Olorum: Mitos e Significados na Umbanda

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1) A história narra a origem do ritual do axexê, criado por Oiá para homenagear seu pai adotivo Odulacê após sua morte. 2) Oiá depositou os pertences de Odulacê sob uma árvore sagrada, come…

Enviado por

Hendrick Ricky

OLORUM

AXEXE

Vivia em terras de keto um caçador


chamado Odulecê, era o líder de todos
os caçadores, ele tomou por sua filha uma
menina nascida em Irá, que por seus modos
espertos e ligeiros era conhecida por Oiá.
Oiá tornou-se logo a predileta do velho
caçador, conquistando um lugar de destaque
naquele povo. Mas um dia a morte
levou Odulacê, deixando Oiá muito triste.
A jovem pensou numa forma de homenagear o
seu pai adotivo, reuniu todos os
instrumentos de caça de Odulacê e enrolou-
os num pano.
Preparou todas as iguarias que ele tanto
gostava de saborear.
Dançou e cantou por sete dias, espalhando
por toda parte, com seu vento, o seu
canto, fazendo com que se reunissem no
local todos os caçadores da terra.
Oiá embrenhou-se mata adentro e depositou
ao pé de uma árvore sagrada os pertences
de Odulacê. Olorum, que tudo via,
emocionou-se com o gesto de Oiá e deu-lhe
o poder de ser a guia dos mortos no
caminho do Orum.

Transformou Odulacê em orixá e Oiá na Mãe


dos espaços dos espíritos. Desde então
todo aquele que morrem tem seu espírito
levado ao Orum por Oiá.
Antes, porém, deve ser homenageado por
seus entes queridos, numa festa com
comidas, canto e danças. Nasceu assim o
funerário ritual do axexê.

CRIAÇÃO DA MORTE

No começo o mundo era formado somente


por pântanos e água.
Os orixás todos moravam no céu e só
desciam de vez em quando para correr e se
divertir nas águas.
Olorum chamou então Oxalá e disse-lhe que
gostaria de criar terra firme no mundo,
que era uma imensidão de água e nada mais.
Confiou-lhe então essa tarefa, já que ele
era o seu primogênito.
Para a execução do feito, cedeu a Oxalá um
pombo, uma galinha com pés de cinco dedos
e uma concha de terra.
Ao chegar ao pântano, Oxalá depositou a
concha e soltou o pombo e a galinha sobre
a terra que imediatamente começaram a
ciscar e espalhá-la por todo o espaço. Em
pouco tempo o barro transformou-se em solo
e cobriu grande parte das águas.
Oxalá, voltando ao céu, apresentou-se
a Olorum e transmitiu-lhe o sucesso da
empreitada. Este enviou um camaleão para
ver se tudo estava a contento. Estava. A
terra já era firme e poderia viver-se com
segurança em sua superfície. Esse local
foi chamado de Ifé que quer dizer ampla
morada.

Olorum então ordenou que seu filho


descesse e plantasse árvores, o que ele
fez com presteza. Logo vieram as chuvas
para regá-las, e assim, em quatro dias,
foi criado o Ifé e tudo que nele existe.
Olorum deu ainda a Oxalá a honra de
modelar o homem e a mulher feitos do barro
do pântano. Quando modelados, levou-os
até Olorum que, soprando seu hálito
divino, deu-lhes vida.
O mundo então se completara e todos
louvaram e deram graças a Olorum e a
Oxalá.
O homem, então, povoou a terra e passou a
dar oferenda a todos os orixás que eram os
senhores de cada segredo e cada mistério
e, como sempre eram lembrados, nada
deixavam faltar aos homens. Em certa
ocasião, porém, os habitantes
de Ifé perceberam que eram imortais, logo,
não tinham que dar oferenda nenhuma a
orixá nenhum, pois também eram deuses e
essa falsa ilusão os deixou felizes e com
enorme sentimento de liberdade, agora
poderiam fazer de tudo, nada para eles era
proibido, comparavam-se aos deuses e
festejavam com alegria a grande
descoberta.
Oxalá ficou muito magoado e deprimido com
tais desmandos de seus filhos, abandonou a
terra e foi morar no espaço sagrado junto
com todos os orixás. Lá chegando, pensou,
pensou e chegou à conclusão que os homens
tinham que ser castigados,
assim aprenderiam que não podiam se
comparar aos orixás.
Então criou Icu, a morte, e deu-lhe a
tarefa de fazer morrer a todos. Somente
impôs uma condição: a morte pode levar
qualquer um, sem exceção, mas a hora quem
decide é Olorum. Icu mata, mas o mistério
existente em torno do momento final
pertence, exclusivamente, a Olorum.
DEVOLUÇÃO

Dizem que quando Olorum encarregou


Oxalá de fazer o mundo e modelar o
ser humano, o Orixá tentou vários
caminhos.
Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não
deu certo, pois o homem logo se
desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou
dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi
pior.
Fez de fogo e o homem se consumiu.
Tentou azeite, água e até vinho de palma,
e nada.
Foi então que Nanã veio em seu socorro e
deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da
lagoa onde morava ela, a lama sob as
águas, que é Nanã. Oxalá criou o homem, o
modelou no barro.
Com o sopro de Olorum ele caminhou.
Com a ajuda dos Orixás povoou a Terra.
Mas tem um dia que o homem tem que morrer.
O seu corpo tem que voltar à terra, voltar
à natureza de Nanã.
Nanã deu a matéria no começo, mas quer de
volta no final tudo o que é seu.

DOMÍNIO

No início dos tempos, cada orixá


dominava um elemento da natureza, não
permitindo que nada, nem ninguém, o
invadisse.
Guardavam sua sabedoria como a um tesouro.
É nesse contexto que vivia a mãe das
água doces, Oxum,e o grande caçador Odè.
Esses dois orixás constantemente discutiam
sobre os limites de seus respectivos
reinados, que eram muito próximos.

Odè ficava extremamente irritado quando o


volume das águas aumentavam e
transbordavam de seus recipientes
naturais, fazendo alagar toda a floresta.
Oxum argumentava, junto a ele, que sua
água era necessária à irrigação e
fertilização da terra, missão que recebera
de Olorun.
Odè não lhe dava ouvidos, dizendo que sua
caça iria desaparecer com a inundação.
Olorun resolveu intervir nessa guerra,
separando bruscamente esses reinados, para
tentar apaziguá-los.
A floresta de Odè logo começou a sentir os
efeitos da ausência das águas.
A vegetação, que era exuberante, começou a
secar, pois a terra não era mais fértil.
Os animais não conseguiam encontrar comida
e faltava água para beber.
A mata estava morrendo e as caças
tornavam-se cada vez mais raras.
Odè não se desesperou, achando que poderia
encontrar alimento em outro lugar.

Oxum, por sua vez, sentia-se muito só,sem


a companhia das plantas e dos animais da
floresta, mas também não se abalava, pois
ainda podia contar com a companhia de seus
filhos peixes para confortá-la.
Odè andou pelas matas e florestas da
Terra, mas não conseguia encontrar caça em
lugar algum.
Em todos os lugares encontrava o mesmo
cenário desolador.
A floresta estava morrendo e ele não podia
fazer nada.
Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda
para salvar seu reinado, que estava
definhando.
O maior sábio de todos explicou-lhe que a
falta d’água estava matando a floresta,
mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez
foi necessário para acabar com a guerra.
A única salvação era a reconciliação.
Odè, então, colocou seu orgulho de lado e
foi procurar Oxum, propondo a ela uma
trégua.
Como era de costume, ela não aceitou a
proposta na primeira tentativa.
Oxum queria que Odé se desculpasse,
reconhecendo suas qualidades.
Ele, então, compreendeu que seus reinos
não poderiam sobreviver separados, unindo-
se novamente, com a benção de Olorun.
FECUNDIDADE

Houve um tempo em que os orixás


masculinos se reuniam para discutir
sobre a vida dos mortais e não deixavam as
deusas participarem das decisões.
Aborrecida com isso, Oxum fez com que as
mulheres ficassem estéreis e então tudo
deu errado na terra. Os orixás foram
consultar Olorum e ele explicou que sem a
presença de Oxum com seu poder sobre a
maternidade, nada poderia dar certo.

Os orixás, então, convidaram Oxum para


participar das reuniões: as mulheres
voltaram a ser fecundas e todos os
projetos dos orixás tiveram bom resultado.

OFENDIDO

Bará sempre foi o mais alegre e


comunicativo de todos os orixás.
Olorun, quando o criou, deu-lhe, entre
outras funções, a de comunicador e
elemento de ligação entre tudo o que
existe.
Por isso, nas festas que se realizavam
no orun, ele tocava tambores e cantava,
para trazer alegria e animação a todos.

Sempre foi assim, até que um dia os orixás


acharam que o som dos tambores e dos
cânticos estavam muito altos, e que não
ficava bem tanta agitação.
Então, eles pediram a Bará, que parasse
com aquela atividade barulhenta, para que
a paz voltasse a reinar.
Assim foi feito, e Bará nunca mais tocou
seus tambores, respeitando a vontade de
todos.
Um belo dia, numa dessas festas, os orixás
começaram a sentir falta da alegria que a
música trazia.
As cerimônias ficavam muito mais bonitas
ao som dos tambores.
Novamente, eles se reuniram e resolveram
pedir a Bará que voltasse a animar as
festas, pois elas estavam muito sem vida.
Bará negou-se a fazê-lo, pois havia ficado
muito ofendido quando sua animação fora
censurada, mas prometeu que daria essa
função para a primeira pessoa que
encontrasse.

Logo apareceu um homem, de nome ogan.


Bará confiou-lhe a missão de tocar
tambores e entoar cânticos para animar
todas as festividades dos orixás, e,
daquele dia em diante, os homens que
exercessem esse cargo seriam respeitados
como verdadeiros pais e denominados ogans.

PUNIÇÃO DUPLA

Olorum enviou Nanã e Oxalá para


viverem na Terra e criarem a
humanidade.
Os dois foram dotados de grandes poderes
para desempenharem essa tarefa, mas
somente Nanã tinha o domínio do reinado
dos eguns, e guardava esses segredos, bem
como o da geração da vida, em sua cabaça.
Oxalá não se conformava com esta situação,
queria poder compartilhar desses segredos.
Tentava agradar sua companheira com
oferendas para convencê-la a revelar seu
conhecimento.
Nanã, sentindo-se feliz com as atitudes de
Oxalá, decide mostrar-lhe Egun, mas apenas
ela era reconhecida nesse reinado.
Certa vez, enquanto Nanã trabalhava com a
lama, Oxalá, disfarçando-se com as roupas
dela, foi visitar Egun, sem lhe pedir
autorização.
Quando Nanã, sentiu a falta de Oxalá e de
sua própria vestimenta, teve certeza de
que ele havia invadido o seu reinado,
atraiçoando-a gravemente.
Enfurecida com a descoberta, resolveu
fechar a passagem do mundo proibido,
deixando Oxalá preso.

Enquanto isso, Oxalá caminhava no reinado


de Nanã, tentando descobrir seus
mistérios, mas apenas ela conseguia
comunicar-se com os Eguns.
Egun, sempre envolto em seus
panos coloridos, não tinha rosto, nem voz.
Oxalá, usando um pedaço de carvão, criou
um rosto para ele, como já havia feito com
os seres humanos, e, com seu sopro divino,
abriu-lhe a fala. Assim, ele conseguiu
desvendar os segredos que tanto queria,
mas, quando se deu conta, viu que não
conseguia achar a saída.
Nanã não sabia o que fazer, por isso
fechou a passagem para mantê-lo preso até
encontrar uma forma de castigá-lo.
Contou a Olorun sobre a traição de Oxalá,
que não aprovou a atitude de ambos.
Nanã errou ao revelar a Oxalá os segredos
que o próprio Olorun lhe confiara.
Para castigá-la, tomou o seu reinado e o
entregou a Oxalá, pois ele desempenhara
melhor a tarefa de zelar pelo Eguns.
Oxalá também foi castigado, pois invadiu o
domínio de um outro orixá. Daquele dia em
diante, Oxalá seria obrigado a usar as
roupas brancas de Nanã, cobrindo o seu
rosto com um chorão, que somente
as yabás usam.

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