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ASPECTOS ETIOLÓGICOS DO COMPORTAMENTO CRIMINOSO
2 REVISÃO TEÓRICA
2.1 DEFINIÇÃO: CRIMINOLOGIA
Segundo Leal e Bleichrel (2013), os estudos sobre a criminologia obtiveram uma
transformação bastante significativa, ou seja, para desenvolver esse tipo de estudo se
acrescentou tais objetos para melhor compreensão. Esses objetos são: delito, delinquente,
vítima e controle social, com a apresentação desses objetos houve uma contribuição na
reflexão sobre o papel da sociedade na criminalidade.
A criminologia é uma ciência interdisciplinar que se preocupa com a causalidade
dos fenômenos reais da realidade do crime e da luta contra ele (Bleichrel, Leal 2003). A
primeira obra cientifica titulada com o termo criminologia foi lançada pelo francês Topinard
em 1885, um antropólogo que contribuiu para as origens da criminologia como ciência.
A criminologia aspira a aplicar o método cientifico no estudo do delito (crime),
motivo pelo qual se pode afirmar ter natureza de ciência, contudo, esferas como: direito penal
e política criminal tem por característica a mesma especificidade, mas o que difere a
criminologia destas:
A criminologia, além de requerer consideráveis
esforços, exige profundos conhecimentos psicológicos e
sociológicos, por ser uma disciplina que trabalha com
métodos diferentes daqueles normalmente utilizados na
esfera jurídico penal. (SANNA, 2013, p.9).
Ressaltamos que direito penal e política criminal não são auxiliares de criminologia, pois o
inverso não é verdade. Tais esferas são autônomas e independente umas das outras, mas
contam com seus resultados com finalidade de agregar em seus respectivos conceitos.
2.2 DEFINIÇÃO: MOTIVAÇÃO
Segundo Moreira e Todorov (2005) a motivação e vista como uma força interna,
algo que dá sustentação as ações mais importantes. Contudo motivação e uma experiência
interna que não pode ser estudada diretamente, ou seja, algo que sentimos e ninguém pode
observar. Esta definição pode se dizer que é o que todos pensam de maneira geral sobre
motivação, mas tecnicamente não. A motivação dentro de um olhar técnico, está relacionada a
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um controle externo, pois esta depende de situações especificas, depende do que está
acontecendo com o indivíduo.
No início do século a preocupação em relação a esse estudo era descobrir a real
motivação das pessoas, ao passar do tempo, afirmou-se que o caminho estava errado, a
motivação não ocorre de fora para dentro, mas de dentro para fora (MOREIRA,
TODOROV,2005).
Nota-se interesse pelo estudo de diversas fontes, como: Psicoterapia,
Psicométrica e Teoria da aprendizagem, ambas mostram divergências quanto aos objetivos do
trabalho e métodos empregados, a partir disso altera-se o tratamentos diferentes de conceito
motivacionais. A motivação compreende manifestação emocionais, biológicas e sociais, é
responsável de formar, encaminhar preservar comportamento associado desempenhar o seu
objetivo.
“Psicologia, em especial a área da motivação, é bastante confusa pela prática de
considerar motivos, ou impulsos, ou instintos, ou necessidades, como a causa do
comportamento” (BOLLES, 1967,p.8).
2.3 CONDUTA ANTISSOCIAL
De acordo com Bittencourt (1981) as psicopatias tinham atenção dos autores logo
no início da psiquiatria podem notar que não demostram sintomas mentais ou deficiências
intelectuais, porem comportamento diferente assimilando com comportamento antissocial que
foi o primeiro nome dada a psicopatia.
No início do século XIX deu origem da psicopatia enormes polêmicas. No século,
atribuíam, os comportamentos psicopáticos de causas orgânicas até de comportamentos de
experiências afetivas primarias, negando, portanto, o inato (BITTENCOURT,1981). Na
medicina os primeiros registros sobre comportamento referente a personalidade psicopática,
foi o professor de medicina Girolano Cardamo, pois seu filho envenenou sua mãe. E o
professor falou `pessoas que disso padeciam mantinham a aptidão para dirigir sua vontade`
(BETTENCOURT,1981).
Com o aumento das pesquisas abordado sobre assusto aprimorou entendimento de
psicopatia de inúmeros autores e médicos psiquiatras tiveram vantagens para evolução do
assunto para melhor compreensão desempenho psicopática. Os conhecimentos de cada autor,
são motivação para outros autores como referências de comportamentos psicopático, essas
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pesquisas de estudos são bastante importantes para melhor conhecimento de transtorno para o
estudo de psicologia.
A Organização Mundial da Saude (OMS) refere- se a psicopatia, sendo uma
referência importante, assim descrito abaixo:
A classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) refere-se a psicopatia,
sendo distúrbio da personalidade caracterizado pela inobservância das obrigações sociais,
indiferença para com o outrem, violência impulsiva ou fria insensibilidade. Há um grande
desvio entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento é pouco
modificável pela experiência, inclusive as sanções. Os sujeitos desse tipo são frequentemente
não-afetivos e podem ser anormalmente agressivos ou irrefletidos. Toleram mal as frustações,
acusam os outros ou fornecem explicações enganosas para os atos que os colocam em conflito
com a sociedade (SHINE, 2000, p.16).
2.4 PARÂMETROS BIOLÓGICOS
Segundo Mannhein (1984) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) a história a
relação casual entre a biologia e o crime surgiu da crença popular de que o criminoso “já
nasce assim”. As pesquisas contemporâneas entre a relação Biologia/Crime basearam-se em
quatro grupos específicos. Fatores genéticos, fatores bioquímicos, fatores neurológicos e
fatores psicológicos.
Os fatores genéticos abordam os gêmeos e relação de adoção. Estudos realizados
em gêmeos, foi encontrado o dobro de correlações para o comportamento criminoso em
relação a irmãos não gêmeos. Quanto aos estudos de adoção utilizaram pessoas que não
conheceram seus pais biológicos, tal como indivíduos que ignoravam serem adotivos. Os
resultados revelaram que há uma elevada concordância entre comportamento criminoso dos
pais biológicos com o comportamento criminoso de seus filhos adotados por outra família.
Semelha também haver uma relação maior entre o comportamento criminoso da
mãe biológica com o comportamento criminoso de seu filho adotado, do que a mesma
comparação entre pai e filho. Determinados pesquisadores consideram este fato sugestivo de
uma transmissão genética associada ao cromossomo x. Apesar da evidencia dos dados
apontarem para a existência de importantes fatores genéticos associados à criminalidade, o
papel do ambiente parece também ter importante influencia (CLONINGER & GOTTESMAN
et al.,1987) apud (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
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Os fatores bioquímicos sugerem a participação do colesterol, glicose e alguns
neurotransmissores no comportamento criminoso. Um estudo associou a redução do nível de
colesterol em indivíduos criminoso, enfatizando também a relação álcool-glicose e crime.
Fisiologicamente se demostra que o álcool diminui o açúcar na corrente sanguínea por
inibição da produção de glicose hepática. Desse modo, o álcool ao fazer diminuir a
quantidade de açúcar no sangue pode ser um facilitador do crime. Com relação ao colesterol
verificou-se que a maior violência aparece associada a menor quantidade de colesterol. É
importante salientar que nem todo indivíduo alcoolizado adota um comportamento criminoso.
No que se refere ao nível neuroendócrino, o hormônio mais relacionado a
agressividade é a testosterona. Os resultados são muito variáveis e até contraditórios,
concluindo-se que não há correlação entre testosterona e potencial para agressividade. Os
estudos neuroquímicos no comportamento agressivo enfatizam que a serotonina existiria em
menor quantidade, enquanto o ácido fenilaceéico e a norepinefrina existiriam em maior
quantidade nos criminosos. No entanto, não há uma relação explicita de causa e efeito de que
estes fatores tenham uma participação direta na expressão do comportamento criminoso.
(RUBIN et al.,1987) apud (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
Os Fatores Psicofisiológicos se baseiam essencialmente na avaliação da função
cerebral (fisiopatologia), como atividades elétrica da pele, o eletroencefalograma e o
eletrocardiograma. Os estudos demostraram que, tanto a ativação tônica (reação global do
sujeito na ausência de estimulação especifica) quanto a ativação fásica (reação à estimulação
especifica), é menos nos criminosos. Também apresentam, os criminosos, uma media menor
do ritmo cardíaco, menor nível de condutância da pele e maior tempo de respostas na
atividade elétrica da pele, bem como registros eletroencefalográficos com maior incidência de
anormalidade (FOWLES et al.,198) apud (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
2.5 PARÂMETROS PSICOLÓGICOS
Peixoto (1936) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) estabeleceu o marco do
estudo do comportamento criminoso por uma orientação dos aspectos morais e psicológicos.
Desta forma o criminoso e portador de uma anormalidade psíquica e moral, uma condição de
lesão ética, a qual seria responsável pela pratica de atos delinquentes. As compreensões com
enfoques psicológicos comumente ressaltam que suas proposições fundamentais abordam:
O criminoso é um homem como qualquer outro, apenas se diferenciando por maior
aptidão para passagem ao ato;
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A personalidade criminal é descrita através de traços psicológicos (ou componentes)
que são agrupados num no central e em variantes;
O no central engloba os traços de agressividade, egocentrismo, labilidade e indiferença
afetiva, sendo estes os elementos responsáveis pela efetiva passagem ao ato, enquanto
as variantes (fatores de temperamento, aptidões físicas, intelectuais e profissionais,
razoes aparentes, necessidades nutritivas e sexuais) serão responsáveis pelas diferentes
modalidades desse ato;
A personalidade do criminoso considerada na sua globalidade dinâmica, resultando a
sua especificidade ou particularidade da associação, ação e interação especifica dos
seus diferentes traços constitutivos.
Nas compreensões de Eysenck (1977) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003), o
comportamento criminal é a consequência de uma interação entre fatores ambientais e
características hereditárias. Segundo o autor a personalidade pode ser definida desde um fator
de ordem superior, para a capacidade -o fator g- e três fatores de ordem superior para o
temperamento, ou seja, a extroversão, o neurotiquíssimo e o psicoticismo, traços constitutivos
da personalidade de todos sujeitos. Na ocorrência concreto da criminalidade, o fator g não
haverá ampla influencia no seu desenvolvimento ou conservação, sendo antes fundamentais
os três fatores de temperamento, os quais determinarão a estrutura a da personalidade do
criminoso, de acordo com o autor os criminosos exibem, maior dificuldade na aprendizagem,
das regras e da conduta socialmente adequada.
Dados da literatura enfatizam o Transtorno de personalidade anti-social (TPAS),
como uma das principais causas do comportamento criminosos. Os aspectos psicológicos
destes indivíduos são caracterizados pelo desprezo às obrigações sociais e por falta de
consideração com o sentimento dos outros. Exibem um Egocentrismo patológico, emoções
superficiais, falta de auto percepção, pobre controle a impulsividade, baixa tolerância para
frustação, irresponsabilidade, falta de empatia para com outros, ausência de remorso,
ansiedade e sentimento de culpa em relação ao seu comportamento anti-social. Sendo
geralmente sínicos, manipuladores, incapazes de manter uma relação e se relacionar
afetivamente (SCHNEIDER et al.,1923) apud (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
Os estudos dos componentes da emoção nestes indivíduos relacionam-se a
respostas de ansiedade, impulsividade e agressividade. Alguns criminosos são incapazes de
aprender com a punição, de modificar seus comportamentos e apresentar respostas
fisiológicas a situações de medo. Quando percebem que seu comportamento não é tolerado
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frente a sociedade, eles reagem escondendo-o disfarçando de forma inteligente suas
características de personalidade.
A literatura enfatiza o déficit emocional como umas das principais características
de alguns criminosos. A expressão do comportamento antissocial para estas pessoas ocorre
com maior frequência na área do trabalho, em ambientes domésticos violentos, em situações
caracterizadas pelo tráfico de drogas e nas dificuldades conjugais. Entretanto, apenas uma
pequena fração desses sujeitos transforma-se em criminosos violentos, estupradores e
assassinos seriais. Políticos corruptos, lideres autoritários e pessoas violadoras dos direitos do
outro estão entre eles (HARE, 1999) apud (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
2.6 PARÂMETROS SOCIAIS
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003) dentro da literatura internacional,
existe uma uniformidade de opiniões sobre os fatores sociais como causadores do crime. O
exagerado crescimento demográfico; o desequilíbrio na distribuição de renda, o que provoca
um grande quadro de marginalização e surgimento de comunidades e conglomerados urbanos;
o desemprego; ócio da juventude; desestruturalização do núcleo familiar; ineficácia em
relação ao excessivo tráfico de substâncias tóxicas e o alcoolismo.
Esses autores também acreditam que o papel da família se apresenta com
importantes referências nas causas do comportamento criminoso. Famílias com histórico de
desordens mentais, apresentaram-se com um fator que se correlaciona para o comportamento
criminoso.
Outro aspecto que motiva a família para o crime é a violência e abuso de crianças
e jovens pelos pais ou parentes. Esta violência caracteriza-se por extermínio; privação
indevida e arbitrária de liberdade; maus-tratos; abuso sexual; espancamento e abandono. Hare
(1970) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) concluíram em seus estudos que a privação
emocional ou a grave rejeição parental apresentavam-se como uma das principais causas da
conduta criminosa.
Desemprego associado ao crescimento demográfico caótico afetam o núcleo
familiar, o que pode contribuir para o ingresso das pessoas na prática do tráfico, ameaçando
um elevado índice de chacinas, latrocínios e homicídios. (BARROS; RIGONATTI;
SERAFIM, 2003)
Conte (1996) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) concluiu em um estudo,
que uma região caracterizada por famílias numerosas, com renda anual baixa e elevado
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número de crianças e jovens fora da escola. A estruturação social dessa região apresentava
como instrumento facilitador de comportamentos agressivos, violentos e antissociais por parte
dos moradores. Os homens apresentam-se mais agressivos, com maior uso de drogas e abusos
em relação às mulheres. As relações familiares caracterizam-se poucos reforçadores positivos.
As demonstrações de afetos são raras. Esses fatores refletem na vida social da população,
decorrendo elevado índice de violência e delinquência das pessoas da região.
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003) o estudo sugere que inadequações
sociais afetam diretamente na estrutura e organização da família, fragilizando-a e provocando
ineficácia no papel principal, estabelecer relações saudáveis e na formação moral e ética do
indivíduo.
Segundo estes mesmos autores independente da raça ou grupo étnico, a pobreza
resulta em maiores taxas de violência, criminalidade e doenças físicas e mentais, como
mortalidade. Segundo o ECA (Epidemiological Catchment Area) viver na pobreza associa-se
a um risco maior de ter ao menos um transtorno mental. Não foi encontrada diferença na
prevalência de transtornos mentais entre os diversos grupos étnicos quando os fatores sócios
demográficos eram controlados.
No início do século XX a população negra era muito atingida pelos transtornos
mentais de origem toxi-infecciosa, mas em vez de relacionarem à situação socioeconômica,
eles relacionavam essa maior prevalência a uma predisposição constitucional dos negros. Os
níveis de alcoolismo nos negros passaram a se tornar elevados quando após, a abolição da
escravatura, passaram a aglomerarem-se nos grandes centros urbanos em condições precárias.
Com relação à imigração, a maior incidência de psicopatologia em imigrantes era relacionada
a uma predisposição de determinados grupos raciais e não ao estresse que resulta da mudança
de país e seus problemas de adaptação. (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003)
De acordo com Barros, Rigonatti e Serafim (2003), se tinha a ideia de que a
imprensa, ao lado dos demais meios de comunicação, como o rádio, o cinema e a televisão
poderiam exercer uma ação benéfica, fortalecendo as forças morais e orientando a formação
da opinião pública, quanto poderia ser nocivo e prejudicial ao propagar ideias e princípios que
corromperiam o caráter e estimulariam os indivíduos para o mal.
Para esses mesmos autores as frequentes notícias de crimes, a tendência ao
sensacionalismo, o prestígio idealizado a indivíduos “desclassificados”, o incentivo aos
propósitos incorretos, os atentados contra os costumes atuariam sobre as pessoas,
particularmente dos mais fracos, das crianças e adolescentes, estimulando a prática de crimes
10
contra a propriedade e contra as pessoas. A televisão e o cinema apareciam como meios
eficazes, pela propagação e força sugestiva, para suscitar distúrbios mentais.
A sugestão coletiva seria um dos mais graves problemas, pois a “civilização
moderna” concentrada pelas atividades cotidianas e sem tempo para meditar tenderia a imitar
seus semelhantes, perdendo a sua personalidade e deixando-se levar pelo ambiente.
(BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003).
2.7 DESESTRUTURAÇÃO FAMILIAR
Kashani et al (1992) e Radbill (1974) apud Rigonatti (2003) relatam que indícios
de violência familiar já existem há tempos antigos e hoje reconhecem como um problema da
sociedade. Existem várias formas de abuso familiar, abundo infantil (de velhos pelas crianças,
entre irmãos, de pais para filhos). Em todos os casos de abusos, a criança é exposta a
situações traumáticas que podem interferir e dificultar a possibilidade de desenvolvimento
sadio. O abuso sexual na infância é fator de risco para atos de perversões sexuais e
homicídios.
Robins (1978) apud Rigonatti (2003) ressaltou que uma história de
comportamentos antissocial na infância é condição para comportamento antissocial de um
adulto. Adulto com comportamento criminoso tem sido demonstrado como uma das
consequências de infância vitimada, reforçando a teoria do ciclo da violência.
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003), os meios de comunicação
dramatizam os sequestros, estupros, assédios sexuais, mortes. Entretanto, não são valorizadas
as consequências que esses atos causam. Esses atos que desestabilizam os seres humanos,
dificultando a continuidade de suas vidas, são desconsiderados. O ato violento ou tentativa
repercute na família do criminoso, que é deixada em segundo plano, sofre as consequências
da violência que um membro desse núcleo executa.
Esses autores também relatam que um desafio do século XXI é garantir que as
crianças cresçam transformando-se em adultos sábios, corretos e capazes; e os pais que são
responsáveis por essa tarefa. A responsabilidade da função paterna ou materna é o primeiro
cargo importante que a pessoa enfrenta na vida. É uma missão cuja prioridade em relação à
tarefa profissional deve-se ao seu comprometimento com a vida de outras pessoas e a
responsabilidade com a sociedade. Os pais são os primeiros professores das crianças, o tijolo
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essencial para a construção de uma pessoa saudável e equilibrada, que exercerá a
parentalidade com segurança no futuro.
A família é a matriz do desenvolvimento humano e a principal fonte de saúde.
Quando não se constitui uma unidade de experiência, de aprendizagem e de criatividade,
poderá se tornar um fator de doença. (Fichtner, 1996) apud (BARROS; RIGONATTI;
SERAFIM, 2003).
Algum acontecimento na família que ameace o equilíbrio, geralmente encaixa-se
com o acontecimento do sintoma, como o fato de um membro sair de casa, divorciar-se,
casar-se, ficar doente ou morrer. A ansiedade com relação a essas mudanças ativa conflitos
que estavam adormecidos e, ao invés de serem resolvidos, passaram a ser expressos através de
um sintoma, que pode ser um meio de evitar essa mudança, quanto um meio de se fornecer
uma maneira para que ela ocorra. (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003)
Gottfredson e Hirschi (1997) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003),
comparavam crianças que vivem em lares intactos com as que vivem em lares abatidos ou
reconstituídos e concluíram que as primeiras têm menor índice de criminalidade.
Para não ultrapassar as leis impostas pela sociedade, qualquer indivíduo deve
desenvolver capacidade de controlar impulsos. É preciso conseguir adiar a gratificação de
uma ação, sem sentir-se prejudicado, além de saber levar em conta os sentimentos alheios,
não adaptando o limite de uma boa convivência visando uma gratificação imediata. Oliver
(1994) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) constatou existir relação entre função paterna
e controle dos impulsos, e que isso tem importância no vício.
Sampson e Laud (1993) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) concluíram que
falta de supervisão dos pais, pais intimidantes, que controla seus filhos com disciplina
rigorosa, que erram, ou com desequilíbrio emocional, estão relacionadas com delinquência.
Segundo Poponoe (1996) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003), a decadência
da paternidade é a responsável por problemas da sociedade moderna, crime e delinquência,
sexualidade prematura, nascimento fora do casamento, degradação dos resultados escolares,
depressão, dependência de drogas e alienação na adolescência, crescimento de mulheres e
crianças na pobreza. O pai é visto como herói, forte e protetor, pronto para ajudar e guiar na
vida pelos seus filhos.
Loeber e Dishion (1983) e Patterson et al. (1992) apud Barros, Rigonatti e Serafim
(2003) sugerem uma relação entre funções familiares e envolvimento em comportamento
delinquencial. Mc Cord (1980) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) sugere que a falta de
amor maternal e criminalidade dos pais provoca o envolvimento em crimes violentos,
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indicando uma relação entre conflito parental e agressividade parental com criminosos
violentos. Vários aspectos do funcionamento familiar estão ligados à delinquência, como
histórico de criminalidade na família, disciplina severa, conflitos familiares, baixo nível de
coesão intrafamiliar, baixa afetividade, hostilidade.
Características atípicas descritas nas diversas etapas de desenvolvimento da
personalidade de indivíduos violentos, tem sido mencionadas a enurese noturna na infância,
terror noturno, sonambulismo, solilóquio, crise de birra. Na adolescência ressaltam o
comportamento delinquente (dificuldade nas relações interpessoais, dificuldades nos estudos,
inveja, mesquinharias, reações afetivo-emocionais exageradas, desconfiança, ideias
perseverantes); atuação em furtos, roubos; uso de drogas. Miller (1974) apud Barros,
Rigonatti e Serafim (2003) denominou “síndrome assassina ou do desumano” quando
contrariados ou levados por estados emocionais exaltados, podendo cometer crimes
hediondos.
Gorman et al. (1996) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) identificou quatro
aspectos da influência familiar em relação a comportamento violento na adolescência:
criminalidade dos pais; maus-tratos sofridos; incoerência no comportamento dos pais no que
se refere à educação através de disciplina, de monitoramento dos comportamentos dos filhos e
supervisão; e as características da família como um sistema no qual se inclui os valores e as
crenças familiares que são passadas para os membros como afetividade, coesão, comunicação,
organização.
Pais que participam em atividades ilegais, envolvimento com a justiça e tenham
cometido atos criminosos têm uma grande tendência de ter seus filhos seguindo o mesmo
padrão de comportamentos agressivos e delinquentes. Pode se questionar se por
comportamentos aprendidos ou por herança genética. (ROBIN et al., 1975) apud (BARROS;
RIGONATTI;SERAFIM, 2003).
Segundo Samios et al. (1985) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003), relações
violentas parecem ser caracterizadas por homens de famílias violentas, que tiveram pouca
amizade ou respeito por suas parceiras, e mulheres que tiveram baixo respeito e amizade, com
poucos sentimentos positivos por seus parceiros. Contudo, ainda não é possível afirmar que
isso ocorre por aprendizagem, ruptura nos valores tradicionais da sociedade, crenças divididas
entre pais e filhos, ou descendência genética. Atualmente há uma crescente quantidade de
pesquisas que sugerem que o impacto da criminalidade dos pais no comportamento
delinquencial se deve aos métodos utilizados na educação dos filhos.
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Butterfield (1999) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) alertou que crianças
que visitam seus pais e parentes na prisão, se torna uma situação alarmante por possibilitar um
convívio regular com uma instituição prisional. As visitas frequentes podem indicar que essa
instituição não seja um lugar para se evitar. O estigma negativo de uma prisão pode ser
abrandado e a criança passa a ver a institucionalização como natural, podendo fazer parte de
sua vida adulta, por já estar acostumado a passar um tempo de sua vida na prisão.
Hasson e Meleiro (2000) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) acreditam ser
necessário a prevenção, anterior à punição, não se deve combater a consequência, ao invés da
causa. Trabalhando com as crianças e suas famílias, para que os menores não se tornem
criminosos no futuro. Não havendo a conscientização da necessidade de um trabalho
preventivo, deve-se construir mais detenções, que serão os lares das crianças.
Alexander e Barton (1990) apud Barros, Rigonatti e Serafim (2003) afirmam que
o programa mais eficaz na prevenção da violência, é especialmente com os genitores. É
analisado as características individuais dos pais e seu comportamento em relação aos filhos,
focalizado a relação intrafamiliar, que inclui coesão emocional, comunicação clara entre os
membros, afetividade positiva.
2.8 ÁLCOOL E O CRIME
De fato o álcool está implicado em vários prejuízos aos seus usuários quanto à
sociedade de uma forma geral. Há três fatores de conexão que associam o consumo de
substâncias psicoativas com atividades delitivas. A primeira diz que os próprios efeitos
psicofarmacológicos das substâncias provocariam comportamentos desadaptativos e
violentos, o qual resultaria em atividades ilícitas. O segundo diz que as necessidades
econômicas dos usuários conduziriam a atos criminosos por parte do dependente para
sustentar o próprio vício. O terceiro e último diz que é a própria violência associada ao tráfico
e ao mercado de drogas – crime organizado. (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003)
Em geral, o mau uso do álcool está relacionado ao crime, mas existem outros
fatores que ao mesmo tempo contribuem ao consumo pesado de bebidas alcoólicas, que estão
relacionadas ás atividades criminosas, como baixo nível socioeconômico, disfunções
familiares, transtornos precoces do comportamento, abuso sexual ou físico infantil dentre
outros. (BARROS; RIGONATTI; SERAFIM, 2003)
Segundo Laranjeira, Duailibi e Pinsky (2005), vários modelos teóricos são
propostos para entender a relação entre bebidas alcoólicas e a violência. O primeiro modelo
diz que o álcool conduziria ao crime por suas propriedades psicofarmacológicas, seus efeitos
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que incluem distorção cognitiva e de percepção, déficit de atenção, julgamento errado de uma
situação e mudanças neuroquímicas, originariam ou estimulariam comportamentos violentos.
O segundo modelo explica que os indivíduos que comentem crimes são provavelmente
expostos a situações socioculturais e ambientais no qual consumir bebidas alcoólicas pesadas
é perdoado ou encorajado, assim esses ambientes que existirem aceitação maior da violência e
menor temor da consequência sócias, físicas e legais, possuiria maior índice de criminalidade
e abuso dessa substância. O terceiro e último modelo citado por esses autores, supõe que a
bebida-violência seja correspondente a causas comuns como, antecedentes familiares de
alcoolismo, genética, mau relacionamento com os pais e transtorno de personalidade
antissocial.
O consumo de álcool é um importante facilitador de situações de violência. Há
inúmeras evidências da sua contribuição nos homicídios, suicídios, violência doméstica,
crimes sexuais e acidentes de trânsito. (LARANJEIRA; DUAILIBI; PINSKY, 2003)
2.9 CRIMINALIDADE FEMININA
A falta de condições mínimas de existência leva uma grande parte da população
para as margens da sociedade. Muitas das pessoas que se vêem em situação de pobreza
acabam optando pelo caminho da ilegalidade. O crime surge como uma alternativa viável para
aqueles que possuem pouca ou nenhuma estrutura familiar, assim como também péssimas
condições de vida e sem nenhuma expectativa de progresso. De acordo com o Departamento
Penitenciário Nacional, a população carcerária do Brasil atualmente, é de aproximadamente
93% de homens e 7% de mulheres, na qual as autoridades competentes ignoram
completamente as diferenças, os recortes de gênero, a etnia e a classe social. Não há diferença
entre detentos e detentas, pois são tratados de forma parecida, ou seja, submetem às mulheres
a um sistema pensado para homens. Sendo assim, a maioria das mulheres são presas por
envolvimento com drogas, seja por dependência química ou por tráfico. (DAVIM; LIMA
2016)
O desemprego, baixo nível de instrução escolar e a precariedade das condições
financeiras são considerados fatores que podem levar a criminalidade feminina. Porém a
maioria das mulheres que se envolvem com a prática criminosa é a mantedora da sua família.
No entanto a facilidade em ganhar dinheiro, além da vontade de ostentar um poder sobre o
outro, a aquisição de diversos bens, aos quais não teria acesso por meio do trabalho,
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adquiridos por meio de delitos como tráfico de drogas, é outro motivo que pode influenciar na
prática criminosa. (ALVES, 2017)
De acordo com Alves 2017, o que acontece com as mulheres criminosas é um
ciclo de violência, que começa na maior parte durante a infância e a adolescências, em
famílias desestruturadas, assim passando para o casamento com um marido igualmente
desestruturado.
Mulheres que vivem em regiões periféricas das capitais brasileiras, principalmente
em áreas com baixo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, no qual há uma grande
concentração de tráfico de drogas, acabam tendo maiores possibilidades de se relacionarem
com parceiros que estejam envolvidos com atividades criminosas, desta forma esse fator pode
ter grande influência na sua entrada para o crime. Por conta da má estruturação familiar, essas
mulheres acabam tendo relações sérias muito cedo, como que para suprir uma necessidade
seja esse material ou emocional, e muita das vezes elas acabam descobrindo o envolvimento
dos seus parceiros no crime quando a relação já ganhou seriedade, e como já estão muito
envolvidas para assumir a relação como um erro, acabam por apoiar o marido. (DAVIM;
LIMA, 2016)
Outro motivo que contribui para a entrada das mulheres para o mundo do crime é
através dos “favores” ao companheiro, como por exemplo, transportar drogas dentro do corpo,
as “mulas”, e muita das vezes elas são denunciados pelo próprio parceiro para distrair a
polícia e facilitar a passagem de um carregamento de drogas maior. (DAVIM; LIMA, 2016).
16
3 DISCUSSÃO
O estudo sobre a criminologia está cada vez mais amplo, pois esferas como:
direito penal e política criminal contribui para a fundamentação deste conceito. Que busca
pelo método cientifico os estudos sobre delito (crime), os fenômenos reais da realidade do
crime e da luta contra ele (SANNA,2013).
Para Moreira e Todorov (2005), a motivação tem diferentes olhares, como algo
intrínseco e extrínseco, ou seja, intrinsecamente como uma força interna que não pode ser
observada ou estudada. Extrinsecamente, a motivação faz parte do controle externo, algo que
acontece de fora para dentro e não de dentro para fora.
São muitos os autores que buscam compreender fenômenos biológicos e
psicológicos para a causa do comportamento criminoso. Para Cloninger (1987), apesar da
evidencia de os dados apontarem para a existência de importantes fatores genéticos
associados à criminalidade, o papel do ambiente parece também ter importante influencia.
Para Rubin (1987) os fatores bioquímicos sugerem a participação do colesterol, glicose e
alguns neurotransmissores no comportamento criminoso. Um estudo associou a redução do
nível de colesterol em indivíduos criminoso, enfatizando também a relação álcool-glicose e
crime. Porém, não existe comprovação efetiva de que estes fatores estejam ligados no
aparecimento do comportamento criminoso.
Os estudos que buscam compreender os parâmetros psicológicos apresentam
diversas vertentes. Para Peixoto (1936), o criminoso e portador de uma anormalidade psíquica
e moral o que levaria a pratica de atos delinquentes. O autor traz compreensões com enfoques
psicológicos, suas proposições fundamentais abordam: o criminoso é um homem comum,
porém com aptidão para o crime, existe uma personalidade criminal e traços específicos.
Nas compreensões de Eysenck (1977) apud Rigonatti (2003), o comportamento
criminal é a consequência de uma interação entre fatores ambientais e características
hereditárias. De acordo com Schneider (1923), o Transtorno de personalidade antissocial
(TPAS), se apresenta como um dos principais motivos para o comportamento criminosos,
descrevendo características especificas deste comportamento. Segundo Hare (1999), através
de suas pesquisas na literatura, o déficit emocional é umas das principais características de
alguns criminosos.
Para Barros, Rigonatti e Serafim (2003), dentro da literatura internacional, existe
uma uniformidade de opiniões sobre os fatores sociais como causadores do crime. O
exagerado crescimento demográfico; o desequilíbrio na distribuição de renda, o que provoca
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um grande quadro de marginalização e surgimento de comunidades e conglomerados urbanos;
o desemprego; ócio da juventude; desestruturalização do núcleo familiar; ineficácia em
relação ao excessivo tráfico de substâncias tóxicas e o alcoolismo.
Hare (1970) concluiu em seus estudos que a privação emocional ou a grave
rejeição parental apresentavam-se como uma das principais causas da conduta criminosa.
Conte (1996) concluiu em um estudo, que uma região caracterizada por famílias
numerosas, com renda anual baixa e elevado número de crianças e jovens fora da escola. A
estruturação social dessa região apresentava como instrumento facilitador de comportamentos
agressivos, violentos e antissociais por parte dos moradores.
Gottfredson e Hirschi (1997) comparavam crianças que vivem em lares intactos
com as que vivem em lares abatidos ou reconstituídos e concluíram que as primeiras têm
menor índice de criminalidade.
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003) independente da raça ou grupo
étnico, a pobreza resulta em maiores taxas de violência, criminalidade e doenças físicas e
mentais, como mortalidade.
Kashani et al. (1992) e Radbill (1974) relatam que indícios de violência familiar já
existem há tempos antigos e hoje reconhecem como um problema da sociedade.
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003), os meios de comunicação
dramatizam os sequestros, estupros, assédios sexuais, mortes. Entretanto, não são valorizadas
as consequências que esses atos causam
Oliver (1994) constatou existir relação entre função paterna e controle dos
impulsos, e que isso tem importância no vício.
Segundo Barros, Rigonatti e Serafim (2003), a responsabilidade da função paterna
ou materna é o primeiro cargo importante que a pessoa enfrenta na vida. É uma missão cuja
prioridade em relação à tarefa profissional deve-se ao seu comprometimento com a vida de
outras pessoas e a responsabilidade com a sociedade
Alexander e Barton (1990) afirmam que o programa mais eficaz na prevenção da
violência, é especialmente com os genitores.
Hasson e Meleiro (2000) acreditam ser necessário a prevenção, anterior à punição,
não se deve combater a consequência, ao invés da causa.
Em relação do álcool e o crime, Barros, Rigonatti e Serafim (2003), dissertam que
o álcool está relacionado com o ato delituoso, por seus efeitos psicofarmacológicos, pela
sustentação do próprio vício e pelo tráfico de drogas, o crime organizado. Porém afirmam que
existem outros fatores que contribuem ao mesmo tempo para o crime, como baixo nível
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socioeconômico, disfunções familiares, transtornos precoces de comportamentos, abuso
sexual ou físico infantil.
No entendimento de Laranjeira, Duailibi e Pinsky (2005), há vários modelos
teóricos que buscam entender a relação entre álcool e violência. Sendo assim, o álcool
conduziria ao crime por suas particularidades psicofarmacológicas que tem efeitos como
distorção cognitiva e de percepção, déficit de atenção, julgamento errado de uma situação e
mudança neuroquímicas, ou por estarem exposto a situações socioculturais em que consumir
bebidas alcoólicas pesadas é encorajado ou perdoado, sem medo de punição aumentando o
índice de criminalidade e abuso dessa substância, por último o consumo seria por causas
comuns como antecedentes familiar de alcoolismo, genética, pobre relacionamento com os
pais e transtorno de personalidade antissocial. Desta forma, o consumo do álcool é um
facilitador de violência que está ligado a diversos crimes.
No que se refere à criminalidade feminina, Davim e Lima (2016), apontam que os
fatores que levam as mulheres entrar para o mundo do crime, é a falta de condições míninas
de existência, ou seja, essas mulheres vivem em situação de pobreza, sem estrutura familiar e
sem expectativa de progresso. Os autores fazem referência a regiões periféricas das capitais
brasileiras, no qual o IDH é baixo, e em que há uma grande concentração de tráfico de drogas,
que fazem com que as mulheres acabem se relacionado com parceiros envolvidos em
atividades ilícitas, e que muitas das vezes apenas descobrem o envolvimento dos seus
parceiros quando o relacionamento já está sério. Por fim, compreendem que outro motivo que
leva às mulheres a criminalidade é através dos favores aos parceiros, como as “mulas”, ou
seja, elas transportam drogas dentro do próprio corpo, e muitas das vezes são denunciados
pelo próprio parceiro para facilitar um carregamento maior de drogas.
Para Alves (2017), a sua compreensão sobre a criminalidade feminina, isto é
entrada das mulheres no crime, se dá pelo desemprego, baixo nível escolar, precariedade das
condições financeiras, por elas serem mantedora da família, pela facilidade em ganhar
dinheiro e ostentar um poder sobre o outro. Delitos na maioria das vezes por tráfico de drogas.
Afirma também que a maioria das mulheres vêem de uma infância e adolescência
desestruturadas passando para um casamento também desestruturado.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a criminologia e seus objetos de estudos contribui de uma forma
muito significativa com uma grande reflexão do papel da sociedade na criminalidade, são
muitos os autores que buscam deixar claro o conceito interdisciplinar em conjunto com outras
esferas. De natureza cientifica, a criminologia trabalha com métodos diferentes daqueles
normalmente utilizados na esfera jurídico penal.
O papel da motivação neste campo de pesquisa não pode ficar de fora, pois o
conceito de motivação nesta área esclarece muitos conflitos. A motivação dentro do olhar
técnico, e algo que faz parte do controle externo, assim refletindo em tais ações de indivíduo.
Por meio do estudo da literatura e das pesquisas é possível compreender o
comportamento criminal de vários aspectos, por parâmetros psicológicos, biológicos e sociais,
são muitas as pesquisam que buscam compreender estes fenômenos. Os parâmetros
biológicos buscam explicar o comportamento criminal por meio de fatores genéticos,
bioquímicos e neurológicos do indivíduo. Quanto aos parâmetros psicológicos as pesquisam
buscam caracterizar aspectos específicos da personalidade de comportamento criminais.
Estes estudos e investigação são importantes para possíveis intervenções e prevenção do
comportamento criminoso, bem como o aprimoramento da justiça criminal.
Dentro do parâmetro social existe uma uniformidade de opiniões sobre os fatores
como causadores do crime, crescimento demográfico, desequilíbrio na distribuição de renda,
desemprego, desestruturação familiar, excessivo tráfico de substâncias tóxicas e o alcoolismo.
A estruturação de regiões caracterizadas por famílias numerosas, com renda anual baixa e
elevado número de jovens fora da escola pode ser facilitador de comportamentos agressivos,
violentos e antissociais.
Podemos concluir que a privação emocional e a rejeição parental podem ser
causas da conduta criminosa. Crianças que vivem em lares abatidos tem maior índice de
criminalidade. Os pais são os primeiros professores das crianças, essenciais para a construção
de uma pessoa saudável e equilibrada, que exercerá a parentalidade com segurança no futuro.
A família é a matriz do desenvolvimento humano e a principal fonte de saúde. Quando não se
constitui uma unidade de experiência, de aprendizagem e de criatividade, poderá se tornar um
fator de doença.
Independente da raça ou grupo étnico, a pobreza resulta em maiores taxas de
violência, criminalidade e doenças físicas e mentais, como mortalidade. Desemprego
associado ao crescimento demográfico caótico afetam o núcleo familiar, o que pode contribuir
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para o ingresso das pessoas na prática do tráfico, ameaçando um elevado índice de chacinas,
latrocínios e homicídios.
A compreensão que podemos ter diante do álcool e o crime, é que os efeitos têm
relação com o ato delituoso, por suas particularidades psicofarmacológicas que podem ser
distorção cognitiva e de percepção, déficit de atenção, julgamento errado de uma situação e
mudança neuroquímicas, assim também como o crime conduziria o consumo de álcool e por
sua relação ser coincidente ou explicada com outras causas, como por exemplo, antecedentes
familiar de alcoolismo, genética, pobre relacionamento com os pais e transtorno de
personalidade antissocial.
Mediante da pesquisa entende-se que os motivos que levam as mulheres a entrar
na criminalidade estão ligados à condição financeira, a desestruturação familiar, a favores
para o parceiro criminoso, ao baixo nível escolar, pela facilidade de ganhar dinheiro, e
geralmente os crimes estão mais ligados ao tráfico de drogas.
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REFERÊNCIAS
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das mulheres detidas no Brasil e Argentina. Revista Direitos Humanos e Democracia. Rio
Grande do Sul, n.5, p.175-212, jul./dez. 2017.
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