0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações151 páginas

Nutrição e Tratamento da Obesidade

Este documento resume uma aula sobre nutrição para grupos especiais, focando em obesidade. Apresenta informações sobre índice de massa corporal, tratamento multidisciplinar da obesidade incluindo estratégias nutricionais, exercício físico e possivelmente cirurgia bariátrica. Também discute hipertensão arterial, dislipidemia e outros temas relacionados à nutrição clínica.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
40 visualizações151 páginas

Nutrição e Tratamento da Obesidade

Este documento resume uma aula sobre nutrição para grupos especiais, focando em obesidade. Apresenta informações sobre índice de massa corporal, tratamento multidisciplinar da obesidade incluindo estratégias nutricionais, exercício físico e possivelmente cirurgia bariátrica. Também discute hipertensão arterial, dislipidemia e outros temas relacionados à nutrição clínica.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Pós-graduação em Musculação, Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva

MÓDULO:
NUTRIÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS

ITAJUBÁ, JANEIRO DE 2022


Apresentação Profissional:

➢ Karla Mariana Santos Ferreira

• Nutricionista Graduada pela UFVJM;

• Especialista em Nutrição Clínica, com foco em Atenção Hospitalar,


por meio de Residência Multiprofissional, pelo HE da Faculdade de
Medicina de Itajubá;

• Vice Delegada do CRN9 – Pouso Alegre/MG


NUTRIÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS:
AULA 1

• Obesidade;

• Hipertensão Arterial e Doenças Cardiovasculares;

• Dislipidemia e Síndrome Metabólica;

• Hipoglicemia, Resistência insulínica e Diabetes;

• Insuficiência Renal Crônica e Aguda;


OBESIDADE
OBESIDADE
- Enfermidade multicausal, que pode ser consequência de diversos
fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e psicológicos,
proporcionando o acúmulo excessivo de energia sob a forma de gordura
no organismo.

• Obesidade exógena: ingestão de calorias maior do que o Gasto Energético Total


(GET);

• Obesidade endógena: ganho de peso associado a distúrbios genéticos ou


endócrino-metabólicos.

- IMC (Índice de Massa Corporal): indicador para diagnóstico nutricional


INDICE DE MASSA CORPORAL:
OBESIDADE
OBESIDADE X NUTRIÇÃO X ATIVIDADE FÍSICA
TRATAMENTO
➢ Acompanhamento Multiprofissional (Médico Endocrinologista x
Nutricionista x Profissional de Educação Física x Psicólogo);

➢ Estratégias Nutricionais individualizadas;

➢ Exercício físico orientado, direcionado e individualizado;

➢Tratamento medicamentoso (quando necessário);

➢ Cirurgia Bariátrica.
ATENÇÃO NUTRICIONAL INCLUI:

➢ Avaliação do estado nutricional, para determinação do diagnóstico nutricional e


das necessidades nutricionais;

➢ Desenvolvimento do plano de ação nutricional;

➢ Implementação da dietoterapia, determinada pelo cálculo da dieta e conteúdo de


macro e micro nutrientes;

➢ Educação nutricional, envolvendo conceitos básicos de saúde e alimentação;

➢ Avaliação da eficiência da intervenção. Estas ações são traçadas para dar


suporte profissional em todos os aspectos relacionados ao cuidado nutricional.
Outros aspectos relacionados que deverão ser
verificados incluem:

• Capacidade física para ingestão de alimentos;


• História dietética anterior ou modificações realizadas;
• Mudanças ponderais recentes;
• Intolerâncias alimentares;
• Possível interação droga-nutriente;
• Presença de transtornos alimentares;
• Outras alterações, como dispepsia, constipação intestinal, etc.
Outros Planos Alimentares:

➢ De baixo valor calórico:


Denomina-se assim o que provém entre 800-1200 kcal ou entre 10 a 19 kcal por
kg de peso desejável. Está indicado se após um período razoável com um plano
moderado não se conseguiu diminuir de peso.
➢ De muito baixo valor calórico:
Denomina-se assim o que provém menos de 800 kcal diárias ou menos de 10
kcal por kg de peso desejável/dia. Está indicado para obesidades graves e
recorrentes, descompensação diabética e outros estados que necessitam rápida
perda de peso. Deve aplicar-se por períodos curtos (3-4 semanas).
Não recomenda-se dietas de menos de 400 kcal/dia, nem o jejum total (menos
de 200 kcal/dia).
➢Dietas não aconselhadas: as que não têm fundamento cientifico nutricional,
como as dietas da moda.
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
✓ Bupropiona com Naltrexona: Contrave (USA) e no Brasil prescrevendo Bupropiona
(Welbutrim, Bup, Bupium) com Naltrexona (manipulado pq infelizmente não tem a dose
pronta na indústria);

✓ Topiramato (Videmax, Topit, Amato);

✓ Fluoxetina e outros antidepressivos como Sertralina, Desvelafaxina, Fluvoxamina;

✓ Lisdexanfetamina: Venvanse;

✓ Metformina.

✓ Victosa, Saxenda (Liraglutida - meia vida de 12 a 13 horas e em dose única diária)

✓ Ozempic (Semaglutida – análogo de GLP1 - meia vida de 165 horas, possibilitando o uso
semanal do medicamento.)
CIRURGIA BARIÁTRICA

•A cirurgia bariátrica no Brasil, surgiu na década de 70 com os trabalhos do cirurgião Salomão


Chaib (técnicas de derivações jejuno-ileais do tipo Payne -1969).

•Em 1980 Edward Mason, cirurgião americano, considerado um dos pais da cirurgia bariátrica e
um dos fundadores da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – introduziu o
conceito de restrição gástrica, que levou ao desenvolvimento de técnicas como:
• Bypass gástrico;
• Gastroplastia horizontal;
• Gastroplastia vertical com anel de polipropileno.
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - SBCBM
INDICAÇÃO:

Através da análise de três critérios:

✓ IMC;

✓ Idade;

✓ Tempo da doença.

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - SBCBM


SUPORTE NUTRICIONAL: PRÉ-OPERATÓRIO

OBJETIVO PRINCIPAL:

Perda de 5 a 10% do peso corporal inicial, através de:

✓ Dieta balanceada;

✓ Trabalho de reeducação e orientação nutricionais;

✓ Suplementação vitamínica e proteica adequadas.


Desafios

❑Exercício Ilegal da profissão de Nutricionista;

❑Mídias Sociais;

❑Estamos a serviço da Saúde ou da Mera Imposição de Padrão?

❑Terrorismo Nutricional;

❑Suplemento ou Alimento?

❑Dieta ou Mudança de Comportamento Alimentar?


FISIOPATOLOGIA DO SISTEMA CIRCULATÓRIO

HIPERTENSÃO ARTERIAL

DISLIPIDEMIA

ATEROSCLEROSE
HIPERTENSÃO ARTERIAL (HA):
➢ Condição clínica multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos níveis
pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg;

➢ Frequentemente se associa a distúrbios metabólicos, alterações funcionais e/ou


estruturais de órgãos-alvo, sendo agravada pela presença de outros fatores de
risco (FR), como: dislipidemia, obesidade abdominal, intolerância à glicose e
diabetes melito (DM);

➢ Dados norte-americanos de 2015 revelaram que HA estava presente em 69%


dos pacientes com primeiro episódio de IAM, 77% de AVE, 75% com IC e 60%
com DAP.5 A HA é responsável por 45% das mortes cardíacas e 51% das mortes
decorrentes de AVE.
Fonte: SBH
HIPERTENSÃO ARTERIAL (HA):
➢ No Brasil, a HA atinge:
✓ 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos;
✓ mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por
doença cardiovascular (DCV).
➢Junto com o DM, suas complicações (cardíacas, renais e AVE) têm impacto
elevado na perda da produtividade do trabalho e da renda familiar, estimada
em US$ 4,18 bilhões entre 2006 e 2015;
➢ Em 2013 ocorreram 1.138.670 óbitos, 339.672 dos quais (29,8%)
decorrentes de DCV, a principal causa de morte no país;
➢ A hipertensão está presente em 5% dos 70 milhões de crianças e
adolescentes no Brasil.
➢ São 3,5 milhões de crianças e adolescentes que precisam de tratamento.
Fonte: SBH
PRÉ-HIPERTENSÃO ARTERIAL:

❑ É uma condição caracterizada por PA sistólica (PAS) entre 121 e 139


e/ou PA diastólica (PAD) entre 81 e 89 mmHg;

❑ A prevalência mundial variou de 21% a 37,7% em estudos de base


populacional.

Fonte: SBH
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO:

Fonte: SBH
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO:
DISLIPIDESMIAS
LIPÍDEOS CIRCULANTES:
• Do ponto de vista fisiológico e clínico, os lipídeos biologicamente mais relevantes são os:
fosfolipídeos, o colesterol, os triacilgliceróis (TG) e os ácidos graxos.

✓ Os fosfolipídes formam a estrutura básica das membranas celulares.


✓ O colesterol atua como precursores hormonais esteróides, dos ácidos biliares e da
vitamina D
• Constituem uma das formas de armazenamento energético mais importantes no organismo;

• Fazem parte das membranas celulares, influenciando na fluidez e no estado de ativação de


enzimas ligadas as membranas;

• Formam um isolamento para permitir a condução de impulso nervoso ou para prevenir a


perda de calor.
Os lipídeos circulantes incluem:

❖Colesterol livre ou não esterificado;


❖Esterificado com ácidos graxos de cadeia longa;
❖Triacilgliceróis;
❖Fosfolipídios (fosfatidilcolina, esfingomielina, fosfatidilserina fosfatidilinositol);
❖Vitaminas lipossolúveis;
❖Ácidos graxos livres;

➢ A homeostase do colesterol corporal é controlada por uma interação da


absorção, síntese, estocagem e excreção. Quando esse equilíbrio é perturbado
é refletido nos níveis séricos de colesterol.
• Devido sua natureza hidrofóbica, os
lipídeos, após sua absorção são
transportados no plasma pelas
lipoproteínas - partículas formadas
por uma capa hidrofílica constituída
por fosfolipídios, colesterol livre e
proteínas, envolvendo um núcleo
hidrofóbico que contém triacilgliceróis
e colesterol esterificado
CLASSIFICAÇÃO DAS LIPOPROTEÍNAS:

❑ QUILOMÍCRONS:

• São de origem intestinal, ricos em triacilgliceróis;


• São as maiores partículas e de menor densidade.

❑ VLDL – Very Low Density Lipoprotein:

• Origem hepática, rica em triacilgliceróis, embora com concentração


menor que os quilomícrons, e densidade um pouco maior.
CLASSIFICAÇÃO DAS LIPOPROTEÍNAS:

❑ LDL – Low Density Lipoprotein:

• Derivam o catabolismo das VLDL e IDL. São as maiores carreadoras de


colesterol para os tecidos

❑ HDL – High Density Lipoprotein:


• Lipoproteína de maior densidade e contém menor teor de triacilgliceróis. São
carreadoras do colesterol reverso dos tecidos para o fígado. São
produzidas no fígado ou diretamente na circulação a partir do catabolismo de
quilomícrons, VLDL, IDL
DISLIPIDEMIA:
➢ São alterações dos níveis sanguíneos dos lipídeos circulantes;

➢ Podem receber o nome de hiperlipidemias as quais podem ser


classificadas em hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia;

➢ Podem ser consideradas de acordo com a sua etiologia:


Primárias: quando relacionadas a alterações genéticas e
ambientais.
Secundárias: quando associadas a outras doenças e o
uso de medicamentos.
CLASSIFICAÇÃO DAS DISLIPIDEMIAS

• LABORATORIAL: • ETIOLÓGICA:
• Hipercolesterolemia isolada (Elevação isolada do ➢ Dislipidemias primárias
LDL-c (≥ 160 mg/dL)
• Hipertrigliceridemia isolada Elevação isolada dos
➢ Dislipidemias secundárias
TG (≥150 mg/dL)
• Causadas por doenças: DM, obesidade,
• Hiperlipidemia mista Valores aumentados de
hipotireoidismo, doenças renais, hepatopatias
ambos LDL-c (≥ 160 mg/dL) e TG (≥150 mg/dL)
colestáticas crônicas.
• HDL-colesterol baixo (Redução do HDL-c
• Causadas por medicamentos: diuréticos,
(homens <40 mg/Dl e mulheres <50 mg/dL) isolada
betabloqueadores, corticosteróides anabolizantes e
ou em associação com aumento de LDL-C ou de
ciclosporinas.
TG)
• Causadas por hábitos de vida inadequados:
tabagismo, etilismo, e vida sedentária.
V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2013
V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2013
SÍNDROME METABÓLICA

• Um conjunto de condições que aumentam o risco de doença


cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes.

• A síndrome metabólica (SM) inclui:


• Hipertensão arterial;
• Hiperglicemia;
• Excesso de gordura visceral;
• Níveis elevados de colesterol.

Mais de 20% da população brasileira tem diagnóstico de SM.


DIAGNÓSTICO:

✓ Circunferência abdominal maior que 88 cm (mulher) e maior 102 cm


(homem);
✓ Triglicerídeos acima de 150 mg/Dl;
✓ HDL colesterol abaixo de 50 mg/dL na mulher e abaixo de 40 mg/dL
no homem;
✓ Pressão arterial acima de 130 x 85 mmHg;
✓ Glicemia de jejum maior 100 mg/dl.
TRATAMENTO:

• Mudança no estilo de vida do paciente (hábitos alimentares e atividade


física).
• Dieta hipossódica e hipolipídica;
• Calorias calculadas de acordo com a faixa etária e gasto energético
individual;
• Atividade física adequada à faixa etária e ao condicionamento físico
individual;
• Redução no uso de bebida alcoólica e do cigarro;
• O tratamento medicamentoso deverá ser indicado sempre que não houver
resultado satisfatório com as medidas de mudança do estilo de vida.
DOENÇA RENAL
✓ Os rins filtram em torno de 100-125ml/min = 144 litros/dia (1 a 2
litros de urina)
FUNÇÕES
DOS RINS
Principais funções dos rins:
• Manutenção do:
• volume de líquido;
• da osmolaridade;
• das concentrações de eletrólitos e do estado acidobásico no organismo
(variação na excreção urinária de água e íons, como o sódio, potássio,
cloreto, cálcio, magnésio e o fósforo).

• Excreção de produtos finais do metabolismo, como: ureia, ácido


úrico, os fosfatos e os sulfatos;

• Excreção de substâncias como drogas e medicamentos;


Principais funções dos rins:
• Produção e secreção de hormônios e enzimas que atuam na:

• Regulação hemodinâmica sistêmica e renal (renina, angiotensina II,


Prostaglandinas e bradicinina);

• Maturação de hemácias na medula óssea (eritropoetina);

• Regulação do balanço de cálcio e fósforo, bem como do metabolismo


ósseo (forma mais ativa da vitamina D produzida nas células túbulo
proximais);
Principais funções dos rins:

• Regulação da pressão arterial e da glicose no sangue;

• Degradação e catabolismo de hormônios (insulina, glucagon,


PTH, hormônio do crescimento);

• Regulação de processos metabólicos (gliconeogênese,


metabolismo lipídico);
Principais funções dos rins:
• O pH fisiológico do organismo é 7,4, 90% dos íons bicarbonato
são reabsorvidos nos rins (no túbulo contorcido proximal),
doenças renais impedem a correta reabsorção e isto está
ligado a acidose metabólica em paciente renais.

• Os rins trabalham com até 25% de néfrons remanescentes!!!


Doenças Renais:
As manifestações da doença renal são significativas. Elas podem ser ordenadas pela
extensão da gravidade:

1- Síndrome Nefrótica;
2- Síndrome Nefrítica (Glomerulonefrite Aguda);
3- Defeitos Tubulares;
4- Nefrolitíase;
5- Insuficiência Renal Aguda (IRA)
6- Insuficiência Renal Crônica (DRC)
7- Doença Renal em Estágio Terminal (DRET)

◦ As metas do cuidado nutricional dependem do distúrbio que está sendo tratado!!


INSUFICIÊNCIA
RENAL AGUDA
Definição
• É uma síndrome caracterizada pela deterioração rápida (horas
ou dias) da função renal;
• Refere‐se principalmente à diminuição do ritmo de filtração
glomerular, porém ocorrem também disfunções no controle do
equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico;
• Podem ocorrer alterações hormonais, como a deficiência de
eritropoetina e de vitamina D;
• Há uma acúmulo de produtos do catabolismo nitrogenado,
como a ureia e creatinina na corrente sanguínea.
Estatísticas
• Estima‐se que 5% dos pacientes hospitalizados e 30% dos
pacientes internados em UTI desenvolvem IRA (normalmente
pelo uso de medicamentos);
• A duração é variável, de alguns dias a várias semanas;
• A incidência de IRA aumenta com a idade, sendo 3,5 vezes
maior nos pacientes acima de 70 anos;
• A prevalência de IRA varia de acordo com os valores de
creatinina utilizados no diagnóstico em cada estudo e tem
importante impacto na mortalidade.
Etiologia
Pré-renal: doenças que provocam hipoperfusão renal, sem
comprometer a integridade do parênquima, cerca de 55%;

Renal: doenças que afetam diretamente o parênquima renal,


cerca de 40%;

Pós-renal: doenças associadas à obstrução do trato urinário,


cerca de 5%.
Sinais e sintomas de IRA
• Os principais sinais e sintomas da IRA são oligúria, azotemia e
uremia

Oligúria: débito urinário < 500ml/dia;

Azotemia: acúmulo de metabólitos nitrogenados no sangue,


principalmente creatinina e ácido úrico;

Uremia: mal estar, fraqueza, náuseas, vômitos, sonolência,


desânimo, anorexia, gosto metálico na boca, câimbras, pruridos,
deficiência neurológica;
Recuperação: varia de 2 à 3 semanas

• Fase Oligúrica: início ‐ atenção meticulosa à ingestão de


líquidos, devem ser evitados ao máximo.

• Fase diurética: excreção de Na = natriurese – recuperação,


reposição da perda de líquidos.
Alterações Metabólicas
✓ Gasto energético: 8% do gasto energético do corpo é no rim,
na paciente com IRA isso é reduzido;
✓ Metabolismo de Proteínas: hipermetabolismo (desnutrição
calórico-proteica);
✓ Metabolismo de carboidrato: são hiperglicêmicos (stress
fisiológico); Resistência à insulina e gliconeogênese hepática
aumentada;
✓ Metabolismo de lipídeos: triglicerídeos aumentados; colesterol
total e HDL diminuído.
Cuidado Nutricional
OBJETIVOS:

• Recuperação ou manutenção do estado nutricional;


• Corrigir a acidose metabólica e distúrbios hidroeletrolíticos;
• Redução das escorias nitrogenadas;
• Evitar sobrecarga hídrica e piora da hipertensão;
Recomendações Nutricionais
❑ ENERGIA: 30 a 40 calorias / kg peso seco / dia.
- Fator injúria na IRA raramente excede 1,3.
❑ PROTEÍNAS: 0,8 a 1,0 g / Kg e 60% dessas devem ser AVB;
❑ SÓDIO: 20 a 40 mEq / dia na fase oligúrica (dependendo do débito urinário,
edema, diálise e nível de sódio sérico) repor perdas na fase diurética;
❑ FÓSFORO: limitar conforme o necessário;
❑ POTÁSSIO: monitorar os níveis séricos;
❑ Restrição dietética na hipercalemia;
❑ Diálise.
INSUFICIÊNCIA
RENAL CRÔNICA
IRC/DRC
• Nº de pacientes com DRC vem aumentando de forma significativa no
Brasil e no mundo.
• É considerado um problema de saúde pública, 1,4 milhões de brasileiros
apresentam algum grau de disfunção renal.
• O número total de centros ativos de diálise aumentou 37,8%, de 550 em
2002 para 758 em 2017, enquanto o número de pacientes aumentou
159,4% no mesmo período

Esses nº tem aumentado:


✓ Envelhecimento da população
✓ Maior acesso ao tratamento dialítico
IRC/DRC
Fatores de Risco:
✓Diabéticos;
✓Hipertensos;
✓Indivíduos acima de 60 anos;
✓Indivíduos com história familiar de DRC;
✓Indivíduos com Doença Autoimune;
✓Indivíduos com Infecção Sistêmica;
✓Indivíduos expostos a substâncias tóxicas;
✓Indivíduos com redução de massa renal;
✓Alguns casos de Insuficiência Renal Aguda.
Estadiamento
• Estágio 0: sem alterações, mas requer acompanhamento em pacientes
com: diabetes, HAS e com parentes portadores de DRC.

• Estágio 1 e 2: apresentam algum tipo de lesão renal (proteinúria), níveis


plasmáticos de uréia e creatinina ainda normais, só métodos mais
acurados como o clearance de creatinina podem detectar lesão déficit
de função renal.

• Estágio 3: sintomas urêmicos podem estar presentes de maneira discreta,


aumento dos níveis plasmáticos de creatinina
Estadiamento
• Estágio 4: sinais de uremia como HAS, fraqueza mal estar,
sintomas digestivos (anorexia, náusea, vômito, diarreia, hálito
urêmico)

• Estágio 5: perda do controle do meio interno, incompatível com


a vida. Paciente com muitos sintomas, início da terapia
substitutiva.
IRC/DRC
• Definição: síndrome clínica, caracterizada por perda lenta, progressiva e
irreversível das funções renais.

Segundo o guia norte‐americano de nefrologia, caracteriza-se pela presença de


dano renal ou redução das funções renais (TFG <60ml/min) por período igual ou
superior a 3 meses, independente da sua etiologia;

• Há presença de um ritmo de filtração glomerular inferior a 75 ml/min/1,73m², por


três meses seguidos ou mais;
• Presença de sinais de lesão renal (laboratorial, imagens ou histologia renal)
Principais alterações metabólicas
• Expansão do volume extracelular: o volume do fluido
extracelular se mantém próximo ao normal até alguns estágios
da DRC
• O rim ainda consegue aumentar a fração de excreção de sódio no
decorrer da doença;
• Nos estágios finais da DRC essa função é perdida e há aumento da [ ]
sérica de sódio;
• Retenção hídrica;
• Edema;
• Hipervolemia;
• Hipertensão arterial.
Como verificar o
grau de edema
+ = edema somente no tornozelo = acréscimo de 1kg

++ = edema até joelho = acréscimo de 3 a 4kg

+++ = edema até a raiz da coxa = acréscimo de 5 a 6kg

++++ = edema generalizado (anazarca) pernas,


abdome, braços e rosto = acréscimo de
aproximadamente 10 a 12kg
Principais alterações metabólicas
• Acidose metabólica: distúrbio ácido‐básico mais comum.

• Anemia: No rim ocorre a produção de eritropoentina, hormônio


que age na medula e é responsável pela maturação das
hemácias;

✓Anemia;
- Tratamento: uso de eritropoetina recombinante humana + reposição de
ferro endovenoso.

• Doença cardiovascular: é a principal causa de morte na DRC


Principais alterações metabólicas
• Alterações no metabolismo da Insulina: pacientes urêmicos
apresentam resistência a ação da insulina e redução na secreção
pancreática de insulina pelas células pancreáticas.

✓ Costuma aparecer quando pelo menos 50% da função renal está


comprometida

✓ Agrava a medida que a função diminui

✓ Acarreta prejuízos na síntese proteica (perda de massa magra)


Principais alterações metabólicas
• Alterações no perfil lipídico:
➢ Aumento dos triacilgliceróis, colesterol total e LDL‐c redução de HDL‐c

Causas ainda pouco conhecidas:


✓ Resistência à insulina;
✓ Redução da ação da lipase lipoprotéica (aumento da [ ] de triacilglicerol)

• Alterações do TGI: sintomas de uremia dos estágios 4 e 5


✓O quadro pode ser amenizado com redução da ingestão de proteínas
Tratamento
• Compreende duas fases:

Não dialítica = tratamento conservador


Terapia substitutiva = tratamento dialítico

➢ Hemodiálise
➢ Diálise peritoneal
➢Transplante renal
Tratamento conservador
• Compreende os estágios de 1 a 4 da DRC.
➢Objetivo: retardar a progressão da DRC
➢Tratar complicações decorrentes da perda da função renal
➢Preparar o paciente para início da terapia dialítica (Preparo do acesso
vascular e indicação da diálise no momento adequado)
• Envolvimento de uma equipe multidisciplinar: primordial para o sucesso do
tratamento:
• Nefrologista
• Nutricionista
• Enfermeiro
• Psicólogo
• Assistente Social
Avaliação
• Parâmetros séricos a serem avaliados:

✓TFG e Clearence de creatinina (80 a 120 mL/min/1,73²)


✓Ureia
✓Ácido úrico
✓Sódio
✓Potássio
✓Bicarbonato
✓Cálcio
✓Fósforo
✓PTH
✓Perfil lipídico
Potássio
• O aumento das [ ] séricas é mais frequente nos estágios 4 e 5
A hiperpotassemia é multifatorial:
Fatores dietéticos
Redução da função renal
Acidose metabólica
Anti‐hipertensivos inibidores da ECA
Baixa eficiência da diálise
Hipoaldosteronemia
Constipação intestinal
A hiperpotassemia está associada à:
Arritmia cardíaca
Morte súbita
Orientação Nutricional
Frutas, verduras cruas e leguminosas contém muito potássio: durante o preparo descasque o
que for possível, pique, deixe de molho e troque a água pelo menos duas vezes, cozinhe e
escorra o caldo da cocção

Algumas fontes comuns de potássio:


Grãos: feijão, ervilha, grão‐de‐bico, lentilha, soja;
Frutas secas: uva passa, coco ralado, ameixa;
Frutas frescas: banana, maracujá, abacate, mamão, uva, morango, manga, melão, etc.
Verduras: batata, mandioca, folhas verde-escuras, cenoura, tomate, etc.
Oleaginosas: amendoim, nozes, castanhas;
Outros: chocolate, caldo de cana, suco concentrado de frutas, massa de tomate.
Proibida: carambola!!
Fósforo

• Alimentos ricos em Fósforo que


devem ser consumidos com
moderação:

➢ Carne de boi, frango e peixes;


➢ Feijões e leguminosas de um modo
geral;
➢ Ovos, leite derivados;
➢ Doces com leite na composição
Fósforo
• Alimentos ricos em fósforo que não devem ser consumidos:

➢ Miúdos ou vísceras em geral;


➢ Sardinha; Fígado de boi; Lingüiça; Salsicha; Presunto; Mortadela;
Salame;
➢ Coca‐cola e Pepsi‐cola;
➢ Castanhas em geral e amendoim;
➢ Paçoca;
➢ Cerveja.
Diga a seu paciente:

➢ O aumento do fósforo pode:

• Enfraquecer os ossos;
• Causar fraturas;
• Provocar coceiras pelo corpo;
• Causar endurecimento do coração, pulmão e vasos sanguíneos.
• O fósforo no sangue do paciente que faz diálise deve ser mantido
sob controle
• Opção: quelantes de fósforo!!
Sódio e Líquidos
A restrição de sódio:
• Melhora o controle da pressão;
• Reduz a retenção hídrica;
• Melhora o controle do peso;
• Reduz a sede.

A restrição hídrica:
• É mais comum para pacientes em
hemodiálise, na diálise peritoneal só
em casos de retenção ou edemas
clínicos.
Tratamento
Dialítico
➢ Diálise:
Processo físico‐químico pelo qual
duas soluções separadas por uma
membrana semipermeável,
influenciam na composição uma da
outra

• Funções: depuração de solutos,


remoção do excesso de líquido
corpóreo, manutenção do
equilíbrio ácido‐básico. Exceto
funções endócrinas
Suporte Nutricional
• Importante na vigência de DEP

➢ Indicado nas seguintes situações:

✓Redução da ingestão alimentar e orientação nutricional não for capaz de


normalizar;
✓Especialmente para idosos;
✓Hipercatabolismo;
✓Quadro inflamatório ou infeccioso;
✓Pacientes em hemodiálise com IMC <20kg/m².
Suporte Nutricional
➢ A 1ª opção deve ser suplementação oral;
➢ Se não houver melhora ou problemas de deglutição: Nutrição
enteral noturna
➢ É recomendado o uso de fórmulas especiais para DRC
➢ Aumentar a energia e a proteína com menor quantidade de P e K;
➢ Suplementação diária por 3 meses pode reverter o quadro;
➢A suplementação durante as sessões de diálise podem garantir a
adesão;
➢ Se a enteral não resolver, ou não for possível, nutrição Parenteral
Também pode ser feita durante a sessão de diálise
Orientação Nutricional
❑ Explicar a razão das modificações alimentares e fazê‐las aos poucos;
❑ Envolver a família, principalmente quem compra e prepara os alimentos;
❑ Respeitar as preferências e hábitos alimentares do paciente;
❑ Não fazer restrições desnecessárias;
❑ Fornecer a lista de substituições adequada;
❑ Fornecer receitas baratas e de fácil preparo;
❑ Utilizar modelos de alimentos e medicas caseira para orientação e
verificação da adesão à dieta;
❑ Fazer consultas regulares;
Transplante renal
➢ Envolve a implantação cirúrgica de um rim de um
doador vivo ou falecido.

➢ Quando ocorre o dano renal irreversível e a taxa


de filtração glomerular diminui para
aproximadamente 10ml/minuto, o paciente tem
duas opções: a diálise crônica ou o transplante;

➢ O transplante possui várias vantagens sobre a


diálise, mas por várias razões, esse tratamento
não é possível para a maioria dos pacientes antes
de passarem algum tempo em tratamento
dialítico.
Transplante renal
❖ É comum os pacientes e a equipe médica verem o transplante
como uma maneira de escapar das restrições alimentares impostas
pelo tratamento para IRC;
❖ Dessa forma pouca atenção é dada aos aspectos nutricionais do
transplantado;
❖ O transplantado não é isento de problemas e riscos nutricionais;
❖ O paciente transplantado é considerado no estágio 3 da DRC;
❖ Aumenta a sobrevida do paciente, mas a sobrevida do paciente e
do enxerto tende a diminuir ao longo dos anos.
Importante
• A avaliação e a educação nutricional são de grande importância em todas
as fases, inclusive no pré-transplante renal.
A avaliação nutricional deve ser frequente, bem como o aconselhamento a
fim de prevenir ou tratar:
• Obesidade ou ganho de peso, principalmente, durante o primeiro
• ano pós‐transplante.
• DEP
• HAS
• Dislipidemias
• Diabetes
• Controle de minerais
Importante

As intervenções nutricionais repetidas são necessárias para


facilitar a melhora dos hábitos alimentares e o desenvolvimento
da disciplina para um estilo de vida mais saudável e para
melhorar as desordens metabólicas induzidas ou influenciadas
pela dieta!!
MUITO OBRIGADA!!

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,


qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim!!”
Chico Xavier

Karla Ferreira (CRN9 14432)


Instagram: @karlaferreiranutri
E-mail: karla_dtna@[Link]

MÓDULO:
NUTRIÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS
Pós-graduação em Musculação, Fisiologia do Exercício e Nutrição Esportiva
ITAJUBÁ, JAN
Apresentação Profissional:
Karla Mariana Santos Ferreira
• Nutricionista Graduada pela UFVJM;
• Especialista em Nutrição Clí
NUTRIÇÃO PARA GRUPOS ESPECIAIS:
AULA 1
• Obesidade;
• Hipertensão Arterial e Doenças Cardiovasculares;
• Dislipidemia e Síndr
OBESIDADE
OBESIDADE
- Enfermidade multicausal, que pode ser consequência de diversos
fatores
genéticos,
fisiológicos,
ambientais
e
psic
INDICE DE MASSA CORPORAL:
OBESIDADE

Você também pode gostar