SADC
SADC
da África Austral
Programa de Turismo da SADC
2020-2030
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral Programa de Turismo da SADC 2020-2030
©SADC, 2019
Citation: Programa da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para Áreas de Conservação Transfronteiriça (TFCAs),
Gaborone, Botsuana, 2019
Sobre a SADC
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) é uma organização fundada e mantida por países da África Austral que visam
promover a cooperação socioeconómica, política e segurança entre os seus Estados Membros e encoraja a integração regional para alcançar
paz, estabilidade e riqueza. Os Estados-Membros são: Angola, Botsuana, União das Comores, República Democrática do Congo, Eswatini,
Lesoto, Madagáscar, Malaw`i, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Seychelles, África do Sul, República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue..
ii
Índice
LISTA DE FIGURAS E TABELAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . IV
ABREVIATURAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . V
SUMÁRIO EXECUTIVO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 02
1 NOTA INTRODUTÓRIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06
1.1 Contexto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06
1.2 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06
7 PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
iii
Lista de Figuras e Tabelas
Figura. 1: Situação das Áreas Transfronteiriças de Conservação (ATFC). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Figura. 10: Resumo das políticas, planos e programas relacionados com o turismo regional . . . . . . . . . . . . . . 41
e suas implicações para o Programa de Turismo da SADC
Tabela 1: Summary of regional tourism-related policies, plans and programmes and their . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
implications for the SADC Tourism Programme
iv
Abreviaturas
v
Sumário Executivo
REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA REPÚBLICA
DO CONGO UNIDA DA Victoria
Kinshasa
TANZÂNIA
Dodoma
Dar es Salaam
Luanda SEYCHELLES
MALAWI COMOROS
Moroni
ANGOLA Lilongwe
ZÂMBIA
Lusaka MOÇAMBIQUE
Harare
MAURÍCIAS
ZIMBÁBUE Port Louis
NAMÍBIA Antananarivo
Windhoek BOTSUANA MADAGÁSCAR
Gaborone Pretoria
Maputo
Mbabane
ESWATINI
Maseru
LESOTO
ÁFRICA DO SUL
Cape Town
Este Programa de Turismo da SADC serve de roteiro para orientar e coordenar o desenvolvimento de uma indústria do turismo sustentável na
Região e para facilitar a remoção de barreiras ao desenvolvimento e crescimento do turismo.
CONTEXTO DO PROGRAMA:
O Programa de Turismo será implementado, tendo na devida linha de conta os programas continentais e mundiais de turismo, incluindo a
Agenda para África da Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas (OMT), a Agenda 2063 da União Africana, os programas de turismo
da Comunidade da África Oriental (EAC) e as iniciativas de turismo do Mercado Comum da África Austral e Oriental (COMESA).
O Programa será implementado no âmbito das directrizes para o planeamento de políticas definidas no Plano Estratégico Indicativo de
Desenvolvimento Regional da SADC (RISDP) (2015-2020), no Protocolo sobre o Desenvolvimento do Turismo na SADC (1998) e, posteriormente,
no Protocolo sobre o Desenvolvimento do Turismo na SADC, conforme emendado (2009).
Vários desenvolvimentos institucionais ocorridos no sector do turismo da SADC durante os últimos cinco anos foram tidos em consideração na
elaboração do Programa de Turismo e na formulação das propostas institucionais contidas no presente documento. De entre estes constam as
decisões tomadas pelo Comité de Ministros do Turismo, em 2017, de reactivar a Unidade de Coordenação do Turismo na SADC e pelo Conselho
de Ministros, em Agosto de 2018, de encerrar a Organização Regional de Turismo da África Austral (RETOSA). Por ocasião da sua reunião
realizada em Agosto de 2018, o Conselho aprovou também a inclusão dos Ministros responsáveis pelo Turismo no Comité Misto de Ministros
do Ambiente e dos Recursos Naturais e no Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, estabelecendo assim o quadro
para a colaboração multissectorial na SADC.
Além disso, outras iniciativas, documentos, quadros e políticas da SADC foram tidos em consideração na formulação do documento. Trata-se
da iniciativa das Áreas Transfronteiriças de Conservação (ATFC), que é enformada pelo Plano Director Regional de Desenvolvimento de Infra-
estruturas da SADC (RIDMP, 2012), do Programa das ATFC da SADC (2013) e da criação de uma África Austral Sem Fronteiras (2008). Entre
os Protocolos da SADC tidos em consideração figuram o Protocolo da SADC Relativo à Conservação da Fauna Selvagem e Aplicação da
Lei (1999), o Protocolo da SADC sobre Actividades Florestais (2002), o Protocolo da SADC sobre Cursos de Água Compartilhados (2002) e o
Protocolo sobre o Comércio de Serviços (2012).
02
SITUAÇÃO DO TURISMO NA SADC
De acordo com a OMT, o turismo global cresceu, de forma consistente, ao longo das últimas duas décadas e a única desaceleração verificada
nas visitas de turistas internacionais durante este período ocorreu em 2008/9, no auge da crise económica global. A indústria regional e global
do turismo é afectada por várias tendências políticas, ambientais, sociais e tecnológicas, que moldam o crescimento do turismo, devendo
adaptar-se às mesmas.
O turismo é um dos pilares da economia da SADC, a par da agricultura, da exploração mineira e de outros serviços. É um importante factor de
agregação de valor às economias regional e global e uma indústria com recurso a mão-de-obra intensiva que contribuiu directamente com cerca
de 2,8% do total do PIB da SADC em 2017, e se se considerarem os impactos indirectos e induzidos, o turismo contribuiu significativamente
com 8% do PIB da SADC1. O sector sustentou directamente cerca de 2,5 milhões de empregos na Região em 2017; no total, mais de 6,3
milhões de empregos dependeram do turismo.
Os sete principais países de destino turístico (África do Sul, Zimbabwe, Botswana, Moçambique, Namíbia, Maurícias e Tanzânia) receberam mais
de 78% de todas as visitas de turistas internacionais à SADC e quase 85% das receitas do turismo em 2017. A maioria dos Estados-Membros
situados na África continental sofre de pequenas quotas de mercado e de baixos rendimentos económicos no sector do turismo. Em média, os
países da SADC recebem 51 USD em despesas de turistas internacionais per capita da população ao ano, quase o dobro da média das receitas
do turismo per capita de África (27 USD). As receitas médias por visita à SADC foram de 670 USD em 2016, abaixo da média global de 1004
USD por visita, mas substancialmente mais elevadas do que a média de 578 USD por visita ao continente como um todo. As Ilhas do Oceano
Índico (turismo em resorts de volume limitado e de alto valor), Angola (turismo de negócios de alto valor) e Tanzânia (turismo de safari de alto
valor) captaram as mais elevadas receitas por visitante.
O Índice de Competitividade do Fórum Económico Mundial (FEM) assinala que os principais desafios da competitividade do turismo a nível
regional incluem o desenvolvimento de uma marca e a gestão da imagem, o acesso às TIC e à Internet, o acesso e a abertura internacionais
(incluindo políticas de acesso aéreo e regimes de concessão de vistos), infra-estruturas de acesso aéreo e terrestre, a conservação de recursos
naturais, tais como PSU, e a melhoria de experiências culturais. No entanto, o âmbito, a escala e os níveis de desenvolvimento do turismo
diferem substancialmente entre os Estados-Membros da SADC e, como tal, os Estados-Membros têm diversas e variadas necessidades e
prioridades para o apoio e facilitação do turismo.
Uma comparação das estruturas turísticas de organizações multilaterais de turismo como, por exemplo, a Organização de Turismo das Caraíbas
(OTC), a Comissão Europeia do Turismo (CET), a Associação do Turismo da Ásia-Pacífico (PATA) e outras, fornece vários indicadores referentes
ao valor e foco das organizações regionais de turismo. Estes incluem os seguintes: a) a facilitação, o empoderamento e o estabelecimento de
parcerias são competências valorizadas, b) a quebra de barreiras às viagens entre países é uma área de intervenção fundamental para essas
organizações, c) a maioria dessas organizações desenvolve a sua marca e imagem, d) essas organizações são estabelecidas através de uma
ampla adesão, e) a colaboração entre os sectores público e privado é essencial para o seu sucesso, f) parcerias institucionais são fundamentais,
g) produzem benefícios tangíveis, g) estão estrategicamente focalizadas, h) são operacionalmente “enxutas”, i) assentam em consensos e j) são
financiadas de forma adequada e consistente.
Num inquérito realizado em linha, os operadores turísticos regionais classificaram as condições para o sector privado fazer negócios de
forma eficaz na SADC, (tais como condições e práticas aduaneiras, tributação, acesso transfronteiriço, segurança do turista e condições
de investimento) como sendo deficientes. Os operadores classificaram as condições de imigração e de concessão de vistos, bem como a
colaboração entre o turismo e outros sectores que afectam a indústria, como sendo particularmente deficientes.
Quando solicitados a classificar a importância de potenciais actividades para inclusão no Programa de Turismo da SADC ao longo dos próximos
5 anos, quase 80% dos inquiridos classificaram “o aperfeiçoamento das práticas de imigração e de concessão de vistos” como uma questão
de vital importância para a SADC resolver. Outras questões consideradas de vital importância por mais de 60% dos inquiridos são uma maior
colaboração entre o turismo e outros sectores que afectam o turismo, o marketing e desenvolvimento da marca da Região, a facilitação e
coordenação da segurança do turista e a facilitação de políticas de acesso aéreo adequadas.
O resumo dos Pontos Fortes, Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças (SWOT) revela uma ampla gama de factores que precisam de ser
abordados em prol da promoção do turismo regional, que corroboram, em larga medida, as conclusões do inquérito e da análise bibliográfica.
DIRECÇÃO ESTRATÉGICA
A Visão do Programa para 2030 é que o crescimento do número de viagens transfronteiriças e para múltiplos destinos na SADC irá exceder os
níveis médios de crescimento do turismo mundial.
A Missão é advogar, facilitar e coordenar com eficácia as políticas, programas e práticas de turismo na Região, em colaboração com os Estados-
Membros.
1
A soma dos impactos directos, indirectos e induzidos mostra o impacto económico total do sector das Viagens e do Turismo. Os impactos directos incluem
apenas as transacções directas efectuadas por turistas em relação a serviços e produtos turísticos, tais como alojamento, recreação, transportes e outros
sectores relacionados com o turismo; os impactos indirectos referem-se a contribuições em toda a cadeia de abastecimento do sector do turismo e os
impactos induzidos ocorrem quando é gasto dinheiro na economia local por funcionários que laboram em postos de trabalho suportados pelo turismo, tanto
directa como indirectamente.
03
O Programa de Turismo da SADC visa alcançar os seguintes objectivos:
• Exceder os níveis médios de crescimento global das receitas do turismo e de visitas de turistas à Região e dentro desta, conforme
medidos pelo Barómetro de Turismo da OMT.
• Ampliar a abrangência das visitas de turistas e das receitas do turismo entre os Estados-Membros da SADC, ou seja, aumentar o número
de países visitados em média.
• Estender o período médio de permanência dos visitantes na Região da SADC.
• Aumentar o número de visitas de retorno à Região.
• Harmonizar as políticas voltadas para o desenvolvimento e crescimento do turismo na SADC.
O Programa de Turismo da SADC repousa sobre três princípios, nomeadamente: a) promoção do desenvolvimento sustentável do turismo e da
inclusão e transformação económicas b) maximização de parcerias e c) adopção de uma abordagem transversal ao governo inteiro.
Em face dos parcos recursos da Unidade de Coordenação do Turismo (UCT) da SADC e do facto de o turismo ser um sector altamente
integrado, a UCT da SADC adoptará, em função das questões em apreço, uma abordagem em três fases na promoção do Programa de Turismo
da SADC, ou seja, a) “advogar”, b),“facilitar” e c)“coordenar e monitorizar a sua implementação”.
Objectivo 1: Estimular os fluxos turísticos e a sua Estratégia 2.2: Programa de Gestão Sustentável do Turismo para a
distribuição na Região África Austral
Estratégia 1.1: Programa de Facilitação da Imigração • Promover a gestão do turismo sustentável
• Harmonizar os regimes de concessão de vistos • Promover o Acesso Universal no sector do turismo
• Melhorar os postos fronteiriços
• Melhorar os serviços de imigração Objectivo 3: Desenvolver o Turismo nas Áreas Transfronteiriças
de Conservação
Estratégia 1.2: Programa de Melhoria do Acesso Rodoviário e Aéreo Estratégia 3.1: Programa de Desenvolvimento do Mercado das ATFC
• Melhorar as políticas e práticas de acesso aéreo • Formular uma estratégia bem fundamentada para o
• Harmonizar os custos e requisitos aduaneiros do turismo desenvolvimento do mercado das ATFC
• Melhorar as vias rodoviárias prioritárias para o turismo • Alargar a iniciativa de marketing das ATFC
• Melhorar a sinalização rodoviária e interpretativa • Desenvolver e promover rotas e itinerários transfronteiriços
• Apoiar o desenvolvimento e crescimento de eventos nas ATFC
Estratégia 1.3: Programa de Mobilidade de Recursos Humanos
• Harmonizar os sistemas regionais de acreditação de entidades Estratégia 3.2: Investment Promotion Programme
de formação e de reconhecimento de qualificações • Definição do perfil das oportunidades de investimento nas ATFC
• Harmonizar as políticas de concessão de vistos de trabalho • Promover e implementar as directrizes da SADC sobre produtos
• Garantir uma maior mobilidade de guias turísticos turísticos transfronteiriços nas ATFC
Objectivo 2: Melhorar e defender a reputação do turismo e a Estratégia 3.3: Programa de Inclusão Económica Rural
imagem da Região • Lançar uma iniciativa de turismo comunitário para as ATFC
Estratégia 2.1: Programa de Comunicação e Imagem • Promover normas e directrizes operacionais para o
• Formular uma estratégia regional de comunicação para o sector desenvolvimento de produtos comunitários
do turismo
• Preparar um programa regional de relações públicas
• Desenvolver uma estratégia de comunicação de crises no sector
do turismo
04
Objectivo 4: Melhorar a qualidade das experiências e os níveis Objectivo 5: Maximizar as parcerias e a colaboração no
de satisfação dos visitantes sector do turismo
Estratégia 4.1: Programa de Bem-estar e Segurança dos Visitantes Estratégia 5.1: Programa de Parcerias no Sector do Turismo
• Envolver o Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa • Estabelecer comités de trabalho público-privados adequados
e Segurança da SADC com vista a uma maior sensibilização para conduzir o processo de implementação do Programa de
para as necessidades de segurança e saúde dos viajantes entre Turismo da SADC
o pessoal encarregado da segurança • Estreitar as relações com os comités de clusters da SADC
• Lançar uma iniciativa anticorrupção no sector do turismo relevantes
• Facilitar a implantação de sistemas de seguro eficientes para
visitantes Estratégia 5.2: Programa de Reforço Institucional do Sector do Turismo
• Formalizar a Estrutura Institucional do Sector do Turismo
Estratégia 4.2: Programa de Melhoria da Qualidade da SADC
• Promover a harmonização das normas para instalações • Acordar sobre uma capacidade adequada para “colmatar
e serviços lacunas”, de molde a assegurar que a UCT funciona de forma
• Promover a normalização e mobilidade de guias eficaz, enquanto se consolida a estrutura
turísticos regionais • Acordar sobre uma abordagem de financiamento adequada
• Promover a expansão da conectividade de internet na Região para a implementação do Programa de Turismo
• Recolher e analisar dados estatísticos e trabalhos de pesquisa
relativos ao desempenho do sector do turismo
CONSELHO DE MINISTROS
Comité do Cluster:
Comércio, Indústria,
Finanças e Investimento COMITÉ DE MINISTROS DO TURISMO
Comité do Cluster:
Infra-estruturas e Serviços COMITÉ DE ALTOS FUNCIONÁRIOS
DIRECTOR: FANR
OFICIAL SÉNIOR DE
PROGRAMAS:
OFICIAL DE Harmonização das OFICIAL DE
PROGRAMAS: Políticas sobre o PROGRAMAS:
BSA Turismo e Gestão da Serviços Turísticos
Unidade de Imagem e Acesso dos
Projectos Especiais Visitantes
As principais funções dos Estados-Membros, do sector privado, das ONG e das estruturas comunitárias locais na implementação do
Programa de Turismo são descritas na Secção 7.
05
1 Nota Introdutória
1.1 ONTEXTO
Os Ministros da SADC responsáveis pelo Turismo, no decurso da reunião do Comité de Ministros do Turismo realizada em Novembro de
2017, orientaram o Secretariado da SADC no sentido de coordenar o processo de formulação de um programa de turismo abrangente, com
a finalidade de servir de roteiro geral para orientar e coordenar o desenvolvimento de uma indústria do turismo sustentável na Região e para
facilitar a remoção das barreiras ao desenvolvimento e crescimento do turismo.
Os principais objectivos da SADC são alcançar o desenvolvimento, a paz e a segurança, e o crescimento económico, através da integração
regional, construída sobre princípios democráticos e o desenvolvimento equitativo e sustentável, para aliviar a pobreza, melhorar o padrão e a
qualidade de vida dos povos da África Austral, e apoiar os socialmente desfavorecidos.
O presente Programa de Turismo da SADC serve de roteiro para orientar e coordenar o desenvolvimento de uma indústria do turismo sustentável
na Região e para facilitar a remoção das barreiras ao desenvolvimento e crescimento do turismo.
1.2 METODOLOGIA
Foram aplicados vários métodos na formulação do Programa de Turismo, entre os quais:
• Estudar e avaliar todas as actuais políticas da SADC relevantes, relacionadas com o turismo, incluindo protocolos, planos e estratégias,
bem como avaliar as ligações e implicações de tais políticas e planos para o Programa de Turismo. A avaliação integral é apresentada no
Apêndice A.
• Analisar os dados estatísticos e trabalhos de pesquisa disponíveis, com base em informações fornecidas pela Organização Mundial de
Turismo das Nações Unidas (OMT), pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), pela SADC e por outras fontes. As principais
conclusões são apresentadas no Apêndice B.
• Estudo comparativo e extracção das principais lições de estratégias e abordagens adoptadas por diferentes organismos de turismo
multilaterais, incluindo a Associação de Turismo da Ásia-Pacífico (PATA), a Organização de Turismo das Caraíbas (OTC), a Comunidade
Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Associação dos Países da Orla do Oceano Índico (IORA), a Comissão Europeia do
Turismo (CET) e a Associação de Agências de Viagens de África (ATA). Os resultados detalhados são apresentados no Apêndice C.
• Consultas com um vasto leque de intervenientes públicos e privados sobre os seus pontos de vista relativos às tarefas, responsabilidades
e mecanismos de gestão da SADC para maximizar o potencial turístico da Região mediante:
- A realização de um inquérito em linha para avaliar as percepções dos intervenientes sobre os desafios e as oportunidades que se
apresentarão à indústria ao longo dos próximos cinco anos. Obteve-se uma boa taxa de resposta, com mais de 100 representantes da
indústria a responder ao inquérito, resultando em 90 respostas utilizáveis, sendo a maioria das quais de empresas de turismo privadas.
Os resultados detalhados são apresentados no Apêndice D.
- A realização de entrevistas pessoais com os principais líderes de opinião, incluindo Directores do Turismo de vários países membros.
• A facilitação de um Workshop Consultivo Regional, que contou com a participação dos Directores do Turismo da SADC, de representantes
de Organizações Nacionais de Turismo (ONT) dos Estados-Membros da SADC, bem como de Pontos Focais de determinadas Áreas
Transfronteiriças de Conservação, com o propósito de identificar os principais elementos e tarefas a incluir num Programa de Turismo da
SADC. Os resultados são apresentados no Apêndice E.
• A revisão do primeiro projecto do documento, baseada na retroinformação recebida de um Grupo de Trabalho, composto por representantes
de Ministérios do Turismo dos Estados-Membros e de ONT.
• A apresentação do segundo projecto do documento a todos os Ministérios do Turismo dos Estados-Membros para obter os seus comentários
com base em um processo consultivo nacional, envolvendo os organismos públicos e privados do sector do turismo relevantes existentes
nos respectivos países.
• Com base nas conclusões e nos comentários acima referenciados, a elaboração do Projecto Final do Programa de Turismo.
• A validação e finalização do Programa numa reunião de validação que teve a participação de representantes de todos os Estados-Membros,
incluindo representantes designados pelos Ministérios do Turismo, pelas ONT e pelas organizações de cúpula do sector privado dos
principais países membros.
• A apresentação do Projecto Final do Programa de Turismo da SADC ao Comité de Ministros do Turismo, para a sua homologação, e ao
Conselho de Ministros da SADC, para a sua aprovação.
06
2 Enquadramento Político e Jurídico
As seguintes políticas e mecanismos institucionais fornecem a base sobre a qual o presente Programa é formulado. Esta secção deve ser lida
em conjunção com o Apêndice A, que fornece uma análise detalhada das políticas e dos mecanismos institucionais.
Os princípios da sustentabilidade referem-se aos aspectos ambientais, económicos e socioculturais do desenvolvimento do turismo, devendo
ser estabelecido um equilíbrio adequado entre estas três dimensões para garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.
• Respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades de acolhimento, conservar o seu património cultural vivo e edificado, assim como
os seus valores tradicionais, e contribuir para a compreensão e tolerância interculturais.
• Assegurar a viabilidade económica das empresas de turismo e proporcionar benefícios socioeconómicos distribuídos de forma equitativa a
todas as partes interessadas (incluindo emprego estável, oportunidades de geração de rendimentos e serviços sociais), contribuindo assim
para o crescimento económico e o alívio da pobreza.
O plano de acção define a seguinte agenda de 10 pontos para África, com base nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):
2. Promover a facilitação de viagens (Conectividade /Vistos) ODS 8,9 Facilitar a aquisição do visto de turista e os procedimentos
transfronteiriços de imigração, com incidência nas ATFC
3. Strengthening Tourism Statistics Systems SDGS 8,15,17 Guiar os Estados-Membros no sentido da produção de estatísticas válidas
e fiáveis, em linha com as melhores práticas globais
4. Expandir Capacidades, incluindo Instalações de Formação, ODS 4, Facilitar o máximo aproveitamento da capacidade de formação e assegurar
8,10,17 padrões de formação e de qualificações de qualidade e consistentes
5. Promover a Inovação e Tecnologia, ODS 8,9,17 Trocar as melhores práticas na aplicação de tecnologias no sector do
turismo entre os Estados-Membros
6. Promover a Resiliência (Protecção + Segurança, Comunicação de Garantir um foco regional sobre a segurança e protecção do turismo e
Crises), ODS 8,12,13,16 garantir uma comunicação eficaz de crises regionais
7. Desencadear o Crescimento através da Promoção de Investimentos por Coordenar o intercâmbio de oportunidades de investimento e de melhores
Parcerias Público-Privadas, ODS 8,9,11,12,14,15,17 práticas na gestão de concessões para o turismo, incentivos, etc., com
incidência nas ATFC
8. Empoderar Jovens e Mulheres através do Turismo, ODS 5, 8,10 Estimular e monitorizar programas de turismo destinados a empoderar
jovens e mulheres
9. Avançar a Agenda de Sustentabilidade (em especial, a Biodiversidade), Desenvolver práticas de gestão do turismo sustentável na Região e apoiar
ODS 12,13,14,15 a aplicação de tais práticas nas ATFC
10. Promover o Património Cultural, ODS 8,16 Promover o património cultural e o turismo cultural, com especial
incidência nas ATFC
2
UNEP e OMT, 2005: Tornar o turismo mais sustentável - Um guia para os decisores políticos
07
2.2 O TURISMO NO CONTEXTO CONTINENTAL
A visão orientadora para a Agenda 2063 é a Visão, perfilhada pela UA, de “Uma África integrada, próspera e pacífica, dirigida pelos seus próprios
cidadãos e representando uma força dinâmica na arena internacional”.
A Agenda destaca sete Aspirações Africanas, que derivam de um processo de consultas com os cidadãos africanos. Trata-se das seguintes
Aspirações:
• Uma África próspera, com base no crescimento inclusivo e no desenvolvimento sustentável;
• Um continente integrado e unido politicamente, com base nos ideais do Pan-africanismo e na visão do Renascimento de África;
• Uma África caracterizada pela boa governação, democracia e pelo respeito dos direitos humanos, justiça e estado de direito;
• Uma África com uma forte identidade cultural e com um património e valores éticos comuns;
• Uma África cujo desenvolvimento esteja centrado nas pessoas e alicerçado nas potencialidades oferecidas pelas pessoas, em especial as
suas mulheres e jovens, e que cuide das crianças;
• Uma África como um parceiro e actor global forte, unido, resiliente e influente.
A Agenda 2063 também inclui um plano de acção com várias Iniciativas Emblemáticas prioritárias que foram aprovadas pela Cimeira da UA.
Embora o desenvolvimento do turismo não seja uma área de intervenção específica da Agenda 2063, vários dos projectos emblemáticos terão
um impacto directo sobre o crescimento do turismo, especialmente:
• A Zona de Comércio Livre Continental (um mercado único de bens e serviços a nível continental, com a livre circulação de empreendedores
e investimentos).
• O Passaporte Africano e a livre circulação de pessoas (uma cédula de passaporte comum que isentará os seus portadores da obrigação
de obter vistos para todos os 55 Estados existentes em África).
• A Rede Única de Transportes Aéreos (com o objectivo de implementar cabalmente a Decisão de Yamoussoukro, de 1999).
Numa perspectiva turística, a EAC tem por finalidade promover e fazer o marketing da Comunidade, colectivamente, como um Destino Turístico
Único, enquanto conserva a vida selvagem e assegura a utilização sustentável dos habitats naturais e de outros locais turísticos4. Alguns
sucessos neste sentido incluem:
• Desde Novembro de 2008 que o marketing da África Oriental tem vindo a ser feito como uma única região e os Estados Parceiros da EAC
têm vindo a participar em feiras internacionais de turismo.
• Lançamento da revista de viagens da EAC, intitulada “Travel Around East Africa” [Viaje ao Redor da África Oriental].
• Conferência Regional sobre o Turismo Relacionado com a Vida Selvagem, realizada anualmente e de forma rotativa na Região da
África Oriental.
3
[Link]
4
[Link]
08
2.2.3 MERCADO COMUM DA ÁFRICA AUSTRAL E ORIENTAL (COMESA)
O COMESA visa criar uma estratégia de marketing sustentável do turismo, incorporar elementos do turismo sustentável, promover a Região
como um destino único, desenvolver um portal do COMESA em linha e participar em feiras comerciais como uma região. Como um primeiro
passo, o Conselho Empresarial do COMESA (CBC) lançou um Manual sobre o Turismo e o Património Faunístico para promover os Estados-
Membros do COMESA. O livro contém factos referentes a cada Estado-Membro em termos de população, idiomas, religião, moeda e de visitas
turísticas e também destaca as principais atracções da vida selvagem e do património natural5.
O RISDP Revisto (2015-2020)7 tem em conta as experiências e lições aprendidas durante os últimos dez anos e reorganiza as prioridades
identificadas no RISDP original, nos seguintes moldes:
a) Prioridade «A» – Desenvolvimento Industrial e Integração dos Mercados, incluindo:
• Desenvolvimento industrial sustentável, competitividade produtiva e capacidade do lado da oferta;
• Livre circulação de bens e serviços;
• Convergência macroeconómica orientada para a estabilidade;
• Integração dos mercados financeiros e cooperação monetária;
• Investimento intra-regional e investimento directo estrangeiro;
• Aprofundamento da integração regional.
b) Prioridade «B» – Infra-estruturas de apoio à integração regional, incluindo:
• Energia;
• Transportes (rodoviários, aéreos e intermodais);
• Turismo;
• TIC;
• Meteorologia;
• Águas.
c) Prioridade «C» – Cooperação para a Paz e Segurança (como pré-requisito para a materialização da Agenda de Integração Regional).
d) Prioridade «D» – outros programas de dimensão regional nas seguintes áreas: (a) Educação e Desenvolvimento dos Recursos Humanos; (b)
Saúde, Combate ao VIH e SIDA e a outras doenças de importância para a saúde pública; (c) Emprego e Trabalho; (d) Segurança Alimentar
e Nutricional; (e) Recursos Naturais Transfronteiriços; (f) Ambiente; (g) Estatística; (h) Sector Privado; (i) Igualdade de Género; e (j) Ciência,
Tecnologia e Inovação; e Investigação e Desenvolvimento.
Para fazer avançar a implementação do RISDP, o foco incidirá sobre as Prioridades «A» e «B». As metas inseridas no âmbito da Prioridade «D»
serão alcançadas com vista a apoiar a concretização e o cumprimento das Prioridades «A», «B» e «C».
Relativamente à implementação, o RISDP revisto aborda a área do turismo no âmbito do Objectivo Estratégico “Infra-estruturas de Apoio à
Integração Regional”, com o objectivo específico de conseguir “Uma maior competitividade e liberalização dos mercados regionais de energia,
das TIC, dos transportes e do turismo”.
O principal indicador de desempenho do sector do turismo incluído no RISDP é a quota percentual da SADC no mercado mundial do turismo”.
09
• Intervenções de gestão de recursos naturais transpostas no âmbito da Política Agrícola Regional (PAR) e dos Protocolos sobre as Pescas,
sobre Actividades Florestais e sobre a Conservação da Vida Selvagem e Aplicação da Lei;
• Implementados os Programas das Pescas, Recursos Florestais, Vida Selvagem e das Áreas Transfronteiriças de Conservação (ATFC);
• Elaboradas Directrizes sobre as Melhores Práticas da SADC referentes às ATFC;
• Elaborados planos de desenvolvimento de competências dos recursos humanos para os sectores-chave definidos nas Prioridades «A», «B»
e «C» e outras áreas de integração socioeconómica e de cooperação;
• Política-Quadro da SADC sobre Migração Laboral aprovada e implementada no contexto alargado da facilitação da circulação de pessoas.
8
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (1998): Protocolo da SADC sobre o Desenvolvimento do Turismo;
9
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (2009): Acordo que Emenda o Protocolo sobre o Desenvolvimento do Turismo na Comunidade de Desenvolvimento
da África Austral
10
Southern Africa Development Community, (1998): Charter of the regional Tourism Organisation of Southern Africa (RETOSA)
10
Em 2009, na sequência da alteração dos mecanismos institucionais do Protocolo, a RETOSA assumiu funções de coordenação das
políticas, além das funções de marketing, trabalhando em estreita articulação com a função de turismo no Secretariado da SADC. O
conceito de uma Unidade de Coordenação do Turismo, conforme especificado na versão original do Protocolo, caiu por terra e as funções
de coordenação das actividades administrativas foram transferidas para o Secretariado da SADC, com a RETOSA a assumir todas as
funções de implementação. Consulte o Apêndice A para obter mais detalhes sobre a estrutura e as funções alteradas.
O papel da UCT seria o de garantir uma coordenação eficaz e a formulação, harmonização e implementação das políticas e legislação sobre o
turismo e tratar de questões conexas.
Em Março de 2017, o Conselho de Ministros aprovou a nova estrutura orgânica do sector do turismo da SADC que inclui a UCT adstrita à
Direcção para a Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais (FANR). A UCT tem dois postos, ou seja, o de Oficial Sénior de Programas para o
Turismo e o de Oficial de Programas para Políticas e Desenvolvimento do Mercado. Porém, ambos os postos estão classificados como flexíveis
e encontravam-se vagos por altura da formulação do presente documento.
Em Junho de 2018, no decurso de uma reunião extraordinária do Comité de Ministros do Turismo, recomendou-se que o processo de dissolução
da RETOSA fosse iniciado com efeitos imediatos, a fim de mitigar a situação adversa em que a mesma se encontrava de não poder cumprir as
suas obrigações contratuais.
Em resposta, o Conselho de Ministros, reunido entre os dias 13 e 14 de Agosto de 2018, através da sua Decisão 29:
i) Exortou os Estados-Membros a pagar as suas contribuições pendentes, a fim de permitir à RETOSA cumprir as suas obrigações contratuais,
incluindo o pagamento de salários aos funcionários;
ii) Aprovou a dissolução do Conselho de Administração e o início do processo de liquidação da RETOSA, com efeitos imediatos, em
conformidade com as disposições da Carta que institui a RETOSA; e
iii) Orientou o Secretariado a desenvolver um mecanismo viável que garanta o cumprimento dos objectivos do Programa de Turismo da SADC
e a apresentar um relatório ao Conselho, na sua sessão de Agosto de 2019.
No decurso da supracitada reunião, o Conselho aprovou a inclusão dos Ministros responsáveis pelo Turismo no Comité Misto de Ministros do
Ambiente e Recursos Naturais e do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, tal como aprovado pelo Conselho, na sua
reunião realizada em Março de 2017, Ezulwini, Eswatini, com o intuito de supervisionarem e monitorizarem a implementação da Estratégia da
SADC para o Combate à Caça Furtiva e Aplicação da Lei (LEAP).
11
2.4 POLÍTICAS E PROGRAMAS DA SADC QUE AFECTAM O SECTOR TURÍSTICO
DA SADC
Os seguintes documentos, quadros e políticas são de relevância para o Programa de Turismo da SADC e foram considerados na formulação
do presente documento.
• Protocolo da SADC sobre a Conservação da Vida Selvagem e Aplicação da Lei (1999)12: O Protocolo não faz referência
específica ao turismo, mas os objectivos incluem “promover a conservação dos recursos faunísticos e florísticos compartilhados através
da criação de Áreas Transfronteiriças de Conservação ” (Artigo 4, 2 (f). O Protocolo estabelece que as Partes devem procurar harmonizar
os instrumentos jurídicos nacionais, padronizando os “incentivos económicos e sociais para a conservação e o uso sustentável da vida
selvagem” (Artigo 6, 2 [g]), que poderiam ser aplicados a produtos turísticos transfronteiriços.
• Protocolo Revisto sobre Cursos de Água Compartilhados (2002)13: Embora este Protocolo não mencione o turismo de modo
específico, os seus objectivos incluem “promover a utilização sustentável, equitativa e racional dos cursos de água compartilhados”
(artigo 2 [b]). Esta disposição proporciona um enquadramento para o turismo aquático transfronteiriço, tais como a canoagem e o rafting.
• Protocolo sobre o Comércio de Serviços, de 201214: Os objectivos do Protocolo incluem “liberalizar progressivamente o comércio
intra-regional de serviços com base na equidade, equilíbrio e benefícios mútuos”, a par da promoção do “desenvolvimento e crescimento
económico sustentáveis, elevando assim o nível e a qualidade de vida da população da África Austral”(Artigo 2, [1 & 2]). O artigo relativo
ao reconhecimento mútuo especifica que deverão ser estabelecidas as medidas necessárias para a negociação de um acordo, “ que
preconize o reconhecimento mútuo dos requisitos, qualificações, licenças e outros regulamentos, . . para fins de autorização, licenciamento,
funcionamento e certificação dos fornecedores de serviços e, em particular, de serviços e profissionais”(Artigo 7[1]). Em relação ao acesso
ao mercado, o protocolo também estipula que nenhum Estado Parte deverá adoptar ou manter “limitações referentes ao número de
fornecedores de serviços”, ou “limitações no número total de pessoas singulares que possam ser empregadas num sector particular de
serviços” (Artigo 14 [a & d]). Por conseguinte, esse Protocolo dispõe sobre a questão das licenças e autorizações para empresas de turismo
e seus funcionários que cruzam fronteiras internacionais para facilitar o turismo transfronteiriço.
Foram materializados os seguintes planos e iniciativas para levar a efeito a iniciativa de ATFC:
• Plano Director Regional da SADC para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Plano do Sector do Turismo (ATFC)
(2012)15: O capítulo sobre o sector do turismo descreve um plano integrado para o desenvolvimento sustentável das ATFC na Região da
SADC durante o período até 2027. O plano sectorial identifica vários projectos prioritários para implementação durante o seu período de
vigência, subdivididos em três clusters, nomeadamente
i) projectos de Infra-estruturas Físicas;
ii) projectos de Desenvolvimento de Estratégias e de Harmonização de Políticas; e
iii) projectos de Produtos Turísticos. Os projectos prioritários são descritos no Apêndice A
• Programa sobre as ATFC da SADC, de 201316: O Programa sobre as ATFC da SADC integra 7 componentes-chave, contendo
objectivos específicos, actividades e resultados intermédios a concretizar aos níveis nacional, sub-regional e regional., designadamente:
- Componente 1: Advocacia e Harmonização de Políticas entre todas as ATFC existentes na Região.
- Componente 2: Reforço dos mecanismos de financiamento das ATFC, iniciando o seu financiamento e complementando o apoio
financeiro proveniente dos parceiros de cooperação internacionais ou através da criação de um fundo regional especificamente
destinado ao desenvolvimento das ATFC na Região da SADC.
- Componente 3: Reforço de capacidades dos intervenientes nas ATFC
- Componente 4: Criação de sistemas de gestão de dados e dos conhecimentos
- Componente 5: Reforço dos meios de sustento locais, focalizando-se na demonstração dos benefícios resultantes das ATFC para
as comunidades locais, em maiores investimentos públicos e privados em infra-estruturas transfronteiriças e projectos de turismo e
na facilitação do acesso transfronteiriço aos mercados locais e regional, que possa gerar rendimentos ainda maiores. As principais
11
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2019): Projecto de Relatório de Análise da Situação dos Produtos Turísticos Transfronteiriços das ATFC
da SADC - Por publicar
12
Protocolo sobre a Conservação da Vida Selvagem e Aplicação da Lei na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) (1999)
13
Protocolo Revisto sobre Cursos de Água Compartilhados na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) (2002)
14
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) (2012)
15
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (2012): Plano Director Regional para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Plano do Sector do Turismo (ATFC)
16
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (2013): Programa da SADC para as Áreas Transfronteiriças de Conservação, Secretariado da SADC,
Gaborone, Outubro de 2013
12
actividades incluem “Criar uma carteira de projectos infra-estruturais, comerciais e turísticos nas ATFC.” e “Organizar conferências de
investidores para incentivar o investimento nestes projectos transfronteiriços”.
- Componente 6: Redução da vulnerabilidade dos ecossistemas e da população aos efeitos das alterações climáticas.
- Componente 7: Desenvolvimento das ATFC em produtos turísticos regionais comercializáveis. As principais actividades incluem
“Desenvolver e fazer o marketing de produtos turísticos transfronteiriços regionais emblemáticos”, e “Elaborar directrizes para facilitar o
estabelecimento de parcerias equitativas sob a forma de joint ventures entre as comunidades locais e o sector privado.”
Established TFCAs
1 /Ai/Ais - Richtersveld TP*
(Namibia/South Africa) 16
2 Kgalagadi TP*
(Botswana/South Africa) 11
3 Kavango Zambezi TFCA*
(Angola/Botswana/Namibia/Zambia/
Zimbabwe)
4 Great Limpopo TP and TFCA*
© Peace Parks Foundation
Mozambique/South Africa/Zimbabwe)
[Link]
5 Malawi-Zambia TFCA*
(Malawi/Zambia)
12
6 Lumombo TFCRA*
(Mozambique/South Africa/iSwatini) 5
7 Maloti-Drakensberg TFCDA* 13
(Lesotho/South Africa)
8 Iona-Skeleton Coast TFCA 14 17
(Angola/Namibia) 15
8 3
Emerging TFCAs
9 Great Mapungubwe TFCA*
(Botswana/Sotuh Africa/Zimbabwe) 10
10 Chimanimani TFCA
(Mozambique/Zimbabwe) 9 18
11 Mayombe Forest TPA
(Angola/Congo?DRC) 4
12 Niassa-Selous TFCA 2
(Mozambique/Tanzania)
Conceptual TFCAs 1
13 Liuwa Plains-Mussuma TFCA*
(Angola/Zambia) 6
14 Lower Zambezi-Mana Pools TFCA*
7
(Zambia/Zimbabwe)
15 ZIMOZA TFCA
(Mozambique/Zambia/Zimbabwe)
16 Kagera TFCA
(Rwanda/Tanzania/Uganda)
*Peace Parks Foundation directly involved
17 Mnazi Bay-Quirimbas TFCMA TFCA – Transfrontier Conservation Area
(Tanzania/Mozambique) TFCDA - Transfrontier Conservation and Development Area
18 Western Indian Ocean TMP TFCRA - Transfrontier Conservation and Resources Area
TFCMA – Transfrontier Conservation Marine Area
(Comoros/France/Madagascar/Mauritius/ TMP – Transfrontier Marine Park
Mozambique/Seychelles/Tanzania) TP – Transfrontier Park
TPA – Transfrontier Protected Area
África Austral Sem Fronteiras (Boundless Southern Africa) (2008 - até à data presente): A marca “África Austral Sem Fronteiras”
foi desenvolvida como uma marca geral para o marketing das ATFC enquanto destinos turísticos e de investimento, de forma consolidada
e coordenada. A marca foi homologada pelos Ministros de nove países participantes e foi lançada em Maio de 2008, na antecâmara do
Campeonato Mundial da Federação Internacional de Futebol (FIFA), edição de 2010, organizado pela África do Sul, que foi classificado como
um evento que pertencia à África Austral na sua totalidade. A estratégia “Sem Fronteiras” visa aumentar o potencial turístico da África Austral,
posicionando as ATFC como destinos turísticos e de investimento preferenciais na Região, através da consolidação de produtos multinacionais
num produto turístico regional abrangente e comercializável.
Para pôr em prática o conceito “África Austral Sem Fronteiras”, foi instalada uma Unidade de Coordenação das ATFC no seio do Ministério Sul-
Africano para os Assuntos Ambientais (DEA), em 2007. A estratégia incluía uma abordagem em duas fases, a saber:
Fase I: A marca “África Austral Sem Fronteiras” deveria centrar-se em esforços de marketing sobre 7 ATFC, nomeadamente: /Ai /Ais-
Richtersveld, Kgalagadi, Kavango-Zambeze, Greater-Mapungubwe, Great Limpopo, Lubombo e Maloti-Drakensberg.
Fase II: Na reunião conjunta dos Ministros da SADC responsáveis pelo Ambiente e Recursos Naturais, pelas Pescas e Aquacultura, e pelo
Turismo, decorrida em 23 e 24 de Novembro de 2017, os Ministros aprovaram a implementação da Fase II da Estratégia de Desenvolvimento das
ATFC, que veria a iniciativa “África Austral Sem Fronteiras” cobrir as 18 ATFC existentes em toda a extensão da SADC. A Fase II também será
usada para garantir o desenvolvimento e a sustentabilidade de todas as ATFC em toda a Região, com base nas seguintes lições retiradas: i) a
13
necessidade de coordenar melhor os esforços de marketing das ATFC de destino e de usar uma marca comum; ii) a necessidade de estabelecer
um maior número de itinerários e rotas turísticos transfronteiriços através de um maior número de ATFC; e iii) a necessidade de apoiar o trabalho
no sentido da remoção dos obstáculos que impedem o desenvolvimento do turismo transfronteiriço nas ATFC.
Apesar dos limitados recursos humanos e financeiros à sua disposição, a iniciativa “África Austral Sem Fronteiras (BSA, na sigla em inglês)”
iniciou e apoiou, com êxito, diversas iniciativas de marketing turístico, em regime-piloto, incluindo viagens de jornalistas, a promoção do turismo
de observação de aves e o apoio, a organização e a realização de uma variedade de aventuras e de eventos desportivos ao ar livre, inclusive
ciclismo de montanha, caminhadas, corridas de aventura e eventos de golfe em várias ATFC. O Ministério Sul-Africano para os Assuntos
Ambientais acolheu nas suas instalações a iniciativa BSA desde o seu lançamento e há necessidade de encetar consultas e chegar a acordo
sobre as estruturas de acolhimento ao nível da SADC.
Por altura da elaboração do presente documento de Programa, a situação da iniciativa BSA não era clara. Durante a reunião ministerial conjunta,
realizada em Novembro de 2017, os Ministros:
i) Aprovaram a implementação da Fase II da Estratégia de Desenvolvimento das ATFC;
ii) Orientaram o Secretariado para explorar a viabilidade e as modalidades da proposta de incorporar a marca “África Austral Sem Fronteiras” na
Estratégia da RETOSA e a deslocalização do Secretariado da Iniciativa “África Austral Sem Fronteiras” para a RETOSA recém-transformada;
iii) Orientaram o Secretariado a mobilizar recursos para apoiar a implementação da Estratégia de Desenvolvimento das ATFC;
iv) Orientaram o Secretariado e a RETOSA no sentido de incorporarem a questão relativa ao marketing das ATFC, enquanto produtos turísticos
regionais, na Carta da RETOSA e no Memorando de Entendimento entre a RETOSA e o Secretariado da SADC.
No entanto, a decisão de incorporar a iniciativa BSA na RETOSA não é viável, em virtude da decisão do Conselho de Ministros da SADC de
dissolver a RETOSA com efeitos imediatos, conforme referido anteriormente.
Por outro lado, é necessária uma melhor coordenação para os produtos turísticos transfronteiriços funcionarem com eficácia. Por exemplo, é
necessária uma melhor comunicação e orientação sobre protocolos transfronteiriços entre ministros e ministérios, comissões mistas e o pessoal
do cluster da segurança no terreno (ou seja, os serviços de imigração, a polícia e as alfândegas).
As diversas políticas e programas acima referenciados têm as seguintes implicações, entre outras, para o Programa de Turismo da SADC.
Tabela 1: Resumo das políticas, planos e programas relacionados com o turismo regional e suas implicações para o Programa
de Turismo da SADC
Policy/plan/Programme Implications
1. Agenda da OMT para África • Existe potencial para uma maior sinergia e colaboração entre a Região e o exterior: A Agenda da
OMT para África ajusta-se bem ao Programa de Turismo da SADC e, onde seja possível, devem buscar-se
sinergias e colaboração com os Programas da Comissão da OMT para África.
2. Agenda 2063 da União Africana • Vários projectos emblemáticos irão apoiar o turismo na SADC: Uma implementação bem-sucedida de
projectos, como a criação de uma Zona de Comércio Livre Africana, de um Passaporte Africano e da livre
circulação de pessoas, assim como de uma Rede Única de Transportes Aéreos, resolverá os sérios desafios
relacionados com o crescimento do turismo na SADC.
3. Comité Técnico Especializado (CTE) • Explorar áreas de cooperação e parcerias: Este Comité Continental de Ministros Responsáveis pelo
sobre o Turismo da Comissão da Turismo ao nível da União Africana irá lançar iniciativas que poderão ter um impacto em todo o continente
União Africana (CUA) africano, incluindo a África Austral. Assim sendo, devem buscar-se sinergias entre o Programa e o CTE
sobre o Turismo.
17
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2019): Projecto de Relatório de Análise da Situação dos Produtos Turísticos Transfronteiriços das ATFC
da SADC - Por publicar
14
Policy/plan/Programme Implications
4. Outros sectores da SADC e políticas, • A colaboração intersectorial na SADC deve ser prosseguida: A decisão tomada pelo Conselho de
planos e tratados conexos Ministros de incluir os Ministros responsáveis pelo Turismo no Comité Misto de Ministros do ¬Ambiente e
Recursos Naturais e do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança estabelece uma
referência para a colaboração intersectorial na SADC. A SADC deve incentivar e facilitar essa interacção e
colaboração entre o turismo e outros sectores, para assegurar a implementação deste Programa.
• O sector do turismo da SADC deve garantir a inclusão dos requisitos do turismo noutras políticas e
protocolos da SADC, incluindo o RISDP, os Protocolos sobre Trocas Comerciais e sobre a Conservação da
Vida Selvagem, entre outros.
5. Protocolo da SADC sobre o Turismo • O Protocolo fornece um quadro funcional adequado para o Sector do Turismo da SADC: O Protocolo
(e Conforme Emendado em 2009) estabelece um quadro amplo e abrangente dentro do qual o marketing e desenvolvimento do turismo
podem ser levados a cabo.
• O modelo institucional de “agência” não foi bem-sucedido: Os esforços desenvolvidos no sentido de
estabelecer a RETOSA como uma agência executora público-privada e de lhe conferir maiores poderes
de execução, em 2009, não tiveram sucesso, apesar das tentativas de reestruturar e revitalizar a RETOSA.
É evidente que os Estados-Membros não viram benefícios adequados resultantes desta modalidade,
sendo que a maioria dos Estados-Membros não era capaz ou não estava preparada para honrar os seus
compromissos financeiros para com a RETOSA.
• Necessidade de emendar o Protocolo sobre o Turismo: O Protocolo contempla a RETOSA como agência
executora para o sector do turismo; e o Protocolo, conforme emendado (2009) extingue a Unidade de
Coordenação do Turismo (UCT) e atribui à RETOSA as funções de formulação de políticas, de marketing e de
desenvolvimento. Diante da decisão do Conselho de Ministros, tomada em 2018, de dissolver a RETOSA e de
restabelecer a UCT como veículo da SADC para o turismo, o Protocolo terá de ser alterado em conformidade.
6. Reestruturação do Sector do Turismo • O papel e âmbito do sector do turismo da SADC devem ser redefinidos: O papel, as funções e a
da SADC (de 2015 em Diante) capacidade do sector do turismo da SADC devem ser claramente definidos, havendo necessidade de
considerar opções institucionais alternativas.
• Um quadro de pessoal permanente para a Unidade de Coordenação do Turismo é essencial: É essencial
que a Unidade de Coordenação do Turismo esteja dotada de funcionários efectivos para a execução do
Programa. A actual abordagem (ainda não operacional), que consiste em os Estados-Membros destacarem
funcionários junto dessa Unidade, não é uma solução ideal, pois trata-se de um arranjo temporário que
irá reduzir a prestação regular do Programa de Turismo e constitui um desvio em relação a práticas de
recrutamento sadias para garantir que os melhores candidatos são recrutados para os postos existentes.
7. Dissolução da RETOSA • Necessidade de dissolver a RETOSA de forma expedita: Perante a decisão do Conselho de Ministros
de dissolver a RETOSA, o processo deverá ser concluído o mais rapidamente possível para evitar que a
situação de incerteza e de impasse persista na implementação do Programa.
• A SADC deverá considerar opções para substituir as atribuições e funções essenciais da RETOSA
e dar seguimento ao trabalho por esta realizado18: A RETOSA funcionou como agência de consultoria
sobre políticas, pesquisas e marketing em matéria de turismo regional por 20 anos até que, em 2018, foi
tomada a decisão de a extinguir. Durante o seu mandato, a Organização preparou uma série de directrizes
e de programas de desenvolvimento e marketing do turismo, devendo a UCT continuar a aplicar e a
melhorar tais instrumentos.
8. Iniciativa sobre as Áreas • O Programa de Turismo da SADC deve ter um foco especial sobre as ATFC: A iniciativa sobre as
Transfronteiriças de Conservação ATFC apresenta um caso concreto e altamente relevante para o desenvolvimento turístico através da
(ATFC) colaboração e da criação de sinergias na gestão de destinos regionais. O Programa de Turismo da SADC
deve apoiar a iniciativa sobre as ATFC em todos os aspectos possíveis.
9. Plano Director Regional da SADC • O Programa de Turismo da SADC deve inspirar-se no Plano Director das ATFC, sempre que
para o Desenvolvimento de Infra- possível: O Plano Director contém uma importante, mas selectiva, carteira de propostas de investimento
estruturas, Plano do Sector do em projectos infra-estruturais e técnicos para desencadear o potencial de várias ATFC. Embora ainda
Turismo (ATFC) (2012) não tenha sido comprovada a viabilidade de um programa de infra-estruturas financiado regionalmente,
o Programa de Turismo da SADC deve procurar adoptar propostas do Plano Director, sempre que as
mesmas sejam exequíveis e pertinentes.
10. Programa sobre as ATFC da SADC, • O Programa de Turismo da SADC deve estabelecer uma parceria funcional com o Programa sobre
de 2013 as ATFC: O Programa sobre as ATFC (especialmente as componentes 5 e 7) tem grande relevância para
o Programa de Turismo, devendo ser empreendidos todos os esforços para estabelecer uma parceria
funcional entre o Programa de Turismo da SADC e o Programa sobre as ATFC, para maximizar recursos e
evitar sobreposições e a duplicação de esforços.
11. Iniciativa “África Austral Sem • Os projectos e as iniciativas de implementação prática materializados pela BSA, desde o seu
Fronteiras” (Boundless Southern lançamento, devem ser mantidos e expandidos: Dada a experiência adquirida na implementação destas
Africa) (2008 - até à data presente) iniciativas transfronteiriças práticas em associação com os Comités de Gestores de Parques e várias
agências baseadas nos Estados-Membros, a BSA poderia desempenhar um papel importante como uma
marca de promoção de investimentos e de marketing para as ATFC da SADC.
• Deve ser providenciado um “lar” credível e sustentável à iniciativa “BSA”: A BSA tem vindo a funcionar
como uma pequena unidade no seio do Ministério Sul-Africano para os Assuntos Ambientais. A BSA não
tem personalidade jurídica e funciona sob a alçada administrativa do Governo Sul-Africano. Embora este
figurino tenha servido um bom propósito, não é adequado, se se quiser ver a BSA desempenhar um papel
alargado dentro da SADC, como veículo de promoção e marketing da marca regional, em representação de
toda a Região e de todos os Estados-Membros.
18
Deve ser compilado um inventário do trabalho realizado pela RETOSA ao longo dos anos
15
3 Situação Actual
do Turismo Indústria
do Turismo
3.1 IMPORTÂNCIA DO SECTOR DO e
Economia
TURISMO NA SADC Tourism do Turismo
Industry - Transportes,
O turismo é um dos pilares da economia regional, a par da agricultura, da Alojamento, Operadores
Turísticos, Serviços de Tourism
exploração mineira e dos serviços. A SADC reconhece o seguinte: Catering, Vendas a Retalho, Economy
• O investimento no turismo poderia trazer benefícios económicos e Entretenimento, Locais para
Reuniões, Actividades, Outros
sociais substanciais a nível local. Serviços Relacionados com Viagens
• As despesas turísticas abrangem as economias locais e regional e
beneficiam não só os provedores de serviços turísticos directos, mas
Fornecimento de Bebidas/Alimentos:
também de muitos outros serviços afins, fornecedores e os cidadãos Serviços de Lavandaria; Abastecimento de
em geral. Combustível/Gás; Serviços Financeiros; Serviços
de Saneamento; Fornecedores de Mobiliário e
• A crescente indústria do turismo oferece oportunidades de negócios Equipamentos; Serviços de Segurança; Serviços de
para grandes empresas, bem como para micro, pequenas e médias Fabrico e Aluguer de Viaturas; Administração de Transportes;
Publicidade e Promoção; Construção de Navios; Serviços
empresas (MPME), tais como guias turísticos, donos de restaurantes, Médicos; Desenvolvimento de Resorts; Artigos de Vidro; Ferro/
fornecedores de alojamento, prestadores de serviços e muitos mais. Aço; Computadores; Serviços de Utilidade Pública; Betão Armado;
Exploração Mineira; Plásticos; Produtos Químicos; Têxteis; Produtos de
• O turismo é uma actividade de mão-de-obra intensiva e cria emprego Couro; Produtos de Metal e de Madeira e Fabricantes; etc., etc.
em todos os níveis de competências, desde trabalho não qualificado
até funções ao nível de postos de gestão.
• As viagens de negócios e de turismo de lazer entre os Estados-Membros da
SADC irão maximizar os recursos turísticos colectivos da Região.
De acordo com a Tabela 3 abaixo, o turismo acrescenta grande valor às economias regional e global e é uma indústria de mão-de-obra
intensiva. O sector contribui directamente com cerca de 2,8% do PIB total da SADC e quando os impactos económicos indirectos e induzidos
são adicionados, a sua contribuição é superior a 8% do PIB da SADC. O sector sustenta directamente cerca de 2,5 milhões de empregos na
Região; e, no total, mais de 6,3 milhões de empregos (directos, indirectos e induzidos) dependem do turismo. O turismo é provavelmente o
sector económico com o melhor potencial de crescimento e emprego na Região.
Tabela 2: Impacto económico do turismo no Mundo e na zona da SADC (2017)19
Mundo SADC
PIB • Directo: 2,5 triliões USD; 3,2% do PIB global • Directo: 19,4 biliões USD; 2,8% do PIB regional
• Total20: 7,6 triliões USD; 10,2% do PIB global total • Total: 56,3 biliões USD; 8,2% do PIB regional total
Employment • Directo: 118 milhões de postos de trabalho; 3,8% do • Directo: 2,5 milhões de postos de trabalho; 2,4% do
total de empregos globais total de empregos regionais
• Total: 313 milhões de postos de trabalho; 9,9% de todos os • Total: 6,3 milhões de postos de trabalho; 6,1% de
empregos globais, o equivalente a 1 em cada 10 empregos todos os empregos regionais
Exportações • 1,5 triliões USD; 6,5% do total das exportações globais • 18,3 biliões USD; 9,1% do total das exportações
dos visitantes21 regionais
Source: WTTC, 2018
O turismo para África cresceu, em 2017, para níveis mais elevados do que a média global, tendo as visitas de turistas crescido quase 9%, para
63 milhões, e as receitas turísticas crescido quase 8%, para 37 biliões USD. O bom crescimento estendeu-se até aos primeiros seis meses de
2018, tendo a OMT previsto um aumento das visitas de turistas internacionais de cerca de 4,9% para o ano de 2018 (por confirmar).
O ambiente do turismo internacional está em rápida mutação e para competir com as principais regiões turísticas do mundo, os Estados-
Membros da SADC devem aproveitar e responder às tendências de viagem que estão a moldar o turismo a nível mundial. Felizmente, esta
magnífica Região dispõe de uma rica diversidade de activos e recursos naturais e culturais que se coadunam com as tendências salientadas
abaixo. A Região é capaz de oferecer experiências de viagem sustentáveis, autênticas e variadas, devendo os gestores de destinos desenvolver
19
Conselho Mundial de Viagens e Turismo, (2018): Impacto Económico das Viagens e do Turismo na SADC, em 2018
20
Os Impactos das Viagens e do Turismo sobre o PIB “total” e o Emprego incluem os impactos directos, indirectos e induzidos.
21
Refere-se a despesas efectuadas por visitantes internacionais.
16
e gerir tais experiências, de acordo com a procura do mercado.
Figura. 2: Visitas de Turistas Internacionais,
Fig. 2 Alteração Percentual em 2016/17 e 2017/18
10
Apresentam-se a seguir algumas das principais tendências, como destaca a OMT
9
([Link]), a Skift ([Link]), a Intrepid Travel ([Link])
8
8
7 7 7 e outras renomadas agências de consultoria em matéria de tendências turísticas.
6 6
6
5 5
4
4
3 3
0
Mundo Europa Ásia- Américas África Médio
Pacífico Oriente
O tempo como moeda de curso A facilidade e uniformidade dos processos de imigração e de concessão
O tempo de lazer é um bem cada vez mais precioso, com viajantes “ricos de vistos (como, por exemplo, o Visto Schengen da UE), o acesso aéreo,
em dinheiro e pobres em tempo” a exigirem transparência e facilidade os transportes públicos para turistas, os sistemas de tráfego, os parques
no planeamento de viagens e na reserva de transportes, a remoção de de estacionamento, a circulação de peões e o acesso às TIC devem ser
restrições fronteiriças, etc. continuamente melhorados.
Regras para utilização de tecnologias móveis durante viagens A mobilidade dos visitantes deve ser continuamente melhorada, devendo
O viajante conectado influencia percepções. Os visitantes usam telefones os visitantes ser capazes de aceder à internet para explorar mais e partilhar
celulares em todas as etapas da viagem. Os viajantes conectados as suas experiências vivenciadas na África Austral. O Programa de Turismo
poderão ser os nossos melhores ou piores agentes de marketing e um da SADC deve possibilitar uma conectividade à internet fácil e a preços
produto ou experiência atraente promoverá ou despromoverá a sua comportáveis, pelo menos nos principais locais turísticos da Região.
própria marca.
O bichinho das viagens dos millennials Devem ser oferecidas promoções especiais para intrépidos exploradores
As viagens dos millennials está a crescer em todo o mundo, mas de uma mais jovens que estejam interessados em envolver-se de forma prática
forma especialmente rápida nos mercados asiáticos emergentes. Os com o ambiente natural e com as tradições culturais e em participar em
millennials vivem e partilham o agora e procuram gratificação instantânea. actividades de aventura. Devem ser reforçadas as indústrias criativas e a
segurança em zonas de diversão nocturna.
Valorização da personalização e da autenticidade A sociedade multicultural da África Austral oferece uma grande
As viagens tornaram-se num produto de base - as pessoas têm estado oportunidade para experiências de viagem interactivas e personalizadas. O
em todos os lugares e a “especialidade” é um conceito relativo. Espera- turismo cultural e interacções seguras com as diversas culturas da Região
se e valoriza-se cada vez mais uma atenção especial, experiências devem ser incentivados.
autênticas e uma oferta de serviços personalizados.
Mercados cada vez mais segmentados As autoridades de turismo dos Estados-Membros devem conhecer bem
À medida que as pessoas se tornam mais viajadas, aumenta a busca de as necessidades dos segmentos de mercado, actuais e emergentes,
experiências que se adeqúem aos seus gostos e interesses específicos - comunicando-as à indústria e incorporando-as nas políticas nacionais e
as experiências precisam de ser afinadas em função das necessidades de regionais de desenvolvimento.
cada segmento.
Alterações ocorridas em mercados geográficos As autoridades de marketing turístico dos Estados-Membros devem
Os mercados da Ásia e China estão a amadurecer cada vez mais e a fortalecer e melhorar ainda mais as suas relações de marketing e parcerias
tornar-se sofisticados em termos de necessidades de viagem; a Rússia nesses mercados em crescimento. A SADC deve fornecer conhecimentos
tem crescido bem nos últimos anos. sobre pesquisas e os mercados, visando equipar os Estados-Membros para
que aproveitem as mudanças ocorridas nos mercados.
17
3.3 DESEMPENHO RECENTE
A secção a seguir apresenta uma visão rápida da escala e do desempenho do turismo na SADC e nos seus países membros.22+23
3.3.1 QUOTAS E CRESCIMENTO DO MERCADO DO Fig. 3: Share of SADC Tourism Arrivals and Receipts, 2016
Figura. 3: Proporção de Visitas e Receitas do Turismo na
TURISMO SADC, em 2016
Quotas de mercado dos Estados-Membros: A Figura 3 infra 50
Quota percentual
lança um olhar sobre as quotas dos vários Estados-Membros da SADC 40
no mercado do turismo, tanto em termos de visitas de turistas como de 30
receitas turísticas. A referida Figura assinala que os sete principais países 20
de destino turístico (África do Sul, Zimbabwe, Botswana, Moçambique,
10
Namíbia, Maurícias e Tanzânia) recebem mais de 78% de todas as visitas
0
de turistas internacionais à SADC e quase 85% das receitas do turismo.
RSA
Zimbábue
Botsuana
Moçambique
Namíbia
Maurícias
Tanzânia
Lesoto
Zâmbia
Eswatini
Malawi
Angola
Seychelles
Madagáscar
Comores
República
Democrática
do Congo
Três países, nomeadamente, a África do Sul, as Maurícias e a Tanzânia,
recebem 70% de todas as despesas turísticas, ao passo que recebem
Partilha de chegadas Compartilhar recibos
apenas 50% das visitas. As Ilhas do Oceano Índico recebem apenas
cerca de 8% das visitas à Região, enquanto a sua quota percentual de
receitas é mais que o dobro.
Fig. 4
Figura. 4: Taxa Média de Crescimento Anual de Visitas de
Esta análise mostra claramente que existem grandes desigualdades Turistas, 2005-2016
no sector turístico da SADC, nomeadamente em matéria de benefícios
económicos derivados do turismo. A maioria dos Estados-Membros Crescimento Percentual
15
situados na África continental sofre de pequenas quotas de mercado e
de baixos rendimentos económicos no sector do turismo. 10
Moçambique
Seychelle
Tanzânia
Malawi
Angola
Namíbia
Maurícias
Zâmbia
Zimbábue
RSA
Eswatini
Botsuana
Madagáscar
Comores
Lesoto
de 4,7% ao ano. Nos países onde as visitas de turistas cresceram a partir
de uma base baixa, por exemplo, RDC, Moçambique e Angola, atingiu-
se um crescimento particularmente elevado de visitas ao longo desse
período. As visitas efectuadas a destinos mais maduros, como a África Fig. 5
do Sul e o Botswana, cresceram para níveis modestos, situados entre
Figura. 5: Receitas do Turismo per Capita da População
1% e 3% ao ano ao longo do período em referência.
(Ex Seychelles / Maurícias)
Receitas por cidadão: Os países da SADC recebem, em média, 51 500
450
USD em despesas de turistas internacionais per capita da população 400
350
ao ano, quase o dobro da média das receitas do turismo per capita de
300
África (27 USD).
USD
250
200
150
As receitas do turismo per capita da população variam de forma 100
50
bastante acentuada entre os Estados-Membros. As receitas per capita 0
são particularmente elevadas em Estados insulares com as Seychelles
África
SADC
Botsuana
Namíbia
Zimbábue
Comores
Tanzânia
Zâmbia
Madagáscar
Angola
Lesoto
Eswatini
Moçambique
Malawi
RSA
22
OMT, (2018): Barómetro Mundial do Turismo, Vol. 4: Outubro de 2018
23
Embora o Barómetro da Organização Mundial do Turismo (OMT) consolide as estatísticas compiladas pelos países membros, a validade e fiabilidade das
estatísticas nacionais relativas às visitas e despesas turísticas podem não ser exactas, dada a falta de boas práticas em termos de instrumentos de recolha
e avaliação de dados estatísticos em alguns Estados-Membros
18
Fig. 6
Receitas por visita: As políticas dos Estados-Membros sobre Figura. 6: Média de Receitas do Turismo por Visita, 2016
o tipo de turismo que desejam atrair e o seu estágio no ciclo de
vida do turismo diferem substancialmente. As receitas médias por 2500
USD
receitas por visita são maiores nas Ilhas do Oceano Índico (turismo
1000
em resorts de alto valor), Angola (turismo de negócios de alto valor)
e Tanzânia (turismo de safaris de alto valor) 500
0 Env
Em síntese, o âmbito, a escala e os níveis de desenvolvimento
Mundo
África
SADC
Madagáscar
Tanzânia
Angola
Comores
Seychelle
Maurícias
Zâmbia
Botsuana
Zimbábue
Namíbia
Moçambique
Malawi
Lesoto
Eswatini
República
Democrática
do Congo
RSA
Valor
do turismo diferem substancialmente entre os Estados-Membros Natureza
da SADC e, como tal, os Estados-Membros têm diversas e
variadas necessidades e prioridades no que se refere ao apoio e Extensão e qualidade da
à facilitação do turismo.
Tabela 4: Classificações dos países membros no Índice de Competitividade do Turismo do Fórum Económico Mundial (FEM) (2017)*
Infra-estruturas de Transportes
Estado de Prontidão das TIC
Definição de Prioridades do
Infra-estruturas de Serviços
Infra-estruturas Terrestres e
Sustentabilidade Ambiental
Competitividade de Preços
Ranking Global (dos 136)
Protecção e Segurança
Abertura Internacional
Clima de Negócios
Recursos Naturais
Países
Saúde e Higiene
de Trabalho
Portuárias
Turísticos
Negócios
Aéreos
África do Sul 53 5.3 3.9 3.8 4.6 4.4 4.7 2.4 5.2 3.6 3.4 3.4 4.4 4.4 3.4
Maurícias 55 5.2 5.9 5.3 4.8 4.5 6.0 3.5 4.1 4.3 3.0 4.5 4.9 2.4 1.3
Namíbia 82 4.9 5.2 3.5 4.1 3.9 4.6 2.7 5.4 3.9 3.0 3.2 4.0 3.8 1.2
Botswana 85 5.1 5.3 3.5 4.5 4.1 4.6 2.2 5.7 4.5 2.2 2.8 3.6 3.5 1.3
Tanzânia 91 4.1 5.1 2.9 3.6 2.7 4.8 3.2 5.4 4.2 2.0 2.6 2.9 4.9 1.5
Zâmbia 108 4.6 5.4 2.7 4.1 2.8 3.9 2.9 4.8 4.6 1.9 2.3 2.6 3.7 1.3
Zimbabwe 114 3.0 5.5 2.9 3.6 2.9 3.9 2.9 5.1 4.1 1.9 2.4 2.8 3.6 1.5
Madagáscar 121 3.6 5.0 3.3 3.8 2.1 4.4 3.0 5.0 3.6 1.8 2.0 2.7 3.1 1.4
Moçambique 122 4.2 4.6 1.8 3.6 2.6 4.0 3.1 4.6 4.2 1.8 2.1 2.8 2.9 1.3
Malawi 123 4.2 5.4 3.0 4.2 2.5 3.4 2.8 4.6 4.2 1.4 2.1 2.2 2.9 1.3
Lesoto 128 4.2 5.4 2.9 3.6 3.2 4.7 1.7 5.0 4.7 1.3 1.9 2.5 2.1 1.0
RDC 133 4.1 4.0 2.8 3.9 1.6 1.9 1.5 3.8 4.0 1.6 1.8 1.9 4.1 1.4
* Pontuações médias, sendo que: 1 = Desempenho Extremamente Deficiente e 7 = Desempenho Muito Bom.
* As cores variam entre Verde = Bom desempenho em relação aos concorrentes; e Vermelho = Desempenho deficiente em
relação aos concorrentes.
24
Fórum Económico Mundial, (2017): Relatório sobre a Competitividade das Viagens e do Turismo, de 2017
25
O Índice compreende quatro (4) subíndices, 14 pilares e 90 indicadores individuais, distribuídos entre os diferentes pilares, tal como se demonstra na figura abaixo.
26
Angola, Eswatini, Seychelles e Comores não são abrangidos pelo Índice
19
• Como se pode observar nos rankings globais gerais dos Estados-Membros:
- 7 dos 12 Estados avaliados estão posicionados no primeiro quartil (rankings de 103 dos 136 e em posições inferiores) em relação
à competitividade do turismo. Trata-se da Zâmbia, Zimbabwe, Madagáscar, Moçambique, Malawi, Lesoto e da República
Democrática do Congo.
- Outros três (3) dos 12 Estados estão classificados no segundo quartil (rankings situados entre 69 e 102 dos 136). Trata-se da
Namíbia, Botswana e da Tanzânia.
- Apenas dois países (África do Sul e Maurícias) estão classificados no terceiro quartil (rankings situados entre 33 e 68 dos 136) e
nenhum país ocupa uma posição dentro do quarto quartil (os 32 países no topo da classificação).
• No geral, os países da SADC têm um bom desempenho no que respeita ao subíndice “Ambiente Propiciador do Turismo”. Importa
ressaltar que a maioria dos países tem um desempenho excepcionalmente bom em relação ao pilar da “protecção e segurança”,
contrariamente à cobertura noticiosa e às percepções geralmente negativas.
• Em relação ao subíndice “Política de Viagens e Turismo e Condições Propiciadoras”, os Estados-Membros saem-se bem, regra geral,
no que respeita à “Definição de Prioridades do Sector das Viagens e do Turismo”, à “Competitividade de Preços” e à “Sustentabilidade
Ambiental”. A maioria dos destinos não satisfaz as expectativas no que concerne ao “Estado de Prontidão das TIC” e à “Abertura
Internacional”, especialmente aos regimes de concessão de vistos e de imigração.
• No geral, os Estados-Membros da SADC saem-se mal no subíndice “Infra-estruturas” e especialmente nos pilares dos transportes
aéreos e terrestres.
• Como seria de esperar, os Estados-Membros da SADC, em geral, saem-se bem em termos de recursos naturais; contudo, saem-se
relativamente mal no pilar “Recursos Culturais e Viagens de Negócios”. A explicação tem a ver com o facto de, para além de sítios
e expressões culturais, este pilar incluir indicadores como o número de campos desportivos e o número de reuniões, incentivos,
conferências e eventos/exposições (MICE).
Em suma, o Índice de Competitividade do Turismo do FEM indica que os principais desafios a superar a nível regional incluem:
• A criação de uma marca e a gestão da imagem;
• O acesso à Internet e às TIC;
• O acesso e abertura internacionais, incluindo políticas de acesso aéreo e regimes de concessão de vistos;
• Infra-estruturas de acesso aéreo e terrestre;
• Conservação de recursos naturais, tais como PSU, e a melhoria de experiências culturais.
3.4
ANÁLISE COMPARATIVA DAS LIÇÕES COLHIDAS JUNTO DE OUTRAS
INICIATIVAS REGIONAIS DE TURISMO
O Apêndice C apresenta uma comparação das estruturas de turismo de organizações multilaterais ligadas ao turismo, incluindo a Associação
de Turismo da Ásia-Pacífico (PATA), a Organização de Turismo das Caraíbas (OTC), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental
(CEDEAO), a Associação dos Países da Orla do Oceano Índico (IORA) e a Comissão Europeia do Turismo (CET).
Os factores considerados na comparação incluem a) o objectivo/prioridade principal, b) a estrutura de governação, c) a estrutura de secretariado,
d) os critérios, níveis e estrutura de adesão, e) as modalidades de financiamento e f) as actividades-chave.
20
• Produzem benefícios tangíveis: Os membros dessas organizações regionais devem receber benefícios significativos da sua
filiação, que vão ao encontro das suas necessidades.
• Estão estrategicamente focalizadas: Elas operam de acordo com uma visão, prioridades e actividades claras.
• São operacionalmente “enxutas”: Elas combatem a burocracia, bem como estruturas de governação e de secretariado
exacerbadas, de molde a reduzir os custos de funcionamento e serem capazes de agir com celeridade. Isso passa por secretariados
pequenos, mas eficazes, que implementem planos focados.
• Assentam em consensos: O seu foco incide sobre a construção de consensos entre as diversas partes e membros.
• São financiadas de forma adequada e consistente: Os mecanismos de financiamento são fiáveis, equitativos e provenientes de
várias fontes sustentáveis, não apenas das quotizações dos membros.
21
3.5.2 VIEWS REGARDING CRITICAL INTERVENTION AREAS FOR SADC
Figure 8 below presents the number of respondents that rated various potential SADC tourism interventions as “critically important” when asked
to “Rate the importance of including the following potential activities in the SADC Secretariat tourism plan of action over the next 5 years (please
evaluate critically for prioritising activities)”.
Figura. 8: Número de Inquiridos que Classificaram a Resolução desses Aspectos como sendo
“Extremamente Importante” para a SADC (n=90)
Orientar, coordenar e facilitar práticas de imigração e de concessão de vistos
favoráveis ao turismo
Facilitar e coordenar a colaboração entre o turismo e outros sectores conexos
(por exemplo: imigração, segurança, ambiente)
0 10 20 30 40 50 60 70 80
Mais de metade dos inquiridos também fizeram sugestões específicas sobre as melhorias a introduzir no sector do
turismo e estas abrangeram os seguintes tópicos (ver o Apêndice D, para mais detalhes):
• Melhorar as condições de imigração e de concessão de vistos, incluindo a implementação de um Univisa e a melhoria dos serviços
aduaneiros e de imigração nos postos fronteiriços, para turistas.
• Garantir a protecção dos visitantes, incluindo o combate regional à criminalidade, à corrupção e ao assédio nas estradas, de que os
turistas são alvos por parte de agentes de trânsito.
• Elaborar um guia turístico e para veículos que permita um acesso transfronteiriço mais suave e mais livre.
• Padronizar e liberalizar os requisitos para prestação de serviços de guia turístico em toda a Região.
• Melhorar o ambiente de negócios e reduzir o custo de fazer negócios.
• Melhorar as infra-estruturas, especialmente o estado das vias rodoviárias.
• Reforçar a conservação e protecção da vida selvagem.
• Incrementar o marketing e a promoção para melhorar as percepções sobre a marca regional.
• Melhorar a consciencialização dos jovens, das comunidades e dos líderes governamentais sobre o turismo.
• Liberalizar o acesso aéreo e melhorar os serviços de charter.
• Melhorar a formação de competências e o empoderamento das populações locais.
• Melhorar a colaboração institucional, em especial a colaboração entre organismos de turismo e companhias aéreas.
22
3.6
RESUMO DAS PRINCIPAIS OPORTUNIDADES DE CRESCIMENTO E DOS
DESAFIOS DO SECTOR DO TURISMO
Com base nas conclusões, apresentam-se a seguir os principais pontos fortes / oportunidades e pontos fracos / ameaças que poderiam afectar
o crescimento do turismo na África Austral durante o período de vigência do Programa de Turismo.
CONDIÇÕES DE PROCURA
• A SADC pode desempenhar um papel importante na gestão da • Os países competem individualmente pela quota de mercado - como tal,
reputação regional é difícil promover a Região como um todo
• A SADC pode servir de fórum de redes para destinos individuais • A situação desigual do turismo nos Estados-Membros - incluindo
colaborarem em promoções de destinos múltiplos e aprenderem as políticas, financiamento, abertura à imigração, etc.
melhores práticas de marketing uns com os outros • Maior risco de se criarem percepções desfavoráveis sobre a saúde /
• As novas tecnologias oferecem grandes oportunidades para o marketing segurança relacionadas com um ou alguns países em toda a Região, ao
electrónico colectivo da Região promover uma área tão ampla
• A abordagem de marketing segmentado e focalizado pode assegurar a • O financiamento para a gestão da reputação regional e marketing é
complementaridade dos destinos individuais para servir segmentos de limitado
mercado específicos • Acesso rodoviário deficiente a várias atracções, especialmente além-
• As infra-estruturas aeroportuárias estão a melhorar em toda a Região, fronteiras
abrindo oportunidades para um acesso aéreo melhorado • Uma fraca rede regional de ligações aéreas e elevados custos, também
• Estão a surgir novos pólos turísticos como, por exemplo, Victoria Falls em termos de voos domésticos
/ Livingstone, onde está a aterrar um maior número de aeronaves de • Uma colaboração limitada entre companhias aéreas e organizações
maior porte nacionais de marketing
• Foi elaborado o plano de desenvolvimento de infra-estruturas turísticas • Infra-estruturas aeroportuárias subutilizadas em vários destinos
das ATFC da SADC
23
PONTOS FORTES E OPORTUNIDADES PONTOS FRACOS E AMEAÇAS
CONDIÇÕES DE PROCURA
• Oportunidades para aproveitar novas tecnologias e o processamento • Falta de consistência entre os regimes de vistos e os custos - os
digital, a fim de facilitar a circulação transfronteiriça Estados-Membros possuem as suas próprias políticas
• Possibilidades de postos fronteiriços de paragem única no mesmo local • Procedimentos de pedidos de visto demorados em relação a muitos
como, por exemplo, na ATFC de Kgalagadi países
• Possibilidades de um Univisa ou de vistos conjuntos para destinos / • Falta de colaboração e entendimento entre as autoridades de turismo e
países múltiplos como, por exemplo, um visto KAZA de imigração
• Oportunidade de expandir a livre circulação transfronteiriça nas ATFC • Processos de imigração transfronteiriços demorados,
• A SADC pode desempenhar um papel fundamental na harmonização congestionamento, deficientes instalações para visitantes e
dos regimes de vistos em toda a Região e colaborar com os serviços procedimentos e formulários de entrada inconsistentes em vários postos
de segurança para garantir a existência de sistemas de vistos sem fronteiriços
descontinuidades e de vistos electrónicos • A variedade de impostos para se circular na Região - comunicação
• Possibilidade de eliminar completamente os vistos para mercados deficiente e inconsistente - leva a que o visitante se sinta confuso e
regionais situados na SADC relutante em efectuar a visita
• A SADC como um fórum para aprender com outras regiões / áreas sobre • Serviço de má qualidade, corrupção e suborno por parte de alguns
a forma como estas implementam os sistemas de vistos colectivos e funcionários da imigração
partilham as receitas daí provenientes
24
PONTOS FORTES E OPORTUNIDADES PONTOS FRACOS E AMEAÇAS
ORGANIZAÇÃO E COLABORAÇÃO DO SECTOR
• O potencial para os Estados-Membros juntarem recursos em iniciativas • Não é atribuída ao turismo a prioridade que merece na SADC e nos
de marketing bilaterais e multilaterais Estados-Membros, apesar da declaração de intenções
• Oportunidades para a partilha de conhecimentos e mentoria sobre o • O financiamento público para o marketing do turismo é limitado
marketing da região de destino • A promoção de uma marca de turismo regional geral tem-se revelado
• A SADC pode desempenhar um papel na promoção do turismo e das difícil devido à concorrência entre os vários Estados-Membros
viagens intra-regionais entre os cidadãos da SADC • Falta de envolvimento do sector privado na formulação de políticas e de
• Oportunidade para abordagens e mecanismos inovadores para anteriores esforços demarketing
assegurar o envolvimento do sector privado na execução do programa • Fracos incentivos sectoriais e falta de fóruns eficazes para incentivar
da SADC como, por exemplo, o fórum empresarial público-privado do parcerias público-privadas
turismo pré-Indaba
• O turismo deve ser colocado no topo da agenda da SADC, com • Insuficientes benefícios comunitários resultantes de projectos de
instruções no sentido de os demais sectores atribuir-lhe prioridade investimento privado
• A acomodação do turismo no Comité Misto de Segurança e Vida • Ausência de sinergias entre o turismo e outros sectores influentes, por
Selvagem dá um exemplo de colaboração com outros clusters para exemplo, imigração, alfândegas, segurança, saúde, conservação da
o turismo se afirmar como protagonista nas políticas e iniciativas de natureza e da cultura, etc.
sectores conexos • Os departamentos da SADC e dos Estados-Membros relacionados com
• Possibilidades de tirar partido, a nível regional, das estatísticas de o turismo trabalham em “silos” - falta de um planeamento integrado com
desempenho actualmente disponíveis como, por exemplo, de motores o turismo como uma área de intervenção
de reserva, de companhias aéreas parceiras, de ingressos em atracções • A falta de estatísticas fiáveis e actualizadas sobre o turismo representa
públicas, etc. um desafio para a maioria dos Estados-Membros
• O turismo deve ser incluído nas estratégias nacionais e regionais para a • Coordenação institucional geralmente fraca entre os diversos actores
preparação de estatísticas envolvidos na recolha de estatísticas do turismo
• A SADC poderia desenvolver directrizes e realizar workshops de • Geralmente, o sector privado não coopera no fornecimento de
formação regionais em matéria de recolha de estatísticas e gestão de estatísticas válidas e fiáveis sobre o desempenho
dados • Falta de capacidade técnica e de sistemas e modelos harmonizados
para a recolha e transmissão de dados sobre o turismo
• Recursos limitados e apoio externo para o desenvolvimento e gestão de
pesquisas e estatísticas do turismo
25
4 Direcção Estratégica do Programa
A secção a seguir apresenta a visão, a missão, as principais áreas de intervenção e as funções do sector do turismo para o Programa de
Turismo da SADC.
4.1 VISÃO
Até 2030, o crescimento do número de viagens transfronteiriças e para múltiplos destinos na SADC irá exceder os níveis médios de crescimento
do turismo mundial.
4.2 MISSÃO
Advogar, facilitar e coordenar com eficácia as políticas, programas e práticas de turismo na Região, em colaboração com os Estados-Membros.
4.3 OBJECTIVOS
O Programa de Turismo da SADC visa alcançar os seguintes objectivos:
• Exceder os níveis médios de crescimento global das receitas do turismo e de visitas de turistas à Região e dentro desta, conforme
medidos pelo Barómetro de Turismo da OMT.
• Ampliar a abrangência das visitas de turistas e das receitas do turismo entre os Estados-Membros da SADC, ou seja, aumentar o número
de países visitados em média.
• Estender o período médio de permanência dos visitantes na Região da SADC.
• Aumentar o número de visitas de retorno à Região.
• Harmonizar as políticas voltadas para o desenvolvimento e crescimento do turismo na SADC.
26
4.5 FUNÇÕES DA UCT DA SADC
Perante os limitados recursos da UCT da SADC e o fato de que o turismo é um sector altamente integrado, a UCT da SADC adoptará uma
abordagem de três níveis na implementação do Programa de Turismo da SADC, dependendo das questões que estão sobre a mesa, a saber:
A UCT da SADC deve agir como porta-voz para a promoção de políticas e programas que fomentem e apoiem o crescimento do
turismo sustentável, sobre os quais a UCT tenha pouco ou nenhum controlo directo ou influência, ou que não sejam considerados
prioritários para a aplicação de substanciais recursos da UCT.
Facilitação: “Ajudar pessoas a lidar com um processo ou a chegar a acordo ou a encontrar uma solução sem se envolver pessoal e
directamente no processo”
A UCT da SADC deve actuar como coordenador e mediador para promover políticas e programas que fomentem ou apoiem o
crescimento do turismo sustentável, sobre os quais a UCT tenha pouco ou nenhum controlo directo, mas esteja em condições de
orientar, aconselhar, coordenar e/ou envolver parceiros de execução, aplicando os seus recursos para alavancar um valor substancial.
Implementação, coordenação e monitorização: “Colocar um plano ou sistema em funcionamento”
Em associação com as autoridades de turismo dos Estados-Membros, a UCT da SADC deve assumir a responsabilidade pela
implementação de políticas e programas que fomentem ou apoiem o crescimento do turismo sustentável, sobre os quais a UCT tenha
um mandato ou controlo directo e aos quais aplicará os seus recursos humanos e financeiros internos.
3 5. Maximizar as parcerias
e a colaboração no sector
2
Desenvolver o Turismo nas Áreas do turismo Melhorar e defender a reputação do
Transfronteiriças de Conservação turismo e a imagem da Região
- UCT reforçada
- Marketing voltado para o comércio e - Políticas harmonizadas - Gestão da marca e reputação
para os consumidores - Estratégia coordenada - Turismo sustentável / responsável
- Investimento no Turismo - Sinergia interdepartamental - Comunicação de crises
- Prioridades de ordenamento do território - Parceria público-privada - Informação e comunicação sobre os
- Novos produtos e destinos turísticos - Financiamento sustentável visitantes
- Promoção do turismo comunitário - Monitorização e Investigação
- Execução ao nível dos
Estados-Membros
4
Melhorar a qualidade das experiências e os níveis
de satisfação dos visitantes
- Protecção e segurança - Padrões de serviço e
- Saúde e emergência competências
- Beneficiação e manutenção de - Conectividade de Internet
instalações - Seguros para visitantes
27
As definições abaixo, de acordo com o Cambridge Dictionary [Dicionário de Cambridge]: [Link]
27
5 Objectivos e Actividades do Programa
As cinco metas estratégicas serão alcançadas através das estratégias e acções descritas abaixo.
As actividades estratégicas e programáticas para cada um dos programas são descritas abaixo.
28
Estratégia 1.1 Immigration Facilitation Programme Role
Actividade 2. Melhorar os postos fronteiriços: Os turistas transfronteiriços costumam viajar longas distâncias
Programática em prazos apertados. Ao planearem uma viagem e ao decidirem sobre as rotas e quais os países
a incluir, os turistas (especialmente os viajantes independentes) consideram o tempo e esforço
necessários para atravessar fronteiras e as instalações turísticas existentes nesses pontos de
travessia de fronteiras. Os principais pontos de travessia de fronteiras precisam de providenciar
processos fáceis e sem complicações, bem como instalações adequadas..
• Em colaboração com os Estados-Membros e com o apoio do Órgão da SADC sobre a Implementar
Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, formular um guia de melhores práticas
para instalações de postos fronteiriços, processos e serviços amigos do turista, realizando um
estudo comparativo sobre as condições dos postos fronteiriços em países comparáveis de alta
qualidade. Entre outros aspectos, esse estudo poderia incluir:
- Possibilidades e condições para instalações comuns e postos fronteiriços de “paragem
única”
- Instalações e serviços turísticos
- Procedimentos, formulários e tecnologias empregues
- Política de espera em filas consistente para residentes regionais e estrangeiros
- Informação e sinalização efectivas
- Conduta e agilidade operacional dos funcionários da imigração
- Procedimentos e instalações de controlo sanitário
- Condições de protecção e segurança
• Como um estudo-piloto, identificar um ou dois pontos de travessia de fronteiras para turistas Implementar
na Região e realizar uma auditoria às instalações, serviços e procedimentos turísticos em tais
postos fronteiriços, utilizando o guia de melhores práticas, incluindo um programa de acção
correctiva para colmatar as lacunas identificadas.
• Apresentar as conclusões ao Comité Misto para a Implementação de Questões de Imigração ou Advogar
a um fórum adequado e promover a sua adesão e melhoria pelos Estados-Membros.
• Monitorizar obras de beneficiação em postos fronteiriços e transmitir as constatações ao Comité Implementar
Misto para a Implementação de Questões de Imigração e aos comités ministeriais relevantes.
Actividade 3. Melhorar os serviços de imigração: Embora a conduta e os níveis de serviço do pessoal da
Programática imigração (funcionários de imigração, funcionários de segurança e outros funcionários) tenham
melhorado em muitos postos fronteiriços ao longo dos últimos anos, queixas de mau serviço
e suborno continuam a representar um desafio em muitos postos fronteiriços. Esta actividade
implicará as seguintes acções:
• Desenvolver um Programa de Formação em Atendimento ao Cliente focalizado no turismo, para Implementar /
implementação pelos Estados-Membros, especificamente dirigido aos funcionários de imigração Facilitar
e a outros funcionários destacados nos postos fronteiriços. Esta actividade poderá incluir entre
outras acções:
- A compreensão da indústria do turismo e a relação entre o turismo e a imigração
- A interacção com o cliente e boas práticas de comunicação
- Níveis de efectivos e de gestão baseados nas flutuações da procura
- Atendimento a turistas em circunstâncias difíceis e crises
• Promover a harmonização das normas de serviço e o bem-estar dos visitantes nos postos de Facilitar /
fronteira, facilitando a interacção e acções de formação entre várias agências governamentais Advogar
dos Estados-Membros.
• Desenvolver materiais de comunicação e aplicar tecnologias de informação e comunicação (TIC) Implementar /
para criar uma mentalidade contra o suborno de turistas e promover o uso destes materiais e Facilitar
tecnologias entre os Estados-Membros.
29
Estratégia 1.2 Programa de Melhoria do Acesso Rodoviário e Aéreo Função
Justificação A qualidade e o custo do acesso rodoviário e aéreo são factores determinantes quando viajantes
por via terrestre e por via aérea planeiam e executam itinerários turísticos regionais. Por
conseguinte, o sucesso e o crescimento do número de viagens regionais e o desenvolvimento
das ATFC dependem, em larga medida, da facilidade e comportabilidade financeira do acesso
rodoviário e aéreo.
Actividade 1. Melhorar as políticas e práticas de acesso aéreo: O elevado custo e o acesso aéreo
Programática inconveniente são um grande constrangimento turístico para muitos destinos da SADC.
Enquanto a baixa procura é muitas vezes um factor inibidor da expansão de rotas viáveis,
a liberalização das políticas e práticas de acesso aéreo, de acordo com a Decisão de
Yamoussoukro sobre a liberalização do acesso aéreo e de acordo com as melhores práticas,
pode desempenhar um papel importante e positivo na expansão das ligações aéreas, em
rotas nacionais, regionais e internacionais. Além disso, os aeroportos da África Austral devem
ser melhorados para estarem à altura dos padrões internacionais e incentivados a expandir a
conectividade aérea internacional.
• Realizar uma comparação de políticas, práticas e infra-estruturas de acesso aéreo entre os Implementar
Estados-Membros, incluindo:
- A comparação dos voos existentes e os custos a partir dos principais mercados e nas
principais rotas, incluindo as principais rotas turísticas domésticas
- A natureza e o âmbito dos acordos bilaterais de serviços aéreos com os principais
mercados turísticos potenciais
- A natureza e dimensão das infra-estruturas aeroportuárias
- Taxas aeroportuárias de aterragem, impostos, encargos, custos de combustível, etc. nos
aeroportos domésticos e internacionais que servem os principais destinos turísticos nos
Estados-Membros
- Outros factores-chave que afectam o custo dos voos domésticos regulares e charter
• Realizar um estudo comparativo sobre as melhores práticas em matéria de políticas, práticas Implementar
e infra-estruturas de acesso aéreo bem-sucedidas, estabelecer uma comparação com as
práticas regionais dos Estados-Membros da SADC e identificar as principais lacunas e
oportunidades.
• Apresentar e distribuir os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelas Infra- Advogar
estruturas e Serviços e promover a adesão às melhores práticas.
• Acompanhar os progressos no que se refere ao acesso aéreo e à beneficiação e expansão das Implementar
instalações aeroportuárias, numa base semestral.
Actividade 2. Harmonizar os custos e requisitos aduaneiros do turismo: Os procedimentos e custos
Programática aduaneiros diferem significativamente entre os países membros e afectam os custos e esforços
envolvidos na realização de viagens por via terrestre, incluindo uma variedade de impostos
de entrada de veículos em alguns países, incluindo a Garantia de Veículos Comerciais (GVC),
o Seguro contra Terceiros, a Taxa de Acesso / Transporte Rodoviário, o Passe de Saída, o
Imposto sobre o Carbono, etc.
• Realizar uma comparação de políticas, custos e práticas de entrada de veículos (incluindo Implementar
viaturas de aluguer e veículos para excursões por via terrestre) entre os Estados-Membros,
identificar inconsistências e custos e impostos desnecessários e recomendar medidas para
harmonizar os custos e as práticas e para permitir uma maior liberdade de circulação dos
operadores turísticos.
• Definir padrões para viaturas de aluguer e veículos de turismo transfronteiriços e acordar sobre Facilitar
tarifas aduaneiras comportáveis para viaturas de aluguer para turistas e veículos de turismo.
• Abordar a União Aduaneira da África Austral (SACU) sobre as suas políticas e iniciativas e Facilitar
integrá-las na posição da SADC sobre o turismo
• Apresentar e distribuir os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelas Infra- Advogar
estruturas e Serviços, promover a adesão às melhores práticas e monitorizar remodelações e obras
de beneficiação.
30
Estratégia 1.2 Programa de Melhoria do Acesso Rodoviário e Aéreo Função
Actividade 3. Melhorar as vias rodoviárias prioritárias para o turismo: Estradas de qualidade adequada,
Programática que sejam transitáveis ao longo do ano inteiro, são fundamentais para a promoção do turismo
regional, visto que os turistas num itinerário regional desejam, frequentemente, visitar sítios e
envolver-se em experiências que não são acessíveis por via aérea.
• Actualizar o Plano Director Regional de Desenvolvimento de Infra-estruturas e o Plano do Sector do Implementar
Turismo para as ATFC (2012), de modo a incluir os progressos alcançados até ao momento e cobrir a
Região inteira e todas as ATFC.
• Apresentar e distribuir os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelas Infra- Advogar
estruturas e Serviços e promover a implementação das obras de beneficiação de estradas
propostas como prioritárias.
• Em associação com os Estados-Membros, monitorizar o estado das estradas e os progressos Facilitar
verificados no que respeita às obras de beneficiação de estradas, numa base anual, e
apresentar um relatório aos comités ministeriais dos clusters relevantes.
Actividade 4. Melhorar a sinalização rodoviária e interpretativa: Não obstante os sistemas de GPS
Programática terem melhorado, em grande medida, o potencial para os viajantes ao volante de uma viatura
encontrarem na Região destinos finais e instalações, muitas vezes estes não aparecem nos
sistemas de GPS locais e, frequentemente, a conectividade à Internet não está operacional em
áreas pelas quais transita um menor número de viajantes. Sinalização rodoviária e interpretativa
adequada continua a ser um mecanismo importante para garantir a facilidade de orientação
dos turistas que conduzem até à Região.
• Continuar a melhorar o manual de directrizes da SADC sobre a colocação de sinalização Implementar
rodoviária para turistas (placas castanhas), incluindo a concepção de sinais e de símbolos e a
utilização de desenhos e cores, bem como a aplicação de regras aceitáveis relativamente ao
número e à localização de sinais rodoviários, tendo como exemplos as boas práticas existentes
na Região, etc.
• Apresentar e distribuir os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelas Advogar
Infra-estruturas e Serviços e promover a implementação da sinalização rodoviária internacional
padronizada.
• Promover a criação e sinalização de pontos de repouso adequados ao longo das principais Advogar
vias rodoviárias
• Oferecer um curso de formação regional sobre práticas de sinalização rodoviária para turistas, Implementar /
regras internacionais e processos de solicitação e aprovação relativos à colocação de Advogar
sinalização rodoviária para turistas.
31
Estratégia 1.3 Programa de Mobilidade de Recursos Humanos Função
Justificação O crescimento e desenvolvimento do turismo regional é altamente dependente da disponibilidade e mobilidade
regional de quadros qualificados no sector do turismo. Embora o turismo seja um importante veículo para a
criação de emprego local e se deva dar prioridade ao desenvolvimento de competências locais, os países
da Região, menos desenvolvidos no sector do turismo, precisam de construir as suas indústrias de turismo
ao longo do tempo, de acordo com os níveis de serviço internacionais. Isto é particularmente relevante
quando se visam segmentos do turismo de safaris e de negócios de primeira qualidade. Os trabalhadores
qualificados regionais e internacionais podem desempenhar um papel importante na garantia de níveis de
serviço de alta qualidade e na mentoria dos trabalhadores locais, para que estes ocupem postos adequados.
As competências necessárias a uma gestão eficaz do turismo e da restauração são escassas no mercado de
muitos países e é importante que os destinos possam contar com um pool regional de força de trabalho mais
amplo ao recrutarem trabalhadores com competências escassas no mercado.
Actividade 1. Harmonizar os sistemas regionais de acreditação de entidades de formação e de
Programática reconhecimento de qualificações: Os sistemas de reconhecimento de qualificações e competências e
de acreditação de formadores no domínio do turismo diferem significativamente entre os países membros,
exibindo variadas aptidões, competências e qualidades. Normas de qualificação harmonizadas nos países
membros irão melhorar o pool de força de trabalho igualmente qualificada no sector do turismo e garantir
uma maior mobilidade de competências a nível regional..
• Realizar uma avaliação comparativa das iniciativas de desenvolvimento de competências e de instituições Implementar
e sistemas de acreditação no domínio do turismo nos Estados-Membros e salientar as oportunidades,
diferenças e lacunas, prestando a devida atenção a estudos ou investigações efectuadas anteriormente
sobre a matéria.
• Apresentar os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelo Desenvolvimento Humano Facilitar
e Social e Programas Especiais e envolver os membros do Cluster num debate sobre uma melhor
harmonização da formação de competências e atribuição de qualificações no domínio do turismo e da
restauração na Região.
• Colaborar com o Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelo Desenvolvimento Humano e Social e Facilitar
Programas Especiais na preparação de um programa regional de intercâmbio para o desenvolvimento de
competências no domínio do turismo. Tal poderá implicar um acordo, ao abrigo do qual as instituições de
formação dos países da Região, mais avançados no domínio do turismo, possam oferecer a estudantes
seleccionados de outros países oportunidades de formação na área do turismo a um custo reduzido ou
subvencionado, em troca de oportunidades de emprego para os seus cidadãos. De modo semelhante,
os estabelecimentos privados situados em zonas transfronteiriças podem ser incentivados a fornecer
oportunidades de intercâmbio (por exemplo, guias e guardas da vida selvagem) para o pessoal ter
conhecimento das condições existentes do outro lado da fronteira.
Actividade 2. Harmonizar as políticas de concessão de vistos de trabalho: As autorização e emissão de vistos de
Programática trabalho variam consideravelmente entre os países membros. Os desafios encontrados na obtenção de
vistos de trabalho para o pessoal inibem o investimento no sector do turismo, uma vez que os investidores
precisam de saber que podem empregar pessoal experiente, especialmente durante as fases de lançamento
das empresas. Amiúde, tais funcionários não estão disponíveis no desenvolvimento de destinos turísticos.
• Realizar uma avaliação comparativa dos processos de regulação e aprovação de vistos de trabalho nos Implementar
Estados-Membros, destacar as diferenças e lacunas, considerar a possibilidade de celebrar acordos
e formular políticas do Cluster do Comércio de Serviços sobre a mobilidade de competências na
Região e apresentar propostas para melhorar as políticas de emissão de vistos de trabalho em prol do
desenvolvimento do turismo regional.
• Apresentar os resultados ao Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelo Desenvolvimento Facilitar
Humano e Social e Programas Especiais e envolver os membros do Cluster num debate sobre a
liberalização e harmonização dos processos de autorização e emissão de vistos de trabalho na
Região. Deve ser prestada atenção à promoção de emprego preferencial para cidadãos da SADC e,
quando sejam empregados cidadãos internacionais devido à escassez de competências regionais,
a mentoria e o reforço de capacidades dos funcionários locais por parte dos titulares de visto de
trabalho devem ser obrigatórios.
32
5.2 OBJECTIVO 2: MELHORAR E DEFENDER A REPUTAÇÃO DO TURISMO E A
IMAGEM DA REGIÃO
Serão prosseguidas as seguintes estratégias no sentido de se alcançar este objectivo:
1. Programa de Comunicação sobre a Imagem com 3 Actividades Programáticas
2. Programa de Turismo Sustentável da África Austral com 2 Actividades Programáticas
Estas actividades estratégicas e programáticas para cada um dos programas são descritas abaixo.
Actividade 1. Formular uma estratégia de comunicação sobre o turismo regional que deve definir Implementar
Programática claramente o público-alvo, as mensagens, os canais de comunicação e os tipos de informação
a comunicar, a complementaridade com as plataformas e iniciativas existentes a nível regional e
nos países membros, bem como outros aspectos que irão determinar o escopo e a escala dos
sistemas de comunicação a desenvolver. A comunicação também deve estar focada nos cidadãos
da África Austral para aumentar a sensibilização e a consciencialização sobre o turismo.
- Criar uma página no Facebook ligada ao sítio web, onde será carregada informação Implementar
semelhante, com links para as páginas no Facebook dos destinos membros.
- Criar um blog sobre o turismo na África Austral ligado ao sítio web, onde influenciadores Implementar
poderão ser convidados a escrever histórias positivas e onde questões e eventos
potencialmente prejudiciais poderão ser colocados em perspectiva.
- o O desenvolvimento, a manutenção e a actualização das plataformas estarão a cargo de um Implementar
indivíduo específico afecto à UCT ou essa tarefa será terceirizada, se tal não for possível.
• Ligar todas as mensagens e notas informativas às plataformas digitais estabelecidas, partilhar e Implementar /
republicar o seu conteúdo nas plataformas digitais e outras redes sociais dos Estados-Membros. Facilitar
33
Estratégia 2.1 Programa de Comunicação sobre a Imagem Função
Actividade 3. Desenvolver uma estratégia de comunicação de crises: É sobejamente conhecido que vários
Programática países membros experimentam, de tempos a tempos, crises sanitárias, políticas, de segurança e
outras. Os verdadeiros factos e a magnitude de tais eventos são muitas vezes distorcidos através
de uma comunicação deficiente e aleatória, com o resultado de as percepções sobre partes não
afectadas da Região poderem vir a ser indevidamente prejudicadas..
• Formular uma estratégia de comunicação de crises para o sector do turismo que possa ser Implementar
rapidamente activada em casos de crises sanitárias e securitárias, de catástrofes naturais e
outras na Região, que possam afectar as percepções sobre as viagens e o turismo dos clientes
e possam prejudicar assim a imagem da Região. Esta estratégia deve incluir um protocolo sobre
a emissão de comunicados, a interacção com os meios de comunicação social, a comunicação
de factos de forma proactiva, os processos de aprovação de comunicados, etc. Esse protocolo
deve ser formulado em sincronia com os Sistemas de Gestão de Calamidades e de Alerta Precoce
existentes na SADC.
• Formar um grupo de acção sobre a comunicação de crises, constituído por representantes dos Facilitar
Estados-Membros, com a finalidade de reagir com celeridade e implementar a estratégia de
comunicação de crises e, se necessário, ministrar acções de formação em matéria de gestão de
crises destinadas às organizações de turismo dos Estados-Membros.
• Alinhar as actividades da empresa de relações públicas contratada, a fim de incluir a comunicação Implementar
de potenciais crises e vincular esta acção à estratégia geral de comunicação regional.
• Formar um grupo de acção para a sustentabilidade do turismo, composto por representantes Facilitar
nomeados pelos países membros, que se reunirá numa base regular para o exercício de
formulação e adopção de directrizes para o turismo sustentável regionalmente aceites e outras
iniciativas para a sua sustentabilidade.
• O grupo de acção, com o apoio da UCT, deverá estudar a possibilidade de realizar workshops de Implementar
intercâmbio de informações sobre vários sistemas dos Estados-Membros e internacionais e, com
base nas conclusões, formular uma política e directrizes adequadas para o turismo sustentável
na SADC, a ser adoptadas pelo Comité de Ministros do Turismo como uma posição formal
sobre a gestão do turismo sustentável. As directrizes devem considerar e basear-se no trabalho
previamente realizado pela RETOSA.
• Promover e advogar a favor das directrizes junto dos Estados-Membros e incentivar as Advogar
autoridades de turismo dos Estados-Membros a abordar os seus parceiros nos sectores público
e privado no sentido de adoptarem as directrizes e advogarem a favor da gestão do turismo
sustentável dentro dos seus círculos eleitorais.
Actividade 2. Promover o Acesso Universal no sector do turismo: Todos, independentemente de qualquer
Programática tipo de deficiência, devem ter acesso a sítios e experiências turísticos. O envelhecimento médio
dos viajantes nos principais mercados e o mercado latente de pessoas portadoras de deficiência
exigem que os governos de destino e os provedores de serviços implantem as infra-estruturas e
instalações necessárias para garantir o acesso universal nos seus destinos. A SADC irá:
• Promover e advogar a favor das directrizes junto dos Estados-Membros e incentivar as Advogar
autoridades de turismo dos Estados-Membros a abordar os seus parceiros nos sectores público
e privado no sentido de adoptarem as directrizes e advogarem a favor da gestão do Acesso
Universal dentro das suas circunscrições.
• A UCT irá incluir o aspecto do Acesso Universal no turismo em workshops sobre a gestão do Facilitar
turismo sustentável e em iniciativas educacionais e de desenvolvimento de competências no
domínio do turismo.
34
5.3 OBJECTIVO 3: DESENVOLVER O TURISMO NAS ÁREAS
TRANSFRONTEIRIÇAS DE CONSERVAÇÃO
Serão prosseguidas as seguintes estratégias no sentido de se alcançar este objectivo:
1. Programa de Desenvolvimento do Mercado das ATFC com 3 Actividades Programáticas
2. Programa de Facilitação do Investimento com 2 Actividades Programáticas
3. Programa de Inclusão Económica Rural com 3 Actividades Programáticas
As actividades estratégicas e programáticas para cada um dos programas são descritas abaixo.
• Avaliar os progressos realizados e os resultados alcançados no que respeita à estratégia da Fase Implementar
1 da BSA, as lacunas de identidade identificadas e os sucessos obtidos e incorporar as lições
aprendidas durante a Fase 1 em expansão para a Fase 2.
• Rever a estratégia da Fase 2 da BSA e formular uma estratégia de marketing exequível, prática Implementar
e bem fundamentada para as ATFC, indicando um claro posicionamento de mercado para cada
ATFC, os segmentos de mercado e os produtos que serão promovidos e desenvolvidos para
sustentar esse posicionamento, assim como um marketing adequado e um cabaz promocional.
A estratégia deve estar baseada numa compreensão segmentada das necessidades, requisitos
e padrões de viagens dos mercados emissores de turismo interno (ou seja, nacional), regional
e internacional e deve dar prioridade às áreas que estão prontas para se inserirem no mercado
em matéria de acesso, alojamento , comodidades, atracções e actividades. Deve igualmente
considerar as ATFC no contexto mais amplo das regiões vizinhas que não se enquadram dentro
dos seus limites técnicos, mas podem estar ligadas às cadeias de valor das ATFC. A estratégia
deve ser assinada por todos os intervenientes-chave, incluindo os ministérios relevantes do
governo, autoridades locais, agências, estruturas das ATFC, ONG e organizações comunitárias.
Actividade 2. Alargar a iniciativa de marketing das ATFC: Os destinos das ATFC são geralmente mal
Programática conhecidos e promovidos, tanto a nível regional como internacional. Apesar de algumas ATFC,
como a ATFC Kgalagadi, a ATFC Ai-Ais-Richtersveld e, em certa medida, a ATFC Greater
Limpopo, terem feito incursões no crescimento do mercado de turismo transfronteiriço, a maioria
das ATFC é mal promovida do ponto de vista turístico. A BSA irá trabalhar com organizações de
turismo dos Estados-Membros:
• Desenvolver ferramentas de marketing adequadas, tanto ao nível da iniciativa geral da BSA como Implementar
para cada uma das ATFC, com ênfase em materiais de marketing digitais (como um sítio web
atraente e interactivo, contas e páginas nas redes sociais, boletins informativos electrónicos,
etc.), mas também, inclusive, abordagens tradicionais ao marketing, tais como participar em
exposições e feiras de operadores turísticos e de consumidores apropriadas.
• Organizar viagens de estudo, envolvendo operadores turísticos e jornalistas, para expor os Implementar
operadores e agentes turísticos seleccionados, que trabalham para os mercados-alvo, a
atracções, experiências e produtos que as ATFC têm para oferecer.
• Lançar uma iniciativa mediática em linha e focalizada através das redes sociais (especialmente no Implementar
Instagram e no Facebook), apresentando cenas e ocorrências naturais e culturais excepcionais
de cortar a respiração para exercer um forte poder de atracção para as ATFC. Os organismos de
turismo dos Estados-Membros das ATFC serão parte integrante da campanha e utilizarão os seus
canais de marketing para promover e distribuir mensagens e imagens da campanha.
35
Estratégia 3.1 Programa de Desenvolvimento do Mercado das ATFC Função
Programme Activity 3. Desenvolver e promover rotas e itinerários transfronteiriços: Uma vez que a BSA não está
envolvida no negócio de vendas turísticas, ou seja, não é um operador turístico, mas sim um
facilitador para o sector privado aproveitar as oportunidades existentes nas ATFC, a organização
trabalhará em estreita colaboração com cada uma das ATFC, destinos complementares (por
exemplo, áreas costeiras e as ilhas do Oceano Índico) e operadores turísticos privados para
montar e vender experiências e actividades turísticas transfronteiriças. Assim sendo, a BSA irá:
• Estabelecer e formalizar parcerias fortes e sustentáveis com os operadores turísticos e Facilitar
fornecedores de instalações na Região, para expandir a sua oferta, visando incluir as ATFC. A BSA
irá desempenhar um papel facilitador na assessoria a prestar a operadores apropriados, por onde
poderão passar itinerários ou onde poderão ter lugar experiências, inserindo tais operadores no
mercado e expondo-os a esses potenciais itinerários através de viagens de familiarização.
• Prestar especial atenção à montagem e ao fomento do desenvolvimento de rotas marítimas entre Implementar
as ilhas do Oceano Índico e ligar rotas continentais a rotas marítimas ( “da selva para a praia”)
• Traçar itinerários adequados (rotas, instalações, atracções, experiências) e garantir que estes Implementar
estão incorporados em sistemas digitais de mapeamento (GPS); incorporá-los no sítio web e
noutras plataformas digitais; imprimir mapas para distribuir através de empresas de aluguer de
viaturas e como folhetos inseridos em revistas sobre condução em todo-o-terreno (off-road);
distribuí-los a operadores turísticos parceiros; etc.
• Através de uma comunicação e inquéritos regulares aos operadores turísticos, superar desafios Facilitar /
específicos encontrados pelos operadores turísticos e viajantes individuais em matéria de Advogar
acesso, de infra-estruturas, de imigração, de segurança, etc. com a UCT, comunicar com as
estruturas da SADC e com os Estados-Membros e monitorizar os progressos alançadados.
Actividade 4. Apoiar o desenvolvimento e crescimento de eventos transfronteiriços nas ATFC: Uma
Programática série de eventos emocionantes (ciclismo de montanha, corrida pedestre em trilhos, etc.) já está a
ser organizada nas ATFC, trazendo consigo as tão necessárias oportunidades de receitas locais
e publicidade para essas áreas. A BSA irá apoiar o crescimento e a expansão de eventos tanto
terrestres como oceânicos, em parceria com cada uma das ATFC e os Estados-Membros e irá ainda:
• Concluir a formulação das directrizes da SADC para as ATFC sobre a organização de eventos Implementar
transfronteiriços, para orientar as decisões a tomar relativamente ao tipo de eventos que poderão
granjear o tipo de apoio que a BSA é capaz de oferecer, e sobre a melhor forma de publicitar tais eventos.
• Apoiar os eventos, sempre que possível, através de uma cobertura publicitária, da sua exposição Implementar
em linha e de outros canais e plataformas possíveis.
36
Estratégia 3.2 Programa de Facilitação de Investimentos Função
Actividade 2. Promover e implementar as Directrizes da SADC sobre produtos turísticos transfronteiriços
Programática nas ATFC: : As abordagens e regulamentos de desenvolvimento de produtos e de investimento
diferem entre os vários países membros envolvidos nas ATFC, o que desincentiva o investimento.
A BSA irá
Implementar as Directrizes da SADC sobre o Desenvolvimento de Produtos e Concessões Turísticas Implementar
para as ATFC. A Rede de ATFC providenciou um processo claro para orientar o desenvolvimento
de produtos nas ATFC (e no resto da Região). A BSA irá aplicar essas orientações na selecção e
exploração de oportunidades de investimento no turismo.
Desenvolver um guia de investidores para investimentos nas ATFC, estabelecendo regulamentos, Implementar
procedimentos, políticas sobre a posse de terras, etc. para investir nas várias ATFC.
Actividade 1. Lançar uma iniciativa de turismo comunitário para as ATFC: Esta iniciativa implicará centrar
Programática as atenções no desenvolvimento do turismo nas ATFC com um estilo de vida, tradições e eventos
culturais ricos e ímpares. O Programa comportará os seguintes elementos:
• Identificar e seleccionar rotas, áreas de destino e eventos nas ATFC como áreas focais para Implementar
o desenvolvimento do turismo comunitário ao longo de 10 anos, com o objectivo de lançar
duas dessas rotas, áreas de destino ou eventos por ano. O foco deverá incidir sobre a criação
de empresas de turismo, bem como de empresas de fornecimento de produtos e serviços a
empresas de turismo.
• Identificar as estruturas relevantes comunitárias, ONG, empresas privadas e outras organizações Implementar
de apoio relevantes, angariar apoios e obter o compromisso para o desenvolvimento do turismo
cultural ao longo das rotas, nas áreas de destino e como componentes integrantes dos eventos
realizados nas ATFC.
• Organizar fóruns sobre rotas / áreas de destino, integrados por representantes da comunidade, Implementar
operadores privados e autoridades, como mecanismos para discutir e traçar planos de acção
para o desenvolvimento das rotas.
• Organizar workshops de formação e de desenvolvimento de competências e de produtos Implementar
com as partes interessadas e afectadas, com o propósito de desenvolver conceitos viáveis de
desenvolvimento de produtos e eventos para essas áreas.
• Acordar sobre modelos de negócios sustentáveis (ver ponto 2 abaixo) e estruturas de governação Facilitar
para tais empresas comunitárias na criação de estruturas bem organizadas, prósperas e
juridicamente sólidas.
• Trabalhar com os fóruns sobre rotas / áreas de destino na elaboração de um plano de Implementar
desenvolvimento básico, mas claro, para cada uma das áreas e eventos identificados.
• Basear-se no trabalho já realizado e na literatura disponível para formular um conjunto básico de Implementar
directrizes e normas operacionais e recomendará às empresas a sua adesão. Estas poderiam
incluir directrizes de planeamento de negócios para garantir um modelo de negócios sustentáveis
e viáveis para o turismo comunitário, segurança, higiene, instalações, equipamentos, roupa de
cama, mobiliário, aptidão dos veículos para a circulação rodoviária, etiqueta na prestação de
serviços, comunicação, etc.
• Aplicar estas directrizes em programas de formação e de reforço de capacidades (ver abaixo). Implementar
37
5.4 OBJECTIVO 4: MELHORAR A QUALIDADE DAS EXPERIÊNCIAS E OS NÍVEIS DE
SATISFAÇÃO DOS VISITANTES
Serão prosseguidas as seguintes estratégias no sentido de se alcançar este objectivo:
1. Programa de Bem-estar e Segurança dos Visitantes com 3 Actividades Programáticas
2. Programa de Melhoria da Qualidade das Instalações com 3 Actividades Programáticas
As actividades estratégicas e programáticas para cada um dos programas são descritas abaixo.
Actividade 1. Envolver o Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança da SADC: Muitas
Programática vezes, as forças e instituições de segurança não estão devidamente informadas e conscientes das
necessidades especiais de segurança dos viajantes e das preocupações da indústria do turismo
a este respeito. Para criar uma maior consciência das necessidades de segurança e de saúde dos
viajantes, o Programa de Turismo da SADC deverá envolver o Órgão da SADC numa base contínua,
com vista a:
• Formular um manual de orientação sobre a protecção e segurança dos turistas na Região, Implementar
incluindo o policiamento turístico, a segurança nos postos fronteiriços e aeroportos, a segurança
dos turistas no mar (especialmente quando se viaja entre os Estados-Membros insulares), o
tratamento dos viajantes em postos de controlo rodoviários e noutros postos de controlo de
segurança, o suborno e a corrupção, os riscos e serviços de saúde, os requisitos para apoio e
evacuação de emergência, uma justiça e processos judiciais mais céleres, multas por crimes
cometidos contra turistas, medidas de apoio à vítima, educação e consciencialização sobre o
impacto da segurança dos turistas sobre a reputação do destino turístico, etc. O Manual incluirá
exemplos de melhores práticas de outros destinos na Região e no mundo, incluindo práticas de
criação de unidades de Polícia Turística específicas.
• Apresentar os resultados ao Órgão da SADC para aumentar a sensibilização e para o Órgão e os Advogar
Estados-Membros adoptarem medidas relevantes como uma prática recomendada na Região,
a fim de empregar tecnologias adequadas com vista a assegurar a integração dos processos
de segurança e de informação e para considerar o estabelecimento de processos e sistemas de
apresentação de reclamações.
Actividade 2. Lançar uma iniciativa anticorrupção no sector do turismo: O suborno de turistas,
Programática especialmente em pontos de controlo, tais como postos de fronteira, postos de controlo de
segurança, postos de controlo rodoviários, etc., é motivo de preocupação em muitos Estados-
Membros da SADC e isso tem um efeito muito negativo sobre o potencial de crescimento,
especialmente dos segmentos do mercado de turismo com recurso a transporte próprio e
independente. O Programa de Turismo da SADC irá:
• Formular uma posição clara sobre o suborno de turistas e práticas de corrupção no sector do Implementar
turismo, que será submetida ao Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança
da SADC e ao Comité de Ministros do Turismo da SADC, para apreciação e aprovação como uma
posição política regional. Esta poderá incluir medidas pró-activas para reduzir o risco de suborno,
tais como sistemas de pagamento em moeda escritural e outras medidas de controlo electrónico. O
documento sobre a posição será apresentado ao Conselho de Ministros da SADC, para aprovação.
• Advogar a favor da aplicação das políticas e abordagens contidas no documento sobre a posição Facilitar /
entre as autoridades de segurança, imigração e turismo dos Estados-Membros da SADC e divulgar Advogar
a posição amplamente no seio da indústria do turismo regional, através do sector privado e das
autoridades de turismo governamentais.
Actividade 3. Facilitar a implantação de sistemas de seguro eficientes para visitantes: A natureza e a
Programática extensão dos seguros para visitantes quando estes viajam para a África Austral podem variar e,
muitas vezes, são pouco claras, especialmente para turistas independentes. Embora a maioria
dos visitantes internacionais possa obter seguros de viagem pessoais nos seus países de origem,
a cobertura do seguro de responsabilidade civil nem sempre é clara e os requisitos de seguro
empresarial diferem entre os Estados-Membros. O Programa de Turismo da SADC irá::
• Levar a cabo uma investigação detalhada sobre a natureza e extensão dos seguros de viagem Implementar
pessoais disponíveis nos principais mercados regionais e internacionais, a cobertura e as lacunas
em matéria de seguros, insuficiências e áreas jurídico-legais e regulatórias em que os seguros de
viagem podem ser melhorados.
• Submeter as conclusões e recomendações relativas aos requisitos mínimos de seguro e às Advogar
lacunas existentes a este respeito ao Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e
Segurança da SADC e ao Comité de Ministros do Turismo da SADC, para apreciação e aprovação
das recomendações.
• Advogar a favor da aplicação das recomendações, tanto a nível regulatório como empresarial Advogar
entre os departamentos e instituições governamentais dos Estados-Membros, organizações do
sector privado e empresas de turismo.
38
Estratégia 4.2 Programa de Melhoria da Qualidade Função
Justificação Os padrões de qualidade dos serviços e das instalações turísticos variam consideravelmente entre
e dentro dos Estados-Membros. Embora talvez não seja prático nem viável aplicar exactamente
os mesmos padrões, critérios e sistemas de qualidade dentro de uma Região onde os níveis de
desenvolvimento variam na medida em que tal variação ocorre na SADC, as normas relacionadas com
as necessidades básicas, as expectativas e a facilidade de circulação dos viajantes devem ser alvo de
uma harmonização máxima.
• Rever e dar uma nova roupagem (se necessário) às directrizes contidas nas Normas Implementar
Harmonizadas de Classificação e Atribuição de Estrelas às Unidades de Alojamento na África
Austral e adoptá-las como normas de alojamento aprovadas pelos Estados-Membros da SADC.
Estas devem incluir critérios e padrões para a gestão do turismo sustentável.
• Realizar uma auditoria sobre a natureza e dimensão das iniciativas e sistemas de padrões Implementar
de qualidade nos países membros e promover a aplicação e implementação de normas que
estejam em harmonia com as normas de classificação da SADC. Essa avaliação deve considerar
a capacidade de avaliação desenvolvida através de programas de “formação de formadores”
conduzidos pela RETOSA em Angola e Moçambique para classificar formadores de avaliadores.
• Levando em devida conta o trabalho que já foi realizado na área do desenvolvimento de Facilitar
guias turísticos regionais, introduzir um “Guia Regional da SADC” para registo e acreditação,
homologado pela SADC para guias que cumpram os padrões de serviço de guia turístico
em mais de um país membro, e especificando para que países os guias estão registados e
qualificados. Os guias qualificados devem ser capazes de usar tal acreditação para atravessar
fronteiras e actuar como guias em países para os quais estão qualificados. Devem ser incluídas
disposições especiais nessa acreditação para exigir a inclusão de guias de sítios locais, os quais
devem ser cidadãos de Estados-Membros visitados, em programas de serviços de guia turístico
transfronteiriços.
Actividade 3. Promover a expansão da conectividade de Internet na Região: A explosão que se verifica no uso
Programática de dispositivos e aplicativos móveis para o planeamento de viagens e diversão faz da conectividade
à internet uma necessidade, e não um luxo para a promoção do crescimento do turismo. O
Programa de Turismo da SADC irá:
• Realizar pesquisas para determinar a qualidade das experiências turísticas em relação à Implementar
conectividade em linha e como as expectativas turísticas podem ser satisfeitas a este respeito.
39
5.5 OBJECTIVO 5: MAXIMIZAR AS PARCERIAS E A COLABORAÇÃO NO SECTOR
DO TURISMO
Serão prosseguidas as seguintes estratégias no sentido de se alcançar este objectivo:
1. Programa de Parcerias no Sector Turístico com 2 Actividades Programáticas
2. Programa de Reforço Institucional do Sector Turístico com 4 Actividades Programáticas
As actividades estratégicas e programáticas para cada um dos programas são descritas abaixo..
Actividade 2. Reforço das relações com os Comités de Clusters da SADC relevantes: que afectam o
Programática turismo: Muitas das iniciativas constantes do Programa de Turismo exigirão a participação e
o compromisso para com a implementação por parte de outros sectores que não o turismo.
A aprovação pelo Conselho de Ministros, em Agosto de 2017, da inclusão dos Ministros
responsáveis pelo Turismo no Comité Misto de Ministros do Ambiente e Recursos Naturais e do
Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança, a fim de melhorar a facilidade
de realização de viagens transfronteiriças e de participar nos esforços para combater crimes
contra a vida selvagem, constitui um grande passo em frente no reconhecimento da natureza
intersectorial do turismo. Este princípio será expandido ainda mais para incluir a interacção com
outros Clusters da SADC relevantes, especialmente a) os Ministros responsáveis pelo Comércio,
Indústria, Finanças e Investimento e b) os Ministros responsáveis pelas Infra-estruturas e
Serviços. O Programa de Turismo da SADC, através dos seus comités relevantes, irá:
• Recomendar ao Comité de Ministros do Turismo questões, aspectos e estudos que devem ser Facilitar /
levados à sua atenção ou que devem ser discutidos com outros clusters ministeriais relevantes. Advogar
• Monitorizar o potencial impacto dos regulamentos adoptados por outros sectores sobre o Facilitar
turismo e rectificar os regulamentos e procedimentos que possam ter um impacto negativo no
crescimento do turismo regional.
40
5.2 Estratégia Programa de Reforço Institucional do Sector do Turismo Função
• Adaptar o Protocolo da SADC sobre o Turismo para contemplar as estruturas descritas abaixo e Implementar
submetê-lo ao Conselho de Ministros, para aprovação.
• Liquidar a RETOSA com carácter de urgência. Implementar
• Obter todos os registos, documentos e informações da RETOSA referentes a anteriores pesquisas, Implementar
iniciativas e programas empreendidos pela RETOSA e incorporar esse trabalho na execução do
Programa de Turismo.
• Estabelecer a Unidade de Coordenação do Turismo (UCT), afecta à Direcção para a Alimentação, Implementar
Agricultura e Recursos Naturais (FANR), com as funções descritas na versão original do Protocolo
sobre o Turismo, de 1998, incluindo a implementação dos programas e projectos descritos no
Programa de Turismo da SADC.
• Devem ser criados os seguintes postos permanentes:
- Oficial Sénior de Programas: Harmonização de Políticas sobre o Turismo, Gestão da Imagem
e Secretariado, responsável por executar as estratégias e acções no âmbito dos Objectivos 2
e 5 e gerir a função de secretariado da UCT.
- Oficial de Programas: Serviços Turísticos e Acesso de Visitantes, responsável por executar as
estratégias e acções no âmbito dos Objectivos 1 e 4.
- Oficial de Programas: África Austral Sem Fronteiras (BSA), responsável por executar as
estratégias e acções no âmbito do Objectivo 3.
África Austral Sem Fronteiras será uma Unidade de Projectos Especiais, responsável por
implementar o Programa de Áreas Transfronteiriças de Conservação. Assim sendo, a BSA irá:
- Continuar a estar baseada nas instalações do Ministério Sul-africano de Assuntos
Ambientais até 2022, com um arranjo adequado acordado posteriormente.
- Continuar a utilizar os serviços do actual coordenador (Gestor de Marketing), com o
salário financiado pelo Ministério Sul-africano de Assuntos Ambientais durante a vigência
deste Programa
- Continuar a estar vinculada à Rede de ATFC, à Comunidade de Práticas de Turismo e a
outros parceiros
- Apresentar relatórios sobre as suas actividades através da UCT e das suas estruturas
- Possuir uma conta em separado no seio da FANR da SADC, que lhe permitirá gerar
patrocínios e estabelecer parcerias para actividades de financiamento
- Oficial de Administração do Turismo, para auxiliar o Coordenador Sénior: Parcerias do Sector
e Gestão da Imagem, responsável por cumprir a função de secretariado do turismo
CONSELHO DE MINISTROS
Comité do Cluster: Comércio,
Indústria, Finanças e Investimento
DIRECTOR: FANR
OFICIAL SÉNIOR DE
PROGRAMAS:
Harmonização das
OFICIAL DE PROGRAMAS: Políticas sobre o Turismo OFICIAL DE
BSA e Gestão da Imagem PROGRAMAS: Serviços
Unidade de Projectos Turísticos e Acesso dos
Especiais Visitantes
41
5.2 Estratégia Programa de Reforço Institucional do Sector do Turismo Função
Actividade 2. Acordar sobre uma capacidade adequada para “colmatar lacunas”, de molde a assegurar
Programática que a UCT funciona de forma eficaz, enquanto se consolida a estrutura institucional
proposta: Poderá levar algum tempo para a SADC preencher o quadro de pessoal da UCT.
Actualmente, um funcionário, que é também responsável pelo Programa das ATFC, administra a
Unidade. Recomendam-se as seguintes modalidades para garantir a continuidade e dinâmica da
implementação do Programa:
42
6 Papéis das partes interessadas
A implementação do Programa de Turismo dependerá fortemente da participação e das contribuições de uma gama de actores. Os papéis das
principais partes interessadas na aplicação do Programa são descritos abaixo
6.1 ESTADO-MEMBROS
Muitos dos programas e iniciativas destacados neste Programa de Turismo só terão êxito se os países membros, individualmente, participarem
plenamente na sua implementação. As autoridades de turismo dos Estados-Membros têm a autoridade e a responsabilidade colectiva pela criação
de um ambiente adequado para o turismo florescer nos seus países e para além das fronteiras internacionais, incluindo (a) Formulação de Políticas e
Planeamento; (b) Facilitação; (c) Coordenação; (d) Regulação e Monitorização; (e) Marketing de Destinos e (e) Desenvolvimento do Turismo.
Os Estados-Membros estão na obrigação de fazer avançar a implementação do Programa aos níveis local e nacional. Eles devem estabelecer a
capacidade institucional apropriada para:
• Participar activamente na formulação e execução dos processos e programas de turismo da SADC.
• Assegurar que todos os ministérios e agências relacionadas com o turismo implementam as políticas e decisões da SADC em cada Estado-Membro.
• Envolver e encorajar o sector privado nos seus respectivos países para contribuir em prol dos planos e programas da SADC e investir em
empresas de turismo transfronteiriças e explorá-las.
• Envolver as comunidades locais situadas dentro e à volta das zonas fronteiriças nos seus países para participar e beneficiar de fluxos turísticos
transfronteiriços.
• Contribuir financeiramente para a execução do Programa de Turismo da SADC.
Devem ser designados Pontos Focais Nacionais para o Turismo como pontos de coordenação para a comunicação no que tange à execução do
Programa de Turismo da SADC. Os Estados-Membros devem elaborar um orçamento para o presente Programa a nível nacional, enquanto fazem lóbi
a favor de apoio financeiro e técnico adicional junto do sector privado.
De modo semelhante, os parceiros de cooperação internacionais (ICP) devem, se necessário, ser incluídos nas deliberações e nos esforços para
executar o Programa de Turismo.
43
6.4 COMUNIDADES
As organizações comunitárias são parceiros importantes, tanto para beneficiar como para contribuir a favor dos esforços da SADC no sentido da
realização do potencial turístico. Os seus papéis no desenvolvimento do turismo sustentável e transfronteiriço são, entre outros, os seguintes::
• Estabelecer organizações comunitárias e grupos de interesse para desempenhar papéis efectivos no sector do turismo.
• Melhorar as capacidades dos membros para se envolverem no sector do turismo.
• Explorar oportunidades de formação e consciencialização sobre o turismo.
• Descobrir oportunidades de financiamento e incentivos em apoio ao turismo.
• Interagir com o governo e outras entidades envolvidas no turismo.
• Criar oportunidades de parceria com empresas de turismo.
• Sempre que viável, participar em negócios turísticos.
• Identificar recursos e atracções adequados para o desenvolvimento do turismo.
• Participar na promoção e desenvolvimento do turismo responsável.
• Rejeitar e opor-se a empreendimentos que possam ser prejudiciais para o ambiente e a cultura local.
• Participar na tomada de decisões sobre o planeamento de empreendimentos turísticos locais.
• Ser uma voz representativa da população local em estruturas e fóruns de turismo.
• Promover a consciencialização sobre empreendimentos turísticos comunitários.
• Incentivar os meios de comunicação social a promover eventos e acontecimentos turísticos locais.
• Cooperar com as ONG na educação e no despertar de consciências no seio da comunidade.
44
7 Plano de Implementação
Os objectivos, estratégias e projectos contidos no Programa de Turismo exigirão a revisão contínua e os progressos no que se refere à sua implementação
serão igualmente monitorizados de forma contínua. A tabela que se segue resume as prioridades e os processos de implementação requeridos.
45
Estratégia Actividades de apoio aos programas Anos Indicadores de sucesso
1-3 4-6 7-10
Objectivo 1: Estimular a circulação e os fluxos de turistas para a Região
46
Estratégia Actividades de apoio aos programas Anos Indicadores de sucesso
1-3 4-6 7-10
Objectivo 2: Melhorar e defender a reputação do turismo e a imagem da Região
Estratégia 2.1: 1. Formular uma estratégia regional de comunicação para o sector Lançamento bem-
Programa de do turismo sucedido de plataformas
Comunicação - Estabelecer plataformas de comunicação digital: digitais
sobre a Imagem - Criar um sítio web com o endereço: [Link].
travel Crescimento do sítio web
- Criar uma conta no Twitter e análise de redes sociais
- Criar uma página no Facebook
- Criar um blog sobre turismo na África Austral
- Desenvolver, manter e actualizá-los
2. Preparar um Programa de Relações Públicas de âmbito regional Obtido o valor de uma
- Designar uma empresa de relações públicas para a sua cobertura mediática
implementação devido a acções de
- Ligar todas as mensagens de comunicação e notas relações públicas
informativas às plataformas digitais e aos sistemas de
comunicação dos Estados-Membros
47
Estratégia Actividades de apoio aos programas Anos Indicadores de sucesso
1-3 4-6 7-10
Objectivo 3: Desenvolver o Turismo nas Áreas Transfronteiriças de Conservação
Estratégia 3.1: 1. Formular uma estratégia bem fundamentada para o Formulada e adoptada a
Programa de desenvolvimento do mercado das ATFC estratégia de marketing
Desenvolvimento - Avaliar os progressos realizados e os resultados alcançados no
do Mercado das âmbito da Fase 1 da BSA
ATFC - Passar em revista o grau de implementação da Fase 2 da BSA e
formular a estratégia de marketing
2. Alargar a iniciativa de marketing das ATFC Lançamento bem-
- Desenvolver ferramentas de marketing adequadas sucedido de ferramentas
- Organizar viagens de estudo, envolvendo operadores turísticos e de marketing
jornalistas
- Lançar uma iniciativa mediática em linha e focalizada através das Número de operadores
redes sociais turísticos e jornalistas
expostos
Estratégia 3.3: 1. Lançar uma iniciativa de turismo comunitário para as ATFC Estabelecido um número
Programa - Identificar e seleccionar rotas e áreas de destino nas ATFC como de fóruns sobre rotas
de Inclusão áreas focais para o turismo comunitário
Económica Rural - Identificar parceiros relevantes para o desenvolvimento do Realizado um número de
turismo cultural ao longo das rotas e nas áreas de destino. workshops
- Criar fóruns sobre rotas / áreas
- Realizar workshops de desenvolvimento de produtos Um número de produtos /
- Acordar sobre modelos de negócios sustentáveis e estruturas de experiências culturais em
governação itinerários de operadores
- Trabalhar com fóruns sobre rotas / áreas na elaboração de um turísticos
plano de desenvolvimento para cada uma das áreas.
- Incorporar o desenvolvimento do turismo cultural na estratégia
de marketing das ATFC
48
Estratégia Actividades de apoio aos programas Anos Indicadores de sucesso
1-3 4-6 7-10
Objectivo 4: Melhorar a qualidade das experiências e os níveis de satisfação dos visitantes
Estratégia 4.1: 1. Envolver o Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Documento sobre a
Programa de Segurança da SADC posição elaborado e
Bem-estar e - Formular um manual de orientação sobre a segurança do apresentado ao Órgão
Segurança dos turista na Região
Visitantes - Apresentar os resultados ao Órgão da SADC, para efeitos de Documento sobre a
sensibilização, e aos Estados-Membros, para adopção posição adoptado pelo
Órgão e apoiado pelos
Estados-Membros
2. Lançar uma iniciativa anticorrupção no sector do turismo Elaborado o documento
- Formular uma posição clara sobre o suborno e assédio a sobre a posição
turistas e práticas de corrupção no sector do turismo
- Advogar a favor da aplicação de políticas e abordagens entre Alargamento da rede de
os Estados-Membros da SADC comunicação com os
Estados-Membros
3. Facilitar a implantação de sistemas de seguro eficientes para Conclusões claras sobre
visitantes a necessidade de seguros
- Levar a cabo uma investigação detalhada sobre a natureza e de viagem adicionais para
extensão dos seguros de viagem pessoais disponíveis a SADC
- Submeter as conclusões e recomendações ao Órgão de
Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança Um número de Estados-
da SADC e ao Comité de Ministros do Turismo da SADC e Membros onde foram
advogar a favor da aplicação de tais recomendações criados regimes de
seguros de viagem
adicionais
Estratégia 4.2: 1. Promover a harmonização das normas para instalações e Normas da África Austral
Programa de serviços revistas e reformuladas
Melhoria da - Rever e reformular as Normas de Atribuição de Estrelas a
Qualidade Unidades de Alojamento da África Austral Um número de países
- Realizar uma auditoria sobre a natureza e extensão de a implementar normas
iniciativas e sistemas de padrões de qualidade nos países adequadas
membros e formação a ser ministrada pela RETOSA
- Monitorizar os progressos registados na implementação de Percentagem de
normas e sistemas de classificação adequados estabelecimentos
classificados com sucesso
2. Promover a normalização e mobilidade de guias turísticos Um número de Estados-
regionais Membros a adoptar o
- Avaliar o estado actual dos serviços de guia turístico nos regime de acreditação
Estados-Membros “Guia Regional”
- Introduzir um regime de acreditação registado como “Guia
Regional da SADC” Um número de guias
acreditados
3. Promover a expansão da conectividade de Internet na Região: Expansão do acesso à
- Efectuar pesquisas a respeito da conectividade em linha no Internet de banda larga,
sector do turismo especialmente nas
- Abordar o Cluster de Ministros da SADC responsáveis pelas principais áreas turísticas
Infra-estruturas e Serviços para apresentar os resultados e
promover a expansão da conectividade de Internet
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Estratégia Actividades de apoio aos programas Anos Indicadores de sucesso
1-3 4-6 7-10
Objectivo 5: Maximizar as parcerias e a colaboração no sector do turismo
Estratégia 5.1: 1. Estabelecer comités de trabalho público-privados adequados Comités de Trabalho
Programa de para conduzir o processo de implementação do Programa de estabelecidos e
Parcerias no Turismo da SADC, incluindo: operacionalizados com
Sector Turístico - A existência de uma rede de ATFC responsável por sucesso
supervisionar a implementação do Programa de Turismo das
ATFC.
- O Grupo de Trabalho para Experiências Turísticas
- O Grupo de Trabalho para Parcerias e Reputação do Sector do
Turismo.
2. Estreitar as relações com os comités de clusters da SADC Um número de relações
relevantes com outros clusters da
- Recomendar ao Comité de Ministros do Turismo as questões a SADC
discutir com outros clusters ministeriais relevantes
- Facilitar tais relações
50
Referências
África Austral Sem Fronteiras/Boundless Southern Africa, (2018 Projecto de Documento: Posicionando os Parques Transfronteiriços (PTF) e as
Áreas Transfronteiriças de Conservação (ATFC) como destinos turísticos e de investimento de primeira classe na África Austral: Uma nota
conceptual elaborada pela comunidade de profissionais do sector do turismo da rede de ATFC da SADC
RETOSA, (2016): Revisão e Actualização das Normas de Atribuição de Estrelas a Unidades de Alojamento da África Austral
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (1998): Protocolo da SADC sobre o Desenvolvimento do Turismo
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (1999): Protocolo da SADC sobre a Conservação da Vida Selvagem e Aplicação da Lei
(1999):
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, (2001): Resumo do Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2002): Protocolo Revisto sobre os Cursos de Água Compartilhados na Comunidade de
Desenvolvimento da África Austral
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2009): Acordo que Emenda o Protocolo sobre o Desenvolvimento do Turismo na Comunidade
de Desenvolvimento da África Austral
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2012): Plano Director Regional para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, Plano do Sector
do Turismo (ATFC)
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2013): Programa da SADC para as Áreas Transfronteiriças de Conservação, Secretariado
da SADC, Gaborone, Outubro de 2013
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2015): Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional Revisto 2015-2020,
Conforme Aprovado
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (20118): Acta da Reunião do Conselho de Ministros da SADC, Windhoek, 13 e 14 de Agosto
de 2018
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2019): Projecto de Relatório de Análise da Situação dos Produtos Turísticos Transfronteiriços
das ATFC da SADC - Por publicar
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2015): Directrizes da SADC para Concessões Turísticas nas ATFC
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (2019): Directrizes da SADC para Produtos Turísticos Transfronteiriços nas ATFC, Projecto,
Por publicar
Resultados do Sector do Turismo, (2017): África Austral pronta para o turismo transfronteiriço? Os resultados de uma pesquisa realizada em
linha a 126 operadores e profissionais do sector do turismo, PPT por publicar
WTTC/OMT, (2018): Impacto Económico das Viagens e do Turismo na SADC, 2018, SADC
WTTC/OMT, (2018): Acta da Reunião, Comissão para a África, CAF / 61 / 3.1 Madrid, sexagésima primeira reunião, Abuja, Nigéria, 4 de Junho
de 2018, ponto 3.1 da agenda de trabalhos provisória
51
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