INSTITUTO SUPERIOR DE ARTES E CULTURA
Faculdade de Estudos da Cultura
Licenciatura em Gestão e Estudos Culturais
1ºAno – II Semestre
Cadeira: Introdução ao Trabalho Científico
Tema: Metodologias de Trabalho Científico
Discente:
Fernando Amosse Macamo
Docente:
Carlos Augusto Chefo
Matola, Fevereiro de 2022
ÍNDICE
1. Introdução.................................................................................................................................1
2. Ciência......................................................................................................................................2
2.1. Características das ciências factuais e do conhecimento científico:.................................2
3. Trabalho Científico...................................................................................................................2
3.1. Pesquisa Científica............................................................................................................3
4. Método Científico.....................................................................................................................4
4.1. Tipos..................................................................................................................................4
4.2. Etapas que caracterizam o método científico....................................................................5
4.3. Importância do método científico.....................................................................................5
5. Metodologia Científica.............................................................................................................6
5.1. O papel da metodologia na pesquisa científica.................................................................6
6. Técnicas de Pesquisa................................................................................................................6
7. Metodologia Qualitativa e Quantitativa...................................................................................7
7.1. Justificação da complementaridade da aplicação das metodologias quantitativa e
qualitativa na aplicação da investigação científica......................................................................8
8. Teoria........................................................................................................................................8
9. Conclusão...............................................................................................................................10
10. Referências Bibliográficas..................................................................................................11
1. Introdução
A ciência e o conhecimento científico são definidos de maneiras diferentes pelos diversos
autores que abordam estes temas. Algumas definições são bastante semelhantes, outras levantam
algumas diferenças. Contudo, a maior parte dos que buscam definir a ciência concordam que "ao
se falar em conhecimento científico, o primeiro passo consiste em diferenciá-lo de outros tipos
de conhecimento existentes (Lakatos & Marconi, 2007).
Assim, o conhecimento, dependendo da forma pela qual é representado, pode ser classificado de
popular (senso comum), teológico, mítico, filosófico e científico. O conhecimento pode ser
adquirido de diversas formas: sensação, percepção, imaginação, memória, linguagem, raciocínio
e intuição. Podemos adquirir conhecimento, também, como vamos ver ao longo deste livro,
fazendo pesquisa.
O presente trabalho, que tem como objectivo ilustrar a pertinência da atenção á se ter na
realização de um trabalho em ciência (pesquisa cientifica), debruça em torno da Metodologia da
investigação científica, cujo objectivo é regular oas normas de elaboração das pesquisas
científicas.
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2. Ciência
Segundo Petry (2013) “A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou
prováveis, obtidos metodicamente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos
de uma mesma natureza” (p. 6).
Assim, entendemos por ciência uma sistematização de conhecimentos, um conjunto de
preposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se
deseja estudar.
2.1. Características das ciências factuais e do conhecimento científico:
Racionalidade – utiliza a razão, raciocínios, conceitos;
Objetividade – concorda com o objeto, é reproduzível;
Factual – parte de fatos e volta a eles;
Transcendente aos fatos – leva o conhecimento além dos fatos estudados;
Analiticidade – o todo é decomposto nas partes;
Clareza e precisão – é claro e preciso;
Comunicabilidade – é transmitido a toda a humanidade;
Verificável – é aceito e válido se passar pela prova da experiência;
Sistematizável – pode ser logicamente organizado;
Carente de investigação metódica – é planejado, segue do conhecido;
Acumulativo – é consequência da seleção de conhecimentos anteriores;
Falibilidade – não é definitivo, absoluto ou final;
Generabilidade – parte do específico para o geral, procura uniformidade;
Explicabilidade – sua finalidade é explicar os fatos em termos de leis;
Preditivo – é previsível;
Aberto – não tem barreiras, limites, dogmas ou imposições;
Utilidade – a experimentação confere conhecimento adequado das coisas.
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3. Trabalho Científico
Para enfrentar as inúmeras questões relacionadas á reflexão sobre um trabalho cientifico,
precisamos ter um objetivo claro e definido, a fim de identificarmos se os motivos desses
questionamentos respondem a dúvidas profissionais ou pessoais. No caso de dúvidas pessoais,
muitas vezes são resolvidas em nível de senso comum, sem a necessidade de uma pesquisa
científica e sem a preocupação com a fidedignidade e comprovação dos resultados obtidos. No
caso de dúvidas profissionais, elas podem ser desencadeadas a partir do senso comum, mas, para
serem sanadas com fidedignidade, necessitamos do respaldo teórico-metodológico que sustente
os argumentos utilizados e as respostas e resultados encontrados, mediante a realização de uma
pesquisa científica.
3.1. Pesquisa Científica
A pesquisa é definida como uma indagação, uma investigação, uma dúvida que leva ao
conhecimento, ou seja, visa o conhecimento de aspectos da realidade. É um processo de
produção de conhecimento (Tozoni-Reis, 2007).
Para Leite (2014), a pesquisa, em âmbito geral, não é apenas relacionada a simples trabalhos
escolares, as repetições de experiências, sínteses de textos e relatórios técnicos. É uma
investigação científica, que produz conhecimento por meio de uma atividade intelectual,
intencional e sistemática, procurando respostas para necessidades do ser humano. A pesquisa é
uma atividade que visa a elaboração de teorias, fazendo uso de métodos e técnicas científicas, ou
seja, procura construir um conhecimento metódico e sistemático, válido e universal.
Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e
redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas pela ciência. É o método de
abordagem de um problema em estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa
a) Pesquisa pura
“É um tipo de pesquisa em que o pesquisador tem como o intuito o saber, buscando satisfazer
uma necessidade intelectual por meio do conhecimento” (Fachin, 2006, p. 43).
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Pesquisa pura é a que trata dos aspectos gerais ou fundamentais da realidade, produzida sem
preocupação com suas aplicações a curto prazo. A designação de Pesquisa pura é muitas vezes
utilizada como seu sinónimo, no sentido de que é a investigação feita sem qualquer preocupação
com a aplicação. Alguns autores e cientistas não apreciam essas designações por entenderem que
a aplicação dos conhecimentos gerados pode ser apenas uma questão de tempo ou de
oportunidade, como demonstrado à exaustão pela história da Ciência. Estas pessoas preferem
chamá-la Pesquisa Fundamental, no sentido de que se dedica à procura dos fundamentos ou
causas dos fenómenos observados.
Pode ser definida como sendo uma modalidade de pesquisa que procura o progresso cientifico, a
ampliação de conhecimentos teóricos, sem a preocupação de utilizá-las na prática.
b) Pesquisa Aplicada
Pesquisa Aplicada é a produzida com a intenção de aplicar seus resultados à objetivos práticos,
ou seja, na técnica. Para fazer isso, a ciência aplicada utiliza os conhecimentos gerados pela
básica.
Caracteriza-se por ser objectivada a gerar conhecimentos para a aplicação dirigida à solução de
problemas, tem objectivo de obter conhecimento que será usado à curto ou médio prazo.
4. Método Científico
Método, segundo a Fachin (2006), é uma maneira de se fazer algo sistematicamente. Ou seja,
Um conjunto de etapas que quando executadas de forma sistemática facilitam a obtenção de
conhecimentos sobre fenômenos físicos, químicos e biológicos, ou o desenvolvimento de novos
produtos ou processos.
Método científico é um conjunto de procedimentos por intermédio dos quais se propõe os
problemas científicos e colocam-se à prova as hipóteses científicas.
4.1. Tipos
a) Indutivo
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Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares,
suficientemente constados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes
examinadas (Petry, 2013).
b) Dedutivo
O pensamento é dedutivo quando, a partir de enunciados mais gerais dispostos ordenadamente
como premissas de um raciocínio, chega a uma conclusão particular ou menos geral (Tozoni-
Reis, 2007).
4.2. Etapas que caracterizam o método científico
Generalizar (os resultados);
Sintetizar (modelar e representar os conhecimentos obtidos);
Experimentar (Testar e comprovar a pressuposição);
Formular a hipótese/problema (fazer uma pressuposição sobre o fenómeno, produto ou
processo);
Analisar (Analisar o fenómeno, produto ou processo); e
Observar /Experimentar (perceber, coletar dados sobre o fenómeno, produto ou
processo).
4.3. Importância do método científico
Não há um método único que possa ser mecanicamente aplicado às diferentes áreas de
investigação. Cada ciência, ao determinar o seu campo de investigação, define uma perspectiva e
um conjunto de objectos e de procedimentos (métodos e técnicas) que permitir-lhe-ão construir
uma visão específica da realidade.
O método é:
Responsável pela eficácia de investigação;
Dá credibilidade aos resultados da investigação;
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É um dos critérios que permite distinguir os conhecimentos verdadeiramente científicos
dos que não são.
5. Metodologia Científica
5.1. O papel da metodologia na pesquisa científica
Pesquisar é adoptar uma atitude diante da vida. O pesquisador tem uma mente curiosa e uma
postura critica frente ao mundo. Porém, há que ter em mente que ao desenvolver uma pesquisa
científica, estamos sujeitos aos parâmetros e normas da ciência. Desta feita, a metodologia
científica visa regular estas normas que devem ser tidas em conta aquando da realização duma
pesquisa científica.
6. Técnicas de Pesquisa
Para cada modalidade de pesquisa há um método, uma técnica específica para o seu
desenvolvimento. O pesquisador delimita o seu campo de investigação e procura aplicar
instrumentos que irão auxiliar na coleta e interpretação dos dados.
Exempos de técnicas de pesquisas usadas:
Pesquisa bibliográfica: estudo sistematizado desenvolvido por meio de material escrito,
gravado ou filmado, de acesso ao público em geral;
Pesquisa de campo: investigação que coleta dados in-loco, na qual se busca informações
sobre determinado objecto, a fim de comparar os dados coletados com o referencial
teórico sobre o dado.
Pesquisa documental: seu estudo é dado com base em documentos; tudo aquilo que
pode ser registrado pode servir de objecto desta pesquisa; seu objectivo é o registro de
informações e a organização destas.
Pesquisa experimental: reprodução de forma controlada de um fato ou fenómeno,
visando descobrir os factores que o produzem ou que por ele são produzidos.
Estudo de caso: busca-se detalhar e aprofundar um caso determinado já acontecido ou
observado in-loco, a partir de determinadas fontes teóricas.
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7. Metodologia Qualitativa e Quantitativa
a) Quantitativa
Este método caracteriza-se pelo emprego da quantificação, tanto nas modalidades de coleta de
informações, quanto no tratamento dessas através de técnicas estatísticas, desde as mais simples
até as mais complexas. Conforme supra mencionado, ele possui como diferencial a intenção de
garantir a precisão dos trabalhos realizados, conduzindo a um resultando com poucas chances de
distorções. De uma forma geral, tal como a pesquisa experimental, os estudos de campo
quantitativos guiam-se por um modelo de pesquisa onde o pesquisador parte de quadros
conceituais de referência tão bem estruturados quanto possível, a partir dos quais formula
hipóteses sobre os fenômenos e situações que quer estudar. Uma lista de consequências é então
deduzida das hipóteses. A coleta de dados enfatizará números (ou informações conversíveis em
números) que permitam verificar a ocorrência ou não das consequências, e daí então a aceitação
(ainda que provisória) ou não das hipóteses. Os dados são analisados com apoio da Estatística
(inclusive multivariada) ou outras técnicas matemáticas.
Pode-se citar os de correlação de variáveis ou descritivos (os quais por meio de técnicas
estatísticas procuram explicar seu grau de relação e o modo como estão operando), os estudos
comparativos causais (onde o pesquisador parte dos efeitos observados para descobrir seus
antecedentes), e os estudos experimentais (que proporcionam meios para testar hipóteses)
(Fachin, 2006).
b) Qualitativa
Este método difere, em princípio, do quantitativo, à medida que não emprega um instrumental
estatístico como base na análise de um problema, não pretendendo medir ou numerar categorias
(Richardson, 1989).
Os estudos de campo qualitativos não têm um significado preciso em qualquer das áreas onde
sejam utilizados. Para alguns, todos os estudos de campo são necessariamente qualitativos e,
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mais ainda, como já comentado, identificam-se com a observação participante. Podemos partir
do princípio de que a pesquisa qualitativa é aquela que trabalha predominantemente com dados
qualitativos, isto é, a informação coletada pelo pesquisador não é expressa em números, ou então
os números e as conclusões neles baseadas representam um papel menor na análise. Dentro de tal
conceito amplo, os dados qualitativos incluem também informações não expressas em palavras,
tais como pinturas, fotografias, desenhos, filmes, videocassetes e até mesmo trilhas sonora.
7.1. Justificação da complementaridade da aplicação das metodologias
quantitativa e qualitativa na aplicação da investigação científica
Ambos métodos são não excludentes no processo de investigação científica pois elas asseguram:
Ênfase na subjetividade e na objetividade;
Um foco na interpretação ao invés de na quantificação;
Flexibilidade no processo de conduzir a pesquisa;
Orientação para o processo e o resultado.
8. Teoria
Uma ideia nascida com base em alguma hipótese, conjectura, especulação ou suposição, mesmo
abstrata, sobre a realidade. Também designa o conhecimento descritivo puramente racional ou a
forma de pensar e entender algum fenômeno a partir da observação.
Em ciência, a definição de teoria científica difere bastante da acepção de teoria em senso
comum, o de simples especulação; o conceito moderno de teoria científica estabelece que, entre
outros, como uma resposta ao problema da demarcação entre o que é efetivamente científico e o
que não o é.
Uma definição científica de teoria é a de que ela é uma síntese aceita de um vasto campo de conhecimento,
consistindo em hipóteses necessariamente falseáveis - mas não por isto erradas, dúbias ou tão pouco
duvidosas - que foram e são devidamente e permanentemente confrontadas entre si e com os fatos no
conjunto de evidências científicas, que, juntamente com as hipóteses, alicerçam o conceito. As hipóteses,
em casos específicos, devido à simplicidade e ampla abrangência, podem ser elevadas ao status de leis
(Richardson, 1989).
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O senso comum tende a considerar o fato como uma realidade definitiva, inquestionável e
autoevidente. No aspecto científico, o fato é uma observação empiricamente verificada E a
teoria refere-se à relações entre fatos, consistindo em conceitos, leis, teoremas etc.
a) O papel da teoria em relação aos factos
A teoria serve de orientação para restringir a amplitude dos fatos a serem estudados;
A teoria serve como sistema de conceptualização e classificação dos fatos;
A teoria resume sinteticamente o conhecimento;
A teoria, baseando-se em fatos e relações, prevê novos fatos e relações desconhecidos.
b) O papel dos factos em relação à teoria
Um fato novo pode provocar o início de uma nova teoria;
Os fatos podem provocar a rejeição ou reformulação de teorias existentes.
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9. Conclusão
O papel fundamental da pesquisa científica é remeter-nos a questionamentos, a dúvidas, a sanar
dúvidas, a refletir, a sugerir novos estudos, novas pesquisas, entre outras ações, tendo como base
procedimentos metodológicos fidedignos e claramente definidos. Entretanto, também não basta
desejar investigar esses diferentes contextos, se a ação não for estruturada e planejada toda a sua
execução. Para isso, devemos seguir alguns critérios que são estabelecidos pelas Metodologias
da pesquisa científica. Ou seja, as metodologias de investigação tem um papel indispensável para
o pesquisador pois auxilia-o de forma à que realize sua pesquisa de forma correcta e co êxito.
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10. Referências Bibliográficas
Fachin, O. (2006). Fundamentos de Metodologia (5 ed.). São Paulo, Brasil: Saraiva.
Lakatos, E. M., & Marconi, M. A. (2007). Metodologia do trabalho científico (7 ed.). São Paulo,
Brasil: Atlas.
Leite, F. T. (2014). Metodologia de pesquisa em educação: uma abordagem teórico-prática
dialogada. Curitiba, Brasil: Intersaberes.
Petry, C. A. (2013). Ciência. Conhecimento Científico, Métodos Científicos, Pesquisa.
Florianópolis, Brasil: Instituto Federal.
Richardson, R. J. (1989). Pesquisa Social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas.
Tozoni-Reis, M. F. (2007). Metodologia de pesquisa científica (2 ed.). Curitiba, Brasil: IESDE.
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