avaliação e de implementação de políticas de
melhoria da qualidade da educação, em especial da educação básica pública
(BRASIL, 2007). Desse modo, o PAR “apresenta o detalhamento das ações e
subações selecionadas por cada estado ou município” (BRASIL, 2007, s.p.) e
é coordenado pelas secretarias municipais e estaduais de educação, contando
com a participação de gestores, de professores e da comunidade local em seu
processo de elaboração (PEREIRA; SILVA, 2015).

FIGURA 4 – PLANO DE AÇÕES ARTICULADAS (PAR)

FONTE: <[Link] Acesso em: 17 jun. 2019.

DICAS

Para aprender mais sobre o Plano de Ações Articuladas (PAR) do Ministério


da Educação, visite o Relatório Público disponibilizado no site: [Link]
relatoriopublico/[Link].

3 POLÍTICA NACIONAL DE INFORMAÇÃO E OS CONCEITOS


DE INFRAESTRUTURA DE INFORMAÇÃO E DA “SOCIEDADE
DA INFORMAÇÃO
Política e informação se relacionam, dentro do escopo e abrangência do
paradigma de soberania da atualidade, por uma duplicada referência ao Estado e
a uma constituição de comunicação flexível e desigual. A partir da década de 1950,
essa relação começa a ser explicitada em programas de governos e de políticas
públicas. Entre os fatos que demarcaram a construção do campo das políticas de

30
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

informação, encontra-se o “Weinberg Report” (U.S. President’s Science and Advisory


Commitee, 1963) dos EUA – que define o escopo e a abrangência de uma política de
informação - além das agendas internacionais da ONU para a Educação, Cultura
e Ciência (UNESCO). Com suas ações, o objetivo era o estabelecimento de um
programa intergovernamental e cooperativo visando à promoção e otimização
do acesso e do uso da informação. Dessa forma, objetivava-se a superação de
lacunas científicas e informacionais entre os mais diversos países de diferentes
graus de desenvolvimento (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).

Com a organização da definição da política de informação, haveria o


Estado como agente privilegiado de sua elaboração e implantação, e a ciência
e a tecnologia estariam sob o seu domínio. Além disso, a convicção do papel da
informação no desenvolvimento de um mundo moderno não se mostrou eficaz
para a formulação de estruturas institucionais, informação científico-tecnológica
e em parâmetros tecnológicos e organizacionais (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).

O que acontece de fato é que os sistemas nacionais de informação científica


e tecnológica não conseguem ser expressos em um domínio que seja estável e
transparente dentro de instituições, pautas como agendas de elaboração de
políticas públicas. Isso acontece porque a informação é objeto de políticas tácitas e
indiretas, ou porque o escopo e a abrangência dessas políticas, quando colocados
juntos ao grande volume de políticas públicas, são deslocados, reformulados
ou realocados conforme as prioridades dadas pela conjuntura e que estão em
constante mudança (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).

No final da década de 1970, começou a construção de um cenário com a


unificação das novas tecnologias da informação e da comunicação, denominadas
TICs. Passaram a ser utilizados recursos diferenciados, assim como diferentes
abordagens para o estudo das relações entre as TICs e as transformações culturais
nos processos de trabalho, nas práticas e nos modelos de gestão (GONZÁLEZ
DE GOMÉZ, 2002). Assim, deu-se a passagem para o que para alguns chamou-se
de mudança revolucionária nos modos de produzir, e para outros concretizou
a ruptura na passagem de uma sociedade industrial para uma pós-industrial
(BELL, 1976 apud GONZÁLEZ DE GOMÉS, 2002). Para outros, tratou-se de uma
ruptura estabelecida na passagem de uma sociedade focada no modo fordista
para um modo pós-fordista de produção.

Esses novos arranjos relacionados ao Estado encontram-se expressos


pelos intelectuais Manuel Castells (1999) e Bruno Latour (2000) ao utilizarem o
conceito de rede para a sua representação.

Para Castells, o Estado-rede representa uma nova fórmula político-


institucional, caracterizada pela redistribuição de competências
e recursos de coordenação entre distintos atores, jurisdições e
níveis institucionais e organizacionais governamentais e não-
governamentais, compondo os processos decisórios contemporâneos.
As novas tecnologias de comunicação e informação forneceriam

31
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

os meios para manter ativas as relações entre os agentes e as


instituições envolvidos nas novas cadeias decisionais e acionais, com
diversas modalidades de complexidade e extensão: locais, regionais,
transnacionais (CASTELLS, 1999; JESSOP, 1998). Sem entrar neste
momento na discussão dos grandes quadros teóricos ou históricos,
interessa-nos resgatar enunciados e acontecimentos mais específicos
que contribuam para o reconhecimento do estatuto atual da relação
entre política e informação (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 29).

No final da década de 1970 que começaram a se desenvolver atividades


econômicas com a principal função de produção, processamento ou distribuição
da informação. Isso acontecia de forma diferente daquelas atividades em que a
informação era colocada como secundária ou subordinada à função principal,
conforme afirma Porat (1977) citado por González de Goméz (2002). A partir
disso, estabeleceu-se o que hoje se chama de quarto setor, que era um pouco mais
autônomo que os sistemas anteriores e que afetou a economia como um todo.

Assim, os discursos sobre os sistemas nacionais de informação científico-


tecnológica enquanto algo do Estado passaram a ser substituídos por um discurso
focado no econômico. González de Goméz (2002, p. 29) traz como exemplo:

Zurkowski (1984), presidente da Associação das Indústrias da


Informação, usa o conceito de ‘infoestrutura’ como uma composição
dos termos ‘informação’ e ‘estrutura’ para designar “a miríade de
elementos necessários para sustentação da sofisticada capacidade
de manipulação da informação”. Ao mesmo tempo em que procura
mapear essa “infoestrutura” em suas crescentes complexidade e
expressão, Zurkowski se pergunta pelas possibilidades de integração
das tecnologias, dos mercados e dos diferentes segmentos das indústrias
da informação como o caminho de sobrevivência e oportunidade de
fortalecimento do setor, superando suas atuais segmentações, suas
justaposições e conflitos, suas formas oportunistas e imprevisíveis de
agregação e de expansão.

A indústria da informação desde seu início busca a integração econômica


no polo da produção. Assim, passaram a existir duas tendências: a primeira
tendência indicava uma crescente importância e a autonomia nos campos
econômicos, políticos e sociais dos fenômenos comunicacionais e informativos,
onde os novos modelos tecnológicos e econômicos passam a ser estruturais e
estruturantes das atividades sociais. A segunda “sustentando a constituição
de um setor diferenciado das atividades, da indústria e dos mercados de
informação, “o quarto setor”, diferenciado do setor de serviços” (GONZÁLEZ
DE GOMÉZ, 2002, p. 30). No entanto, houve, ao que parece, uma interceptação
do desenvolvimento da segunda tendência por parte da primeira, em que,
segundo Maria Nélida Gonzaléz de Goméz (2002), os fenômenos, os processos
e as atividades informacionais passaram a ser identificados como planos de
construção das atividades e manifestações sociais, econômicas e culturais.

Para a autora, isso se deve à sociedade da informação e à infraestrutura da


informação. Há o que a autora chama de “deslocamento discursivo” no campo

32
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

estratégico do Estado para o campo da economia, onde ocorre a passagem do


modelo do ‘quarto setor’ à ‘infraestrutura de informação’, perpassando todas
as atividades sociais. Assim, ocorre uma profunda alteração nos “cenários da
informação e a reformulação dos agregados de atores políticos, econômicos e
sociais que deveriam compor os novos arranjos organizacionais do domínio”
(GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30). Castells esclarece o ponto principal dessa
mudança ao inferir que:

O termo sociedade da informação destaca o papel desta última na


sociedade. Sustentarei, porém, que a informação, em seu sentido
mais amplo, ou seja, como ‘comunicação do conhecimento’, tem sido
fundamental em todas as sociedades, incluída a Europa medieval,
que estava estruturada e em certa medida unificada em torno do
escolasticismo, isto é, em conjunto, um marco intelectual... Em
contraste, o termo informacional indica o atributo de uma forma
específica de organização social na qual a geração, processamento e
transmissão da informação convertem-se em fontes fundamentais da
produtividade e do poder, devido às novas condições tecnológicas que
surgem no período histórico (CASTELLS, 1997, p. 47 apud GONZÁLEZ
DE GOMÉZ, 2002, p. 30).

Em 1994, um dos carros-chefes da política norte-americana do governo


Clinton foi o programa da Global Information Infrastructure (GII), apresentado em
1994 na reunião Internacional Telecommunication Union naquele ano em Buenos
Aires. Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos, consolidou, na reunião de
apresentação, a associação entre infraestruturas e informação ao conceito de rede,
mercado e globalização.

A ruptura paradigmática ocorreu a partir do conceito de infraestrutura


ser anexado juntamente com o termo informação. Infraestrutura é genericamente
atribuída como um conjunto de instalações, recursos, meios que são requeridos
para que uma atividade, organização ou sociedade funcione (GONZÁLEZ DE
GOMÉZ, 2002).
A infraestrutura de informação propõe-se como comunicacional e
produtiva, nela acontece tanto a transmissão como a geração de valor.
Liderando um modelo aberto e expansivo da “pax” globalizada,
lançava-se uma convocatória de investimento nesse novo tipo de
infraestrutura que, diferentemente das redes viárias e territoriais,
caracterizava-se por seu alcance global e sua capilaridade local, sua
capacidade de ligar nações e domicílios, organizações poderosas e
indivíduos anônimos, sem passar necessariamente pelas fronteiras
instituídas: as geopolíticas, as institucionais, as disciplinares
(GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30).

Dessa forma, no programa apresentado por Al Gore, GII aconteceria


visando aos mercados e a “universalização do acesso aconteceria pela facilitação da
aquisição de equipamentos tecnológicos (preços acessíveis para as pessoas de todos
os níveis de renda) e pela padronização, interoperabilidade e transportabilidade
de produtos e serviços” (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 30). Dessa forma, a

33
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

economia da informação seria renovada e o projeto moderno de integração seria


reformulado na aposta de conjugação da democracia neoliberal, a “pax” global e
os mercados concorrenciais.

Enquanto isso, a sociedade europeia elaborou um documento intitulado


‘Europa e a Sociedade Global da Informação” – também conhecido como
Bangemann Report – e o apresentou na reunião de 1994 do Conselho Europeu,
em Corfu. O documento em forma de relatório se refere à “revolução baseada
na informação, mesma expressão do conhecimento humano”. A sociedade da
informação passa a ser o termo utilizado para designar as transformações em vez
de infraestrutura. Sociedade é indicativo de convocação de atores da iniciativa
privada para implementação das mudanças e o termo informação foca nas
aplicações e conteúdos culturais, visando atender tanto a diversidade linguístico-
cultural da Europa como as potencialidades de seu capital artístico-intelectual.

Dada a importância de manter a integração tecnológica e comunicacional


dos países membros da Comunidade Europeia, será necessário
desenvolver ações de coordenação e de harmonização das estruturas
reguladoras e organizacionais. “Comitês” interorganizacionais e
outras figuras de cooperação autorreguladoras (como os “consórcios”)
surgirão para atender às novas situações, estabelecer padrões e
prover a interconexão de redes e serviços nas principais atividades
econômicas, culturais e sociais (GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002, p. 31).

Já na década de 1990, a Unesco, “cujas intervenções no domínio da


informação tiveram sempre um papel significativo em nível internacional
e na América Latina”, passou a modificar os seus principais programas
envolvendo informação, em especial o General Information Programme (PGI) e o
Intergovernmental Informatics Programme (IIP). Segundo a própria Unesco, com a
revolução informacional houve a crescente justaposição de ambos os programas
e dessa forma foi preciso reformular a inserção organizacional. Assim, a partir
do ano de 1996, passa a existir uma única secretaria, a Divisão de Informática e
Informação. O objetivo do novo programa era a contribuição na configuração da
sociedade da informação (UNESCO, 2000 apud GONZÁLEZ DE GOMÉZ, 2002).

Em 1995, um grupo intitulado Grupo dos 7 anunciou que colaboraria para


a construção de uma infraestrutura global de informação com princípios idênticos
aos apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em reunião
ocorrida em Buenos Aires, referindo-se aos aspectos considerados tecnológicos,
como a interoperabilidade, a interconectividade, o acesso aberto. Assim como
outras iniciativas europeias, o Grupo dos 7 trouxe diretrizes sobre os conteúdos
e os canais de informação (BORGMANN, 2000 apud GONZÁLEZ DE GOMÉZ,
2002). González de Goméz (2002, p. 31) sintetiza dizendo que a “relação entre
política e informação deverá ser reconstruída a partir de sua ‘imersão’ nas novas
configurações das infraestruturas de informação e da Sociedade da Informação”.

34
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

4 POLÍTICAS PÚBLICAS, MICROPOLÍTICAS E O REGIME DE


INFORMAÇÃO
A relação entre política e informação, nos novos cenários, deverá ser
compreendida quando inserida nos domínios econômicos e tecnológicos, nos quais
atua o plano implícito de micropolíticas, que pode ser inscrito nos “componentes
técnicos e não técnicos do desenho e operacionalização dos dispositivos de
informação ou através de figuras econômicas – como as tendências oligopólicas
ou monopólicas” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32).

Em seu sentido mais amplo, o conceito de ‘infraestrutura de informação’


se refere à “convergência das tecnologias da comunicação, telecomunicação
e informática, tendo a internet como principal locus de realização dessa
convergência” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32).

Ao se analisar de forma breve os aspectos próprios das redes e da


infraestrutura, se permite reconhecer a existência de um plano de conexo entre
a informação e a política como expressividades de interesses, desejos, escolhas e
tomadas de decisão (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002). Conforme Maria Nélida
González de Gómez (2002, p. 32):

Em primeiro lugar, consideraremos que políticas tácitas estão


embutidas no design e formas de operação das infraestruturas de
redes. A inscrição de padrões nas infraestruturas de informação
– não visíveis ou implícitos desde o ponto de vista dos usuários –
faz aparecer, como determinações funcionais e instrumentais, as
decisões e alternativas que resultam das negociações de interesses,
dos objetivos, projetos e escolhas organizacionais que, de modo
prescritivo, antecipam operações e relações preferenciais nas redes,
entre sujeitos, organizações e informações.

Desse modo, existiriam os “padrões”, que seriam regras construídas por


“atores em práticas sociais e operações técnico-instrumentais”. Esses atores podem
“ser ‘de jure’, sancionados em processos institucionais ou jurídicos, ‘formais’ ou
convencionais, gerados em processos ‘quase democráticos’, por corpos colegiados
e “padrões de fato”, embutidos com caráter prescritivo em processos, serviços
e produtos pelas forças do mercado” (GONZÁLEZ DE GOMES, 2002, p. 32).
Assim, “seriam esses padrões de comunicação infraestrutural os que produzem
nas redes um primeiro plano de zoneamento discursivo. São facilitadas certas
relações, trajetórias e ocorrências semânticas, enquanto outras são desativadas ou
dificultadas” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32).

A autora traz como reflexão as escolhas de um ou outro sistema


operacional (Windows ou Lynnus) a ser utilizado em redes de comunicação via
computador (como escolas, hospitais, universidades etc.). É preciso lembrar
do caráter regulatório dos padrões tecnológicos, que estão inferidos enquanto
micropolíticas tácitas sobre os processos de informação e comunicação.

35
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Com relação aos macrosistemas tecnológicos, a autora informa que estes


não seguiram uma trajetória de estabilidade obrigatória, mas respondem à
negociação de interesses.

Latour chama de “tradução” o modo como os interesses são


negociados, buscando corporalizar-se e constituir caixas-pretas
ou cadeias de relações irreversíveis (LATOUR, 2000). Os sistemas
tecnológicos passariam assim por fases, estando nas fases iniciais mais
sujeitos à negociação (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 32).

A convergência tecnológica, por sua vez, tornava favorável a formação


de grandes corporações, oligopólios e quase-monopólios. Dessa forma, essa
convergência pode incorporar “os mais diversos segmentos das indústrias
eletrônicas, audiovisuais, editoras, empresas de telecomunicação, rádio,
televisão, cadeias de broadcasting, publicações, serviços audiovisuais, serviços
de informação on-line (acesso a bases e bancos de dados)” (GONZALEZ DE
GOMEZ, 2002, p. 33).

Segundo Mosco (1999) apud González de Gomez (2002, p. 33), os


princípios das convergências tecnológica e econômica tornavam favorável a
repetição, via internet, de arranjos monopólicos já experimentados no domínio
das telecomunicações. Dessa forma, a internet encontra-se no que o autor
considera como uma “encruzilhada entre o desenvolvimento de experiências
democráticas e inovadoras ou o fortalecimento de tendências monopólicas,
sobrecodificadoras, de regulamentação”. Segundo Mosco (1999) citado por
González de Gomez (2002, p. 33):

O grupo de pesquisa sobre governos eletrônicos, CYPRG, por


exemplo, considera que a motivação inicial de dar à publicidade as
informações públicas teria dado lugar a uma preocupação maior
com as “estratégias de navegação” e com um estilo jornalístico de
construção discursiva, em uma crescente ‘mediatização’ da Web. Não
seria, porém, a política de informação a única afetada pelas novas
formas de vinculação e desvinculação de sujeitos, informações e
discursos: o que estaria em jogo, após ser verificada a impossibilidade
de vigência ou reformulação da “constituição comunicacional”, seria a
possibilidade do político, em geral.

Para Knoche (1996) citado por González de Gomez (2002, p. 33), a


concretização dos modelos de Estado Organizacional ou da chamada sociedade-
rede tornará cada subsistema funcional e desenvolveria autonomamente suas
próprias semânticas especializadas. Dessa forma, “cada subsistema constrói uma
imagem tematicamente diversificada do social, comprometendo toda composição
político-cognitiva de uma visão abrangente do social”.

36
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Sem ‘algo em comum’, que teria proporcionado à modernidade a garantia


e a possibilidade de uma vontade do coletivo. Um impasse não só para “as
expectativas de uma democracia extensível à sociedade, mas também ao próprio
conceito de ‘política’, provocando a perda de sentido da questão da política
informacional” (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 33).

Definidos à luz das formas modernas de soberania, os sujeitos


políticos da informação estariam sujeitos às mesmas questões e
tribulações dos grandes atores dos cenários modernos. Os sujeitos
informacionais e os contextos institucionais de ação, articulados
por ontologias classificatórias comuns, ofereciam um horizonte
antropológico constante que permitia traçar linhas de continuidade
entre as micropolíticas inscritas nos dispositivos de informação e
as macropolíticas que exprimiam conflitos e interesses em figuras
hegemônicas organizadas pelo Estado (GONZALEZ DE GOMEZ,
2002, p. 33).

As redes sociais de comunicação e informação acompanhariam,


simultaneamente, “em cada um de seus elos, momentos e configurações, uma teia
social singularizada por sua ancoragem no tempo e no espaço”, conforme infere
Maria Nélida González de Gómez (2002, p. 34). Existe, então, a dificuldade para
um observador que busca reconstruir a identificação dos sujeitos em ambientes
de redes, visto que a dificuldade é equivalente à de encontrar indivíduos e grupos
para o desenvolvimento de seus processos individuais de subjetividades dentro
dessas interfaces (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002).

Os ambientes de rede, por sua heterogeneidade, pela desativação


das formas prévias das vinculações social e discursiva e também pela
desconexão dos contextos já habituais das mensagens, nem sempre
respondem aos critérios de valor e aos procedimentos estabelecidos de
confiabilidade da informação, que foram constituídos nos diferentes
espaços sociais de práticas e interações comunicacionais (GONZALEZ
DE GOMEZ, 2002, p. 34).

Dessa forma, como consequência, a ausência de regras e padrões sociais e


valores explícitos, reconhecidos e aceitos pelos sujeitos envolvidos em um processo
de comunicação em redes, geraria uma nova forma de “anomia informacional.
Além disso, os novos cenários trariam a necessidade de revisão das categorias de
análises e dos procedimentos metodológicos.

Para tal, o conceito de ‘regime de informação’ passaria a designar o


modo de produção informacional dominante em uma formação social. Serão
definidos sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e
os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos
organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação
e distribuição.

37
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Um “regime de informação” constituiria, logo, um conjunto mais ou


menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais.
Informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de
diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e
organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes
usuários específicos ou públicos amplos. O regime de informação
não tem a configuração de um sistema de informação ou de um
“sistema de sistemas”. É uma morfologia de rede. Uma figura mais
ou menos discernível por suas zonas de desigual densidade e seus
planos agregados de fluxos e estruturas de informação, de desigual
estabilidade (GONZALEZ DE GOMEZ, 2002, p. 34).

Assim, um regime de informação é constituído, em cada caso, por


encadeamentos de relações pluridiversas, tais como:

a) Intermediáticas – que se referem à TV, jornais, conversas informais, Internet


etc.;
b) Interorganizacionais – ligadas à empresa, universidade, domicílios, associações
etc., e;
c) Intersociais – referentes a atores comunitários, coletivos profissionais, agências
governamentais etc.

Logo,

Um regime de informação pode considerar-se, logo, como equivalente


aos dispositivos de Foucault, destacando seu ser definido só por meio
de sua operacionalização. Nunca é plenamente constituído por uma
intenção a priori e carece, ao mesmo tempo, de uma neutralidade tal
que possa ser considerado um mero instrumento a receber, a posteriori,
um fim. As regras e o desenho de sua constituição operacional levam
as marcas das condições de sua emergência e realização – tecnológicas,
organizacionais, econômicas, culturais. Diferentemente do sistema,
o dispositivo é opaco, complexo, nada antecipa nem garante a
equifinalidade de suas partes (GONZALEZ DE GÓMEZ, 2002).

38
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UM EXEMPLO DE REGIME DE INFORMAÇÃO

Regime de Informação

Ação de
Atores Sociais Informação

Dispositivos de
Informação

Artefatos de
Informação
Atores Sociais Artefatos de Informação Fatores ou Relação Externa
Exemplos
Dispositivos de Informação Ação de Informação Interferência ou elo

FONTE: <[Link] Acesso em: 17 jun. 2019.

Com relação ao conceito de “regime de informação”, este demarcaria,


conforme González de Gómez (2002, p. 35), um amplo e exploratório domínio
onde a “relação entre a política e a informação ficaria em observação, permitindo
incluir tanto políticas tácitas e indiretas quanto explícitas e públicas, micro e
macropolíticas, articulando, em um plexo de relações por vezes indiscerníveis,
as políticas de comunicação, cultura e informação”.

39
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

LEITURA COMPLEMENTAR

Vamos reforçar o aprendizado sobre políticas públicas de informação?


Leia o texto a seguir:

ESTADO INTELIGENTE: BASE PARA CONSTRUÇÃO


DE POLÍTICAS

Marta Pinheiro Aun

No ambiente da “sociedade em redes”, Bourguinat (1998) propõe aos


estados uma economia que ele denomina de “moral” para que a esfera econômica
não venha afetar as aquisições institucionais obtidas pelas diferentes sociedades.
Para o autor, a revolução informacional, constituída pelo “trio mágico: informática-
telecomunicação-eletrônica”, potencializado pela multimídia, possibilitou uma
realidade inegável, a do processo de globalização.

Na prática dessa economia, ao invés de negar através de críticas a


globalização, esta deve ser encarada na forma como tem afetado cada estado em
sua individualidade e não de maneira única, global. Para o autor, como também
para Lojkine (1998) e Serfati (1999), o que não se pode aceitar seria a fatalidade
de um pensamento único, de uma única forma de se colocar no mundo. É como
se todos estivessem atrasados para um “grande acontecimento”. Para ele, não
são as nações ou estados a desaparecer, mas o pensamento único, tornando
irreconhecíveis. É como se pensar e agir politicamente se tornassem ações
“atrasadas” em relação a medir e a disputar reputação e credibilidade junto às
altas esferas financeiras da Tríade 2. O mundo abandona o construído. O discurso
da urgência substitui os pianos de longo prazo. O importante nesse ambiente do
“novo”, um novo que parece ter que vir pronto, sem processo de princípio, meio
e fim, é que os estados não percam a consciência da realidade.

Chesnais (1996) e Boyer (1998) alertam para a dificuldade dos estados


na coordenação dos espaços verdadeiramente de interesse de suas sociedades.
A perspectiva internacional direciona para a equação do lucro imediato,
competitividade e curto prazo, minando as possibilidades das perspectivas sociais
e culturais, da elaboração de conteúdos regionalizados, que exigem políticas de
longo prazo, principalmente em relação à informação.

Esses autores, reconhecendo a realidade da atual fragilidade dos estados,


consideram como primordial o estabelecimento de estratégias que permitam
a cada país estabelecer a sua margem de manobra nesse contexto tendendo ao
perfilamento ideológico.

Os Estados Unidos como nação soberana, ao contrário do que é pregado


pelo sistema neoliberal, o mercado como coordenador, continua tendo, na figura do

40
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

seu governo, a representação da força de poder e de decisão, como já foi apontado


por Cassiolato (1997). Quais seriam então as iniciativas para a preservação dos
territórios, sociedades, culturas, economias, identidades? Bourguinat (1998)
considera que para serem conservadas essas identidades seria necessário que
os estados aceitassem o dever de um inventário. Inventariar: quem somos e o
que podemos ser no contexto mundializado também denominado de sociedade
da informação. E assim ele fala da França: “Mesmo que isso venha a nos custar
muito, saibamos perder o que é acessório para conservar o que é essencial”. A
visão do que seja essencial é que parece rarefeita. Assim, o “inventário” deveria
ser iniciado pelos estados determinando seus objetivos em relação à sociedade da
informação. Para tanto, é necessário ao Estado conhecer as necessidades do seu
povo, as organizações dos seus funcionários e as escolas de seus alunos.

Na ambiência do mundo atual, muitas vezes parece que o estado, política


e poder são conceitos que vão se tornando peças de um jogo de adivinhação.
Programas, planos e objetivos governamentais são tomados por políticas ou
como ações de interesses políticos. O poder parece ser dado aos que correm
contra o tempo, o poder de atender à urgência. O estado parece ter se tornado
figura fragilizada, envolvido pela gama de movimentos imprevisíveis da esfera
econômica, sendo rotulado de ter se tornado máquina pesada e “inchada” até
mesmo por seus próprios governantes (ANDERSON, 1996). O poder não é mais
nomeado e até a tecnologia passa a ser detentora desse poder e responsabilizada
por todas as transformações. Como se encontram então essas peças institucionais
tão importantes: estado, política e poder?

A política constitui conceito claro e bem definido. Sua origem, a cidade


grega, a polis, significa a comunidade organizada de homens livres e o termo tem
em Aristóteles uma definição precisa: a arte e a maneira de conduzir os trabalhos
públicos, de regrar as relações entre os indivíduos e os grupos ou, dito de outra
forma, a arte de governar. Conforme apontado por Maille (1995), o estado
existindo há mais de dez séculos é produto do encontro da política e da história,
é a instituição das instituições e seu desenvolvimento advém de certo número
de elementos imprescindíveis: a) Um território, delimitado geograficamente. b)
Um meio militar e diplomático, pois sempre foi através de conquistas e tratados
que os estados ganharam suas extensões territoriais. c) Uma população. d) Uma
língua. e) Uma cultura que se liga à língua. f) Uma economia, um princípio para
garantir a subsistência da população e como forma de poder.

O poder foi definido por Heródoto a.c. como sendo a modalidade de


exercício da autoridade. Uma definição mais simples e elucidativa citada por
Maille (1995) é a capacidade de agir de um indivíduo ou de um grupo sobre
outro indivíduo ou grupo. O fim da bipolaridade política mundial e todas as
transformações econômicas mundiais foram substituídos pela penetração
de um capitalismo comum de contenção de gastos sociais e de equilíbrio pela
esfera econômica. Sua penetração encontrou no desenvolvimento das redes
tecnológicas instrumento possibilitador do processo de globalização. Uma

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UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

aparente homogeneização política acabou por camuflar a clareza do emprego dos


conceitos de estado, política e o conhecimento transparente da distinção entre
espaço público e espaço privado. O conhecimento do que era público em distinção
ao conhecimento do espaço privado torna-se cada vez menos perceptível no
mundo contemporâneo.

Alguns autores, como Foray e Lundvall (1996), afirmam que a tradicional


dicotomia entre conhecimento público e conhecimento privado tem se tornado,
portanto, menos relevante. Segundo eles, formas híbridas de conhecimento têm
sido colocadas social e politicamente não sendo nem completamente públicas
nem completamente privadas. Se o conhecimento e a competência estão sendo
desenvolvidos interativamente em redes, as mudanças podem ser vistas como
um mudar histórico, um processo de transformação social onde começamos a
perguntar sobre velhos atores com papéis e pontos definidos anteriormente no
bloco histórico para que possamos dimensionar o espaço da informação e do
conhecimento nesse novo tempo e sua relação com as atuais transformações do
estado e suas políticas, sobretudo de informação. Contemporaneamente, em lugar
de força ou poder do estado, fala-se de força econômica mundial determinada em
um espaço restrito pela competência científico-tecnológica e pela força oligopólica
financeira.

Koenig (1995) e Ianni (1996) assim afirmam e ainda consideram


que as formas de poder e os espaços de politização se transformam em um
espaço crescentemente despolitizado pelo enfraquecimento dos estados-
nação e esse poder hoje não está mais atrelado à figura do estado, mas ao
papel desempenhado pela informação e ao conhecimento pela emergência da
sociedade da informação.

Nos conceitos gramscianos, o estado enfraquecido assumido


representativamente por uma classe dominante quando não consegue cumprir
todos os papéis, principalmente o de condensador de forças dos coletivos,
estabelece, então, aparelhos de coerção (polícias, tribunais, normas, “regras de
mercado” opostos à construção hegemônica. Já o estado forte tem seu campo
de poder na legitimidade ativa das classes. O poder do estado legitimado pela
sociedade civil transforma uma sociedade política forte, não perdendo sua
representatividade junto à sociedade. Ao estado, cabe a decisão do saber, “o
saber prudente”. Seria o estado forte ou poderíamos nomeá-lo, na ambiência
informacional, de estado inteligente. A construção do conceito de conhecimento
se faz então à luz do poder do estado, que representa o próprio conhecimento, a
informação como realização da racionalidade, o consentimento ativo dado pela
sociedade civil, os “elos formados por interesses comuns através da informação”
(GÓMEZ, 1997), tendo um papel essencial no seio da superestrutura mundial.

Foucault (1995) relata o poder como uma realidade plural, não podendo,
portanto, ser classificado pela sua natureza ou essência e, portanto, ser
caracterizado universalmente (não hegemônico, portanto). O autor estabelece
que o poder não é único, globalizado e que na verdade ele pode ser percebido em

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TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

formas heterogêneas, diferenciadas, em constantes transformações. O poder para


Foucault é uma relação social e, por isso, constituído historicamente representando
a ação sobre a ação. Assim, o autor argumenta que o estado não pode ser
considerado como aparelho central e exclusivo de poder. O que existe é uma
articulação com diferentes poderes locais, específicos, anônimos, pertencentes
a uma única área de ação, a da instituição. A mecânica do poder se expande,
se difunde pela sociedade em formas moleculares caracterizadas, às vezes, por
micro ou subpoderes. Há uma forma funcional de troca de informações, sendo
estabelecidos hierarquias e valores, sanções normalizadoras. A informação passa
a ser então o dispositivo dos dispositivos, a instituição das instituições.

Já Latour (1994) atua em um processo de tradução das redes. Vê, no


estado, uma “criatura artificial”, composta de cidadãos que estão unidos na
aparência por uma autorização dada por alguém que representa, tendo o poder
da representação. A questão para ele reside no fato de a constituição moderna
inventar uma separação entre o poder científico encarregado de representar
as coisas, a natureza e o poder político encarregado de representar os sujeitos,
a sociedade. A competência da representação do sujeito fica com o estado.
A natureza fica como “estrangeira e até hostil”. Os erros causados são então
colocados na tecnologia, tecnologia que Latour vê como integrante da sociedade
dando estabilidade e durabilidade.

Para Latour, sociedade e tecnologia devem funcionar num programa


de ação e relação com momentos de separação e de ligação em associações e
desassociações contingenciais. Ligados ao estado aparecem o campo do poder
e o capital político e dentro do campo de poder está o capital da informação.
Mais englobante que o capital cultural, o conhecimento reconstitui as relações
sociais. O conhecimento deve ser mutável, passar por processos através de
cadeias de associações: um trabalho de rede, onde cabe o trabalho de tradução,
evitando a separação do mundo das coisas. Sociotécnicas, as redes para ele são
a representação que engloba também o científico e o político. A centralização do
poder informacional, para Latour, parece inviável. Os estados se subdividem
em microestados ou se aglutinam em blocos contemplando ora a técnica, ora a
sociedade. As redes estabelecem diferentes pontos de integração, permitindo
passar do local para o global e vice-versa. Segundo Latour, as redes, saindo de
sua clandestinidade, representarão governos, as técnicas.

Castells (1997) e Gómez (1997) veem a sociedade da informação como


uma sociedade em rede, onde múltiplas formas de poder estão representadas.
Propõe-se a visão de um estado que não se resuma em representar a única forma
de poder ou que apoie uma forma de poder anônimo que considere natural a
desintegração dos coletivos. Defendemos a presença forte de um estado que,
integrado à sociedade, a represente em uma rede mundializada. A rede como
“representação dos coletivos” divulga um estado legitimado pela sociedade
civil e em constante transformação, criando associações em ações heterogêneas e
desassociações em relações contingenciais de uma sociedade em transformação
despertada pela informação e pelo conhecimento.

43
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Estado como coordenador

Segundo Levy (1996), o poder da inteligência coletiva, acoplando a


inteligência individual à memória dinâmica dos coletivos, cria e modifica as
representações e a linguagem. Transforma e cria valores, modificando, deslocando.
O autor visualiza a possibilidade de um metamercado integrado, instrumento de
uma avaliação cooperativa distribuído à sociedade por ela mesma, onde o estado
deve representar com políticas dos coletivos.

Janni (1996), de forma menos otimista, diz que um poder anônimo se


instala na forma de um supersistema padronizador de formas de pensar e de
agir sem a consciência “inteligente” dos coletivos. No supersistema, o estado
é localizado como subsistema em relação ao sistema social enquanto sistema
político, estabelecendo seu vínculo através do estabelecimento de políticas, mesmo
que estas estejam em transformação. Estados sempre sofreram pressões externas
e internas interferindo em seu processo de construção política, políticas sempre
elaboradas em consonância com esses desafios. Hoje, os estados fragilizados,
vivendo um clima de incertezas, são o reflexo claro dos problemas. O problema
é que essas forças não podem ser aceitas pacificamente como “incontroláveis”
ou “naturais”. Assim, os governos convivem hoje com mudanças que não advêm
somente do seu interior.

Du Castel (1995) afirma que os governos têm cada vez mais dificuldade de
rivalizar com as potências transnacionais que desafiam toda a forma de controle
por parte dos estados no exercício de sua soberania nacional, sobretudo em relação
à comunicação. Para Diniz (1996), os estados são permeados por um sistema de
intermediação de interesses oligopolísticos que não garantem governabilidade,
criando gargalos nas políticas.

Sofrendo cobranças e pressões externas e internas, cabe ao estado, mais


que em outras épocas, o papel de coordenador e implementador. Dentre os
autores que não acreditam na falência dos estados, citamos Diniz (1996) que,
como tantos outros, vê o fortalecimento no uso da governance ou coordenação
como forma política dos novos tempos. “A capacidade governativa no sentido
amplo, envolvendo a capacidade de ação estatal na implementação das políticas e
na consecução das metas coletivas. É o conjunto dos mecanismos e procedimentos
para lidar com a dimensão participativa e plural da sociedade, o que implica
expandir e aperfeiçoar os meios de interlocução e administração do jogo de
interesses” (DINIZ, 1996). A eficácia da ação do estado não depende apenas da
capacidade de tomar decisões, mas de adequar as suas políticas a partir de arenas
de discussão e de negociação, implementando uma gestão articulada.

Diante das pressões internacionais que todos os estados têm sofrido, a


governance surge como forma de governar com maior flexibilidade, ao serem
descentralizadas funções e transferidas responsabilidades a parceiros sociais,
ampliando o “universo dos atores participantes”, sem que o estado tenha que
abrir mão de seus instrumentos de coordenação, controle e de supervisão, tendo

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TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

ainda o respaldo social para as suas ações externas (DINIZ, 1996). Os estados
procuram mudar internamente através de serviços públicos mais transparentes,
mais eficazes, menos rotineiros, em diálogo aberto com a sociedade. A importância
de um estado é conquistada pelas suas práticas sociais. A participação social
exige hoje uma comunicação direta. As redes podem tornar isso possível se os
objetivos forem claros e os interesses nacionalizados. De forma já generalizada,
seguindo a mão única do tecnomemado, vão acontecendo altos investimentos
sem uma seleção prévia das tecnologias mais apropriadas às necessidades da
sociedade. Assim, são estabelecidos planos de curto prazo, atendendo à urgência,
um selecionar único para municípios, empresas e instituições de ensino.

Influência da urgência

A questão da urgência está normalmente associada às TIs e é vista por


determinados autores com reserva. Giddens (1991) e Monnoyer-Smith (1998),
por exemplo, apontam que a representação do tempo, acelerada pelas técnicas,
seja uma das consequências da modernidade, influenciando sociedades e seus
governos a darem uma conotação obsessiva ao fator tempo. Isso, para Monnoyer-
Smith, vem gerando ao modelo ocidental de cultura temporal duas características
(i) o tempo agora é tomado como termo de eficácia e por eficiência. O autor
atribui essa particularidade à invasão da lógica de mercado em todas as esferas
da economia e da sociedade; (ii) a rapidez é encorajada e valorizada. A rapidez
de respostas e de ações passa a ser elemento da competitividade das empresas.

Como consequência da supervalorização do tempo, surge a ideologia da


urgência, que aparece claramente em nível político como uma forma de ação-
resposta às crises crônicas enfrentadas pelos governos. Quando não se fala nos
discursos em urgência, emergência, fala-se de atraso e sempre do atraso técnico
(gestão da técnica) ou de domínio da técnica (gestão técnica do sociocultural).
Monnoyer-Smith (1998) argumenta que a urgência vem para preencher um
vazio conceitual, próprio à transição e assim cita Aubert: “A urgência se presta a
dissimular a perda de significado que afeta nossas sociedades”(AUBERT, citado
por MONNOYER-SMITH, 1998).

Uma ilustração da evolução de urgência, da questão da temporalidade


na esfera política fica clara nos discursos dos primeiros ministros das maiores
potências da Europa. Para Monnoyer-Smith, assiste-se à emergência da temática
da urgência como garantia de legitimidade da ação política. O autor argumenta
que a urgência se coloca de forma obrigatória dentro do discurso político, para
assim o governo agir mais livremente em resposta à esfera econômica. Por outro
lado, a situação de “começo” é então apresentada como ruim, dramatizada pelo
discurso do atraso.

Numa situação colocada de urgência permanente, a lógica das ações rápidas


e planos de curto prazo vem justificar a substituição das políticas de longo prazo.
Da crise ao vazio social, cria-se a necessidade de ações urgentes apresentadas
dentro dos programas governamentais, de forma dominante e necessária. Agindo

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UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

dessa maneira, a garantia do desenvolvimento sustentável torna-se imprevisível.


Os estados, mesmo nos países desenvolvidos, têm-se tornado mais modestos
em suas atuações sociais. As cotas com a educação, saúde e segurança têm sido
menores. Seus governos encaram com naturalidade a fragilidade dos sindicatos
e sua perda do adquirido (LOJKINE, 1998). Sua capacidade de coordenação,
de governance fica comprometida. Evidentemente que o ritmo e a orientação do
desenvolvimento tecnológico dependem de decisões políticas, tanto públicas
como privadas.

Castells (1998) salienta o papel do estado: “O estado (bloqueia, aciona


ou conduz a inovação técnica) exerce um papel decisivo. Gera exprimindo
e organizando as forças sociais e culturais que prevalecem em determinado
momento e lugar. A técnica revela em grande parte a capacidade de uma
sociedade de se lançar no domínio tecnológico através das instituições sociais que
compreendem o estado. O processo histórico pelo qual produzo desenvolvimento
das forças produtivas define as características das técnicas e a maneira pela qual
acontecem as relações sociais” (1998). Sem sentido é pensar e aceitar o fim de
estados. Ao contrário, é preciso pensar e compreender sua nova formatação
ao tentar acompanhar as ondas de transformações da nova era da informação.
As intervenções institucionais sobre a técnica não vêm mais só do estado, mas
de centros de decisão públicos e privados. Mas sempre é o institucional, o
político é que determina o técnico. Sozinho, sem o patrocínio institucional, um
cidadão, uma pequena empresa, navegarão sem rumo pelas redes. Portanto,
para participar da sociedade da informação de forma mais positiva, exige-se,
acima de tudo, a construção de políticas nacionais que atendam aos interesses
sociais. Para a construção do novo quadro político, os estados parecem encontrar
importantes desafios. Experiências analisadas nos países da Europa ocidental
para a concretização dessa nova sociedade informacional fazem-nos acreditar em
possíveis vivências e experiências positivas observadas na Alemanha, França e
Reino Unido.

Políticas de informação: políticas emergentes na


sociedade da informação

A partir da década de 1950, num desenvolvimento originado nos estados


mais desenvolvidos do ocidente, tem início a construção de políticas de informação
voltadas para os desenvolvimentos científico e tecnológico, incentivadas pelos
estados que passam a promover a importância da ciência como modernizadora
da estrutura produtiva (SILVA, 1993).

O advento do Sputnik, que a URSS lança em 1957, surpreende os países


de pesquisa científica mais avançada. Para Cacaly (1990) e Browne (1997), esse
inesperado evento faz o governo dos Estados Unidos concluir que a informação
científica circulava mal mundialmente. Movidos pela carência e ineficácia, os Estados
Unidos iniciam uma política de informação científica e tecnológica de aspecto mais
abrangente. Essa política é explicitada através do documento Weinberg (nome do
relator do projeto), dando início a esse novo formato de construção política que

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TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

é divulgada pelo presidente Kennedy em 1963. No documento, a comunidade


científica e o governo são responsabilizados pela transferência de informações.
Esse relatório faz um alerta às principais comunidades científicas mundiais, que
passam, junto a seus governos, a estabelecer políticas de informação nas quais
o poder do controle da informação, responsável pelo desenvolvimento técnico-
produtivo, fica dividido entre os estados e a ciência ou a comunidade científica.

Até a década de 1990, na tentativa de melhorar a eficácia na transferência


de informações na Europa, a França, a Alemanha e o Reino Unido, embora tenham
adotado políticas nacionais diferentes, estabeleceram, como ponto comum, a
centralização das ações para a elaboração dessas políticas em um só órgão. A esses
órgãos cabia a responsabilidade do mapeamento da produção científica nacional,
gerando as fontes para o desenvolvimento de bases de dados referenciais,
além de outros recursos, instrumentos e serviços orientados a propiciar melhor
disseminação da informação, servindo de insumo à construção de indicadores de
modernidade.

No período que cobre as décadas de 70 e 80 do século XX, observa-se


um grande esforço de desenvolvimento das telecomunicações, da informática
e da eletrônica através de políticas implementadas que privilegiam essas
áreas, e bibliotecas brasileiras começam a sua automação. A emergência da
nova era é acelerada com a rápida difusão dos computadores pessoais e com a
expansão e desenvolvimento da interface das áreas de informática, eletrônica e
telecomunicações. Populariza-se, então, a expressão ‘sociedade da informação’ e
o mundo assiste ao movimento de uma nova forma de comunicação social, onde
a informação passa a ser disseminada através de redes que se expandem vindo a
afetar diretamente as esferas econômicas, políticas e sociais.

O processo de transformações tecnológicas e econômicas modifica a


sociedade mundial, a construção de suas políticas de informação, obrigando-
as a se reestruturarem. Dos diferentes países vem, então, a necessidade de
estabelecerem programas ou políticas nacionais de informação que contemplem
o estabelecimento de conteúdos regionalizados aliados ao desenvolvimento de
tecnologias informacionais e o estabelecimento de infraestrutura tecnológica
como condição básica.

Trabalhos da OCDE (1997) e do governo francês PAGSI (1999) explicitam


que, com a emergência da nova era informacional, economias e sociedades muito
têm a ganhar se souberem aproveitar essas oportunidades, mas que se torna
fundamental a todos os países a consciência de que o processo de integração
dependerá de uma série de fatores. Destacamos, então, a importância da educação
com novas possibilidades técnicas. Se bem utilizadas, empregando as novas
tecnologias informacionais, haverá um melhor nível de prestação de serviços
sociais, maior acesso à cultura, ao lazer e ao emprego.

Esses trabalhos, entretanto, alertam para o fato de que todos os ganhos


são dependentes da possibilidade de acesso a um novo sistema mundializado

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UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

que exige tecnologia de redes, domínio das tecnologias de informação. A


complexidade maior será sempre em relação ao acesso aos conteúdos pertinentes.
O cenário de construção de políticas de informação tem refletido o processo de
transformações em vigor.

Diversos autores, dentre os quais destacam-se Bowne (1997), Rowlands


(1997), Moore (1997), Cacaly (1990) e Du Castel (1997), argumentam que se
clareiem os conceitos básicos de política de informação e a abrangência dessas
políticas. Para os autores, é importante a explicitação de diferentes conceitos
sobre a abrangência da política de informação.

Em primeiro lugar, o conceito de política tem que ser diferido do conceito


de plano. O plano se traduz por um programa de atividades (informacionais no
nosso tema) dirigidas à construção das culturas de organizações, sejam públicas
ou privadas, numa operacionalização de estabelecimento de metas, linhas de
ação. As condições de elaboração e agentes responsáveis são direcionadas pelas
organizações ou instituições e não têm a obrigatoriedade de uma explicitação
legal. O plano possui um horizonte temporal mais curto por estar ligado
diretamente à operacionalização. Políticas são bem mais complexas. Abrangendo
uma temporalidade de longo prazo, são explicitadas através de leis, decretos ou
documentos aprovados por um governo em exercício, como forma de intervenção
de sua administração (MOORE, 1998).

Para Orna, política é o termo mais empregado para descrição de estratégias


ou metas governamentais, sendo também usado em referência às estratégias
usadas pelos setores público e privado e pelo setor das organizações em geral.
Para Harnon, Burgei e Braman, as políticas de informação referem-se ao processo
de transferência da informação, dentro de um contexto social que gera o ciclo de
vida da informação. Para E isenschitz (apud BOWNE, 1997), o mais importante é
o estabelecimento de mecanismos que garantam todo o processo de transferência
de informação, garantindo, ao final da cadeia, a assimilação da informação por
usuário, assegurando o acesso ao conhecimento. Já Moore, Meyriat, Kristiansson
e Orna atualizam seus conceitos de ambiência do processo global da sociedade
da informação, sugerindo as políticas de informação como uma resposta às
influências externas. Dentro desses conceitos, as TIs ganham maior importância
pela necessária conecção em redes.

Política de informação: movimento de transição

Rowlands (1996) afirma que grande parte do interesse atual pela política de
informação advém da ampla discussão sobre a necessidade de desenvolvimento
das infovias de informação. Segundo ele, dois fatores são responsáveis pelas
novas visões e experimentos em política de informação: a) a convergência de
mídias, tecnologias e serviços (conduzindo a mudanças no estabelecimento
de políticas e sistemas de regulação); b) a atual visão de que as políticas de
informação acarretam um potencial de contribuição positiva ao bem-estar social
e econômico no aproveitamento da potencialidade transformadora em ganhos de
produtividade e na melhoria da qualidade de vida.
48
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Segundo estudos de Weingarten (1989), hoje, há maior complexidade


envolvida na construção dessas políticas. Para ele, a questão fundamental é
equacionar efetivos compromissos com interesses competitivos. Cabe lembrar
que, no progressivo estabelecimento dessa nova era, o controle dos fluxos de
informação e do conhecimento representa crescentemente fonte importante de
poder. Argumenta-se, então, que a política de informação atual tem que ser
flexível, dinâmica, respondendo às circunstâncias de mudanças que ocorrem em
maior velocidade. O processo de construção política deve hoje considerar que o
novo cenário repleto de impactos e incertezas tem dificultado o estabelecimento
dos objetivos das políticas de informação, redimensionando os processos
políticos através de variáveis que podem ser conceitualizadas como dependentes
e independentes.

Considerando políticas de informação como variáveis independentes,


podem ser analisados o impacto e o êxito sobre outros planos e dimensões
de processos políticos mais amplos, como sociais, econômicos, educacionais.
Considerando como variáveis dependentes, sofrem as contingências da
ambientação mundial, não se limitando hoje às fronteiras nacionais, acarretando
a característica de aparente emergencialidade. Burger (1993) apresenta três níveis
hierarquizados de políticas de informação:

a) Política de infraestrutura: estabelece as cotas de emprego, concessões e


políticas de educação aplicadas à sociedade e em todo o seu contexto.
b) Política de informação horizontal: aplicação específica e impactos sobre o setor
de informação, como provisão estatutária de serviços de bibliotecas, formação
de coleções, leis de proteção de dados.
c) Política de informação vertical: aplicações para setores específicos de geração
e uso da informação, tal como a comunidade geográfica de informação.

Para Bowne (1997), no processo de transição, os países, ao buscarem espaço


na nova era da informação, necessitam de modelos que os ajudem a analisar de
forma mais ampla os fenômenos influenciados pelas mudanças no ambiente
tecnoeconômico-social global. Há, então, maior necessidade de valor crítico no
processo de construção de política de informação para melhor equilíbrio entre
os campos tecnológico e sociocultural, ou seja, entre o continente e o conteúdo.
Os pesos e medidas passam a ser outros, respeitando, principalmente, a vocação
da sociedade e das empresas de cada país. Sem a precisão de modelos que os
auxiliem a acompanhar tantas transformações de forma positiva, correm o risco
ao elaborarem programas emergenciais.

Hill (1995) adverte que os países devem ter consciência que o mais
importante das políticas de informação é que elas podem vir a minimizar barreiras
se proporcionarem o bom uso da informação ou penalizarem as sociedades, se
houver mau uso ou um mau emprego da informação. Assim, é muito importante
a seleção de conteúdos socioculturais que garantam qualidade da informação e
não só a quantidade, respeitando as especificidades.

49
UNIDADE 1 | POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO: CONCEITUAÇÃO, PANORAMA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

O autor, dando um enfoque mais industrial ao processo, destaca ainda


que as políticas devem trabalhar com quatro níveis de recursos (tecnologia
de informação; indústrias de informação; sistemas de informação e recursos
humanos), assegurados por programas intensivos de informação (ensino,
educação, pesquisa), programas de inovação, desenvolvimento de coleções,
tomada de decisão, controle de informação, informação econômica, produção e
invenção, distribuição e comercialização, administração de risco, coordenação,
processamento, administração, atividades governamentais, além de um programa
que acoberte todo o ciclo de vida da informação, desde a sua criação e produção
à distribuição e uso.

Complementando, Boyer (1998) assinala que os governos estão


excessivamente preocupados com as transações financeiras, esquecendo-se de que
se as políticas são bem estruturadas podem garantir as finanças e não o contrário.
Para satisfação do mercado financeiro, muitos países estão voltando atrás com
programas intensos e fundamentais nas áreas de educação, de saúde e segurança.
É a lógica do sistema capitalista, excluindo a maior força política de um país:
um povo educado, saudável e seguro, pondo em risco a formação de um povo
determinado politicamente pelo seu nível de conhecimento. A subordinação,
visando somente às transações econômicas do comércio eletrônico e à corrida às
bolsas, nas quais, como argumenta Chesnais (1996), “informações são vendidas
antes mesmo de existem”.

Hoje, o processo de construção de políticas de informação é, em toda a sua


complexidade, bastante diferente do que foi até o início da década de 70, quando,
seguindo um modelo pós-fordista, privilegiava os desenvolvimentos científico
e tecnológico através da sua sustentação informacional no desenvolvimento de
coleções e na criação de bases de dados especializadas, incluindo os conteúdos
por áreas de conhecimento. A diferença é que agora a orientação dessas políticas
volta-se para empresas, negócios, serviços comerciais, de educação, de saúde,
domiciliares. Busca-se, então, disponibilizar toda a informação em redes, com
segurança de qualidade, autenticidade e proteção dos direitos e das próprias
informações. “Estar disponível” ou produzido não garante a sua transformação
em conhecimentos tácitos. Portanto, as demandas de construção política em
seus múltiplos aspectos agora são outras e muito mais complexas. Exigem dos
indivíduos, empresas e instituições governamentais uma nova capacitação de
busca, a criação de conteúdos pertinentes e a definição do instrumental necessário
ao atendimento dessa exigência.

O desafio reside, então, no equilíbrio e na vontade explícita dos governos


em formarem cidadãos conscientes para participarem mais ativamente da
sociedade da informação, orientados politicamente para um mundo com maior
visão social, contribuindo para que o crescimento das atuais múltiplas formas de
pobreza não conduza o mundo a incontroláveis formas de barbárie.

50
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO

Moore (1996) e Browne (1997) alertam para o fato de que as políticas de


informação tenham sido realizadas sem fortes bases intelectuais que venham
dar suporte aos seus elaboradores, principalmente em relação à regulação e ao
tratamento dos conteúdos. Esses autores consideram que o campo de estudo na
área ainda é “novo” em relação às reorientações internacionais a serem submetidas
às especificidades socioculturais dos diferentes países.

Ainda é, portanto, necessária a sua integração aos estudos de ciências


políticas e de política internacional, tornando-se interdisciplinar para que não
se percam as orientações e o embasamento de outros processos anteriores de
construção política.

* Partes do texto foram retiradas visando tornar a leitura mais dinâmica


e acessível.

Para ler o texto na íntegra: AUN, Marta Pinheiro. Políticas públicas de


informação e desenvolvimento. In: PAIM, Isis. A Gestão da informação e do
conhecimento. Belo Horizonte: Escola da Ciência da Informação, 2003.

51
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Políticas públicas, o papel do Estado e suas implicações na sociedade atual têm


sido questões estudadas na Ciência da Informação.

• O estudo das políticas públicas tem buscado observar qual a lógica existente
entre o Estado e a Sociedade, identificando as relações existentes entre seus
atores e compreendendo as dinâmicas da ação pública.

• As políticas públicas são compreendidas como o “Estado em ação”.

• A política de informação se expressa para além do campo formal das leis e


dos regulamentos, incluindo práticas e ações informacionais de determinados
contextos, integrando sujeitos, instituições e interesses, cujas manifestações
nem sempre são reveladas por mecanismos formais.

• As políticas públicas são desenvolvidas para serem implementadas em


contextos específicos de informação. Também dependem dos diversos
segmentos e contextos comunitários para se desenvolverem no cotidiano das
pessoas.

• Os sistemas nacionais das informações científica e tecnológica não conseguem


ser expressos em um domínio que seja estável e transparente dentro de
instituições.

• A partir da década de 1970, os discursos sobre os sistemas nacionais de


informação científico-tecnológica enquanto algo do Estado passaram a ser
substituídos por um discurso focado na economia.

• Um dos carros-chefes da política norte-americana do governo Clinton foi o


programa da Global Information Infrastructure (GII), apresentado em 1994 na
reunião Internacional Telecommunication Union em Buenos Aires.

• Já na Europa, o documento “Europa e a Sociedade Global da Informação”,


também conhecido como Bangemann Report, foi apresentado na reunião de
1994 do Conselho Europeu, em Corfu. O documento, em forma de relatório,
refere-se à “revolução baseada na informação, expressão do conhecimento
humano”.

52
• Infraestrutura, conceito oriundo da ruptura de paradigmas, é genericamente
atribuída como um conjunto de instalações, recursos, meios que são requeridos
para que uma atividade, organização ou sociedade funcione.

• O conceito de ‘infraestrutura de informação’ se refere à “convergência das


tecnologias comunicação, telecomunicação e informática, tendo a Internet
como principal locus de realização dessa convergência.

• O conceito de ‘regime de informação’ passaria a designar o “modo de


produção informacional dominante em uma formação social. Serão definidos
sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e os
recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos
organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação
e distribuição”.

CHAMADA

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53
AUTOATIVIDADE

1 Considerando o Tópico 2, você aprendeu alguns tipos de Políticas Públicas


de Educação no contexto da gestão da informação. Dessa forma, responda
com verdadeiro (V) ou falso (F) as seguintes sentenças:

a) ( ) O Plano de Ações Articuladas (PAR) se refere a um sistema informatizado


de gerenciamento de informações desenvolvido visando à coleta
de informações para o município poder entender a sua rede escolar,
direcionar e acompanhar as ações de gestão e das práticas educacionais
do Programa de Alfabetização na Idade Certa – PAIC.
b) ( ) O Plano de Ações Articuladas (PAR) apresenta o detalhamento das
ações e subações selecionadas por cada estado ou município.
c) ( ) O Sistema Integrado de Gestão Educacional (SIGE) é o sistema de
gerenciamento de informações da Secretaria de Educação do Estado do
Maranhão-SEDUC.
d) ( ) Entre os tipos de políticas públicas para gerenciamento de informações
do campo da educação, encontram-se: Sistema Integrado de Gestão
Educacional (SIGE), Plano de Ações Articuladas (PAR) e o Sistema de
Acompanhamento das Ações do Paic (SAAP):

2 Conforme Gonzaléz de Gómez (2002), existem alguns fatos que demarcaram


a construção do campo das políticas de informação. Marque qual (is)
resposta (s) corresponde (m) a esses marcos.

a) ( ) Weinberg Report – que define o escopo e a abrangência de uma política


de informação e a UNESCO – com a realização de suas ações buscavam
o estabelecimento de um programa intergovernamental e cooperativo
visando à promoção e à otimização do acesso e do uso da informação.
b) ( ) A UNESCO, reconhecendo os desenvolvimentos científico e tecnológico
como pressupostos básicos para redução das desigualdades entre países,
incentiva não só a criação de bases e sistemas nacionais de informação,
como também a integração em nível internacional, principalmente da
América do Norte.
c) ( ) General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), atual Organização
Mundial do Comércio – OMC, demonstrou que existem grupos tanto
nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento que
estão plenamente conscientes da importância cultural e constitutiva da
informação, de seu processamento, fluxos e uso.
d) ( ) Actor Network Theory (ANT) observa os processos e as práticas
informacionais nos artefatos híbridos (atores humanos e não humanos)
através da mediação, esta que busca ressignificações do social numa
linguagem intersubjetiva.

54
3 Leia a passagem a seguir:

A ciência e a tecnologia encontram-se sob o domínio do Estado, o qual é


o responsável por organizar e definir quais as políticas de informação que serão
realizadas por ele, o agente privilegiado de sua elaboração e implantação. Em
países em desenvolvimento como o Brasil, ainda não há uma efetiva aplicação e
desenvolvimento de políticas de informação. Além disso, a convicção do papel
da informação no desenvolvimento de um mundo moderno não se mostrou
eficaz para a formulação de estruturas institucionais, informação científico-
tecnológica e em parâmetros tecnológicos e organizacionais (GONZÁLEZ DE
GOMÉZ, 2002).

Conforme a autora, os sistemas nacionais de informação científico-


tecnológica não conseguem expressividade em domínios que não sejam
estáveis e transparentes dentro das instituições. Dessa forma, marque qual o
motivo que a autora elenca para que isso não ocorra.

a) ( ) Isso ocorre, porque a informação ainda não se configura na sociedade


contemporânea como fenômeno estruturante e inter-relacional de
práticas sociais, políticas e econômicas dentro de uma coletividade, e
ainda incide diretamente na formação política de uma sociedade devido
à importância fenomênica na produção de novos conhecimentos.
b) ( ) Isso acontece porque a informação é objeto de políticas tácitas e
indiretas, ou porque o escopo e a abrangência dessas políticas quando
colocados juntos ao grande volume de políticas públicas são deslocados,
reformulados ou realocados conforme as prioridades dadas pela
conjuntura.
c) ( ) Isso ocorre por não ter sido desenvolvido um escopo teórico-conceitual
para a delimitação e compreensão do objeto da Ciência da Informação,
entendendo a informação como pragmática de ações de informação.
d) ( ) Isso ocorre por ser necessário um aporte conceitual da gestão
informacional visando às práticas de políticas de informação nas esferas
do Estado e do setor privado ou público em uma relação intrínseca de
gestão-informação-poder, considerando um envolvimento complexo
entre atores humanos e não humanos (sujeitos, dispositivos, artefatos,
ações, regras etc.).

4 Com base no material estudado, escreva o que você compreende pelo


conceito de infraestrutura definido por Maria Nélida González de Gomez
(2002).

55
56
UNIDADE 2

POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS


SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as políticas públicas, o papel do governo e os atores que o


compõem;

• entender como ocorre a análise de políticas públicas e os tipos de análises


de política;

• aprender os quatro modelos teóricos para compreensão das políticas


públicas;

• aprender noções de políticas públicas culturais e a evolução histórica


desde a Era Vargas até o governo Temer;

• conhecer o Sistema Nacional de Cultura (SNC), seu objetivo e princípios;

• estudar o Plano Nacional de Cultura (PNC), os eixos que o norteiam e seus


componentes.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade, você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.

TÓPICO 1 – ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE


POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS
DE POLÍTICAS PÚBLICAS

TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em


frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

57
58
UNIDADE 2
TÓPICO 1

ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E


DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS:
DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

1 INTRODUÇÃO
Como já foi estudado na unidade anterior, a origem e desdobramentos,
trajetórias e perspectivas das políticas de informação são importantes para ser
possível compreender o porquê de sua existência e qual seu papel na sociedade
contemporânea.

A política surge em forma de declarações gerais sobre as prioridades,


regulamentos, diretrizes, procedimentos, padrões ou regras. Em seu conceito mais
simples, a política pode se referir a um caminho de ação tomado para alcançar os
objetivos que se deseja em um determinado contexto, direcionando a tomada de
decisão de uma organização ou indivíduo (MACHAY; SHXTON, 2005).

A política pública é aquilo que o governo escolhe fazer ou não fazer. Trata-
se de uma decisão tomada pelo governo para agir ou não quando se quer resolver
um problema. A política pública é uma ação em curso que orienta uma série de
ações relacionadas em um determinado campo (MACHAY; SHXTON, 2005).

As políticas raramente lidam com um só problema, mas sim com


conjunto de problemas entrelaçados e de longo prazo. A política pública
fornece orientação aos governos e links de prestação de contas aos cidadãos.
Em alguns momentos, a tomada de decisão é regida por valores, em vez de se
basear puramente em dados objetivos. A maioria das questões tende a envolver
valores ou interesses profundamente arraigados, além de serem regidas por
grandes quantias de dinheiro, tornando o processo político algo complexo
(MACHAY; SHXTON, 2005).

Neste tópico, serão apresentadas as políticas públicas vinculadas aos


aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e educacionais. Além disso, serão
trazidos modelos de políticas públicas com base em teorias e estudos realizados.

59
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

2 POLÍTICAS PÚBLICAS E OS PAPÉIS DO GOVERNO E SEUS


ATORES
Nos Estados Unidos, a política pública é vista tanto como área do
conhecimento quanto disciplina acadêmica nascida nas universidades, sem
qualquer relação com as bases teóricas do governo e o papel do estado, tendo
como maior ênfase os estudos sobre as ações dos governos (SOUZA, 2006).

No período pós-guerra, a análise de políticas públicas como campo


disciplinar de estudos teve seu desenvolvimento potencializado, pois, por um
lado, havia a expansão das áreas de intervenção do estado, buscando a resolução
de problemas e exigindo informações sobre os mais diversos assuntos e setores
da sociedade. Por outro lado, nas universidades americanas era difundida a ideia
de desenvolvimentos do conhecimento e da informação, pois estes favoreciam a
governança, em especial, no que se referia às políticas públicas que visassem à
melhoria das condições de vida de cidadãos americanos (PARSONS, 1995 apud
ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Os cientistas sociais norte-americanos Harold Lasswell, Herbert Simon,


Charles Lindblom e David Easton são considerados os “fundadores” do
estudo das políticas públicas pelos trabalhos seminais desenvolvidos
por volta dos anos 50 (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 13).

Na Europa, a política pública nasceu a partir de trabalhos baseados em


teorias explicativas sobre o papel a ser desempenhado pelo Estado e pelo governo,
este último considerado produtor de políticas públicas por excelência (SOUZA,
2006). Conforme Souza (2006, p. 25), “as definições de políticas públicas, mesmo
as minimalistas, guiam o nosso olhar para o locus. Os embates em torno de
interesses, preferências e ideias se desenvolvem, isto é, os governos”. Para Araújo
e Rodrigues (2017, p. 12):

As políticas públicas, enquanto objeto de estudo, configuram, em


primeiro lugar, processos complexos e multidimensionais que se
desenvolvem em múltiplos níveis de ação e de decisão. Em segundo
lugar, envolvem diferentes atores – governantes, legisladores, eleitores,
administração pública, grupos de interesse, públicos-alvo e organismos
transnacionais –, que agem em quadros institucionais e em contextos
geográficos e políticos específicos, visando à resolução de problemas
públicos, mas também à distribuição de poder e de recursos.

Com relação a quem realiza as políticas públicas, pode-se dizer que elas
se originam a partir daqueles que possuem autoridade legítima para poder
impor diretrizes normativas para ação. As políticas públicas são realizadas por
funcionários eleitos – como ministros, por exemplo – que agem em parceria com
assessores de níveis superiores da administração pública. Os ministros ganham
o direito de articular políticas públicas e as autoridades não eleitas são obrigadas
a realizar a implementação de tais políticas por intermédio de programas
(MACHAY; SHAXTON, 2005).

60
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

O quadro de políticas públicas se refere a um amplo conjunto de políticas


regentes de ações de grupos e organizações. O vasto conjunto de políticas se
entrelaça e impacta no desenvolvimento de novas políticas e emendas de políticas.
A presença ou a ausência de uma política pública afeta outras esferas de políticas
dentro da sociedade (MACHAY; SHAXTON, 2005).

Existe um ciclo de políticas públicas, cujo processo é interativo e não


linear. Existem, atualmente, cinco fases principais que resultam nas políticas
públicas, a saber:

a) O surgimento de um problema que precisa de atenção do público e dos


tomadores de decisão.
b) Colocar o problema na agenda do governo para busca de uma solução;
c) Formular alternativas para a resolução do problema em questão;
d) Adotar uma política;
e) Implementar e avaliar uma política (MACHAY; SHAXTON, 2005).

A partir dos cinco passos, o pensamento sobre as políticas é organizado


e ordenado. Dentro do ciclo, encontra-se uma variedade de atores considerados
elementos-chave para o desenvolvimento de políticas em seus diferentes estágios.
Indivíduos, instituições e agências envolvidos no processo de estabelecimento
de políticas recebem o nome de atores. O governo é considerado como a única
entidade envolvida no processo de elaboração de políticas. É ele quem possui
o poder de financiar e de tomar a decisão final sobre o processo, no entanto, há
diversos atores que contribuem para a construção de políticas públicas. Nesse
sentido, são estabelecidos os atores que fazem parte do ciclo de políticas:

• Governo: possui o controle social do comportamento e poder de coerção;


• Gabinete: possui o monopólio sobre a oferta de legislação. É considerado o
lócus do poder onde poucas pessoas tomam decisões;
• Servidores públicos: atuam com o conhecimento técnico e assessoria política,
são aqueles considerados como prestadores de serviços;
• Partidos políticos: buscam desenvolver relações em troca de apoio político;
• Mídia: visa reportar informações ao público e gerar interesse, além de moldar
a opinião pública sobre o assunto;
• Grupos de interesse: visam antecipar os interesses dos membros, além de
terem uma grande influência na rede política de força;
• Sistema legal: considerado o intérprete das leis, atua de forma independente;
• Público: é aquele que elege governo, forma opiniões, junta grupos de interesse
e coligações. Ainda, depende da mídia para obter informações sobre o que está
acontecendo no país e no mundo (MACHAY; SHAXTON, 2005).

Quanto aos instrumentos de políticas, estes podem ser considerados


técnicas à disposição do governo, implementando os objetivos da política.
Depois que o problema é definido, as ferramentas são utilizadas visando alcançar

61
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

o resultado desejado. Exemplos de instrumentos de política utilizados são:


gastos, regulamentos, parcerias, troca de informações, tributação, licenciamento,
prestação direta de serviços, contratos e subsídios (MACHAY; SHAXTON, 2005).
Com relação aos objetivos desses instrumentos, os mesmos buscam:

• Proporcionar mudanças de comportamento nos indivíduos;


• Trazer condições sociais, políticas ou econômicas à população;
• Fornecer serviços ao público, conforme demanda (MACHAY; SHAXTON,
2005).

A escolha de instrumentos de política pelo governo é mais importante


que as ações realizadas no passado (instrumentos de política que o governo atual
usou no passado). No quadro político, outras restrições podem surgir, tais como
pressões financeiras, sociais, internacionais e culturais. Os tipos de instrumentos
de política disponíveis para o governo incluem:

• Doing nothing (Fazer nada): decidir não intervir. Pode não haver problemas,
restrições financeiras ou precedentes que façam com que o governo escolha
não fazer nada. Ou, o problema pode ser autocorretivo;
• Information-based (Baseado em informação): influencia as pessoas através
da transferência de conhecimento, comunicação e persuasão moral (o
comportamento é baseado em conhecimentos, crenças e valores). É o menos
coercitivo dos instrumentos;
• Expenditure-based (Baseado em despesas): o dinheiro é usado como um
instrumento direto para alcançar o resultado (doações, contribuições, vales
etc.);
• Regulation (Regulamento): os papéis do governo são comandar e proibir – o
instrumento/ferramenta mais utilizado. Define normas e comportamento
aceitável ou limita atividades;
• Acting directly (Agir diretamente): fornece um serviço direto para alcançar o
resultado (ao invés de trabalhar através de cidadãos ou organizações para
atingir metas). Exemplos incluem: educação, coleta de lixo, parques e recreação
(MACHAY; SHAXTON, 2005).

Quanto às influências, os instrumentos de política utilizados pelos


governos estão agora sendo influenciados por:

• Governo e governança: os instrumentos de políticas financeira e regulatória


são limitados dentro de um novo ambiente de governança (aumento nas redes
de políticas);
• Influência internacional: política ambiental, tributação e política fiscal estão
agora sujeitas à pressão internacional (MACHAY; SHAXTON, 2005).

62
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

3 ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS


Iniciada no início da década de 1960, nos Estados Unidos, a análise de
políticas públicas visa colocar em pauta tanto a política quanto a política pública,
procurando conhecer e descrever as ações do governo e também analisar e
prescrever as políticas públicas. A análise de política visa diminuir problemas
sociais por intermédio do aperfeiçoamento na formulação e na implementação de
políticas públicas (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). Busca ainda, entender o porquê
e para quem uma política foi criada, e não só olhar o conteúdo em si de tal política
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).

A análise de políticas públicas – compreendida como uma ciência social


– originou-se de duas vertentes de interesse: a) a partir das dificuldades que as
pessoas idealizadoras e elaboradoras de políticas tinham frente à complexidade
dos problemas; e b) a atenção dada por pesquisadores e acadêmicos em ciências
sociais que buscavam estudar questões relacionadas às políticas públicas visando
à aplicação do seu conhecimento na resolução de problemas concretos no setor
público (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).

A partir do movimento de políticas públicas – que buscava soluções


para as falhas ocorridas na administração pública –, as agências governamentais
passaram a inserir, em seu quadro de funcionários, analistas políticos que
possuíam como objetivo utilizar de técnicas e práticas que visassem, por exemplo,
analisar os custos e os benefícios, orçamentos de programas e análises de impacto
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).

Na ciência política, o estudo de políticas públicas está centrado no


poder e suas relações, assim como nos processos de aquisição dos recursos de
poder, processos de participação no poder, competição e nas alianças realizadas
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

A análise das políticas públicas partiu das bases teóricas trazidas da ciência
política, assim como da economia, psicologia, sociologia, história e estudos das
organizações. O campo de estudos é considerado específico e pluridisciplinar, que
abre espaços para o desenvolvimento de novas teorias (pensando a longo e médio
prazo), de políticas públicas, permitindo a compreensão dos modos e regras para
o funcionamento da ação pública. Além disso, a partir dessa compreensão, são
analisadas as continuidades, as rupturas e os processos de seu desenvolvimento
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Assim, é preciso demonstrar como ocorre a lógica da ação pública, além


das continuidades e rupturas dentro das políticas públicas, as regras para o
seu funcionamento, a afetação de recursos e o papel e a interação de atores e
instituições nos processos políticos (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

63
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

A análise de políticas públicas trouxe benefícios para o desenvolvimento


de quadros teóricos, conceitos e disciplinas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017). Ruas
(2014, p. 20) afirma que a análise de política possui como objetos “os problemas
com que se defrontam os formuladores de política (policy makers), auxiliando o
seu equacionamento”.

Para Estevão e Ferreira (2018), existem diferentes tipos de análises de


política e a escolha de qual análise será utilizada dependendo do analista que
desenvolve. Entre os tipos de análise estão:

a) Estudo do conteúdo das políticas públicas: o analista investiga como


determinada política surgiu, foi implementada e quais os resultados obtidos a
partir de sua implementação;
b) Estudo da elaboração das políticas: é a atenção dada para questões que fazem
parte das influências na formulação de políticas;
c) Estudo dos resultados das políticas: este visa identificar porque gastos e
serviços são variáveis em diferentes áreas, buscando compreender as políticas
no que se refere aos fatores sociais, econômicos, tecnológicos etc.
d) Avaliação de políticas: procura identificar os impactos das políticas sobre a
população;
e) Informação para elaboração de políticas: busca organizar os dados para
auxiliar os elaboradores de políticas na tomada de decisão;
f) Defesa do processo de elaboração da política: os estudos são focados no
melhoramento dos processos de elaboração de políticas e a máquina do
governo;
g) Defesa de políticas: o analista defende a adoção de ideias e opções no processo
de elaboração de políticas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Como objetivo, a análise de políticas públicas visa tornar a ação pública


um objeto de estudo, visto como uma “caixa preta” do sistema político.

FIGURA 1 – MODELO DE SISTEMA POLÍTICO

FONTE: Estevão e Ferreira (2018, p. 170)

64
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

No sistema político, são evidenciados os inputs (entradas) e os outputs


(saídas). As entradas são as demandas e apoio (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). As
demandas se referem a ações de sujeitos e grupos de indivíduos na busca por
recursos, visando suprir seus interesses.

Quanto aos exemplos de demandas, estas podem ser bens e serviços,


como saúde, educação, estradas, transporte, segurança pública etc. Com
relação ao apoio, este pode ser de ações, como pagamento de taxas, o ato
de votar, apoio a um partido político, respeito à autoridade de governantes
etc. (ESTEVÃO; FERREIRA, 2018). Depois de serem processadas, as entradas
teriam como resultado as respostas em forma de decisões políticas ou da
própria política pública. O sistema se retroalimentaria com essas saídas
(ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).

O processo político é um processo que visa equilibrar as diferentes


soluções para os diferentes aspectos de um grupo de problemas. Uma política
possui três elementos-chave: uma definição de problema, metas a serem
atingidas e os instrumentos de política para abordagem do problema. A política
pode ser caracterizada como formal ou informal. A política formal pode ser um
documento político planejado que foi escrito, discutido, revisado, aprovado
e publicado por um órgão responsável para formulação de políticas. Pode ser,
por exemplo, um plano nacional do governo para a promoção da leitura e da
biblioteca. Uma política informal é aquela que pode ser considerada uma prática
geral não escrita, mas amplamente reconhecida ou uma compreensão dentro de
uma organização de que determinada ação tem um curso a seguir. Desse modo,
mesmo que a política informal não esteja explicitada de forma escrita, ela ainda
existe na prática (MACHAY; SHAXTON, 2005).

Para Estevão e Pereira (2018), existe uma questão importante a ser


observada na análise de políticas públicas, que é a relação entre as tomadas de
decisões, as decisões tomadas, a estrutura da instituição e a distribuição de poder
no Estado e sociedade. Nesse sentido, o analista precisa estudar o processo de
elaboração de políticas para levantar questões sobre o papel do Estado, além
de questões sobre a distribuição de poder entre diversos grupos sociais na
sociedade contemporânea (HAM; HILL, 1993 apud ESTEVÃO; FERREIRA, 2018).
O levantamento realizado pelo analista deve explorar três diferentes níveis de
análise:

a) O funcionamento da estrutura administrativa;


b) O processo de decisão;
c) A relação entre o Estado e a sociedade.

A partir desses três níveis, são indicadas as relações políticas com os atores
envolvidos.

65
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

QUADRO 1 – NÍVEIS DE ANÁLISE DE POLÍTICAS

Níveis de análise de políticas


1º Nível
Funcionamento 3º Nível
2º Nível
da estrutura Relações entre Estado
Processo de decisão
administrativa e Sociedade
(institucional)
O segundo nível busca explicar
o funcionamento institucional O terceiro nível busca a
e as características da política. compreensão, a partir do
Quando a análise está
Dessa forma, são pesquisadas conhecimento do modo
direcionada ao processo
as relações que se estabelecem de produção capitalista,
de decisão no interior
entre esses atores-chave e os do porquê das relações
das organizações e nas
grupos externos, além das se estabelecerem entre as
relações ocorridas.
relações de poder, coalizações várias porções do Estado
de interesse, formação de com a sociedade.
grupos etc.
É o que se pode
É o nível da aparência É o nível dos interesses dos
denominar como nível
ou superficial. atores.
da essência ou estrutural.

FONTE: Adaptado de Estevão e Ferreira (2018)

DICAS

Para compreender mais sobre políticas públicas e o ciclo de políticas públicas,


assista às partes 1 e 2 dos vídeos do Prof. Leonardo Secchi, da Universidade do Estado de
Santa Catarina.
O QUE SÃO POLÍTICAS PÚBLICAS?
Entrevista Leonardo Secchi
Parte 1

FONTE: <[Link] Acesso em: 8 out. 2019.


CICLO DE POLÍTICAS PÚBLICAS: O que é? |

66
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

Entrevista Leonardo Secchi


Parte 2

FONTE: <[Link] Acesso em: 8 out. 2019.

4 MODELOS TEÓRICOS PARA COMPREENSÃO DAS


POLÍTICAS PÚBLICAS
A seguir, serão apresentados os quatro modelos teóricos para compreensão
do processo e problemas das políticas públicas, a saber:

a) o modelo sequencial ou do ciclo político;


b) o modelo dos fluxos múltiplos;
c) o modelo do equilíbrio interrompido e;
d) o quadro analítico das coligações de causa ou de interesse (ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017).

4.1 MODELO SEQUENCIAL OU DO CICLO POLÍTICO


(POLICY CICLE)
No modelo, as políticas públicas são entendidas como resultado de
um processo desenvolvido por etapas em um ciclo político que se repete. O
importante é compreender os modos da ação pública, demonstrar continuidades
e as rupturas, assim como as regras de funcionamento específicas das políticas
públicas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

O modelo foi proposto por H. Lasswell no fim da década de 1950. O


autor propôs uma análise estruturada do processo político, incentivando a sua
decomposição em fases sucessivas, relacionadas entre si seguindo uma forma
lógica e sequencial.

67
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

O modelo foi criado a partir da abordagem sistemática trazida por Easton,


que visava à construção do modelo Policy Cycle (também conhecido como modelo
das etapas), propondo que as políticas públicas possam ser analisadas enquanto
um resultado de um ciclo político desenvolvido por etapas. Na proposta de
Lasswell, as fases do modelo possuem contributos decisivos para a criação de um
mapa de conceitos para a orientação da análise das políticas públicas: informação,
promoção, prescrição, inovação, aplicação, conclusão e avaliação (ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017).

Enquanto objetivo, o modelo possibilita a exploração e investigação do


processo de políticas públicas visando reduzir sua complexidade. Assim, a ação
pública é “analisada como um processo sequencial e inacabado que se repete
e reconstrói, em resultado de mudanças induzidas por efeito de feedback das
próprias políticas públicas, ou por alterações do contexto ou da relação entre os
atores e instituições” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 18).

Já na década de 1970, Charles O. Jones (1984) desenvolveu uma classificação


contendo 10 etapas, a partir daquela já realizada por H. Lasswell. As etapas eram:
percepção do problema, agregação, organização, representação do público-alvo,
agendamento, formulação, orçamentação, concretização, avaliação, ajustamento
ou conclusão (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Embora muitos outros autores tenham sugeridos etapas, ciclos, fases ou


sequências, Araújo e Rodrigues (2017) destacam quatro etapas que são comuns
em todas as propostas:

a) Definição do problema e agendamento: referem-se ao contexto e ao processo


de emergência das políticas públicas.
b) Formulação das medidas de política e legitimação da decisão: referem-se aos
processos de tomada de decisão e de elaboração de argumentos que expliquem
uma ação política, objetivos e estratégias para a resolução de problemas, de
escolha de alternativas além de mobilização das bases de apoio político.
c) Implementação: refere-se ao processo de fomentação de recursos institucionais,
organizacionais, burocráticos e financeiros para a concretização de medidas
de política.
d) Avaliação e mudança: referem-se aos processos de acompanhar e avaliar os
programas de ação e das políticas públicas, visando seus impactos e efeitos, a
distância para alcance dos objetivos e metas (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Entretanto, o modelo sequencial ou do ciclo político tem recebido críticas


por se basear em uma metodologia restrita de análise que acaba por criar uma
visão artificial do processo político (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

68
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

4.1.1 Metáfora dos fluxos múltiplos (Multiple Streams


Framework)
John Kingdon desenvolveu o modelo analítico Multiple Streams em sua
obra “Agendas, Alternatives and Public Policies” (2003). Nas obras, o autor explica
como problemas se transformam em problemas políticos (ARAÚJO; RODRIGUES,
2017). Em outras palavras, “como uma ideia se insere no conjunto de preocupações
dos formuladores de políticas, transformando-se em uma política pública?”
(CAPELLA, 2005, p. 2). Para o autor, as políticas públicas são um conjunto de
quatro processos que englobam: “o estabelecimento de uma agenda de políticas;
a especificação de alternativas a partir das quais as escolhas vão ser realizadas;
a escolha dominante entre o conjunto de alternativas disponíveis” (CAPELLA,
2005, p. 2) e, por fim, a implementação da decisão.

FIGURA 2 – LIVRO AGENDAS, ALTERNATIVES, AND PUBLIC POLICIES, DE JOHN KINGDON

FONTE: <[Link]
page_1_thumb_large.jpg>. Acesso em: 15 jul. 2019.

Em seu modelo, Kingdon (2003) se preocupa com dois processos chamados


pelo autor de estágios pré-decisórios: a formação de agenda (agenda-setting) e a
especificação (policy formulation) (CAPELLA, 2005).

69
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Nem todas as questões presentes na sociedade podem se tornar problemas


políticos que precisam de intervenção do governo. Somente alguns deles chegam
de fato a captar a atenção do público e dos políticos e, assim, são inseridos na ação
pública. No modelo de análise, é procurada a resposta para as seguintes questões:

a) Por que os decisores políticos prestam atenção em um determinado assunto


em detrimento de outros?
b) Como e por que se alteram as agendas políticas ao longo do tempo?
c) Como os decisores políticos selecionam as soluções para aqueles problemas
dentre um conjunto vasto de alternativas? (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Assim, o autor do modelo utiliza uma metáfora e três conceitos centrais


para a sua elaboração, a saber: comunidades políticas, empreendedores políticos
e a janela de oportunidade política. O primeiro conceito engloba investigadores,
deputados, funcionários públicos, grupos de interesse, analistas e membros
que se preocupam com um determinado tema ou problemas e que constroem e
difundem ideias em diferentes fóruns.

O segundo conceito é constituído de atores específicos atuantes na


mediação e negociação de processos de agendamento; e o terceiro conceito
se refere à janela que se abre quando convergem a percepção pública dos
problemas (fluxo dos problemas), o conhecimento de soluções técnicas e
políticas adequadas aos valores dominantes (também chamado de fluxo de
políticas) e as condições de governação (conhecidas por fluxo da política). Esses
três fluxos confluem no sistema político, utilizando regras e dinâmicas próprias
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

O modelo de Kingdon foi inicialmente pensado para analisar políticas


públicas na área da saúde e na área de transportes do governo norte-americano.
Posteriormente, tornou-se referência para estudos voltados para a análise da
formulação de políticas do governo. A agenda governamental – definida como
um conjunto de assuntos, os quais o governo e pessoas ligadas a ele focam sua
atenção por um determinado momento – é onde são colocados os temas de
interesse para a criação de políticas públicas. Os temas só são inseridos na agenda
governamental após passarem pela agenda decisional, onde são decididos quais
os temas ou questões que serão discutidas ativamente pelos formuladores de
políticas. No modelo de Kingdon, a mudança na agenda governamental é o
resultado da convergência dos fluxos dos problemas (problems), das soluções ou
alternativas (policies) e das políticas (politics) (CAPELLA, 2006).

70
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

FIGURA 3 – O FLUXO DO MODELO DE KINGDON

PROBLEM STREAM POLICY STREAM POLITICAL STREAM


(Fluxo de problemas) (Fluxo de soluções) (Fluxo político)

Indicadores; Viabilidade técnica; "Humor nacional";


Crises; Aceitação pela Forças políticas
Eventos focalizadores; comunidade; organizadas;
Feedback de ações. Custos toleráveis. Mudanças no governo.

OPORTUNIDADE DE MUDANÇA
(Windows)
Convergência dos fluxos
(coupling) pelos empreendedores
(policy entrepreneurs)

AGENDA - SETTING

Acesso de uma
questão à agenda.

FONTE: Capella (2005, p. 12)

Ainda com relação aos fluxos, o quadro a seguir demonstra como Kingdon
aborda cada um dos três fluxos.

71
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

QUADRO 2 – RELAÇÃO DOS FLUXOS DOS PROBLEMAS, DAS POLÍTICAS E DA POLÍTICA

FLUXO DE PROBLEMAS FLUXO DE POLÍTICAS FLUXO DA POLÍTICA

Kingdon aborda os problemas como Composto pelo conjunto Respeita a dimensão política que
construções sociais estabelecidas por de alternativas e soluções segue um curso independentemente
intervenção de atores – comunidades disponíveis, geradas no dos problemas e das soluções
políticas – nos processos das políticas interior das comunidades políticas. O autor inclui neste fluxo
públicas. políticas. Para explicar a três feixes de variáveis decisivas
forma como são geradas para alteração ou influência no
as alternativas no interior processo de agendamento:
das comunidades políticas,
Kingdon utiliza a metáfora
da “sopa primordial”
(primeval soup).
- O sentimento nacional (national
Estabelece uma distinção entre Ideias fluem no interior mood), que caracteriza como
questões e problemas políticos, das comunidades (policy “situações em que um grande
considerando que uma questão primeval soup), algumas número de pessoas num país
– definida como uma situação tornam-se proeminentes partilha ideias comuns […]. O
socialmente percebida – só se enquanto outras sentimento nacional sofre mudanças
transforma num problema quando desaparecem, em resultado no tempo, de uma forma perceptível,
os decisores políticos consideram de um processo evolutivo e essas mudanças têm importantes
que deve ser encontrada uma de amadurecimento, em imp actos nas agendas e nos
solução para a questão. Atendendo que as ideias se confrontam resultados políticos” (KINGDON,
ao grande número de questões e e se combinam das mais 2003, p. 146).
à impossibilidade material dos variadas formas: eventuais – As forças políticas organizadas,
decisores de lidarem com todas elas, consensos decorrem de onde os atores centrais são os
a emergência de um problema é processos de persuasão e partidos políticos e os grupos
condicionada por mecanismos que de difusão de ideias. As de interesse. A percepção que
contribuem para que a atenção dos alternativas de solução não os decisores têm da forma como
decisores se centre em determinadas decorrem necessariamente esses atores se inter-relacionam
questões em detrimento de outras. da prévia identificação é de importância crucial para o
Esses mecanismos são indicadores, e percepção política desenvolvimento das políticas.
eventos, crises, símbolos e feedback dos problemas; o autor – As mudanças governamentais
da ação política. afirma inclusivamente (governmental turnover),
A construção de argumentos, que muitas vezes as nomeadamente mudanças
baseados em dados e informações, soluções são construídas de ciclo político, remodelações
a elaboração de narrativas sobre e só posteriormente são e reconfigurações de governos
as causas dos problemas e as identificados os problemas. e parlamentos, mudanças nas
respetivas soluções, a difusão desses Não obstante a importância hierarquias da administração,
argumentos e informações fazem crucial que Kingdon confere sendo a mudança de governo o
parte da atividade das comunidades às ideias e à existência de fator mais propício à ocorrência de
políticas, que são mais ou menos alternativas tecnicamente alterações na agenda política. Ao
fragmentadas, integrando uma viáveis, considera que estas contrário do que acontece no fluxo
diversidade de pontos de vista e não representam, só por das políticas, em que o consenso é
de ideias. Também os organismos si, um fator gerador do produto de processos de persuasão
internacionais desempenham neste agendamento (ARAÚJO; e difusão, no fluxo da política os
processo um papel importante. A RODRIGUES, 2017). consensos são construídos através
definição dos problemas constitui uma de intensos processos negociais e
etapa fundamental, determinando o pelo estabelecimento de coligações
sucesso da ação política (ARAÚJO; (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).
RODRIGUES, 2017).

FONTE: Araújo e Rodrigues (2017, p. 21-22)

72
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

O modelo Multiple Streams diferencia dois conjuntos de atores:

a) Conjunto de atores visíveis – também chamados de visible cluster: são mais


“expostos à pressão e atenção pública, incluindo o governo, o parlamento e os
membros da administração” com poder de decisão.
b) Conjunto de atores invisíveis – ou hidden cluster: grupos de interesse,
pesquisadores, burocratas, acadêmicos, partidos políticos e opinião pública
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

No modelo, cada conjunto utiliza recursos diversos e distintos. O conjunto


de atores visíveis irá dispor de uma autoridade formal e de prerrogativas legais
concedidas pelo próprio estatuto. Já os atores invisíveis detêm maior controle
sobre as alternativas e as soluções disponíveis. O modelo Multiple Streams
tem sido “objeto de propostas de alteração e de introdução de novos fatores
e mecanismos de análise, ultrapassando limitações apontadas” (ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017, p. 23).

4.1.2 Modelo do equilíbrio interrompido (Punctuated


Equilibrium Theory)
O modelo foi desenvolvido por Frank Baumgartner e Bryan Jones.
É constituído com base no princípio: “os processos políticos são geralmente
caracterizados por estabilidade e incrementalismo, pontuados ou interrompidos,
ocasionalmente, por mudanças de larga escala” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p.
24). Estabilidade se refere àquela que caracteriza a maioria das áreas de política,
embora as crises dentro do meio também ocorram. Assim, compreender o que é
o processo político significa analisar as condições de estabilidade e, ao mesmo
tempo, verificar as condições de mudança (TRUE; JONES; BAUMGARTHER,
2007, p. 155-156 apud ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 22).

No modelo, os autores Frank Baumgather e Bryan Jones tinham como


objetivo constituir uma abordagem que explicasse as descontinuidades ou
interrupções das políticas. “A teoria do equilíbrio pontuado procura explicar
uma observação simples: os processos políticos são, muitas vezes, guiados por
estabilidade e incrementalismo, mas às vezes produzem também mudanças em
grande escala” (BAUMGARTNER; JONES, 1999, p. 97).

Propõem, então, uma metodologia que combinasse estudos qualitativos


de políticas públicas com estudos quantitativos e longitudinais, seguindo as
mudanças de políticas em grandes períodos de tempo. Trazem o conceito de
imagem política, que se refere à forma como a política é percebida e discutida
e os processos de mudança nas políticas públicas são realizados. Definem
a imagem política como ideias que permitem que os problemas e as soluções
sejam compreendidos e comunicados de forma simples e partilhados por uma
comunidade (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

73
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Quando uma imagem é largamente partilhada e aceita, constitui-


se como monopólio político. Os monopólios políticos mantêm o
equilíbrio e a estabilidade dos sistemas. Quando há divergências em
relação a uma imagem, os defensores de ideias diferentes podem
conseguir desestabilizar o monopólio. Imagens políticas alternativas
são desenvolvidas com base em dois tipos de componentes: (1)
informações e dados empíricos e (2) apelos emotivos (ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017, p. 24).

Além disso:

As policy images são desenvolvidas com base em dois componentes:


informações empíricas e apelos emotivos (tone). O tone é considerado,
pelos autores, um fator crítico no desenvolvimento das questões,
uma vez que mudanças rápidas no campo dos “apelos emotivos” da
imagem podem influenciar a mobilização em torno de uma ideia. A
imagem criada em torno da potência norte-americana é um exemplo
desse tipo de situação: enquanto predominava uma imagem associada
aos progressos econômico e científico, existia um policy monopoly.
No entanto, a partir do momento em que ameaças de segurança e
degradação ambiental apareceram, houve, pois, um esgotamento
do monopólio. Novas imagens podem atrair novos participantes
(ou afastá-los), bem como criar oportunidades para promover
determinadas questões (ou desencorajar) (CAPPELA, 2006, p. 40).

Assim, o modelo intitulado “Punctuated Equilibrium” defende que no


interior dos subsistemas políticos que são processados os problemas e toda a
informação disponível. Os subsistemas políticos são, assim, entendidos como
mecanismos que permitem ao sistema político assegurar o ‘processamento
paralelo’ (parallel processing) de grandes volumes de informação diversificada
(ARAÚJO; RODRIGUES, 2017).

Assim, o modelo é percebido como uma nova ferramenta para olhar as


políticas públicas, explicando os longos períodos de estabilidade que caracterizam
a ação pública e também as rápidas e explosivas mudanças que pontuam o
equilíbrio, elegendo os subsistemas políticos como arranjos institucionais e
garantindo a estabilidade, onde as ideias ocupam um lugar essencial (ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017).

Com relação às limitações do modelo, a metodologia utilizada permite


a identificação de associações existentes, mas não identifica as relações causais
entre as agendas da opinião pública, das arenas políticas com os resultados das
políticas. Em um segundo momento, a outra limitação se refere ao fato de que o
modelo negligencia a capacidade que os decisores políticos possuem de formatar
as decisões de acordo com as suas preferências (JOHN, 2013 apud ARAÚJO;
RODRIGUES, 2017).

Assim, a imagem política é central “não só para a definição de problemas,


mas também para a seleção de soluções no modelo proposto pelos autores,
devendo, assim, ser considerada no contexto institucional em que é desenvolvida”
(CAPPELA, 2006, p. 40).

74
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

4.1.3 Quadro teórico das coligações de causa ou de


interesse (Advocacy Coalition Framework – ACF)
O modelo Advocacy Coalition Framework – ACF (Modelo de Coalizão de
Defesa) foi criado na década de 1980 por Paul Sabatier e Jenkins-Smith e tem sido
uma das mais importantes alternativas para refletir sobre o processo político. O
modelo busca a compreensão da formulação e dos padrões de mudanças ocorridos
nas políticas públicas a partir de uma perspectiva temporal de uma década ou
mais. Orienta-se pelo entendimento de que as políticas públicas nas sociedades
contemporâneas são complexas, englobam conflitos de metas, importantes
disputas técnicas, diversos atores e os mais variados níveis governamentais.

E
IMPORTANT

Há diversas traduções possíveis para Advocacy Coalition Framework (ACF):


modelo das coalizões de advocacia; modelo das coalizões de defesa; enquadramento das
coalizões de advocacia; e enquadramento das coalizões de defesa.

O Modelo ACF propõe-se, em um primeiro momento, a encontrar


uma alternativa ao modelo heurístico das etapas, que dominava o campo de
estudo das políticas. Em um segundo momento, buscava sintetizar os melhores
contributos das abordagens top-down e bottom-up, e por fim, visava incorporar
informações técnicas nas teorias do processo político (ARAÚJO; RODRIGUES,
2017). Dessa forma, seu objetivo foi explicar, de forma coerente, os principais
fatores e dinâmicas que afetam o processo político.

Com relação às características do modelo, podem ser destacados a “inserção


de crenças, valores e o papel da aprendizagem política como importantes conceitos
no processo de construção de mudanças nas políticas públicas” (SABATIER;
JENKINS-SMITH, 1993 apud VICENTE; CALMON, 2011, p. 2).

Coalização de defesa é definida como “pessoas de diversas posições


(representantes eleitos e funcionários públicos, líderes de grupos de interesse,
pesquisadores, intelectuais etc.) que (i) compartilham determinado sistema de
crenças: valores, ideias, objetivos políticos, formas de perceber os problemas
políticos, pressupostos causais e que (ii) demonstram um grau não trivial das
ações coordenadas ao longo do tempo” (SABATIER, 1988, p. 139 apud VICENTE;
CALMON, 2011, p. 2).

75
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

O que aglutina uma coalização de defesa é o compartilhamento de crenças


de seus membros sobre os assuntos políticos fundamentais. Em outras palavras,
são os sistemas de crenças que irão determinar a direção que uma coalizão dará
a um programa ou política pública (WEIBLE; SABATIER, 2009 apud VICENTE;
CALMON, 2011).

Após a formação das coalizações de defesa, estas irão traduzir suas


crenças compartilhadas em políticas públicas ou programas governamentais, e
assim, mobilizarão recursos políticos e participarão de processos contínuos de
aprendizagem política, como o policy-oriented learning (também chamado de
aprendizado orientado à política pública) (SABATIER; JENKINS-SMITH, 1993
apud VICENTE; CALMON, 2011).

As ações e interações feitas são importantes na formulação de políticas


públicas. Assim, o espaço ou o ambiente onde essas interações ocorrem é chamado
de subsistema de políticas públicas. Esses subsistemas são descritos como um
conjunto de atores (individuais ou coletivos) de várias organizações públicas,
privadas ou da sociedade civil (ONGs) em um determinado espaço geográfico
que está ativamente preocupado com uma questão de política pública específica,
buscando influenciar as decisões naquele domínio (SABATIER; JENKINS-SMITH,
1993 apud VICENTE; CALMON, 2011).

Existem, conforme os autores Sabatier e Jenkins-Smith (1999, p. 118-120),


cinco pressupostos básicos do ACF:

(i) a compreensão dos processos de mudança política e o papel da


aprendizagem política requerem uma perspectiva ampliada de tempo
(uma década ou mais); (ii) a unidade de análise mais útil para o
estudo dessa mudança é por meio de subsistemas políticos; (iii) esses
subsistemas têm que incluir a dimensão intergovernamental; (iv)
políticas públicas – ou programas – podem ser conceituadas da mesma
maneira por sistemas de crenças; e (v) o papel central das informações
técnicas e científicas no processo de mudança política, facilitando o
aprendizado político.

76
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

FIGURA 4 – DIAGRAMA DO MODELO ACF


Parâmetros
relativamente
estáveis do
sistema
1. Atributos Estruturas de
básicos da área oportunidade
do problema das coalizões SUBSISTEMA DE POLÍTICAS
2. Distribuição (longo prazo) PÚBLICAS
básica de 1. Grau de
recursos consenso COALIZÃO A Policy brokers COALIZÃO B
naturais necessário • crenças políticas agentes • crenças políticas
3. Valores para mudança • recursos negociadores • recursos
socioculturais substancial
fundamentais 2. Abertura
e estrutura do sistema
social. político Estratégia Estratégia
4. Estrutura Instrumentos de Instrumentos de
ação da coalização Decisões de ação da coalização
constitucional autoridades
básica (regras) governamentais

Eventos Regras institucionais, alocação de


externos reursos e indicações para cargos públicos
(Dinâmicos)
1. Mudanças
nas condições Limitações e
socieconômicas recursos dos Produção das políticas públicas (Outputs)
2. Mudanças na atores do
opinião pública subsistema
3. Mudanças (curto prazo)
nas coalizações
governamentais Impactos das políticas públicas
4. Decisões
políticas e
impactos
de outros
subsistemas

FONTE: Vicente e Calmon (2011, p. 4)

O modelo ACF apresentado possui, do lado esquerdo, dois conjuntos de


eventos exógenos. Os Parâmetros relativamente estáveis do sistema são considerados
um conjunto bastante estável e os Eventos externos são o conjunto mais dinâmico.
Ambos afetam “as restrições e oportunidades dos atores dentro do subsistema”
(VICENTE; CALMON, 2011, p. 4). Do lado direito, encontra-se “a dinâmica dos
componentes internos do subsistema político, ocorrendo a dinâmica do policy-
oriented learning (fatores cognitivos). A mudança na política pública é interpretada
como uma função tanto da competição no interior do subsistema quanto da
influência dos eventos exógenos” (VICENTE; CALMON, 2011, p. 4).

77
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

QUADRO 3 – DESCRIÇÃO DOS ELEMENTOS COMPONENTES DO DIAGRAMA DO ACF

Eventos exógenos ao subsistema que afetam as mudanças


Os parâmetros relativamente Os eventos externos (Dinâmicos):
estáveis: Externamente ao subsistema, Os eventos externos ao subsistema são
colocam-se os parâmetros relativamente variáveis consideradas mais dinâmicas do que
estáveis do sistema como: os parâmetros estáveis, pois podem apresentar
mudanças no decorrer de uma década ou mais.
Os eventos externos ou choques incluem:
a) Os atributos básicos da área do
problema ou bem, objeto de uma a) Amplas mudanças nas condições
determinada área de política socioeconômicas e na opinião pública
pública (características-chave desse que podem afetar substancialmente um
problema ou bem e necessidades subsistema a ponto de enfraquecer os
de intervenção estatal sobre o pressupostos causais que justificam a atual
mesmo); política pública ou podem alterar o suporte
b) Distribuição básica de recursos político à determinada coalizão. São fatores
naturais: a abundância ou carência mais permeáveis a mudanças, especialmente
de recursos naturais disponíveis no espaço de uma década ou mais.
em uma sociedade condicionam Abrangem também os eventos externos.
suas possibilidades de desenvolver b) As mudanças nas coalizões governamentais,
diferentes setores econômicos e pois alterações nos padrões políticos
determinam a viabilidade das partidários são fundamentais no desenho
opções de políticas públicas. das coalizões,
c) Valores socioculturais fundamentais c) As decisões políticas e impactos de outros
e estrutura social: significativas subsistemas, e essa variável é importante
mudanças no poder, na influência porque os subsistemas são parcialmente
e nos recursos financeiros de autônomos. As decisões e impactos de
vários grupos sociais normalmente outros subsistemas são elementos dinâmicos
requerem diversas décadas. Para que afetam um subsistema específico. A
muitos grupos de interesses, os influência dos fatores exógenos é mediada
recursos políticos, ou mesmo a falta pelo grau de consenso necessário para
deles, mudam muito lentamente a mudança na política, pelo grau de
no tempo e os atores dentro de abertura do regime político, bem como
um subsistema devem levar isso pelas limitações e recursos dos atores do
em conta na formulação de suas subsistema.
estratégias de curto e de médio De uma forma geral, os eventos políticos
prazo. ou econômicos exógenos ao subsistema são
d) Estrutura constitucional das essenciais para que agências governamentais
regras básicas do sistema político, alterem sua posição em direção às coalizões
extremamente difíceis de serem concorrentes. Isto é, os subsistemas não
alteradas (VICENTE; CALMON, são imutáveis ante os eventos externos. Os
2011). subsistemas operam dentro de um ambiente
político mais amplo e são definidos por
parâmetros relativamente estáveis e eventos
externos. Além disso, são constrangidos pelas
estruturas de oportunidade de longo prazo
das coalizões, pelas restrições de curto prazo,
pelos recursos disponíveis aos atores do
subsistema e pelos eventos de outro subsistema
político (FENGER; KLOK, 2001 apud VICENTE;
CALMON, 2011).

78
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

Eventos internos ao subsistema

É no âmbito interno do subsistema que são gerados os programas ou políticas


públicas (policy outputs) que frequentemente incorporam elementos ou princípios
defendidos por diferentes coalizões. Esses policy outputs são resultados dos processos de
interação das coalizões no âmbito do subsistema na Figura 4, e decorrem de mudanças
nas regras institucionais e de alocação de recursos impostas pela coalizão vencedora.
Nesse sentido, cada coalizão detém determinado conjunto de recursos e opta por
estratégias específicas, influenciadas pelo sistema de crenças, para atingir seus objetivos
políticos (VICENTE; CALMON, 2011).

Sabatier e Jenkins-Smith apontam uma série de instrumentos, em tese, disponíveis


para atuação das coalizões. Uma coalizão pode tentar influenciar direta e indiretamente
as decisões das agências administrativas governamentais, apelando para os tomadores
de decisões nos planos legislativo, executivo, judiciário ou intergovernamental. São
exemplos de atuação direta sobre decisões relativas à regulação e orçamento e outras
políticas específicas: persuadir agentes públicos por meio de testemunho; a troca de
pessoas, dentro de agências e instituições governamentais, o que afeta os recursos
políticos de uma coalizão e sua capacidade de influenciar decisões coletivas relativas aos
parâmetros da política pública; tornar públicos pela mídia os gaps de desempenho da
agência governamental; providenciar relatórios de pesquisa; oferecer estímulos, como
propinas ou ofertas de futuros empregos. São exemplos de atuação indireta por meio
dos dirigentes políticos: conduzir revisão sistemática das regras da agência; alterar
indicações políticas; caminhar para o litígio; tentar mudanças na legislação; tentar
mudanças no orçamento da agência; mudar as preferências políticas pela via eleitoral;
e influenciar a opinião pública e, por decorrência, os tomadores de decisão (VICENTE;
CALMON, 2011).

Geralmente, a implementação desses instrumentos de ação, visando à alteração


de programas e/ou políticas públicas, provoca conflitos pela incompatibilidade entre
as ideias e as crenças das coalizões concorrentes. Em regra, a resolução desses conflitos
não é tarefa simples, pois esses atores percebem o mundo por meio de lentes distintas
e também frequentemente interpretarão as peças das evidências de forma diferente
(VICENTE; CALMON, 2011).

Para isso, existe internamente ao subsistema a categoria dos policy brokers


(mediadores), constituída por burocratas, parlamentares, juízes de cortes, promotores
de Justiça e, mesmo, o conjunto de cidadãos no exercício do voto, que podem atuar
no sentido de se chegar a acordos razoáveis que reduzam a intensidade de conflito
entre as coalizões no âmbito do subsistema e geralmente tentam não ser membros das
coalizões. São atores com algum poder para fazer com que compromissos entre coalizões
competidoras sejam assumidos e ocorram de fato (VICENTE; CALMON, 2011). No caso
brasileiro, podem ser claramente visualizados como um papel assumido pelo Ministério
Público (GURGEL, 2007 apud VICENTE; CALMON, 2011).

79
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Sistemas de crenças

Os “sistemas de crenças” têm a


As políticas públicas são
função dupla de moldar uma perspectiva
conceituadas como sistemas de crenças
normativa para fundamentar a interpretação e
(beliefs systems). Políticas públicas
o discernimento de soluções (diagnóstico) em
incorporam teorias sobre como atingir
relação a certos fenômenos percebidos. Estes
determinados objetivos, portanto,
“sistemas de crenças” são, assim, importantes
envolvem valores, problemas que
porque (i) em geral as ações humanas são
devem receber as mais altas prioridades,
orientadas pelo sentido e porque (ii), na prática
relações causais e percepções da
política, a persuasão é um fator central para
magnitude dos problemas e da eficácia
justificar o acesso ao poder e legitimar aqueles
dos instrumentos de intervenção. A
que estão no poder (VICENTE; CALMON,
possibilidade de relacionar crenças
2011).
e políticas públicas oferece melhor
condição de análise da influência de
vários atores no tempo.

80
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

O sistema de crenças é O modelo apresenta hipóteses


organizado conforme uma estrutura relativas à estrutura das coalizões e de seus
hierárquica tripartite, disposta segundo sistemas de crenças, às mudanças políticas
o grau decrescente de resistência às e ao aprendizado político entre as coalizões.
mudanças (VICENTE; CALMON, 2011):
• Hipótese de coalizão (relativas às coalizões
• Núcleo duro (deep core) – axiomas de defesa): são baseadas na premissa de
normativos e ontológicos que seu principal elemento aglutinador
fundamentais. São exemplos de é a concordância sobre crenças do núcleo
crenças integrantes do núcleo político. Essas hipóteses postulam que os
duro (deep core): as concepções grupos de aliados e os de oponentes num
sobre a natureza humana, as dado sistema permanecem estáveis durante
prioridades relativas a valores períodos de até uma década ou mais. O ACF
fundamentais como direito à vida, pressupõe que está essencialmente no núcleo
dignidade da pessoa humana, político (policy core) o consenso necessário
liberdade, segurança, poder, para a existência da coalizão. Discorda que
conhecimento, saúde, amor, beleza, crenças específicas sejam, na prática, mais
e outras, os critérios básicos de relevantes do que crenças abstratas. Os
justiça distributiva, a identidade aspectos instrumentais são entendidos como
sociocultural etc. (VICENTE; componentes mais negociáveis no âmbito do
CALMON, 2011). subsistema (VICENTE; CALMON, 2011).

• Núcleo político (policy core) - • Hipóteses de mudança (relativas às mudanças


posições mais importantes sobre na política pública): postulam que uma
a política pública, concernentes política pública tende a permanecer por
às estratégias básicas, às opções tanto tempo quanto permanecer no poder
programáticas e à teoria de ação a coalizão que a criou, tida como coalizão
para se atingir os valores do deep core dominante. Segundo essas hipóteses, a única
no âmbito do subsistema. Colocam- maneira de mudar os atributos do núcleo
se no núcleo político (policy core) político de uma política governamental
preceitos normativos essenciais, numa dada jurisdição é por meio de algum
como a orientação sobre prioridades evento originado fora do subsistema, capaz
valorativas básicas e a identificação de alterar substancialmente a distribuição de
de grupos sociais ou outras recursos políticos ou os pontos de vista das
entidades cujo bem-estar é objeto coalizões no âmbito desse subsistema. Mas,
de maior consideração, bem como após alguns ajustes de redação, deixou-se
preceitos com componente empírico claro que perturbações externas constituem
substancial, como os referentes causa necessária, porém não suficiente,
a: causas básicas do problema, para alterações nos atributos fundamentais
distribuição adequada de autoridade de um programa governamental e que as
entre o governo e o mercado e entre autoridades governamentais, em certos
os diferentes níveis de governo, casos, têm poder para revisar os programas,
prioridades entre os diferentes mesmo sem mudanças na situação de
instrumentos de política pública, dominância entre coalizões (VICENTE;
preferências políticas de destaque CALMON, 2011).
(policy core, policy preferences) etc.
(VICENTE; CALMON, 2011).

81
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

• Aspectos instrumentais (secondary • Hipóteses de aprendizado (relativas


aspects) - decisões instrumentais, as ao processo de aprendizado
medidas e as informações necessárias orientado às políticas públicas):
para implementar o policy core. A maior
aplicam-se às condições conducentes
parte das preferências concretas em
termos da política pública está inserida
à aprendizagem política entre
no nível dos aspectos instrumentais sistemas de crenças, ou seja, entre
Assim, são exemplos de crenças do nível coalizões. Baseando-se na premissa
dos aspectos instrumentais: preferências de que as coalizões resistem às
políticas de menor destaque; crenças de mudanças em seu núcleo político ou,
menor amplitude referentes à seriedade mesmo, em aspectos instrumentais
de aspectos específicos do problema importantes de seus sistemas de
em locais específicos ou à importância crenças, esse grupo de hipóteses
relativa de fatores causais em diferentes defende que apenas evidências
momentos e locais; decisões sobre
empíricas bastante sólidas podem
alocação de recursos orçamentários;
interpretação de normas; informações
conduzi-las a rever pontos de vista
sobre o desempenho de programas ou (VICENTE; CALMON, 2011).
instituições específicas etc. Mudanças
nesse nível são relativamente fáceis.
É no nível dos aspectos instrumentais
que está a maior parte do policy making
administrativo e mesmo legislativo
(VICENTE; CALMON, 2011).

FONTE: Vicente e Calmon (2011, p. 6-8)

DICAS

Quer estudar mais sobre os modelos de análise de políticas públicas? Leia o


artigo a seguir!
FONTE: ALMEIDA, Lia de Azevedo; GOMES, Ricardo Corrêa. Processo das políticas públicas:
revisão de literatura, reflexões teóricas e apontamentos para futuras pesquisas. Caderno
[Link], Rio de Janeiro, v. 16, n. 3, 2018. Disponível em: [Link]
v16n3/[Link]. Acesso em: 10 jun. 2019.

82
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

LEITURA COMPLEMENTAR

Para conhecer um estudo sobre política pública e ações de incentivo à


leitura, recomenda-se a leitura do texto a seguir:

POLÍTICAS PÚBLICAS E AÇÕES DE INCENTIVO À LEITURA


PROMOVIDAS POR ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS SOB A
ÓTICA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

Adam Felipe Ferreira


Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio
de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília.
E-mail: [Link]@[Link]

Íris Marques Tavares Sardelari


Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio
de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília.
E-mail: irismtavares@[Link]

Claudio Marcondes de Castro Filho


Doutor em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo – USP
Professor do curso de Biblioteconomia e Ciências da Informação e da
Documentação da FFCLRP/USP e do Programa de Pós-Graduação em Ciência
da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquita Filho" – UNESP, campus de Marília. E-mail:
claudiomarcondes@[Link]

Contextualização: A descoberta da imprensa possibilitou o acesso a obras


literárias e à informação, antes restritas aos detentores do poder, como ordens
religiosas, reis ou nobres. Entretanto, os altos índices de analfabetismo ainda eram
uma barreira para que cada vez mais pessoas tivessem acesso à informação. Até
meados do século XX, metade da população brasileira ainda era analfabeta, mas
o estabelecimento de políticas públicas e ações da iniciativa privada contribuíram
para mudar esta realidade.

Objetivo: O objetivo deste artigo é discorrer sobre políticas públicas


e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais, no
âmbito de suas estratégias de responsabilidade social, que contribuíram para a
mudança dessa realidade. Metodologia: por meio de uma pesquisa de natureza
exploratória e qualitativa, elaboramos uma revisão da literatura com o objetivo
de apresentar as políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura, bem como, com
base no ranking da Revista Fortune das maiores empresas, escolhemos as sete
empresas brasileiras constantes desse ranking para demonstrar o que elas têm
feito para incentivar a leitura no Brasil.

83
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Resultados: No âmbito das políticas públicas de incentivo à leitura, no


período de 2006 a 2010, verificou-se que a cadeia do livro passou a ser valorizada
enquanto negócio rentável; houve a instalação de grandes grupos editorias e apoio
de organismos internacionais como OEI, UNESCO, entre outros. A partir de 2012,
os incentivos públicos se concentraram em ações mais descentralizadas, como
realização de reuniões, seminários e encontros. No âmbito das ações de incentivo
à leitura da iniciativa privada as sete organizações estudadas apresentaram ações
específicas voltadas ao incentivo à leitura.

Conclusão: As ações da iniciativa privada juntamente com as políticas


públicas desenvolvidas e implementadas no Brasil ainda acontecem de forma
muito tímida, comparadas com a realidade desta sociedade, que possui em sua
grande maioria indivíduos com dificuldades e limitações para a escrita, leitura e
reflexão.

Palavras-chave: Políticas Públicas. Responsabilidade Social. Leitura.

Introdução

Ao longo dos anos, a Sociedade tem sido denominada principalmente


de acordo com os seus insumos econômicos. Quando sua base econômica era
a Agricultura, foi denominada de Sociedade Agrícola. Durante a revolução
industrial, passou a ser denominada de Sociedade Industrial. Na Terceira Onda,
como sua base econômica é a informação, recebeu o nome de Sociedade da
Informação ou ainda Sociedade do Conhecimento, dentre outros termos.

Na atualidade, a informação configurou-se como elemento fundamental,


assumindo ao longo dos anos um importante papel na vida das pessoas, estando
presente de maneira intensiva em todos os aspectos e em todos os momentos
de forma exaustiva. Nessa sociedade, a informação se configura como um
insumo capaz de proporcionar uma transformação social. Mas, para isso, o
desenvolvimento da competência em informação nas pessoas é essencial, pois
não significa somente garantir o acesso à informação, mas ensiná-las a utilizá-la
e aplicá-la ao seu contexto social. A capacidade de leitura, vinculada ao universo
da informação, se configura, então, como uma competência essencial para que
se consiga utilizar a informação em toda a sua potencialidade, pois quando os
indivíduos não possuem a capacidade de ler e, assim, não têm acesso à informação,
torna-se difícil formar cidadãos de fato e de direito.

Diante disso, esse artigo tem como objetivo discorrer sobre políticas
públicas e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais,
no âmbito de suas estratégias de responsabilidade social. Para isso, por meio de
uma pesquisa de natureza exploratória e qualitativa, elaboramos uma revisão da
literatura com o objetivo de apresentar as políticas públicas voltadas ao incentivo
à leitura, bem como, com base no ranking de 2015 das 500 maiores empresas
segundo a Revista Fortune, escolhemos as 7 empresas brasileiras constantes desse
ranking para demonstrar o que elas têm feito para incentivar a leitura no Brasil.

84
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

Além disso, o tema desse artigo se justifica, pois, apesar da obtenção de


avanços, como a diminuição do índice de analfabetismo, que passou de 50% em
1950 para 6% em 2011, o índice de livros lidos por ano no Brasil ainda é baixo, de
apenas 3,1, conforme pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, edição de 2011.

Informação e Leitura

Terceira Onda, Era da Informação ou Sociedade da Informação, Sociedade


em Rede, Sociedade do Conhecimento, Sociedade da Aprendizagem e Economia
Informacional são alguns termos usados para descrever uma nova Era, marcada
por grandes mudanças (COUTINHO; LISBÔA, 2011).

Nessa Sociedade, seu insumo econômico principal é a informação, que,


além de levar à criação de riquezas e prosperidade, proporciona a inclusão social,
isto é, a cidadania. Corroborando-se a isso, para Bourdieu (1998 apud HOLANDA;
OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2013), o acesso à informação é capaz de dividir uma
sociedade entre aqueles que possuem mais ou menos informações.

Belluzzo (2014) afirma que somente os acessos à informação ou ao


conhecimento não são suficientes, mas deve-se saber qual o uso e significado
da informação para saber entendê-la e disseminá-la. Assim, a utilização da
informação pressupõe o desenvolvimento nos indivíduos da Competência em
Informação (CoInfo), um:

[...] processo contínuo de interação e internalização de fundamentos


conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais
à compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da
fluência e das capacidades necessárias à geração do conhecimento
novo e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades
ao longo da vida (BELLUZO, 2005, p. 38).

A capacidade de leitura, vinculada ao universo da informação, se


configura, então, como uma competência essencial para que se consiga utilizar a
informação em toda a sua potencialidade, ou seja, Castro Filho e Romão (2011, p.
137) sustentam que “os gestos de leitura sempre se apoiam em saberes e dizeres
já falados antes, sendo que ao leitor cabe renegociar o já-sabido com o texto/livro/
enunciado que tem em mãos”.

De acordo com Castro Filho (2008, p. 83), “as leituras são essenciais no
início do desenvolvimento intelectual do sujeito, e o entreter da leitura direciona
do mágico para o real, que tem como base principal, informar, independente dos
suportes que se pode oferecer”.

Para Manguel (1997), na análise que elabora da maneira de ler de Santo


Agostinho, relata que “tomando do livro uma ideia, uma frase, uma imaginação,
ligando-se a outro texto preservado na memória, amarrando o conjunto com
reflexões próprias, produzirá na verdade, um texto novo de autoria do leitor”.
“Leitores inferem, deduzem, completam vão e voltam, “levantam a cabeça” (como

85
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

bem disse Roland Barthes), rabiscam, subvocalizam, aumentam ou diminuem o


ritmo” (RIBEIRO, 2011, p. 100).

Nesse aspecto, a leitura passa a contribuir para a formação do indivíduo


como uma atitude positiva, de reconhecimento de novas possibilidades, de
interpretação do material conhecido e de descobrimento de novos caminhos para
entender e interpretar a leitura. A descoberta da imprensa possibilitou que mais
pessoas tivessem acesso aos textos, que, devido aos pouquíssimos exemplares das
obras, tinham acesso restrito, pertencendo aos detentores do poder à época, como
ordens religiosas, reis ou nobres. Apesar de junto com a revolução mercantil, que
marcou o início da modernidade, ter começado a ascensão da burguesia e do
regime político democrático, permitindo o acesso de mais pessoas a essas obras,
ainda assim poucas pessoas tinham acesso aos livros, devido aos altos índices de
analfabetismo.

Retratos da Leitura no Brasil

Criado em 2006 pelas entidades do livro Abrelivros, CBL e SNEL, o


Instituto Pró-Livro (IPL) tem como objetivo o fomento à leitura e à difusão do livro
no Brasil. Em 2011, o IPL foi o responsável pela elaboração da terceira edição da
Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que evidencia o comportamento do leitor
no país desde 2000, ano de realização da primeira edição da pesquisa. Além de
demonstrar o comportamento do leitor, a pesquisa também mede a intensidade,
forma, motivação e condições de leitura da população brasileira, bem como traça
o perfil dos leitores de livros digitais, além de avaliar a percepção dos usuários de
bibliotecas públicas (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2012).

Em relação aos conceitos, em 2011, a pesquisa definiu como leitor aquele


que declarou, no ato da pesquisa, ter lido pelo menos um livro nos últimos três
meses. E, não-leitor aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos
três meses. Dessa forma, o índice de leitura tem como referência a leitura dos
últimos três meses anteriores à pesquisa (INSTITUTO PRÓLIVRO, 2012).

A partir da segunda edição (2007), realizada pelo recém-criado Instituto


Pró-Livro, a pesquisa adotou uma metodologia desenvolvida pela UNESCO e
pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), com o objetivo de orientar
as pesquisas sobre leitura realizadas na América Latina. Com isso, a pesquisa
buscou alcançar um padrão internacional de medição a fim de comparar a questão
da leitura nos países da região.

Considerando-se as diferenças metodológicas entre as edições, visando


apresentar uma comparação entre elas, o IPL, em 2011, separou na 3º edição da
pesquisa para estudo em cada amostra um grupo com o mesmo perfil: população
acima de 15 anos, com no mínimo 3 anos de escolaridade, que leu pelo menos 1
livro nos últimos 3 meses. Os resultados desta comparação constam da Tabela 1.

86
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

TABELA 1 – Comparação 2000-2007-2011 da quantidade de livros/ano lidos no período de 3 meses

FONTE: Instituto Pró-Livro (2012, p.73)

Os dados mostram que o índice de leitura piorou da segunda (2007) para a


terceira edição (2011) da pesquisa, passando de 3,7 para 3,1 quantidade de livros
lidos por ano. Além disso, ao analisar o índice considerando-se as diferenças de
raça/cor, renda, gênero, escolaridade, regiões, a pesquisa concluiu que quanto
mais rico é o entrevistado, maior é a penetração da leitura e média de livros lidos
nos últimos três meses (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2012).

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, bem como aquelas realizadas


pelo IBGE sobre escolaridade, alfabetismo e indicadores sociais e econômicos,
têm subsidiado a criação de políticas públicas de leitura no nosso país.

Políticas Públicas de Leitura no Brasil

Segundo Holanda, Oliveira e Oliveira (2013), o povo procura no Estado


apoio para suprir as suas necessidades, visando alcançar o seu direito à cidadania.
Dessa forma, a política social faz parte das políticas públicas, que, segundo
Saravia (2006, p. 28-29), consistem em:
[...] um fluxo de decisões públicas, orientado a manter o equilíbrio
social ou a introduzir desequilíbrios destinados a modificar essa
realidade. Decisões condicionadas pelo próprio fluxo e pelas reações
e modificações que elas provocam no tecido social, bem como pelos
valores, ideias e visões dos que adotam ou influem na decisão. É
possível considerá-las como estratégias que apontam para diversos
fins, todos eles, de alguma forma, desejados pelos diversos grupos
que participam do processo decisório. Com uma perspectiva mais
operacional, poderíamos dizer que ela é um sistema de decisões
públicas que visa a ações ou omissões, preventivas ou corretivas,
destinadas a manter ou modificar a realidade de um ou vários setores
da vida social, por meio da definição de objetivos e estratégias de
atuação e da alocação dos recursos necessários para atingir os objetivos
estabelecidos.

Este fluxo de decisões públicas quando voltado às ações sociais recebe o


nome de políticas públicas sociais. Para Holanda, Oliveira e Oliveira (2013), as
políticas públicas sociais não se restringem somente ao Estado, pois atuam “de
e para” todos nas políticas voltadas à universalização dos direitos sociais. Secchi
(2014, p. 2) define política pública como uma “diretriz elaborada para enfrentar
um problema público que possui dois elementos fundamentais: intencionalidade
pública e resposta a um problema público”.

87
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Holanda, Oliveira e Oliveira (2013) defendem que as políticas sociais


relacionadas ao direito à informação são voltadas à viabilização do acesso aos
instrumentos sociais e suportes comunicacionais que, por meio da informação,
proporcionam uma transformação social.

Nesse sentido, informação, leitura e cidadania se complementam, pois


quando os indivíduos não possuem a capacidade de ler e, assim, não têm acesso
à informação, torna-se difícil formar cidadãos de fato e de direito.

Wethein (2008) defende que, por meio dos livros, se chega ao conhecimento
e este é caminho para que “os conflitos naturais da vida em sociedade resultem em
crescimento do bem-estar e redução das desigualdades”. O Brasil, ao longo dos
anos, criou e implantou diversas políticas públicas para o livro, leitura, literatura
e biblioteca. Oliveira e Prados (2015, p. 104) elencam as seguintes:

• Criação do Instituto Nacional do Livro (INL) em 1937;


• Implantação de pequenas bibliotecas a partir as primeiras décadas
do século XX;
• Descentralização das atividades do INL a partir do final da década
de 60 e início da década de 70, para o campo das bibliotecas. Foram
criados: o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas – SNBP (1976),
Sistemas Estaduais de Bibliotecas Pública - SEBP;
• Fundação Pró-Leitura (1988);
• Fundação Biblioteca Nacional (1990). Neste período foram extintos
o INL, SNBP e Fundação Pró-Leitura, sendo as atividades desses
institutos centralizadas pela Fundação Biblioteca Nacional.
• Política Nacional do Livro (Lei nº 10.753, a Lei do Livro) em 2003.
• Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em 2006. Em 2012, a
Diretoria do Livro, Leitura e Literatura (DLLL) incorporou o SNBP,
acrescentando então o “B” ao Plano, passando a ser chamado de
Plano Nacional do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PNLLLB).

Em 2014, os Ministérios da Cultura e da Educação publicaram uma edição


atualizada e revisada do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). O PNLL reúne
diretrizes para uma política pública voltada à leitura e à literatura no Brasil e, em
particular, à biblioteca e à formação de mediadores. Essas diretrizes consideram
a importância dessas instâncias para o desenvolvimento social e da cidadania,
pois a formação de uma sociedade leitora é condição essencial para a “inclusão
social de milhões de brasileiros no que diz respeito a bens, serviços e cultura,
garantindo-lhes uma vida digna e a estruturação de um país economicamente
viável” (PNLL, 2014, p. 2). Diante desse contexto, o PNLL (2014) estabeleceu
quatro eixos: a) democratização do acesso; b) fomento à leitura e à formação de
mediadores; c) valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor
simbólico; d) desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção
intelectual e ao desenvolvimento nacional; que orientam a sua organização, e
dentro de cada eixo as ações. Além desses eixos e ações, o PNLL (2014, p. 15)
valoriza cinco fatores identificados pela UNESCO:

88
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

a) o livro deve ocupar destaque no imaginário nacional, sendo


valorizado por amplas faixas da população;
b) devem existir famílias leitoras que compartilhem práticas de leitura,
de modo que as gerações se influenciem mutuamente e construam
representações afetivas em torno da leitura;
c) deve haver escolas que saibam formar leitores, valendo-se de
mediadores bem formados (professores, bibliotecários, mediadores
de leitura) e de múltiplas estratégias e recursos para alcançar essa
finalidade.
d) deve ser garantido o acesso ao livro, com um número suficiente de
bibliotecas e livrarias;
e) o preço do livro deve ser acessível a grandes contingentes de
potenciais leitores.

Além desses eixos, ações e fatores, as políticas voltadas para o livro, leitura,
literatura e bibliotecas seguem as diretrizes da competência em informação
e do aprendizado ao longo da vida, que têm recebido especial atenção da
UNESCO em diretrizes e políticas mundiais voltadas para o desenvolvimento,
prosperidade e liberdade e para criar condições plenas de inclusão social (PNLL,
2014). Conscientes de que as políticas públicas não têm sido suficientes para o
alcance do objetivo de assegurar e democratizar o acesso à leitura, ao livro, à
literatura e às bibliotecas a toda a sociedade, organizações do terceiro setor e da
iniciativa privada, no âmbito da responsabilidade social, têm realizado ações que
contribuam para o alcance desse objetivo.

Responsabilidade Social

A Responsabilidade Social (RS) refere-se ao cumprimento dos deveres e


obrigações dos indivíduos enquanto seres sociais e das organizações para com a
coletividade. Diz respeito ao exercício cidadão e ao pensar sustentável pautado
na ética e na legalidade. Concretiza-se por meio de ações, tomadas de decisões,
comportamentos e práticas construtivas, que contribuem de forma eficaz para a
preservação e melhoria do bem-estar de todos. Para Ashley (2002, p. 6):

responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que


uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio
de atos e atitudes que a afetam positivamente, de modo amplo, ou
a alguma comunidade, de modo específico, agindo proativamente e
coerentemente no que tange ao seu papel específico na sociedade e a
sua prestação de contas para com ela.

Ela acontece de forma voluntária pelas organizações, uma vez que adotam
posturas integralizadoras que beneficiam seu público interno ou externo no que
tange à sociedade. Por ser composta de ações voluntárias, não deve ser confundida
como medidas compulsórias impostas pelo governo, pois a responsabilidade
social transcende essas questões, já que sua essência está na transformação das
pessoas em agentes socialmente ativos que buscam um ambiente mais digno e
sustentável para todos.

89
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

No cenário mundial contemporâneo, observam-se inúmeras


transformações nas esferas econômicas, políticas, sociais, culturais que modificam
as relações e as formas de trabalho. De acordo com Melo Neto (2001, p. 26), a
responsabilidade social deve ser entendida pelas organizações como:

a forma ética e responsável pela qual a empresa desenvolve todas


as suas ações, políticas, suas práticas, suas atitudes, tanto com a
comunidade quanto com o seu corpo funciona. Enfim, com o ambiente
interno e externo à organização, e com todos os agentes interessados
no processo.

O ambiente organizacional atual anseia por um pensar pautado na postura


cidadã, sustentável com responsabilidades voltadas à coletividade. Houve um
despertar para o coletivo, as organizações agora precisam alcançar convergência
entre metas econômicas e sociais. Segundo o Instituto Ethos (2016, p. 8), um
negócio sustentável e responsável consiste em uma:

[...] atividade econômica orientada para a geração de valor


econômico-financeiro, ético, social e ambiental, cujos resultados
são compartilhados com os públicos afetados. Sua produção e
comercialização são organizadas de modo a reduzir continuamente
o consumo de bens naturais e de serviços ecossistêmicos, a conferir
competitividade e continuidade à própria atividade e a promover e
manter o desenvolvimento sustentável da sociedade.

Com o passar do tempo, o termo responsabilidade social modificou-se e


amadureceu em sua essência e em seus principais objetivos, ocasionando algumas
variações complementares ou distintas. Entre esses termos estão:

• Responsabilidade Social Empresarial (RSE): está diretamente relacionada


com o público interno de sua empresa, sejam eles funcionários; colaboradores;
dentre outros.

• Responsabilidade Social Corporativa (RSC): conceito frequentemente utilizado


por grandes organizações (denominadas de grande porte), que se fundamenta
em ações voltadas em benefício à economia local; ao meio ambiente; moradia;
transporte; educação; políticas públicas em geral que contribuem positivamente
para a melhoria da sociedade e organizações.

• Responsabilidade Social Ambiental (RSA): tem seus princípios e valores


arraigados em preocupações com a preservação e manutenção do meio
ambiente, ações intimamente ligadas com o pensar sustentável.

A sociedade atual exige de seus indivíduos uma nova forma de pensar


e agir, uma vez que a globalização é um marco na era contemporânea e a
responsabilidade social, pautada na postura cidadã e no exercício sustentável,
engloba práticas que abrem caminho para uma sociedade mais humana e
igualitária, pois a globalização e seus benefícios devem ser fatores de inclusão

90
TÓPICO 1 |ASPECTOS SOCIAIS, POLÍTICOS E DE ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS: DA ANÁLISE ATÉ OS MODELOS DE
POLÍTICAS PÚBLICAS

e não de exclusão, sendo necessário estabelecer comportamentos baseados em


princípios e valores coletivos, criar noções de integralização, pois a dignidade é
um direito elementar à vida de qualquer cidadão.

De modo a contribuir para a consolidação da responsabilidade social,


foram criadas diversas regulamentações que reconhecem uma organização como
sendo socialmente responsável. Dentre os indicadores mais destacados desta área,
ressaltam-se os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social, reconhecido como
o mais importante, que classifica anualmente as ações e organizações envolvidas
em questões sociais e seu grau de comprometimento. Esses indicadores captam
informações nas seguintes dimensões: a) Visão e estratégia; b) Governança e
Gestão; c) Social; e d) Ambiental (INSTITUTO ETHOS, 2016).

Dentre as tendências de mercado e com a intenção de estabelecer


sempre uma padronização dos processos organizacionais por meio de selos e
especificações técnicas, surgiram as certificações socioambientais que buscam,
além da adequação das normas de excelência, a divulgação das boas práticas
empresariais pautadas nos princípios da responsabilidade social. Uma organização
voltada para o desenvolvimento da responsabilidade social planeja em seus
negócios um horizonte multidimensional e integrado, proporcionando, assim,
uma visão holística sobre a ambiência empresarial, transformando suas ações em
estratégias para o exercício da vantagem competitiva, assegurando os direitos
civis; econômicos; sociais; políticos e ambientais, contribuindo efetivamente para
uma sociedade mais justa e igualitária.

Considerações finais

As ações de incentivo à leitura da iniciativa privada juntamente com as


políticas públicas desenvolvidas e implementadas no Brasil acontecem de forma
muito tímida comparadas com a realidade desta sociedade, que possui em sua
grande maioria indivíduos com dificuldades e limitações para a escrita, leitura
e reflexão, conforme evidenciado no Indicador de Alfabetismo Funcional e na
pesquisa Retratos da Leitura no Brasil apresentados neste artigo.

Essas questões precisam ser levadas em consideração de forma mais


contundente, uma vez que as políticas públicas devem ser pensadas como um
conjunto de ações que modifiquem de fato a realidade social, transformando as
pessoas em agentes sociais, pois o pensar coletivo pautado na ética e na legalidade
é elementar para o mundo contemporâneo.

É necessário trabalhar o conhecimento em sua totalidade, pois isso reflete


diretamente na vida das pessoas, modificando e alterando padrões, exigindo uma
nova maneira de pensar e agir perante o mundo. A Competência em Informação
transforma os indivíduos em seres sociais, detentores do próprio saber,
transformando-os em agentes ativos e autônomos no que tange à informação,
produção e disseminação do conhecimento em sua potencialidade.

91
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

A Era digital é incontestável nos dias de hoje, mas será que vivemos em
um país globalizado? Ou vivemos em uma sociedade parcialmente evoluída no
que se refere à ciência e à tecnologia? Será que a globalização vivida na sociedade
brasileira é meramente parcial e acaba se transformando em um fator de exclusão e
não de inclusão? O governo em todos os seus níveis de atuação (municipal, estadual
e federal) tem o dever de promover ações e políticas para o desenvolvimento da
leitura e do aprendizado, nesse sentido, ressalta-se a importância do papel das
organizações empresariais, pois para haver progresso e crescimento é necessário
convergência entre metas econômicas e sociais. Diante disso, concluímos que,
para a promoção da leitura em nosso país, é imprescindível o pensar sustentável,
o exercício da cidadania e a busca pelo aprendizado ao longo da vida, pois o
ambiente atual anseia por ações de extensão mais ativas com base em uma visão
integralizadora sob a ótica da responsabilidade social.

FONTE: FERREIRA, Adam Felipe; SARDELARI, Íris Marques Tavares; CASTRO FILHO, Claudio
Marcondes de. Políticas públicas e ações de incentivo à leitura promovidas por organizações
empresariais sob a ótica da responsabilidade social. Biblioteca Escolar em Revista, Ribeirão Preto,
v. 5, n. 1, p. 64-82, 2016. Disponível em: 10.11606/[Link].2016.110279. Acesso em:
10 jun. 2019.

92
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Nos Estados Unidos, a política pública é vista como área do conhecimento e


como disciplina acadêmica nascida em universidades.

• A análise de políticas públicas aconteceu no período pós-guerra visando à


resolução de problemas. Nas universidades, a ideia de desenvolvimento do
conhecimento e da informação foi evidenciada porque auxiliava na governança.

• Harold Lasswell, Herbert Simon, Charles Lindblom e David Easton são


considerados os “fundadores” do estudo das políticas públicas.

• As políticas públicas, enquanto objeto de estudo, configuram, em primeiro


lugar, processos complexos e multidimensionais que se desenvolvem em
múltiplos níveis de ação e de decisão. Em segundo lugar, há diferentes atores
– governantes, legisladores, eleitores, administração pública, grupos de
interesse, públicos-alvo e organismos transnacionais, que agem em quadros
institucionais e em contextos geográficos e políticos específicos, visando à
resolução de problemas públicos, mas também a distribuição de poder e de
recursos.

• O ciclo de políticas públicas é um processo interativo, não linear composto por


cinco fases principais.

• Os atores que fazem parte do ciclo de políticas são: governo, gabinete,


servidores públicos, partidos políticos, mídia, grupos de interesse, sistema
legal e o público.

• Existem instrumentos de políticas que são técnicas à disposição do governo


para a implementação dos objetivos das políticas. Exemplos de instrumentos
de política: gastos, regulamentos, parcerias, troca de informações, tributação,
licenciamento, prestação direta de serviços, contratos e subsídios.

• São três os objetivos dos instrumentos de políticas públicas: a) Proporcionar


mudanças de comportamento nos indivíduos; b) Trazer condições sociais,
políticas ou econômicas à população; c) Fornecer serviços ao público, conforme
demanda.

• Os tipos de instrumentos de política são: Doing nothing, Information-based,


Expenditure-based, Regulation e Acting directly.

93
• Os instrumentos de políticas do governo são influenciados pelo governo e
governança e pela influência internacional.

• A análise de política visa diminuir problemas sociais por intermédio do


aperfeiçoamento na formulação e na implementação de políticas públicas além
de entender o porquê e para quem uma política foi criada, e não só olhar o
conteúdo em si de tal política.

• A análise de políticas públicas – compreendida como uma ciência social –


originou-se de duas vertentes de interesse: a) a partir das dificuldades que as
pessoas idealizadoras e elaboradoras de políticas tinham frente à complexidade
dos problemas que buscavam resolver; e b) a atenção dada por pesquisadores
e acadêmicos em ciências sociais que buscavam estudar questões relacionadas
às políticas públicas visando aplicarem seu conhecimento para resolver
problemas concretos no setor público.

• Na ciência política, o estudo de políticas públicas está centrado no poder e suas


relações (como é mantido, conquistado, distribuído e compartilhado o poder),
assim como nos processos de aquisição dos recursos de poder, processos de
participação no poder, a competição e as alianças realizadas.

• A análise das políticas públicas partiu das bases teóricas trazidas da ciência
política, assim como da economia, psicologia, sociologia, história e estudos das
organizações.

• Existem diferentes tipos de análise de políticas, a saber: estudo do conteúdo das


políticas públicas, estudo da elaboração das políticas, estudo dos resultados
das políticas, avaliação de políticas, informação para elaboração de políticas,
informação para elaboração de políticas e defesa de políticas.

• Uma política possui três elementos-chaves: uma definição de problema, metas


a serem atingidas e os instrumentos de política para abordar o problema e
atingir as metas.

• Existem quatro modelos teóricos para compreensão do processo e problemas


das políticas públicas, a saber: o modelo sequencial ou do ciclo político; o
modelo dos fluxos múltiplos; o modelo do equilíbrio interrompido e o quadro
analítico das coligações de causa ou de interesse.

94
AUTOATIVIDADE

1 Com base na leitura complementar intitulada “Políticas públicas e ações de


incentivo à leitura promovidas por organizações empresariais sob a ótica
da responsabilidade social”, marque a resposta que se refere ao conceito de
responsabilidade social:

a) ( ) Apresenta, de forma didática e em linguagem simples, informações


sobre a Lei de Acesso à Informação (LAI) e orientações aos gestores
públicos estaduais e municipais sobre as medidas necessárias para a
efetiva implementação dessa Lei, bem como sua regulamentação.
b) ( ) É o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade,
expresso por meio de atos e atitudes que a afetam positivamente, de
modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo
proativamente e coerentemente no que tange ao seu papel específico
na sociedade e a sua prestação de contas para com ela.
c) ( ) Admite a prestação de serviços em dois regimes jurídicos distintos. No
chamado regime privado, a empresa recebe uma outorga denominada
autorização, enquanto no chamado regime público, a outorga é
conhecida como concessão.
d) ( ) É o estudo da manifestação e da evolução do fenômeno informação
e representa uma promissora ferramenta para a compreensão das
dinâmicas de poder nos contextos sociais, onde estão incluídas as
esferas econômicas e políticas.
e) ( ) Realiza a busca, no marco legal das telecomunicações, quais são os
serviços enquadrados no regime jurídico público e no privado.

2 Conforme Estevão e Ferreira (2018), uma política três elemento-chaves.


Marque qual a resposta se refere à resposta correta, segundo abordado
pelos autores no texto.

a) ( ) Os três elementos-chave são: uma definição de problema, metas a


serem atingidas e os instrumentos de política para abordar o problema
e atingir as metas.
b) ( ) Os três elementos-chave são: defesa do processo de elaboração, defesa
de políticas e informação para a elaboração de políticas.
c) ( ) Os três elementos-chave são: estudo da elaboração das políticas, estudo
do conteúdo das políticas públicas e a avaliação de políticas.
d) ( ) Os três elementos-chave são: afetação de recursos, o papel da interação,
o papel dos atores e das instituições e as regras de funcionamento da
política.

3 Para Estevão e Ferreira (2018) existem diferentes tipos de análises de


política e a escolha de qual análise será utilizada depende do analista que a
desenvolve. Entre os tipos de análise estão:

95
I. Estudo do conteúdo das políticas públicas: se refere à atenção dada para
questões que fazem parte das influências na formulação de políticas.
II. Estudo das regras das políticas: visa identificar porque gastos e serviços
são variáveis em diferentes áreas buscando compreender as políticas no
que se refere aos fatores sociais, econômicos, tecnológicos etc.
III. Estudo da elaboração das políticas: neste tipo o analisa investiga como
determinada política surgiu, foi implementada e quais os resultados
obtidos a partir de sua implementação.
IV. Avaliação de políticas: neste tipo se procura identificar os impactos das
políticas sobre a população.
V. Defesa do processo de elaboração da política: os estudos se forcam no
melhoramento dos processos de elaboração de políticas e a máquina do
governo.
VI. Defesa de políticas: neste item o analista defende a adoção de ideias e
opções no processo de elaboração de políticas.
VII. Informação para elaboração de políticas: neste tipo busca-se organizar os
dados para auxiliar os elaboradores de políticas na tomada de decisão.

A partir do estudo do tópico, identifique a resposta CORRETA:


a) ( ) As questões I, II, III, IV e VI estão corretas.
b) ( ) As questões II, III, IV, V e VI estão corretas.
c) ( ) As questões I, II, III, V e VI estão corretas.
d) ( ) As questões IV, V, VI e VII estão corretas.
e) ( ) As questões IV, III, VI e VII estão corretas.
f) ( ) Nenhuma das questões está correta.
g) ( ) Todas as questões estão corretas.

4 Conforme estudado no Tópico 1 existem três níveis de análise de políticas


que se referem ao funcionamento da estrutura administrativa, ao processo
de decisão e a relação entre o Estado e a sociedade. Dessa forma, explique
qual é o nível denominado como “nível da essência ou estrutural”.

5 O Tópico 1 desta unidade demonstrou que existem quatro modelos teóricos


para a compreensão do processo e problemas das políticas púbicas. Dessa
forma, a partir da citação abaixo:

Enquanto objetivo, este modelo possibilita a exploração e


investigação do processo de políticas públicas visando reduzir sua
complexidade. Assim, a ação pública é “analisada como um processo
sequencial e inacabado que se repete e reconstrói, em resultado de
mudanças induzidas por efeito de feedback das próprias políticas
públicas, ou por alterações do contexto ou da relação entre os atores
e instituições envolvidos” (ARAÚJO; RODRIGUES, 2017, p. 18).

Identifique o modelo que a citação se refere:


a) ( ) Multiple Streams Framework.
b) ( ) Policy Cicle.
c) ( ) Punctuated Equilibrium Theory.
d) ( ) Advocacy Coalition Framework – ACF.

96
UNIDADE 2 TÓPICO 2

POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

1 INTRODUÇÃO
O presente tópico aborda o processo de incorporação da cultura nas
ações públicas. Embora tenha diversos conceitos a partir de diversas perspectivas
teóricas, pode-se entender que a cultura é a consciência coletiva que vincula os
sujeitos uns aos outros (ORTIZ, 2013).

A cultura também pode ser entendida como um conjunto de tradições,


códigos, valores e práticas transferidas em vários sentidos. Há um entendimento
de que a “compreensão sobre um dado grupo, um coletivo e suas respectivas
produções ou reproduções culturais, é relevante, útil e necessário para o processo
de formulação de políticas públicas” (LEITE, 2015, p. 21).

Neste tópico, você aprenderá o conceito de políticas públicas culturais,


estudará um breve histórico sobre o desenvolvimento das políticas culturais no
Brasil e conhecerá o Sistema Nacional de Cultura e Plano Nacional de Cultura.

2 O QUE SÃO POLÍTICAS CULTURAIS?


A primeira instituição responsável pela formulação e implementação de
políticas públicas para a cultura foi o Departamento Municipal de Cultural da
cidade de São Paulo, criada no Brasil em 1935 por Mário de Andrade. A partir
deste marco que aponta a evolução do poder público visando à cultura, foi
possível verificar o processo de construção da cultura como campo de atuação
do poder público, até que, em 1985, foi criado o Ministério da Cultura, órgão este
com atuação nacional (LEITE, 2015).

As políticas públicas realizadas e promovidas pelo Ministério da Cultura


englobam projetos de abrangência nacional e apelo social e incorporam inúmeras
ações definidas em função das demandas vindas da população. Estas ações
necessitam de estruturas complexas para operar, bem como, de esforços de
comunicação interna e externa, em âmbito nacional e internacional, visando ao
alcance dos objetivos e a promoção dos resultados (LEITE, 2015).

97
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Embora seja um objeto recente de estudos, as Políticas culturais podem ser


definidas como “formulações e/ou propostas desenvolvidas pela administração
pública, organizações não-governamentais e empresas privadas, com o objetivo de
promover intervenções na sociedade através da cultura” (FÉLIX; FERNANDES,
2006, p. 1).

Para Canclini (2001, p. 65), as políticas culturais são um “conjunto de


intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis e grupos comunitários
organizados a fim de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as
necessidades culturais da população e obter consenso para um tipo de ordem ou
de transformação social”. Coelho Neto (1997, p. 292) complementa a definição
acima afirmando que as iniciativas feitas por estes grupos objetivam “promover
a produção, a distribuição e o uso da cultura, a preservação e divulgação
do patrimônio histórico e o ordenamento do aparelho burocrático por elas
responsável”.

À medida que a política cultural traz uma resposta de uma autoridade


política a um determinado problema do campo social ou artístico, ela
condiciona de forma efetiva a economia dos bens culturais e as suas instituições,
determinando, assim, a gênese e a história do campo de produção cultural
(ALBUQUERQUE, 2011).

Existem duas dimensões da cultura, a dimensão sociológica e a dimensão


antropológica. A primeira – a dimensão sociológica – é privilegiada pelas políticas
culturais e referem-se ao mercado, à cultura concebida de modo intencional e
explícito visando à construção de sentidos e alcançar um público específico,
por intermédio de meios específicos de expressão (BOTELHO, 2001; FÉLIX;
FERNANDES, 2006). A segunda se refere à cultura produzida no cotidiano e
representada por pequenos mundos construídos pelos sujeitos, que promove a
eles o equilíbrio e a estabilidade no convívio social. Esta perspectiva é aquela que
tem sido o desafio dos gestores da cultura (FÉLIX; FERNANDES, 2006).

Para Albuquerque (2011), as políticas culturais são processos sociais


institucionais. Em outras palavras, são “práticas de intervenção que vêm agregar
e dar sentido a um conjunto necessariamente heteróclito de actos, discursos,
despesas e práticas administrativas” (DUBOIS, 1999 apud ALBUQUERQUE,
2011, p. 91) “onde se jogam duas dimensões fundamentais das relações sociais: a
cultura e o poder” (COSTA, 1997 apud ALBUQUERQUE, 2011, p. 91).

Para além do Estado, as políticas culturais podem ser elaboradas por


diversos setores e agentes sociais podendo estes, inclusive, atuar em conjunto
para a realização de tais políticas. “Este é, particularmente, um alinhamento
exigido pelas novas demandas sociais emergidas das constantes transformações
culturais observadas na contemporaneidade” (FÉLIX; FERNANDES, 2006, p. 2).

O campo cultural está presente de forma transversal em todas as áreas


da vida social como a comunicação, o comportamento, a diversidade, a política

98
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

nacional, a economia, entre outros, e demanda das políticas uma articulação


que ultrapasse as fronteiras da dimensão sociológica da cultura (FÉLIX;
FERNANDES, 2006).

As desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país


são um exemplo de indicadores que tornam visíveis a necessidade de políticas
de acesso a bens culturais. Além disso, a aceitação e convivência com diferentes
grupos étnico-raciais, religiosos e culturais, o apoio à pluralidade de segmentos
sociais e culturais e de manifestações também fazem parte dos desafios na
elaboração e na prática de políticas culturais (FÉLIX; FERNANDES, 2006).

Entre as dificuldades, está o corte de verbas para pagamento de dívidas


que acaba, por retirar dos setores da cultura os investimentos para a elaboração
de políticas públicas, o que atrasa o processo de inovação e desenvolvimento
econômico do Brasil (FÉLIX; FERNANDES, 2006).

3 POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL


As políticas culturais começaram no Brasil juntamente com a chegada
da corte portuguesa no século XIX a partir da criação das primeiras instituições
culturais, tais como o Museu Histórico Nacional, a Biblioteca Nacional etc.
(MUSA; PASSADOR; PASCHOALOTTO, 2017).

No entanto foi na Era Vargas que começaram a de fato existir intervenções


do Estado relacionadas à cultura. Com o intuito de estabelecer uma identidade
nacional e de novo cenário político, Getúlio Vargas estruturou instituições
nacionais de cultura e de incentivo à produção cultural (MUSA; PASSADOR;
PASCHOALOTTO, 2017).

Já no período de ditadura civil-militar, o desenvolvimento de políticas


públicas culturais foi contido de forma quase total. Inúmeros artistas e ativistas
da área da cultura foram obrigados a pedir asilo, visto que houve perseguição
e violência do Estado. Com o estabelecimento da Constituição Federal de 1988,
passa a ser obrigação do Estado o financiamento de atividades culturais, assim
como são garantidas manifestações culturais em sua forma diversa e total com
fundos destinados à cultura (MUSA; PASSADOR; PASCHOALOTTO, 2017).

Nos anos 1990, a parceria com empresas privadas por intermédio das leis
de incentivo fiscal à cultura se tornou o meio de desenvolver as políticas públicas
para a cultura durante este período. Neste ponto, o Estado é aquele que passou
a facilitar e estimular o financiamento de atividades culturais por intermédio de
capital privado. O Estado tinha como compromisso encontrar empresas privadas
para garantir a receita para a viabilização de eventos e movimentos culturais
(MIRANDA; ROCHA; ELGLER, 2014).

99
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Já nos governos Lula, a partir de 2003, a cultura passa a ocupar lugar de


destaque para a formação de uma sociedade inclusiva, democrática, produtora,
autônoma e protagonista de práticas econômicas, sociais e culturais mais justas.
“No primeiro mandato do Governo Lula [...] passamos a observar uma retomada
na construção de diretrizes para o estabelecimento de uma política verdadeira
para o campo da cultura, notadamente na gestão do Ministro Gilberto Gil”
(LEITE, 2015, p. 35).

Assim, “há a recuperação das políticas de democratização e


descentralização, a partir das discussões sobre a pertinência da Lei de
Incentivo Fiscal e a reavaliação sobre o papel do Estado como formulador
e gestor de políticas públicas” (LEITE, 2015, p. 35). Dessa forma, a política
cultural elaborada para o Ministério da Cultura (MinC) a partir de 2003
“orienta-se para a criação de programas de apoio direto a iniciativas culturais
realizadas em todo o país, buscando se estender ao plano do cotidiano e
dirigidas a diversos segmentos sociais, considerando o protagonismo dos
artistas brasileiros” (LEITE, 2015, p. 35).

Neste período, houve o avanço das políticas públicas para a cultura por
intermédio do Sistema Nacional de Cultura (SNC), visava focar nas políticas
culturais e tirá-las da situação em que se encontrava nos governos anteriores.
Organizado em regime de colaboração, centralizado e participativo, possui como
objetivo a promoção do desenvolvimento social e econômico com pleno exercício
dos direitos culturais.

O SNC é definido como um “processo de gestão e promoção das


políticas públicas de cultura, em regime de colaboração de forma democrática
e participativa entre os três entes federados (União, estados e municípios) e a
sociedade civil, tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social
e econômico com pleno exercício dos direitos culturais” (BRASIL, 2010, s.p.).
Como princípios, o SNC possui:

I- diversidade das expressões culturais;


II- universalização do acesso aos bens e serviços culturais;
III- fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e
bens culturais;
IV- cooperação entre os entes federados, os agentes públicos e
privados atuantes na área cultural;
V- integração e interação na execução das políticas, programas,
projetos e ações desenvolvidas;
VI- complementaridade nos papéis dos agentes culturais;
VII- transversalidade das políticas culturais;
VIII- autonomia dos entes federados e das instituições da sociedade
civil;
IX- transparência e compartilhamento das informações;
X- democratização dos processos decisórios com participação e
controle social;
XI- descentralização articulada e pactuada da gestão, dos recursos e
das ações;
XII- ampliação progressiva dos recursos contidos nos orçamentos
públicos para a cultura (BRASIL, 2019, s.p.).

100
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

FIGURA 5 – LOGO DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA (SNC)

FONTE: <[Link]
png>. Acesso em: 11 jul. 2019.

DICAS

Acesse o site do Sistema Nacional de Cultura e leia na íntegra os manuais


publicados, as legislações, publicações e dados sobre o assunto. FONTE: <[Link]
[Link]/sobre/o-que-e-o-snc/>. Acesso em: 8 out. 2019.

A partir da observação da adaptação de outros modelos de políticas


públicas do país, como o Sistema único de Saúde (SUS), a ideia para as políticas
públicas culturais foi idealizada. Nos governos de Dilma e Temer, passou-se a
ter uma perda simbólica e efetiva no campo da cultura (MUSA; PASSADOR;
PASCHOALOTTO, 2017). A seguir, será apresentada a evolução histórica das
políticas públicas culturais no Brasil de forma resumida.

101
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

QUADRO 4 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS NO BRASIL

PERÍODO CARACTERÍSTICA PRINCIPAIS AÇÕES


- Valorização do patrimônio histórico e
Início das intervenções artístico.
Era Vargas do Estado na cultura - Foco na democratização da cultura
do país (Constituição de 1934)
- Criação do CNC
- AI-5
- Investimento em infraestrutura em
telecomunicações
Ditadura Militar Repressão, censura,
- Criação do CFC, de instituições
e início da autoritarismo e
culturais e do primeiro PNC
redemocratização investimentos
- Criação do Ministério da Cultura
(MinC)
- Constituição de 1988
- Extinção do MinC e de outras
instituições públicas de cultura
- Lei Rouanet e PRONAC
1990 a 2002 Modelo neoliberal
- Parceria com empresas privadas
- Desigualdade de distribuição de
recursos
- Reestruturação do MinC
- Reformulação das leis de incentivo
fiscal
Gestão compartilhada - Criação do Programa Cultura Viva e
Governo Lula
e participativa dos Pontos de Cultura
- Conferência Nacional de Cultura I e
II
- Criação do SNC
- SNC introduzido na Constituição
Federal
- Aprovação da distribuição de
Governo Dilma,
recursos do FNC aos entes aderidos ao
impeachment e o SNC como objetivo
SNC
presidente interino principal
- Vale-cultura
Michel Temer
- III Conferência Nacional de Cultura
- Extinção do MinC por um curto
período de tempo

FONTE: Musa, Passador e Paschoalotto (2017, p. 362)

4 PLANO NACIONAL DE CULTURA (PNC)


O Plano Nacional de Cultura (PNC) é definido como “um conjunto
de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias, ações e metas que orientam o
poder público na formulação de políticas culturais. Previsto no artigo 215 da
Constituição Federal, o Plano foi criado pela Lei n° 12.343, de 2 de dezembro
de 2010” (BRASIL, 2010, s.p.). O referido plano possui como objetivo “orientar

102
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

o desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais que garantam a


valorização, o reconhecimento, a promoção e a preservação da diversidade
cultural existente no Brasil” (BRASIL, 2010, s.p.).

Sob a supervisão do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), o


PNC foi elaborado após a realização de seminários, fóruns e consultas públicas.
Possui como um marco importante de seu processo de construção a 1ª Conferência
Nacional de Cultura, realizada em 2005, após as conferências municipais e
estaduais (BRASIL, 2010).

O CNPC foi instituído pela Constituição Federal, art. 216-A, § 2º, inciso
II, pelo Decreto nº 5.520/2005 e pela Portaria nº 28/2016 e é definido como “um
órgão colegiado que compõe o Sistema Nacional de Cultura (SNC) e integra a
estrutura básica da Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania”
(BRASIL, 2010, s.p.). Sua finalidade é propor a formulação de políticas públicas
visando a promoção da articulação e debate de diferentes níveis de governo e
sociedade civil organizada para desenvolver e fomentar atividades culturais em
território nacional.

DICAS

A partir do novo governo de 2019, foi modificado o CNPC. Acesse o site do


Conselho Nacional de Cultura e leia o Decreto que regulamenta o novo formato para o
Conselho Nacional de Política Cultural.
FONTE: <[Link]
o-conselho-nacional-de-politica-cultural/>. Acesso em: 10 jun. 2019.

O Plano Nacional de Cultura (PNC) possui a vigência de 10 anos, estando


válido até 2 de dezembro de 2020 (BRASIL, 2010). Os eixos norteadores do PNC
são baseados em três dimensões de cultura, a saber:

• a cultura como expressão simbólica;


• a cultura como direito de cidadania;
• a cultura como potencial para o desenvolvimento econômico (BRASIL, 2010).

A responsabilidade pela execução do PNC é da Secretaria Especial da


Cultura, coordenadora executiva do Plano, responsável pelo monitoramento de
ações necessárias para sua execução, conforme o artigo 3 da Lei nº 12.343/2010
(BRASIL, 2010).

103
UNIDADE 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS SOCIAIS, ANALÍTICOS E CULTURAIS

Com relação à sua estrutura, o PNC possui os seguintes componentes:

a) Órgãos gestores da cultura: executa as ações previstas no plano. Pode ser


secretaria, fundação ou uma unidade gestora ligada a uma secretaria;
b) Conselhos de política cultural: contribui com a formulação e o acompanhamento
das políticas culturais, colabora com a organização do plano – orientado pelas
diretrizes estabelecidas na conferência de cultura – e aprova sua forma final;
c) Conferências de cultura: encarregada de avaliar as políticas culturais, analisar
a conjuntura cultural e propor diretrizes para o Plano de Cultura;
d) Sistemas de financiamento à cultura: conjunto dos instrumentos de
financiamento público da cultura, tanto para as atividades desenvolvidas pelo
Estado, como para apoio e incentivo a programas, projetos e ações culturais
realizadas pela Sociedade;
e) Planos de cultura: documento de planejamento para orientar a execução da
política cultural da cidade. Ele estabelece estratégias e metas, define prazos e
recursos necessários à sua implementação a partir das diretrizes definidas pela
Conferência de Cultura. O Plano é elaborado pelo órgão gestor da cultura com
a colaboração do Conselho de Política Cultural, a quem cabe aprová-lo;
f) Sistemas setoriais de cultura: são subsistemas do SNC que se estruturam para
responder com maior eficácia à complexidade da área cultural, que se divide
em muitos setores, com características distintas, exemplo disso são o Sistema
Brasileiro de Museus e o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas;
g) Comissões intergestores: são instâncias de negociação e operacionalização do
Sistema Nacional de Cultura;
h) Sistemas de informações e indicadores culturais: conjunto de instrumentos
de coleta, organização, análise e armazenamento de dados – cadastros,
diagnósticos, mapeamentos, censos e amostras – a respeito da realidade
cultural sobre a qual se pretende atuar; e
i) Programas de formação na área da cultura: conjunto de iniciativas de
qualificação técnico-administrativa – cursos, seminários e oficinas – de agentes
públicos e privados envolvidos com a gestão cultural, a formulação e a execução
de programas e projetos culturais (BRASIL, 2010).

DICAS

Conheça o guia de orientações para os Estados do Sistema Nacional de


Cultura, disponível em: [Link]
Guia-de-orienta%C3%A7%C3%[Link].
Conheça o guia de orientações para os Municípios do Sistema Nacional de Cultura,
disponível em: [Link]
orienta%C3%A7%C3%A3o-para-os-munic%C3%[Link].

104
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você aprendeu que:

• Para que servem as políticas públicas culturais.

• Há um histórico evolutivo de políticas públicas culturais no Brasil começando


pela Era Vargas e terminando no governo Temer.

• Políticas culturais podem ser definidas como “formulações e/ou propostas


desenvolvidas pela administração pública, organizações não governamentais
e empresas privadas, com o objetivo de promover intervenções na sociedade
através da cultural.

• Existem duas dimensões da cultura, a dimensão sociológica e a dimensão


antropológica.

• Para além do Estado, as políticas culturais podem ser elaboradas por diversos
setores e agentes sociais podendo estes, inclusive, atuar em conjunto para a
realização de tais políticas.

• O campo cultural está presente de forma transversal em todas as áreas da


vida social como a comunicação, o comportamento, a diversidade, a política
nacional, a economia, entre outros, e demanda das políticas uma articulação
que ultrapasse as fronteiras da dimensão sociológica da cultura.

• As desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país são


um exemplo de indicadores que tornam visíveis a necessidade de políticas de
acesso a bens culturais. Além disso, a aceitação e convivência com diferentes
grupos étnico-raciais, religiosos e culturais, o apoio à pluralidade de segmentos
sociais e culturais e de manifestações também fazem parte dos desafios na
elaboração e na prática de políticas culturais.

• Sistema Nacional de Cultura (SNC) visava focar nas políticas culturais e tirá-
las da situação em que se encontrava nos governos anteriores.

• O SNC é considerado um “processo de gestão e promoção das políticas públicas


de cultura, em regime de colaboração de forma democrática e participativa
entre os três entes federados (União, estados e municípios) e a sociedade civil,
tendo por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico
com pleno exercício dos direitos culturais”.

105
• Plano Nacional de Cultura (PNC) é vinculado à Secretaria Especial da Cultura
e tem como objetivo orientar o desenvolvimento de programas, projetos e
ações culturais que garantam a valorização, o reconhecimento, a promoção e a
preservação da diversidade cultural existente no Brasil.

• O PNC possui três dimensões da cultura como norte: a cultura e sua expressão
simbólica, como direito de cidadania e como potencial para o desenvolvimento
econômico.

• O PNC possui como elementos que o compõe: os órgãos gestores de


cultura, conselhos de política cultural, conferências de cultura, sistemas de
financiamento à cultura, planos de cultura, sistemas setoriais de cultura,
comissões intergestores, sistemas de informações e indicadores culturais e
programas de formação na área da cultura.

• Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) é um órgão colegiado cujo


objetivo é propor a formulação de políticas públicas visando a promoção
da articulação e debate de diferentes níveis de governo e sociedade civil
organizada para desenvolver e fomentar atividades culturais em território
nacional.

CHAMADA

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pensando em facilitar tua compreensão. Acesse o QR Code, que te levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para teu estudo.

106
AUTOATIVIDADE

1 Conforme estudado no Tópico 2, selecione a resposta correta que traz a


definição de políticas culturais, segundo os estudos de Canclini (2001):

a) ( ) As políticas culturais referem-se ao mercado, à cultura concebida de


modo intencional e explícito visando à construção de sentidos e alcançar
um público específico, por intermédio de meios específicos de expressão.
b) ( ) As políticas culturais são um “conjunto de intervenções realizadas
pelo Estado, instituições civis e grupos comunitários organizados a fim
de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as necessidades
culturais da população e obter consenso para um tipo de ordem ou de
transformação social”.
c) ( ) As políticas culturais são “práticas de intervenção que vêm agregar e dar
sentido a um conjunto necessariamente heteróclito de atos, discursos,
despesas e práticas administrativas”.
d) ( ) As políticas culturais são um insumo capaz de proporcionar uma
transformação social.
e) ( ) As políticas culturais são essenciais no início do desenvolvimento
intelectual do sujeito, e o entreter da leitura direciona do mágico para o
real, que tem como base principal, informar, independente dos suportes
que se pode oferecer.

2 A partir do conteúdo estudado, identifique o conceito de Planos de cultura,


componente elementar da estrutura do Plano Nacional de Cultura:

a) ( ) Encarregados de avaliar as políticas culturais, analisar a conjuntura


cultural e propor diretrizes para o Plano de Cultura.
b) ( ) Conjunto dos instrumentos de financiamento público da cultura, tanto
para as atividades desenvolvidas pelo Estado, como para apoio e incentivo
a programas, projetos e ações culturais realizadas pela Sociedade.
c) ( ) Documento de planejamento para orientar a execução da política
cultural da cidade. Ele estabelece estratégias e metas, define prazos
e recursos necessários à sua implementação a partir das diretrizes
definidas pela Conferência de Cultura. O Plano é elaborado pelo órgão
gestor da cultura com a colaboração do Conselho de Política Cultural,
a quem cabe aprová-lo.
d) ( ) Executa as ações previstas no plano. Pode ser secretaria, fundação ou
uma unidade gestora ligada a uma secretaria.

3 A política cultural elaborada pelo Ministério da Cultura orientava-se para


a criação de programas de apoio direto a iniciativas culturais realizadas
em todo o país. Entre os avanços trazidos para as políticas públicas, estão
aqueles trazidos pelo Sistema Nacional de Cultura. De acordo com o
conteúdo estudado, este Sistema é definido como:

107
a) ( ) Processo de gestão e promoção das políticas públicas de cultura, em
regime de colaboração de forma democrática e participativa entre os três
entes federados (União, Estados e Municípios) e a sociedade civil, tendo
por objetivo promover o desenvolvimento humano, social e econômico
com pleno exercício dos direitos culturais.
b) ( ) Conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias, ações e metas
que orientam o poder público na formulação de políticas culturais.
c) ( ) Uma instância colegiada da estrutura da Secretaria Especial da Cultura
do Ministério da Cidadania elaborada pelo órgão gestor da cultura com
a colaboração do Conselho de Política Pública Cultural, a quem cabe
aprová-lo.
d) ( ) Sistema de gestão de políticas de informação, voltado para a articulação,
formação, fomento e promoção de políticas de informação.

4 A partir do estudo deste tópico, responda qual é a finalidade do Conselho


Nacional de Política Cultural (CNPC) e a qual órgão se encontra vinculado.

5 No Tópico 2 foram abordados desafios para a elaboração e prática de


políticas públicas culturais. A partir do texto estudado, identifique qual das
alternativas a seguir representam os desafios elencados no texto.

I. Desigualdades presentes em diversas regiões e grupos sociais no país.


II. A convivência e aceitação de diferentes grupos étnico-raciais, religiosos e
culturais.
III. O apoio à pluralidade de segmentos sociais e culturais.
IV. O apoio a manifestações.

Conforme as alternativas, marque a opção CORRETA:


a) ( ) As alternativas I, II estão corretas.
b) ( ) As alternativas II e III estão corretas.
c) ( ) As alternativas III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a alternativa IV está correta.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

108
UNIDADE 3
DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE
INFORMAÇÃO NO CONTEXTO
NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS
DO LIVRO, DA LEITURA E PARA
BIBLIOTECAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer experiências de políticas governamentais brasileiras voltadas ao


fomento da Sociedade da Informação, em especial, o Governo Eletrônico
(e-GOV) e o Programa Sociedade da Informação – Livro Verde e Livro
Branco;
• aprender os conceitos de Sociedade da Informação, governo eletrônico e
outras políticas públicas de informação;
• entender alguns elementos constituintes de políticas públicas para a
promoção do livro, leitura, biblioteca e literatura;
• conhecer as políticas nacionais de informação para a promoção do livro,
da leitura e da biblioteca;
• conhecer as políticas públicas destinadas às minorias sociais, em especial,
às pessoas idosas e às populações negras.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo estudado.

TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO


NACIONAL
TÓPICO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA
BIBLIOTECAS NO BRASIL
TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS
SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E
AS POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE
PÚBLICO

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

109
110
UNIDADE 3
TÓPICO 1

POLÍTICAS PÚBLICAS DE
INFORMAÇÃO NO
CENÁRIO NACIONAL

1 INTRODUÇÃO
Desde o início da humanidade, a informação sempre foi uma
parte fundamental para estabelecer o controle social, a mudança social e o
estabelecimento de relações sociais. A partir da informação relevante adquire-se
o conhecimento, e como a construção de novos conhecimentos realiza a mudança
nas estruturas que nos cercam. Viver em uma sociedade com plenitude é possuir
a informação como insumo para a superação de desigualdades, agregação de
valor, criação de empregos, propagação do bem-estar e pleno exercício dos
direitos básicos garantidos na Constituição.

No dia a dia estamos em contato com a Sociedade da Informação quando


nos conectamos à internet, quando acessamos, via nossos smartphones, as mídias
sociais ou redes sociais on-line como twitter, facebook e instagram, quando falamos
ao telefone ou via webconferência por acesso remoto, enviamos e-mails, acessamos
nosso internet banking e fazemos transações bancárias, entre outras atividades
cotidianas. A Sociedade da Informação propicia a geração de novas oportunidades
para os sujeitos e também promove o crescimento e desenvolvimento econômico
de diversos países (OLIVEIRA; SHIMA, 2012).

Neste sentido serão apresentadas, neste tópico, algumas experiências


de políticas governamentais brasileiras voltadas ao fomento da Sociedade da
Informação, em especial, o Governo Eletrônico (e-GOV) e o Programa Sociedade
da Informação – Livro Verde e Livro Branco que serão aqui destacados.

111
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

2 GOVERNO ELETRÔNICO COMO UMA POLÍTICA PÚBLICA


DE INFORMAÇÃO
A Sociedade da Informação surge a partir dos avanços tecnológicos em rede
e as novas exigências do mercado, que possui a informação como um bem social
e elemento crucial para emancipação cidadã e da ação governamental. Conforme
Nharreluga (2009), o governo eletrônico (e-GOV) constitui-se em um discurso
propagado pela Sociedade da Informação, que emergiu devido ao capitalismo em
países desenvolvidos e se ramifica para países em desenvolvimento. Esta política
encontra-se fundamentada na relação entre o Estado e a Informação enquanto
duas categorias.

Dentro das políticas de governo desenvolvidas para o acesso à informação


no Brasil, encontra-se o e-GOV. O conceito de Governo Eletrônico surgiu a
partir do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, em
especial, da internet, que propiciou à Administração Pública novas formas de se
relacionar com a sociedade e vice-versa. Assim, promoveu a prestação de serviços
governamentais sem a necessidade da presença física (BRASIL, 2014).

FIGURA 1 – LOGO DO GOVERNO ELETRÔNICO (E-GOV) BRASILEIRO

FONTE: <[Link]
Acesso em: 20 ago. 2019.

O programa de Governo Eletrônico do Brasil surgiu a partir dos anos 2000,


a partir da criação de um Grupo de Trabalho Interministerial, via Decreto de 3 de
abril de 2000, para examinar e propor políticas, normas e diretrizes vinculadas às
novas formas de interação eletrônica (BRASIL, 2000a).

Nos diagnósticos realizados pelo GTTI identificou-se a existência


de várias ações isoladas na área de serviços ao cidadão, oferecidos
por meio da Internet como a entrega de declarações do Imposto de
renda, divulgação de editais de compras governamentais, emissão
de certidões de pagamentos e impostos, acompanhamentos de
processos judiciais e prestação de informações sobre aposentadorias e
benefícios da previdência social, entre outros. À mesma época, entrou
em produção uma nova versão do Rede Governo, com melhorias e
expansão dos serviços ([Link] O projeto
que teve como objetivo se transformar em um portal único de serviços
e informações à sociedade (a primeira versão do ambiente entrou no
ar em 25 de janeiro de 1999) (BRASIL, 2014, s.p.).

112
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

Os diagnósticos identificaram ainda boas iniciativas e também


evidenciaram a ocorrência de infraestrutura deficitária, sendo esta composta por
uma malha de diversas redes administrativas de forma isolada. Por este motivo,
os serviços não possuíam um padrão de desempenho e interatividade, nem se
apresentava interfaces amigáveis para o usuário, além de haver um descompasso
na assimilação das TICs pelos diversos órgãos do governo. Corroborando a isso,
os sistemas do Governo Federal eram pouco integrados entre si e sua estrutura
era focada na gestão de funções e não de processos (BRASIL, 2014).

O tema da exclusão digital também apareceu como um forte fator


delimitador para a expansão da internet, em especial, pela dificuldade de acesso
às linhas telefônicas e também às organizações provedoras de acesso aos usuários.
Além disso, o custo dos equipamentos de informática eram outra barreira para
grande parte da população brasileira. A partir daí as ações foram formalizadas
em 12 de maio de 2000, pela Portaria da Casa Civil nº 23, e passaram a fazer parte
das metas do Programa Sociedade da Informação (BRASIL, 2000b).

Em junho de 2000, o Grupo de Trabalho propôs uma política de interação


eletrônica do Governo com a sociedade. Como justificativa, apresentou o relatório
de diagnóstico da situação brasileira de infraestrutura e serviços do Governo, as
aplicações que existiam e quais eram aquelas requisitadas e também a situação
da legislação sobre tal tema. Posteriormente, apresentou a Proposta de Política
de Governo Eletrônico para o Poder Executivo Federal, que tinha como objetivos
macros “estabelecer um novo paradigma cultural de inclusão digital, focado
no cidadão/cliente, com a redução de custos unitários, a melhoria na gestão e
qualidade dos serviços públicos, a transparência e a simplificação de processos”
(BRASIL, 2000c, p. 5). Nesta proposta, são estabelecidas ainda as diretrizes gerais,
o plano de metas para o ano de 2000 a 2003, os aspectos legais, a capacitação e as
metas prioritárias e responsáveis (BRASIL, 2000c).

Em outubro de 2000, foi criado o Comitê Executivo de Governo Eletrônico


(GECE) com a finalidade de formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer
a coordenação e a articulação de ações de implantação do Governo Eletrônico
(BRASIL, 2014). Entre as competências do GECE estão:

• Coordenar e articular a implantação de programas e projetos para a


racionalização da aquisição e da utilização da infraestrutura, dos serviços e
das aplicações de tecnologia da informação e comunicações no âmbito da APF.
• Estabelecer as diretrizes para a formulação, pelos Ministérios, de plano anual
de tecnologia da informação e comunicações.
• Estabelecer diretrizes e estratégias para o planejamento da oferta de serviços e
de informações por meio eletrônico, pelos órgãos e pelas entidades da APF;
• Definir padrões de qualidade para as formas eletrônicas de interação.
• Coordenar a implantação de mecanismos de racionalização de gastos e de
apropriação de custos na aplicação de recursos em tecnologia da informação e
comunicações, no âmbito da APF.

113
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

• Estabelecer níveis de serviço para a prestação de serviços e informações por


meio eletrônico.
• Estabelecer diretrizes e orientações e manifestar-se, para fins de proposição e
revisão dos projetos de lei do Plano Plurianual, de Diretrizes Orçamentárias
e do Orçamento Anual, sobre as propostas orçamentárias dos órgãos e das
entidades da APF, relacionadas com a aplicação de recursos em investimento e
custeio na área de tecnologia da informação e comunicações (BRASIL, 2014).

O programa de Governo Eletrônico (e-GOV) brasileiro prioriza a


utilização de tecnologias de informação e comunicação para democratizar o
acesso à informação, buscando, assim, a ampliação do debate e da participação
da população na construção de políticas públicas e no aprimoramento da
qualidade de informações e serviços públicos prestados aos cidadãos (BRASIL,
2014). A política do e-GOV do Brasil se baseia em um conjunto de diretrizes
que estão fundamentadas em três ideias: a participação cidadã, a melhoria do
gerenciamento interno do Estado e a integração entre parceiros e fornecedores
(BRASIL, 2014).

Desde sua criação, o Programa de Governo Eletrônico busca transformar


as relações entre o Governo e os cidadãos brasileiros, as organizações privadas
e outros órgãos governamentais a fim de aprimorar a prestação de serviços,
promover maior interação entre indústria e empresas, bem como fortalecer
a participação do cidadão por intermédio do acesso à informação e uma
administração pública eficiente (BRASIL, 2014).

No que concerne ao e-GOV, este busca ampliar a oferta e a qualidade


das informações e serviços prestados via meios eletrônicos, independentemente
da origem de quem demanda por tais informações. O e-GOV “compreende a
definição de padrões, a normatização, a articulação da integração de serviços
eletrônicos, a disponibilização de boas práticas, a criação e construção de super
infraestrutura tecnológica entre outras questões” (BRASIL, 2014, s.p.).

A formulação da Política de Governo Eletrônico e a sua implementação


promoveu o desenvolvimento de diversas ações e projetos. Entre eles destaca-
se o Programa “Sociedade da Informação”, conduzido pelo Ministério da
Ciência e Tecnologia. Este programa está detalhadamente apresentado em um
documento publicado no ano 2000 intitulado “Livro Verde” no qual faz referência
às atribuições do Governo Eletrônico em seu Capítulo 6, chamado “Governo ao
Alcance de todos” (BRASIL, 2019b). Além deste destacam-se outras contribuições
que auxiliaram na reflexão e implantação de diretrizes do governo eletrônico
brasileiro, tais como a Medida Provisório nº 2.200, de 2001 – que instituiu a
criação da Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil) e possibilitou o uso
de assinaturas eletrônicas, a criação da certificação digital e validade legal de
documentos que circulam ou são criados em meio eletrônico – e o Decreto n.
3.697, de dezembro de 2000, o qual regulamentou o pregão eletrônico dentro da
administração federal (BRASIL, 2014).

114
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

3 PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, O LIVRO


VERDE E O LIVRO BRANCO
A sociedade da Informação engloba diversos países, e no Brasil, o Governo
e a sociedade precisaram se unir para assegurar que os benefícios trazidos pela
Sociedade da Informação alcançassem a todos. O surgimento da Sociedade da
Informação promove novas formas de organizar e produzir em escala mundial,
assim como de redefinir a inserção dos países na sociedade internacional e no
sistema econômico mundial.

Com a vinda da internet, o Governo deve realizar a universalização do


acesso e uso crescente dos meios eletrônicos de informação visando gerar uma
administração eficiente e transparente em todos os sentidos. Oferecer e criar
serviços equitativos e universais para atendimento de cidadãos devem contar
entre as prioridades de quaisquer ações públicas. Cabe ainda ao Governo,
implementar e promover políticas visando à inclusão social, para que as pessoas
acompanhem os avanços tecnológicos e sociais ocorridos em sociedade.

FIGURA 2 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

FONTE: <[Link]
informa%C3%A7%C3%[Link]>. Acesso em: 10 ago. 2019.

Pensando nisso, em 1999, foi criado o Programa Sociedade da Informação


(SOCINFO), lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O grupo de
Implantação do Programa Sociedade da Informação, composto por representantes
do Ministério da Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada e instituições públicas
e privadas de ensino, foi quem originou o documento que é conhecido como Livro
Verde (SARDENBERG, 2000).

O objetivo do Programa Sociedade da Informação é realizar a integração,


coordenação e fomento de ações para o uso de tecnologias de informação e
comunicação (TICS) visando contribuir para a inclusão de todas as pessoas na
sociedade da informação brasileira, e, em paralelo, contribuir para que a economia
do país consiga competir com o mercado global (MENEZES; SANTOS, 2001). Para
a execução deste Programa é preciso o compartilhamento de responsabilidades

115
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

entre o governo, a iniciativa privada e a sociedade civil. Para isso, o Programa


se desenvolve em sete grandes linhas de ação, a saber: a) mercado, trabalho e
oportunidades; b) universalização de serviços e formação para a cidadania; c)
a educação na sociedade da informação; d) conteúdos e identidade cultural; e)
governo ao alcance de todos, f) P&D, tecnologias-chave e aplicações e também, g)
infraestrutura avançada e novos serviços (MENEZES; SANTOS, 2001).

Para Oliveira e Shima (2012), existem razões que levaram o Ministério


da Ciência e Tecnologia à proposição do Programa Sociedade da Informação, a
saber:

1) O papel central de Tecnologias de Informação (TI) na viabilização


de competitividade econômica do país, não somente através
da criação de novos produtos e serviços, mas especialmente por
meio da renovação das estruturas tradicionais de produção e
comercialização de bens e serviços.
2) A importância competitiva que TI pode assegurar a países em
comércio internacional, através da implantação/uso de mecanismos
de pagamento eletrônico, transporte de bens com acompanhamento
em tempo real, alfândegas eletrônicas, entre outros.
3) A necessidade de uma infraestrutura avançada de redes e
de computação para suporte a todas as atividades do país,
perpassando desde educação e pesquisa até comércio de bens e
serviços, destacando o oferecimento de serviços públicos eficientes.
4) A urgência de viabilizar a democratização do acesso à informação
visando contribuir para o exercício pleno da cidadania (PROGRAMA
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO, 2000 apud OLIVEIRA; SHIMA,
2012, p. 2).

De posse de tais informações, o Ministério da Ciência e Tecnologia


considerou que o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em
uma infraestrutura nacional poderia propiciar a diminuição da distância entre
países em desenvolvimento e países ricos no campo social, econômico e cultural
(OLIVEIRA; SHIMA, 2012). Assim, foi criado um cronograma para o Programa
Sociedade da Informação distribuído em duas etapas, sendo a primeira etapa
a de implantação e a outra etapa de execução. Para Takahashi (2000), a fase
de implantação era compreendida pela: a) elaboração de uma proposta inicial
detalhada de Programa, no chamado “Livro Verde”, b) processo de consulta
ampla à sociedade e; c) consolidação do plano definitivo com as atividades do
Programa no chamado “Livro Branco”, contendo a inserção das ideias trazidas
pelo Livro Verde e opiniões coletadas durante o processo de consulta.

O Livro Verde do Programa Sociedade da Informação é uma das ações que


elaboradas para apresentar à sociedade, metas de implementação do Programa e
é composto por uma súmula consolidada de possíveis aplicações de Tecnologias
da Comunicação e Informação. Nesse sentido,

116
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

contempla um conjunto de ações para impulsionarmos a Sociedade da


Informação no Brasil em todos os seus aspectos: ampliação do acesso,
meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à
pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico, desenvolvimento
de novas aplicações. Esta meta é um desafio para o Governo e para a
sociedade (SARDENBERG, 2000, p. 5).

Tal documento aponta inicialmente uma proposta de ações concretas


que engloba planejamento, orçamento, execução e acompanhamento específicos.
“Estará exposto a toda a sociedade brasileira e a comunidade internacional,
convidadas a participar de um processo de crítica, consulta e debates em torno
de seu conteúdo” (ORGANIZACIÓN..., 2000, s.p.). Como resultado, esperou-se a
depuração das propostas que promovesse a construção conjunta de um projeto que
compartilhasse as responsabilidades entre o governo, as organizações privadas,
a sociedade civil e o setor acadêmico – modelo básico de apoio à Sociedade da
Informação (ORGANIZACIÓN..., 2000).

FIGURA 3 – PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL - LIVRO VERDE

FONTE: <[Link] Acesso em: 10 ago. 2019.

117
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

No que se refere ao papel governo (incluindo seus diversos níveis: federal,


estadual, municipal), este deve proporcionar e assegurar o acesso de forma
universal às TICs e seus benefícios, independentemente da localização geográfica
do sujeito ou população e da situação social em que este cidadão se encontra.
Para tal, deve-se garantir o oferecimento de serviços mínimos e estimular a
interoperabilidade de tecnologias e redes. Cabe ainda ao governo, estimular e
viabilizar que ocorra a participação de organizações sem fins lucrativos, pequenas
empresas e diversos segmentos sociais marginalizados e de minorias. Dessa
forma, possibilitará que este segmento da população tenha acesso aos benefícios
propiciados pela Sociedade da Informação e também aqueles que ainda poderá
proporcionar.

Ademais, cabe ao governo o estabelecimento de condições equitativas


de competição entre os diferentes segmentos da população e seus agentes
econômicos, sem retirar as iniciativas de investimento e de novos negócios,
bem como implementar além de políticas públicas, instrumentos de
regulação legal, flexível e que promova a proteção dos interesses dos
cidadãos e estimule o desenvolvimento dos diversos setores da sociedade
(ORGANIZACIÓN..., 2000).

No que se refere às organizações privadas, estas são as que dispõem


de maior capacidade de investir e inovar, de dinamizar e obter condições
abrangentes de ações e de capilarização. Neste setor, a partir da colaboração
com diferentes atores, pode-se decidir investir em tecnologias e aplicações.
Por intermédio de tal parceria, deve também voltar-se para desenvolver
produtos de alta qualidade e serviços inovadores que viabilizem oportunidades
de novos mercados e melhorem as condições de vida de todas as pessoas
(ORGANIZACIÓN..., 2000).

Quanto à sociedade civil, esta precisa zelar pelo interesse público,


buscando organizar seus setores para monitorar e influenciar os poderes públicos
e as organizações de cunho privado. As organizações não governamentais (ONGs)
ocupam importante papel na mobilização da sociedade, buscando garantir que
os objetivos comuns sejam respeitados. Ademais, cada cidadão precisa atuar de
forma ética, no que se refere a disseminar e utilizar conteúdos por intermédio de
redes eletrônicas, em especial, na internet (ORGANIZACIÓN..., 2000).

As universidades e outras instituições educacionais possuem um


importante papel para o desenvolvimento e alcance de metas do Programa, visto
que estão vinculadas à formação de pessoal qualificado e na construção de ciência
e tecnologia. Por fim, todos os setores (governo, setor privado, setor acadêmico e
cidadãos) precisam se unir para participar na concepção e conversão do projeto
da Sociedade da Informação (ORGANIZACIÓN..., 2000).

118
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

No que concerne à informação disponibilizada e acessível no mundo


digital, tal programa “considerou em suas metas as bibliotecas públicas pontos
focais naturais para difusão, captação e processamento de conteúdos de interesse
público” (MACHADO, 2010, p. 101). O livro Verde tornou-se uma referência para
pesquisadores, gestores públicos, empresários e demais interessados no tema de
políticas de Ciência e Tecnologia do Brasil. A partir de debates, assembleias e
resoluções e, principalmente, da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e
Inovação ocorrida em setembro de 2001 foram publicados os resultados no Livro
Branco. Conforme Pacheco (2001), não restam dúvidas de que o Livro Branco
é o “ponto culminante de uma trajetória de reforma do sistema nacional” de
Ciência e Tecnologia, que ainda não foi completado, mas que possui um rumo a
ser seguido.

O Livro Branco não traz detalhadamente o “como” implementar as


diretrizes discutidas na Conferência Nacional (BRASIL, 2002). No entanto,
propõe uma síntese do que os participantes, debatedores, pesquisadores e demais
integrantes da Conferência acordaram: “uma agenda de consensos que norteia
uma direção” (PACHECO, 2001, p. 15). Esse documento traça rumos para os anos
vindouros da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) brasileiras, num quadro de
transformações mundiais. Realiza uma síntese do que os inúmeros interlocutores
da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em
setembro de 2001 acordaram entre si para formar e consolidar, em um ambiente
estimulante e indutor da inovação, um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia
e Inovação cuja base científica e tecnológica seja internacionalmente competitiva,
ampla, diversificada e nacionalmente distribuída (BRASIL, 2002).

119
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

LEITURA COMPLEMENTAR

O Programa Sociedade da Informação também foi instituído em outros


países. A seguir, será realizada a leitura com o exemplo de aplicação do Programa
em Portugal. Este é um trecho retirado do artigo “Sociedade da Informação no
Brasil e Portugal: um panorama dos livros Verdes, escrito por Georgete Medleg
Rodrigues, João Batista Simão e Patrícia Simas de Andrade e publicado na Revista
Ciência da Informação, v. 32, n. 3, 2003.

PROGRAMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO EM PORTUGAL

A iniciativa de Portugal para a criação de uma sociedade da informação


baseia-se no Programa do 13º Governo Constitucional. Nele foram delineadas as
intenções para o período 1995-1999. A Iniciativa Nacional para a Sociedade da
Informação foi estruturada em torno de quatro temas: a escola – tecnologia da
informação na educação; a empresa informatizada; a administração pública local
e regional – o Estado aberto; o conhecimento – bibliotecas, museus, bancos de
dados e instituições de pesquisa e desenvolvimento.

O Livro Verde de Portugal aborda 11 tópicos: caráter democrático da


sociedade da informação: o Estado aberto; o conhecimento disponível; as escolas
conectadas – aprendendo na sociedade da informação; a empresa na sociedade
da informação; o emprego na sociedade da informação; o mercado e a indústria
de informação; as implicações sociais da sociedade da informação; as implicações
jurídicas da sociedade da informação; infraestrutura nacional de informação; a
pesquisa e o desenvolvimento na sociedade da informação.

O Livro Verde pretende ser uma reflexão estratégica que define meios para
implementação de uma sociedade da informação em Portugal. A construção dessa
sociedade não é apenas uma questão tecnológica, nem o resultado de inovações
da era digital. Trata-se de um desafio para a construção de uma democracia, na
qual estão implícitos princípios de liberdade e igualdade. Pretende-se garantir o
acesso de todos, independentemente de origem social, combatendo a infoexclusão
e as desigualdades culturais, sociais e econômicas.

Os princípios da democracia, consagrados na Constituição da República


Portuguesa, devem ser respeitados para que se possa implementar uma sociedade
da informação em Portugal. São eles:

a) todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei
(art.13º);
b) direito à identidade pessoal, à cidadania, ao bom nome e reputação, à reserva
da intimidade da vida privada e familiar (art. 26º);
c) direito à liberdade e à segurança (art. 27º);
d) liberdade de criação intelectual, artística e científica (art. 42º);

120
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

e) a informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes à vida
intima ou privada dos cidadãos (art. 35º);
f) o direito à livre expressão do pensamento e o direito de informação (art. 37º).

O documento destaca ainda que o abismo existente entre os diferentes


níveis de renda aprofunda-se aceleradamente e que as evidências mostram que
cidadãos excluídos socialmente revelam falta de informação e de leitura e são
fragilizados pela ausência de reconhecimento social e político.

Para diminuir esse abismo, são necessárias medidas de iniciativa pública


que criem condições de igualdade de acesso nas escolas, bibliotecas, autarquias e
outros locais públicos, bem como o desenvolvimento de programas de apoio às
associações culturais, centros de juventude e outras associações que contribuam
para o combate à iniquidade nos meios de acesso e de assimilação dos benefícios
que a sociedade da informação pode oferecer. Devem ser elaborados planos de
ação visando à adequação das tecnologias da informação aos cidadãos portadores
de necessidades especiais.

Em cada um dos 11 tópicos do Livro Verde, foram apresentados


programas em desenvolvimento e concluídos que concretizam as medidas
apontadas. As diretrizes e medidas propostas correspondem às opções de
política governamental, mas não contêm detalhes ou estimativas de custo para
sua implementação.

No que se refere ao primeiro tópico, O Caráter Democrático da Sociedade


da Informação, vale a pena ressaltar o Programa Internet na Escola do Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT), uma vez que o sistema de ensino é um meio
privilegiado para combater a desigualdade. O programa consiste na ligação à
Internet das bibliotecas de todas as escolas públicas, privadas e profissionais
do ensino fundamental por meio da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade
(RCTS). Foram criados, em todo o país, 15 pontos de acesso (POP), sediados
em instituições universitárias e de pesquisa. No âmbito do MCT, foi criada a
Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa (Uarte), que acompanha todo o
programa, disponibilizando um serviço de apontadores de recursos educativos.
Foram estabelecidos também protocolos entre o MCT e as câmaras municipais,
com o objetivo de disponibilizar a alunos e professores das escolas do ensino
fundamental a utilização educativa da internet.

Outro programa que merece ser destacado é o Sistema Interdepartamental


de Informação ao Cidadão (Infocid), direcionado à informação de cidadania e
resultado da cooperação dos ministérios, que disponibiliza vasto conjunto de
temas: cidadão e família; saúde; educação; juventude; vida cívica; trabalho;
emprego; segurança social; direito e tribunais; habitação, empresa e economia.
A informação é disseminada em quiosques, prédios públicos e terminais
multibancos. O programa foi considerado exemplar pela Organização de
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

121
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

Em relação ao segundo tópico, O Estado Aberto, é evidenciada a


importância do papel decisivo do Estado para colocar Portugal em posição
competitiva no mercado global, onde ele tem poder para intervir nas estruturas
internacionais, assegurando as opções nacionais em matéria de desenvolvimento
da sociedade da informação. O Estado deve estimular a evolução e as mudanças
necessárias nos setores relevantes e dar exemplos de uso das novas tecnologias
para desburocratizar, simplificar e melhorar a eficiência da administração pública.

O Ministério da Saúde possui um projeto denominado Cartão de


Identificação do Usuário do Serviço Nacional de Saúde, que tem como objetivo a
identificação dos cidadãos por meio de um número único em nível nacional, bem
como a gestão de doentes nos órgãos prestadores de serviços de saúde, tanto em
hospitais, quanto em centros de saúde.

É de grande importância o processo de informatização da administração


pública. O estatuto da informação existente em cada serviço deve ser claro,
fazendo-se uma distinção entre a “informação de cidadania” (que deve ser
universal e gratuita), a “informação para o desenvolvimento”, que é destinada
principalmente aos agentes econômicos e sociais (pode ser remunerada a preço
simbólico ou eventualmente gratuita), e a “informação de valor agregado” (que
deve ser fornecida de acordo com as regras de mercado). O objetivo é que a
administração pública ofereça condições de acesso à informação pública existente
nos arquivos e disponibilize meios de coleta de informação por meio eletrônico.
Estes procedimentos devem respeitar normas de proteção de dados pessoais e
empresariais e de transferência eletrônica de dados.

O cartão “Caixa Automática Universidade/Politécnico” é um exemplo de


cartão de identificação que permite aos seus titulares, em sua maioria estudantes,
docentes e funcionários de estabelecimentos de ensino superior, acesso direto à
Internet com possibilidade de requisição de artigos e livros e ainda (no caso dos
estudantes) acesso a estágios curriculares na instituição. Além disso, é possível
obter créditos com taxas de juros reduzidas, crédito para habitação e seguros.

Outro projeto que assegura troca de informações entre a administração


pública, as empresas e os cidadãos pertence ao Ministério da Saúde, que
dispõe na Internet de um sistema de informação sobre todas as áreas de sua
responsabilidade contendo dados produzidos por suas instituições. A Rede de
Informação de Saúde (RIS) tem como objetivo dotar o Ministério da Saúde dos
meios (equipamento, software e serviços) que permitam a instalação de uma
espinha dorsal de telecomunicações. A cobertura total do país torna possível a
troca direta de informação clínica e administrativa entre instituições e a consulta
às bases de dados.

Visando tornar a administração pública mais eficiente, os dados


disponíveis em registros públicos devem estar sempre sendo processados. O
reaproveitamento da informação administrativa deve ser promovido de modo a
eliminar a repetição do pedido da mesma informação aos cidadãos e às empresas

122
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

por parte da administração pública. Exemplo disso é o projeto “Dados dos Óbitos
Substituem Prova de Vida”, que tem como objetivo facilitar a comunicação dos
óbitos entre os órgãos envolvidos.

A integração de informação geográfica digital no Sistema Nacional de


Informação Geográfica e a existência de uma base cartográfica digitalizada na
escala 1:25.000 são importantes para dar apoio às funções de ordenamento do
território, como, por exemplo, o controle de desmatamento, incêndios etc.

O quarto tópico refere-se ao conhecimento, que, mais do que em


qualquer época, é poder. O país que tiver melhores condições para liderar a
revolução da informação será mais poderoso do que qualquer outro. A criação e
o apoio a uma rede de pesquisa científica, cultural e de educação são formas de
o Estado contribuir para o aumento da percepção da importância da informação
e da cultura. A consolidação da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS)
é uma medida estratégica que envolve o MCT, a Fundação para a Computação
Científica Nacional e a Portugal Telecom. A rede promove a conexão telemática
de escolas, bibliotecas, associações científicas e culturais, universidades e
instituições de pesquisa, contribuindo para uma disseminação mais rápida do
conhecimento por todas as camadas sociais. Em 1997, foram firmados protocolos
com a Associação Nacional dos Municípios e com a Fundação Calouste
Gulbenkian, com o objetivo de equipar as bibliotecas da rede da Fundação com
computadores multimídia com acesso à Internet e interligados à RCTS. O MCT
cooperará na identificação de bibliografia científica e tecnológica, em língua
portuguesa, destinada a enriquecer as bibliotecas, que, por sua vez, atuarão
como polos dinamizadores da cultura científica.

A cultura portuguesa deve ser afirmada no mundo por uma rede da


lusofonia, principalmente nos países de colonização portuguesa, onde Portugal
deixou marcas culturais importantes. Um dos projetos nessa área, o Projeto
Terravista, permite a hospedagem gratuita de conteúdos e a criação de uma
comunidade virtual de língua portuguesa. Em 1999, o governo, em parceria com
a Associação Terravista, lançou Gentes e Lugares, um projeto de dinamização
da utilização da Internet como ferramenta de trabalho e de valorização dos
conteúdos portugueses.

O governo empreendeu ainda esforços para o lançamento de um programa


de pesquisa e desenvolvimento sobre o processamento computacional da língua
portuguesa em que tornava obrigatória aos órgãos públicos a disponibilização,
em formato digital na Internet, de toda publicação e informação por eles
produzidas. O programa visa à criação de software de reconhecimento da escrita
e da voz em língua portuguesa, bem como sua difusão e utilização mundial.
Em 2000, o Ministério da Ciência e Tecnologia firmou protocolo com o jornal.
O Público Comunicação Social, S.A., que se comprometia a ceder ao MCT, em
formato digital, trechos de textos publicados no jornal, cobrindo vários anos de
publicação e abrangendo várias seções do jornal. Os textos organizados pelo MCT
são denominados Cetem Público. O Cetem destina-se a ser usado como fonte de

123
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

informação em projetos de pesquisa e desenvolvimento na área do processamento


computacional da língua portuguesa e foi enviado a mais de 150 pesquisadores
em todo o mundo e disponibilizado na Internet.

As bibliotecas públicas precisam ser equipadas com novos equipamentos


para se tornarem cada vez mais aptas a levar às populações os conhecimentos
de que necessitam. Devem ser o ponto de acesso para os que estão excluídos
por razões socioeconômicas e/ou culturais. Os arquivos e o patrimônio cultural
devem ser divulgados na Internet.

O conceito de educação deve ultrapassar as fronteiras do espaço e do


tempo, dando lugar a um processo de aprendizagem durante toda a vida. Cabe
ao sistema educativo fornecer, a todos, meios para dominar a proliferação de
informações, de as selecionar e hierarquizar, com espírito crítico, preparando-os
para lidar com uma quantidade enorme de informação que poderá ser efêmera e
instantânea. Devem ser feitas adaptações ao sistema de ensino no que se refere a
programas, conteúdos, formação de professores e recursos, e devem ser criados
conteúdos educacionais, culturais e meios de auxílio e pesquisa para apoiar
atividades docentes. Uma das prioridades consiste na utilização de computadores
e no acesso às redes eletrônicas de informação pelos alunos de todos os graus de
ensino, como já foi visto anteriormente no Programa Internet nas Escolas e na
consolidação da RCTS.

O Programa Nonio-Século XXI, lançado pelo Ministério da Educação,


incentivou a criação de centros de competência, localizados em instituições de
ensino superior, que, em conjunto com escolas do ensino fundamental e secundário,
cooperam no uso das novas tecnologias da comunicação e da informação para a
melhoria do ensino e do uso das novas tecnologias.

A Rede Comunicação para Universitários é um projeto lançado, em


colaboração com o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, pela
Portugal Telecom (PT), cuja finalidade é proporcionar o uso da Rede Digital de
Serviços Integrados a estudantes e professores de diversas universidades.

Quanto aos tópicos empresa e emprego, Portugal deve inserir-se no


movimento global de mudança econômica decorrente do que se tem convencionado
como “revolução digital”, adotando medidas que promovam a competitividade
das empresas e reinventem a organização do trabalho e do emprego.

O teletrabalho pode ser um estímulo importante ao desenvolvimento


econômico e tecnológico de empresas, principalmente às pequenas e médias
empresas que poderão competir melhor com as empresas maiores que não
optem por métodos de trabalho inovadores. O Teleman é um corretor (broker) de
teletrabalho português que presta apoio ativo a pessoas que não têm igualdade
de oportunidades no mercado de trabalho tradicional e fomenta o autoemprego.
A rede se estende a 10 países europeus. A inclusão do Brasil, prevista para 2000,
não foi implementada.

124
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

É preciso que a política de emprego seja mais orientada para investimento


em recursos humanos. A questão da qualificação profissional é crucial porque
melhora a produtividade e qualidade do emprego.

O Projeto Mercúrio criou, com o apoio do Procon, um espaço na Internet


e desenvolveu infraestruturas de suporte ao uso das novas tecnologias de
informação e comunicação no setor do comércio – parte do projeto de incentivo
às transações seguras e à defesa do consumidor on-line.

Um mercado dinâmico e uma forte indústria da informação são os


alicerces da sociedade da informação. As telecomunicações providenciam as
infraestruturas de transporte e acesso para que a informação possa ser consultada,
transmitida e trocada entre os seus utilizadores.

As indústrias de conteúdos, software e audiovisual devem ser dinamizadas


por meio de mecanismos de investimento que englobem a digitalização de arquivos
que pertençam ao patrimônio cultural e artístico português, o desenvolvimento
de software e conteúdos multimídia para utilização de escolas, bibliotecas,
hospitais e administração pública, bem como uma estratégia para exportação de
conteúdos desenvolvidos por empresas nacionais para os mercados de língua
portuguesa e para o mercado global. As parcerias entre o setor público e privado
devem ser apoiadas, e o acesso à informação existente em arquivos nacionais
públicos e privados, melhorado.

Em relação às empresas nacionais, deve-se promover mecanismos para


envolvê-las em parcerias internacionais e criar instrumentos para promover seu
acesso a formas diversificadas de capital de risco para concretização de projetos
de inovação. As implicações sociais resultantes do uso das novas tecnologias e
suas aplicações atingem diversos setores da sociedade, afetando o modo de vida
de uma maneira muito profunda e contribuindo para a melhoria da qualidade de
vida e bem-estar dos cidadãos. Em contrapartida, a complexidade e o custo das
novas tecnologias aumentam as desigualdades entre aqueles que têm acesso e
os que não a têm, conduzindo à infoexclusão e a uma deterioração da qualidade
de vida. Para assegurar um nível adequado de utilização das novas tecnologias,
é preciso fomentar programas extraescolares e de formação profissional de
infoalfabetização para atingir um nível mínimo de literacia em informática.

Os grupos socialmente desfavorecidos são objeto de medidas específicas


para que não se deparem com situações regressivas. O sistema Dixi destina-se
a crianças com paralisia cerebral, servindo como ferramenta de aprendizagem
na fase de associação de sons a letras. O sistema está sendo adaptado para ser
utilizado por pessoas portadoras de necessidades especiais, principalmente
visuais.

Alguns tópicos relevantes no âmbito da sociedade da informação são


de natureza global e, por este motivo, só podem ser abordados por meio de
cooperação internacional entre os países membros da União Europeia. Com o

125
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

intuito de conciliar os diversos interesses, a União Europeia iniciou a elaboração


de diretrizes em domínios como privacidade, comércio eletrônico, direito autoral
etc. Contudo, algumas questões requerem intervenção normativa do Estado e já
se encontram regulamentadas. São elas:

– Decreto-lei nº 58, de 17.03.1998 – dispõe sobre o regime de aquisição de bens e


serviços de informática;
– Lei nº 59, Art. 190º, de 25.08.1998 – revisão do Código de Processo Penal – o
correio eletrônico passa a ter um regime de interceptação mais exigente do que
o aplicável ao correio pelos meios tradicionais;
– Lei nº 65, de 02.09.1998 – revisão do art.221º sobre burla na informática e nas
comunicações e agrava a punição da pedofilia;
– Lei nº 67, de 26.10.1998 – regulamentação da diretiva 95/46/CE, de 24.10.1995,
do Parlamento Europeu, relativa à proteção das pessoas singulares no que diz
respeito ao tratamento de dados pessoais e sua livre circulação;
– Lei nº 69, de 28.10.1998 – regulamentação do tratamento dos dados pessoais e a
proteção da privacidade no setor das comunicações;
– Lei do Orçamento de Estado de 1999 – inclui no Estatuto dos Benefícios Fiscais
um artigo referente a software;
– Decreto-lei nº 290-D, de 02.08.1999 – dispõe sobre o reconhecimento e o valor
jurídico dos documentos eletrônicos e da assinatura digital, confia o controle da
atividade de certificação de assinaturas a uma entidade a ser designada e define
poderes e procedimentos desta, bem como as condições de credenciamento da
atividade e os deveres das entidades certificadoras;
– Decreto-lei nº 375, de18.09.1999 – dispõe sobre equiparação da fatura eletrônica
à fatura emitida em papel, regulando igualmente a sua forma de conservação;
– Lei nº 30C, de 29.12.2000 – altera o art.49 do Decreto-Lei 215, de 01.07.1989, que
dispõe sobre o Estatuto dos Benefícios Fiscais;
– Decreto-lei nº 234, de 25.09.2000 – cria o Conselho Técnico de Credenciamento
como estrutura de apoio ao Instituto das Tecnologias da Informação na
Justiça no exercício das funções de autoridade credenciadora de entidades
certificadoras de assinaturas digitais;
– Decreto-lei nº 51, de 02.03.2002 – atribui relevância jurídica à disponibilização
e submissão por meio eletrônico de modelos dos formulários dos organismos e
serviços públicos integrados na administração pública;
– Decreto-lei nº 67, de 20.03.2002 – atribui competência para a constituição de
um sítio na Internet para publicação de oferta de emprego na área científica e
tecnológica.

As Resoluções do Conselho de Ministros aprovaram as iniciativas e


estratégias para a sociedade da informação. Na quarta revisão da Constituição,
foram feitas alterações com a intenção de aperfeiçoá-la em matéria de novos
direitos, liberdades e garantias. São elas:

126
TÓPICO 1 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CENÁRIO NACIONAL

– Art. 34 – foi consagrada a proibição de ingerência indevida das autoridades em


todas as comunicações dos cidadãos, qualquer que seja o suporte tecnológico
que estes usem;
– Art. 35/2 – define o conceito de dados pessoais, bem como as condições
aplicáveis ao seu tratamento automatizado, conexão, transmissão e utilização.
Garante a sua proteção através de entidade administrativa independente;
– Art. 35/4 – reformula a proibição de acesso a dados pessoais de terceiros, salvo
em casos excepcionais previstos na lei;
– Art. 35/6 – garante o livre acesso às redes informáticas de uso público.

A infraestrutura nacional de informação representa a plataforma


tecnológica de suporte à sociedade da informação, na qual se integrarão todos
os recursos nacionais disponíveis no mundo da informação, inclusive as pessoas
que criam e desenvolvem produtos e aplicações ou que atuam como facilitadoras
para a utilização dos mecanismos da sociedade da informação.

Sua importância deve ser avaliada em termos dos benefícios produzidos


econômica e socialmente. Cabe-lhe desempenhar um papel-chave em uma
transição com êxito para uma nova economia na qual a criação de riqueza esteja
baseada na inovação tecnológica e na utilização da informação como um bem
precioso, assegurando distribuição dos benefícios econômicos.

Para que seja implementada essa infraestrutura, é preciso uma


interoperabilidade de todos os recursos, fornecendo as condições de capacidade
e largura de banda, assim como entre aplicações e serviços, possibilitando a
transmissão de voz, dados e imagens de forma eficiente para qualquer lugar, e
uma atuação conjunta do setor privado e público. Cabe ao governo o papel de
desenvolver e aplicar uma política para o setor de informação e comunicação,
incluindo uma política de pesquisa e desenvolvimento.

A pesquisa científica e o desenvolvimento experimental desempenham


papel fundamental no desenvolvimento da sociedade da informação e devem ser
promovidos por meio de racionalização e canalização de recursos, para definir e
financiar um Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, em articulação
com os programas internacionais em que sejam identificados projetos prioritários
de pesquisa, executados de forma cooperativa entre as instituições de pesquisa
do Estado e do setor privado.

FONTE: RODRIGUES, Georgete Medleg; SIMÃO, João Batista; ANDRADE, Patrícia Simas de.
Sociedade da Informação no Brasil e em Portugal: um panorama dos Livros Verdes. Ciência da
Informação, v. 32, n. 3, 2003.

127
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Existem algumas experiências de políticas governamentais brasileiras voltadas


ao fomento da Sociedade da Informação.

• A Sociedade da Informação surge a partir dos avanços tecnológicos em rede


e das novas exigências do mercado, que possui a informação como um bem
social e elemento crucial para emancipação cidadã e da ação governamental.

• O conceito de Governo Eletrônico surgiu a partir do desenvolvimento das


tecnologias de informação e comunicação, em especial, da internet, que
propiciou à Administração Pública novas formas de se relacionar com a
sociedade e vice-versa.

• O programa de Governo Eletrônico do Brasil surgiu a partir dos anos 2000, a


partir da criação de um Grupo de Trabalho Interministerial.

• O Comitê Executivo de Governo Eletrônico (GECE) com a finalidade de


formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer a coordenação e a articulação
de ações de implantação do Governo Eletrônico.

• O programa de Governo Eletrônico (e-GOV) brasileiro prioriza a utilização


de tecnologias de informação e comunicação para democratizar o acesso
à informação, buscando, assim, a ampliação do debate e da participação
da população na construção de políticas públicas e no aprimoramento da
qualidade de informações e serviços públicos prestados aos cidadãos.

• O e-GOV compreende a definição de padrões, a normatização, a articulação


da integração de serviços eletrônicos, a disponibilização de boas práticas, a
criação e construção de super infraestrutura tecnológica entre outras questões.

• O grupo de Implantação do Programa Sociedade da Informação, composto por


representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada e
instituições públicas e privadas de ensino, foi quem originou o documento que
é conhecido como Livro Verde.

128
• O objetivo do Programa Sociedade da Informação é realizar a integração,
coordenação e fomento de ações para o uso de tecnologias de informação e
comunicação (TICS) visando contribuir para a inclusão de todas as pessoas na
sociedade da informação brasileira, e, ao mesmo tempo, em que contribui para
que a economia do país consiga competir com o mercado global.

• O papel governo (incluindo seus diversos níveis: federal, estadual, municipal)


na Sociedade da Informação deve ser o de proporcionar e assegurar o acesso de
forma universal às TICs e seus benefícios, independentemente da localização
geográfica do sujeito ou população e da situação social em que esse cidadão se
encontra.

• O papel da sociedade civil é o de zelar pelo interesse público, buscando


organizar seus setores para monitorar e influenciar os poderes públicos e as
organizações de cunho privado.

• As universidades e outras instituições educacionais possuem o papel para que


está vinculado ao desenvolvimento e alcance de metas do Programa, pois são
elas que estão vinculadas à formação de pessoal qualificado e na construção
de ciência e tecnologia. Por fim, todos os setores (governo, setor privado,
setor acadêmico e cidadãos) precisam se unir para participar na concepção e
conversão do projeto da Sociedade da Informação.

• O Livro Verde é composto por um conjunto de ações para impulsionarmos a


Sociedade da Informação no Brasil em todos os seus aspectos: ampliação do
acesso, meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à
pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico, desenvolvimento de novas
aplicações.

• O Livro Branco propõe uma síntese do que os participantes, debatedores,


pesquisadores e demais integrantes da Conferência acordaram: “uma agenda
de consensos que norteia uma direção.

129
AUTOATIVIDADE

1 Sobre os motivos que levaram à criação do Programa Sociedade da


Informação, marque com V para verdadeiro e F para falso as opções a seguir:

a) ( ) O papel central de Tecnologias de Informação (TI) na viabilização de


competitividade econômica do país, não somente através da criação de
novos produtos e serviços, mas especialmente por meio da renovação
das estruturas tradicionais de produção e comercialização de bens e
serviços.
b) ( ) O desenvolvimento da discussão ampla de sua situação como cidadãos,
suas reivindicações e direitos, além da valorização do potencial de
vivência dentro das comunidades.
c) ( ) A importância competitiva que TI pode assegurar a países em
comércio internacional, através da implantação/uso de mecanismos de
pagamento eletrônico, transporte de bens com acompanhamento em
tempo real, alfândegas eletrônicas, entre outros.
d) ( ) A utilização de infraestruturas de outros países para a propagação de
redes de monitoramento de pessoal de TI no contexto mundial.
e) ( ) A necessidade de uma infraestrutura avançada de redes e de
computação para suporte a todas as atividades do país, perpassando
desde educação e pesquisa até comércio de bens e serviços, destacando
o oferecimento de serviços públicos eficientes.
f) ( ) A urgência de viabilizar a democratização do acesso à informação
visando contribuir para o exercício pleno da cidadania.

2 Conforme estudado no Tópico 1, para Takahashi (2000), a fase de implantação


do Programa Sociedade da Informação era compreendida por:

a) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, no


chamado “Livro Branco” seguido do processo de consulta ampla à
elite da sociedade e, por fim, a consolidação do plano definitivo com
as atividades do Programa no chamado “Livro Verde”, sem conter a
inserção das ideias trazidas pelo Livro Branco e opiniões coletadas
durante o processo de consulta.
b) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, no
chamado “Livro Verde”, seguido pelo processo de consulta ampla
à sociedade e; por fim, a consolidação do plano definitivo com as
atividades do Programa no chamado “Livro Branco”, contendo a
inserção das ideias trazidas pelo Livro Verde e opiniões coletadas
durante o processo de consulta.
c) ( ) A elaboração de uma proposta inicial detalhada de Programa, intitulado
de “Livro Amarelo”, seguido pelo processo de inserção do modelo na
sociedade enquanto um protótipo e; por fim, a consolidação do plano
definitivo com as atividades do Programa no chamado “Livro Verde”,
contendo a inserção das ideias trazidas pelo Livro Verde e opiniões
coletadas durante o processo de consulta.
130
d) ( ) A elaboração de uma proposta inicial de descentralização e
regionalização da P&D, conhecida como “Livro Verde”, seguida da
realização de pesquisas com comunidades vulneráveis da sociedade e,
por fim, a implantação de tais ideias no “Livro Branco”.

3 Conforme estudado neste tópico, a política do Governo Eletrônico (Egov)


do Brasil se baseia em um conjunto de diretrizes que estão fundamentadas
em três ideias. Quais são elas?

4 O órgão que possui a finalidade de formular políticas, estabelecer diretrizes,


fazer a coordenação e a articulação de ações de implantação do Governo
Eletrônico é:

a) ( ) Comitê Executivo de Governo Eletrônico.


b) ( ) Assembleia Executiva do Governo Federal.
c) ( ) Grupo de Trabalho de Governo Eletrônico.
d) ( ) Política de Interação Eletrônica do Governo.
e) ( ) Portal Eletrônico do Governo Federal.

5 Segundo o site do Governo Eletrônico (Egov), em outubro de 2000 foi criado


o Comitê Executivo de Governo Eletrônico (GECE). A partir dos estudos
realizados neste tópico, identifique nas opções a seguir a finalidade de tal
Comitê:

a) ( ) Realizar ações de promoção de debate, via redes sociais na internet,


sobre as ações realizadas pela Administração Pública Federal, assim
como realizar a coordenação do site do Governo Eletrônico.
b) ( ) Promover a criação de diretrizes curriculares para a inserção do estudo
das TICs nos cursos tecnológicos, técnicos e bacharelados. Além disso,
estabelecer a articulação entre Organizações não governamentais e a
criação de políticas públicas informacionais.
c) ( ) Formar profissionais capacitados para gerenciar softwares e realizar a
gestão eletrônica de documentos nos espaços da internet, assim como
promover o debate acerca da coordenação do Governo Eletrônico e
suas ações.
d) ( ) Formular políticas, estabelecer diretrizes, fazer a coordenação e a
articulação de ações de implantação do Governo Eletrônico.
e) ( ) Ampliar o acesso às Tics e aos computadores pelas populações com
menor poder aquisitivo via programas assistenciais de concessão de
computadores para pessoas de baixa renda.

6 Conforme estudado neste tópico, o Programa Sociedade da Informação


possui o objetivo de:

a) ( ) Realizar a integração, coordenação e fomento de ações para o uso de


tecnologias de informação e comunicação (TICS) visando contribuir
para a inclusão de todas as pessoas na sociedade da informação

131
brasileira, e, em paralelo, contribuir para que a economia do país
consiga competir com o mercado global.
b) ( ) Realizar a construção do projeto Mais Bibliotecas Públicas, criado com
o objetivo de dar continuidade aos investimentos na ampliação do
número de bibliotecas públicas e qualificação das já existentes, como
uma ação estratégica dentro das políticas culturais voltadas para as
bibliotecas públicas no Brasil.
c) ( ) Focalizar as políticas de C&T no Brasil, ressaltando o papel
desempenhado pelo Portal de Periódicos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), especialmente
no que se relaciona às tecnologias da informação e comunicação (TICs).
d) ( ) Realizar a integração, a coordenação e a proposição de políticas de
promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra e outros
segmentos raciais e étnicos da população brasileira.
e) ( ) Elaborar o regimento interno do e-GOV e decidir sobre as alterações
propostas por seus membros.

132
UNIDADE 3
TÓPICO 2

POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA


LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

1 INTRODUÇÃO
Existem algumas iniciativas governamentais em torno de políticas públicas
que buscam tornar possível a popularização da leitura e do livro, bem como a
ampliação, modernização, criação e desenvolvimento de bibliotecas no Brasil
(SANTOS, 2013). No Brasil, existem algumas iniciativas, como o Plano Nacional
de Cultura (PNC), o Plano Nacional do Livro (PNLL), entre outras ações, que
vinculadas a outras políticas públicas poderão mudar a realidade brasileira no
que concerne ao acesso ao livro, à leitura e à biblioteca.

Neste sentido, apresentam-se alguns elementos constituintes de políticas


públicas para a promoção do livro, leitura, biblioteca e literatura. A seguir serão
apresentadas as políticas nacionais de informação para a promoção do livro,
leitura e da biblioteca, a saber: Programa Nacional de Incentivo à Leitura, Política
Nacional do Livro, Plano Nacional do Livro e da Leitura, Programa de Bibliotecas
Rurais Arca das Letras, Política Nacional de Leitura e Escrita, entre outros.

2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS BIBLIOTECAS NO BRASIL


No Brasil, as políticas públicas para bibliotecas ainda não estão
estabelecidas de forma definitiva. Embora nas últimas tenham as políticas
governamentais tenham incluído as bibliotecas em seu foco, ainda falta um longo
caminho para o estabelecimento completo de políticas públicas nacionais para
bibliotecas.

No que se refere aos marcos históricos, antes do ano de 1937, os governos


buscavam criar bibliotecas públicas como ações governamentais sem participação
cidadã (MACHADO, 2010). Foi em 1937 que houve a criação do Instituto Nacional
do Livro pelo então ministro Gustavo Capanema. Neste Instituto havia a previsão
de atribuições quanto à edição de obras literárias que tivessem interesse para
a formação cultural da população, a elaboração de enciclopédia e dicionário
nacional, além de promover a expansão do número de bibliotecas. (FGV, 2019).

133
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

No ano de 1992, foi criado o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas


(SNBP) que visava fortalecer as bibliotecas públicas via implementação de
processo sistêmico com ações para integrar as bibliotecas em âmbito nacional.
Para que ocorresse, foi criado o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP),
que visa articular ações de diversas bibliotecas públicas municipais. Sob a
responsabilidade do SNBP, encontrava-se a responsabilidade de ações como
o programa “Livro Aberto”, criado em 2004, que visava inserir bibliotecas em
municípios que não as possuem, assim como conceder bolsas na área do livro
e leitura, realizar cadastros de bibliotecas existentes, revitalizar bibliotecas,
capacitar os recursos humanos dessas unidades de informação, entre outros
(MACHADO, 2010; PAIVA; ANDRADE, 2014).

O Programa Livro Aberto existiu durante o período de 2004 a 2011, e a


partir dele foram criadas 1.705 novas bibliotecas e revitalizadas 682. Tais ações do
Programa foram realizadas por intermédio do estabelecimento de contratos entre
a Fundação Biblioteca Nacional e a Prefeitura beneficiada de forma a garantir a
entrega de materiais, equipamentos, mobiliários e acervo (SISTEMA NACIONAL
DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).

No ano seguinte, o lançamento do programa “Uma biblioteca em cada


município”, do Ministério da Educação, que surgiu com o objetivo de implementar
bibliotecas no país e realizava a distribuição de estantes, livros e oferecia
capacitação para gestão de bibliotecas (MACHADO, 2010; PAIVA; ANDRADE,
2014). Para Machado (2010), esse era um exemplo de política que era elaborado
no estilo universalista, centralizado e tecnocrático.

Foi ainda no ano de 1992, que o Programa Nacional de Incentivo à Leitura


(PROLER) foi criado vinculado à Fundação Biblioteca Nacional via Decreto n.
519, de 13 de maio. Por intermédio de comitês regionais, o PROLER desenvolve
ações em conjunto com secretarias municipais e estaduais de cultura e educação
no Brasil. Na Casa de Leitura, sede do Programa no Rio de Janeiro são oferecidos
diversos cursos para formação, promoção e incentivo à leitura, bem como
capacitação de professores, agentes da leitura e bibliotecários (MACHADO, 2010).

FIGURA 4 – LOGO DO PROLER

FONTE: <[Link]
Acesso em: 20 ago. 2019.

134
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

O objetivo do PROLER é contribuir para a ampliação da leitura, promoção


de acesso à prática de leitura e escrita críticas e criativas. Assim, visa articular a
leitura com expressões de cultura, proporcionar o acesso a materiais escritos e
abrir novos espaços de leitura e integração com práticas de leitura e hábitos da
sociedade, de forma a constituir uma sociedade leitora com ampla participação
cidadã no processo democrático em sociedade (PROLER, 2019). Pretende ainda,
ser referência na valorização da leitura e da escrita no país, com qualidade,
diversidade e inovação (PROLER, 2019).

Além desses, outros marcos legais foram criados referentes às bibliotecas


e políticas públicas no país, conforme demonstrado no Quadro 1.

QUADRO 1 – MARCOS LEGAIS COM AS POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS PARA BIBLIOTECAS


NO PERÍODO DE 1990 A 2006

ANO DESCRIÇÃO
Lei nº 8.028: Extingue o Ministério da Cultura e o substitui pela Secretaria da
1990
Cultura.
Lei nº 8.313: Lei Rouanet, principal ferramenta de fomento à cultura, via renúncia
1991
fiscal dos patrocinadores.
Lei nº 8.029: extingue o Instituto Nacional do Livro (INL, dentro da Fundação
1992
Pró-Leitura) e cria a Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
Decreto nº 99.240: extingue a Fundação Nacional Pró-Leitura (desdobramento
1992
da Lei nº 8.029).
1992 Decreto nº 519: cria o Proler (Programa Nacional e Incentivo à Leitura).
Decreto nº 520: cria o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) dentro
1992
da FBN.
Lei nº 8.490: Recria o Ministério da Cultura (MINC), sem, contudo, reestabelecer
1992
a estrutura anterior.
1995 Decreto-Lei nº 1.494: Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC).
Programas “Uma biblioteca em cada município”, do MINC e “Livro Aberto”
1996
da FBN.
Decreto nº 3.049: aprova a estrutura e os cargos do Ministério da Cultura, tendo
1999
em sua estrutura a Secretaria do Livro e da Leitura (SLL).
1999 Decreto nº 3.294: Sociedade da Informação
2000 Livro Verde da Sociedade da Informação.
2002 Cadastro Nacional de Bibliotecas (CNB).
2003 Extinção da Secretaria Nacional do Livro e da Leitura.
2003 Novo estatuto da Fundação Biblioteca Nacional.
2003 Criação da Câmara Setorial do Livro, Literatura e Leitura (CSLLL).
2004 Programa Fome do Livro.
Portaria nº 234 MINC: Institui o Grupo de Trabalho do livro e da leitura para
2004
formular a Política Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas.
2004 Lei nº 11.033: Decreta a desoneração do PIS/Cofins para o livro.
2005 Ano Viva leitura.

135
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

Lei nº 11.116: Complementa a lei anterior e permite a utilização dos créditos


2005
do PIS/Cofins.
2005 Emenda Constitucional 48, institui o Plano Nacional da Cultura.
Lançamento do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), com texto e
2006
objetivos, em 13 de março.
2006 Portaria Interministerial nº 1442 – Institucionalização do PNLL, (agosto).
2006 PNLL: texto programático conceitual (dezembro).
FONTE: Paiva e Andrade (2014, p. 102-103)

Em 2010, junto à Diretoria do Livro, Leitura e Literatura (DLLL), que estava


vinculada à Secretaria de Articulação Institucional (SAI), do Ministério da Cultura
(MinC), foi lançado o I Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais. Tal
censo visava identificar o perfil dos equipamentos de cultura no Brasil. A partir
desse período, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas tem trabalhado na coleta
de dados e validação de informações junto aos Sistemas Estaduais de Bibliotecas
Públicas, com objetivo de embasar políticas, investimentos públicos e ações
para a área das bibliotecas no Brasil (SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS
PÚBLICAS, 2019).

No ano de 2012, o Decreto nº 7.747, de 6 de junho de 2012, promulgou a


incorporação da DLLL e da SAI-MinC pela Fundação Biblioteca Nacional, a qual
começou a ser chamada de Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas
(DLLLB) e o Sistema Nacional De Bibliotecas Públicas (SNBP) passou a ser
subordinado à DLLLB, da FBN e não mais à Presidência da FBN Brasil (BRASIL,
2012; SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).

Em 2014, o Decreto nº 8.297, de 15 de agosto de 2014, alterou a configuração


e a subordinação do SNBP, o qual foi transferido junto da DLLB para Brasília
e passou a fazer parte da Secretaria Executiva (SE) do Ministério da Cultura.
Dois anos depois, o Decreto nº 8.837, de 17 de agosto de 2016, estabeleceu uma
nova estrutura no MinC. A partir dele, a Diretoria de Livro, Leitura, Literatura
e Bibliotecas foi transformada no Departamento de Livro, Leitura, Literatura e
Bibliotecas (DLLLB), ficando vinculado à Secretaria da Cidadania e da Diversidade
Cultural (SCDC). (BRASIL, 2014; BRASIL, 2016; SISTEMA NACIONAL DE
BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).

Já em 2017, a Portaria nº 84, de 8 de setembro de 2017 implementou a


delegação de competências de políticas de programas do DLLLB ao Secretário
da Economia e da Cultura, do Ministério da Cultura. No entanto, esta portaria
foi revogada pela Portaria nº 30, de 8 de março de 2018. Este foi o mesmo ano em
que o Ministério da Cultura reestruturou a Secretaria da Economia da Cultural
por intermédio do Decreto nº 9.411, de 18 de junho de 2018. Atualmente, o DLLLB
é composto por duas coordenações-gerais e três coordenações (BRASIL, 2017;
BRASIL, 2018b; SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS, 2019).

136
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

Destaca-se ainda, o Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras,


desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no ano de
2003. Este programa contribui para o acesso ao livro pela população rural do país.
No contexto brasileiro, sabe-se que ainda não há bibliotecas públicas em todos
os municípios, e esse Programa busca ser um mecanismo de apoio e condições
para o acesso ao livro e estímulo à leitura na zona rural, desempenhando, assim,
a participação democrática da leitura (PECHI, 2017).

FIGURA 5 – LOGO DO PROGRAMA DE BIBLIOTECAS RURAIS ARCA DAS LETRAS DESTINADO À


REALIZAÇÃO DE BIBLIOTECAS NAS ZONAS RURAIS

FONTE: <[Link] Acesso em: 19 ago. 2019.

A Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento


Agrário adotou a iniciativa de levar bibliotecas à zona rural dos municípios,
visando possibilitar o acesso à informação, ao livro e à leitura para que ocorra
a diminuição das desigualdades sociais no meio rural. As ações que o Programa
executa são elaboradas pela Coordenação Geral de Ação Cultural (GCAC). O
programa é visto também como um mecanismo de inclusão estratégica para
enfrentar as dificuldades de acesso à informação (PECHI, 2017).

Voluntários da comunidade, após passarem pelo processo de capacitação,


são aqueles que colaboram com o cuidado, gestão, guarda, empréstimo e mediação
de leitura na biblioteca e começam a atuar como Agentes de leitura nesse espaço.
A partir da aderência à criação da biblioteca rural dentro da comunidade, as ações
começam a transcorrer de forma colaborativa e estimulante, o que colabora para
o desenvolvimento de ações e atividades pela e na biblioteca. Dessa forma, todas
as atividades buscam ser planejadas de forma a incluir e envolver os usuários
nas práticas de mediação da leitura, acesso ao livro e à promoção da cultura da
comunidade (PECHI, 2017).

137
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

DICAS

Para conhecer mais sobre o Programa Arca das Letras, leia o Manual do
Programa produzido em 2013. Este material está disponível no link: <[Link]
[Link]/sitemda/sites/sitemda/files/user_arquivos_383/cartilha_10_anos.pdf>. Acesso em:
10 ago. 2019.

3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO: CONHECENDO A


POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO E O PLANO NACIONAL DO
LIVRO E DA LEITURA (PNLL)
A Política Nacional do Livro foi sancionada em 30 de outubro de 2003
pela Lei Federal nº 10.753. Voltadas para as questões do livro, por meio desta
lei foi instituído como o instrumento legal que autoriza o Poder Executivo criar
e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à leitura (BRASIL, 2003a). O
livro é conceituado dentro desta política como “a publicação de textos escritos
em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume
cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer
formato e acabamento” (BRASIL, 2003a, s.p.). Entre as diretrizes trazidas, a
Política aborda que:

a) Visa assegurar o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro


aos cidadãos;
b) Busca trazer fomento e apoio para a produção, edição, difusão, a
distribuição e também a comercialização do livro;
c) Trazer estímulo à produção de escritores e autores brasileiros, tanto
de obras científicas como culturais;
d) Promover a leitura e incentivar o hábito da leitura;
e) Proporcionar meios para que o Brasil se torne um grande centro
editorial;
f) Promover a competitividade no mercado internacional de livros de
forma a ampliar a exportação de livros produzidos no Brasil;
g) Dar apoio para a livre circulação de livros no Brasil;
h) Promover a capacitação da população para a utilização do livro,
a ser visto como um fator de fundamental importância para o
desenvolvimento intelectual, político, justo, social, e de promoção
igualitária de renda;
i) Realizar a ampliação do número de livrarias, bibliotecas e pontos
de venda do livro;
j) Proporcionar aos editores, autores, distribuidores e livreiros as
condições para o cumprimento da lei da Política Nacional do Livro
e, por fim,
k) proporcionar o acesso à leitura às pessoas com deficiência visual
(BRASIL, 2003a, s.p.).

138
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

No que se refere ao Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), este foi


criado por intermédio da Portaria Interministerial nº 1.442, de 10 de agosto de
2006, pelos ministros da Cultura e da Educação, durante o encerramento do Fórum
PNLL/Vivaleitura 2006/2008 (ROSA; ODDONE, 2006). Inicialmente, o PNLL
surgiu como uma política pública de cultura, cuja proposta estava em planejar,
organizar, discutir e implementar projetos que fomentassem, disseminassem e
incentivassem à leitura no Brasil (PLANO..., 2019).

Oriundo de mais de 150 reuniões públicas em todo o país realizadas


entre 2005 e 2006, o Plano foi elaborado a partir de sugestões realizadas por
representantes de editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de
papel, editores, educadores, bibliotecários, especialistas em livro e leitura, e
demais interessados em geral. (PLANO..., 2019). Neste sentido, pretende-se que
o Plano possua “a dimensão de uma Política de Estado, de natureza abrangente,
que possa nortear, de forma orgânica, políticas, programas, projetos e ações
continuadas desen­volvidos no âmbito de ministérios – em particu­lar os da
Cultura e da Educação –, governos esta­duais e municipais, empresas públicas e
privadas, organizações da sociedade e, em especial, todos os setores interessados
no tema” (PLANO..., 2019, s.p.).

O PNLL possui quatro eixos estratégicos, contendo vinte linhas de ação e


um calendário anual de eventos. É considerado uma

ação liderada pelo governo federal para converter esse tema em


política pública mediante a concentração e articulação dos esforços
desenvolvidos pelos diversos atores sociais: Estado, universidade,
setor privado e demais organizações da sociedade civil que formam o
chamado terceiro setor. Tem como objetivo central melhorar a realidade
da leitura no país e, por isso, é construído e se desenvolve por meio de
um processo que transcende a imediatez (PNLL, 2006, p. 5).

Em 1º de setembro de 2011, o PNLL foi instituído via decreto nº 7.559,


firmado pela então presidente Dilma Rousseff (BRASIL, 2011). Trata-se de “um
conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura,
literatura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidos pelo Estado
(em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade” (PLANO..., 2013, s.p.).
O PNLL está baseado em quatro eixos orientadores de sua organização, a saber:
a) Eixo 1 – Democratização do acesso; b) Eixo 2 – Fomento à leitura e à formação
de mediadores; c) Eixo 3 – Valorização institucional da leitura e incremento de
seu valor simbólico; d) Eixo 4 – Desenvolvimento da economia do Livro.

139
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

FIGURA 6 – LOGO DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA

FONTE: <[Link]
0a72-4b9e-92fd-75ae26ebbf4b?t=1457015369746>. Acesso em: 12 jul. 2019.

A seguir, será descrito cada eixo e as linhas de ações que este engloba,
com base no que está instituído no próprio PNLL.

3.1 EIXO 1 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO


A democratização do acesso está delineada em seis pontos norteadores
com sugestões de linhas de ações a serem realizadas para tornar a democratização
do acesso ao livro e leitura algo efetivo.

FIGURA 7 – DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO LIVRO E À LEITURA

FONTE: <[Link] Acesso em: 16 ago. 2019.

A primeira ação se refere à implantação de novas bibliotecas, sejam


elas de acesso público, estaduais, escolares e municipais. Tais bibliotecas devem
possuir acervos que busquem ao atendimento dos requisitos recomendados pela
UNESCO, que incluem a disponibilização de livros em formato braille, digital,
audiolivros etc., assim como computadores conectados à internet, revistas e
jornais. Além disso, essas bibliotecas precisam funcionar como centros de ampla
produção e disseminação da cultura. A implementação de bibliotecas comunitárias
também é algo incentivado pelo PNLL para a democratização do acesso. Essas
bibliotecas podem ser criadas em comunidades periféricas, hospitais, creches,
zonas rurais e outros espaços sociais (PLANO..., 2010).

140
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

A segunda ação se refere ao fortalecimento da rede atual de bibliotecas


por intermédio da consolidação e fortificação do sistema nacional de bibliotecas
públicas, de forma a existir um sistema integrado de bibliotecas que possibilite
a circulação de acervos, a informatização dos catálogos existentes, bem como a
capacitação de gestores e bibliotecários para serem promotores de leitura.

A terceira ação de democratização do acesso se refere à conquista de


novos espaços de leitura. Esta ação se relaciona com a criação de salas de leituras,
pontos de leitura (como ônibus, vans, peruas, barcos etc.) e bibliotecas circulantes.
Incentiva ainda a realização de atividades de leituras em aeroportos, estações de
metrô, trem e ônibus, atividades em livrarias, parques, entre outros. A leitura em
penitenciárias, praças e consultórios, asilos e hospitais, assim como com crianças
em situação de rua também são outros pontos elencados.

FIGURA 8 – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS EM PONTOS DE LEITURA VISANDO À


DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO À LEITURA E AO LIVRO: CASE DO BOOKTRUCK, DA
BIBLIOTECÁRIA CÁTIA LINDEMANN

FONTE: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 16 ago. 2019.

A quarta ação de democratização do acesso se refere à distribuição de


livros gratuitos por meio de programas de distribuição de livros didáticos e não
didáticos. Tal distribuição deve visar alunos e professores de escolas públicas e
privadas, como também adultos, jovens, crianças e idosos que estejam presentes
em outros contextos da sociedade, tais como, as penitenciárias, os hospitais,
entre outros.

A quinta ação se refere à melhoria do acesso ao livro e as outras formas de


expressão da leitura, que pode ser realizada em feiras de livros, no atendimento
de necessidades de informação de pessoas com deficiência pela coedição de livros
digitais, livros em braille e audiolivros. Essa melhoria pode acontecer também via
projetos editoriais e campanhas de doação de livros.

141
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

A sexta e última ação se relaciona à incorporação e uso de tecnologias


de informação e comunicação, que pode acontecer via criação de técnicas e
aprimoramento das técnicas existentes que facilitem o acesso à informação, ao
livro e à leitura. Essa ação incentiva a capacitação continuada para o efetivo
aproveitamento das tecnologias da informação e comunicação. Sugere-se ainda,
a criação e desenvolvimento de tecnologias que visem preservar os acervos, bem
como ampliar e difundir bens culturais (livros digitais, bibliotecas digitais e
informatização de bibliotecas).

3.2 EIXO 2 – FOMENTO À LEITURA E À FORMAÇÃO DE


MEDIADORES
Esse eixo é composto por cinco sugestões de linhas de ações a serem
realizadas para fomentar a leitura e a formação de mediadores de leitura. O
primeiro ponto sugerido é a formação de mediadores de leitura por intermédio
de programas de capacitação de bibliotecários, educadores e demais mediadores
de leitura. Sugere também a criação de cursos estratégicos de formação para
educadores e estudantes, inclusive via educação à distância, com foco no
fomento à leitura, formação de promotores de leitura em bibliotecas, escolas e
comunidades.

O segundo ponto se refere aos projetos sociais para fomento da leitura,


que podem compreender rodas de leitura, atividades de formação do leitor na
escola, clubes de leitura, atividades de leitura em comunidades quilombolas,
indígenas, apenados em penitenciárias, comunidades rurais e outras excluídas
da sociedade. Incentiva ainda a criação de projetos de formação de novos leitores
e de diferentes contextos, bem como a criação de oficinas que visem à produção
literária por crianças e jovens.

FIGURA 9 – A) BIBLIOTECA EM ZONA RURAL E O ACESSO AO LIVRO. B) MEDIAÇÃO DA


LEITURA EM ESCOLA DA ZONA RURAL

a) b)
FONTES: Imagem a: <[Link] imagem_destaque/
casca-rs-fot_eduardo_quadros_0.jpg>. Acesso em: 16 ago. 2019.
Imagem b: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 16 ago. 2019.

142
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

O terceiro ponto se refere aos estudos e fomento à pesquisa nas áreas


do livro e da leitura, que visem à realização de diagnósticos da situação atual da
leitura e do livro no Brasil. Indica ainda a necessidade de elaboração de pesquisas
que identifiquem os hábitos de leitura e de consumo de livros dos cidadãos, bem
como a busca por experiências exitosas e inovadoras de leitura.

Penúltimo ponto aborda sobre os sistemas de informação nas áreas


de bibliotecas, da bibliografia e do mercado editorial. Este ponto incentiva
a realização de estudos e pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre as
realidades das editoras, das bibliotecas, das livrarias e do consumo de livros no
nosso país. Sugere ainda levantamentos para averiguar a quantidade de livrarias,
bibliotecas, investimentos no setor editorial, entre outros.

O quinto e último ponto se relaciona à concessão de prêmios e


reconhecimento de ações de incentivo e fomento às práticas sociais de leitura.
Essa sugere a realização de concursos para premiar e reconhecer aquelas
experiências que inovaram e promoveram a leitura e a literatura no país. Incentiva
ainda a concessão de prêmios para ações que visem ao fomento da leitura e que
são realizadas em escolas, comunidades, bibliotecas, organizações entre outros.

3.3 EIXO 3 – VALORIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA LEITURA E


INCREMENTO DO SEU VALOR SIMBÓLICO
Este eixo possui, como pontos norteadores, três sugestões de linhas de
ações, a saber:

a) Ações para converter o fomento às práticas sociais da leitura em Política do


Estado:

Sugere a implementação de programas governamentais de fomento à


leitura, a formulação de planos municipais e estaduais de livro e leitura, assim
como a formulação de políticas e planos nacionais, estaduais e municipais de
leitura e do livro. Propõe a realização de fóruns, congressos, jornadas e seminários
que buscam propor agendas para a promoção do livro e da leitura, assim como, a
execução de pesquisas sobre políticas públicas do livro, leitura e bibliotecas.

143
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

DICAS

Você sabia que existe um Guia para elaboração e implantação dos Planos
estadual e municipal do livro e leitura? Esse guia traz orientações e o passo a passo
para a concretização dos Planos do Livro e da Leitura, além de complementar as outras
ferramentas desse programa.

Para conhecer, acesse o link disponível em: [Link]


d/0B5QJujJhZbE9ckUwS2lwMjdLX0E/view.

a) Ações para criar consciência sobre o valor social do livro e da leitura:

Sugere a criação de campanhas institucionais para a valorização do livro,


leitura, literatura e das bibliotecas em redes de televisão, jornais, outdoors,
cinema e demais mídias. Traz ainda a sugestão para elaboração de campanhas de
conscientização da importância da biblioteca e também contendo testemunhos
de pessoas que sejam formadoras de opinião contando suas experiências com o
livro e leitura, bem como a publicação de histórias de leitura e dicas de pessoas
sobre livros.

b) Publicações impressas e outras mídias dedicadas à valorização do livro e da


leitura:

Publicar cadernos, seções, revistas, portais e sites na internet sobre livro,


leitura, biblioteca e literatura é uma das opções indicadas neste tópico. Além disso,
incentiva a elaboração de resenhas para jornais e revistas com atuais lançamentos
de editoras.

144
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

FIGURA 10 – VALORIZAÇÃO DO LIVRO E DA LEITURA

FONTE: <[Link] Acesso em: 20 ago. 2019.

3.4 EIXO 4 - DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DO


LIVRO
Este último eixo é composto por cinco sugestões de linhas de ações, a
saber:

a) Desenvolvimento da cadeia produtiva do livro:

Este primeiro ponto está relacionado às linhas de financiamento destinadas


às gráficas, editoras, livrarias e distribuidoras para a confecção e edição de livros.
Engloba ainda, os programas do governo que se relacionam à aquisição que busca
integrar a cadeia produtiva e os interesses das práticas sociais de leitura no Brasil,
bem como, os programas de apoio à formação de editores, livreiros e demais
profissionais que fazem parte do mercado editorial.

b) Fomento à distribuição, circulação e consumo de bens de leitura:

A sugestão engloba a política de fomentação à abertura de livrarias e apoio


às já existentes. Refere-se também à criação de livrarias em praças públicas, à
inserção de livros em bancas de jornais, ao apoio e financiamento ao setor livreiro
e também aos programas para criação de pontos alternativos de venda.

c) Apoio à cadeia criativa do livro:

Refere-se à concessão de prêmios em diferentes áreas e bolsas para apoio


aos escritores. Inclui também apoio à circulação e presença de escritores em feiras,
escolas e bibliotecas, assim como a defesa dos direitos do escritor sobre sua obra e
o apoio à publicação de novos autores.

145
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

d) Maior presença no exterior da produção nacional literária científica e cultural


editada:

Inclui a participação em feiras internacionais, programas de exportação


e apoio à tradução de livros de autores brasileiros para serem publicados no
exterior. Assim como, à difusão de escritores e a literatura brasileira em diversos
países e à reedição de obras clássicas.

3.5 POLÍTICA NACIONAL DE LEITURA E ESCRITA (PNLE)


Vinculado ao PNLL, encontra-se a Política Nacional de Leitura e Escrita
(PNLE), sancionada em 12 de julho de 2018 pela Lei nº 13.696, que busca promover
o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil.
O PNLE veio para tornar institucional a responsabilidade na construção e revisão
de Planos direcionados para o setor do livro, da leitura e das bibliotecas (BRASIL,
2018c).

Conforme o documento desta política, esta será “implementada pela


União, por intermédio do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação,
em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios e com a
participação da sociedade civil e de instituições privadas” (BRASIL, 2018c, s.p.).
Como diretrizes, a PNLE trata:

a) Universalização do direito ao acesso ao livro, à escrita, à leitura, à literatura e


às bibliotecas;
b) Reconhecer a leitura e a escrita como um direito de todos. Incentivar, inclusive,
por intermédio de políticas de estímulo à leitura, as condições para exercer
a cidadania de forma plena para viver de forma digna e contribuir com a
construção da sociedade;
c) Fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), no âmbito do
Sistema Nacional de Cultura (SNC);
d) Articular com outras políticas que estimulem à leitura, ao conhecimento, às
tecnologias e ao desenvolvimento educacional, cultural e social do país, em
especial, com a Política Nacional do Livro;
e) Reconhecer as cadeias criativas, produtiva e mediadora do livro, leitura, escrita,
da literatura e das bibliotecas como integrantes fundamentais e dinamizadoras
da economia criativa (BRASIL, 2018c).

Esta Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) observará princípios e


diretrizes de planos nacionais estruturantes, em especial, no Plano Nacional de
Educação (PNE), Plano Nacional de Cultura (PNC), Plano Plurianual da União
(PPA). Assim, a PNLE traz como objetivos:

146
TÓPICO 2 | POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO, DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS NO BRASIL

I. Democratizar o acesso ao livro e aos diversos suportes à leitura


por meio de bibliotecas de acesso público, entre outros espaços de
incentivo à leitura, de forma a ampliar os acervos físicos e digitais
e as condições de acessibilidade.
II. Fomentar a formação de mediadores de leitura e fortalecer ações
de estímulo à leitura, por meio da formação continuada em
práticas de leitura para professores, bibliotecários e agentes de
leitura, entre outros agentes educativos, culturais e sociais.
III. Valorizar a leitura e o incremento de seu valor simbólico e
institucional por meio de campanhas, premiações e eventos de
difusão cultural do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas.
IV. Desenvolver a economia do livro como estímulo à produção
intelectual e ao fortalecimento da economia nacional, por meio
de ações de incentivo ao mercado editorial e livreiro, às feiras
de livros, aos eventos literários e à aquisição de acervos físicos e
digitais para bibliotecas de acesso público.
V. Promover a literatura, as humanidades e o fomento aos processos
de criação, formação, pesquisa, difusão e intercâmbio literário
e acadêmico em território nacional e no exterior, para autores
e escritores, por meio de prêmios, intercâmbios e bolsas, entre
outros mecanismos.
VI. Fortalecer institucionalmente as bibliotecas de acesso público,
com qualificação de espaços, acervos, mobiliários, equipamentos,
programação cultural, atividades pedagógicas, extensão
comunitária, incentivo à leitura, capacitação de pessoal,
digitalização de acervos, empréstimos digitais, entre outras ações.
VII. Incentivar pesquisas, estudos e o estabelecimento de indicadores
relativos ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas,
com vistas a fomentar a produção de conhecimento e de
estatísticas como instrumentos de avaliação e qualificação das
políticas públicas do setor.
VIII. Promover a formação profissional no âmbito das cadeias criativa
e produtiva do livro e mediadora da leitura, por meio de ações de
qualificação e capacitação sistemáticas e contínuas;
IX. Incentivar a criação e a implantação de planos estaduais, distrital
e municipais do livro e da leitura, em fortalecimento ao SNC.
X. Incentivar a expansão das capacidades de criação cultural
e de compreensão leitora, por meio do fortalecimento de
ações educativas e culturais focadas no desenvolvimento das
competências de produção e interpretação de textos (BRASIL,
2018, s.p.).

Como pode ser analisado a partir da leitura deste tópico, as políticas


de informação estabelecidos no âmbito do livro, leitura, literatura e bibliotecas
contribuíram para a promoção do hábito da leitura, para o estabelecimento de
bibliotecas em lugares ainda não abarcados pelas bibliotecas públicas (como
as instituídas em zonas rurais), bem como contribuem para a modificação da
realidade social tanto do sujeito, quanto da comunidade a qual ele se insere.
Destaca-se ainda que o papel do bibliotecário é fundamental na mediação,
incentivo, aplicação e fortalecimento de tais políticas públicas informacionais.

147
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

DICAS

Para saber um pouco mais do PNLL, leia o livro “Plano Nacional do Livro e
Leitura: Textos e História 2006-2010” sob organização de José Castilho Marques Neto,
este livro é composto pelo PNLL, incluindo princípios norteadores, objetivos e metas,
assim como seus eixos de ação e estrutura para implementação. Além disso, apresenta
documentos, artigos e as realizações do Plano.

Para baixar, acesse o link disponível em: [Link]


bE9Y3hIeEJqVS1taG8/view.

148
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Políticas públicas para bibliotecas ainda não estão consolidadas.

• Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) visa fortalecer as bibliotecas


públicas via implementação de processo sistêmico com ações para integrar as
bibliotecas em âmbito nacional.

• Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), que visa articular ações de


diversas bibliotecas públicas municipais.

• Programa Livro Aberto, Uma Biblioteca em cada município, Programa Nacional


de incentivo à leitura (PROLER) e Programa de Bibliotecas Rurais Arca das
Letras são alguns dos programas que visavam à inclusão de bibliotecas em
estados e municípios brasileiros.

• O objetivo do PROLER é contribuir para a ampliação da leitura, promoção de


acesso à prática de leitura e escrita críticas e criativas. Assim, visa articular a
leitura com expressões de cultura, proporcionar o acesso a materiais escritos e
abrir novos espaços de leitura e integração com práticas de leitura e hábitos da
sociedade, de forma a constituir uma sociedade leitora com ampla participação
cidadã no processo democrático em sociedade. (PROLER, 2019).

• Existem marcos legais com as políticas governamentais para bibliotecas criados


desde o período de 1990.

• A Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento


Agrário adotou a iniciativa de levar bibliotecas à zona rural dos municípios,
visando possibilitar o acesso à informação, ao livro e à leitura para que ocorra
a diminuição das desigualdades sociais no meio rural.

• Dentro das bibliotecas rurais, os agentes de leitura são aqueles sujeitos da


própria comunidade treinados para realizar a mediação de leitura, gestão,
guarda e empréstimo de livros.

• A Política Nacional do Livro tornou-se um instrumento legal que autoriza


o Poder Executivo criar e executar projetos de acesso ao livro e incentivo à
leitura.

• O Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL possui quatro eixos estratégicos,


contendo vinte linhas de ação e um calendário anual de eventos.

149
AUTOATIVIDADE

1 Conforme estudado no Tópico 2, o Decreto nº 519, de 13 de maio de 1992,


instituiu o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER). Tal
programa atua

[...] por meio de uma rede de Comitês sediados em prefeituras,


secretarias de estados e municípios, fundações culturais ou educacionais,
universidades e outras entidades públicas e privadas coordenados pela
Coordenação-Geral de Leitura, Departamento do Livro, Leitura, Literatura
e Bibliotecas (DLLLB), Secretaria da Economia da Cultura (SEC), Ministério
da Cultura (MinC), e por seu Conselho Consultivo formado por gestores
do MinC, do Ministério da Educação (MEC) e do Plano Nacional de Livro e
Leitura (PNLL) e representantes dos Comitês. Tais instâncias de coordenação
dedicam-se a estabelecer diretrizes que consolidem ações e planos na área do
livro e da leitura e promovam ações de fortalecimento deste programa sem
determinar a direção e ritmo de crescimento dessa rede, mas coligando os fios
existentes, promovendo o diálogo entre diferentes concepções e iniciativas
(PROLER, 2019, s.p.).

A partir disso, identifique os objetivos que se referem ao Programa:

a) ( ) I – promover o interesse nacional pelo hábito da leitura; II – estruturar


uma rede de projetos capaz de consolidar, em caráter permanente,
práticas leitoras; III – criar condições de acesso ao livro.
b) ( ) I – ampliar a divulgação de arquivos e bibliotecas; II – construir uma
rede de bibliotecas e arquivos para trocas de documentos; III – criar
condições para acesso ao documento e ao livro;
c) ( ) I – promover o acesso às tecnologias da informação e da comunicação;
II – construir, via rede de computadores, softwares para bibliotecas
públicas; III – fortalecer as bibliotecas digitais acessíveis.
d) ( ) I – estabelecer a construção de políticas de informação para incentivo
da leitura; II – estruturar uma corrente de capacitação de professores
leitores; III – incentivar o acesso à literatura e à leitura.

2 Conforme o Quadro 1 referente aos Marcos Legais com políticas


governamentais para bibliotecas no período de 1990 a 2016, no ano de 1999
foi estabelecido, via Decreto 3.294, o Programa que possui como objetivo
viabilizar a nova geração da Internet e suas aplicações em benefício da
sociedade brasileira. Com base nisso, indique a que Programa este Decreto
se refere:

a) ( ) Programa Fome do Livro;


b) ( ) Programa Nacional de Apoio à Cultura;
c) ( ) Programa Sociedade da Informação;

150
d) ( ) Programa Nacional e Incentivo à Leitura;
e) ( ) Programa de Softwares Livres para Bibliotecas.

3 A partir da leitura do Tópico 2 e aprendizagem sobre o Plano Nacional


de Livro e Leitura (PNLL), seus eixos estratégicos e suas linhas de ação,
identifique com V (Verdadeiro) e F (Falso) as sentenças a seguir:

a) ( ) O PNLL foi instituído pelo Decreto n. 7.559, de 1 de setembro de 2011.


b) ( ) O PNLL está baseado em quatro eixos orientadores de sua organização,
a saber: a) Eixo 1 – Democratização do acesso; b) Eixo 2 – Fomento
à leitura e à formação de mediadores; c) Eixo 3 – Valorização
institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; d) Eixo
4 – Desenvolvimento da economia do Livro.
c) ( ) A implementação dos programas, projetos e ações instituídos no âmbito
do PNLL poderá ser realizada com a participação de instituições
públicas ou privadas, mediante a celebração de instrumentos previstos
em Lei.
d) ( ) O Eixo 1 – Democratização do acesso possui seis linhas de ação.
e) ( ) A linha de ação “criação de novos espaços de leitura” pertence ao Eixo 3.
f) ( ) A linha de ação “promoção de atividades de reconhecimento de ações
de incentivo e fomento à leitura” pertence ao Eixo 2.
g) ( ) O Eixo 3 se refere à valorização institucional da leitura e de seu valor
simbólico e uma de suas linhas de ação é o “apoio à cadeia criativa do
livro e incentivo à leitura literária”.
h) ( ) O Eixo 3 se refere à valorização institucional da leitura e de seu valor
simbólico e uma de suas linhas de ação são “ações para criar consciência
sobre o valor social do livro e da leitura”.
i) ( ) A formação de mediadores de leitura e de educadores leitores está
vinculada ao Eixo 2.

4 Conforme estudado neste tópico, qual a finalidade do Programa de


Bibliotecas Rurais Arca das Letras?

5 Atribua verdadeiro (V) ou falso (F) para as seguintes sentenças:

a) ( ) A Política Nacional do Livro busca assegurar o pleno exercício do


direito de acesso e uso do livro aos cidadãos.
b) ( ) A Política Nacional do Livro visa trazer fomento e apoio para a
produção, edição, difusão, a distribuição e também a comercialização
do livro.
c) ( ) A Política Nacional do Livro estimula a produção de escritores e autores
brasileiros, tanto de obras científicas como culturais.
d) ( ) A Política Nacional do Livro busca promover a leitura e incentivar o
hábito da leitura.
e) ( ) A Política Nacional do Livro deixa de proporcionar meios para que o
Brasil se torne um grande centro editorial.
f) ( ) A Política Nacional do Livro a ampliação do número de livrarias,
bibliotecas e pontos de venda do livro.

151
152
UNIDADE 3
TÓPICO 3

POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E


MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO
AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS
VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

1 INTRODUÇÃO
Entre as populações existentes que são consideradas minorias sociais,
embora não quantidade, mas sim em aspectos representativos, estão as populações
negras e população idosa. A primeira compõe cerca de 54% da população
brasileira, quando contados os declarados negros e pardos. Já a segunda será,
em alguns anos, a maioria populacional independentemente do pertencimento
étnico-racial. Neste sentido, o foco deste tópico será para a compreensão das
políticas públicas já criadas para tais populações, visto que os bibliotecários e
profissionais da informação serão aqueles que oferecerão produtos e serviços
informacionais voltados a tais públicos, bem como, será o mediador da leitura,
da literatura e promotor do livro e da leitura.

Assim, neste tópico, você irá aprender as políticas públicas informacionais


que visam atender às demandas dessas populações que se encontram à margem
da sociedade brasileira e que precisam ser devidamente atendidas pelos serviços
e produtos de informação disponibilizados em bibliotecas e demais unidades
informacionais.

A seguir, iremos conhecer as políticas voltadas para as populações idosa


e negra. Serão apresentadas algumas políticas tais como, Política Nacional do
Idoso, Estatuto do Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Conselho
Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Secretaria de Políticas para
Comunidades Tradicionais (SECOMT) que conduzia, elaborava e monitorava
políticas para as comunidades tradicionais.

153
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

2 POLÍTÍCAS PÚBLICAS PARA AS PESSOAS IDOSAS: BREVE


CONTEXTUALIZAÇÃO
Em diversos países do globo temos assistido o aumento do número
de pessoas idosas, que se deve, em especial, à melhora na qualidade de vida,
à redução da natalidade e ao declínio da mortalidade de pessoas ao redor do
mundo. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é classificado
como toda a pessoa que possui idade acima de 60 anos.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018),


a população com idade acima de 60 anos representa 13,5% dos brasileiros e as
projeções indicam que em até duas décadas e meia, esse número irá aumentar
para 24,5% (Gráfico 1). Conforme o IBGE, “a revisão 2018 mostrou que o
envelhecimento do padrão da fecundidade é determinado pelo aumento na
quantidade de mulheres que engravidam entre 30 e 39 anos e pela redução da
participação de mulheres entre 15 e 24 anos na fecundidade em todas as grandes
regiões do país” (IBGE, 2018, s.p.). Uma das tendências até 2060 é que o número
de idosos aumente nos próximos anos e o número de crianças diminua.

GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA POR FAIXA ETÁRIA

FONTE: <[Link] Acesso em: 10 set. 2019.

Quando é analisado o contexto histórico, percebe-se que a implantação


de uma política nacional para idosos só aconteceu do ano de 1994. Antes deste
período, a proteção para estas pessoas encontrava-se mencionada em alguns
artigos do Código Civil, Código Pena, Código Eleitoral e outros (RODRIGUES,
2001). Antes da década de 1970, o trabalho feito com idosos era de cunho caritativo,
realizado por ordens religiosas ou entidades filantrópicas. A partir da década de
1970 começou a aumentar o número de idosos na sociedade brasileira, algo que
trouxe preocupação para os setores governamentais e privado e despertou para
as questões sociais dessa população (RODRIGUES, 2001).

154
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

No ano de 1976 foram realizados três seminários regionais que visavam


diagnosticar a questão do envelhecimento a nível nacional e apresentar as linhas
básicas de políticas de assistência e promoção social de pessoas idosas. A partir
desses eventos, foi elaborado pelo Ministério da Previdência e Assistência
Social um documento intitulado “Políticas para a 3ª Idade – Diretrizes Básicas”
(RODRIGUES, 2001).

No entanto, este não foi o primeiro Programa voltado para a velhice,


houve também o Programa de Assistência ao Idoso (PAI) realizado pelo Instituto
Nacional de Previdência Social (INPS). Em 1977, criou-se o Sistema Nacional
de Previdência e Assistência Social, sistema responsável por atender, em nível
nacional, às pessoas idosas. Dez anos depois, houve restruturação e o PAI passou
a ser chamado de Projeto de Apoio à Pessoa Idosa (PAPI), que visava realizar
ações direcionadas para pessoas idosas, desenvolver discussões sobre a situações
de tais cidadãos, buscar responder às suas reivindicações e direitos, bem como
valorizar o potencial de viverem em sociedade. A partir delas, outros marcos
históricos referentes às políticas públicas destinadas a essa população foram
criados, conforme demonstrado no Quadro 2.

QUADRO 2 – CRONOLOGIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS DESTINADAS ÀS PESSOAS IDOSAS

Ano Descrição da Política para Pessoas Idosas

Por meio da Lei nº 6.179, foi criada a Renda Mensal Vitalícia, através do
1974 então Instituto Nacional de Previdência Social – INPS (18), e de decretos,
leis, portarias, referentes, principalmente, à aposentadoria.

Foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS),


(Lei nº 6.439) integrando: o Instituto Nacional de Previdência Social – INPS,
o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS,
a Fundação Legião Brasileira de Assistência – LBA, a Fundação Nacional do
Bem-Estar do Menor FUNABEM, a Empresa de Processamento de Dados da
Previdência Social – DATAPREV, o Instituto de Administração Financeira
da Previdência e Assistência Social – IAPAS, para unificar a assistência
1977
previdenciária.

Foi realizada a I Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento (ONU),


em Viena, que traçou as diretrizes do Plano de Ação Mundial sobre o
Envelhecimento, publicado em Nova York em 1983. Esse Plano de Ação
1982 almejou sensibilizar os governos e sociedades do mundo todo para a
necessidade de direcionar políticas públicas voltadas para os idosos, bem
como alertar para o desenvolvimento de estudos futuros sobre os aspectos
do envelhecimento.

Foi realizada a 8ª Conferência Nacional de Saúde que propôs a elaboração


1986
de uma política global de assistência à população idosa.

155
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

Foi promulgada a Constituição Cidadã – Constituição Federal, que destacou


no texto constitucional a referência ao idoso. Essa foi, de fato, a primeira vez
em que uma constituição brasileira assegurou ao idoso o direito à vida e à
cidadania:

1988 A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas,


assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e
bem-estar e garantindo-lhe o direito à vida. - § 1º Os programas de amparo
aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares. - § 2º Aos
maiores de 65 anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos
(CONSTITUIÇÃO FEDERAL...1988, s.p.).

Foi aprovada a Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS – Lei nº 8.742/93,


que regulamenta o capítulo II da Seguridade Social da Constituição Federal,
que garantiu à Assistência Social o status de política pública de seguridade
social, direito ao cidadão e dever do Estado. A LOAS inverte a cultura
tradicional dos programas vindos da esfera federal e estadual como pacotes,
1993 e possibilita o reconhecimento de contextos multivariados e, por vezes
universais, de riscos à saúde do cidadão idoso. Cita o benefício de prestação
continuada, previsto no art. 20 que é a garantia de um salário mínimo mensal
à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com setenta anos ou mais e que
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de
tê-la provida por sua família.

Foi aprovada a Lei nº 8.842/1994 que estabelece a Política Nacional do Idoso


(PNI), posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 1.948/96, e cria o
Conselho Nacional do Idoso. Essa Lei tem por finalidade assegurar direitos
sociais que garantam a promoção da autonomia, a integração e a participação
efetiva do idoso na sociedade, de modo a exercer sua cidadania. Estipula
o limite de 60 anos e mais, de idade, para uma pessoa ser considerada
idosa. Como parte das estratégias e diretrizes dessa política, destaca-se a
descentralização de suas ações envolvendo estados e municípios, em parceria
com entidades governamentais e não governamentais. A Lei em discussão
rege-se por determinados princípios, tais como: assegurar ao idoso todos os
direitos de cidadania, com a família, a sociedade e o Estado os responsáveis
1994
em garantir sua participação na comunidade, defender sua dignidade, bem-
estar e direito à vida. O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade
de forma geral e o idoso não deve sofrer discriminação de nenhuma natureza,
bem como deve ser o principal agente e o destinatário das transformações
indicadas por essa política. E, por fim, cabe aos poderes públicos e à sociedade
em geral a aplicação dessa lei, considerando as diferenças econômicas e
sociais, além das regionais.

156
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

Foi implantada a Política Nacional da Saúde do Idoso pela Portaria nº


1.395/1999 do Ministério da Saúde (MS) que estabelece as diretrizes
essenciais que norteiam a definição ou a redefinição dos programas, planos,
projetos e atividades do setor na atenção integral às pessoas em processo
de envelhecimento e à população idosa. Essas diretrizes são: a promoção
do envelhecimento saudável, a prevenção de doenças, a manutenção da
1999
capacidade funcional, a assistência às necessidades de saúde dos idosos, à
reabilitação da capacidade funcional comprometida, a capacitação de recursos
humanos, o apoio ao desenvolvimento de cuidados informais, e o apoio aos
estudos e pesquisas. E ainda, tem a finalidade de assegurar aos idosos sua
permanência no meio e na sociedade em que vivem desempenhando suas
atividades de modo independente.

Foi realizada a II Assembleia Mundial sobre Envelhecimento em Madrid –


Plano Internacional do Envelhecimento – que tinha o objetivo de servir de
orientação às medidas normativas sobre o envelhecimento no século XXI.
Esperava-se alto impacto desse plano nas políticas e programas dirigidos
aos idosos, principalmente, nos países em desenvolvimento, como o Brasil.
Dessa feita, ele foi fundamentado em três princípios básicos: 1) participação
2002 ativa dos idosos na sociedade, no desenvolvimento, na força de trabalho e
na erradicação da pobreza; 2) promoção da saúde e bem-estar na velhice; e
3) criação de um ambiente propício e favorável ao envelhecimento.

Foi realizada a Conferência Regional Intergovernamental sobre


Envelhecimento da América Latina e Caribe, no Chile, na qual foram
elaboradas as estratégias regionais para implantar as metas e objetivos
acordados em Madrid. Foi recomendado aos países que, de acordo com
2003 suas realidades nacionais, propiciassem condições que favorecessem um
envelhecimento individual e coletivo com seguridade e dignidade. Na área
da saúde, a meta geral foi oferecer acesso aos serviços de saúde integrais e
adequados à necessidade do idoso, de forma a garantir melhor qualidade
de vida com manutenção da funcionalidade e da autonomia.

No Brasil, entra em vigor a Lei nº 10.741, que aprova o Estatuto do Idoso


destinado a regular os direitos assegurados aos idosos. Esse é um dos
2003 principais instrumentos de direito do idoso. Sua aprovação representou um
passo importante da legislação brasileira no contexto de sua adequação às
orientações do Plano de Madrid.

Foi realizada a I Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, na


qual foram aprovadas diversas deliberações, divididas em eixos temáticos,
2006
que visou garantir e ampliar os direitos da pessoa idosa e construir a Rede
Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa – RENADI.

FONTE: Fernandes e Soares (2012, p. 1497)

157
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

Mas o que isso tem a ver com as políticas públicas de informação? Tudo!
Como já estudamos nos tópicos anteriores, as políticas públicas existem para o
atendimento de demandas da sociedade, e a população idosa é uma delas, pois
esta necessita do atendimento de suas demandas de informação para melhor
qualidade de vida. Os idosos do presente e do futuro precisam ter qualidade
de vida para que possam exercer os seus direitos mínimos básicos, como por
exemplo, saúde, trabalho, assistência social, educação, cultura, esporte, habitação
e meio de transportes. Esse direito está garantido, além da Constituição da
República de 1988, na Política Nacional do Idoso (1994) e também no Estatuto do
Idoso (2003).

Os desafios que permeiam as vivências dos idosos estão vinculados à


solução de problemas como a seguridade social, a dependência, a promoção do
envelhecimento ativo e protagonismo social dos idosos que estão em conjunto
com os direitos sociais fundamentais, como a noção de cidadania (VETTER,
2018). Nesse sentido, o profissional da informação e o bibliotecário precisam
estar atentos para como auxiliar esta população a exercer o direito de acessar
informações e modificar suas realidades sociais. A seguir, iremos apreender mais
sobre algumas políticas, a saber: Política Nacional do Idoso, Estatuto do Idoso e a
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.

2.1 POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO


Existem legislações e políticas realizadas que buscam proporcionar
proteção social básica aos idosos. A Política Nacional do Idoso foi criada em
4 de janeiro de 1994 e possui a finalidade de “assegurar os direitos sociais do
idoso” (BRASIL, 1994, s.p.), de forma a criar meios e condições que promovam
sua autonomia, sua integração e sua participação na sociedade de forma efetiva
(BRASIL, 1994). Dentro dessa política, estão descritos os princípios que a regem,
tais como:

I- a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso


todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na
comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à
vida;
II- o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral,
devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos;
III- o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza;
IV- o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das
transformações a serem efetivadas através desta política;
V- as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as
contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser
observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral, na
aplicação desta lei (BRASIL, 1994, s.p.).

158
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

Dessa forma, é dever, não só da família e da sociedade, mas também


do estado, assegurar que a pessoa idosa possa ter uma qualidade de vida e
pleno exercício de direitos. Outro ponto fundamental acima é que não se deve
discriminar o idoso. Essa afirmativa vai ao encontro do que está fundamentado no
Código de Ética e Deontologia do Bibliotecário brasileiro, visto que este Código
afirma que os serviços de informação oferecidos pelo profissional precisam ser
disponibilizados de forma indiscriminada a todos os cidadãos (CONSELHO
FEDERAL..., 2018).

FIGURA 11 – IDOSOS EM MOMENTOS DE LAZER

FONTE: <[Link]
Revista16/idosos_not1-[Link]>. Acesso em: 11 jul. 2019.

Existem barreiras que trazem dificuldades à vida dos idosos, tais como
problemas psicossociais, redução da independência e capacidade de gerenciar
atividades cotidianas, dificuldades com as transformações trazidas pelo
envelhecimento, problemas de saúde, necessidade de maior número de medicação,
entre outros. Além disso, existem fatores que podem agravar o quadro, tais como,
o isolamento social, privações por causa de problemas financeiros, perda de
capital ou baixa renda, entre outros pontos que afetam os idosos (VETTER, 2018).

Foi por intermédio da Política Nacional do Idoso que houve a


regulamentação do atendimento de idosos em espaços que não sejam aqueles
na modalidade asilar, os quais são denominados de Centros de Convivência. A
biblioteca, por exemplo, pode possuir um Centro de Convivência destinado à
recepção e oferecimento de serviços ao público idoso de forma a proporcionar
um ambiente de socialização, integração e engajamento entre os usuários.
Atividades como saraus literários, encontros com autores e leitores, cursos e
demais atividades físicas, recreativas (a depender do espaço disponibilizado para
tal), culturais e associativas que possam ser oferecidas para tal público.

159
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

2.2 ESTATUTO DO IDOSO


O Estatuto do Idoso regulamenta as prioridades estabelecidas para o
idoso, e estabelece prioridades para a efetivação do direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania,
à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Em
seu artigo 3º, inciso VII, aborda sobre o estabelecimento de mecanismos que
busquem divulgar informações educativas sobre os aspectos biopsicossociais de
envelhecimento. Além disso, aborda sobre os direitos fundamentais, divididos
entre o direito à vida e também sobre o direito à liberdade, respeito e dignidade.
Aborda ainda, sobre o direito à saúde, educação, cultura, esporte, lazer, entre
outros (BRASIL, 2003).

No que se refere às políticas, o Estatuto do Idoso aborda a Política de


Atendimento ao Idoso. Dentro dessas políticas de atendimento, destaca-se
as “políticas de serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de
negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão” (BRASIL,
2003, s.p.). Pensando as bibliotecas, o trabalho bibliotecário e as estratégias de
aplicação do referido Estatuto, pode-se, por exemplo, disponibilizar uma linha
segura para denúncias de maus-tratos dentro da biblioteca. Além disso, realizar
cursos para formação dos idosos sobre abusos, violências e proteção jurídica-
social. Outra ressalva poderia ser a realização de parcerias ou convênios junto às
entidades assistenciais para o oferecimento de serviços para pessoas idosas, tais
como o atendimento psicológico, assistência jurídica, atendimento médico, entre
outros.

Importante também que a biblioteca esteja atenta às instalações físicas


oferecidas para o uso por idosos, visto que estas devem estar em condições
adequadas para ser habitadas, estarem higienizadas, ter salubridade e segurança
(BRASIL, 2003).

2.3 POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA


No Brasil, o idoso surgiu como uma prioridade de Políticas Públicas de
Saúde somente no ano de 2006 no Pacto pela Vida, que auxiliou na promulgação
da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSI) (MARIN; PANES, 2015). A
Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa foi aprovada pela Portaria nº 2.538,
de 19 de outubro de 2006. A finalidade de tal Política é realizar a recuperação,
manutenção e promoção da autonomia e independência de sujeitos idosos,
direcionando mediadas de saúde de ordem coletiva e individual para tal público.
O público-alvo desta Política é a população com ou mais de 60 anos.

Enquanto diretrizes, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa


contempla:

160
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

I. Promover o envelhecimento ativo e saudável.


II. Atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa.
III. Estimular ações intersetoriais, com o objetivo de integralizar a atenção à
pessoa idosa.
IV. Prover com recursos que assegurem a qualidade da atenção à saúde da
pessoa idosa”.
V. Estimular a participação e fortalecimento do controle social.
VI. Formar e educar de forma permanente os profissionais de saúde do Sistema
Único de Saúde (SUS) na área de saúde da pessoa idosa.
VII. Promover a divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da
Pessoa Idosa para gestores, profissionais de saúde e usuários do Sistema
Único de Saúde (SUS).
VIII. Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na
atenção à saúde da pessoa idosa.
IX. Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas (BRASIL, 2006).

2.4 PENSANDO O IDOSO E O ACESSO ÀS TECNOLOGIAS


DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO (TICs)
Os estudos sobre políticas públicas de inclusão digital buscam, em sua
maior parte, priorizar os aspectos econômicos vinculados aos deveres do Estado.
Para Morato (2018, s.p.), isso
constitui um dado real de uma sociedade heterogênea na qual a
oportunidade de ascensão social por meio da educação frequentemente
esbarra em limitações relativas não apenas ao acesso, mas à
possibilidade de permanência nas instituições de ensino que deveriam
efetivar as oportunidades a um mercado de trabalho cada vez mais
excludente em face das rodadas tecnológicas – e as instituições
financeiras constituem um exemplo adequado – que inviabilizam a
inserção dos jovens que não apresentem a formação esperada e, com
isso, os condenam ao desemprego ou ao subemprego.

Nesse sentido, pensar a inclusão do idoso na sociedade da informação


por intermédio da sua inclusão digital é importante para a garantia de direitos
desses cidadãos. No imaginário social, ainda há o pensamento de que o idoso não
pertence mais à sociedade devido ao fato de não trazer mais rendimentos para o
Estado via força de trabalho. No entanto, não se pode esquecer que a sociedade
contemporânea só é possível graças àqueles que trabalharam para construir o que
se tem hoje (MORATO, 2018).

Pensando no acesso à informação básica para subsistência e à própria


qualidade de vida, não se pode permitir a exclusão digital dos idosos para que
estes não fiquem vulneráveis às informações falsas que podem podar seu pleno
exercício crítico de cidadania. Na Constituição Federal, está estabelecido que são
deveres do Estado e da sociedade ampararem os idosos e fornecerem a eles tais
condições de plena existência (MORATO, 2018).

161
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

Na profissão bibliotecária, é imprescindível garantir o acesso do idoso à


informação (seja em forma digital, impressa, audiovisual etc.) que ele precisa.
Dessa forma, uma opção para a biblioteca é oferecer cursos sobre noções básicas
de informática, sendo esta uma das ações que podem ser realizadas para que a
pessoa idosa possa procurar a informação relevante para ela na internet, assim
como se conectar com amigos e familiares via acesso remoto. Pensando nas
políticas públicas, estas devem oferecer possibilidades para que o sujeito participe
“ativamente dos processos de inteligência coletiva que representam o principal
interesse coletivo do ciberespaço” e, com isso, favorecer a ‘autonomia das pessoas
ou grupos envolvidos’” (LÉVY, 1999, p. 238).

A perda de autonomia da pessoa idosa não está presente somente no


plano físico, mas também tecnológica, uma vez que depende de familiares,
amigos e cuidadores para lhe auxiliar no uso da tecnologia. Dessa forma, o
idoso passa a sofrer com a exclusão digital, visto que não consegue compreender
adequadamente as tecnologias da informação (MORATO, 2018). Para Morato
(2018), a exclusão digital do idoso é semelhante ao analfabetismo, uma vez que
traz dificuldades para a inserção e socialização desse idoso no cotidiano, assim
como interfere nos seus momentos de lazer e convívio social, visto que pode trazer
limitações para que seja um sujeito ativo dentro do contexto que está inserido.

Há, no entanto, exemplos de estratégias realizadas para que o idoso


tenha aperfeiçoamento para fazer parte da sociedade da informação. Aqui serão
destacadas duas ações, a saber:

a) Projeto Silver-Code – Esta ação é financiada pela União Europeia e “visa


melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas no nosso mundo digital
através do desenvolvimento de conhecimentos e competências para aproveitar
plenamente a tecnologia digital” (SILVER-CODE, 2019, s.p.). Além disso,
permitiu o debate sobre as medidas adequadas à inclusão dos idosos, tais
como análise das razões para a exclusão, o ensino e também os equipamentos
necessários (MORATO, 2018).

FIGURA 12 – PROJETO SILVER-CODE

FONTE: <[Link] Acesso em: 10 jul. 2019.

162
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

b) Mapa da Inclusão Digital – Elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, este


Mapa realiza a análise, por região do país, da exclusão de idosos ao acesso às
tecnologias da informação no ano de 2012 (NERI, 2012; MORATO, 2018).

DICAS

Você sabia que o Projeto Silver-Code oferece curso para pessoas idosas de
competências digitais e programação básica?

O curso é distribuído em três módulos, a saber:


Módulo 1 – Competências digitais básicas
Módulo 2 – Programação web básica
Módulo 3 – O pensamento computacional & competências transversais
Módulo 4 – Fundamentos da programação de computadores
Módulo 5 – Codificação no quotidiano
Módulo 6 – Glossário

Ficou curioso?
Acesse o site: [Link]

3 POLÍTICAS PÚBLICAS PELA PROMOÇÃO DA IGUALDADE


RACIAL: MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS E A INFLUÊNCIA
EM POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA
A luta do Movimento Negro começou desde que os primeiros africanos
escravizados chegaram ao Brasil (PEREIRA, 2007; SILVA, 2016). O Movimento
Negro é constituído por um “conjunto de entidades, organizações e indivíduos
que lutam contra o racismo e por melhores condições de vida para a população
negra, seja através de práticas culturais, de estratégias políticas, de iniciativas
educacionais etc.” (PEREIRA, 2007, p. 235).

Com a Proclamação da República (1889-1937) e o Golpe do Estado Novo


começou a primeira fase do Movimento Negro que buscava retirar os libertos, ex-
cativos e seus descendentes da linha de marginalização instituída pela República,
visto que, após abolição da escravatura, a população negra não obteve nenhum
ganho material ou simbólico (DOMINGUES, 2007; SILVA, 2016). Como forma
de articulação, foram criadas irmandades negras e sociedades beneficentes, de
forma a promover a sociabilização e engajamento político de tais comunidades.
Dessa forma, os movimentos sociais negros mobilizaram-se e criaram dezenas de
grêmios, clubes e associações com o intuito de dar assistência e ser recreativo e/
ou cultural para estas populações (DOMINGUES, 2007; SILVA, 2016). Passando

163
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

pelo período do Estado Novo até à sociedade brasileira atual, os Movimentos


Negros se articularam para lutar por direitos básicos como saúde, moradia,
emprego digno, educação, equidade social e econômica, respeito, entre outros.
Outro ponto de mobilização do movimento negro esteve na:

[...] Marcha de Zumbi [que] foi, em primeiro lugar, uma estratégia


do movimento negro para deslocar o foco das atenções da data da
Abolição da Escravatura, 13 de maio, para o dia 20 de novembro,
em razão do Dia Nacional da Consciência Negra. Em segundo, esse
evento contou com uma forte mobilização popular, sendo estimada
a participação de 30 mil pessoas na Marcha, o que propiciou um
destaque incomum à temática racial no cenário público brasileiro. Por
fim, este evento teve a formalização de uma proposta com a entrega
do "Programa de Superação do Racismo e da Desigualdade Racial"
ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. O documento
apresentava um diagnóstico da desigualdade racial e da prática do
racismo, com ênfase nos temas de educação, saúde e trabalho (LIMA,
2010, s.p.).

Entre as ações, legislação, planos e políticas públicas que foram


reivindicadas pela luta do Movimento, estão:

a) A introdução da História do Negro no Brasil nos currículos escolares com a


criação da Lei Federal nº 10.639/03 que trata da obrigatoriedade do ensino
de História e Cultura Africana e Afro-brasileira nos ensinos fundamental e
médio de instituições públicas e privadas brasileiras (BRASIL, 2003c).
b) A Lei Federal nº 12.711/2012, chamada de Lei de Cotas, que permitiu o acesso
de alunos autodeclarados negros às universidades brasileiras (SILVA, 2016).
c) A criação de Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEABs) em universidades
públicas, privadas e comunitárias do país (SILVA, 2016).
d) No que concerne ao âmbito internacional, uma das conquistas do movimento
negro foi a realização, em 2001, da III Conferência Mundial contra o Racismo,
a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância,
promovida pela ONU, na cidade de Durban, na África do Sul. Esta conferência
permitiu explicitar as questões relacionadas à população negra e as formas de
racismo, preconceito e discriminação sofridos por elas (SILVA, 2016).
e) Houve também, a criação de Planos Nacionais para a Implementação da
Lei Federal nº 10.639/03, a criação das Diretrizes Curriculares Nacionais
sobre a História e Cultura Africana e Afro-brasileira, a criação das Diretrizes
Curriculares Quilombolas (2014), a criação das Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004), entre outras (SILVA,
2016).
f) Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) via
Lei 10.678/2003.
g) Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) via Decreto nº
4.885, novembro de 2003.
h) Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT) que
conduzia, elaborava e monitorava políticas para as comunidades tradicionais.

164
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS, MINORIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: CONHECENDO AS POLÍTICAS PÚBLICAS E AS
POLÍTICAS INFORMACIONAIS VOLTADAS A ESSE PÚBLICO

i) Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) via Decreto nº


4.886, novembro de 2003.

A seguir, abordaremos algumas políticas públicas oriundas, entre outros


motivos, pelas reivindicações dos movimentos sociais negros brasileiros. Ressalta-
se que o movimento negro busca a criação de políticas públicas, de leis, de meios de
comunicação em massa e imprensa que representem a população afro-brasileira
e outros fatores que valorizem a história e a memória das populações africanas
e afrodescendentes do Brasil. Além disso, tal movimento reivindica melhores
condições de vida, a erradicação do racismo e o fortalecimento identitário desta
população (SILVA, 2016).

3.1. SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO


DA IGUALDADE (SEPPIR) E AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA
POPULAÇÃO NEGRA E QUILOMBOLA
A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
(SEPPIR) foi um órgão do Poder Executivo brasileiro instituído em março de 2003
e extinto em outubro de 2015. Possuía como finalidade promover a igualdade e
a proteção dos grupos étnico-raciais pertencentes à sociedade brasileira que são
afetados pela discriminação e outras formas de intolerância. Entre as populações
que sofrem racismo, destaca-se a população negra, indígena, judia, entre outras,
que, em geral, encontram-se à margem da sociedade.

Entre as políticas públicas implementadas com o foco na promoção da


igualdade racial promovidas pela SEPPIR, elenca-se:

a) I Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (I CONAPIR),


cujo resultado trouxe a orientação para elaboração do Plano Nacional de
Promoção da Igualdade Racial, legitimado pela democracia e controle social.
b) Política para Remanescentes de Quilombos e o Programa Brasil Quilombola
c) Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) instituída pelo
Decreto n.º. 4.886, novembro de 2003 possui como objetivo geral a redução das
desigualdades étnico-raciais no Brasil, especialmente para a população negra,
mediante a realização de ações executadas a médio, curto e longo prazos,
visando atender às demandas imediatas e áreas prioritárias de atuação.
Defende os direitos das populações negras e indígenas, afirma o caráter
pluriétnico da sociedade brasileira; busca a implementação de ações que
proíbam ações discriminatórias de populações negras e indígenas em todos
os setores da sociedade; defende a ação afirmativa e promove a eliminação
de quaisquer formas de discriminação e desigualdade raciais, entre outros
fatores (BRASIL, 2003d).
d) Criação de Grupo de Trabalho em Saúde da População Negra, de
assessoramento à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (WERNECK, 2010).

165
UNIDADE 3 | DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INFORMAÇÃO NO CONTEXTO NACIONAL ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS DO LIVRO,
DA LEITURA E PARA BIBLIOTECAS

e) O documento intitulado “Política Nacional de Saúde da População Negra:


uma questão de equidade” foi criado em 2001, a partir da realização do
Workshop Interagencial de Saúde da População Negra, com a participação
de representantes de todas as agências das Nações Unidas presentes no Brasil
e especialistas em saúde da população negra (WERNECK, 2010).
f) Decreto nº 4.885, novembro de 2003 dispõe sobre a composição, estruturação,
competências e funcionamento do Conselho Nacional de Promoção da
Igualdade Racial (CNPIR), um órgão colegiado de caráter consultivo e
integrante da estrutura básica da Secretaria Especial de Políticas de Promoção
de Igualdade Racial (SEPPIR). Sua função é propor políticas de promoção da
igualdade racial, com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e
étnicos da população brasileira (BRASIL, 2003e).
g) Criada em 2006 a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra
com a finalidade de enfrentar dois problemas: o racismo e a mortalidade na
população negra (WERNECK, 2010).

DICAS

Para apreender um pouco mais sobre políticas públicas e desigualdades


raciais, recomenda-se a leitura do livro:
O livro apresenta um conjunto de estudos enfocando diversos aspectos da questão racial
no Brasil. Inicia com um enfoque histórico (capítulo 1), que analisa a formação do mercado
de trabalho brasileiro à luz do passado escravista e da transição para o trabalho livre. Na
sequência, há um capítulo (2) sobre a discriminação racial e a ideologia do branqueamento
que ganham força, sobretudo a partir da abolição.
O terceiro capítulo trata do tema racial tendo em vista as diferentes abordagens sobre a
questão da mobilidade social, proporcionando um rico quadro da trajetória dos estudos
relacionados ao tema. Os capítulos 4 e 5 tratam dos dados mais recentes sobre as
desigualdades raciais, extraídos da Pnad: um sobre os aspectos demográficos outro sobre os
diferencias de renda. Já o capítulo 6 trata das políticas públicas de combate à desigualdade
racial no Brasil, seus limites e abrangência. Finalmente, no capítulo 7 são apresentadas
algumas conclusões com base no que foi discutido nos capítulos anteriores.
FONTE: THEODORO, Mário; GUERREIRO, Luciana Jaccoud Rafael; SOARES, Osório Sergei.
As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição.
Brasília: IPEA, 2008. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 10 ago. 2019.

CHAMADA

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166
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Dentre as populações existentes que são consideradas minorias sociais, embora


não quantidade, mas sim em aspectos representativos, estão as populações
negras e população idosa.

• Existem as políticas públicas informacionais que visam atender às demandas


dessas populações que se encontram à margem da sociedade brasileira e que
precisam ser devidamente atendidas pelos serviços e produtos de informação
disponibilizados em bibliotecas e demais unidades informacionais.

• As políticas públicas existem para o atendimento de demandas da sociedade,


e a população idosa é uma delas, pois esta necessita que suas demandas de
informação sejam supridas para melhorar sua qualidade de vida.

• A população idosa terá um aumento de 24,5% até o ano de 2060.

• Os desafios que permeiam as vivências dos idosos estão vinculados à solução


de problemas como a seguridade social, a dependência, a promoção do
envelhecimento ativo e protagonismo social dos idosos que estão em conjunto
com os direitos sociais fundamentais, como a noção de cidadania.

• Existe uma cronologia de políticas públicas destinadas às pessoas idosas.


Dentre as primeiras políticas criadas com ênfase na população idosa está o
documento “Políticas para a 3ª Idade – Diretrizes Básicas” e “Programa de
Assistência ao Idoso (PAI)” realizado pelo Instituto Nacional de Previdência
Social (INPS).

• Dentre as políticas públicas destinadas à população idosa encontra-se: Política


Nacional do Idoso; Estatuto do Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa
Idosa.

• Política Nacional do Idoso possui a finalidade de assegurar os direitos sociais


do idoso (BRASIL, 1994), de forma a criar meios e condições que promovam sua
autonomia, sua integração e sua participação na sociedade de forma efetiva.

• Política Nacional da Saúde do Idoso estabelece as diretrizes essenciais


que norteiam a definição ou a redefinição dos programas, planos, projetos
e atividades do setor na atenção integral às pessoas em processo de
envelhecimento e à população idosa.

167
• Foi por intermédio da Política Nacional do Idoso que houve a regulamentação
do atendimento de idosos em espaços que não sejam aqueles na modalidade
asilar, os quais são denominados de Centros de Convivência.

• O Estatuto do Idoso regulamenta as prioridades estabelecidas para o idoso, e


estabelece prioridades para a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade,
à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

• Pensando no acesso à informação básica para subsistência e à própria qualidade


de vida, não se pode permitir a exclusão digital dos idosos para que estes não
fiquem vulneráveis às informações falsas que podem podar seu pleno exercício
crítico de cidadania.

• A perda de autonomia da pessoa idosa não está presente somente no plano


físico, mas também tecnológica, uma vez que depende de familiares, amigos
e cuidadores para lhe auxiliar no uso da tecnologia. Dessa forma, o idoso
passa a sofrer com a exclusão digital, visto que não consegue compreender
adequadamente as tecnologias da informação.

• Existem políticas públicas criadas para a inclusão dos idosos na sociedade da


informação, tais como Projeto Silver Code e o Mapa da Inclusão Digital.

• As políticas de promoção da igualdade racial derivam das lutas dos movimentos


sociais negros para acesso a direitos básicos, tais como, saúde, educação,
trabalho digno, igualdade social, entre outros.

• Dentre as políticas públicas destinadas à população negra, destacam-se:


Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR),
Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Secretaria de
Políticas para Comunidades Tradicionais (SECOMT), entre outras.

• A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) foi


um órgão do Poder Executivo brasileiro que tinha como finalidade promover
a igualdade e a proteção dos grupos étnico-raciais pertencentes à sociedade
brasileira que são afetados pela discriminação e outras formas de intolerância.

• A Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) possui


como objetivo geral a redução das desigualdades étnico-raciais no Brasil,
especialmente para a população negra, mediante a realização de ações
executadas a médio, curto e longo prazos, visando atender às demandas
imediatas e áreas prioritárias de atuação

• O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) é um órgão


colegiado de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da Secretaria
Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR).

168
AUTOATIVIDADE

1 A partir da leitura das opções abaixo e com base no tópico estudado,


identifique com V ou F as questões que se referem às políticas públicas para
pessoas idosas:

a) ( ) A implantação de uma política nacional para pessoas idosas só


foi acontecer em 1994, antes dela a proteção desta população era
mencionada em alguns artigos do Código Civil, Código Pena, Código
Eleitoral e outros.
b) ( ) Foi em 1986 que foram realizados três Seminários regionais que
visavam diagnosticar a questão do envelhecimento a nível nacional
e apresentar as linhas básicas de políticas de assistência e promoção
social de pessoas idosas.
c) ( ) O primeiro programa criado para a pessoas idosas foi o Programa de
Assistência ao Idoso (PAI).
d) ( ) Em 1994, foi aprovada a Lei nº 8.842/1994, que estabelece a Política
Nacional do Idoso (PNI), posteriormente regulamentada pelo Decreto
nº 1.948/96, e cria o Conselho Nacional do Idoso.

2 Conforme estudado, a Política Nacional da Saúde do Idoso pela Portaria


nº 1.395/1999, do Ministério da Saúde (MS), que estabelece as diretrizes
essenciais que norteiam a definição ou a redefinição dos programas, planos,
projetos e atividades do setor na atenção integral às pessoas em processo
de envelhecimento e à população idosa. Leia as opções que se refere às
diretrizes instituídas pela Política:

I. A promoção do envelhecimento saudável,


II. A prevenção de doenças,
III. A manutenção da capacidade funcional,
IV. A assistência às necessidades de saúde dos idosos, à reabilitação da
capacidade funcional comprometida,
V. A capacitação de recursos humanos,
VI. O apoio ao desenvolvimento de cuidados informais,
VII. O apoio aos estudos e pesquisas.

A partir da leitura realizada da cronologia de políticas públicas


destinadas às pessoas idosas, marque a opção correta:

a) ( ) As questões I, II, III, IV e VI estão corretas.


b) ( ) As questões II, III, IV, V e VI estão corretas.
c) ( ) As questões I, II, III, IV, V e VII estão corretas.
d) ( ) As questões I, IV, V, VI e VII estão corretas.
e) ( ) Todas as questões estão corretas.

169
3 O Projeto de Apoio à Pessoa Idosa (PAPI), anteriormente chamado de
Programa de Assistência ao Idoso (PAI), foi realizado pelo Instituto Nacional
de Previdência Social (INPS). Conforme o tópico estudado, qual a finalidade
de tal Projeto?

4 Conforme Vetter (2018), existem desafios que fazem parte da vida dos
idosos. Conforme estudado, marque a opção que aborda quais eram os
desafios elencados pela autora:

a) ( ) Os desafios se relacionam à dificuldade locomotora que acomete os


idosos após os 60 anos. Dessa forma, precisam participar de grupos de
atividades físicas desde a infância para que, na velhice, possam ter uma
melhor qualidade de vida.
b) ( ) Os desafios são exclusivamente de ordem tecnológica, visto que os
idosos não conseguem utilizar as TICs sem o auxílio de uma pessoa
mais jovem.
c) ( ) Os desafios se referem à realização de aperfeiçoamento profissional
para a readequação ao mercado competitivo de trabalho do século XXI.
d) ( ) Os desafios são dificuldades de locomoção para espaços de lazer,
problemas para receber o pagamento devido a atrasos, dificuldade de
uso das TICs.
e) ( ) Os desafios se relacionam à solução de problemas como a seguridade
social, a dependência, a promoção do envelhecimento ativo e
protagonismo social dos idosos que estão em conjunto com os direitos
sociais fundamentais, como a noção de cidadania.

5 A finalidade Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa é realizar a


recuperação, manutenção e promoção da autonomia e independência
de sujeitos idosos, direcionando mediadas de saúde de ordem coletiva e
individual para tal público. Conforme estudado, tal política possui diretrizes
que norteiam as suas ações. A partir das opções a seguir, marque com V ou
F as sentenças a seguir:

a) ( ) Prover com recursos que assegurem a qualidade da atenção à saúde da


pessoa idosa”.
b) ( ) Estimular a participação e fortalecimento do controle social.
c) ( ) Formar e educar de forma permanente os profissionais da informação
do Sistema Único de Saúde (SUS) na área de saúde da pessoa idosa;
d) ( ) Promover o envelhecimento ativo e saudável.
e) ( ) Atenção parcial, integrada à saúde da pessoa idosa.
f) ( ) Estimular ações intersetoriais, com o objetivo de integralizar a atenção
à pessoa idosa.
g) ( ) Promover a divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde
da Pessoa Idosa para gestores, profissionais de saúde e usuários do
Sistema Único de Saúde (SUS).
h) ( ) Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na
atenção à saúde da pessoa idosa.

170
REFERÊNCIAS
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cidadão? Encontros Bibli, Florianópolis, n. 9, jun. 2000.

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[Link]/arcadasletras/. Acesso em: 10 ago. 2019.

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AUN, Marta Pinheiro. Antigas nações, novas redes: as transformações do


processo de construção de políticas de informação. In: ENCONTRO NACIONAL
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BRAMAN, S. Information, policy, and power in the informational state


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BRASIL. Presidência da República. Decreto nº 7.559, de 1º de setembro de 2011.


Dispõe sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura - PNLL e dá outras providências.

BRASIL. Ministério da Cultura. Instalação da câmara setorial do livro e da


leitura. São Paulo, 2005.

171
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BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.528, de 19 de outubro de 2006. Aprova


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Institui o Programa Sociedade da Informação e dá outras providências. Diário
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Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: <[Link]
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de Trabalho Interministerial para examinar e propor políticas, diretrizes e normas
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Institui a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial – PNPIR e dá outras
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Institui o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER). Diário Oficial
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