Armando Carlos Mathe
Carlota António Nhabau
Vinícius Ferreira
Análise do Ciclo Operacional.
Caso: Petróleos de Moçambique, SA (2015 - 2019)
Licenciatura em Contabilidade e Gestão Financeira
Universidade Pedagógica de Maputo
Maputo
2021
Armando Carlos Mathe
Carlota António Nhabau
Vinícius Ferreira
Análise do Ciclo Operacional.
Caso: Petróleos de Moçambique, SA (2015 - 2019)
Licenciatura em Contabilidade e Gestão Financeira
4º Ano, Laboral
O presente relatório será apresentado no
Departamento de Contabilidade da FEG na
disciplina de Estágio Técnico Profissional II
Docente: Msc. Bambamba
para efeitos de avaliação.
Docente: Prof. Doutor Raimundo Alfândega Mateco & Dr Emílio Uanzo
Universidade Pedagógica
Maputo
2021
Resumo
O ciclo operacional corresponde o intervalo de tempo compreendido desde a compra das
mercadorias ou dos materiais de produção até o recebimento da venda. Por sua vez, o Ciclo
Operacional é obtido pela soma do prazo médio de stock e o prazo médio de recebimento. O
prazo médio de stock exprime os dias que os produtos ficam estagnados no stock ao longo do
ano, por meio deste é possível tomar decisões mais eficazes em relação à gestão de estoques e
das operações logísticas. O tempo até a quitação das contas a pagar a fornecedores, medido
em dias, é o prazo médio de pagamento. A conjugação dos prazos médios leva à análise dos ciclos
operacional e caixa, elementos fundamentais para a determinação de estratégias empresariais, tanto
comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a determinação do fracasso ou sucesso de uma
empresa. Utilizou-se a técnica de pesquisa documental, com uso das demonstrações contáveis
e Balanços Patrimoniais da PETROMOC, SA (2015 a 2019), com vista à determinação dos
indicadores relativos ao ciclo. Verificou-se que o ciclo operacional vaia deste modo: 78 dias
para 2015, 79 dias para 2016, 88 dias para 2017, 83 dias para 2018 e 98 dias para 2019.
Assim, o ciclo operacional compreende o intervalo de tempo entre compra da matéria-prima,
até o recebimento da venda.
Palavras-chave: ciclo operacional, Período médio.
Índice
Resumo........................................................................................................................................i
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO.................................................................................................1
1.1. Contextualização..................................................................................................................1
1.2. Objectivos............................................................................................................................1
1.2.1. Objectivo geral..............................................................................................................1
1.2.3. Objectivos específicos...................................................................................................1
1.3. Metodologia.........................................................................................................................2
1.4. Historial da Petromoc, S.A..................................................................................................2
1.5. Estrutura orgânica da Petromoc, SA....................................................................................3
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................5
2.1. Ciclo Operacional................................................................................................................5
2.1.1. Prazo médio de Recebimento....................................................................................5
2.1.2. Prazo médio de Pagamento........................................................................................5
2.1.3. Prazo médio de Stock................................................................................................6
2.2. Demonstrações Financeiras.................................................................................................7
2.2.1. Objectivo das Demonstrações Financeiras...............................................................7
2.2.2. Principais elementos das Demonstrações Financeiras..............................................7
2.2.3. Conjunto completo das Demonstrações Financeiras................................................8
[Link]. A demonstração de resultados do exercício......................................................8
[Link]. Balanço patrimonial..........................................................................................8
CAPITULO III: METODOLOGIA DE PESQUISA..................................................................9
3.1. Introdução............................................................................................................................9
3.2. Método de pesquisa..............................................................................................................9
CAPÍTULO IV: ANÁLISE DO CICLO OPERACIONAL DE PETRÓLEOS DE
MOÇAMBIQUE, SA (2015-2019) - ESTUDO DE CASO......................................................10
4.1. Operações da Empresa.......................................................................................................10
4.2. Análise dos resultados........................................................................................................11
4.2.2. Interpretação dos índices.............................................................................................13
CAPÍTULO V: CONCLUSÃO................................................................................................15
5.1. Conclusão...........................................................................................................................15
5.2. Sugestões............................................................................................................................16
Referências Bibliográficas........................................................................................................17
1
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização
O mercado competitivo em que as empresas estão inseridas faz com que elas procurem
melhores técnicas administrativas, buscando tornarem-se cada vez mais competentes em seu
processo administrativo, almejando melhores resultados no mercado em que atuam.
Grande parte das empresas têm dificuldades em identificar as situações económico-
financeiras da sua organização. Muitas vezes, a falta de planeamento e falha na gestão
financeira dificulta o processo de tomada de decisão. Essa falta de planeamento e gestão
financeira é uma das principais causas para o insucesso empresarial. Sendo assim, saber se
planear financeiramente é essencial para poder se manter competitivo no mercado (GAZOLA,
2004).
Para muitos empresários a escassez de recursos aliada à alta taxa de juros no país faz com que
as empresas se limitem ao pagamento de impostos e gerenciamento de fluxo de caixa. No
entanto é fundamental o conhecimento dos instrumentos de gestão financeira no processo
decisório da empresa.
Os gestores precisam tomar suas decisões em curto prazo e, para isso precisam de um
conjunto de dados e informações confiáveis, diminuindo a possibilidade de cometer erros.
Matarazzo (2008, p. 19) salienta que, “os relatórios de análise devem ser elaborados como se
fossem dirigidos a leigos, ainda que não o sejam, isto é, sua linguagem deve ser inteligível por
qualquer dirigente de nível médio de empresa”.
Neste ambiente, Iudícibus (1998, p. 21) destaca que, “a Contabilidade Gerencial está voltada
única e exclusivamente para a administração da empresa, procurando suprir informações que
se ‘encaixem’ de maneira válida e efetiva no modelo decisório do administrador”. Por esse
motivo é importante obter o conhecimento do ciclo operacional, pois com informações como
fluxo de caixa, os recebimentos, os pagamentos, stocks, entre outros, o gestor terá uma ampla
visão de sua administração e da sua real necessidade de capital de giro.
Neste contexto, o presente trabalho visa analisar o ciclo operacional da PETROMOC, SA.
1.2. Objectivos
1.2.1. Objectivo geral
Analisar o ciclo operacional de Petróleos de Moçambique, SA., no período de 2015 – 2019.
1.2.3. Objectivos específicos
Descrever a empresa;
2
Contextualizar o ciclo operacional;
Levantar as informações dos índices de atividade na organização em questão
Calcular e analisar o ciclo operacional para a tomada de decisão dentro organização.
1.3. Metodologia
De acordo com Amaral (1995:22) apud Parruque (2010 pp.6) “a metodologia é a parte do
trabalho onde se descreve de forma breve e clara as técnicas e processos empregues na
pesquisa” para o alcance dos objectivos propostos no projecto de pesquisa. Portanto, neste
capítulo serão apresentados os métodos de procedimentos, o método de abordagem, técnicas
de colecta e interpretação de dados e o tipo de amostragem.
Este estudo é de carácter qualitativo, porque a temática que está a ser analisado é meramente
social. Para a recolha de dados recorreu-se a técnica de pesquisa bibliográfica, Tomando em
conta a pesquisa bibliográfica, dizer que esta técnica consistiu na busca por informações e
fundamentações a partir de livros e artigos científicos.
1.4. Historial da Petromoc, S.A
Segundo Cunhete (2012), as primeiras instalações petrolíferas em Moçambique remontam do
ano 1958, ano em que se aprovaram os termos para construção da refinaria da SONAREP em
Maputo, antiga Lourenço Marques. Em 1961, foi oficialmente inaugurada a primeira
Refinaria de Petróleos em Moçambique, tendo sido igualmente postos em funcionamento os
tanques de armazenagem de combustíveis na terminal oceânica de Língamo - Matola;
posteriormente foi desenvolvida a restante logística de combustíveis ao longo do país,
(terminais oceânicas e depósitos).
Em 1977 foi criada a empresa Petromoc EE (como uma empresa estatal) que passou a ser
proprietária do parque anteriormente pertencente a Refinaria (nacionalização), em 1983 dá-se
o encerramento da Refinaria devido ao estado obsoleto do equipamento e inviabilidade da
continuidade das suas operações.
Em 1999 a empresa Petromoc foi transformada numa sociedade anónima (como hoje é
conhecida). Dedica-se na comercialização de combustíveis, óleos e massas apropriadas às
indústrias de mineração, agricultura e marinha. É tida como líder na distribuição e
comercialização de petróleos, a Petromoc, S.A tem 133 postos de abastecimento e estacão de
serviços que representam a sua rede de revenda. Além de ser a maior distribuidora de
combustíveis às principais empresas industriais e comerciais Moçambicanas fornece também
3
combustíveis a países vizinhos como Zâmbia, Zimbabwe, Malawi, e República Democrática
de Congo.
Para efeitos da apresentação da demonstração de fluxos de caixa, a Petromoc, S.A usa o
método indirecto. Apesar de não ser considerado pelos diversos autores como melhor método,
a petromoc, S.A usa o mesmo pois compartilha da mesma ideia que Neves (2006) que
considera o método indirecto como o melhor método pela sua facilidade para a realização de
diversas análises e por ser base confiável para o apuramento de decisão a tomar de acordo
com cada tipo de resultado de caixa encontrado (caixa liquida de actividades operacionais,
investimento e financiamento).
1.5. Estrutura orgânica da Petromoc, SA.
Abaixo está apresentado o organograma da empresa Petromoc, SA.
Figura n.º 2: Organograma da Petromoc, SA.
Fonte: [Link] consultada no dia 21/12/2021
A figura acima ilustra a estrutura orgânica da Petromoc.
Quanto a missão, a empresa pretende promover serviços e produtos derivados de petróleo de
excelência, visando a satisfação dos clientes e o desenvolvimento do país, mantendo o foco na
protecção do meio ambiente.
4
A visão é de ser uma empresa moderna, dinâmica e líder de mercado dos produtos
petrolíferos e serviços conexos, preocupada em apresentar as melhores soluções aos seus
clientes internos e externos.
Os princípios orientadores são: valorização dos clientes; respeito pelos princípios de ética
do negócio que salvaguardam a aptidão de prestígio da companhia; foco na obtenção de
resultados, com respeito absoluto pelos clientes e preservação do meio ambiente; espírito
empreendedor e busca permanente de excelência individual e colectiva; adopção de políticas
de gestão de recursos humanos que permitam atrair, desenvolver, motivar e remunerar com
base no desempenho individual; desenvolvimento de uma comunicação efectiva, que promova
de forma continua a partilha de informação, experiencia e conhecimento.
A Petromoc tem 488 colaboradores efectivos1.
1
[Link]
5
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Ciclo Operacional
Segundo Conde et al (2015), o ciclo operacional inicia-se, a empresa sendo uma indústria,
com a compra dos recursos destinados à produção, enquanto nas empresas de comércio, o
ciclo começa com a estocagem de mercadorias para revenda.
Gitman (2001, p. 459) define ciclo operacional como “a transição recorrente do capital de giro
de uma empresa do caixa, para os estoques, para duplicatas a receber e de volta ao caixa”.
Para Matarazzo (2010), o ciclo operacional é entendido como a soma do período médio de
giro do estoque (estoque/custo das mercadorias vendidas) com período médio de
recebimentos de vendas (duplicatas a receber)
Dentro do ciclo financeiro e operacional podem-se encontrar alguns prazos e índices como,
por exemplo: prazo médio de pagamento de compra e prazo médio de recebimento de vendas.
Ciclo operacional é o período desde a aquisição da matéria-prima até o recebimento de caixa.
2.1.1. Prazo médio de Recebimento
O Prazo Médio de Recebimento (PMR), também chamado de “prazo médio de cobrança”
(PMC), é usado para avaliar as contas a receber e é calculado dividindo-se as vendas médias
diárias em contas a receber para descobrir o número de dias de vendas que estão vinculados às
contas a receber. Assim o PMR representa a extensão média de tempo entre uma venda e o
recebimento do pagamento, o qual constitui o prazo médio de cobrança. Em suma, o PMR
constitui o índice calculado ao dividir as contas a receber pelas vendas médias diárias; indica
a extensão média de tempo entre a realização de uma venda e o recebimento do pagamento.
O prazo médio de recebimento demonstra quantos dias ou meses, em média, a empresa leva
para receber suas vendas. Segundo Padoveze (2010, p. 214), “este indicador tem por objetivo
dar um parâmetro médio de quanto tempo em média a empresa demora a receber suas vendas
diárias”. Para calcular esse índice utiliza-se, conforme Matarazzo (2008), a seguinte fórmula:
Clientes
PMC= ×360 dias
Vendas Líquidas
2.1.2. Prazo médio de Pagamento
Em relação ao prazo médio de pagamento, Padoveze (2010, p. 215) menciona que, “a
finalidade deste indicador é mostrar o prazo médio que a empresa consegue pagar seus
fornecedores de materiais e serviços”. Nesse sentido Assaf Neto (2010), ao estudar as práticas
relacionadas aos indicadores de atividade revela que para a empresa é mais atrativo ter um
6
prazo de pagamento mais longo, pois pode financiar sua necessidade de capital de giro com
recursos menos custosos.
Fornecedores
PMP= × 360 dias
Compras
Onde:
Compras=Consumo + Existências finais−Existências iniciais
A resultante do cálculo do prazo médio de pagamento apresenta-se em dias, sendo assim,
quanto maior o indicador, melhor será a situação financeira da empresa. “O período médio de
pagamento, ou idade média das duplicatas a pagar, é calculado da mesma maneira que o prazo
médio de recebimento” (GITMAN, 2004, p. 48). É importante analisar o prazo médio de
recebimento e prazo médio de pagamento isoladamente, mas a comparação entre os dois é que
vai determinar se a posição da empresa é favorável ou desfavorável.
2.1.3. Prazo médio de Stock
O índice utilizado para analisar o tempo médio para a renovação dos estoques é o prazo médio
de estocagem. Para Assaf Neto (2010, p. 105), “o prazo médio de estocagem indica o tempo
necessário para a completa renovação dos estoques da empresa”.
Custo de Mercadoria Vendida
Rotação de Stock=
Stock
360 dias
PMS=
Rotação de Stock
Ou
360 dias
PMS=
Custo de MercadoriaVendida
Stock
Stock
Logo; PMS= × 360 dias
Custo de MercadoriaVendida
7
Estrutura do ciclo operacional
2.2. Demonstrações Financeiras
2.2.1. Objectivo das Demonstrações Financeiras
Segundo o Plano Geral de Contabilidade, decreto nº 70/2009 de 22 de Dezembro, as
demonstrações financeiras são uma representação estruturada da posição financeira e do
desempenho financeiro de uma entidade. O objectivo das demonstrações financeiras é o de
proporcionar informação sobre a posição financeira, o desempenho financeiro e os fluxos de
caixa de uma entidade que seja útil a um conjunto alargado de utilizadores quando tomam
decisões económicas.
Para conseguir este objectivo, as demonstrações financeiras de uma entidade prestam
informação sobre os activos, os passivos, o capital próprio, os rendimentos e os gastos, os
fluxos de caixa e as contribuições dos, e aos, detentores do capital.
2.2.2. Principais elementos das Demonstrações Financeiras
Marion, (2009 p. 159) afirma que os principais elementos das demonstrações financeiras são:
Ativo - É um recurso controlado pela entidade como resultados de eventos passados e do qual
se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade.
Passivo - É uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja
liquidação se espera que resulte em saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos.
Patrimônio Próprio – É o valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos os
seus passivos.
8
Receitas - São aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma
de entrada ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do
patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade.
Despesas – São decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a
forma de saída ou redução de ativos ou incrementos em passivos, que resultam em
decréscimos do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição de resultado
ou de capital aos proprietários da entidade.
2.2.3. Conjunto completo das Demonstrações Financeiras
Segundo o PGC decreto nº 70/2009, um conjunto completo de demonstrações financeiras
compreende:
Balanço;
Demonstração dos resultados;
Demonstração de Fluxo e Caixa
Demonstração das variações de capital próprio, e;
Notas às demostrações financeiras.
[Link]. A demonstração de resultados do exercício
A demonstração de resultados do exercício é uma demostração que resume as receitas e
despesas da companhia durante um determinado período contábil, geralmente um ano
(Brigham, 2000:34). Assim, pode-se afirmar que a demonstração de resultados do exercício é
um documento que mostra a situação económica duma empresa, isto é, a síntese dos efeitos
financeiros das operações realizadas pela empresa num específico período contabilístico ou
num dado período económico (em quanto é que contribuíram os financiamentos para o
aumento do valor/riqueza da empresa).
[Link]. Balanço patrimonial
O balanço pode ser definido em duas ópticas; contabilística e financeira.
Contabilisticamente, balanço é um mapa bipartido que mostra por um lado bens e
direitos, e por outro, obrigações que a empresa possui para com terceiros e,
evidenciando a situação líquida.
Financeiramente, balanço é um documento que mostra as origens e aplicações de
fundos; por um lado mostra também a área onde foram aplicados os fundos e por
outro, o tipo e origens desses fundos, sumarizando a posição duma empresa num
determinado momento.
9
O balanço é um instrumento predominantemente financeiro dada a sua própria definição na
óptica financeira, ao mostrar as origens e as aplicações dos recursos financeiros. Assim, o
balanço é a demonstração da situação financeira da empresa em um ponto específico de
tempo (Brigham, 2000:35).
CAPITULO III: METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1. Introdução
De acordo com Amaral (1995:22) apud Parruque (2010 pp.6) “a metodologia é a parte do
trabalho onde se descreve de forma breve e clara as técnicas e processos empregues na
pesquisa” para o alcance dos objectivos propostos no projecto de pesquisa. Portanto, neste
capítulo serão apresentados os métodos de procedimentos, o método de abordagem, técnicas
de colecta e interpretação de dados e o tipo de amostragem.
3.2. Método de pesquisa
Segundo Silva (2004:14) apud Parruque (2010, pp.15), " método é uma forma de pensar para
chegar à natureza de um determinado problema que seja, estudá-lo ou explicá-lo". Numa
pesquisa os métodos podem ser classificados do ponto de vista da sua Natureza, do ponto de
vista dos seus objectivos, do ponto de vista dos procedimentos técnicos e de ponto de vista de
abordagem do problema.
Quanto ao ponto de vista da sua natureza a pesquisa realizada pode ser classificada como
pesquisa aplicada. Segundo Prodanov & Freitas (2013, pp.51) pesquisa aplicada é aquela cujo
objectiva gerar conhecimentos para aplicação pratica dirigidos a solução de problemas
específicos. Envolve verdades e interesses locais.
Do ponto de vista dos Procedimentos Técnicos a pesquisa realizada pode ser classificada
como sendo: pesquisa bibliográfica, documental e estudo de caso.
“Pesquisa bibliográfica reafirma um conjunto de procedimento metodológicos importantes na
produção do conhecimento científico capaz de gerar, especialmente a postulação de hipóteses
ou interpretação que servirão de ponto de partida para pesquisa” (Lakatos & Marconi,
2001:140).
10
3.2.1. Pesquisa documental
(Lakatos & Marconi, 2001:29) trata-se de fontes primárias toda a informação recolhida em
primeira mão pelo pesquisador não retrabalhada (arquivos públicos e particulares, estaticistas
oficiais, recenseamento, etc.). A técnica documental foi efectuada para reforçar a pesquisa
bibliográfica e também aprofundar o conhecimento sobre a empresa PETROMOC.
3.2.2. Estudo de caso
“Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenómeno contemporâneo
dentro do seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e
contexto não estão claramente definidos” (YIN, 2001, pp.32).
3.2.3. Fontes de dados
O trabalho foi efectuado com recurso a fontes secundárias. As fontes secundárias dizem
respeito a todos livros, documentos e artigos consultados aquando da realização das pesquisas
bibliográfica e documental.
Na sequência, os dados coletados foram tabulados em planilhas de Excel e gráficos
permitindo melhor compreensão dos mesmos, serão utilizados ainda a análise quantitativa e
qualitativa dos dados obtidos.
CAPÍTULO IV: ANÁLISE DO CICLO OPERACIONAL DE PETRÓLEOS DE
MOÇAMBIQUE, SA (2015-2019) - ESTUDO DE CASO.
O estudo de caso é uma metodologia de investigação particularmente apropriada quando
procuramos compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos.
4.1. Operações da Empresa
As operações realizadas na IOL, em termos gerais resumem-se na recepção, armazenagem e
expedição de produtos petrolíferos diversos. Os produtos manuseados são no geral os
combustíveis, lubrificantes e betumes.
Na classe de combustíveis encontram-se o gás de petróleo liquefeito (GPL), gasolina
sem chumbo, petróleo de iluminação, Jet A1 (combustível de aviação), gasóleo
(diesel), marine diesel oil (MDO), fuel oil;
A Classe dos lubrificantes de diversas gamas e qualidades tais como: óleos para
motores a diesel e gasolina, óleos de transmissão, fluídos para sistemas de travões e
antifreeze, massas, óleos hidráulicos, óleos especiais, óleos para máquinas,
engrenagens industriais e de construção civil;
11
Na classe de betumes: o asfalto 80/100, emulsão SS60 e cutblack MC302
No acto de recepção dos combustíveis é feito o controlo de qualidade logo à chegada do
navio, seguida pela bombagem através de um gasoduto (pipeline) com a extensão de cerca de
dois quilómetros que sai do cais aos tanques de armazenagem no interior da instalação3.
Na armazenagem é feita a inspecção, o controlo de qualidade e o processo de transferência
para os tanques de repouso, destes para a grua de enchimentos onde os produtos são entregues
aos clientes.
Na área do laboratório são feitas as amostragens, seguidas de análises, recuperação e
formação de produtos e a certificação da qualidade dos produtos petrolíferos.4
Na fase de expedição é feito o controlo de qualidade e as entregas dos produtos para a rede de
revenda e outros consumidores internos e externos por meio de tubagem, camiões-tanque,
vagões-tanque e navios-tanque. Importa destacar que desta instalação os produtos petrolíferos
podem ser transferidos por navios-tanque, fazendo-se desta maneira reposições de “stock”
para as outras instalações com capacidade de recepção de navios (Beira, Quelimane, Nacala,
Pemba e Mocímboa da Praia) e por camiões-tanque para os casos de Lionde e Inhambane.
Realiza-se também a actividade de “bunkers” que compreende o abastecimento de navios
tanto por meio de bombagem dos produtos petrolíferos (gasóleo, marine diesel ou fuel oil) a
partir dos tanques de armazenagem da instalação ou, a partir de um camião- tanque para os
navios.
Quanto ao Sector de finanças, no que tange às políticas de recebimento e stock, que
constituem o ciclo operacional, a empresa Petromoc possui um período médio de estocagem
acima da média o que dificulta a geração dos cash-in-flows o que faz com que necessitasse de
mais capital de giro.
Em torno do período médio de recebimento face ao período de pagamento, a empresa em
análise apresenta uma política estável visto que recebe das suas vendas antes de pagar suas
obrigações.
4.2. Análise dos resultados
4.2.1. Análise do ciclo operacional da PETROMOC.
Cálculo dos indicadores de ciclo operacional
2
[Link]
3
[Link]/
4
[Link]/
12
Prazo médio de Pagamento (dias)
Fornecedores
PMP= × 360 dias
Compras
Compras=Consumo + Existências finais−Existências iniciais
Período Médio de Stock (dias)
Custo de MercadoriaVendida
PMS= × 360 dias
Stock
Período Médio de Recebimentos (dias)
Clientes
PMC /r= × 360 dias
Vendas Líquidas
Ciclo Operacional (dias)
CO=PMR+ PMS
Quadro 1: Mapa de compras da PETROMOC (2015 - 2019)
Mapa de Compras
ANO 2015 2016 2017 2018 2019
Consumo 13,339,191,114 17,218,046,364 18,309,953,777 15,913,662,717 15,746,060,703
Exist. Finais 1,408,914,606 1,403,498,906 2,424,832,396 1,941,949,135 1,791,068,829
Exist. Iniciais 3,146,774,462 1,408,914,606 1,403,498,906 2,424,832,396 1,941,949,135
Compras 11,601,331,258 17,212,630,664 19,331,287,267 15,430,779,456 15,595,180,397
Quadro 2: Cálculo dos rácios de Actividade da PETROMOC (2015 - 2019)
Analise do Ciclo Operacional da PETROMOC
ANO 2015 2016 2017 2018 2019
CLIENTES 2,011,250,513 2,800,382,966 2,611,229,530 2,279,846,848 3,272,081,549
VENDAS 18,126,089,354 22,510,567,096 23,400,642,845 20,953,638,595 20,650,209,301
FORNECEDORES 2,248,772,970 4,087,049,480 4,906,319,990 2,642,211,188 3,298,702,500
COMPRAS 11,601,331,258 17,212,630,664 19,326,287,267 15,430,779,456 15,595,180,397
STOCK 1,408,914,606 1,403,498,906 2,424,832,396 1,941,949,135 1,791,068,829
CMVC 13,339,191,114 17,218,046,364 18,309,953,777 15,913,662,717 15,746,060,703
PMP 70 85 91 62 76
PMR 40 45 40 39 57
PMS 38 29 48 44 41
CO 78 74 88 83 98
ROT. Stock 9 12 8 8 9
Fonte: Autores do grupo.
13
4.2.2. Interpretação dos índices
Períodos Médios
100
90 91
85
80
76
Períodos Médios
70 70
60 62
57
50 48
45 44
40 40
38 40 39 41
30 29
20
10
0
2015 2016 2017 2018 2019
2015 - 2019
PMP (dias) PMS (dias) PMR (dias)
Gráfico 1: Interpretação dos Períodos Médios da PETROMOC, SA (2015 - 2019).
Com relação aos cálculos apresentados na tabela 2, no Período Médio de Recebimento,
verifica-se que a PETROMOC financiou os seus clientes em uma média de 40 dias para o ano
2015, mantendo o mesmo período de financiamento em 2017, tendendo decrescer em 2018
em 2,5% e no último ano em análise a PETROMOC financiou os seus clientes em uma média
de 57 dias.
Com esta análise, pode se verificar que a PETROMOC, no último período em análise, tinha
recursos suficientes para o pagamento das suas obrigações. Isso é negativo para a empresa,
pois quanto maior for o indicador (PMR) pior, pois levará mais tempo para receber as vendas
realizadas.
Quanto ao Período Médio de Pagamento, a tabela 2, para o primeiro ano em análise, a
PETROMOC foi financiada pelos seus fornecedores em média de 70 dias em que foi variando
ao longo do período em análise, decrescendo em 31,87% no período de 2018 face ao período
de 2017 e com tendência de ascensão no último período em análise, em 22,58% face ao ano
de 2018.
Este resultado é de extrema importância para o gestor financeiro da PETROMOC, pois
através desse dado ele consegue identificar possíveis descompassos entre os prazos de
recebimento e de pagamento. Comparado ao prazo de recebimento, observa-se que a
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PETROMOC possui uma posição favorável, ou seja, ela recebe dos seus clientes antes de
pagar aos seus fornecedores.
Com relação ao Giro de Stock, a PETROMOC conseguiu girar o seu stock em média 9 vezes
no ano de 2015, isto é, a PETROMOC levou em média 38 dias para renovar o seu stock,
quanto ao ano 2017 e 2018, a PETROMOC girou o seu stock 8 vezes, levando em média para
abastecer o stock 48 e 44 dias, respectivamente e no último ano em análise, a PETROMOC
girou 9 vezes com período de 41 dias em média para restabelecer o stock.
Em geral, quanto menor for o prazo de estocagem, melhor, pois proporciona uma capacidade
de gerar lucro, ou seja, uma entrada de dinheiro mais rápida diminuindo assim a necessidade
de capital de giro.
Ciclo Operacional
120
98
100 88
78 83
80 74
60
DIas
40
20
0
2015 2016 2017 2018 2019
2015 - 2019
Gráfico 2: Análise do Ciclo Operacional da PETROMOC, SA (2015-2019).
Enquanto o ciclo operacional compreende o intervalo de tempo desde a compra de Matéria-
prima, até o recebimento da venda. Assim, com os dados apresentados na tabela 2 e
analisados no gráfico 2, observa-se que a PETROMOC apresentou um ciclo operacional de 78
dias no ano de 2015, 74 no ano 2016, 88 dias no ano de 2017 decrescendo em 5,68% para o
ano 2018 e 98 dias para o último período em análise.
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CAPÍTULO V: CONCLUSÃO
5.1. Conclusão
A elaboração do ciclo operacional de uma empresa tem a função de apresentar uma visão
mais ampla ao gestor financeiro das entradas e saídas de recursos. Serve também para auxiliar
na projeção de fluxo de caixa com a devida previsão da necessidade de capital de giro. Muitos
empresários tomam como regra operacional somente o prazo médio de pagamento e o prazo
médio de recebimento, esquecendo-se do prazo médio de estocagem e a necessidade de
capital de giro, onde contribuiu para essa análise.
Este estudo teve como objetivo calcular e analisar o ciclo operacional da PETROMOC. Para
responder tal objetivo foi utilizada a pesquisa documental a fim de se levantar os relatórios
econômicos da empresa, objeto desse estudo.
Com o resultado da análise dos índices de atividade, observou-se que a PETROMOC, se
mostra uma organização que depende dos recebimentos de clientes para pagar aos seus
fornecedores. A empresa tinha escassez recursos em caixa para o pagamento de suas
obrigações, mas de acordo com os cálculos efetuados, identifica-se que a mesma paga os seus
fornecedores em média 76 dias, sendo assim, a empresa terá que pagar as suas obrigações do
período analisado depois de receber dos clientes, os valores das vendas efetuadas.
Quando se trata do recebimento das vendas, notou-se que a empresa financia os seus clientes,
num período mais longo, cerca de 57 dias, e é importante, pois primeiro ela recebe dos
clientes para depois pagar aos seus fornecedores.
E quando se aborda o prazo de médio de estocagem e o giro do estoque, constatou-se que a
empresa leva 48 dias para a renovação de seu estoque. Se a mesma conseguisse diminuir este
prazo de estocagem, a entrada de dinheiro em caixa seria mais rápida, diminuindo assim a
necessidade de capital de giro.
O ideal seria que as empresas conseguissem uma maneira em que a soma do prazo médio de
estocagem, com o prazo médio de recebimento de vendas, fosse igual ou inferior o prazo
médio de pagamento das compras. Assim, a empresa poderia vender e receber o produto, para
depois liquidar suas obrigações junto ao seu fornecedor. Dessa forma, a empresa possui um
ciclo operacional de 98 dias do último período em análise.
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5.2. Sugestões
Com o decorrer da pesquisa pudemos adquirir e observar algumas estratégias para melhorar o
ciclo operacional e consequentemente o ciclo de conversão de caixa, citadas por GITMAN,
2010: girar o estoque o mais rapidamente possível, sem faltas que resultem em vendas
perdidas; cobrar as contas a receber o mais rapidamente possível sem perder vendas por conta
de técnicas de cobrança muito agressivas; gerir os prazos de postagem, processamento e
compensação para reduzi-los ao cobrar dos clientes e prolongá-los ao pagar fornecedores;
quitar as contas a pagar a fornecedores o mais lentamente possível, sem prejudicar o rating de
crédito da empresa.
E algumas técnicas de cobrança de credito:
Cartas: decorrido um determinado número de dias, a empresa envia uma carta em linguagem
educada lembrando o cliente da conta em atraso. Se a conta não for paga dentro de um dado
prazo após o envio da carta, envia – se outra, mais incisiva.
Telefonemas: se as cartas não surtirem efeito, faz -se um telefonema ao cliente, solicitando o
pagamento imediato.
Visitas pessoais: essa técnica é mais comum em crédito ao consumidor, mas também pode ser
utilizada com eficácia por fornecedores industriais. Enviar um vendedor ou cobrador para
confrontar o cliente pode ser muito eficaz. O pagamento pode ser feito no ato.
Agências de cobrança: as empresas podem entregar contas que não consigam cobrar a uma
agência ou advogado especializado nesse tipo de serviço.
Medidas judiciais: mover uma ação de cobrança é a medida mais extrema e uma alternativa
ao uso de agências de cobrança.
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Referências Bibliográficas
ASSAF, Neto, Alexandre; Finanças Corporativas e Valor; 5. Edição; Atlas, São Paulo,
2010.
GITMAN, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira; 10. Edição;
Addison Wesley, São Paulo. 2004
_________________________; Princípios de Administração Financeira. 12º Edição.
São Paulo. Pearson Prentice Hall. 2010.
MATARAZZO, Dante Carmine; Análise Financeira de Balanços. Abordagem Básica e
Gerencial; 6. Edição; Atlas, São Paulo, 2008.
PADOVEZE, Clóvis Luis; Contabilidade Gerencial. Um enfoque em sistema de
informação contábil; 7. Edição; Atlas, São Paulo, 2010.
Plano geral de Contabilidade; Sistema de Contabilidade para o Sector empresarial em
Moçambique; Decreto nº 70/2009, de 22 de Dezembro.
YIN, R.K.; estudo de caso: planeamento e métodos. 2ª ed.; Porto alegre. Bookman. 2002
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consultado em 22 de Dezembro de 2021.
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