Trono Feminino da Fé em Umbanda

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O documento fornece informações sobre várias divindades associadas ao trono feminino da fé em diferentes culturas e religiões. O trono feminino da fé é representado por Oyá-Tempo em Umbanda,…

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Marcio Miag

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SUMÁRIO
CAPÍTULO 1
Trono Masculino da Fé 03

CAPÍTULO 2
Trono Feminino da Fé 15

CAPÍTULO 3
O Trono do Tempo no Ritual
de Umbanda Sagrada 26
CAPÍTULO 1

TRONO
MASCULINO
DA FÉ
POR ALEXANDRE CUMINO

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E Oxalá, Apolo ou Febo, Hélios, Brahma, Suria, Varuna,


B Rá, Khnum, Baldur ou Balder, Brán, Anu, Nusku, Utu,
O
O Shemesh, Dagda, Inti, Kinich Ahau, Comentário.
K
Oxalá — Divindade de Umbanda é o Trono Masculino da
E
P Fé, irradia a fé o tempo todo de forma passiva, não forçan-
I do ninguém a vivenciá-la, universal, sustenta a todos que
S
têm fé.
Ó
D
I Fator magnetizador e congregador, está na base da
O
criação, sem Fé não existe os outros atributos dos demais
1 tronos e sem magnetismo nada existiria em nosso planeta.
9 Este é o trono principal, regente de nosso planeta. As Di-
vindades que representam esse trono costumam estar no
topo do panteão ou serem identificadas com o Sol que a
tudo sustém.

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

Elemento cristalino, representa a pureza, está em todos os


lugares, religiosamente goza de posição de destaque, pois
sem fé não há religião. Sua cor é o branco, que tem em
si todas as cores. Tem como símbolo a pomba branca da
paz e podemos ainda simbolizá-lo com a cruz da fé ou a
estrela de cinco pontas, que desperta a magia da fé no ser
humano. Seu ponto de força na natureza é qualquer lugar
onde se possa sentir a paz do trono da fé, dando preferên-
cia muitas vezes a mirantes, campos abertos e bosques.
Pedra: Quartzo cristalino.

APOLO OU FEBO
Divindade grega, filho de Zeus com Leto; é o Deus da Luz
Solar, da música, artes e medicina. Senhor do Oráculo de
Delfos. Divindade radiante, sempre moço e belo. Traz pure-
za, tranquilidade e espiritualidade.

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E HÉLIOS
B Divindade grega, irmão de Éos; era o próprio sol, represen-
O
O tado como um jovem com raios de luz saindo da cabeça.
K É considerado também aquele que ilumina e traz a ilumina-
ção, a Luz.
E
P
I BRAHMA
S
Ó É a primeira pessoa da trindade hindu (Brahma, Vishnu e
D Shiva). É o primeiro criado; criador, incriado, do Universo.
I
O Costuma se manifestar com quatro cabeças simbolizando
os quatro vedas (“conhecimento”), livros sagrados para os
1
hindus, quatro yugas (eras, ciclos de tempo e realidade pela
9
qual passa a humanidade, atualmente estamos na Kali-yuga,
a era da destruição), quatro castas (classes sociais hindu).
Tendo quatro braços segura em cada uma das mãos uma

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

“mala” (colar de oração hindu, simbolizando a tranquilidade

da mente), uma colher e ervas (simbolizando os -rituais), o

Kamandalu (pote com água, simbolizando a renúncia) e os

vedas (simbolizando o conhecimento). A mão que segura o

“mala” faz um sinal, “abhaya mudrá”, que representa o afas-

tamento do medo. Aparece de olhos fechados em medita-

ção o que demonstra suas qualidades de paz e harmonia.

Sua consorte, Sarasvati, o Conhecimento, manifestou-se a

partir dele. Dessa união surgiu toda a criação.

SURIA

Divindade hindu, Deus Sol; é a alma suprema dos vedas e

deve ser adorado por todos os que desejam a libertação da

ignorância.

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E VARUNA
B Divindade hindu, provém da raiz verbal “vr” (“cobrir, circun-
O
O dar”), circunda o Universo e tem como atributo a soberania,
K através do Sol ele controla tudo, e desta maneira fez três

E mundos, habitando em todos eles: céu, terra e o espaço


P intermediário de ar onde o vento é sopro de varuna. Sua
I
S morada é o Zênite, mansão de mil portas, onde fica sentado
Ó e a tudo observa; à sua volta ficam seus informantes que
D
I inspecionam o mundo e não se deixam enganar. Seu po-
O der é ilimitado assim como seu conhecimento; ¬inspeciona

todo o mundo, sendo senhor das leis morais. Varuna já foi


1
9 um Deus Único e Celeste, perante a criação, com o tempo

tornou-se Divindade das águas, rios e oceanos.



Divindade egípcia; é o princípio da Luz, simbolizado pelo

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

Sol; ele é mais do que o próprio. É ele quem penetra no dis-


co solar e lhe confere a luz. Adorado como uma das maiores
Divindades egípcias e muitas vezes associado ao nome do
Ser Supremo para lhe conferir este status, como Atun-Rá
ou Amon-Rá.

KHNUM
Deus local do Alto Egito; era um Deus simbolizado com ca-
beça de carneiro. Tinha aspectos de criador, possuidor de
um torno de oleiro, onde modelara o corpo de todos os
homens.

BALDUR OU BALDER
“Distribuidor de todo o bem”. Divindade Nórdica, masculina,
filho de Odim com a Deusa Mãe Frigg. Conhecido como
Deus Sol, o todo radiante, de beleza incomparável. É co-

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E nhecido como a deidade boa, pura e carismática. Deus pa-


B cífico. Conhecido ainda como “o bem-amado”, “o santo”,
O
O “o único sem pecado”. “Deus da bondade”, foi morto por
K obra de Loki. Frigga, sua mãe, pediu a todos, e a tudo, que
jurassem não prejudicar o “deus radiante”, mas esqueceu-
E
P -se do “frágil ramo de agárico”. Deste ramo, Loki fez um
I dardo e colocou na mão do cego Hoder, enquanto todos os
S
deuses se divertiam tentando ferir Baldur com pedras e sem
Ó
D sucesso pelo juramento. Orientado por Loki, Hoder atira o
I dardo que mata Baldur. É dito que, quando um mundo novo
O
e mais puro surgir, ele renascerá.
1
9 BRÁN
Divindade celta. “O abençoado”. Brán é muito cultuado no
País de Gales; é considerado o Deus da profecia, das artes,
dos líderes, da guerra, do Sol e da música.

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ANU
Divindade sumeriana. O pai das Divindades, destronado por
Enlil. É o próprio céu, Divindade do firmamento estrelado.
O que reina na esfera superior. Adorado por sumérios, acá-
dios e assírio-babilônicos, como sendo a divindade maior,
por vezes visto como o Deus Supremo. Senhor dos anjos e
dos demônios, de todas as potências inferiores e superio-
res. Adorado como deus em Uruk.

NUSKU
Divindade sumeriana. Deus da luz, adorado ao lado do Deus
da Lua em Harran e Neirab. Vizir de Anu e de Ellil. Tem como
símbolo uma Lâmpada.

UTU
Divindade sumeriana. Deus Sol sumério. Traz o título de

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E “meu sol” como “majestade”, como eram chamados os reis


B e deuses chefes de panteão.
O
O
K SHEMESH

E Divindade hebraica. Aparece com raios flamejantes saindo


P de seus ombros, saltando sobre montanhas com uma es-
I
S pada flamejante de serra nas mãos e tiara de fogo na cabe-
Ó ça, também simboliza o Sol. É a mesma divindade arábica
D
I Shams.
O
DAGDA
1
9 Divindade celta que aparece como o grande pai de todos,

chamado de “o bom deus”. O poder de dagda aparece

como um sopro que torna os agraciados em grandes trova-

dores.

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INTI
Divindade inca do Sol também chamado de “Servo de Vi-
racocha”. Protetor da casa real onde o Imperador era cha-
mado de “filho de Inti”. É o grande doador da vida e da luz,
Divindade popular mais importante com seu culto estabele-
cido em vários templos.

KINICH AHAU
Divindade maia do Sol, muito ligado ao Deus Criador Itzam-
ná.

Comentário: O Trono Masculino da Fé, Oxalá, é facilmente


encontrado nas várias culturas, por ser comumente repre-
sentado como o Sol ou como a divindade que participou
da criação, pois é a base da mesma. Sem o sentido da Fé
nada existe religiosamente e sem o fator magnetizador nada

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E existe na criação, onde tudo se sustenta por vibração mag-


B nética. Logo se torna sempre uma Divindade importante e
O
benevolente. Na Umbanda, foi sincretizado com Jesus Cris-
O
K to, expoente máximo da fé Católica.

E
P Fonte: Deus, Deuses, Divindades e Anjos.
I Alexandre Cumino. Editora Madras.
S
Ó
D
I
O

1
9

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CAPÍTULO 2

TRONO
FEMININO
DA FÉ
POR ALEXANDRE CUMINO

VOLTAR AO SUMÁRIO
FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E Oyá-Tempo, Éos, Moiras, Andrômeda, Horas, Nornes,


B Rodjenice, Tara, Nut, Shait, Arianhod, Aya, Tamar, Mora,
O
O Menat, Tanith, Nicnevin.
K
Oyá-Tempo — Divindade de Umbanda, é o Trono Feminino
E
P da Fé, absorve a fé em desequilíbrio de forma ativa, recon-
I duzindo o ser a caminho de seu equilíbrio. Cósmica, pune
S
quem dá mau uso ou se aproveita desta qualidade divina
Ó
D com más intenções.
I
O
Fator cristalizador e temporal é o próprio espaço-tempo
1 onde tudo se manifesta. Lembrando que nossa relação de
9 espaço-tempo depende totalmente da movimentação dos
astros no espaço, da onde vêm conceitos como dia e noite
juntamente com nosso senso cronológico. Dizemos que é
uma divindade atemporal, pois é em si o próprio tempo, não

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estando sujeita a ele, mas regendo seu sincronismo.

Elemento cristalino. Religiosamente goza de posição de


destaque, pois rege a própria religiosidade no ser.

Sua cor é o branco e o preto, que é a presença de todas as


cores ou a ausência de todas (em seu aspecto de absorção
e esgotamento da religiosidade desvirtuada e dos exces-
sos cometidos em nome da fé). Simbolizada pela espiral do
tempo, se manifesta em todos os locais, assim como Oxalá
com o qual faz um par nesta linha da fé. Cor: Branco e preto
ou fumê. Pedra: Quartzo fumê rutilado.

ÉOS
Divindade grega, conhecida entre os romanos como Aurora,
filha de Hipérion com Teia. Irmã de Hélio (o Sol) e Selene (a

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E Lua). Era sua tarefa abrir todas as manhãs os portões do


B céu para deixar sair a carruagem do Sol. Teve muitas uniões
O
e muitos filhos, entre os quais podemos citar os Ventos e os
O
K Astros.

E
P MOIRAS
I
S Divindades gregas, conhecidas como Parcas entre os roma-
Ó nos. São três irmãs, responsáveis pelo tempo e por tecer os
D
I fios de nosso destino. Aparecem humanizadas como anciãs
O
encantadas. Seus nomes são Lachesis, Cloto e Átropos.
1 Filhas de Nyx, a Noite, são elas que tecem os fios de nossa
9
vida e destino. Cloto, “a tecelã”, tecia o fio da vida; Lache-

sis, “a medidora”, media o comprimento certo de cada fio, e

Átropos, “a inevitável”, o cortava com sua tesoura.

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ANDRÔMEDA
Divindade grega das estrelas e planetas, vista como sendo
a própria constelação que leva o seu nome.

HORAS
Divindades gregas, originariamente a palavra Hora era uti-
lizada para determinar as estações do ano que se dividia
apenas em três, Primavera, Verão e Inverno. São filhas de
Zeus e Têmis, Eunomia (a Boa Ordem), Dicéa (a Justiça) e
Irene (a Paz). Quando surge o conceito de Outono e Sols-
tício de Inverno, duas novas horas aparecem na mitologia,
Carpo e Talate, guardiãs dos frutos e flores. Quando os gre-
gos dividiram os dias em 12 partes iguais, os poetas iden-
tificaram 12 horas, chamadas “As 12 Irmãs”. Contando-se
primavera, verão, outono e inverno as horas aparecem com
idades diferentes, nesta ordem, da jovem e ingênua adoles-

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E cente até a madura e sábia anciã.


B
O
O NORNES
K Divindades nórdicas do tempo e do destino se dividem em

E Urdhr, a avó anciã (passado), Verdanti, a mãe matrona (pre-


P sente) e Skuld, a jovem (futuro).
I
S
Ó RODJENICE
D
I Divindades eslavas do destino, eram três mulheres que te-
O ciam os fios da vida assim como as parcas gregas e nornes

nórdicas, eram oferecidas a elas as primeiras porções de


1
9 comida das comemorações batismais, assim como a pla-

centa do bebê, enterrada ao lado de uma árvore. Eram co-

nhecidas por Rodjenice, Sudnice e Sudjenice ou Fatit, Ore

e Urme.

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TARA
Divindade hindu, regente do céu e das estrelas, senhora do
tempo.

NUT
Divindade egípcia, Divindade do céu, seu corpo forma a
abóboda celeste, aparece curvada como um arco sobre a
Terra. Nut é o próprio céu, o espaço onde tudo acontece.
Representada por uma vaca, também tem a função de re-
colher os mortos em seu império.

SHAIT
Divindade egípcia do destino, acompanhava toda a encar-
nação de cada um anotando seus vícios e virtudes. Ela é
quem dava a sentença final após a alma passar pela balan-
ça de Maat.

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E ARIANRHOD
B
Divindade celta, guardiã da “roda de prata” que circunda
O
O as estrelas, símbolo do tempo e do carma. Deusa da re-
K
encarnação tem como símbolo a própria espiral do tempo.
E Divindade dos ancestrais celtas, vive em sua própria dimen-
P
I são com suas sacerdotisas. Decide o destino dos mortos
S
levando-os para sua morada ou para a Lua. Aparece no Ma-
Ó
D binogion, uma coleção de relatos escritos entre o século XI
I
O e XIII d.C., como filha de Don e mãe dos gêmeos Lleu Llow

Gyffes e Dylan.
1
9

AYA

Divindade babilônica, “Aurora”, esposa do deus-sol babilô-

nico Shamash.

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

TAMAR

Antiga Divindade russa, do tempo, que habitava no céu, de

onde regia as estações do ano. Aparece como a virgem que

viaja pelo céu montada em uma serpente dourada. Tamar é

quem aprisionava o Senhor dos ventos no Verão para soltar

no Inverno, para que trouxesse a neve.

MORA

Divindade eslava do tempo e do destino. Aparece como di-

vindade branca e alta para dar a vida, e como negra, olhos

de serpente e patas de cavalo para ceifar a vida.

MENAT

Antiga Divindade árabe que teve seu culto abolido por Ma-

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E omé e o Islã. Essa divindade representa a força do destino,


B
senhora do tempo e da morte, aparece sob a forma de an-
O
O ciã.
K
TANITH
E Divindade cartaginense, regente do céu. Aparece com asas
P
I tendo o Zodíaco a lhe envolver a cabeça. Usa um vestido
S
repleto de estrelas trazendo em suas mãos o Sol e a Lua.
Ó
D
I
O NICNEVIN

Divindade escocesa que rodopia o céu durante a noite para


1
9 conduzir as almas em sua passagem.

Comentário: O Trono Feminino da Fé, Oyá-Tempo, encon-

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trado em várias culturas, nos mostra uma divindade que,

não estando sujeita ao tempo, torna-se atemporal. Passa

a regular tudo o que se refere a estações do ano e clima,

também se mostrando presente como o espaço onde tudo

acontece, a abóbada celeste, pois a relação espaço-tempo

também depende dela. Na Umbanda, pode ser sincretizada

com Santa Clara, sempre evocada para resolver as ques-

tões relacionadas ao clima e ao tempo, pela maioria das

pessoas.

Fonte: Deus, Deuses, Divindades e Anjos.

Alexandre Cumino. Editora Madras.

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CAPÍTULO 3
O TRONO
DO TEMPO
NO RITUAL
DE UMBANDA
SAGRADA
POR RUBENS SARACENI

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Orixá Oyá-Tempo ou Mãe Logunan (não confundir com


Oyá-Iansã) é uma divindade que forma um par vertical com
Oxalá, onde ela atua como regente do polo negativo da li-
nha da Fé. Seu culto, na Umbanda, conserva apenas alguns
procedimentos herdados do culto aos Orixás na África.

Um deles é o de oferendá-la no campo aberto ou no tempo,


pois ela é a regente deste mistério. Sim, porque há um Orixá
“Tempo”, também chamado Irókò. Não vamos nos aprofun-
dar neste campo porque não é o nosso, já que ele pertence
ao Candomblé.

Apenas queremos salientar que por trás das lendas e dos


Orixás existem mistérios que devem ser estudados a fundo,
se quisermos descobrir o que não está visível ou não nos foi
revelado.

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E O fato é que “Tempo” é um mistério que transcende espaço


B físico e interpenetra o campo da mente, das ideias, da cria-
O
ção e da religiosidade.
O
K
Tempo é o que foi, o que está sendo e o que ainda será.
E
P Portanto, Tempo está na origem, no meio e no fim de tudo,
I pois tanto está no físico quanto no imaterial campo mental.
S
Tempo é o “meio” onde tudo se realiza; nada fica fora dele,
Ó
D senão não se realiza.
I
O
Tempo é a própria cronologia divina, e por isto toda obriga-
1 ção ou oferenda tem que ser realizada em espaço aberto,
9 no tempo.

Tempo, em seu aspecto negativo, é meio caótico. Já em


seu aspecto positivo é ordem cronológica, onde tudo tem

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seu início ordenado e fica gravado na memória universal da


criação divina.

Tempo é a espiral sem fim que gira em duplo sentido. En-


quanto uma espiral sai do centro neutro e vai crescendo e
envolvendo tudo, a outra vem do infinito e, girando, alcança
o centro neutro, onde está assentado o “Trono do Tempo”.
Isto que estamos comentando transcende lendas e mitos
de todas as religiões, e não só as africanas, porque é co-
nhecimento fechado.

Saibam que quando realizamos uma oferenda propiciatória


visando acelerar ou retardar alguma coisa, é o “Trono do
Tempo” que irá atuar de forma “atemporal”, acelerando os
acontecimentos ou retardando-os.
A Lei do Carma é um dos atributos do “Trono do Tempo”,

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E que a aplica na vida dos seres através das atribuições de


B todos os outros Orixás.
O
O
K Assim, se Xangô rege a Justiça Divina, ele a aplica através
do tempo. Assim que julgar um carma, este começará a ser
E
P aplicado pelo “Trono do Tempo”. E quando Ogum esgota
I um carma, também o faz através do tempo.
S
Ó
D Quando Oyá-Tempo gira, e gira no tempo, ela está recorren-
I do a um atributo do “Trono do Tempo”, que pode modificar
O
tudo ou lançar no caos aquilo que está desordenado.
1
9 No seu duplo giro magnético, o “Trono do Tempo” se projeta
e aí encontramos Oyá-Tempo e Iansã, que não são as mes-
mas divindades, e Oxumaré e Omulu, que aparentemente
são opostos em todos os aspectos.

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Oyá-Tempo e Oxumaré formam uma linha cósmica e Iansã e


Omulu formam outra, ambas perpendiculares às irradiações
verticais, nas quais são regentes cármicos.

Estas linhas de forca não fazem parte do conhecimento que


nos legaram as lendas dos Orixás, pois nunca antes este
nível de conhecimento foi aberto ao plano material e é ex-
clusivo do sexto nível vibratório superior. Mas, algumas das
relações entre os Orixás referem-se às lendas, em que são
indicadas como uniões entre eles, que foram interpretadas
como procedimentos humanos. É por isso que não entra-
mos nas discussões sobre as lendas, já que a única forma
de discuti-las corretamente é através do magnetismo dos
Orixás, que não são seres humanos divinizados, mas sim
seres divinos humanizados, através de nossas limitadas in-
terpretações das coisas divinas.

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E Jamais conseguimos alcançar um nível interpretativo correto


B se nos faltarem as ciências do magnetismo e das energias,
O
pois tudo no universo se fundamenta nessas duas ciências
O
K divinas.

E
P O magnetismo ordena as energias e as distribui através das
I irradiações e, dependendo do tipo de magnetismo, duas
S
energias opostas transitam lado a lado sem nunca se to-
Ó
D carem, ou então são amalgamadas, dando origem a uma
I terceira, já composta e mais densa.
O

1 Com isto esclarecido, então voltemos ao nosso assunto


9 certo?
O Trono do Tempo possui seus aspectos positivos e nega-
tivos:
— Os positivos são ordenados.

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— Os negativos são caóticos.

Toda ação do Tempo obedece a um destes dois aspectos,


que em nós se mostram como a razão e a emoção.

Os giros do Tempo regulam tudo. Se for um giro à direita,


será uma ação positiva e ordenadora. Mas, se o giro for à
esquerda, então será caótico, esgotador, divisor, desmag-
netizador etc. Nos dois giros do Tempo está o próprio fun-
damento da magia, que ao girar para a direita lida com os
aspectos positivos (fatores das divindades) e, ao girar para
a esquerda, estará lidando com os seus aspectos negati-
vos. O fundamento da própria escrita cabalística obedece
ao mesmo princípio, e o mesmo acontece com a divisão da
Umbanda em linhas da Direita e da Esquerda.
No passado todas as religiões naturais cultuavam uma divin-

33
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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E dade associada ao tempo, à qual oferendavam e a tinham


B em conta como reguladora de alguns aspectos da vida.
O
O
K Saibam que o culto a uma divindade do Tempo só é correto
se ela estiver num contexto religioso, já que ela é fulminante
E
P em sua atuação assim que é ativada através da magia.
I
S
Uma divindade do Tempo, se atua religiosamente, vai nos
Ó
D proporcionando o tempo que precisamos para repararmos
I nossas falhas e erros, inclusive nos conduzindo, passiva-
O
mente, às condições ideais para repararmos carmas pe-
1 trificados em nosso passado adormecido. Mas, se ela foi
9 ativada magisticamente e for direcionada para atuar sobre
alguém, então acelera os acontecimentos, precipitando
tudo, lançando o ser que está sendo atuado num caldeirão
em ebulição.

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O Ritual de Umbanda Sagrada adotou o culto a Oyá-Tem-

po, que atua “religiosamente” na vida dos umbandistas, e

sempre girando para a direita, cujo giro é ordenador da reli-

giosidade dos seres.

Oyá-Tempo é um Trono do Tempo e forma com Oxalá uma

linha de forças religiosas que flui naturalmente através da

irradiação da Fé.

A Umbanda não abriu os seus aspectos negativos, e os

confiou aos Exus e Pombas-giras do Tempo que são os

guardiões de mistérios cósmicos transformadores, diviso-

res, paralisadores, desmagnetizadores etc. Até a manifes-

tação incorporante de Exus e Pombas-giras do Tempo são

35
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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

E raríssimas, e só médiuns regidos por Oyá-Tempo os mani-


B
festam naturalmente, mas ocasionalmente.
O
O Saibam que Oyá-Tempo rege a religiosidade dos seres e
K
Oxalá rege a fé. Enquanto ele vibra fé e estimula nos seres a
E busca do Divino em suas vidas, ela vibra religiosidade e es-
P
I timula nos seres os sentimentos religiosos, conduzindo-os
S na busca do Sagrado.
Ó
D
I
Ao oferendarmos Oyá-Tempo estamos nos colocando de
O
frente para ela, que imediatamente começará a atuar “re-
1
ligiosamente” em nossa vida, sempre visando nosso pró-
9
prio benefício e evolução. Mas o fará tão sutilmente, que

dificilmente perceberemos sua atuação. Pode até aconte-

cer de ela ativar outros Orixás, caso nossas necessidades

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FILOSOFIA DOS ORIXÁS

não estejam localizadas nos campos da Fé, mas sim da Lei,

do Conhecimento etc., quando quem atuará será Ogum,

Oxóssi etc.

Por isso dissemos que cultuar uma divindade do Tempo

sem que ela esteja bem inserida no contexto religioso de

uma religião não é recomendável, porque nem sempre será

ela que responderá aos nossos clamores e necessidades.

Porém, se a entendemos como a regente de alguns aspec-

tos de nossa vida, aí o culto será muito positivo, pois ela

atuará de frente para nós, ora nos contendo em nossa emo-

tividade religiosa, ora nos estimulando a irmos ao encontro

do Sagrado em nossa vida.

Afinal, nas coisas da fé, não devemos ser apáticos ou faná-

ticos, mas tão somente, religiosos.

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“mala” (colar de oração hindu, simbolizando a tranquilidade 
da mente), u
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K
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P
I
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FILOSOFIA DOS ORIXÁS
Sol; ele é mais do que o próprio. É ele quem penetra no dis­
co solar e l
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FILOSOFIA DOS ORIXÁS
nhecido como a deidade boa, pura e carismá

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