Zero
(estilizado ZERØ) é uma banda de rock brasileira formada em 1983 em São Paulo e
situada no Rio de Janeiro desde 1998, considerada a maior precursora do movimento New
Romantic no Brasil.
Primeira formação e "Heróis" (1983–1985)
O Zero surgiu das cinzas do Ultimato (anteriormente conhecido como Lux), uma banda
de punk jazz/no wave instrumental formada em São Paulo em 1978 (e rebatizada para
Ultimato em 1981) por Fabio Golfetti, Alberto "Beto" Birger, Cláudio Souza, Gilles Eduar e
Nelson Coelho. O futuro vocalista Guilherme Isnard, que recentemente havia deixado sua
banda anterior, o Voluntários da Pátria, foi introduzido ao Ultimato por seu amigo Luiz
Antônio Ribas, dono da extinta gravadora independente Underground Discos e Artes;
Isnard então decidiu-se juntar à banda, e conversou com seus integrantes sobre
acrescentar letras às suas canções. Seu estilo musical acabou por mudar para um "art
rock com pegada pós-punk", nas palavras de Isnard,[3] e em 1983 se reorganizaram como
Zero. Seu primeiro lançamento foi o single "Heróis", que saiu pela CBS Records em 1985.
Sobre a origem do nome de acordo com o próprio Isnard... é aquilo mesmo, uma lista
múltipla e profundo debate. ZERØ acabou vencendo por que tinha a mesma grafia em
diversas línguas e também por representar um ponto de partida
Mudanças na formação, Passos no Escuro e Carne
Humana (1985–1987)
Em 1985, a banda participou do primeiro álbum da cantora May East, Remota Batucada,
na faixa "Caim e Abel" — porém também sofreria uma grande reestruturação em sua
formação no mesmo ano, com todos os seus membros menos Isnard saindo. Muitos de
seus ex-membros começariam seus próprios projetos: Fabio Golfetti e Cláudio Souza
formaram a influente banda de rock psicodélico Violeta de Outono, Beto Birger compôs o
Nau com Vange Leonel, Gilles Eduar foi para o Grupo Luni e Nelson Coelho criou o
Dialeto[4].
Juntou-se a Isnard, então, a formação "clássica" da banda: Alfred "Freddy" Haiat (ex-
Degradée e irmão do guitarrista do Metrô Alec Haiat) no teclado, Ricardo "Rick" Villas-
Boas no baixo, Eduardo Amarante (ex-Agentss e Azul 29) na guitarra e Athos Costa na
bateria. Seu primeiro grande lançamento de estúdio foi o extended play Passos no Escuro,
pela EMI; foi um sucesso de vendas, ganhando um Disco de Ouro pela ABPD.[5] O EP
gerou os sucessos "Formosa" e "Agora Eu Sei", o último contando com uma participação
especial do vocalista do RPM Paulo Ricardo providenciando vocais adicionais. Aqui vem
um adendo ERØ é muito anterior ao RPM. O Paulo e o Deluqui sempre estavam na
primeira fila dos meus shows, desde os Voluntários, e também freqüentavam os nossos
ensaios. Foi em um ensaio que o Paulo ouviu “Agora Eu Sei” pela primeira vez e disse que
era uma grande canção e que gostaria de gravá-la comigo. Entre gravar e, finalmente,
lançar a canção, o RPM tornou-se o fenômeno de mídia no Brasil. A prova de que não foi
uma armação é a seguinte: Naquela época, e ainda hoje, é o costume abrir o CD com a
música de “trabalho”, aquela que a gravadora e o artista apostam e pretendem divulgar. A
faixa 1 do LP “Passos no Escuro” é “Cada Fio um Sonho”, que era a música escolhida
para a divulgação. Só que, entre prensar e lançar o LP, O RPM estourou de um jeito que,
quando os radialistas descobriram que o Paulo fazia backing vocals na faixa 2, “Agora Eu
Sei”, passaram por cima da nossa faixa de trabalho e saíram tocando-a. No começo isso
assustou a gente, porque a gente via o que estava acontecendo com os caras e ficamos
temerosos de que estaríamos atrelados àquela trajetória meteórica. Só relaxamos quando
“Formosa” começou a tocar.
Em 1987, Athos Costa deixou a banda e foi substituído pelo também ex-Azul 29 Malcolm
Oakley. A banda então começou a trabalhar em seu primeiro álbum de estúdio, Carne
Humana, que gerou os também populares singles "Quimeras" e "A Luta e o Prazer". No
mesmo ano abriram shows da turnê Break Every Rule deTina Turner em São Paulo e no
Rio de Janeiro.
Separação (1989)
Citando sua falta de interesse em continuar com a banda, Guilherme Isnard anunciou que
o Zero estava chegando ao fim em 1989.[7] Ele então passou a trabalhar em outros
projetos, entre eles a banda cover do Roxy Music e de Bryan Ferry Roxy Nights e
interpretou standards do Jazz e do Samba Canção como Guillaume Isnard e os
Psicofônicos. Após uma apresentação com o cantor Miltinho em 1992, voltou a morar no
Rio de Janeiro e parou de cantar até 1997, quando decidiu retomar a carreira.
Rick Villas-Boas mudou-se temporariamente para a Holanda antes de voltar ao Brasil;
Eduardo Amarante mudou-se para Salvador; Malcolm Oakley tornou-se publicitário; e
Freddy Haiat administra sua empresa de fabricação e importação de instrumentos
musicais com seu irmão Alec.
Reunião (1998–)
Isnard reuniu-se à formação clássica do Zero para um show celebrando o 15º aniversário
da banda em 1998; seria apenas por um dia, mas a resposta dos fãs foi tão positiva que
acabaram por anunciar uma reunião definitiva. Seu primeiro lançamento após o hiato
(porém com uma formação levemente diferente — Sérgio Naciffe entrou como
baterista, Jorge Pescara[1][3] no baixo e chapman stick e JP Mendonça como um tecladista
adicional) foi a compilação Electro Acústico, que saiu em 2000 pela Sony e continha
regravações acústicas de algumas das canções antigas da banda, mais três faixas
inéditas. Contou com a participação especial de Andrea Dutra do Arranco de Varsóvia,
Philippe Seabra do Plebe Rude e Bruno Gouveia do Biquini Cavadão.
Em 2003, para celebrar o 20º aniversário da banda, a EMI lançou Obra Completa, uma
combinação de Passos no Escuro e Carne Humana em apenas um CD.
Em 2004, a Voiceprint Records lançou Dias Melhores, uma compilação de demos até
então jamais lançados e outros materiais antigos gravados pela banda entre 1984 e 1985.
O CD Dias Melhores é resultado da batalha do fã-clube, para lançar o material da
formação clássica que estava inédito em CD. Reeditaram as duas musicas do nosso
compacto, mais o nosso primeiro demotape de estúdio, gravado em 83 e de bônus,
algumas gravações de ensaios. A qualidade deixa um pouco a desejar, mas para os fãs foi
um lançamento inestimável.
Em 2004 o Zero sofreu mais uma mudança em sua formação, com a entrada de Yan
França na guitarra, Eliza Schinner no baixo e Fabiano Matos na bateria, substituído por
Vitor Vidaut em 2007; em 30 de agosto do mesmo ano, lançaram às próprias custas seu
primeiro álbum de inéditas desde 1987, Quinto Elemento, com Jorge Pescara assumindo o
baixo. Demos preliminares de cada uma das canções foram disponibilizadas para escuta
no perfil oficial do Myspace da banda.[8]
Mais reuniões da formação clássica da banda aconteceriam em 2012,[9][10] quando tocaram
ao vivo seus dois primeiros lançamentos na íntegra, e em 2013, para shows celebrando o
30º aniversário do Zero; à época, Isnard anunciou que um DVD de sua performance em
tais shows seria lançado,[11] mas até então o plano não se concretizou.
Em 2017 Guilherme estreou uma nova formação do Zero em Nova Friburgo com Nivaldo
Ramos no baixo, Daniel Viana na guitarra, Gustavo Wermelinger na bateria e Caius Marins
no teclado. Em 2018, gravaram ao vivo o EP Audioarena Originals - Guilherme Isnard e
Zero no especial com exibição no Canal BIS e Multishow. A banda voltou aos grandes
palcos como o do Circo Voador, mas desfez-se à véspera do show de comemoração dos
35 anos com participação de Kiko Zambianchi e Paulo Ricardo, pela conveniência logística
de organizar uma banda com músicos paulistas.
A partir de 2020, o Zero conta com Fabiano Matos na bateria, Elisio Neto na guitarra, Rigel
Romeu no teclado e Nivaldo Ramos que se manteve no baixo. Em outubro de 2020,
lançaram Quando Esse Mal Passar[12], o primeiro single do próximo álbum, composta por
Elísio e Isnard durante o confinamento na pandemia de COVID-19.
articipações
1985: May East - Remota Batucada - vocal e saxofone na faixa “Caim e Abel”[13]
1985: Metrô - Olhar - vocal na faixa "Tudo Pode Mudar"
1986: Vinícius Cantuária - Nu Brasil - vocal na faixa "Mais um ou Mais"[14]
Álbuns de estúdio
1987: Carne Humana
2007: Quinto Elemento
Álbuns ao vivo
2018: AudioArena Originals: Guilherme Isnard e Zero[15]
Extended plays
1985: Passos no Escuro
Singles
1985: "Heróis"
1985: "Agora Eu Sei"[16]
1985: "Formosa"
1987: "Quimeras"
1987: "A Luta e o Prazer"
2020: "Quando Esse Mal Passar"[12]
Compilações
1985: Os Intocáveis[17]
1987: Show Rock[18]
1988: Armação Ilimitada Vol.2 - Quimeras[19]
1998: Sucessos Inesquecíveis Pop - Agora Eu Sei[20]
1998: Rock Brasil 1 - Agora Eu Sei[21]
2000: Electro Acústico
2001: Para Sempre Pop Rock - A Luta e o Prazer[22]
2003: Obra Completa
2004: Dias Melhores