Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima classe na
escola primária do 1º e 2º grau de Nametil_Mogovolas.
Atija José Luís valente
708211869
Curso ׃Licenciatura em ensino de História
Disciplina: Metodologia de Investigação Científica I
Ano: 1º
Turma: C
Nampula, Janeiro, 2022
1
1
1.1 Critérios de avaliação (disciplinas teóricas)
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Nota
Pontuação
do Subtotal
máxima
tutor
Índice 0.5
Introdução 0.5
Aspectos
Estrutura
organizacionais Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
Introdução Descrição dos
1.0
objectivos
Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 3.0
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão Revisão bibliográfica
nacional e internacional
2.0
relevante na área de
estudo
Exploração dos dados 2.5
Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Formatação 1.0
gerais paragrafo, espaçamento
entre linhas
Normas APA
Rigor e coerência das
Referências 6ª edição em
citações/referências 2.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia
2
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Índice
Introdução ........................................................................................................................................ 4
1. Problematização........................................................................................................................... 5
2. Justificativa .................................................................................................................................. 5
3. Objectivos .................................................................................................................................... 5
4. Delimitação do tema .................................................................................................................... 6
5.1. Metodologias ............................................................................................................................ 7
6. Tipos de pesquisa ........................................................................................................................ 8
7. Técnicas de recolha de dados ...................................................................................................... 9
8. Fundamentação teórica .............................................................................................................. 10
8.1. Datas comemorativas.............................................................................................................. 10
8.2. As Causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima classe ........ 12
8.2.1. Cultura escolar ..................................................................................................................... 12
8.2.2. Tradição ............................................................................................................................... 13
8.2.3. Religião, religiosidades, vínculo religioso .......................................................................... 14
9. Resultados esperados ................................................................................................................. 14
10. Cronograma de actividades ..................................................................................................... 15
Referência bibliográfica ................................................................................................................ 17
4
Introdução
A presente pesquisa é em prol de uma longa e duradoura caminhada e reflexão profunda do
fenómeno que vem se arrastando desde a bastante tempo na escola s primária do 1º e 2º grau de
Nametil, problema este em que os alunos da mesma reclamam o desconhecimento das datas
comemorativas.
É com base nesta constatação que surge a ideia de fazer uma pesquisa com o intuito de investigar
as dificuldades que ostenta o seguinte tema: Causas do desconhecimento das datas
comemorativas dos alunos da sétima classe na escola primária do 1º e 2º grau de
Nametil_Mogovolas.
Os estudos de aspectos simbólicos contidos nos ritos das festas cívicas e religiosas escolares
podem servir de embasamento para conhecer elementos da ideologia e da mentalidade da escola
pública assim como oferecer subsídios para o trabalho docente voltado à diversidade cultural.
Desse modo, pressupondo que o papel da escola e dos professores é compreender as mudanças
sociais conectadas aos acontecimentos do mundo e proporcionar sempre a reflexão de sua prática,
refletir sobre as tradições não significa somente analisá-las, mas propor um novo olhar de
valorização dos aspectos históricos e culturais da nossa sociedade.
O presente trabalho está estruturado em introdução, logo após traz o desenvolvimento, conclusão
e referência bibliográfica.
5
1. Problematização
Para RUDIO (1978), formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara,
compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos defrontamos e que pretendemos
resolver, limitando o seu campo e apresentando suas características. Desta forma, o objectivo da
formulação do problema é torná-lo individualizado, específico e inconfundível.
Concordando com RUDIO, Verificando-se muitas dificuldades dos alunos da sétima classe da
escola primária do 1º e 2º grau de Nametil em conhecer as datas comemorativas, surge o
seguinte problema:
Quais são as causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima classe na
escola primária do 1º e 2º grau de Nametil_Mogovolas.
2. Justificativa
A escola primária do 1º e 2º grau de Nametil foi escolhido pelo autor para fazer a sua
investigação por ser uma das escolas que ao nível de Nametil tem sido assolado com dificuldades
de interpretar os factos memoráveis, factos históricos.
É de extrema importância para os alunos da 7a classe, a construção do conhecimento histórico se
potencializa a partir do estudo de temáticas que tenham significância para eles. Assim cabe ao
professor organizar um currículo e uma proposta pedagógica que seja significativa para as
crianças Barbosa e Horn (2008) afirmam:
Preciso compor o currículo com as necessidades que nós, os adultos, acreditamos que sejam
aquelas apresentadas pelas crianças e que podemos obter por meio da observação das
brincadeiras e de outras manifestações não verbais, assim da escuta de suas falas das quais
emergem os interesses imediatos. (p.42)
Sendo assim, as instituições e profissionais devem ter muito claro qual o verdadeiro significado
dessas datas comemorativas para a vida dos alunos; pois essas experiências podem ser muito
boas, porém podem trazer também medos, preconceitos, erros. Face à este cenário, e com
perspectiva de procurar entender o problema com vista a procurar melhorar a situação
desconhecimento das datas comemorativas e, o autor que por sinal é professora da escola acima
supracitado sentiu-se obrigado a investigar as causas que estão por detrás do desconhecimento
6
das datas comemorativas dos alunos da sétima classe na escola primária do 1º e 2º grau de
Nametil_Mogovolas e que preocupa a direcção da escola e dos Serviços distrital de Educação
juventude e Tecnologia de Mogovolas.
3. Objectivos
Considerando-se a importância da Genética para a sociedade bem como a necessidade de abordá-
la como uma actividade dinâmica e histórica, far-se-á aqui um breve levantamento das
dificuldades dessa disciplina para os alunos da Escola Secundária de Nametil.
3.1. Objectivo Geral
Está ligado a uma visão global e abrangente do tema vinculando-se directamente à própria
significação da tese proposta pelo estudo. (MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 106).
Contudo, tem-se o seguinte objectivo:
Conhecer as causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima
classe na escola primária do 1º e 2º grau de Nametil_Mogovolas.
3.2. Objetivos Específicos
Este apresenta um carácter mais concreto, tendo função intermediária e instrumental, permitindo,
de um lado, atingir o objectivo geral e, de outro, aplicar este a situações particulares.
(MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 106).
Dai que, tem-se os seguintes objectivos específicos:
Identificar as causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima
classe .
Analisar se os professores utilizam recursos didáticos que contribuam para facilitar no
conhecimento histórico de datas comemorativas.
Propor medidas para melhoria ao trabalho com as datas comemorativas instituído e
praticado na escola.
4. Delimitação do tema
De acordo com AMORIM (1998, p.6) "delimitação do tema é estabelecimento de limites para a
investigação. A pesquisa pode ser limitada em relação ao assunto seleccionando um tópico, a fim
7
de impedir que se torne ou muito extenso ou muito complexo; a extensão porque nem sempre se
pode abranger todo o âmbito onde o facto se desenrola".
Para o tema, escolhido para pesquisar no distrito de Mogovolas. A pesquisa será feita no mês de
Dezembro de 2021 e Janeiro de 2022, e terá como método de pesquisa: entrevista, observação.
Segundo AZEVEDO (1999) nos ensina que o tema deve ser relevante científica e socialmente,
situado dentro de um quadro metodológico ao alcance do pesquisador e com áreas novas a
explorar.
Além disso, é importante que a relevância do tema dirija-se a três beneficiários: a sociedade, a
ciência e a escola (SANTOS, 1999).
Tendo em conta as colocações de SANTOS (1999) e de AZEVEDO (1999), explicita-se o tema
desta pesquisa da seguinte forma: Causas do desconhecimento das datas comemorativas dos
alunos da sétima classe na escola primária do 1º e 2º grau de Nametil_Mogovolas. 5.
Procedimentos metodologicos
Metodologicamente, procedemos a uma análise reflexiva dessa realidade encontrada à luz de um
arcabouço teórico constituído por um levantamento bibliográfico pautado em autores como
Kramer (2002), Meyer (2010), Paredes (2012), Pinto & Sarmento (1997), dentre outros, que nos
possibilitaram um olhar mais aprofundado a respeito do trabalho com as datas comemorativas nas
instituições educativas.
Consideramos pertinente trazer à tona essa problemática porque ela nos remete a questão
estruturais que perpassam o papel da educação e nos levam a questionar se o conhecimento e os
aspectos políticos, sociais e culturais são incorporados no sentido de produção de senso crítico ou
num viés ideológico.
5.1. Metodologias
Segundo GALLIANO (1986), todas as acepções da palavra “método” registadas nos dicionários
estão ligadas à origem grega methodos - que significa “caminho para chegar a um fim”.
Contudo, o autor propôs os seguintes métodos:
8
Este trabalho foi realizada por meio de uma pesquisa exploratória utilizando métodos
bibliográficos e documentais, a partir da leitura de artigos, enciclopédias virtuais, publicações,
revistas, jornais, livros, revistas, documentos virtuais, relatórios, portarias, leis e sites sobre o
assunto, em além do conhecimento. Adquiridos através de documentação científica assistida. O
processo de análise dos dados e a abordagem foram qualitativos.
A pesquisa exploratória, segundo Lakatos e Marconi (2003, p.188), tem uma tripla finalidade, a
saber, “desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente,
ambiente, fato ou fenómeno para fazer pesquisas futuras mais precisas ou modificar e classificar
conceitos ”.
O processo de coleta de dados é descrito por Rauen (2002, p. 65) como bibliográfico como a
"busca de informações bibliográficas relevantes para a tomada de decisão em todas as fases da
pesquisa", portanto a pesquisa em questão tem como objectivo um exame teórico de cada uma
das abordagens anteriores que são essenciais para a análise proposta originalmente.
Segundo Gil (2002), o objetivo do procedimento documental é descrever e comparar dados e
caracterizar a realidade presente e passada.
A coleta de dados utilizada durante o curso foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica e
documental com coleta de textos, transcrição de normas e citações, bem como coleta de dados e
registro de dados pertinentes. Bibliográfica, visto que foi desenvolvida a partir de material já
elaborado por diversos autores, o que tem contribuído para o desenvolvimento e
5.2. Método Historico-logico
O pesquisador vai fazer um estudo mais detalhado sobre as datas comemorativas para saber do
seu impacto no passado e na actualidade e dai tirar conclusões do porque do desconhecimento das
datas comemorativas dos alunos da sétima classe na escola primária do 1º e 2º grau de
Nametil_Mogovolas.
6. Tipos de pesquisa
Segundo SILVEIRA e CORDOVA (2009:31) a “pesquisa é um processo permanentemente
inacabado e Processa-se por meio de aproximações sucessivas da realidade, fornecendo-nos
subsídios para uma intervenção no real”.
9
Tratando-se de um problema que carece de investigação para apurar as causas que estão por
detrás do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima classe na escola
primária do 1º e 2º grau de Nametil_Mogovolas.
- Pesquisa descritiva pois “objectiva descrever os fatos e fenómenos de determinada realidade”
(TRIVIÑOS, 1987).
- Explicativa que preocupa-se em identificar os factores que determinam ou que contribuem para
a ocorrência dos fenómenos (GIL, 2007).
7. Técnicas de recolha de dados
Segundo Andrade (2002), técnica é a instrumentação específica da coleta de dados, podendo ser
dividida em documentação indirecta e documentação directa.
Quanto às técnicas de pesquisa foram utilizadas:
7.1. Entrevista
Segundo SILVEIRA e CORDOVA (2009:31) “entrevista É uma técnica de interação social, uma
forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca obter dados, e a outra se apresenta
como fonte de informação”.
O autor ira entrevistar alguns alunos da escola, professores e membros da direcção da escola
primária do 1º e 2º grau de Nametil.
7.2. Bibliográfico
Consistirá na leitura das obras sobre datas comemorativas, como livros de diferentes classes;
sendo os mais destacados para a pesquisa os seguintes: ciências sociais da 4ª classe.
7.3. Tratamento de dados
O tratamento de dados neste contexto será feito de forma qualitativa e quantitativa. Qualitativas,
porque os dados que poderão ser recolhidos estarão em forma de palavras e não em números. Os
resultados escritos da investigação poderão conter citações feitas com base nos dados para ilustrar
e substanciar a apresentação. A fonte directa dos dados é o próprio a disciplina de ciências
sociais, facto que constituirá o investigador instrumento principal; em segundo procura-se saber
10
as causas que estão por detrás das dificuldades de alunos da 7ª classe, quanto aos temas de datas
comemorativas.
Quantitativa, porque vai envolver para pesquisa um número considerado de alunos e outros
actores do ensino e aprendizagem como é o caso das entidades de direcção da escola primária do
1º e 2º grau de Nametil.
7.4. Universo
A escola primária do 1º e 2º grau de Nametil é composta por 9 turmas da 7ª classe em 2021 e ,
assistidas por 4 professores de ciências sociais e com um total de 405 alunos segundo os dados
estatísticos de 03 de Março de 2021.
7.5. Amostra
Do universo dos alunos de 405 por ser maior, foi retirado do mesmo em diferente e turmas e de
forma aleatória o total de 95 participantes maioritariamente do curso Diurno destes, 47 do sexo
feminino e 48 do sexo masculino, no curso Diurno 80 e no curso nocturno 15, todos da 7ª classe
da Escola primária do 1º e 2º grau de Nametil.
A escolha dos alunos do curso Diurno é pelo facto destes, por conveniência, achando suficiente e
significativo para a obtenção que são as respostas sustentaria para a pesquisa.
8. Fundamentação teórica
8.1. Datas comemorativas
As datas comemorativas são datas que relembram eventos históricos e culturais e também podem
fazer parte do costume ou da tradição de um povo. Essas datas estão presentes em praticamente
todas as propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil quando são transformados
em temas para serem abordados em projectos, estudos ou eventos que, muitas vezes, são exigidos
pela coordenação da escola por estarem indicados nos conteúdos da proposta pedagógica, ou por
simplesmente fazerem parte do calendário de uma escola.
É recorrente observar a realização de atividades em datas comemorativas de escolas de educação
básica no Brasil.
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Luciana Ostetto (2000) faz algumas reflexões sobre planejamento na educação baseado em datas
comemorativas; momentos em que surgem alguns questionamentos como quais os critérios para
escolher e realizar atividades em datas comemorativas, as concepções históricas, as ideologias e a
questão comercial.
É necessário avaliar o que ocorre ao realizar atividades em datas comemorativas nas escolas.
Luciana Ostetto (2000) percebe que as atividades acabam fragmentando os conhecimentos, que
são pouco planejadas ou avaliadas pelos/as profissionais, são repetitivas e descontextualizadas,
bem como realizadas de forma superficial.
Para esta autora,
podemos perceber a elaboração ou proposição de “trabalhinhos”, “lembrancinhas”,
dançinhas, teatros geralmente destituídos de reflexão, por parte do educador, que em
momento algum pára para pensar no significado disso tudo para as crianças, se está
sendo “gratificante”, enriquecedor para elas. O educador acaba sendo um repetidor,
pois todos os anos a mesma experiência se repete, uma vez que as datas se repetem.
Talvez uma atividade aqui outra ali, um ou outro trabalhinho seja renovado, mas o
pano de fundo é o mesmo (OSTETTO, 2000, p. 04).
Ao discutir sobre as questões pedagógicas, Luciana Ostetto (2000) enfatiza a repetição nas
atividades realizadas, sendo apresentadas de forma pouco atraente ou significativa para as
crianças. Além disto, observa que o repertório cultural das crianças não é ampliado devido a essa
repetição.
A atividade realizada “massifica e empobrece o conhecimento, além de menosprezar a
capacidade da criança de ir além daquele conhecimento fragmentado e infantilizado”
(OSTETTO, 2000, p. 03).
A realização de eventos e festas em datas comemorativas na escola é reflectida de forma crítica
por Thamiris Tonholo (2003). A autora entende a escola como um espaço de construção de
saberes e, para tanto, considera que se deve definir os objectivos pedagógicos das atividades.
Actividades mal planejadas nestas datas não proporcionam aprendizagens significativas e tendem
a estimular a cultura do “presentear”.
12
8.2. As Causas do desconhecimento das datas comemorativas dos alunos da sétima classe
8.2.1. Cultura escolar
A cultura é como uma lente através da qual o ser humano vê o mundo. Pessoas de culturas
diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões diferentes de mundo (BENEDICT, 1972,
apud LARAIA, 2001, p. 67).
A diversidade cultural existente é muito investigada. Roque de Barros Laraia (2001) deixou claro
que a biologia não determina a cultura do indivíduo.
Ou seja, para esse pesquisador, a cultura não é definida pelo factor genético. “Os antropólogos
estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças
culturais” (LARAIA, 2001, p. 17).
O autor considera que o ser humano se comporta e age segundo aprendizados e educação que
recebeu. Esse processo é chamado, por ele, de enculturação, e não é nato. Meninos e meninas vão
agir ou se comportar segundo a forma como foram educados. Ainda, para Roque Laraia, o fator
geográfico também não determina ou não explica as diferentes culturas, pois, em um mesmo
território ou país, é possível observar diversas culturas.
A cultura escolar relaciona-se diretamente, ou poderíamos dizer que se insere, em um âmbito
maior, denominado de cultura humana. Assim sendo, o que identificamos no interior de qualquer
escola dialoga diretamente com tudo o que ocorre em seu entorno, mas, ainda, conforme Forquin
(1993), pode-se identificar um “mundo social” em cada escola, definido pelo autor como as
“características de vida próprias, seus ritmos e ritos, sua linguagem, seu imaginário, seus modos
próprios de regulação e de transgressão, seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos”
(p. 167).
Frago (2000) a cultura escolar pode ser compreendida como a somatória de todas as ações, ideias,
normas que circulam no quotidiano escolar e que definem a forma como a escola age e como se
entende ser. Tais ações são compreendidas, aceitas e quase nunca, questionadas pela equipe de
gestores, professores, alunos, pais. Trata-se de algo invisível, mas solidamente presente, que
funciona como balizador para as decisões a serem tomadas no dia a dia escolar.
13
No entanto, a não existência de um planejamento prévio sobre esses trabalhos que envolvem
processos de ensino e aprendizagem de questões mais complexas capazes de levar os alunos a
compreenderem o que é o porquê estavam a realizar determinadas actividades.
No geral, tais momentos relacionam-se muito mais com a cultura do presentear do que com a
aprendizagem, o que não deixa de ser importante se considerarmos a escola como um espaço que
também corrobora na formação afectiva dos sujeitos.
8.2.2. Tradição
É muito recorrente ouvir que tradição é algo importante e valorizado pelas pessoas. Para muitos,
é até uma questão de honra. Qual sua relevância?
Para Eric Hobsbawm (1984)
as tradições são “inventadas” pelas elites com a finalidade de atender aos seus
interesses. O termo “tradição inventada” é utilizado num sentido amplo, mas
nunca indefinido. Inclui tanto as “tradições” realmente inventadas, construídas
e formalmente institucionalizadas, quanto as que surgiram de maneira mais
difícil de localizar numperíodo limitado e determinado de tempo – às vezes
coisa de poucos anos apenas – e se estabeleceram com enorme rapidez (p. 09).
O autor diferencia tradição e costume, bem como tradição e convenção, ou seja, rotina. Para ele,
tradições retomam e ritualizam o passado, costumes permitem mudanças e convenções são
adquiridas eventualmente.
A tradição geralmente indica uma reprodução do passado sem objetivos específicos.
“Consideramos que a invenção de tradições é essencialmente um processo de formalização e
ritualização, caracterizado por referir-se ao passado, mesmo que apenas pela imposição da
repetição” (HOBSBAWM, 1984, p. 13).
Eric Hobsbawm (1984) menciona que
novas tradições ou novas invenções da tradição ocorrem para adaptar as velhas
tradições ao novo contexto. Ou seja, modelos novos foram incorporados em
modelos antigos, para atender às necessidades da sociedade, pois essa foi
modificando; consequentemente, os desejos e necessidades também. E, por fim,
para o autor, “é óbvio que nem todas essas tradições perduram” (1984, p. 09).
14
8.2.3. Religião, religiosidades, vínculo religioso
Para Tânia Welter (2007), religião é algo complexo de definir, que está ligada a
símbolos, rituais e contexto sociocultural. Religiosidade, por sua vez, é uma
experiência subjetiva e individual vinculada às vivências, aos relacionamentos,
valores, práticas e outros. É a partir das vivências ou experiências com a
família, comunidade ou amigos/as, que as pessoas terão acesso à religiosidade,
afirma Welter (2007).
Pedro Oliveira (apud WELTER, 2007) percebe religiosidade como sendo um conjunto de
sentimentos, práticas e crenças que podem ou não ser pertencentes a alguma instituição religiosa.
Assim, a pessoa pode ter uma fé, uma forma de devoção e não estar vinculada formalmente a
uma denominação religiosa específica.
Tânia Welter (2007) afirma, ainda, que a cultura possui uma base religiosa.
Esta base religiosa, que estaria difusa e profunda na cultura, está orientando práticas, costumes,
comportamentos e crenças, fornecendo elementos para interpretar e reinterpretar eventos
históricos. Também, dá sentido ao mundo circunstancial e inspira a criação de um mundo
desejado (2007, p. 31).
Como vimos, religiosidade é algo que faz parte da vida do ser humano, sendo diferente ser
vínculo ou pertencimento religioso.
9. Resultados esperados
A pesquisa sobre desconhecimento de datas comemorativas realizada na escola primária do 1º e
2º grau de Nametil explicitou os objectivos, formas e problemas causados pela sua realização.
A escola é parte integrante de um contexto social mais amplo e, é fato, que tais datas ou, em
outras palavras, os trabalhos pedagógicos em torno de tais datas adentram o quotidiano escolar,
influenciando, principalmente, quanto ao que se ensina e o que se aprende, já que hoje a em dia
se propõe uma interdisciplinaridade.
15
Na maioria das vezes, tais datas justificam a realização de festas e/ou comemorações e são
entendidas como temáticas importantes para o ensino. No entanto, levantamos como hipótese
que, da forma como são trabalhadas com os alunos, não possibilitam uma aprendizagem
significativa. O caminho investigativo percorrido a partir da hipótese traçada apoia-se na
concepção de que a escola é um lugar de construção de saberes cujo objetivo principal é levar
todos os alunos a aprenderem cada vez mais e melhor.
Por isso, almejamos compreender quais as intencionalidades pedagógicas que sustentam o
trabalho com datas comemorativas na escola, ou seja, em outras palavras, o que se ensina e o que
se aprende quando tais temáticas são abordadas.
Na maioria das actividades, alguns alunos se excluem de forma sutil, geralmente por motivos
religiosos ou pelo arranjo familiar.
Desta forma, o objetivo mais importante de realizar estas actividades, que é promover a
socialização, não é alcançado, pois alguns alunos e suas famílias não participam das atividades e
eventos realizados na escola. Esta reflexão fortaleceu minha posição de que a tradição não deve
tirar o direito da criança de frequentar a escola em todas as ocasiões e que a diversidade religiosa
seja respeitada.
A escola deve considerar o direito da criança de escolher seu credo religioso e respeitá-lo. Deve
garantir o direito da criança de ter uma educação igualitária, significativa e não fragmentada, de
aprender coisas novas, de estimular que seus conhecimentos sejam ampliados e que sua
individualidade seja respeitada. Sugiro refletir sobre as acções excludentes e propor novas formas
de atividades que primem pela inclusão. As pessoas são diversas, tanto estudantes, quanto
profissionais. Os/as profissionais da educação precisam se atualizar, inovar e propor actividades e
eventos que não desrespeitem a criança e sua família, por exemplo, actividades abertas à
participação da comunidade
10. Cronograma de actividades
Mês Semana Actividades
Dezembro 1ª Preparação da pesquisa
Dezembro 2ª Elaboração da pesquisa
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Janeiro 3ª Colecta de dados
Janeiro 4ª Apresentação ao docente
17
Referência bibliográfica
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